O que os jovens consomem nos Jornais on-line
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Nataly Nascimento de Lima O que os jovens consomem nos jornais online Dissertação realizada no âmbito do Mestrado em Ciências da Comunicação - Estudos dos Media e Jornalismo, orientada pelo Professor Doutor Paulo Frias. Faculdade de Letras da Universidade do Porto Setembro de 2015
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3 O que os jovens consomem nos jornais online Nataly Nascimento de Lima Dissertação realizada no âmbito do Mestrado em Ciências da Comunicação – Estudos dos Media e Jornalismo, orientada pelo professor Doutor Paulo Frias da Costa Membros do Júri Professora Doutora Suzana Margarida Dias dos Santos Faculdade de Economia - Universidade do Porto Professora Doutora Ana Isabel Crispim Mendes Reis Faculdade de Letras - Universidade do Porto Professor Doutor Paulo Frias da Costa Faculdade de Letras - Universidade do Porto Classificação obtida: 16 valores
4 Dedicado a Deus, família e amigos.
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6 Sumário Agradecimentos……………………………………………………………………....…8 Resumo………………………………………………………………………………… 9 Abstract………………………………………………….………………………….... 10 Índice de ilustrações…………………………………………….…………………..... 11 Índice de quadros…………………………………………….……………………..... 13 Introdução……………………………………………….………………………….... 14 Capítulo 1 - O advento da internet………………….…………………………........ 17 Capítulo 2 - Breve panorama do jornalismo online………………………………. 20 2.1. O jornalismo online em Portugal……………………….………………… 22 2.2. O jornalismo online no Brasil…………………………………….……… 25 Capítulo 3 - Recursos do jornalismo online…………....……………………….….. 27 3.1. Hipertexto…………………………..……….…………………....……… 36 3.2. Áudio…………………………………………………………....……..… 37 3.3. Galeria de Imagens………………………………………………....…….. 38 3.4. Vídeo………………………..…………………………………........…… 39 3.5. Interatividade………………………..……..……..……………...….…… 41 3.6. Coleta de dados e feedback……….……………………………….......… 42 Capítulo 4 - Pesquisa de campo: o público jovem e o jornalismo online nas cidades do Porto e de São Paulo…………………………………………………………....… 44 4.1. Os objectivos da pesquisa……………………………………………..…. 45 4.2. Amostragem……………………………………………………..……..… 45 4.3. As hipóteses……………………………….……………………....…...… 47 4.4. Metodologia da pesquisa………………….……………………..………. 47 4.4.1 Inquéritos e respostas obtidas…………………..…….….…….. 50 4.5 Análise dos dados…………………………………………………....…… 51 4.5.1. Portugal…………………………………………………....…… 51 4.5.2. Brasil…………………………………………………....…....… 64 4.6 Conclusões da pesquisa……………………...…………………....…....… 78 Considerações finais……………………………………………………..…………. 81
7 Referências bibliográficas………………………...……………………..…………. 87 Anexos…………………………………………………………………………...…… 91 Anexo 1. ………………………………………………………….……...…… 91 Anexo 2. ……………………………………………………………….……. 103
8 Agradecimentos Agradeço ao corpo docente, em especial ao orientador deste trabalho, professor doutor Paulo Frias, pelo apoio no processo da realização da tese e ao longo do meu percurso académico no Mestrado em Ciências da Comunicação - Estudos dos Media e Jornalismo. Parte fundamental do incentivo para a realização deste curso e finalização da tese veio essencialmente dos mais chegados, dentre eles familiares e amigos, os quais me ajudaram a concluir esta etapa tão importante em minha trajetória. Agradeço também aos colegas de classe, que em conjunto ajudaram em minha integração na faculdade desde o início e assim permaneceu até o final, assim como agradeço a todos os que colaboraram com este projecto de pesquisa, quer seja com recomendações sobre obras, metodologias de pesquisas de mercado e estatísticas, ou por meio das próprias respostas aos inquéritos realizados.
9 Resumo Esta pesquisa tem como principal objectivo mostrar um panorama do cenário actual dos jornais que transitaram do meio off-line para online e seu impacto junto a portugueses e brasileiros que se enquadram no perfil de jovens universitários no Porto (Portugal) e em São Paulo (Brasil). Para fundamentar este trabalho académico buscou-se recorrer a estudos relevantes sobre a temática do jornalismo online em ambos os cenários e as transformações que este sofre constantemente, a presença das redes sociais e como elas têm servido de plataforma para recolha de informações e partilha destas pelos usuários, por vezes substituindo também os próprios sites dos jornais. Para esclarecer questões relacionadas aos hábios de consumo destas informações por esse público, como preferências e assiduidade, realizou-se uma pesquisa de campo a fim de coletar dados que indicassem a realidade do presente momento. Após serem recolhidos, os dados foram analisados e dali extraídas possíveis conclusões sobre a temática e indicativos de extrema importância sobre o futuro do jornalismo online. Dentre as respostas obtidas, algumas indicaram que há um consumo frequente de informações jornalísticas por parte dos jovens da amostra, muitas vezes por meio de redes sociais, mas uma pré-indisposição ao pagamento de conteúdos jornalísticos online, salvo se feitos de forma personalizada. Palavras-chave: jornalismo online, jovens, redes sociais, Porto, São Paulo
16 Facebook, também foram feitas algumas considerações sobre como este tipo de plataforma tem se posicionado de modo a querer assumir a função que é hoje dos jornais online e de outros portais que reúnem informações jornalísticas. Por fim, buscou-se refletir sobre os pontos mais importantes discutidos ao longo de todos os capítulos, a fim de levantar possíveis soluções para os problemas que o jornalismo online tem enfrentado nos dias de hoje.
17 Capítulo 1 - O advento da internet Para perceber o surgimento do jornalismo online, antes é preciso olhar para o passado, para o momento em que algo essencial para a configuração do cenário tecnológico actual foi viabilizado: a internet. Pode-se dizer que o marco inicial da internet, como se conhece hoje, deu-se por meio da Arpanet, rede de computadores montada pela Advanced Research Projects Agency (ARPA), em 1969. A rede foi criada com o intuito de possibilitar melhores recursos de pesquisa para alcançar uma superioridade estadunidense em relação à União Soviética (CASTELLS, 2003: 13). Ainda no fim dos anos 60, mais precisamente em 1969, surgem também os primeiros serviços que permitiam sociabilizar dados: a tecnologia dial-up. Concomitantemente ao lançamento do serviço comercial de conexão à internet surgiu o CompuServe, o primeiro e-mail, em 1971, e o sistema Bulletin Board System (BBS), que utilizava linhas telefónicas para transmitir dados. Em conjunto com a Arpanet, estas invenções prepararam o ambiente para que uma nova revolução acontecesse. Após serem criados alguns nós que ligavam as universidades de Stanford, Los Angeles, Santa Barbara e de Utah, nos Estados Unidos, passou-se a trabalhar na possibilidade de ligar a rede Arpanet a outras redes de computadores, o que automaticamente levou a um conceito de “rede de redes” (CASTELLS, 2003: 14). Para tanto, era necessário um protocolo padronizado que permitisse uma comunicação entre as mesmas, o que foi possível em 1973, por meio do projecto TCP (transmissioncontrol protocol), mais tarde TCP/IP, proposto por Robert Kahn e Vincent Cerf. Segundo Machuco, o TCP foi “uma consequência do conceito de redes de computadores enquanto estruturas acentradas, polimórficas, abertas e em constante expansão” (ROSA, 2008: 111). Em 1980, Berners-Lee desenvolve o programa Enquire, que permitia que por meio de uma rede de computadores uma pessoa pudesse obter e acrescentar informações de qualquer computador ligado à internet: HTTP, MTML e URI (que mais tarde viria a ser o URL) (CASTELLS, 2003:18). Berners-Lee desenvolveu também um programa editor de hipertexto que chamou de world wide web (WWW), lançado em 1991.
