Desfolha precoce e relações rendimento/qualidade na casta Loureiro (Vítis Vinífera L.) Região dos Vinhos Verdes
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José António Teixeira Moreira Pestana da Silva Mestrado em Engenharia Agronómica Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território 2014 Orientador Professor Doutor Jorge Bernardo Lacerda de Queiroz, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto Coorientador Doutora Engenheira Maria Teresa da Fonseca Oliveira Pereira Mota, Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes
I AGRADECIMENTOS Quero agradecer a todos o apoio e incentivo que me deram durante a longa caminhada percorrida, sem vocês não chegava aqui. Em especial: Ao Professor Doutor Jorge Bernardo Lacerda de Queiroz, meu Orientador, que sempre esteve disponível para me apoiar durante este trabalho e durante o Mestrado. Por me ter levado a apaixonar durante as suas aulas por um mundo que até então me dizia pouco. Que a nossa amizade continue para sempre. À Doutora Engenheira Maria Teresa Mota, minha co-Orientadora, que fez muito mais que co-orientar. Que sempre me incentivou, me ensinou, me ajudou no trabalho de campo e fora dele. Pela sua simpatia, e disponibilidade o meu muito obrigado. À Comissão Executiva de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, pela disponibilização dos meios essenciais à realização deste trabalho. Ao Professor Doutor Joaquim Fernando Pinto da Costa, pela disponibilidade e ajuda na componente estatística deste trabalho. Ao Mestre João Garrido, Diretor da EVAG, pela sua simpatia e apoio e conhecimentos transmitidos. A todo o pessoal da EVAG, em especial à Dona Rosa, sempre simpática e bem-disposta. À JOPAUTO, pela disponibilidade em demonstrar a desfolhadora PROVITIS, sem eles não existia a modalidade de desfolha mecânica. A título póstumo ao meu Amigo e colega Eduardo Rosinhas. Onde quer que estejas, o meu muito obrigado pela amizade e companheirismo, desde os tempos de Geografia. Por me teres introduzido e dado a conhecer este mundo do qual falavas com tanta paixão e gosto. Aos meus colegas de mestrado, pela amizade e companheirismo ao longo de 3 anos de “estudos”. Ao Júlio e à Adriana, pelo apoio e incentivo, pela disponibilidade, mas acima de tudo pela grande amizade de já muitos e bons anos e que seja por muitos mais e ainda melhores, o meu muito obrigado.
II Aos meus Avós, Tia Tina e Titó, aos meus Tios, Primos (grandes, médios e pequenos). À Sara por ter estado sempre lá para mim quando mais precisei, pela preocupação e ajuda. À Avó Luísa, que sempre ansiou a chegada deste momento mas não está cá para o presenciar. Ao Tio Manel, por tudo que me ensinou, por nunca me deixar esquecer que “não há substituto para o conhecimento”, sempre me incentivou a procurar e saber mais. A todos vós, agradeço tudo que me ensinaram e transmitiram e todo o apoio que me deram ao longo da vida. E por fim, quero agradecer aos meus Pais e à minha Irmã. Por todo o amor, pelos valores que me incutiram desde que nasci, porque nunca deixaram de acreditar e por fazerem de mim a pessoa que sou hoje, nunca vos vou conseguir agradecer o quanto desejaria! Isto é para vocês.
III RESUMO Com este trabalho pretendeu-se estudar o efeito da desfolha precoce na relação qualidade / rendimento da casta Loureiro enxertada sobre 1103P. Este estudo foi realizado na Estação Vitivinícola Amândio Galhano, em Arcos de Valdevez, na Região dos Vinhos Verdes. Foram definidas três modalidades: D5 – Desfolha de 5 folhas basais à floração; D8 – Desfolha de 8 folhas basais à floração; DM – Desfolha mecânica à floração; e comparadas com a modalidade não desfolhada, Testemunha. Os resultados apontam para uma remoção significativa de área foliar após a desfolha na modalidade mais intensamente desfolhada (D8) face às restantes modalidade desfolhadas. À vindima verifica-se que as quebras provocadas pela desfolha na área foliar principal das modalidades desfolhadas foi compensada com o desenvolvimento e crescimento de netas, e, deste modo, a área foliar total à vindima de todas as modalidades do estudo, não apresenta diferenças a nível estatístico. A intervenção da desfolha precoce provocou, ainda que sem relevância estatística, uma diminuição da taxa de vingamento nas modalidades desfolhadas e também uma redução significativa do diâmetro do bago nas modalidades com desfolha mais intensa (D5 e D8). Os indicadores de produção também foram afetados significativamente pela intervenção, a qual provocou uma redução no peso do cacho das modalidades desfolhadas face à modalidade não desfolhada. Não se tendo verificado diferenças ao nível do rendimento, ao nível da compacidade e incidência de podridão, a desfolha precoce teve um papel preponderante na redução destes valores ao melhorar substancialmente o microclima ao nível dos cachos. A compacidade revelou valores significativamente inferiores para as modalidades desfolhadas, bem como a incidência de podridão (Botrytis cinerea) foi significativamente menor (cerca de duas vezes menor) nas mesmas modalidades, face à Testemunha. Palavras-chave: Vinhos Verdes, Loureiro, desfolha precoce, rendimento, qualidade
IV ABSTRACT The aim of this work was to study the effect of early defoliation on the relationship between quality and yield in the Loureiro grape cultivar grafted on 1103P. This study was performed at Estação Vitivinícola Amândio Galhano, located in Arcos de Valdevez, in the Vinho Verde Demarcated Region. Three types of defoliation treatments were defined: D5 - Defoliation of 5 basal leaves at flowering; D8 - Defoliation of 8 basal leaves at flowering; DM - Mechanical defoliation at flowering; and compared to the control (T). The results reveal a significant removal of main leaf area after defoliation in the most intensive treatment (D8) when compared to the other defoliation treatments. At harvest, the loss in the main leaf area of the defoliated vines, caused by defoliation, was compensated by the increase and growth of lateral shoots, therefore, the total leaf area, at harvest, among all defoliation treatments and control, have no statistical significance between them. The early defoliation intervention caused, although without statistical significance, a decrease in the fruit set of defoliation treatments and also a significant reduction in the diameter of the berry within the more severe defoliation treatments (D5 and D8). Yield indicators were also significantly affected by the intervention, which caused a reduction of cluster weight of defoliated vines in opposition to the control. Although we didn't verified differences on yield, regarding the cluster compactness and rot incidence, early defoliation played a major role in reducing these values by improving substantially the microclimate at the cluster level. The compactness revealed significantly lower values when the defoliation treatments were applied, as well as rot incidence (Botrytis cinerea), which was significantly lower (about two times lower) compared to control. Keywords: Vinhos Verdes, Loureiro, early defoliation, yield, quality
V ÍNDICE Agradecimentos ............................................................................................................. I Resumo ....................................................................................................................... III Abstract ....................................................................................................................... IV Índice ............................................................................................................................ V lista de quadros ........................................................................................................... IX lista de figuras.............................................................................................................. XI Lista de abreviaturas.................................................................................................. XIII 1. Prefácio ................................................................................................................. 1 1.1 Introdução ...................................................................................................... 1 1.2 Casta Loureiro ................................................................................................ 3 1.3 Objetivos ........................................................................................................ 3 2. Revisão de conhecimentos .................................................................................... 4 2.1 Intervenções em verde ................................................................................... 4 2.1.1 Desladroamento ...................................................................................... 5 2.1.2 Orientação da vegetação ......................................................................... 5 2.1.3 Desponta ................................................................................................. 6 2.1.4 Monda de frutos ....................................................................................... 7 2.1.5 Desfolha precoce ................................................................................... 10 3. Material e Métodos .............................................................................................. 18 3.1 Introdução .................................................................................................... 18 3.2 Região Demarcada dos Vinhos Verdes ........................................................ 18 3.3 Caracterização da Estação Vitivinícola Amândio Galhano ............................ 20 3.4 Caracterização da parcela utilizada no presente estudo ............................... 20 3.5 Material vegetativo ........................................................................................ 22 3.6 Delineamento experimental .......................................................................... 23 3.7 Metodologias e técnicas experimentais ........................................................ 25
VI 3.7.1 Poda ...................................................................................................... 25 3.7.2 Intervenções em verde .......................................................................... 25 3.7.2.1 Desladroamento .............................................................................................. 25 3.7.2.2 Orientação da vegetação ................................................................................ 25 3.7.2.3 Desponta ......................................................................................................... 26 3.7.2.4 Desfolha ........................................................................................................... 26 3.7.3 Estrutura do coberto vegetal .................................................................. 29 3.7.3.1 Estimativa da área foliar .................................................................................. 29 3.7.3.2 Dimensão da sebe e Superfície Foliar Exposta ................................................ 30 3.7.3.3 Porosidade da sebe ......................................................................................... 30 3.7.4 Taxa de abrolhamento e Índice de Fertilidade Potencial ........................ 31 3.7.5 Taxa de vingamento .............................................................................. 32 3.7.6 Estado hídrico das videiras (Potencial Hídrico) ...................................... 32 3.7.7 Avaliação da produção .......................................................................... 33 3.7.7.1 Compacidade dos cachos ................................................................................ 33 3.7.7.2 Estado sanitário ............................................................................................... 34 3.7.7.3 Componentes dos bagos ................................................................................. 34 3.7.7.4 Componentes dos cachos................................................................................ 35 3.7.7.5 Evolução da maturação ................................................................................... 35 3.7.7.6 Vindima ........................................................................................................... 36 3.8 Análise estatística ......................................................................................... 37 4. Apresentação e discussão de resultados ............................................................. 38 4.1 Avaliação agro-climática do ano de 2013 ..................................................... 38 4.2 Avaliação do vigor ........................................................................................ 39 4.3 Potencial de produção .................................................................................. 39 4.3.1 Percentagem de abrolhamento .............................................................. 39 4.3.2 Índice de fertilidade potencial ................................................................ 40 4.3.3 Taxa de vingamento .............................................................................. 41 4.4 Caracterização da estrutura do coberto vegetal ............................................ 42
VII 4.4.1 Área foliar removida após desfolha ........................................................ 42 4.4.2 Evolução da área foliar .......................................................................... 45 4.4.3 Dimensões da sebe ............................................................................... 47 4.4.4 Superfície foliar exposta ........................................................................ 48 4.4.5 Porosidade da sebe ............................................................................... 48 4.5 Estado hídrico das videiras ........................................................................... 50 4.6 Produtividade ................................................................................................ 52 4.6.1 Cachos .................................................................................................. 52 4.6.1.1 Compacidade dos cachos ................................................................................ 52 4.6.1.2 Estado sanitário ............................................................................................... 53 4.6.1.3 Componentes dos cachos................................................................................ 54 4.6.2 Bago ...................................................................................................... 56 4.6.2.1 Componentes do bago .................................................................................... 56 4.6.2.2 Relação película / polpa .................................................................................. 58 4.7 Avaliação da produção qualitativa e quantitativa .......................................... 59 4.7.1 Rendimento ........................................................................................... 59 4.7.2 Maturação ............................................................................................. 60 4.7.3 Relação folha/fruto/qualidade ................................................................ 61 5. Comparação de resultados .................................................................................. 63 5.1 Vigor ............................................................................................................. 63 5.2 Percentagem de abrolhamento e Índice de Fertilidade Potencial .................. 64 5.3 Taxa de vingamento ..................................................................................... 64 5.4 Evolução da área foliar ................................................................................. 65 5.5 Superfície foliar exposta ............................................................................... 67 5.6 Porosidade ................................................................................................... 68 5.7 Potencial hídrico (base) ................................................................................ 69 5.8 Indicadores compacidade e podridão ........................................................... 70 5.9 Componentes dos cachos ............................................................................ 70
VIII 5.10 Componentes dos bagos .............................................................................. 71 5.11 Produção de uvas ......................................................................................... 72 5.12 Maturação à vindima .................................................................................... 73 6. Conclusões .......................................................................................................... 74 6.1 Conslusões ................................................................................................... 74 6.2 Considerações finais .................................................................................... 75 7. Bibliografia ........................................................................................................... 76 8. Anexos ................................................................................................................ 84
2 rentáveis, uma vez que são o suporte preferencial do cacho para o seu desenvolvimento e maturação. Apesar das muitas vantagens que esta operação tem, é necessário ser feita uma chamada de atenção. É importante compreender que os bons resultados desta prática dependem da severidade e da época em que é realizada, pois os bons resultados vão depender de isso mesmo (Poni et al., 2006). Em regiões de forte insolação e elevada temperatura, uma desfolha intensa aumenta o risco de escaldão (Andrade et al,. 1997), enquanto uma desfolha reduzida poderá não surtir os efeitos desejados (Castro et al., 2006), sendo por isso necessário encontrar a solução mais adequada. Por este facto, a escolha da época de realização (fase do ciclo vegetativo) desta operação é de extrema importância, mas também a intensidade com que a mesma é realizada. Uma desfolha efetuada demasiado cedo pode levar à remoção de folhas ativas, podendo prejudicar o desenvolvimento das uvas bem como a fertilidade do ano seguinte. Se por outro lado esta ação for realizada demasiado tarde pode levar ao escaldão das uvas, ficando os objetivos por atingir. Uma altura ideal para a desfolha é, segundo Castro et al. (2006), entre o “bago de chumbo” e o “bago de ervilha”, afirmando ainda que em certas regiões, esta operação é realizada com o objetivo de acelerar e facilitar a colheita manual, aumentando o rendimento. Porém, Koblet et al. (2005) afirmam que a realização desta operação entre a floração e as duas semanas seguintes poderá levar à redução de fertilidade no ano seguinte, pois uma eliminação precoce de folhas fotossinteticamente ativas pode não ser correspondida por um aumento de netas, opinião também partilhada por Castro (1990), que considera que nesta fase as folhas da base são as mais rentáveis. Kliewer (1990), Poni et al., (2006 e 2009) e Intrieri (2008) são da opinião que a desfolha precoce é uma vantagem, no caso de valores muito elevados de rendimento, pois poderá diminuir o mesmo em castas mais vigorosas. A desfolha mecânica é vista por Castro et al. (2006) como uma boa alternativa à manual, tendo a primeira custos mais reduzidos e eficácia semelhante. Contudo, para vinhos de excelência, esta desfolha deve ter como complemento a desfolha manual, que vai retirar as folhas mais interiores ou entre os cachos, aquelas que não foram retiradas mecanicamente.
