Contributo da(s) notícia(s) da imprensa escrita para uma consciência crítica e cívica dos alunos. Um estudo da didática da História e Geografia
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FA CULD A DE DE L ETRAS UNI V ERSI D AD E D O PO RTO Nome: Tiago Alexandre de Aboim e Sá Ferreira 2º Ciclo de Estudos em Mestrado de Ensino de História e Geografia no 3º Ciclo do Ensino Básico e Ensino Secundário. Título da Dissertação: Contributo da(s) Notícia(s) da Imprensa Escrita para uma Consciência Crítica e Cívica dos alunos - Um estudo na didática da História e Geografia. 2014 Orientador: Professor Doutor Luís Alberto Marques Alves Coorientador: Professora Doutora Elsa Maria Teixeira Pacheco Classificação:Ciclo de Estudos Dissertação/Relatório/IPP: Versão Definitiva
Agradecimentos Eis terminada mais uma etapa desta longa jornada a que chamamos vida. O ano letivo 2013-2014 foi marcado por experiências únicas e a conclusão do presente Relatório de Estágio, é sem dúvida um desses inesquecíveis momentos. Para a realização desta investigação, tenho de agradecer a generosidade e a sempre disponibilidade do meu orientador Professor Doutor Luís Alberto Marques Alves, a quem agradeço os seus ensinamentos para o futuro e a inspiração para a docência. À Professora Doutora Cláudia Pinto Ribeiro, pela sua sempre generosidade. Às minhas orientadoras da Escola Secundária Inês de Castro, a Professora Alcina Ramos de História e a Professora Conceição Abreu de Geografia, pelos momentos proporcionados neste estágio curricular. Às minhas colegas de estágio, Filomena Guimarães e Ana Patrícia Fernandes, pelos momentos de solidariedade, companheirismo e força de vontade. Aos “ nossos” meninos, que foram magníficos desde o primeiro momento, os futuros cidadãos onde reside a esperança num mundo em mudança. Agradecimento aos meus colegas e amigos destes dois anos em que decorreu o Mestrado. Que sejam autênticos guias nas suas aulas para com os seus alunos, para a aquisição de utensílios para a caminhada em torno do Futuro, força! Aos meus pais, à Cláudia, à Lara e ao Fábio os meus irmãos, e à minha avó Marinela pela sua paciência, ternura e apoio constante. À Márcia, que me acompanha diariamente na vida, sempre com um sorriso que é o meu porto de abrigo. E a ti avó Esperança, que partiste quando iniciei a feitura do Relatório em junho, o maior agradecimento é para ti, que estejas onde estiveres, residirás eternamente na minha vida e no meu coração. A todos os outros que não enumerei o meu muito obrigado. Sem todos vós o sonho não era possível… Obrigado.
Resumo O presente Relatório de Estágio incide numa investigação no contexto do estágio curricular na Escola Secundária Inês de Castro, no ano letivo 2013-2014. Nesse sentido, foram alvo de estudo duas turmas, uma do Ensino Básico do 8ºano referente à disciplina de Geografia, e outra do Ensino Secundário do 12º ano, de História A. O trabalho pretendeu conhecer os hábitos destas duas turmas na sua relação com as notícias, o acesso e a preferência pelo tipo de notícias, assim como a sua potencialização enquanto recurso didático no ensino de História e de Geografia. Para além do pressuposto didático, a capacidade crítica e reflexiva dos alunos foi evidenciada, com a realização de trabalhos em que as notícias foram o principal objeto de estudo, de forma a compreender a postura crítica dos alunos sobre o mundo atual. Aliado a este pressuposto pedagógico-didático, o contributo para a formação da cidadania é indissociável. O contacto com o mundo atual de uma forma reflexiva e crítica, através da História e Geografia, permite mais e melhores cidadãos e, desta forma, compete aos agentes educativos uma valorização cada vez maior do pensamento crítico dos alunos. Nesse sentido, os alunos do 8º e 12º anos através de um trabalho de grupo, foram confrontados com notícias da atualidade, com o objetivo de que compreendessem a importância das mesmas, para uma melhor aprendizagem das temáticas em estudo, nas disciplinas de Geografia e de História. Este trablho foi apresentado de forma diferente para cada um dos anos, uma vez que os alunos do 8ºano em Geografia,tiveram de refletir sobre notícias que abordassem problemas relacionados com a temática em estudo, ou seja, Diversidade Cultural. Quanto à turma de 12º ano na disciplina de História foi proposto que elaborassem a primeira página de um jornal com notícias escritas pelos próprios sobre a temática A tensão atual nas relações diplomáticas entre os EUA e a Rússia. Considerasse que o objetivo principal foi alcançado, na medida em que após a realização destes trabalhos, a maioria dos jovens realçou a importância das notícias, não só como fonte de informação para o estudo de muito dos temas das disciplinas de História e Geografia, como também para o reforço do seu espírito crítico e na aceção do conceito de cidadania. Palavras – Chave: Jornal, Notícias, História, Geografia, Espírito Crítico, Cidadania.
Abstract This traineeship report focuses on an investigation done within the teaching practice held at Escola Secundária Inês de Castro, in the 2013-2014 school year. Two classes were analyzed: one from the 8th grade, regarding Geography, and another from the 12th grade, on History A. This work intended to learn these two classes’ habits on their relationship with news, their access to them and preferences of their types, as well as their boost as an educational resource in the teaching of History and Geography. Besides the expected educational purpose, the students’ critical and reflective capacity was shown by carrying out tasks whose main focus was pieces of news, as a way of understanding the students’ critical view regarding our present times. Together with the teaching and educational purpose, its contribution to citizenship education is indissociable. A reflexive and critical contact with today’s world through History and Geography enables more and better citizens, and it is the educational agents’ responsibility to appraise more and more of the students’ critical thinking. In that sense, students from the 8th and 12th grades were confronted, via group work, with current news, as a way of understanding its importance for a better learning of the themes being studied, in the Geography and History courses. This work was presented in different manner in each year, due to the fact that 8th grade Geography students had to reflect on the news relating to Cultural Diversity, the theme being studied. As for the 12th grade History class, it was suggested that they write the first page of a newspaper, with news relating to the current diplomatic tension between USA and Russia. The main objective was considered to be reached as, after the completion of these projects, most students highlighted the importance of the news, not only as a source of information for the study of many of the themes from the History and Geography courses, but also as a reinforcement of their critical spirit and in the assertion of the concept of citizenship. Keywords: Newspaper, News, History, Geography, Critical Spirit, Citizenship.
Índice Agradecimentos Resumo 1. Introdução ....................................................................................................................1 2. Enquadramento Teórico ............................................................................................... 2.1.Breve História da Imprensa Escrita.......................................................................3 2.2.Síntese da Evolução do Jornal em Portugal ..........................................................3 2.3.O Contributo da Imprensa Escrita para a Literacia Histórica e Geográfica dos alunos ....................................................................................................................9 2.4.Os Hábitos de Leitura dos Jovens Portugueses ...................................................20 2.5.A Literacia ao Serviço da Cidadania ..................................................................23 2.6.Jornal Escolar. Um Desafio.................................................................................25 3. Envolvência Escolar....................................................................................................... 3.1.Canidelo e a sua História.....................................................................................27 3.2.Freguesia de Canidelo no Presente......................................................................28 3.3.Escola Secundária Inês de Castro........................................................................31 4. Enquadramento Metodológico ..................................................................................... 4.1.Contextualização do Estudo ................................................................................35 4.2.População e Amostra...........................................................................................46 4.3.Inquérito por Questionário ................................................................................487 5. Relação dos Alunos com as notícias ............................................................................. 5.1.Análise de dados .................................................................................................53 5.1.1.Inquérito Inicial:8º. ano - Geografia ...........................................................54 5.1.2.Inquérito Inicial: 12º. ano - História............................................................60 5.2. As Notícias ao Serviço da Geografia e da História ................................................ 5.2.1.A Diversidade Cultural através das Notícias – Geografia – 8ºano ............67 5.2.2.Ser Diretor de um Jornal por um dia – História – 12º ano ........................ 75 5.3. Reflexão dos Alunos sobre os Contributos da Notícia na Geografia e História…………………………………………………………………………… 5.3.1.Inquérito Final:8º. ano - Geografia .............................................................84 5.3.2.Inquérito Final: 12º. ano - História..............................................................87 6. Considerações Finais .................................................................................................90 7. Bibliografia ..................................................................................................................... 7.1. Fontes bibliográficas ...........................................................................................91 7.2. Estudos Extensivos Nacionais e Internacionais Consultados na Internet ...........93
8. Anexos ............................................................................................................................. Anexo I – Inquérito Inicial – Geografia 8º ano / História 12º ano. Anexo II – Inquérito Final – Geografia 8º ano / História 12º ano. Anexo III – Distribuição dos trabalhos de grupo - 8º ano – Geografia. Anexo IV – Exemplo de uma notícia entregue a um Grupo - Geografia - 8º ano Diversidade Cultural. Anexo V – Trabalho do Grupo 4 - Rebeldes islamitas do Cáucaso do norte ameaçam Jogos Olímpicos de Sochi. - Geografia - 8º ano Diversidade Cultural. Anexo VI – Trabalho do Grupo 5 - Muro na Irlanda do Norte separa Protestantes de Católicos - Geografia - 8º ano Diversidade Cultural.·. Anexo VII – Objetivos do Trabalho de Grupo - Ser Diretor de jornal por um dia - História - 12º ano. Anexo VIII – Grelha de Observação de Avaliação Atitudinal - 12º ano – História.
Índice de Figuras, Quadros. Figura 1 – Brasão da Freguesia de Canidelo ...................................................................28 Quadro 1 – Indicadores Socioeconómicos: Concelho de Vila Nova de Gaia ................30 Quadro 2: Educação em números: Concelho de Vila Nova de Gaia ...............................31 Quadro 3: Distribuição por sexo e idade da turma do 8ºano na disciplina de Geografia. .........................................................................................................................................55 Quadro 4: Distribuição de resultados da questão 1 (Grupo II): Costumas acompanhar as notícias da atualidade? Geografia: 8ºano. ........................................................................56 Quadro 5: Distribuição dos resultados da questão 2 (Grupo II): Ordem de Importância (1 a 6) do tipo de notícias. Geografia: 8ºano ...................................................................57 Quadro 6: Distribuição de resultados da questão 3: De que forma tens acesso a essa informação? Geografia: 8º ano ...........................................................................................58 Quadro 7: Distribuição de resultados da questão 4: Consideras que estar a par das notícias contribui para o teu estudo das disciplinas de História e Geografia? Geografia: 8º ano....................................................................................................................................59 Quadro 8: Distribuição de resultados da questão 5: Já utilizaste a(s) noticia(s) como recurso de aprendizagem? Se sim, em que disciplina? Geografia: 8º ano.......................60 Quadro 9: Distribuição de resultados da questão 6: Gostavas que numa das próximas aulas o recurso de exploração de notícias fosse utilizado? Geografia: 8º ano ................61 Quadro 10: Distribuição por sexo e idade da turma do 12ºano na disciplina de História. .........................................................................................................................................61 Quadro 11: Distribuição de resultados da questão 1 (Grupo II): Costumas acompanhar as notícias da atualidade? História: 12ºano......................................................................62 Quadro 12: Distribuição dos resultados da questão 2 (Grupo II): Ordem de Importância (1 a 6) do tipo de notícias. História: 12ºano ....................................................................63 Quadro 13: Distribuição de resultados da questão 3: De que forma tens acesso a essa informação? História: 12º ano .........................................................................................64 Quadro 14: Distribuição de resultados da questão 4: Consideras que estar a par das notícias contribui para o teu estudo das disciplinas de História e Geografia? História: 12º ano....................................................................................................................................65 Quadro 15: Distribuição de resultados da questão 5: Já utilizaste a(s) noticia(s) como recurso de aprendizagem? Se sim, em que disciplina? História: 12º ano ........................66
Quadro 16: Distribuição de resultados da questão 6: Gostavas que numa das próximas aulas o recurso de exploração de notícias fosse utilizado? ..............................................67 Quadro 17: Notícia retirada do Jornal de Notícias, no âmbito de um trabalho de grupo para a disciplina de Geografia do 8º ano – Diversidade Cultural. ...................................69 Quadro 18: Notícia retirada do jornal Público, no âmbito de um trabalho de grupo para a disciplina de Geografia do 8º ano – Diversidade Cultural...............................................70 Quadro 19: Notícia retirada do Jornal Diário de Notícias, no âmbito de um trabalho de grupo para a disciplina de Geografia do 8ºano – Diversidade Cultural .........................71 Quadro 20: Notícia retirada do Jornal Público, no âmbito de um trabalho de grupo para a disciplina de Geografia do 8ºano – Diversidade Cultural .............................................72 Quadro 21: Notícia retirada do Jornal Público, no âmbito de um trabalho de grupo para a disciplina de Geografia do 8ºano – Diversidade Cultural .............................................73 Quadro 22: Notícia retirada do Jornal de Notícias, no âmbito de um trabalho de grupo para a disciplina de Geografia do 8º ano – Diversidade Cultural. ..................................74 Figura 2 – 1ª Página de um Jornal, criado pelas Alunas no âmbito do trabalho de grupo Ser Diretor de jornal por um Dia – 12º ano – Disciplina de História. .............................77 Figura 3 – 1ª Página de um Jornal SOL, criado pelos Alunos no âmbito do trabalho de grupo Ser Diretor de jornal por um Dia – 12º ano – Disciplina de História....................78 Figura 4 – 1ª Página de um Jornal Expresso, criado pelas Alunas no âmbito do trabalho de grupo Ser Diretor de jornal por um Dia – 12º ano – Disciplina de História ...............79 Figura 5 – 1ª Página de um Jornal Expresso, criado pelos Alunos no âmbito do trabalho de grupo Ser Diretor de jornal por um Dia – 12º ano – Disciplina de História. ..............81 Figura 6 – 1ª Página de um Jornal Expresso, criado pelas Alunas no âmbito do trabalho de grupo Ser Diretor de jornal por um Dia – 12º ano – Disciplina de História ..............82 Figura 7 – 1ª Página de um Jornal, criado pelos Alunos no âmbito do trabalho de grupo Ser Diretor de jornal por um Dia – 12º ano – Disciplina de História ..............................83 Quadro 23: Distribuição de resultados da questão 1 (Grupo II): Consideras que a realização de um trabalho a partir de notícias contribuiu para uma melhor compreensão do assunto tratado? Geografia: 8ºano ...................................................................................86 Quadro 24: Distribuição de resultados da questão 2 (Grupo II): Tendo em conta, o trabalho realizado, irás estar mais atento às notícias da atualidade, para melhor compreenderes os acontecimentos que se passam no país e no mundo? Geografia: 8ºano ................87
