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Sistema de apoio à decisão aplicado na gestão de cotações de transporte internacional

Luís André Brás Roque

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SISTEMA DE APOIO À DECISÃO APLICADO NA GESTÃO DE COTAÇÕES DE TRANSPORTE INTERNACIONAL LUÍS ROQUE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APRESENTADA À FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO EM ENGENHARIA INDUSTRIAL E GESTÃO M M 2014 SISTEMA DE APOIO À DECISÃO APLICADO NA GESTÃO DE COTAÇÕES DE TRANSPORTE INTERNACIONAL NA SONAE Luís Roque Dissertação de Mestrado Orientador na FEUP: Prof. Eduardo Gil da Costa Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Engenharia Industrial e Gestão 2014-06-30 Sistema de apoio à decisão aplicado na gestão de cotações de transporte internacional ii Aos meus pais e à minha irmã Sistema de apoio à decisão aplicado na gestão de cotações de transporte internacional iii Resumo Numa economia cada vez mais assente no setor dos serviços, a informação é crítica para as organizações. A proliferação de modelos de gestão baseados em indicadores de performace (balanced Scorecard, por exemplo) remete imediatamente para a qualidade da informação que é passada à gestão. Os sistemas de informação são fundamentais no suporte que dão aos processos de negócio. O presente projeto surgiu da necessidade de uma gestão mais eficiente de informação, com foco sobre a fiabilidade e fiedignidade desta. O problema identificado, inicialmente, foi sobretudo no domínio de sistemas. No entanto, a sua resolução foi mais abrangente. Com o objetivo de não melhorar e consolidar processos obsoletos e instrinsecamente causadores de ineficiências, optou-se por uma abordagem mais macro e centrada nos processos. A solução proposta causa mudanças organizacionais, visto que se pretende alterar o paradigma vigente, na divisão da Direção de Logística Internacional, nos fluxos de importação e exportação. No desenvolvimento do trabalho de reengenharia de processo e, nomeadamente, logo no levantamento dos processos AS-IS, surgiu a ideia de que as sinergias potenciais entre os fluxos são grandes e uma nova divisão é proposta, por processos spot e tender/contrato. O projeto foi realizado em várias fases, desde a reengenharia de processo, passando pela conceptualização de um sistema de informação, até à sua implementação. Com esta decisão garantiu-se que o sistema respondia exatamente aos requisitos dos processos. Os resultados foram positivos, reduzindo-se para três os, inicialmente, dez processos AS-IS. O número de sistemas de informação passou de sete para quatro, numa primeira fase, com potencial de reduzir para três no médio prazo. Outras melhorias consistiram na diminuição do número de atividades, na redução dos fluxos de informação, na garantia da segurança dos dados e na automatização de atividades fundamentais, como input de dados (fiabilidade) e análise (o sistema permite simular cenários). Sistema de apoio à decisão aplicado na gestão de cotações de transporte internacional iv Decision Support System applied to the management of international transport quotations Abstract Once economy is increasingly relying on the sector of services, information turns out to be a critical point for organizational development. Proliferation of management models based on performance indicators (balanced Scorecard, for instance) refers to the quality of information sent to administration. Information systems are crucial to support business processes. The present project emerged from the necessity of obtaining a more efficient management of information, focusing their reliability and assurance. The initially recognized main problem concerned systems. Nevertheless, its resolution fulfilled wideranging objectives. Trying to avoid improvement and validation of ancient obsolete processes, intrinsically responsible for most of the inefficiency, the option was a macro generic approach, process centered. The proposed solution implies organizational changes in order to modify current paradigm of ordinary import and export flows, under the responsibility of International Logistics Department. Along the reengineering study process and, especially, in the initial presentation of AS-IS processes, the idea of taking advantage of synergy between flows arose, leading to creation of a new operational division, using spot and tender/ contract processes. The project was designed in several stages, starting with re-engineering process, through information system conceptualization and towards implementation. This decision warranted adequate answer to the requests of the several processes. Results were satisfactory, disclosing reduction from initially ten to three processes. Number of information systems declined from seven, in the beginning, to just four, potentially able to be reduced to three in the medium term. Other improvements were connected to decrease the number of activities, reduction of information flows, data safety, automation of central activities, such as data input (reliability) and analysis (system allows simulation of several scenarios). Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte Agradecimentos Em primeiro lugar, agradeço ao meu orientador de empresa, Eng.º Luís Silva, a oportunidade de desenvolver este projeto, bem como pelo apoio que sempre prestou no decorrer do mesmo. No seguimento, agradeço também à equipa que integrei na empresa, composta pelo Paulo, Sofia e Cátia pela forma como me receberam, pela partilha de informação e pelo empenho no apoio ao projeto. Estendo ainda os meus agradecimentos às restantes equipas da DLI, na pessoa do Eng.º Raul Magalhães, pela disponiblidade constante para ajudar e pela ótima relação profissional. Agradeço ao Professor Eduardo Gil da Costa a orientação e suporte que concedeu para a elaboração desde trabalho. Destaco também os Professores Gabriel David, pelo debate de ideias que tanto enriqueceu o trabalho, e Teresa Galvão, pelo apoio na pesquisa bibliográfica. O meu obrigado aos colegas Tiago Craveiro, Bruno Azevedo, Tiago Paiva e Pedro Santos pelo companheirismo, troca de ideias e motivação para enfrentar os problemas. Findo com o meu muito obrigado à minha namorada, Sofia, e à minha família, destacando os meus pais e a minha irmã, pela força e suporte na superação dos desafios, fundamental para a conclusão deste projeto. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte i Índice de Conteúdos 1. Introdução ........................................................................................................................................... 1 1.1. Apresentação da Empresa Sonae ....................................................................................................... 1 1.2. O Projeto na Empresa .......................................................................................................................... 2 1.3. Metodologia .......................................................................................................................................... 2 1.4. Temas abordados e sua organização no presente relatório ................................................................ 3 2. Enquadramento teórico ....................................................................................................................... 4 2.1. Supply Chain ........................................................................................................................................ 4 2.1.1. Global Sourcing ................................................................................................................. 5 2.1.2. Supply Chain Management ................................................................................................ 5 2.1.3. SCM na perspetiva global .................................................................................................. 6 2.1.4. Especificidade do transporte internacional ........................................................................ 7 2.1.5. Mercado de outsourcing no domínio de Supply Chain Management ............................... 10 2.1.6. Transportation Business Processes ................................................................................ 10 2.1.7. Seleção de LSP ............................................................................................................... 12 2.2. Business Process Management ......................................................................................................... 13 2.2.1. Business Process Reengineering .................................................................................... 15 2.2.2. Sistemas de informação .................................................................................................. 15 3. Situação atual .................................................................................................................................... 18 3.1. Caracterização dos processos AS-IS ................................................................................................. 19 3.2. Modelização dos processos AS-IS ..................................................................................................... 20 3.3. Balanço dos processos AS-IS ............................................................................................................ 27 4. Solução proposta .............................................................................................................................. 31 4.1. Caracterização dos processos TO-BE ............................................................................................... 31 4.2. Modelização dos processos TO-BE ................................................................................................... 33 4.3. Seleção de LSP ................................................................................................................................. 37 4.4. Balanço dos processos TO-BE .......................................................................................................... 39 5. Sistema de apoio à decisão .............................................................................................................. 42 5.1. Nível Conceptual ................................................................................................................................ 42 5.2. Algoritmo ............................................................................................................................................ 46 5.3. Simulação .......................................................................................................................................... 47 5.4. Sistema de suporte à exportação ....................................................................................................... 51 6. Conclusões e perspetivas de trabalho futuro .................................................................................... 53 Referências ............................................................................................................................................ 54 ANEXO A: Global Sourcing e Supply Chain ................................................................................... 58 ANEXO B: Seleção de LSPs .......................................................................................................... 60 ANEXO C: Vistas de sistema .......................................................................................................... 61 ANEXO D: Algoritmo ....................................................................................................................... 66 ANEXO E: Modelização de processos ........................................................................................... 68 ANEXO F: Modelo lógico do sistema ............................................................................................. 71 Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte ii ANEXO G: RFQ geral para cotações de transporte rodoviário ...................................................... 73 ANEXO H: RFQ preparado para consulta ao mercado .................................................................. 75 ANEXO I: Manual de utilização do Export Support System .......................................................... 77 Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte iii Siglas 3PL – Thirt-Party Logistics Providers AHP – Analytic Hierarchy Process BPM – Business Process Management BS – Business Strategy CH – Consolidation hub CR – Consistency Ratio CW – Central Warehouse DC – Direção Comercial DLI – Departamento de Logística Internacional DM – Data Modeling ER – Entity-Relationship ETD – Estimated Time of Delivery EXW – Ex-Works FCA – Free Carrier (named place) FCL – Full Container Load FF – Freight Forwarder FMS – Freight Management System FOB – Free On Board FTL - Full Truck Load GS – Global Sourcing HC – High Cube KPI - Key Performance Indicator LCL – Less Container Load LSP – Logistics Service Providers LTL - Less than Truck Load MCDM – Multicriteria Decision-making OC – Ordem de Compra OI&P – Operações Internacionais e Planeamento OLC – Overall Logistic Cost RFQ – Request for Quotation RPV – Relação Peso/Volume RW – Regional Warehouse Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 3 1.4. Temas abordados e sua organização no presente relatório O presente relatório encontra-se dividido em 6 capítulos. Neste primeiro capítulo foi feita uma apresentação da empresa, do projeto e da metodologia seguida para a sua realização. No capítulo dois é feito o enquadramento teórico do problema na área de estudo, gradualmente incidindo sobre metodologias e métodos utilizados na fase de resolução do mesmo. O capítulo três aborda o levantamento exaustivos dos processos AS-IS, pretendendo conhecer a realidade interna e identificar, desde logo, possibilidades de melhoria. O capítulo quatro descreve a solução proposta, estabelecendo comparações com a situação inicial e analisando as melhorias potenciais, sendo descrito todo o processo de reengenharia realizado No capítulo 5 é apresentado o Sistema de Apoio à Decisão desenvolvido. O sexto e último capítulo refere as conclusões do projeto, bem como as perspetivas futuras do trabalho desenvolvido. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 4 2. Enquadramento teórico O comércio internacional expandiu consideravelmente, desde 1970, quando os fatores essenciais para a produção – terra, trabalho e capital – se globalizaram (Rodrigue 2012). O sudeste asiático é, hoje em dia, o centro de gravidade da produção mundial, com especial destaque da China. Por seu lado, a geografia do consumo centra-se nos EUA, Europa e Jakota (Japão, Coreia do Sul/Taiwan), ainda que com perspetivas de mudança (Rodrigue 2012). A consequência da crescente internacionalização do comércio foi uma reestruturação global dos transportes e das redes de distribuição. O transporte marítimo e aéreo assinalaram crescimentos consideráveis. A própria contentorização foi um dos impulsos desta mudança, sendo o transporte marítimo de contentores dominante no comércio internacional (apesar do transit time mais longo), sobretudo pelas cotações baixas (Creazza, Dallari et al. 2010). Os terminais de transporte, bottleneck das redes de transporte globais, evoluíram também, criando condições para facilitar estes fluxos. Na vertente marítima, os portos ganharam capacidade e especializaram-se, tendo como base as rotas globais criadas, com portos de carga e descarga como Hong Kong, Los Angeles e Roterdão e portos de transbordo (intermidiary hub ports) como Singapura e Dubai. O mesmo aconteceu no transporte aéreo, sobretudo com o transporte de material eletrónico (com um rácio elevado na relação valor-peso). Freight forwarders (FF) criaram hubs em aeroportos especializados em transporte de cargas (versus aeroportos de passageiros), por exemplo, nos USA: Memphis, com o hub da Federal Express, e Louisville, da UPS. Também surgiu a necessidade de aeroportos que desempenhassem um papel de ligação: Anchorage (para o tráfego Pacific Asia-North America) e Dubai (Pacific Asia-Western Europe) (Rodrigue 2012). Contudo, estes centros de gravidade não são estanques e já se caminha no sentido de um rebalanceamento. A consequência será um reajustar das Supply Chain (SC), criando novas rotas e obrigando a reestruturações profundas das infraestruturas que as suportam (Rodrigue 2012). 2.1. Supply Chain O conceito de Supply Chain nasceu do conceito de logística. A logística é definida por Bowersox, Closs et al. (2002) como: “…theworkrequiredtomoveandpositioninventorythroughoutasupplychain.” A logística cria valor através da gestão do inventário nas dimensões de tempo e espaço, combinando, de acordo com Bowersox, Closs et al. (2002), a gestão de encomendas, stocks, transportes, warehousing, materiais e embalamento ao longo da cadeia. Assim, a logística está sob alçada da Supply Chain, que integra e sincroniza estas operações (Bowersox, Closs et al. 2002). A SC situa-se no nível estratégico, passando pelo planeamento orientado, pela integração com as entidades externas e pela coordenação de alto nível. A sua estratégia assenta em 4 dimensões: inventário (níveis e métodos de controlo), transporte (modos, routing, schedulling, volume e consolidação), localização (número, dimensão e geografia das instalações, com base nos fornecedores e mercados) e serviço ao cliente (resultado da formulação das anteriores) (Ballou 2004). Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 5 2.1.1. Global Sourcing O conceito de global sourcing (GS) nasce da necessidade de enquadrar a abrangência de operações que atingem dimensões globais. Uma possível definição é: “Integration and coordination of procurement requirements across worldwide business units, looking at commonitems,processes,technologiesandsuppliers” (Trent and Monczka 2003) O crescimento do GS foi tornou-se galopante. O somatório das compras não domésticas a nível mundial passou de 21 a 31% em 2000, para 31 e 40% em 2005 (Creazza, Dallari et al. 2010). Estes números espelham a busca incessante por fornecedores e/ou produção mais económicos. Na perspetiva da grande maioria dos CEOs, a globalização já surge, há algum tempo, como o principal desafio no planeamento estratégico das suas empresas, num horizonte de 3 a 5 anos (Trent and Monczka 2002). A questão é que existe um trade-off entre este efeito benéfico e o crescimento natural da dimensão da cadeia, agravando a complexidade, os custos de transporte, a warehousing e os custos de serviço (Christopher 2011). Trent and Monczka (2002) propuseram níveis para qualificar os patamares de progressão que uma empresa percorre no decurso evolutivo do processo de global sourcing (anexo A, figura 31). A complexidade é um dos fatores críticos, reflexo e consequência do posicionamento de uma empresa nos níveis superiores, visto que requer adequação a regras e reguladores diferentes (trade compliance), a requisitos específicos e a flutuações de taxas de câmbio, entre outros itens. A evolução de international purchasing para global sourcing envolve a coordenação comum de práticas, processos e tecnologias com fornecedores espalhados pelo mundo (Trent and Monczka 2002). 2.1.2. Supply Chain Management O conceito de Supply Chain Management (SCM) está intrinsecamente ligado ao de Supply Chain (SC), já que é o seu suporte. A SCM trabalha sob a SC e interliga os processos da cadeia, desde a entidade fornecedora até aos clientes, incluindo a própria organização, contribuindo para a performance, eficiência e eficácia do fluxo de produto e informação dentro de uma empresa. As alterações de paradigma nos mercados e empresas levam a que haja um debate sobre a denominação Supply Chain Management. Uma empresa trabalha mais em rede do que numa perspetiva de cadeia (chain) e o impulso é o mercado, não os fornecedores (supply). Uma possível definição atual pode ser: “A network of connected and interdependent organisations mutually and co-operatively working together to control, manage and improve the flow of materials and information from suppliers to end users.” (Christopher 2011) A SCM existe enquanto acrescento de valor para o cliente e vantagem competitiva interempresas. Tradicionalmente, o caminho para a redução de custos passava pelo grande volume de vendas e aumento da quota de mercado. Agora, percebe-se que grande parte do custo unitário de um produto está disperso na SC da empresa e nos desperdícios na articulação das entidades que participam na cadeia . Os dois pilares que sustentam a SCM são a integração e a coordenação, estando a primeira focada na seleção de parceiros, organização da rede interna e externa, enquanto a segunda aborda os processos (eficiência, correta alocação Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 6 de recursos a atividades, definição de indicadores, reengenharia de processos), sistemas e fluxos de informação, integrando também o planeamento (Stadtler and Kilger 2005). Porter (1998) definiu três estratégias competitivas genéricas: custo, diferenciação e foco. Desconstrói-se a abordagem tendo por base as primeiras duas, visto serem os dois tipos-base de vantagem competitiva. Para uma empresa seguir uma estratégia estritamente de liderança por custo, tem de ser realmente a líder nesse campo, não podendo ser uma das empresas que lutam por essa posição, sob pena de não resistir à concorrência. No caso de uma empresa que definiu uma estratégia de diferenciação, o problema põe-se quando o custo dessa diferenciação ultrapassa o valor que ela cria na perceção do consumidor. Para criar espaço de manobra a essa diferenciação, a empresa vai reduzir custos em todas as áreas que não a incluem. Estas estratégias são globais ao negócio. Uma Corporate Strategy de diversificação resulta em várias unidades de negócio, sendo que cada uma tem estratégia (Business Strategy) e cadeia de valor próprias (Porter 1998). A cadeia de valor apresenta objetivos distintos para, por exemplo, uma estratégia em que se pretende liderar por custos: o tamanho de encomendas, centralização de operações e sourcing em escala global; versus uma estratégia de diferenciação em que tempos de entrega curtos e precisos, garantia de lead times, capacidade de resposta e redução de risco podem ser críticos. Todos estes objetivos apontam em duas direções fundamentais: competitividade, o objetivo principal, e serviço ao cliente (qualquer entidade que participe na cadeia, inclusivamente interno), meio fundamental para atingi-lo (Stadtler and Kilger 2005). A cadeia de valor de Porter divide as atividades entre principais e suporte, dando destaque às operações de logística interna e externa como parte integrante das atividades principais de uma empresa. As atividades principais são aquelas que integram a conceção física do produto, a venda, a transferência para o consumidor e o pós-venda. Esta noção da contribuição da logística para o valor acrescentado do produto não é nova, apenas se redobra a atenção sobre a mesma. 2.1.3. SCM na perspetiva global Numa organização global a SCM torna-se crítica para a rentabilidade dos negócios. A complexidade da gestão também cresce com a dimensão, tanto na ótica dos canais de abastecimento e distribuição, como na gama e ciclo de vida dos produtos. Uma empresa global tem uma rede de fornecedores, produção e mercados espalhados pelo mundo. A somar à rede global, existe um risco associado a todo o fluxo. Um fluxo tipicamente está dividido num grande número de fases, por exemplo, fábrica para o porto, porto para o país destino, desalfandegamento no porto, inland até a um armazém central e posteriormente distribuído para lojas. Resumindo, a coordenação e sincronização das trocas físicas de mercadoria e os fluxos de informação, desde a origem até ao destino, é o fator chave. A logística passa de uma área a monitorizar para contenção de custos, para um nível estratégico, transformando-se na base do redesenho da SC (ver figura 34 do anexo A) (Ballou 2004). Passa a ser crítico então ter visibilidade sobre o máximo possível deste fluxo, existindo hoje em dia um termo que já caracteriza este processo de monitorização, Supply Chain Event Management (SCEM) (Stadtler and Kilger 2005). O objetivo é reportar desvios que possam significar alterações ao planeamento de atividades. Assim garante-se uma redução de custos através de reações mais eficientes, criando planos de ação para pré-determinados desvios (prováveis de ocorrer ou com custos elevados). O SCEM pode estar suportado em sistema, automatizando os planos de ação com vista a responder com maior eficiência. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 7 2.1.4. Especificidade do transporte internacional Existe um código de regras (não leis), aceite pela comunidade internacional, que regula este tipo de transações. A Câmara de Comércio Internacional desenvolveu-a e apelidou-a de International Commercial Terms, abreviados para Incoterms, sendo que última revisão foi realizada em 2010. Determinam a responsabilidade, alocação de custos e risco a tomar por parte tanto do comprador como do vendedor (Gubbi 2014). Figura 3 - Incoterms 2010 Fonte: (Weiss-Rohlig 2010) A figura 3 resume as 11 regras que sustentam as operações internacionais, sejam elas de importação ou de exportação. A sua esquematização ajuda a compreender de quem é a responsabilidade, o risco e o custo de um transporte. Um incoterm com larga expressão nas operações de transporte marítimo internacional contentorizado (é exclusivo deste modo) é o FOB (Free On Board). Nesse caso, a responsabilidade de loading na fábrica, pre-carriage e loading no navio são do vendedor, terminando no momento em que a carga está no navio indicado pelo comprador (Gubbi 2014). A seleção de determinado incoterm tem uma grande variedade de critérios: volume transportado, know-how neste tipo de operações e conhecimento dos requisitos legais dos locais de carga/descarga. O domínio da operação logística (utilizando um incoterm mais longo), se respeitando os critérios anteriores, permite uma absorção de margens ao longo da cadeia logística, da perspetiva da empresa que compra ou vende a mercadoria. O transporte internacional pode ser realizado através de cinco meios: marítimo, aéreo, rodoviário, ferroviário e pipelines. Neste trabalho irão ser analisados com especial detalhe os três primeiros. Todos eles têm restrições e requisitos específicos. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 8 Tabela 1 - Características que definem um meio de transporte Meio de Transporte Marítimo Aéreo Rodoviário Tipo de Transporte FCL LCL Courier Freight LTL FTL Unidade de Carga 20’ 45' HC PW RF Europalete Box Europalete Palete Inglesa Tipo de Carga Dry Reefer Dry Reefer Dry Reefer Commodity Vinho Peixe Congelado Vinho Peixe Congelado Vinho Peixe Congelado A tabela 1 ilustra quatro características dos meios de transporte marítimo, aéreo e rodoviário. O transporte marítimo de contentores, o mais convencional, utiliza dois tipos de transporte: Full Container Load (FCL) e grupagem ou Less than Container Load (LCL), respetivamente, contratando a capacidade total do contentor ou apenas parte da cubicagem disponível. O transporte aéreo divide-se em dois tipos de serviços: standard e serviços especializados de courier, usualmente transporte urgente de pequenos volumes – com elevado foco na flexibilidade, fiabilidade e door-to-door (combinando usualmente um esquema de transporte terrestre e aéreo) (ZLU, ISF et al. 2003). O transporte terrestre rodoviário divide-se entre Full Truck Load (FTL) e Less than Truck Load (LTL) que, tal como no marítimo, dependem da contratação total, ou não, da capacidade do camião. Os diversos tipos de transporte possuem associado uma unidade de carga, um tipo de carga e mercadoria. Cada uma destas características é apresentada na tabela 1. Os diferentes modos de transporte podem ser suportados em 3 tipos de rede: embarque direto, com uma escala ou com duas escalas, sabendo que estas escalas podem estar a montante (origem) ou jusante (destino) da cadeia (Creazza, Dallari et al. 2010). Uma escala a montante significa a otimização do transporte através de um Consolidation hub (CH), ou seja, a criação de um nó da rede logística em que a mercadoria de vários fornecedores é agregada e só depois enviada para o destino final. A jusante, o mesmo princípio pode ser utlizado com a criação de um Central Warehouse (CW) em que a carga é desconsolidada e dispersa por Regional Warehouses (RW), armazéns não centrais do comprador, no destino (Creazza, Dallari et al. 2010). A consolidação/desconsolidação não é exclusivamente realizada em armazéns, podendo acontecer em zonas terminais, tais como portos e aeroportos, que também possibilitam a sua concretização. No seu trabalho, Creazza, Dallari et al. (2010) apresentam 5 possíveis configurações para uma rede logística de transporte marítimo, em que os fornecedores se concentram no Extremo Oriente e os armazéns da empresa compradora se situam na Europa (figura 4). Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 9 Figura 4 - Configuração de uma rede logística ligando n fornecedores e m armazéns regionais Fonte: (Creazza, Dallari et al. 2010) Cada uma das configurações é utilizada atualmente e a sua eficiência depende de diversos parâmetros. Creazza, Dallari et al. (2010) sintetizam cinco principais fatores: procura anual, procura anual entre cada fornecedor e cada RW, densidade do valor do produto (€/m3), diferença de custo do trabalho entre origem e destino. A estes fatores junta-se a dispersão territorial dos fornecedores pois, juntamente com a diferença do custo do trabalho, possibilitam a decisão entre um CH e um CW. Baixa dispersão e elevada diferença resulta na utilização de CH como a solução mais adequada. A construção da rede logística final é resultado de análises a parcelas da cadeia, sendo que o todo significa uma junção dessas partes. O resultado final pode ser uma solução híbrida, utilizando a configuração 1 (figura 4) para relações de procura elevadas entre fornecedor – RW e um CH, numa geografia com elevado número e concentração de fornecedores. Os custos de um transporte logístico internacional são caracterizados por um conjunto muito alargado de rubricas. Estas rubricas estão detalhadas, na tabela 6 do anexo A, para o transporte marítimo e divididas pelos processos principais: transporte, handling, inventário, e processamento operacional. Significa que a seleção de um FCL ou LCL altera as rubricas a incluir na determinação do Overall Logistic Cost (OLC) (Creazza, Dallari et al. 2010). Aqui Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 10 apenas estão representados os custos associados com transporte internacional e handling; custos na origem ou destino e dos terminais logísticos não estão contemplados. 2.1.5. Mercado de outsourcing no domínio de Supply Chain Management Com o crescimento do número de empresas globais, a tendência é a massificação do outsourcing. A empresa foca-se nas atividades da cadeia de valor em que tem uma vantagem sobre a concorrência, competências core, e externaliza todas as restantes operações. Pela sua natureza, a logística é uma das áreas com um grande incremento no domínio do outsourcing, considerando-se aqui não só o transporte, o warehousing, e o controlo de inventário, mas também da própria SCM (Christopher 2011). Esta tendência criou uma necessidade e a partir daí o impulso para o crescimento de empresas especializadas em transporte e serviços de logística, Thirt-Party Logistics Providers (3PL), Logistics Service Providers (LSP). Um 3PL contrata reservas de espaço junto dos carriers (2PL – quem assegura o transporte físico da mercadoria) e agrupa e integra cargas e transportes (aproveitando melhor a capacidade do transporte e negociando maiores volumes – preços mais económicos de cotações e handling). Trata também de toda a documentação necessária, onde se inclui: despacho, documentação específica do transporte, por exemplo, CMR (rodoviário – Convention on the Contract for the International Carriage of Goods by Road), BL (marítimo – Bill of Lading) ou AWB (aéreo – Air Waybill) e até cartas de crédito (ZLU, ISF et al. 2003). Um 4PL excede as capacidades do 3PL, criando valor acrescentado na vertente da gestão estratégica e sistemas de informação. Os 4PL estão envolvidos no desenho funcional da cadeia logística (warehousing, transporte e gestão de materiais) e possuem um elevado nível de integração de sistemas com os clientes, possibilitando que possam gerir e otimizar toda a cadeia logística. Um novo conceito em expansão são os 5PL, empresas que incluem suporte online a gestão de compras e vendas, end-to-end tracking de mercadoria, explorando sobretudo capacidade de sistemas e disponibilização de informação in loco (Kinlock 2010). Os 3PL não detêm a carga transportada e muitas vezes nem o próprio meio de transporte (o detentor é o carrier), montando simplesmente a operação logística do cliente. Podem suportar e gerir cadeias específicas ou operações da SC e até apoiar na dimensão do sourcing estratégico. Tal como no caso dos FF, existem 3PL que gerem também ativos tangíveis, detendo frotas de transporte, terminais e armazéns próprios. Aliás, a diversificação de serviços para abranger necessidades complementares e a integração vertical/horizontal têm sido constantes por parte dos operadores. Os LSP garantem o transporte marítimo e absorvem também serviços de inland: trucking, warehousing, transbordo e até transporte ferroviário para contentores (na Europa). O valor acrescentado pode compreender as dimensões essenciais a melhorar da SC: custo (operação, eficiência na utilização da capacidade de transporte e de warehousing) e serviço ao cliente (lead time e fiabilidade no transporte dos bens) (Rodrigue 2012). 2.1.6. Transportation Business Processes Uma das componentes essenciais do custo da cadeia logística de uma empresa global passa pelos transportes, constituindo uma das componentes fundamentais da SCM, que a interliga com outros pontos-chaves da cadeia. Como já foi visto, o aumento do nível de globalização de Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 11 uma empresa contribui para uma complexidade agravada na sua gestão, sendo que a consequência natural é o outsourcing de parcelas ou da cadeia completa. Certas atividades, como o transporte físico dos bens, nem sequer são passíveis de ser realizadas internamente, sendo que apenas empresas com a dimensão da Wall-Mart conseguem concessionar navios para transporte de contentores exclusivamente para transporte próprio. Ainda assim, estes absorvem somente parte do fluxo da China. Entra-se na dimensão da gestão de processos, visto que a contratação de determinado transporte é constituída por um conjunto de atividades que a precede e outras que a sucedem. Figura 5 - Transportation Management Process Life Cycle Fonte: (SAP 2006) Na figura 5, estão documentadas as macro atividades que a SAP (2006) considera críticas para a gestão do processo de transporte. Tal como indica a legenda da figura, o processo apresentado é cíclico e vai-se alimentando a ele próprio, ou seja, no momento de selecionar o LSP, o histórico serve de base para a avaliação aos LSP. Um conceito novo a introduzir para se perceber o processo desenhado na figura 5 é o de tender. Tender ou bid é uma oferta para fornecer bens ou serviços por um preço acordado, com um prazo inicial e final de validade. Lysons and Farrington (2005) definem tender da seguinte forma: “A purchasing procedure whereby potential suppliers are invited to make a firm and unequivocal offer of the price and terms on which they will supply specified goods or services, which, on acceptance, shall be the basis of a subsequent contract.” O processo apresentado alonga-se no tempo, sendo que inclui um subprocesso que se repete constantemente. O subprocesso de freight order management representa a operação de receber um pedido de serviço de transporte que pode resultar na subcontratação efetiva do transporte, dependendo sobretudo da contribuição do transporte para a margem dos produtos. Para tal são utilizados os valores acordados no tender e os requisitos posteriormente fechados. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 12 O transporte é agendado, reservando-se espaço junto do carrier, e são acertados os efetivos locais de carga/descarga (dependem do incoterm negociado com o fornecedor da mercadoria) e outros requisitos específicos que eventualmente não estejam cobertos no contrato. No decorrer de cada transporte é importante fazer track and trace da mercadoria para seguir o transporte e perceber eventuais desvios. O processo global compreende, além deste subprocesso, componentes importantes de gestão. Figura 6 - Strategic Freight Management Fonte: (SAP 2006) Detalhando a macroatividade de Strategic Freight Management, ilustrada na figura 6, conseguimos ver um novo processo com atividades que estruturam a relação entre determinada empresa e os LSPs. O grande benefício do freight procurement é o facto de estabelecer expetativas para determinado canal da cadeia, dentro das necessidades previstas, garantindo estabilidade para a empresa (SAP 2006). A preparação e avaliação de tenders, por exemplo, pressupõe várias atividades: forecast dos volumes a transportar para o intervalo de tempo em que o contrato irá estar em vigor, capacidade dos LSP e equipamento disponível. A negociação detalha sobretudo cotações e transit times. Realizada a análise e seleção do operador, são acordados requisitos específicos do serviço e um Standard Operating Procedure (SOP): procedimentos de recolha, avisos de chegada, adjudicações, entidades a faturar, entre outros. No momento em que o LSP é contratado será necessário monitorizar o contrato, definindo KPI (Key Performance Indicators) que irão contribuir inclusivamente para próximos tenders a negociar. 2.1.7. Seleção de LSP A seleção dos 3PL ou Logistics Service Providers (LSP) é um dos desafios no momento de fazer outsourcing dos serviços ligados à SC. O LSP assume-se um stakeholder crítico, visto que condiciona a própria qualidade do serviço do cliente que contrata o LSP. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 19 processos de exportação tem vindo a crescer, obrigando a um redesenho daqueles que atualmente suportam ambos os fluxos. O conhecimento aprofundado dos processos AS-IS é fundamental para se perceber como pode ser desenhada uma nova lógica que permita uma gestão mais eficiente, fiável e eficaz. Os processos vigentes, na fase inicial do projeto, foram exaustivamente levantados e serão analisados detalhadamente nos subcapítulos seguintes. A sua caracterização, execução e, sobretudo, o balanço, retirado através da mensuração de indicadores, mostram o panorama atual. Os processos aqui em análise têm como âmbito todos os pedidos de cotação efetuados pela equipa da gestão de fretes ao mercado de operadores logísticos, sejam LSP ou carriers. 3.1. Caracterização dos processos AS-IS A perspetiva de divisão dos processos, por parte da DLI, em importação e exportação, já foi anteriormente apresentada, sendo que, no subprocesso da gestão de fretes, se somam outras duas dimensões: tipo de transporte (marítimo, aéreo e rodoviário) e tipo de negociação (spot e tender/contrato). O tipo de negociação relaciona-se com a recorrência e preparação de determinado envio. Caso seja um envio regular e para uma geografia amplamente trabalhada, terá, em princípio, um tender/contrato a sustentar o fluxo. O volume e regularidade garantem uma posição negocial interessante (cotações mais competitivas), além de que o risco inerente ao transporte, como flutuação de preços das cotações, atrasos, extravio ou danos causados à mercadoria, se reduz (visto que os requisitos, na sua maioria, estão especificados). Os processos levantados têm como finalidade assegurar: x Cotações válidas e negociadas com as melhores condições possíveis para a Sonae; x Fiabilidade dos dados e facilidade de acesso; x Adjudicação ao operador que melhor cumpre os requisitos (preço, TT, nível de serviço, entre outros). Os processos são compostos por 3 fases: consultar o mercado, disponibilizar cotações e adjudicar o transporte. Em termos de limites, tem de se dividir a análise por tipo de negociação. Uma negociação spot, pelo seu caráter iminentemente singular, tem necessariamente como trigger um pedido de cotação, sendo que os detalhes desse pedido são o input do processo. O processo termina com a adjudicação do transporte consumada (apesar de ser atividade da gestão de fluxos, é considerada no processo em análise). No caso do processo ser do tipo tender/contrato, o trigger passa a ser o fim da validade do tender e, como input, surge a necessidade de um tender/contrato para determinadas origens ou destinos. O output compreende as cotações disponibilizadas para adjudicação do transporte. O primeiro passo do levantamento compreendeu a modelização dos processos AS-IS que a gestão de fretes utilizava no decorrer das suas funções. Esta modelização obedeceu à divisão apresentada em cima, pelo que o seu resultado seriam doze processos (na realidade não se traduzem em doze, devido à fase embrionária em que se encontra a exportação, com clientes dispersos por vários mercados e fluxos pouco recorrentes). Naturalmente, os transportes marítimo e aéreo ainda não iniciaram a negociação de tenders de exportação com LSP. O transporte terrestre já trabalha tenders na perspetiva de cobrir as necessidades de inland e para importação/exportação dentro da Europa. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 20 A modelização foi realizada utilizando uma representação do tipo matriz de responsabilidade, em detrimento de diagramas do tipo swimlane ou fluxograma. Apesar da flexibilidade que se perdeu, a opção assume-se vantajosa. Os fluxos são sequenciais e a representação apenas mostra macroatividades, o que habilita a utilização da matriz. As vantagens que apresenta sobre os restantes deve-se à possibilidade de atribuir determinada atividade a vários atores e com responsabilidades diferentes, permitindo também, facilmente, organizar sistemas e documentação do processo, garantindo uma perspetiva de alto nível e focada no essencial do processo (Faria 2013). 