3 A técnica da desfolha precoce pode então ser vista como uma excelente alternativa à intervenção de monda, dado que a última operação é alvo de opiniões e conclusões algo inconsistentes (Gouveia, 2006; Martins, 2007), que iremos mais à frente descrever. 1.2 CASTA LOUREIRO Originária do vale do rio Lima, esta nobre casta branca é recomendada em quase toda a Região dos Vinhos Verdes com as exceções das sub-regiões de Amarante, Baião e Basto, estando a sua área de cultivo em franca expansão. Caracterizada por altos níveis de produtividade e fertilidade, os vinhos de Loureiro são marcados pela sua elevada acidez, harmonia e aromas “perfumados”, de cor citrina, muito frescos e elegantes. Produz vinhos monovarietais mas é também muitas vezes utilizada em vinhos de lote, geralmente combinada com as castas Trajadura, Arinto ou até Alvarinho (IVV, 2011). O abrolhamento é aberto, branco, com orla em carmim. A folha jovem é verde com algumas manchas bronze, muito bolhosa e cotanilhosa na página inferior. De porte meio-ereto a horizontal, os seus pâmpanos possuem entrenós verdes e nós com estrias avermelhadas na face dorsal e verdes na face ventral. A folha adulta é de tamanho geralmente médio, pentagonal e quinquelobada, às vezes trilobada, de cor verde médio. O seio peciolar é pouco aberto e com base em V. O cacho é grande e por vezes médio, cilindro-cónico e de compacidade média. Os seus bagos são de tamanho médio e uniforme, de cor verde amarelada e com película de espessura média. Grainhas pouco duras, regularmente uma por bago. Sarmentos extensos e vigorosos, entrenós de comprimento médio e nós relativamente volumosos (IVV, 2011). 1.3 OBJETIVOS Este trabalho tem como principal objetivo verificar se a técnica da desfolha precoce, manual ou mecânica, na casta Loureiro é, uma estratégia adequada para a obtenção de uvas de qualidade face a diferentes níveis de produção. Será também objetivo deste trabalho aprofundar e reunir o conhecimento já existente acerca desta casta e do comportamento da mesma na Região dos Vinhos Verdes.
4 2. REVISÃO DE CONHECIMENTOS 2.1 INTERVENÇÕES EM VERDE Para obter vinhos de qualidade superior, as intervenções em verde são operações imperativas. Elas são determinantes na atividade fisiológica da videira (Castro et al. 2006) e, por consequente, na qualidade das uvas e vinhos. Por definição, são realizadas durante o período de atividade vegetativa da planta, e têm um papel preponderante na regulação do microclima do coberto vegetal com resultados notáveis aos níveis sanitário e fisiológico, permitindo a existência de condições, o mais ideal possível, ao crescimento e maturação dos cachos. Castro et al. (2006) refere que em vinhas vigorosas, que apresentem desequilíbrios microclimáticos, estas intervenções assumem um papel ainda mais preponderante, devido à heterogeneidade da vegetação, sobreposição foliar e ensombramento dos cachos. As intervenções em verde são, como o nome indica, todas as operações efetuadas sobre os órgãos herbáceos da videira, passíveis de modificar o seu número, peso, superfície e posição (Branas, 1974). Desfolha, desponta, desladroamento, despampa, desneta, orientação da vegetação e monda de inflorescências e cachos são técnicas que, ao complementar-se umas com outras, permitem obter os melhores resultados (Magalhães, 2008). Os objetivos destas intervenções passam pela correção da poda de inverno, restauro do equilíbrio entre vegetação e frutificação, criação de um coberto vegetal equilibrado que possibilite uma favorável maturação das uvas, melhoramento do microclima ao nível dos cachos, promoção do vingamento, pela facilitação do controlo do vigor e da superfície foliar exposta, por minorar ou impedir o desenvolvimento de doenças através da manipulação do microclima, aumento da eficácia dos tratamentos a realizar na vinha bem como a operação de vindima (especialmente a manual), facilitar a circulação das máquinas no interior da vinha e a poda do ano seguinte, controlar a produção, seja pela monda de cachos ou inflorescências ou, no caso do presente estudo, através da desfolha precoce, permitir a formação da estrutura permanente das jovens videiras e conduzir a uma decréscimo geral dos custos da produção, se possível com aumento de rendimento e ganhos na qualidade. (Castro,
5 1990; Smart e Robinson, 1991; Lopes, 1994; Cruz et al., 1995; Mota e Garrido, 2001; Queiroz, 2002; Magalhães, 2008). Nos pontos seguintes deste trabalho iremos apresentar uma revisão bibliográfica que consideramos relevante para a melhor compreensão das intervenções em verde que foram aplicadas e estudadas durante este trabalho. 2.1.1 DESLADROAMENTO O desladroamento consiste na eliminação dos lançamentos provenientes de olhos dormentes e adventícios da madeira velha, que aparecem no tronco ou noutras zonas permanentes, são vulgarmente conhecidos como ladrões. Utilizam fotoassimilados que poderiam ser utilizados por outros órgãos produtivos da videira, mas não produzem uvas. Potenciam o desenvolvimento de doenças criptogâmicas, especialmente quando localizados mais perto do solo (Queiroz, 2002). Esta técnica permite também a remoção de lançamentos que provenham de abrolhamentos múltiplos (mesmo olho) ou que estejam mal situados. Mota e Garrido (2001) evidenciam que na casta Touriga Nacional este acontecimento é muito frequente, pelo que uma intervenção deverá ser sempre efetuada e o mais cedo possível sob pena de desperdício de reservas essenciais ao desenvolvimento vegetativo útil da videira. Por outro lado, alguns ladrões podem ser benéficos para a poda do ano seguinte (Castro et al., 2006), mas é preciso ter sempre especial atenção às doenças do lenho que neles possam estar incubadas. 2.1.2 ORIENTAÇÃO DA VEGETAÇÃO A orientação da vegetação é segundo Castro (1990), das intervenções em verde, aquela que revela maiores ganhos. Esta técnica tem efeitos diretos sobre a fisiologia da videira, bem como na qualidade e quantidade da produção a qual aumenta significativamente. Atualmente esta operação é facilitada para as sebes ascendentes pela utilização de arames duplos, os quais têm a função de guiar os lançamentos “novos” entre eles de modo a que estes atinjam e se fixem ao arame superior, evitando que os mesmos sejam retombantes e se liguem a outros de linhas contíguas. Os arames têm por isso de estar em constante e elevada tensão de modo a
6 conseguirem suportar toda a pressão que os lançamentos exercem sobre eles (Magalhães, 2008). A facilidade da operação de máquinas agrícolas no interior da vinha é consequência direta e imediata da utilização desta técnica, pois ao orientar-se a vegetação consegue-se maior eficácia nos tratamentos fitossanitários e de igual modo as operações de trabalho do solo são realizadas com maior facilidade. Ao nível fisiológico, conseguem-se também ganhos substanciais, pois os lançamentos orientados na vertical ascendente têm um crescimento muito mais acelerado, permitindo assim que valores mais elevados de área foliar funcional possam ser atingidos numa fase mais precoce do ciclo, o que por sua vez vai influenciar positivamente a captação de luz solar, reduzindo a quantidade de folhas ensombradas (Castro et al. 2006). Mota (2005) refere como limitação a esta técnica o elevado trabalho manual necessário, devendo o mesmo ser efetuado num período de tempo o mais curto possível. 2.1.3 DESPONTA A desponta consiste na supressão das extremidades dos lançamentos e constitui a intervenção em verde utilizada mais vulgarmente sendo que, numa viticultura intensiva e competitiva, com elevadas densidades, a sua realização é imprescindível e de primordial importância (Branas, 1974; Mota & Garrido, 2001). A realização desta operação tem resultados variáveis, consequência da severidade e do momento em que a mesma é efetuada, contudo os seus principais objetivos são: fisiológicos, microclimáticos, fitossanitários, culturais e de mecanização. Na prática, pretende-se alterar as relações “source/sink”, diminuir os riscos de desavinho, providenciar um melhor microclima ao nível das folhas melhorando a sua exposição e arejamento, reduzindo os riscos de ocorrência de míldio, oídio e podridão cinzenta nos cachos, favorecer o vingamento bem como a produção de fotoassimilados, controlar o vigor, eliminar os órgãos mais jovens e por isso sensíveis ao ataque de fungos e facilitar a aplicação de produtos fitossanitários e operações de amanho do solo por pessoas ou máquinas (Branas, 1974; Champagnol, 1984; Castro, 1990; Lopes, 1994; Mota & Garrido, 2001; Queiroz, 2002).
7 Segundo Castro (1990), a realização desta operação poderá proporcionar ganhos significativos de rendimento e qualidade, dependendo a mesma, da casta, da região e da época de realização. Queiroz (2002) afirma que a desponta deve ser efetuada na altura em que os lançamentos ainda se encontrem na posição vertical de modo a que seja mais eficaz e se evite a formação de “chapéus” de vegetação. 2.1.4 MONDA DE FRUTOS As produções excessivas provocam um atraso na maturação e reduzem a qualidade das uvas (Jackson & Lombard, 1993). Atualmente, de modo a controlar a produção e a melhorar a qualidade da mesma recorre-se, entre outros, à monda de frutos. Para além de melhorar a qualidade fitossanitária das uvas, esta técnica tem como principal objetivo melhorar a maturação das uvas à vindima. Este controlo permite não ultrapassar os limites de produção impostos por lei para vinhos com designação de origem, mantendo um nível de qualidade constante e elevado (Carboneau et al., 1977, Gay et al., 1995). A monda de cachos deve ser usada pontualmente, como recurso, servindo para corrigir erros, quer sejam estes a escolha da casta ou do porta enxerto, a exposição e densidade da plantação, o sistema de condução escolhido, ou, por outro lado, erros de poda, gestão do solo e da rega ou outras intervenções em verde (Queiroz, 2010). Esta operação pode ser realizada segundo três métodos, o manual, o químico e o mecânico, sendo a monda manual a mais utilizada. Qualquer um dos métodos deve ser precedido de uma estimativa de colheita e de uma avaliação da superfície foliar exposta. A estimativa da colheita é sempre dificultada pois está condicionada às condições meteorológicas entre o tempo que intercede a monda e a vindima, o que pode originar diferenças significativas entre a previsão e o rendimento efetivo (Renaud, 2002). A monda manual consiste, então, na eliminação de cachos e é a mais comum das três apresentadas, sendo mais utilizada em uvas de mesa. Previamente à monda de cachos, deve ser efetuada uma avaliação do potencial de produção e da superfície foliar exposta e assim determinar a intensidade da monda. Com uma probabilidade de
8 erro variável, a estimativa da colheita depende em grande parte das condições meteorológicas daquele ano, que se sentiram até à data e que se irão sentir até à vindima, podendo influenciar os resultados finais, afastando-os da previsão anteriormente estimada. Cunha et al. (2001) aplicam modelos de previsão quantitativa de vindima, com elevado grau de segurança, que são utilizados a uma escala regional, podendo, com alguns ajustes, ser utilizados a uma escala inferior. Os primeiros cachos a serem retirados devem ser aqueles que mostrem problemas sanitários, em seguida os de menor maturação e/ou que apresentem bagoinha e, por último, os que se localizem numa posição superior no sarmento (Boubals, 2001). A monda química é feita com recurso a substâncias metabolicamente ativas, como é o caso do etefão, que, ao atuarem como reguladores do crescimento, aumentam a concentração de etileno o que provoca a abcisão dos frutos. Com a aplicação de cobre à floração pode ainda induzir-se o desavinho devido ao efeito polinicida deste metal (Aires et al., 1997). A monda mecânica pode ser realizada com auxílio da máquina de vindimar que ao passar na vinha entre o vingamento e o fecho do cacho elimina um certo número de bagos (Gay et al., 1995). Smart et al. (1990), afirma que a monda mecânica deve ser realizada numa fase avançada do ciclo vegetativo, próxima do fim do crescimento da videira. Queiroz (2010) assinala que em locais em que houve uma incorreta seleção do local de implantação da vinha, ou foram efetuadas combinações erradas de casta vs. porta-enxerto, utilização errada de clones, técnicas culturais praticadas inadequadas, pratica-se a monda de frutos erradamente como forma de compensar os erros feitos previamente e que podiam ter sido evitados. O autor afirma ainda que nestes casos existem alternativas à monda de frutos tais como: adoção de práticas culturais conhecidas por diminuir o potencial vegetativo (enrelvamento ou limitação da carga), utilização de porta-enxertos menos vigorosos e sistemas de condução adequados. Ainda assim, há anos pontuais em que os níveis de abrolhamento com fertilidade elevada se verificam, bem como altas taxas de vingamento ou condições climáticas adversas durante a fase de maturação, nestes casos o autor aconselha a monda de frutos como intervenção corretiva sobre a produção.
