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Projeto paisagístico para os arruamentos do Plano Geral de Urbanização de Palma

Joana Limpo de Faria Cardoso Ribeiro

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Projeto paisagista para os arruamentos do Plano Geral de Urbanização de Palma Joana Limpo de Faria Cardoso Ribeiro Mestrado em Arquitetura Paisagista Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território 2014 Orientador Profª. Isabel Martinho da Silva, FCUP Coorientador Arqª. Laura Roldão Costa Todas as correções determinadas pelo júri, e só essas, foram efetuadas. O Presidente do Júri, Porto, ______/______/_________ Faculdade de Ciências da Universidade do Porto PROJETO PAISAGISTA PARA OS ARRUAMENTOS DO PLANO GERAL DE URBANIZAÇÃO DE PALMA Joana Limpo de Faria Cardoso Ribeiro Relatório de estágio realizado no âmbito do Mestrado em Arquitetura Paisagista Orientador académico: Isabel Martinho da Silva Orientador do local de estágio: Laura Roldão Costa Local de Estágio: Gabinete Laura Roldão Costa Dep. Geociências, Ambiente e Ord.Território Mestrado em arquitetura paisagista ii © Joana Limpo de Faria Cardoso Ribeiro, 2014 iii Agradecimentos A realização deste trabalho só foi possível com a contribuição de um conjunto de pessoas e instituições, a quem quero deixar os meus mais sinceros agradecimentos: À Prof. Isabel Martinho da Silva na qualidade de orientador, pela orientação e pela crítica construtiva para o desenvolvimento deste trabalho. À Arq. Laura Costa pela oportunidade de realização deste trabalho, assim como pela disponibilidade e orientação constantes. A equipa do gabinete, que se mostrou sempre disponível para conselhos, sugestões e resolução de dúvidas existentes. A todos os meus amigos que me acompanharam ao longo de todo o meu percurso académico, em especial a aqueles que me acompanharam no último ano. Por último, agradeço e dedico este trabalho ao Henrique e à minha família, pelo apoio incondicional, orientação e paciência ao longo de todos estes anos. iv Página deixada em branco propositadamente. v Resumo Pretende-se com o presente relatório de estágio apresentar o trabalho desenvolvido no decorrer do estágio curricular realizado no gabinete de arquitetura paisagista – Laura Roldão Costa. O tema principal deste relatório consiste no desenho de arruamentos para o Plano Geral de Urbanização de Palma (Moçambique), enquadrados na Estrutura Ecológica. O seu desenho teve como base o conceito de Streetscapes, que engloba um conjunto de princípios que atualmente se encontram internacionalmente reconhecidos. A oportunidade de desenhar ruas de raíz permite conferir carácter à cidade, pelo que foi fundamental ter presentes as características do local e os principais utilizadores do espaço. No desenho das ruas procurou-se refletir sobre questões culturais, ambientais, sociais e económicas, não descurando aspetos estéticos e uma integração harmoniosa na malha urbana. Palavras Chave: Arruamentos; Estrutura Ecológica; Plano Geral de Urbanização de Palma, Streetscapes vi Página deixada em branco propositadamente. vii Abstract The aim of this report is to present the work developed during the curricular internship held at the office of landscape architecture - Laura Roldão Costa. The main theme of this work is the design of streets for the General Urban Plan of Palma (Mozambique), framed in the ecological structure. Its design was based on the concept of Streetscapes, which encompasses a set of principles internationally recognized. The opportunity to design streets from scratch allows to confer character to the cities, therefore is critical to have in mind the characteristics of the site and the main users of the space. In the streetscape design for the streets of Palma an effort was made to reflect on cultural, environmental, social and economical issues, without neglecting aesthetic aspects and the integration into the urban fabric. Keywords: Streets; Streetscapes;General Urban Plan of Palma; Ecological Structure xiv Página deixada em branco propositadamente. xv Lista de figuras Figura 1 – Moçambique, Cabo Delgado, Palma. (Imagem do autor)......................................................... 1 Figura 2 – Área de intervenção: Área Norte (a tracejado) e área Sul (amarelo). (Imagem do autor)......... 2 Figura 3 – Metodologia. (Imagem do autor)............................................................................................... 4 Figura 4 – Precipitação Palma (1978-2010). (Adaptado de IMPACTO, 2014)........................................... 5 Figura 5 – Hipsometria e Hidrografia. (Adaptado de TRAÇUS, 2013)....................................................... 6 Figura 6 – Aldeias existentes dentro da área de intervenção (vermelho) e na proximidade (laranja). (Imagem do autor)....................................................................................................................................... 7 Figura 7 – Escola (Macala) e Mercado (Maganja). (TRAÇUS, 2013) ........................................................ 8 Figura 8 – PGU. (IPERFORMA, 2014)....................................................................................................... 8 Figura 9 – Estrutura Ecológica. (Imagem do autor).................................................................................. 10 Figura 10 – Levantamento sísmico. (Adaptado de IPERFORMA, 2014) ................................................. 11 Figura 11 – Rede viária e acessibilidades. (IPERFORMA, 2014)............................................................ 11 Figura 12 – Rede viária de Palma. (Imagem do autor) ............................................................................ 14 Figura 13 – Rede viária no povoado de Mondlane. (IPERFORMA, 2014)............................................... 14 Figura 14 – Exemplo de desenho de Streetscape. Cidade de Gulfport, Mississippi, EUA. (HDR)........... 21 Figura 15 – Exemplo de organização do espaço através da alternância de pavimentos e cores (Foz do Cávado, Esposende). (Fotografia do autor)......................................................................................... 22 Figura 16 – Exemplo de disposição dos elementos Streetscape. (CHELKOWSKI)................................. 23 Figura 17 – Rede viária de Songzhuang. Beijing, China. (SASAKI, 2012)............................................... 24 Figura 18 – Passeig Saint Joan,Barcelona. (DOMÈNECH, 2012)........................................................... 25 xvi Figura 19 – Gubei Pedestrian Promenade, Shanghai, China. (SWA, 2014).............................................25 Figura 20 – Divisão espacial do passeio. (Imagem do autor)...................................................................28 Figura 21 – Espaço ocupado por uma pessoa. (Imagem do autor)..........................................................29 Figura 22 – Abu Dhabi - Sombra no espaço público. (ABU DHABI, 2007)...............................................32 Figura 23 – Dimensões dos utilizadores das vias. (Imagem do autor) .....................................................38 Figura 24 – Plano de Via de Carácter Industrial Tipo I. (Imagem do autor)..............................................39 Figura 25 –Banco Daciano da Costa BN2. (LARUS, 2010).....................................................................40 Figura 26 –Papeleira Tango. (LARUS, 2010)..........................................................................................40 Figura 27 – Estacionamento para bicicletas tipo Pedro Martins Pereira. (Imagem do autor)...................41 Figura 28 – Localização dos estacionamentos de bicicletas marcados com círculo. (Imagem do autor).........................................................................................................................................................41 Figura 29 – Luminária ONYX. (SCHREDER, 2014) .................................................................................42 Figura 30 – Grelha GG2. (LARUS, 2010).................................................................................................43 Figura 31 – Via de Carácter Industrial Tipo I. (Adapado de IPERFORMA, 2014) ....................................43 Figura 32 - Perfil da Via de Carácter Industrial Tipo I. (imagem do autor)................................................44 Figura 33 - Perfil da Via de Carácter Industrial Tipo II. (imagem do autor)...............................................44 Figura 34 - Perfil da Via de Carácter Industrial Tipo II. (imagem do autor)...............................................44 Figura 35 – VCU Tipo II. (Imagem do