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Relatório Final de Estágio Profissional

Nuno Miguel Gomes Amendoeira

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A Realidade do Desporto Escolar na Escola Secundária Abel Salazar Relatório de Estágio Profissional Relatório de Estágio Profissional apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto com vista à obtenção do 2º ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro). Orientadora: Professora Doutora Maria Luísa Dias Estriga Nuno Miguel Gomes Amendoeira Porto, 28 de setembro de 2012 Ficha de Catalogação Amendoeira, N. (2012). A Realidade do Desporto Escolar na Escola Secundária Abel Salazar: Relatório de Estágio Profissional. Porto: N. Amendoeira. Relatório de estágio profissional para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, EDUCAÇÃO FÍSICA, PROFESSOR, REFLEXÃO, DESPORTO ESCOLAR III Dedicatória Dedico a todas as pessoas que comigo sempre estiveram e com o apoio das quais sempre pude contar. Sem fazer referência a nomes nem relações, a todos vós dirijo os meus mais sinceros e profundos agradecimentos. V Agradecimentos Desde o primeiro minuto da realização do Estágio que senti o apoio de muitas pessoas e esse apoio foi muito importante e reconfortante para mim porque senti que com o meu trabalho é possível encontrar o que existe para além dos sonhos, tanto pessoais como profissionais. A todos, muito obrigado. Agradeço a toda a minha família, em especial aos meus pais, irmão, e cunhada por toda a paciência e compreensão que sempre tiveram comigo mas acima de tudo pelo grande apoio que recebi. Sabendo que os irmãos são amigos que Deus nos dá e que os amigos são irmãos que encontramos na vida a todos os verdadeiros amigos dedico as mesmas palavras. Vocês sabem quem são e o que significam. Aos meus alunos do 11ºA porque para além de poder colocar em prática tudo o que fui aprendendo e os conhecimentos que fui construindo e aos quais me fui moldando, são pessoas com quem aprendi muito e na presença das quais pude passar por uma realidade pedagógica imensamente rica e enriquecedora. À Escola Secundária Abel Salazar (ESAS) em São Mamede de Infesta e a todos os seus funcionários e professores, especialmente os de Educação Física pois apesar de Professor Estagiário sempre fui muito bem recebido e tratado. À minha Professora Orientadora e à minha Professora Cooperante, pela forma como me foram conduzindo e auxiliando no decorrer de todo o Estágio Profissional, pelas relações estabelecidas, pela partilha e transmissão de conhecimentos e pelas sugestões oferecidas. Agradeço também pela dedicação e incentivos que sempre foram dando ao meu trabalho, bem como ao dos meus colegas. À FADEUP, pois mesmo à distância os seus profissionais sempre cumpriram o seu trabalho. VI Aos meus amigos e colegas do Núcleo de Estágio, porque juntos conseguimos fazer uma boa equipa e superar muitas dificuldades. Vencemos muitos obstáculos e encontrámos muitas soluções, sempre em prol da nossa evolução e da satisfação da comunidade. VII Índice Geral Pág. Resumo XV Abstract XVII Abreviaturas XIX Introdução 1 1 – O meu passado, presente e futuro 7 1.1 – O que fui e o que sou 9 1.2 - O estágio profissional e os desafios lançado pelo mesmo. Que expectativas? 11 2 - Organização de uma prática profissional 17 2.1 – Enquadramento legal 19 2.2 – Enquadramento institucional 21 2.3 – Enquadramento conceptual e Funcional 21 2.4 – O estágio forma profissionalmente os docentes 26 3 – O professor e a profissionalidade pedagógica 29 3.1 – A construção do conhecimento pela análise reflexiva da prática e o professor reflexivo 33 3.2 - A educação física e o desporto. Qual a verdadeira importância dos seus professores? 36 4 – A missão de um professor de educação física 41 4.1 – A nossa base: a conceção 43 4.2 – A importância do planeamento 45 4.3 – A necessidade de realizar: a realização 47 4.3.1 - A importância do controlo, instrução e gestão 47 4.3.2 – Os episódios mais simbólicos no meu estágio 50 1 – Comentário Geral sobre as aulas dadas por mim 51 2 – O Modelo de Educação Desportiva (MED) e as aulas de basquetebol 54 3 – IV Meeting de Atletismo na Escola Secundária Abel Salazar 56 4 – Visita de Estudo 58 5 – Corta-Mato 60 6 – Jogos sem idade na Escola Secundária Abel Salazar 62 7 – O meu contributo nos torneios concelhios 63 4.4 – Avaliação 67 4.5 – A Escola 70 4.6 – Os meus alunos 72 5 – Estudo de Investigação: A realidade do Desporto Escolar na Escola Secundária Abel Salazar 83 Introdução 85 VIII Problemáticas e objetivos 86 Metodologia 87 Discussão de resultados 90 Limitações do estudo 95 Conclusões e implicações práticas 95 Sugestões para estudos futuros 97 6 – A amplitude do progresso 99 7 – Conclusões e perspetivas para o futuro 105 8 – Bibliografia 111 9 – Síntese Final 119 Anexos i Índice de Quadros Quadro 1 – Caracterização do Desporto Escolar na Escola Secundária Abel Salazar 2011/2012 86 Quadro 2 – Caracterização da amostra (professores de EF da ESAS) 88 XIX Abreviaturas AD – Avaliação Diagnóstica AF – avaliação formativa AS – Avaliação Sumativa DE – Desporto Escolar DF – Desporto Federado DGES – Direção Geral de Ensino Superior EE – Estudante Estagiário EF - Educação Física FADEUP – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto FCDEF – Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física MED – Modelo de Educação Desportiva NE – Núcleo de Estágio PA – Plano de Aula PC – Professora Cooperante PEE – Projeto Educativo de Escola PES – Prática de Ensino Supervisionada PO – Professora Orientadora RE – Relatório de Estágio UD – Unidade Didática Introdução 3 O meu Estágio Profissional (EP) realizou-se no ano letivo de 2011/2012 na Escola Secundária Abel Salazar (ESAS) em São Mamede de Infesta, onde fui Professor Estagiário (PE) de Educação Física (EF) do 11ºA. Fiz parte de um núcleo de estágio (NE) composto por mim e mais dois colegas. O nosso NE integrava também uma professora orientadora (PO), e uma Professora Cooperante (PC). Lecionei Voleibol, Futsal, Badminton, Basquetebol, Atletismo , Ginástica, Dança e Ténis. Para que as funções de docente sejam levadas a cabo com qualidade é essencial apostar numa formação, formação essa que nos deve preparar para os desafios da docência. Atualmente vivemos e sentimos uma reforma imensa na educação nacional e como sempre há a necessidade de a formação de professores ser algo de excelência. “O avanço de uma versão da globalização, manifestamente marcada pela prevalência exclusiva das leis do mercado e dos correspondentes interesses economicistas, a crise da ética e da moral (…) colocam às instituições universitárias graves desafios. (Bento, 2008, p.7). Os desafios baseiam-se nas relações das universidades com a sociedade em sí no sentido de responder às necessidades e exigências da mesma. Todos os íncolas deste mundo devem acompanhar a evolução mas no nosso caso específico o avanço deve ser tido em conta de uma forma total para que os quadros profissionais na Educação Física e Desporto para além de quantidade, possam também ter qualidade. Infelizmente vai ser difícil para mim dar aulas numa escola pública num futuro breve, pelo menos em Portugal, mas creio que a formação que tenho feito tem sido consistente. Segundo Bento (2008, p.57) “Á luz do que atrás ficou dito, a formação de mestres e doutores deve orientar-se para a criação de uma consciência e de um perfil de competências.” Relativamente à importância da formação no trabalho dos professores é notório que a escola é reflexo da sociedade onde está inserida e como tal tanto os professores como os alunos podem ter reações diferentes perante diferentes situações. Cada sujeito afirma a sua personalidade e modo de agir perante as questões do quotidiano escolar. Entretanto, o professor tem como missão lidar com a formação de jovens que chegam ao ambiente escolar, todos 4 vindos de diferentes ambientes culturais, geográficos, socioeconómicos, entre outros. Para que o professor tenha sucesso na liderança dos alunos, para além de ter que os conhecer e de se guiar por uma axiologia própria também é indispensável que este passe por uma formação como ficou atrás referido. O docente é peça fundamental na sua formação e não deixa de o ser na formação e evolução dos seus alunos. Então, a formação inicial dos professores é um processo de grande importância para o exercício da função de professor, especialmente a fase do EP, pela prática pedagógica. As mudanças do mundo e da educação exigem que estejamos bem preparados e com um largo reportório de competências para ajudar os alunos a crescerem. No ambiente de EP as minhas competências foram sendo desenvolvidas e fui ganhando apetências para as poder colocar em prática. As sensações e papéis de aluno na faculdade e de professor na escola acompanharam de forma simultânea o meu EP que findou o processo de estudos e abriu a porta da realidade profissional, ou seja, de um difícil mercado de trabalho. Para que os alunos, neste caso os estagiários, fiquem e se sintam bem preparados, existe na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) uma formação que contempla um EP assente nas bases da prática reflexiva como ferramenta essencial à melhoria. O EP foi um espaço onde me pude formar pessoal e profissionalmente mas não teve um fim em si mesmo nem foi o garante do meu sucesso. Não foi uma aplicação direta dos conhecimentos adquiridos porque tive sempre de confrontar os saberes e as ideias que foram surgindo com a prática e realidade escolares em questão. Procurei de forma ativa relacionar os conhecimentos do “saber”, as competências do “saber - fazer” e as atitudes do “saber - ser”, de forma a responder às exigências do EP. Com efeito, o EP revelou ser um desafio aliciante porque desde o início da minha formação sempre ambicionei ser professor e com esta experiência confirmei a minha vocação. Cada dia e cada situação representavam um novo desafio e uma oportunidade para aprender. O EP foi uma fase marcante para mim porque encerrou em si episódios inesquecíveis e experiências com as quais aprendi imenso e que ficarão comigo para sempre. 5 Este Relatório de Estágio (RE) foi construído com base no ano do meu EP e trata-se de um documento obrigatório para os Estudantes Estagiários (EE). O presente conta também com um estudo de investigação sobre a realidade no Desporto Escolar (DE) na ESAS. Desde janeiro de 2012 que me debruço sobre o RE mas a sua fase mais produtiva tem sido desde o final do ano letivo, uma vez que durante o mesmo, o tempo por vezes era escasso. Neste tentarei partilhar um pouco de mim, o que é um estágio e como foi o meu estágio, bem como alguns dos seus episódios mais marcantes. Durante o ano letivo escrevi reflexões 1 e um diário de bordo 2 e alguns dos seus excertos estão presentes em partes deste RE. 1 Processo de escrita através do qual e para o qual refleti durante o 1º período. 2 Processo adotado a partir do 2º período, onde reflito e me debruço sobre os vários momentos do EP, substituindo as reflexões (esta substituição foi feita com base nas sugestões da FADEUP) 1. O meu passado, presente e futuro 14 conhecimentos de uma forma pedagógica e orientada. Os conhecimentos e as competências que adquiri na faculdade foram indispensáveis neste sentido pois creio que sem eles seria impossível desenvolver um bom trabalho. Penso que o EP é um instrumento fundamental aos formandos de cursos superiores para fazer com que o professor estagiário aplique na prática os conhecimentos adquiridos ao longo da vida académica. As competências e conhecimentos que fui adquirindo foram neste ano enriquecidos com o surgimento de novas situações e desafios. O meu objetivo sempre foi evoluir e fazer evoluir mas comparando isso com qualquer outro professor de outras disciplinas podemos encontrar algumas diferenças ao nível de competências, conhecimentos e personalidade necessária para o desempenhar da tarefa docente. O EP mostrou-se como um excelente elo de ligação entre a teoria aprendida na faculdade e a prática. No estágio, vivi experiências de resolução de problemas, avaliação, entre outras. Por outras palavras, lidei com a realidade escolar. “É durante as tempestades que o verdadeiro marinheiro aprende a velejar” (Magalhães, s.d.) e é nas grandes dificuldades que se vê quais são os verdadeiros marinheiros, aqueles que enfrentam o mar ou os que ficam em terra. Para além de metaforicamente comparar o EP com um mar agitado posso igualmente dizer que tal como numa primeira fase de vida, onde os bebés vão abrindo os olhos, o mesmo me aconteceu a mim pois fui percebendo do que se trata na íntegra e cimentado ideias e posições. “Que vem a ser a educação? Eis uma pergunta que levanta dois problemas básicos (…) o primeiro encontra-se ligado à filosofia e à natureza do próprio processo da educação.