Quadro 25: Distribuição de resultados da questão 1 (Grupo II): Consideras que a realização de um trabalho a partir de notícias contribuiu para uma melhor compreensão do assunto tratado? História: 12ºano. ...................................................................................88 Quadro 26: Distribuição de resultados da questão 2 (Grupo II): Tendo em conta, o trabalho realizado, irás estar mais atento às notícias da atualidade, para melhor compreenderes os acontecimentos que se passam no país e no mundo? História: 12ºano. ................89
Página | 6 O governo republicano aproveitou-se do conflito para unir o país, e ao mesmo tempo, fazer a exaltação dos valores nacionais e a defesa dos mesmos através da imprensa. Esta acompanhou a par e passo o decorrer do conflito: “O envolvimento direto de Portugal na I Guerra Mundial e a partida do Corpo Expedicionário Português para a Flandres teve por consequência o aumento generalizado das tiragens e da circulação de jornais e revistas informativas, embora as notícias da frente de batalha, em alguns casos elaboradas pelos enviados especiais, fossem sujeitas à censura militar.” (Sousa, 2008:55) Com o terminus da Primeira Guerra Mundial, Portugal vivia um clima de grande instabilidade politica, económica e social o que levaria a que oito anos depois, a primeira República terminasse. Uma guerra que deixou marcas num povo e num regime que em vez de sair fortalecido desta aparente vitória, ditou o princípio do fim da primeira República: “Na festa da vitória, Portugal desfilou ao lado dos Aliados, sob o Arco do Triunfo. Mas na Conferência da Paz, esteve longe de conquistar os seus objetivos de guerra.” (Teixeira, Marques e Samara, 1998:70) Se na República as marcas da participação no conflito, iriam ser profundas, na sociedade portuguesa o sentimento foi de dever cumprido na defesa dos interesses de Portugal, na salvaguarda das colónias: “Perderam-se essas vidas, agravaram-se consideravelmente as nossas situações económicas e financeira, mas cumprimos e honrámos a nossa palavra.” (Andrade, 1961:29) Com o agudizar da instabilidade política, económica e social, a 28 de Maio de 1926, em Braga, um grupo de militares provoca uma revolta que culminou com a instauração de uma Ditadura Militar. Durante a ditadura militar chegou a haver várias revoltas contras tropas governamentais - conhecidas como o Reviralho, contudo estes movimentos foram dominados e a oposição passou a ser proibida. No breve período liderado por Mendes Cabeçadas a ditadura não exerceu qualquer censura sobre a imprensa. Após a substituição deste por Gomes da Costa é instaurada a censura sobre os jornais. No entanto, quando Gomes da Costa sentiu o seu lugar ameaçado, chegou a promulgar um decreto com o objetivo de garantir a liberdade de imprensa. Quando Óscar Carmona chegou à Presidência da República, apesar de ter reforçado o princípio de liberdade dos jornais, a censura permaneceu. Em 1928, o Presidente da República Óscar Carmona convida um jovem professor de Economia da Universidade de Coimbra, António de Oliveira Salazar para fazer
Página | 7 parte do Governo como Ministro das Finanças. Apenas aceitou este cargo depois de lhe ter sido garantido que fiscalizaria as despesas de todos os ministérios. Salazar foi nomeado Presidente do Conselho em 1932, cargo que manteria durante trinta e seis anos. Em 1933 sob a sua orientação fez-se uma nova Constituição – a Constituição de 1933 - tendo sido posta à aprovação dos portugueses através de uma votação: “A Constituição de 1933 dotou, assim, o Estado Novo de um instrumento jurídico que lhe permitiu a institucionalização da censura prévia. Esta foi materializada através de um decreto de 11 de Abril desse mesmo ano, data em que entrou em vigor a nova Constituição portuguesa. Assim, a censura à imprensa (que nunca tinha deixado de existir) continuou, desta vez alicerçada na Lei Fundamental.” (Sousa, 2008:57) A partir desse ano, instaurou-se em Portugal um novo regime que se designou por Estado Novo que vigorou durante 40 anos. Em 1968 Salazar após ter tido um acidente, é substituído na Presidência do Conselho pelo Professor Marcelo Caetano, personalidade esta vista por muitos como uma lufada de ar fresco no regime. Esperava-se uma certa “ harmonização” ou liberalização do regime, mas a esperança foi rapidamente diluída e até mesmo desaparecendo, com o regime a continuar a ser repressivo e autoritário: “Era este o homem de quem se porfiava a liberalização politica e a reformulação democrática do Estado Novo.” (Castilho,2000:53) As dificuldades vividas pelo jornalismo durante o Estado Novo não se limitaram à censura e à suspensão de publicações por um determinado período, como também passaram pela prisão de jornalistas e editores. Muitas vezes os jornalistas eram proibidos de cobrir acontecimentos no exterior, quando as posições do regime poderiam estar em causa: “Apesar de tudo, alguma imprensa conseguia, insidiosamente, fazer algumas críticas ao regime, ajudada por uma censura exercida por funcionários nem sempre suficientemente cultos e inteligentes para se aperceberem do alcance de determinadas palavras.” (Sousa, 2008:60) Embora tenha diminuído o aparecimento de novos jornais e revistas, devido à censura e às dificuldades colocadas por esta à fundação de novos periódicos, numa altura de mudança tanto O Primeiro de Janeiro, jornal de referência no Porto, como Diário de Lisboa, o República e o Diário Popular conseguiram ser eco de oposição ao regime. Em 1973, o regime sofre uma pesada derrota através da publicação do semanário Expresso, que logo no primeiro número tem como manchete Os Portugueses que nunca
Página | 8 tinham votado, tocando numa das feridas do Estado Novo. Na direção deste jornal estava um destacado opositor ao regime, pertencente à chamada Ala liberal, Francisco Pinto Balsemão. Dentro das fileiras militares, há o sentimento de mudar o rumo dos acontecimentos, isto é, pacificar através de uma solução política o problema do Ultramar. Na madrugada de 24 para 25 de Abril de 1974, são as forças armadas que organizadas, planeiam e executam a operação fim de regime, a fim de levar a cabo uma ação revolucionária de depor o regime de ditadura que vigorava há 48 anos. Ao longo de toda a madrugada a revolução esteve em curso, sendo o Largo do Carmo a principal artéria, em Lisboa. No decorrer do amanhecer, eis que a população desperta com uma revolução que poria fim a um regime autoritário, fechado que vigorava desde 1926. Ao fim do dia, o Presidente do Conselho Marcelo Caetano entrega o poder de forma voluntária ao General António de Spínola, terminando assim com êxito a operação fim de regime. Os acontecimentos nas ruas de Lisboa fizeram despoletar por todo o país, um sentimento de regozijo e alegria pelo fim da ditadura e pelo fim de uma guerra colonial de que estavam cansados: “O movimento militar de 25 de Abril de 1974 pouco tivera de ideológico nas suas raízes. Fora, acima de tudo, uma revolta de protesto contra a condição das forças armadas e a eternização da guerra colonial.” (Marques, 1998: 603) Uma revolução ímpar e singular na História da Europa e do mundo, pelo seu caráter pacífico e fraterno, cujos gritos foram ecos de esperança, liberdade e democracia, para outros países da Europa como o caso da Grécia em 1974 e de Espanha em 1976: “Portugal saiu de uma ditadura por uma porta diferente da que usaram a Grécia no mesmo ano de 1974 ou a Espanha entre 1976 e 1977.” (Ramos,2010: 705) O triunfo da revolução permitiu o restabelecimento da liberdade de reunião, de imprensa e de expressão em Portugal. No dealbar do dia 25 de Abril, os jornais já não foram sujeitos ao exame prévio de censura pois esta havia sido substituída pela democracia e pelo grito de liberdade: “Porém, a instabilidade política e o anarquismo social que se viveram no período pósrevolucionário não só colocaram o país perante o cenário catastrófico de uma guerra civil como também contribuíram para o desaparecimento de jornais históricos como o República e para a quase falência de outros, como O Primeiro de Janeiro.” (Sousa, 2008:62)
Página | 9 Nos últimos anos, a liberdade de imprensa e de expressão têm sido importantes veículos para a consolidação do espírito democrático. 2.3. O Contributo da Imprensa Escrita para a Literacia Histórica e Geográfica dos Alunos O processo de ensino e de aprendizagem deverá ter como referência, o individuo que aprende, o seu modo de pensar, a sua relação com o conhecimento e como constrói e reconstrói conceitos e valores, implicando estratégias interdisciplinares de ensino. Além disso, a sociedade do conhecimento coloca exigências bem definidas para a aprendizagem, através das novas tecnologias de informação e comunicação. Os meios de comunicação transmitem ideias e valores, ou seja, atuam na construção da subjetividade e da consciência do individuo. Numa sociedade em que a interatividade digital (TICs) domina, fazer com que os jovens se interessem pela leitura, nomeadamente de jornais, não é uma das tarefas mais fáceis, mas será certamente fundamental para formar leitores habituais e cidadãos bem informados. Os jornais contendo textos com características distintas, fotografias e recursos gráficos, são uma fonte respeitada para pesquisa e para a obtenção de informação sobre o mundo que nos rodeia. O jornal surge por uma exigência do ser social que é o homem: informar e ser informado com o ritmo a que se processa o desenvolvimento técnico e social, tornou-se a única forma de satisfazer essa exigência porque permite por um lado, a informação objetiva dos acontecimentos, por outro a emissão de juízos orientadores de opinião. O jornal moderno surge em meados do século XIX e comporta uma série de conquistas da maior importância: a conquista de todos os estratos sociais, a de todos os países e a de todos os temas que interessam ao homem. Por isso, os jornais atingiram enormes tiragens. O seu campo de ação abarca um vasto mundo: as realidades culturais, politicas e sociais, os mais variados acontecimentos, a realidade mutável e circunstancial e a vida mais estável das organizações e instituições. Tem como caraterística principal a sua função pública, tal como o autor da moderna ciência publicista alemã Emil Dovifat refere: “ O periódico é um meio de transmitir os acontecimentos mais recentes da forma mais rápida e mais regular e com uma vasta circulação.” (Dovifat,1959:102)
Página | 10 Este meio de comunicação distingue-se consoante a sua periodicidade (diário, semanal, mensal), e segundo a sua ligação a um campo ou outro da vida (politico, económico, desportivo, cientifico, literário, religioso, negócios, entre outros). A história do jornal acompanha a história das comunicações entre os homens, permitindo levar cada vez a mais leitores, as notícias mais recentes. A sua afirmação pode definir-se em três conteúdos bem definidos: jornalismo ideológico, informativo e interpretativo. Embora estes três períodos tenham um desenvolvimento sucessivo, por vezes cruzam-se e sobrepõem-se. Atualmente consegue-se uma combinação da imprensa informativainterpretativa em vários jornais. A capacidade dos novos meios técnicos de transmissão de notícias, como a rádio e a televisão ampliou o conceito jornalístico já que ao clássico meio da palavra falada se juntou a imagem, Internet, smartphones, tablets. O apogeu de ambos os meios deveu-se à sua função informativa e consciencializadora dos cidadãos, marcada pela vinculação à atualidade, ao instante imediato, de tal modo que a busca da economia de tempo é um dos estímulos ao seu constante desenvolvimento. Este compromisso com o presente e a utilização contemporânea da rádio, da televisão e da internet fizeram evoluir o meio da comunicação jornalística adequando o estilo que se pretende, concreto, simples, direto e conciso, às necessidades e urgências dos tempos de hoje. Presentemente, a qualidade do ensino implica assumir uma pedagogia do pensamento crítico, reflexivo e criativo. A didática preocupa-se com as condições e modos pelos quais os alunos melhoram a sua aprendizagem. Pergunta como eles podem ser ajudados a lidar com conceitos, a argumentar, a raciocinar logicamente, a pensar sobre o que aprendem. A didática ao serviço de uma pedagogia crítica precisa de encontrar sempre novas ideias para assegurar o desenvolvimento do pensamento crítico, para formar sujeitos pensantes e críticos. Contudo, nem sempre se consegue processar tal quantidade de informação, surgindo angústias geradas pela incapacidade de responder de forma eficaz às solicitações do mundo. Daí que o currículo não se esgote nos conteúdos que devem ser ensinados e aprendidos, devendo pois, abranger as dimensões do saber, do ser, do formar-se, do transformar-se, do decidir, do intervir e do viver e conviver com os outros.
Página | 11 “A escola é a unidade básica de referência para o desenvolvimento do currículo. Para o efeito, esboça as linhas gerais da adaptação do programa às exigências do contexto social, institucional e pessoal, e define as prioridades. Será porém o professor a concretizar, com a sua atuação prática essas previsões. E só ele poderá adotar as decisões já antes referidas. Ele realiza a síntese do geral (programa), do situacional (programação escolar) e do contexto imediato (o contexto da aula e os conteúdos específicos ou tarefas).” (Zabalza, 2000: 46) O ensino tradicional, baseado na matéria do livro em que as aulas são sempre iguais, o método do ensino quase igual para todas as matérias, independentemente da idade e das características individuais e sociais dos alunos, não é aconselhável, pois este tipo de ensino leva o aluno a memorizar o que o professor diz, decorar a matéria e mecanizar fórmulas e definições. Este tipo de aprendizagem não é duradouro. Uma aprendizagem de qualidade é aquela que proporciona aos alunos saberem lidar de forma autónoma com os conhecimentos adquiridos. O objetivo será o desenvolvimento das capacidades intelectuais e de subjetividade dos alunos através da assimilação consciente e ativa dos conteúdos. Estes deverão ser utilizados para ajudar os alunos a desenvolver competências, para observar a realidade, estabelecer relações entre vários conhecimentos, adquirir métodos de raciocínio, capacidade de pensar por si próprio, comparar factos e acontecimentos. A aprendizagem deve ser entendida como atividade em conjunto, partilhada pelo professor e aluno como uma relação social entre professor/aluno perante o conhecimento. Por outras palavras, o aluno constrói, elabora os seus conhecimentos, os seus métodos de estudo. O professor deverá ser um parceiro mais experiente na conquista do conhecimento, interagindo com a experiência do aluno. O papel do professor deverá ser o de mediador entre o aluno e a temática em estudo, para a construção do seu conhecimento. O papel do ensino deverá ser o de possibilitar aos alunos o desenvolvimento das suas capacidades, para que consigam realizar as tarefas e aprender a raciocinar. O aluno deverá ser capaz de colocar questões, dúvidas, de desenvolver a capacidade de argumentação, de realizar atividades de grupo e saber confrontar ideias. O processo de ensino e de aprendizagem deverá ter como referência, o individuo que aprende, o seu modo de pensar, a sua relação com o conhecimento e como constrói e reconstrói conceitos e valores, implicando estratégias interdisciplinares de ensino.
