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EHL Campus - International Architecture Students workshop. Do processo ao projecto

Adalberto Araújo da Silva Gonçalves Dias

Abstract

O tema desta dissertação insere-se num Workshop Internacional para estudantes de Arquitectura organizado pela École Hôtelière de Lausanne (EHL) e pelo gabinete de arquitectura contratado para a elaboração do projecto de arquitectura para o novo Campus da EHL. Como exercício de Workshop pretende-se desenvolver e propor o aumento das actuais instalações da escola, com a introdução de um vasto programa integrando um hotel de treino, um novo pavilhão desportivo e novas acomodações para os estudantes da escola (Residência de Estudantes). Desta forma, a dissertação tem como premissa o desenvolvimento do dito Workshop onde se procura enunciar um olhar sobre o espaço e sobre as construções pré-existentes, a partir de uma reflexão sobre o Lugar. Pretende-se que seja uma espécie de incursão pessoal sobre o processo e método de trabalho, como base essenciais de uma reflexão de arquitectura, numa dialéctica entre Homem, processo e obra. Conclui-se o tema da dissertação com a apresentação da proposta final.

Full text

EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” Nota Prévia O autor assinala que escreve mediante o antigo acordo ortográfico. Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitectura apresentada à Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e orientada por: Arquitecto Nuno Brandão e co-orientada por: Arquitecto José Manuel Gigante. Adalberto Araújo da Silva Gonçalves Dias 2012/2013 “O fim da aventura criadora é sempre a derrota irrevogável, secreta. Mas é forçoso criar. Para morrer nisso e disso. Os outros podem acompanhar com atenção a nossa morte.” Helder, Herberto Agradecimentos À EHL, Richter - Dal Rocha & Associates, e à FAUP e Arq. Nuno Brandão pela oportunidade, Ao Arquitecto Nuno Brandão e ao Arquitecto José Manuel Gigante na orientação, acompanhamento e pelo grau de exigência que conferiram ao trabalho, e ainda pela amizade, Aos meus pais e avó que sempre me apoiaram, inspiraram e me fizeram lutar pelos meus objectivos, À minha irmã e sobrinhos pela compreensão de não comparecer sempre que queria, Ao André, Diogo, Estrela e Gonçalo e demais colegas pela inquestionável amizade e presença, e conhecimento, A Álvaro Siza pela sua constante lição de Arquitectura e humildade, A todos, um Muito Obrigado. Introdução Estrutura O presente plano de trabalho desenvolve-se em três partes: uma primeira, de carácter introdutório, onde se pretende enquadrar o tema da intervenção no território, percebendo a sua evolução histórica e cultural, as condições climáticas, topográficas e acessibilidades; na segunda parte, que se subdivide em dois capítulos, no primeiro, divide-se o processo de trabalho em 3 momentos que coincidem com três compromissos distintos, inseridos num calendário organizados pela EHL e Faup; no segundo, procura-se, de um modo mais impressivo, fazer uma reflexão sobre alguns temas de arquitectura que estão inerentes à sua própria criação e existência. Na terceira parte descreve-se o projecto de arquitectura realizado, com a apresentação dos desenhos finais. Assim, na primeira parte, EHL Campus - Enquadramento, enquadra-se o leitor nas circunstâncias nas quais se insere a presente dissertação, apresentando o tema e objecto em questão, a sua localização no território, o programa proposto, e as suas condições climáticas. Procura-se assim avaliar o contexto territorial no qual serão analisadas todas as componentes e envolvências ligadas ao sítio, de modo a entender-se a sua história, o seu desenvolvimento urbano (por mais rural que seja) e a sua topografia, até às construções pré-existentes, abordando o clima e paisagem como condicionantes de um modo de se construir e habitar. Este trabalho analítico irá identificar diferentes conceitos e diferentes tipos de construção que foram essenciais para a determinação de traçados reguladores chave para alguns tipos de intervenção. A segunda parte, Método e processo de trabalho, divide-se em dois capítulos. O primeiro, Momentos de elaboração, descreve e enuncia um processo de trabalho. É uma reflexão sobre a utilização do método projectual em arquitectura e do processo de trabalho que coincide com três momentos de entrega ou de apresentação. É uma incursão por alguns “pensamentos” em papel, maquetas de estudo e experiências arquitectónicas que considero fundamentais para a evolução da proposta até ao produto final. Mostra-se como estes três momentos se diferenciam, apresentando cada um diversas dificuldades e preocupações, directamente relacionados com o tempo disponível que existiu para cada fase. De certa forma, o objectivo aqui é, para além dos momentos, evidenciar questões projectuais que são transversais ao processo de produção arquitectónica intrinsecamente ligados à minha formação como estudante de arquitectura na FAUP. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 17 O segundo capítulo, Modelos, reflecte sobre Arquitectura, explorando alguns temas que são indissociáveis do modo de pensar a arquitectura e naturalmente, de se projectar. Divide-se em quatro subcapítulos. O primeiro, Lugar, aprofunda as questões do lugar e da sua memória – “Genius Loci”. Defende-se uma atitude respeitadora face ao carácter do terreno, uma intervenção que se identifique com a sua caracterização morfológica, e não uma outra que se afirme sem a considerar como matéria essencial do projecto. Fundamenta-se esta atitude/intenção com o exemplo de algumas obras, e com pensamentos de alguns arquitectos que, na opinião do autor, clarificam esta atitude. O segundo, Programa, reflecte-se sobre este, avaliando-se todas as premissas e funcionalidades de cada um dos requisitos propostos. Confronta-se cada equipamento com uma referência próxima, de modo a comparar atitudes, vontades e formas. Analisam-se as opções sobre o equipamento em estudo, de modo a perceber de que maneira se projectaram as soluções adoptadas, e como estas influenciaram o modo de projectar. O terceiro, Circunstâncias, debruça-se sobre “resistências”, dificuldades que surgem no desenrolar do processo, ou que estão desde logo presentes antes do início do projecto. Identifica-se como “resistência” não só a questão do programa, que é por si só bastante complexo, mas principalmente a forma como este interage com o lugar. Também o clima, a paisagem e a luz são condicionantes. Por outro lado também se apresenta como resistência, a inevitabilidade do tempo disposto para a concepção do projecto. O tempo apresenta-se inerente ao homem e à vida, e como tal indissociável do modo de se pensar arquitectura. O modo como este influencia as atitudes e vontades do ser humano revela-se como um dos principais motores da prática da arquitectura. O quarto e último subcapítulo, Desejo, debruça-se sobre a relação entre emoção/razão, desejo/vontade, sonho/objectivo. Defende-se uma arquitectura que comece por um primeiro traço/gesto, um processo que se crie a partir de bases enraízadas na tradição da própria profissão e que contrarie uma atitude de “moda” que se tem vindo a praticar, evocando e exaltando, de forma intencional ou não (ingenuamente), o superficial. Na terceira parte, Proposta, faz-se uma descrição, uma memória descritiva do projecto final, o resultado de todo um método e processo de trabalho durante um determinado tempo de concepção – o culminar do fruto da reflexão dos capítulos anteriores. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 19 Parte 1EHL Campus – Enquadramento Parte I - EHL Campus – International Architecture Students Workshop Fig. 1 - Escola Hotelaria de Lausanne, anos 70. Fig. 2 - Hotel nos Alpes Suíços. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 21 Tema A Escola Hoteleira de Lausanne foi a primeira escola de hotelaria do mundo e é considerada uma das melhores na sua área. Parte do princípio de que a formação hoteleira é como administrar uma empresa, isto porque um hotel é por si só uma corporação bastante complexa. Foi fundada há mais de cem anos atrás, em 1893, durante a Belle Époque, quando a Suíça estava a ter um grande incremento no turismo e havia uma necessidade urgente de pessoal qualificado e profissional, em todos os níveis da estrutura hoteleira. Esta foi a época dos grandes palácios e de hotéis magníficos – que existem ainda hoje - construídos ao longo da costa do Lago Leman e em estâncias de ski, nas montanhas acima do lago, para acomodar uma crescente e exigente clientela internacional de moda, de ricos e famosos. Naquela tempo a ideia de criar uma escola de hotelaria foi revolucionária. O seu fundador, Jacques Tschumi, um membro influente da Swiss Hotel Association, teve que convencer os seus colegas que se mostravam bastante reticentes da viabilidade e requisito daquele projecto. Hoje está bem provada a oportunidade da criação naquela altura duma escola de hotelaria. O turismo foi assim um dos grandes motores e desígnio para o desenvolvimento da Escola, que consolidou o seu crescimento e notoriedade na criação do espírito da “hospitalidade Suíça”. Durante os séculos XIX e XX era moda visitar a Suíça e permanecer longas estadias, nomeadamente a aristocracia inglesa. Também o montanhismo e o ski fizeram da Suíça um país de referência para o turismo de lazer e desporto. E os escritores, filósofos e cientistas encontraram na Suíça um lugar de paz, tranquilidade e reflexão para o seu trabalho e/ou, começando com Voltaire, um refúgio da perseguição. Também devido à sua crescente atractividade, uma paisagem impressionante, um clima revigorante e a tradição de discrição e neutralidade, foi considerada um excelente lar para os ricos e famosos - uma tradição que continua até hoje. O rápido crescimento desta rica e altamente exigente clientela resultou num grande aumento do número de unidades hoteleiras. Pelo menos cinquenta palácios e outros grandes hotéis foram construídos entre 1834 e a abertura da escola em 1893, e o número chegou mesmo a aumentar devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial e à posição da Suíça de neutralidade naquela guerra. A procura de trabalhadores qualificados e de gestores dinâmicos também cresceu exponencialmente em resposta à necessidade de elevados padrões de serviço individualizado. Desde o início, a escola apercebeu-se da importância da excelên- Parte I - EHL Campus – International Architecture Students Workshop Fig. 3 - Vista aérea. Fig. 4 - Localização e envolvente do terreno. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 23 cia, tanto na técnica como na prática de uma cultura de hospitalidade: por um lado, o profissionalismo na gestão das acções complexas, e por outro, a atenção e savoir-faire desenvolvido em resposta a uma clientela exigente. Este equilíbrio entre a ciência e a arte de gestão de hospitalidade, aperfeiçoado e desenvolvido ao longo do tempo, manteve-se como pedra e cal na filosofia educacional da EHL. Sítio A Suíça, país com uma longa tradição de neutralidade, fica localizada na Europa Central, sendo delimitada pela Alemanha a norte, França a oeste, Itália a sul e Áustria e Liechtenstein a leste. Sem costa marítima, mas com lagos de grandes dimensões, é um território caracterizado pelos seus planaltos e pelas suas paisagens montanhosas deslumbrantes. O clima da Suíça, pela sua localização geográfica no centro da Europa, e sob a influência do seu sistema montanhoso – Alpes – assume um carácter de excepção no panorama europeu, com condições muito particulares. O índice de pluviosidade é alto e, devido às baixas temperaturas que se verificam durante grande parte do ano, essa pluviosidade acaba por se transformar em neve, o que torna a região bastante húmida e fria. Os dados mais recentes a que pude ter acesso, dizem respeito ao perfil climático da Suíça, traçado pelo meteosuisse relativo ao período compreendido entre 1981-2010. Daqui se retira, no que diz respeito à temperatura na região no qual se localiza o terreno de projecto, que a média anual se situa entre 1ºC e os 17ºC, a mínima média no Inverno é 2ºC e a máxima média no Verão é 23ºC. No que diz respeito à precipitação e também naquela região, a média anual é cerca de 1153 mm, sendo no decurso do Inverno muitas vezes em forma de neve. É na Primavera, meses de Maio e Junho e no fim do Verão, Setembro e Outubro que atinge as precipitações mais elevadas sempre acima dos 110 mm por mês. É possível concluir que, pela proximidade das montanhas e da sua altitude face ao nível do mar, estamos perante um lugar de clima muito diferente da realidade que nos é habitual em Portugal. Essa situação tem que ser tomada em consideração no exercício projectual que se pretende desenvolver. A escolha de materiais, espessuras, dimensão de vãos, resolução de coberturas e até as infraestruturas como por exemplo o abastecimento de água não podem ser pensados da mesma forma como se estivéssemos a construir em Portugal. O que sugere um estudo e análise prévios com consequências evidentes no projecto. A EHL situa-se em Chalet-à-Gobet, no cantão francês, uma pequena lo- Parte I - EHL Campus – International Architecture Students Workshop calidade nos arredores de Lausanne, a norte, situada entre os 850 e os 872 metros de altitude numa área suburbana com um carácter muito rural. A sua localização numa cota elevada proporciona uma vista privilegiada sobre os Alpes e o Lago Leman, o maior lago da Europa. É um lugar marcado por uma paisagem verdejante de campos e floresta situada num vale entre a estrada de Cojonnex, a poente e a uma cota mais elevada, um caminho completamente rural (antiga ligação do lugar a Lausanne) e a estrada de Berna a nascente, a uma cota inferior (Via Rápida que faz a ligação entre Berna e Lausanne). Estas duas vias além de serem as únicas formas de acesso ao Campus, são indissociáveis na compreensão da estratégia do lugar. A estrada de Cojonnex que é a actual estrada de acesso à Escola, pelo seu traçado e características faz parte da memória do lugar. A via de Berna, proposta agora como acesso principal à escola é uma via moderna e rápida que convida à velocidade e menos à contemplação da paisagem. Como se pode ver na fig. 4 a escola tem uma grande presença no território, em contraste com uma clara fragmentação rural de habitações de baixa ou média densidade. Na fig.4, assinalado a azul, o chalet La Ferme que foi o primeiro edifício da Escola de hotelaria, aproveitando um antigo edifício existente das instalações e terreno da quinta. A EHL funciona num Campus, relativamente isolado, em que os alunos formam uma comunidade muito unida, situação que a Escola faz questão de preservar. Este isolamento origina necessariamente que a Escola disponha de todas as infra-estruturas necessárias ao funcionamento quotidiano daquela comunidade estudantil. Actualmente, e segundo os dados fornecidos pelo programa do workshop, dispõe das seguintes instalações: - Residência de estudantes (400 alunos em 320 estúdios); - Instalações desportivas ( pavilhão desportivo, ginásio, campos de ténis e de futebol); - Uma estrutura administrativa e académica, incluindo salas de aula, auditórios, salas de ensino especializadas (gastronomia, vinho), uma biblioteca e uma série de restaurantes, que também estão relacionados com o programa de ensino. No presente momento estão a ser realizadas obras de remodelação do Campus, a fim de ampliar as instalações académicas e administrativas (total de área existente: 32.955m2). EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 25 Objecto O programa que nos foi proposto tem que necessariamente considerar o Campus existente e os edifícios que o constituem e que foram sendo construídos desde 1893 até aos dias de hoje. Trata-se, do ponto de vista arquitectónico, de um conjunto de edifícios muito heterogéneos, bastando referir que o edifício inicial – chalet – é uma adaptação de um edifício construído em pedra e de tipo rural, do século XIX enquanto que o último a ser construído, na década de 60, de grande escala, constitui seguramente uma marca dissonante na paisagem, revelando-se excessivo e desajustado para aquele lugar. No extenso programa que nos foi apresentado são tecidas considerações a ter em conta, nomeadamente sobre: 1 - uma abordagem em termos inovadores na procura de um melhor desempenho - económico, ecológico, social; 2 - algumas regras básicas de sustentabilidade - sociais, paisagem e inovação; 3 - topografia (condições topográficas pré-existentes); relações visuais (apropriação de pontos de vista valiosos, escala, percepção, a diversidade formal, cor e textura e qualidade cénica); exposição ao sol (condições climáticas relativas ao conforto de condições pré-existentes); arborização (pré-existências de preservação); continuidade topográfica e água (a compatibilidade com drenagem superficial, conservação do solo; transparência e opacidade (relações visuais interiores e contextuais, e o controlo térmico dos edifícios). O programa de desenvolvimento para o futuro campus EHL inclui os seguintes requisitos: 1 - Residência de estudantes – a EHL pretende que sejam construídos 650 novos quartos estúdio (para além dos 320 existentes). As novas acomodações para os estudantes serão compostas de estúdios individuais sem cozinhas, podendo ser previstas áreas comuns em cada andar. Em caso de demolição das acomodações existentes, o número total de quartos estúdio será de 970 num total de 30.000m2; 2 - Hotel de formação - Este hotel deve acomodar vários níveis de classificação: 3, 4 e 5 estrelas. Esta oferta diferenciada é concebida tanto para o benefício dos clientes do hotel como também para fins pedagógicos. O hotel terá entre 70 e 100 quartos. (30 m2 / quarto) num total de 4000m2; 3 - Novo Pavilhão desportivo – a EHL pretende melhorar a sua oferta de instalações desportivas no local e precisa de uma sala polivalente – uma sala tripla de desporto mais as áreas respectivas incluindo fitness, spa, piscina e balneários num total de 3000m2; 4 - Start-up edifício de escritórios - Em 2009 a EHL lançou a primeira incubadora de negócios para a indústria de hospitalidade, com o objetivo Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 7 - Desenho de Alvar Aalto. Fig. 8 - Desenho Alvaro Siza, Museum Insel Hombroich, Neuss, Alemanha EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 33 ficção a diferença desaparece quando ambas se tornam passado, memória. Medindo o equilíbrio dos meus passos, o ritmo do meu coração sustenta o ritmo das coisas.”4 A selecção dos desenhos mais relevantes do processo foi também algo surpreendente. Olhar para o passado, ver as evoluções, os desenhos e as maquetas, os painéis de apresentação, mas principalmente só olhar e recordar. “Quando estou a projectar, encontro-me frequentemente imerso em memórias antigas e meio esquecidas, e questiono-me: qual foi precisamente a natureza desta situação arquitectónica, o que significava na altura para mim e ao que é que poderei recorrer para ressuscitar esta atmosfera rica que parece saturada da presença natural das coisas, onde tudo tem o seu lugar e toma a forma certa?”5 O processo que estará descrito nas páginas seguintes passou por 3 diferentes momentos. Para melhor ilustrar esta espécie de “narrativa”, exemplifico as questões mais pertinentes de cada fase e alguns exemplos que serviram de referência, como em qualquer projecto. Ao longo de todo o método processual vão surgindo vários destes casos de estudo, úteis por vários motivos (uns que me vêm acompanhando ao longo da vida, outros que a passam agora a integrar). Os vários caminhos do processo e da pesquisa vão abrindo várias “frentes” e apontam diferentes direcções até ao destino final – o projecto. 