(...) o segundo é ainda mais importante e diz respeito à educação encarada no seu aspeto global (…) A quem vamos ensinar? Que devemos ensinar e porquê? (Vaizey, 1968, p. 50). O meu percurso no EP foi uma passagem pela prática e pela teoria e ao mesmo tempo tive de enfrentar e resolver inúmeras situações. Quanto à segunda problemática levantada pelo autor considero-a mais real e ameaçadora que a primeira porque na verdade o conhecimento é imensamente abrangente. A educação no seu sentido global dá-nos que pensar. Por exemplo, o que é que 15 é preciso para ser um bom professor? Para além de todo o envolvimento cognitivo relacionado com a EF, falta algo? Sempre me senti mais à vontade nas minhas modalidades preferidas que são as que já indiquei atrás: Futsal, Voleibol e Ténis. Logicamente julgava que a minha performance iria ser melhor neste campo. Confirmou-se de facto que as aulas destas modalidades foram boas e com resultados muitos bons mas isso não invalidou a qualidade das restantes. Depois de terminadas posso opinar sobre as mesmas e creio que na generalidade consegui dar aulas boas. Uma vez que referi o Ténis, devo igualmente dizer que não pensava ir para o DE mas quando essa porta se abriu, acedi de imediato. Mesmo não tendo sido uma das minhas crenças iniciais o DE foi uma das minhas mais-valias no EP. Antes do EP e segundo as minhas expectativas e crenças, mesmo sabendo da mudança que o ensino sofreu, julgava ser capaz de desempenhar um bom papel apesar de estar um pouco ansioso porque não sabia o que me esperava. Pensava todos os dias em como poderia ser a nova fase da minha vida e mesmo pensando positivamente interrogava-me se ia conseguir ou não. Confirmei que sim e o que tenho a afirmar é que este ano letivo enquanto professor estagiário superou de longe as minhas expectativas por variadas razões. A escola onde fui colocado, a Professora Cooperante (PC) e Professora Orientadora (PO) realizaram um excelente acompanhamento. Os meus colegas de estágio também me proporcionaram sempre bons momentos e a turma com que trabalhei foi fantástica. Cumpri as tarefas que tinha como meta e o balanço foi totalmente positivo. Por tudo. 2. Organização de uma Prática Profissional 19 2.1 - Enquadramento Legal No contexto legal o Estágio Profissional (EP), delimita-se pelas Normas Orientadoras, pelo Regulamento Unidade Curricular Estágio Profissional e pelo Documento da Avaliação Prática Supervisionada. De acordo com o artigo primeiro do Regulamento referido a “iniciação à Prática Profissional do Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) integra o Estágio Profissional – Prática de Ensino Supervisionada (PES) e o correspondente Relatório de Estágio (RE) e rege-se pelas normas da instituição universitária e pela legislação específica acerca da Habilitação Profissional para a Docência. A estrutura e funcionamento do Estágio Profissional (EP) consideram os princípios decorrentes das orientações legais nomeadamente as constantes do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro e têm em conta o Regulamento Geral dos segundos Ciclos da UP, o Regulamento geral dos segundos ciclos da FADEUP e o Regulamento do Curso de Mestrado em Ensino de Educação Física” (Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, 2011a). O EP “ (…) entende-se como um projeto de formação do estudante, centrado no sujeito da formação, que integra conhecimento proposicional e prático do professor, numa interpretação atual da relação teoria prática e contextualizando o conhecimento no espaço escolar. Tem como objetivo a formação do professor profissional, promotor de um ensino de qualidade. Um professor reflexivo que analisa, reflete e sabe justificar o que faz em consonância com os critérios do profissionalismo docente e o conjunto das diferentes funções docentes em que sobressaem funções letivas, de organização e gestão, investigativa e de cooperação, num caminho de construção de uma ´postura´ adequada à profissão de professor” (Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, 2011b). O 2º artigo do mesmo Regulamento, visa então, “ (…) a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um 20 desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão. Estas competências profissionais, associadas a um ensino da Educação Física e Desporto de qualidade, reportam-se ao Perfil Geral de Desempenho do Educador e do Professor (Decreto-lei nº 240/2001 de 17 de agosto) e organizam-se nas seguintes áreas de desempenho: I. Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem; II. Participação na Escola; III. Relação com a comunidade; IV. Desenvolvimento profissional” A confirmação deste grupo de competências fica ao abrigo do 10º artigo do Regulamento do EP que assegura que “ (…) A avaliação do EP, de acordo com os seus objetivos, privilegiará as competências pedagógicas, didáticas e científicas, associadas a um desempenho profissional crítico e reflexivo, apoiado numa ética profissional em que se destaca a disponibilidade para o trabalho em equipa, o sentido de responsabilidade, a assiduidade, a pontualidade, a apresentação e conduta pessoal adequadas na Escola (…) A classificação do Estágio Profissional é a expressão da avaliação realizada pelos professores orientadores do núcleo de estágio, orientador da FADEUP e professor cooperante, sob proposta do orientador da FADEUP e ouvido o Coordenador do Departamento Curricular da Escola onde decorre o EP” Para o enquadrar o Estágio Profissional, surge como normalizador, o Decreto-lei Nº 240/2001 de 30 de agosto, que adianta que “Às instituições de formação compete definir os objetivos dos cursos de formação inicial que preparam para a docência, bem como organizar e desenvolver o ensino, a aprendizagem e a avaliação necessários à formação dos futuros docentes, cabendo-lhes, igualmente, certificar a habilitação profissional dos seus diplomados, garantindo que estes possuem a formação necessária ao exercício da docência”. Deste modo, o EP é uma rota que deve ser feita ao longo de um ano letivo, passando pela Prática de Ensino Supervisionada (PES) e o RE, orientados pela PC e PO. 21 2.2 - Enquadramento Institucional O EP enquadra-se como unidade curricular pela Comissão Científica do Curso de Segundo Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário e está dividida em dois semestres (terceiro e quarto semestres do 2º ciclo de estudos) o que na prática significa um ano letivo, sendo que as atividades de EP têm ínicio no dia 1 de setembro e estendem-se até ao final do ano letivo das escolas básicas e secundárias, onde o EP é levado a cabo. No meu caso pessoal a última aula foi dada no dia 1/05/2012 porque se tratava de uma turma de 11ºA ano, e como tal as aulas terminam mais cedo por motivos relacionados com os exames nacionais. Os encargos principais desta mesma unidade são a PES e o RE. A PES é orientada por um docente da FADEUP, designado de Orientador, e por um professor Cooperante, nomeado pela comissão científica e que é professor na instituição que recebe os EE. A coordenação do RE é levada a cabo, em grande escala, pelo Orientador da FADEUP. A ESAS situa-se em São Mamede de Infesta e é uma das escolas pertencentes ao Concelho de Matosinhos. Trata-se de uma escola que recebe anualmente um grande número de alunos e que na generalidade reúne as características necessárias para o efeito. A instituição educativa onde realizei o meu EP prolonga a ligação com a FADEUP há mais de 10 anos e tem vindo a afirmar-se como uma boa escolha para estagiar. Pelo meu EP aconselho vivamente. 2.3 - Enquadramento conceptual e Funcional Como os tempos mudam por vezes impõem-se ajustamentos e a educação não é uma exceção. A própria escola também mudou bastante e esta chega mesmo a colocar desafios aos professores. Logicamente para que a resolução da nova realidade seja bem conseguida os professores devem 22 passar pela sua formação inicial e aproveitá-la ao máximo, para que se elevem enquanto docentes e seres-humanos. A FADEUP, organiza o seu EP de acordo com o modelo da prática reflexiva, dotando o EE de ferramentas que lhe permitam vencer as dificuldades onde se assume como ator principal do seu processo de ensino e aprendizagem. Albuquerque et al (2005), postula que o ensino reflexivo é uma preocupação constante com determinadas consequências e objetivos, significados e eficiência técnica. Os professores necessitarão de regular continuamente, e avaliar e rever as suas práticas. Segundo Dewey (1910, citado por Albuquerque et al, 2005, p.17), importa “criar atitudes que desenvolvam nos seres humanos um pensamento efetivo, uma postura mental orientada para questionar e problematizar, construindo um raciocínio alicerçado em bases sólidas.” Baseando-me nos depoimentos dos autores anteriormente evocados que muito se debruçam sobre a educação em geral, e atribuindo o estatuto de formador(a) à FADEUP, a regulação da formação será levada a cabo no sentido da conceção e criação de situações suscetíveis de interesse para a reflexão. A faculdade deve motivar os seus formandos no sentido de estes adquirirem o hábito da prática reflexiva e que sejam sujeitos da sua própria formação (Silva, 2009) Durante a formação a reflexão é fundamental, pois representa um ínicio e um fim do processo de ensino aprendizagem. A ação e a reflexão surgem de mãos dadas neste processo e motivam práticas assentes em processos reflexivos. Segundo Garcia (1995, citado por Albuquerque et al, 2005), a formação de professores funcionará melhor se for uma aprendizagem contínua e se tiver em conta os processos de mudança bem como o desenvolvimento da escola num nível organizativo. A formação académica e os conteúdos disciplinares devem ser acompanhados por uma formação pedagógica e a teoria e a prática devem surgir articuladas. 23 “A natureza complexa, unitária e integral do processo de ensino e aprendizagem, bem como as características gerais da atividade do professor que decorre num contexto balizado pelas condições gerais do sistema educativo, pelas condições locais das situações de educação e pelas condições mais próximas da relação educativa, obrigam a uma tentativa de integração e de interligação das várias áreas e domínios a percorrer no processo de formação e, em particular, no Estágio Profissional, de forma a retirar o formalismo das realizações e a promover as vivências que conduzem ao desenvolvimento da competência profissional” (Matos, 2011b). A conceção do EP coloca o professor estagiário num contexto próprio, sendo responsável pelas suas ações nesse ambiente. Numa perspetiva funcional, no EP na FADEUP a cada estagiário foi atribuída uma escola e uma turma, ficando encarregue de dirigir o processo de ensino e aprendizagem durante um ano letivo. A par das responsabilidades de dar aulas e ensinar que é visto como a principal função de um professor, fiquei encarregue de acompanhar funções administrativas e burocráticas para as quais um profissional docente tem de estar preparado durante a atividade profissional. Para além das aulas em si fiquei responsável pelo DE de Ténis e fui selecionador da equipa masculina de Futsal da ESAS, tive um papel importante na organização do Meeting de Atletismo, do corta-mato, tive um papel importante nos torneios concelhios, marquei presença em reuniões de departamento e do NE, realizei duas vigilâncias de testes intermédios, entre outros. Como EE considero que o envolvimento em todo o tipo de atividades foi enriquecedor e que completou a passagem de um “aprendiz” pelo seio escolar. O ensino não pode ser afastado de uma conceção pedagógica e de um referencial pragmático porque ensinar implica conhecimento aprofundado que o professor deve ter sobre a sua prática. “Onde, como, quando, porquê e para quem” são algumas das chaves-mestras do processo pois nada poderá acontecer por acaso. Antes da projeção do seu processo de ensino, o professor deverá ter informações sobre o meio regional e local onde se insere a Escola e como tal foi absolutamente necessário fazer uma caracterização do contexto em que se realizou o EP para que fosse possível antecipar e evitar 31 No ramo da Educação, o que significa ser professor? Para a sociedade ser professor é uma profissão. Uma profissão exige um leque específico de conhecimentos, capacidades e habilidades. Conhecimentos, competências e e um saber específico são condições indispensáveis. Uma profissão requer uma orientação de serviço, um código deontológico e uma associação profissional que zele pelos interesses dos trabalhadores mas convém destacar o saber e a ética como determinantes de uma atividade profissional. A função em causa, através do reconhecimento público, assume o seu relevo. Um grupo profissional é tão importante quanto maior for o seu reconhecimento. A exclusividade da função depende da qualidade individual do trabalho e do enquadramento do grupo através de pressupostos. (Queirós, s.d.).3 Pode encarar-se a atividade do Professor como profissão mas a própria definição apresenta algumas nuances devido à sua natureza. Será suficiente considerar a nossa atividade como profissional? Não temos de contextualizá-la temporal e espacialmente? Ser professor nunca foi e nunca vai ser fácil porque a profissão do Professor é uma atividade complexa uma vez que trabalha com seres humanos sendo portanto algo antropológico. Pelo que me foi dado a perceber, mesmo para um professor com muitos anos de carreira aparecem situações novas diariamente. Não é uma profissão que implique uma replicação contínua de comportamentos apesar de alguns se repetirem. Visivelmente a crescente complexidade e diversidade das sociedades fizeram emergir novos e diferentes problemas/desafios, que passam pela diversificação cultural, um saber escolar mais alargado e abrangente e atual, bem como uma aposta mais vincada nas escolas paralelas. Tudo isto apela a uma Profissionalidade Pedagógica da parte dos professores e esta profissionalidade evoca um conhecimento. É fulcral conhecer bem aquilo que se ensina. A maioria da minha família relaciona-se com cargos na saúde e certo dia, comparando a educação física 3 Aula de Profissionalidade Pedagógica dada pela Professora Paula Queirós no dia 14 de outubro de 2010. 