Página | 12 A missão do docente deverá ser a de um importante agente de transformação e consciencialização na sociedade. Quanto ao primeiro aspeto, o de transformação, como conhecedores do espaço/ meio/ tempo, o seu conhecimento deverá servir de inspiração e ser tido em conta no planeamento e valorização do meio, privilegiando uma visão assertiva sobre os desafios da sociedade e das constantes mutações ocorridas no território. Quanto à consciencialização, o professor deverá incitar o jovem a ser um cidadão atento, critico e reflexivo relativamente ao território que coabita, na expectativa de uma maior consciência cívica, crítica e agindo de uma forma ativa e responsável, assegurando assim a sustentabilidade da polis: “E é aqui que a consciência histórica, dada pelas representações da História, pode desempenhar um papel relevante na compreensão das atitudes dos jovens.” (Pais,1999:159) Para o ensino da Geografia, não basta que o professor domine o conhecimento geográfico, ele tem de ter uma eficácia pedagógica, facilitar a aprendizagem de cada aluno respeitando as suas diferenças sociais, culturais e politicas. A competência do professor completa-se com conhecimento na área da psicologia da educação, do pensamento geográfico e da metodologia a utilizar, os professores precisam de estar conscientes de que o contributo da Geografia para a sociedade é útil. “É importante que os alunos sejam capazes de manifestar uma atitude crítica relativamente aos problemas que discutem." (Oliveira,2010:19) É fundamental que se valorize o conhecimento que o jovem terá adquirido sobre diferentes lugares, através de experiências vivenciadas por ele no seu dia-a-dia, ou pelo uso das tecnologias da informação e comunicação. Estes conhecimentos obtidos de forma informal, juntamente com os adquiridos na escola, permitem que os alunos estabeleçam relações entre o quotidiano, os diferentes espaços geográficos e as diferentes escalas: local, regional, nacional e internacional. A educação geográfica assume um papel deveras importante, na formação intelectual, cultural e até cívica dos jovens: “À medida que a criança e o jovem se desenvolve física, emocional e intelectualmente, vai também evoluindo a sua capacidade de compreender e analisar problemas complexos relevantes para a vida num mundo de múltiplas relações. Ao despertar a curiosidade geográfica e ao dar oportunidade para explorar novos lugares/espaços da superfície terrestre, promovendo a associação entre os acontecimentos e os lugares visitados, a Geografia tem um papel importante no desenvolvimento do conhecimento do mundo.” (Silva,2000:104)
Página | 13 No ensino da Geografia deve considerar-se a realidade no seu conjunto: o espaço é dinâmico e sofre alterações em função da ação do homem, e este é um sujeito que faz parte do processo histórico. Portanto, o aluno deve ser orientado no sentido de perceberse como elemento ativo do seu processo histórico. Com o objetivo de tornar o conhecimento mais lato e aproximar cada vez mais a Geografia do dia-a-dia dos alunos, o professor pode conciliar duas fontes de conhecimento: a sala de aula e os meios de comunicação. Estes por fazerem parte do quotidiano dos alunos têm grande importância e influenciam na formação do seu conhecimento, podendo assim facilitar a compreensão e interpretação do que recebem dos média. Um importante instrumento de comunicação é o jornal impresso e as suas notícias. Este meio é de fácil acesso, na medida em que contém imagens e textos de simples compreensão para serem analisados na sala de aula. “A utilização de jornais e revistas nas aulas de Geografia é bastante comum por parte dos professores. [...] Isso ocorre porque, além desse tipo de material ser valorizado pelos docentes, tanto o acesso a ele como a maneira de trabalhar com ele em sala de aula são bem mais simples do que em relação à TV e vídeo. Para trabalhar com jornais e revistas os professores não precisam enfrentar as dificuldades de gravar o programa. Além disso, não precisam passar pela desgastante tarefa de reservar a sala de projeção ou, como em muitas escolas, levar o equipamento para a sala de aula.” (Guimarães, 2003: 30) As notícias de jornal são excelentes recursos para professores e alunos dialogarem sobre a forma como vêem o mundo, compreenderem as relações entre o homem e o meio, a sua relação com a sociedade e as consequências dessas relações. A utilização do jornal no processo ensinoaprendizagem no campo das Ciências Sociais e Humanas, nomeadamente a Geografia, vai permitir ao aluno uma maior inserção no mundo: “ O jornal é uma fonte primária de informação, espelha muitos valores e torna-se assim um instrumento importante para o leitor se situar e inserir-se na vida social e profissional. Como apresenta um conjunto dos mais variados conteúdos preenche plenamente o seu papel de objeto de comunicação. Mas não só, pois como os pontos de vista costumam ser diferentes e mesmo conflituantes, ele leva o aluno a conhecer diferentes posturas ideológicas frente a um facto, a tomar posições fundamentadas e a aprender a respeitar os diferentes pontos de vista, necessários ao pluralismo numa sociedade democrática. Se a leitura do jornal for bem conduzida, prepara leitores experientes e críticos para desempenhar bem o seu papel na sociedade. […] Na formação geral do
Página | 14 estudante, a leitura crítica do jornal aumenta a sua cultura e desenvolve as suas capacidades intelectuais.” (Faria, 1991: 11) Através dos jornais os alunos podem identificar factos de índole económica, politica, social e cultural originando debates em torno de questões geográficas. Este processo faz com que os jovens consigam estabelecer uma relação com a realidade histórica em que estão inseridos, participando nas mutações da sociedade, assim: “ A mobilização do aluno para o conhecimento é um dos aspetos cruciais do processo de construção do conhecimento. Um dos princípios a serem postos em prática para encaminhar esse despertar é a problematização. Provocar o desafio, à vontade de superar o desconhecido. Essa busca nos realizar enquanto sujeitos, pois não deixa que nos acomodemos na dúvida, na incerteza ou na ignorância. Essa mobilização para o conhecimento através da problematização, será tanto mais eficiente e eficaz quanto mais tiver relação com a realidade socio-histórica em que a criança viver e ela perceber que sua superação a ajuda na compreensão da realidade.” (Cruz,1994:98) O jornal é um ótimo recurso didático, pois pela multiplicidade das suas notícias e opiniões, contribui para a melhoria da qualidade do ensino, na medida em que suscita o espírito crítico e reflexivo dos alunos, ajudando-os a formarem-se cidadãos ativos e participativos. Os professores mostram aos alunos que a sua cidadania é também o sentimento de pertencer a uma realidade, em que as relações sociedade/ meio, formam um todo do qual é interveniente, responsável e comprometido com a história e com os valores humanos, promovendo competências que visam desenvolver a cidadania, de forma participada e consciente: “Apesar dos distintos objetivos e sentidos da História, há uma das suas matrizes que se impõe pautando uma consciência coletiva que respeita todo um país, toda uma região, uma herança cultural, uma identidade coletiva, um património que merece ser valorizado e preservado.” (Pais,1999:53) Cabe ao professor ao utilizar o jornal, a tarefa de mostrar todos os pontos de vista e ideologias, a realidade e a veracidade da notícia. Uma vez que a imprensa está sempre presente no dia-a-dia dos jovens, um aluno de Geografia deverá possuir um conhecimento teórico-cientifico para conseguir compreender e relacionar os conteúdos das notícias impressas com os conteúdos geográficos. “É em função do exposto que nos propomos dialogar com o jornal impresso, já que o mesmo constitui material que regista, sob as mais variadas perspetivas, as geograficidades em nível local, regional, ponto de partida para construção do conhecimento geográfico escolar […].” (Katuta, 2009: 21)
Página | 15 O uso do jornal como instrumento de trabalho na sala de aula é extremamente importante, porém não deve substituir outros recursos didáticos, mas sim complementálos. Assim, o jornal no ensino da Geografia deve ser utilizado como recurso auxiliar no processo de ensino e aprendizagem do conhecimento geográfico. O Currículo Nacional do Ensino Básico, (um documento orientador para todo o país, cabendo a cada escola, nomeadamente a cada professor, transformá-lo, e adaptá-lo à realidade dos seus alunos) referente à disciplina de Geografia, numa das suas competências valoriza a necessidade do aluno estar informado e ter uma atitude crítica face à informação divulgada pelos órgãos de comunicação. É fundamental valorizar o conhecimento adquirido sobre diferentes lugares, através de experiências vivenciadas no seu dia-a-dia, ou pelo uso das tecnologias de informação e comunicação. Estes conhecimentos obtidos de forma informal, juntamente com os adquiridos na escola, permitem que os alunos estabeleçam relações entre o quotidiano, os diferentes espaços geográficos e as diferentes escalas: local, regional, nacional e internacional. A educação geográfica assume um papel deveras importante, na formação intelectual, cultural e até cívica dos jovens. Relativamente às Orientações Curriculares de Geografia, assentam em opções de caráter científico e pedagógico, refletindo a diversidade de temas e de experiências educativas, inerentes à ciência geográfica proporcionando a necessária flexibilidade para adaptar os conteúdos programáticos aos alunos, à escola e ao meio. A Geografia deve ser cada vez mais explorada, pelo conhecimento do espaço local e pela comparação dele com outros lugares, ajudando cada um a compreender melhor a sua inserção territorial e cultural. Conhecer cada vez mais e melhor o seu lugar, a sua cultura e as pessoas que vivem nos mesmos espaços que nós, pelo tratamento global dos problemas, pela busca de características comuns, pela análise da distribuição e da evolução espacial dos fenómenos, pelo uso do globo e de mapas, utilização de uma série de recursos incluindo material audiovisual, Internet, notícias da imprensa escrita, de forma a conduzir os estudantes a um conhecimento cada vez maior do planeta em que vive. Quanto ao programa de Geografia A (do secundário), propõe metodologias diversificadas e propiciadoras ao desenvolvimento de competências essenciais para a disciplina, propondo a utilização de diversos meios que abram horizontes de crescimento e formação, enquanto cidadãos do mundo atual: “A recolha de informação deve fomentar
Página | 22 Do mesmo ano, outro estudo sob o título Leitura em Portugal, mostra a evolução positiva da leitura, comparativamente com o estudo de 1997, Hábitos de leitura: um inquérito à população portuguesa, da responsabilidade de Eduardo de Freitas, José Luís Casanova e Nuno de Almeida Alves. A análise comparativa revela uma melhoria nos hábitos de leitura dos portugueses, visto que em 1997 liam livros 53.4% (2007 – 56.9%), 69.4% jornais (2007 – 83%) e as revistas eram lidas por 69.2% (2007 – 73%) da população, havendo uma percentagem de 12.4% (2007 – 4.7%) de não leitores. Segundo demonstra o estudo, destaca-se a evolução da leitura de jornais e revistas entre 1997 e 2007. Estes dados revelam uma correspondência entre o aumento dos índices de leitura e o aumento da escolarização. Analisando outro indicador estatístico, desta forma do Barómetro Imprensa da Marktest, conclui-se que o nível etário e classe social são os indicadores que mais distinguem os portugueses quando analisados os seus hábitos de leitura de jornais e revistas. Em 2008, 84.5% dos inquiridos residentes nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, com idade superior a quinze anos e pertencentes à classe média alta e alta reconheceram ter lido jornais e revistas. Com valores abaixo da média do universo, encontram-se os portugueses com mais de sessenta e quatro anos, os reformados, as domésticas, os inquiridos pertencentes à classe social baixa e com nível baixo ou inexistente de instrução e os residentes do interior norte e sul. Perante o resultado dos inquéritos de 1997 e 2007, acerca da leitura dos portugueses, o jornal é a fonte mais lida pela população portuguesa. Apesar disso, a leitura de impressos (jornais, revistas e livros) debate-se com um novo desafio: a modernização ou digitalização dos mesmos. As tecnologias de transporte de informação à distância assumem uma posição de destaque na sociedade moderna, sobretudo nos países desenvolvidos, sendo mesmo responsáveis pelas rápidas transformações económicas e sociais ocorridas nesses países, em particular e no mundo em geral. Estas tecnologias são fundamentais na transmissão de informação à distância, o que as torna vitais nas diversas atividades económicas, financeiras, administrativas e culturais. Um estudo sobre a relação dos jornais e revistas com as TIC, da União Europeia do ano de 2009, intitulado Individuals using the internet for Reading online newspaper/ magazines, destaca a população entre os 16 e os 74 anos que recorre à leitura dos jornais e revistas online no espaço comunitário. No caso português, é possível constatar uma
Página | 23 evolução positiva entre 2003 e 2009 crescendo 15% (13% - 2003 / 28% - 2009) estando muito próxima da média dos vinte e sete membros da União Europeia cujo valor é de 31%. A literacia digital é “[…] a capacidade de aceder aos media, de compreender e avaliar de modo crítico os diferentes aspetos dos media e dos seus conteúdos e de criar comunicações em diversos contextos.” (OCDE,2009:45) 2.5. A Literacia ao Serviço da Cidadania A leitura é um processo contínuo de aprendizagem, pois ninguém nasce a saber ler. À medida que crescemos vai-se aprendendo a ler, para melhor compreendermos o mundo, ajudando-nos a viver melhor em harmonia com a sociedade. Embora comecemos a aprender a ler nos bancos de escola, este processo não se deve limitar a ela, na medida em que deve ser considerado um projeto de vida. Um leitor competente deverá conseguir selecionar o acessório do essencial, tendo em conta as características e o sentido do texto. Assim, dispõe o seu conhecimento na construção do significado do mesmo: “O leitor constrói um texto paralelo e intimamente relacionado com o texto publicado. Para cada sujeito este torna-se um texto diferente.” (Goodman,1985:187) Embora pertença à instituição - escola a função da promoção da leitura, tanto essa prática como o conceito da mesma foram evoluindo ao longo do tempo e com elas o próprio conceito de leitor. Atualmente ler é uma atividade de constante exploração, de construção de um sentido. O leitor deverá compreender, concordar, ou não, com o que lê, transmitindo ao texto as suas emoções, sentimentos e experiências. Um texto precisa sempre de um leitor para o atualizar, pois: “[…]a compreensão deste se desencadeia num universo em permanente descoberta.[…]” (Eco, 1993:57) Os níveis de conhecimento de cada individuo influenciam a qualidade das suas escolhas, sendo a identidade um elemento em permanente construção ao longo da vida. Falar de identidade é estabelecer relações com o nível de literacia de cada um, que não poderá ser assumida sem uma participação ativa na sociedade. A literacia é uma série de competências de aprendizagem e pensamento reflexivo necessárias para alcançar, avaliar e usar a informação de forma adequada: ” […] Qualquer sujeito apresenta o seu próprio nível de literacia consoante a forma como lê e vê o mundo.” (Sardinha,2007:5)
Página | 24 A base da literacia está no aprender a aprender, incentivando o espírito crítico, o sentido descritivo e o gosto pela aprendizagem. Munidos destas competências os jovens estarão mais bem preparados para pesquisar, recolher, analisar ou realizar trabalhos de maior e melhor qualidade. O Relatório Delors - Educação, um Tesouro a Descobrir, de 1996, faz referência a que a educação deverá assentar em quatro pilares: Aprender a conhecer, a fazer, a viver em comum e a ser. Considere-se que é a educação a base da literacia, o caminho para se atingir a cidadania plena, e o instrumento para que o ser humano consiga decidir o que quer ser e fazer na sua vida. Assim, a cidadania e a literacia são inseparáveis, sendo a escola convocada a assumir um papel de grande responsabilidade na preparação dos jovens para a cidadania. A escola fornece um horizonte mais amplo no qual a criança e o jovem se inscrevem. Daí a importância de uma educação da responsabilidade e do compromisso e por conseguinte, a necessidade do compromisso social. A educação para a cidadania não começa na escolaridade obrigatória, mas nos jardins-de-infância. A educação pré-escolar é uma das etapas privilegiadas para ajudar a criança a criar hábitos de cidadania, sendo os jardins-de-infância uma das instituições que não se pode demitir desse papel: “A educação pode ser vista como a construção e aperfeiçoamento de atitudes e da escala de valores que as suporta.” (Beltrão, Nacimento,2000:73) Espera-se que estas instituições conjuntamente com a família ajudem a criança a desenvolver hábitos de solidariedade, de partilha, de justiça, de verdade, de respeito por si e pelos outros, de respeito pela diferença e pelo bem comum. A educação para a nova cidadania passa ainda por ensinar à criança a expor as suas ideias, a saber escutar os outros e a desenvolver condutas de tolerância, sem a qual, num futuro muito próximo, não saberiam dizer não ao individualismo, não seriam capazes de escolher livremente e por isso influenciáveis, e de à violência responderem ainda com mais violência. É por isso fundamental, promover uma educação direcionada para os valores, e que esta prepare as pessoas para conviverem com as adversidades do dia-adia, discernindo sobre o bem e o mal, o justo e o injusto, preocupando-se com o bem comum. Os valores são um aspeto muito importante na formação do ser humano, guiando os seus comportamentos e decisões. Estão ligados ao indivíduo e possuem duas dimensões. Uma dimensão objetiva, funcionando como fios condutores e reguladores do com-
Página | 25 portamento do cidadão. A dimensão subjetiva que está profundamente ligada aos sentimentos, emoções e motivações que estimularam as ações. A educação para a cidadania deverá ser um pilar fundamental, na formação dos estudantes. Um conhecimento da realidade onde está inserido, é indispensável para a aquisição de uma consciência critica e reflexiva sobre um determinado tema. Um cidadão consciente da realidade com que se depara, torna-se um elemento válido na tentativa de resolver problemas que possam vir a ocorrer. Os jovens serão os responsáveis políticos, culturais e económicos do país e do mundo, e por isso, devem estar munidos de ferramentas que possam pôr ao serviço da comunidade que representam, assentando em valores de solidariedade, cooperação e respeito entre todos, e acima de tudo um valor que por vezes é descurado, o da tolerância. 2.6. Jornal escolar: Um desafio A escola de hoje, pretende-se interventiva, atenta ao que se passa ao seu redor, tanto com a comunidade a que pertence como para com o seu país e o mundo. Para isso, os meios de comunicação são fundamentais. Um dos recursos que melhor aproxima os média da escola, é o jornal escolar, capaz de interpretar a vida escolar, as suas rotinas, os seus hábitos, as suas falências, as suas virtudes, o sentir de toda a comunidade escolar, o dia-a-dia letivo e extracurricular. O jornal escolar também ajudará os alunos na compreensão, através da experiência, de como se elabora este meio de comunicação, o seu modo de funcionamento, vestindo a pele de um jornalista, repórter, editor, redator, gráfico, fotógrafo, designer ou até agente publicitário. Com esta atividade os jovens desenvolvem o hábito da pesquisa, tratamento e apresentação da informação, bem como têm a possibilidade de realizar experiências diversificadas no domínio da produção e da informação, no contexto escolar. Estimula os jovens para a prática do jornalismo, contribui para melhorar os hábitos de leitura e escrita e desenvolve as capacidades dos alunos de saberfazer, onde a teoria e a prática se complementam. A elaboração do jornal escolar também promove a comunicação no interior da escola (re)aproximando professores e alunos, aproxima a escola da atualidade e também contribui para o bem estar da comunidade escolar: ” […] o jornal escolar não é um fim em si mesmo, mas um dos meios possíveis para o desenvolvimento de uma dinâmica geral na escola. Através deste meio os alunos passaram a ter mais condições para aprender a pensar e a dizer a vida. Neste sentido, o jornal escolar poderá ser um ótimo veiculo para a descoberta da identidade por parte dos jovens, os quais se en-
Página | 26 contram numa fase em que tal descoberta é fundamental. Para isso, é importante que o jornal não só dê a palavra aos jovens mas crie as condições efetivas para a libertação dessa palavra e para o recurso habitual a essa palavra, a essa voz próprio, pela vida fora, nas mais diversas circunstâncias.” (Santos e Pinto, 1992: 5) O jornal escolar é um meio de informação e promoção da cidadania empreendedora e ativa, permitindo o estudo e a reflexão sobre os problemas da sociedade atual. Através do jornal, os jovens escrevem para a sociedade, partilham e discutem opiniões, aprendem a trabalhar em equipa ajudando-os assim a adquirir ou a melhorar o espírito de entreajuda e solidariedade. Com a feitura do jornal escolar são trabalhadas e alicerçadas aptidões e capacidades, discutem-se os problemas da comunidade escolar, como também se fala do que há de bom na escola. Pode considerar-se que o jornal escolar, é um ótimo instrumento de dinamização da vida escolar, aproximando a comunidade escolar da sociedade onde está inserida, contribuindo para a formação de cidadãos ativos, participativos e empenhados na evolução e transformação da sociedade, estreitando cada vez mais os laços entre a escola e a comunidade. O jornal dá um grande contributo para o questionamento e enriquecimento da vida escolar, permitindo um reforço da liberdade de opinião e de escrita sendo fundamental inseri-lo no projeto educativo da escola. Nos últimos anos, tem-se vindo a verificar um grande interesse e empenho por parte dos alunos e também dos professores na adesão a este projeto. Isto comprova-se através dos inúmeros títulos de imprensa escolar que têm vindo a proliferar, do básico ao secundário. No âmbito de promover o jornal como instrumento pedagógico, um órgão da imprensa diária, o jornal Público, decidiu avançar com um projeto, designado Público na Escola que premeia anualmente os melhores jornais escolares. “Por jornal escolar entendemos o meio de comunicação escrito, editado no contexto de uma organização escolar, produzido pelos seus diversos protagonistas, com uma participação forte e empenhada de alunos e professores, integrado num projeto pedagógico e destinado a informar a escola e a comunidade sobre a vida do estabelecimento de ensino, promovendo a aprendizagem, integração e fomento do sentido de pertença dos alunos.” (Gonçalves, 2008:19571958)
Página | 27 "O ensino deve ser de modo a fazer sentir aos alunos que aquilo que se lhes ensina é uma dádiva preciosa e não uma amarga obrigação." (Albert Einstein) 3. Envolvência Escolar 3.1. Canidelo e a sua História A existência de Santo André de Canidelo, remonta à PréHistória, nomeadamente ao período Neolítico, comprovada pela existência de artefactos de pedra polida e picos asturienses, descobertos entre Santo André e Valadares. Há indícios da presença dos romanos através da toponímia que comprova a existência de um castro em Canidelo, bem como a dos muçulmanos, através de nomes bem marcantes como Almeara, Alvites e Meiral. No entanto, só a partir do Condado Portucalense é que surgem documentos escritos que mostram a importância desta terra, muito cobiçada por senhores feudais e, por isso, passada de mão em mão, ao longo dos séculos. No século XIII (1255), no foral concedido à Vila de Gaia, D. Afonso III doalhe Canidelo, entre outros lugares. Um documento datado de 10 de junho de 1352, lavrado no Mosteiro de São Francisco, faz referência a que a quinta de Canidelo terá sido doada ao Infante D. Pedro por um cavaleiro e amigo, João Coelho, e que viria a ser para D.Inês de Castro um local de refúgio da ira de D. Afonso IV, pai de D. Pedro que não aceitava a relação amorosa entre ambos. Pouco tempo depois, este padroado terá sido doado por D. Pedro a D. Inês, e terão lá vivido desde o início de 1352 até ao fim de 1353, onde terá nascido a Infanta D. Beatriz, o seu quarto filho da relação com Inês de Castro. Em 1363, provavelmente como reconhecimento pelo tempo em que ali viveu com D.Inês, o rei D. Pedro elevou Canidelo à categoria de concelho. Figura 1: Brasão da Freguesia de Canidelo
Página | 28 Um município com direitos e regalias, tais como eleger magistrados, ter jurisdição civil e criminal e cadeia própria, tornou-se o terceiro concelho da margem sul do rio Douro. D. Fernando sucessor de D. Pedro, em 3 de abril de 1368, entrega essa terra à sua meia-irmã, D. Beatriz que terá lá permanecido durante um curto espaço de tempo, acabando por se refugir em Castela em 1377. . O concelho viria a ser extinto em 6 de Abril de 1375 pelo rei D. Fernando, regressando à jurisdição de Gaia. Após a saída de D. Beatriz de Canidelo, este viria a ter novos e vários destinatários desde o bispado do Porto e o seu cabido, os conventos de Grijó e do Pilar como o Marquês de Abrantes, que seria seu donatário em 1747. Em cumprimento do disposto no Decreto-lei nº. 33 de 16 de maio de 1832 – aditado ao decreto de 23 de junho de 1833 foi estabelecido o novo concelho e Município de Vila Nova de Gaia, passando Canidelo a fazer parte do mesmo. Em 6 de agosto de 1834, após a inserção no novo concelho, foi nomeado Presidente da Junta o canidelense Sr. Manuel Domingues da Rocha que escolheu para seus auxiliares José Alves dos Santos, Manuel Gonçalves de Castro, José Alves Viúvo, Domingos Francisco Reis e Manuel Domingues Chaves. Prestaram juramento de fidelidade à Rainha D. Maria II, a 19 de setembro de 1834, nos Paços do Concelho. 3.2. Freguesia de Canidelo no Presente Atualmente, a freguesia de Canidelo é constituída por 27.769 habitantes distribuídos por uma área de 8.931km²., sendo a terceira freguesia com maior número de residentes das vinte e quatro1 que compõem o concelho de Vila Nova de Gaia (302.295 hab.), à data da realização dos Censos 2011. O XV Recenseamento Geral da População e o V Recenseamento Geral da Habitação, designados por Censos 2011, foram realizados pelo Instituto Nacional de Estatística com a colaboração das Autarquias Locais, referindo-se os seus resultados ao dia 21 de março de 2011 (momento censitário). A sua organização e execução foi regulada pelo Decreto-Lei nº 226/2009 de 14 de setembro. 1 À data da realização dos Censos 2011, ainda estava em vigor o mapa de freguesias que ainda não contemplava a agregação de freguesias, resultantes da Lei n.º 22/2012 de 30 de maio.