9 Queiroz (2002) efetuou um estudo na Região do Douro, nos anos de 1995 a 1999 na casta Tinta Roriz e verificou que na modalidade mondada a 25% ao fecho do cacho houve uma redução no rendimento, não significativa, de 12% relativamente à Testemunha no que toca à produção (kg/cepa). Por outro lado nas modalidades mondadas a 50% ao bago de ervilha e a 27% ao pintor houve uma redução na produção de 29%. O teor de álcool provável teve uma tendência geral a aumentar, mas a modalidade que mais se destacou foi a que foi alvo de monda a 50% com ganhos significativos. Noutro estudo da mesma casta, efetuado por Gouveia (2006), na região do Dão, a realização de monda a 50% ao pintor permitiu concluir que apenas os vinhos resultantes desta modalidade apresentavam qualidade global para classificação de “reservas”, “garrafeiras”, ou “Dão Nobre”. Neste estudo foi verificado pelo autor uma redução no rendimento de 39% e uma recuperação da massa dos bagos de cerca de 7%. Num ensaio realizado por Carbonneau et al. (1997), nas castas Merlot e Cabernet Sauvignon, com mondas de cachos de 25%, 50% e 70%, observou-se uma redução de rendimento proporcionalmente menor à intensidade da monda. Neste estudo, os autores verificaram também que, ao invés do rendimento, o teor de álcool provável aumentava tanto mais quanto maior a intensidade da monda enquanto a acidez total diminuiu. As mondas foram realizadas uma semana após o vingamento e uma semana previamente ao pintor sendo que as mondas realizadas em ambas as castas ao vingamento obtiveram produções superiores. Pita (2006) efetuou um estudo na casta Syrah, na Região do Ribatejo, com mondas entre os 40% e os 60%, em que os resultados obtidos foram de quebras na produção entre os 16% e os 50%. Noutro estudo realizado por Clímaco et al. (2004), com a casta Alicante Bouschet, na Região de Terras do Sado, foram efetuadas mondas ao pintor com intensidades que variaram entre os 43% e os 71%, e concluíram que quanto maior a monda maiores as perdas de rendimento. A casta Alfrocheiro foi alvo de um estudo de dois anos realizado por Botelho et al. (2007), tendo os resultados obtidos apontado para uma redução de rendimento entre os 30% e os 40%, proporcionais à monda efetuada. A massa dos cachos nas modalidades mondadas, relativamente à Testemunha, não sofreu alterações.
10 Num ensaio efetuado em 1999 por Queiroz (2002) verificou-se um atraso na maturação, a partir de Setembro, da Testemunha, relativamente às modalidades mondadas, tendo como consequência uma diferença de uma unidade no teor de álcool provável. O pH e a acidez total não sofreram alterações significativas nas várias modalidades do estudo. Gutierrez (2004) constatou que a data da vindima pode ser antecipada devido à realização de uma monda de inflorescências, flores, bagos ou cachos, independentemente do estado fenológico em que a vinha se encontra no momento da intervenção ou da intensidade desta, num valor que Boubals (2001) estima entre 5 e 10 dias. Martins (2007) num estudo sobre a casta Touriga Nacional, verificou uma antecipação da vindima entre 5 e 7 dias, para as modalidades mondadas a 30 e 60%. Os trabalhos de Cardoso (2006) e Martins (2007) constatam que os resultados da monda nem sempre são os desejados. O primeiro foi efetuado na casta Baga com mondas a 25% e a 50% e o segundo realizado na casta Touriga Nacional e não obtiveram qualquer ganho de qualidade nos vinhos mesmo a nível de análise sensorial. 2.1.5 DESFOLHA PRECOCE Como já foi referido anteriormente neste trabalho, existem diversas formas de limitação do rendimento, todavia, os resultados obtidos por vezes são inconsistentes e nem sempre são os desejados. Numa viticultura moderna o controlo sobre a regulação do desempenho da vinha é um fator essencial para se obter produções de boa qualidade a custos sustentáveis. Neste sentido, com o presente trabalho, procedemos a um estudo sobre a desfolha precoce, quais os seus efeitos diretos no microclima da videira ao nível dos cachos, se funciona como técnica limitadora de rendimento e se isso se traduz numa melhor qualidade das uvas. A desfolha precoce consiste na remoção de um determinado número de folhas basais da videira que neste estudo foi realizada à floração. Petri et al. (2003) afirmam
11 que tradicionalmente deverá ser efetuada no amadurecimento e geralmente em condições de elevada densidade de folhas. É uma intervenção que pode ser facilmente realizada com recurso à mecanização o que por si só se traduz numa maisvalia, pois deste modo consegue-se uma redução nos custos da intervenção tornandose assim numa alternativa economicamente competitiva às práticas tradicionais manuais. A taxa de vingamento, o peso dos cachos e a produção de uvas por videira podem ser significativamente reduzidas com o recurso à técnica da desfolha precoce (Diago et al., 2010). No entanto, os mesmos autores afirmam ainda que esta intervenção potencia a qualidade dos vinhos, nomeadamente teores em álcool mais elevados e características organoléticas superiores, pois providencia uma melhor porosidade vegetativa e uma quase ideal exposição dos cachos à luz solar. Também Bledsoe et al. (1988) são da opinião que os objetivos da desfolha clássica passam pelo aumento da exposição solar dos cachos para melhorar a sua qualidade mas acima de tudo reduzir a incidência de doenças fúngicas e criptogâmicas. Gubler et al. (1991) acrescentam ainda que permite aumentar a eficácia dos tratamentos fitossanitários a realizar sobre a vinha. Segundo Poni et al. (2005, 2006), esta é uma técnica que mecanizada poderia ser usada na limitação de rendimento de uma vinha. Em relação à época de realização desta operação, grande parte dos autores está de acordo com as fases do ciclo em que esta deve ser realizada. Trabalhos realizados por Poni et al. (2006, 2009), Intrieri et al. (2008), Diago et al. (2009), concluem que quando realizada entre a floração e o vingamento tem uma maior influência negativa no vingamento. Tal facto deve-se à necessidade de carbohidratados na floração, determinante para o vingamento dos frutos (Combe, 1959; Caspari & Lang 1996). Diago et al., (2009) constataram no seu trabalho que a desfolha realizada precocemente trás benefícios ao nível dos compostos da uva, nomeadamente de antocianinas, riqueza em sólidos solúveis e teores de acidez mais baixos, factores que potenciam maiores graus de maturação justificados pelo rácio folha/fruta ser mais elevado. No seu trabalho Tardaguilla et al. (2010), afirmam que os resultados finais podem ser influenciados pela época de realização da operação. Estes autores partilham também a mesma opinião de que a desfolha precoce ao vingamento melhora substancialmente a composição química dos vinhos e as características
18 3. MATERIAL E MÉTODOS 3.1 INTRODUÇÃO No presente estudo foi utilizada a casta Loureiro (Vitis vinífera L.) e o mesmo decorreu durante o ciclo vegetativo de 2013, numa parcela experimental da Estação Vitivinícola Amândio Galhano (EVAG), localizada no concelho de Arcos de Valdevez na Região dos Vinhos Verdes. Neste estudo foram experimentadas estratégias de gestão de desfolha precoce manual e mecânica à fase da floração. 3.2 REGIÃO DEMARCADA DOS VINHOS VERDES A Região Demarcada dos Vinhos Verdes localiza-se na zona do Minho, no noroeste de Portugal, na região tradicionalmente conhecida como Entre-Douro-eMinho. A sua primeira demarcação foi no ano de 1908, sendo que os atuais contornos existem desde 1920, ano da criação da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes. Tem atualmente cerca de 21 000 hectares de vinha plantada, correspondendo a 15% da área vitícola nacional. Como limites tem a poente o Oceano Atlântico, a nascente e a sul as cadeias montanhosas que separam a região Entre-Douro-e-Minho das zonas mais interiores do país e a norte o Rio Minho (fronteira com Espanha). Devido à orientação dos vales dos seus rios que permitem a penetração na região dos ventos marítimos o seu clima é fortemente marcado pela influência Atlântica (CVRVV, 2014). Ao nível da pluviosidade esta estende-se durante o ano de forma irregular mas com totais anuais elevados, cerca de 1500 mm, concentrados no Inverno e na Primavera. As temperaturas distribuem-se ao longo do ano em conformidade com o regime anual de chuvas, aos mais elevados valores de temperatura correspondem os valores mais baixos de precipitação e vice-versa sendo que a média anual não é excessiva (CVRVV, 2014). Contém solos maioritariamente de origem granítica, e portanto, pobres, ácidos e franco-arenosos, contudo, foram enriquecidos pelos agricultores que ocupavam grande parte dos terrenos agrícolas com culturas como o milho e o azevém, instalando a vinha apenas na bordadura dos campos ou em zonas mortas (Galhano, 1986).
19 A Região Demarcada dos Vinhos Verdes está, segundo a Portaria nº. 28/2001 e a Portaria nº. 291/2009, separada em nove sub-regiões que se individualizam pelos tipos de vinho, costumes e tradições, microclima, encepamento e modo de condução da vinha: Amarante, Ave, Baião, Basto, Cávado, Lima, Monção e Melgaço, Paiva e Sousa. (CVRVV, 2014) FIGURA 1 - REGIÃO DEMARCADA DOS VINHOS VERDES, FONTE: CVRVV
20 3.3 CARACTERIZAÇÃO DA ESTAÇÃO VITIVINÍCOLA AMÂNDIO GALHANO A Estação Vitivinícola Amândio Galhano (41º 48’ N, 8º 24’ W) é um polo de experimentação e investigação na área de vitivinicultura, criado pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes. Tem cerca de 70 hectares situados na margem direita do Rio Lima numa propriedade denominada “Quinta de Campos do Lima”. Na EVAG podemos distinguir três zonas topograficamente distintas: uma zona de altitude estendida ao longo do Rio Lima com altitudes entre os 20 e os 30 metros, uma zona de encosta com uma altitude variável entre os 80 e os 100 metros e outra zona de encosta em patamares largos, com altitude variável entre os 30 e os 80 metros. Sendo a sua principal área de vocação o trabalho experimental na viticultura, podemos distinguir na EVAG, entre outros trabalhos desenvolvidos, a seleção clonal das castas regionais recomendadas para a Região dos Vinhos Verdes obtendo-se clones adaptados às exigências climáticas da região, estudo de novos sistemas de condução da vinha tendo em conta o elevado grau de exigência produtivo e qualitativo do produto final, estudos de nutrição e fertilização da vinha, estudos de porta-enxertos e a sua adaptabilidade e afinidade às condições do solo, do clima e da casta e, ainda estudos de implantação de vinha em encosta. A Estação dedica-se igualmente à multiplicação vegetativa de videiras, segundo técnicas de produção das mais modernas e avançadas, recorrendo a tecnologia de ponta nomeadamente no tratamento fitossanitário dos sarmentos para enxertia. 3.4 CARACTERIZAÇÃO DA PARCELA UTILIZADA NO PRESENTE ESTUDO O ensaio foi realizado na parcela C2, no campo de experimentação da casta Loureio (Vitis Vinifera L.), instalado no ano de 1992.
21 FIGURA 2 - PARCELA DO ESTUDO NA EVAG, FONTE: GOOGLE MAPS Armada (1990) caracteriza os solos da EVAG como sendo de origem predominantemente granítica, contendo elevados teores de areia grossa e saibro e, por isso, naturalmente pobres em nutrientes e terra fina. A área de cultivo, segundo o mesmo autor, pode dividir-se em cinco categorias pedológicas: antrossolos úmbricos com baixo teor de potássio e fósforo; antrossolos com dificuldade em drenagem; antrossolos dístricos com suscetibilidade de erosão e fluvissolos úmbricos com deficiente retenção de nutrientes e de água no solo. A nível climático a região insere-se numa zona temperada de moderada influência atlântica que atua como termorregulador. As temperaturas médias anuais situam-se entre os 10ºC e os 14ºC sofrendo poucas variações. Existem duas estações, uma chuvosa e fria e outra seca e quente. A primeira é caracterizada por elevados níveis de pluviosidade e temperaturas médias baixas que se estende geralmente entre os meses de Outubro e Março e tem como meses mais críticos Dezembro, Janeiro e Fevereiro altura em que as temperaturas mínimas atingem os
22 valores mais baixos e as geadas ocorrem com grande frequência. Os níveis pluviométricos nestes três meses atingem valores correspondentes a metade da precipitação anual, saturando os solos de água e permitindo a criação de algumas reservas para o tempo mais quente. A outra estação caracteriza-se por temperaturas médias elevadas e pluviosidade média baixa, o que acentua os níveis de evapotranspiração das plantas ocorrendo pontualmente situações de stress hídrico. Entre os meses de Junho e Setembro apenas se verifica 12% da precipitação total anual. Como consequência há um défice de água, na medida em que a evapotranspiração das plantas é superior às reservas hídricas do solo. No que diz respeito à disposição das videiras na parcela em estudo, estas organizam-se em linhas de plantação com a orientação Este-Oeste e em compassos de 2,4 x 2,0 metros o que corresponde a uma densidade de plantação de 2083 videiras/hectare. A forma de condução é em cordão simples ascendente, e a altura do tronco ao solo é de 1,20 m. Existem também duas fiadas de arame para suporte da vegetação. O tipo de poda praticado é vara e talão e em média cada braço é constituído por 5 unidades de frutificação. Mota e Garrido (2001) afirmam que este tipo de poda é o mais adaptável à mecanização das várias intervenções em verde, desde a poda à desfolha precoce, e vindima. 3.5 MATERIAL VEGETATIVO A casta Loureiro (Vitis vinífera L.) foi a selecionada para o presente estudo por se tratar de uma casta muito produtiva e das mais importantes e amplamente usadas na Região dos Vinhos Verdes, sobretudo na zona de Ribeira Lima, de onde será oriunda, mas também predominante em todas as outras sub-regiões adaptando-se melhor às zonas mais litorais.
23 Trata-se então de uma casta branca, com níveis médios de vigor e produções elevadas e relativamente precoces e tem boa afinidade com a maioria dos portaenxertos utilizados na região, nomeadamente o SO4, o 196-17, o 101-14 e o 1103-P (Mota e Garrido, 2001). Possui um índice de fertilidade elevado, tendo em média duas inflorescências por lançamento, e dando origem a cachos compridos, medianamente compactos e pesados, daí as produções elevadas, característica desta casta. Bagos arredondados, médios, polpa mole e suculenta com sabor específico a louro (Magalhães, 2008). Abrolhamento médio a precoce e maturação média. É uma casta que se revela muito sensível ao oídio, escoriose, podridão cinzenta e ácaros, sendo também sensível ao míldio. Relativamente às folhas, estas são pentagonais, quinquelobadas, às vezes acentuadamente trilobadas e de perfil irregular. Possuem um seio peciolar em forma de V, geralmente abertos e com os pontos peciolares bem como o pecíolo geralmente de cor carmim. No que diz respeito aos mostos desta casta, estes são caracterizados como tendo aromas varietais (Garrido et al., 2004). FIGURA 3PÂMPANOS E FOLHAS DE LOUREIRO, FONTE: CATÁLOGO DE CASTAS. IVV, 2011. 3.6 DELINEAMENTO EXPERIMENTAL Para este estudo foram utilizados 5 blocos (ou repetições), quatro modalidades distintas por bloco, dispostas de forma aleatória em cada linha e compostas por 4 videiras. Assim, o número total de plantas amostradas foi de 80, 4 videiras por modalidade, 4 modalidades e 5 repetições. Entre as videiras, procurou-se selecionar aquelas que segundo o estado sanitário e o desenvolvimento vegetativo fossem semelhantes, visto que ao nível edáfico as características já eram muito similares.
