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Relatório Final de Estágio Profissional

Flávio José Faria da Costa

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Relatório de Estágio Profissional Relatório de Estágio 1 Universidade do Porto Faculdade de Desporto Relatório de Estágio Profissional Relatório de Estágio Profissional apresentado com vista à obtenção do 2º Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro). Orientador: Professor Doutor Ramiro José Rolim Marques Flávio José Faria da Costa Porto, Setembro de 2011 Relatório de Estágio Profissional Ficha de Catalogação Costa, F. (2011). Relatório de Estágio Profissional. Porto: F. Costa. Relatório de Estágio Profissional para a obtenção do grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, PROFESSOR REFLEXIVO, NÚCLEO DE ESTÁGIO, MODELO DE EDUCAÇÃO DESPORTIVA, SENTIMENTO DE AFILIAÇÃO. Relatório de Estágio Profissional “Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, Mas não esqueço de que a minha vida É a maior empresa do mundo… E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e Tornar-se um autor da própria história… É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar Um oásis no recôndito da sua alma… É agradecer a Deus cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “Não”! É ter segurança para receber uma crítica, Mesmo que injusta… Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…” Fernando Pessoa Relatório de Estágio Profissional Agradecimentos Ao meu orientador da FADEUP, Professor Doutor Ramiro Rolim pela disponibilidade e apoio demonstrados, pela sábia partilha de conhecimentos e experiências com que me brindou ao longo desta caminhada, manifestando total confiança no meu trabalho. Ao Professor Cooperante, Professor Edgar Silva por ter sido incansável na contribuição da melhoria da minha competência ao longo deste percurso. Foi para mim um exemplo de profissionalismo, dedicação e sabedoria. Aos meus colegas de Núcleo de Estágio, Davide e Silvina, pelos momentos de partilha de conhecimentos, pela amizade criada e solidificada, e pelos incentivos mútuos no trilhar deste caminho. Aos meus alunos do 11ºG, pois aprendi muito com eles. Sinto que fui um Amigo mais velho para estes jovens. Por ser um ex-aluno da Escola Secundária/3 de Barcelinhos, espero ter sido fonte de inspiração para eles, para que lutem pelos seus sonhos e acreditem que tudo é possível. Aos meus Amigos, aqueles que sempre deram uma palavra amiga e de estímulo ao meu trabalho. Em especial, ao Fernando Teixeira por todos os momentos de amizade e boa disposição que me fizeram enfrentar a vida com júbilo. Agradeço pela forma simples como vive a sua vida, tornando-se numa fonte de inspiração. À Joana, por ser única e especial e por estar do meu lado em todos os momentos. “Aturar-me” não é fácil, mas foi sempre excecional e extraordinária na forma como me ajudava nas minhas indecisões. És o meu anjo-da-guarda, a minha luz e a minha força. Aos meus Pais, pois desempenham o seu papel com uma perfeição e mestria soberba mostrando-me os verdadeiros valores da Vida. Sem eles nada disto seria possível, Obrigado por acreditarem que seria capaz e por terem sustentado este meu sonho. São os melhores pais do mundo! A todos, o meu mais sincero OBRIGADO. Relatório de Estágio Profissional Índice Geral Índice de Quadros ............................................................................................ viii Índice de Gráficos ............................................................................................ viii Índice de Anexos ................................................................................................ ix Resumo .............................................................................................................. x Abstract .............................................................................................................. xi Abreviaturas ...................................................................................................... xii 1. Introdução .............................................................................................. 12 1.1. Caraterização geral do Estágio e respetivos objetivos ........................ 14 1.2. Finalidade e processo de realização do Relatório de Estágio ............. 15 2. Enquadramento Biográfico ..................................................................... 17 2.1. Reflexão autobiográfica ....................................................................... 18 2.1.1. Nascer para o Desporto ................................................................... 18 2.1.2. Crescer no Desporto ........................................................................ 18 2.1.3. Viver do Desporto ............................................................................ 19 2.2. Expectativas em relação ao Estágio Profissional ................................ 21 3. Enquadramento da prática profissional .................................................. 23 3.1. Contexto Concetual, Legal e Institucional ........................................... 24 3.2. Contexto Funcional ............................................................................. 26 3.3. Caraterização da Escola Secundária/ 3 de Barcelinhos...................... 26 3.3.1. A escola ........................................................................................ 27 3.3.2. E Escola e o meio envolvente....................................................... 30 3.3.3. O grupo de Educação Física ........................................................ 30 3.3.4. Caraterização dos alunos ............................................................. 32 3.3.5. A turma do 11ºG, Curso Tecnológico de Desporto ....................... 33 4. Realização da Prática Profissional ......................................................... 35 4.1. Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem ......... 37 4.1.1. Conceção ..................................................................................... 37 4.1.2. - Planeamento .............................................................................. 38 4.1.3. Realização .................................................................................... 42 Relatório de Estágio Profissional 4.1.4. Avaliação do Ensino ..................................................................... 46 4.1.4.1. A Prática Reflexiva e o Professor Reflexivo .............................. 46 4.1.4.2. Reflexão sobre a minha prática ................................................. 48 4.2. Área 2 – Participação na Escola ......................................................... 58 4.2.1. Atividades desenvolvidas pelo Núcleo de Estágio ........................ 59 4.2.2. Outras atividades .......................................................................... 65 4.2.3. A Direção de Turma ...................................................................... 66 4.3. Área 3 - Relação com a Comunidade ................................................. 69 4.4. Área 4 - Desenvolvimento Profissional................................................ 71 4.4.1. Sentimento de Afiliação na Época Desportiva de Atletismo ......... 74 1. Introdução ....................................................................................... 76 2. Metodologia .................................................................................... 78 2.1. Caraterização da Amostra ....................................................... 78 2.2. Instrumentos ............................................................................ 78 2.3. Procedimentos e análise dos dados ........................................ 79 3. Apresentação dos Resultados ........................................................ 80 3.1. Integração e Participação ........................................................ 81 3.2. Desempenho/Prestação .......................................................... 83 3.3. Caraterização da Equipa ......................................................... 84 3.4. Afiliação entre Turmas ............................................................. 85 5. Conclusão .............................................................................................. 91 6. Referências Bibliográficas ...................................................................... 95 7. Síntese ................................................................................................... 98 8. Anexos ................................................................................................... civ Relatório de Estágio Profissional viii Índice de Quadros Quadro 1 - Professores que constituem o subdepartamento de expressões da Escola Secundária/3 de Barcelinhos ................................................................ 31 Quadro 2 – Nomes das Equipas formadas pelos anos do 11º e 12º ano ........ 82 Quadro 3 – Respostas às perguntas nº2, nº3, nº4, nº6 e nº9 .......................... 83 Quadro 4 – Respostas às perguntas nº5 e nº8 ............................................... 84 Quadro 5 – Respostas às perguntas nº7 e nº10.............................................. 85 Quadro 6 – Diferença entre turmas nas perguntas nº2, nº3, nº4,nº5, nº6, nº7, nº8, nº9 e nº10 ................................................................................................. 87 Índice de Gráficos Gráfico 1 – Evolução do número de alunos ao longo dos anos ...................... 28 Gráfico 2 – Evolução do número de Pessoal Docente e Não Docente ao longo dos anos ........................................................................................................... 29 Relatório de Estágio Profissional ix Índice de Anexos Anexo 1 – Ficha Socioeconómica do Aluno ...................................................... cv Anexo 2 – Hábitos Desportivos dos Alunos ................................................... cviii Anexo 3 – Planeamento Anual ......................................................................... cix Anexo 4 – Ficha de Presenças ......................................................................... xix Anexo 5 – Ficha de Sumários ........................................................................... xx Anexo 6 – Plano de Aula .................................................................................. xxi Anexo 7 – Reflexão de Aula ............................................................................ xxii Anexo 8 – Fotos Alunos ................................................................................. xxiii Anexo 9 – Projeto “Desporto é Viver” ............................................................. xxiv Anexo 10 – Cartaz “Desporto é Viver” ................................................................ xl Anexo 11 – Fotografias “Desporto é Viver” ....................................................... xli Anexo 12 – Diário do Minho “Desporto é Viver” .............................................. xliii Anexo 13 – Projeto “Torneio de Badminton” ................................................... xlvi Anexo 14 – Diploma de Participação “Torneio de Badminton” ........................ lviii Anexo 15 – Fotografia “Torneio de Badminton” ................................................. lix Anexo 16 – Questionário “Sentimento de Afiliação” ........................................... lx Relatório de Estágio Profissional x Resumo A elaboração deste relatório tem como propósito primordial a realização de uma reflexão critica, consistente e fundamentada da experiência formativa e do desenvolvimento de competências profissionais, em contexto de Estágio Profissional no ensino da Educação Física. Este momento de formação decorreu na Escola Secundária/3 de Barcelinhos, com um Núcleo de Estágio constituído por três estagiários, sendo que a sua orientação esteve sob a responsabilidade do professor titular da turma que lecionei (11ºG), designado por Professor Cooperante, e do Orientador, professor da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. O presente relatório encontra-se organizado em cinco capítulos. O primeiro referente à “Introdução”, o segundo referente ao “Enquadramento Biográfico”, no qual me identifico e conjeturo as minhas vivências académicas e desportivas, focando ainda as minhas expetativas em relação ao Estágio Profissional. No terceiro capitulo procede-se ao “Enquadramento da Prática Profissional”, (organizado em três temas: contexto de natureza conceptual, legal, institucional, contexto funcional e caracterização da Escola Secundária/3 de Barcelinhos). Tendo em conta que o processo reflexivo foi o grande contribuinte para o meu desenvolvimento enquanto docente, a temática do quarto capitulo, “Realização da Prática Profissional, é baseada nas reflexões ao longo do Estágio, tendo estas sido cruciais para o meu crescimento profissional. Também neste capítulo, é desenvolvido o estudo realizado no âmbito da investigação-ação, subordinado ao tema “O Sentimento de Afiliação na Época Desportiva de Atletismo”. Por fim, na “Conclusão e Perspetivas para o Futuro”, é enaltecido o facto de esta experiência em contexto real ter contribuído de uma forma muito importante para a minha aprendizagem e evolução enquanto docente. PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, PROFESSOR, REFLEXÃO, MODELO DE EDUCAÇÃO DESPORTIVA, SENTIMENTO DE AFILIAÇÃO. Relatório de Estágio Profissional 16 Assim, na tentativa de que este relatório espelhe todas essas vivências pessoais e profissionais adquiridas ao longo do Estágio Profissional, este encontra-se dividido em cinco capítulos. O primeiro capítulo inclui a “Introdução”, onde faço uma caracterização geral do estágio, descrevendo os seus objetivos. O segundo capítulo remete o leitor para o “Enquadramento Biográfico”, onde “pinto” o meu percurso escolar e desportivo, assim como as minhas expectativas pessoais em relação ao Estágio Profissional. No terceiro capítulo é realizado um “Enquadramento da Prática Profissional”, que na sua natureza concetual, legal, institucional e funcional do EP. Neste ponto, é também efetuada uma caraterização da Escola Secundária/3 de Barcelinhos, salientando os seus recursos humanos e físicos, bem como o meio envolvente. A caraterização da turma por mim lecionada é exposta neste espaço, tendo em conta aspetos como os seus hábitos de estudo ou hábitos desportivos. O quarto capítulo corresponde à “Realização da Prática Profissional”, onde descrevo toda a minha história como professor estagiário, enquadrada nas quatro áreas de desempenho atrás descritas. Neste ponto apresentarei ainda o meu estudo acerca do Sentimento de afiliação na aplicação do Modelo de Educação Desportiva nas turmas 11ºG e 12ºE, descrevendo cada passo desse processo e comparando no final os resultados entre cada turma e retirando as devidas conclusões. No último capítulo, farei uma conclusão onde me irei debruçar sobre a minha caminhada no EP e sobre a elaboração do presente relatório, perspetivando o meu futuro como profissional de Educação Física. Relatório de Estágio Profissional 17 2. ENQUADRAMENTO BIOGRÁFICO Relatório de Estágio Profissional 18 2. Enquadramento Biográfico 2.1. Reflexão autobiográfica Pretendo com esta reflexão realizar um retrato fiel de todo o meu percurso escolar e desportivo até aqui, salientando os aspetos mais relevantes de cada um desses itens. Decidi então dividir a caminhada percorrida até aqui em três grandes partes, podendo estas também ser divididas pelos diferentes ciclos escolares. 