4 ALVES COSTA, Alexandre, Dissertação, edições do curso de arquitectura da e.s.b.a.p., 2ª edição, Porto, 1982, p. 11 5 ZUMTHOR, Peter, Pensar a arquitectura, Trad. de Astrid Grabow, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2005, p. 102 Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 9 - Planta inicial do sítio, desenho gráfico. Fig. 10 - Desenho do autor. Fig. 11 - Desenho do autor. Fig. 12 - Esquema inicial, desenho do autor. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 35 Momento I Foi aqui que tudo começou. Desde o convite até ao primeiro encontro com o terreno e o programa. Na primeira reunião com o orientador foi apresentado o problema. Um programa vasto, uma escala nunca treinada, um país de eleição. Foi também o momento para certos sentimentos – entusiasmo e receio. Entusiasmo por participar num concurso internacional, mas principalmente por fazer o que mais gosto – arquitectura - , por outro lado receio, por se tratar de um exercício complexo. Lembro-me claramente de olhar pela primeira vez para as plantas enviadas pela entidade organizadora. Siza refere que a “relação entre natureza e construção é decisiva na arquitectura. Esta relação, fonte permanente de qualquer projecto, representa para mim como uma obsessão; sempre foi determinante no curso da história e apesar disso a uma extinção progressiva”. 7 O lugar impôs-se, com os limites muito bem definidos. Um edifício de grande escala de forma recortada, situado numa cota elevada – a École Hôtelière de Lausanne, sobressai sobre um manto verdejante de árvores situado entre dois vales. O terreno decresce para sul, assim como seus movimentos. Um conjunto de casas unifamiliares de pequena escala espalham-se pelo terreno como se de árvores se tratassem. É um terreno rural dos arredores de Lausanne com características muito próprias e uma vista privilegiada para o lago Leman. Um hotel de treino, um pavilhão desportivo e residência de estudantes. Como dispô-los no terreno? Como escreveu Alvar Aalto no texto A truta e a corrente: “Quando pessoalmente tenho que resolver qualquer problema de arquitectura, vejo-me constantemente, quase sem excepção, perante um obstáculo difícil de resolver, uma espécie de «courage de trois heures du matin»8. As razões parecem ser complicadas, um fardo pesado representado pelo facto de que o planeamento arquitectónico opera em função de inúmeros elementos que muitas vezes estão em conflito. Exigências sociais, humanas, económicas e técnicas combinadas com questões psicológicas que afectam o indivíduo e o grupo, juntamente com os movimentos de massas humanas e indivíduos, assim como fricções internas - tudo isto forma um labirinto complexo que não pode ser descodificado por um processo racional ou mecânico. O número imenso de várias exigências e problemas constituem uma barreira que dificulta o aparecimento da ideia básica 7 SIZA, Álvaro, Imaginar a evidência, Trad. Soares da Costa, Edições 70, Lisboa, 1998, p. 17 8 AALTO, ALlvar, “The trout and the Mountain Stream”, (1947), in Sketches Alvar Aalto. ed. G. Schildt, Massachusetts: MIT Press, 1978, p.96-98 Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 13 - Desenho de processo. Fig. 14 - Desenho de processo. Fig. 15 - Desenho de processo. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 37 arquitectónica. Esqueço-me de todos os problemas por momentos, depois de me aperceber subconscientemente dos parâmetros e várias exigências do trabalho. Desenho por instinto, não faço sínteses de arquitectura, muitas vezes os meus esboços parecem-se com composições infantis, e deste modo, nesta base abstracta, a ideia principal toma forma, gradualmente, uma espécie de substância universal que me ajuda a harmonizar os inumeráveis componentes contraditórios.”9 Os primeiros esquissos traduzem uma procura. Picasso costuma dizer, “Eu não procuro, encontro”, referindo-se à procura, transformando-a num encontro, pelo passado, pelo peso da história. Um processo que enredava numa procura da tradição e da solução mais apropriada às suas convicções. No meu caso próprio utilizo o desenho como se da história se tratasse. Uma atitude simbólica que tem numa acção um significado mais profundo para além do próprio significado. Para mim o desenho é também história e memória. Como defende Juhani Pallasma: “a mão capta a qualidade física e material do pensamento e a converte numa imagem concreta. No árduo processo de projecto a mão às vezes toma as rédeas em função de uma visão, com um vago pressentimento de que finalmente se converterá num esquisso, numa materialização de uma ideia”.10 De facto, a procura que me direcciona em vários sentidos reflecte o importante carácter amplo e multidisciplinar da arquitectura, pode orientar para uma desorganização na hierarquia entre prioridades estratégicas e de vontades superficiais, levando a direcções longínquas daquilo que se procura. Como tal, e como em qualquer fase de projecto, é fundamental estabelecer prioridades, o que nos permite decidir sem perder o sentido dos objectivos. Não há um conceito muito próprio ou específico, mas sim, um conjunto de primeiras ideias, ou então, um conjunto de premissas/problemas que foram logo de início equacionados. A primeira está relacionada com a escala e forma do edifício da Escola. Como não seria possível a demolição tanto da Escola como do chalet, o problema seria como difundir a escala e intervenção numa só – fragmentar. Esta é a primeira ideia do projecto - usar as pré-existências como base da estratégia da composição e deixar o bosque e o verde serem o elemento de fusão dos diferentes elementos. A fig. 13 primeira planta a desenho de computador nota-se um clara ten9 AALTO, ALlvar, “The trout and the Mountain Stream”, (1947), in Sketches Alvar Aalto. ed. G. Schildt, Massachusetts: MIT Press, 1978, p.96-98 10 PALASMA, Juhani, La Mano Que Piensa, Sabiduria Existencial Y Corporal en La Arquitectura, Trad. Moisés Puente, Editorial Gustavo Gili, SL, Barcelona, 2012, p. 14 Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 17/18/19 - Desenhos do autor. Fig. 16 - Desenhos do autor. Fig. 20 - Maquete de estudo, escala 1/1000. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 39 tativa de encontrar um traçado organizador de desenho. Uma guia que começa na escola e que acaba por desenhar e orientar a nova entrada do campus. Este seria o primeiro alinhamento horizontal seguido de outro, paralelo, que se agarra a este volume e interage com os que se seguem. A importância que o chalet tem desde o início é crucial na distribuição dos edifícios. Como se irá ver adiante, a ideia é o chalet poder “respirar” na composição, tornando-se charneira de todo um movimento, quer directa quer simbolicamente. Decidi que libertar a parte superior do terreno seria o mais indicado. Deixar o bosque tornar-se o elemento de fusão. A entrada antiga da escola continuou a existir, de forma pontual e histórica. Ainda na mesma planta percebi a imensidão de área pedida para a residência de estudantes (respectivamente o jogo de volumes dispostos no terreno). Foi das primeiras tentativas de por um lado separar cada programa, e por outro de os interrelacionar entre todos os volumes e também com o lugar. “Com base nesta ideia desenho as primeiras plantas e cortes dos meus projectos. Faço diagramas geométricos e corpos simples. Tento ver os corpos inventados como objectos precisos no espaço e acho importante sentir como delimitam um espaço interior do espaço que os rodeia ou como captam o contínuo espacial infinito como um recipiente aberto.”11 Nas imagems que se têm vindo a mostar, nota-se uma tentativa de fragmentar os volumes pelo terreno. Inicialmente o volume do hotel situava-se logo a seguir ao chalet, com os quartos orientados a sul, e funcionando como pivot do resto dos volumes que compõem a composição – residências de estudantes. Esta primeira fase traduz uma clara procura pela interacção entre os volumes e o terreno e torna-se exactamente isso – uma procura. Uma implantação, uma estratégia. Em inícios de Fevereiro o grupo reuniu-se e dirigiu-se à Suíça para ver o terreno. Na altura, época alta de neve, domina uma pele branca, perfurada pela natureza, de árvores e volumes dispersos em pedra. Na cota alta a Escola. Mais imponente do a que fazem parecer as plantas e as imagens via satélite. No lugar apercebi-me de que as primeiras ideias e intenções estavam, de certa forma, já evocadas pela análise e reflexão feita anteriormente. Creio que a origem do projecto se fixou nesta visita após terem sido reflectidas no lugar as ideias principais, 11 ZUMTHOR, Peter, Pensar a arquitectura, Trad. de Astrid Grabow, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2005, p. 20 Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 21 - Apresentação em Pamplona. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 41 os esboços, os vários estudos: fragmentos do processo e do método. “ O método não existe separado do objecto”.12 “Começo o projecto quando vou ver o terreno. Outras vezes começo a partir da ideia de um lugar, uma descrição, uma fotografia, algo que me tenham dito. Tudo tem um começo. Um lugar vale pelo que é e por aquilo que quer ser, coisas opostas mas com uma certa relação. Muito do que é desenhado até agora (muitos outros hão de ser desenhados por mim) flutua no interior do primeiro desenho. Desordenadamente. Tanto, que tão pouco permanece do primeiro lugar que evoca o todo. Nenhum lugar está deserto. Posso sempre ser um dos seus habitantes. A ordem é aproximar-se dos opostos.”13 Esta primeira fase culmina numa outra viagem, na visita do grupo à Escola de Arquitectura de Navarra em meados de Março. A visita estava inserida num programa organizado tanto pela EHL como também pela Escola de Navarra. Foi uma experiência muito rica, não só pelo acompanhamentos dos Professores e Arq.tos Nuno Brandão, Camilo Rebelo e o Director da FAUP, Carlos Guimarães, onde se estabeleceu uma relação mais informal do que o habitual, as conversas tornaram-se mais simples o que ajudou à descontracção e interacção. Sem nunca se perder o sentido da relação aluno-professor, sentimo-nos como um grupo uno. Mas ainda pela simpatia e hospitalidade com que fomos recebidos pelos estudantes de arquitectura de Pamplona (também participantes no workshop), que não só nos ofereceram alojamento como também indicações de locais e edifícios interessantes para ver na cidade e arredores. A chegada a Pamplona foi acompanhada de algum nervosismo e ansiedade. No primeiro dia de apresentações, e na chegada à Escola, diria que fomos surpreendidos pelo desenvolvimento geral dos trabalhos dos colegas espanhóis. Enquanto tínhamos apenas desenvolvido os trabalhos na escala 1/1000, os colegas espanhóis tinham já elementos à escala 1/500 e 1/200. É normal que esse desenvolvimento nos tenha assustado, mas a verdade é que tínhamos 2/3 meses a menos de trabalho, o que no fim da visita acabou por se tornar compreensível. Tivemos também a oportunidade de conhecer os responsáveis pela firma de arquitectura responsável pelo projecto em questão – Richter - Dal Rocha & Associates – e o responsável organizador da EHl, Remy Balmond e de saber quais 12 ALVES COSTA, Alexandre, Dissertação, edições do curso de arquitectura da e.s.b.a.p., 2ª edição, Porto, 1982, p. 11 13 MONEO, Rafael, Inquietud teórica e estratégia proyectual en la obra de ocho arquitectos contemporâneos, Editora ACTAR, edição e correcção Carmen Diez Medina, Barcelona, 2004, p. 205 Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 28/29/30 - Desenhos do autor. Fig. 31 - Desenhos do autor. Fig. 32/33/34 - Desenhos do autor. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 49 sempre presente e disponível neste percurso processual. Álvaro Siza num texto sobre “A importância de desenhar ” refere que “A obsessiva especialização atrofia capacidades universais; a alguns é permitido e imposto desenvolver umas tantas – e não outras. E no entanto, no respeito ao desenho, qualquer criança se exprime com frescura e rigor; os inadaptados e os considerados loucos.(...) Tal como Siza e muitos outros que se habituaram ao uso da mão como forma de pensamento, considero que o “(...) desenho é uma forma de comunicação, com o eu e com os outros (...)” é “ um instrumento de trabalho; uma forma de aprender, compreender, comunicar, transformar: de projecto. (...) Outros instrumentos poderá utilizar o arquitecto, mas nenhum substituirá o desenho sem algum prejuízo, nem ele o que a outros cabe. A procura do espaço organizado, o calculado cerco do que existe e do que é desejo, passam pelas intuições que o desenho subitamente introduz nas mais lógicas e participadas construções; alimentando-as e delas se alimentando. Todos os gestos – também o gesto de desenhar – estão carregados de história, de inconsciente memória, de incalculável, anónima sabedoria.” 17 O programa para as residências de estudantes era, de certa forma o mais importante. Não só porque tinha a maior área, mas também porque seria a habitação o local de grande permanência daqueles que vivem e aprendem no lugar. Esta questão era fundamental para se entender as questões de habitabilidade do estudante. O projecto para uma residência de estudantes exige um esforço notável, isto porque devem ser analisados e compreendidos os hábitos e as necessidades de quem irá lá habitar. A escola é conhecida por albergar e ensinar um grande número de estudantes provenientes de culturas diferentes. Esta questão de pluralidade cultural foi fundamental para se compreender o problema de comunidade. Percebemos logo de início que, em função da ideia para o projecto, cada célula deveria ser individual (era também um dos requisitos do programa – quartos individuais). Ora, não significa que não possa existir algum tipo de contacto entre os estudantes, que por si só já existe nos corredores, mas principalmente, o que nos chamou atenção foi poder atribuir-se total privacidade e individualidade a cada estudante e respectivo quarto e, por outro lado, investir mais na área e espaço livre dos quartos. Face a esta decisão, foi absolutamente imprescindível investir nos espaços comuns - áreas priveligiadas de sociabilidade e convívio. Consideramos que o desenho das áreas públicas foi uma constante variável, isto 17 SIZA, Álvaro, Textos 01, Civilização Editora, Porto, 2009, p. 37 Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 36 - Desenhos do autor. Fig. 37 - Desenhos do autor. Fig. 35 - Desenhos do autor. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 51 porque estiveram sempre dependentes da composição da implantação dos volumes da residência e da interacção com o pavilhão desportivo e terreno. Para esta interacção, os pátios foram cruciais. Em alguns casos os pátios funcionam como claustros, noutros como reentrâncias de volume e terreno. Sempre sem esquecer o conforto da circulação entre cada espaço, o que convida a uma relação mais comunitária entre estudantes. Neste caso de ambiente projectado pelos arquitectos, tanto a sua noção de espaço público estudantil como das suas qualidades psicológicas face a cada espaço é fundamental no comportamento social dos utilizadores desse mesmo espaço. Esta questão é fundamentada por Steven Tiesdell e Taner Oc no texto Architecture and people: “A análise da influência do comportamento do ambiente físico deve inevitavelmente começar com o determinismo ambiental, onde o ambiente físico determina o comportamento social.”18 É com o estudo para os espaços comuns que o projecto começa a ganhar complexidade, uma aproximação de escala que vai de encontro a um programa mais próximo da realidade que impõe já hierarquias decorrentes de usos identificados. A divisão esquemática inicial ganha intensidade e densidade, com espaços mais adequados aos usos, pelas suas proporções, dimensões e localização. É também nesta fase que começa a ganhar alguma visibilidade a ideia de articular a volumetria com o terreno em formas de pátios (já anteriormente referidos) que derivam da subtracção e adição, quer de volumes, quer de terreno (consequência que só se irá consolidar na última fase). Nesta fase era também importante um aprofundamento na definição das opções construtivas que muito estavam relacionadas com a materialização das ideias e com a concepção espacial e consequente expressão do edifício. Como o tempo não pára, chegamos a 10 de Maio, dia de crítica com os professores do 4ºano. Para além do orientador Nuno Brandão Costa, contamos com a presença dos Arq.tos Carlos Guimarães (Director), João Pedro Serôdio, José Gigante (co-orientador), Francisco Vieira de Campos, Graça Correia e Paulo Providência ( o Arq. Adalberto Dias declinou a sua presença na crítica por questões de incompatibilidade). Os trabalhos foram expostos e as devidas apresentações individuais realizadas. As críticas (no geral) que foram feitas, a partir da maqueta, principalmente, fo18 FARMER, Ben, Louw, Hentie, Companion to contemporary architectural thought, edited by Ben Farmer and Hentie Louw, Edition Routledge, London, 1993, p. 44 Parte II - Método e processo de trabalho 850.0 847.0 838.00 843.00 841.00 842.00 843.00 844.00 845.00 846.00 847.00 835.00 836.00 837.00 838.00 839.00 840.00 852.00 851.00 850.00 849.00 848.00 852.00 20485 850.0 834.000 847.00 852.00 849.00 851.0 852.0 858.00 865.00 843.0 853.0 853.0 850.0 845.0 848.0 840.00840.00 Fig. 38 - Planta apresentação à crítica, escala 1/500. Fig. 39 - Maquete de apresentação para a crítica. Fig. 40Maquete de apresentação para a crítica. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 53 ram bastante directas e assertivas. Uma das críticas mais partilhadas pelos professores dizia respeito às relações de escala e no jogo de cheios e vazios dos volumes das residências de estudantes. De facto, essa questão era onde residia o maior dos meus problemas – escala. De modo a tentar respeitar o programa de 970 quartos e em função da estratégia adoptada até àquele momento, a solução passou por introduzir mais um piso em cada volume. Assim, conseguia-se respeitar o programa mas, por outro lado, introduzia-se uma escala tal que arruinava a composição. Se fragmentar e criar um jogo de volumes contrariava de certa forma o carácter maciço a que o programa poderia obrigar, aumentar a cota dos edifícios iria nesse mesmo sentido. Por outro lado, a proximidade dos volumes também poderia ir ao encontro de uma certa densificação. Aqui residiu um problema a resolver – relação entre cheios e vazios. Outra das críticas mais assertivas foi a localização dos campos de desporto exteriores. A localização actual implicava que assentassem numa cota horizontal sempre regular – 39 – cota de entrada no campus e, por consequência, do pavilhão desportivo e respectivo programa. O que sucedia era uma grande diferença de altura entre esta (39) e a cota 45 – uma grande plataforma verde, em grande parte de nível, identificada como parte integrante e de implantação/base da massa construída. Esta diferença seria excessiva para uma intenção sensível e de diálogo equilibrado com o lugar. Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 41 - Desenho do autor. Fig. 42 - Desenho do autor. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 55 Momento III Da crítica com os professores do 4º ano e das várias conversas com os orientadores, resultaram dias de procura da solução e resolução face às reflecções pessoais e análise das críticas recentemente feitas. O que à partida poderiam ser imposições restritivas e desanimadoras, resultaram numa motivação para avançar com mais ânimo de forma a terminar o projecto. Sentia que me encontrava perto de conseguir conciliar uma resposta mais adequada e funcional com uma intervenção unitária, em prol da sensibilidade que o lugar e o programa exigem, numa estratégia fixada na geografia da envolvente. A entrega e a escolha dos projectos para representar a FAUP na Suíça era daí a um mês e, portanto tínhamos de concluir todas as dúvidas e problemas até essa data. O objectivo para esta fase foi clarificar e resolver as questões apontadas na crítica. Conseguimos perceber que ao resolver esses problemas o projecto poderia passar à sua fase seguinte. Várias soluções foram trabalhadas. Umas, agarradas a esquemas anteriores, outras, que definiam formas de interação entre as diferentes peças, de modo a solucionar o problema de relação existente, sem perder a autonomia de cada volume. Uma intervenção que se pretende destacar da terra, evidenciando o contraste entre o edificado e o existente; a segunda, ligada à terra, procura uma integração do construído na paisagem, através da textura, cobertura e cor. “Só após termos conseguido responder, passo a passo, às perguntas relativas ao lugar, ao material e à tarefa, se desenvolveram gradualmente estruturas e espaços que nos surpreenderam e dos quais acredito que contêm o potencial de uma força originária que vai para além do arranjo de formas estilisticamente pré-concebidas.”19 Relativamente à análise feita na composição dos volumes das residências de estudantes face às questões de cheios-vazios e de urbanidade, a resolução passou pela subtração de terreno desses volumes surgindo uma sucessão de pátios interiores junto ao perímetro da enorme massa (solução que veio a ser trabalhada até ao momento crucial de conclusão) - fig’s 40 e 41. Esta solução foi um claro exemplo de evolução processual e de pensamento de projecto. Com uma abordagem geral e particular, com a liberdade de quem traça pela pri19 ZUMTHOR, Peter, Pensar a arquitectura, Trad. de Astrid Grabow, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2005, p. 27 Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 43 - Desenho do autor. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 57 meira vez mas com a profundidade de uma procura de uma fase mais adiantada do projecto. Sem contrariar o que foi vindo a ser defendido até ao momento. Neste caso estavam não só em jogo questões de escala completamente diferentes, como a estratégia da distribuição programática, as proporções de escala de cada espaço ou a forma como tudo iria ser relacionado. Identifica-se uma unidade na forma de encarar cada tema, sendo ao nível do processo e do desenho que torna se possível esta leitura unitária e evolutiva. “O desenho é a linguagem e a memória, a forma de comunicar consigo e com os outros, a construção. Não desenha por exigência da Arquitectura (basta pensar, imaginar). Desenha por prazer necessidade e vício. Outros por ele desenhem o que imagina, para que outros que o desejem vagamente possam realizar o que imagina. Desenhos técnicos. Desenhos de máquinas. Desenhos sem estética, a não ser a latente no que é necessário e suficiente para resistir e garantir a vida material, o afluir da água, do ar, da energia, das comunicações, da beleza.”20 Foi também a altura para definir qual a materialidade para o projecto. Entre a placagem de pedra da região, o uso da madeira e uma pele uniforme, a escolha recaiu no betão armado à vista, em que a verdade da matéria que compõe a parede estrutural é exibida e utilizada como revestimento de todo o edificado de modo a uniformizá-lo. Um betão cofrado por uma estrutura de tábuas de madeira colocadas na horizontal, para as residências de estudantes de modo a “diluir” a escala dos edifícios, e na vertical para o hotel, de forma a contrastar em altura e programa. Como enuncia Siza, a “Complexidade e ordem conferem aos materiais e aos volumes e aos espaços luminosos vibração e permanente disponibilidade. Por isso a Arquitectura não condiciona comportamentos de forma significativa; mas não constitui um quadro neutro.”21 As diferentes opções compositivas, dividem-se em dois grupos: um em que a proposta é constituída por vários volumes, ligados por uma peça de outra natureza que os articula sem se confundir com eles (residência de estudantes e espaços comuns); e uma outra mais relacionada com uma materialização de uma ideia, em que a estratégia passa pela subtracção de massa ao terreno – a ideia para o hotel de associar o programa à escola, devido às suas necessidades e funcionalidades. Em ambos os casos, o programa era organizado ao longo de um eixo, a partir do qual se podia aceder às diferentes áreas do campus. Foi, de facto, nesta 20 SIZA, Álvaro, Textos 01, Civilização Editora, Porto, 2009, p. 137 21 Ibidem, p. 45 Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 47 - Piscinas de Leça da Palmeira, Álvaro Siza. Fig. 46 - Casa Ugalde,Caldetas (1952), José António Coderch EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 65 cia o modo como são utilizados os materiais na arquitectura destes dois autores. Perceber e saber o que é mais adaptado a cada lugar é uma das suas grandes preocupações. Todas estas circunstâncias, incorporando a escala do edifício da escola encaminham a intervenção para que não fosse indiferente ao lugar e à sua memória. Tal como enuncia Zumthor, “ Projectar um edifício, o espaço que o envolve e o suporta, não pode ser pensado unicamente em termos técnicos, nem mesmo arquitectónicos. É preciso entender o contexto, que é fundamental. É preciso ficar-se impregnado.”4 Um exemplo que realço é a pequena Igreja Saint Benedict (1987-1989) em Sumwitg, Suíça, onde Zumthor utiliza a madeira, mas da mesma forma que era usada antigamente como revestimento exterior em pequenas placas que são sobrepostas em escama, para que e a neve e a água possam escorrer facilmente, do mesmo modo que se utiliza a lousa nos revestimentos de empenas e mansardas no nosso país. Mas, já no edifício das termas, utiliza a pedra da região, provocando automaticamente um mimetismo com a paisagem, uma integração total. Ou então lembro a Casa Ugalde em Caldetas (1952) do arquitecto catalão José António Coderch (1913-1984). Um edifício de forma orgânica, que vai sendo modelado às condicionantes específicas do lugar e do programa. A forma do lote, a topografia, as vistas para o mar, a orientação, as árvores pré-existentes e o programa acabam configurando uma obra inédita. A sua complexidade interior manifesta-se numa bela sucessão de espaços orgânicos. Tal como Fernando Távora desenvolveu na sua obra o saber construtivo da arquitectura tradicional portuguesa, sugerindo uma arquitectura moderna perfeitamente adaptada à paisagem, exaltada com um espírito racionalista e contemporâneo, no qual busca apreender a funcionalidade e a beleza. E tudo isto tem continuidade mais tarde com Siza Vieira, sendo visível logo nas suas primeiras obras – Restaurante da Boa Nova (1958-74) e as Piscinas da Leça da Palmeira (1961-66) – e ao longo de toda a sua produção arquitectónica, tornando-se numa “imagem de marca” inconfundível. “ A relação que estabelece com a natureza ou a cidade é necessária para confirmar a autonomia da linguagem e nunca em função de uma pretendida complementaridade (...) A sua imagem distingue-se do contexto, não mimetiza a envolvente, provoca uma nova leitura do existente. Afirma intencionalmente a sua posição em relação à realidade, a contestar ou a validar, e transforma este facto artístico 4 ZUMTHOR, Peter, Pensar a arquitectura, Trad. de Astrid Grabow, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2005, p. 10 Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 48 - Casa Malaparte, Adalberto Libera. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 67 em proposta de vida.”5É esta a procura que tento também. A experiência de vida e a instrução recebida na “Escola” leva-me a relacionar o lugar e a obra, e a estudar e perceber a história do lugar, a materialidade do lugar, a vida do lugar. “Do neo- -realismo italiano adopta-se a crítica do movimento orgânico ao racionalismo, à sua estreiteza ideologia, à sua vocação tecnológica, ao seu pluralismo linguístico. Revalidam-se os aspectos psicológicos, ambientais, naturais, a redimensionar a escala das intervenções, a aderir mais pragmaticamente às condições histórico- -sociais próprias de cada comunidade (...) Nas nossas condições procura-se terreno para a intervenção que defina à partida a natureza do futuro utente.”6 Neste caso em concreto, o “lugar” do projecto é muito particular e, apesar de estar próximo de Lausanne, mantém características profundamente rurais, ficando localizado num pequeno vale rodeado por duas vias de circulação de características distintas – uma via rápida e uma estrada rural. Está abraçado por um manto verdejante que lhe proporciona uma grande autonomia e personalidade, para além das suas privilegiadas vistas sobre os Alpes e o Lago Leman. Possui um carácter concreto, empírico, existencial, articulado, definido até ao detalhe. É definido pelos valores simbólicos e históricos ( chalet ), pela sua topografia e pela sua construção fragmentada e de pequena escala (principalmente habitação unifamiliar). Tudo isto é contrariado pela grande escala do edifício principal da EHL. Apesar da sua forma recortada e de ter sofrido diversas alterações e ampliações ao longo dos anos, possui um peso excessivo que contraria o carácter rural e efémero do lugar. Projectar uma obra de arquitectura implica sempre a transformação de um determinado lugar, no sentido de se substituir, adaptar ou reabilitar um sistema existente por outro, de forma a reagir melhor às novas funções que estão a ser estudadas ou às novas necessidades que dele serão exigidas. Todo o discurso anteriormente descrito, sobre a dialéctica que se estabelece com o lugar, não faz qualquer sentido se a obra projectada não evidenciar que é adequada para aquele lugar, que só poderia existir naquele sítio. 