18 Em 1985, a America Online (AOL) disponibilizou ferramentas pelas quais os usuários podiam criar perfis virtuais, onde era possível escrever sobre si mesmo, trocar informações, criar comunidades e fóruns de discussão dos mais diversos assuntos. Este marco, em conjunto com o primeiro sistema de mensagens instantâneas desenvolvido alguns anos depois, seria muito importante mais tarde para sinalizar os primeiros passos das redes sociais. Com o passar dos anos, a rede Arpanet veio a ficar obsoleta, deixando de estar sob controlo do ambiente militar em que surgiu (então nomeada MILNET), e a ser substituída por outras redes comerciais mais abrangentes, sendo que a parte da rede que se tornou pública ficou conhecida de facto como internet. O avanço desta rede em conjunto com o grande desenvolvimento dos hardwares, nomeadamente dos computadores domésticos, possibilitou que cidadãos comuns também pudessem experimentar estas novas tecnologias. Com um salto já para a transição dos anos 90 para os 2000, vê-se um cenário no qual a internet já alcança grande parte das casas e escritórios. Daí em diante não tardou muito para os media de comunicação tradicionais verem a necessidade de se reinventar e acompanhar estas mudanças que estavam a interferir na comunicação entre os cidadãos e destes com os próprios media. Ali, o leitor, telespectador e/ou ouvinte começava a deixar de ser meramente passivo na relação de comunicação (emissor - canal - recetor) e passava a poder interagir de alguma forma com o conteúdo, com quem o produzia e, mais futuramente, a começar a produzir seu próprio conteúdo e disponibilizá-lo para grandes públicos, exclusividade antes que era apenas dos grandes media de massa. Nos dias actuais, a internet tem se popularizado e seu acesso facilitado. Em Portugal, por exemplo, estudos da ANACOM indicavam que dos 10.401,1 milhões de portugueses 1 , 2,75 milhões de tinham acesso fixo à internet em 2014 e 4,5 milhões seriam utilizadores que acediam à internet por meio de banda larga móvel 2 . No Brasil, 1 Dados da PORDATA. Consultado em 15 de abril de 2015. Disponível em: https://www.pordata.pt/Portugal 2 Dados da ANACOM, referentes ao 3º trimestre de 2014. Consultado em novembro de 2014. Disponível em: http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1339942
19 estimativas da Emarketer indicavam que dos mais de 202 milhões de brasileiros 3 , 107.7 milhões já teriam acesso à internet em 2014, o que representaria mais de 50% da população total do país 4 . Em ambos os cenários, no qual grande parte das populações passa a ter condições de acesso à internet, é natural que os media de comunicação online possam ser mais buscados e ter mais relevância do que os media baseados em suportes mais tradicionais. É a fim de refletir e verificar questões como essas que este trabalho estará centrado daqui em diante na temática do jornalismo realizado na internet, o jornalismo online. 3 Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Consultado em 22 de abril de 2015. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/paisesat/ 4 Consultado em 22 de abril de 2015. Disponível em: http://www.emarketer.com/Article/Latin-AmericanInternet-Audience-Nears-310-Million/1011667
20 Capítulo 2 - Breve panorama do jornalismo online Após o advento da internet e com o avanço tecnológico a possibilitar a existência de computadores para uso doméstico, aos poucos, a asperidade do papel-jornal foi substituída pela tela do computador, que aos poucos, tem sido substituída também pela dos smartphones e tablets. Inicialmente, viu-se na internet apenas uma possibilidade de complemento e extensão dos meios analógicos, sem substituir o que era tradicional por algo mais inovador. Daí surge então o “ciberjornalismo”, “jornalismo digital” ou mesmo “jornalismo online”, esta, a terminologia adotada neste trabalho de pesquisa para se referir à pratica do jornalismo na internet. Em sua essência, o jornalismo online se refere a publicações na web produzidas por jornalistas, pelo menos no mundo ideal, tão capacitados quanto os que trabalham nos media de comunicação tradicionais, porém com algumas habilidades técnicas extras, requeridas no meio online. A migração do jornalismo para o meio online se deu por volta dos anos 90, nos Estados Unidos, quando os computadores e a internet também passaram por uma fase de popularização, como visto anteriormente. O primeiro jornal a ganhar um versão online foi o San Jose Mercury News, em 1994. A princípio, as notícias continuaram tais quais as impressas, sendo na maioria dos casos uma mera cópia para o digital, mas o hipertexto veio para começar a distinguir um meio do outro. O texto deixou de ser apenas uma superfície e ganhou dimensões e profundezas diferentes. A leitura deixou de ser linear e sequencial e o leitor passou a decidir o que iria ler primeiro e até que ponto, sempre podendo retornar à página inicial, onde a navegação começou ou clicar em uma determinada hiperligação que o levaria a outra página do mesmo ou outro assunto. Nesta configuração, o leitor também passou a poder recorrer a mecanismos de busca e interação e, em muitas páginas, também a outros formatos para além do texto, nomeadamente os vídeos, infográficos, galerias de imagens, podcasts, entre outros. Ao pensar nestas inúmeras facetas que o jornalismo pode assumir e nas interações que pode provocar no usuário, segundo Eric Meyer, citado por Hall (2001: 89), o jornalismo online seria fundamentado em três pilares: “profundidade, alcance e
21 interacção”, não sendo a forma que determina a notícia, em contrapartida ao pensamento de Marshall McLuhan quando afirma que “o meio é a mensagem”, em obra intitulada desta mesma forma (MCLUHAN, 1969). Apesar de no campo teórico existirem pontos de vista diferentes sobre como um meio interfere no conteúdo transmitido, é facto que o jornalismo online tem a vantagem de não se limitar como o jornalismo feito para jornais, revistas, rádio ou televisão. Isso se deve à multipluralidade que a internet, podendo assim ser utilizada a maneira mais interessante e atraente para a notícia, inclusive englobar diversas características dos meios analógicos. Sobre o diferencial do jornalismo online com relação às outras formas de jornalismo, Pavlik afirma que os jornalistas deveriam utilizar “em pleno as possibilidades online para criarem melhores, mais completas e contextualizadas reportagens. Não obstante, a tecnologia torna possível o conteúdo noticioso melhorado” (PAVLIK, 2001: 170). No entanto, apesar desse caráter multifacetado do jornalismo online, adiante se verá que muitos media online se conformaram apenas em reproduzir versões mais enxutas dos conteúdos utilizados primeiramente no impresso, no noticiário, no programa de rádio, etc. Sobre o conceito em si, Pollyana Ferrari defende a ideia de que o jornalismo online agruparia os jornais que transitaram do meio off-line para a internet. Já os que foram originados neste ambiente integrariam o jornalismo digital (FERRARI, 2003: 41). De forma semelhante, Canavilhas trata o jornalismo online como sendo o tipo de jornalismo que migrou do impresso, da TV e do rádio, mantendo as mesmas características, acrescentando-se recursos como hiperligações e, por vezes, espaço para comentários nas notícias (CANAVILHAS, 2006: 2). O conceito de jornalismo online é muito difundido em especial em obras académicas produzidas na língua inglesa. É o caso de Pavlik, que faz comparação entre o jornalismo online e uma biblioteca. Com este exemplo, o autor afirma que acaba por ser óbvio o motivo pelo qual o número de pessoas que buscam notícias na internet não para de crescer:
22 “Imagine a library that carries the equivalent of 4,925 daily newspapers from all over the globe. Stop imagining: it’s here. The Internet provides more news content than that every day, most of it free” (PAVLIK, 2001: 28). Mark Deuze defende que há quatro tipos de jornalismo online. O primeiro englobaria portais de notícias mais tradicionais, com conteúdo editorial e com grande parte das características do jornalismo tradicional, como é o caso da BBC e da CNN. O segundo tipo de jornalismo online seria referente a índices e sites de categorias, como os buscadores, por meio dos quais os jornalistas podem pesquisar conteúdos e utilizá-los por meio de hiperligações. O terceiro tipo seriam os sites que abordam temáticas relacionadas ao jornalismo propriamente dizendo, como o European Journalism Center Medianews, e os sites de comentários. O quarto e último seria o tipo de jornalismo online que diz respeito a sites de partilhas e discussões, ou o que ele define como “group weblogs” (DEUZE, 2003: 208). Quando se trata da nomenclatura, há autores que consideram ainda que o termo jornalismo online é muito limitante, preferindo assim nomes como “webjornalismo” ou mesmo “ciberjornalismo”, como defende Fernando Zamith (2008) como sendo um dos termos mais abrangentes para definir essa prática que é realizada no ciberespaço por ciberjornalistas (ZAMITH, 2008: 26). A questão é que são muitas as definições e conceitos, sendo que com o passar do tempo se torna comum ver muitos deles a cair em desuso. Neste trabalho adotou-se o termo jornalismo online essencialmente por ser comum chamar de “online” aquilo que está na internet. Além do mais, os jornais analisados nas fases práticas deste trabalho de pesquisa são media originados no impresso que ganharam versões online, indo ao encontro de algumas definições utilizadas por alguns estudiosos. Tendo em conta este panorama e de modo a fazer um recorte dentro do campo do jornalismo online, deste ponto em diante esta pesquisa será direccionada para questões relacionadas ao histórico e cenário actual do jornalismo online em Portugal e no Brasil. 2.1. O jornalismo online em Portugal
23 Em sua obra sobre os meios de comunicação social portugueses, Tânia Soares discorre sobre as fases do jornalismo online em Portugal, defendendo que este teria passado de 1995 a 2003 por uma fase de conscientização da necessidade de se criar interfaces eletrónicas pelas quais o público poderia interagir com os conteúdos e também com seus produtores (SOARES, 2006: 1-2). Esta primeira década do jornalismo online em Portugal será ainda segmentado em fases menores em outras obras a serem citadas a seguir. Para Helder Bastos (2011), o surgimento do jornalismo online em Portugal pode ser dividido em três momentos: o da “implementação (1995-1998), o da “expansão ou boom” (1999-2000) e a da “contracção” (2001-2010)” (BASTOS, 2011: 1). De modo a marcar o inicio da primeira fase, surge em 26 de julho de 1995 a versão online do Jornal de Notícias, sendo este o primeiro site de um jornal generalista a estar disponível na internet (GRANADO, 2002). A partir deste momento surge uma espécie de “fé” na tecnologia, por assim dizer, pois foram muitos os media que decidiram investir no online mesmo sem se saber bem como, por que e aonde aquilo iria os levar. Após a estreia do Jornal de Notícias na internet, o Público lança-se no meio online em 22 de setembro do mesmo ano e passa também a disponibilizar suas edições diárias na internet (antes o fazia apenas de forma esporádica). Em geral, o conteúdo não era preparado para o meio digital, era apenas copiado e publicado da mesma forma que a impressa. Apenas em 1999 que começou-se a produzir conteúdo especialmente voltado para a versão online na secção “Última Hora”. Ainda neste ano, em dezembro, surge a versão online do Diário de Notícias. Devido à necessidade de pessoas dedicadas exclusivamente ao online, aos poucos, os meios de comunicação foram destacando pessoas da equipa de funcionários para ficar com tais responsabilidades, sendo o Jornal de Notícias também o primeiro jornal a ter uma redacção com jornalistas dedicados a tempo integral ao jornalismo online (BASTOS, 2011: 4). Neste período surgem ainda mais versões online, como foi o caso do Correio da Manhã em março de 1998, e até mesmo de jornais exclusivamente online, como o Setúbal na Rede (www.setubalnarede.cspsi.pt), o pioneiro, acompanhado do Diário
24 Digital e Portugal Diário (GRANADO, 2002). É neste momento que os sites de jornalismo online que já existiam passam a ter produções dedicadas especialmente à web, como foi o caso do Público, que também nesta altura passou a disponibilizar conteúdo pagos. Nesta fase passa-se a dar importância às atualizações 24h por dia, a princípio de segunda a sexta. Da mesma forma que levou tempo para que os jornalistas se adaptassem ao meio digital, mais tempo ainda levou para o jornalismo online virar tema de debate nas universidades portuguesas, sendo a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa a primeira a inserir o tema numa disciplina específica do curso de Ciências da Comunicação, no ano de 1999/2000 (BASTOS, 2007: 2). Esse optimismo em relação ao meio digital marca a fase do boom, ou expansão. Este cenário impulsionou o jornalismo online para o terceiro período, o da contracção, no qual quebra-se o encanto criado entre os anos de 1999 e 2000 e os cortes espalham-se pelas redacções, culminando numa “bolha” com uma série de páginas na internet, muito investimento financeiro e pouco retorno, o que desencadearia uma crise nos media e até o fechamento de jornais online, como o 24 Horas e o Global Notícias (BASTOS, 2011: 8). Dando um salto para os últimos anos, surgem ainda jornais online, como o ionline e, mais recentemente, o Observador, em 20014. Baseado na divisão de Pavlik (2001), que define três fases do jornalismo online, onde primeiro o conteúdo é replicado do impresso, depois pensado especificamente para o online, mas só na terceira é que são aproveitadas as potencialidades multimidiáticas da internet, Canavilhas defende que o jornalismo online português dos últimos anos estaria ainda estagnado no segundo estágio (CANAVILHAS, 2005: 2). Este momento é definido pelo autor como uma fase de desenvolvimento, na qual ainda é feita uma “espécie de jornalismo de agência, ao qual se juntam hipertexto, arquivo, artigos de opinião e a possibilidade de contactar os jornalistas” (CANAVILHAS, 2006: 2). Nos próximos capítulos poderá se ter uma noção se houve alguma mudança no ano de 2015 referente à situação do jornalismo online em Portugal ou se a observação de Canavilhas ainda reflete a realidade actual.