32 com a atividade de médico ou enfermeiro surgiu a seguinte ideia: é possível comprar um médico com um Professor porque em caso de falha as consequências podem ser irreversíveis. Grande parte da melhoria está assente na troca de vivências com os colegas, e com isto a cultura profissional vai sendo criada. A profissionalidade pedagógica também requer o tato pedagógico, que se considera a capacidade de relação e comunicação e na falta da qual não se cumpre o ato de educar. No panorama educativo a individualidade não é amiga de um bom trabalho e então surge a necessidade de se trabalhar em grupo e para além disto a assunção de compromissos sociais é inevitável. Queirós e Garcia, evocados por Gomes e Graça (2001) afirmam que os valores da Educação Física Escolar se relacionam diretamente com a axiologia vigente na sociedade em geral. As hierarquias dos valores vão sendo alteradas e em determinadas épocas são mais valorizados certos valores em detrimento de outros. Um dos valores que atualmente se vai cultivando é o corpo e o seu culto e por isso devemos perceber qual o verdadeiro lugar da EF. Com estas palavras percebemos mais uma vez o alargado espetro do ser professor de EF uma vez que com as novas referências axiológicas é necessário acompanhar o mundo e nunca deixar o desporto, ou seja, reconhecer que os interesses são outros e cumprir a missão de, quando estiver ao nosso alcance, passarmos a mensagem e alterar mentalidades porque o desporto e atividade física devem fazer parte das nossas vidas. “Tenho deveres para comigo, tenho deveres para com o outro. Quem é, porém o outro?” (Patrício, 1993, p. 185). Neste caso o “outro” é alguém, o próximo ou na verdade algo simples. A preocupação sobre nós por vezes confunde-se com a preocupação sobre tudo. A deontologia assente num referencial axiológico suporta e é suportada no âmbito da ética. Tendo em conta que falamos de pedagogia a axiologia surge indubitavelmente associada e para além das palavras escritas no excerto acima é minha missão afirmar que o nosso dever enquanto profissionais da educação é ter um vasto conhecimento sobre este tema e acima de tudo viver nele e com ele. A deontologia educacional abrange um mar de conceitos. Para 33 além do seu próprio ressalva também os direitos e deveres dos alunos e professores, bem como de toda a comunidade escolar, a atualidade social, os próprios pais que também estão enquadrados neste sistema, o estado, os agentes culturais e económicos, entre outros. A verbalização das ações não é por si só uma garantia pois é necessário debruçarmo-nos sobre a sua prática e pelo seu cumprimento. 3.1 – A construção do conhecimento pela análise reflexiva da prática e o professor reflexivo O professor deve possuir na sua caixa de material profissional ou docente a reflexão. Ela é vista como uma chave que abre a porta de certos problemas e que busca soluções mas também uma forma de aprendizagem. Ao mesmo tempo significa a visualização de um filme do qual fomos atores principais enquanto professores mas desta feita por fora, ou seja, ver esse mesmo filme da plateia o que nos permite criticar, apreciar, aprovar ou reprovar as cenas. Refletir é como se estivéssemos na janela e a passar na rua ao mesmo tempo, sendo possível ver e analisar os próprios passos. Confirmo e afirmo que a reflexão foi importante para mim neste pequeno início do meu percurso mas mais ainda, espero que permaneça na minha função e que me ajude a ser mais e melhor. Durante o EP assumi apenas uma turma pois assim sendo tive mais oportunidades de fazer melhor o meu trabalho, desde a reflexão às restantes tarefas pois o meu tempo foi dirigido para um único grupo de alunos. A reconstrução do conhecimento é uma atividade intelectual e reflexiva recheada de complexidade e a afirmação profissional ganha forma no interior de cada um e através do trabalho (de) docente. Ao longo de todo o meu percurso académico sempre me foi dado a entender vezes sem conta o alcance da reflexão numa profissão docente e vários foram os professores que sempre nos disseram que sem esse degrau certamente o topo da montanha não seria alcançado. Lembro-me de episódios em que uma simples alteração num exercício ou numa aula era na realidade 34 uma grande melhoria e isso deve-se à reflexão, ao facto de ver o filme que fiz, mas enquanto espectador e crítico. "Em relação à última aula, já alterei o exercício dos serviços mas ainda posso melhorar, nomeadamente na organização, havendo serviços ao mesmo tempo, ou seja, ao meu sinal sonoro." (aula nº9 - dia 18/10/11) "O exercício dos serviços teve mais organização e os serviços só eram realizados ao som do apito e sempre do mesmo lado. Neste caso o professor pode observar melhor e assim dar o seu contributo para a evolução dos alunos, tanto no serviço como na receção." (aula nº 10 - dia 21/10/11) A excelência é algo que funciona como uma meta onde é difícil permanecer. A reflexão é útil para essa caminhada. A reflexão foi algo que sempre surgiu numa fase inicial quase como obrigação mas agora surge automaticamente, portanto todo o trabalho feito ao longo da aprendizagem resultou e prova que a mentalidade que impera na FADEUP relativamente a esta temática tem frutos! Uma das professoras que mais me transmitiu essa importância foi uma das da minha eleição. Como referia Paula Queirós4 nas aulas de Profissionalidade Pedagógica, os pontos de partida para podermos falar sobre este tema assenta em quatro pilares, que são: a profissão, a competência profissional, o bom professor e a reflexividade. Cada docente tem o seu enquadramento profissional. Cada natureza teórica e a prática da atividade do professor revela a sua exigência específica. Neste panorama o paradigma atual baseia-se no professor reflexivo, que assenta nos seguintes pressupostos: a prática é geradora da teoria e vice-versa; o bom profissional é um ser reflexivo e um professor autónomo forma seres autónomos, ou seja, por 4 Aula de Profissionalidade Pedagógica dada pela Professora Paula Queirós no dia 20 de novembro de 2010 35 outras palavras, prática, reflexão e autonomia. A reflexão não é algo concreto nem que pode comprar-se, é por sua vez algo que é adjacente ao ser professor e à sua forma de viver, estar e trabalhar. A reflexão não é uma mera disposição ou conjunto de estratégias, é o processo através do qual o professor aprende ou apreende a matéria e as suas experiências e também é uma retrospetiva que constrói ou reconstrói o conhecimento, os sentimentos e as ações. A reflexão pode ser na ação. A ação ou a reflexão na ação pressupõe uma série de características do professor reflexivo, que são por exemplo a importância que confere à reflexão, a análise das suas práticas, a identificação dos aspetos onde precisa de melhorar e aprender, e a análise da sua atuação e das relações interpessoais. Para além destas o professor deve assumir e ter presentes outro tipo de características que são empíricas, analíticas e avaliativas. As primeiras referem-se à apropriação de conhecimentos e recolha de dados, as segundas à sua interpretação e por último as terceiras são a capacidade de pensar as consequências do trabalho desenvolvido e de aplicar os resultados no futuro. A mentalidade aberta, o entusiasmo e a responsabilidade são três das muitas atitudes necessárias à reflexividade por parte dos professores, que através da prática reflexiva podem tornar-se mais responsáveis. Revejo-me totalmente nestas palavras inscritas em material de aula no nosso mestrado, mais especificamente do 1º ano e do 1º semestre. Para a sua compilação Paula Queirós recorreu a vários autores como Matos, Shulman, Schon, e Ponte. Todos eles referenciados como autores de excelência. Os espelhos também refletem mas dão-nos a mesma imagem que lhes é apresentada. No nosso caso e na nossa profissão as coisas não podem funcionar nesta base porque desta feita todo o nosso trabalho e reflexões seriam em vão. Temos de ser capazes de mudar algo, de alterar e de conseguir melhores resultados. 36 3.2 - A Educação Física e o Desporto. Qual a verdadeira importância dos seus professores? Qual é na realidade o lugar e o valor do Desporto e Educação Física na vida do ser Humano? Qual será de facto o verdadeiro propósito da prática e da competição em si? Várias atividades fazem e fizeram parte da nossa história mas na verdade isso acontece e aconteceu porquê? Bento (s.d.) refere que “ninguém pratica desporto verdadeira e essencialmente pelas razões que consegue afirmar ou pelas causas que ficam bem à vista.” Grande parte dos resultados do desporto é conseguida através da humanização e é por esta e por outras razões que consideramos a existência de um tesouro, que merece ser descoberto e posto ao serviço da humanidade. Os piratas deste tesouro devem ser os Professores de Educação Física e os Profissionais de Desporto porque são eles que conhecem verdadeiramente o desporto e que têm competências e capacidades para o fazer chegar à população em geral. Tal como em qualquer profissão o Professor de EF, apesar de sofrer algum descrédito tem a missão de elevar as práticas e melhorar as vivências. Para que os Professores possam fazer o seu trabalho com categoria e que não sofram descrédito é importante que sejam formados e que esta formação seja reconhecida, e deverão acima de tudo ser competentes. (Scaglia, 2009) A qualificação da própria sabedoria e a humildade são fundamentais para um profissional de EF. É neste âmbito que os professores vão viver as suas rotinas na tentativa de vincular as escolas, os alunos e as pessoas com o desporto. Muitas das vezes ouço comentários que retratam os professores de EF e os treinadores como aqueles que se ocupam por não haver mais nada para fazer ou porque não sabem mais nada. Pessoalmente não me revejo nessa afronta apesar de saber que como em todas as profissões haverá casos desses mas o que ressalvo mesmo é algo que já referi atrás: a necessidade de ser competente. Estou neste ramo porque é de facto o que me fascina e sei que o meu melhor é trabalhar com pessoas de uma forma direta. Muitas pessoas retiram a importância devida de um profissional de desporto. O 37 professor de Educação Física e o profissional de Desporto querem e têm o direito de ver a sua qualidade e competências reconhecidas. Gaya (cit. por Bento, 2008), adianta que as faculdades cumprem o seu papel na formação de professores, onde os recém-formados são desafiados a ter uma visão crítica e a nutrir amor pelo conhecimento e pelo que se faz. De nós é exigida muita responsabilidade, ética e valores. Educar é um ato de amor, solidariedade, doação e de transmissão de conhecimento, seja sobre desporto ou sobre a vida. Outro fator de insegurança é o facto de por vezes a nossa idade, jovem, dar a entender a outras pessoas, nomeadamente aos que avaliam ou representam entidades patronais, que somos pessoas com pouca experiência o que nos prejudica e poderá ser decisivo em certas situações. Dentro dos professores de EF e dos técnicos desportivos, muitos deles ou uma grande parte dos mesmos são jovens e nem sempre conseguem oportunidades importantes. Alarcão (cit. por Farias, Folle e Both, 2012, p.106), refere que “apesar da revolução tecnológica e científica – ou talvez por causa delaconstata-se, na sociedade atual, uma crise de confiança nos profissionais recém-formados, como se a formação que lhes é dada de pouco lhes sirva para resolver os problemas com que se deparam” Finalizando, os professores de EF serão importantes para uma educação onde a vida terá qualidade e a EF tem um papel importante neste campo. Como tal o Professor não pode praticar um ensino baseado unicamente na aula. Devem ser alargados os horizontes, e a EF deve ser vista como uma oportunidade para vários tipos de vivências e experiências. Tudo faço e farei para que o meu processo seja o acima referido. Estando ciente das dificuldades que isso acarreta, é sempre em prol dos alunos e de uma comunidade que se quer saúdavel e com qualidade de vida que o meu empenho recairá. O Desporto e a atividade física são uma forma de humanização, socialização e acima de tudo educação. 