autor).............................................................................................45 Figura 36 – Banco Daciano da Costa BN1. (LARUS, 2010).....................................................................45 Figura 37 – Papeleira tipo Balarés. (LARUS, 2010) .................................................................................46 Figura 38 – Localização dos estacionamentos de bicicletas marcados com círculo. (Imagem do autor).........................................................................................................................................................46 Figura 39 – Armaduras HESTIA (à esquerda) e INOA (à direita). (SCHREDER, 2014)...........................47 Figura 40 – Atravessamento entre passeios – VCU Tipo I. (Imagem do autor)........................................48 Figura 41 - VCU Tipo I. (Imagem do autor)...............................................................................................48 Figura 42 - Perfil de Via de Carácter Urbano Tipo I. (Imagem do autor) ..................................................49 Figura 43 - Perfil de Via de Carácter Urbano Tipo II. (Imagem do autor) .................................................49 Figura 44 - Perfil de Via de Carácter Urbano Tipo III. (Imagem do autor) ................................................50 xvii Figura 45 – Plano de Via Carácter Intraurbano Tipo I. (Imagem do autor) .............................................. 50 Figura 46 - Vias de Carácter Intraurbano. (Imagem do autor) ................................................................. 52 Figura 47 - Perfil de VCIU Tipo I. (imagem do autor)............................................................................... 52 Figura 48 - Perfil de VCIU Tipo V. (imagem do autor).............................................................................. 53 Figura 49 - Perfil de VCIU Tipo VI. (imagem do autor)............................................................................. 53 Figura 50 – Parque Ecológico do Afungi - Campo de Golf. (Imagem do autor)....................................... 68 Figura 51 – Parque Ecológico do Afungi – Percursos equestres. (Imagem do autor).............................. 68 Figura 52 – Parque Ecológico do Afungi - passadiços de acesso às praias. (Imagem do autor)............. 69 Figura 53 – Parque Ecológico do Afungi – apoios de praia e restaurantes localizados na zona de praia. (Imagem do autor)........................................................................................................................... 69 Figura 54 – Parque fluvial do Mecumbi – Campos agrícolas. (Imagem do autor).................................... 70 Figura 55 – Cálculo dos raios de influência sobre os terrenos com uso atual agrícola em função dos aglomerados presentes na área do Plano de Palma. (Imagem do autor)................................................. 72 Figura 56 – Parque do fluvial de Meninguene – Percursos natureza nas áreas Florestais. (Imagem do autor).................................................................................................................................................... 73 Figura 57 – Parque do fluvial de Meninguene – Percursos sobre salinas. (Imagem do autor)............... 73 Figura 58 – Parque linear do Comercial Center. (Imagem do autor)........................................................ 74 Figura 59 – Parque linear da água - Percursos ao longo do parque. (Imagem do autor) ........................ 74 Figura 60 – Parque linear do Business Center. (Imagem do autor)......................................................... 75 Figura 61 – Vias de Carácter Industrial Tipo I. (IPERFORMA, 2014) ...................................................... 76 Figura 62 – Vias de Carácter Industrial Tipo II. (IPERFORMA, 2014) ..................................................... 76 Figura 63 – Vias de Carácter Urbano Tipo I. (IPERFORMA, 2014)......................................................... 77 Figura 64 – Vias de Carácter Intraurbano Tipo I. (IPERFORMA, 2014)................................................... 77 xviii Página deixada em branco propositadamente. xix Abreviaturas Lista de abreviaturas CAD Computer Aided Design EE Estrutura Ecológica ENH Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique ENI Ente Nazionale Idrocarburi S.p.A FCUP Faculdade de Ciências da Universidade do Porto GNL Gás Natural Liquefeito PGU Plano Geral de Urbanização VCI Vias de Carácter Industrial VCIU Vias de Carácter Intraurbano VCU Vias de Carácter Urbano xx Página deixada em branco propositadamente. 1 Introdução 1.1. - Apresentação do Tema Nos últimos 20 anos Moçambique tem sofrido reformas políticas e macroeconómicas que têm despertado o interesse de empresas nacionais e estrangeiras, levando-as a apostar no país. A descoberta de recursos naturais como o carvão e hidrocarbonetos (bacias de gás natural em águas profundas) é um dos principais atrativos dos investidores, tendo ocorrido um grande desenvolvimento na exploração de gás natural na última década, sobretudo na zona costeira. Em 2007 iniciaram-se atividades de exploração no distrito de Palma (província de Cabo Delgado, na costa Norte de Moçambique), tendo-se descoberto na bacia de Rovuma uma das maiores jazidas de gás natural do país. Esta jazida é considerada uma das maiores descobertas no país nos últimos 20 anos, prevendo-se que, em poucos anos, Moçambique se torne o maior produtor de Gás Natural Liquefeito (GNL) da África Subsaariana e venha a tornar-se um dos principais exportadores de GNL do mundo (SOUSA, 2014). Figura 1 – Moçambique, Cabo Delgado, Palma. (Imagem do autor) 2 CAPÍTULO 1 A jazida da Bacia de Rovuma será explorada por diferentes empresas petrolíferas, pelo que será dividida em duas áreas. A área Norte será explorada em regime de concessão pela empresa internacional norteamericana Anadarko e pela multinacional petrolífera italiana Eni. A área Sul será explorada pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique (ENH), para a qual se desenvolveu o Plano Geral de Urbanização (PGU), realizado pela empresa de engenharia e arquitetura Iperforma, em parceria com o gabinete de arquitetura paisagista Laura Roldão Costa. Figura 2 – Área de intervenção: Área Norte (a tracejado) e área Sul (amarelo). (Imagem do autor) 1.1.1. - Área de intervenção O distrito de Palma encontra-se dividido em 4 postos administrativos (o equivalente às Freguesias em Portugal): Quionga, Palma, Olumbi e Pundanhar. A área de intervenção abrange 18.000ha, localizados em Palma e Olumbi, onde será construída uma cidade de raíz, resultante da necessidade de criar condições para prospeção de GNL. Assim, esta cidade acolherá pólos industriais com as infraestruturas necessárias para a extração, processamento e armazenamento do gás natural, pólos residenciais que alberguem trabalhadores oriundos de outras cidades e pólos comerciais e de serviços. O território onde a área de intervenção se insere possui uma grande riqueza paisagística e ambiental, com dunas, praias com água cristalina e areal branco, mangais, recifes de corais, florestas e dambos, que conferem a Palma um grande potencial turístico. Estes espaços devem ser salvaguardados através da criação de medidas de ocupação do solo e da elaboração de uma Estrutura Ecológica. O gabinete de arquitetura paisagista Laura Roldão Costa definiu a Estrutura Ecológica de Palma, constituída por uma rede de espaços verdes onde se inserem os arrumamentos, tema que é abordado neste relatório. PALMA INTRODUÇÃO 3 1.2. - Objetivos Este trabalho tem como objetivo o desenvolvimento de propostas-tipo para o desenho paisagístico dos arruamentos de Palma. Estes vão ser desenhados com base no conceito de Streetscape. No entanto, no decorrer deste relatório é utilizado o termo “desenho paisagístico de ruas”, em alternativa à terminologia anglosaxónica. Os arruamentos vão surgir no PGU como contínuos verdes que irão percorrer toda a área de intervenção, fazendo a ligação entre diferentes espaços urbanos. Pretende-se criar, através da composição entre a vegetação e os restantes elementos da paisagem urbana, ruas de grande qualidade paisagística que tornem o local apelativo. 