24 As quatro modalidades em estudo foram designadas por: T – Testemunha (sem desfolha) DM – Desfolha mecânica D5 – Desfolha de 5 folhas basais à floração D8 – Desfolha de 8 folhas basais à floração Por repetição, colocou-se uma fita adesiva colorida identificativa de cada modalidade em redor do tronco de cada videira. A fita de cor branca correspondeu à Testemunha; a cor verde para as plantas desfolhadas mecanicamente; a cor azul para as plantas com desfolha de 5 folhas basais e finalmente a cor vermelha para as plantas cuja desfolha implicou a remoção de 8 folhas basais. FIGURA 4 - DELINEAMENTO EXPERIMENTAL, EVAG, 2014
25 3.7 METODOLOGIAS E TÉCNICAS EXPERIMENTAIS 3.7.1 PODA Esta intervenção foi efetuada no dia 5 de Fevereiro nas 5 linhas e respetivas modalidades que constituem este estudo. A poda foi efetuada manualmente, com recurso a tesouras de poda assistidas por bateria e, complementarmente, toda a lenha de poda, varas e netas, resultante desta intervenção foi pesada e os olhos deixados em cada videira foram contabilizados. 3.7.2 INTERVENÇÕES EM VERDE 3.7.2.1 DESLADROAMENTO Os pâmpanos emitidos pela videira, desprovidos de fruto, são vulgarmente chamados de “ladrões”, ou seja, são ramos parasitas para a planta. Neste caso, o que se faz é suprimi-los como forma de correção da poda de inverno estabelecendo um equilíbrio da carga com as potencialidades da videira. É uma operação realizada de forma manual e que deve ser efetuada desde o início do ciclo vegetativo, em particular nos meses de Abril e Maio. Em posteriores passagens pela vinha todos os ladrões devem ser removidos e apenas se deixam aqueles que podem ser vantajosos para a poda do ano seguinte, vulgarmente conhecidos como “esperas”. O desladroamento é comum em toda a Região dos Vinhos Verdes e realiza-se com alguma frequência. 3.7.2.2 ORIENTAÇÃO DA VEGETAÇÃO Esta intervenção tem um particular interesse neste trabalho, pois ao orientar-se a vegetação está a privilegiar-se a fotossíntese. Como a parcela em estudo está montada com arames pareados, apenas é necessário que, assim que os pâmpanos atinjam a altura adequada, sejam guiados pelo interior destes de modo a atingir o arame mais superior, numa fase do seu desenvolvimento em que a resistência ao vento ou a algum tipo de impacto que possa ocorrer sobre eles é baixa. A primeira fase desta operação ocorre pela altura da floração, normalmente em Maio, e prolonga-
26 se até a vindima, deste modo as passagens no interior da vinha de pessoas e máquinas são facilitadas e não prejudicam os valores da área foliar. 3.7.2.3 DESPONTA Sendo uma prática cultural essencial ao sistema de condução adoptado nas videiras do ensaio, esta intervenção foi realizada mecanicamente ao pintor. 3.7.2.4 DESFOLHA A operação de desfolha foi realizada no dia 31 de Maio sobre as modalidades DM, D5 e D8 em todas as linhas do estudo. Na modalidade D5 procedeu-se à remoção manual de 5 folhas basais enquanto na D8 foram removidas 8 folhas basais também de forma manual. A desfolha mecânica foi realizada com recurso a um trator vinhateiro equipado na dianteira com uma máquina de desfolha (modelo LR350 da PROVITIS) com uma abertura lateral que continha no seu interior um bocal de aspiração com um rolo e uma turbina, ambos accionados hidraulicamente. FIGURA 5 - MÁQUINA DE DESFOLHA LR350 PROVITIS. LOUREIRO, EVAG, 2014
27 A base inferior deste era colocada à altura da base dos pâmpanos e apenas era aproximado à videira, nunca encostando totalmente; tal facto deve-se à presença de duas barras em aço que garantem uma distância de segurança do tambor à videira salvaguardando os cachos e arrancando apenas as folhas. Já em funcionamento, as folhas basais eram sugadas de encontro à abertura do tambor e arrancadas à medida que este passava. Devido às reduzidas dimensões do conjunto trator + tambor, esta operação pode ser realizada mesmo quando as entrelinhas são mais pequenas e permite velocidades até 3 km/h. FIGURA 6 - DESFOLHA NA MODALIDADE D5. LOUREIRO, EVAG,2013 FIGURA 7 - DESFOLHA NA MODALIDADE D8. LOUREIRO, EVAG, 2014
34 3.7.7.2 ESTADO SANITÁRIO A avaliação da percentagem do ataque de podridão é um fator de extrema importância para a análise do estado sanitário da videira. Este estudo foi realizado em Setembro, à maturação, nas videiras e cachos que tinham sido alvo da avaliação da compacidade sendo simultaneamente avaliados quanto ao seu estado sanitário, ou seja, o nível de podridão existente. Foram então observados 100 cachos no conjunto de todas as modalidades e repetições, e a escala utilizada (ANEXO III) divide o cacho em 4 frações e determina a percentagem de ataque segundo a intensidade de podridão em cada fração. Os níveis de ataque dividem-se em: 0 – Cacho sem sintomas de podridão 0,25/4 – Ataque a 25% do cacho 0,5/4 – Ataque de metade de uma fração do cacho 1/4 – Ataque de uma fração inteira do cacho 1,5/4; 2/4; 2,5/4; 3/4; 3,5/4; 4/4 – Ataque de uma fração e meia do cacho até a um ataque total de podridão no cacho 3.7.7.3 COMPONENTES DOS BAGOS Como elemento essencial do rendimento, o parâmetro de componentes dos bagos é de essencial importância. Nesta avaliação foram escolhidos 20 cachos (1 cacho por modalidade x 4 modalidades x 5 repetições). Em cada cacho foram selecionados 10 bagos para análise dos seguintes parâmetros: Diâmetro dos bagos; Peso das polpas; Peso das películas; Número de grainhas; Peso das grainhas. Poni et al. (2009) sublinha que para o estudo da desfolha precoce, a análise dos componentes dos bagos é de extrema importância, pois os indicadores que ele
35 oferece têm uma relevância singular. Ainda segundo o mesmo autor, com a operação de desfolha precoce a massa relativa das películas aumenta (independentemente do tamanho dos bagos) originando ganhos consideráveis ao nível das antocianinas e compostos fenólicos, pois parte deles encontram-se no exocarpo do bago. A medição dos componentes do bago foi efetuada no dia de vindima. 3.7.7.4 COMPONENTES DOS CACHOS Para este estudo foram utilizados os mesmos 20 cachos que serviram de base ao estudo dos componentes do bago, os quais eram correspondentes às quatro modalidades das cinco repetições do ensaio. Os cachos foram recolhidos na vinha, no dia 17 de Setembro, já próximo da data de vindima, e foram analisados os seguintes parâmetros: Comprimento do cacho; Peso do cacho; Número de bagos; Peso dos bagos; Volume dos bagos; Peso do ráquis. Estas medições, têm como principal objetivo analisar o efeito dos diferentes níveis de desfolha precoce em todos os componentes medidos no cacho por modalidade, permitindo a sua comparação. Poni et al. (2006) e Diago et al. (2009) afirmam que estes parâmetros têm uma ligação direta com a taxa de vingamento, devido à relação número de bagos por cacho / número de botões florais. 3.7.7.5 EVOLUÇÃO DA MATURAÇÃO Para a análise da evolução da maturação foram realizadas três amostragens: a primeira no dia 5, a segunda no dia 12, e a terceira no dia 19, correspondente ao dia da vindima, todas no mês de Setembro. No total de cada medição foram colhidos 60 bagos de todas as modalidades e em todas as repetições. A colheita foi feita segundo
36 metodologia adaptada de Carbonneau et al. (1991), bagos de todas as partes dos cachos de ramos de fruto, repartidos pelos dois lados da planta e em todas as videiras da unidade experimental. Já no laboratório, procedeu-se à pesagem dos bagos, seguido de um esmagamento dos mesmos, tendo o mosto correspondente sido coado para as respetivas cápsulas de porcelana. Os passos seguintes foram a determinação do teor de álcool provável por refractometria e a avaliação da acidez total através de titulações na presença de fenoftaleina (Curvelo-Garcia, 1988). FIGURA 10 - PESAGEM DE BAGOS. LOUREIRO, EVAG, 2014 Na última amostragem, à vindima, parte do mosto de cada amostra foi refrigerado e enviado para o laboratório da Comissão dos Vinhos Verdes, no Porto, onde foram efetuadas as medições do azoto assimilável, pH, ácido málico, acidez total e tartárico final. 3.7.7.6 VINDIMA A vindima foi realizada no dia 19 de Setembro tendo a sua marcação sido feita com base nos resultados do controlo de maturação, referido anteriormente.
37 Durante o processo da vindima, todos os cachos das 80 videiras do ensaio (4 plantas x 4 modalidades x 5 linhas) foram contados e pesados por videira, com o auxílio de uma balança dinamométrica. 3.8 ANÁLISE ESTATÍSTICA O tratamento estatístico dos dados foi realizado com recurso ao programa IBM SPSS Statistics 20 Version. Foram efectuados diferentes testes estatísticos para cada variável a estudar no sentido de se verificar diferenças ou semelhanças entre as 4 modalidades que compreendiam o ensaio. Para um número de dados por variável (N) superior ou igual a 20, recorreu-se a testes de normalidade através da análise das variâncias das médias (ANOVA). Quando havia significado estatístico, a um nível de significância de 0,05 entre as médias da variável, utilizou-se o teste de Duncan para comparar as médias. O agrupamento das médias pelo teste de Duncan foi feito em grupos iguais (letras iguais) ou grupos diferentes (letras diferentes). A análise gráfica foi realizada com recurso ao programa Microsoft Office Excel 2010.
38 4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE RESULTADOS 4.1 AVALIAÇÃO AGRO-CLIMÁTICA DO ANO DE 2013 O regime termo-pluviométrico do ano de 2013 foi algo atípico tendo em conta o histórico dos últimos 15 anos (ANEXO VII). Comparando os valores registados de 2013 na estação meteorológica da EVAG com a média dos últimos 15 anos, verificase que o mês de março registou níveis de pluviosidade quase três vezes superiores à média referida. Por outro lado, o período março-setembro teve níveis pluviométricos inferiores à média dos 15 anos o que influenciou diretamente as fases do pintor e maturação. As temperaturas, nos primeiros meses do ano e até abril, foram inferiores à média dos 15 anos, o que conjugado com altos níveis de pluviosidade registados nesse mesmo período provocou um atraso no abrolhamento em cerca de uma semana, e que se repercutiu no crescimento atrasado da vegetação. Entre abril e junho foram registadas temperaturas igualmente abaixo da média mas desta vez acompanhadas também por valores de pluviosidade inferiores. A floração na casta Loureiro atrasou, em média, cerca de 13 dias. Nos meses de julho, agosto e até meados de setembro, inúmeras videiras de várias castas apresentaram sintomas de stress hídrico, devido à falta de precipitação, sendo que em agosto apenas choveu cerca de 10% da média dos 15 anos anteriores. No período da maturação, os valores de temperatura foram igualmente elevados com mais de 35 dias com temperatura máxima diária superior a 30ºC. O pintor atrasou cerca de 20 dias na casta Loureiro em relação à média dos 20 anos anteriores (Garrido, 2013). Ao nível fitossanitário, foi um ano positivo relativamente à presença de míldio, na medida em que na fase do ciclo mais propícia à infeção, as temperaturas médias foram inferiores a 10ºC na grande parte dos dias e do mesmo modo também a precipitação registou valores inferiores a 10 mm. A podridão à vindima foi o principal problema fitossanitário que ocorreu no ciclo de 2013 devido à intensa precipitação registada a partir do 30 de setembro (Garrido, 2013), muito embora o ensaio tenha sido vindimado antes desta data.
39 4.2 AVALIAÇÃO DO VIGOR A avaliação do vigor foi realizada em todas as videiras do ensaio, no dia 5 de fevereiro, através do peso da lenha de poda e do peso médio da vara (Quadro 1). QUADRO 1 – AVALIAÇÃO DO VIGOR DO CICLO VEGETATIVO DE 2012. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. LOUREIRO. EVAG, 2014. Componentes do vigor Mod Nº de varas Peso das varas (kg) Nº de netas Peso das netas (kg) Peso lenha total (kg) Peso médio vara (g) T 22,6 1,91 14,4 0,24 1,72 87,8 DM 22,3 1,64 10,8 0,16 1,44 74,4 D5 23,6 1,72 13,3 0,20 1,55 75,4 D8 25,5 1,76 11,5 0,15 1,53 70,1 Sig. 0,143 0,471 0,573 0,218 0,824 0,678 (1) SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: N.S. - NÃO SIGNIFICATIVO A UM VALOR DE SIGNIFICÂNCIA 0,05. No Quadro 1 estão representados os valores médios para os componentes de vigor expressos por videira. Ao analisar os resultados, verifica-se que a modalidade DM, seguida da D8, partem com um vigor ligeiramente inferior em relação às restantes modalidades apesar de não se registarem diferenças estatisticamente significativas entre elas. 4.3 POTENCIAL DE PRODUÇÃO 4.3.1 PERCENTAGEM DE ABROLHAMENTO A avaliação da percentagem de abrolhamento, embora não seja influenciada pela prática da desfolha à floração, é importante para focar a homogeneidade dos valores entre as várias modalidades, que assim partem em iguais circunstâncias. Esta percentagem é gerada pela razão entre o número de olhos abrolhados e o número de olhos deixados à poda. De salientar ainda a média de olhos deixados à poda em todas as modalidades foi praticamente o mesmo, 35 olhos.