4. A missão de um professor de Educação Física 48 professor se socorra da sua atitude analista e que adeque todas as missões ao seu contexto específico. O que pode resultar com um aluno A pode ser “nocivo” para o aluno B. Recorrendo novamente ao exemplo da receita, os objetivos e as capacidades de cada um ditam as doses e as quantidades. Apesar da minha formação académica, assumo que não foi fácil fazer as primeiras doses, mas com o desenvolvimento do EP as tarefas foram sendo realizadas com mais exatidão e clareza. “Ao longo das aulas vou tendo a noção de que as minhas prestações vão melhorando e que aos poucos me vou sentindo um professor melhor e mais completo.” (reflexão da aula nº8 – 14/10/11) Uma gestão menos boa da turma induz a comportamentos desviantes e negativos. Por outro lado, uma boa gestão não significa eficácia do professor mas poderá significar um maior número de oportunidades de sucesso e prática. A boa gestão é impulsionadora de uma maior taxa de sucesso. Assim, o mau controlo da turma pode suscitar duas situações negativas: aumenta a indisciplina e reduz o tempo de aprendizagem ou prática. O bom funcionamento da aula foi das minhas principais preocupações. Decidi recorrer a algum tempo das aulas para impor regras de funcionamento e comportamento e considero que se tratou de tempo ganho e não tempo perdido. Na verdade a turma que eu assumi foi uma turma onde foi perfeitamente possível trabalhar com harmonia e onde o bom ambiente foi propício à realização das tarefas, pelo que no que diz respeito à gestão e controlo, os meus problemas foram raros. Esta minha afirmação não ilustra que tudo o que se passou de positivo no espaço de aula foi por “bondade” dos alunos. Sei que também fui responsável pela boa conduta dos mesmos na aula, onde estavam interessados e responsavelmente realizando tarefas. Tive momentos em que senti dificuldades, nomeadamente no início das sessões pois os alunos por vezes não chegavam todos juntos nem na hora certa, e como tal tinha a 49 necessidade de recorrer a inúmeras estratégias, entre as quais o prosseguimento da aula, um pequeno alongar da conversa inicial, entre outras. Assumi a missão de definir e impor rotinas com vista a uma boa gestão da aula, tendo em conta as transições, exemplificações, feedbacks, repetições e conversas com os alunos. Com base nas observações por mim realizadas aos professores mais experientes e aos colegas do NE, bem como aos feedbacks dos mesmos e da PC é preponderante reconhecê-los com um auxílio importante e tive a oportunidade de com isso evoluir em vário níveis. Tendo em conta que o EP foi uma fase final da minha formação é de salientar que já poderia ser capaz de resolver a maioria das situações com que me deparava, e nunca entrei numa onda de stress quando nem tudo corria como planeado. Como sempre, também nestas alturas foi fundamental manter a calma e ter a noção que a exaltação e as atitudes irrefletidas não são amigas do bom funcionamento nas tarefas, tanto do EP como do processo ensino-aprendizagem. Com o tempo senti que ia ficando mais integrado e mais à vontade, fosse nos planeamentos fosse nas relações diárias que tinha com a escola e com os meus alunos. A instrução sempre andou de mãos dadas com a gestão e a forma clara como fui transmitindo a informação direcionou-se para determinadas linhas mestras, (Rink, 1993) tais como: Orientar o praticante para o objetivo da tarefa; Dispor a informação numa sequência lógica; Apresentar exemplos corretos e errados; Personalizar a apresentação; Repetir assuntos difíceis de compreender; Recorrer às experiencias pessoais anteriores; Utilizar o questionamento e Apresentar a tarefa de forma dinâmica. Na supervisão ativa, tentei orientar os alunos através de feedbacks, dando espaço aos alunos e não ser um polícia dos mesmos. Tive o dever de dar as informações de acordo com a especificidade de cada caso sob pena de as mesmas não resultarem. A comunicação entre os alunos e o professor revelou-se igualmente necessária uma vez que os objetivos e as mais-valias foram compreendidos e postos em prática. Na instrução tive igualmente em conta elementos importantes mas que nem sempre são tidos em conta, como o volume de voz, ressonância, articulação, entoação, e aos comportamentos 50 não-verbais (contacto visual, expressões faciais, entusiasmo do professor) presente no processo ensino-aprendizagem. (Ferreira & Rosado, 2009). 4.3.2 – Os episódios mais simbólicos no meu estágio Certo dia, quando ia para a faculdade para uma aula de Tópicos II vi numa parede escrito com spray que “necessário não é viver, necessário é criar” o que me trouxe repentinamente à memória o grande poeta do nosso país, Fernando Pessoa. Como o EP foi um primeiro confronto com a realidade escolar e neste caso profissional, foi onde fui pela primeira vez confrontado com problemas reais. Neste caminho eu não estava sozinho, estava com o meu NE, com o qual trabalhei muitas vezes e de forma sistemática e regular e do qual observei aulas com o intuito de perceber a sua forma de dar aulas, aprender e se possível ajudar através das reflexões que eram feitas no final, também em grupo. O mesmo NE observou também algumas aulas minhas e o processo foi igualmente cumprido. Desta forma foi possível crescermos em conjunto. "Hoje foi uma manhã de observações na ESAS. Inicialmente eu e o meu colega observámos a aula da nossa colega que escolheu como objetivos de observação a emissão de feedbacks e a organização dos alunos. Esteve ativa na emissão de feedbacks e soube parar a aula quando aparentemente foi necessário. Deu feedbaks e instruções generalizadas e de forma individual. Quanto ao 2º objetivo, a aplicação do MED permite uma organização harmoniosa pois os alunos juntaram-se e trabalharam por equipas. Nesta aula a turma fez a apresentação das equipas do MED e os alunos cumpriram apesar de não o terem feito com muita festividade. Tendo em conta as últimas aulas observadas da minha colega os alunos estão mais respeitadores pois ela conseguiu isso mesmo, para o bem da turma e da professora. Nenhuma das alunas “destabilizou” como era hábito. A análise da PO evidenciou que a aula da minha colega foi uma boa aula. A aula do meu colega também foi boa e este 51 escolheu como objetivos o ritmo da aula e a aplicação do MED. Apesar das poucas paragens que a aula teve (necessárias) foi uma sessão com ritmo e os pressupostos do MED foram bem visíveis com a apresentação das equipas, festividade e comemorações, questões de arbitragem e de afiliação sempre bem vincadas. Nesta aula o meu colega teve á sua disposição os 3 espaços o que foi vantajoso para os alunos mas o professor teve que dividir a sua atenção pelos 3 espaços. No final das duas aulas, em conjunto com o PC e PO concluímos que os planos de aula, para além de estarem de acordo com as aulas em si, devem também estar de acordo com os trabalhos das equipas. Sublinhei também a importância de reuniões com os líderes das equipas mas o tempo é escasso. Essas reuniões seriam importantes para o limar de certas arestas, respeitantes ao trabalho de cada equipa." (06/03/2012 – observação da aula da minha colega e do meu colega de estágio) Os eventos que em seguida apresento foram sem dúvida episódios que considero marcantes no ano letivo, apesar de tudo ser inesquecível, todas as aulas, reuniões, etc., estes são os que merecem mais da minha atenção e uma partilha mais aprofundada. 1 - Comentário geral sobre as aulas lecionadas por mim O meu EP foi um ano repleto de ensinamentos e aprendizagens no qual fui responsável por lecionar voleibol (1º P), futsal (1º e 2º P), badminton (1º e 2º P), basquetebol (2º P), atletismo (lançamento do peso e salto em comprimento) (1º e 2º P), ginástica (3º P), dança (3ºP) e ténis (3º P e DE). Durante duas aulas do 1º Período foi ainda possível aplicar a bateria de testes de Fitnessgram à turma do 11ºA, que foram testes aplicados com o intuito de perceber se os alunos estão ou não na zona saudável fazendo comparações 52 com as tabelas de referência. Sobre isto foi gerada alguma discussão porque a questão de haver um teste inicial e outro final para a comparação é inevitável. Concluímos então que neste tipo de testes essa comparação é dispensada porque através de uma única observação foi possível determinar se os alunos estavam ou não na zona saudável e, pelos resultados, a esmagadora maioria dos meus alunos encontrava-se nesse espectro, uns com mais conforto que outros como não podia deixar de ser tendo em conta as diferenças verificadas. De seguida darei uma pincelada geral sobre o que fui sentindo ao longo das diferentes UD (unidades didáticas). Quanto ao material e aos espaços a ESAS foi uma escola que me proporcionou facilidades e acessibilidades no que diz respeito a esse campo. Sempre pude ter ao meu dispor (na verdade ao dispor da turma) os recursos materiais e espaciais de que necessitava e quanto a isso apenas no Badminton e no Futebol havia falta de algo específico. No 1º caso porque raramente havia volantes em bom estado apesar de haver um número suficiente de redes e raquetes. No segundo caso devo referenciar o mau estado das bolas e a existência de bolas feitas de borracha de pneu o que é desaconselhável porque a sua utilização não é segura. Em relação ao atletismo enquanto NE realizei a manutenção e conserto da caixa de areia e construi pesos didáticos. É apenas um registo de uma tarefa normal de um professor de EF. Apraz-me ainda deixar os meus sinceros agradecimentos aos funcionários de toda a escola que sempre contribuíram para que todas as condições fossem disponibilizadas. Para que as aulas fossem cumpridas com qualidade foi necessário um trabalho prévio e um dos parâmetros deste foi a planificação. Planificar é muito mais do que saber o que vou fazer em determinada ocasião, passa por saber as razões e os modos como as coisas vão acontecer. Neste campo fui sentindo algumas dificuldades mas apenas no que diz respeito às formalidades das UD e dos planos de aula (PA). Em relação às UD a minha principal dificuldade não foi a escolha dos conteúdos nem a sua organização, mas sim o tempo escasso que sempre tive para as aplicar e como tal a gestão dos mesmos era um pouco contra o que Vickers (citado por Botelho, P. e Graça, A., 2001) aconselha no sentido de introduzir no máximo 3 conteúdos por aula, o que não significa que 53 os alunos não tenham aprendido e que as UD não tenham tido resultado, porque na verdade os alunos tiveram ganhos reais. Infelizmente, e apesar de toda a felicidade que sentia com o sucesso dos alunos, fiquei sempre com a sensação de que as unidades didáticas eram curtas, respondendo a uma necessidade de gestão que me obrigou a repartir o tempo de uma forma que não é a desejável mas dentro das possíveis, a melhor. Os PA também não representaram um problema, o que realmente me causou mais dificuldade nem foi a seleção de exercícios nem de progressões, foi sim o facto de numa fase inicial ter muitas dúvidas relativamente ao preenchimento do campo das habilidades motoras, cultura desportiva, condição física e aspetos psicossociais, bem como as componentes críticas. Penso que numa fase inicial estes documentos foram importantes para as aulas e para mim enquanto EE, mas creio ter capacidades para me organizar e dar aulas com o mesmo sucesso sem o recurso aos PA. Quanto às aulas observadas pelos meus colegas, PC e PO, nunca tive o mínimo receio e não as organizei de forma diferente por saber que há presenças a considerar no espaço de aula. Uma aula é uma aula e o facto de ser observada significa apenas, pelo menos para mim, que está alguém presente para ver como é o estilo de docência e observar outros parâmetros no sentido de me enriquecer a mim e no caso dos meus colegas do NE, a eles também. No caso das aulas filmadas e gravadas (som e imagem) pela professora Telma, com quem foi um prazer colaborar para a realização dos seus estudos no seu processo de doutoramento, o meu procedimento foi precisamente o mesmo, pelas mesmas razões. Quanto a isto o único constrangimento que podia ter acontecido e felizmente não se verificou seria o facto de os alunos alterarem os seus padrões de comportamento. Trabalhar com e para estes alunos para mim foi uma honra e um prazer. Desde o primeiro dia percebi que não se tratava de uma turma comum, como muitas outras, onde o mau comportamento e má educação reinam. O 11ºA foi considerada uma das melhores da ESAS. Era uma turma heterogénea onde havia diferentes padrões de alunos, e com diferentes níveis no que diz respeito ao desempenho desportivo (e também em relação a outras disciplinas mas isso 54 não é um assunto a referir neste RE). Os alunos foram sempre a razão do meu trabalho. Inicialmente poderia pensar que ia fazer o meu estágio para mim, no sentido de alcançar a melhor nota possível e com as melhores contrapartidas para mim. Com o suceder do tempo e dos episódios abateu-se em mim um sentimento que me apontou os alunos como principal preocupação de um docente. Claramente fui também pensando em mim mas numa escala percentual a maioria das minhas preocupações recaiu sobre os alunos. Desconheço a opinião de restantes professores neste campo mas a minha é mesmo esta e é dita e sentida sem a mínima dose de egoísmo. 