1.3. - Metodologia A metodologia utilizada neste trabalho é composta por 3 fases distintas: Análise, Síntese e Proposta. Em primeiro lugar apresenta-se a análise das características biofísicas determinantes para o desenho paisagístico de arruamentos em Palma. Esta análise teve por base o estudo da empresa moçambicana Traçus (parceria Iperforma), onde se apresenta uma descrição do clima, da topografia e da flora local. De seguida, apresenta-se o PGU e a Estrutura Ecológica de Palma, dando a conhecer o projeto no âmbito do qual serão projetadas as ruas. Neste contexto, realiza-se uma revisão bibliográfica sobre o conceito Streetscapes, onde são analisados alguns manuais de desenho de ruas de diferentes cidades, de forma a auxiliar a definição dos princípios básicos para o planeamento dos arrumamentos de Palma. A Análise termina com a identificação das diferentes categorias de vias propostas para Palma: Vias de Carácter Industrial, Vias de Carácter Urbano e Vias de Caracter Intraurbano. Dentro destas, as vias organizamse em tipologias distintas, consoante a sua importância: Tipo I, Tipo II, Tipo III, Tipo IV, Tipo V, Tipo VI e Tipo VII. Na fase de Síntese são identificadas as condicionantes impostas pelo clima, que se resumem a uma precipitação muito abundante no período de chuvas e a temperaturas elevadas ao longo de todo o ano. Esta informação é crucial para o desenho das ruas, uma vez que influencia o modo como será realizada a drenagem das águas pluviais e a forma como se conceberá ruas frescas. Neste sentido, pretende-se recorrer à aplicação de material vegetal, tendo-se realizado uma listagem das espécies existentes na região e das espécies com potencial para serem introduzidas nos arruamentos do PGU de Palma. A terminar a Síntese são descritos todos os elementos a integrar numa rua, com base no cruzamento da informação recolhida dos diferentes manuais consultados. 10 CAPÍTULO 2 A Estrutura Ecológica inclui os seguintes espaços: Parque Ecológico do Afungi; Parque Fluvial do Mecumbi; Parques Lineares – Parque Linear do Business Center, Parque Linear do Comercial Center e Parque Linear da Água; Parque do rio Meninguene; Espaços verdes de enquadramento; Espaços verdes de proteção; Arruamentos – corredores verdes inseridos no espaço urbano (ver Anexo 1). Figura 9 – Estrutura Ecológica. (Imagem do autor) 2.3.1. - Arruamentos de Palma Na fase de estudo das características geológicas do terreno e de prospeção de hidrocarbonetos no território (levantamento sísmico), o terreno foi dividido segundo uma malha ortogonal de forma a facilitar o acesso e funcionamento da maquinaria especializada. Foram abertas linhas de levantamento sísmico com base nessa malha, criando faixas entre a vegetação existente com cerca de 12 metros de largura (Figura 10). Atualmente, algumas dessas aberturas já são utilizadas como caminhos (Figura 11). Na elaboração do PGU procurou-se aproveitar algumas preexistências do local, minimizando novos desmatamentos e, desta forma, o impacto ambiental sobre o local. Dentro desta lógica, a Iperforma propôs a ANÁLISE 11 construção de ruas e avenidas sobre os canais anteriormente abertos, o que confere ao PGU de Palma uma ortogonalidade muito marcada. Figura 10 – Levantamento sísmico. (Adaptado de IPERFORMA, 2014) Figura 11 – Rede viária e acessibilidades. (IPERFORMA, 2014) PALMA MAGANJA PATACUA SENGA 12 CAPÍTULO 2 As ruas do PGU são espaços públicos que se pretende que estabeleçam conectividades entre os diferentes espaços do plano (parques, áreas industriais e residenciais, praças, largos, etc.), assegurando a circulação pedonal, ciclável e rodoviária e, que através da sua arborização, garantam o verde contínuo em todo o PGU, promovendo a qualidade visual e ambiental. O plano de arborização complementará a rede de parques proposta para Palma, criando uma malha de vegetação que se estenderá ao longo de toda a área de intervenção (IPERFORMA, 2014). A rede viária deverá fazer ainda ligação com a concessão da Anadarko e a estrada nacional existente EN247 (IPERFORMA, 2014). Os arruamentos de Palma dividem-se em 3 categorias: Vias de Carácter Industrial (VCI), Vias de Carácter Urbano (VCU) e Vias de Carácter Intraurbano (VCIU). Estas irão desenvolver-se segundo um sistema hierárquico (Vias Tipo I, Tipo II, Tipo III, Tipo IV, Tipo V, Tipo VI e Tipo VII), consoante a intensidade, a composição do tráfego e as velocidades de circulação. As tipologias possuirão diferentes características físicas (dimensionamento e pavimentos), equipamento viário e regulamentação, de forma a adequarem-se às respetivas funções (IPERFORMA, 2014). As primeiras vias a serem traçadas no plano foram as vias de primeira ordem (Tipo I). Estas foram desenhadas num sistema cruciforme 1 , partindo de interseções com a estrada nacional EN247. A partir destas, desenvolveram-se as restantes tipologias de via, criando interseções entre si. Na tabela 1 é apresentada a divisão das diferentes categorias de via. 1 Como referido anteriormente, aproveitando as pré-existências do local, resultantes do traçado das linhas sísmicas. ANÁLISE 13 Tabela 1 – Hierarquia das diferentes categorias de via. CATEGORIA CONTEXTO DIVISÃO DESCRIÇÃO VIAS DE CARÁCTER INDUSTRIAL Vias que atravessam áreas industriais e de serviços, onde é expectável a frequente circulação de automóveis pesados. Vias de Tipo I Vias principais – tráfego elevado e circulação rápida. Vias de Tipo II Vias secundárias – avenidas que atravessam a área industrial de norte a sul, paralelamente aos parques lineares. Vias de Tipo III Vias terciárias – acesso local. VIAS DE CARÁCTER URBANO Vias que interligam as principais áreas urbanas propostas para Palma. Vias de Tipo I Vias principais – tráfego elevado. Vias de Tipo II Vias secundárias – tráfego médio. Vias de Tipo III Vias terciáriasacesso local. Vias de Tipo IV Vias quaternárias - acesso local. VIAS DE CARÁCTER INTRAURBANO Vias propostas dentro dos espaços comunitários (povoados). Vias de Tipo I Circulação nos dois sentidos, com estacionamento bilateral. Vias de Tipo II Circulação apenas num sentido, com estacionamento bilateral. Vias de Tipo III Circulação nos dois sentidos, sem estacionamentos. Vias de Tipo IV Circulação apenas num sentido, com estacionamento unilateral. Vias de Tipo V Circulação apenas num sentido, com estacionamento unilateral. Vias de Tipo VI Circulação apenas num sentido com estacionamento bilateral partilhado com passeio. Vias de Tipo VII Circulação apenas num sentido, com estacionamento unilateral partilhado com passeio. A figura 12 apresenta a distribuição das Vias de Carácter Industrial e das Vias de Carácter Urbano no PGU. Uma vez que a esta escala é difícil a visualização das Vias de Carácter Intraurbano, na figura 13 apresenta-se a distribuição deste tipo de vias dentro do povoado de Mondlane. 14 CAPÍTULO 2 Figura 12 – Rede viária de Palma. (Imagem do autor) Figura 13 – Rede viária no povoado de Mondlane. (IPERFORMA, 2014) ANÁLISE 15 Para o desenho dos arruamentos foi fundamental perceber a sua envolvente. Por este motivo, nas situações em que a mesma tipologia de via apresenta uma envolvente diferente, realizou-se uma distinção na sua designação. Por exemplo, as VCI Tipo I são diferenciadas em Tipo I (vias que se encontram delimitadas por áreas industriais), Tipo I a) (vias que apresentam terrenos naturais nos seus limites) e Tipo I b) (vias que possuem área industrial de um lado e o Parque Fluvial do Mecumbi do outro). De seguida apresenta-se uma descrição das diferentes vias preconizadas pela Iperforma: Vias de Carácter Industrial As vias Tipo I vão funcionar como autoestradas, não sendo permitido o estacionamento nem as ligações diretas a partir das edificações. Paralelamente a estas vias vão existir gasodutos de superfície e subterrâneos de condução de GNL. Ao longo destas vias existirá vegetação nos separadores centrais e nos limites laterais (trincheiras). Nas vias Tipo II e III a circulação será mais lenta, sendo espectável menor tráfego que nas vias Tipo I. Estas terão estacionamentos à face da estrada e árvores em caldeira, em alternativa às trincheiras. As ciclovias existentes ao longo do plano são propostas no interior dos parques referentes à EE, uma vez que estes se estendem ao longo de toda a área de intervenção e se encontram todos interligados. Deste modo proporciona-se uma circulação mais segura, confortável e agradável para os velocípedes. Na tabela 2 apresentam-se os espaços das VCI e as respetivas dimensões propostas pela Iperforma. Tabela 2 – Dimensionamento nas diferentes tipologias de VCI propostas pela Iperforma. ESTRADA VEGETAÇÃO Passeio Estacionamento Faixas de Rodagem Berma Ciclovia Largura Caldeira Trincheira Corredor Central TIPO I 5m + 5m - 8m + 8m 2m + 2m - - 15m+10m 10m TIPO I a) 5m - 8m + 8m 2m + 2m - - 5m TIPO I b) 5m+5m - 8m + 8m 2m + 2m Parque - 15m 10m TIPO II 4.5m + 4.5m 2.5m + 2.5m 8m + 8m - Parque 0.75m - - TIPO III 3m + 3m 2.5m + 2.5m 4m + 4m - - 0.75m - - Vias de Carácter Urbano As vias urbanas vão assegurar a interligação das áreas urbanas e espaços verdes existentes a sul do rio Mecumbi. Estas vias adotam largura de passeios, estacionamentos e faixas de circulação mais adequados à vivência e usos urbanos. Estas vias foram pensadas de forma a proporcionar as melhores condições possíveis à paragem, ao estacionamento de veículos, e à circulação dos peões (IPERFORMA, 2014). Na tabela 3 apresentam-se os espaços das VCU e as respetivas dimensões propostas pela Iperforma. 