3.2. Modelização dos processos AS-IS Os processos serão apresentados e, paralelamente, os seus intervenientes e suportes, por forma a tornar mais intuitiva a compreensão das funções que desempenham. A modelização completa de todos os processos encontra-se no anexo E, apenas se incluindo em texto a modelização de quatro processos: importação aéreo spot, exportação rodoviário spot, importação marítimo tender, e exportação rodoviário tender, para análise detalhada dos mesmos. São incluídas estas quatro modelizações, pelas diferenças significativas que apresentam. Em termos de estrutura, a matriz de responsabilidade utilizada tem quatro informações essenciais: fases do processo, atividades, atores e documentos/ registos/ dados. Cada fase tem diversas atividades e cada atividade tem um ou mais atores associados, tal como documentos, registos ou dados. Todas estas informações variam de processo para processo. Como já foi referido, os processos encontram-se divididos por várias dimensões: tipo de fluxo, transporte e negociação. O tipo de negociação remete para dois conceitos: spot e tender. Em termos práticos, uma negociação spot significa que se está a trabalhar uma origem/destino ou um tipo de negociação não recorrente. A origem até pode ser repetida, no entanto, o tipo de incoterm, tipo de transporte, tipologia de carga, podem obrigar a um pedido spot, por não estarem previstos nos serviços acordados com o operador. O facto de ser recorrente não obriga a que haja um tender/contrato para o serviço, até porque o volume pode não ser suficiente e, nesse caso, a auscultação constante do mercado tem potencial de redução de custos. Ainda assim, existe uma tendência natural para que se procure a utilização de tenders. Apesar do custo pontualmente poder ser inferior, no caso de consultas regulares ao mercado, os benefícios da utilização de tenders são evidentes: redução de risco da operação, devido à regulação mais apertada (normalmente com KPI indexados ao valor cobrado), que garante uma redução dos desvios a que uma operação spot está sujeita; relação comercial mais estreita com o fornecedor do serviço; definição exigente de procedimentos operacionais. O processo spot subentende, na fase de consulta ao mercado, um pedido de cotação pelas DC e a resposta a esse pedido dada pela Gestão de Fretes. A segunda fase pressupõe a disponibilização dessa mesma cotação; o processo termina, na fase 3, com a adjudicação do transporte consumada pela equipa da Gestão de Fluxos. Um processo de tipologia tender tem diferenças substanciais, logo pela questão de não haver um pedido de cotação como trigger. As atividades, no momento de consulta ao mercado, são mais exigentes e consumidoras de tempo. A componente analítica é substancialmente mais importante e requer maior alocação de recursos, que será compensada de diversas formas. O processo é cíclico, no entanto, tem uma regularidade substancialmente inferior à dos processos de tipo spot. A conclusão de um processo de tipo tender/contrato garante que os processos cíclicos de adjudicação, para origens ou destinos que o contrato compreende, tenham apenas, como macroatividades, o pedido de transporte de determinada DC e a Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 21 adjudicação por parte da equipa da Gestão de Fluxos. As restantes equipas são liberadas do processo. Um processo spot repete-se sempre que é necessário fazer uma adjudicação; pelo contrário, no caso de um processo tender, a repetição do processo completo só acontece no momento em que a validade das cotações termina. Outra compensação passa pela menor pressão sobre as equipas de Gestão de Fretes e, sobretudo, Gestão de Fluxos. No momento de gerir o transporte físico (estando os requisitos contratualizados, o risco de ocorrência de problemas é menor ou, em certos casos, estão acautelados). Os processos levantados têm todos a forma da figura 11. x Modelização do processo de importação aéreo spot Neste processo, representado na figura 11, são utilizados três sistemas e dois registos de dados: Simulador de Comércio internacional, Workflow de Importação, MS Excel de cotações aéreo e dois tipos de RFQ (Request For Quotation) para consulta ao mercado. Figura 11 - Modelização do processo de importação aéreo spot Um dos sistemas destina-se a gerir cotações, sendo específico para este modo de transporte e tipologia de fluxo (ficheiro excel – cotacoes_aereo). Este ficheiro serve também para registo das adjudicações. Outro, o Workflow de Importação, sistema transversal que suporta a gestão dos fluxos físicos e fornecedores, entra no processo assim que o fluxo se inicia. O sistema alerta as equipas quando determinados marcos do processo são atingidos, v.g. envio de documentação necessária, abertura de cartas de crédito, criação da reserva, etc. Um exemplo concreto é: no momento em que a pessoa responsável pelo processo, pertencente à equipa de Gestão de Fluxos, confirma que o despacho foi realizado, o sistema gera um alerta no terminal do responsável do agendamento junto dos entrepostos. O Workflow de Importação é alimentado pelo Retek (sistema transversal para cadastramento e venda de produtos) em várias componentes, nomeadamente a OC (Ordem de Compra), e pelo Simulador de Comércio Internacional no caso de informações, mais operacionais, como transit times. O transit time, por exemplo, condiciona o calendário interno do Workflow de Importação que, no momento em que a equipa de Gestão de Fluxos insere a data de Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 22 embarque, irá calcular a data de chegada. Este registo permite depois comparar com a data efetiva de chegada e perceber desvios. O Simulador de Comércio Internacional integra os custos associados aos produtos, interagindo com o Retek no momento de criação de uma OC com produtos associados. Uma OC pode ser gerada de três formas: através de um processo de simulação (Simulador de Comércio Internacional), automaticamente (sempre que se atinge o ponto de encomenda, por exemplo) ou manualmente, por intermédio de um gestor de stocks. Ambos os registos de dados que aparecem na figura são proformas (RFQ – Request for Quotations) que a equipa da Gestão de Fretes utiliza para consulta de cotações junto do mercado. Neste processo, participam quatro atores: uma DC e as equipas de Gestão de Fretes, Gestão de Fluxos, Comércio Internacional (não faz parte da DLI). A equipa de Comércio Internacional faz a ligação com as DC, alimentando o Simulador com dados de várias equipas da DLI (por exemplo, cotações de transporte da equipa de Gestão de Fretes e taxas alfandegárias de Processos Aduaneiros). As fases de consultar o mercado e adjudicar o transporte são grandes consumidoras de recursos. Adjudicar o transporte inclui também a gestão do transporte físico, numa perspetiva de monitorização, em que a Gestão de Fretes também participa, acompanhando o processo. A fase de consulta ao mercado, para um pedido em que não existe cotação carregada, é substancialmente exigente em termos de atividades e suporte de registos e dados. Neste caso, a necessidade de se incluir 5 atividades extra, para o caso de não haver cotação carregada, associa-se aos cálculos que a DC vai realizar com o valor de referência. A partir daí, dita o avanço ou não da operação. A Gestão de Fretes, ao pedir uma cotação de referência e não detalhada, causa menos stress sobre os operadores logísticos, num cenário que pode não se vir a concretizar. Os 6 fluxos de informação existentes, via email ou disponibilização em sistema, são indicativos do desgaste inter-equipas e ineficiência. A operação de análise é automática, no entanto, utiliza apenas o critério peço para seleção do operador a que posteriormente será adjudicado o transporte. A principal divisão existente reside nos processos de importação e exportação. Por outro lado, a diferenciação de processos spot e tender advém das diferentes necessidades que criam, sendo resultado da resposta intuitiva dos operadores internos, ou seja, não existe uma real separação na perspetiva da gestão de topo. Pelo contrário, a distinção entre processos de importação e exportação obedece a um desenho pensado pela direção do departamento, em que os próprios atores que intervêm no processo são diferentes. Torna-se relevante perceber os motivos que levam a que os processos sejam tão diferentes. Em primeiro lugar, considere-se o estágio de maturação em que se encontra a exportação. Este fator influencia determinantemente, por duas vias, o tipo de processos que cruzam a DLI. Em segundo lugar, existe um grande número de projetos de exportação que não se concretizam efetivamente em fluxos físicos e, por outro lado, a modelização das operações é significativamente mais complexa (não de todas as operações, sobretudo das operações novas ou das alterações estratégicas vigentes). Outra contribuição para a diferença acontece a nível de sistemas; o Workflow de Importação, que é o suporte para o fluxo físico e documental, não suporta a exportação. Também o Simulador de Comércio Internacional não permite integração deste tipo de fluxo. Outros sistemas utilizados, como o PDS, também não foram desenhados para permitir a incorporação da exportação. Finalmente, a própria perceção existente de que os processos são tão distintos já se alimenta a si própria, impedindo que se procurem sinergias potenciais. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 23 x Modelização do processo de exportação rodoviário spot A figura 12 detalha o processo de exportação rodoviário de tipologia spot, mostrando divergências significativas do processo que se tratou anteriormente (importação aéreo spot). Além das diferenças relativas ao momento em que o processo aéreo não tem cotação carregada (só ele aéreo tem esta componente na importação), existem outras fundamentais a destacar. Figura 12 - Modelização do processo de exportação rodoviário spot Num processo de exportação, seja ele qual for, a comunicação com o negócio deixa de ser realizada pela equipa da Gestão de Fretes, passando o pelouro para uma equipa pivot, Operações Internacionais e Planeamento (OI&P). Este facto implica uma exigência superior, desde logo, em termos de gestão da informação. A equipa de OI&P entra no processo pela necessidade anteriormente evidenciada, em função da maior complexidade de uma operação de exportação. A sua modelização exige know how de negócio, ultrapassando assim as competências da Gestão de Fretes. As competências da OI&P consistem em definir o routing, o meio de transporte, as quantidades a expedir e em que momentos e os locais de armazenamento. A atividade da OI&P compreende apenas este tipo de modelização, incluindo ainda o planeamento do reabastecimento de lojas e projetos de modelização de importação. Será importante realçar esta última competência, uma vez que significa também intervir nas operações de importação, ainda que apenas em projetos estruturais (criação de um hubs logísticos, por exemplo). Sempre que determinada operação seja nova, ou no caso de alterações estruturais de operações vigentes, a colaboração da equipa de OI&P assume-se necessária. No entanto, nem todos os processos de exportação são novos ou complexos e a tendência, com o crescimento das exportações, será para uma progressiva redução da complexidade das operações. Existem diferenças ainda em termos de macroatividades (analisar propostas, por exemplo), relativamente ao fluxo de importação, e uma diferença importante reside nos sistemas de suporte ao processo. O apoio dado por outros sistemas (que não o Simulador, Workflow de Importação e PDS) é menos fiável e completo. O MS Excel de exportação permite a inclusão das propostas do Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 24 mercado para determinada operação, num formato livre, ou seja, o seu tratamento e análise são manuais e têm duas etapas. Na fase de consultar o mercado, a macroatividade de análise é desempenhada pela equipa de Gestão de Fretes e compreende, por um lado, a formatação para comparar as propostas de diferentes operadores logísticos e, por outro, uma análise prévia. Esta análise garante a inclusão apenas do operador que mais garantias dá para a concretização da operação que a OI&P desenhou. Ainda assim, como a operação pode ter vários cenários e mesmo vários transportes, cada pedido de cotação pode ter várias cotações associadas (o melhor operador para cada cenário). A segunda etapa de análise está dentro da fase de adjudicação do transporte (necessariamente depois da disponibilização das cotações por parte da Gestão de Fretes) e é da competência da equipa de OI&P. Aqui determina-se exatamente o cenário a seguir e é comunicado à DC, que por sua vez irá decidir o avanço ou não da operação. A adjudicação será consumada pela equipa de Gestão de Fluxos e suportada pela BD Exportação, sistema desenhado para permitir armazenar os dados da operação. São necessários cinco fluxos de informação para que esta chegue à equipa que desempenhará a atividade/decisão seguinte. Alguns deles estão inseridos em macroatividades de equipas que não a Gestão de Fretes, não tendo sido mais detalhadas em esquema, uma vez direcionado o foco ao trabalho desta equipa. Ainda assim, são elementos em análise, por integrarem os limites do processo. A decisão de colocar uma equipa como pivot cria, desde logo, três fluxos extra: logo que o pedido de cotação da DC chega à equipa de OI&P, é processado e reencaminhado para a Gestão de Fretes; num segundo plano, já com a cotação disponível, a equipa de OI&P faz a ponte com o negócio (atividade incluída na macroatividade “modelizar a operação”), que decide o avanço ou não da operação; finalmente, o pedido de adjudicação, caso a DC decida avançar, tem novamente como intermediário a equipa de OI&P (macroatividade de “pedir adjudicação”). Os dois últimos fluxos dependem da disponibilização, por parte da equipa da Gestão de Fretes, das cotações, primeiro em sistema e depois avisando a equipa de OI&P (só no final de ambos os fluxos esta equipa tem a informação realmente à disposição). Como já foi antes referido, os processos de importação estão numa fase de maturação muito elevada, sobretudo no caso de utilização do transporte marítimo. O próprio sistema que suporta o processo, apesar de ser uma aplicação desenvolvida em Access (PDS), é relativamente estável e flexível. O PDS permite a gestão de cotações e adjudicações, sendo alimentado pelo Workflow de Importação para questões operacionais (cruzamento com fornecedores, datas de embarque, chegada a entreposto, entre outras). Tem, no entanto, limitações: não permite integração de outros modos de transporte ou tipologia de fluxo, pois foi formatado para importação marítima. Corre o risco de obsoletismo, devido à inexistência de atualização: o input das cotações é manual, consumindo tempo e podendo conduzir a erros na informação; a análise das propostas só utiliza o critério preço e não avalia o nível de serviço do operador logístico; não permite extração fácil da informação na perspetiva de realização de reports. x Modelização do processo de importação marítimo tender/contrato O processo de importação marítimo tender/contato, representado na figura 13, pela sua tipologia de negociação, apenas possui duas fases: consulta de mercado e disponibilização das cotações. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 25 Figura 13 - Modelização do processo de importação marítimo tender/contrato Este processo, como já foi referido, não pretende resultar numa adjudicação, mas antes garantir cotações disponíveis. A primeira fase, apesar de ser constituída apenas por quatro macroatividades, assume-se bastante consumidora de recursos. A necessidade de garantir o máximo de requisitos específicos do serviço e detalhar também o SOP, exige uma preparação cuidada e coerente. O proforma enviado encontra-se modelizado para o incoterm mais utilizado (varia de acordo com o incoterm), FOB no caso, criando a necessidade de preparação nos restantes. No momento de análise, o sistema dá suporte, requerendo intervenção manual no momento em que os operadores logísticos fazem revisões das cotações (podem acontecer semanalmente para tenders com validade de três meses). A negociação exige reuniões com os operadores logísticos para complementar a análise com dados em falta ou mesmo para discussão de preços/requisitos/serviços. Existem normalmente várias iterações de negociação e análise para o mesmo processo de tender/contrato. A fase da disponibilização de cotações é crítica, pois é o momento em que toda a fase de consulta se concretiza no objetivo de permitir ao negócio perceber a viabilidade/margem de determinada operação. Assim, o tempo que esta fase dura gera desperdício. Nenhuma atividade acrescenta valor, apenas sendo pretendido executar um fluxo de informação para o ponto de utilidade. A primeira atividade desta fase é a disponibilização da cotação no PDS, sendo este input manual (elevada probabilidade de erro). Devido ao facto do PDS possuir somente custos ligados com transporte (não possui os restantes custos logísticos) e de ter sido desenhado apenas para tal, obriga a recorrer ao apoio de outro sistema que agrega a informação complementar (Simulador de Comércio Internacional). Visto que não existe interação entre sistemas, as cotações são disponibilizadas em PDS e, nesse momento, o Comércio Internacional é avisado, via email. O Comércio Internacional, de seguida, carrega as cotações Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 26 manualmente no Simulador. Só no final desta operação a informação está efetivamente no local designado e o processo concluído. A monitorização do contrato não é considerada uma atividade crítica do processo, sendo influenciada pela perceção dos operadores internos, que fazem as adjudicações, relativamente aos comportamentos passados dos LSP. Uma adjudicação pode ser realizada a um LSP com uma proposta mais elevada em termos de preço, em detrimento de outro que, na perceção do operador interno, tenha comprometido transportes passados. x Modelização do processo de exportação rodoviário tender/contrato Por último, inclui-se a modelização do processo de exportação, utilizando o transporte terrestre (rodoviário), de tipologia tender/contrato. Foi selecionado por ser um processo crítico para a estratégia de exportação da empresa. Ainda nenhum dos restantes meios de transporte trabalha processos de tipologia tender/contrato, no fluxo de exportação, ainda que naturalmente o virão a fazer num horizonte breve. Pelo seu estado de reduzida maturação, é interessante perceber os desafios que levanta. Este processo só foi utilizado uma vez, apesar de já ter sido realizada uma consulta mais detalhada ao mercado, com o objetivo de obter valores de referência. O processo desenhado na figura 14 não pretende resultar num conjunto de valores de referência, mas antes contratualizar efetivamente valores para fluxos futuros, salvaguardando requisitos de detalhe operacional de/para geografias distintas. Figura 14 - Modelização do processo de exportação rodoviário tender/contrato A semelhança com um processo de importação de tipologia tender/contrato, em termos de atividades, é significativa. No entanto, o consumo de recursos é muito maior. Uma diferença a notar é a participação da equipa de OI&P, pelo facto de ser um fluxo de exportação. A OI&P será a equipa responsável por mediar a comunicação entre as DC e a Gestão de Fluxos, no momento em que sejam requeridas adjudicações para transporte de Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 27 mercadorias. Também é de referir a ausência da equipa de Comércio Internacional, visto que não existe necessidade de alimentação do Simulador para as DC. Os recursos assumem-se elevados, tendo em conta o desgaste de preparação de um tender de raiz, a análise manual (visto não haver nenhum suporte em termos de sistema) e a negociação. Também o armazenamento dos detalhes, tanto de cotações como operacionais, consta em ficheiro e não em sistema. Em termos de fluxo de informação é o processo que se admite ser menos exigente. 3.3. Balanço dos processos AS-IS Nesta fase foram levantados, e detalhadamente analisados, todos os processos AS-IS da empresa. No entanto, apenas quatro foram tratados no presente documento com o objetivo de aumentar o nível de detalhe, ao invés de analisar globalmente um maior número de processos. Foram selecionados processos substancialmente diferentes para que se percebesse os diferentes estágios de maturação encontrados na organização. Este é um fator importante na assimilação dos processos, pois um dos desafios será obrigar a que haja uma aproximação dos patamares de maturidade (utilizando os processos maduros como alavanca). Além disso, as tipologias distintas que se procurou incluir mostram a diversidade de atividades encontradas. Neste subcapítulo foram incluídos todos os processos, sendo definidos indicadores quantitativos e qualitativos para identificar potenciais problemas. Um dos indicadores passa pelo número de processos distintos, visto que a multiplicação de processos leva a que exista mais desperdício em várias frentes: tempo, dificuldade de assimilação dos vários processos, dificuldade de implementar melhorias e standardizar/automatizar atividades. O número de atividades é também uma mensuração a fazer, visto que demasiadas macroatividades impedem uma gestão focada e eficiente. Ainda no domínio dos processos, os atores que intervêm e os fluxos de informação constituem mais uma componente da análise. Para suportar os diferentes processos, existe a necessidade de sistemas, no entanto, quanto maior o número destes, mais a informação se encontra desagregada, tornando mais complexa a tarefa de reporting, visto que obriga a um cruzamento de informação de sistemas desenhados de forma diferente. A multiplicação de sistemas também contribui para que o número de processos diferentes aumente, pois cada sistema tem requisitos distintos que se traduzem em atividades diferentes. Outra consequência é o aumento de probabilidade de erros na gestão da informação, bem como o desperdício, pois a informação demora a chegar ao ponto de utilidade. O número de sistemas tem impacto também na possibilidade de avaliação de vários tipos de fluxos (importação e exportação) e transporte (marítimo, rodoviário e aéreo), para uma mesma origem e destino. É uma funcionalidade mais específica, mas importante no momento de análise em diferentes cenários possíveis para concretizar um fluxo. Nesta fase, são também identificados indicadores para medir o desempenho dos sistemas. A facilidade e fiabilidade do input de dados é indispensável, tanto para efeitos práticos de adjudicação, como para validação (faturas, por exemplo) ou reporting. O desenho estruturado dos processos também é avaliado. O sistema não tem apenas de guardar a informação, devendo ser capaz de a armazenar para permitir a acessibilidade e o cruzamento de dados específicos (caso o operador queira isolar determinadas variáveis). Este é um fator importante de eficiência, como se pode depreender da seguinte analogia intuitiva: comparação da eficiência de operação de um armazém de mercadorias com uma organização lógica versus o Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 28 mesmo armazém com a mesma mercadoria armazenada, no entanto, sem organização estruturada. Um sistema não é mais do que um armazém de dados, logo, a sua performance está diretamente ligada à sua conceptualização. Além do referido, essa organização estruturada é essencial também no momento de reporting. Ainda no domínio dos sistemas, a fiabilidade do próprio software é crítica, visto que tem implicações na segurança dos dados. Extravio de informação, tal como de produtos, significa prejuízo para a organização. Assim, o perigo de colapso de ficheiros/sistemas é uma variável a controlar. Em termos de análise e seleção de operadores logísticos, são consideradas a capacidade de analisar propostas com critérios definidos e a monitorização do nível de serviço dos operadores logísticos. Esta componente analítica terá impacto sobre as adjudicações, tanto ao nível de modelização mais eficiente de operações logísticas, como de incremento de qualidade destas. Em suma, identificaram-se dois grandes domínios: processo e sistemas/ficheiros. A dimensão de processo tem como indicadores: número de processos, número de macroatividades, número de atores, número de fluxos de informação e número de sistemas/ficheiros de dados. Dentro do domínio de sistemas/ficheiros os indicadores são: integração de fluxos e transportes, input, estrutura/ reporting, segurança, critérios de análise e monitorização de níveis de serviço. Neste momento, o número de processos atinge o total de dez, muito embora com perspetiva de, no curto/médio prazo, os transportes marítimo e aéreo negociarem tenders à exportação. Naturalmente, este número elevado de processos causa problemas de coordenação, foco e eficiência. O esquema da figura 15 põe ainda em evidência a divisão soberana em termos de processos na DLI, importação e exportação. Figura 15 - Processos AS-IS que envolvem direta ou indiretamente a equipa de Gestão de Fretes A tabela 3 permite perceber os atores, sistemas e fluxos de informação que caraterizam cada processo. Um total de cinco atores participa nos processos identificados. Este número espelha alguma necessidade de remodelação da estrutura orgânica, visto que existem intervenientes com funções de valor acrescentado reduzido, nomeadamente a equipa de Comércio Internacional. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 35 OLC, transit times, dias de saída, frequência, entre outros. Neste momento esta macroatividade foi absorvida pelo sistema. Ainda assim, adiciona-se uma atividade de análise que o sistema introduz, no âmbito da responsabilidade da equipa de Gestão de Fretes, para casos mais complexos. Esta será apresentada mais à frente. O sistema FMS, além de base de dados com cotações disponíveis de todos os meios de transporte, apoia a tomada de decisão. Além do meio de transporte, também outros detalhes de carga são analisados pelo sistema: tipologia de carga (por exemplo, para o transporte marítimo, seleção entre FCL e LCL) e unidade de carga (ainda no exemplo do transporte marítimo, seleçãoentrecontentoresde20’,40’,40’HCe45’HC). O sistema garante também o teste e cruzamento de quatro pontos. Na figura 19 está ilustrada a necessidade a que a DLI dá resposta, que consiste em transportar bens entre dois pontos. Estes dois pontos, dependendo do incoterm, podem significar, por exemplo, um porto de origem e um entreposto de chegada, ou uma fábrica de um fornecedor na origem e um entreposto de chegada. O sistema foi também construído com esta lógica de dar visibilidade sobre todos os possíveis transportes entre dois pontos. Figura 19 – Possibilidades de conexão entre uma origem e um destino O inland no destino (Bobadela – entreposto da Azambuja, por exemplo) é negociado com um único operador e por um período alargado de tempo. O mesmo cenário se poderia colocar no caso de inland na origem, não sendo, no entanto, prática comum a negociação dos mesmos. No caso de um incoterm mais longo à importação, o que obriga a que o inland na origem seja da responsabilidade do grupo Sonae, a negociação com o LSP, que irá realizar o transporte internacional, irá incluir esse custo acrescido. Fica do lado do LSP a subcontratação do inland na origem. Devido a este facto, o mais comum, sobretudo no caso do transporte marítimo, é a negociação de incoterms um pouco mais curtos, como seja FOB ou FCA porto de origem. Assim fica garantido que o fornecedor da mercadoria tem à sua responsabilidade a contratação do inland até ao porto. O transporte aéreo utiliza, por vezes, incoterms mais longos, dando a responsabilidade do transporte interno na origem ao operador que realiza o transporte internacional. A análise realizada pelo sistema compreende a complexidade de cruzar cotações de inland com transporte internacional, garantindo todas as opções que ligam os dois pontos. Uma cotação de transporte marítimo, a título de exemplo, pode ligar diretamente os pontos de origem e destino, caso todo o transporte seja responsabilidade do LSP. Contudo, pode também ligar apenas dois portos. Nesse caso, o sistema vai cruzar internamente com cotações carregadas de inland, que liguem esses portos aos pontos de origem ou destino. Naturalmente que a cotação de inland terá que obedecer aos requisitos necessários para o transporte, Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 36 nomeadamente unidade de carga. Uma cotação de inland para contentores de 20’ não é consideradaparaumtransporteinternacionaldeumcontentorde40’. x Modelização do processo de exportação spot O modelo do processo de exportação (inclui triangulações como já foi referido), na tipologia spot, encontra-se esquematizado na figura 20. Este processo assume-se o mais complexo em termos da macroatividade de modelizar a operação. A equipa OI&P entra no processo como pivot, visto que os detalhes que a DC comunica para o projeto de exportação não são claros. A DC normalmente não sabe detalhes de cubicagem ou peso da carga que pretende transportar e da necessidade de reabastecimento das lojas (pode nem ter decidido ainda a gama a enviar). Esta equipa desconstrói o pedido e, no momento em que necessita de testar diferentes cenários de modelização e/ou meios de transporte, encaminha o pedido mais detalhado à equipa da Gestão de Fretes. Figura 20 - Modelização do processo exportação spot As