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Engagement e satisfação profissional em enfermeiros dos serviços de medicina e de cirurgia

S. Dias,Cristina Queirós

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Engagement Engagement e Satisfa e Satisfaç ção Profissional em Enfermeiros dos Servi ão Profissional em Enfermeiros dos Serviç ços de Medicina e de Cirurgia os de Medicina e de Cirurgia www.labrp.com Sofia Dias1,2,3 & Cristina Queirós2,3 1 Escola Superior de Saúde – Instituto Politécnico de Viana do Castelo, Portugal 2Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, Portugal 3Laboratório de Reabilitação Psicossocial (FPCE - UP / ESTSPIPP), Portugal [email protected] [email protected] 1. 1. Introdu Introduç ção ão As instituições hospitalares são consideradas sistemas organizacionais complexos, compostos por departamentos e serviços cujo funcionamento pode implicar cenários diferentes, situações stressantes e condições adversas para os seus profissionais, em especial, os Enfermeiros (Martins, 2003). A actividade profissional pode proporcionar diferentes graus de motivação e de satisfação, dependentes da forma (conteúdo) e do meio (contexto) no qual o profissional desempenha a tarefa, afectando o bem-estar físico e mental dos profissionais e a qualidade do trabalho produzido (Dias et al., 2010). Como a actividade profissional é uma dimensão importante para a maioria dos indivíduos, é importante que satisfação e bem-estar existam, para que o trabalhador se sinta motivado e seja eficiente (Carvalho, 1988; Oliveira & Guerra, 2004). O engagement pode ser definido como um estado afectivo que não se foca num objecto em particular, num evento, num indivíduo ou comportamento, sendo um estado de motivação que implica que os profissionais “engaged” estejam mais empenhados e satisfeitos com o seu trabalho (Schaufeli & Bakker, 2004; Schaufelli & Salanova, 2007), sugerindo existir uma relação significativa entre engagement e satisfação profissional. 2. 2. Objectivos Objectivos Conhecer e comparar os níveis de Engagement e de Satisfação Profissional em enfermeiros que exercem funções em Serviços de Medicina e de Cirurgia, verificando ainda se estas duas variáveis estão positivamente correlacionadas e se variam em função de características sócio-demográficas ou laborais. 3. 3. M Mé étodo todo Participantes: 200 Enfermeiros a exercerem funções em Serviços de Medicina (100) e de Cirurgia (100) de instituições hospitalares do distrito do Porto; predomínio do sexo feminino (85%), casados (61%), sem filhos (55%), com idade entre 22 e 55 anos (M = 33.1 D.P.= 8.02) e em média com 10.6 anos de serviço. A maioria (85%) tem licenciatura e 14% tem pós-graduação; 64% tem vínculo definitivo, sem pluri emprego (47%) e trabalha por turnos (88%), com uma carga horária semanal de 35 horas (62%). Instrumentos: Caracterização sócio-demográfica e profissional da amostra; avaliação da Satisfação Profissional através do Questionário de Satisfação no Trabalho S20/23 (Q.S.L., Meliá & Peiró, 1989; Carlotto & Câmara, 2008); avaliação do Engagement através do Utrech Work Enthusiasm Scale (U.W.E.S., Schaufeli & Bakker, 2003; Marques-Pinto, 2009). Alpha Cronbach para QLS= 0.85 e Alpha Cronbach para U.W.ES= 0.81 (boas propriedades psicométricas). Procedimento: Questionário anónimo, de auto-preenchimento, distribuído e recolhido em diferentes serviços, durante segundo semestre de 2010, após autorização formal das respectivas Instituições. Análise dos dados: SPSS-17 para análise descritiva, correlacional (R Pearson) e t Student. Os resultados obtidos são concordantes com a literatura sobre o tema: - Foram encontrados níveis moderados de Engagement e de Satisfação Profissional e poucas diferenças significativas entre