16 CAPÍTULO 2 Tabela 3 – Dimensionamento nas diferentes tipologias de VCU proposto pela Iperforma. ESTRADA VEGETAÇÃO Passeio Estacionamento Faixas de Rodagem Ciclovia Largura Caldeira Trincheira Corredor Central TIPO I 5m + 2.5m (x2) 2.5m + 2.5m 8m + 8m - - 12m 10m TIPO I a) 5m + 2.5m + 7.5m 2.5m + 5.15m 8m + 8m Parque - 12m 10m TIPO II 3.5m + 7m 2.5m + 5m 7m + 7m Parque 0.8m - - TIPO II a) 3.5m + 3.5m 2.5m + 2.5m 7m + 7m Parque 0.8m - - TIPO III 3.5m + 3.5m 2.5m + 2.5m 3.5m +3.5m - 0.8m - - TIPO IV 3m + 3m 2.5m + 2.5m 3.5m +3.5m - 0.8m - - As VCU Tipo I são compostas por dois passeios separados por um corredor verde. O passeio associado à estrada é de menor dimensão (2,5m), permitindo o acesso ao estacionamento ou passadeiras. Por outro lado, o passeio interior apresenta maiores dimensões (5m), pois procura-se promover a circulação neste espaço por se encontrar mais resguardado da circulação automóvel, sendo mais seguro e agradável. Para além disso, o seu dimensionamento permite ainda a colocação de mobiliário associado às atividades comerciais que se vão desenvolver ao longo destas vias, não interferindo com a circulação pedonal. Nas Vias Tipo Ia) e Tipo II propõe-se que o passeio do lado do parque seja de maiores dimensões que o passeio do lado do edifício. Esta opção reflete no potencial do parque para a criação passeios mais apelativos e visualmente mais interessantes, sendo este espaço mais convidativo para a circulação. Como tal, prevê-se um maior fluxo pedonal neste passeio comparativamente com o passeio associado aos edifícios, tendo-se adaptado as dimensões da via às suas características. Vias de Carácter Intraurbano As VCIU fazem o acesso direto aos quarteirões, habitações e outros edifícios existentes dentro dos espaços comunitários (povoados existentes). Parte destas vias corresponde à requalificação e infraestruturação de vias pré-existentes (picadas e caminhos de pé posto), podendo ser prolongadas no caso de ocorrer a expansão dos espaços comunitários. (IPERFORMA, 2014) Esta é a categoria de via em que a velocidade de circulação é mais lenta, de forma a permitir a circulação em segurança de outros utentes, como peões e velocípedes. Nas vias Tipo VI e VII propõe-se que o passeio seja partilhado com o estacionamento devido aos constrangimentos locais. ANÁLISE 17 Tabela 4 – Dimensionamento nas diferentes tipologias de VCIU proposto pela Iperforma. ESTRADA VEGETAÇÃO Passeio Estacionamento Faixas de Rodagem Ciclovia Largura Caldeira Trincheira Corredor Central TIPO I 3m + 3m 2.5m 3.25m+3.25m - 0.7m - - TIPO II 3m + 3m 2.25m+2.25m 3.5m - 0.7m - - TIPO III 3m + 3m - 3.5m+3.5m - 0.7m - - TIPO IV 3m + 3m 2.5m 3.5m - 0.7m - - TIPO V 2m + 2m 2.5m 3.5m - - - - TIPO VI 2.5m + 2.5m (Partilhado) 3m - - - - TIPO VII 2.5m (Partilhado) 3.5m - - - - No que respeita aos diferentes tipos de pavimentos preconizados, a Iperforma propôs betão betuminoso para todas as faixas de rodagem e passeios das VCI, betonilha escovada para os passeios das VCU e pavimento em “pedra-chão” para os passeios das VCIU. (ver pormenor de construção no Anexo 2). 18 Página deixada em branco propositadamente. 19 Desenho paisagístico de ruas – Conceito de Streetscape 3.1. - A rua Rua é definida como “qualquer elemento do espaço público da cidade que constitua um canal ou corredor – excluindose assim os espaços de natureza excecional e finitos do tecido urbano que se afastam destas características, como as praças e largos - e que, cumulativamente, cumpra as funções de passagem e suporte de edificado. Ou seja, entendemos rua como um elemento morfológico linear e contínuo no espaço público da cidade, ao mesmo tempo percurso e morada, itinerário e lugar”. (COELHO, COSTA, & LEITE, 2013) As ruas são um elemento importante das cidades, que funcionam não só como canais de ligação mas também como locais propícios à interação social. Neste sentido, as ruas são elementos do domínio público percorridos por inúmeras pessoas no seu quotidiano, sendo o espaço que mais reflete a vivência de uma cidade. A função, a forma, a escala, os limites e todos os seus elementos constituintes têm impacto na relação entre o utilizador e o espaço. A forma como as ruas são projetadas tem repercussões não só no comportamento individual do utilizador como no seu comportamento em comunidade: “A vida ou habitabilidade dos espaços públicos depende muito da qualidade dos espaços e se estes são convidativos aos utilizadores para caminhar, relaxar, sentar ou disfrutar dos espaços de outra forma.” 2 (GEHL). A criação de ruas seguras, confortáveis e visualmente interessantes vai encorajar a circulação pedonal e a vivência no espaço, trazendo benefícios a nível da saúde pública, sociais e ambientais. 2 The life or lifelessness of public spaces depends very much on the quality of the spaces and whether they are welcoming to likely users, to walk, stay, sit or otherwise enjoy the spaces. 26 CAPÍTULO 3 De acordo com a análise de alguns manuais de desenho de Streetscapes, nomeadamente Sustainable Streetscape Strategies Manual (CHICAGO D. T., 2012), Green Streetscapes Study (DETROIT, 2009) e o artigo científico Sustainable Streetscape as an effective tool in sustainable urban design (REHAN, 2013),foram identificadas algumas medidas para um desenho sustentável: A – Promoção da qualidade ambiental e proteção dos recursos naturais. Estratégia: Dimensionar as vias de modo a que estas não sejam excessivamente largas, diminuindo a área de superfície impermeável; Utilizar pavimentos permeáveis sempre que possível, de modo a permitir a infiltração de águas pluviais; Utilizar pavimentos que reflitam a radiação solar, de forma a reduzir o efeito de “ilha de calor”; Recorrer a materiais locais tanto a nível de pavimentos como de mobiliário urbano para redução de custos de transportes e melhor integração paisagística; Criar faixas arborizadas/corredores verdes para promoção da biodiversidade, resultante não só da variedade de flora aplicada mas também da criação de novos habitats; Criar faixas arborizadas para produção de oxigénio e redução dos poluentes atmosféricos, promovendo assim a melhoria da qualidade do ar; Criar sistemas de drenagem de águas pluviais e filtragem de água de modo a evitar poluição dos aquíferos e a drenagem superficial. B – Promoção da sustentabilidade económica Estratégia: Promover eficiência energética e evitar poluição luminosa através da utilização de postes de iluminação pública com as luminárias orientadas para baixo, evitando a dispersão de luz. C – Promoção da qualidade de vida da população Estratégia: Criar faixas arborizadas para a criação de sombra e controlo da humidade (resultante da evapotranspiração), procurando melhorar as condições microclimáticas, tornando os espaços mais frescos e apelativos à prática de atividades no exterior; Criar espaços de estadia/convívio, promovendo a interação social e a vida ao ar livre; Criar oportunidades de transportes alternativos, nomeadamente transportes públicos e ciclovias; Promover a circulação pedonal através da criação de ruas confortáveis, seguras, acessíveis e sem obstáculos. DESENHO PAISAGÍSTICO DE RUAS – CONCEITO DE STREETSCAPE 27 Na tabela 6 pretende-se demonstrar de que forma os diferentes elementos constituintes dos arruamentos podem contribuir para a sustentabilidade e qualidade ambiental dos espaços: Tabela 6 – Impacto dos elementos das Streetscapes na sustentabilidade e qualidade ambiental. (Adaptado de DETROIT, 2009) 3.4. - Processo de desenho paisagístico de ruas O processo de planeamento de uma rua desenvolve-se em 4 fases distintas: Análise do local, Identificação dos utilizadores, Seleção dos elementos e materiais e, por fim, Organização espacial. Na primeira fase pretende-se conhecer o local onde se vai projetar. A identificação de características culturais e condicionantes edafoclimáticas é o ponto de partida para o conhecimento do espaço em questão, facilitando a determinação de linhas orientadoras para o desenho de espaço. Por exemplo, ao perceber que se trata de uma região quente e chuvosa, o desenho vai ser orientado para a resolução de condicionantes derivadas dessas características, nomeadamente criar soluções de drenagem de águas pluviais e espaços ensombrados e frescos. A forma da rua é também condicionada pela topografia local, podendo ser linear em terrenos planos ou serpenteada para se adaptar ao declive. OBJECTIVOS Qualidade do ar Efeito “ilha