2 - O Modelo de Educação Desportiva (MED) e as aulas de Basquetebol O Modelo de Educação Desportiva é frequentemente encarado como uma estratégia para ajudar a combater vários problemas como falta de integração, afiliação, entre outros. Trata-se de um modelo que é posto ao serviço do processo ensino-aprendizagem, com a finalidade de proporcionar novas vivências de ensino aos alunos. Com feito, era do nosso conhecimento que teríamos que aplicar o MED durante o EP na abordagem a uma das modalidades a lecionar. No caso concreto da minha turma não entendi a sua utilização como uma solução mas sim como um método de ensinoaprendizagem diferente. Primeiramente, apresento o MED. É um modelo de Siedentop, é encarado como alternativa às abordagens tradicionais, com especial reconhecimento da humanização e cultura através do desporto. A formação do indivíduo desportivamente competente, culto e entusiasta surge como propósito. O MED luta contra a exclusão e valoriza os alunos. Dentro das características estruturais do modelo, podemos destacar: a época desportiva, a filiação, a competição formal, o registo estatístico, a festividade e os eventos culminantes. (Siedentop e Tannehill, 2000). No 11ºA foram constituídas 3 equipas com 5 elementos cada: ATP; Infesta Bulls e OSAIA. Os capitães, sob a minha orientação, treinaram as suas equipas que ao longo das aulas e após a pré-época foram fazendo evoluir o 55 seu nível de jogo e foram jogando cada vez mais em equipa. O número de passes e de cestos bem como as boas jogadas aumentaram em grande escala desde a primeira aula até ao Evento Culminante pois houve de facto uma melhoria das capacidades e noção de jogo nos alunos. Apesar de ter havido bolas e jogadas falhadas fiquei satisfeito com os meus alunos mas senti que precisávamos de mais aulas para que o Basquetebol desta turma evoluísse mais e melhor. Fiquei com a sensação de que os alunos ficaram numa boa fase mas com uma grande margem de crescimento, ou seja, poderiam ter mais para dar e aprender e com essa melhoria o próprio jogo teria evoluído também. Quando me refiro ao nível de jogo da turma refiro-me a um global e não às boas individualidades que a turma engloba. Esta turma jogou 4x4 pois inicialmente havia a necessidade de recorrer a esse sistema uma vez que havia faltas de alguns alunos e quando passamos para o 5x5 aderi ao pedido dos alunos para regressar ao 4x4, que apesar de não ser uma forma básica de jogo (FBJ) foi uma boa ferramenta para esta turma. Para além da evolução acima referida destaquei também a evolução verificada nas equipas de serviço nomeadamente dos árbitros que são essenciais a um jogo e que reforça que aplicação do MED é bem-vinda quando bem aplicado e quando os alunos estão dispostos a crescer. Não só através dos modelos de instrução direta mas também através de outros modelos como por exemplo o referido. Ao longo das 9 aulas de Basquetebol, por se tratar do MED o meu papel não foi o mesmo que no modelo de instrução direta pois a partir da 4ª aula os capitães assumiram as equipas e foram (sob a minha orientação) responsáveis pelos treinos das mesmas. Até às aulas de competição formal eu apresentei exercícios que os capitães utilizaram nos trabalhos específicos com as equipas. A turma contou ainda com um blog onde após cada aula se postaram todas as fotos, vídeos, resultados e classificações. O blog foi feito com o intuito de ser um suporte informático dos acontecimentos e desta forma todas as pessoas interessadas puderam ter acesso a uma cobertura das nossas aulas. Como é obvio só eu e os alunos tínhamos acesso enquanto gestores do site. Em jeito de reflexão final deixo a seguinte questão: terá sido o desenho da época utilizado o mais indicado? Pessoalmente julgo que sim na medida em 56 que disponibilizei uma aula de AD, quatro aulas de instrução, três aulas de competição formal e uma aula de Evento Culminante e todos os alunos passaram pelas mais variadas experiências e funções. A dúvida surge quando me pergunto se não é antiético apenas duas equipas jogarem entre si no EC. Penso que não é pois os ATP também tiveram oportunidade de crescer enquanto jogadores de Basquetebol ao longo das aulas. Além disso, o quadro competitivo estava assim formulado desde o primeiro dia. Os elementos dos ATP cumpriram as suas tarefas na equipa de serviço ao longo de todo o Evento Culminante. 3 - IV Meeting de Atletismo na ESAS O IV Meeting de Atletismo na Escola Secundária Abel Salazar realizou-se no dia 14 de abril de 2011. Tratou-se de um evento com uma história recente na ESAS uma vez que desta feita foi a quarta edição e à semelhança dos anos anteriores foi organizado pelo NE e pelos restantes professores de EF da ESAS. Cheguei bastante cedo à ESAS para uma reunião inicial onde ultimamos alguns pormenores especialmente relativos à distribuição de tarefas que cada um ia assumir durante o evento. A prova iniciou-se com a acreditação realizada de uma forma organizada com várias mesas dispostas pelos números dos dorsais dos alunos mas isto engloba trabalho por trás pois foi necessário atribuir os dorsais com antecedência para que na hora da acreditação não houvesse confusões, no caso devido aos dorsais… a verdade é que houve ligeiras queixas de alguns alunos pois estes diziam-se mal inscritos, situação essa que foi prontamente resolvida. Penso que este fato não se deveu a uma falha no sistema adotado para as inscrições mas sim a uma falha dos professores ou dos alunos envolvidos no ato da inscrição. Algo que gerou também alguma confusão foi o fato de alguns alunos estarem inscritos em mais de uma prova o que significou que muitas das vezes teve de haver atrasos ou avanços nas provas dos mesmos. Trata-se de um evento que requer 57 flexibilidade para funcionar mas que é possível de ser realizado. Nestes casos não é aceitável negar a participação dos alunos pois eles podem e devem participar em mais que uma prova da competição. Do ponto de vista da organização foi necessário proceder a uma antecipada montagem e colocação do material, bem como do sistema de som que foi requisitado. O IV Meeting de Atletismo englobou as provas de salto em altura e em comprimento, lançamento do peso, milha (1650 metros), estafetas e velocidade sendo que o meu papel principal durante a prova foi ficar na pista exterior responsável pela prova da milha, estafetas e velocidade juntamente com um professor efetivo da escola e com o meu colega de estágio. Devo realçar acima de tudo o trabalho dos professores durante o evento mas penso que devo também uma palavra aos funcionários da escola, que mais uma vez e como sempre, foram fantásticos. A prova teve uma boa adesão de alunos e todos eles mostraram bom comportamento e gosto pelo Atletismo mas mesmo assim houve provas em que havia apenas um ou dois alunos o que é lamentável. Terá sido por falta de divulgação ou porque os alunos não gostam ou não estão preparados? De qualquer forma foram provas que tal como as outras tiveram muito entusiasmo mas realizadas apenas por um escasso número de pessoas. Da minha turma, o 11ºA, participaram a aluna A na milha, o aluno B nas estafetas e no salto em comprimento (2º lugar), o aluno C na velocidade e o aluno D na velocidade, estafetas e lançamento do peso (2º lugar). Foram quatro participantes e dois deles conseguiram um 2º lugar em provas cuja disciplina foi trabalhada nas aulas de EF (salto em comprimento e lançamento do peso) o que de alguma significa forma que com as nossas aulas os alunos ficaram bem preparados, como eles próprios reconheceram e afirmaram. Na ESAS os Meetings de Atletismo são usualmente um dia marcante e este ano foi possível verificar uma boa adesão também do público e de uma presença especial. O Paulo Renato Araújo que foi nosso colega na FADEUP e é um ex. Professor Estagiário na ESAS. Foi um dia importante também porque houve o apuramento dos dois melhores de cada prova (2 rapazes e 2 raparigas) para as provas dos torneios concelhios que se realizaram no 3º 64 feminina da ESAS perdeu o 1º jogo contra a Escola Gonçalo Zarco por 2-1 mesmo tendo começado o jogo a ganhar. A pedido da Professora responsável marquei presença no banco e tive intervenções constantes. As alunas da ESAS mostraram ter valor e fizeram boas jogadas mas insistiram muito no jogo direto, tiveram pouca posse de bola e tentaram desarmes de “primeira”, como se costuma chamar na gíria desportiva (mesmo com indicações em contrário o que prova pouca experiência) o que tornou mais fácil a função das adversárias. No segundo jogo perderam 6-1 contra a Escola Secundária do Padrão da Légua mas mais uma vez começaram bem o jogo e começaram a ganhar. Infelizmente foram goleadas e eliminadas do torneio. A seleção masculina jogou o 1º jogo contra a Escola Gonçalo Zarco e perdeu por 2-0 num jogo onde fomos totalmente superiores mas perdemos. Enquanto treinador arrisquei ao ponto de jogar com o 5º elemento a 5 minutos do fim quando já estava 2-0. É um risco que se corre mas por vezes no futsal tem resultados. A minha vontade era a mesma dos meus atletas, ou seja, ganhar e para vencer por vezes é necessário arriscar mas desta vez infelizmente não sortiu efeito. No segundo jogo perdemos por 4-2 contra a Escola Secundária do Padrão da Légua num jogo onde mais uma vez fomos superiores mas fomos ineficazes. Em ambos os jogos os “meus” jogadores, que eram jogadores de futebol de 11, jogaram contra jogadores de futsal e mostraram uma grande performance. Ao contrário dos responsáveis da mesa, que estiveram muito bem, as arbitragens dos nossos jogos foram más apesar de terem sido feitas por árbitros da Associação de Futebol do Porto. Não estou a desculpar a eliminação com a arbitragem mas quando vi as falhas como as que vi dificilmente poderia ficar sem fazer a minha observação e o meu reparo. Na quinta-feira, dia 19/04/2012, fomos com os atletas de Atletismo para o Complexo Municipal da Bataria, um grande centro desportivo que neste dia acolheu as provas de Atletismo no exterior, em Leça da Palmeira. Neste dia houve algumas faltas de atletas e com algum esforço da nossa parte foi possível encontrar alguns substitutos. O problema que justificou algumas das faltas foi o facto de haver testes intermédios o que me levou a perguntar se não seria melhor fazer os torneios concelhios numa data onde não houvesse esta 65 sobreposição de compromissos. Adianto que um dos meus alunos faltou pois tinha que fazer tratamento no joelho e decidiu poupar-se para a final do dia seguinte na modalidade de Andebol. Ainda relativamente aos testes intermédios é perfeitamente compreensível que os alunos não tenham querido participar nos torneios devido à proximidade dos testes. Enquanto encarregado de educação ou aluno pensaria exatamente o mesmo portanto não é algo recriminável. Chegados então ao centro desportivo deparamo-nos já com os balneários distribuídos e identificados. Os alunos equiparam-se e responsabilizei-me pelos valores dos mesmos que foram devolvidos no regresso à ESAS. Relativamente à organização da prova posso colocar como fator negativo o facto de terem ligado tarde o sistema de