Página | 29 Os resultados são conseguidos através do processo de tratamento e processamento da informação recolhida através dos questionários em papel e das respostas enviadas através da internet. Segundo os mesmos censos, os indicadores socioeconómicos referentes à freguesia de Canidelo apontam para uma população com uma média de 39.03 de idade, uma taxa de atividade de 52.37% e uma taxa de desemprego de 17%. Através da análise do quadro 1, na comparação entre as diversas freguesias do concelho, verifica-se que há uma certa homogeneidade entre os indicadores socioeconómicos, nomeadamente a taxa de atividade (relação entre a população ativa (empregados e desempregados) e a população em idade ativa) que varia entre 45.92% (Sandim) e 53.30% (Canelas), a taxa de desemprego entre 15.99% (São Pedro da Afurada) e 26.82% (Vilar do Paraíso) e a idade média da população residente que oscila nos valores compreendidos entre 37.38 (Canelas) e 42.82 (Mafamude). Num município com uma elevada densidade populacional (302.295 hab.), através dos mesmos indicadores apraz referir que a freguesia do concelho de Vila Nova de População residente (N.º) Idade média; Taxa de Atividade; Taxa de Desemprego Concelho de Vila Nova de Gaia População Residente Idade Média Taxa de Atividade (%) Taxa de Desemprego (%) Vila Nova de Gaia 302.295 40.42 50.47 17.92 Arcozelo 14.352 39.99 52.17 16.07 Avintes 11.497 41.08 49.15 21.32 Canelas 13.459 37.38 53.30 17.47 Canidelo 27.769 39.03 52.37 17 Crestuma 2.621 42.22 49.41 19.23 Grijó 10.578 39.77 46.64 18.24 Gulpilhares 11.341 39.20 51.58 14.46 Lever 2.794 41.94 49.79 18.48 Madalena 10.040 41.64 49.15 16.94 Mafamude 38.544 42.82 50.38 16.82 Olival 5.812 39.53 47.99 18.75 Oliveira do Douro 22.383 40.99 50.01 19.66 Pedroso 18.714 40.13 49.73 17.96 Perosinho 6.359 40.99 49.69 17.96 Sandim 5.938 40.67 45.92 18.92 Santa Marinha 30.146 41.73 51.12 18.52 São Félix da Marinha 12.706 40 50.51 16.98 São Pedro da Afurada 3.568 39.96 51.71 15.99 Seixezelo 1.712 40.52 49.59 18.37 Sermonde 1.360 40.83 46.16 22.61 Serzedo 7.891 39.62 49.46 21.21 Valadares 10.678 40.80 49.59 16.41 Vilar de Andorinho 18.155 37.81 49.57 21.20 Vilar do Paraíso 13.878 39.98 52,26 26.82 Quadro 1: Indicadores Socioeconómicos: Concelho de Vila Nova de Gaia – Fonte: Censos 2011
Página | 30 Gaia com menor população residente é Sermonde (1.360 hab.), enquanto a freguesia de Mafamude (38. 544) é a que tem maior número de habitantes. Apesar da homogeneidade acima referida, numa análise final, pode-se concluir que a nível de população residente há uma grande disparidade entre o número de habitantes de cada freguesia, não devendo ser apontada a área geográfica como único fator mas também a interioridade. Sendo este um trabalho no âmbito da investigação educacional convém conhecer, ou seja, analisar os níveis de educação no concelho de Vila Nova de Gaia, particularizando o caso da freguesia de Canidelo, onde está inserida a Escola Secundária Inês de Castro. Para tal, serviram novamente de base os resultados dos Censos 2011. Assim, relativamente aos indicadores de educação eles compreendem os três níveis de ensino, a taxa de abandono escolar e ainda a taxa de analfabetismo. Quanto a este último, a freguesia de Canidelo apresenta 2.80% de iliteracia e 1% de abandono escolar. No que se refere aos níveis de instrução da população residente, refira-se que 14.933 indivíduos completaram o ensino básico, 4.043 possuem o ensino secundário, enquanto 3.708 finalizaram o ensino superior. População residente (N.º) por Local de residência: Nível de escolaridade mais elevado completo; Taxa de Abandono Escolar; Taxa de Analfabetismo Concelho de Vila Nova de Gaia Ensino Básico Ensino Secundário Ensino Superior Taxa de Abandono Escolar (%) Taxa de Analfabetismo (%) Vila Nova de Gaia 169.853 41.488 37.981 1.34 3.19 Arcozelo 7108 2087 2561 1.31 2.98 Avintes 7494 1162 756 1.31 4.09 Canelas 7735 1976 1175 1 3.26 Canidelo 14993 4043 3708 1 2.80 Crestuma 1717 347 169 1 2.58 Grijó 6594 1167 1175 0 4.33 Gulpilhares 5343 1589 2252 1.42 3.08 Lever 1806 326 180 1.64 3.79 Madalena 5330 1401 1434 1.14 3.78 Mafamude 19281 6422 7460 1.39 1.97 Olival 3720 624 332 1.26 4.66 Oliveira do Douro 13788 2848 1959 1.30 3.30 Pedroso 10935 2379 1794 1.05 4.14 Perosinho 3616 836 723 0.88 4.02 Sandim 3808 668 397 0.94 3.75 Santa Marinha 16815 4546 4193 1.40 2.24 São Félix da Marinha 6499 1592 2082 1.43 4.16 São Pedro da Afurada 1630 422 858 3.77 4.97 Seixezelo 1060 212 141 2.65 3.46 Sermonde 858 114 123 1.82 4.29 Serzedo 4911 816 527 1.17 4.91 Valadares 5952 1451 1339 1.85 2.92 Vilar de Andorinho 11208 2380 1264 1.58 3 Vilar do Paraíso 7652 2080 1717 1.24 3.03 Quadro 2: Educação em números: Concelho de Vila Nova de Gaia – Fonte: Censos 2011
Página | 31 Perante os dados analisados no quadro 2, é importante referir que existe alguma disparidade entre as várias freguesias do concelho de Vila Nova de Gaia relativamente aos níveis de instrução dos seus habitantes. No que concerne à população que completou o ensino básico, os valores oscilam entre 858 (Sermonde) e 19.281 (Mafamude) indivíduos. Quanto ao ensino secundário é a freguesia de Sermonde que apresenta o valor mais baixo (114), enquanto Mafamude detém o número mais elevado, com 6.422 pessoas com nível secundário. Com habilitação superior destaca-se mais uma vez, Mafamude com 7.460, ao passo que Sermonde apresenta o menor número de indivíduos com grau académico 123. Quanto à taxa de abandono escolar, as percentagens são similares, sobressaindo pela negativa as freguesias de São Pedro da Afurada com 3.77% e Seixezelo (2.65%), paradoxalmente, Grijó não apresenta abandono escolar, sendo, aliás, a única freguesia do concelho de Vila Nova de Gaia, nessa situação. A percentagem de analfabetismo, ainda é um sinal de preocupação no município, pois os valores variam entre 1.97% em Mafamude e São Pedro da Afurada com 4.92%. Há ainda a realçar que num concelho com uma elevada densidade populacional, a maioria dos seus habitantes apenas completou o ensino básico (56.2%) e uma pequena minoria tem grau académico (12.5%). Saliente-se que a taxa de analfabetismo do concelho de Vila Nova de Gaia ainda é elevada, embora inferior à média nacional (5.22%), e a taxa de abandono escolar está muito próxima da média do nosso país (1.58%), não esquecendo que estes valores se referem à data dos Censos 2011. Porventura, não será apenas a dimensão territorial que servirá de justificação para a diferença dos níveis de escolaridade entre as freguesias que pertencem ao município, mas provavelmente também a proximidade, ou não do litoral, e ainda as oportunidades de emprego/ formação que cada uma das freguesias oferece. 3.3. Escola Secundária Inês de Castro Portugal é um país com excelentes condições para potencializar o poder local, devido às suas condições demográficas e dimensões territoriais: “A valorização do local além da promoção do desenvolvimento […] deverá ainda implicar a educação para o viver em comunidade, para a apropriação coletiva do território, que a partir do local permitirá o natural sentir do nacional […].” (Ministério da Educação, 1998:11) É a par-
Página | 38 nazi-fascismo, permitindo a procura de uma paz duradoura entre as nações, através da criação da Organização das Nações Unidas (ONU). Assim, surgem alterações na configuração do mapa político mundial (Leste da Europa e Ásia Menor) e a divisão da Alemanha e da cidade de Berlim em quatro zonas de ocupação (norte-americana, francesa, britânica e soviética). Ainda durante o segundo período do ano letivo 2013/2014, os alunos do 9ºano debruçaram-se sobre as transformações ocorridas no mundo, após a segunda grande guerra, ou seja, Do segundo após guerra aos anos 80. Este tema, para além de incluir o período da Guerra Fria, altura em que a aliança Estados Unidos/ União Soviética deu lugar à rutura, por motivos políticos e ideológicos e à formação dos blocos ocidental e de leste, onde se geraram alguns momentos de tensão entre estas superpotências, tais como o célebre Bloqueio de Berlim, (1948-1949) Guerra da Coreia (1950-1953), construção do Muro de Berlim (1961), e Crise dos Mísseis (1962),também se debruça sobre os primeiros movimentos de autodeterminação e independência de colónias das grandes potências, localizadas na Ásia e em África. Ainda neste tema, é abordado o dinamismo económico dos países capitalistas, (“ Milagre japonês” e afirmação económica e cultural dos Estados Unidos), o nascimento e expansão da Comunidade Europeia, o desenvolvimento do mundo comunista, a sua evolução e o seu colapso resultantes das políticas iniciadas por Mikhail Gorbachev na década de 80. Neste domínio, o caso português também é salientado, nomeadamente a política salazarista no pós-1945, a questão colonial, o Marcelismo e o fim do Estado Novo resultante da Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974. No derradeiro período, os estudantes focaram-se n’O após Guerra Fria e a Globalização, em particular sobre a Estabilidade e instabilidade de um mundo unipolar. Com o desaparecimento da União Soviética (1991), os Estados Unidos da América, afirmam-se no plano político internacional nos mais diversos domínios, económico, financeiro e politico. Não obstante, apesar da sua hegemonia o país vê-se ameaçado, tal como outros países ocidentais, pelo terrorismo islâmico. Ainda são realçadas as fragilidades e carências de muitos países, nomeadamente os do terceiro mundo. O caso português é o último subtema a ser alvo de estudo, especialmente pelas transformações sociais, políticas e culturais resultantes da consolidação da democracia e da sua integração no espaço comunitário em 1986, bem como as suas relações internacionais, nomeadamente com a Lusofonia.
Página | 39 Para muitos dos alunos esta será a última oportunidade de estarem em contacto com a disciplina de História, na medida em que no 10ºano esta disciplina, apenas está contemplada nos cursos de Línguas e Humanidades (História A) e de Artes (História e Cultura das Artes). Ao abrigo do Decreto-Lei n.º 85/2009 de 27 de Agosto, que determina o alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos, significa que as crianças e jovens têm de estar inseridos e frequentar a escola até concluírem o 12º ano ou atingirem a maioridade. O 12º ano é o ano do terminus do secundário, em que o estudante terá de decidir se irá continuar a estudar ou irá trabalhar. Fazer um curso superior ou não. Se sim, qual, onde, como, quando e porquê? Estas são algumas das questões que emergem no oceano mental do estudante, após a conclusão do 12º ano. É no final deste ano, que termina mais um ciclo. Ciclo este, em que o estudante terá maior maturidade para saber o que quer. Quais as suas aptidões, os seus gostos, enfim, estará melhor preparado para escolher o rumo do seu futuro. Relativamente aos conteúdos referentes à área disciplinar de História, para os alunos do 12º ano do curso de Línguas e Humanidades, refira-se que estes se encontram divididos em três módulos. O primeiro (7) intitulado, Crises, embates ideológicos e mutações culturais na primeira década do século XX, contempla três pontos, ou seja, As transformações das primeiras décadas do século XX, O agudizar das tensões políticas e sociais a partir dos anos 30 e A Degradação do ambiente internacional. Quanto ao segundo módulo (8) reporta-se a Portugal e o mundo da segunda guerra mundial ao início da década de 80 – opções internas e contexto internacional. Este grande tema abarca tal como o anterior três subtemas, tais como, O nascimento e afirmação do novo quadro geopolítico, Portugal do autoritarismo à democracia, e por último, As transformações sociais e culturais do terceiro quartel do século XX. Por fim, o módulo 9 tem como tema principal as Alterações geoestratégicas, tensões políticas e transformações socioculturais no mundo atual. Relativamente aos seus três subtemas que o constituem, engloba O fim do sistema internacional da Guerra Fria e a persistência da dicotomia Norte - Sul, A viragem para uma outra era e, Portugal no novo quadro internacional.