de calor” Gestão da água Biodiversidade Eficiência energética Poluição luminosa Qualidade de vida Económico ELEMENTOS DAS STREETSCAPES Pavimentos porosos Correto dimensionamento das vias Pavimentos claros Passeios Ciclovias Transportes públicos Papeleiras (reciclagem) Materiais locais Vegetação Iluminação orientada Bancos/ zonas de estadia 28 CAPÍTULO 3 Na segunda fase são determinados quais os utilizadores do espaço (se são peões, velocípedes, etc.) e a intensidade do uso espectável no espaço, para se proceder a organização espacial e dimensionamento dos diferentes espaços da rua. A título de exemplo, de acordo com os manuais de desenho paisagístico de ruas de Abu Dhabi (ABU DHABI, 2007) como o de Culver (CULVER, 2008) os passeios dividem-se em 4 zonas distintas: Tabela 7 – Divisão espacial do passeio. Zona associada ao edifício Área destinada a equipamentos associados ao edifício, como mesas de café, placas, acesso a montras, etc. Zona de circulação pedonal Corredor desobstruído, onde se dá a circulação pedonal. Zona de equipamentos Área destinada a acolher equipamentos urbanos, como postes de iluminação, paragens de autocarro, árvores, etc. Limite do passeio Espaço que faz a ponte entre o passeio e o estacionamento. Figura 20 – Divisão espacial do passeio. (Imagem do autor) As dimensões das diferentes zonas do passeio variam consoante o tipo de via (primária, secundária, etc.), a densidade populacional da cidade, etc. Contudo, a zona de circulação pedonal geralmente é a maior, as zonas associadas ao edifício e de equipamentos têm dimensões semelhantes, e a zona de limite do passeio é a mais pequena. Para o dimensionamento destes espaços é fundamental saber o espaço ocupado por uma pessoa (cerca de 0,27 m2), e perceber que o peão mantem instintivamente uma distância de cerca de 0,45 m dos objetos e limites do passeio – denominadas “shy zones” - o que faz com que estes elementos ocupem mais espaço para além das suas dimensões físicas (CHICAGO D. C., 2003). Á medida que o número de pedestres no espaço aumenta, menor é o espaço individual disponível, o que leva as pessoas a utilizar as “shy zones” para facilitar a sua circulação. Apesar de possível, a circulação nestas condições passa a ser feita com atenção aos obstáculos, em vez de se disfrutar do passeio. DESENHO PAISAGÍSTICO DE RUAS – CONCEITO DE STREETSCAPE 29 Assim, no processo de planeamento de uma rua, é necessário ter em conta estas áreas (não utilizadas em condições normais pelo utente) de forma a organizar e dimensionar o espaço, criando um ambiente onde o utilizador se sinta seguro e confortável. Figura 21 – Espaço ocupado por uma pessoa. (Imagem do autor) Na terceira fase procede-se à seleção dos elementos e materiais a aplicar no espaço. Este é um processo importante na composição de uma rua, pois para além da função individual dos diferentes elementos, estes possuem um papel conjunto na imagem da rua. Por último, procede-se à organização espacial de todos os espaços, distribuindo os diferentes elementos de forma a promover a funcionalidade, segurança e estética da rua. 3.5. - Vegetação nas ruas A vegetação tem um grande impacto no meio urbano, tanto a nível ecológico como social. Esta contribuí para a melhoria da qualidade de vida da população urbana, uma vez que proporciona sensações de conforto e bem-estar, para além de desempenhar funções importantes como a redução da poluição atmosférica (através de processos de fotossíntese), amenização da temperatura (através da sombra e evapotranspiração), atração de avifauna e enquadramento paisagístico (CPFL, 2008). Para além destas funções, a cobertura vegetal permite a infiltração de águas pluviais, evitando a escorrência superficial e a erosão do solo. A seleção de vegetação é uma fase pertinente no desenho de ruas. Existem aspetos relevantes que devem ser considerados neste processo: Procurar utilizar vegetação autóctone, pois são espécies adaptadas ao clima e ao solo. Além disto, existem espécies animais dependentes desta vegetação para a alimentação (frutos, pólen) e habitat (aves). Por outro lado, é uma forma de evitar a introdução de espécies que se podem 30 CAPÍTULO 3 comportar como invasoras, com repercussões negativas no ecossistema, sendo também uma forma de preservar os recursos genéticos; Utilizar espécies resistentes à poluição; Utilizar espécies resistentes à salsugem, no caso de se tratar de uma área próxima do mar; Aplicar vegetação com dimensões adequadas ao local. A vegetação não deve entrar em conflito com os utilizadores do espaço; Procurar conjugar espécies promovendo interesse sazonal (folhagem, floração); Evitar espécies com espinhos ou cujo pólen possa provocar alergias à população. Existem também aspetos importantes na colocação da vegetação nas ruas: Manter uma distância de segurança entre as árvores e os diferentes equipamentos urbanos (postes elétricos, instalações subterrâneas, edifícios, entre outros); Criar espaços visualmente amplos, para promover a segurança; Preferência por corredores verdes em vez de caldeiras para um melhor desenvolvimento radicular e para uma maior criação de área permeável no espaço urbano; Para o bom desenvolvimento da vegetação, é fundamental que seja colocada em caldeiras/trincheiras com dimensões apropriadas à espécie em questão. Segundo o Código Regulamentar do Município do Porto, as caldeiras das árvores de grande porte devem possuir 2 m2(aproximadamente 1,4 m x 1,4 m), e no caso de árvores de pequeno e médio porte devem ter 1 m2(1 m x 1 m). No caso de faixas verdes contínuas (trincheiras), estas devem possuir uma largura mínima de 1 m. 31 Síntese 4.1. - Condicionantes edafoclimáticas Na análise biofísica foram identificadas duas condicionantes que devem ser consideradas aquando do desenho das ruas: a temperatura elevada ao longo do ano e a precipitação abundante na estação quente. De forma a contornar estas problemáticas, procurou-se perceber quais as soluções sugeridas nos manuais de desenho de Streetscapes consultados, e de que forma estas podem ser aplicadas em Palma. Temperaturas Elevadas O manual de desenho de espaços públicos de Abu Dhabi (ABU DHABI, 2007), reflete sobre esta questão devido à localização geográfica da cidade: com uma temperatura média anual de 27ºC e com verões em que as temperaturas ultrapassam os 38ºC, existe uma preocupação em atenuar a temperatura nos espaços públicos. Uma das práticas adotadas é a conceção de ruas e Sikkak (passagens pedonais) estreitas, de modo a serem ensombradas pelos edifícios. Contudo, quando estas medidas não são possíveis, recorrem a soluções como: Construção de estruturas de tecido ou de madeira (como pérgulas, toldos e elementos arquitetónicos); Aplicação de vegetação adaptada ao clima, procurando colocar as árvores num compasso curto de modo a criar uma sombra constante; Utilização de materiais e pavimentos que retenham menos calor; Utilização de pavimentos porosos que permitam a infiltração de água e ar de modo a permitir o arrefecimento através do movimento de ar e de evapotranspiração. 32 CAPÍTULO 4 Figura 22 – Abu Dhabi - Sombra no espaço público. (ABU DHABI, 2007) Chuvas O risco de cheias nos períodos de chuva trata-se de um dos principais problemas de causa natural sentidos em Moçambique, sendo importante a criação de espaços permeáveis e de condução/armazenamento de águas pluviais no território. Os sistemas de drenagem devem ter capacidade de escoar grandes volumes de água de uma vez, pelo que se considerou a opção de criar valas de drenagem. Contudo, estas teriam de ser de grandes dimensões para conduzir toda a água, tendo um enorme impacto na paisagem, para além de correrem o risco de, em pouco tempo, ficarem atulhadas de lixo, tornando-se propício o desenvolvimento de doenças. Por outro lado, a região onde o PGU se insere apresenta altos índices de malária (IPERFORMA, 2014), pelo que foram também excluídas soluções que impliquem a retenção de água. Este facto deve-se há possibilidade destas estruturas ficarem com águas residuais estagnadas, tornando propicio o desenvolvimento desta doença. Procuraram-se então diferentes soluções na bibliografia consultada, destacando-se os manuais de desenho de Streetscapes das cidades neozelandesas Kapiti Coast (KAPITI COAST, 2008) e North Shore City (NORTH SHORE, 2009). Estes manuais referem a necessidade da gestão das águas pluviais e sugerem estratégias para a sua drenagem, nomeadamente: Recorrer a pavimentos permeáveis sempre que possível (passeios, ciclovias, estacionamentos e faixas de circulação); Correto dimensionamento das vias para evitar áreas impermeáveis desnecessárias; SÍNTESE 33 Modelar os corredores centrais de modo a funcionarem como valas de drenagem (Bioswales); Criar espaços verdes/permeáveis para a infiltração de água; Valetas de drenagem para coletar as águas das vias. 4.2. - Seleção da vegetação Para a seleção da vegetação a aplicar nas ruas do PGU procedeu-se primeiro à listagem da flora existente nas diferentes tipologias de vegetação (ver Anexo 1). Pretende-se que as ruas sejam arborizadas predominantemente com espécies autóctones, introduzindo apenas pontualmente espécies exóticas com interesse sazonal. Dentro das espécies identificadas, foram selecionadas exemplares que apresentassem copas largas (de modo a permitir o ensombramento das vias), fustes altos (que permitam a colocação das árvores em caldeira sem que estas entrarem em conflito com os utilizadores do espaço) e com floração visualmente interessante. Foram consideradas ainda outras características, nomeadamente as necessidades hídricas, a tolerância à salsugem e preferência de exposição solar. A tabela 8 apresenta a listagem de vegetação selecionada para a arborização das vias do PGU e respetivas características (ver lista detalhada na tabela 11 do Anexo 1): Tabela 8 – Listagem de vegetação selecionada para a arborização das vias do PGU. Nome Científico Nome Comum Origem Exposição Solar Necessidades Hídricas Tolerância Salsugem Altura (m) Diâmetro (m) Floração Albizia amara. Albizia Autóctone Baixa Boa 10 10 Ago-Nov Amarela Brachychiton acerifolius Árvore-defogo-deIllawarra Exótica Baixa Moderada 10 10 PrimaveraVerão. Vermelha Casuarina cunninghamiana Casuarina Adaptada Baixa Boa 25 6 Delonix regia Árvoreflamejante Adaptada Baixa Boa 10 10 Nov-Dez Vermelha Hibiscus tiliaceus Hibisco Autóctone Média Boa 5 8 Ago-Jan Amarela Jacaranda mimosifolia Jacarandá Exótica Média Moderada 15 10 Primavera-Verão Roxa Spathodea campanulata Tulipeiro-dogabão Autóctone Média Baixa 20 15 Primavera Laranja 34 CAPÍTULO 4 4.3. - Elementos dos arruamentos Para a seleção dos diferentes elementos urbanos (equipamentos e pavimentos) a aplicar no PGU, foram identificadas quais as características que deveriam possuir. Neste sentido, teve-se em consideração fatores como: durabilidade e origem do material (fabricado no local ou através de recursos locais), estética, e questões económicas. De seguida apresenta-se uma descrição mais pormenorizada das características dos diferentes elementos a propor nos arruamentos do PGU. Bancos Os bancos devem ser em madeira, pois é um material com pouca inércia térmica. Se possível, a madeira deve ser proveniente do país. Estacionamento para bicicletas Os suportes devem permitir que as bicicletas sejam presas tanto pelas rodas como pelo quadro (sendo esta a forma de fixação mais segura para evitar furtos). É fundamental também que o suporte seja compatível com todos os tipos de cadeados e que as suas dimensões sejam adaptadas a qualquer tipo de bicicleta (CRUZ, 2014). O material deve ser em aço, devido à sua resistência e estética deste material. Iluminação O corpo de iluminação é composto por dois elementos: a luminária e a coluna. A luminária deve ter o foco orientado para baixo, de modo a reduzir a poluição luminosa e os desperdícios energéticos. A coluna deve ser em metal galvanizado em alternativa a colunas de betão, devido à diferente resistência dos materiais. No caso de um embate contra uma coluna de metal, esta deforma-se, enquanto que na colisão contra uma coluna de betão o choque é mais violento devido à rigidez do material, podendo ainda partir e cair sobre a viatura. Papeleiras Devem ser resistentes e estéticas, podendo ser em madeira ou em aço. Devem possuir tampa e ter capacidade de pelo menos 40 L. No caso de serem de aço, devem levar um tratamento de proteção contra a corrosão. Protetor de caldeiras Os protetores de caldeiras devem ser colocados nas vias com maior fluxo pedonal, pois permitem a circulação sobre a caldeira sem que haja compactação do solo. Para além de protegerem a árvore, os protetores de caldeiras têm ainda uma função estética. SÍNTESE 35 Pavimentos O pavimento das estradas, estacionamentos, passeios e ciclovias, tal como referido anteriormente, deverão apresentar pouca inércia térmica e elevada porosidade, devendo ainda ser confortáveis, resistentes e económicos. 42 CAPÍTULO 5 Iluminação A armadura proposta para a iluminação pública das VCI é do tipo ONYX (Schréder). Tratam-se de um produto específico para estradas, com o foco orientado para baixo, e apresenta o difusor em vidro curvo, facto que permite uma melhor a distribuição fotométrica e, portanto, uma maior distância entre postes. Figura 29 – Luminária ONYX. (SCHREDER, 2014) Nas vias de maior perfil (Via Tipo I) as colunas de iluminação deverão possuir 10m de altura útil. Estas deverão ser instaladas nos dois lados do passeio de forma espelhada, espaçados de 30 em 30 m, de modo a conseguir uma iluminação contínua. As faixas de rodagem das vias Tipo II são semelhantes às anteriores, mas pelo facto de não possuírem corredor verde central não necessitam de ter iluminação nos dois lados do passeio de forma espelhada. Deste modo, as colunas de iluminação deverão possuir 10 m de altura útil, colocadas de forma alternada nos dois lados do passeio de 30 em 30 m (instalação em “quincôncio”). As vias Tipo III apresentam menor número de faixas de rodagem, pelo que as colunas de iluminação deverão possuir 7 m de altura, instaladas de forma alternada de 20 em 20 m. Nota: Para a proposta de iluminação pública todos os equipamentos e suas características serviram apenas de linhas orientadoras para o desenho dos arruamentos. Todos os materiais e dimensões deverão ser confirmados pela especialidade. Protetor de caldeiras Os protetores de caldeiras são propostos apenas para as vias Tipo II, uma vez que para as vias de Tipo I a vegetação será colocada em trincheiras. As vias Tipo II tratam-se de arruamentos onde é espectável grande fluxo pedonal por fazerem fronteira com áreas de serviços e com os parques urbanos. O protetor de caldeiras deverá ser do tipo GG2 da Larus. PROPOSTA 43 Figura 30 – Grelha GG2. (LARUS, 2010) Pavimentos Nas VCI o pavimento proposto para os passeios é a betonilha escovada, em alternativa ao betão betuminoso proposto pela Iperforma. Este será mais claro que o aplicado nas faixas de rodagem. 5.1.2. - Vegetação As VCI Tipo I apresentam separadores centrais verdes e corredores verdes laterais. Estes elementos permitem a integração paisagística dos arruamentos, a mitigação dos gasodutos e o verde contínuo ao longo das vias (Figura 31). Figura 31 – Via de Carácter Industrial Tipo I. (Adapado de IPERFORMA, 2014) Para os separadores verdes centrais é proposto um alinhamento de Jacarandás (Jacaranda mimosifolia). Nas faixas verdes laterais é proposta uma composição de Casuarinas (Casuarina cunningamiana), Tulipeirosdo-gabão (Spathodea campanulata) e Árvores-de-fogo-de-Illawarra (Brachychiton acerifolius). 44 CAPÍTULO 5 O período de floração destas espécies ocorre em simultâneo, oferecendo uma experiência visual extraordinária a quem percorre o espaço (ver tabela 11 do Anexo 1). Figura 32 - Perfil da Via de Carácter Industrial Tipo I. (imagem do autor) Nas VCI Tipo II os passeios serão arborizados com Árvores-de-fogo-de-Illawarra (Brachychiton acerifolius) colocadas em caldeiras, num compasso regular de 15 em 15 metros (Figura 32). Figura 33 - Perfil da Via de Carácter Industrial Tipo II. (imagem do autor) Nas VCI Tipo III os passeios serão arborizados com Casuarinas (Casuarina cunningamiana) colocadas em caldeiras, espaçadas de 10 em 10 metros por possuírem uma copa estreita (Figura 33). Figura 34 - Perfil da Via de Carácter Industrial Tipo II. (imagem do autor) PROPOSTA 45 5.2. - Proposta de desenho paisagístico para as Vias de Carácter Urbano Nas VCU pretende-se promover o recreio passivo associado à circulação pedonal e tirar partido da presença dos parques urbanos para realçar qualidade visual das ruas (Figura 35). Os perfis gerais de arruamento referentes à proposta para as VCU encontram-se no Anexo 2. Figura 35 – VCU Tipo II. (Imagem do autor) 5.2.1. - Mobiliário Urbano Bancos Os bancos propostos para as vias urbanas são do tipo Daciano da Costa BN1 (Larus). Diferenciam-se dos bancos propostos para as Vias de Carácter Industrial por apresentarem encosto para as costas. Estes deverão ser colocados próximo em sítios estratégicos, nomeadamente na proximidade de escolas e estabelecimentos comerciais e de serviços. Figura 36 – Banco Daciano da Costa BN1. (LARUS, 2010) 46 CAPÍTULO 5 Papeleiras As papeleiras são do tipo Balarés (Larus). Nas vias Tipo I e II deverão ser instaladas nos passeios de 200 em 200 m de forma espelhada. Nas vias Tipo III e Tipo IV deverão ser instaladas de forma alternada de 150 em 150 metros (ou sejam no mesmo lado do passeio estão espaçadas de 300 em 300 metros). Figura 37 – Papeleira tipo Balarés. (LARUS, 2010) Estacionamento para bicicletas Os estacionamentos para bicicletas são iguais aos escolhidos para as Vias de Carácter Industrial. Estes serão colocados nas vias Tipo I, por se tratar de uma via principal que atravessa todo o plano e que apresenta espaços verdes de estadia, e nas vias Tipo II por fazerem a ligação a zonas comerciais e parques urbanos. Figura 38 – Localização dos estacionamentos de bicicletas marcados com círculo. (Imagem do autor) PROPOSTA 47 Iluminação A armadura escolhida para as VCU é do tipo Hestia (Schréder), pois trata-se de um produto elegante e de fácil manutenção. Nas Vias Tipo I as colunas de iluminação pública possuem duas luminárias: uma instalada a 10 m de altura, orientada para a estrada, e outra a 5 m, orientada para o passeio. Os postes encontram-se em ambos os lados do passeio, espaçados de 30 em 30 m. O passeio interior possui ainda um complemento de postes do tipo Inoa (Schréder), com 5 m de altura, espaçados de 15 em 15 m. Trata-se de um produto próprio para vias pedonais, que apresenta uma imagem cuidada. As vias Tipo I a) diferem das anteriores por possuírem os postes do tipo Inoa (Schréder) espaçados de 30 em 30 metros. Nas vias Tipo II e Tipo III os postes encontram-se alternados de 30 em 30 metros. As colunas de iluminação das vias Tipo IV possuem apenas uma luminária colocada a 10 m de altura, e deverão ser instaladas de forma alternada de 30 em 30 m. Figura 39 – Armaduras HESTIA (à esquerda) e INOA (à direita). (SCHREDER, 2014) Nota: Para a proposta de iluminação pública todos os equipamentos e suas características serviram apenas de linhas orientadoras para o desenho dos arruamentos. Todos os materiais e dimensões deverão ser confirmados pela especialidade. Protetor de caldeiras São propostos protetores de caldeiras apenas nas vias Tipo II. Tratam-se das vias onde é espectável grande fluxo pedonal, por fazerem fronteira com áreas comerciais e com os parques urbanos. De modo a manter uma linguagem continua ao longo de todo o PGU o protetor de caldeira das VCU é igual ao das VCI, tipo GG2 da Larus. Pavimentos O pavimento proposto para as VCU é a betonilha esquartelada, em alternativa à betonilha escovada proposta pela Iperforma. Este apresentará cortes longitudinais irregulares, de modo a conferir dinâmica ao passeio. Nas VCU Tipo I são propostas ligações entre os passeios separados pelo corredor verde, de 150 em 150 metros, tal como ilustra a figura 35. Estes atravessamentos têm uma forma trapezoide, e serão compostos por 48 CAPÍTULO 5 lajes de betuminoso, espaçadas entre 15 a 30 cm de forma a permitir o crescimento de gramíneas entre elas (Ver figuras 40 e 41). Figura 40 – Atravessamento entre passeios – VCU Tipo I. (Imagem do autor) Figura 41 - VCU Tipo I. (Imagem do autor) 5.2.2. - Vegetação As VCU Tipo I apresentam corredores verdes ao longo dos passeios e entre as duas faixas de rodagem funcionando como um separador central, de modo a realçar a função ecológica da rua (Figura 42). PROPOSTA 49 Para os separadores verdes centrais é proposto um alinhamento de Jacarandás (Jacaranda mimosifolia). Nas faixas verdes dos passeios é proposta uma composição de Tulipeiros-do-gabão (Spathodea campanulata) e Árvores flamegantes (Delonix regia). As VCU Tipo I a) diferem das anteriores por não possuírem Tulipeirosdo-gabão nos corredores dos passeios. Figura 42 - Perfil de Via de Carácter Urbano Tipo I. (Imagem do autor) Nas VCU Tipo II e Tipo II a) é proposta arborização dos passeios com Delonix regia colocadas em caldeira, com um espaçamento de 15 m. Figura 43 - Perfil de Via de Carácter Urbano Tipo II. (Imagem do autor) Nas VCU Tipo III e Tipo IV é proposta arborização dos passeios com Ibiscus tiliaceus (espécie ornamental de pequeno porte) colocadas em caldeira espaçadas de 10 em 10 m (ver figura 44). 50 CAPÍTULO 5 Figura 44 - Perfil de Via de Carácter Urbano Tipo III. (Imagem do autor) 5.3. - Proposta de desenho paisagístico para as Vias de Carácter Intraurbano As VCIU vão atravessar os aglomerados populacionais já existentes, sendo proposta uma intervenção mais discreta. Como já foi referido no capítulo 2, no desenho das vias procurou-se aproveitar as preexistências locais. Neste caso, foram aproveitadas as picadas e caminhos de pé posto presentes nas aldeias, sendo proposto a requalificação e infraestruturação das vias existentes. Os perfis gerais de arruamento referentes à proposta para as VCU encontram-se no Anexo 2. Figura 45 – Plano de Via Carácter Intraurbano Tipo I. (Imagem do autor) PROPOSTA 51 5.3.1. - Mobiliário Urbano Bancos e Papeleiras Nas VCIU, à semelhança das VCU, considerou-se que as zonas de estadia não deveriam ser nos passeios, devendo ser criadas praças ou pequenos jardins para esse efeito. Os bancos e papeleiras propostos para as VCIU são iguais às propostas para as VCU. As papeleiras deverão ser instaladas de forma alternada de 200 em 200 metros nas vias Tipo I,II, III, IV e V. Nas VCIU Tipo VI e VII deverão ser instaladas no mesmo lado do passeio, de 400 em 400 metros, encostadas aos limites da propriedade privada. Iluminação A armadura escolhida para as VCIU é também do tipo Hestia (Schréder), com apenas uma luminária colocada a 7 m de altura. As VCIU Tipo I, II, III e IV deverão possuir colunas de iluminação instaladas de forma alternada nos dois lados do passeio, de 20 em 20 metros. As colunas de iluminação pública das VCIU Tipo V e VI diferem das anteriores, pelo facto de se encontrarem preconizadas junto ao limite da propriedade privada, de modo a não entrarem em conflito com a circulação pedonal e o estacionamento. Por último, as VCIU Tipo VII possuem a iluminação apenas de um lado do passeio, junto ao limite da propriedade privada e com colunas de iluminação colocadas de 20 em 20 metros. Nota: Para a proposta de iluminação pública todos os equipamentos e suas características serviram apenas de linhas orientadoras para o desenho dos arruamentos. Todos os materiais e dimensões deverão ser confirmados pela especialidade. Pavimentos O pavimento proposto para os passeios das VCIU é solo-cimento, em alternativa ao pavimento em “pedrado-chão” proposto pela Iperforma. Trata-se de um pavimento com um aspeto mais rústico, que se considerou mais adequado aos espaços comunitários. Outro aspeto tido em consideração na seleção deste pavimento foi a possibilidade de utilizar solo existente no local na mistura (Figura 46). Nas faixas mistas (estacionamento/pedonal) das VCIU Tipo VI e VII propõe-se betão betuminoso igual à faixa de circulação, com um pequeno lancil sobrelevado que separe as duas faixas. 58 BIBLIOGRAFIA CLARKSBURG, D. (2009). Streetscape Concepts fot the Clarksburg Historic District. Obtido em 10 de Maio de 2014, de http://montgomerycountymd.gov/DHCA/resources/files/streetscape_concepts_clarksburg_historic_district.pdf COELHO, C. D., COSTA, J. P., & LEITE, J. S. (2013). Os Elementos Urbanos. Lisboa: Argumentum. CPFL, E. (2008). Arborização Viária Urbana - aspectos de planejamento, implantação e manejo. Campinas: CPFL Energia. CRUZ, R. (29 de Março de 2014). Plano de Mobilidade Sustentável do Concelho da Maia – estacionamento para bicicletas. Maia: MUBi - Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta. 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Espécies existentes Acrostichum aureum Avicennia marina (Mangal branco) Bruguiera gymnorhiza (Mangal preto) Ceriops tagal (Mangal indiano) Lumnitzera racemosa (Mangal de Tonga) Pemphis acidula Rhizophora mucronata (Mangal Vermelho) Soneratia alba (Mangal cainito) Xylocarpus moluccensis (Mangal Mogno) Floresta fechada Caracteriza-se pelo tipo de vegetação miombo, uma floresta húmida cujo estrato superior tem árvores com uma média de 20 a 25m de altura. Raramente ocorre o estrato de gramíneas. Espécies existentes Afzelia quanzensis Berlinia orientalis Parinari curatellifolia Floresta aberta Presença de estrato arbustivo e herbáceo. Estrato superior composto por árvores cuja altura ronda os 1215m; estrato arbustivo com 7-10m. Espécies existentes Berlinia orientalis Inhambanella henriquensii 66 ANEXO 1 TIPOLOGIA DE VEGETAÇÃO IMAGEM DESCRIÇÃO Mata aberta Composta por diferentes espécies de gramíneas e árvores e arbustos dispersamente distribuídos (ocupando cerca de 20% da área). Espécies existentes Albizia amara Brachystegia spiciformis Parinari curatellifolia Strychnos cocculoides Strychnos madagascariensis Strychnos spinosa Uapaca nítida Uapaca sansibarica Mata secundarizada A mata secundarizada é uma mata de regeneração após um desmatamento. É dominada por espécies arbustivas com alturas entre 