2.1.1. Nascer para o Desporto Ao recuar até aos primeiros anos da minha vida e fazendo fé no que são os relatos familiares, sempre fui uma criança muito irrequieta e com uma vontade enorme de andar, correr, saltar e brincar. Os espaços físicos que me rodeavam eram também propícios a esta liberdade de movimentos. Felizmente, pertenço a uma geração de rapazes da minha aldeia que durante a fase do1º Ciclo do Ensino Básico passavam as tardes a jogar futebol, a fazer corridas, a andar de bicicleta, e outras tantas brincadeiras. Todas elas tinham em comum os movimentos corporais e o esforço físico. Com a chegada do 2º Ciclo do Ensino Básico muitas coisas se alteraram: os horários, os colegas, o tempo de estudo e as mentalidades. Mas, nem assim nos deixamos de juntar perto da fonte e do largo da aldeia durante as férias para recordarmos os jogos e as brincadeiras. Nesse tempo, não nos interessavam os computadores ou as consolas e os dias eram muito curtos para tantas brincadeiras. 2.1.2. Crescer no Desporto Mas é com essa mesma entrada no 2ºCiclo do Ensino Básico que o “bichinho” do Desporto começou a fazer das suas, pelo menos de uma forma mais consciente. Relatório de Estágio Profissional 19 Apareceram as aulas de Educação Física, que desde aí se tornou a minha disciplina preferida e procurei logo inscrever-me num clube de Futebol e a partir daí não mais parei e o 3º Ciclo de Ensino Básico foi de igual maneira fértil na oportunidade de aumentar o gosto pelo Desporto. Chegado o Ensino Secundário veio o dilema, a minha primeira grande escolha e que por incrível que possa parecer não escolhi o curso de Desporto para esta nova fase da minha vida escolar. Mas tudo se explica, a escolha do curso de Humanidades foi consciente, ainda que tenha ficado com um travo amargo por não seguir o sonho, mas sim a racionalidade. A escolha de um curso de Desporto implicava a mudança para uma escola mais distante de casa e o ter que fazer vários quilómetros para ter autocarro. Desta forma, o sonho esfumou-se e inscrevi-me na Escola Secundária/3 de Barcelinhos no curso de Humanidades, lutando sempre para alcançar os melhores resultados possíveis em cada disciplina. 2.1.3. Viver do Desporto Após a conclusão do Ensino Secundário estava fora dos meus planos uma ida para o Ensino Superior, mas a verdade é que uns dias antes da abertura das candidaturas os meus pais perguntaram se me ia inscrever na Universidade. Perante esta pergunta a resposta foi de indecisão, mas percebi logo que este poderia ser um sinal de viabilização de uma possível inscrição. Não vacilei e antes da escola onde decorriam as matrículas abrir já lá estava eu à espera. Estava obviamente com esperança de entrar para os cursos relacionados com as Humanidades. Mas, ao folhear o livro dos cursos existentes no Ensino Superior reparei que havia um curso de Desporto no Instituto Politécnico da Guarda, vocacionado para as escolas de formação, as autarquias, os ginásios e as associações desportivas. Encontrei naquelas folhas parte do que procurava, pois o sonho sempre foi ser Professor de Educação Física ou Alto Rendimento. Fiz a inscrição e nas Relatório de Estágio Profissional 20 6 opções coloquei o Curso de Desporto como primeira opção, sendo que as restantes 5 foram escolhas de cursos ligados às Humanidades. Surgiu assim uma nova etapa na minha vida. Entrei na cidade alta e fria mas quente no acolhimento, Guarda foi o meu destino. Estava finalmente a estudar o que mais gostava e mostrei-me decidido a não terminar por ali e já no segundo ano da licenciatura tinha em mente o Mestrado. A verdade é que o estágio da licenciatura na Empresa Municipal de Desportos de Barcelos foi de um nível elevado e logo me ofereceram emprego para o ano letivo seguinte como Professor de Atividades Extra Curriculares (AEC), nomeadamente de Atividade Física e Desportiva (AFD). Esta oportunidade fez arrefecer um pouco a intenção declarada de continuar a estudar. No ano seguinte, fui professor de AFD na Escola Básica de Vila Seca, precisamente a escola na qual realizei o meu 1º Ciclo, criando-se uma nostalgia como a que ocorreu durante este Estágio Profissional por ter voltado à Escola Secundária/3 de Barcelinhos. Quanto à vida desportiva, também nunca esmoreceu ainda que do 2º ciclo ao Ensino Secundário tenha sempre jogado nas camadas jovens em equipas de Futebol 11 a nível associativo, e durante a licenciatura tenha sido recrutado para equipas de Futsal. Voltando ao percurso escolar, e após um ano de AEC queria mais, queria ser Professor de alunos de outras idades, queria ser Professor de Educação Física. Ao ver a oportunidade de me inscrever neste 2º Ciclo de Estudos da FADEUP nem pensei duas vezes em ir atrás do sonho que sempre procurei, o de ensinar Desporto e Educação Física. A alegria apoderou-se de mim quando percebi que tinha conseguido colocação na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, uma instituição da qual só tinha boas referências. No primeiro semestre deste mestrado, fiquei impressionado com os conhecimentos que adquiri, essencialmente ao nível da Organização Escolar e da Pedagogia. Porém, foi no segundo que senti os meus conhecimentos a Relatório de Estágio Profissional 21 aumentar, tudo isto porque aprendi como ensinar. Descobri muitas áreas de intervenção do Desporto e contactei diretamente com pessoas que me relataram as mais variadas e enriquecedoras experiências. 2.2. Expectativas em relação ao Estágio Profissional “O Estágio Profissional surge como o auge de toda uma vida de estudante. Espero ser confrontado com muitas dificuldades, com muitas barreiras e obstáculos, mas, acima de tudo, com muitas experiências! Pela primeira vez estou a sentir o pulso à organização ‘Escola’. Estou a sentir as dificuldades de lecionar uma aula, e de me adaptar aos imprevistos que cada uma traz. Estou a conhecer os imensos problemas da vida dos alunos e o quão insignificante, mas ao mesmo tempo fundamental, pode ser um Professor nesse mesmo contexto” (Excerto do PFI). O Estágio Profissional reveste-se de uma importância vital na formação de professores, pois é através deste que a sua identidade se começa a construir, é este o momento da “passagem para a outra margem”, mas tendo sempre presente que “a docência é uma profissão que se aprende pela vivência da discência” (Formosinho, 2001). Assim, estamos de acordo quando Alonso (1987), se refere à competência docente dizendo que “a essência de uma profissão é possuir um corpo coerente e estruturado de conhecimento constituído por conhecimentos, técnicas, linguagens, valores e destrezas que formam a cultura profissional.” É esta “cultura profissional” que eu expectava para que me pudesse ajudar a ultrapassar os meus medos nas diversas configurações do processo de aprendizagem. Apoderavam-se de mim as incertezas da minha habilidade de liderar uma turma, de lidar com possíveis problemas de indisciplina e acima de tudo da capacidade de levar os alunos a aprender algo mais a cada aula, tendo sempre por grande objetivo a promoção do gosto pelo Desporto e por uma vida saudável. Em oposição a estes medos e incertezas, estava uma enorme confiança na minha capacidade de trabalho, no meu empenho e determinação. Estava Relatório de Estágio Profissional 22 certo de que esta era a oportunidade mais enriquecedora que alguma vez beneficiei para capitalizar todos os ensinamentos teóricos e práticos até ai apreendidos, e sabia que não a podia desperdiçar. Sabia que quanto “mais conhecimentos sobre as condições de aprendizagem e quanto mais técnicas e destrezas possuísse mais possibilidades teria de organizar ambientes de aprendizagem de qualidade” (Alonso, 1987). Para promover este ambiente de qualidade sentia que necessitava de bases muito alargadas assentes essencialmente na capacidade de investigar e refletir sobre esse processo. É certo que o aspeto de aplicação de conhecimentos é importante, aliás muito importante, mas esperava que este se desenvolvesse com os resultados da investigação e reflexão e que melhorasse a cada aula. Sentia que para os alunos gostarem e se sentirem motivados para as aulas de Educação Física era muito importante que houvesse uma boa relação com o Professor, assim esperava criar nos alunos uma grande empatia e sentido de camaradagem, sempre dentro dos limites da boa convivência. Mas, esta comunhão de boas relações não se devia limitar apenas aos alunos, pois os restantes intervenientes neste Estágio Profissional deveriam também ser alvos de um espirito de partilha e de socialização. Sentia que o Professor Doutor Ramiro Rolim, o Professor Cooperante Edgar Silva e os colegas de Núcleo de Estágio seriam os grandes pilares da minha progressão como futuro professor. Esperava deles tudo aquilo que se pode esperar de um bom companheiro, uma alegre e sã convivência, um espirito de partilha, cooperação, abnegação, esforço e dedicação assente numa relação construída nos valores da Amizade, Profissionalismo e Respeito. Perante estas expetativas, sentia que se todas elas se conjugassem, poderia agora no final me considerar um futuro professor com competência docente, ainda que haja muitas mais coisas a aprender. O importante é que tenha ficado com a consciência de que o primeiro passo dado na “outra margem” tenha sido dado com qualidade e excelência. Relatório de Estágio Profissional 23 3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL Relatório de Estágio Profissional 24 3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL 3.1. Contexto Concetual, Legal e Institucional “O desporto é pedagógico e educativo (…) quando cada um rende o mais que pode sem sentir que isso é uma obrigação imposta do exterior; quando cada um não assume mais do que é capaz mas simultaneamente esgota as suas possibilidades de empenhamento e rendimento.” (Bento, 2004) O EP visa a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão. 1 As alterações que têm sido praticadas na disciplina de Educação Física tem sido vantajosas para a criação de um ensino de qualidade, tornando-se claras as exortações de Alonso (1987), que para haver ensino de qualidade é necessário haver um “professor capaz de criar, organizar ou modificar condições de aprendizagem com a intenção de facilitar o desenvolvimento dos processos de aprendizagem significativa e enriquecedora dos alunos”. Presentemente, se juntarmos o objetivo do Estágio Profissional com o objetivo do Professor seremos capazes de gerar nos alunos o gosto pela disciplina. Não contribuindo para este sentimento o facto de a Educação Física possuir um caráter obrigatório até ao 12º ano de escolaridade, ou de ser decisivo na média final, ainda que estas premissas tenham desencadeado nos alunos uma motivação extra. No atual quadro legal, a iniciação à Prática Profissional do Ciclo de Estudos Conducente ao grau de Mestre em Ensino da Educação Física da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) integra o Estágio Profissional – Prática do Ensino Supervisionada (PES) e rege-se pelas normas 1 In Matos, Z. (2010-2011). Normas orientadoras do Estágio Profissional do ciclo de estudos conducente ao Grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Relatório de Estágio Profissional 25 da instituição universitária e pela legislação específica acerca da Habilitação Profissional para a docência. A estrutura e funcionamento do Estágio Profissional consideram os princípios decorrentes das orientações legais nomeadamente as constantes do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 Março e do Decreto-lei nº 43/2007 de 22 Fevereiro e têm em conta o Regulamento Geral dos segundos ciclos da Universidade do Porto, o Regulamento geral dos segundos ciclos da FADEUP e o Regulamento do curso de Mestrado em Ensino da Educação Física. As competências profissionais, associadas a um ensino da Educação Física e Desporto de qualidade, reportam-se ao perfil geral de desempenho do Educador e do Professor consagrado no Decreto-lei nº240/2001 de 17 de Agosto e organizam-se nas seguintes áreas de desempenho: I. Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem II. Participação na Escola III. Relação com a comunidade IV. Desenvolvimento profissional A nível institucional o Estágio Profissional enquadra-se no plano de estudos do segundo ciclo de estudos conducente ao Grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário e funciona durante os terceiro e quarto semestre desse mesmo ciclo de estudos. As atividades do Estágio Profissional iniciam-se no dia 1 de Setembro e prolonga-se até ao final do ano letivo das escolas básicas e secundárias onde se realiza o EP. Tal como aclama o artigo 10º do Regulamento da unidade curricular de EP, a sua avaliação é realizada de acordo com os seus objetivos, privilegiando as competências pedagógicas, didáticas e científicas, associadas a um desempenho profissional crítico e reflexivo, apoiado numa ética profissional em que se destaca a disponibilidade para o trabalho em equipa, o sentido de responsabilidade, a assiduidade, a pontualidade, a apresentação e conduta pessoal adequadas na Escola. Relatório de Estágio Profissional 32 3.3.4. Caraterização dos alunos A maioria dos alunos que frequenta a Escola Secundária/3 de Barcelinhos é oriunda de freguesias situadas na margem esquerda do rio Cávado, que é a área coberta por esta escola pública em relação ao ensino secundário, partilhando, no entanto, o ensino básico com outras escolas desta área. Também a frequentam alunos da outra margem e de outros locais, embora em número reduzido, cerca de 2,5% do total. Em termos de residência, a população de alunos, apesar de se distribuírem por 46 freguesias, cerca de dois terços – 65,3% - dos alunos vivem em dez freguesias, ou seja, as mais próximas da Escola e definidas pela rede escolar. É no ensino secundário que existe uma maior dispersão de alunos por diversas freguesias, devido à Escola Secundária/3 de Barcelinhos, como já se referiu, ser a única escola pública com ensino secundário, nesta margem do rio Cávado. No que concerne ao nível económico dos alunos e respetivas famílias, existem vários alunos subsidiados, cujas famílias se debatem com dificuldades. Como consequência, também da ruralidade do meio, grande parte dos alunos, após um longo período diário de viagem e permanência na Escola, dedica-se em casa a tarefas (agrícolas ou outras) familiares e de apoio doméstico – o que lhes reduz o tempo e a disposição para o estudo individual. Reportando-nos às opções frequentadas pelo corpo discente, nesta escola existem alunos a frequentar o ensino básico e secundário regular, cursos de educação e formação, cursos profissionais, cursos tecnológicos e cursos de educação e formação de adultos. Predomina o ensino secundário regular, embora os cursos profissionais estejam numa fase de crescimento. Assim, no ano letivo de 2010/2011, frequentaram esta escola 942 alunos em regime diurno e 40 em regime noturno, perfazendo uma população escolar de 982 alunos. Relatório de Estágio Profissional 33 3.3.5. A turma do 11ºG, Curso Tecnológico de Desporto A turma do 11ºG, do Curso Tecnológico de Desporto, era constituída por 24 alunos, sendo que apenas 21 estão inscritos na disciplina de Ed. Física. Os dados seguintes são fruto de uma análise aos registos socioeconómicos da turma do 11ºG, sendo que estes foram gentilmente cedidos pelo Diretor de Turma, o Professor Ricardo Cibrão. A idade dos alunos variava entre os 15 e os 18 anos, a maioria situa-se na faixa etária dos 16 anos, o segundo grupo mais representativo são os alunos com 17 anos, de seguida seguem-se os de 15 anos, e por fim, três alunos estão na faixa etária dos 18 anos. Verifica-se assim uma grande homogeneidade da turma no que diz respeito à idade. Todos os alunos são habitantes da Cidade de Barcelos, mas residem nas mais distintas freguesias e o tipo de transporte que utilizam para fazerem as deslocações casa-escola e escola-casa varia entre o automóvel, autocarro, comboio e a pé, sendo que o autocarro é o meio de transporte usado pela maioria dos alunos. No