Página | 40 Convém salientar, que muitos destes conteúdos foram abordados no 9º ano de escolaridade, como é evidenciado no Programa de História A. No entanto, como se compreende pela grande exigência do ano em questão, estas temáticas são muito mais abrangentes e desenvolvidas, exigindo por parte dos alunos uma maior capacidade crítica e reflexiva. Por decisão ministerial, os conhecimentos destes conteúdos históricos, como também os dos lecionados no 11º ano, são sujeitos a avaliação, pelo que os alunos têm de prestar prova através do Exame Nacional de História A. “A Geografia humana traz uma nova conceção das relações entre a terra e o homem, sugerida por um conhecimento mais sintético das leis físicas que regem a nossa esfera e as relações entre os seres vivos que a povoam” (Blache,1954:27) Quanto ao primeiro grande domínio proposto para a área curricular do 8º ano, trata d’A População e Povoamento. Debruça-se sobre A distribuição da população mundial, os fatores que influenciam essa distribuição, quais as grandes áreas populacionais, bem como, a distribuição da população portuguesa. Os alunos também tomam conhecimento acerca de quais os indicadores demográficos para a evolução da população (Natalidade, Fecundidade, Esperança de Vida, Mortalidade, Mortalidade Infantil e Crescimento Natural) e a evolução da população portuguesa, em particular. Este domínio, trata também d’A mobilidade da população, nomeadamente, as migrações humanas, referindo os tipos de migrações, as suas causas e consequências, os fluxos migratórios, e por último, este fenómeno em Portugal. Outro dos conteúdos a ser estudado é a Diversidade cultural, focando a identidade dos povos, a herança social (organização económica, social, politica e cultural), quais os fatores de identidade das populações (por exemplo, a língua), as religiões no mundo, o fenómeno da globalização e ainda é alvo de estudo, a diversidade cultural no nosso país. Por fim, neste último domínio é tratada a questão das Principais áreas de fixação humana, que caracteriza o espaço rural e o espaço urbano. Retrata os modos de vida nesses espaços, desenvolve o conceito de cidade, refere o processo de urbanização, a explosão urbana, as formas de urbanização, quais os fatores de crescimento das cidades e as funções das mesmas e ainda a organização do espaço urbano, a localização das principais aglomerações e os problemas das cidades. Quanto ao domínio das Atividades Económicas proposto para o 8º ano, apresenta as atividades económicas desenvolvidas nas suas múltiplas vertentes - produtoras de
Página | 41 recursos e de bens essenciais à vida quotidiana, criadoras de emprego e riqueza, fatores de desenvolvimento, mas também de risco ambiental. Os conteúdos incluídos neste domínio, procuram evidenciar os principais contrastes à escala global, tais como as suas causas e consequências na organização do espaço e no ambiente, referindo os aspetos essenciais que permitem caracterizar as diferentes atividades económicas no território nacional. Assim sendo, os conteúdos referentes à temática acima referida, começam por se debruçar sobre os recursos naturais renováveis e não renováveis, como utilizá-los, as desigualdades nos consumos dos mesmos, impactes ambientais resultantes da exploração dos recursos naturais e os recursos naturais em Portugal. Relativamente às atividades económicas do setor primário (agricultura, pecuária e pesca) este assunto deve ser abordado de forma a demonstrar ao aluno que este setor é de importância vital, pois satisfaz uma das necessidades básicas do ser humano, a sua alimentação. Assim, são sinalizados os processos agrícolas que populações com diferentes níveis de desenvolvimento económico utilizam para obter alimentos, os sistemas de cultura, as técnicas agrícolas, a diferenciação entre agricultura tradicional (primitiva itinerante sedentária, intensiva de subsistência, mediterrânea e oásis), e agricultura moderna (extensiva cerealífera, plantação e comercial). Quanto à pecuária há a distinção entre pecuária tradicional e moderna. Por último, referindo-se ao setor ligado às pescas mostra-se a diferença entre pesca tradicional ou artesanal e a pesca industrial. Finalmente, os alunos devem tomar conhecimento das atividades agropecuária e piscatória em Portugal. Na mesma sequência, ou seja, sobre as atividades económicas, os conteúdos desta temática deverão também incidir sobre o setor secundário (indústria), mostrando quais os fatores que influenciam a localização industrial e os tipos de indústria, e ainda o setor terciário (serviços, comércio e turismo). Dentro deste âmbito dá-se a conhecer os diferentes tipos de serviços, como os de turismo; a relação entre os diferentes tipos de turismo e as características naturais e culturais de uma região ou país; referir quais os impactes ambientais, sociais e económicos resultantes das diversas atividades económicas; como desenvolver as mesmas numa perspetiva de sustentabilidade e, para encerrar este capítulo, os alunos devem ficar a conhecer a realidade do setor secundário e terciário no nosso país. Ainda dentro deste grande domínio, as Atividades Económicas, as orientações curriculares propõem como subdomínio as Redes e meios de transporte e telecomunica-
Página | 42 ção. Os conteúdos incluem a referência aos meios de transporte, aos produtos a transportar e às distâncias a percorrer. Ainda como é que as diferentes situações de desigualdade económica e social entre espaços, se relacionam com os graus de desenvolvimento das redes de transporte; a relação entre produtos a transportar e transportes a utilizar, os diferentes tipos de transporte (rodoviário, ferroviário, aéreo, tubular e aquático) e os transportes em Portugal. Este subdomínio encerra, com a importância das telecomunicações na sociedade atual, referindo a relação entre a distribuição das redes de transporte e telecomunicações e a interação entre os diferentes espaços, bem como, a importância das telecomunicações no nosso país. Este domínio, Atividades Económicas está muito ligado aos nossos dias, já que associa atividades profissionais conhecidas e, não raras vezes muito próximas dos alunos, a situações concretas constantemente noticiadas, como as que dizem respeito à deslocalização industrial. Assim, evidencia-se o contributo da Geografia como ciência de relevo e de grande significado para a formação dos alunos enquanto pessoas e como cidadãos. Quanto ao ensino da Geografia no ensino secundário é regido pelo Programa de Geografia A, no sentido de preparar os alunos para o exame final da disciplina que contempla os conteúdos temáticos do 10º e 11º anos. Ao nível temático, no ano em questão (11ºano) os conteúdos geográficos estão compartimentados em três grandes temas, sendo a tónica o caso português. O primeiro grande tema (3) intitulado, Os espaços organizados pela população abarca três pontos fundamentais. O primeiro, As áreas rurais em mudança, debruça-se sobre as fragilidades dos sistemas agrários, a agricultura portuguesa e a Política Agrícola Comum e ainda, sobre as novas oportunidades para as áreas rurais. Desta forma, pretende-se que os alunos tenham um real conhecimento sobre a atual situação do setor agrícola nacional, as suas características, fragilidades e potencialidades e a sua relação com a política agrícola comum. Quanto ao segundo ponto denominado, As áreas urbanas: dinâmicas internas, incide sobre a organização das áreas urbanas que poderão ser áreas terciárias, residenciais e industriais; a expansão urbana, fazendo referência aos subúrbios e às áreas periurbanas, bem como às Áreas Metropolitanas do Porto e Lisboa; os problemas urbanos, apontando as questões urbanísticas e ambientais e a qualidade de vida no espaço urbano, que resulta de um cruzamento de qualidades que contemplam não só o que se passa nas cidades, mas também na vida individual e social dos seus habitantes.
Página | 43 Relativamente ao terceiro e último ponto, sob o título A rede urbana e as novas relações cidade-campo, os alunos são levados a compreender as características das cidades, a sua dimensão, a concentração/ dispersão de povoamento, bem como as vantagens e desvantagens da concentração dos mesmos; a reorganização da rede urbana que contempla o papel das cidades médias em Portugal e a sua relação com a rede urbana europeia, assim como, a relação de complementaridade ou interdependência entre as parcerias cidade / campo. A população, como se movimenta e comunica (4) é o segundo tema contemplado no programa de Geografia A para o 11º ano. Este está subdividido em três aspetos. O primeiro A diversidade dos modos de transporte e a desigualdade espacial das redes, realça a importância do desenvolvimento dos transportes no encurtamento das distâncias e na dinamização das atividades económicas. Aponta as vantagens e desvantagens dos transportes terrestres, aquáticos e aéreos, refere qual a distribuição espacial das várias redes de transporte e qual a importância da inserção das mesmas nas redes europeias, bem como, a vantagem do transporte intermodal. Relativamente ao segundo aspeto, A revolução das telecomunicações e o seu impacto nas relações interterritoriais, pretende-se que os alunos compreendam qual a distribuição espacial das redes de telecomunicações e o papel das TIC, no desenvolvimento económico e social e na redução das assimetrias socioeconómicas. Por último, o terceiro ponto deste segundo tema, Os transportes e as comunicações e a qualidade de vida da população, aponta para a multiplicidade dos espaços de vivência e os problemas de segurança, saúde e ambientais, como também ações, no sentido de garantir o desenvolvimento sustentável, isto é, o desenvolvimento dos transportes deve necessariamente ter em atenção a preservação e conservação do meio ambiente. Próximo do fim do ano letivo, os alunos são confrontados com o terceiro e último tema proposto para a disciplina de Geografia A do 11ºano, A integração de Portugal na União Europeia: novos desafios, novas oportunidades (5) Tal como os dois outros temas anteriores, também este inclui três pontos fundamentais, sendo o primeiro Os desafios para Portugal do alargamento da União Europeia, que incide sobre as consequências positivas e negativas, recorrentes do alargamento da União Europeia em 2004 aos países da Europa de Leste, que outrora pertenceram à esfera de influência soviética. O segundo ponto, A valorização ambiental em Portugal e a Política Ambiental Comunitária, aborda a importância que a política do ambiente tem vindo a assumir na
Página | 44 União Europeia, o estado da política nacional comparativamente à de outros estados membros, assim como as estratégias adotadas a nível supranacional e a sua implementação a nível nacional, de forma a garantir a sustentabilidade ambiental na valorização e potencialização dos recursos endógenos. Por fim, As regiões portuguesas no contexto das políticas regionais da União Europeia, tem como objetivo fazer com que os alunos compreendam quais os principais objetivos da Politica de Coesão para 2014-2020, quais as regiões elegíveis da Política de Coesão, os instrumentos financeiros da mesma, os investimentos no âmbito do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), quais os investimentos no âmbito do Fundo Social Europeu (FSE) e por último, quais os investimentos no campo de ação do Fundo de Coesão. Todos estes domínios ou temas acima referidos, estão contemplados nos Programas de História do 3º ciclo do Ensino Básico (1991) para o 9ºano e de História A para o Ensino Secundário, neste caso particular, para o 12º. Quanto a Geografia, para o 8º.ano os temas são propostos pelas Orientações Curriculares e pelo Programa de Geografia A para o 11º. Ainda a salientar, um instrumento legal que “regula” os objetivos a atingir nas disciplinas de História e Geografia ao nível do 3º ciclo do Ensino Básico, as Metas Curriculares. Relativamente às formas de como os alunos são levados ao encontro do conhecimento, são variadas. Desde a utilização dos manuais, passando pelo recurso às novas tecnologias (Internet), o acesso à televisão e rádio e ainda à leitura da imprensa escrita, nomeadamente dos jornais. Estes, sendo veículos de fácil acesso, com uma linguagem bastante clara e acessível e portadores de um grande número e uma grande variedade de notícias, são excelentes suportes de estudo, análise e reflexão dos conteúdos históricos e geográficos do 8º e 12º anos. Assim, durante o estágio de Geografia e História foi proposto a uma turma do 8º ano para a disciplina de Geografia, a leitura de notícias online de jornais de referência nacional, que iriam servir de apoio ao estudo do tema, Diversidade Cultural. Este, foi o tema escolhido para ser alvo deste tipo de abordagem, na medida, em que como é um tema tão abrangente e “rico” em matéria de informação, é por isso propiciador ao surgimento de uma cultura cívica, baseada no respeito e tolerância pelos outros. Os alunos são parte integrante de um país, de uma cultura, mas a valorização intercultural do mundo é indispensável, quando se pretende que os alunos adquiram
Página | 45 uma consciência geográfica, num espaço comum onde todos estão inseridos, o mundo. Desta forma, face a situações que agudizam as relações entre os povos, é importante consciencializar os mais novos de forma a evitarem a propagação de ideias, que ponham em causa princípios de justiça, de igualdade e respeito. O jornal foi o suporte escolhido para o estudo da temática acima mencionada, uma vez que agrega um conjunto de informações sobre o mundo, que possibilita o estabelecimento de uma relação entre a realidade local (Portugal) e a de outras espalhadas pelo planeta. Ao mesmo tempo que coloca os alunos perante a realidade, leva-os a refletir sobre as desigualdades, o racismo, a xenofobia, a discriminação, a marginalidade, e a valorizarem o respeito pela cultura e costumes de cada povo, pelas suas tradições, religião, enfim, o respeito pela dignidade e vida de cada um. Desta forma, foi solicitado aos alunos do 8ºano que realizassem um trabalho de grupo, partindo da leitura de uma notícia por eles escolhida (das devidamente apresentadas pelo professor) e apresentarem uma reflexão sobre a mesma. No que concerne à disciplina de História, foi pedido aos alunos de uma turma do 12º ano, a realização de um trabalho de grupo que consistia na elaboração da primeira página de jornal, cujo lema seria a atual relação entre os Estados Unidos e a Rússia. Uma vez que os alunos ao longo do ano letivo, ficaram a conhecer os motivos, as justificações, os conflitos e outros aspetos que levaram ao surgimento da Guerra Fria, iniciada no final da década de 1940 e terminada com a queda do Muro de Berlim, pretendiase que refletissem sobre a atual situação das relações entre Rússia e Estados Unidos, perante os atuais acontecimentos ocorridos na Ucrânia e, até mesmo, pela comemoração do 25º aniversário da Queda do Muro de Berlim, momento simbólico que assinala o fim da Guerra Fria. O trabalho proposto foi intitulado, Ser Diretor de um jornal por um dia, em que os alunos foram, em trabalho de grupo, os responsáveis pela redação da primeira página de um jornal, e para tal tiveram de fazer investigação, recolha e seleção de informação, tratamento da mesma, e por último a redação das notícias para a feitura da primeira página de um jornal. Pretendia-se que este trabalho fosse o incitar de uma consciência histórica, pois a melhor forma de compreender alguns dos acontecimentos, é o aluno assumir o papel de investigador na procura das suas próprias fontes, procurando respostas para os factos históricos que ocorrem ou ocorreram.
Página | 46 Podendo ser um importante elemento dinamizador na sala de aula, o jornal potencia os jovens para o gosto pela leitura, fomentando hábitos de leitura, aproximando os mais novos da atualidade, assim como o despoletar ou melhorar o espírito crítico e reflexivo. Neste sentido, não se pretende que as matérias sejam apenas aprendidas ou “ memorizadas”, mas sim que acompanhem os alunos na sua relação com o espaço e tempo onde estão inseridos, de forma a poderem ser agentes ativos na dinamização. 4.2. População e Amostra O inquérito por questionário é um instrumento de investigação que utiliza processos de recolha de dados, com vista a dar resposta a uma determinada questão. No entanto, é importante que antes da seleção da metodologia da recolha de dados, se tenha em conta o público-alvo a que se destina, pois é com base nesse conjunto de pessoas que os dados são reunidos e analisados, de acordo com o princípio da pesquisa. Esse público-alvo recebe o nome de população e constitui um conjunto de pessoas que apresentam características próprias: “ À totalidade destes elementos, ou das «unidades» constitutivas do conjunto considerado, chama-se «população», podendo este termo designar tanto um conjunto de pessoas como de organizações ou de objetos de qualquer natureza” (Quivy & Campenhouldt, 1995: 159) Neste caso, pretende-se compreender qual a relação dos alunos com as notícias, e ainda perceber em que medida, a elaboração de um trabalho de grupo tendo como suporte a investigação e análise de notícias, pode contribuir para a compreensão do tema em estudo. Neste sentido, procedeu-se à elaboração de dois inquéritos destinados a alunos da Escola Secundária Inês de Castro. Uma vez que a população não podia incluir todos os alunos da escola, não só por uma questão de economia de tempo mas também para se conseguir um tratamento de dados coerente e preciso, foi necessária a seleção de uma amostra. Assim, foram selecionadas duas turmas, uma do 8º. ano (Geografia) e outra do 12º.(História A). Logo, a amostra resume-se a 54 alunos no conjunto das duas turmas. A dimensão da amostra não deve ser excessiva mas adequada aos resultados que se pretendem, pois a partir de um conjunto limitado de manifestações é possível obter melhores resultados, do que através de uma análise detalhada de um universo muito alargado: “ De qualquer maneira, o campo de análise deve ser muito claramente cir-
Página | 47 cunscrito. Um erro muito frequente nos investigadores principiantes consistem em escolherem um campo demasiado amplo.” (Quivy & Campenhouldt, 1995: 158) Também é necessário que a amostra seja representativa da população, ou seja, que as unidades ou elementos que a constituem sejam escolhidos por um processo tal, que todos os membros da população tenham a mesma probabilidade de fazer parte da amostra. Uma amostra é dita representativa se as suas características se aproximam das do público - alvo. É de realçar a importância que representa não só pelas variáveis em estudo, mas também, por outros fatores suscetíveis de exercer alguma influência sobre as variáveis sociais, socioeconómicas ou culturais estudadas, como a idade, o sexo e a escolaridade. A representatividade avalia-se, comparando as médias da amostra com as da população-alvo: “A amostragem diz-se rigorosa se a amostra for uma parte representativa do universo inicial. Neste caso, os resultados obtidos para a amostra serão generalizados ao todo”. (Bardin, 1995:97) 4.3. Inquérito por Questionário O inquérito por questionário é um instrumento de investigação que utiliza processos de recolha sistemática de dados, com o objetivo de dar resposta, a um determinado problema. Normalmente, baseia-se numa série de questões que são colocadas a uma amostra representativa do grupo ou grupos que se pretende estudar: “O inquérito é uma técnica de investigação que permite a recolha de informação diretamente de um interveniente na investigação através de um conjunto de questões organizadas segundo uma determinada ordem. Estas, podem ser apresentadas ao respondente de forma escrita ou oral. É uma das técnicas mais utilizadas, pois permite obter informação, sobre determinado fenómeno, através da formulação de questões que refletem atitudes, opiniões, perceções, interesses e comportamentos de um conjunto de indivíduos” (Tuckman, 2000:517). O inquérito por questionário é um processo que várias ciências sociais, como por exemplo, a Sociologia, a Antropologia, e a Psicologia utilizam na prática da investigação empírica. Esta técnica apoia-se numa série de questões dirigidas a um conjunto de indivíduos, o que leva muitas vezes a considerarse que o inquérito por questionário é um caso particular da entrevista.