25 2.2. O jornalismo online no Brasil Assim como ocorrido com o jornalismo online em Portugal, no Brasil a prática se tornou possível após o avanço tecnológico dos computadores e também do advento da internet. Apesar de serem levados em consideração os experimentos do Grupo Estado nos anos 80 com o projecto Notícias do Futuro, do Massachussetts Institute of Technology - MIT, foi apenas em maio de 1995 que surgiu na internet aquele que é considerado o primeiro jornal online do país, o Jornal Brasil. Logo em seguida surge a versão online do jornal O Globo (FERRARI, 2003: 27). Mais tarde, a Agência Estado, do Grupo Estado, lança sua versão online. Nos capítulos seguintes deste trabalho será possível ver como esta e outras agências de notícias mantêm uma forte presença no jornalismo online brasileiro devido à utilização recorrente de seus conteúdos de forma quase inalterada, tendo-se, por vezes, apenas o trabalho de alterar o título e acrescentar alguns recursos multimidiáticos, como imagens e hiperligações. Os jornais Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e o Zero Hora conquistam seu espaço na internet ainda em julho de 1995. Nesta altura ainda se levava muito pouco em consideração a questão da atualização diária ou até mesmo em tempo real. O Zero Hora, por exemplo, tinha sua versão online atualizada apenas uma vez por semana (PALACIOS, GONÇALVES; 1997: 5 - 6). Em abril de 1996 já surgem portais jornalísticos de origem totalmente digital, sem precedentes no meio impresso, como é o caso do BOL e do UOL, do Grupo Folha, que posteriormente seriam reunidos num só, intitulado UOL. Esses conglomerados que foram surgindo na história da imprensa brasileira Polyana Ferrari define como os “barões da internet”, que dominavam o cenário da comunicação social dos anos 90 (FERRARI, 2003: 27). Em 1998, o primeiro blogue na língua portuguesa surge, o Diário da Metrópole, de Renato Pedroso Junior, onde relatava suas experiências sobre a capital paulista 5 . O 5 Fonte: http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/-populacao-comum-ganhou-acesso-ainternet-em-1995-20090927.html
32 Quadro 3.2.: Editorias trabalhadas nos jornais online da amostragem brasileira. Fonte: produção própria. A partir de então, viu-se que os dez jornais online, mesmo que com nomenclaturas diferentes, estavam a trabalhar temáticas muito semelhantes. Quanto a algumas potencialidades da internet no jornalismo online, poderá ser visto nos quadros a seguir que atualmente estes media ainda deixam por desejar e têm se mantido essencialmente restritos ao uso do texto e da fotografia, enquanto outras características talvez mais úteis dentro de uma notícia têm sido deixadas de lado. É o que relatavam já alguns autores quando afirmaram que “as potencialidades menos aproveitadas são as três consensualmente consideradas mais importantes: interatividade, hipertextualidade e multimedialidade” (BASTOS; ZAMITH, 2012: 41). Facto esse que segundo estes mesmos estudiosos poderia ser justificado por “um menor interesse por (ou conhecimento / desenvolvimento de) linguagens hipermédia” (BASTOS, ZAMITH; 2012: 41). Nas trinta notícias analisadas notou-se que grande parte do conteúdo era apenas uma reprodução do que era disponibilizado por agências de notícia e outras fontes. É isso que constatam Helder Bastos, Helena Lima e Nuno Moutinho em “A influência da Internet na imprensa portuguesa”: “com deadlines apertados, tendem a concentrar o trabalho em tarefas de copiar e colar em vez de escreverem artigos próprios”. (BASTOS, ZAMITH; 2012: 70). É o que seria um “empacotamento” de notícias, como aborda Pollyana Ferrari, ao relatar que neste meio se tornou comum aproveitar o conteúdo das agências de notícia, muitas vezes apenas tendo o trabalho de mudar o título, acrescentar foto, hiperligações, entre outros (FERRARI, 2003: 46). Sendo assim, estas observações refletiram claramente na grelha abaixo, na qual se pode ver algumas características das quinze notícias analisadas nos jornais online portugueses.
33 SITES NOTÍCIAS ANALISADAS EDITORIA MÉDIA DE PALAVRAS HIPERLIGAÇÃO IMAGEM ÁUDIO VÍDEO http://www.cmjornal.xl.pt/ De Gea falha transferência para o Real Madrid Desporto 134 X O avião-fantasma para Faro Insólitos 102 X PSD afirma que dados do INE confirmam recuperação económica Política 218 X http://www.jn.pt/ Treinador do Benfica diz que "é um jogo de 5050" com o F. C. Porto Desporto 120 X Ultraleve aterra de emergência País 81 Encontros Mágicos com novidades na cartola Cultura 567 X http://www.publico.pt/ Colapso do Citius continua sem explicações um ano depois Sociedade 1967 X X “Grandes” arrumam a casa sem abusar do livro de cheques Desporto 964 X A noite em que Kanye West anunciou que é candidato a president Cultura Ípsolon 61 X X http://ionline.pt/ Foi você que pediu um cartaz menos aborrecido? Portugal 1946 X Portugal emite três mil milhões Dinheiro 375 X
34 em títulos de dívida a sete anos “Getúlio” domina nomeações para o grande prémio do cinema brasileiro Cinema 401 X http://www.dn.pt/ Mais de uma centena de tribunais estão a 100 km das populações Portugal 314 X McDonald's recusa proposta da Burger King Economia 175 X X O Jovem Prodígio T. S. Spivet Cartaz 424 X X Quadro 3.3.: Características das notícias analisadas nos jornais online portugueses. Fonte: produção própria. De forma não muito diferente, a pouca exploração da maioria dos recursos multimidiáticos também foi notada nos jornais online brasileiros pertencentes à amostragem, com destaque sempre à imagem. SITES NOTÍCIAS ANALISADAS EDITORIA MÉDIA DE PALAVRAS HIPERLIGAÇÃO IMAGEM ÁUDIO VÍDEO http://www.folha.uol.com.br/ Dilma sanciona desoneração da folha e veta alíquota para setor de vestuário Mercado 517 Para Dilma, FHC quis pegar carona nos protestos ao pedir sua renúncia Política 403 X Laila Garin, que viveu Elis Regina no teatro, perdeu papel no filme por causa de 'Babilônia' Televisão 74 X
35 http://oglobo.globo.com/ Dilma pede a Temer que retome articulação política, mas vice recusa Brasil 354 X Preocupação fiscal pesa e faz dólar chegar a R$ 3,762, renovando máxima em 12 anos Negócios e Finanças 1099 X Cristiano erra preparo do filé Wellington e é eliminado do 'MasterChef' TV 181 X http://www.estadao.com.br/ Dilma Rousseff é reeleita presidente do Brasil Política 276 X Corinthians ganha mais uma e Inter goleia no Brasileirão. Veja os gols Esporte 111 X Filme ‘O Agente da U.N.C.L.E.’ consegue unir EUA e URSS em plena Guerra Fria Cinema 899 X X http://www.agora.uol.com.br/ Manifestantes testam força em protestos contra Dilma Brasil 112 X X Timão abre sete pontos na frente Esporte 116 Gato despenca do 4º andar e é salvo Nas ruas 137 http://www.diariosp.com.br/ Em post, Pato indica que permanece no Tricolor Esporte 195 X X
36 Interior de São Paulo adota racionamento de água Viva 641 X Descubra por que o Onix é o mais vendido do Brasil Automóveis 327 Quadro 3.4.: Características das notícias analisadas nos jornais online brasileiros. Fonte: produção própria. Abaixo pode ser vista uma breve análise de algumas características analisadas nos jornais online acima citados. 3.1. Hipertexto Ao analisar as características das trinta notícias dos jornais online portugueses e brasileiros, fica claro que mesmo as hiperligações foram subestimadas (encontradas apenas em quatro notícias do total), uma vez que a maioria dos casos não apresentava referências a outros conteúdos que complementassem a temática abordada (foram excessão uma notícia do Público e uma notícia do Diário de São Paulo). Em contrapartida, foram encontradas hiperligações que convidavam o usuário a ler mais sobre o assunto na versão impressa do jornal (vide imagem 3.1.), o que poderia indicar um certo desprezo por parte dos próprios jornalistas em relação ao poder de informação que a internet tem. Notou-se também que os textos que possuiam hiperligações possuiam entre 400 e 1.900 caracteres.
37 Imagem 3.1.: Exemplo de hiperligação utilizada para convidar o usuário a ler o conteúdo na íntegra na versão impressa, seguido do botão de partilha no Facebook. Fonte: www.dn.pt. Dentre essas novas funcionalidades possibilitadas pelo meio online, o hipertexto deveria merecer mais destaque por possibilitar profundidade ao texto comum (algo díficil de se realizar no impresso sem textos demasiados longos) e permitir que o leitor complemente a leitura do texto inicial com outros conteúdos em diversos formatos por meio de hiperligações. 3.2. Áudio Imagem 3.2.: Exemplo de rádio online, outro recurso multimedia pouco explorado nos jornais online actuais. Fonte: www.estadao.com.br.