que diz respeito às questões do Encarregado de Educação, pude constatar que a grande maioria dos alunos tem a Mãe como Encarregada de Educação (61%). Dos restantes alunos, 30% têm o Pai, e um aluno (9%) é o seu próprio Encarregado de Educação. No decorrer da análise dos respetivos dados percebi que oito (8) dos Encarregados de Educação estão ligados a Empresas Têxteis, atividade de muita importância neste concelho. Os restantes distribuem-se pelas mais variadas profissões. Quanto ao apoio social constatou-se que mais de metade da turma (56%) usufrui de escalão B, e que 35% da turma não possui qualquer tipo de apoio social escolar. A turma apresentou um elevado número de alunos repetentes. Dez (10) alunos já reprovaram uma ou mais vezes. Esta situação pode explicar-se através de uma outra análise onde se verificou que apenas um dos alunos Relatório de Estágio Profissional 34 estuda todos os dias, sendo que todos os outros negligenciam o estudo diário como boa prática para a obtenção de bons resultados. A disciplina preferida dos alunos do 11ºG é a Educação Física, e não tiveram problemas em afirmar que sentem muitas dificuldades a Inglês e a Matemática. Para perceber os hábitos desportivos dos alunos foi usada uma ficha/questionário por todos os estagiários do NE. Ao debruçar-me sobre esses dados percebi que são alunos que gostam de praticar desporto, e não me parece em vão que tenham escolhido o curso tecnológico de desporto para o seu percurso no ensino secundário. Dos vinte e um (21) alunos da turma, dezassete (17) praticam desporto fora da escola e apenas quatro (4) não praticam nenhum. Mais de metade da turma disse ter como modalidade preferida o Futebol (18 alunos), dois (2) alunos preferem o Voleibol, e um (1) tem preferência pela Dança. Saliento ainda que dos dezassete (17) alunos que praticam modalidades fora da escola, doze (12) deles são federados, participando assim em competições organizadas por Associações Distritais ou Federações. Por fim, e não menos importante, é interessante analisar de que forma a turma do 11ºG ocupa os seus tempos livres. Estes alunos possuem já vícios da sociedade, tais como ir ao café, ou ir para a discoteca. Porém, nenhum deles descora a prática desportiva, assinalando-a como uma das tarefas com que ocupam o seu tempo livre. De realçar ainda o facto de a maioria dos alunos ocuparem o tempo livre a ver televisão, tendo assim um comportamento mais sedentário durante várias horas dos seus dias. Relatório de Estágio Profissional 35 4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL Relatório de Estágio Profissional 36 4.REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL "A educação promove o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, respeitador dos outros e das suas ideias, aberto ao diálogo e à livre troca de opiniões, formando cidadãos capazes de julgarem com espírito crítico e criativo o meio social em que se integram e de se empenharem na sua transformação progressiva.” (Lei de Bases do Sistema Educativo, Cap. 1º, art.º 2º, ponto 5). De acordo com o Regulamento de Estágio Profissional, este visa a integração do estagiário de forma progressiva e orientada, em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que lhe promovam um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão. A Elaboração do Relatório de Estágio Profissional 2 procura a formação do professor através da sua capacidade de refletir e analisar, justificando o que faz em consonância com os critérios do profissionalismo docente e o conjunto das diferentes funções docentes em que sobressaem funções letivas, de organização e gestão, investigativa e de cooperação, num caminho de construção de uma “postura” adequada à profissão de professor. Procurarei então criar um retrato fiel do que foi o meu Estágio Profissional de acordo com as áreas de desempenho previstas no Regulamento de Estágio Profissional, sendo elas: Área 1 – Organização e Gestão de Ensino e da Aprendizagem, Área 2 – Participação na Escola, Área 3 – Relações com a Comunidade, Área 4 – Desenvolvimento Profissional. Mas, como é fácil de entender, é impossível transcrever para este Relatório de Estágio Profissional tudo o que aconteceu. É árdua a tarefa de retratar todas as emoções e situações vivenciadas, pois tudo foi sublime e 2 In Documento de Avaliação Prática de Ensino Supervisionada (2010-2011). Porto: Faculdade de Desporto – Universidade do Porto. Relatório de Estágio Profissional 37 gratificante. Fica então a certeza de que só quem viveu estes momentos poderá entender o quanto eles foram importantes para a minha formação como futuro Professor. Mas, apesar de ser difícil esse exercício mental, o registo escrito, tanto das vivências pessoais como das práticas profissionais, é essencial para que cada um adquira uma maior consciência do seu trabalho e da sua identidade como futuro professor. Segundo Alonso (1987), “a formação deve contribuir para criar nos futuros professores hábitos de reflexão e de auto-reflexão que são essenciais numa profissão que não se esgota em matrizes científicas ou mesmo pedagógicas, e que se define, inevitavelmente, a partir das referências pessoais.” 4.1. Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem 4.1.1. Conceção No dia 8 de Setembro de 2010, o Núcleo de Estágio reuniu com o Professor Cooperante a fim de serem distribuídas as turmas aos professores estagiários. Na reunião foram ainda definidos os planeamentos e apresentados os respetivos processos de avaliação para cada turma atribuída. A turma que me atribuíram foi o 11ºG do Curso Tecnológico de Desporto. Tendo em conta que este curso faz parte de uma vertente educativa alternativa, possui planos curriculares e processos de avaliação diferentes do ensino regular. Como consta na ata nº1, o Professor Edgar Silva fez também uma alusão para que nos inteirássemos do “regulamento interno da escola, do projeto educativo e do programa de educação física. Tudo isto para que pudéssemos fazer uma correta abordagem e planificação de tudo o que diz respeito direta e indiretamente à disciplina de Educação Física”. Assim, e logo que esses documentos me foram facultados, procurei perceber como se organiza a disciplina de Educação Física, bem como as modalidades passiveis de serem lecionadas em cada período escolar. Relatório de Estágio Profissional 38 Pude também analisar quais os conteúdos a abordar em cada modalidade, e ainda os critérios de avaliação estipulados pelo Subdepartamento de Educação Física para cada tarefa/modalidade. Todos estes documentos permitiram-me alargar os meus conhecimentos e preparar a minha apresentação aos alunos. Assim, sentia-me suficientemente inteirado sobre eventuais questões que os alunos me viessem a colocar acerca dos aspetos mais “burocráticos” da disciplina. Nessa mesma data, realizou-se no horário da tarde a primeira reunião do Conselho de Turma. Esta reunião permitiu-me conhecer de uma forma mais pormenorizada os “meus alunos”, os professores das várias disciplinas e ainda de me apresentar formalmente a estes e ao Diretor de Turma. Confesso que as primeiras impressões sobre a turma não foram as melhores. Ouvi da parte da professores das outras áreas curriculares, que já tinham lecionado a turma no ano letivo anterior, que esta tinha um comportamento instável e desestabilizador das aulas. Pude também perceber nesta reunião quem eram os alunos que mais originavam essa destabilização. Adicionalmente, destacamos o facto de haver nesta turma 5 alunos que não haviam transitado no ano letivo anterior. Assim a turma do 11ºG era composta por 23 alunos, sendo 19 do sexo masculino e apenas 4 do sexo feminino. Perante este cenário, antevia uma tarefa árdua, na tentativa de conseguir conduzir estes alunos a processos de ensino-aprendizagem enriquecedores. Apesar de tudo, tinha a esperança de que o fato destes alunos estarem num curso de Desporto, os levassem a serem solícitos e a ter um gosto especial pela Educação Física. 4.1.2. Planeamento Após análise cuidada do Programa de Educação Física para o Ensino Secundário e dos documentos do subdepartamento de Educação Física, em conjunto com os colegas de Núcleo de Estágio e com o Professor Cooperante, comecei a delinear o planeamento anual tendo em conta os seguintes aspetos: Relatório de Estágio Profissional 39 1) os recursos físicos e materiais disponíveis; 2) a carga horária e as modalidades a abordar; 3) as unidades didáticas e os Modelos de Estrutura do Conhecimento; 4) e ainda a aplicação do Modelo de Educação Desportiva. Para que houvesse uma melhor planificação, sem que fossem necessárias constantes alterações, foi gentilmente cedida pelo Delegado de Instalações Desportivas, o Professor Fernando Sousa, uma ficha de todos os recursos materiais existentes na Escola Secundária/3 de Barcelinhos. Já no que diz respeito aos recursos físicos, foi elaborado pelo subdepartamento de Educação Física um roulement que estava afixado no Gabinete de Professores de Educação Física para que todos pudessem saber quais os espaços que lhes eram destinados para cada aula. Quanto à carga horária e às modalidades a abordar, estas estão sujeitas ao currículo de multiactividades, em vigor no Sistema Educativo Português, no qual é descrito que no Ensino Secundário todas as turmas devem ter 180 minutos de Educação Física semanais, divididos em dois blocos de 90 minutos em dias alternados. Neste tipo de currículo, o professor de Educação Física deverá optar por várias modalidades. Na minha opinião esta organização do currículo está idealizada erradamente, pois todos os anos se ensinam as mesmas modalidades, e normalmente sem uma continuidade pedagógica, voltando sempre à “estaca zero”. Desta forma, prejudicam-se os alunos mais hábeis pois estão sempre a praticar habilidades já apreendidas e prejudicam-se os menos hábeis, porque caso estejam a fazer mal e não sejam corrigidos, vão continuar a exercitar mal durante vários anos. No que diz respeito às unidades temáticas, estas iam sendo feitas à medida que surgiam no planeamento anual, que foi o primeiro documento a ser elaborado e serviu de orientação para a criação de todos os outros. A elaboração dos Modelos de Estruturas do Conhecimento segundo o proposto por Vickers (1989), constituiu uma das minhas maiores dificuldades, pois este documento implicava um trabalho ao longo da unidade didática, que Relatório de Estágio Profissional 40 nem sempre fui capaz de acompanhar. Os MEC tinham vários módulos, divididos pelas fases de análise, decisão e aplicação. Assim, na primeira fase era realizada uma análise da modalidade desportiva através de estruturas de conhecimento (módulo 1), de seguida realizava-se a análise das condições de aprendizagem (módulo 2), e para terminar, à análise dos alunos (módulo 3). Na fase das decisões, era determinada a extensão e a sequência dos conteúdos (módulo 4), os objetivos (módulo 5), e a configuração da avaliação (módulo 6). No final eram desenhadas as atividades de aprendizagem a aplicar, criando as progressões de ensino (módulo 7). O planeamento das unidades didáticas teve como condicionante o facto de termos decidido aplicar o Modelo de Educação Desportiva (MED) durante duas épocas desportivas (unidades didáticas), a primeira para servir de ensaio e a segunda de confirmação. Este modelo de instrução iria ser formalmente aplicado na modalidade de Atletismo que, por sua vez, demandava a ocorrência de condições climatéricas favoráveis para a utilização do espaço exterior, nomeadamente a caixa de área e a pista de atletismo. Consciente de que essas condições teriam mais possibilidade de ocorrer no segundo e terceiro período, foi definido em Núcleo de Estágio que a época desportiva de Atletismo apenas se realizaria nesses períodos. Já a época de Ensaio prévio do MED poderia ser aplicada no primeiro período, caso o professor assim o entendesse. O Modelo de Educação Desportiva era o grande desafio para este Estágio Profissional, pois estava expectante desde o momento que com ele contatei em várias Didáticas Especificas no ano letivo anterior. Na FADEUP, quando vivenciei o MED, constatei uma maior motivação e um maior gosto pela Educação Física, bem como uma melhoria das habilidades técnicas e táticas nas modalidades lecionadas. Este modelo concede uma nova forma de lecionar, permitindo aliar as competências motoras, às competências cognitivas e sócio-afetivas, no sentido Relatório de Estágio Profissional 41 de promover a aula de Educação Física como um espaço de aprofundamento do conhecimento e de aprendizagem saudável e duradoura. Adicionalmente, o Modelo de Educação Desportiva “proporciona ao jovem autonomia, ao colocá-lo no centro do processo, com a assunção de diferentes papéis (jogador, dirigente, treinador, árbitro, jornalista, etc.) durante as unidades didáticas, as quais possibilitam uma maior concentração sobre o tema e fornecem uma estrutura global à organização da experiência” (Siedentop, 1994; Mesquita e Graça, 2006). Procura-se então, através de modelo “formar alunos desportivamente competentes, cultos e entusiastas” (Siedentop, 2002). A confirmar a afirmação anterior constatámos que um dos pontos fortes deste novo modelo é a inclusão, nomeadamente, através da distribuição de tarefas a todos os alunos, da sua afiliação em equipas heterogéneas e na avaliação de parâmetros e tarefas menos habituais. Neste modelo, esse sentimento de afiliação é potenciado ao máximo através da competição. A competição não pode ser vista como algo contranatural, mas sim como um processo natural da aprendizagem de uma modalidade. Se estamos a ensinar o Futebol, é ponto assente que os alunos irão querer vivê-lo genuinamente, em clima de competição onde as habilidades são aplicadas em contexto de jogo mais ou menos simplificado, de acordo com o estádio de desenvolvimento dos alunos. Ao ter alunos do Curso Tecnológico de Desporto percebi que este Modelo de Educação Desportiva poderia ser um tónico ótimo para o desenvolvimento destes jovens. Mais satisfeito fiquei quando confirmei que, afinal, a escolha deste curso não foi ao acaso, mas sim fruto do gosto pelas mais variadas modalidades e pela sua prática extra-escolar, em clubes ou associações. A aplicação do questionário de hábitos desportivos fez-me ver uma nova realidade, na qual, afinal, o cenário que havia “pintado” anteriormente não era assim tão negro. Após a análise desses resultados a confiança e vontade de começar a trabalhar apoderou-se de mim. Relatório de Estágio Profissional 48 Este processo desenvolvido pelo indivíduo não é privado mas público, isto é, as interrogações surgem num cenário de conversação coletiva que pode ser real ou em sentido metafórico”. Perante esta última referência, a reflexão realizada por mim durante o Estágio Profissional alternava entre as introspeções feitas por mim, os diálogos com os Professores Orientadores ou com os colegas de Núcleo de Estágio. Fica assim patente, que a melhor forma de analisarmos as nossas práticas docentes é através da reflexão. Esta deve ser ponderada, tendo em conta que as opções tomadas têm implicações nas oportunidades que são proporcionadas aos alunos, devendo estes ser sempre o nosso grande foco de atenção. 