Página | 54 5.1.1. Inquérito Inicial: 8º. Ano – Geografia A turma da Escola Secundária Inês de Castro, a frequentar o 8ºano de escolaridade e que foi alvo de estudo, é constituída por 24 alunos, sendo a maioria do sexo masculino e a faixa etária mais representativa, compreendida entre os 13 e 14 anos. Demonstrou ser uma turma interessa e empenhada na descoberta dos conhecimentos geográficos lecionados, embora tenha sido durante o ano um pouco barulhenta e faladora. 8º ano (Geografia) Idades Sexo Masculino Sexo Feminino 13-14 17 4 15-16 - 3 No âmbito do presente trabalho de investigação, foi proposta à turma do 8ºano a realização de um inquérito por questionário, no sentido de se compreender até que ponto os alunos estão atentos às notícias da atualidade e, de que forma estas poderão servir como recurso didático, para a disciplina de Geografia. Assim, foi-lhes proposto o preenchimento de um questionário, constituído por dois grupos. O primeiro, incidiu sobre os elementos identificativos, estando estes divididos em quatros pontos (sexo, idade, escolaridade e disciplina). Quanto ao grupo dois compreende seis questões, com o objetivo de dar a conhecer a pertinência e a importância das notícias para alunos, bem como o impacto que poderão ter para o estudo das temáticas da disciplina de Geografia. Com a primeira questão, pretendia-se verificar em que medida os alunos acompanham e estão atentos às notícias da atualidade. Assim, constatou-se que os 24 inquiridos seguem as notícias, tendo todos respondido afirmativamente. Quadro 3: Distribuição por sexo e idade da turma do 8ºano na disciplina de Geografia.
Página | 55 Relativamente à segunda questão, refere-se aos tipos de notícia que suscitam maior interesse. Para isso, relativamente à natureza das notícias, os alunos confrontaram-se com seis opões de escolha (Política, Desporto, Cultura, Economia, Sociedade e Outros). Nesse sentido, perante as opções apresentadas, os alunos tiveram de as numerar segundo o nível de importância que lhes atribuíam, utilizando o 1 para a mais importante e o número 6 para a menos significativa. As notícias de caráter desportivo, são aquelas que despertam maior interesse por parte dos alunos, na medida em que dos 24 inquiridos, 14 responderam serem essas as que mais acompanhavam. O facto de as notícias de desporto serem consideradas pela maioria dos alunos da turma, como as de maior importância (ocupando o 1º lugar no nível de importância), deve-se principalmente, ao gosto que os jovens nutrem pelo desporto, pelos seus clubes e pelas suas individualidades. Ainda a realçar que dos restantes alunos, 5 consideraram que as notícias de maior importância, são as de caráter cultural, enquanto que para 2 são as notícias de âmbito social e, para apenas 1 aluno as notícias sobre política. As notícias que ocupam o segundo lugar, são as de natureza social e cultural, em que ambas foram selecionadas por 8 alunos, que as elegeram como as de segunda maior importância. O terceiro nível de importância é ocupado pelas notícias de caráter cultural e económico, escolhidas cada uma por 8 alunos. 100,00% 0,00% Q.1. 8º ano - Geografia Sim Não Quadro 4: Distribuição de resultados da questão 1 (Grupo II): Costumas acompanhar as notícias da atualidade? Geografia: 8ºano.
Página | 56 Em quarto lugar, aparecem as notícias de vertente económica, tendo sido selecionadas por 7 alunos. São as notícias de caráter político, que para 9 dos alunos inquiridos devem ocupar o quinto grau de importância. De realçar, que houve alguns alunos que não fizeram ordenação completa, quanto à preferência do tipo de notícias. Numa análise geral, verifica-se que os alunos desta turma do 8º ano, valorizam os fenómenos desportivos e sociais, em detrimento, principalmente da economia e da política. A terceira questão do questionário interroga os alunos sobre a forma de como têm acesso à informação vinculada nas notícias. Para tal, os alunos tiveram de selecionar duas das seis propostas (redes sociais (Facebook, Twitter), internet, jornais, rádio, televisão e outras). Segundo os resultados apurados, o meio de comunicação mais utilizado pelos jovens no acesso à informação, é a televisão, selecionada por 22 dos 24 inquiridos. As 1 2 3 4 5 6 Politica 1 0 3 4 9 5 Desporto 14 3 3 2 0 1 Cultura 5 8 8 3 0 0 Economia 0 4 8 7 4 0 Sociedade 2 8 3 6 4 0 Outros 0 0 0 0 4 4 0 2 4 6 8 10 12 14 16 Número de Alunos Nível de Importância Q.2. 8º ano - Geografia Politica Desporto Cultura Economia Sociedade Outros Quadro 5: Distribuição dos resultados da questão 2 (Grupo II): Ordem de Importância (1 a 6) do tipo de notícias. Geografia: 8ºano.
Página | 57 redes sociais são o segundo meio de acesso às notícias, escolhido por 11 dos inquiridos, seguido da internet com 10. Com uma frequência residual ou diminuta surgem os jornais e a rádio como órgãos de divulgação de informação, apenas selecionados por 2 e 1 alunos respetivamente. Devido à massificação das tecnologias de informação e comunicação, o acesso à informação tornou-se mais rápido, eficiente e atualizado ao minuto, colocando em crise os meios de comunicação clássicos, nomeadamente os jornais e rádio, que outrora eram os principais emissores de notícias. Quanto à quarta questão, interroga os alunos se consideram que de alguma forma, as notícias podem contribuir para o estudo dos conteúdos de Geografia, para além disso quer a resposta fosse afirmativa ou negativa, os inquiridos teriam de a justificar. Perante a análise dos resultados, verifica-se que 87.5% dos alunos da turma em questão, responderam afirmativamente, ou seja, consideraram as notícias uma importante fonte de informação a vários níveis ou áreas, nomeadamente no estudo da Geografia. Relativamente às justificações para a mesma questão, houve dois alunos que não o fizeram, mas de uma maneira geral, as respostas foram satisfatórias, sendo importante realçar algumas delas: “ Eu considero que estar a par das notícias contribui para o estudo das disciplinas, porque ajuda a perceber como é o país está evoluir na economia, cultura, etc”; “ As notícias sobre a cultura fornecem-me muito conhecimento que pode 22 1 2 10 11 0 0 5 10 15 20 25 Televisão Rádio Jornais Internet Redes Sociais Outras Q.3. 8ºano - Geografia Quadro 6: Distribuição de resultados da questão 3: De que forma tens acesso a essa informação? Geografia: 8º ano
Página | 58 87,50% 12,50% Q.4. 8º ano - Geografia Sim Não contribuir para a disciplina de História e as notícias de sobre a Economia e também sobre a sociedade dãome conhecimento para a disciplina de Geografia.”; “ Dá-nos a entender melhor as coisas, dá-nos informações que até podem ser utilizadas nas aulas”; “ Sim, porque quando a professora pergunta alguma coisa sobre um determinado assunto nós já estamos a par desse assunto, e se soubemos muito sobre isso estamos mais a vontade, participamos mais, acho que isso contribui para a aprendizagem”. Estas respostas, bem como algumas outras, mostram que bastantes alunos estão consciencializados no sentido de valorizarem as notícias, não só para estarem a par do que se passa ao seu redor, como também para ajudá-los na valorização do seu conhecimento e na melhoria da compreensão dos conteúdos curriculares. Apesar de tudo, dos alunos que consideraram que estar a par das notícias não contribuía, nem os ajudava no estudo de Geografia, apenas um apresentou uma justificação para essa opção: “As notícias não contribuem para o meu estudo de Geografia nem de História, porque várias notícias não fazem parte das disciplinas de Geografia e de História.” Para este e, outros com opiniões semelhantes, será importante incutir-lhes o gosto pela informação, nomeadamente pelas notícias, de forma a consciencializaremse na valorização das mesmas, pois estarem atualizados não só contribui para o enriquecimento do seu saber, como os ajuda a tornarem-se cidadãos consencientes, reflexivos e críticos. Quadro 7: Distribuição de resultados da questão 4: Consideras que estar a par das notícias contribui para o teu estudo das disciplinas de História e Geografia? Geografia: 8º ano
Página | 59 Relativamente à questão 5,ou seja, se os alunos utilizaram alguma vez a notícia como recurso de aprendizagem, perante as opções sim ou não, responderam afirmativamente 88% dos jovens. Em caso afirmativo, o questionário solicitava aos alunos que referissem em que disciplina ou disciplinas, utilizaram a notícia como recurso de aprendizagem. Como tal, a disciplina mais referenciada é a de Geografia com 13 menções, seguindo-se Ciências com 10 e, História com 7. Em situação oposta, encontram-se as disciplinas de Matemática, Educação Física e Físico-Química com uma referência cada uma. Por último, quanto à questão 6 referente à possibilidade de em próximas aulas se recorrer à exploração de notícias, a maioria dos alunos respondeu sim, com uma percentagem de 78%. No entanto, ainda 22 % dos alunos desta turma, consideraram as informações noticiosas não relevantes, ao ponto de serem alvo de investigação e estudo em aulas futuras. A realçar, que a opção tomada pelo inquirido deveria ser alvo de justificação, embora tenha havido 3 alunos que não o fizeram. Relativamente às justificações, é oportuno realçar algumas das mesmas, pois denotam vontade por parte dos jovens na potencialização da informação noticiosa, para a consciência geográfica e crítica: “Ficaria uma aula com mais ritmo, assim a turma iria gostar e ficar mais atenta a matéria que estamos a dar; “ Através das notícias, aprende12% 88% Q.5. 8ºANO - GEOGRAFIA Não Sim 7 1 8 13 1 10 1 0 2 4 6 8 10 12 14 Quadro 8: Distribuição de resultados da questão 5: Já utilizaste a(s) noticia(s) como recurso de aprendizagem? Se sim, em que disciplina? Geografia: 8º ano
Página | 60 mos melhor, porque é uma atividade diferente, mais cativante e iterativa”; “ Sim, porque assim tudo o que nós aprendemos a ver na televisão ou nos jornais, partilhávamos em conjunto”; “ Gostava que os professores falassem mais sobre notícias importantes, catástrofes naturais, tecnologia. Gostava que falassem de algo que contribua para o desenvolvimento do nosso país e de outros”. ´ 5.1.2. Inquérito Inicial: 12º. Ano – História Quanto à turma de História do 12ºano, alvo de investigação, da Escola Secundária Inês de Castro, é constituída por 30 alunos em que 26 são do sexo feminino e 4 do sexo masculino. Esta turma comportou-se sempre de uma forma extremamente empenhada e interessada, revelando uma excelente postura na sala de aula. 12º. ano História Idades Sexo Masculino Sexo Feminino 17-18 2 23 19-20 2 3 Quadro 9: Distribuição de resultados da questão 6: Gostavas que numa das próximas aulas o recurso de exploração de notícias fosse utilizado? Geografia: 8º ano 78% 22% Q.6. 8ºANOGEOGRAFIA Sim Não Quadro 10: Distribuição por sexo e idade da turma do 12ºano na disciplina de História.
Página | 61 À semelhança do que aconteceu com a turma do 8º. ano, foi proposto à do 12º o preenchimento do mesmo questionário, com o objetivo de se compreender qual a relação dos alunos com a notícia e, o contributo desta para o estudo dos conteúdos da disciplina de História. Assim sendo, após responderem às questões do primeiro grupo, referentes à Identificação, que tal como acima referido compreende quatro pontos, passaram às questões do segundo grupo. No que concerne à primeira questão relativa ao hábito ou não, de os alunos acompanharem as notícias da atualidade, 90.3% responderam afirmativamente, enquanto que os restantes 9.7% deram resposta negativa. À segunda questão sobre o tipo de notícias a que dão maior significado, os alunos num universo de resposta de seis opções (Política, Desporto, Cultura, Economia, Sociedade e Outros), colocaram-nas por ordem de importância, ou seja, numeraram de 1 a 6, em que a primeira seria para eles era a mais importante, e a 6ª aquela a que atribuíam menor significado. Na análise das respostas, verificou-se que o tipo de notícia a que a maioria dos alunos da turma do 12º ano dá maior importância, ou seja, coloca no primeiro nível, são as de caráter social, eleitas por 9 dos inquiridos. Seguem-se as notícias de âmbito desportivo e as de caráter cultural, ambas com 7 preferências. Para 4 dos alunos desta turma, são as notícias sobre política que merecem o principal destaque, enquanto que apenas 1 aluno elege as notícias de vertente económica. 90.32% 9.68% Q.1. 12º Ano - História Sim Não Quadro 11: Distribuição de resultados da questão 1 (Grupo II): Costumas acompanhar as notícias da atualidade? História: 12ºano.
Página | 62 O tipo de notícia que ocupa o segundo lugar, são também as de caráter social escolhidas por 11 dos 30 alunos da turma. Seguem-se as de natureza cultural, selecionadas por 7 dos inquiridos, as de desporto por 5, as de economia por 4 e, por fim, as notícias políticas com apenas 1 menção. O terceiro nível de importância indicado pelos alunos, é ocupado pelas informações de caráter cultural, com 7 alunos a procederem a esta seleção. Em quarto lugar, surgem as notícias de caráter político selecionadas por 11 dos inquiridos. Segundo os alunos da turma do 12º ano alvo de investigação, são as notícias de vertente desportiva, que ocupam o 5º nível de importância, tendo sido escolhidas por 7 dos inquiridos. Em último lugar, 7 dos alunos determinaram a opção Outras com o número 6, indicando um tipo de notícia diferente das contempladas no inquérito, como as de caráter tecnológico, ambiental e as de lazer. Ainda a referir, que alguns dos alunos não fizeram a numeração completa quanto ao grau de importância, atribuído aos diversos tipos de notícia e também, muitos dos inquiridos à frente da opção Outras não fizeram referência a quais. Destaca-se que no 12º ano, a preferência dos alunos quanto ao tipo de notícias incide sobre as de caráter social e cultural o que denota nesta fase de escolaridade, que há já uma maior preocupação ou valorização do património de todos nós, a cultura. 1 2 3 4 5 6 Politica 4 1 5 11 6 1 Desporto 7 5 5 2 7 2 Cultura 7 7 7 5 1 1 Economia 1 4 5 8 8 2 Sociedade 911 4 0 3 1 Outros 0 0 1 2 3 7 0 2 4 6 8 10 12 Número de Alunos Nível de Importância Q.2. 12ºano - História Politica Desporto Cultura Economia Sociedade Outros Quadro 12: Distribuição dos resultados da questão 2 (Grupo II): Ordem de Importância (1 a 6) do tipo de notícias. História: 12ºano.