5 Alves Costa, Alexandre, Dissertação, edições do curso de arquitectura da e.s.b.a.p., 2ª edição, Porto, 1982, p. 28 6 Ibidem, p. 26 Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 49 - Quarto para os monges no Convento de La Tourette, Le Corbusier. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 69 Programa “Todo o homem cria formas, todo o homem organiza o espaço e se as formas são condicionantes pela circunstância, elas criam igualmente circunstância, ou ainda, a organização do espaço sendo condicionada é também condicionante.”7 Quando Rafael Moneo projectou o Campus para a Universidade de Harvard referiu na altura que “Construir no Campus obriga a reconhecer esta condição fluída, em mudança. Propondo arquitecturas que resolvam os problemas de hoje, sem fechar as portas à evolução e ao desenvolvimento futuro. Num projecto com estas características o arquitecto reconhece-se a si mesmo, como um jogador de xadrez, que antecipa, ao decidir o seu movimento, o que será tabuleiro de jogo mais tarde, move – ao construir o seu edifício – uma ficha do tabuleiro e abre o jogo para o próximo movimento.” 8 Tal como Moneo refere para Harvard, também neste caso, o Campus da EHL obriga a pensar o projecto como algo evolutivo, o que significa que é necessário adaptarmo-nos às valências já existentes, e aumentar o programa em três funcionalidades muito diferentes – hotel de treino, pavilhão desportivo e residência de estudantes - que têm o utilizador/estudante como denominador comum. O programa exige uma ligação comum a todos os espaços. Não nos podemos esquecer que no inverno o espaço exterior pode ficar completamente inacessível pelo gelo e pela neve. Por outro lado também esta ligação comum teria que ligar os espaços existentes aos futuramente projectados. Moneo acrescenta, uma vez mais, a propósito sobre o Campus de Harvard, nos Estados Unidos, “ ... gosto de ver o campus... como um traçado de caminhos e veredas, onde se cruzam os estudantes que percorrem ao soarem as campainhas do relógio, se deslocam em busca das aulas que mais lhes agradam. O campus antecipa o que será a vida, um contínuo mistura de pessoas e ocasiões. O campus, portanto, como um pequeno universo, em que tudo aquilo que a vida pode dar já está aqui presente.” 9 Sendo o cliente, neste caso, o estudante, e o programa das residências de estudantes o de maior dimensão, a principal questão passou por se conjugar 970 quartos de residência sem que a densidade da construção indicie as características de um meio tipicamente urbano, o que se assume como o grande desafio. Para além disso, existia o desenho e projecto do quarto individual – célula. A imagem que sobressaiu foi a do quarto que Le Corbusier desenhou para Le Convent Sainte7 TÁVORA, Fernando – “Da Organização do espaço”, 2ª edição, Porto, Faup, Publicações, 1982, p. 85 8 MONEO, Rafael – Apuntes sobre 21 obras – Editorial Gustavo Gili, Sl, Barcelona, 2010, p. 585 9 MONEO, Rafael, Apuntes sobre 21 obras, Editorial Gustavo Gili, Sl, Barcelona, 2010, p. 583 Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 50 - Residências de estudantes, Aveiro, Adalberto Dias. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 71 -Marie De La Tourette em Eveux, para os monges. Um pequeno espaço de 9m2 que reunia todas as necessidades de habitar dos monges – dormir e meditar. Esta comparação reside nas necessidades de cada um para habitar aquela célula, que apesar de diferentes das de um quarto de residência, o raciocínio que está por detrás do seu desenho é semelhante.- um espaço para descansar e reflectir, adaptável a diferentes hábitos e culturas. Quais são as necessidades de habitar de um estudante de hotelaria num meio rural? Como se dispõem 970 quartos no lugar? Lembro-me das imagens do tijolo maciço puro e duro das Residências de Estudantes no Campus Universitário de Aveiro, onde o quarto se constituiu como a unidade métrica do projecto – o módulo. E, com ele, o rigor e a composição da obra – “dele tudo se desenhou. “10 Uma forma que se adapta aos seus limites. Uma”... alameda formada pela repetição das pequenas unidades residenciais, cada uma com sua porta e alçado, sempre diferentes (mas semelhante) das do vizinho, termina num espelho de água, que reflecte a luz no tecto do terraço que prolonga os espaços de convívio e encontro, no edifício do ângulo.”11 A maneira como o Autor racionaliza a construção e devida organização espacial em função da célula dos quartos tornou-se a chave de toda a obra, fundamentalmente por se saber à partida, da inevitável e necessária repetição do mesmo módulo. Por outro lado, a forma como se adapta aos limites do terreno, se fragmenta e consequentemente se torce para resolver e atenuar dimensão e densificaçã0. É uma obra, que pelo programa e por certas preocupações arquitectónicas, se enquadra na reflexão. Ocorreram-me também imagens de um complexo residencial, na Aldeia de Biel’s, arredores de Basileia do arquitecto Peter Zumthor - Spittelhof Housing (1989-1996). O interessante na obra, é o facto de o autor se inspirar no terreno para construir uma composição equilibrada e rigorosa com o lugar. Por um lado adapta-se aos limites do terreno, e por outro à sua topografia, criando um jogo de três volumes que acompanham o alto declive do terreno, mas também relacionando a escala destes com os edifícios da envolvente. Para além do mais, a forma como os edifícios estão dispostos no terreno permite a possibilidade de ter vários pontos de vista sobre a paisagem, ou seja, criou uma composição orgânica e articulada. Numa pequena localidade da Suiça, mais propriamente em Vals recordo- -me de uma espécie de rocha cuidadosamente colocada na paisagem e minuciosamente esculpida, criando diferentes mundos. Cada um diferente. Uma unida10 DIAS, Adalberto, Arquitecturas, Edição Caleidoscópio, 2005, p. 75 11 Ibidem, p. 75 Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 51 - Termas de Vals, Vals, Peter Zumtor. Fig. 52 - Desenho de Peter Zumthor, Complexo residencial Spitelholff, Biel-Benken, Basileia, Peter Zumtor. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 73 de material diferenciada por diferentes dimensões, temperaturas e sentimentos. Refiro-me às Termas de Vals (1990-1996) também de Peter Zumthor. O conceito de “genius Loci” está mais que presente nesta obra. Zumthor projecta as termas de forma a integrá-las no hotel existente. A ideia foi criar uma espécie de caverna, como estrutura. Trabalhando com a realidade natural, as termas situam-se debaixo de um tecto verde, que prolonga o verde da encosta e com parte do edifício enterrado na encosta. O quartzito de Vals (material da região) tornou-se a inspiração e guia para o projecto, tendo sido utilizado com enorme rigor e simbolismo. As combinações de luz e sombra, interior-exterior e a sua materialidade e homogeneidade criam um espaço acolhedor e harmonioso que se coaduna com o objectivo funcional do próprio espaço. ” O sentido, que se deve criar no contexto dos materiais, encontra-se para além de regras de composição; e também a sensibilidade, o cheiro e a expressão acústica dos materiais são apenas elementos da linguagem que temos que utilizar. O sentido nasce quando se consegue criar no objecto arquitectónico significados específicos de certos materiais que só neste singular objecto se podem sentir desta maneira.(...) Se o conseguirmos, os materiais na arquitectura poderão transmitir som e brilho.”12 A organização do espaço interior e dos percursos feitos pelos visitantes resulta numa procura e definição na qualidade e sensibilidade que cada espaço interior possui. Estes caminhos são sempre controlados, garantindo ou impedindo uma vista. Do meu ponto de vista, como programa de um hotel e para o lugar que é, as premissas teriam que ser semelhantes à misticidade criada em volta das Termas de Vals. O programa pedia 70-100 quartos de 30m2 com respectivas áreas comuns de salão principal, cafetaria, restaurante de 5 estrelas e todas as áreas necessárias relacionadas com as cozinhas, áreas técnicas e despensas. Por outro lado, enriquecer o programa considerando objectivos muitos diferenciados: os espaços da unidade hoteleira poderem estar preparados para ser usados como local para as aulas de trabalhos práticos, mas também funcionar como unidade hoteleira normal e independente da Escola, em alturas próprias do ano, como por exemplo no verão, altura em que o campus está encerrado para férias. Numa primeira reflexão relativamente ao pavilhão desportivo vieram lembranças do Pavilhão Multiusos de Gondomar, desenhado por Álvaro Siza. 12 ZUMTHOR, Peter, Pensar a Arquitectura, Trad. de Astrid Grabow, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2005, p. 10-11 Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 57 - Mount Tindaya (2003), Fuerteventura Eduardo Chillida. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 81 e como tal é indissociável do modo de se pensar arquitectura. O modo como este influencia as atitudes e vontades do ser humano revela-se como um dos principais motores da prática da arquitectura. Tal como defende Albert Einstein, o tempo é “uma ilusão. A distinção entre passado, presente e futuro não passa de uma firme e persistente ilusão”. O facto de o exercício se dividir por fases, cria uma certa disciplina, o que significa que à partida existem prazos intermédios a cumprir, mas o facto de o termos começado tardiamente (Janeiro para finalizar em Junho) viria a revelar-se como um grande obstáculo à própria criação – o tempo. Daqui surgiu, inevitavelmente, a pressão. O tempo dividido pelo número de fases acabou por se tornar em, igualmente três fases: pensar, criar e executar. Uma outra relação temporal directamente relacionada com a história do território, esteve sempre presente nas diferentes fases temporais. A luz foi também um factor indissociável de toda a ideia e do desenrolar do exercício. A luz, aos olhos de Campo Baeza “(...) é uma componente essencial, imprescindível na construção da Arquitectura. A luz é MATÉRIA e MATERIAL. Como a pedra. Quantificável e qualificável. Controlável e mensurável. Sem Luz NÃO há Arquitectura. Apenas construções mortas. A Luz é a única capaz de tensionar o espaço para o homem. De colocar o homem em relação com esse espaço, criado para ele. Ela tensiona-o, torna-o visível. A Luz dá razão ao TEMPO, a LUZ CONSTRÓI O TEMPO.”17 Parece-nos que uma das características/premissas especiais deste projecto reside neste aspecto. Não em deixar que a luz se torne completamente uma determinante do espaço, mas que esta pudesse ser controlada de forma a se adequar às funções e necessidades de cada espaço. Esta atitude perante a luz revela que os alçados se tornariam um reflexo interior de cada espaço. Para se tornar possível a relação entre luz e limite, o desenho, uma vez mais, tornou-se a ferramenta adequada para tais descobertas espaciais. Continuou a ser uma ferramenta imprescindível ao longo do todo o processo. 17 BAEZA, Alberto Campo – a ideia construída – Trad. Anabela Costa e Silva, Edição Caleidoscópio, 2ª edição, Portugal, 2008, p. 48 Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 58 - Desenho Le Corbusier, 1935, Pintura 130 x 97. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 83 Desejo Ao falar-se de arquitectura é indissociável falar-se de desejo e vontade de transformar e, se bem que quase instintivamente se saiba o que caracteriza estas atitudes, quando tentamos definir uma noção de desejo ou de vontade parece difícil evitar o discurso filosófico, abstracto e rígido, talvez pela dimensão dos próprios conceitos. Pode-se entender desejo “como força que nos empurra para diante, fenómeno interno com razão de ser noutra determinação, noutro fenómeno, surge como que para detrás do Eu, no domínio da natureza.(...) O Desejo apresenta-se, pois, como tensão do sujeito para um objecto de que actualmente está privado, mas cuja presença adverte, virtual e teologicamente.”18 É uma tendência que, por vezes consciente, poderá ser também inconsciente ou reprimida. Quando consciente, o desejo pode-se tornar numa atitude mental que acompanha a representação para o objectivo realizado. É esta a ponte que o diferencia da vontade. Pode-se “identificar a Vontade com cada uma das várias formas do seu condicionamento ou com as várias espécies de elementos que entram no processo evolutivo. (...) «A vontade é um estado de consciência final resultante da coordenação mais ou menos complexa de um grupo de estado conscientes (puramente fisiológicos) que, todos reunidos, se traduzem por uma acção.»19 Por outras palavras, a vontade é a capacidade através do qual se toma posição frente ao que nos aparece. Diante de um facto pode-se desejar ou rejeitar. É por meio da vontade que se põem em acção os nossos pensamentos quando queremos realizar algo. E para isso é preciso querer transformar um simples desejo em vontade. Daí o porquê de desejo e vontade serem estímulos diferentes, provindos do pensamento ou de outra fonte motivadora. Não só são diferentes como até mesmo a vontade, por vezes, se pode contrapor ao desejo de forma impositiva. Neste caso poder-se-á referir que o desejo traduz a emoção e a vontade a razão. Esta oposição entre desejo/vontade, emoção/razão é uma realidade do mundo arquitectónico. O querer tem muita força, mas desde que se tenha vontade de lutar pelo que queremos. Enquanto desejo, por vezes não passa de simples sonho ou fantasia; a vontade impulsiona a concretização de ideias. Como se referiu, o desejo está frequentemente ligado às nossas emoções, enquanto que a vontade em conformidade com a lógica, razão e raciocínio deverá ser motor de concretização de um desejo – o querer realizar, criar e transformar. É por meio 18 Enciclopédia Verbo, Luso-Brasileira de Cultura, vol. 8, Edição Século XXI, Editorial Verbo, Lisboa – São Paulo, 2003, p. 1359 19 Enciclopédia Verbo, Luso-Brasileira de Cultura, vol. 29, Edição Século XXI, Editorial Verbo, Lisboa – São Paulo, 2003, p. 831 Parte II - Método e processo de trabalho destes estímulos que se pode entender a forma como a arte afecta a nossa mente e a nossa existência. Como refere Peter Zumthor, “o processo de projectar baseia-se numa cooperação contínua entre o sentimento e o intelecto. As emoções, preferências, ânsias e cobiças que surgem e tomam forma devem ser examinadas com um raciocínio crítico. É depois o sentimento que nos transmite se os pensamentos abstractos são coerentes.”20 É a “(…) arquitectura que nos leva a reconhecer os limites da nossa própria existência e a deliberar sobre a essência da vida. Conduznos a experimentar a nossa própria existência com uma intensidade única.”21 Não era, e por vezes ainda não é, costume pensar as artes como formas de conhecimento, talvez por se pensar que a arte não é uma necessidade, ou por ignorância, mas, na verdade, a arte é um importante veículo de conhecimento, extraindo dela uma compreensão da experiência humana e, através dela, dos valores humanos, o que a transforma num dos modos fundamentais do conhecimento humano. Mas esse conhecimento não é um tipo de instrução. Embora a arte e a ciência partilhem nos seus modos de conhecimento um valor profético e um valor prático, o conhecimento científico tem uma natureza diferente porque é explicativo. O traço característico de todas as culturas humanas é produzir. Há uma linha contínua que o artefacto segue desde as suas primeiras manifestações em pedra lascada até aos mais sofisticados de hoje. Foi porque o homem que lascou a pedra retirou dela um desenho que lá não estava, explorou a natureza da pedra e suas características, que abriu caminho para aquilo que sabemos hoje, tanto no trabalho científico como no artístico, porque a obra de arte é uma realização fundamental ao longo da linha que começa no instrumento primitivo da pedra. No fundo, esta reflexão/ponto começa exactamente nos primórdios da humanidade e na necessidade/desejo que o homem, como indíviduo, tem em criar – transformar. “Mesmo quando olho para um projecto mais espectacular, revolucionário, passado um tempo, ou alguma reflexão, começa-se a ver que aquela frescura tem razão de ser, que no fundo vai buscar coisas que já estavam a caminho.”22 Fundamentalmente este raciocínio leva-nos para valores relacionados com a história e 20 ZUMTHOR, Peter – Pensar a arquitectura – Trad. de Astrid Grabow, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2005, p. 19 21 PALLASMA, Juhani – La Mano que Piensa, Sabiduria Existencia Y Corporal en La Arquitectura, Trad. Moisés Puente, Editorial Gustavo Gili, SL, Barcelona, 2012, p. 151 22 SIZA, Álvaro – Revista 2, O Público – Domingo,, 25 Agosto 2013, p. 19 EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 85 tradição da humanidade. Valores esses que hoje em dia se tornam, cada vez mais, esquecidos por uma sociedade apaixonada pelo espectacular e pelo supérfluo. “(...) Talvez por isso surja a tentação, tantas vezes presente nos nossos dias, de procurar a todo o custo a singularidade no que é parte de um tecido contínuo, construindo uma banalidade decorrente de ilusórias e paradoxalmente repetidas originalidades.”23 Ou então como se pode assistir nos dias de hoje a uma arquitectura com tendência a “reduzir-se unicamente à sua imagem e ao material, ao rosto sem interioridade e a espacialidade intrínseca que fazem a diferença, em modo de, à moda de ou em traço de, num processo de simples colagem ou justaposição de planos e superfícies, tal como um negligé mascara e subverte de maneira sedutora a figura humana que não o é”.24 É exactamente o oposto que se pretende com a defesa desta dissertação. Defende-se uma arquitectura que começa por um primeiro traço, e vai sempre através do desenho procurando uma solução - processo tradicional de desenhar - que tende hoje, cada vez mais a desaparecer nos gestos dos estudantes e dos arquitectos. Uma arquitectura que se cria a partir de bases enraizadas na tradição da profissão e de uma metodologia de trabalho que se criou na Escola do Porto, um “instrumento que vai permitir manobrar as repetidas incertezas que toldam a autonomia disciplinar da arquitectura, e estabelecer-se como instrumento primordial de derivação poética, é o desenho. (...) A prática do desenho tem na Escola, desde as suas origens, uma forte presença e uma enorme importância constitutiva - (...) o rigor da representação segue igualando o rigor da composição.”25 “Portanto, eu, enfim, na minha pequena escala, estou dentro do que é uma corrente que percorre a história da arquitectura(...) .”26 O desejo é a vontade de transformar que, por si só, é algo inerente à própria existência da criação. “Contra uma arquitectura franchisada,” 27 eu traço! 