4.1.4.2. Reflexão sobre a minha prática Tal como referi anteriormente, a primeira aula foi apenas de apresentação, não sendo realizadas qualquer tipo de tarefas motoras. No entanto, e transcrevendo um excerto da Reflexão nº1: “Penso que a primeira aula foi bastante boa, pois como se costuma dizer ‘não há uma segunda hipótese de causar uma primeira boa impressão’. Penso que no geral consegui captar a atenção dos alunos e organizar os assuntos previstos, bem como encadeá-los, causando assim uma boa impressão.” Mas, puxando o “filme” à frente, chegámos às primeiras aulas práticas. Lembro-me como se fosse hoje, de estar extremamente nervoso em todas elas e com dúvidas quanto à minha capacidade de liderar aquele grupo de jovens, alguns bem mais altos do que eu. A primeira Unidade Didática a lecionar era o Badminton e, apesar de me sentir à vontade nesta modalidade, errei em alguns aspetos nas várias aulas: “…Senti o quanto importante é o posicionamento do professor perante os alunos, pois coloquei-me numa posição onde não conseguia ver toda a turma, perdendo o controlo da mesma. (…) Esta aula poderia se ter desenrolado de uma forma mais dinâmica, pois houve muitas percas de tempo entre exercícios e muita instrução da minha parte (a nível de batimentos, pegas da raquete e Relatório de Estágio Profissional 49 deslocamentos), que talvez pudesse ter sido evitada com uma simples demonstração” (Reflexão aula nº3). No entanto, consegui impor-me em alguns aspetos, nomeadamente de organização do material e das tarefas para os alunos que não realizavam aula: “… Foi preparada por mim uma ficha de trabalho para este aluno (aluno que não realizou aula) sobre a modalidade lecionada. (…) Outro dos aspetos positivos foi a organização do espaço disponível e do material, já que quando os alunos iniciaram a aula, o material estava pronto a ser usado. Já no término da sessão, coube aos alunos a arrumação de todo o material” (Reflexão aula nº4). Os primeiros tempos não foram fáceis de gerir, nomeadamente porque os alunos começaram a ter alguns atrasos ao início da aula, o que fez com que tomasse uma atitude mais drástica, anotando os atrasos na ficha de presenças. Estas notas pesaram na avaliação das competências transversais dos alunos, no final de cada período. Nas reflexões após as aulas, eram indicadas pelo Professor Cooperante várias críticas ao meu desempenho. Estas foram sempre construtivas, pois era dada sempre uma ou duas sugestões de alterações. Para as aulas seguintes, procurava seguir essas indicações, ou então refletir e criar outras soluções. Um dos aspetos que mais saltavam à vista nestes primeiros tempos era a incapacidade que eu denotava na alteração dos exercícios. Pormenorizando este ponto, posso dizer que ao introduzir um exercício de elevada dificuldade, com o seu consequente insucesso por parte dos alunos, não era capaz de o alterar, variar ou condicioná-lo, limitando-me a dar essa tarefa por terminada, iniciando a seguinte. “Esta variante teve um nível elevado de dificuldade, de que me apercebi mas que não fui capaz de alterar, apenas dei por terminado o exercício. Este é um dos aspetos em que sei que tenho de melhorar, que é o facto de ser capaz de ajustar consoante as dificuldades que surgem durante a aula” (Reflexão aula nº5). Relatório de Estágio Profissional 50 Com o progressivo conhecimento das capacidades dos alunos, da minha “visualização mental” da aula enquanto a planeava e envio dos planos ao Professor Cooperante, consegui que esses erros fossem evitados. Mesmo assim, os imprevistos acontecem e também com o passar do tempo consegui ser capaz de refletir na ação e modificar o exercício para que os alunos pudessem ter sucesso. Uma aula é constituída por vários fatores e, certamente, não os conseguiria conciliar todos, pelo menos nos primeiros tempos. Se conseguia cumprir o planeamento e o tempo destinado às tarefas, pecava no meu posicionamento na aula, se tinha sucesso na emissão de feedbacks, esqueciame de arrumar o material que já não era necessário. Havia sempre algo que me escapava, mas com a confiança e hábitos que fui conquistando, consegui debelar este problema. Após algumas aulas, era tempo de refletir e criar o Projeto de Formação Individual (PFI). Este era o primeiro grande momento de reflexão, e nele pude descrever as minhas dificuldades e expetativas e salientar que só com uma correta reflexão acerca do nosso desempenho poderemos melhorar como futuros professores de Educação Física. “As dificuldades com que me irei deparar ao longo deste ano, e dos primeiros anos da carreira, são normais e deverão ser encaradas como obstáculos a ultrapassar. É necessário refletir sobre cada obstáculo para perceber como o ultrapassamos e não só vangloriar-nos com a sua superação. Este projeto de formação individual (PFI) apresenta-se como um instrumento construído a partir de um esforço de reflexão, autoavaliação e de interpretação das exigências, procurando potenciar as minhas capacidades e suprir as lacunas, face às exigências da Estágio Profissional” (Excerto do PFI). Este foi um momento de extrema importância pois permitiu-me fazer um primeiro balanço de tudo o que já havia realizado no estágio até então, e senti que a minha competência e as minhas capacidades se estavam a desenvolver Relatório de Estágio Profissional 51 a um ritmo acelerado. Sabia que o refletir sobre cada aula, sobre cada tarefa me fez crescer, como Professor e como Homem. Com o passar do tempo, fui revelando muitas dificuldades na avaliação dos alunos. Consegui claramente avaliá-los em situações de avaliação diagnóstico, percebendo em que nível se enquadrava a turma, mas sentia-me impotente para avaliar os alunos formativa e sumativamente “Não era capaz de estar a conduzir a aula e de a observar de forma a avaliar o desempenho de um aluno. No entanto, conseguia perceber se esse aluno se havia desenvolvido ou não. O problema principal residia na capacidade distinguir alunos de um nível médio, por exemplo entre o 11 e o 14, bem como, alunos entre níveis mais altos como entre o 16 e o 19“ (Autoavaliação do 1º Período). Perante este problema, sentia-me frustrado com as consequências que uma má avaliação poderia gerar. Felizmente, não houve problemas desse género e também a minha capacidade de avaliar foi melhorando ao longo do Estágio Profissional. Sinto que com a experiência acumulada e futuras vivências poderei desenvolver ainda mais esta capacidade de observar/avaliar. Com o tempo fui conhecendo melhor as características de cada aluno, e percebi que todos tinham diferenças entre si, mas todos partilhavam o gosto pela Educação Física, assim a aula não podia ser um espaço de recreação, tinha de ser um espaço de trabalho e superação. Esta vontade demonstrada pela generalidade da turma levou a que por vezes estes tivessem comportamentos inadequados, mas com a criação de rotinas e estratégias facilmente foram “dominados”. Tudo ia bem até que surgiu o Modelo de Educação Desportiva, mais precisamente a Época de Ensaio, onde a modalidade escolhida foi o Andebol. Tal como referi anteriormente, o MED era um dos grandes trunfos para este Estágio Profissional, pois sentia que esta poderia ser uma boa experiência para os alunos. A alteração do método de instrução direta para o trabalho por equipas criou um sentimento muito forte de afiliação, pouco revelado até aí. Mas, nem tudo foi sucesso nesta Unidade Didática, pois o facto de o Andebol ser uma modalidade coletiva e envolver confronto físico veio revelar Relatório de Estágio Profissional 52 algumas características menos próprias dos alunos que procuraram o sucesso para si e para os seus a qualquer preço. No entanto, após o início da competição formal, os alunos exageraram na sua vontade de vencer e aqui fica uma passagem de um desses momentos, “A falta de fair-play das equipas gerou situações de ajuizamento difíceis, o que roçou por vezes a indisciplina. Estes atos terão de ser melhorados na próxima aula, penalizando os atletas e/ou as equipas que os comentem” (Reflexão aula nº 18). Perante a permanência desta situação, procurei acalmar as hostes, quase sempre sucesso até que “A intervenção do Professor Cooperante sobre a turma teve que ser feita, pois os alunos estavam a querer ganhar os jogos a qualquer preço. Alturas houve em que alguns alunos tentaram tirar esforço dos seus adversários, penalizando-os com entradas agressivas” (Reflexão aula nº 19). Após esta intervenção fiquei sem reação. Em reflexão já depois dos ânimos refrear conclui que, “A transmissão de conhecimentos não é uma dificuldade para mim, mas a transmissão e manutenção de regras torna-se um problema. Atos de indisciplina devem ser tratados de forma idêntica sob pena de ser acusado de dualidade de critérios, mas não me sinto capaz de me dirigir a turma num tom mais elevado. É certo que estou no começo, mas sem esta base, será muito difícil de manter um bom clima de aprendizagem, bem como manter o controlo da turma, para que eles saibam que têm de respeitar o professor e os colegas (Reflexão aula nº 19). A partir desse momento senti que teria de ser mais forte, e assim foi, procurei não deixar alastrar este clima, impondo-me sobre os alunos. Nas aulas seguintes a margem era reduzida e tudo correu melhor. Com o fim da Época de Ensaio de Andebol voltou novamente o ambiente a que estava habituado e que habituei. Após análise da unidade didática, sinto que esta foi produtiva e que os alunos gostaram, mas que os incidentes verificados retiraram algum do brilho com que o Modelo de Educação Desportiva deveria ter sido recebido. “Foram vários os momentos em que o fair-play foi esquecido, levando mesmo a Relatório de Estágio Profissional 53 situações embaraçosas, que eu registei mas que não intervi em conformidade. A certa altura, o professor Edgar interveio na aula, e os alunos perceberam que estavam a passar os limites aceitáveis, e alteraram um pouco os seus comportamentos. Desta forma, foi decidido que o fair-play teria o mesmo peso dos resultados desportivos, o que levou os alunos a mudarem as suas posturas em jogo” (Reflexão da UD Andebol – MEC). A realização da prática pedagógica foi depois disso decorrendo dentro da normalidade e foi lecionada a modalidade de Ginástica, nas suas vertentes de solo e acrobática. Esta última foi mesmo aquela em que penso que consegui melhores resultados ao longo de todo o ano. A introdução da modalidade, pouco praticada até aí para a maioria dos alunos levou a uma capacidade de trabalho e investigação enorme da minha parte, na tentativa de criar desafios cada vez mais motivadores, e a uma prestação exemplar dos alunos. O basquetebol foi a modalidade seguinte, no entanto foi decidido por mim e pelo Professor Cooperante que esta UD deveria ser mais curta, a fim de se introduzir a Época Desportiva de Atletismo ainda no segundo período letivo. E assim foi, mais uma vez os alunos estavam a experienciar o Modelo de Educação Desportiva. Confesso que apesar de a época de ensaio não ter corrido como esperava, apostei fortemente no sucesso do Atletismo. Esta convicção era sustentada pelo facto de os alunos já conhecerem a forma de trabalho do MED, mas também por esta modalidade não envolver contacto físico, aspeto que deu gerou a muitas adversidades na modalidade de Andebol. Mas, infelizmente havia um indicador contra, os alunos não viam o Atletismo com muito bons olhos, e isto porque o ligavam apenas ao ato de correr. Porém, logo que perceberam que ia muito para além disso começaram a manifestar um interesse especial, que se viria a revelar em grande escala durante a época desportiva. Após a avaliação inicial, os alunos foram distribuídos por equipas consoante a sua prestação nas três disciplinas do Atletismo pré-definidas para o MED: a corrida de barreiras, o triplo salto e o salto em comprimento. Relatório de Estágio Profissional 54 A preparação destas aulas requeria uma ampla investigação, para que todos os exercícios fossem úteis para o desenvolvimento das várias técnicas. Não era fácil planeá-las pois tudo tinha de estar corretamente definido, sob pena de falharmos com os alunos, e com o projeto da FADEUP no qual estávamos envolvidos. O facto de estas aulas serem gravadas também fez com que melhorasse a qualidade da minha instrução e a utilização de feedbacks e palavras-chave foram uma constante. Não que até não fossem utilizados, mas porque a confiança na condução das aulas foi crescendo paralelamente com a minha capacidade para informar e formar os alunos da melhor forma possível. Os relatos destas aulas são muito animadores, pois a entrega dos alunos aos exercícios e em prol da equipa foram de extrema qualidade. “O modelo de educação desportiva está a ser colocado em prática e foi já solicitado aos alunos a realização de algumas tarefas, tendo os alunos demonstrado um grande empenho” (Reflexão aula nº36). “Os alunos foram mais céleres nas suas funções se compararmos com a última aula, elevando desta forma o ritmo, e o seu próprio desempenho no cumprimento das tarefas propostas” (Reflexão aula nº42). “Penso que este evento decorreu de uma forma bastante dinâmica, carregada de um forte clima festivo e competitivo. Os alunos prepararam os prémios e apresentaram-se preparados para a competição” (Reflexão aula nº46). Esta época fica marcada pelo excelente trabalho que a generalidade dos alunos realizou nas mais diversas tarefas do MED, procurando melhorar os seus níveis de atletas, e desempenhando corretamente as restantes funções. A época desportiva de Atletismo foi, comparando com a de Andebol, um grande sucesso. “Tentei sempre após as aulas em que as dúvidas surgiam, pesquisar um pouco mais sobre a modalidade para que, no futuro, tivesse uma melhor prestação perante os alunos e consolidasse os meus conhecimentos. Penso que um dos momentos mais marcantes desta UD foi a escolha dos treinadores, e ver como estes lideravam as suas equipas. Ao contrário do Relatório de Estágio Profissional 55 que se passou na época de ensaio de Andebol, os alunos mais hábeis deixaram outros alunos exercer as funções de treinador, procurando focalizarse na sua prestação nas provas, de forma a poder ajudar a sua equipa a amealhar o máximo de pontos possível. Gostava ainda de destacar o excelente fair-play que imperou durante a época desportiva” (Reflexão da Unidade Didática de Atletismo – MEC). Durante todo o ano procurei refletir sempre com a turma, no sentido de perceber as suas dificuldades, as suas dúvidas, mas também de entender aquelas tarefas em que era mais expeditos, podendo desta forma, e após uma reflexão sobre a ação e uma reflexão sobre a reflexão na ação, ajustar o meu planeamento e os níveis dos exercícios às reais capacidades dos alunos. Outro dos pontos que gostava de focar é a capacidade de inovação, que no início do estágio era praticamente nula, uma vez que me procurava orientar apenas pelos documentos das várias didáticas específicas do ano letivo anterior, mas que se foi desenvolvendo através da reflexão sobre os mais variados exercícios e o testar de possíveis soluções para ajustar aos “meus alunos”. Esta capacidade de inovação gerou novas tarefas de aprendizagem que foram aproveitadas pelos meus colegas de Núcleo de Estágio e até mesmo pelo Professor Cooperante. No sentido inverso, também eu reproduzi muitos dos seus exercícios. As aulas lecionadas pelos colegas de Estágio e pelo Professor Cooperante às quais tive o prazer de assistir e realizar as suas consequentes reflexões em grupo, foram também um enorme contributo para o meu desenvolvimento como professor. Cada crítica dos colegas e do Professor Cooperante era bem recebida e discutida num sentido construtivo. Este espirito de partilha manteve-se intacto durante o Estágio Profissional e, espero eu, manter-se-á por muitos mais anos. Ao longo do ano letivo fui procurando criar desafios a mim mesmo e após a sua consecução, definia outros, tendo sempre em vista a construção da minha identidade como futuro Professor e a constante procura de superar as minhas dificuldades na condução das aulas. Relatório de Estágio Profissional 56 Mas, se no início do Estágio Profissional me sentia pouco à vontade e com nervosismo na hora de enfrentar a turma, esses sentimentos foram-se alterando a cada aula, e a meio do segundo período já me sentia capaz de liderar a turma de uma forma eficaz