Página | 63 Quanto à terceira questão do questionário, que interroga os alunos sobre de que forma têm acesso à informação, estes perante as seis opções (Televisão, Rádio, Jornais, Internet, Redes Sociais e Outras) tinham de selecionar apenas duas. Sendo assim, verificou-se que 21 dos inquiridos elegeram a televisão como o meio de comunicação preferido para o acesso à informação. Em segundo lugar, aparecem as redes sociais como meio de divulgação da informação (14), seguidas da Internet com 11. Com menor incidência no acesso à informação, estão a rádio e os jornais com 3 menções cada. Relativamente à questão 4, os alunos tiveram de referir se consideravam ou não, que estar atento e acompanhar as notícias contribuía para melhorar o estudo dos conteúdos da disciplina de História, tendo também que justificar a opção tomada. Perante as respostas, constatou-se que apesar de 80.7% dos inquiridos considerarem que estar a par das notícias e seguir a informação da atualidade, contribuía de alguma forma para a melhoria da qualidade da sua aprendizagem, ainda 19.3% dos alunos da turma do 12ºano, manifestaram-se negativamente quanto à utilidade das notícias para ajudar a melhorar o seu conhecimento. Para a mesma questão, é importante realçar algumas das fundamentações dadas, e referir ainda que houve cinco alunos que não justificaram a sua escolha: “ Ao nos encontrarmos a par das notícias da atualidade e conhecendo o que aconteceu no passado podemos fazer uma comparação, podendo aferir a evolução da História e encontrar pon21 3 3 11 14 0 0 5 10 15 20 25 Televisão Rádio Jornais Internet Redes Sociais Outras Q.3. 12ºano - História Quadro 13: Distribuição de resultados da questão 3: De que forma tens acesso a essa informação? História: 12º ano
Página | 70 A notícia que deveria ter sido alvo de análise é a seguinte: O grupo 4 era constituído inicialmente por cinco elementos, mas como um dos alunos pediu ao professor para fazer o trabalho individualmente, o grupo ficou com apenas quatro alunos. Quanto ao trabalho individual, o jovem acabou por não o realizar, alegando que não tinha computador em casa, nem ligação à Internet. À semelhança do caso anterior o professor estagiário pediu que o entregasse numa data posterior, mas uma vez mais tal não aconteceu. Quanto ao grupo, os seus elementos debruçaram-se sobre uma notícia de caráter internacional, relativamente à descriminação religiosa, sob o título Rebeldes islamitas do Cáucaso do Norte ameaçam Jogos Olímpicos de Sochi. Relativamente à primeira questão, os alunos identificaram o problema retratado na notícia: “É o conflito entre os islamitas do Cáucaso do Norte e da Rússia”. (Ver Anexo V) 2 Quanto à segunda tarefa proposta, não fizeram qualquer seleção de notícias sobre a mesma questão, mas fizeram uma reflexão sobre a mesma: “Os rebeldes islamitas 2 Os anexos V e VI refere-se aos trabalhos realizados pelos alunos relativos às notícias em questão. Podendo ser consultados no CD que acompanha o relatório. Exploração infantil caiu, mas ainda há 168 milhões a trabalhar O diretor geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Rider, alertou hoje para o facto de que ainda existem 168 milhões de crianças a trabalhar em todo o mundo, apesar dos esforços para a erradicação do trabalho infantil. Rider recordou que a meta internacional de acabar com o trabalho infantil até 2016 corre grave risco de não ser concretizada, o que será um grande "fracasso coletivo". O responsável da OIT falava na abertura da III Conferência Global sobre Trabalho Infantil, que decorre até quinta-feira em Brasília, citando números do último relatório da OIT sobre trabalho infantil, divulgado em Setembro. O mesmo relatório regista que desde 2000 houve uma redução de cerca de um terço da exploração do trabalho infantil no mundo. Guy Rider recordou que ainda persistem formas especialmente degradantes desse tipo de trabalho como a escravidão e a exploração sexual, "chagas ainda abertas em todas as regiões do planeta". O diretor da OIT recordou ainda que muitos países nem sequer assinaram as convenções internacionais sobre o tema e chamou a atenção para a importância de as metas e os planos serem seguidos até o fim. Fonte: dn.pt Quadro 19: Notícia retirada do Jornal Diário de Notícias (2013-09-23), no âmbito de um trabalho de grupo para a disciplina de Geografia do 8ºano – Diversidade Cultural
Página | 71 estão em conflito com a Rússia, porque os russos ocuparam o território em que os islamitas pretendiam criar um estado islâmico. Isto deve-se à diferença de religião entre os russos e os islamitas. Os conflitos por causas das religiões acontecem em todo o mundo e isto é um problema, porque há muitas pessoas a serem descriminadas por terem uma religião diferente da das pessoas do país onde vivem. Nós achamos que as pessoas deviam dar-se todas bem, independentemente da sua religião, da sua raça ou cor de pele, porque o mundo seria um sítio melhor, se assim fosse”. Após a reflexão, os elementos deste grupo apresentaram uma imagem retratando um atentado perpetrado pelas forças islâmicas a um autocarro. Quanto ao quinto grupo constituído por quatro elementos, debruçaram-se sobre a notícia com o título: Muro na Irlanda do Norte separa Protestantes de Católicos (Ver Anexo VI) Identificaram de uma forma bastante interessante e até adulta o problema, na medida em que elaboraram um texto suportado por um artigo de opinião. É oportuno citar alguns pontos desse artigo: “ […] A rivalidade destas querenças tem existido em várias décadas e tem vindo a intensificar-se nos últimos 40 anos com vários confrontos armados. Rebeldes islamitas do Cáucaso do Norte ameaçam Jogos Olímpicos de Sochi O movimento islamita radical do Cáucaso do Norte ameaçou realizar ataques em Sochi, local onde decorrerão os Jogos Olímpicos de Inverno. A ameaça surge num vídeo publicado esta segunda-feira num site jihadista. Com os jogos Olímpicos de Inverno à porta, realizam-se a partir de 7 de Fevereiro em Sochi, a estância balnear do Mar Negro que fica na extremidade ocidental das montanhas do Cáucaso, onde os rebeldes pretendem criar um Estado islâmico, a segurança tornou-se numa das principais preocupações das autoridades russas. O Comité Olímpico russo disse que todas as medidas de segurança foram já acionadas e que pouco mais se pode fazer para garantir a segurança dos jogos. Foram mobilizados quase 40 mil agentes de segurança para Sochi. "A nossa missão como organizadores é garantir a segurança dos participantes e dos espectadores, e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance", disse Vladimir Putin na sexta-feira numa entrevista a vários canais de televisão nacionais e internacionais. Fonte: Público.pt Quadro 20: Notícia retirada do Jornal Público (2014-01-20), no âmbito de um trabalho de grupo para a disciplina de Geografia do 8ºano – Diversidade Cultural
Página | 72 A rivalidade destas formas de fé é tão grande ao ponto de viverem em bairros separados, frequentarem hospitais e escolas distintas e até os mortos de ambas as religiões são enterrados em cemitérios diferentes. Quando as pessoas se encontram perante esta situação dizem que seria impossível ambas as culturas viverem num ambiente amigável e acham difícil acontecer no futuro”. Ilustraram o texto com uma imagem alusiva ao muro que separa os protestantes dos católicos na Irlanda do Norte. Relativamente à seleção de notícias do mesmo âmbito, este grupo não o fez, embora tenha elaborado uma reflexão sobre a notícia que lhe foi proposta pelo Professor estagiário. “Podemos constatar que a ocorrência desta divisão religiosa por uma muralha é muito semelhante à que ocorreu durante a 2ª Guerra Mundial, sendo que esta separação foi efetuada por razões políticas dividindo a Alemanha Ocidental da Alemanha de Leste, o que levou a vários conflitos armados abrangendo outros países. Pensamos que este problema de caráter religioso, que já levou a muitas mortes pode levar a ainda mais com uma possível queda do muro e, com mais conflitos que até podem afetar outros países do conjunto do Reino Unido e, para que isso não aconteça, A queda dos muros da Irlanda do Norte vai começar O governo da Irlanda do Norte, que junta representantes do Sinn Fein e do Democratic Union Party (DUP), apresentou na quinta-feira um plano para a demolição dos muros da paz construídos a partir de 1969 para separar os bairros católicos dos protestantes. Este plano integra um programa mais vasto que tem como objectivo criar um modelo verdadeiramente misto de sociedade. Será formalizado nesta sexta-feira na presença do primeiro-ministro britânico David Cameron, a tempo da cimeira dos oito países mais ricos do mundo, G8, que se realiza na Irlanda do Norte sob alto dispositivo de segurança por medo de novos confrontos sectários. Alguns desses muros têm oito metros de altura. Foram construídos em betão ou tijolo, alguns têm arame farpado, e servem de linha de separação dos bairros em cidades como Belfast, Derry, Portadown. Começaram a ser construídos em 1969 depois dos violentos motins entre as duas comunidades quando as marchas de civis que denunciavam a discriminação dos irlandeses católicos pelas autoridades (ligadas ao Reino Unido) foram violentamente reprimidas pela Royal Ulster Constabulary Police (RUC), forças policiais do território. Fonte: Público.pt Quadro 21: Notícia retirada do Jornal Público (2013-06-14), no âmbito de um trabalho de grupo para a disciplina de Geografia do 8ºano – Diversidade Cultural
Página | 73 cada um destes modos de fé tem que esquecer que são protestantes ou católicos, têm sim que pensar que são cristãos e que acreditam no mesmo Deus, cada modo de pensar deverá ser respeitado nas ideias em que estas formas de fé divergem. É um processo que pode levar alguns anos, mas com o apoio dos países à volta da Irlanda este problema, pode mais facilmente ser resolvido, sem qualquer conflito e de forma pacífica.” Esta reflexão foi acompanhada de um mapa com a imagem das duas Irlandas, embora não contemplasse a escala, o norte e a legenda. Ainda a realçar a existência de uma página referente à bibliografia. Ao último grupo, constituído por quatro elementos, coube a notícia com o título Mais oito cristãos mortos na Nigéria. Estes alunos identificaram o problema e apresentaram mais duas notícias sobre a mesma temática. A reflexão não foi tão crítica, mas sim descritiva, explicando um pouco sobre a situação da Nigéria e da sua população e tentando explicar as principais causas para o conflito religioso relatado na notícia acima: Estas notícias relatam um conflito religioso na Nigéria entre cristãos e muçulmanos. Constitucionalmente, a Nigéria é um Estado laico com liberdade religiosa em que cerca de 50% dos habitantes são islâQuadro 22: Notícia retirada do Jornal de Notícias (2012-01-07), no âmbito de um trabalho de grupo para a disciplina de Geografia do 8º ano – Diversidade Cultural. Mais oito cristãos mortos na Nigéria. Homens armados dispararam contra cristãos, na sexta-feira, matando pelo menos oito, num novo ataque a uma igreja em Yola, capital do estado de Adawama, nordeste da Nigéria. "Os cadáveres foram trazidos depois do ataque na igreja e recebemos entre oito e dez", adiantou fonte hospitalar à agência de notícias AFP. O ataque foi perpetrado em Yola, onde pelo menos 17 pessoas tinham sido mortas num anterior ataque contra cristãos, que se encontravam numa casa onde tinham ido visitar familiares de uma das pessoas mortas na quinta-feira por desconhecidos. A seita radical islâmica Boko Haram reivindicou, na sexta-feira, uma série de ataques contra cristãos, desde quinta-feira, de que resultaram pelo menos 28 mortos, anunciou Abul Qaqa, que já em outras ocasiões falou em nome do grupo. Fonte: jn.pt
Página | 74 micos e concentram-se mais na região norte, 40% são cristãos e estão maioritariamente na parte sul e 10% são de religião indígena. A população Nigeriana leva muito a sério a religião e muitos não aceitam as diferenças entre elas gerando constantes conflitos onde já morreram centenas quase milhares de pessoas. Cada vez mais existem perseguições e mortes. Estes conflitos acontecem também devido ao pouco desenvolvimento da população, á pobreza extrema em que grande parte vive e à falta de segurança deste país. Muitas vezes estas guerrilhas são fruto de disputas de recursos de naturais (principalmente o petróleo) e de terrenos. Existem também razões políticas. Na Nigéria os Estados não têm permissão para escolher uma religião. Entretanto, desde 1999, a lei islâmica, sharia, foi adotada em 12 Estados do norte. Alguns políticos do norte esperam que a introdução da sharia atraia uma significativa quantidade de grandes investidores de países árabes. Apesar da garantia de que essa controversa lei será aplicada, somente aos muçulmanos, os cristãos nigerianos e os ex-muçulmanos temem discriminação sob o regime legal”. De uma maneira geral, a realização deste trabalho correu de uma forma bastante satisfatória, uma vez que a maioria dos alunos mostrou interesse e empenhamento na sua realização. Realça-se que alguns grupos demonstraram espírito crítico e reflexivo perante os factos apresentados, enquanto outros se limitaram a fazer uma transcrição plena das notícias. Este trabalho conseguiu mostrar à maioria dos alunos a importância da notícia para o conhecimento, nomeadamente para o estudo da temática geográfica, Diversidade Cultural. Mas conhecer não basta, é preciso compreender, apresentar as causas, as consequências, pensar, refletir, relacionar, e a informação ajuda na criação de um pensamento crítico sustentado. Desta forma, evita-se que o ensino seja um processo mecanizado assente na memorização, privilegiando o conhecimento ativo assente na crítica e reflexão. Um jovem consciente e preocupado com o que acontece no mundo, será um jovem melhor preparado para se preocupar e consciencializar com o que se passa próximo de si, podendo tornar-se então um melhor cidadão: “O importante é aprender a manejar o Atlas, a saber procurar em vez de decorar, a desenvolver a curiosidade e o gosto de relacionar e de compreender. (Ribeiro,2012: 150)
Página | 75 5.2.2. Ser Diretor de um Jornal por um dia – História – 12º ano Relativamente à turma do 12º ano, alvo de investigação, foi-lhe proposta a realização de um trabalho de grupo, para a temática Viragem para uma outra Era, inserida na área disciplinar de História. Este trabalho, denominado Ser Diretor de um Jornal por um dia, consistiu em fazer com que os alunos assumissem o papel de jornalistas, criando as notícias para a primeira página de um jornal. (Ver anexo VII) Para a feitura do trabalho, a turma constituída por 30 alunos, foi dividida em sete grupos, quatro com cinco elementos, dois grupos com quatro, pois duas alunas preferiram fazer o trabalho em par. Tendo em conta os acontecimentos mais recentes na Ucrânia, tornou-se oportuno que o trabalho de grupo se debruçasse sobre o clima de tensão nas relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a Rússia. Assim, as notícias feitas pelos alunos deveriam incidir sobre essa questão, sendo os mesmos responsáveis pela escolha, seleção e tratamento da informação recolhida. No entanto, o professor estagiário aconselhou a que a primeira página tivesse uma ou várias imagens que ilustrassem a notícia. Após a conclusão do trabalho, os alunos tiveram de o entregar em suporte digital e papel no dia previamente marcado com o professor estagiário, que coincidiu com a apresentação dos mesmos. Essa apresentação foi totalmente da responsabilidade dos alunos, estando livres para usar a sua imaginação e criatividade. No que concerne à avaliação, teve em conta quatro parâmetros, como a reflexão crítica (40%), a redação (20%), a criatividade (10%) e, por fim, a apresentação (30%), sujeita a uma grelha de avaliação atitudinal dos alunos. O primeiro grupo constituído por cinco alunos colocou no cabeçalho da sua primeira página o nome do jornal: Bombas Históricas, seguido do título (Última Bomba Atómica da Guerra Fria foi desmantelada), de uma fotografia e do desenvolvimento da notícia que preenche a primeira página. A notícia incidiu sobre o desmantelamento bélico das superpotências, pois no período em que vigorou o clima de Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, a corrida ao armamento foi grande. Tendo sido já no período pósGuerra Fria, que a administração norteamericana do Presidente Barack Obama, procedeu ao desmantelamento da última bomba atómica.
Página | 76 Para a apresentação deste trabalho, os alunos recorreram à exposição da notícia em slide, comentando com os seus colegas os procedimentos e as razões da escolha daquela notícia. Quanto ao segundo grupo constituído por cinco elementos, elaborou a sua primeira página a partir do esboço da do Jornal SOL. Figura 2 – 1ª Página de um Jornal, criado pelas Alunos no âmbito do trabalho de grupo Ser Diretor de Jornal por um Dia – 12º ano – Disciplina de História.
Página | 77 As alunas colocaram no centro do cabeçalho o nome do jornal, à esquerda os seus nomes como membros da direção e à direita o preço das unidades monetárias dos países para os quais o jornal circula. Como manchete, o jornal apresenta uma notícia intitulada Teste balístico russo dispara dúvidas quanto à ordem mundial, acompanhada de duas imagens. A notícia faz referência à atual situação diplomática das relações entre Estados Unidos/ Rússia, suportada por uma perspetiva histórica dos acontecimentos. Esta primeira página ainda apresenta, um conjunto de pequenas notícias referentes a eventos e iniciativas que iriam ocorrer na Escola Secundária Inês de Castro. Figura 3 – 1ª Página de um Jornal SOL, criado pelas Alunos no âmbito do trabalho de grupo Ser Diretor de Jornal por um Dia – 12º ano – Disciplina de História.
Página | 78 Para a apresentação do seu trabalho, as alunas realizaram um vídeo, encarnando o papel de duas jornalistas, de uma repórter do canal Sol, de uma historiadora e de uma analista política. Recorreram a apelidos de pessoas ligadas ao mundo da comunicação social para fazer esta representação. Para a elaboração do seu trabalho, o terceiro grupo composto por cinco elementos, seguiu o esboço do jornal Expresso, colocando no seu cabeçalho o nome do mesmo. Figura 4 – 1ª Página de um Jornal Expresso, criado pelas Alunos no âmbito do trabalho de grupo Ser Diretor de Jornal por um Dia – 12º ano – Disciplina de História.