38 O áudio também é uma ferramenta poderosa no jornalismo. As rádios, por exemplo, não caíram em desuso com o advento dos meios digitais, pelo contrário, foi apenas absorvida e dividida em diferentes formatos, tais como as rádios online e os podcasts. O primeiro, uma versão digital do que já era feito nas estações de rádio analógicas. O segundo, um novo recurso que por vezes é utilizado como meio principal para comunicar algo de um tema específico, ou então de forma auxiliar, para complementar um texto, uma galeria de imagens, etc. Apesar de ser um recurso multimedia muito útil, é possível que este seja dos menos explorados no jornalismo online nos dias de hoje. Dos dez sites analisados, por exemplo, encontrou-se apenas uma rádio online, no site do Estado de São Paulo, e nenhum exemplo nos sites portugueses analisados. Podcasts e outros recursos de áudio não foram encontrados em nenhuma das notícias analisadas. Estes resultados vão ao encontro do estudo de Ana Isabel Reis (BASTOS; ZAMITH, 2012: 52), sobre o facto de que nem mesmo as páginas online de estações de rádios portuguesas exploram o “hiper-áudio”, um áudio que faria ligações a outros áudios (BASTOS, ZAMITH; 2012: 45). 3.3. Galerias de imagens
39 Imagem 3.3.: Exemplo de galeria de imagens, recurso frequentemente utilizado nos jornais online. Fonte: www.ionline.pt. As galerias de imagens não necessariamente exigem recursos digitais ou internet para existir. Seria possível imprimir uma série de fotografias num jornal tradicional, no entanto, é um recurso extremamente relacionado ao meio digital. Além de ilustrarem mais do que uma única imagem, elas retêm o usuário por mais tempo nas páginas e faz com que este tenha de aceder a um número maior de páginas dentro de um portal de notícias, o que é positivo para determinados modelos de negócio, publicidade e marketing. Nos sites analisados, por exemplo, foram encontradas tanto notícias que dentre textos e imagens isoladas também continham galerias de imagens, como notícias que eram apresentadas somente por meio de um slideshow, como é o caso da notícia do ionline com título “Foi você que pediu um cartaz menos aborrecido?”, da editoria nacional. 3.4. Vídeo
40 Imagem 3.4.: Vídeos são cada vez mais explorados nos jornais online. Fonte: www.jn.pt. O vídeo não poderia deixar de existir no jornalismo online. Recurso cada vez mais utilizado pelos sites de notícias e cada vez mais consumido pelos usuários de internet, é um dos formatos multimedia em que mais se investe no momento e para o futuro próximo. Segundo estimativas da Corporate Social Responsability Report 2014-2019 6 , o vídeo representará 80% de todo consumo de tráfego da internet, 64% a mais do que a realidade encontrada em 2014. Apesar de estudiosos considerarem que o conteúdo em vídeo é o que tem maior impacto nos utilizadores da web, por serem mais atractivos ou interessantes (CANAVILHAS, 2009: 159), as respostas obtidas da amostragem enalteceram não este formato multimedia, mas sim as galerias de imagens, que em geral, associam-se ao texto escrito para passar uma informação para o usuário. Nos jornais analisados também foi constatado o uso de vídeos principalmente em assuntos mais leves, como é o caso do desporto. Isto foi observado em notícias como a do site do Estado de São Paulo, em “Corinthians ganha mais uma e Inter goleia no Brasileirão. Veja os gols”. 6 Consultado em 25 de agosto de 2015. Disponível em: http://www.cisco.com/c/en/us/solutions/collateral/service-provider/ip-ngn-ip-next-generationnetwork/white_paper_c11-481360.html
41 3.5. Interatividade A interatividade se dá de diversas formas no jornalismo online. Para citar alguns exemplos, através do meio digital é possível que uma notícia em formato tradicional de texto ilustrado com uma fotografia seja transformada numa espécie de linha do tempo, onde se pode inserir vídeos, áudios e hiperligações, além de ser possível criar pontos de interação com cada um dos recursos, a fim de gerar inúmeras possibilidades de leitura que não apenas a linear tradicional. Nas trinta notícias analisadas não se encontrou um exemplo significativo deste recurso, mas para se ter uma ideia é possível citar o especial sobre os 100 anos da Primeira Guerra do jornal online Estado de São Paulo 7 , que funciona como um imenso infográfico interativo, com muitos dos recursos multimedia citados acima e separados em secções, ligadas por hiperligações. Imagem 3.5.: Infográfico do Estado de São Paulo sobre os 100 anos da I Guerra Mundial. Fonte: www.estadao.com. 7 Consultado em 25 de agosto de 2015. Disponível em: http://infograficos.estadao.com.br/public/especiais/100-anos-primeira-guerra-mundial/
48 Devido à dificuldade em encontrar dados fiáveis sobre quais poderiam ser os sites jornalísticos generalistas com maior influência sobre os jovens universitários nestes locais, viu-se a necessidade de partir de parâmetros mais consolidados, por isso, optouse por seleccionar jornais generalistas diários impressos, de grande circulação, que também tivessem uma versão online. Destes foram excluídos os jornais impressos gratuitos ou de linha editorial muito díspar, para se ter um grupo mais coeso. Sendo assim, os jornais seleccionados e as análises feitas no capítulo 3 foram também utilizados para a realização desta pesquisa de campo. Ao analisar os rankings encontrados em ambas as fontes sobre circulação e tiragens (APCT e IVC), teve-se o cuidado em inquirir alguns estudantes universitários de ambos os locais para saber se os jornais diários impressos que estavam nas primeiras posições do ranking de facto tinham algum impacto sobre a amostra, o que levou a um resultado afirmativo para uns e negativo para outros. Como os dados disponibilizados pela APCT se encontravam em rankings bimestrais, foram somados os dados de circulação dos jornais de cada bimestre, para que fosse possível ter um ranking anual, como o encontrado para a escolha dos jornais de São Paulo. Por fim, foram seleccionados para o inquérito da cidade do Porto os seguintes jornais: JORNAL GENERALISTA DIÁRIO CIRCULAÇÃO MÉDIA MENSAL (2014) VERSÃO ONLINE Correio da Manhã 114.744 http://www.cmjornal.xl.pt/ Jornal de Notícias 63.091 http://www.jn.pt/ Público 30.629 http://www.publico.pt/ Diário de Notícias 17.430 http://www.dn.pt/ Jornal i 4.194 http://ionline.pt/ Quadro 4.4.: Jornais online portugueses escolhidos para a amostragem da pesquisa de campo. Fonte: produção própria. Para a pesquisa na cidade de São Paulo, as análises foram baseadas essencialmente nos seguintes jornais:
49 JORNAL GENERALISTA DIÁRIO CIRCULAÇÃO MÉDIA MENSAL (2014) VERSÃO ONLINE Folha de S. Paulo 351.745 http://www.folha.uol.com.br/ O Globo 333.860 http://oglobo.globo.com/ O Estado de S. Paulo 237.901 http://www.estadao.com.br/ Agora São Paulo 93.714 http://www.agora.uol.com.br/ Dário de S. Paulo 41.439 http://www.diariosp.com.br/ Quadro 4.4.1.: Jornais online brasileiros escolhidos para a amostragem da pesquisa de campo. Fonte: produção própria. Como visto no capítulo 3, todos os dez jornais online foram analisados a nível de temáticas mais abordadas, densidade do conteúdo (se os textos eram curtos, médios, longos) e os formatos multimedia mais encontrados (imagens, som, vídeo, infográfico, etc.). A partir desta análise, foi possível mapear realidades do jornalismo online actual tanto no Porto como em São Paulo e daí foram extraídos exemplos que seriam posteriormente apresentados aos sessenta jovens entrevistados de ambas localidades. Após esta etapa do trabalho, foram elaborados dois inquéritos com a mesma estrutura, porém com adaptações para cada um dos públicos. Um foi direcionado para a amostragem em Portugal e outro para a amostragem no Brasil. Para a recolha de informações utilizou-se a ferramenta de formulários do Google, Google Forms, na qual foi necessário acrescentar algumas questões extras para evitar falhas técnicas de validação de respostas e de sequência das perguntas realizadas. Para a verificação de que os inquéritos estavam bem formulados e responderiam às necessidades previamente mapeadas, antes da divulgação oficial do inquérito realizou-se um pré-teste com 10% do total de casos que seriam estudados, ou seja, três portugueses estudantes do Ensino Superior na cidade do Porto e três brasileiros estudantes do Ensino Superior na cidade de São Paulo. Após alguns ajustes necessários devido a limitações da ferramenta utilizada, os inquéritos foram realizados de forma oficial e encerrados apenas quando foram preenchidas todas as cotas necessárias ou o tempo limite disponível para a recolha de dados foi atingido.
50 Ambos inquéritos foram divulgados a antigos colegas de universidade e conhecidos para que, por sua vez, pudessem divulgar a actuais estudantes do Ensino Superior com grande probabilidade de se enquadrar no target da pesquisa. É importante ressaltar que esta pesquisa foi realizada de modo não probabilístico por cotas, por ter se recorrido a contactos e conhecidos destes para chegar até o número de entrevistados necessários para que todas as segmentações fossem preenchidas da forma mais equilibrada possível (SAMARA, BARROS, 2007: 161). Apesar deste método não ser conclusivo por falta de mecanismos estatísticos que calculem a margem de erro, essa foi a melhor metodologia encontrada diante às circunstâncias e dificuldades que envolveram a realização desta pesquisa. A metodologia adoptada e as diretrizes para a definição das cotas das amostragens foram baseadas no conteúdo do livro “Pesquisa de Marketing: conceitos e metodologia” de Beatriz Santos Samara e José Carlos de Barros, partindo do pressuposto que o jornalismo online é um serviço e o público jovem é o consumidor em análise. 4.4.1 Inquéritos realizados e respostas obtidas Os inquéritos elaborados (vide anexos 1 e 2) foram respondidos por cento e trinta e oito pessoas, no entanto, já estava previsto que seriam seleccionados apenas trinta respondentes portugueses, de 16 a 30 anos, estudantes do Ensino Superior na cidade do Porto, e trinta respondentes brasileiros, de 16 a 30 anos, estudantes do Ensino Superior na cidade de São Paulo. A amostragem sofreu esta redução prevista previamente para atingir cotas com diversas características presentes nestes universos e permitir que a análise dos dados obtidos fosse feita com mais qualidade no tempo disponível. A seguimentação em Portugal foi a seguinte: Grupo POR-1: De 16 a 20 anos (10 entrevistados) Grupo POR-2: De 21 a 25 anos (10 entrevistados) Grupo POR-3: De 26 a 30 anos (10 entrevistados)
51 No Brasil ocorreu da mesma forma: Grupo BRA-1: De 16 a 20 anos (10 entrevistados) Grupo BRA-2: De 21 a 25 anos (10 entrevistados) Grupo BRA-3: De 26 a 30 anos (10 entrevistados) Devido à dificuldade em encontrar um parâmetro socioeconômico único entre Portugal e Brasil, recorreu-se aos valores dos salários mínimos de cada país, apenas para mensuração do poder aquisitivo de cada amostra. No momento da realização da pesquisa o salário mínimo português encontrava-se em €505 mensais 12 e o brasileiro em R$788,00 13 . Tanto no Brasil como em Portugal, os participantes foram segmentados em grupos dos que os rendimentos per capita equivaliam a: a. Zero (sem rendimentos); b. Até um salário mínimo nacional; c. Mais de um salário mínimo nacional, até dois; d. Mais de dois salários mínimos, até quatro; e. Mais que quatro salários mínimos. 4.5. Análise dos resultados De modo a separar os resultados obtidos a partir do estudo de campo realizado junto a cada amostra, os dados coletados podem ser vistos de forma separada nos subcapítulos seguintes e, posteriormente, é possível ver a conclusão tirada a partir de ambos os resultados. 4.5.1. Portugal 12 Dados da Porto Data. Consultados em abril de 2015. Disponível em: http://www.pordata.pt/Portugal/Sal%C3%A1rio+m%C3%ADnimo+nacional-74 13 Dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Consultados em abril de 2015. Disponível em: http://portal.mte.gov.br/sal_min/salario-minimo.htm
52 Segundo dados da PORDATA, em 2014 eram 362.200 os alunos matriculados em Ensino Superior em Portugal, sendo a maioria do sexo feminino 14 . Para o estudo de campo realizado junto a uma parcela deste público, de forma centralizada na cidade do Porto, foram analisadas as respostas de trinta portugueses que responderam ao inquérito, dentre os quarenta e dois que aceitaram participar e estavam a frequentar o Ensino Superior em alguma faculdade da cidade do Porto. Quando perguntados sobre suas ocupações, 90% dos entrevistados declararam apenas estudar no momento da pesquisa e apenas 10% trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Faixa Etária Imagem 4.5.1: Amostragem de Portugal dividida por faixas etárias. Fonte: produção própria. Os entrevistados foram escolhidos de forma a preencherem as três cotas de idade previamente estabelecidas: de 16 a 20 anos (dez participantes), de 21 a 25 (dez participantes), de 26 a 30 (dez participantes). Na amostra, encontrou-se a proporção de 57% jovens mulheres e 43% jovens homens. 14 Consultado em abril de 2015. Disponível em: http://www.pordata.pt/Portugal/Alunos+matriculados+no+ensino+superior+total+e+por+sexo-1048
53 Moradia Imagem 4.5.1.1.: Local de residência dos entrevistados em Portugal. Fonte: produção própria. Quando questionados sobre o local de moradia, quinze dos trinta entrevistados informaram residir na cidade do Porto, em zonas como: Antas (1), Baixa (4), Boavista (2), Cedofeita (1), Francos (1), Foz (1), Lapa (1), Paranhos (3) e Ramalde (1). Os outros quinze entrevistados informaram morar fora da cidade do Porto, porém aos arredores: Ermesinde (2), Espinho (1), Matosinhos (3), Mouriz (1), Oliveira do Douro (1), Vilar de Andorinho (1), Valongo (2), Rio Tinto (1), Gaia (1), e Regufe (1), Paredes (1). Áreas de estudos e nível de formação Os entrevistados informaram ser estudantes de duas universidades localizadas na cidade do Porto, nomeadamente: a. Instituição Privada: Universidade Católica Portuguesa (cinco entrevistados). b. Instituição Pública: Universidade do Porto (vinte e cinco entrevistados).