macroatividades mais exigentes, em termos de recursos e know how, são, portanto, as da equipa de OI&P, tanto num primeiro momento no pedido de cotação, como na modelização da operação. A modelização da operação pode ter um grau de complexidade elevado e, no caso, incluir definição de gamas a enviar, tempos de reabastecimento de loja, meios de transporte a utilizar (utilizando triangulações, podem ser utilizados vários meios de transporte), locais de warehousing. O FMS dá suporte apenas na componente de análise dos diferentes meios de transporte a utilizar, tipologia de carga e unidades de carga (dentro das cotações disponibilizadas pela equipa da Gestão de Fretes). Neste momento, existe uma grande procura por novos mercados por parte do grupo Sonae, o que significa que este tipo de processo irá ter uma taxa de utilização muito elevada. Com a maturação do fluxo de exportação, este tipo de processos irá gradualmente ser substituído pela tipologia tender. x Modelização do processo tender/contrato Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 37 Para a tipologia tender/contrato apenas foi necessário modelizar um processo (figura 21). Uma das diferenças reside nas equipas a alertar no momento em que as cotações estão disponíveis. Na importação, o alerta segue para a equipa de Comércio Internacional para input em Simulador; na exportação segue, na fase inicial, para a equipa de OI&P. Numa segunda fase, seria interessante evitar este passo. Para isso, existem duas soluções possíveis: a integração de módulos referentes aos restantes custos logísticos no FMS ou compra de um software novo que permita a simulação e integração de importação e exportação. A equipa de OI&P deixa de ser um requisito para o processo, visto que este se torna recorrente. Assim, a modelização já foi realizada e as necessidades perfeitamente identificadas. Figura 21 - Modelização do processo de tipologia tender/contrato Concluído o processo, a equipa da Gestão de Fretes, pelo período de validade das cotações, não intervém nas adjudicações para as origens e destinos cobertas pelo tender/contrato. Este processo, como já foi referido, irá ser pouco utilizado nesta primeira fase. Ainda assim, o objetivo deve ser a conversão dos processos spot em processos tender (os benefícios já foram identificados atrás). A monitorização do nível de serviço que o operador logístico tem garantido é fundamental, tanto para perceber como tem evoluído o seu comportamento, como para contratualização de novos tenders. A boa prática de inclusão de KPIs de operação, indexados ao valor do contrato, requer que sejam alimentados e analisados os indicadores definidos. Significa também que, no caso de análise de novo tender, a decisão será tomada com maior fundamentação, existindo um histórico do nível de serviço praticado por determinado operador. 4.3. Seleção de LSP A seleção dos LSP foi estudada na perspetiva de se conceber uma metodologia e sugerir alguns indicadores a incluir. O objetivo não foi efetivamente implementar, mas sim iniciar o seu estudo. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 38 Figura 22 - Critérios na decisão de seleção de LSPs (tender) O esquema da figura 22 pretende representar a análise de propostas relacionadas com um tender. No momento de contratualizar vários fluxos, por um período alargado de tempo, existe a necessidade de perceber a capacidade do operador para cumprir, efetivamente e com qualidade, os serviços que se irão adjudicar. Assim, definem-se critérios para a decisão: custo, transit times, taxa de cobertura (número de países que o operador assegura, por exemplo) e nível de serviço. O cálculo do nível de serviço é resultado do histórico acumulado de serviços praticados pelos operadores, constituindo um critério complementar de análise que permite fundamentá-la. Um operador em concurso que propõe um transit time reduzido e que nos envios registados até ao momento apenas cumpriu o tempo proposto em 50% das vezes, será penalizado no critério nível de serviço. O mesmo acontece numa proposta de preço reduzido, por parte de um operador que o histórico mostra extraviar constantemente mercadoria. A monitorização do nível de serviço dos operadores requer uma análise de indicadores definidos para o efeito. O problema que se coloca é que estes indicadores podem ser objetiva ou subjetivamente calculáveis. Na primeira situação, o requisito que se impõe é de informação. Na periodicidade definida (normalmente será por operação), a informação tem de ser recolhida e analisada. A tabela 4 apresenta quatro indicadores que medem o desempenho de um LSP e respetivos níveis de serviço a assegurar. Outros a registar: número de consultas ao mercado sem qualquer resposta por parte do operador; número pedidos de adjudicação, em que o operador não consegue dar resposta por falta de capacidade. Tabela 4 - Indicadores objetivamente mensuráveis No caso de indicadores de mensuração subjetiva, ou seja, que dependem de perceção, o índice de dificuldade aumenta. Aqui incluem-se indicadores mais operacionais: track and trace (quando não existe integração de sistemas), capacidade para manusear mercadorias com requisitos especiais, problemas administrativos (faturação, por exemplo), resposta em Service Indicator Delayed Deliveries total delayed deliveries/ total deliveries X 100 < 5% Delivery notice Nr delayed notices/ total deliveries X 100 < 10% Incidents Total incidences/ Total deliveries X 100 < 10% Documentation Nr delayed return docs/ total deliveries X 100 < 10% Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 39 situações de emergência e capacidade e rapidez na resolução de problemas/conflitos. Para uma análise multicritério, utiliza-se a metodologia proposta por Saaty (1980) Analytic Hierarchy Process (AHP) (exposta no capítulo 2). A metodologia serve dois propósitos: permitir avaliar esta segunda tipologia de indicadores (através de inquéritos sobretudo à equipa de Gestão de Fluxos) e, no final, determinar quais os pesos a atribuir aos critérios numa análise global (inquérito às direções de OI&P, Gestão de Fretes e Gestão de Fluxos). No final, cada indicador mensurado (objetiva ou subjetivamente) tem um peso específico, sendo possível construir uma função objetivo: min 𝑓(𝑥)=𝛽×𝐶𝑟𝑖𝑡é𝑟𝑖𝑜+𝛽×𝐶𝑟𝑖𝑡é𝑟𝑖𝑜+ 𝛽×𝐶𝑟𝑖𝑡é𝑟𝑖𝑜 Cadaβrepresentaumpesocalculadoatravésda metodologia de AHP e para cada critério que inicialmente se incluiu na análise. Foi definida como uma função de minimização, pelo que os indicadores têm de ser definidos tendo o mesmo objetivo. Os indicadores da tabela 4 obedecem a esse requisito. 4.4. Balanço dos processos TO-BE A solução proposta é aqui analisada na perspetiva integral: reengenharia de processo e sistema de apoio à decisão. O sistema é um suporte fundamental na alteração de paradigmas existentes dentro da organização. Para os indicadores definidos aquando da análise aos processos AS-IS, realiza-se o escrutínio às dimensões de performance, eficiência e eficácia dos processos TOBE. Aqui, retirar-se-á o incremento de valor para a organização com o trabalho realizado. As alterações fundamentais centram-se na divisão definida entre spot e tender, passando importação e exportação para subdivisões. Este novo paradigma pretende, por um lado, consumar a diferenciação mais evidente em termos de processos e, por outro lado, alavancar a exportação aproximando-a, em termos de processo, do estado de maturidade da importação. Também a definição, como objetivo, da transferência dos processos spot para tender, é fundamental no foco que garante às equipas. Processos spot (exportação) são exigentes para as equipas de OI&P, enquanto que os processos tender ocupam recursos na equipa da Gestão de Fretes. Outros aspetos, como a especificação da intervenção da equipa de OI&P nos processos spot à exportação, ao invés de se assumir como pivot em qualquer processo à exportação, será importante no momento em que a exportação começar a ganhar dimensão e estabilidade. A multiplicação deste tipo de processos iria consumir recursos desnecessariamente. Tabela 5 - Identificação de atores, sistemas, fluxos de informação e atividades para cada processo TO-BE Fluxo Tipologia Atores Sistemas Fluxos Inf. Atividades Spot Imp DC; G. Fretes; G. Fluxos; Comércio Internacional Simulador; FMS; Workflow 2 6 Exp DC; G. Fretes; G. Fluxos; OI&P FMS; BD Exportação 1 6 Tender Imp/Exp DC; G. Fretes; G. Fluxos; Comércio Internacional; OI&P FMS; Simulador; BD Exportação 1 6 Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 40 Os indicadores definidos para medir o desempenho de processos apresentam alterações evidentes face aos processos AS-IS. O número de processos foi reduzido de dez para três, permitindo maior controlo e standardização de funções. O desempenho da função torna-se mais fácil e não dependente do operador em causa, o que facilita a rotação da equipa e trocas por ausência, entre outros motivos. A comunicação com os operadores logísticos também ganha consistência, evitando contactos desnecessários. A fixação das macroatividades em seis, por processo, é sinal de consistência. Atividades que não eram críticas para o processo foram retiradas e outras automatizadas pelo sistema. O número de atores manteve-se por necessidade de incorporação de sistemas de outras direções, nomeadamente, no caso do processo tender. O número de fluxos de informação sofre uma redução considerável, visto que necessidades de comunicação para alerta de disponibilização de cotações, por exemplo, são despoletadas mal a informação se encontra disponível. O número de sistemas em uso foi um dos indicadores mais afetados pela solução proposta, obtendo uma redução de sete para três. Os sistemas que suportam os processos TO-BE encontram-se detalhados na figura 23. Ficheiros de dados foram eliminados e a informação foi agregada num sistema único que permite a gestão de cotações, registo de adjudicações e análise de dados. Figura 23 - Sistemas que suportam os processos To-BE A nível de sistemas, as funcionalidades incorporadas suportam e automatizam atividades importantes. Os proformas para consulta ao mercado permitem reduzir o tempo de preparação e facilitam o seu carregamento para o sistema. Este input passa a ser automático, o que se traduz também num aumento da fiabilidade dos dados, visto que o erro humano é eliminado. A integração de fluxos e transportes é total, agregando informação, antes dispersa, num só sistema, o FMS. O impacto é transversal a diversas necessidades, como sejam análises intermodais (acontece na modelização de operações à exportação) e reports sobre cotações ou adjudicações que agregassem mais do que um fluxo ou meio de transporte. A estruturação da informação permite cruzamento de dados, essencial para reporting, pesquisa e análise da informação. A eliminação de ficheiros de dados e sistemas desenvolvidos em MS Excel reduz limitações de armazenamento e risco de perda de dados. Os detalhes de conceptualização, desenvolvimento e implementação do sistema serão analisados no capítulo seguinte. A tabela 6 faz a síntese geral das alterações consideradas com a solução proposta, comparando-a com a situação inicial. A sustentação de alterações de processos num sistema construído de raiz permitiu alavancar as mudanças estruturais propostas. Sem este desenvolvimento, as alterações seriam extremamente limitadas, visto que os sistemas bloqueavam sinergias evidentes. A decisão de implementação comprovou-se essencial para o projeto. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 41 Tabela 6 - Síntese comparativa dos processos AS-IS vs TO-BE TO-BE AS-IS Curto Prazo Médio Prazo Processos 10 3 2 Sistemas 7 4 (PDS na transição) 3 Inserção de dados na BD Manual Automática Automática Análise propostas Modal e sem integração inland; automatização limitada Intermodal (inclui inland); automatização total Intermodal (inclui inland); automatização total Nível serviço operador Não avalia Atividade identificada e em estudo Avalia Reporting Manual Automático e flexível Automático e flexível Monitorização Estática Atividade identificada e em estudo Dinâmica (Dashboard) Histórico de cotações Perigo colapso; Extração difícil Segurança dos dados; Extração fácil Forecast Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 42 5. Sistema de apoio à decisão O Sistema de Apoio à Decisão (SAD), desenvolvido no âmbito deste projeto, tem implicações diretas sobre a reengenharia de processo. A sua função passa por automatização, gestão de cotações, registo de adjudicações, reporting e suporte à decisão. Foi seguida a metodologia proposta por Luján-Mora (2005), identificando três níveis para a construção de um sistema de informação: conceptual, lógico e físico. O nível conceptual, que corresponde à modelação da informação baseada nos processos reais, compreende a agregação da informação detalhada na análise aos processos: identificação de funcionalidades, atores, sistemas, utilizadores, entidades, relações entre entidades e atributos. É construído um modelo macro de casos de uso do sistema e um modelo conceptual. O nível lógico pretende descer a modelação para uma base de sistema. Não exige adequação ao software escolhido, mas antes estruturação da informação (normalização, por exemplo). São identificados os requisitos do sistema através do diagrama de classes preliminar. Finalmente, o nível físico corresponde à fase de detalhe dos requisitos anteriormente levantados. Para tal, é tido em conta o software em que será desenvolvido o sistema, no caso, MS Access. Compreende a construção do diagrama de classes detalhado, arquitetura do sistema, design e segurança dos dados. Na descrição do SAD, será dada mais relevância ao nível conceptual, visto garantir uma visão mais macro sobre o trabalho desenvolvido para resolução do problema. O nível de detalhe dos restantes não deixa de ser interessante e relevante, pelo que alguns diagramas e esquemas desenvolvidos serão incluídos em anexo. 