40 QUADRO 2 – PERCENTAGEM DE ABROLHAMENTO DAS DIFERENTES MODALIDADES. MODALIDADES :TTESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. % Abrolhamento Mod Nº de olhos deixados à poda / videira Nº de olhos abrolhados / videira % Abrolhamento T 35,1 30,8 87,6 DM 35,5 28,1 79,0 D5 35,6 30,8 87,5 D8 35,3 30,7 87,2 Sig. 0,962 0,143 0,074 (1) SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: N.S. - NÃO SIGNIFICATIVO A UM VALOR DE SIGNIFICÂNCIA 0,05. No Quadro 2 verifica-se que a percentagem de abrolhamento é tendencialmente inferior na modalidade DM, na ordem dos 79%, ainda que não haja diferenças significativas entre as modalidades. Este valor pode ser explicado pelo menor vigor, que já tinha sido evidenciado no Quadro 1, com que este conjunto de videiras partiu no início do ensaio. As restantes modalidades apresentam valores de abrolhamento muito similares, na ordem dos 87%, valores que se podem considerar usuais para uma vinha equilibrada da Região dos Vinhos Verdes. 4.3.2 ÍNDICE DE FERTILIDADE POTENCIAL A fertilidade de um gomo pode ser avaliada pelo número de inflorescências ou o pelo número de flores (Reynier, 1986). É comum avaliá-la através do Índice de Fertilidade Potencial (IFP) que representa o número de inflorescências por olho abrolhado. Este registo foi realizado à floração.
41 QUADRO 3 – FERTILIDADE POTENCIAL MÉDIA AVALIADA À FLORAÇÃO. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. LOUREIRO. EVAG, 2014. Fertilidade Mod Nº de Inflorescências / videira Nº de olhos abrolhados IFP T 27,3 30,8 1,07 DM 25,3 28,1 1,17 D5 28,8 30,8 1,05 D8 24,0 30,7 0,95 Sig. 0,109 0,143 0,136 (1) SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: N.S. - NÃO SIGNIFICATIVO A UM VALOR DE SIGNIFICÂNCIA 0,05. Neste parâmetro, verifica-se que a modalidade D8, ainda que não seja um valor significativo, se destaca das demais modalidades, com um valor de IFP inferior. A modalidade DM foi a que atingiu o mais elevado valor de IFP porque, dada a percentagem de abrolhamento inferior (Quadro 3), respondeu com um número de inflorescências proporcionalmente maior. Segue-se a modalidade T com 1,07 de IFP e finalmente a D5 com um valor de IFP de 1,05. Os valores encontrados para o IFP consideram-se relativamente baixos, tendo em conta o valor médio para a casta Loureiro que segundo (Mota et al., 2009) se situa em 1,40, o que significa que todas as modalidades do ensaio ficaram aquém desse valor. 4.3.3 TAXA DE VINGAMENTO A avaliação da taxa de vingamento num trabalho de desfolha à floração é de extrema importância, pois esta intervenção tem consequências diretas nos valores deste parâmetro. Numa fase do ciclo vegetativo em que a planta necessita de fotoassimilados, são-lhe retiradas as principais folhas responsáveis pela fotossíntese. Como resposta à falta de carbohidratos, a planta diminui o número de bagos.
42 QUADRO 4 – TAXA MÉDIA DE VINGAMENTO NAS MODALIDADES DO ESTUDO. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. LOUREIRO. EVAG, 2014. Vingamento Mod Nº total de flores Nº total de bagos Taxa de vingamento T 1909 965 0,49 DM 2100 834 0,43 D5 1837 716 0,38 D8 2181 825 0,38 Sig. 0,941 0,875 0,243 (1) SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: N.S. - NÃO SIGNIFICATIVO A UM VALOR DE SIGNIFICÂNCIA 0,05. Como seria esperado, verifica-se uma quebra na taxa de vingamento nas modalidades com desfolha mais intensa, D5 e D8, relativamente à modalidade não desfolhada, muito embora as diferenças não sejam estatisticamente significativas. A modalidade desfolhada mecanicamente (DM) vem logo de seguida com um valor de taxa de vingamento de 0,43. 4.4 CARACTERIZAÇÃO DA ESTRUTURA DO COBERTO VEGETAL 4.4.1 ÁREA FOLIAR REMOVIDA APÓS DESFOLHA Após se realizar a operação de desfolha é importante ter em conta a quebra de área foliar após a intervenção e qual a variação percentual que esta sofreu em cada uma das modalidades desfolhadas.
43 FIGURA 11 - VALORES MÉDIOS DE ÁREA FOLIAR PRINCIPAL, REGISTADOS ANTES E DEPOIS DA APLICAÇÃO DAS MODALIDADES DE DESFOLHA. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: VALORES COM LETRAS DIFERENTES PERTENCEM A DIFERENTES GRUPOS DE SIGNIFICÂNCIA SEGUNDO O TESTE DE DUNCAN (P <= 0,05). LOUREIRO. EVAG, 2014. Conforme se pode observar no gráfico da Figura 1, o valor da área foliar principal da modalidade D8, antes da desfolha, é ligeiramente superior aos das restantes modalidades ainda que não diferenciem estatisticamente. Após a desfolha, a modalidade não intervencionada (Testemunha), como seria expectável, continua com o mesmo valor de área foliar enquanto a modalidade D8, que sofreu uma remoção de 8 folhas basais, é a que apresenta menor valor de área foliar principal. O valor da área foliar principal das modalidades desfolhadas é significativamente diferente da modalidade não desfolhada após desfolha, sendo que dentro das modalidades desfolhadas a DM não difere estatisticamente da modalidade não desfolhada (Testemunha) (ANEXO VI – Tabela 6). Oliveira-e-Silva, et al., (2013) também observaram uma redução significativa na área foliar da casta Baga aquando da realização da desfolha manual e mecânica, o que vai de encontro aos resultados obtidos.
50 Apesar de não haver diferenças significativas em nenhum dos parâmetros do Quadro 7, a D8, modalidade mais desfolhada, foi a que revelou uma maior percentagem de buracos, seguindo-se a DM, cuja desfolha realizada mecanicamente era a mais difícil de controlar. Como seria expectável a Testemunha é a que tem menor percentagem de buracos. Em relação às folhas interiores, a D5 assume o valor mais baixo, enquanto a Testemunha assume o valor mais elevado. A percentagem de cachos interiores é naturalmente superior na Testemunha, o que significa que a desfolha efetuada teve a capacidade de expor mais os cachos à radiação solar. Deste modo o microclima da sebe é largamente favorecido nas modalidades desfolhadas face à Testemunha. Estes resultados foram igualmente observados por Zoecklein et al., (1992), que afirmam que a desfolha aumenta a percentagem de cachos expostos à radiação direta e a percentagem de buracos, diminuindo o número de camadas de folhas. Os mesmos resultados foram também observados por Pereira (2004) num ensaio semelhante na casta Borraçal, na EVAG. 4.5 ESTADO HÍDRICO DAS VIDEIRAS A evolução do potencial hídrico das videiras foi avaliada ao longo do dia 9 de setembro, perto da data da vindima. Varia ao longo do dia e em função da reserva hídrica que existe no solo ao amanhecer, da forma de condução da vinha e correspondente estrutura foliar, bem como das práticas culturais praticadas, da evapotranspiração e das características da casta (Deloire et al., 2005).
51 FIGURA 16 - POTENCIAL HÍDRICO FOLIAR DE BASE, ÀS 10H, ÀS 14H E ÀS 18H, MEDIDO NAS MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: N.S. – NÃO SIGNIFICATIVO A UM VALOR DE SIGNIFICÂNCIA DE 0,05. LOUREIRO. EVAG, 2014. Segundo os valores obtidos em todas as medições, não houve diferenças significativas entre as modalidades. Contudo, e tendo como referência o valor crítico do potencial de base (medido de madrugada) para a casta Loureiro de -0,25 MPa (Mota, 2005), verifica-se que em todas as modalidades foi ultrapassado esse valor. A DM foi a que mais se afastou, com um valor de -0,33 MPa, e a Testemunha obteve - 0,25 MPa. Ao longo do dia verifica-se um pico por volta das 14h, altura do dia mais quente e em que o potencial hídrico mínimo é avaliado. Ao caminhar para o fim da tarde verifica-se uma tendência de recuperação da reserva hídrica, parecendo que a modalidade DM foi a que menos recuperou (ANEXO VI – Tabela 15). Conclui-se então que as videiras do ensaio sofreram stress hídrico muito moderado à maturação e já perto da vindima, o que pode influenciar a qualidade da produção positivamente (Champagnol, 1984).
52 4.6 PRODUTIVIDADE 4.6.1 CACHOS 4.6.1.1 COMPACIDADE DOS CACHOS A desfolha precoce à floração tem um efeito direto nos níveis de compacidade do cacho. Ao provocar-se uma quebra no vingamento, o número de bagos irá ser menor, aumentando por isso os espaços entre eles. Um cacho menos compacto é também menos suscetível de desenvolver doenças criptogâmicas, como é o caso da podridão cinzenta, que será analisada mais à frente. FIGURA 17 - COMPACIDADE MÉDIA DOS CACHOS, DE ACORDO COM A NORMA 204 DA O.I.V., AVALIADO NAS MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: VALORES COM LETRAS DIFERENTES PERTENCEM A DIFERENTES GRUPOS DE SIGNIFICÂNCIA SEGUNDO O TESTE DE DUNCAN (P <=0,05). LOUREIRO. EVAG, 2014. Analisando a Figura 17, verifica-se imediatamente que a desfolha precoce surtiu os efeitos desejados na compacidade do cacho. As modalidades desfolhadas obtiveram valores significativamente inferiores de compacidade face à Testemunha, o que está de acordo também com os valores da taxa de vingamento obtidos. De notar também que quanto mais intensa a desfolha, menor o valor de compacidade do cacho, ainda que as diferenças sejam pequenas e não se diferenciem estatisticamente entre si.
53 4.6.1.2 ESTADO SANITÁRIO A avaliação do estado sanitário das uvas foi efetuada em simultâneo com a avaliação da compacidade do cacho. Foi então observada a intensidade de ataque de podridão (Botrytis cinerea) em todas as modalidades FIGURA 18 - – INTENSIDADE DO ATAQUE DE PODRIDÃO À VINDIMA, AVALIADO NAS MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: VALORES COM LETRAS DIFERENTES PERTENCEM A DIFERENTES GRUPOS DE SIGNIFICÂNCIA SEGUNDO O TESTE DE DUNCAN (P <=0,05). LOUREIRO. EVAG, 2014. Em linha com a compacidade do cacho, a intensidade de podridão foi também significativamente inferior nas modalidades desfolhadas face à Testemunha. Os valores registados apontam para mais do dobro do ataque de podridão na Testemunha. A mais elevada porosidade da sebe nas modalidades desfolhadas em conjunto com os baixos valores de compacidade, são os grandes responsáveis pela redução do ataque de podridão. A desfolha precoce teve assim um papel preponderante na sanidade dos cachos. Também Vieira (2004) observou que as videiras em que foi realizada a operação de desfolha, tanto na casta Padernã como na casta Loureiro, revelaram uma incidência de podridão inferior. O mesmo foi verificado por Lopes et al., (2013) na
54 casta Aragonez, que registou uma quebra significativa na incidência de podridão nas modalidades desfolhadas e mondadas face à modalidade não desfolhada. 4.6.1.3 COMPONENTES DOS CACHOS Para a avaliação das componentes dos cachos, foram avaliados um total de 20 cachos correspondentes às quatro modalidades das cinco repetições do ensaio. Esta avaliação foi realizada no dia 17 de setembro, muito próximo da data da vindima. Os cachos foram recolhidos na vinha e foram-lhes avaliados vários parâmetros como o seu comprimento e peso. FIGURA 19 - MÉDIA DOS COMPONENTES DO CACHO (PESO, COMPRIMENTO E RÁQUIS), AVALIADOS NAS MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: N.S. – NÃO SIGNIFICATIVO A UM VALOR DE SIGNIFICÂNCIA DE 0,05. LOUREIRO. EVAG, 2014. Analisando o peso do cacho na Figura 19, verifica-se que, conforme o esperado, as modalidades desfolhadas assumem o menor valor médio do peso do cacho, embora não se verifiquem diferenças estatísticas significativas entre as modalidades. O mesmo se verifica no peso do ráquis que, também não havendo diferenças significativas entre médias, assume os menores valores nas modalidades desfolhadas
55 e tem na Testemunha o seu valor mais elevado, o que representa um tamanho maior nos cachos desta modalidade (ANEXO VI – Tabela 20). FIGURA 20 - MÉDIA DOS COMPONENTES DO CACHO (PESO MÉDIO DO BAGO, NÚMERO E VOLUME), AVALIADOS NAS MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: N.S. – NÃO SIGNIFICATIVO A UM VALOR DE SIGNIFICÂNCIA DE 0,05. LOUREIRO. EVAG, 2014. Analisando a Figura 20, verifica-se que a modalidade T tem os bagos mais volumosos, seguindo-se, por ordem crescente, as modalidades DM, D8 e D5, ainda que, estatisticamente, os resultados acima apresentados são considerados não significativos. Contudo é a modalidade D8 que assume uma tendência para um maior número de bagos, porém, estes são os que têm menor peso médio. Isto significa que apesar da modalidade mais desfolhada ser a que tem maior número de bagos, o peso total dos mesmos encontra-se atrás das modalidades T e DM, o que se reflete no baixo peso médio do bago para esta modalidade (ANEXO VI – Tabela 21).
56 4.6.2 BAGO 4.6.2.1 COMPONENTES DO BAGO Esta avaliação foi realizada no dia à vindima. Como elemento essencial do rendimento, este parâmetro contém indicadores que oferecem uma relevância singular para o estudo da desfolha precoce (Poni et al. 2009). FIGURA 21 - AMOSTRAGENS DE COMPONENTES DO BAGO (PESO DE 10 BAGOS, Nº E PESO DE GRAINHAS), AVALIADOS NAS MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: VALORES COM LETRAS DIFERENTES PERTENCEM A DIFERENTES GRUPOS DE SIGNIFICÂNCIA SEGUNDO O TESTE DE DUNCAN (P <=0,05). LOUREIRO. EVAG, 2014. A análise da Figura 21 sugere diferenças significativas entre os valores do peso de 10 bagos. Neste parâmetro, a modalidade T os valores são significativamente superiores aos das restantes modalidades. Também no número de grainhas, a modalidade T tem os valores mais altos. Em ambos os parâmetros, os valores tem importância estatística, o que realça as diferenças substanciais entre eles.