54 Os níveis do Ensino Superior que estavam a frequentar eram variados, de forma que o quadro obtido foi o seguinte: ● 40% estavam na graduação ● 53% estavam no mestrado ● 7% estavam no doutoramento Os estudantes estavam distribuidos em diversas fases de sua formação, estando 13% no 1º ano de curso, 43% no 2º ano de curso, 27% no 3º ano de curso, 3% no 4º ano de curso e 13% no 5º ano de curso. A nível de área de formação, verificou-se que a amostragem era essencialmente da área de humanidades: ● 3% da área de Ciências Biológicas (Odontologia) ● 10% da área de Ciências Exatas (Engenharia Civil, Ciências Contábeis) ● 87% da área de Ciências Humanas (Som e Imagem, Estudos Artísticos - Teoria e Crítica de Arte, Ciências da Comunicação, Artes plásticas, Gestão, Cinema e Audiovisual, Marketing, Relações Internacionais, Jornalismo, Hitória, Português Língua Não Materna). Rendimentos Imagem 4.5.1.2.: Rendimentos per capita da amostragem em Portugal. Fonte: produção própria.
55 Ao relembrar que 90% dos entrevistados declararam apenas estudar no momento da pesquisa e apenas 10% trabalhar e estudar ao mesmo tempo, verificou-se também que o rendimento médio per capita mensal igual a zero foi a opção mais mencionada pelos entrevistados (60%). Segmentada de acordo com as três faixas etárias do estudo, o quadro obtido foi o seguinte: De 16 a 20 anos de idade: ● 10 entrevistados desta faixa etária declararam não ter renda. ● 1 entrevistado declarou ter renda mensal per capita de até um salário mínimo nacional. ● 1 entrevistado declarou ter renda mensal per capita em torno de três a quatro salários mínimos. De 21 a 25 anos de idade: ● 6 jovens desta faixa etária declararam não ter renda. ● 3 jovens declararam ter até um salário mínimo nacional como rendimento mensal. ● 1 jovem declarou ter entre pouco mais de um salário mínimo, mas até dois como renda mensal. De 26 a 30 anos de idade: ● 4 jovens desta faixa etária declararam não ter renda. ● 3 jovens declararam ter renda mensal per capita de até um salário mínimo mensal. ● 3 jovens declararam ter renda mensal per capita pouco superior a um salário mínimo, mas até dois salários mínimos. Leitura de jornais impressos e online
56 A fim de verificar os hábitos de consumo de informações jornalística pelos jovens, primeiro optou-se por perguntá-los se acompanhavam as publicações de algum jornal impresso, sendo que 40% afirmou que não, entretanto, a totalidade destes entrevistados afirmou ler sites de jornais online. Os que afirmaram ler jornais impressos citaram o Correio da Manhã (17%), o Diário de Notícias (17%) e o Público (78%). Foram mencionados ainda em menor escala o Jornal i (5%), o semanário Expresso (5%) e O Jogo (5%), no entanto, estes dois últimos não se enquadram na categoria de jornais generalistas diários, com versão impressa existente, que são foco da pesquisa. Quanto aos jovens que se declararam leitores de jornais online, estes representam 100% da amostra. A fim de saber quais seriam os sites de jornais que mais costumavam aceder, foi pedido aos entrevistados que informassem até três fontes. Estes foram os resultados: Imagem 4.5.1.3.: Jornais online mais lidos pelos jorvens da amostragem de Portugal. a. Correio da Manhã (3) b. Diário de Notícias (8) c. Público (24)
57 d. Jornal de Notícias (18) e. iOnline (3) f. Outros (14): R7, Expresso, O Insurgente, Observador, Espalha-Factos; Blasting News, The Guardian, Sol, A Bola Foram citados ainda outros sites, como o portal brasileiro R7, o semanário Expresso e o Observador. Nos jornais online mencionados, os jovens que afirmaram aceder a sites de notícias para se informar mencionaram até três temáticas que representariam seus maiores interesses. Imagem 4.5.1.4.: Assuntos mais lidos pelos jorvens da amostragem nos sites portugueses indicados. Fonte: produção própria. a. Mundo (24) b. Notícias nacionais (21) c. Atualidades (19) d. Sociedade e Política (19) e. Media e TV (16)
64 ● “Muitas vezes o ter de seguir o link e abrir outra pagina já desmotiva por levarmos com publicidade”. 4.5.2. Brasil Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira 15 , em 2013 haviam 7.305.977 de pessoas matriculadas em cursos do Ensino Superior em todo o Brasil. Dentre estas, 30% tinham entre os 18 e 24 anos, grande parte do público-alvo da amostragem escolhida, sendo o bacharelado o nível mais frequentado (67,5%). Participaram da pesquisa cinquenta e oito brasileiros que residiam na cidade de São Paulo e estavam a frequentar algum curso do Ensino Superior nesta mesma cidade, dentre os quais foram registadas as respostas dos trinta primeiros a preencherem as cotas estabelecidas. Na amostra, 80% declararam trabalhar e estudar ao mesmo tempo e 20% apenas estudar naquele momento. Faixa Etária Imagem 4.5.2.: Amostragem do Brasil dividida por faixas etárias. Fonte: produção própria. 15 Dados do Censo 2013. Consultado em 22 de abril de 2015. Disponível em: http://download.inep.gov.br/educacao_superior/censo_superior/apresentacao/2014/coletiva_censo_superi or_2013.pdf
65 Os estudantes participantes da pesquisa tinham entre 16 e 30 anos e foram divididos em três faixas etárias: dos 16 aos 20 (10 estudantes), dos 21 aos 25 (10 estudantes) e dos 26 aos 30 (10 estudantes). Moradia De trinta, vinte e sete entrevistados declararam ter nascido na cidade de São Paulo e apenas três residiam em outros muncípios no momento da realização da pesquisa. Imagem 4.5.2.1.: Local de residência dos entrevistados no Brasil. Fonte: produção própria. De forma mais específica, os entrevistados havitavam nas seguintes zonas (chamadas bairros, no Brasil): Barra Funda (1), Bela Vista (1), Brasilândia (1), Brás (1), Butantã (2), Chácara Santo Antônio (1), Jaguaré (1), Itaquera (1), Jardim Maristela (1), Jardim Celeste (1), Mooca (1), Penha (2), Pinheiros (1), Pirituba (3), República (1), Rio Pequeno (1), Santo Amaro (1), Saúde (3), São Miguel (1), Tatuapé (1) e Vila Lageado (1). Áreas de estudos e nível de formação
66 Segundo o Censo mais recente do INEP 16 , no ano de 2013 haviam cinco alunos matriculados em universidades privadas para cada um matriculado em universidade pública. De modo a refletir esta realidade, os participantes declararam ser estudantes de diversas instituições do Ensino Superior na cidade de São Paulo, na maioria dos casos particulares: ● Universidades Públicas: Universidade de São Paulo. ● Universidades Particulares: Flamingo, EsPCEx, IFSP, Universidade Guarulhos, Universidade São Judas Tadeu, Universidade Presbiteriana Mackenzie, Universidade Anhanguera, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Uninove, Senac, Faculdade Teológica Batista de São Paulo, Universidade São Judas, Cefit, e Universidade São Judas Tadeu. Na amostragem não havia nenhum estudante de doutoramento, sendo este o quadro encontrado: ● Graduação: 90% dos estudantes ● Mestrado: 10% dos estudantes O estudantes no 1º ano representaram cerca de 46% da amostra, os que estavam no 2º ano eram cerca de 16%, 13% estavam no 3º ano, 10% os que estavam no 4º ano e os que estavam no 5º ano representavam 13%. Os cursos os quais os entrevistados estavam a tirar eram diversos, de modo que o quadro obtido foi o seguinte: 16 Consultado em abril de 2015. Disponível em: http://download.inep.gov.br/educacao_superior/censo_superior/apresentacao/2014/coletiva_censo_s uperior_2013.pdf
67 ● 10% estavam a tirar cursos na área de ciências biológicas (medicina, odontotologia e fisioterapia); ● 20% na área de ciências exatas (material bélico, análise e desenvolvimento de sistemas, engenharia civil, gestão de marketing, tecnologia da informação e ciências contábeis); ● 70% na área de ciências humanas (administração, comércio exterior, comunicação e multimeios, design, direito, educomunicação, jornalismo,, moda, relações internacionais, psicologia e teologia). Rendimentos Dos participantes da pesquisa, cerca de 43% declararam apenas estudar e cerca de 57% trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Para determinar o nível de poder aquisitivo, os entrevistados foram separados em cinco grupos de acordo com o rendimento declarado (baseado na quantidade de salários mínimos, sendo que no momento da pesquisa o do Brasil era de R$788,00). Imagem 4.5.2.2.: Rendimentos per capita da amostragem no Brasil. A amostragem apresentou as seguintes variações ao ser dividida por faixas etárias: De 18 a 20 anos de idade:
68 ● 4 declararam não ter renda, ● 1 declarou ter rendimentos equivalentes a no máximo um salário mínimo brasileiro, ● 2 declararam ter rendimentos superiores a um salário mínimo, mas inferior a dois, ● 1 declarou ter rendimentos superiores a dois salários mínimos, mas inferior a três, ● Nenhum declarou ter rendimentos superiores três salários mínimos, mas inferior a quatro ● 2 declaram ter rendimentos superiores a 4 salários mínimos. De 21 aos 25 anos de idade: ● 2 declararam não ter renda, ● 2 declararam ter rendimentos equivalentes a no máximo um salário mínimo brasileiro (R$788,00), ● 2 declararam ter rendimentos superiores a um salário mínimo, mas inferior a dois, ● 1 declarou ter rendimentos superiores a dois salários mínimos, mas inferior a três, ● 2 declaram ter rendimentos superiores três salários mínimos, mas inferior a quatro ● 1 declarou ter rendimentos superiores a 4 salários mínimos. De 26 aos 30 anos de idade: ● 2 declararam não ter renda, ● 1 declarou ter rendimentos equivalentes a no máximo um salário mínimo brasileiro (R$788,00),
69 ● 1 declarou ter rendimentos superiores a um salário mínimo, mas inferior a dois, ● 1 declarou ter rendimentos superiores a dois salários mínimos, mas inferior a três, ● 4 declararam ter rendimentos superiores três salários mínimos, mas inferior a quatro ● 1 declarou ter rendimentos superiores a 4 salários mínimos. Leitura de jornais impressos e online Dentre os trinta entrevistados, cerca de 73% afirmaram não ler jornais impressos. Já os que responderam ter esse hábito foram pedidos para apontarem até três títulos que costumavam acompanhar. Dos entrevistados que afirmaram ler jornais impressos, cerca de 87% informaram ler a versão impressa da Folha de São Paulo e também foram 87% os que afirmaram ler o Estado de São Paulo na versão impressa. A terceira opção mais referida foi a versão impressa do O Globo, no entanto, com apenas 12% de indicações. É importante a ressalva de que nenhum outro jornal impresso foi mencionado pelos entrevistados como fonte de leitura. Em torno de 91% da amostragem afirmou ler notícias na internet e 87% responderam aceder a algum site jornalístico para o fazer. Uma informação interessante obtida com esta questão é que todos os respondentes que informaram ler algum jornal na versão impressa afirmaram ler também jornais na internet, não necessariamente os mesmos, mas acrescidos também de algumas outras fontes existentes apenas na versão online, como é o caso do portal UOL, mencionado em uma das respostas obtidas. Foram em torno de 7% os que responderam não ler nenhum jornal nem na versão impressa e nem online. Comportamento curioso neste nicho é que estes também informaram não estarem dispostos a pagar para aceder a algum tipo de conteúdo jornalístico e também informaram não partilhar notícias nas redes sociais. Sendo assim, este público pode ser visto como um dos mais difíceis de ser atingido pelos media jornalísticos.
70 De modo também interessante, constatou-se que houve entrevistados que liam jornais na versão impressa, mas que não apontaram estas fontes quando declararam ler sites de notícias na internet. O inverso também foi verificado. Quando pedidos para informarem os jornais online que acediam com mais frequência, os entrevistados apontaram: Imagem 4.5.2.3.: Jornais online mais lidos pelos jorvens da amostragem do Brasil. Fonte: produção própria. a. Estado de São Paulo (18) b. Folha de São Paulo (15) c. O Globo (14) d. Diário de São Paulo (2) e. Outros (2): UOl, G1 f. Agora São Paulo (0) Nestes sites mencionados, os entrevistados infomaram aceder mais a notícias das seguintes temáticas:
71 Imagem 4.5.2.4.: Assuntos mais lidos pelos jorvens da amostragem nos sites brasileiros indicados. Fonte: produção própria. De forma semelhante ao observado com a amostragem de Portugal, os brasileiros entrevistados demonstraram um maior interesse por notícias nacionais, sobre o mundo, atualidades e até mesmo política. Em contrapartida, as secções menos indicadas pelos respondentes foram a rádio online, automóveis e esportes, sendo as duas primeiras pouco encontradas nos sites de jornais online. a. Notícias nacionais (23) b. Mundo (20) c. Atualidades (18) d. Sociedade e Política (15) e. Economia (14) f. Entretenimento (13) g. Viagem (12) h. Cultura e Arte (10) i. Tecnologia (9)
72 j. Tempo (8) k. Media e TV (7) l. Ciência (5) m. Estilo (5) n. Esporte (4) o. Automóveis (2) p. Rádio Online (0) Periodicidade Em relação à frequência, dos vinte e seis estudantes que se declararam leitores de sites jornalísticos, quatorze informaram aceder a sites de jornais online todos os dias, dez sempre que algo é partilhado numa rede social e isto os desperta interesse e dois apenas uma vez por semana. Layouts Ao serem perguntados qual formato de título de notícias, ou chamadas, que mais os agradava, os entrevistados se sentiram mais atraídos pelo composição de chamada formada por imagem grande, título e subtítulo (33%). A chamada apenas em texto (27%) foi a segunda opção mais mencionada pelos participantes da pesquisa como sendo a preferida dentre as opções. Por fim, houve um empate entre a opção de chamada composto por título, imagem pequena, descrição e tópicos que resumiam o conteúdo da matéria (20%) e outra apenas com imagem pequena e descrição (20%). Quando se tratou de colocar diferentes formatos multimedia para os entrevistados avaliarem os três que mais preferiam para se informar, o quadro de respostas obtidas foi o seguinte:
73 Imagem 4.5.2.5.: Formatos de noticias preferidos pelos jovens da amostragem brasileira. Fonte: produção própria. O texto curto apenas com uma imagem a ilustrar a notícia foi o formato preferido pela amostragem brasileira, seguido do texto mais denso, também com imagem, e do infográfico. Já a rádio online, além de não ter sido mencionada pelos respondentes na questão anterior, também não foi escolhida quando o assunto é formatos multimedia preferidos para se informar. Apesar do vídeo ser a grande aposta da internet, os resultados obtidos com esta amostragem não expressam motivos para grande entusiasmo a respeito do formato dentro do jornalismo online. a. Texto curto com imagem pequena (13) b. Texto médio ou longo com imagem grande (12) c. Infográfico (9) d. Texto curto com imagem grande (9) e. Texto médio ou longo sem imagem (6) f. Galeria de Imagens (5) g. Vídeo (4)
80 parecem ter hábitos de consumo que expressam preferência for modelos de rápida compreensão, o que é de alguma forma o objectivo das galerias de imagens. Quando se trata de assinaturas de jornais online, ainda é maioria os que não demonstram interesse em conteúdo pago (65%), no entanto, foi possível perceber tanto dos que responderam de forma negativa como os que responderam de forma positiva a esta questão, que alguns estariam dispostos a reconsiderar essa decisão caso os conteúdos fossem personalizados de alguma forma de acordo com o interesse de cada usuário, as reportagens mais aprofundadas ou fosse permitido o acesso a materiais mais escassos e raros, como é o caso de arquivos de notícias. Aqui fica claro que este público até pode vir a ser potenciais consumidores deste tipo de serviço, mas apenas se houver mudanças consideráveis no que é oferecido atualmente. As redes sociais também parecem ter um papel importante no consumo de informações jornalísticas por parte do público jovem entrevistado, uma vez que 88% dos sessenta respondentes informaram usá-las para se informar, sendo que o Facebook foi a plataforma mais mencionada pelos entrevistados (por 98% dos jovens), seguido pelo YouTube (53% dos jovens). Sobre o YouTube, é possível que os jornalistas tenham de olhar com mais atenção para a plataforma nos próximos anos, já que ainda é pouco usual publicar informações jornalísticas por meio do site. Já quanto ao Facebook, parece ser comum que os jornais online tenham fanpages na rede social e estas sejam acompanhadas por parte de seus leitores jovens. É também no Facebook que os jovens parecem partilhar mais conteúdos jornalísticos, como previsto na fase do levantamento das hipóteses a serem verificadas. No entanto, ainda é visto de forma negativa possíveis experimentos que fariam desta rede social um site com notícias na íntegra de media renomados, excluindo assim a necessidade de aceder aos sites de notícias tradicionais. Os únicos aspectos positivos apontados pelos entrevistados sobre este modelo de serviço seria uma maior velocidade no consumo de informação e, possivelmente, menos falhas de conexão e menos gastos com internet móvel.