e procurando sempre que os alunos tivessem o máximo de empenhamento motor. A emissão de feedbacks também foi melhorando, talvez por sentir que intervir no momento do erro era uma mais-valia, para que o aluno percebesse o porquê de ter errado e lhe fosse transmitida a forma como deveria realizar a tarefa para atingir o sucesso. Só assim, procurando estar numa constante análise da aula, através da reflexão na ação, é possível corrigir as posturas dos alunos, bem como melhorar a sua performance. “O uso da palavra nos momentos oportunos (feedback) serviu igualmente para uma evolução dos alunos, pois entendo que a correção in loco de um determinado erro numa tarefa poderá contribuir em grande escala para o sucesso do aluno numa possível repetição da tarefa. Assim, procurei sempre motivar os alunos emitindo feedbacks construtivos que os levassem a adquirir as competências pretendidas” (Autoavaliação do 3º período). Não haja dúvida então que um professor vigilante, que seja capaz de estar corretamente posicionado para visualizar todos os comportamentos é um professor que está mais disposto a intervir. No entanto, este pode estar muito atento e emitir um feedback errado, revelando assim algum desconhecimento do professor acerca da modalidade a abordar, sendo para isso necessário realizar uma reflexão sobre a ação para determinar lacunas e procurar resolvêlas. Confesso que por vezes esta situação aconteceu, nomeadamente em modalidades que possuía um conhecimento mais reduzido, como é o caso da ginástica de solo, onde apesar de estar concentrado nas tarefas realizadas pelos alunos, quando sentia necessidade de intervir fazia-o erradamente. Este comportamento levou a que procurasse aprofundar conhecimentos acerca dessa mesma modalidade, aumentando e melhorando as minhas práticas docentes. Relatório de Estágio Profissional 57 Apesar de me sentir agora mais capaz de liderar uma turma, revelo ainda alguns problemas/dificuldades, nomeadamente no domínio de alguns conteúdos, bem como na capacidade de gerir momentos de maior indisciplina. Penso que quando conseguir corrigir estes aspetos serei um Professor mais qualificado para a prática da docência, ainda que não haja um limite a atingir para a profissão. Esta está em constante mutação e um professor que não se adapte ao contexto poderá levar os alunos a práticas completamente desfasadas da realidade, não procurando assim atingir o verdadeiro objetivo da Educação Física, que procura o desenvolvimento integral do aluno, a socialização, a vida saudável e o espírito de equipa, através da prática desportiva. Ao olhar para trás, sinto já a nostalgia de tudo o que vivi com os “meus alunos”, mas sou hoje um futuro professor com maior e melhor visão de todo o envolvimento escolar, das práticas docentes e da liderança de uma turma. Tal como referi anteriormente, este não é um processo finito mas sim uma constante renovação de saberes que nos levará a criar bases sólidas para gerar processos de ensino enriquecedores. Importa não esquecer que, a reflexão “proporciona aos professores oportunidades para o seu desenvolvimento, tornando-os profissionais mais responsáveis, melhores e mais conscientes” (Oliveira, I. e Serrazina, L., (s.d)). Após tudo o que realizei neste Estágio Profissional, irei procurar no futuro melhorar nos mais diversos aspetos, nomeadamente naquele que mais me preocupa, a avaliação “Não porque não me sinta preparado a avaliar os alunos nos diversos conteúdos, mas sim porque não fui capaz de durante as aulas parar um pouco, sentar-me e tirar alguns apontamentos das prestações dos alunos. É certo que fazia isso mentalmente, na aula ou depois em reflexão da mesma, mas ciente de que não é a mesma coisa. Percebo que deveria ter incidido de uma forma mais profunda neste ponto, mas preocupei-me mais em que nada corresse mal, ou que os alunos tivessem sempre um auxílio perto deles de forma a realizar corretamente cada tarefa proposta. Porém, sinto-me com capacidade para melhorar neste aspeto Relatório de Estágio Profissional 64 Ao refletir sobre esta atividade, sinto que conseguimos alcançar todos os objetivos a que nos propusemos, conseguindo colocar a Educação Física num patamar elevado. A Saúde e o Desporto saíram assim muito valorizados desta campanha promovida pelo Núcleo de Estágio. Claro que, ao analisarmos o sucesso desta atividade, sentimos que poderíamos organizar mais uma ou outra atividade, e assim foi. No inicio do ano letivo, o Núcleo de Estágio propôs-se a organizar um Torneio de Badminton. Pusemos mãos à obra e usamos as mesmas “armas” do projeto anterior, ou seja, uma boa divulgação e uma excelente organização. O torneio de badminton destinou-se aos professores e alunos do Ensino Secundário e procurou o fomento da atividade física, e o reforço do seu papel no desenvolvimento integral dos alunos, promovendo e sensibilizando-os para a prática no meio escolar. Este evento teve como organizadores o Núcleo de Estágio de Educação Física, e contou com a colaboração do Professor Cooperante e dos alunos do 12ºE - Curso Tecnológico de Desporto. Mais uma vez, esta atividade teve uma adesão muito elevada. Inscreveram-se 115 alunos e 7 professores, incluindo os elementos do Núcleo de Estágio. A realização deste projeto e a criação de fichas de inscrição e organização deste quadro competitivo extenso permitiu-me desenvolver as mais variadas capacidades, ajudando-me a desenvolver a minha capacidade de organização e gestão de eventos desportivos. Hoje, posso dizer que parto confiante para a organização de um evento desportivo, pois sei que irei manifestar e provar que a competência e todos os conhecimentos adquiridos não foram nem serão esquecidos facilmente. Confesso ainda que o Núcleo de Estágio, em conjunto com o Professor Cooperante, se esforçou para que a nossa participação na escola fosse bem vincada e selada com chave de ouro. Relatório de Estágio Profissional 65 4.2.2. Outras atividades Durante este Estágio Profissional tive o prazer de participar em várias atividades, organizadas pelas mais diversas turmas ou grupos. Todas elas contribuíram em grande escala para o meu desenvolvimento como futuro professor. Nestas atividades não estive diretamente ligado à sua organização, mas procurei sempre contribuir com o meu apoio naquilo que fosse necessário, pois depois de tanto esforço que muitos dos Professores de Educação Física fizeram para ajudar o nosso Núcleo de Estágio no desenvolvimento nos mais variados projetos, não podia deixar de lhes prestar o meu auxílio. Assim, numas atividades ajudei na gestão e divulgação, como por exemplo na “Corrida pelo Coração”, “Compal Air – fase de Escola” e no “Viva a Escola”, nomeadamente no torneio de Voleibol, onde assumi também as funções de participante, pois foi-me endereçado um convite pelos alunos da minha turma no sentido de integrar a sua equipa. Também nesta ultima função, a de participante, estive na conferência promovida pelo Professor Cooperante sobre o Modelo de Educação Desportiva e integrei-me nas visitas de estudo à Diverlanhoso, à Exposição do Corpo Humano e à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP). Das várias atividades gostaria de destacar três delas, tendo todas contribuindo para aquilo que resolvi apelidar de ordem natural do crescimento. A primeira a “Corrida pelo coração” representa o passado. Esta atividade detém uma grande tradição neste contexto escolar e realiza-se no final do primeiro período. Destaco-a pelo simples facto de enquanto estudante do Ensino Secundário nesta escola ter participado sempre, tendo inclusive vencido por duas vezes. Se ter estado do lado de participante foi gratificante, estar agora do lado contrário cria um sentimento imenso de nostalgia e saudade, revelando o quanto cresci desde esse tempo até aos dias de hoje. Relatório de Estágio Profissional 66 É frequente referir que “o caminho começa sempre com o primeiro passo”, e sinto que esse primeiro passo foi dado na escola onde realizei o Estágio Profissional. A segunda atividade que me marcou foi a visita à Exposição do Corpo Humano e à FADEUP, representando o presente. E é presente pois visitar o meu atual estabelecimento de ensino permite-me ver o que sou hoje, um futuro professor na ânsia de levar os meus alunos à aprendizagem e ao gosto pela Educação Física e pelo Desporto. Sinto também que esta visita contribuiu para que os alunos tenham em mente que não devem desistir dos seus sonhos, pois eu também um dia sonhei, e hoje estou a concretizar esse sonho, partindo do mesmo local que eles, a Escola Secundária/3 de Barcelinhos. A última atividade que realço é a conferência sobre o Modelo de Educação Desportiva, e realço-a pois representa o futuro, o futuro da Educação. O crescimento exponencial que este modelo tem vindo a ter, fruto dos excelentes resultados que lhe são atribuídos mostra que este é um modelo de ensino a não descartar, pois procura a inclusão de todos, independentemente da sua capacidade para o Desporto. Neste modelo conta mais aquilo que cada um tem de melhor, e a doação dessa capacidade em prol da equipa. Fica assim retratada nesta “viagem pelo tempo” que o Estágio Profissional foi um momento muito marcante para mim, e que em todas as atividades que participei dei o meu melhor, sendo Estudante do Passado, Professor do Presente e Formador do Futuro, contribuindo assim para o meu crescimento como Homem. 4.2.3. A Direção de Turma Tal como havia referido anteriormente, o acompanhamento do trabalho do Diretor de Turma foi uma das tarefas na qual estive amplamente envolvido, uma vez que cabe ao professor estagiário acompanhá-lo, inteirando-se das suas principais atribuições. Relatório de Estágio Profissional 67 O Professor Ricardo Cibrão, Diretor de Turma do 11ºG, procurou inteirar-me dessas competências, e quando este não estava disponível socorria-me do Professor Cooperante, também conhecedor das funções da direção de turma. O primeiro contato que tive com o DT foi na apresentação, que coincidiu com a primeira reunião do Conselho de Turma. Neste consílio, além de me dar a conhecer os Professores de todas as restantes áreas curriculares, permitiume alargar o conhecimento acerca dos alunos, podendo assim perceber as características individuais de cada aluno e os traços gerais da turma. A pedido do Diretor de Turma e do Professor Cooperante, e após me ter sido entregue pelo primeiro os dados socioeconómicos da turma, procurei realizar uma correta e objetiva caraterização da turma. Após esta tarefa, fui convidado a apresentá-la no Conselho de Turma. Seguiu-se então esse momento, que decorreu durante uma reunião intercalar de conselho de turma, e que para além dos professores das várias disciplinas do currículo, estava também presente o representante dos alunos, ou seja o delegado de turma, e supostamente deveria estar também o representante dos pais, mas este faltou à reunião. Foi um momento de particular importância, pois era a minha capacidade de análise que estava em jogo e a competência de oralmente apresentar esses resultados. Após terminar a apresentação da caraterização, os professores felicitaram-me pelo meu bom trabalho e pela capacidade de síntese de um vasto leque de dados. No entanto, e apesar de conversas permanentes com o Diretor de Turma, apenas estive presente em três reuniões do Conselho de Turma que coincidiram com o final dos três períodos letivos. Percebi então que o trabalho do Diretor de Turma é um trabalho que requer bastante afinco da parte de quem exerce esse cargo, pois é necessária uma constante comunicação com os Encarregados de Educação, uma organização do dossier de turma, e uma diária conversa com os alunos no sentido de perceber as suas preocupações. Relatório de Estágio Profissional 68 Esta foi mais uma tarefa que contribuiu para que pudesse conhecer melhor as questões relacionadas com a Direção de Turma e perceber de que forma são ajuizadas as decisões do Conselho de Turma. Todos estes contributos alargaram a minha visão acerca do trabalho do Diretor de Turma. Relatório de Estágio Profissional 69 4.3. Área 3 - Relação com a Comunidade “A Escola não é dissociável da comunidade.” Patrício, M. (1998) O objetivo definido pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto para esta área visa a compreensão e integração por parte do professor estagiário nas componentes mais significativas da identidade da comunidade onde se insere a escola. A ambição principal é então o conhecimento da comunidade e da escola. Como já referi anteriormente, o facto de ter sido aluno desta Escola no passado permitiu-me já ter um prévio conhecimento da comunidade escolar. Além dessa mais-valia, também o facto de residir no concelho de Barcelos e a apenas 6 km da escola permitiu-me também já ter uma ideia formada acerca do meio envolvente. Ciente de que isso não bastava, eu em conjunto com o Núcleo de Estágio procurámos saber mais sobre os dois aspetos atrás referidos, a comunidade e o meio envolvente. Partimos então para a caraterização do meio, principalmente em relação ao associativismo desportivo. A este nível existem muitas associações das mais diferentes ordens, destacando: Associação de Montanhismo de Barcelinhos - Amigos da Montanha; Clube de Campismo e Caravanismo de Barcelos; Associação de Ténis de Mesa de Braga; Associação de Futebol Popular de Barcelos; Associação de Patinagem do Minho; Associação Barcelense de Atividades Subaquáticas (A.B.A.S.); Centro Ciclista de Barcelos, Associação Desportiva, Recreativa e Cultural de Gilmonde; Clube de Karaté de Barcelos; Associação, e a Escola Academia Sporting. Destas várias associações, destaco a Associação Amigos da Montanha pelo trabalho que tem vindo a desenvolver nesta região. Tem sido a grande promotora das atividades mais importantes no concelho, nomeadamente Relatório de Estágio Profissional 70 provas de BTT e caminhadas, sempre com um número elevado de participantes e com o reconhecimento das suas provas a nível nacional. Saliento ainda o papel importante que a Associação de Futebol Popular de Barcelos tem desempenhado desde a sua fundação há mais de 10 anos. O Futebol Popular tem uma expressão enorme no maior Concelho de Portugal, e movimenta semanalmente nas suas competições mais de 700 atletas, entre campeonatos masculinos, femininos e de escalões de formação. No que diz respeito a instalações da Câmara Municipal de Barcelos, geridas pela Empresa Municipal de Desportos de Barcelos no sentido de promover o Desporto e o bem-estar, existe as Piscinas Municipais de Barcelos que possui as mais variadas valências, desde a hidroginástica às aulas de natação. Também o Parque da Cidade, que sempre foi um espaço de manutenção da forma física, possui agora um circuito de manutenção e um gabinete de apoio desportista, no sentido deste ser orientado no seu exercício por um profissional devidamente licenciado. Apesar de existirem estas oportunidades, temos vindo a assistir à ascensão do fenómeno das caminhadas. Perante este novo cenário, o Núcleo de Estágio procurou captar os seus praticantes através da organização da atividade intitulada “Caminhada dos 8 aos 80”, integrada no projeto “Desporto é Viver”. Esta foi uma atividade que necessitou de uma estreita relação entre o NE e a comunidade, pois foi necessário encetarmos conversações no sentido de que a caminhada tivesse uma organização acima da média. Procuramos então dar conhecimento à GNR da realização da atividade, bem como solicitar aos Bombeiros Voluntários de Barcelinhos a presença de uma ambulância caso surgisse algum imprevisto. Enviamos ainda um pedido de ajuda ao Pingo Doce para que estes nos cedessem águas para os participantes. Contámos ainda com o sempre precioso auxílio da Direção da Escola. Todos os nossos pedidos foram atendidos, e após estas confirmações faltava apenas delinear o percurso. Assim o Núcleo de Estágio foi ao terreno realizar um primeiro percurso, mas este era demasiado longo, sendo Relatório de Estágio Profissional 71 necessário a sua reformulação. Rapidamente, redirecionámos as nossas forças e o percurso foi definido. Tudo estava a postos para a realização da Caminhada dos 8 aos 80, tendo sido realizada uma boa divulgação. Assim, tudo indicava que esta atividade tinha tudo para ser um sucesso em termos organizativos. É certo que o foi, mas em termos de adesão esta foi muito reduzida, provavelmente por ter sido realizada ao Sábado de manhã, onde hipoteticamente muitos dos elementos da comunidade escolar tinham outros afazeres. Demos então força à máxima “poucos mas bons”, e a atividade decorreu a um bom ritmo e com uma constante interação entre todos os participantes. Ficámos felizes pela concretização da atividade e mais uma vez pela qualidade da organização, revelando que o Núcleo de Estágio se manteve sempre coeso, partilhando todas as suas ideias no sentido de estabelecer uma relação ótima com a comunidade escolar. Estes momentos contribuíram ainda mais para o meu desenvolvimento como futuro professor, desenvolvendo a minha capacidade de relacionamento, de entreajuda e de organização e gestão. 