som e com isso a tardia utilização do microfone para anunciar as provas. A organização que foi composta por alunos e professores estipulou um bom espaçamento entre as provas e as mesmas tinham a duração adequada. Realizou-se um belo convívio com muita emoção e alegria e foi possível assistir a boas provas e ver magníficos atletas. Vi alunos interessados e alunos interessantes no sentido desportivo. Enquanto premiados da ESAS destaquei as Estafetas femininas (1º lugar), 60 metros femininos (2º lugar), 1500 metros masculinos (3º lugar). Como algo absolutamente negativo destaquei o episódio que ocorreu na prova de estafetas masculinas onde na penúltima transição o aluno transmissor deixou cair o testemunho antes de o entregar ao recetor e como tal saíram da prova pensando que estavam desclassificados mas de facto não estavam pois se o transmissor pegasse o testemunho e passasse ao recetor era válido. A desclassificação aconteceria se fosse o aluno recetor a apanhá-lo do chão. É lamentável e a nossa Professora Cooperante, questionou-nos, a mim e ao meu colega, o porquê de não estarmos nos postos de transmissão ao que a nossa resposta foi que a nossa assistência tinha de ser feita antes das provas e que mesmo que a fizéssemos ninguém nos garantia que íamos escolher aquele posto específico. O que temos de ressalvar é que se tratou de algo evitável e que a situação não ocorreu por falta de conhecimentos dos estagiários como chegou a ser posto em causa por alguns presentes. Por fim decorreu a entrega 66 de prémios que por ser tardia teve já poucos presentes e alguns alunos até preferiram jogar futebol em vez de assistir à cerimónia. Na sexta-feira, dia 20/04/2012, acompanhei os atletas masculinos de Andebol da ESAS até ao pavilhão municipal da Bataria onde se realizaram novamente as finais mas desta vez dos Jogos Desportivos Coletivos. Fiz também algum trabalho de mesa (contagem da pontuação e de faltas) e vi muitos e bons jogos. A nossa escola ganhou a final masculina de Andebol e Voleibol mas destacava aqui a Escola Secundária do Padrão da Légua que esteve presente em muitas finais, tendo sido a escola com mais presenças em finais. Neste dia o público esteve fantástico e o ambiente foi muito bom e agradável. Relativamente à cerimónia de entrega de prémios será que seria viável fazer a entrega a todos numa única cerimónia ou foi melhor ter sido no final de cada jogo? Na minha opinião podia ter acontecido das duas formas mas desta feita permitiu ter a garantia que todos os alunos estariam presentes. Finalizando esta reflexão sobre a minha presença nos Torneios Concelhios adianto que compreendo perfeitamente o facto de os alunos pensarem nas seleções desde o início do ano pois é realmente um belíssimo evento onde houve muito e bom convívio entre professores e alunos. É possível competir com e conhecer gente de outras escolas e vive-se sempre um ambiente com muito fair-play e identificação com as cores das respetivas escolas pois cada uma tinha a sua cor (ESAS – verde tropa). Penso que em algumas das escolas houve falhas relativamente à distribuição de comidas o que de facto não aconteceu na ESAS. Não houve a mínima falha com os prémios nem com o sistema de transportes o que nos evidencia a excelente organização que esteve por detrás de todo o evento. A polícia e os bombeiros deviam ter marcado presença em todas as escolas e todos os dias mas assim não aconteceu. De qualquer forma qualquer problema com os alunos estaria ao cargo dos seguros escolares mas a prevenção nunca seria demais. Dentro dos atletas muito bons havia de facto dois que destaco. Um deles era um velocista da Escola Secundária do Padrão da Légua que tinha até aspirações olímpicas e a outra era uma andebolista que tinha agendada uma presença num mundial sub-17 da modalidade mas infelizmente nos torneios lesionou-se num dos pés. 67 Quanto a isto o que tenho a dizer é que compreendo que sejam dadas oportunidades a estes alunos mas com isto perderam-se oportunidades de outros menos bons e tendo em conta o que se passou com a andebolista, é certamente um caso a pensar. Resumindo todo e cada segundo destes torneios concelhios em poucas palavras, tudo o que posso dizer é que adorei e gostava de repetir e que tenho pena de não ter tido esta oportunidade enquanto aluno. 4.4 - Avaliação A avaliação é um elemento que integra e regula a prática educativa, o que permite uma recolha sistemática de informações que apoiam as tomadas de decisões adequadas à promoção da qualidade das aprendizagens. Existem vários tipos de avaliação que são a avaliação diagnóstico (AD), a avaliação formativa (AF) e a avaliação Sumativa (AS). A AD determina se os alunos possuem ou não os requisitos necessários para a prática. Prediz ou deteta a sua capacidade para a matéria a lecionar numa fase seguinte. A AF é centrada no processo, baliza o grau de domínio atingido e revela dificuldades ou progressos. A AS serve para classificar e verificar o nível atingido. Existem também a avaliação criterial e a normativa. A diferença entre a avaliação normativa e a avaliação criterial é que a primeira é feita de acordo com a norma, com o grupo. A segunda é feita de acordo com os critérios de aprovação, indicando se o aluno fica ou não aprovado em determinado acontecimento da sua prática. As razões que levam a determinado resultado bem como os pormenores de realização devem ser comunicados e bem definidos. A avaliação é um processo e não pode ser visto como apenas um ou vários momentos. A avaliação contínua é então composta pelas várias avaliações que vão sendo feitas. A avaliação é um processo e segue uma lógica mas não tem um fim em si mesma (Sousa, s.d.). A avaliação é um ritual pedagógico centrado no processo ensino aprendizagem que segundo Pacheco (1994) tem como principal objetivo a função pedagógica, na qual se cruzam quatro dimensões: uma dimensão pessoal, visando a estimulação do sucesso dos alunos, uma dimensão 68 didática, com fases de diagnóstico, melhoramento e verificação dos resultados da avaliação, uma dimensão curricular, envolvendo a possibilidade de realizar adaptações curriculares face às necessidades dos alunos e uma dimensão educativa, com a avaliação da qualidade da educação. No que à avaliação dos alunos da minha turma diz respeito relato de seguida algumas situações marcantes. Inicialmente tive alguma dificuldade em decifrar quais seriam os critérios realmente importantes para realizar as avaliações nos seus vários momentos . A par desta dificuldade surgiu também a dificuldade de construir os instrumentos para avaliar os alunos. Ao longo do tempo fui sentindo maior facilidade nestes aspetos. O aspeto que me se afigurou mais importante foi a distinção entre avaliação qualitativa e quantitativa, pelo que fazer corresponder uma nota numérica a algo técnico ou tático, representou um pilar fundamental nesta realidade. Senti que a avaliação de um desporto coletivo é totalmente diferente da avaliação num desporto individual, a avaliação de rapazes é diferente da avaliação de raparigas, e que na maior parte das vezes os alunos recorrem a comparações entre as suas notas e as dos colegas. Fazem-no por vezes sem estarem envolvidos diretamente. As avaliações podem ser comparadas pois a avaliação é normativa. As auto e hétero avaliações foram momentos importantes e serviram também para ensinar os alunos, dizendo onde falharam e comentando as opiniões dos mesmos, sempre no sentido de os fazer crescer. Sempre trabalhei com a noção de que podia falhar tal como os alunos, e as avaliações são momentos em que o professor deve estar certo. Sei que tive falhas e na própria auto e hétero avaliação por vezes foi possível verificar isso mesmo através das distintas ideias e opiniões. No final do 2º período alguns alunos pediram 20 valores como nota final mas por se tratar do 2º período e por não merecerem efetivamente, não lhes pude atribuir essa classificação. Se tivesse atribuído poderia ter perdido esses alunos no 3º período mas como assim não fiz estes no 3º período apareceram motivados como sempre e apesar das modalidades lecionadas não serem da sua eleição o rendimento destes alunos manteve-se elevado e como tal obtiveram a tão desejada classificação. Por fim, tive uma aluna que me 69 desiludiu no 3º período. Fê-lo por 4 vezes consecutivas e duas delas prenderam-se com a UD de Dança. A aluna não estava preparada para a AS, não estando portanto apta a realizar a coreografia. Se a aluna não fez a coreografia e se não se mostrou minimamente interessada em aprender e fazer, a sua nota á partida devia ter sido 0 (zero). Após reunião com a PC decidimos atribuir-lhe 10 valores pois, mesmo não sendo a sua nota a aluna não merecia ter um zero num ano onde, para além dos 4 fortes episódios em que me desiludiu, ela esteve bem. Souza (s.d.) afirma que no processo de avaliação escolar o professor e o aluno são visados. O aluno sabe pelos seus resultados qual a sua evolução e o professor sabe pelos resultados dos alunos quais as melhorias que deve fazer. O autor reconhece o valor da prática de avaliar mas adianta que muitas das vezes a avaliação é tida como um processo muitas vezes desvalorizado. Para avaliar é necessário saber onde se quer chegar e de onde se partiu. As avaliações são momentos delicados na vida dos alunos e de tão importantes serem têm contraindicações e uma delas é o facto de muitas vezes ser apenas uma classificação ditada pela performance do aluno que o caracteriza, e muitas vezes também o aprova ou reprova. A avaliação ajuda na melhoria dos processos, dos alunos, da escola em si, das aulas e permite ao aluno reconhecer as suas próprias necessidades e virtudes.5 Ao longo do ano fiz muitas avaliações, dos vários tipos, e no final a minha sugestão era sempre comparada com a sugestão da PC, que pela sua larga experiência apresentava uma grande facilidade em observar os alunos, algo que em mim se foi desenvolvendo de uma forma natural. O facto de a PC não se socorrer de fichas de observação para avaliar os alunos não significava que as suas sugestões estivessem erradas pois fá-las com base numa longa carreira. Para além de as avaliações servirem para avaliar os alunos, foram também úteis para avaliar o processo e ao mesmo tempo a mim e à metodologia por mim utilizada. 5 Aula de Didática Geral de Desporto dada pela Professora Paula Botelho Gomes no dia 14 de fevereiro de 2011. 70 4.5 – A Escola "As escolas, fazendo que os homens se tornem verdadeiramente humanos, são sem dúvida as oficinas da humanidade." (Comenius, s.d.) No meu EP uma das datas mais marcantes foi o 1º dia na ESAS. Lembro-me perfeitamente do dia em que o nosso NE reuniu pela primeira vez com a PC, das primeiras reuniões e dos momentos em que fui conhecendo a escola, tanto numa vertente docente e social como numa vertente física. Para se cumprir uma etapa longa e exigente como o EP foi importante estar integrado com a escola. Naturalmente o tempo veio ajudar a perceber rotinas e formas de trabalho, bem como ideais e questões relacionadas com outros aspetos da escola. Couto e Lemos (2001) com base em depoimentos afirmam que o professor de EF é protagonista do seu trabalho na medida em que as suas ações dentro do ambiente escolar podem servir para nortear os alunos no prazer pela atividade física, assim como numa reflexão crítica sobre a importância dessa prática para a saúde e o bem-estar geral. De facto a minha passagem pela ESAS não se resumiu apenas nas aulas nem nos eventos mencionados neste capítulo. Várias reuniões de departamento e de turma contaram com a minha presença e participação, assumi com a PC o DE de Ténis, também com a PC fiz duas vigilâncias em exames intermédios e vivenciei outros momentos de convívio. O próprio facto de, quando o clima o permitu, ter ido sempre de bicicleta para a escola foi algo importante pois um professor de EF pode e deve dar o exemplo e este é sem dúvida um hábito de vida saudável e ativa contra o sedentarismo e obesidade. Sei que com a passagem pela ESAS enriqueci, porque o sinto, e espero que a mesma passagem tenha sido útil para a própria comunidade. De seguida apresento dois excertos de dois episódios na ESAS. O primeiro mostra uma observação a uma aula da Professora R. e um contributo meu nessa mesma aula e o 71 segundo é uma partilha da minha experiência da vigilância aos testes intermédios. "A professora Rosalina deu a aula com uma personalidade muito autoritária e isso encaixou perfeitamente no estilo de professor que os alunos do 7ºD precisam. São alunos empenhados mas se não estiverem “ocupados” e sob um olhar autoritário desviam frequentemente a sua atenção e comportamentos. Na aula a professora Rosalina pediu-me para trabalhar