57 O maior peso do bago está directamente relacionado com o maior número de grainhas, o que por sua vez está de acordo com os valores da taxa de vingamento calculadas anteriormente para cada modalidade. Relativamente ao diâmetro do bago observam-se diferenças significativas (Quadro 8) entre as modalidades. Quanto mais pequenos os bagos, maior a superfície específica e portanto mais compostos de cor, mais aroma e consequentemente mais qualidade. QUADRO 8 – DIÂMETRO DOS BAGOS. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. LOUREIRO. EVAG, 2014. Componente do bago Mod Diâmetro (mm) T 12,9 a DM 12,4 ab D5 11,4 b D8 11,0 b Sig (1). 0,043 (1) SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: VALORES COM LETRAS DIFERENTES PERTENCEM A DIFERENTES GRUPOS DE SIGNIFICÂNCIA SEGUNDO O TESTE DE DUNCAN (P <= 0,05) Constata-se então, pelo Quadro 8, que as modalidades desfolhadas D5 e D8 obtiveram um diâmetro do bago inferior às modalidades desfolhadas, o que vem confirmar que a desfolha precoce tem influências diretas no diâmetro do bago, e, como iremos ver a seguir, na relação película/polpa. Também outros autores observaram que as modalidades desfolhadas obtiveram bagos com diâmetros inferiores por comparação com a Testemunha, não desfolhada (Risco et al., 2009; Harris et al., 1968). Buttrose (1966), CandolfiVasconcelos & Koblet (1990) concluíram igualmente nos seus trabalhos, que a desfolha precoce prejudica o crescimento e desenvolvimento dos bagos. Kliewer & Antcliff (1970) afirmam que a redução do tamanho do bago se deve à exposição direta ao sol, e consequente aumento da temperatura dos mesmos.
58 4.6.2.2 RELAÇÃO PELÍCULA / POLPA Ainda resultante da amostragem anterior, procedeu-se também à análise da relação/película dos bagos. Esta relação traduz o nível da concentração de compostos do aroma, de antocianas e acumulação de açúcares na película, daí a sua importância para determinar a qualidade das uvas. FIGURA 22 - VALORES MÉDIOS DO PESO DA PELÍCULA E PESO DA POLPA E RELAÇÃO ENTRE ELES, AVALIADOS NAS MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: N.S. – NÃO SIGNIFICATIVO A UM VALOR DE SIGNIFICÂNCIA DE 0,05. LOUREIRO. EVAG, 2014 Por observação da Figura 22, verifica-se que o peso da polpa foi superior na Testemunha e inferior nas modalidades desfolhadas, contudo, todos os valores analisados nos vários parâmetros deste gráfico não têm significância estatística. Por sua vez, o peso da película foi superior na modalidade D8, seguindo-se a T, DM e D8. O rácio película/polpa foi superior em todas as modalidades desfolhadas, como seria expectável, tendo atingido o seu máximo na modalidade D5, seguindo-se a D8, a DM e finalmente a Testemunha. Estes resultados vão de encontro ao observado por Poni et al. (2005), no seu estudo as videiras desfolhadas apresentaram uma maior relação película/polpa.
59 4.7 AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA 4.7.1 RENDIMENTO A avaliação da produção foi efectuada no à vindima e incidiu sobre os indicadores abaixo descritos no seguinte. FIGURA 23 - MÉDIA DE PRODUÇÃO, COM OS RESPECTIVOS PESOS DE CACHO, NÚMERO DE CACHOS POR VIDEIRA E PRODUÇÃO POR CEPA (KG), AVALIADOS NAS MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: VALORES COM LETRAS DIFERENTES PERTENCEM A DIFERENTES GRUPOS DE SIGNIFICÂNCIA SEGUNDO O TESTE DE DUNCAN (P <=0,05). LOUREIRO. EVAG, 2014. De acordo com a Figura 23, verifica-se que a produção das modalidades T, D5 e D8 são significativamente superiores à da modalidade desfolhada mecanicamente. Esta diferença é superior a 1 kg para a modalidade que vem imediatamente a seguir (D8), o que significa que num hectare a produção teria uma diferença superior a 2 toneladas de uvas. A acrescentar à produção, a DM também regista o mais baixo valor de número de cachos por videira, valor que é significativamente diferente dos das outras modalidades. Este comportamento anormal da modalidade DM pode ser
66 originou crescimento mais tardio). Este aspeto pode ser confirmado pela Figura 24, na qual se observa que a área foliar total registada em 2013 é bastante inferior à registada em 2012. FIGURA 25 - VALORES MÉDIOS DE ÁREA FOLIAR TOTAL À VINDIMA NOS CICLOS VEGETATIVOS DE 2012 E 2013. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: N.S. - NÃO SIGNIFICATIVO A UM VALOR DE SIGNIFICÂNCIA 0,05. LOUREIRO. EVAG, 2014. À vindima, não foram registados diferenças significativas entre as médias de área foliar total das modalidades. Contudo, no ano de 2013, a área foliar total nas modalidades desfolhadas é tendencialmente superior nas modalidades DM e D8 sobretudo devido ao desenvolvimento de netas. Isso nota-se igualmente na modalidade D5 embora seja a que apresenta o valor mais baixo de entre as desfolhadas. Em 2012 os valores totais foram superiores, mas também sem significado estatístico. A DM e a D8 foram as que registaram os valores mais altos de entre as modalidades desfolhadas à semelhança de 2013. Vale a pena sublinhar que não houve diferenças significativas na área foliar nos dois anos, tanto ao nível da área foliar principal, como da das netas ou da total, não tendo deste modo a desfolha realizada tido qualquer influência nestes valores (ANEXO VI – Tabela 8).
67 FIGURA 26 - VALORES MÉDIOS DE ÁREA FOLIAR DAS NETAS À VINDIMA NOS CICLOS VEGETATIVOS DE 2012 E 2013. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: N.S. - NÃO SIGNIFICATIVO A UM VALOR DE SIGNIFICÂNCIA 0,05. LOUREIRO. EVAG, 2014. Como se observa na Figura 26, a área foliar das netas regista um aumento substancial na modalidade D8 e na DM, ultrapassando os valores da modalidade não desfolhada (T). Este crescimento de netas influencia diretamente a área foliar total à vindima destas modalidades. Os valores da área foliar das netas nos dois anos não têm diferenças com significado estatístico, embora para 2013 o valor da significância esteja muito próximo de 0,05 (ANEXO VI – Tabela 8). 5.5 SUPERFÍCIE FOLIAR EXPOSTA Por análise do Quadro 15, verifica-se que a desfolha precoce não teve qualquer influência significativa na superfície foliar exposta a qual está mais relacionada com a condução da videira que neste ensaio foi a mesma. Contudo, os valores registados apontam para uma tendência deste valor ser superior na modalidade sem desfolha.
68 QUADRO 15 – VALORES MÉDIOS DE SUPERFÍCIE FOLIAR EXPOSTA (SFE) EM M2 DE FOLHAS/ M2 DE SOLO NOS CICLOS VEGETATIVOS DE 2012 E 2013. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. LOUREIRO. EVAG, 2014 Superfície foliar exposta Mod SFE (m2 cepa/m2 solo) 2012 2013 T 1,05 0,93 DM 0,89 0,81 D5 0,91 1,00 D8 0,98 0,87 Sig. 0,515 0,344 (1) SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: N.S. - NÃO SIGNIFICATIVO A UM VALOR DE SIGNIFICÂNCIA 0,05. 5.6 POROSIDADE Embora em 2012 o número de camadas de folhas não ter assumido valores significativos, em 2013 este foi significativamente inferior na modalidade desfolhada D8 por comparação com a modalidade não desfolhada (T). QUADRO 16 – VALORES MÉDIOS DO NÚMERO DE CAMADAS DE FOLHAS (NCF) E DA PERCENTAGEM DE CACHOS INTERIORES (%CI) NOS CICLOS VEGETATIVOS DE 2012 E 2013. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. LOUREIRO. EVAG, 2014 Porosidade Mod NCF %CI 2012 2013 2012 2013 T 2,3 3,0 a 67,0 42,1 DM 1,6 0,1 ab 22,0 11,1 D5 1,2 2,3 ab 17,0 31,1 D8 0,8 0,0 b 11,0 25,0 Sig. 0,479 0,019 0,102 0,435 (1) SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: VALORES COM LETRAS DIFERENTES PERTENCEM A DIFERENTES GRUPOS DE SIGNIFICÂNCIA SEGUNDO O TESTE DE DUNCAN (P<=0,05). Em 2012 a tendência foi a mesma. Relativamente à percentagem de cachos interiores, esta foi superior na Testemunha, nos dois anos, devido à não realização de desfolha. Isto significa que os cachos ficam mais expostos nas modalidades
69 desfolhadas, tanto mais expostos quanto maior a severidade da desfolha efetuada, o que traz benefícios ao nível da sanidade dos cachos. 5.7 POTENCIAL HÍDRICO (BASE) O potencial hídrico de base, como se pode observar pela Figura 26, nos anos em que foi avaliado, observa-se constante nas várias modalidades, não apresentando diferenças significativas. FIGURA 27 - VALORES MÉDIOS DO POTENCIAL HÍDRICO FOLIAR DE BASE NOS CICLOS VEGETATIVOS DE 2011, 2012 E 2013. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: N.S. - NÃO SIGNIFICATIVO A UM VALOR DE SIGNIFICÂNCIA 0,05. LOUREIRO. EVAG, 2014. Contudo, no ano em que se detetou stress hídrico (2013) a modalidade DM foi a que apresentou um valor mais elevado (-0,34 MPa). Este stress hídrico foi causa, em parte, de muito baixos níveis de pluviosidade registados desde a floração (ANEXO VI – Tabela 16).
70 5.8 INDICADORES COMPACIDADE E PODRIDÃO Assumindo-se como um dos principais parâmetros de análise do sucesso ou insucesso da operação de desfolha, a compacidade e podridão dos cachos têm uma relevância especial. QUADRO 17 – VALORES MÉDIOS DE COMPACIDADE E PODRIDÃO REGISTADOS NOS CICLOS VEGETATIVOS DE 2011, 2012 E 2013. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. LOUREIRO. EVAG, 2014 Compacidade e podridão Mod Compacidade Podridão 2011 2012 2013 2011 2012 2013 T 4,48 a 4,40 a 4,40 a 0,38 a 0,33 a 2,50 a DM - 4,32 a 2,88 b - 0,07 b 0,75 b D5 3,60 b 3,60 b 2,64 b 0,02 b 0,06 b 0,25 b D8 2,80 c 3,44 b 2,40 b 0,01 b 0,03 b 0,50 b Sig. 0,001 0,002 0,000 0,002 0,000 0,013 (1) SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: VALORES COM LETRAS DIFERENTES PERTENCEM A DIFERENTES GRUPOS DE SIGNIFICÂNCIA SEGUNDO O TESTE DE DUNCAN (P<=0,05). Observando-se o Quadro 17, verifica-se que em todos os anos os valores de compacidade e podridão apresentam diferenças significativas. Verifica-se igualmente que os valores mais elevados destes dois parâmetros se registam na modalidade T, sendo sempre significativamente superiores aos das restantes modalidades. Os valores mais baixos de compacidade nos três anos registam-se na modalidade mais desfolhada (D8). Em relação aos níveis de podridão, estes são significativamente inferiores nas modalidades mais desfolhadas, o que demonstra o sucesso da desfolha nestes indicadores de qualidade. 5.9 COMPONENTES DOS CACHOS Em relação aos componentes do cacho, observa-se uma tendência para superioridade do peso do cacho na modalidade não desfolhada (T).
71 QUADRO 18 – MÉDIA DOS COMPONENTES DO CACHO (PESO DO CACHO E PESO MÉDIO DO BAGO) NOS CICLOS VEGETATIVOS DE 2011, 2012 E 2013. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. LOUREIRO. EVAG, 2014 Componentes do cacho e bago Mod Peso do cacho (g) Peso médio bago (g) 2011 2012 2013 2011 2012 2013 T 365,0 387,4 401,2 1,63 1,37 1,69 DM - 227,2 335,4 - 1,27 1,32 D5 307,5 251,6 290,7 1,61 1,24 1,12 D8 306,8 289,4 317,1 1,37 1,38 0,79 Sig 0,653 0,086 0,528 0,286 0,667 0,157 (1) SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: N.S. - NÃO SIGNIFICATIVO A UM VALOR DE SIGNIFICÂNCIA 0,05. Entre as modalidades desfolhadas não há nenhuma tendência a registar. O peso médio do bago demonstra a mesma tendência que o peso do cacho, com o bago mais pesado na Testemunha face às modalidades desfolhadas. De salientar que neste item e no anterior não há valores com diferenças estatísticas significativas a registar. 5.10 COMPONENTES DOS BAGOS O rácio película/polpa, como se observa na Figura 28, foi inconstante ao longo dos três anos. FIGURA 28 - RELAÇÃO PELÍCULA/POLPA (%) NOS CICLOS VEGETATIVOS DE 2011, 2012 E 2013. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: N.S. - NÃO SIGNIFICATIVO A UM VALOR DE SIGNIFICÂNCIA 0,05. LOUREIRO. EVAG, 2014.