4.4. Área 4 - Desenvolvimento Profissional De acordo com o Documento Orientador das Normas que balizam o Estágio Profissional, “esta área engloba atividades e vivências importantes na construção da competência profissional, numa perspetiva do seu desenvolvimento ao longo da vida profissional, promovendo o sentido de pertença e identidades profissionais, a colaboração e a abertura à inovação”. Desta forma, cabe ao professor estagiário utilizar diferentes estratégias que o levem ao seu desenvolvimento profissional. A caminhada percorrida até aqui teve um sem número de estratégias. Sem dúvida que a investigação/ação/reflexão foi uma das mais importantes - senão a mais importante - conduzindo o meu processo formativo na procura de Relatório de Estágio Profissional 72 encontrar respostas para os problemas/dificuldades do ato de ensinar. Este facto permitiu ao mesmo tempo aprender, e desenvolver-me. Nesta área de desenvolvimento profissional, também foi igualmente enriquecedora a elaboração do PFI. “Sendo o objetivo do estágio pedagógico a integração do estudante estagiário no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, a elaboração do projeto de formação individual afigura-se como um passo incontornável para atingir estes objetivos, assumindo-se como uma importante faceta do desenvolvimento e aquisição de capacidades na atividade docente. (…) Ao elaborar o P.F.I. devemos refletir acerca das nossas dificuldades e potencialidades como Professor e tentar planificar o que podemos fazer para colmatar essas lacunas de conhecimento e experiência ao longo deste ano letivo” (Excerto do PFI). O PFI orienta a nossa formação no sentido do que deve ser um professor reflexivo e responsável procurando definir objetivos e procurando a sua futura concretização. A elaboração deste documento não foi fácil, pois incluía a árdua tarefa de projetar as minhas dificuldades, criando um plano de intenções no sentido de debelar essas mesmas dificuldades e atingir o grande objetivo, o do desenvolvimento profissional. Essa projeção só poderia ser conseguida através da reflexão que está intimamente ligada ao sucesso pessoal que obtive neste estágio. Esteve sempre do meu lado, como a maior e melhor “arma” que o professor possui para construir a sua identidade e desenvolver as suas práticas docentes. Assim, a concretização do PFI revelou-se como um momento importante deste Estágio Profissional, tornando-se um guião para o ano letivo. Claro que a capacidade de refletir foi-se aprimorando ao longo do ano letivo, pois agora ao comparar duas reflexões, uma do início e outra do final do ano letivo, percebo que houve uma clara melhoria na minha capacidade de reflexão e numa resolução de vários problemas através dessa prática reflexiva. Relatório de Estágio Profissional 73 Não me esqueci de que a cada aula ou atividade se seguia uma reflexão cuidada, focando os mais variados aspetos, na procura incessante de os perceber e de os alienar à minha “bagagem de saberes”. Durante o Estágio Profissional pude perceber que não há “receituários”, mas sim contextos aos quais o professor deve ser capaz de se adaptar, no sentido de construir ambientes ricos em aprendizagem. Esse trabalho só poderá ser conseguido através de um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e de (re)construção permanente de uma identidade pessoal. A experiência acumulada a cada aula permitiu-me superar as minhas dificuldades e desenvolver-me como futuro professor, contribuindo para melhorar a prática pedagógica. Este facto fez-me perceber que estou hoje preparado para exercer a docência. Para o Estágio Profissional, todos os professores estagiários foram confrontados com a tarefa de desenvolver um trabalho de investigação-ação. Este deveria ser sustentado na nossa capacidade de planear, atuar, observar e refletir acerca de uma temática por nós escolhida. Mas, se o grande desafio deste Estágio era a implementação do Modelo de Educação Desportiva, senti que devia direcionar a minha investigação-ação nesse sentido, nomeadamente numa das várias valências do MED, o sentimento de afiliação. A investigação mostrou com consistência que “os pequenos grupos exercem uma forte influência sobre os seus membros” (Johnson & Johnson, 1991; Wynne e Walberg, 1994 citado por Siedentop, 1996). Decidi que essa deveria ser a minha área de intervenção, ou seja, durante a aplicação do Modelo de Educação Desportiva neste Estágio Profissional, na modalidade de Atletismo, iria procurar estudar o sentimento de afiliação e de pertença a uma equipa. Mas, no sentido de alargar um pouco mais este estudo, comparei os resultados de um questionário sobre o sentimento de afiliação da minha turma (11ºG) com os da turma do meu colega de estágio Davide Martins (12ºE), com o propósito de perceber qual a turma em que o sentimento de afiliação foi mais sentido. Relatório de Estágio Profissional 80 categoria incluía as perguntas nº7 e nº10 nas quais se procurava perceber de que forma o estudante caraterizava a sua equipa. Uma das outras intenções demonstradas pelo autor era a de perceber se os alunos criaram barreiras à afiliação, nomeadamente através de respostas menos abonatórias em relação à sua equipa. Os dados foram inicialmente analisados com vista a compreender de que forma o sentimento de afiliação foi sentido nas totalidade das duas turmas, procurando depois perceber em qual delas se verificou um maior sentido de pertença à equipa. 3. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Os resultados obtidos através da realização e análise dos questionários foram analisados de acordo com três categorias principais, sendo elas a integração e participação, o desempenho/prestação e a caraterização da equipa. De seguida irá ser analisado o número de participantes e as suas respetivas equipas. Os resultados do estudo serão depois apresentados e discutidos em relação a essas três categorias principais. Nome da Equipa Ano Número de respostas % Hulk’s 11º 4 28,6% Já bates-te! 11º 6 42,9% Poker ‘alho 11º 3 21,4% Não esteve integrado em nenhuma equipa 11º 1 7,1% Total 14 100% Nome da Equipa Ano Número de respostas % Cromossomos 12º 5 42,9% Sixteenagers 12º 3 21,4% Relatório de Estágio Profissional 81 Team Flash 12º 6 35,7% Total 14 100% Quadro 2: Nomes das Equipas formadas pelos anos do 11º e 12º ano Ao analisar o quadro acima o autor conclui que apenas quatro equipas tiveram mais de metade dos elementos a responder ao questionário. De salientar também a originalidade dos alunos na escolha dos nomes das equipas, podendo estes revelar os gostos comuns dos vários elementos. Este facto é já um sinal proeminente de afiliação à equipa para toda a época desportiva. 3.1. Integração e Participação Pergunta Total % Pergunta 2 - Participei ativamente na escolha do nome da equipa para a Época Desportiva de Atletismo? Sim 82% Não 18% Questão ignorada 1 Pergunta 3 - Participei ativamente na escolha da cor da minha equipa para a Época Desportiva de Atletismo? Sim 85% Não 15% Questão ignorada 1 Pergunta 4 - Durante a Época Desportiva de Atletismo usei o equipamento (camisola) escolhido pela minha equipa? Sim, sempre 81% Esqueci-me algumas vezes 19% Nunca usei 0% Recusei-me a usar 0% Questão ignorada 1 Relatório de Estágio Profissional 82 Pergunta 6 - Durante a Época Desportiva de Atletismo senti-me completamente integrado na minha equipa? Sim 85% Não 15% Questão ignorada 1 Pergunta 9 - Ajudei na elaboração do troféu para o Evento Culminante de Atletismo? Sim 49% Não, desinteressei-me por esse projeto 7% Não fui solicitado para ajudar nessa elaboração 44% Questão ignorada 1 Quadro 3 – Respostas às perguntas nº2, nº3, nº4, nº6 e nº9. De acordo com os dados acima representados podemos retirar várias conclusões acerca da categoria a que as mesmas dizem respeito. Assim, no que respeita à “integração e participação” apurámos que nas perguntas nº2, nº3, nº4 e nº6 a diferença entre a(s) resposta(s) mais afirmativa(s) e a(s) resposta(s) mais negativa(s) é bastante acentuada (cerca de 60%). Este facto leva o autor a concluir que a maioria dos alunos teve uma fácil integração e que participou com bastante agrado e motivação na época desportiva. Ainda assim, na pergunta nº9 este facto não se verifica pois há 44% dos alunos que referem que não foram solicitados para a elaboração do troféu do evento culminante. Apesar de as restantes perguntas revelarem uma boa integração e participação dos alunos, estas respostas menos positivas podem ficar a deverse a alguma falta de comunicação entre os vários elementos da equipa. Caso se tenha verificado essa lacuna, não será possível apurar neste estudo se os alunos, caso fossem solicitados, tinham ou não intenção de participar nesse projeto. Concluindo este ponto, percebe-se então, através das respostas positivas na ordem dos 80% em cada pergunta, que a grande maioria dos alunos se sentiu integrado, confirmando o que defende Siedentop (1996) Relatório de Estágio Profissional 83 quando refere que, a “Educação desportiva é um modelo concebido para facultar os benefícios do desporto a todos os alunos; um modelo de inclusão em vez de um modelo de exclusão”. 3.2. Desempenho/prestação Pergunta Total % Pergunta 5 - Durante Época Desportiva de Atletismo procurei desempenhar corretamente a função que me foi atribuída? Sempre 77% Quase sempre 19% Quase nunca 4% Nunca 0% Questão ignorada 1 Pergunta 8 - A minha prestação contribuiu para o sucesso da equipa? Sim, dei o melhor de mim em prol da equipa 93% Não, sinto que poderia ter dado um pouco mais à minha equipa 7% Questão ignorada 1 Quadro 4 – Respostas às perguntas nº5 e nº8 O quadro acima representa as respostas que os alunos deram quando questionados sobre o seu desempenho/prestação durante a Época Desportiva de Atletismo. De acordo com essas respostas, verificou-se que 77% dos alunos sempre desempenhou corretamente a função que lhe foi atribuída e que 19% conseguiu quase sempre cumpriu essa tarefa. De salientar ainda que 93% da amostra procurou contribuir da melhor forma possível para um melhor desempenho pessoal e da equipa. Importa relatar também que no universo das duas turmas, apenas 30% dos estudantes sentem que ficaram aquém das expetativas. Relatório de Estágio Profissional 84 O sentimento de afiliação é revelado aqui pela elevado número de alunos que procuraram dar o máximo de si para que a equipa pudesse obter os resultados esperados quer nas habilidades motoras, quer na tarefa que lhe foi atribuída. 3.3. Caraterização da equipa Pergunta Total % Pergunta 7 - Gostava de ter sido colocado em outra equipa durante e Época Desportiva de Atletismo? Não, gostei da minha equipa 89% Sim, gostava de estar integrado noutra equipa 11% Questão ignorada 1 Pergunta 10 - Qual a melhor palavra para descrever a tua equipa durante Época Desportiva de Atletismo? Unida 63% Equilibrada 17% Desequilibrada 8% Desunida 8% Com pouca vontade de trabalhar 0% Uns trabalhavam mais que outros 4% Questão ignorada 4 Quadro 5 – Respostas às perguntas nº7 e nº10 Nesta última categoria, da caraterização da equipa, todos revelaram um sentimento de afiliação muito grande, ainda que as equipas tenham sido constituídas com base nos resultados da avaliação diagnóstica, assim procurou-se criar as equipas com base na equidade, ainda assim, 11% dos 28 alunos preferiam estar integrados em outra equipa. Relatório de Estágio Profissional 85 A confirmar tudo o que se acabou de referir, os resultados da pergunta nº10 revelam que 80% dos alunos considerou a sua equipa unida ou equilibrada. Houve ainda 3 alunos que optaram por responder de uma outra forma à questão, especificando que caraterizam a sua equipa como “voluntariosa”, “exemplar” e “exigente”. 3.4. Afiliação entre turmas Pergunta 11º 12º % % Pergunta 2 - Participei ativamente na escolha do nome da equipa para a Época Desportiva de Atletismo? Sim 84,6% 78,6% Não 15,5% 21,4% Questão ignorada 1 0 Pergunta 3 - Participei ativamente na escolha da cor da minha equipa para a Época Desportiva de Atletismo? Sim 84,6% 85,7% Não 15,4% 14,3% Questão ignorada 1 0 Pergunta 4 - Durante a Época Desportiva de Atletismo usei o equipamento (camisola) escolhido pela minha equipa? Sim, sempre 69,2% 92,9% Esqueci-me algumas vezes 30,8% 7,1% Nunca usei 0% 0% Recusei-me a usar 0% 0% Questão ignorada 1 0 Pergunta 5 - Durante Época Desportiva de Atletismo procurei desempenhar corretamente a função que me foi atribuída? Sempre 69,2% 85,7% Quase sempre 23,1% 14,3% Quase nunca 7,7% 0% Nunca 0% 0% Questão ignorada 1 0 Relatório de Estágio Profissional 86 Pergunta 6 - Durante a Época Desportiva de Atletismo senti-me completamente integrado na minha equipa? Sim 84,6% 85,7% Não 15,4% 14,3% Questão ignorada 1 0 Pergunta 7 - Gostava de ter sido colocado em outra equipa durante e Época Desportiva de Atletismo? Não, gostei da minha equipa 84,6% 92,9% Sim, gostava de estar integrado noutra equipa 15,4% 7,1% Questão ignorada 1 0 Pergunta 8 - A minha prestação contribuiu para o sucesso da equipa? Sim, dei o melhor de mim em prol da equipa 92,3% 92,9% Não, sinto que poderia ter dado um pouco mais à minha equipa 7,7% 7,1% Questão ignorada 1 0 Pergunta 9 - Ajudei na elaboração do troféu para o Evento Culminante de Atletismo? Sim 69,2% 28,6% Não, desinteressei-me por esse projeto 7,7% 7,1% Não fui solicitado para ajudar nessa elaboração 23,7% 64,3% Questão ignorada 1 0 Pergunta 10 - Qual a melhor palavra para descrever a tua equipa durante Época Desportiva de Atletismo? Unida 66,7% 58,3% Equilibrada 25,0% 8,3% Desequilibrada 8,3% 8,3% Desunida 0% 16,7% Com pouca vontade de trabalhar 0% 0% Uns trabalhavam mais que outros 0% 8,3% Questão ignorada 2 2 Quadro 6 – Diferença entre turmas nas perguntas nº2, nº3, nº4,nº5, nº6, nº7, nº8, nº9 e nº10 Relatório de Estágio Profissional 87 Após a análise dos alunos quanto ao total da amostra, o autor pretende agora realizar uma comparação entre cada turma a fim de verificar onde o sentimento de afiliação foi mais notório. Assim, nas questões nº2, nº 3, nº6 e nº8 ambas as turmas se mantiveram próximas nas suas respostas, favorecendo a afiliação. Na pergunta nº4, a turma do 12º ano apresenta uma maior percentagem (92,9%) do que a do 11º ano (69,2%) quando é questionada acerca do uso do equipamento de equipa. Na pergunta seguinte a tendência mantêm-se, mas apenas porque um dos alunos do 11ºano entendeu que quase nunca procurou desempenhar a função que lhe foi atribuída, já os do 12º ano oscilaram as suas respostas entre sempre e quase sempre. Também na questão nº7, os alunos do 12ºano apresentam um maior sentido de afiliação, pois 92,9% refere que gostava da equipa onde estava integrado(a), enquanto os do 11ºano, apenas 84,6% é que se sentiam bem na sua equipa. Já nas questões nº9 e nº10, há uma inversão da tendência que se verificava até então, pois na primeira dessas questões 69,2% dos alunos do 11º ano ajudaram na elaboração do troféu para o evento culminante, contrastando com os 64,% de alunos do 12º que dizem não ter sido solicitados para essa tarefa. Na última questão também é verificado que 91,7% da turma do 11º ano carateriza a sua equipa como unida ou equilibrada, enquanto a outra turma apresenta apenas 66,6% nessas duas opções. Em sentido inverso, 16,7% dos alunos do 12º ano consideraram que a sua equipa era desunida, e há ainda 8,3% dos alunos da mesma turma que revelaram que na sua opinião uns trabalhavam mais que outros. 