2 a 4 m no extrato mais baixo podendo encontrar espécies com cerca de 7-10 m de altura. A maioria destas matas é resultado de machambas abandonadas. Espécies existentes Berlinia orientalis Baphia macrocalyx Manilkara zanzibarica Matagal Caracteriza-se por ser fechado com muitas espécies arbustivas com alturas de 2 – 4m sendo difícil a deslocação no seu interior. A vegetação alta inclui árvores de pequeno porte com cerca de 8 - 12m de altura. Espécies existentes Baphia macrocalyx Berlinia orientalis Sideroxylon inerme Vegetação ribeirinha Este tipo de vegetação assemelha-se à pantanosa, sendo que existe muitas semelhanças em termos de composição específica. Nas zonas com indício de lençol freático alto foram identificadas muitas Cyperaceas. Os locais mais húmidos são dominados por gramíneas altas e há presença de fetos e Nymphaea nouchali. Espécies existentes Nymphaea nouchali Synzygium cordatum Vitex doniana Vitex madiensis ANEXO 1 67 Tipologia de vegetação Imagem Descrição Dambos Este tipo de vegetação caracteriza-se pela presença maioritariamente de graminal em terras húmidas. Espécies existentes Brachystegia boehmi Brachystegia spiciformis Cussonia arbórea Mimosa pigra Phoenix reclinata Floresta seca costeira Caracteriza-se por possuir solos brancos arenosos com árvores e arbustos de cerca de 7-10 m de altura e distribuídos de uma maneira dispersa. Pode-se encontrar manchas fechadas onde as árvores podem ser mais altas, com cerca de 12 m. A vegetação dominante é graminal. Espécies existentes Garcinia livingstonei Parinari curatellifolia Strychnus spp. Cocos nucifera Casuarina cunninghamiana 1.2. – Estrutura Ecológica 1.2.1. – Espaços Verdes 1.2.1.1. – Parque ecológico do Afungi Este parque é particularmente vocacionado para a proteção e conservação da natureza, sendo um espaço de grande sensibilidade ambiental: vai incorporar áreas de proteção ecológica, constituídas por mangais e zonas húmidas associadas, áreas de proteção costeira, onde se encontra o palmar e dunas, e áreas florestais. Nas zonas secas, designadas como áreas florestais, é proposta a reflorestação/regeneração natural da Mata aberta, podendo ser pontualmente implantados equipamentos como um campo de golf, espaços para equitação, trilhos/percursos de natureza, postos de venda de comércio artesanal, etc. 74 ANEXO 1 Figura 58 – Parque linear do Comercial Center. (Imagem do autor) Figura 59 – Parque linear da água - Percursos ao longo do parque. (Imagem do autor) ANEXO 1 75 Figura 60 – Parque linear do Business Center. (Imagem do autor) 1.2.1.5. – Espaços verdes de enquadramento Estes espaços terão um papel fundamental na delimitação das faixas de proteção das infraestruturas. Os espaços verdes de enquadramento vão assegurar o verde contínuo, interligando os diferentes corredores verdes que se encontram no espaço urbano e no espaço rural periférico à área de intervenção. Estes espaços podem integrar redes de circulação de peões num sistema de trilhos. 1.2.1.6. – Espaços verdes de proteção às linhas de água São áreas-tampão das linhas de água e lagoas que apresentam risco de inundação nos períodos das chuvas. Estas são zonas de proteção máxima, com grandes restrições ao uso de solo. 1.2.1.7. – Espaços verdes em terrenos comunitários Para além dos parques, foram também estabelecidas estruturas verdes de menores dimensões (jardins, praças ou pequenas alamedas), inseridos na proximidade dos aglomerados urbanos, que contribuem para a melhoria da qualidade de vida local e do espaço público. Estes espaços poderão apresentam maior versatilidade no desenho, funções, equipamentos. 76 ANEXO 1 1.2.2. – Arruamentos Os arruamentos irão são avenidas e ruas arborizadas em toda a sua extensão, surgindo no plano como corredores verdes inseridos no espaço urbano. Estes dividem-se segundo o seu carácter: Vias de Carácter Industrial, Vias de Carácter Urbano e Vias de Carácter Intraurbano. Dentro destas categorias, as vias dividem-se segundo uma hierarquia, podendo ser do Tipo I (vias principais) a Tipo VII (vias secundárias). Figura 61 – Vias de Carácter Industrial Tipo I. (IPERFORMA, 2014) Figura 62 – Vias de Carácter Industrial Tipo II. (IPERFORMA, 2014) ANEXO 1 77 Figura 63 – Vias de Carácter Urbano Tipo I. (IPERFORMA, 2014) Figura 64 – Vias de Carácter Intraurbano Tipo I. (IPERFORMA, 2014) ANEXO 1 78 1.3. – Vegetação proposta para as vias de Palma Tabela 11 – Vegetação proposta para as vias de Palma. NOME CIENTÍFICO NOME COMUM ORIGEM EXPOSIÇÃO SOLAR NECESSIDADES HÍDRICAS TOLERÂNCIA SALSUGEM ALTURA (m) DIÂMETRO (m) FLORAÇÃO CATEGORIA DE VIA NOTAS Albizia sp. Albizia 10 10 Agosto a Novembro VCU –III VCIU – I VCIU – II VCIU – III VCIU – IV Ornamental; A. julibrissin Floração cor de rosa; A. amarara Floração amarela. Brachychiton acerifolius Árvore-defogo-deIllawarra - 10 10 Final da primavera a Início do Verão VCI – I VCI – II Ornamental; Necessitam de caldeiras grandes; Origem: Zimbabwe; Floração Vermelha. Casuarina cunninghamiana Casuarina 25 6 VCI – I VCI – III Resistente a zonas ventosas; Origem: Austrália; Introduzida em Moçambique. Delonix regia Árvoreflamejante 10 10 Novembro a Dezembro VCU – I VCU – II Ornamental: Floração vermelha; Origem: Madagáscar; Introduzida em Moçambique. ANEXO 1 79 NOME CIENTÍFICO NOME COMUM ORIGEM EXPOSIÇÃO SOLAR NECESSIDADES HÍDRICAS TOLERÂNCIA SALSUGEM ALTURA (m) DIÂMETRO (m) FLORAÇÃO CATEGORIA DE VIA NOTAS Hibiscus tiliaceus Hibisco 5 -10 8 Agosto a Janeiro VCU – IV Ornamental; Floração amarela; Apesar de não ter sido identificada na análise, é uma espécie existente em Moçambique. Jacaranda mimosifolia Jacarandá - 15 10 Primavera e Verão VCI – I VCU – I Ornamental; Floração roxa; Resistente à poluição urbana; Origem: América do Sul. Spathodea campanulata Tulipeirodo-gabão - 20 15 Primavera VCI – I VCU – I Ornamental; Floração laranja. LEGENDA ORIGEM EXPOSIÇÃO SOLAR TOLERÂNCIA À SALSUGEM NECESSIDADES HÍDRICAS Autóctone Sombra Boa Baixa; Espécies que toleram períodos de seca Adaptada Meia-luz Má Média; Necessita de irrigações regulares Exótica Sol -Moderada Alta 80 Página deixada em branco propositadamente. ANEXO 2 81 Anexo 2 2.1. – Peças desenhas referentes à Estrutura Ecológica Designação Escala PT.URB-07.301-R0 – Planta de Estrutura Ecológica 1:40000 PT.URB-07.302-R0 – Planta de Estrutura Ecológica / Parque ecológico Afungi 1:15000 PT.URB-07.303-R0 – Planta de Estrutura Ecológica / Parque fluvial do Mecumbi 1:15000 PT.URB-07.304-R0 – Planta Geral de Arborização 1:40000 PT.URB-07.305-R0 – Pormenores Tipo de Arborização dos Cruzamentos 1:4000 2.2. – Peças desenhas referentes à Proposta de desenho paisagístico dos arruamentos do PGU de Palma Designação Escala VCI.01 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Industrial Tipo I 1:200 VCI.02 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Industrial Tipo I a) 1:200 VCI.03 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Industrial Tipo I b) 1:200 VCI.04 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Industrial Tipo II 1:200 VCI.05 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Industrial Tipo III 1:200 VCU.01 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Urbano Tipo I 1:200 VCU.02 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Urbano Tipo I a) 1:200 VCU.03 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Urbano Tipo II 1:200 VCU.04 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Urbano Tipo II )a 1:200 VCU.05 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Urbano Tipo III 1:200 VCU.06 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Urbano Tipo IV 1:200 VCIU.01 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Intraurbano Tipo I 1:200 VCIU.02 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Intraurbano Tipo II 1:200 VCIU.03 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Intraurbano Tipo III 1:200 VCIU.04 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Intraurbano Tipo IV 1:200 VCIU.05 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Intraurbano Tipo V 1:200 82 ANEXO 2 VCIU.06 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Intraurbano Tipo VI 1:200 VCIU.07 – Perfis Gerais de Arruamento / Vias de Carácter Intraurbano Tipo VII 1:200 MU.01 – Mobiliário Urbano / Pormenores s/e MU.02 – Mobiliário Urbano / Pormenores s/e PA.01 – Pavimentos / Pormenores s/e ANEXO 3 83 Anexo 3 Outros Trabalhos Designação Escala 2228.EP.01.R0 – Plano Geral e Simulações 1:200 2228.EP.02.R0 – Simulações e Corte 1:100 2228.EP.03.R0 – Levantamento, abates e transplantes 1:200 2228.EP.04.R0 – Plantação de árvores e arbustos de porte arbóreo, pavimentos e equipamentos 1:200 2228.EP.05.R0 – Plantação de arbustos, herbáceas, trepadeiras e sementeiras 1:200