72 No entanto, e não havendo diferenças significativas entre as médias das modalidades, aquela que mais se destaca no conjunto dos três anos é a D5 que em 2011 e 2012 consegue obter a maior percentagem de relação película/polpa. Em 2013 também se observa que as modalidades desfolhadas tendem a revelar um maior valor deste parâmetro quando comparadas com a Testemunha, o que sugere que a desfolha provoca uma diminuição do tamanho do bago (ANEXO VI – Tabela 26). 5.11 PRODUÇÃO DE UVAS Relativamente ao rendimento, observam-se diferenças significativas na produção de 2011 e 2013, na modalidade não desfolhada (T) relativamente às desfolhadas. Em 2012, ainda que os dados não tenham significância estatística, revela-se também a tendência de superioridade da modalidade não desfolhada face às desfolhadas. FIGURA 29 - MÉDIA DE PRODUÇÃO DE UVAS / CEPA (KG) NOS CICLOS VEGETATIVOS DE 2012, 2012 E 2013. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. SIGNIFICÂNCIA DO TESTE F: VALORES COM LETRAS DIFERENTES PERTENCEM A DIFERENTES GRUPOS DE SIGNIFICÂNCIA SEGUNDO O TESTE DE DUNCAN (P <= 0,05). LOUREIRO, EVAG, 2014
73 A DM revela uma produção em 2012 e 2013 inferior às restantes modalidades desfolhadas. Todavia, esta redução deveu-se também a monda de cachos aquando da passagem da máquina de desfolha que removeu cachos, além das folhas, nos ramos de menor crescimento (ANEXO VI – Tabela 26). 5.12 MATURAÇÃO À VINDIMA À vindima, os valores de 2011 e 2012 revelam uma tendência de maior valor de teor de álcool provável na modalidade D5. Em 2013 é a modalidade D8 que assume o maior valor. QUADRO 19 – AVALIAÇÃO DA MATURAÇÃO À VINDIMA (TEOR DE ÁLCOOL PROVÁVEL (TAP) E ACIDEZ TOTAL) NOS CICLOS VEGETATIVOS DE 2011, 2012 E 2013. MODALIDADES: T – TESTEMUNHA; DM – DESFOLHA MECÂNICA; D5 – DESFOLHA DE 5 FOLHAS BASAIS; D8 – DESFOLHA DE 8 FOLHAS BASAIS. LOUREIRO. EVAG, 2014 Maturação à vindima Mod TAP (% vol) Acidez Total (g/l) 2011 2012 2013 2011 2012 2013 T 12,1 13,4 11,9 6,70 9,36 8,12 DM - 13,2 11,5 - 9,08 8,27 D5 13,6 13,8 11,7 5,10 8,98 7,85 D8 12,9 13,4 12,1 7,00 9,12 8,11 A acidez total teve a tendência de ser inferior nas modalidades desfolhadas nos anos de 2012 e 2013, contudo os valores não exprimem grandes diferenças entre modalidades. Em 2011 foi um ano mais variado em valores de acidez total com a D5 a atingir um valor substancialmente inferior à D8 e T.
74 6. CONCLUSÕES 6.1 CONSLUSÕES Com este trabalho, pretendeu-se estudar os efeitos da desfolha precoce à floração na casta Loureiro e também as relações rendimento / qualidade consequentes desta intervenção, comparando os valores de 2013 com os obtidos em anos anteriores. Nesse sentido, foram adotadas diversas metodologias e definidos vários parâmetros de avaliação. Finalizado o trabalho, sugerem-se as seguintes conclusões: Verificou-se uma quebra, sem significado estatístico, na taxa de vingamento das modalidades desfolhadas face à modalidade não desfolhada (Testemunha); Obtiveram-se diminuições significativas, após a desfolha, da área foliar principal nas modalidades D5 e D8, enquanto a modalidade desfolhada mecanicamente (DM) não sofreu reduções significativas face à modalidade não desfolhada (Testemunha). À vindima não foram registadas diferenças com significado estatístico de área foliar total entre as modalidades do ensaio; A desfolha precoce influenciou, com significado estatístico a largura da sebe, que foi mais reduzida à altura de 1,30m (nível dos cachos) nas modalidades desfolhadas, face à modalidade não desfolhada; A superfície foliar exposta (SFE) à maturação não registou diferenças significativas entre as modalidades; Em relação à porosidade da sebe, observaram-se diferenças significativas no número de camadas de folhas total (medidas a 0,80m e 1,30m) da modalidade desfolhada D8, face às outras modalidades do estudo, o que se traduz numa maior exposição dos cachos nesta modalidade; Um dos principais efeitos provocados pela desfolha precoce foi registado ao nível da compacidade e estado sanitário dos cachos. Os níveis de compacidade foram significativamente inferiores nas modalidades desfolhadas face à Testemunha, bem como o ataque de podridão que foi significativamente menor também nas modalidades desfolhadas face à modalidade não desfolhada; Ao nível do bago, foi observada uma quebra com significado estatístico, no peso dos bagos à vindima, sendo que essa diminuição foi observada nas modalidades desfolhadas. De igual modo o número de grainhas foi significativamente inferior nas
75 modalidades desfolhadas face à modalidade não desfolhada. O diâmetro do bago foi significativamente mais reduzido nas modalidades com desfolha mais intensa (D5 e D8), sendo que a modalidade desfolhada mecanicamente não se distinguiu estatisticamente da modalidade não desfolhada (Testemunha); A relação película/polpa não revelou diferenças estatisticamente significativas entre as várias modalidades do estudo, embora se verifique uma tendência para um rácio superior deste indicador nas modalidades com intensidade de desfolha mais elevada (D5 e D8); Ao nível da produção notou-se uma diminuição significativa do peso do cacho nas modalidades desfolhadas; A análise da maturação não revelou diferenças significativas nos indicadores de qualidade, teor de álcool provável e acidez total. 6.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados deste estudo levam-nos a interpretar de outra forma o objetivo inicial que estava por detrás desta intervenção, isto é, o de provocar uma monda que tivesse repercussões na redução da produção final, para castas de elevada produtividade como é o caso do Loureiro. Com a desfolha precoce à floração na casta Loureiro e nas condições do ano de 2013 – ano de fertilidade moderada – foi possível valorizar os reflexos na qualidade das uvas vindimadas (uvas mais sãs) sem ter quebras de produção, isto para as modalidades mais desfolhadas (manualmente). À semelhança de outras práticas em verde (caso da monda de cachos) não será recomendável ser praticada sistematicamente todos os anos, pois verifica-se um efeito cumulativo negativo sobre o vigor. Deverá ter lugar, essencialmente nos anos de elevada fertilidade e para castas de cachos muito compactos com sensibilidade à podridão dos cachos.
82 Queiroz, J. (2010) – Viticultura de Montanha. Textos de apoio às aulas de Viticultura de Montanha do Mestrado de Engenharia Agronómica. Queiroz, J. (2012) – Textos de apoio às aulas de Viticultura do Mestrado em Engenharia Agronómica Quenol, H., Monteiro, A., Beltrando, G., Maciel, A. (2004) – Mesures Climatiques aux Echelles Fines (Meteorologiques e Agronomiques) et Variabilité Spatiale du Gel Printanier dans le Vignole de Vinho Verde (Portugal). Norois nr. 193 (2004/4). Renaud, C. (2002) – L’Éclaircissage dês Grappes: Une méthode corrective ponctuelle. Progrés Agric.Vitic., 9: 206-210. Reynier, A. (1986) – Manual de Viticultura. Europa-América. Risco, D.; Pérez, D.; Yeves, A.; Castel, J.R.; Intrigliolo, D.S. (2009) - Efectos del deshojado temprano sobre el cuajado, tamaño de la baya y calidad de la uva en la vid (Vitis vinifera L.) cv. Tempranillo en Requena. Instituto Valenciano Investigaciones Agrarias Centro Desarrollo Agricultura Sostenible, Valencia. Rosinhas, E. M. (2012) – Efeito da desfolha precoce no rendimento e qualidade da casta Loureiro (Vitis Vinifera L.) na Região dos Vinhos Verdes. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Porto. Serrano, E & Faverel, J.L. (1998) – Influence de l’Effeuillage sur la Qualité de la Vendange et le Développement de la Plante. 10º Symposium Gesco 195-202, Changins, Suiça. Smart, R.E., Dick, J.K., Gravet, I.M. & Fischer, B.M. (1990) – Canopy Management to Improve Grape Yield and Wine Quality: Principles and Practices. South Africa Journal Enology and Viticulture, 3-17. Smart, R. E.; Robinson, M. (1991) – Sunlight into wine. A Handbook for Winegrape Canopy Management. Winetitles. Adelaide, 88 pp. Tardáguila, J. (2009) – La cepa y sus formas. Técnicas de manejo del viñedo. En el libro “La Rioja sus viñas y su vino”. Pg. 99-109. Ed. Gobierno de La Rioja. Logroño, 299 pp. ISBN: 978-84-8125-323-8. Tardáguila, J., Toda, F.M., Poni, S., Diago, M.P. (2010) – Impact of Early Leaf Removal on Yield and Fruit and Wine Composition of (Vitis vinifera L.) Graciano and Carignan. American Journal of Enology and Viticulture vol. 61 nr. 3 pp. 372-381.
83 Vieira, M. M. (2004) – Contribuição para o estudo do efeito da desfolha na produtividade e qualidade da videira na região demarcada dos vinhos verdes. Relatório final de estágio. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real. Zoecklein, B. W., Wolf, T. K., Duncan, N. W., Judge, J. M., Cook, M. K. (1992) – Effects of fruit zone leaf removal on yield, fruit composition and fruit rot incidence of Chardonnay and white Riesling (Vitis vinifera L.) grapes. American Journal of Enology and Viticulture, 43(2): 139-148.
84 8. ANEXOS
85 ANEXO I ESTIMATIVA DA ÁREA FOLIAR Modelo de Lopes & Pinto (2005) citado por Rosinhas (2012). Para se proceder à estimativa da área foliar unitária (AFu), da área foliar principal por sarmento (AFp) e da área foliar secundária por sarmento (AFs), recorreuse a métodos directos não destrutivos, baseados em relações empíricas existentes entre a área foliar e o resultado de medições lineares efectuadas nas folhas. Foi aplicado o modelo Lopes & Pinto (2005), que concluíram que o somatório do comprimento daas duas nervuras laterais superiores da folha (L2 = Le + Ld), proporcionava o melhor ajustamento aos resultados observados. Equação proposta: AFᵤ = 0,5016* (L₂)1,9364 r² = 0,953 (p<0,001) n = 800 Em que AFu é a área foliar de uma folha (cm²) e L₂ o somatório do comprimento das duas nervuras laterais superiores (cm) Para a área foliar principal, o modelo eleito baseia-se numa única variável explicativa – área foliar média principal por sarmento (MLAᴩ) seguinte equação: MLAp = [(Lp + Sp)/2]* NLp MLAp – representa a área foliar média principal por sarmento Lp - representa a área da maior folha principal do sarmento Sp - representa a área da menor folha principal do sarmento NLp - representa o número de folhas principais do sarmento Após transformação logarítmica para estabilizar a variância, dá a seguinte forma: AFp = EXP [0,0835 + 0,992* In (MLAp)] r2 = 0,99 (p<0,001) n = 180 Para a área foliar secundária, são utilizadas duas variáveis explicativas, uma calculada (área foliar média secundária por sarmento MLAs) e outra medida (área da maior folha secundária do sarmento Ls). A variável MLAs é calculada como a descrita para MLAp. AFs = EXP [0,346 + 1,029* In (MLAs) – 0,125* In (Ls)] r2 = 0,98 (p<0,001) n = 107