4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS O primeiro aspeto a reter dos resultados obtidos é o facto de não haver dúvidas de que o Modelo de Educação Desportiva foi uma mais-valia, pois ofereceu aos alunos uma autêntica e significativa experiência desportiva. Esta Relatório de Estágio Profissional 88 constatação, demonstra que os pequenos grupos podem influenciar positivamente o desenvolvimento dos jovens. Também o desempenho de tarefas/funções, como por exemplo o de treinador ou estatístico levou a que os alunos melhorassem o seu desempenho pessoal. Estas tarefas instigam a que estes assumam a liderança e se comportem de uma forma responsável para com o seu grupo, investindo assim na relação do sentido de identidade e de participação. O Modelo de Educação Desportiva e a organização por equipas revestiu-se como contributo muito valioso para os alunos, exigindo destes uma aprendizagem que os levou a conhecer-se e a subordinar os seus interesses pessoais aos objetivos da equipa, desenvolvendo a sua capacidade de coordenação, organização e responsabilidade, sobretudo pelo constante prestar de contas à equipa. Percebe-se assim que a turma do 11º ano demonstrou um sentimento de afiliação muito grande, pois todos os alunos se mostram empenhados na realização das tarefas e na procura de contribuírem positivamente para o sucesso da equipa. No entanto, foi na turma do 12º ano que o sentimento de afiliação foi mais sentido, nomeadamente em 7 das 10 questões. Outra das conclusões deste estudo e que mostram o grande contributo da educação desportiva no sentimento de afiliação foi o gosto que os alunos evidenciaram por fazer parte de uma equipa. Este facto é verificado pelo elevado número de alunos (89%) que sentiram que estavam integrados, não mostrando intenções numa troca de colegas, preferindo trabalhar com a equipa no sentido de debelar as suas dificuldades. Toda esta situação levou a uma constante entreajuda e à união entre os vários elementos da equipa. O que acabou de ser descrito não poderá nunca ser negligenciado pois inerentes a essa ajuda estão os processos de inclusão e integração. Neste questionário, todos responderam positivamente às questões relacionadas com esses processos. Por último, percebe-se que o Modelo de Educação Desportiva contribuiu em grande escala para a valorização do Desporto e o seu envolvimento por parte dos alunos, sendo necessário agora criar um trabalho longitudinal, de Relatório de Estágio Profissional 89 forma a dar continuidade ao trabalho que foi realizado, desenvolvendo "experiências que têm significado e valor ao longo da vida" (Penney, Clarke, & Kinchin, 2002, p. 56). 5. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES Através da realização deste estudo foi possível obter algumas conclusões. Desde logo e sendo o principal objetivo do estudo verificou-se que a aplicação do Modelo de Educação Desportiva promoveu um sentimento de afiliação nos seus intervenientes. Verificou-se também que os alunos se mantiveram motivados para a época desportiva, nomeadamente quando referem que procuraram desempenhar corretamente a função que lhes foi atribuída. Também foi comprovado que os alunos procuraram dar o seu melhor em prol da equipa, desenvolvendo assim as suas capacidades. No entanto também existem aspetos menos positivos, como o facto de alguns dos alunos terem referido que uns trabalhavam mais que outros o que é um duro revés no sentimento de afiliação. Poderíamos assim, num futuro estudo, procurar perceber o porquê desta opinião. Mesmo assim, o autor assinala como positivo a aplicação do MED, pois estes alunos viveram a sua experiência neste modelo de uma forma intensa, sendo necessário agora aplicar esta mesma metodologia nos anos subsequentes, no sentido de dar uma sequência ao trabalho desenvolvido nesta época desportiva de Atletismo. Dada a pouca informação existente em relação à pesquisa deste tema a bibliografia utilizada foi curta, recomendando-se assim, para estudos futuros uma revisão bibliográfica mais extensa e, se possível, com informações mais recentes. Recomenda-se ainda a elaboração e validação de instrumentos direcionados para a afiliação, assim como a realização de estudos mais específicos. Relatório de Estágio Profissional 96 6.Referências Bibliográficas Alain (1986). Propos sur l’éducation. Paris: Quadrige/PUF, primera edición, 1932. Alonso, Mª. (sd). A avaliação do professor como instrumento de inovação: um modelo para o desenvolvimento profissional dos professores. In Ser professor – Contributos para um debate (pp. 47-62). Porto: SPZN. Botelho, P. (2010). Modelos de Estruturas de Conhecimento - Apontamentos DGD. FADEUP. Documento não publicado. Cardoso, A. M., Peixoto, A. M., Serrano, M. C., & Moreira, P. (1996). O movimento da autonomia do aluno: Estratégias de supervisão (pp. 89122). Porto: Porto Editora. Dewey, J. (1933). How we think. London: Heath. Formosinho, J. (2001). A formação prática dos professores: da prática docente na instituição de formação à prática pedagógica nas escolas (vol. 1). MacPhail, A., Kirk, D., Kinchin, G.(2004). Sport Education: Promoting Team Affiliation Through Physical Education.in Journal of Teaching in Physical Education, 23, 106-122. Matos, Z. (2010-2011). Normas orientadoras do Estágio Profissional do ciclo de estudos conducente ao Grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP. Porto: Faculdade de Desporto – Universidade do Porto Matos, Z. (2010-2011). Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional do Ciclo de Estudo Conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Básicos e Secundário da FADEUP. Porto: Faculdade de Desporto – Universidade do Porto. McGOWN, C. O ensino da técnica desportiva. Treino Desportivo. II série, n. 22, p. 15-22, dez. 1991. Nóvoa, A. (2009). Para uma formação de professores construída dentro da profissão (capitulo 2), in Professores imagens do futuro presente. Lisboa: Educa. Relatório de Estágio Profissional 97 Oliveira, I., & Serrazina, L. (2002). A reflexão e o professor como investigador. In GTI (Ed.), Reflectir e investigar sobre a prática profissional (pp. 29-42). Lisboa: APM Sá-Chaves, I. (2005). Os “Portfólios” Reflexivos (também) trazem gente dentro reflexões em torno do seu uso na humanização dos processos educativos. Porto: Porto Editora. Sá-Chaves, I. (2007). Portfólio reflexivo: uma estratégia de formação e supervisão. Universidade de Aveiro. Siedentop, D. (1994). Introduction to sport education. In D. Siedentop (Ed.), Sport education: Quality PE through positive sport experiences. (pp. 3-16). Champaign, IL: Human Kinetics. Siedentop, D. (1996). Physical Education and Educational Reform: The Case of Sport Education. In S.Silverman & C.Ennis (eds) Student Learning in Physical Education. Champaign, Ill.: Human Kinetics, 247,267. Siedentop, D. (1998). What is sport education and how does it work? Journal of Physical Education, Recreation and Dance, 69(4), 18-20. Siedentop, D. (2002) Sport Education: A retrospective. Journal of Teaching in Physical Education, 21, 409-418. Schön, D. (1992). Formar professores como profissionais reflexivos. In A. Nóvoa (Org.). Os professores e a sua formação. Lisboa: D. Quixote e IIE. Schön, D. (1987). Educating the reflective practioner. São Francisco, CA: Joseey-Bass. Stenhouse, L. (1981). in Introduction to Curriculum Research and Development. London: Heinemann Educational Books Ltd. Wynne, E.A., & Walberg, H.J. (1994). Persisting groups: An overlooked force for learning.Phi Delta Kappan, 75, 527-530. Relatório de Estágio Profissional 98 7. SÍNTESE Relatório de Estágio Profissional 99 7.Síntese A Elaboração do presente documento surge no âmbito do Estágio Profissional (EP), inserido no plano de estudos da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), conducente ao grau de Mestre, em Ensino da Educação Física no Ensinos Básico e Secundário. A sua realização tem como propósito primordial a realização de uma reflexão critica, consistente e fundamentada da experiência formativa e do desenvolvimento de competências profissionais, em contexto de Estágio Profissional no ensino da Educação Física. O EP, a nível institucional, funciona durante os terceiro e quarto semestre desse mesmo ciclo de estudos e o objetivo desta unidade curricular é a integração do professor estagiário no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada (PES) em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais e promovendo um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão. A acrescentar a estas diretrizes, Stenhouse (1981), refere que “as características mais salientes do profissional ‘amplo’ são: uma capacidade para o autodesenvolvimento profissional autónomo mediante uma análise sistemática da própria prática, a reflexão sobre o trabalho de outros professores e a comprovação dos conhecimentos mediante procedimentos de investigação na sala de aula”. No atual quadro legal, a iniciação à Prática Profissional rege-se pelas normas da instituição universitária e pela legislação específica acerca da Habilitação Profissional para a docência. A estrutura e funcionamento do Estágio Profissional consideram os princípios decorrentes das orientações legais nomeadamente as constantes do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 Março e do Decreto-lei nº 43/2007 de 22 Fevereiro e têm em conta o Regulamento Geral dos segundos ciclos da Universidade do Porto, o Regulamento geral dos segundos ciclos da FADEUP e o Regulamento do curso de Mestrado em Ensino da Educação Física. No que diz respeito à funcionalidade do EP, esta discrimina que ao estudante estagiário são atribuídas as funções que o Professor de Educação Física desempenha, sendo este portador de todos os direitos e deveres que essa função instiga. Nomeadamente a responsabilidade por uma turma durante todo o ano letivo, e por todas as atividades de planeamento, realização e avaliação do ensino. Nóvoa (2009), refere que “a formação de professores deve ser construída dentro da profissão, isto é baseada numa combinação complexa de contributos científicos, pedagógicos e técnicos, mas que tem como âncora os próprios professores, sobretudo os professores mais experientes e reconhecidos”. Assim, todo o processo é supervisionado por um Professor Cooperante (Docente da Escola Cooperante) e por um Orientador de Estágio (Docente da FADEUP). O registo escrito, concretizado no Relatório de Estágio Profissional, tanto de vivências pessoais como das práticas profissionais, reveste-se de uma índole imprescindível para que o Relatório de Estágio Profissional 100 estudante estagiário possa construir a sua identidade como futuro professor. Esse relatório encontra-se dividido em cinco capítulos. O primeiro referente à “Introdução”, o segundo referente ao “Enquadramento Biográfico”, no qual o estudante estagiário se identifica e conjetura as suas vivências académicas e desportivas, focando também as suas expetativas em relação ao Estágio Profissional. No terceiro capitulo procede-se ao “Enquadramento da Prática Profissional”, (organizado em três temas: contexto de natureza conceptual, legal, institucional, contexto funcional e caracterização da Escola Secundária/3 de Barcelinhos). A temática do quarto capitulo, “Realização da Prática Profissional, é baseada nas reflexões ao longo do Estágio, tendo estas sido cruciais para o crescimento profissional do estudante estagiário. Este procurou criar um retrato fiel do que foi o Estágio Profissional de acordo com as áreas de desempenho: Área 1 – Organização e Gestão de Ensino e da Aprendizagem; Área 2 – Participação na Escola; Área 3 – Relações com a Comunidade; Área 4 – Desenvolvimento Profissional, onde está aprofundado um estudo que o estudante estagiário se propôs realizar no âmbito da investigação-ação, intitulado “Sentimento de Afiliação na Época Desportiva de Atletismo”. Mas, é de fácil perceção, que foi impossível transcrever para este Relatório de Estágio Profissional tudo o que aconteceu. É árdua a tarefa de retratar todas as emoções e situações vivenciadas pelo estudante estagiário ao longo do ano letivo. A Organização e Gestão de Ensino e da Aprendizagem subdivide-se em quatro etapas, a conceção, o planeamento, a realização e avaliação do ensino. Na primeira etapa, o estudante estagiário revela que os primeiros tempos foram os mais difíceis, pois sentia-se um pouco “sufocado” pelas diversas tarefas de estágio e confessa que sentiu Medo, medo de falhar, de não ser capaz de motivar os alunos, de não controlar a turma, medo de não os conseguir levar à aprendizagem, medo de que a oportunidade que lhe foi concedida não fosse bem aproveitada. Desta forma, o estudante estagiário procurou planear tendo sempre em conta que o trabalho do Professor consiste na construção de práticas docentes que levem os alunos à aprendizagem. Inicialmente foi muito difícil conciliar e controlar toda a dinâmica de trabalho de uma aula e só após muitas horas de docência e muito gradualmente o estudante estagiário foi conseguindo melhorar, sentindo cada vez maior segurança, maior controlo sobre as situações, e demonstrando uma enorme progressão nos mais variados aspetos necessários à aula. Com o passar das aulas, procurou imprimir um tipo de feedback pedagógico mais fecundo e consequente, socorrendo-se do método de questionamento. É precioso que os professores em formação sejam capazes de refletir todas as suas ações, tendo sempre por base o conhecimento adquirido ao longo dos vários anos. Importante é também que estes sejam capazes de se colocar na posição de recetores da mensagem educativa, de forma a perceber qual a melhor forma de transmitir essa mesma mensagem aos Relatório de Estágio Profissional 101 alunos, não de uma forma gratuita mas de uma forma que estimule os alunos, levando-os a questionarem-se o porquê de estar a realizar uma determinada tarefa. A aplicação do Modelo de Educação Desportiva (MED) constituiu-se um dos principais desafios colocados ao estudante estagiário para o Estágio Profissional. Este modelo concedeu uma nova forma de lecionar, permitindo aliar as competências motoras, às competências cognitivas e sócio afetivas, no sentido de promover a aula de Educação Física como um espaço de aprofundamento do conhecimento e de aprendizagem saudável e duradoura. Estes factos proporcionaram “ao jovem autonomia, ao colocá-lo no centro do processo, com a assunção de diferentes papéis (jogador, dirigente, treinador, árbitro, jornalista, etc.) durante as unidades didáticas, as quais possibilitaram uma maior concentração sobre o tema e forneceram uma estrutura global à organização da experiência” (Siedentop, 1994; Mesquita e Graça, 2006). Procurou-se então, através de modelo “formar alunos desportivamente competentes, cultos e entusiastas” (Siedentop, 2002). O estudante estagiário, tal como os alunos da turma revelaram