com uma aluna sua e esse episódio marcou-me pois a aluna aprendeu e praticou bem, e no final veio agradecer, tendo como resposta as seguintes palavras: “De nada! Agora tens de aplicar tudo e melhorar ainda mais!”" (20/01/2012 - observação à professora R.) "Sinto-me feliz por ter passado pela experiência e sinto que mesmo não sendo diretamente relacionado com a Educação Física é positiva e completa ainda mais a minha passagem pela Escola Secundária Abel Salazar. É uma tarefa muito “calma” para mim porque temos que respeitar os alunos fazendo e impondo silêncio e controlar as ocorrências. Tendo sido com os meus alunos, por gostar deles, mais uma vez adianto que foi positivo. Antes e no final da prova vi algumas lágrimas e nesses momentos aconselhei os alunos a terem calma. O Teste Intermédio tinha um grau de dificuldade muito elevado, todos os alunos se queixaram e os professores da disciplina partilharam a mesma opinião. Dois dos meus alunos, provavelmente os melhores e os que vão ter melhor nota, disseram que já tinham feito durante o estudo todos os Testes Intermédios de Física e Química desde 2007 mas consideram que este foi o mais díficil de todos. Espero que os alunos tenham boas notas, tanto neste como nos restantes momentos de avaliação." (27/05/12 - reflexão sobre a participação na vigilância dos Testes intermédios) 72 Santiago (1996) avançou no seu livro A Escola representada pelos alunos, pais e professores, várias questões e a sua generalidade prende-se com as diferenças entre a escola significada pelos alunos, pais e professores, bem como a representação social das escolas. Os intervenientes acima relatados assumem diferentes funções dentro e fora da escola e é numa perspetiva de fazer bem e melhor que estas devem ser encaradas. É necessário não perder de vista a qualidade dos serviços e das suas prestações bem como as interações entre os 3 grupos (inter e intragrupais). A minha progressão na escola foi um processo baseado na continuidade e bebi muito da experiência dos outros professores, que já vivenciaram muitíssimas situações. Uma parte da minha formação passou precisamente por isso, por poder assistir a várias aulas, treinos e ensaios orientados por alguém mais experiente e por vezes com outros métodos de ensino. Para além de tudo isto todos eles foram fantásticos no que ao meu processo de integração diz respeito. Com os alunos sempre tive a oportunidade de manter boas relações de docência e até pessoais. . 4.6 – Os meus alunos Porque os alunos que me foram entregues são parte do futuro da nossa sociedade e porque sempre se dedicaram e mostraram ser um bom coletivo com boas individualidades é precisamente sobre eles que me debruço nestas linhas. Mais uma vez reforço que para além de todo o sumo relativo a situações de ensino-aprendizagem, episódios didáticos e pedagógicos, também guardarei comigo todos os alunos e a turma em si. Tratava-se de uma turma que inicialmente era pequena e que com o avançar do ano ainda mais pequena se tornou. Um dos alunos da turma não tinha EF no seu plano de estudos mas por vezes fazia as aulas com a minha permissão. A verdade é que para haver sucesso a turma não tem que ser grande, muitas das vezes isso poderá até prejudicar, e esta turma com este número de elementos sempre funcionou muito bem. Para além das boas notas que alcançaram na disciplina de EF 73 também foram frequentemente considerados a ou uma das melhores turmas da ESAS. Antes de escrever um pouco sobre cada um dos meus alunos sem fazer referência a nomes por uma questão de privacidade, apresento duas reflexões gerais sobre a turma: "Gosto da união da turma e essa foi visível na AD de atletismo porque os alunos ajudaram-se uns aos outros através de incentivos verbais, nomeadamente aos alunos mais fracos como o Rui Andrade e a Maria João, que tem asma e completou a prova com êxito." (aula nº6 - dia 7/10/11) "Na aula passada pedi aos alunos que na aula de hoje me explicassem como se pode ter uma alimentação equilibrada e racional e o início da sessão foi baseada nessa explicação, que na verdade ultrapassou as minhas expectativas, portanto mais uma vez os alunos estão de parabéns. É importante investir na cultura desportiva e na saúde." (aula nº7 - dia 12/12/11) A aluna A1 sempre se mostrou uma aluna muito bem formada, tanto enquanto pessoa como enquanto estudante. As suas notas e a sua média falam por si e a verdade é que se assumiu facilmente como uma das líderes da turma para além do MED e os colegas respeitam-na imenso. Mesmo não tendo sido uma aluna de 20 a EF o seu empenho e a sua capacidade psicológica e intelectual foram parte das suas armas para o seu sucesso. A A2 apresentava excesso de peso mas isso não a demoveu da prática desportiva pois foi visível que na maioria das modalidades ela praticava, fazendo o seu melhor e sempre com um sorriso nos lábios. Quanto a esta aluna refiro que fiquei com a sensação que numa fase inicial do ano não se identificava comigo mas aos poucos consegui com que a sua opinião mudasse pois facilmente me apercebi que dá muita importância à valência social dos docente e eu investi nesse campo. 85 Introdução: Nos dias de hoje é indiscutível a importância da atividade física e do desporto no desenvolvimento motor e cognitivo das crianças e no combate ao sedentarismo e à obesidade infantil. Não obstante, assistimos à implementação de medidas economicistas que produziram uma redução efetiva das horas de lecionação atribuídas à educação física e ao DE bem como ao racionamento dos apoios atribuídos às instituições de utilidade pública que promovem à prática do desporto por crianças e jovens. A questão do DE parece ainda ser um pouco mais complicada. Eu tinha para mim que o DE era para os alunos uma oportunidade única para experimentarem diversas modalidades, fazerem a sua formação desportiva inicial no sentido de adquirirem os pré-requisitos de base à especialização numa qualquer modalidade ao nível do Desporto Federado (DF). Por outro lado, entendia que para os professores era a oportunidade de darem continuidade aos conteúdos abordados nas aulas de educação física com uma profundidade e uma significância inigualável. Mas a realidade com que me deparei na ESAS foi um pouco diferente. Nem todos os professores se disponibilizaram para participar nas atividades do DE. Fiquei com a clara sensação de que os alunos não lhe atribuem o valor de outros tempos, o que para mim era em certa medida uma contradição. Assim, procurei entender um pouco melhor esta realidade. A literatura de especialidade consultada, na sua maioria teses de doutoramento e mestrado, centra-se em diferentes problemáticas tais como: enquadramento legal do desporto escolar (Reis, 2009); contributo do DE no desenvolvimento físico-motor, social e pessoal (Fernandes, 2011); organização do desporto escolar a nível regional e nacional (Silva, 2007); a estrutura e a dinâmica do DE (Pina, 1997, Damásio, 1998); o entendimento dos professores acerca do desporto escolar (Vieira, 2008). Apesar do inequívoco reconhecimento do valor e importância do DE, a sua atual forma e objetivos parece pouco ajustada à realidade na medida em que nos últimos anos o seu desenvolvimento tem sido insignificante. No caso 86 concreto da ESAS apenas cerca de 13% dos alunos participava no DE no ano letivo de 2011/12 (ver quadro n.1) e quase metade dos professores de educação física também não tinha qualquer relação com o DE. Naturalmente que esta baixa participação tem várias explicações, contudo e por entender que os professores têm neste contexto particular, um papel muito importante na captação, motivação e empenhamento dos alunos optei por estudar este lado do problema. Neste âmbito concreto e por comparação com o DF, o papel do professor/treinador é ainda mais relevante porquanto não existem motivações clubísticas ou marcadamente competitivas. O presente trabalho surge assim na tentativa de inferir com base na opinião de professores de educação física experientes que medidas poderiam ser adotadas na ESAS que contribuíssem para uma maior e melhor participação dos docentes no DE. Quadro 1 – caracterização do DE na ESAS 2011/2012 Itens 2010/2011 2011/2012 Nº total de alunos da escola 796 763 Nº de participantes de DE 94 98 Nº de equipas 6 6 Modalidade Escalão Nº de alunos inscritos (2011/2012) Badminton Juvenis e Juniores mistos 18 Basquetebol Juniores femininos 14 Ténis Juvenis masculinos 16 Danças sociais Todos os escalões 20 Natação Todos os escalões 18 Tiro com arco Todos os escalões 15 Problemática e Objetivos O principal objetivo deste estudo foi conhecer a perceção e o envolvimento dos professores de EF no DE na ESAS e identificar medidas passíveis de fomentar a melhoria das condições de prática do DE e de trabalho dos docentes. 87 Assim sendo os objetivos específicos foram os seguintes: - Conhecer as razões que levam os professores a participar no DE e a escolher determinadas modalidades; - Aferir se há relação entre o envolvimento desportivo dos professores fora e dentro da escola; - Perceber o nível e razões de satisfação dos professores relativamente ao DE na ESAS; - Inferir através das respostas dos professores qual a relação mais adequada entre o DE e o DF; - Conhecer a opinião dos professores relativamente aos problemas do DE a nível nacional. Metodologia A amostra No ano letivo 2011/2012 havia 101 professores na ESAS, dos quais 9 eram de EF (3 do sexo masculino e 6 do sexo feminino). A totalidade dos professores de EF aceitou participar no estudo. O preenchimento dos dados caracterizacionais (ver quadro 2) permitiunos confirmar que nenhum dos professores da ESAS tinha menos de 26 anos e que 2 deles tinham mais de 50 anos, sendo que a maioria tinha entre 46 e 50 anos. Com efeito, estávamos perante um grupo de professores com substancial experiência. À data do estudo, a maioria dos inquiridos lecionava apenas num grau de ensino (5 no ensino secundário e um no 3º ciclo), sendo que os restantes lecionavam em ambos os graus de ensino. Este grupo era muito estável do 88 ponto de vista profissional, sendo que apenas um dos docentes não era efetivo na escola. Todos os professores da ESAS reportaram já ter trabalhado no DE, sendo que maioria (N=6) acumulava mais de 7 anos de experiência. No ano letivo 2011/2012, 4 dos docentes não tinham qualquer cargo no DE, dos restantes todos tinham apenas um grupo/equipa, sendo que um deles acumulava simultaneamente o cargo de coordenador do DE e coordenador da atividade interna. Quadro 2 – caracterização da amostra (os professores de EF da ESAS) Prof / Dados Idade Sexo Ciclo de ensino na ESAS Situação profissional Anos de exp. no DE Cargo no DE Orientador de grupo/ Coordenador equipa Prof. A 26 a 30 Masc. Sec. Quadro 13 a 15 X - Prof. B 46 a 50 Masc. Sec/3ºciclo Quadro 7 a 9 X X Prof. C >50 Fem. Sec. Quadro 7 a 9 X - Prof.D >50 Fem. Sec. Quadro 7 a 9 - - Prof. E 46 a 50 Masc. Sec/3ºciclo Quadro >15 X - Prof. F 46 a 50 Fem. Sec. Quadro 7 a 9 X - Prof. G 26 a 30 Fem. 3º ciclo Contratado 1 a 3 - - Prof. H 46 a 50 Fem. Sec/3ºciclo Quadro 4 a 6 - - Prof. I 46 a 50 Fem. Sec. Quadro 7 a 9 - - Instrumento de Pesquisa A informação foi recolhida no final do ano letivo 2011/2012 através de questionários pois cheguei à conclusão de que este instrumento é o mais adequado para recolher a informação desejada, tendo em conta o elevado número de perguntas e de temas abordados. O questionário foi construído 6 com base no estudo de Vieira (2008), desenvolvido na Região Autónoma da Madeira, com o título “Perceção dos Professores do Desporto Escolar sobre os atributos do serviço e fatores de satisfação e insatisfação”. Trata-se de um questionário com perguntas abertas (11, incluindo alíneas) e fechadas (28, incluindo alíneas). As perguntas 6 Do questionário de Vieira (2008) foram adotadas todas as questões e foi acrescentada a última questão sobre as sugestões a apresentar para a melhoria no DE da ESAS. 89 fechadas apresentam como principal vantagem o facto de não ser necessário muito tempo para responder e para tal basta apenas uma cruz (X) na resposta correspondente, sendo por isso menos cansativo para o entrevistado. A principal desvantagem das perguntas fechadas é o facto de o investigador dar a conhecer um grupo de possíveis respostas, bastando apenas escolher. As perguntas abertas apresentam a principal vantagem de o entrevistado ter uma grande liberdade de resposta, mas como desvantagem surge o tempo de resposta e a dificuldade de codificação por parte dos investigadores. O questionário está dividido fundamentalmente em duas partes, a primeira que faz uma caracterização do professor e da sua situação profissional e a segunda é relativa a questões do Desporto