23 SIZA, Álvaro, Textos 01, Civilização Editora, Porto, 2009, p. 297 24 DIAS, Adalberto, UND7 E/I/MIGRAÇÕES, Edição departamento desilusão (uma herança) AEFAUP, Porto, 2008, p. 33 25 FIGUEIRA, Jorge – ESCOLA DO PORTO: Um Mapa Crítico, Edição eld/arq, Edições do Departamento de Arquitectura da FCTUC, Coimbra, 2002, p. 99 26 SIZA, Álvaro – Revista 2, O Público – Domingo,, 25 Agosto 2013, p. 19 27 DIAS, Adalberto, UND7 E/I/MIGRAÇÕES, Edição departamento desilusão (uma herança) AEFAUP, Porto, 2008, p. 33 EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 87 Parte 3 – Proposta Parte III - Proposta Fig. 59 - Esquema conceptual. Imagem inicial Primeiro gesto - ligação a todos os espaços e aproveitar a orientação Concepção final EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 89 Memória descritiva Em modo de conclusão do processo de projecto, que fui descrevendo no capítulo anterior, dedico a minha atenção e esforço para a caracterização do projecto final. Como já se referiu anteriormente, o projecto teve como ponto de partida o lugar e as suas especificidades. Um lugar composto por vários elementos físicos e objectivos que o caracterizam, constituindo uma fonte de informação essencial para a identidade do projecto de arquitectura. Partindo deste pressuposto foram identificados uma série de temas presentes no processo desde o início e que definiram os caminhos a percorrer, as prioridades e estratégias a seguir. De todas as particularidades que constituem o lugar, as mais marcantes são sem dúvida a localização e topografia, a forma como o terreno está envolto num manto verdejante entre dois vales e a sua envolvente fragmentada, típica de uma paisagem de montanha na Suíça. Como consequência, ficaram decididas duas prioridades estruturantes para o desenvolvimento da estratégia e respectiva proposta: a primeira, difundir a escala e intervenção numa só – fragmentar (separar sem desconstruir) - esta é a primeira ideia do projecto, usar as pré-existências como base da estratégia da composição e deixar o bosque e o verde serem o elemento de relação de toda a composição; a segunda, relacionada com a primeira, consiste na vontade de relacionar o interior e o exterior, tirando partido da localização privilegiada com vistas únicas e pátios organizadores do espaço. Tudo se assume como uma extensão do processo criativo, pronunciando-se desde a forma como cada espaço é originado, na confrontação interior-exterior, até ao modo como a composição se integra na envolvente, num jogo entre construído e existente. Desta forma, a estratégia passa pela separação de cada um dos programas de modo a funcionarem independentemente, unidos por um corpo central – espaços comuns. É a sul que se localiza a principal entrada do Campus e do hotel. Definese, precisamente, pelo encontro do alinhamento do alçado nascente das áreas comuns, com o volume saliente do hotel – continuação da grande plataforma verdejante. A partir dessa entrada é feita uma ligação de acesso interior à Escola e para norte é traçado um caminho de acesso às áreas comuns que se desenvolve numa sucessão de pátios e reentrâncias, que serve todos os espaços que se abrem para ele, e também aos pátios, sejam interiores ou exteriores. Atravessando longi- Parte II - Método e processo de trabalho Fig. 62 - Fotomontagem, vista sobre o campus, orientada a sul. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 97 A lógica de organização do próprio módulo, desenvolve-se a partir desta preocupação com a privacidade. Apesar de se inserir num tema clássico de organização interior de quartos de residências, esta formulação tipológica diferencia- -se pela suas dimensões e área. Com cerca de 20m2, o quarto desenha-se a partir das necessidades de habitar de cada estudante, criando-se condições para descansar e estudar. A configuração dos alçados também segue esta regra, cada abertura dividindo-se sensivelmente a meio, iluminando uma parte a zona mais íntima e outra, de forma mais controlada, a zona de estudo. Este controlo face à iluminação também pode ser calibrado por uma portada interior que corre para dentro da parede portante. Estas aberturas funcionam com painéis de vidro, que correm sobre uma calha (mono-rail), sempre na face exterior da fachada, podendo criar uma espécie de composição alternada, coincidindo com o momento em que umas estão abertas, outras fechadas, semi-cerradas ou com a própria portada. O módulo configura a métrica dos vários edifícios determinando as dimensões e a lógica de distribuição dos espaços comuns. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 99 Parte 4 – Considerações Finais Parte IV - Considerações Finais EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 101 A presente dissertação teve como principal objectivo a realização de uma proposta de intervenção arquitectónica para um concurso internacional de arquitectura para estudantes, organizado pela EHL e pelo gabinete de arquitectura Richter- -Dal Rocha&Associates. Da realização da proposta, advém uma posterior reflexão, como síntese da prática projectual que proporcionou a realização de uma base conceptual e de intenções para uma proposta de intervenção para o Campus da referida Escola de Hotelaria. Da proposta realizada, trabalhou-se a partir de uma base real, cliente e programa, mas, sem as condicionantes orçamentais promovendo, desta forma, uma maior liberdade e mais cuidada exploração das soluções. O facto deste tipo de propostas incidirem a partir de edifícios com identidade própria e em territórios bem definidos, em relação com novas estruturas, ampliações e sobreposições faz com que o tema seja complexo, mas ao mesmo tempo, estimulante na forma em que o processo de criação está assente em bases reais. Contudo, nesta altura, as conclusões são as possíveis, uma vez que sentimos que foi interrompido um processo evolutivo. Independentemente deste sentimento, a proposta realizada oferece soluções nas intenções referentes aos ambientes pretendidos nos Modelos. A proposta final resulta dos conhecimentos práticos adquiridos durante a elaboração do projecto, mas principalmente durante os vários anos de aprendizagem na Faculdade, através dos vários exercícios que aos poucos, se foram desenvolvendo segundo um denominador comum – método. A realização desta proposta permitiu-nos ter um conhecimento claro sobre a problemática que é intervir numa preexistência, e deste modo, se comparar com a relação de uma construção de raiz. Conclui-se, que, em termos metodológicos, processo de composição e processo de criação, a intervenção num lugar muito próprio, numa preexistência e com um programa muito extenso, apresenta-nos um maior número de condicionantes que temos de considerar, como também um conhecimento maior do objecto a intervir, notando-se que para intervenções desta dimensão e natureza, a capacidade de síntese, experiência e conhecimento dos materiais e sistemas constructivos são todos factores preponderantes para que o resultado seja criterioso. Neste sentido, o existente impulsiona o desenvolvimento de novas estruturas, fazendo-se um diálogo entre o passado, presente e futuro. Parte IV - Considerações Finais EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 103 No que se refere à reflexão sobre os Momentos, permitiu-nos criar uma espécie de narrativa de análise ao processo projectual, em consonância com as fases no qual este processo se insere e que define claramente um método temporalizado e faseado. De facto, este faseamento insere-se na prática didática da nossa Escola, sendo uma premissa fundamental de um método próprio de pensar arquitectura. A reflexão dos Modelos, possibilitou-nos abordagem de vários temas de arquitectura, inerentes, ao tipo de exercício e programa, surgindo como fundamentação de uma procura enunciada no capítulo anterior. Este método de análise mostrou- -se adequado, na medida em que permitiu fazer uma análise estruturada dos principais problemas que surgem perante a concretização de uma intervenção desta natureza. Os temas utilizados para a análise de arquitectura mostraram-se indispensáveis para uma clara e estruturada interpretação das mesmas, permitindo uma total compreensão da estratégia adoptada, das procuras realizadas, e das vontades enunciadas. A realização deste exercício prático, e respectiva dissertação deverão ser vistos como dois momentos diferentes que induziram numa metodologia e modo de ver a arquitectura. Uma reflexão sobre o sítio e o programa, a procura de uma estratégia equilibrada, que por um lado reflectisse o carácter do lugar e a organização do programa proposto, mas também a procura por uma identidade projectual pessoal. Uma identidade que começou muito antes de entrar para a Escola, uma realidade profundamente enraízada na família hà várias gerações, um conhecimento fruto de anos de experiências. Este exercício, é visto uma vez mais, como um seguimento de uma identidade que se vai moldando. A dissertação é vista como o fim do percurso académico. Uma introspecção de um processo individual de trabalho que tem-se vindo a moldar ao longo da prática, do passado, presente e que se reflectirá no futuro. Trata-se de uma demonstração e exercício mental de recuo no tempo e de exposição dessa metodologia, de processo. O facto de estar inserida num concurso internacional de arquitectura obrigou a um maior esforço e dedicação, não só pela exigência do exercício, mas muito também pela representação de uma Escola que há muito se situa no topo do ranking das melhores na sua área, o que induziu um grande sentido de responsabilidade e orgulho. Uma oportunidade de expor um conhecimento pessoal, que no futuro poderá servir de base aqueles que partilhem da mesma paixão – o desenho, a criação, o desejo de transformar - Arquitectura. EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 105 Bibliografia EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 113 Anexos EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 115 . Peças Desenhadas EHL Campus – International Architecture Students Workshop: “Do processo ao Projecto” 133 “Que seja assim o arquitecto - homem entre os homens - organizador do espaço - criador de felicidade.” Távora, Fernando