86 ANEXO II Lista descritiva da compacidade O.I.V. 2001. Fonte: www.oiv.int
87 ANEXO III Escala de determinação de podridão nos cachos.
88 ANEXO IV Quadros – Avaliação de Resultados Quadro 1 – Percentagem de abrolhamento % Abrolhamento Mod Nº de olhos deixados à poda / videira Nº de olhos abrolhados / videira % Abrolhamento T 35,1 30,8 87,7 DM 35,5 28,1 79,0 D5 35,6 30,8 87,5 D8 35,3 30,7 87,2 Quadro 2 – Índice de fertilidade potencial Fertilidade Mod Nº de Inflorescências / videira Nº de olhos abrolhados / videira IFP T 27,3 30,8 1,07 DM 25,3 28,1 1,17 D5 28,8 30,8 1,05 D8 24,0 30,7 0,95 Quadro 3 – Evolução da área foliar ao longo do ciclo Evolução da área foliar Modalidade Data AF principal (cm2) AF netas (cm2) AF total (m2) T 30-Mai 1124,5 155,0 3,66 04-Jul 2691,2 2983,5 14,77 26-Ago 2182,9 2528,8 13,43 DM 30-Mai 973,8 119,6 3,21 04-Jul 1733,8 2713,7 12,96 26-Ago 1863,0 2600,8 13,17 D5 30-Mai 771,6 72,6 2,57 04-Jul 1937,3 1245,2 9,33 26-Ago 1832,9 1450,0 9,68 D8 30-Mai 795,6 154,3 2,90 04-Jul 1736,7 2765,6 13,99 26-Ago 1390,4 2748,4 12,72
89 Quadro 4 – Dimensão da sebe na fase de Maturação Dimensão da sebe fase de maturação (cm) Mod hT Lg_80cm Lg_130cm Lg_base Lg_topo T 1,90 0,44 0,75 b 0,21 0,65 DM 1,62 0,35 0,38 a 0,20 0,65 D5 2,04 0,36 0,57 a 0,24 0,70 D8 1,81 0,28 0,48 a 0,21 0,55 Quadro 5 – Porosidade da sebe Porosidade da sebe Mod NCF FI (%) CI (%) B (%) 0,80 cm 1,30 cm T 3,0 6,3 17,4 42,1 16,7 DM 3,0 4,0 13,0 11,1 38,9 D5 2,3 4,0 4,8 31,1 22,2 D8 0,0 4,0 13,9 25,0 44,4 Quadro 6 – Componentes do cacho Componentes do cacho Mod Comprimento cacho (cm) Peso cacho (g) Peso ráquis (g) T 20,8 401,1 14,6 DM 18,9 335,4 12,6 D5 19,8 290,7 11,1 D8 21,0 317,1 12,5 Quadro 7 – Componentes do cacho (bago) Componentes do cacho (bago) Mod Nº de bagos Peso bagos (g) Volume bagos (ml) Peso médio bago (g) T 268,8 374,6 325,6 1,39 DM 261,6 310,9 267,0 1,18 D5 275,8 270,4 249,6 0,98 D8 361,6 291,8 254,2 0,80
90 Quadro 8 – Evolução da maturação EVOLUÇÃO DA MATURAÇÃO Modalidade Data Peso 100 bagos (g) TAP (%) Ac. Total (g/L) T 5-Set 152,3 10,5 10,82 12-set 157,1 11,5 9,66 19-Set 155,2 11,9 8,12 DM 5-Set 133,7 10,5 11,09 12-set 134,6 11,4 9,71 19-Set 138,0 11,5 8,27 D5 5-Set 137,4 10,5 10,78 12-set 140,4 11,4 9,53 19-Set 143,5 11,7 7,85 D8 5-Set 129,8 10,8 10,67 12-set 130,8 11,6 9,79 19-Set 134,2 12,1 8,11 Quadro 9 – Componentes do bago (grainhas) COMPONENTES DO BAGO Mod Nº graínhas Peso graínhas (g) T 25,0 1,16 DM 20,4 1,20 D5 19,0 1,26 D8 20,2 1,18 Quadro 10 – Componentes do bago (Relação película / polpa) RELAÇÃO PELÍCULA/POLPA (%) Mod Peso película (g) Peso polpa (g) Relação Pel/Polpa (%) T 2,78 7,9 40,2 DM 2,76 6,8 42,9 D5 3,04 5,0 73,7 D8 2,66 6,5 43,1
91 Quadro 11 – Intensidade de podridão PODRIDÃO DO CACHO Modalidade Intensidade T 2,50 DM 0,75 D5 0,25 D8 0,50 Quadro 12 – Compacidade do cacho COMPACIDADE DO CACHO Modalidade Compacidade T 4,40 DM 2,88 D5 2,64 D8 2,40 Quadro 13 – Componentes do vigor do ciclo vegetativo de 2013 COMPONENTES DO VIGOR Mod Nº de varas Peso das varas (kg) Nº de netas Peso das netas (kg) Peso lenha total (kg) Peso médio vara (g) T 22,6 1,91 14,4 0,24 1,72 87,8 DM 22,3 1,64 10,8 0,16 1,44 74,4 D5 23,6 1,72 13,3 0,20 1,55 75,4 D8 25,5 1,76 11,5 0,15 1,53 70,1
98 Tabela 6 – Valores médios de área foliar principal, das netas e da videira após desfolha, por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. ÁREA FOLIAR APÓS DESFOLHA Modalidade AF principal (cm2) AF netas (cm2) AF videira (m2) T 1052,4 a 141,0 3,54 a DM 852,7 ab 85,7 2,66 ab D5 564,7 b 42,3 1,82 bc D8 258,1 c 120,0 1,13 c Sig. 0,000 0,438 0,000 Tabela 7 – Área foliar principal, de netas e total, à vindima, por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. ÁREA FOLIAR VINDIMA Modalidade AF principal (cm2) AF netas (cm2) AF videira (m2) T 1930,96 a 1343,0 6,14 DM 1579,68 a 1969,0 7,59 D5 1941,79 a 836,6 4,70 D8 840,94 b 2054,6 8,77 Sig 0,017 0,066 0,090 Tabela 8 – Área foliar principal, de netas e total, à vindima, por modalidade, nos ciclos vegetativos de 2012 e 2013 segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. ÁREA FOLIAR À VINDIMA Modalidade AFP (cm2) AFN (cm2) AFT 2012 2013 2012 2013 2012 2013 T 2434,7 1931,0 a 747,7 1343,0 16,92 6,15 DM 2146,2 1579,7 a 744,1 1969,1 10,90 4,71 D5 1724,1 1941,8 a 741,9 836,6 15,94 8,77 D8 1878,9 840,9 b 797,0 2054,7 16,25 7,59 Sig. 0,215 0,017 0,339 0,066 0,268 0,09
99 Tabela 9 – Valores médios de dimensão da sebe, na fase de maturação, por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. DIMENSÃO DA SEBE FASE DE MATURAÇÃO (CM) Modalidade hT Lg_80cm Lg_130cm Lg_base Lg_topo T 1,90 0,44 0,75 a 0,21 0,65 DM 1,62 0,35 0,38 b 0,20 0,65 D5 2,04 0,36 0,57 b 0,24 0,70 D8 1,81 0,28 0,48 b 0,21 0,55 Sig. 0,171 0,112 0,001 0,281 0,541 Tabela 10 – Valores médios do número de camadas de folhas, por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. NÚMERO DE CAMADAS DE FOLHAS Modalidade Total T 3,00 a DM 0,12 ab D5 2,30 ab D8 0,00 b Sig. 0,019 Tabela 11 – Valores médios da percentagem de folhas internas (%FI), de cachos internos (%CI) e buracos (%), por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. PERCENTAGEM DE FOLHAS INTERIORES; CACHOS; BURACOS Modalidade FI (%) CI (%) B (%) T 17,4 42,1 16,7 DM 13,0 11,1 38,9 D5 4,8 31,1 22,2 D8 13,9 25,0 44,4 Sig. 0,507 0,435 0,283
100 Tabela 12 – Valores médios do número de camadas de folhas e percentagem de cachos interiores, por modalidade, nos ciclos vegetativos de 2012 e 2013, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. POROSIDADE Mod NCF %CI 2012 2013 2012 2013 T 2,28 3,00 a 67,00 42,1 DM 1,61 0,12 ab 22,00 11,1 D5 1,22 2,30 ab 17,00 31,1 D8 0,83 0,00 b 11,00 25,0 Sig. 0,479 0,019 0,102 0,435 Tabela 13 – Valores médios da superfície foliar expostadas folhas (m2 cepa / m2 solo), por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. SUPERFÍCIE FOLIAR EXPOSTA Mod hT Lg_topo SFE_videira SFE (m2 / m2) T 1,90 0,65 4,45 0,93 DM 1,62 0,65 3,89 0,81 D5 2,04 0,70 4,79 1,00 D8 1,81 0,55 4,17 0,87 Sig. 0,320 0,393 0,272 0,336 Tabela 14 – Valores médios da superfície foliar exposta (m2 cepa / m2 solo) por modalidade, nos ciclos vegetativos de 2012 e 2013, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. SUPERFÍCIE FOLIAR EXPOSTA Modalidade SFE (m2 cepa / m2 solo) 2012 2013 T 1,05 0,93 DM 0,89 0,81 D5 0,91 1,00 D8 0,98 0,87 Sig. 0,515 0,344
101 Tabela 15 – Valores médios do potencial hídrico foliar, por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. ESTADO HÍDRICO DAS VIDEIRAS Modalidade ψ Base 10h (MPa) 14h (MPa) 18h (MPa) T -0,25 -1,29 -1,64 -1,01 DM -0,33 -1,21 -1,57 -1,16 D5 -0,30 -1,32 -1,57 -1,07 D8 -0,29 -1,26 -1,58 -1,11 Sig. 0,108 0,824 0,951 0,489 Tabela 16 – Valores médios do potencial hídrico foliar de base, por modalidade, nos ciclos vegetativos de 2011, 2012 e 2013, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. ESTADO HÍDRICO DAS VIDEIRAS Modalidade ψ Base 2011 2012 2013 T -0,20 -0,12 -0,25 DM - -0,15 -0,33 D5 -0,21 -0,11 -0,30 D8 -0,21 -0,12 -0,29 Sig. 0,847 0,326 0,108 Tabela 17 – Valores médios da compacidade dos cachos, por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. COMPACIDADE DO CACHO Modalidade Compacidade T 4,40 a DM 2,88 b D5 2,64 b D8 2,40 b Sig. 0,000
102 Tabela 18 – Valores médios da intensidade de podridão, por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. PODRIDÃO DO CACHO Modalidade Intensidade T 2,50 a DM 0,75 b D5 0,25 b D8 0,5 b Sig. 0,004 Tabela 19 – Valores médios da compacidade e podridão, por modalidade, nos ciclos vegetativos de 2011, 2012 e 2013, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. COMPACIDADE E PODRIDÃO Modalidade Compacidade Podridão 2011 2012 2013 2011 2012 2013 T 4,48 a 4,40 a 4,40 a 0,38 a 0,33 a 2,50 a DM - 4,32 a 2,88 b - 0,07 b 0,75 b D5 3,60 b 3,60 b 2,64 b 0,02 b 0,06 b 0,25 b D8 2,80 c 3,44 b 2,40 b 0,01 b 0,03 b 0,50 b Sig. 0,001 0,002 0,000 0,002 0,000 0,013 Tabela 20 – Valores médios das componentes comprimento, peso do cacho e peso do ráquis, por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. COMPONENTES DO CACHO Modadlidade Comp. cacho (cm) Peso cacho (g) Peso ráquis (g) T 20,8 401,2 14,6 DM 18,9 335,4 12,6 D5 19,8 290,7 11,1 D8 21,0 317,1 12,5 Sig. 0,48 0,528 0,682
103 Tabela 21 – Valores médios das componentes número, peso, volume e peso médio do bago, por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. COMPONENTES DO CACHO (BAGO) Modalidade Nº de bagos Peso bagos (g) Volume bagos (ml) Peso médio bago (g) T 268,8 374,6 325,6 1,39 DM 261,6 310,9 267,0 1,18 D5 275,8 270,4 249,6 0,98 D8 361,6 291,8 254,2 0,80 Sig. 0,535 0,473 0,626 0,157 Tabela 22 – Valores médios das componentes peso do cacho e peso médio do bago, por modalidade, nos ciclos vegetativos de 2011, 2012 e 2013, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. COMPONENTES DO CACHO E BAGO Modalidade Peso do cacho (g) Peso médio bago (g) 2011 2012 2013 2011 2012 2013 T 365,0 387,4 401,2 1,63 1,37 1,69 DM - 227,2 335,4 - 1,27 1,32 D5 307,5 251,58 290,68 1,61 1,24 1,12 D8 306,8 289,4 317,1 1,37 1,38 0,79 Sig 0,653 0,086 0,528 0,286 0,667 0,157 Tabela 23 – Valores médios da relação película / polpa, por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. COMPONENTES DO BAGO (RELAÇÃO PELÍCULA/POLPA) Modalidade Peso película (g) Peso polpa (g) Relação Pel. / Polpa (%) T 2,78 7,90 40,22 DM 2,76 6,80 42,92 D5 3,04 5,04 73,73 D8 2,66 6,48 43,05 Sig. 0,959 0,201 0,532
104 Tabela 24 – Valores médios da relação número de grainhas / peso grainhas da componente bago, por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. COMPONENTES DO BAGO (Nº GRAINHAS / PESO GRAINHAS) Modalidade Peso 10 bagos (g) Nº graínhas Peso graínhas (g) T 15,16 a 25,00 a 1,16 DM 12,94 ab 20,40 b 1,20 D5 11,26 b 19,00 b 1,26 D8 10,44 b 20,20 b 1,18 Sig. 0,044 0,032 0,981 Tabela 25 – Valores médios do diâmetro dos bagos, por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. COMPONENTE DO BAGO Modalidade Diâmetro T 12,93 a DM 12,37 ab D5 11,44 b D8 11,10 b Sig. 0,043 Tabela 26 – Valores médios da relação película / polpa, por modalidade, nos ciclos vegetativos de 2011, 2012 e 2013, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. RELAÇÃO PELÍCULA/POLPA Modalidade 2011 2012 2013 T 49,1 32,7 40,2 DM - 40,7 42,9 D5 52,4 32,5 73,7 D8 47,2 25,3 43,1 Sig. 0,852 0,219 0,532
105 Tabela 27 – Valores médios do número de cachos por videira, produção por cepa e peso do cacho, por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. PRODUÇÃO - VINDIMA Modalidade Nº cachos / videira Produção / videira (kg) Peso cacho (g) T 36,4 a 8,5 a 230,7 a DM 29,3 b 5,2 b 172,3 b D5 38,0 a 7,7 a 198,7 b D8 37,6 a 6,7 ab 176,6 b Sig. 0,009 0,002 0,001 Tabela 26 – Valores médios produção por videira, por modalidade, nos ciclos vegetativos de 2011, 2012 e 2013, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. PRODUÇÃO - VINDIMA Modalidade Produção / videira (kg) 2011 2012 2013 T 5,0 a 8,5 8,5 a DM - 7,5 5,1 b D5 4,4 ab 8,0 7,6 a D8 3,4 b 7,6 6,7 ab Sig. 0,037 0,639 0,002 Tabela 27 –Valores médios da maturação, à vindima, compreendendo o peso de 100 bagos, teor de álcool provável (TAP) e acidez total, por modalidade, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. MATURAÇÃO À VINDIMA Modalidade Peso 100 bagos (g) TAP (% vol) Acidez Total (g/l) T 155,2 a 11,9 8,12 DM 138,0 b 11,5 8,27 D5 143,5 ab 11,7 7,85 D8 134,2 b 12,1 8,11 Sig. 0,029 0,646 0,589
106 Tabela 28 – Valores médios do número de varas, peso lenha/videira e peso médio, relacionado com o vigor, por modalidade, no ciclo vegetativo de 2012, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. COMPONENTES DO VIGOR - 2013 Modalidade Nº de varas Peso das varas (kg) Nº de netas Peso das netas (kg) Peso lenha total (kg) Peso médio vara (g) T 22,6 1,91 14,4 0,24 1,72 87,8 DM 22,3 1,64 10,8 0,16 1,44 74,4 D5 23,6 1,72 13,3 0,20 1,55 75,4 D8 25,5 1,76 11,5 0,15 1,53 70,1 Sig. 0,143 0,471 0,573 0,218 0,824 0,678 Tabela 29 – Valores médios do número de varas, peso lenha/videira e peso médio, relacionado com o vigor, por modalidade, no ciclo vegetativo de 2013, segundo o teste de Duncan (p<0,05). Loureiro. EVAG, 2014. COMPONENTES DO VIGOR - 2014 Modalidade Nº de varas Peso das varas (kg) Nº de netas Peso das netas (kg) Peso lenha total (kg) Peso médio vara (g) T 24,6 a 1,2 a 3,2 0,18 1,38 a 49,3 DM 19,7 b 0,86 b 1,7 0,12 0,97 b 43,5 D5 24,1 a 1,05 ab 2,5 0,17 1,22 ab 44,4 D8 23,6 a 1,09 a 1,7 0,17 1,26 a 47,3 Sig. 0,000 0,018 0,218 0,824 0,022 0,598
107 ANEXO VII Climograma de 2013 vs. média dos 15 anos anteriores (Garrido, 2013).