Página | 79 Como manchete decidiram escrever uma notícia sobre as relações entre Barack Obama e Vladimir Putin, sob o título O mundo perante um dilema: Bipolarização ou União?. A notícia faz referência à Guerra Fria como termo de comparação com a atual situação das relações entre a Rússia e os Estados Unidos, agudizadas pelo processo de anexação da Crimeia por parte do Exercito russo. Para ilustrar esta situação, os alunos escolheram uma imagem que evidencia o “mau estar “ entre os dois estadistas. Fizeram também uma notícia, acerca de um comentário de Obama relativo à atual situação. Da primeira página deste trabalho ainda constam algumas pequenas notícias, mas que não foram elaboradas pelos alunos, apenas selecionadas por eles. Para a apresentação deste trabalho, os elementos deste terceiro grupo fizeram uma pequena encenação em que dois dos elementos vestiram a pele de F.D. Roosevelt (Presidente dos Estados Unidos durante a 2ª Guerra Mundial) e Joseph Estaline (Líder máximo da União Soviética no período inicial da Guerra Fria), e em que comentavam a atual situação das relações entre Estados Unidos e Rússia, estabelecendo sempre um paralelismo com o tempo da Guerra Fria. Na segunda parte da sátira, participaram os restantes elementos do grupo, em que uma aluna fez de moderadora de um debate entre o Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama e Vladimir Putin, Presidente da Federação Russa. Neste debate, as alunas que encarnaram os papéis dos dois líderes mundiais, confrontaram-se relativamente à posição que os dois países ocupam na cena política internacional, nomeadamente no Médio Oriente, Afeganistão e na questão coreana. O trabalho realizado pelo grupo quatro, com o mesmo número de elementos, seguiu o esboço do jornal Expresso para a elaboração da sua primeira página, tendo colocado no cabeçalho o nome do mesmo jornal. A manchete criada pelos alunos foi denominada Um novo período de tensão entre os EUA e a Rússia, e faz alusão a um passado recente entre os Estados Unidos e a Rússia. Faz referência a algumas picardias entre presidentes, nomeadamente entre George W. Bush e Vladimir Putin e relata os acontecimentos mais recentes na Ucrânia, que fez arrefecer e muito as relações entre Washington e Moscovo. Por esse motivo, os alunos denotam através da notícia a preocupação de que o clima de instabilidade política entre os dois países possa aumentar e assim voltar-se a viver um clima de Guerra Fria. Além desta notícia, colocada na parte central da página, os alunos ainda criaram duas colunas de pequenas notícias acerca da atualidade nacional e internacional.
Página | 86 nunciá-las: “ Fez-me compreender melhor as diferentes culturas”; “Foi um trabalho que desenvolveu a nossa compreensão e retenção de informação a partir de uma notícia. Foi também um trabalho estimulante e agradável de ser feito.”; “ Sim, porque há muitos exemplos no mundo relacionados com a matéria do trabalho.”; “ Conseguimos entender melhor a matéria, é uma forma lúdica e interessante de aprender.”. A segunda e última questão do grupo dois interroga os alunos se consideram que o trabalho de grupo realizado anteriormente, contribuiu de alguma forma, para eles estarem mais atentos às notícias e compreenderem melhor os acontecimentos que ocorrem no país e no mundo. Perante esta questão, os jovens tiveram de selecionar a opção sim ou não e, independentemente da opção tiveram de justificá-la. Assim, 71% dos alunos consideraram que o trabalho realizado, contribuiu para futuramente estarem mais atentos às notícias, enquanto 29% não o consideraram relevante. De realçar, que apenas um aluno não apresentou qualquer justificação e que a maioria, referiu que o trabalho realizado, despertou uma maior consciencialização para os assuntos da atualidade: “Apercebi-me em diversos assuntos sobre as diferentes culturas e fez-me estar mais a par do mundo que não conheço.”; “Pois neste momento aia71% 29% Q.2. - 8ºAno - Geografia Sim Não Quadro 24: Distribuição de resultados da questão 2 (Grupo II): Tendo em conta, o trabalho realizado, irás estar mais atento às notícias da atualidade, para melhor compreenderes os acontecimentos que se passam no país e no mundo? Geografia: 8ºano.
Página | 87 contece.”;” Porque é muito importante saber e conhecer os assuntos tratados em todo o mundo, não só na atualidade como também no passado.”; Este trabalho despertou-me a atenção para os problemas e situações da atualidade”; “ Ajuda muito nas matérias abordadas e na compreensão das mesmas.”. Embora alguns alunos desta turma do 8 ºano de Geografia, tenha demonstrado um certo desinteresse na utilização da notícia como recurso didático, há a salientar que através da análise deste inquérito final, a maioria gostou da sua utilização e, pretenderá estar mais atento aos assuntos da atualidade. 5.3.2. Inquérito Final:12º. ano – História No que diz respeito à turma do 12º ano, também lhe foi entregue o mesmo inquérito final, com igual objetivo. Esse objetivo, era compreender até que ponto a realização do trabalho de grupo, contribuiu ou não, para estimular nos alunos o interesse pelas notícias, bem como, consciencializá-los para a importância da notícia não só como elemento de informação do que se passa no mundo, como também, uma importante fonte de conhecimento do passado. Perante estes pressupostos, todos os alunos (30 elementos) da referida turma, após o preenchimento dos elementos identificativos, consideraram que o trabalho de grupo realizado a partir de notícias contribuiu para uma melhor compreensão do assunto em estudo. Sim 100% Não 0% Q.1. - 12ºAno - História Sim Não Quadro 25: Distribuição de resultados da questão 1 (Grupo II): Consideras que a realização de um trabalho a partir de notícias contribuiu para uma melhor compreensão do assunto tratado? História: 12ºano.
Página | 88 Neste sentido, todos apresentaram uma justificação para a opção tomada, sendo importante referir algumas das respostas dadas: “É muito importante relacionar os tempos presente, passado e futuro, porque a História é muito importante.”; “ A associação que fizemos entre o passado e o presente levou-nos a reflexões críticas que nos ajudaram na compreensão do tema.”; “Na História um trabalho a fazer é sempre a pesquisa e a exploração de documentos, as notícias podem ser vistas como documentos.”; “ Através da análise das notícias acerca de uma determinado assunto, é possível assimilar todas as ideias e diferentes abordagens. Assim, depois do estudo de várias perspetivas, podemos conciliar os nossos conhecimentos.”; “ O tratamento da informação canalizando-a para elaboração de uma notícia revelou-se uma forma excelente de apreensão da matéria estudada. Este trabalho exigiu uma atenção redobrada aos factos.” Partindo para a segunda e última questão do grupo, ao analisar as respostas, constata-se que 93% dos alunos consideraram que o trabalho realizado, os motivou para futuramente passarem a estar mais atentos às notícias. No entanto, embora que mínima, ainda houve 7% que considera que o trabalho de grupo anteriormente efetuado, não irá contribuir para que no futuro estejam mais atentos à informação. 93% 7% Q.2. - 12ºano - História Sim Não Quadro 26: Distribuição de resultados da questão 2 (Grupo II): Tendo em conta, o trabalho realizado, irás estar mais atento às notícias da atualidade, para melhor compreenderes os acontecimentos que se passam no país e no mundo? História: 12ºano.
Página | 89 Todos os alunos justificaram a sua opção, sendo de realçar algumas delas: “Eu já via o telejornal e li jornais, mas com este trabalho, vou ainda estar mais atento”; “ Este trabalho impele-nos a estar mais atentos às notícias da atualidade uma vez que foi muito interessante confrontar situações para formar as nossas opiniões. Só conhecendo é que podemos refletir, discutir e formar pensamentos firmes e concretos.”; “Confesso que sim. Se esta pergunta fosse feita antes do trabalho em questão a minha resposta seria contrária. Mas agora percebo o encanto de algumas notícias.”; “ O trabalho realizado acentuou a importância das notícias, tão presentes nos nossos dias e sob tantas formas. Não poderá haver justificação maior que explique a falta de procura pela informação.” A partir deste inquérito, pode concluir-se que o trabalho de grupo, acerca da realização de uma primeira página de jornal, sobre o tema A tensão entre os EUA e a Rússia na atualidade, atingiu em grande parte, os seus objetivos. Pois, ao levar os alunos ao encontro das notícias, despertou-lhes a atenção para as mesmas, mostrou-lhes a sua importância estimulando-lhes o gosto e o interesse pela informação, não só como forma de conhecimento da atualidade, mas também como elemento didático, para a compreensão de muitos dos acontecimentos históricos.
Página | 90 "A cultura, sob todas as formas de arte, de amor e de pensamento, através dos séculos, capacitou o homem a ser menos escravizado." (André Malraux) 6. Considerações Finais A realização do presente trabalho de investigação, do qual resulta o atual Relatório de Estágio, permitiu que se suscitasse a curiosidade e o espírito crítico dos alunos. Porventura, a feitura destes trabalhos poderá ter lançado “pontes” para que no futuro, os alunos,adquiram ou reforcem, o gosto pela leitura de jornais e os motive,inclusivé para a participação dos alunos no jornal da escola, O Desalinhado. Tendo em conta, os trabalhos realizados no 8ºano na disciplina de Geografia e no 12º ano em História, foi possível constatar que houve reflexão crítica e um reforço maior dos conhecimentos apreendidos, com esta modalidade de aprendizagem. As disciplinas de Geografia e História são as principais àreas do Currículo Nacional, que possibilitam reflexão, crítica e debate, permitindo uma maior consciencialização dos alunos para a valorização do espaço onde estão inseridos, que sofreu ao longo do tempo modificações.A adoção de um ensino voltado para a valorização das competências ou aptidões dos jovens é indispensável para a formação de cidadãos, com pensamento crítico e reflexivo. A Geografia e a História não devem ser àreas disicplinares assentes num processo taylorista de mecanização intlectual dos jovens. Não se limitam aos bancos da escola, são parte integrante de uma sociedade, de um país e do mundo. A compreensão dos fenómenos de transformação permite uma melhor sociedade, e é na escola, que começa um projeto chamado Cidadania que tem um longo alcance, a vida.Os jovens devem preservar o património, a cultura e o tempo, esses recursos inesgotáveis de energia que homens e mulheres fizeram e fazem em busca de um mundo melhor, essa fonte chamada História. Estes são valores indissociáveis à construção da identidade. Ainda a realçar, que este tema em relação à História e Geografia, já tem um estudo muito avançado e desenvolvido no Brasil. Em Portugal, vão-se dando os primeiros passos com a existência de alguns trabalhos neste sentido, mas é importante que os futuros investigadores em educação, nomeadamente educação geográfica e histórica, realcem ou até mesmo potencializem, a relação entre estas duas disciplinas (em conjunto ou individualmente) e a sociedade. A cidadania não se limita à maioridade, mas a uma parte genética do ser humano
Página | 91 7. Bibliografia 7.1. Fontes bibliográficas Almeida,J.F. e Pinto, J.M. (1976). A investigação nas ciências sociais. Lisboa: Editorial Presença. Andrade, J. M. (1961). O Armistício de 1918. Figueira da Foz: Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás. Ávila, P. (2008). Os Contextos da Literacia: Percursos de Vida, Aprendizagem de Competências-Chave dos Adultos Pouco Escolarizados. Disponível em: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/5521.pdf Bardin, L. (1995). Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70. Bell, J. (2008). Como realizar um Projeto de Investigação. Lisboa: Gradiva. Beltrão, L. e Nascimento, H. (2000). O desafio da Cidadania na Escola. Lisboa: Editorial Presença. Blache, V. D. (1954). Princípios da Geografia Humana, Introdução – Significado e objeto da Geografia Humana. Porto: Edições Cosmos. Bloch, M. (2002). – Apologia do Historiador ou o Oficio do Historiador. Disponível em: http://minhateca.com.br/najadocio/Galeria/bloch-m-apologia-dahistc3b3ria,29816177.pdf Castilho, J. M. T. (2000). A ideia de Europa no Marcelismo (1968-1974). 1. ed. Lisboa: Coleção Parlamento. Cruz, C.H.C.(1994). Ajudando seu aluno a estudar. Brasília: Revista de Educação. Delors, J. (Org.) (1996). Educação um Tesouro a Descobrir. Porto: Asa. Dovifat,E. (1959). Periodismo. México: Union Tipografica Editorial Hispano Americana. Eco, U. (1993). Interpretação e sobre interpretação. Lisboa: Editorial Presença. Faria,M.A.O.(1996). Como usar o jornal na sala de aula. São Paulo: Contexto Freitas, E.; Casanova, J. L. e Alves, N. A. (1997), Hábitos de Leitura: Um Inquérito à População Portuguesa, Lisboa: Dom Quixote. Gonçalves,J.C.B. (2008). Jornal escolar: da periferia ao centro do processo educativo. Disponível em: http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/5sopcom/article/view/175 Goodman, K. (1985). Unity in reading. In H.Singer & R. Ruddell (eds.), Theoretical models and processes of reading (3º ed.). Newark : International Reading Association. Guimarães, I.V. (2003). Ensino de Geografia, professores e a relação escola/tv. Boletim paulista de geografia. Associação dos geógrafos brasileiros. nº79. São Paulo.
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Página | 94 INE (2012). XV Recenseamento Geral da População: Resultados Definitivos – Região Norte. INE. http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOE Spub_boui=156638623&PUBLICACOESmodo=2 OCDE (2009). PISA2009 Assessment Framework - Key Competencies in Reading, Mathematics and Science. Paris: OCDE. (PDF) http://www.oecd.org/pisa/pisaproducts/44455820.pdf OCDE (2013). PISA2012: Portugal - Primeiros Resultados. Paris: OCDE.(PDF) http://www.projavi.mec.pt/np4/%7B$clientServletPath%7D/?newsId=64&fileName=PI SA2012_PrimeirosResultados_PORTUGAL.pdf UNESCO (1990). Declaração Mundial sobre Educação para Todos. Nova Iorque: UNESCO. (PDF) http://www.dhnet.org.br/direitos/sip/onu/educar/todos.htm
Página | 95 8. Anexos (No respetivo CD que acompanha o Relatório de Estágio estão os anexos) Índice dos anexos contidos no CD Anexo I – Inquérito Inicial – Geografia 8º ano / História 12º ano. Anexo II – Inquérito Final – Geografia 8º ano / História 12º ano. Anexo III – Distribuição dos trabalhos de grupo - 8º ano – Geografia.·. Anexo IV – Exemplo de uma notícia entregue a um Grupo - Geografia - 8º ano Diversidade Cultural. Anexo V – Trabalho do Grupo 4 - Rebeldes islamitas do Cáucaso do norte ameaçam Jogos Olímpicos de Sochi. - Geografia - 8º ano Diversidade Cultural. AnexoVI – Trabalho do Grupo 5 - Muro na Irlanda do Norte separa Protestantes de Católicos - Geografia - 8º ano Diversidade Cultural. Anexo VII – Objetivos do Trabalho de Grupo - Ser Diretor de jornal por um dia - História - 12º ano. Anexo VIII – Grelha de Observação de Avaliação Atitudinal - 12º ano – História.
Muro na Irlanda do Norte separa Protestantes de Católicos Belfast a capital da Irlanda do Norte encontra-se neste momento dividida entre aqueles que acreditam no catolicismo e pelos que depositam a sua fé no protestantismo. Para marcar esta separação encontra-se um extenso muro com mais de 15 metros de altura chamado de “linha da paz” que separa dois dos bairros do Norte da Irlanda. A rivalidade destas querenças tem existido a várias décadas e tem vindo a intensificar-se nos últimos 40 anos com vários confrontos armados. A rivalidade destas duas formas de fé é tão grande apesar de viverem em bairros separados frequentam hospitais e escolas distintas e até os mortos de ambas religiões são enterrados em cemitérios diferentes. Quando as pessoas se encontram interrogadas com esta situação dizem que seria impossível ambas culturas viverem num ambiente amigável e acham-no difícil de acontecer no futuro.
Reflexão da Notícia Podemos constatar que a ocorrência desta divisão religiosa por uma muralha é muito semelhante à que que ocorreu durante a 2ª Guerra Mundial, sendo que esta separação foi efetuada por razões política dividindo a Alemanha de Leste da Alemanha Democrática, o que levou a vários conflitos armados abrangendo outros países. Pensamos que este problema de caráter religioso, que já levou a muitas mortes pode levar a ainda mais com uma possível queda do muro e com mais conflitos que até podem afetar outros países do conjunto do Reino Unido, e para que isso não aconteça cada um destes modos de fé tem que esquecer que são ou protestantes ou católicos têm sim que pensar que são cristão e que acreditam no mesmo deus, cada modo de pensar deverá ser respeitado nas ideias em que estas formas de fé se divergem. É um processo que pode levar alguns anos mas com o apoio dos países em volta da Irlanda este problema pode, mais facilmente ser resolvido sem qualquer conflito e de formas pacífica. Trabalho realizado pelo Grupo 5
História A - Ser Diretor de Jornal Por um Dia 12º ano Tema: A tensão entre os EUA e a Rússia na Atualidade Objetivo do Trabalho: Através de uma série de notícias previamente selecionadas pelos alunos irão debruçar-se sobre esse tema, e fazer a primeira capa de um jornal nacional. Essa capa terá de contemplar uma imagem alusiva ao texto a apresentar, título e texto que deverá ser elaborado pelos alunos tendo em conta as notícias selecionadas. Jornal: Expresso ou Sol ou criado pelos Alunos Composição dos Grupos: 5 elementos Entrega e Apresentação: 4 de Junho de 2014 (Quarta – Feira) em suporte digital e papel. Avaliação: 70% (40 % Reflexão Crítica; 20% Redação; Criatividade 10%) : 30 % (Apresentação do Trabalho) Figura 1: Primeira Página do Jornal Expresso
Grelha de Observação de atitudes da Apresentação do Trabalho de Grupo: Ser Diretor por um dia 12ºAno - História 4 de Junho de 2014 – História A – Escola Secundária Inês de Castro Legenda: Atitudes Grupos Reflexão Empenho Criatividade Postura Interesse Total Grupo I A B C D E Grupo II F G H I J Grupo III K L M N O Grupo IV P Q R S T Grupo V U W V X Grupo VI Y A.1 B.1. C.1. Grupo VII D.1. E.1. Total Demonstra Demonstra Pouco Não demonstra Demonstra Bastante