81 Considerações finais Já são duas décadas de jornalismo online em Portugal e também no Brasil, e ainda assim, a inércia encontrada nos jornais online em relação às potencialidades da internet e também à ineficácia dos modelos de negócio dos media tradicionais (venda de espaços publicitários) quando aplicados ao meio digital, geram um quadro no qual se vê claramente a extrema necessidade de mudança no conteúdo e na forma de torná-lo rentável, especialmente no tocante ao público jovem. Os estudos consultados e os realizados durante este trabalho de pesquisa indicam que o jornalismo online ainda precisa explorar de forma mais intensa os recursos que a internet possibilita e que, na verdade, são muitos dos pontos fortes e diferenciais em relação ao jornalismo feito nos meios tradicionais. As hiperligações, como visto na análise dos dez jornais online no capítulo 3, são recursos que, talvez por razões de pressa ou desprezo, têm sido pouquíssimo exploradas nas notícias destes e outros jornais online. Segundo João Canavilhas, no capítulo “Foi você que pediu uma notícia?” (BASTOS, ZAMITH; 2012:113), “uma empresa de comunicação é, antes de mais, uma empresa que produz e distribui um produto (notícias, entrevistas, reportagens, etc.), desenvolvendo estratégias de mercado”. Sendo assim, é importante que os sites de jornais online estejam atentos a questões de mudanças de comportamentos, hábitos e costumes a fim de investigar o que tem despertado mais interesse de seus públicos-alvos e o que tem sido utilizado e obtido pouco ou nenhum impacto junto aos mesmos. Além dos formatos das notícias, parece ainda haver pouca preocupação com conteúdos produzidos especialmente para o online, em contrapartida, as notícias copiadas de agências de notícias continuam espalhadas nos sites de notícias. Esse tipo de escolha feita por parte dos jornalistas, talvez para conseguirem cobrir o máximo de assuntos possíveis em menos tempo, indica que as preferências dos públicos que de facto são ativos na internet, como os jovens participantes da pesquisa de campo realizada neste trabalho académico, estão a ser desprezadas, uma vez que muitas das respostas indicam que há um anseio por conteúdos personalizados e exclusivos.
82 Elizabeth Saad Corrêa e Mercelo Coutinho Lima afirmam no capítulo “Negócios de mída na era da midiatização: uma reflexão sobre modelos de exposição e interação” que a “informação na sociedade contemporânea é o bem material de maior consumo e valor na atualidade” (BASTOS, ZAMITH; 2012: 94). Apesar dessa necessidade de se manter informado, verificada também com a pesquisa de campo realizada, é facto que os consumidores de informações jornalísticas online não mostram pré-disposição a pagar por este “bem”, como por vezes faz nos media de comunicação tradicionais, o que implica também no facto de que a transposição do modelo econômico vigente no meio impresso tem vindo a se mostrar ineficaz nos jornais online (BASTOS; ZAMITH, 2012:98). Ao se depararem com a necessidade de pagar para aceder a algum tipo de conteúdo jornalístico, segundo as respostas obtidas na pesquisa de campo (capítulo 4), de sessenta, quarenta dos entrevistados não aceitariam esse tipo de oferta. No entanto, é cada dia mais frequente jornais online que apostam nessa possibilidade ao restringir a quantidade de acessos permitidos no portal, fornecendo a possibilidade de continuar a visualizar até um determinado número de conteúdos por meio de um resgisto e posteriormente apenas de uma assinatura paga. Esse modelo de negócio é comparado por Elizabeth Saad Corrêa e Mercelo Coutinho Lima ao acto de “ligar o taxímetro” e sua eneficácia neste caso: “as transformações sociais, económicas e culturais pelas quais passa a nossa sociedade não impactam e nem arranham o consolidado Quarto Poder” (BASTOS, ZAMITH; 2012: 94). A falta de aceitação deste modelo de negócio, pelo menos junto ao público jovem, se deve também pelo facto de que com a proliferação de sites na internet, sejam profissionais, blogues ou em outros modelos, há um mar de “notícias” disponíveis a custo zero, o que passa aos consumidores uma sensação de que não há a necessidade de pagar por algo que se pode encontrar em qualquer lado ou que até mesmo pode produzir, se tornando assim um “prosumer” (BASTOS, ZAMITH; 2012: 95). Muito menos interesse demonstra esse público em pagar por algo copiado de uma agência de notícia. Apesar deste trabalho de pesquisa ter buscado debruçar-se essencialmente sobre a questão do que os jovens têm consumido no jornalismo online e não necessariamente no
83 suporte pelo qual o fazem, além de ferramentas de análise de acessos, como Google Analytics, as pesquisas de mercado indicam que os dispositivos mobile têm vindo a substituir substancialmente os meios tradicionais. No mercado português, por exemplo, segundo estimativas da Marketest, o acesso à internet via mobile representou 40,4% do total 17 em 2014. No mercado brasileiro, esta penetração dos dispositivos móveis já teria atingido 70.9 milhões de brasileiros segundo dados da comScore, o equivalente a cerca de 35% da população do país 18 . Sendo assim, seria preciso para de dar prioridade ao desktop e buscar explorar mais as potencialidades dos tablets, smartphones e quaisquer outros dispositivos que possam ser lançados nos próximos tempos. Além do suporte preferido para consumir notícias estar a deixar de ser o desktop e a ser substituído pelos dispositivos mobile, quando se trata de plataformas, parece inevitável que o jornalismo online siga um caminho no qual as redes sociais se tornarão cada vez mais importantes. Por exemplo, não é de hoje que o Facebook tem tido um papel expressivo na etapa de distruição de notícias, como visto na pesquisa de campo realizada (ver capítulo 4). No entanto, os responsáveis pela plataforma têm tentado ir além e buscado se posicionar junto aos media noticiosos de todo o mundo com objectivo de ser uma plataforma única e finita para que o usuário tenha ali tudo o que precisa saber e ali mesmo fique para partilhar com amigos, familiares e com quem mais desejar. No mês de maio de 2015 a rede social deu um grande passo e concretizou o plano que há algum tempo já havia divulgado, o de colocar conteúdos noticiosos na íntegra no Facebook, por meio do que nomeou instant articles. A começar pelos grandes The New York Times, The Guardian, BBC News, NBC News e outros, o protótipo visa agregar ferramentas multimedia, tais como texto, hiperligações, vídeos e quaisquer outros recursos que o Facebook disponibiliza para o que afirmam que irá tornar as histórias ali contadas mais atrativas ao público. A ideia seria tornar os artigos mais rápidos (dez vezes mais do que outra página qualquer da web acessada por dispositivos móveis, segundo afirmam) e mais interativos. Dentre os recursos que poderão ser utilizados 17 Consultado em 22 de abril de 2015. Disponível em: https://www.comscore.com/lat/Prensa-yEventos/Presentaciones-y-libros-blancos/2014/2014-LATAM-Digital-Future-in-Focus 18 Consultado em 3 de maio de 2015. Disponível em: https://www.comscore.com/lat/Prensa-yEventos/Presentaciones-y-libros-blancos/2014/2014-LATAM-Digital-Future-in-Focus
84 pelos publishers que aderirem à ferramenta estariam a opção de zoom in, alta resolução nas imagens, os vídeos rodariam automaticamente enquanto o usuário rola a página para baixo, mapas interativos, áudio das legendas e possibilidade dos usuários comentarem partes específicas dos artigos. Em suma, seria uma experiência totalmente interativa e o mais imersiva possível 19 . Segundo divulgado na página de divulgação da ferramenta, o CEO do The New York Times teria afirmado que os Instant Articles do Facebook poderiam aumentar o engagement, ou seja, a interação, uma vez que assim elimina-se a etapa de clicar para ir a outra página. Estaria tudo ali, num lugar só e numa maior velocidade. A maior aposta do Facebook para mostrar seu novo produto está na força dos dispositivos móveis, que atualmente são responsáveis por grande parte dos acessos à internet. Eliminando-se o processo de clicar em uma hiperligação, ser direccionado a outra página e ainda ter de esperar o carregamento de todo o conteúdo, os usuários de telemóveis e tablets seriam os maiores beneficiados, ou seja, praticamente todos. Nesse ponto, o novo produto do Facebok iria ao encontro dos resultados obtidos com a pesquisa de campo apresentada no capítulo anterior, uma vez que muitos entrevistados alegaram que a ferramenta poderia ser útil pela provável economia de dados de internet, pela velocidade com que seria possível aceder ao conteúdo e também por se evitar publicidades. No entanto, o último detalhe não seria sempre possível, pois o Facebook oferece a opção de anúncios em seus Instant Articles, além de disponibilizar ferramentas de monitoramento de dados, acessos. Seria essa a forma dos jornais online continuarem a ganhar dinheiro caso abrissem mão de seus sites tradicionais. Seja pelo Facebook ou mesmo por outras redes sociais, há fortes indícios de que estas plataformas têm vindo aos poucos a reconfigurar o jornalismo online e, por vezes, até a substituir os sites de notícias tradicionais. É também deste pensamento que partilha Frias, ao afirmar a seguinte linha de pensamento em estudo de caso sobre o P3, suplemento do jornal Público destinado a jovens: 19 Consultado em 15 de maio de 2015. Disponível em: http://media.fb.com/2015/05/12/instantarticles/
85 (...) o consumo de informação por parte dos jovens tenderá a processar-se na sua utilização quase contínua das redes sociais, mais do que através do acesso directo às páginas das respectivas publicações (FRIAS, 2014: 3). Outra conclusão importante a se tirar do estudo de Frias é que os usuários, chamados pelo autor de “nativos digitais”, acabariam por permitir, de uma certa forma, que os algoritmos das redes sociais, tal como Facebook, determinem os conteúdos que irão receber por meio das personalizações e filtros configurados (FRIAS, 2014: 6). Nesse sentido, os dados dos usuários já recolhidos pelas redes sociais poderiam vir a satisfazer a necessidade de personalização que os jovens da pesquisa de campo realizada informaram desejar. Sobre a visão dos jornalistas sobre o futuro do jornalismo, de uma forma geral, um estudo da Reuters, divulgado em maio de 2015, indica que no momento há uma grande preocupação com as marcas e ações empreendedoras para manter o jornalismo vivo, “engajar” o público: It is clear that journalists’ and news organisations’ dominance in terms of information provision and breaking news has been challenged by the rise of the internet and social media, that news organisations are operating across more platforms, and that journalists are being required to engage with audiences in more ways than the past” (Gade and Raviola, 2009: 2) 20 . Ainda segundo o estudo, nem tudo será mudança, segundo a visão dos 509 jornalistas entrevistados entre outubro e dezembro de 2014. A pesquisa aponta ainda que há fé de que não importa quais serão os meios e plataformas do futuro, as técnicas e fundamentos do jornalismo permanecerão sem risco de ameaça devido a possíveis mudanças. A partir de todas estas considerações feitas, vê-se então que é preciso juntar esforços para conectar consumidores que representem as gerações mais novas, extremamente conectadas ao mundo digital, e os jornalistas responsáveis por conteúdos 20 Consultado em 15 de junho de 2015. Disponível em: http://reutersinstitute.politics.ox.ac.uk/publication/journalists%E2%80%99-perceptions-futurejournalistic-work
86 online, com muitos ou poucos anos de experiência (neste caso, provavelmente também jovens), e buscar extrair dali uma espécie de brainstorm, conferências, estudos académicos, pesquisas de mercado e que todos esses recursos em conjunto gerem novos experimentos e modelos de conteúdos e negócios mais compatíveis com a sociedade que vivemos atualmente. Todos esses indicativos levam à conclusão de que os media que não estiverem dispostos a se despir do convencional em prol de algo que una as melhores características do velho e do novo, mais dia ou menos dia, estarão condenados à inexistência. Ao pensar que um media online profissional, como os dez jornais analisados neste trabalho académico, têm as mãos de muitos profissionais das mais diversas patentes, caso não haja uma mudança que reflita também nos negócios, isso pode significar uma grande crise de caráter económico também dentro do jornalismo online nos próximos anos, assim como tem ocorrido em muitos media tradicionais nos dias de hoje. Tendo todas as problemáticas aqui levantadas em consideração, para o próximo ano e todos os subsequentes, fica a premissa máxima: atualize-se quem puder.
