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Necessidade, desejo e projecto em educação: um debate de crises e vazios

Paulo Nogueira

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Artigo notícias do Dia-a-dia com novo endereço www.apagina.pt/ Dia-a-Dia Edição Impressa Último jornal Nº 184 Dezembro 2008 Nº 184 em Formato PDF PEDIDOS de assinatura do jornal ( Portugal e estran g eiro ) Arquivo ARQUIVO de j ornais anteriores TEXTOS arquivados por autores HOJE: 6.508 textos on-line Pesquisar o arquivo Ou Frase nmlkjinmlkj Pesquisar Dos LEITORES Para submeter artigos, ler regras aqui: PROPOSTAS de publicação INQUÉRITOS em votação A Página da Educação Arquivo - Arti g o Necessidade, Desejo e Projecto em Educação: Um Debate de Crises e Vazios Hoje em dia quer-se acreditar que a Educação, neste caso na figura da Escola, deseja um poder e um exercício de comando, a independência de uma exigência, no fundo; mas a crise que sustenta, objecto continuadamente recuperado pelos discursos sociais, ainda acredita num discurso científico (elemento da sua justificação) próprio da Ciência da Educação nos primórdios do séc. XX – a suave educabilidade do aluno, o fascínio pela harmonia do desenvolvimento humano, ou a escolarização como tradução e via da democratização. Do mesmo modo que para Bruno Latour a batalha pela composição de um mundo comum só se pode contentar com a incerteza dos p róprios riscos da perda, é de supor que algo p arecido aconteça com a realidade escolar, tal como hoje nós a conhecemos, reflectida na descrença de si, no desejável de um Desejo impraticável, mitigando a incerteza dos meios, dos fins, dos sujeitos que a visitam: agindo num vazio, vazio que, sendo de natureza colectiva, tem implicações não só na dimensão do individual, mas sobretudo na do social. No contexto de uma Escola que já não p arece ansiar uma solução administrativa, tecnolegal ou simplesmente jurídica para o que o mundo de si deseja, o Vazio representa, não um fenómeno que acontece no sujeito, meramente a título individual (porque sente que perdeu algo em relação a ela), mas mais um fenómeno que é constitutivo da racionalidade subjacente ao Projecto Antropológico da Escola e que serve de justificação p ara um sentido mais amplo de Educação enquanto p rojecto e realização humana. É neste sentido que se considera que a “crise da escola”, quando se fala em crise da escola, será antes de mais uma crise antropológica, crise submersível num vazio pelo reducionismo de intervenções de critérios tãosomente administrativos; e este vazio é sentido sempre como crise, um apuro devassado. Poderá Autor do Artigo Paulo Nogueira Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto Inf. sobre o artigo Jornal "a Página" Nº 156 Ano 15 | Maio 2006 Pag. 41 Imprimir este artigo Versão para impressão Abre uma nova janela com este artigo numa versão mais amiga da impressora. LIVRARIA PUBLICIDADE EXTERNA Page 1 of 3 19-02-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=4633 INQUÉRITOS em arquivo CONTACTOS e cartas à redacção até, em certa medida, ser antes um cúmulo, empregando a expressão de Daniel Hameline, que p ela saturação do desejo de aliança da Escola aos desejos do social, acaba por revelar necessariamente a sua desmedida e desconfiança, até porque o social (lhe) deseja sempre mais e até p orque o projecto de instrução não instrui terminantemente o Desejo. E como é sabido, a impossibilidade de se ser satisfeito é a marca principal do Desejo: o objecto do desejo é o Desejado que, ao invés de cumular, estimula e, portanto, ele é assim uma espécie de entidade animada pelo desejável que é revelação – é da ordem da infinitude, de "um futuro sem balizas sobre mim", diria Levinas. Enquanto princípio gerador que se fixa num todo inerente ao fazer, ao agir e ao criar, o Desejo é entendido como estando p ara além da Necessidade e esta, geralmente, e como que por oposição, é vista como algo que cumula um vazio. Todavia, a Necessidade, quando concebida como simples privação, é como se fosse captada no seio de uma sociedade desorganizada, diria mais uma vez Levinas, “que não lhe deixa um tempo nem consciência”, simbolicamente interpretada como tratando-se de uma simples falta ou de uma carência elementar passível de ser p reenchida pela acção do sujeito, pela satisfação, p ela absorção do conhecimento: a responsabilidade p ela satisfação das necessidades assim entendidas é só e apenas do indivíduo. E contudo, quer a N ecessidade, quer o Desejo, possuem uma dimensão Projectual que transgride o pragmatismo individual: tratando-se de uma representação da acção, o Projecto antecipa a realidade de acordo com o Desejo de tornar presente a realidade dos p róprios objectos. Actualmente, no âmbito da importação da linguagem das competências, das performances e das habilidades para o campo educativo escolar (e não-escolar), teria algum interesse debater-se o estatuto e o papel do Projecto em Educação, na relação com as dimensões da Necessidade e do Desejo. Num contexto social e mediático saturado de opiniões, de propostas de acção, de sugestões e de críticas mais ou menos informadas, o ponto de vista sobre a construção das liberdades em educação é diverso. E no entanto, nas nossas duas últimas décadas, o papel do Projecto tem vindo a ser evocado enquanto solução (prática) para os p roblemas educativos e escolares e, também, como instrumento de gestão (política) de uma crise armadilhada no sistema educativo português. Mas até que ponto é que o Projecto realiza a necessidade de aprender e o desejo de saber? Onde anda a sua intencionalidade criadora, fundamento afinal da Page 2 of 3 19-02-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=4633 novidade e das liberdades? Page 3 of 3 19-02-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=4633