serviços, apresentando os enfermeiros do Serviço de Medicina apenas maior satisfação com o ambiente físico do trabalho (Tabela 1). - Existe uma correlação positiva significativa entre Engagement e Satisfação Profissional (Tabela 2). - Foram encontradas algumas diferenças em função de características sócio-demográficas e laborais (ex: género, estado civil, carga horária semanal, exclusividade e serviço) . Tabela 1. Comparação das dimensões do Engagement e da Satisfação Profissional em função dos serviços 11 11º ºCongresso Congresso Nursing Nursing Lisboa, Portugal 17 Lisboa, Portugal 17 – –18 Fevereiro 2011 18 Fevereiro 2011 Tabela 2. Correlação entre as dimensões do Engagement e da Satisfação Profissional 5. 5. Conclusões Conclusões 6. 6. Referências Referências Bibliogr Bibliográ áficas ficas •Engagement e Satisfação Profissional assumem-se como indicadores de bem-estar mental dos enfermeiros. • Enfermeiros mais “engaged” adoptam atitudes mais positivas face ao trabalho, aumentando a sua motivação e a Satisfação Profissional e melhorando a qualidade dos cuidados prestados aos seus Utentes: cuidam de si e dos outros. 4. 4. Resultados Resultados - Género: enfermeiros apresentam maior Satisfação com a Supervisão (t = -1.975*). - Estado civil: solteiros apresentam maior Dedicação (t = 2.035*). - Carga horária semanal: enfermeiros com carga de 35 horas apresentam maior Vigor (t = 3.255**), Dedicação (t =2.380*), Satisf. Supervisão (t = 2.768**) e Satisf. Participação (t =2.411*). - Exclusividade: enfermeiros com pluri emprego apresentam maior Satisfação com Ambiente Fisíco (t = -2.507*). Detalhes da análise comparativa: Serviços Dimensões (escala) Serviço de Medicina (n = 100) Serviço de Cirurgia (n = 100) tp Média (D.P.) Média (D.P.) Engagement - Vigor (0-6) 3.95 3.87 -.505 .614 Engagement - Dedicação (0-6) 4.48 4.26 -1.438 .152 Engagement - Absorção (0-6) 3.83 3.72 -.769 .443 Satisfação com supervisão (1-7) 4.23 4.28 .307 .759 Satisfação com ambiente físico de trabalho (1-7) 3.97 3.57 -2.066 .040** Satisfação com benefícios e políticas da organização (1-7) 3.11 2.94 -1.077 .283 Satisfação intrínseca com o trabalho (1-7) 4.69 4.38 -1.908 .058 Satisfação com a participação (1-7) 4.03 4.05 .112 .911 Vigor Dedicação Absorção Satisfação com supervisão .330** .393** .188** Satisfação com ambiente físico de trabalho .287** .255** .143* Satisfação com benefícios e políticas da organização .253** .267** .301** Satisfação intrínseca com o trabalho .483** .576** .317** Satisfação com a participação .302** .379** .201** *p < 0,050 **p < 0,010 - Carloto, M.S & Camara, S.G. (2008). Propriedades psicométricas do questionário de satisfação no trabalho (S20/23). Psico-USF, 2, 203-210. - Carvalho, R. (1988). O médico do trabalho e o stress ocupacional. Psiquiatria Clínica, 9 (4), 293-300. - Dias, S., Queirós, C., & Carlotto, M.S. (2010). Síndrome de burnout e factores associados em profissionais da área da saúde: um estudo comparativo entre Brasil e Portugal, Aletheia, 32, 4-21. - Marques-Pinto, A. (2009). Utrech Work Enthusiasm Scale, tradução cedida por Alexandra Marques Pinto ([email protected]). Lisboa: FPCEUL. - Martins, M. (2003). Situações indutoras de stress no trabalho dos enfermeiros em ambiente hospital. MilleniumRevista do IPSV, 28, acedido em 1/2011 in http://www.ipv.pt/millenium/millenium28/default.htm - Meliá, J.L. & Peiró, J.M. (1989). La medida de la satisfacción laboral en contextos organizacionales: El Cuestionario de Satisfacción S20/23. Psicologemas, 3 (5), 59-74. - Oliveira. M. & Guerra, M.P. (2004). Burnout nos profissionais de saúde mental: expectativas, auto-actualização e outras variáveis associadas. Saúde Mental, VI (1), 15-25. - Schaufeli, W. & Bakker, A. 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