5.1. Nível Conceptual O nível conceptual parte dos processos reais que foram concluídos na fase de levantamento. Ainda assim, é necessário agregar a informação recolhida e decompor os processos em tarefas sob diferentes perspetivas da empresa e utilizadores. O output desta fase é a construção de um modelo conceptual que representa os processos nas diferentes perspetivas dos utilizadores. O levantamento exaustivo dos requisitos dos processos foi realizado no âmbito do desenho dos novos processos, sobretudo atores e sistemas. Os utilizadores que irão interagir com o processo são: Gestão de Fretes, Gestão de Fluxos (na perspetiva operacional) e OI&P (na perspetiva de pedido detalhado de cotação e modelização de operações). A utilização do modelo ER requer a identificação clara de três tipos de elementos base: entidades, relações e atributos. As entidades representam classes de objetos do mundo real (pessoas, objetos, funções, eventos, tipos de dados), as relações agregam duas ou mais entidades e os atributos são propriedades elementares das entidades ou relações. A exposição do levantamento feito será confinada aos elementos principais ou, em alguns casos, apenas a exemplos, devido à limitação de espaço. Em termos de entidades o levantamento realizado identificou: pedido de cotação, cotações, inland (pelo facto de ser uma cotação com especificidades), país, cidade, local de carga/descarga (v.g. entreposto, porto marítimo), incoterm, LSP, carrier, tipo de fluxo, meio de transporte, tipo de transporte (v.g. FCL), unidade de carga (v.g. europalete, contentor de 20’),tipodecarga(v.g.dry, reefer), commodity (v.g. peixe congelado, vinho), utilizador, DC, Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 43 patamares (caso uma cotação seja por patamares de peso, por exemplo, têm de ser definidos), tipo de serviço (serviços diferentes podem ter requisitos diferentes), despachante e contactos (v.g. email de comerciais dos LSPs). As relações, pelo seu volume, serão detalhadas no modelo conceptual, não sendo listadas. Ainda assim, uma será caracterizada para que se perceba a lógica desenvolvida: entre cotação e local de carga/descarga. Uma cotação possui, no mínimo, dois locais de carga/descarga: uma origem e um destino. Esta opção foi tomada garantindo que as especificidades que caracterizam uma cotação, e as rubricas de custos do frete internacional, se encontram diretamente associadas à entidade cotação. Rubricas de custo e outros detalhes referentes à origem e/ou destino são atributos da relação entre cotação e local de carga/descarga. O local de carga/descarga caracteriza-se pela sua descrição, cidade e país a que pertence. Figura 24 - Atributos que caracterizam uma cotação de transporte aéreo O levantamento de atributos foi exaustivo e exigente pela dimensão encontrada. A figura 24 representa apenas atributos de uma cotação de transporte aéreo. O levantamento foi realizado para cada entidade e para a relação entre entidades. No caso concreto da figura apresentada, as primeiras duas colunas representam detalhes que caracterizam uma cotação (de qualquer tipo de transporte). A terceira coluna remete para custos (cada um com unidade e moeda específica) associados a uma cotação de transporte aéreo (para marítimo ou rodoviário são diferentes). A quarta coluna apresenta as rubricas de custos de um transporte aéreo, associadas a um local (origem ou destino). Realizado este trabalho, houve necessidade de uniformização de rubricas de custos, unidades e outras características para que se tivesse a capacidade de cruzar informação para os diferentes meios de transporte. A figura 25 representa a perspetiva de utilização do sistema. Identificam-se as principais atividades (diretamente ligadas ao ator) e suporte em funcionalidades do sistema (a cinzento). Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 44 Figura 25 - Diagrama UML As atividades que se apresentam, com o suporte de sistema, passam a ser automáticas, permitindo ganhos de eficiência e fidedignidade dos dados. A automatização do envio de emails ou outro tipo de comunicação para notificação de disponibilidade de informação (aviso de outra equipa que irá dar seguimento ao processo) foram desenvolvidas sobretudo para permitir ganhos de eficiência. As atividades de disponibilização das cotações em sistema (vista de sistema na figura 37, anexo C) e análise das mesmas são, entre as apresentadas, as atividades de maior valor acrescentado. O objetivo de automatização destas atividades, além de permitir a libertação de recursos, é a fidedignidade dos dados e a sua consistência analítica. O caso da análise automática de cotações será aprofundado pelo grau de complexidade que incorpora. Encontra-se genericamente descrito, no subcapítulo 5.4, numa lógica intuitiva de pseudocódigo. A figura 26 apresenta o modelo conceptual final do sistema. Todas as entidades e relações estão definidas. A multiplicidade das associações também está representada, detalhando o tipo de relação existente. O nível lógico parte do modelo conceptual e, a partir deste, cria um desenho do modelo relacional. Significa, na prática, o desenho das estruturas de dados (classes), identificação das funcionalidades passíveis de implementação e normalização, como o objetivo de garantir consistência e reduzir redundâncias. O output foi o modelo lógico do sistema, obedecendo à estrutura de modelação de dados da informação (anexo F). Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 51 Figura 30 - Perspetiva de pesquisa otimizada e análise do sistema (cenário B) Em suma, para o cenário proposto interessa perceber se a carga não irá ser paletizada e, caso assim aconteça, qual o tipo de unidade de carga a considerar. Caso a unidade de carga seja europalete, já existe uma cotação carregada que permite agilizar o envio e o seu custo é significativamente inferior a contratar um FTL. Caso seja outra, é necessário voltar a consultar o mercado. O transporte marítimo apenas oferece um tipo de contentor que não permite uma boa rentabilização do transporte. Em termos de transit time, existem duas considerações a extrair. A Schenker apresenta 7 dias, no caso de FTL, e 13, no caso de LTL. Um LTL significa que o operador vai agrupar carga de vários clientes, ou seja, este pode carregar e descarregar em vários pontos no trajeto. 5.4. Sistema de suporte à exportação No decorrer do projeto, o sistema que dava suporte à exportação, desenvolvido em MS Excel, colapsou. Visto que o levantamento de requisitos estava realizado, e para evitar perda de dados, foi desenvolvido, em MS Access, um sistema provisório para gestão de cotações de exportação (Export Support System). O sistema suportava três equipas: OI&P, Gestão de Fretes e Gestão de Fluxos. Cada equipa detinha a sua área própria, com funcionalidades específicas associadas. O desenho do sistema procurou fundamentalmente automatizar os fluxos de informação dos processos existentes. Assim, todas as equipas tinham funcionalidade de pesquisa, com filtros para encontrar mercados e cotações específicas. A equipa de OI&P, que inicia o processo, realiza, através do sistema, um pedido de cotação. No momento em que envia o pedido, a Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 52 equipa de Gestão de Fretes recebe os detalhes e inicia-se um contador para medir o tempo de resposta (KPI de gestão interna de equipa). A consulta ao mercado é executada e a cotação carregada (em ficheiro) no sistema, permitindo a associação com o pedido realizado. A equipa de OI&P consulta as cotações (podem ser várias), analisa (atividade não suportada em sistema) e seleciona a que entende ser a melhor. A partir daí, caso a DC responsável decida avançar, remete para a Gestão de Fluxos a adjudicação. Foi também construído um Manual de Utilizador para garantir que todas as equipas compreendessem as funcionalidades do sistema e o seu modo de utilização. Este manual encontra-se no anexo I. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 53 6. Conclusões e perspetivas de trabalho futuro O projeto concentrou-se numa área em grande mutação, dentro de uma organização com uma dimensão considerável. Qualquer pequeno impacto em processos que envolvem gastos financeiros elevados e com altas taxas de utilização, resultam em ganhos potenciais significativos. Com uma estratégia focada na exportação, a reestruturação irá permitir uma mais eficiente gestão interna e, consequentemente, aumento da performance, eficácia e eficiência. Traduzir-se-á na potenciação de recursos, neste momento não disponíveis, nomeadamente ganho de tempo dos operadores internos para desenvolvimento de projetos de melhoria. Este projeto tem uma lógica de rutura, pretendendo alcançar um salto significativo em termos de desempenho. No entanto, só se tornará sustentável no médio prazo, com a potenciação de melhorias menores. Este é um dos desafios que se coloca à equipa no final deste projeto. As mudanças de raiz estrutural tiveram em conta uma abordagem aos problemas centrando o foco nos processos e não nas funções (erro muito comum na organização). Com esta perspetiva, foi criada uma nova lógica interna de divisão por processos spot e tender/contrato, compreendendo as sinergias de aproximar uma importação em elevado estado de maturidade e uma exportação ainda embrionária. No seu cariz mais técnico e específico, a reengenharia alcançou os resultados esperados, tendo como objetivo essencial a gestão da informação. Num back office, as melhorias somente centradas na standardização de tarefas pecam por defeito. A abordagem deve ser centrada na libertação de recursos sim, nomeadamente tempo dos colaboradores, para que estes possam potenciar e melhorar a sua função/equipa, mas sobretudo identificando e concentrando os esforços nas atividades que realmente criam valor. A informação é o objeto crítico de um escritório central, pelo que a sua estruturação se torna fundamental. A decisão de implementação de um sistema de informação adveio dessa necessidade. Um dos grandes défices identificados na organização é mesmo a componente de sistemas. O desagregar constante da informação cria muitos problemas no momento do cruzamento de sistemas diferentes. Exige grande esforço da equipa de Controlo e Reporting para garantir qualidade de informação nas análises e indicadores que mede. Com o incremento dado, as medições futuras serão mais fiáveis e as tomadas de decisão mais sustentadas. O desenvolvimento de um sistema customizado e conceptualizado a partir dos processos reais, permite uma elevada flexibilidade e adaptação aos requisitos. A lacuna da parte de sistemas de informação não foi completamente suprimida, deixando em aberto a integração de novos módulos, por exemplo, para integração de custos aduaneiros. Abre-se também a porta para o estudo de indicadores para medir a performance das equipas, analisar níveis de serviço dos operadores logísticos (este trabalho foi iniciado) e indicadores globais para gestão da evolução do negócio. Uma área a explorar e que poderá ter sério impacto sobre os custos logístico do grupo é a capacidade de previsão da evolução das cotações de determinados mercados internacionais. Esse estudo permitirá um planeamento mais fino e melhor perceção sobre a sazonalidade dos diferentes mercados (evitar pick seasons, por exemplo). Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 54 Referências Attaran, M. (2004). "Exploring the relationship between information technology and business process reengineering." Information & Management 41(5): 585-596. This study examines a series of relationships between information technology (IT) and business process reengineering (BPR). Specifically. it argues that those aspiring to do business process reengineering must begin to apply the capabilities of information technology. This paper provides a summary of IT roles in initiating and sustaining BPR and examines several companies that have successfully applied IT to reengineering. The paper also addressees barriers to successful implementation of reengineering and identifies critical factors for its success. (C) 2003 Published by Elsevier B.V. Ballou, R. H. (2004). Business Logistics Management: Supply Chain Management. Planning, Organizing, and Controlling the Supply Chain, Prentice-Hall Internat. Bowersox, D. J., et al. (2002). Supply Chain Logistics Management, McGraw-Hill. Cao, J., et al. (2007). Integration of the social welfare function and TOPSIS algorithm for 3PL selection. Los Alamitos, Ieee Computer Soc. In this study, we propose a two-stage method based on the social welfare function and TOPSIS. In the first stage, we used the social welfare function theory for selection potential providers from too many 3PLs (Third Part Logistic suppliers). Then, TOPSIS theory will be used for final selection, avoiding the subjective estimation of experts. Experiments are conducted to evaluate the quality of the proposed approach by using a case company. The experimental results indicate that the cost reduction may be the most important index. Christopher, M. (2011). Logistics and Supply Chain Management, Financial Times Prentice Hall. Connolly, T. M. and C. E. Begg (2005). Database Systems: A Practical Approach to Design, Implementation, and Management, Addison-Wesley. Coyle, G. (2004). Practical Strategy: Structured Tools and Techniques, Financial Times Prentice Hall. Creazza, A., et al. (2010). "Evaluating logistics network configurations for a global supply chain." Supply Chain Management-an International Journal 15(2): 154-164. Purpose - This paper aims to identify and assess different configurations to design logistics networks in global sourcing contexts. A framework to support the choice of the most suitable logistics network is developed. Design/methodology/approach - Starting from an overview of previous research on global sourcing and global logistics network design, followed by a series of interviews with international freight forwarders and logistics providers, five main logistics network configurations are identified and the paper proposes a framework to evaluate their cost-effectiveness, deriving the overall logistics cost by means of simulation. Findings - On the basis of the analysis of different scenarios the paper develops a taxonomy for selecting the most suitable logistics network configuration, with respect to some key logistics factors and purchasing strategies. Research limitations/implications - The analysis has been focused on ocean container shipping, the primary transportation mode for world Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 55 trade. Practical implications - In a context characterised by the widespread adoption of direct shipment with full container load (FCL) ocean shipping (with implications on inventory levels), the provided taxonomy can represent a useful tool to support companies in choosing the most suitable combination of configurations for setting their global logistics network. Originality/value - The impact of globalisation on logistics network configuration has received little attention from supply chain researchers to date. The originality of the present paper is twofold. First, a framework to assess the overall logistics costs is developed. Second, the paper presents an original taxonomy for the selection of the most suitable logistics network. Faria, J. A. (2013). "Técnicas de Modelação." Gubbi, C. (2014). Incoterms 2010. Antwerp, BDP International. Harmon, P. and B. P. Trends (2010). Business Process Change: A Guide for Business Managers and BPM and Six Sigma Professionals, Elsevier Science. Jeston, J. and J. Nelis (2008). Business process management practical guidelines to successful implementations. Amsterdam [etc.], Elsevier. Kinlock, K. (2010). "3PL / 4PL / 5PL / 6PL Definitions." Retrieved 23/06/2014, 2014, from http://www.ec-bp.com/index.php/advisors/ec-bps-bloggers/285-3pl-4pl-5pl-6pldefinitions#axzz35Us3eHLT. Luján-Mora, S. (2005). Data Warehouse Design with UML. Alicante, Universidad de Alicante. Lysons, K. and B. Farrington (2005). Purchasing and Supply Chain Management, Financial Times/Prentice Hall. Mazz, M. and M. Kumar (2012). Structured Method for Business Process Improvement. Services in Emerging Markets (ICSEM), 2012 Third International Conference on. Metaxas, I. N. and D. E. Koulouriotis (2014). "A theoretical study of the relation between TQM, assessment and sustainable business excellence." Total Quality Management and Business Excellence 25(5-6): 494-510. Mohammaditabar and E. Teimoury (2008). "Integrated Freight Transportation Carrier Selection and Network Flow Assignment: Methodology and Case Study." Journal of Applied Sciences 8 (17): 2928-2938. Naidu, N. V. R. and G. Rajendra (2006). Total Quality Management (As Per Vtu Syllabus), New Age International (P) Ltd. Publishers. Porter, M. E. (1998). Competitive Advantage: Creating and Sustaining Superior Performance, Free Press. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 56 Rodrigue, J. P. (2012). "The Geography of Global Supply Chains: Evidence from Third-Party Logistics." Journal of Supply Chain Management 48(3): 15-23. Global supply chains have a distinct geography that involves the dimensions of production, distribution and consumption. This geography, at the heart of many sourcing strategies, is often neglected by supply chain managers, or at least scholars investigating supply chain management. However, this essay underlines that this geography reveals patterns that depict well the organization and structure of outsourcing with distribution systems supporting the dichotomy between the geography of production and consumption. Significant segments of supply chain management exist solely to support this spatial divergence. Global processes are also reflected in regional structures and the case of third party logistics providers is investigated. Depending on the gateway and the type of supply chain being serviced, North American 3PLs display a clustering that is particularly prevalent around airport terminals and crossborder ports of entry. Such firms are highly flexible and changes in the locational behavior are likely to reflect changes in outsourcing and supply chain management. Saaty, T. L. (1980). The Analytic Hierarchy Process: Planning, Priority Setting, Resource Allocation, McGraw-Hill. SAP (2006). "TRANSPORTATION MANAGEMENT AND THE ADAPTIVE SUPPLY CHAIN NETWORK." Sharp, A. and P. McDermott (2001). Workflow Modeling: Tools for Process Improvement and Application Development, Artech House. Stadtler, H. and C. Kilger (2005). Supply Chain Management and Advanced Planning: Concepts, Models, Software And Case Studies, Morrow. Trent, R. J. and R. M. Monczka (2002). "Pursuing competitive advantage through integrated global sourcing." The Academy of Management Executive 16(2): 66-80. Trent, R. J. and R. M. Monczka (2003). "International Purchasing and Global Sourcing - What are the Differences?" Journal of Supply Chain Management 39(3): 26-36. Weiss-Rohlig (2010). Insurance liability, assumption of risks and costs pursuant to Incoterms 2010. Wong, W. P. (2013). "Business-process management: a proposed framework for future research." Total Quality Management & Business Excellence 24(5-6): 719-732. Firms have embarked on the business-process management (BPM) initiative to gain competitive advantages. However, many are still struggling to understand the concept. Moreover, most firms have not approached this initiative deliberately and formally due to a lack of understanding of its nature. This article first aims to provide a clear description of BPM, which includes its definition, evolution and two alternative perspectives. Second, to help enhance the understanding of BPM conduct, it discusses various BPM strategies and the conditions conducive to BPM. Lastly, this article culminates by proposing a framework for future research which is able to guide practitioners in implementing BPM successfully. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 57 ZLU, et al. (2003). Study on Freight Integrators. Berlin, Comission of the European Communities. Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 58 ANEXO A: Global Sourcing e Supply Chain <Continuar a utilizar a numeração das páginas do relatório. Não exceder as 100 páginas no total do Volume.> Figura 31 - Níveis de International Purchasing e Global Sourcing Fonte: (Trent and Monczka 2002) Figura 32 - Trade-offs na logística internacional Fonte: (Christopher 2011) Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 59 Figura 33 - Evolução da logística para SCM Fonte: (Ballou 2004) Tabela 7 - Custos logísticos Fonte: (Creazza, Dallari et al. 2010) Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 60 ANEXO B: Seleção de LSPs Tabela 8 – A escala proposta por Saaty para comparação entre 2 fatores Fonte: (Coyle 2004) Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 67 Figura 43 - Pseudocódigo do algoritmo criado Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 68 ANEXO E: Modelização de processos Figura 44 - Modelização do processo de importação rodoviário spot Figura 45 - Modelização do processo de importação marítimo spot Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 69 Figura 46 - Modelização do processo de importação rodoviário tender/contrato Figura 47 - Modelização do processo de importação aéreo tender/contrato Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 70 Figura 48 - Modelização do processo de exportação marítimo spot Figura 49 - Modelização do processo de exportação aéreo spot Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 71 ANEXO F: Modelo lógico do sistema Inland Contact Country LSP Incoterm Load/Discharge Place Item Type User Quotation Customs Broker Owner Service Type Flow Type Cargo Type Quotation Request Transport Type Business Division Carrier QuotationRequest_Quotation QuotationRequest_Place Quotation_Ranges Ranges Quotation_Place QuotationID (PK) TransportTypeID (FK) ServiceTypeID (FK) LspID (FK) FlowTypeID (FK) ItemTypeID (FK) CargoTypeID (FK) CarrierID (FK) UserID (FK) CustomsBrokerID (FK) T Inland_Place Inland_Quotation InlandID (PK) QuotationID (PK) InlandID (PK) PlaceID (PK) PlaceID (PK) InlandID (PK) LspID (PK) IncotermID (PK) Name IncotermID (FK) TransportType (PK) Name FlowType (PK) Name ServiceTypeID (PK) Name Name Service Level Sent RFQs Received RFQs OwnerID (PK) Name BusinessDivisionID (PK) Name ItemTypeID (PK) Name CargoTypeID Name CustomsBrokerID (PK) Name UserID (PK) Name CarrierID (PK) Name ContactID (PK) Name Email Telephone Name Ranges (PK) Min Max Unit QuotationRequestID (PK, FK) Quotation (PK, FK) QuotationRequestID (PK, FK) PlaceID (PK, FK) QuotationID (PK, FK) Ranges (PK, FK) Freight QuotationRequest (PK) Pricing LevelsWeight (YES/NO) Quantity Unit Status OwnerID (FK) BusinessDivisionID (FK) QuotationID (PK, FK) PlaceID (PK,FK) Pre-Carriage Unit Currency Transfer IN/OUT WH Unit Documentation Fee CountryID (PK) Name CountryID (PK, FK) LspID (FK) Date Update Currency X-Ray Unit Handling Unit ENS Unit Currency Customs Clearence Unit Additional Origin/Destination Surcharges Unit Additional Origin/Destination Surcharges Unit Additional Origin/Destination Surcharges Unit Additional Origin/Destination Surcharges Unit CDD/ENS/DME/ARC Unit THC Unit Transfer Pier WH attribute name Frequency TT Rates Valid From Rates Valid Until Round Fuel Unit Security Unit Routing Rebate Nº Loading Units Stackable Hand Pallet Departure Days Temperature Total Weight Total CBM RPV Truck W/ Platform Currency Name Additional Freight Surcharge Unit Additional Freight Surcharge Unit Free Space Price Unit Free Time Additional Hour Tax Fuel Park With Genset (Hour) Park With Genset (day) Park Without Genset (Hour) Park Without Genset (day) Rates Valid From Rates Valid Until Transit Time RPV Min Request Date Time of Response Total Cost Total Cost per Place Close Mode of Transport ModeTransportID (PK) Description Exchange Rate ExchangeID (PK) Currency Rate Day Tender TenderID (PK) LSP TenderID (FK) ModeTransportID (FK) Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 73 ANEXO G: RFQ geral para cotações de transporte rodoviário Loading Country Code Loading Country Discharge Country Code Discharge Country Round Loading Code Zone Loading Zone Tranship. Zone Discharge Code Zone Discharge Zone Service Type Commodity Commodity name Loading Unit Loading Unit description Nº Loading Units Cargo Type Cargo Type description Carrier Carrier Company Name Incoterm Frequency Transit Time Rates Valid From Rates Valid Until Departure Days NO NORWAY PT LISBON 2 5 Aalesund 4 PLAZA (AZAMBUJA) A 2 FROZEN FISH 1 EuroPallet 33 5Dry SCHENKER SCHENKER EXW WEEKLY 7 01/04/2014 30/04/2014 Friday Freight Currency Freight Range Unit Range min (1) Range max (1) 1 Range min (2) Range max (2) 2 Range min (3) Range max (3) 3Range min (4) Range max (4) 4 Range min (5) Range max (5) 5Fuel Stackable Hand Pallet Temperature/ ADR-IMO Code Total Weight (Kg) Total CBM (m^3) Truck With Platform RPV Other Additional Freight Surcharge Unit Other Additional Surcharge 2nd Additional Freight Surcharge Unit 2nd Additional Surcharge EUR 4800,00€ Kg 0100 1249,00€ 101 200 1149,00€ 201 300 1049,00€ 301 400 949,00€ 401 500 849,00€ 0,11 N0,00€ 024500 00,00€ 333 0,00€ Europallet 0,00€ Europallet Currency Origin Pre-Carriage Origin Transfer IN/OUT WH Origin Unit Transfer IN/OUT Origin Document. Fee Origin Unit Document. Origin Free Time Origin (hours) 2nd Currency Origin Customs Clearance Origin Unit Customs Origin Handling Origin Handling Unit Origin Other Origin Surcharges Unit Other Additional Origin 2nd Origin Surcharges Unit 2nd Additional Origin 3rd Origin Surcharges Unit 3rd Additional Origin 4th Origin Surcharges Unit 4th Additional Origin EUR 0,00€ 0,00€ Europallet 0,00€ Europallet 2 EUR 0,00€ Europallet 0,00€ Europallet 0,00€ Europallet 0,00€ Europallet 0,00€ Europallet 0,00€ Europallet Currency Destination On forwarding Transfer IN/OUT WH Destination Unit Transfer IN/OUT Destination Document. Fee Destination Unit Document. Destination Free Time Destination (hours) 2nd Currency Destination Customs Clearance Destination Unit Customs Destination Handling Destination Handling Unit Destination Transfer Pier WH Destination Unit Transfer Pier Destination Other Additional Destination Surcharges Unit Other Destination Surcharges 2nd Additional Destination Surcharges Unit 2nd Destination Surcharges 3rd Additional Destination Surcharges Unit 3rd Destination Surcharges 4th Additional Destination Surcharges Unit 4th Destination Surcharges EUR 0,00€ 0,00€ Europallet 0,00€ Europallet 3 EUR 100,00€ Europallet 0,00€ Europallet 0,00€ Europallet 0,00€ Europallet 0,00€ Europallet 0,00€ Europallet 0,00€ Europallet O sistema não lê, são somente informações para o operador Informações obrigatórias para input no sistema Informações facultativas Informações de currency (facultativas, no entanto, obrigatórias caso existam informações de custos ou unidades à sua direita até à informação de currency seguinte) Informações de custos (facultativas) Informações de unidades (facultativas, no entanto, obrigatórias caso existam informações de custos na célula à sua esquerda) Freight Costs Origin Costs Destination Costs Quotation Details Como desenvolver uma ferramenta de suporte às cotações de transporte 75 ANEXO H: RFQ preparado para consulta ao mercado Loading Country Discharge Country Round Loading Place Discharge Place Commodity name Cargo Type Description Airline Company Incoterm Frequency Transit Time Rates Valid From Rates Valid Until Departure Days China Portugal 1 Shenzhen Bao'an Int. Airport Plaza (WH Azambuja) General Dry CNZ FCA WEEKLY 6 01/06/2014 30/07/2014 Friday Currency Freight Fuel Security Routing RPV EUR 2,05€ 0,00€ 0,00€ SHE-FRA-LIS 167 Currency Destination On Forwarding Customs Clearance Destination Unit Customs Destination EUR 300,00€ 40,00€ Shipment Freight Costs Destination Costs Quotation Details 6 Click Go back Close Home 7 Step 1 Step 2 Step 3 (optional) Step 4 Go back Close Home Refresh 8 Click Go back Close Home 9 Go back Close Home a) c) b) a) c) b) Date filter: Shows quotations requested after the chosen date Target Market filter: Shows quotations that have the written market (it is possible to search with incomplete words) Reference filter: Shows the quotation with the written reference Step 1 Step 2 Step 3 Choose one quotation Step 4 Open the file with quotation details Step 5 See request details 10 Click Go back Close Home 11 Go back Close Home Step 1 Choose one quotation Step 2 Choose best option Step 3 Refresh 12 Click Go back Close Home 13 Step 1 Reference to search Step 2 Go back Close Home 14 Índice How to install OI&P Freight Management Export Flow 15 Click Go back Close Home 22 Índice How to install OI&P Freight Management Export Flow Go back Close Home Click 23 Go back Close Home a) c) b) a) c) b) Date filter: Shows quotations requested after the chosen date Target Market filter: Shows quotations that have the written market (it is possible to search with incomplete words) Reference filter: Shows the quotation with the written reference Step 1 Step 2 Step 3 Choose one quotation Step 4 Open the file with quotation details Step 5 See request details