87 Referências bibliográficas BASTOS, Helder; ZAMITH, Fernando (2012). Ciberjornalismo e modelos de negócio e redes sociais. Porto. Editora: Cetac.media. CANAVILHAS, João Messias (2004). A notícia no webjornalismo: arquitectura e leitura da imagem. Cultura em Fluxo: novas mediações em rede, Minas Gerais, Edit. PUC-Minas. CASTELLS, Manuel (2003). A galáxia da Internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro. Editora: Joger ZAHAR Editor. __________________ (2011). A sociedade em Rede. 4ª ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. FERRARI, Polyana (2003). Jornalismo digital. Editora: Contexto. HALL, Jim (2001). Online Journalism: A Critical Primer. Londres. Editora: Pluto Press. MCLUHAN, Marshal (1969). O meio é a mensagem 1969. Editora: Record. Tradução: Ivan Pedro de Martins. PAVLIK, John (2001). Journalism and new media, New Cork. Editora: Columbia University Press. ROSA, António Machuco (2008). Comunicação e o Fim das Instituições: das origens da Imprensa aos novos Media. Editora: Edições Universitárias Lusófonas. SAMARA, Beatriz dos Santos; BARROS, José Carlos (2007). Pesquisa de Marketing: conceitos e metodologia. Editora: PRENTICE-HALL. ZAMITH, Fernando (2008). Ciberjornalismo: as potencialidades da internet nos sites noticiosos portugueses. Editora Afrontamento. Artigos online ADGHIRNI, Zélia; RIBEIRO, Gilseno (2002). Jornalismo on-line e identidade profissional do jornalista. Brasília. Editora: UnB. Disponível em: http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/jornalismo-online-e-identidadeprofissional-do-jornalista-zelia-adghirni/. Consultado em: 17 de agosto de 2015.
88 BASTOS, Helder (2007). "Ciberjornalismo: dos primórdios ao impasse", revista Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho, 2007. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/bastos-helder-ciberjornalismo-dos-primordios-aoimpasse.pdf. Consultado em: 15 de abril de 2015. _____________________ “Para uma história do ciberjornalismo em Portugal: das origens às múltiplas plataformas”. 1º Congresso Mundial de Comunicação IberoAmericana, São Paulo, 31 de Julho-4 de Agosto. Disponível em: http://repositorioaberto.up.pt/bitstream/10216/57427/2/ActasConfibercom000148482.pdf. Consultado em: 15 de abril de 2015. CANAVILHAS, João Messias (2005). Os jornalistas online em Portugal. Universidade da Beira Interior. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/canavilhas-joaojornalistas-online.pdf. Consultado em: 14 de abril de 2015. _________________________ (2006). Do jornalismo online ao webjornalismo: formação para a mudança - Universidade da Beira Interior. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/canavilhas-joao-jornalismo-online-webjornalismo.pdf. Consultado em: 10 de fevereiro de 2015 DEUZE, Mark (2001). On-line journalism: Modelling the First Generation of News Media on World Wide Web. First Monday – Peer-Reviwed Journal on the Internet. Disponível em: http://firstmonday.org/ojs/index.php/fm/article/view/893l. Consultado em: 01/08/2015 ____________ 2003. The web and its journalisms: considering the consequences of different types of news media online. Disponível em: https://www.academia.edu/199522/The_web_and_its_journalisms_considering_the_con sequences_of_different_types_of_newsmedia_online. Consultado em: 02/08/2015 FRIAS, Paulo (2014). 'Social Media' e o consumo de notícias pelos jovens. Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. Livro de Actas do II Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana. Disponível em: https://www.academia.edu/10506478/Social_media_e_o_consumo_de_not%C3%ADcia s_pelos_jovens. Consultado em 10 de agosto de 2015. GRANADO, António (2002). Os media portugueses na Internet, Disponível em: http://ciberjornalismo.com/mediaportugueses.htm. Consultado em: 20 de abril de 2015. GONZÁLEZ, Maria Angela Cabrera (2000). Convivencia de la prensa escrita y la prensa on line en su transición hacia el modelo de comunicación multimédia. Disponível em: http://www.ucm.es/info/perioI/Period_I/EMP/Numer_07/7-4-Comu/74-01.htm. Consultado em 15 de maio de 2015. MIELNICZUK, Luciana (2004). Webjornalismo de terceira geração: continuidades e rupturas no jornalismo desenvolvido para a web. Disponível em:
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96 2 - TEXTO CURTO, SEM IMAGEM 3TEXTO CURTO COM IMAGEM PEQUENA
97 4TEXTO CURTO COM IMAGEM GRANDE
98 5TEXTO MÉDIO SEM IMAGEM
99 6TEXTO MÉDIO OU LONGO COM IMAGEM EM DESTAQUE 7VÍDEO 8RÁDIO ONLINE OU PODCAST
100 9INFOGRÁFICO 18Possui algum pacote de assinatura para ter acesso a conteúdo jornalístico? a. Sim, assino o(a)____________ b. Não assino nenhum pacote de conteúdo jornalístico. 19Acompanha algum blog para se informar?
101 a. Sim, acompanho o____________ b. Não acompanho nenhum blog para me informar. 20Utiliza alguma rede social para se informar? a. Sim. b. Não 21Se respondeu sim na pergunta anterior, indique qual rede social utiliza para se informar: a. Facebook b. Twitter c. LinkedIn d. Reedit e. YouTube f. Instagram g. Outros: __________________________________________________________ 22Se informa por meio de quem nas redes sociais: a. Amigos b. Familiares c. Fan pages de sites de notícias d. Fanpages de blogs e. Fanpage de jornalistas f. Outros: _________________________________________________________ 23Costuma partilhar notícias em redes sociais?
102 a. Sim. b. Não. 24Se respondeu sim na pergunta anterior, em que rede social costuma partilhar notícias que lê? a. Facebook b. Twitter c. LinkedIn d. Reddit e. YouTube f. Outros: __________________________________________________________ 20Tem “Gosto” na página do Facebook de algum jornal diário? a. Correio da Manhã b. Jornal de Notícias c. Público d. Diário de Notícias e. iOnline f. Não tenho “gosto” em nenhuma página de jornais no Facebook. g. Outros: __________________________________________________________ 21Acha que seria mais fácil ler as notícias na íntegra na rede social, sem ter de aceder a outros sites? a. Sim, porque ____________________________________________________ b. Não, porque ____________________________________________________
103 Anexo 2 Inquérito realizado junto a jovens universitários da cidade de São Paulo “O que os jovens consomem no jornalismo online” São Paulo - Brasil Julho de 2015 1Em que país nasceu? d. Brasil e. Portugal f. Outros: _________________________ 2Qual é a sua cidade de origem? d. Porto - Portugal e. São Paulo - Brasil f. Outros: _________________________ 3Vive em São Paulo? c. Sim d. Não 4Em que bairro vive atualmente? _________________________ 5Qual é a sua ocupação?
104 d. Só estudo e. Só trabalho f. Trabalho e estudo 6Quantos anos você tem? _________________________ 7Em qual universidade estuda? _________________________ 8Assinale o ensino superior em que está a frequentar. e. Graduação f. Mestrado g. Doutorado h. Pós-Doutorado 9Em qual curso estuda atualmente? Por exemplo: jornalismo, gestão, turismo, economia, etc. _________________________ 10Em que ano está no seu curso? _________________________ 11Qual a sua renda per capita mensal? a. Não tenho renda b. Até R$788,00 c. De R$789,00 a R$1577 d. De R$1578 a R$2366 e. De R$2367 a R$3155
105 f. Mais de R$3156 12Costuma ler jornais impressos? c. Sim. d. Não 13Se respondeu sim, quais jornais impressos costuma ler? a. Folha de São Paulo b. O Globo c. O Estado de São Paulo d. Agora São Paulo e. Diário de São Paulo f. Outros: __________________________________________________________ 14Com que frequência acessa a sites de notícias na internet? a. Todos os dias b. Sempre que algo é partilhado numa rede social e me interessa c. Uma vez por semana d. Aos fins de semana e. Raramente f. Não acesso 14Se respondeu a, b, c, d ou e, assinale até 3 jornais diários que acessa com mais frequência: a. Folha de São Paulo b. O Globo c. O Estado de São Paulo
112 9INFOGRÁFICO 18Possui algum pacote de assinatura para ter acesso a conteúdo jornalístico? c. Sim, assino o(a)____________ d. Não assino nenhum pacote de conteúdo jornalístico. 19Acompanha algum blog para se informar?
113 c. Sim, acompanho o____________ d. Não acompanho nenhum blog para me informar. 20Utiliza alguma rede social para se informar? c. Sim. d. Não 21Se respondeu sim na pergunta anterior, indique qual rede social utiliza para se informar: h. Facebook i. Twitter j. LinkedIn k. Reedit l. YouTube m. Instagram n. Outros: __________________________________________________________ 22Se informa por meio de quem nas redes sociais: g. Amigos h. Familiares i. Fan pages de sites de notícias j. Fanpages de blogs k. Fanpage de jornalistas l. Outros: _________________________________________________________ 23Costuma partilhar notícias em redes sociais?
114 c. Sim. d. Não. 24Se respondeu sim na pergunta anterior, em que rede social costuma partilhar notícias que lê? g. Facebook h. Twitter i. LinkedIn j. Reddit k. YouTube l. Outros: __________________________________________________________ 20Tem “Gosto” na página do Facebook de algum jornal diário? a. Folha de São Paulo b. O Globo c. O Estado de São Paulo d. Agora São Paulo e. Diário de São Paulo f. Não tenho “gosto” em nenhuma página de jornais no Facebook. g. Outros: __________________________________________________________ 21Acha que seria mais fácil ler as notícias na íntegra na rede social, sem ter de acessar a outros sites? a. Sim, porque ____________________________________________________ b. Não, porque ____________________________________________________