inicialmente algumas dificuldades na concretização das tarefas do MED, mas ao longo do tempo foram ultrapassando essas tarefas conjuntamente. Assim, a aplicação do Modelo de Educação Desportiva revelou-se um sucesso em todas as suas premissas, quer na época de ensaio de Andebol, quer na época desportiva de Atletismo, sendo este o foco principal da realização nesta área de desempenho. A avaliação do ensino sempre acompanhou o estudante estagiário, procurando colocar em prática o processo de investigação/ação/refelxão, que após cada aula e cada unidade temática, imbuído de um espírito construtivista, refletia e investigava sobre aquilo que ia ocorrendo, procurando indagar sobre o porquê de ter errado e procurando as melhores soluções para isso não se voltar a repetir. Este professor reflexivo deve possuir “abertura de espírito para entender possíveis alternativas e admitir a existência de erros; responsabilidade que permite fazer uma ponderação cuidadosa das consequências de determinada ação; e empenhamento para mobilizar as atitudes anteriores. (…) A verdadeira prática reflexiva ocorre quando uma pessoa tem um problema real para resolver e, neste caso, investiga no sentido de procurar a solução” (Dewey, J., 1933). A capacidade de reflexão foi o resultado de um ano letivo muito proveitoso, recheado de aprendizagens, conseguidas através do empenho e que contribuíram para a formação do estudante estagiário não só como professor, mas como Homem. Somando tudo o que acabou de ser dito, a área 1Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem foi de encontro ao que o estudante estagiário havia projetado inicialmente. Durante o ano letivo, e indo de encontro a essas expetativas, o estudante estagiário procurou sempre incutir nos alunos o gosto pelo Desporto e a fomentar de hábitos de vida saudáveis. Também se procurou promover os valores individuais da honestidade, da Relatório de Estágio Profissional 102 humildade, da responsabilidade e fair-play e os valores coletivos de união, entreajuda e companheirismo. Também no quarto capítulo, são descritos todos os momentos de participação na escola através da mais diversas atividades dando destaque aquelas que foram desenvolvidas pelo estudante estagiário em conjunto com o Núcleo de Estágio, nomeadamente o evento “Desporto é Viver” e o “Campeão da Escola” (torneio de badminton), e ainda das relações com a comunidade, tendo estas sido importantes na formação pessoal e social do estudante estagiário. No final do capítulo, é apresentado e desenvolvido o estudo realizado no âmbito da investigação-ação, subordinado ao tema “O Sentimento de Afiliação na Época Desportiva de Atletismo”. A encerrar o Relatório de Estágio Profissional, o estudante estagiário classifica-o como a fase mais importante de toda a sua vida, revelando que nunca antes havia sentido antes a sensação de um desenvolvimento tão rápido e tão consistente. Este apresenta-se ainda consciente de que nem tudo foi perfeito neste Estágio Profissional, realçando o facto de ter começado num patamar inferior e ter alcançado patamares mais elevados ao longo do ano letivo. Para o estudante estagiário, este foi sem sombra de dúvidas um ano de produtividade inexcedível, um ano que ficará marcado para sempre na sua vida, onde sente que deu tudo o que tinha para ser cada dia melhor Professor, salientando o facto de não querer parar por aí, mas sim continuar a batalhar por mais momentos que lhe proporcionem mais aprendizagens. Referências Bibliográficas Dewey, J. (1933). How we think. London: Heath. Matos, Z. (2010a). Normas orientadoras do estágio profissional do ciclo de estudos conducentes ao grau de mestre em ensino de educação física nos ensinos básicos e secundários. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Matos, Z. (2010b). Regulamento da unidade curricular do estágio profissional do ciclo de estudos conducente ao grau de mestre em ensino de educação física nos ensinos básicos e secundários. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Mesquita, I. & Graça, A. (2006). Modelos de ensino dos jogos desportivos. In: Tani, Bento & Petersen (Eds.) (2006) Pedagogia do desporto. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, pp.269-283. Nóvoa, A. (2009). Para uma formação de professores construída dentro da profissão (capitulo 2), in Professores imagens do futuro presente. Lisboa: Educa. Siedentop, D. (1994). Introduction to sport education. In D. Siedentop (Ed.), Sport education: Quality PE through positive sport experiences. (pp. 3-16). Champaign, IL: Human Kinetics. Relatório de Estágio Profissional 103 Siedentop, D. (2002) Sport Education: A retrospective. Journal of Teaching in Physical Education, 21, 409-418. Stenhouse, L. (1981). in Introduction to Curriculum Research and Development. London: Heinemann Educational Books Ltd. Relatório de Estágio Profissional civ 8. ANEXOS Relatório de Estágio Profissional cv Anexo 1 – Ficha Socioeconómica do Aluno Relatório de Estágio Profissional xxi Anexo 6 – Plano de Aula Plano de Aula Data: Aula nº Sessão nº Local: Professor: Ano/turma: 11º G Nº de alunos: 21 Hora da Aula: 10:05 h Sumário: Função Didática: Duração da aula: Material: Colchões, projetor e computador. Objetivos da Aula: Habilidades Motoras: Condição Física: Conceitos Psicossociais: Cultura Desportiva: P.A. Conteúdos Tarefas de Aprendizagem Critérios de êxito Inicial Fundamental Final Relatório de Estágio Profissional xxii Anexo 7 – Reflexão de Aula Reflexão da Aula Data: Aula nº Sessão nº Local: Professor: Ano/turma: 11º G Nº de alunos: Hora da Aula: Sumário: Função Didática: Duração da aula: Material: Sinalizadores, Dorsais, Barreiras, Peso, Tábuas de chamada e duas bolas Objetivos da Aula: Habilidades Motoras: Condição Física: Conceitos Psicossociais: Cultura Desportiva: 1.Análise Global da Aula 2. Análise Pormenorizada da Aula 2.1 Parte Inicial 2.2. Parte Fundamental 2.3 Parte Final 3. Observações 4.Indicações Relatório de Estágio Profissional xxiii Anexo 8 – Fotos Alunos Relatório de Estágio Profissional xxiv Anexo 9 – Projeto “Desporto é Viver” Relatório de Estágio Profissional xxv Relatório de Estágio Profissional xxvi Introdução O presente projeto, no âmbito do Estágio Profissional do ano letivo de 2010/2011, inserido no 2º ano do Mestrado do 2º Ciclo em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, visa a organização e posterior implementação de uma ação, no âmbito das atividades físicas, que facilite a integração e sociabilização dos alunos, assim como conhecer as potencialidades da comunidade escolar e conceber iniciativas para a participação ativa dos encarregados de educação na escola em geral. Intitulado “Desporto é Viver” atividade aberta a toda a comunidade escolar e pais dos alunos. O desenvolvimento deste projeto implicou a elaboração e planeamento cuidadosos de uma série de aspetos interdependentes e imprescindíveis. Ou seja, para implementar há que primeiro organizar. Relatório de Estágio Profissional xxvii Justificação da Escolha da Atividade O projeto “Desporto é Viver”, engloba 4 áreas distintas e decorrerá no mês de Maio de 2011, na Escola Secundária/3 de Barcelinhos, em quatro momentos diferentes, sendo dedicado um dia (manhã ou tarde) a cada área. Áreas do Projeto: Área 1 – Corpo e Saúde Área 2 – Atividades de Academia e Street Surfing Área 3 – O Mundo do Futebol Área 4 – Caminhada Desportiva – dos 8 aos 80 A escolha deste tema para o nosso projeto, prende-se com a implementação de várias atividades ligadas ao desporto, possibilitando à comunidade escolar um maior conhecimento e experiência prática sobre as diversas atividades desportivas e conselhos para uma vida saudável. A área 4, destina-se a uma caminhada, aberta a toda a comunidade escolar e pais dos alunos. Optamos ainda por atribuir um nome a cada área, de acordo com os temas abordados. A referir ainda, que existe um responsável por cada área. Área 1 – Corpo e Saúde - Silvina Esteves Área 2 – Atividades de Academia e Street Surfing - Davide Martins Área 3 – O Mundo do Futebol – Flávio Costa Área 4 – Caminhada Desportiva, está a cargo de todo o Núcleo de Estágio. Relatório de Estágio Profissional xxviii Objetivos Específicos O que se pretende com o projeto “Desporto é Viver”, é contribuir para a promoção do sucesso educativo, no reforço do papel do professor de Educação Física na Escola e da disciplina de Educação Física, através de uma intervenção contextualizada, cooperativa, responsável e inovadora. Esta atividade assenta essencialmente na promoção da atividade física e convívio tendo como finalidades:  Fomentar o gosto pela prática regular de atividade física (caminhadas, desportos coletivos, ginásios, etc.);  Sensibilizar os jovens e adultos para a prática desportiva em contacto com a Natureza;  Orientações sobre hábitos de vida saudável;  Adquirir bases sobre primeiros socorros (como socorrer uma vítima);  Realizar rastreio sobre a Tensão Arterial e IMC (Índice de Massa Corporal);  Dotar os praticantes de conhecimentos e aptidões teórico-práticas relativas à atividade, de forma que a prática seja mais adequada e racional;  Incutir o espírito de equipa e responsabilidade;  Levar os praticantes a um conhecimento correto das suas capacidades físicas, psíquicas e intelectuais;  Incentivar os elementos da Comunidade e Comunidade Escolar a participarem nas atividades programadas;  Criar situações de convivência no campo do Desporto Escolar, Desporto de Ginásio e Desporto Aventura; Relatório de Estágio Profissional xxix Cronograma de Atuação O desenvolvimento deste projeto será gradual e alvo de alterações até à sua realização, visto que estamos dependentes da disponibilidade de alguns dos colaboradores intervenientes no projeto. Neste momento, serão abordados aspetos relativos ao enquadramento da atividade e a cada uma das áreas, assim como a sua programação e com data indicada para a segunda semana de Maio (10, 11 e 14 de Maio). Como referido anteriormente, cada aluno estagiário é responsável por uma área, deste modo, toda a preparação e elaboração de cada uma das áreas é da responsabilidade individual de cada aluno estagiário. Este cronograma de atuação não será linear, visto que ainda podem surgir novas ideias de modo a enriquecer o projeto. Relatório de Estágio Profissional xxx Escolha da Atividade e Razões Em primeiro lugar pensámos que tipo de atividade poderia ser desenvolvida nesta comunidade escolar, tendo em conta as suas características desportivas, naturais e culturais. Chegámos à conclusão que o projeto “Desporto é Viver”, composto por 4 áreas distintas, seria a atividade mais indicada, na medida em que proporciona, por um lado, a prática desportiva, contacto com diferentes realidades desportivas, os cuidados com o corpo e bem-estar pessoal e por outro, o contacto com a natureza e com os aspetos culturais, e o facto de ser uma atividade de baixos custos. Escolhemos o mês de Maio para a realização da atividade, visto este ser o mês do coração, e não queremos deixar em branco este mês dedicado ao coração, sendo nosso objetivo promover a atividade física, realizar rastreios, esclarecer dúvidas com técnicos especializados, proporcionar diferentes experiências desportivas, fornecer alguma formação a nível de primeiros socorros e alertar para os benefícios da atividade física no quotidiano. Relatório de Estágio Profissional xxxvii Programa - Área 3: Mundo do Futebol Local: Pavilhão Gimnodesportivo da Escola Secundária/ 3 de Barcelinhos Data: 11 de Maio de 2011, das 15h às 17h  14H – 15H – Concurso de Sustentação de Bola – Destinado aos alunos do ensino básico e secundário.  14H – 15h – Torneio de Futsal (Ensinos Básico e Secundário).  15H – 16H Conferência e sessão de autógrafos – Sporting Clube de Braga.  16H – Continuação do Torneio de Futsal. Relatório de Estágio Profissional xxxviii Área 4 – Caminhada Desportiva – dos 8 aos 80 Responsável: Núcleo de Estágio Esta atividade tem como principal objetivo, promover a atividade física e o desporto, não só junto da comunidade escolar, mas também promover a participação ativa dos pais dos alunos nas atividades da escola, nomeadamente na disciplina de Educação Física e o património cultural local. Esta atividade baseia-se na realização de uma caminhada nas redondezas de Barcelinhos. Visto ser uma atividade de baixo custo, e que pode ser realizada por todas as pessoas (como expressa o slogan: dos 8 aos 80), temos a expectativa de que a sua realização contará com um número razoável de participantes. Para que estas ideias e objetivos se concretizem, é necessária uma divulgação apelativa junto dos alunos e dos pais e a colaboração de técnicos especializados, deste modo, para a:  Segurança – contámos com a colaboração da GNR de Barcelinhos.  Apoio logístico – contámos com a colaboração dos Bombeiros de Barcelinhos.  Marketing – contámos com a colaboração da Escola Secundária/3 de Barcelinhos. Relatório de Estágio Profissional xxxix Programa - Área 4: Caminhada Desportiva – dos 8 aos 80 Local: Barcelinhos Data: 14 de Maio de 2011  9H15 – Concentração em frente à escola Secundária/3 de Barcelinhos - Receção aos participantes  9H30 – Início da Caminhada  12H – Fim da Caminhada  12H15 – Entrega de Lembranças Percurso: Barcelinhos e freguesias circundantes, com uma extensão total de cerca de 8km. Dificuldade: Baixa/Média. Relatório de Estágio Profissional xl Anexo 10 – Cartaz “Desporto é Viver” Relatório de Estágio Profissional xli Anexo 11 – Fotografias “Desporto é Viver” Relatório de Estágio Profissional xlii Relatório de Estágio Profissional xliii Anexo 12 – Diário do Minho “Desporto é Viver” Relatório de Estágio Profissional xliv Relatório de Estágio Profissional xlv Relatório de Estágio Profissional xlvi Anexo 13 – Projeto “Torneio de Badminton” Torneio de Badminton “O Campeão da Escola” Escola Secundária/ 3 de Barcelinhos - 2010 / 2011 Relatório de Estágio Profissional liii VIII. Quadro da Competição Após o sorteio dos jogos, que será aleatório, realizar-se-ão os jogos pela sua ordem de emparelhamento. Os vencedores seguem para a fase seguinte, enquanto os vencidos serão eliminados. IX. Disposições Finais O grupo de Professores do Núcleo de Educação Física da Escola Secundária /3 de Barcelinhos reserva-se ao direito de resolver qualquer situação não prevista no presente regulamento, sendo inapeláveis as suas decisões. X. Prémios Será atribuído prémios aos três primeiros classificados, Femininos e Masculinos, os restantes participantes irão receber um certificado de participação. XI. Área de Intervenção - Área de Divulgação A divulgação do torneio está a cargo do Núcleo de Estágio. Serão afixados por toda a escola cartazes divulgativos do torneio. A sua divulgação também será feita através de correio eletrónico para os alunos das nossas turmas, assim como através da rede social facebook. Além destas estratégias de divulgação, todos os Professores de Educação Física serão solicitados a informar os seus alunos. Relatório de Estágio Profissional liv - Área Técnica Esta área tem como função dirigir e controlar o torneio para que tudo corra como o planeado. O corpo técnico será constituído pelo Núcleo de Estágio de Educação Física e pelo Professor Cooperante. Relatório de Estágio Profissional lv I. Ficha de Inscrição Nome M F Ano/Turma 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Relatório de Estágio Profissional lvi II. Boletins de Jogo Relatório de Estágio Profissional lvii XX. Cartaz de Divulgação da Atividade Relatório de Estágio Profissional lviii Anexo 14 – Diploma de Participação “Torneio de Badminton” Relatório de Estágio Profissional lix Anexo 15 – Fotografias “Torneio de Badminton” Relatório de Estágio Profissional lx Anexo 16 – Questionário “Sentimento de Afiliação” Relatório de Estágio Profissional lxi