Escolar. Assim, na primeira parte são apresentadas questões sobre o sexo, idade, ciclo de ensino na ESAS, situação profissional, anos de experiência no DE, cargos no DE, carga horária na escola, e, na segunda parte são apresentadas questões sobre a orientação dos grupos/equipa, razões ou motivos para a adesão dos alunos, satisfação relativa ao local, espaço, balneários, materiais desportivos, intervenientes, integração do DE no PEE, ligação do DE com o DF, contributos do DE, sugestões e problemas do DE na ESAS. O questionário desenvolvido por Vieira (2008) foi validado antes da sua entrega com base numa validação interna. Contudo, procedi ainda à verificação da sua adequação pedindo aos meus colegas do NE para o preencherem, tendo confirmado a sua acessibilidade do tempo de resposta, a adequação das respostas e do entendimento da pergunta, bem como a facilidade de manuseamento. Um professor perito da FADEUP realizou uma reflexão escrita acerca do conteúdo e estrutura do mesmo, não tendo sugerido qualquer alteração. Procedimento de recolha de dados Face à natureza do estudo a recolha de dados foi feita através da distribuição dos questionários aos 9 professores de EF da ESAS. Os 90 professores foram por mim abordados e expliquei-lhes os propósitos do trabalho. Preencheram os questionários na minha presença, no gabinete de EF da ESAS, tendo sido preenchidos salvaguardando o anonimato. Procedimento de análise de dados Na análise do conteúdo das perguntas de resposta aberta não procedi à sua categorização pelo facto de ter uma amostra muito reduzida e optei por analisar “uma a uma” e daí extrair o máximo de informação possível. No que às perguntas de resposta fechada diz respeito procedi à contagem simples do número de respostas por cada item apresentado Resultados e Discussão De seguida apresento e discuto os resultados obtidos, seguindo a lógica e a ordem das perguntas do próprio questionário. Os resultados obtidos foram comparados apenas com o estudo de Vieira (2008), (estudo relativo ao ano letivo de 2006/2007, realizado na Região Autónoma da Madeira sobre a perceção dos professores do DE bem como sobre os atributos do serviço e fatores de satisfação e insatisfação) dado que não tive acesso a quaisquer outros estudos com idêntica metodologia ou subordinados à mesma temática. Tempo que medeia o início dos treinos e o início das competições: Nem todas as modalidades apresentavam o mesmo tempo de preparação entre o início do DE e a 1ª competição. Exceto a Natação, todos elas apresentavam no mínimo 3 meses de diferença, o que por um lado permitia um maior tempo de preparação mas por outro poderia ser um fator desmotivador, na medida em que é a competição que dá significado ao processo de treino. 91 Razões apontadas pelos professores para participarem no DE: Quando questionados (5 professores) acerca das razões pelas quais participavam no DE, a maioria (4 professores) elegeu o gosto pela modalidade e as condições da escola (3 professores). As razões subjacentes à necessidade de darem continuidade do trabalho realizado em anos anteriores foram apontadas por dois docentes. Os motivos como as competências pessoais no âmbito de uma modalidade em particular ou proporcionar experiências relevantes para os alunos foram apontados apenas uma vez. Também Vieira (2008) reportou as mesmas razões apesar do estudo ter sido realizado numa realidade escolar-desportiva um pouco diferente, isto é na região Autónoma da Madeira, e tendo sido inquiridos 260 docentes. Possibilidade de os professores assumirem outras modalidades: Quando questionados se gostariam de assumir outras modalidades no DE, dos 5 Professores do DE apenas 4 responderam e desses 4, 2 responderam que gostariam de assumir outra modalidade e 2 deixaram essa possibilidade em aberto. Os professores que responderam afirmativamente apontaram o Voleibol e os Desportos de Exploração de Natureza como possíveis modalidades a orientar. Estes dados não significam, a meu ver, que os professores estejam descontentes, mas sim que gostariam de vivenciar e experienciar outras modalidades. Interessante seria cruzar as motivações dos professores com a dos alunos. Apesar do estudo de Vieira (2008) ter inquirido 260 docentes, não foi possível encontrar uma tendência nas respostas, dado quando inquiridos sobre a escolha de uma nova modalidade as respostas dos professores são variadas, havendo respostas positivas, negativas e dúbias. 92 Professores e desporto fora da escola: Apesar de se tratar de professores de EF, apenas dois deles (22.2%) tinham uma qualquer ocupação desportiva fora da escola, sendo um deles praticante de BTT (Bicicleta Todo-o-terreno) e o outro treinador de Andebol. Curiosamente estas atividades não fazem parte do desporto escolar da ESAS. A taxa de participação em atividades desportivas é muito baixa quando comparamos com o estudo de Vieira (2008), cerca de 45%. Neste caso particular é do conhecimento comum que o DF n região da Madeira goza de condições financeiras muito favoráveis, o que talvez justifique um maior envolvimento dos professores. Razões apontadas pelos professores para os alunos participarem no DE: Na opinião dos professores da ESAS os alunos aderem ao DE pelas seguintes razões: gosto pela competição (9 professores), melhorar as capacidades (8 professores), estar com os amigos (7 professores), diversão e o facto de haver poucas oportunidades no Desporto Federado (6 professores), estar fisicamente saudável (5 professores) e fazer parte de uma equipa (4 professores). Os resultados encontrados são convergentes com os de Vieira (2008). Satisfação geral dos professores relativa aos vários itens apresentados: Relativamente aos vários itens apresentados, grupos/equipa, treinos, materiais, balneários, atividades, competições, intervenientes e informações relativas ao DE, de uma forma geral os professores manifestam estar satisfeitos com as condições do DE na ESAS . Em relação à satisfação geral sobre o DE, dos 9 professores inquiridos apenas 1 não respondeu e dos 8 que responderam apenas um se diz insatisfeito porque as competições são ao fim 93 de semana e há poucos alunos inscritos. Nos restantes verifica-se satisfação ou muita satisfação pela prática desportiva e luta contra a obesidade, gosto e formação de jovens bem como aproveitamento das condições e valorização da prática desportiva. Ainda dentro dos professores satisfeitos alguns deles apontam a falta de condições económicas e a falta de interesse dos alunos como pontos negativos. Vieira (2008) apresentou os dados de diferente forma, separando neste campo os professores do 3º ciclo e do ensino secundário, sendo que 78% dos professores do 3º ciclo referem estar satisfeitos com o DE, mas apenas 18% dos professores do Secundário manifestam a mesma satisfação. Esta discrepância sugere diferenças entre os dois ciclos de ensino, que poderão relacionar-se com os alunos ou com as escolas em si. Ligação entre o DE e o PEE: Na generalidade os professores de EF por mim inquiridos afirmam que o DE e o PEE estão relacionados (3 professores no presente estudo) ou muito relacionados (3 professores no presente estudo), pois o DE vai ao encontro de muitas das metas do PEE. O DE ajuda a formar hábitos e estilos de vida saudáveis e é algo que faz aumentar os índices de prática desportiva. Resultados similares são reportados por Vieira (2008). A ESAS e os seus parceiros: Dos 9 professores, 4 não têm opinião em relação à busca de parceiros por parte da ESAS, 3 afirmam que a escola não é dinâmica e 1 refere que a escola é dinâmica nessa busca. Desses 9 professores inquiridos, apenas 2 referem alguns dos atuais parceiros da ESAS, como por exemplo a Câmara Municipal de Matosinhos, restantes escolas e alguns ex. alunos. Quanto a uma possível melhoria na ligação entre a ESAS e o DF as opiniões não são consensuais. 101 “É melhor merecer as honras sem as receber do que receber sem as merecer” Mark Twain (s.d.) A assunção das responsabilidades relativamente e perante uma turma, deve ser feita por parte do Estagiário desde o primeiro milissegundo do Estágio Pedagógico que inicia antes do ano letivo nas escolas. Julgo que neste período tive oportunidade de crescer enquanto professor, mas o desenvolvimento não é estanque e como tal eu devo sempre querer evoluir mais, atualizando o meu conhecimento e investindo em mim próprio. Todos os profissionais devem fazer este trabalho pessoal e exercício intelectual para o bem das suas carreiras e vidas pessoais. O que é um professor? Os professores “sobrevivem” sem se atualizarem? A primeira pergunta tem uma resposta atual diferente de outras mais antigas e esse facto ressalva que a resposta à segunda pergunta é claramente negativa. A educação mudou e mudará ainda mais. Quem não investe em si próprio dificilmente terá sucesso. O professor dos dias de hoje tem de assumir um número infinito de funções e ter na sua posse um lote enorme de capacidades, habilidades e conhecimentos, sem os quais não seria capaz de cumprir papeis docentes. Para além de um trabalho tecnicista, pedagógico e científico, os professores devem ser reflexivos e utilizar a reflexão como uma chave que abre muitas portas e que ajudará o professor e o seu trabalho a melhorar. O ato educativo é algo que se baseia no trabalho com pessoas. Uma atuação estandardizada por parte do professor é um mito e um docente não pode de maneira alguma tentar chegar a todos de igual modo uma vez que cada caso é um caso. Assim a solução será obviamente tratar todos de forma diferente mas igual. Mesmo os professores com longas carreiras se debatem diária e semanalmente com situações que nunca surgiram no passado. Este cenário prova que a versatilidade dos docentes é um fator benéfico para o ensino. O professor deve ser capaz de se fazer entender e de passar a sua mensagem, deve tomar as decisões certas e ter uma axiologia específica. Os 102 conhecimentos adquiridos ao longo da formação académica fazem parte da evolução e do percurso dos docentes. Numa fase inicial mais técnica e posteriormente mais didática e pedagógica. A formação académica é sempre uma etapa insubstituível e através da qual os estudantes vão construindo bases cognitivas e práticas para o futuro. A formação deve ser contínua para que o professor esteja preparado para qualquer situação que possa surgir e fazer assim valer, para além de tudo que foi anteriormente referido, a capacidade adaptativa. Os docentes devem renovar-se e atualizar-se ao longo da vida para assim responderem com mestria e de acordo como o novo paradigma da educação (Ramal, 2008), segundo o qual o professor é mais um orientador e o aluno é um agente da sua própria aprendizagem, há uma troca maior de experiências entre alunos e professores e a sala de aula assume um ambiente de cooperação e próprias as tecnologias estão mais presentes. Os professores são profissionais que estão em construção e como tal devem empenhar-se nisso de forma veemente e durante toda a vida. Apesar de não ser num abrir e fechar de olhos, a situação descrita não pode ser uma miragem, deve ser algo comum. No meu caso penso que o tempo que passei enquanto estagiário foi o seguimento de uma longa caminhada na qual os objetivos passaram por um progresso com uma grande amplitude e a meta foi a perfeição. Mas, quanto à meta, essa não está ao nosso alcance. O desenvolvimento dos professores é uma atitude e um processo de formação contínua e de auto formação. Araújo (1998) diz-nos que o saber estar e o saber ser de um treinador é muito mais que uma carreira de vitórias! Suscita a importância da Pedagogia e de um mundo de responsabilidades. Todos os seres humanos falham porque errar é humano. Quando esta afirmação é uma verdade assumida não podemos deixar de realizar as nossas tarefas com toda a firmeza e correção em qualquer circunstância. É perfeitamente possível e aceitável comparar estas linhas com a docência e enquadrá-la neste capítulo porque apesar de diferentes neste sentido a profissão de professor e treinador são semelhantes. Devemos então focar a nossa atenção em tudo e não só no sucesso dos alunos e de nós 103 próprios e ao mesmo tempo devemos ter uma identidade e assumir todas as responsabilidades inerentes. Mas, como está escrito acima, muitas das vezes os professores também falham e devem acima de tudo saber corrigir os seus erros, aprender com eles e lidar bem com a situação porque como é regra geral, os erros dos professores são tidos como “crimes” na educação dos alunos. Os professores não podem desleixar-se das suas tarefas e não podem confundir situações pessoais com as profissionais mas, enquanto atua a sua parte emocional acompanhá-lo-á sempre. Finalizando, o desenvolvimento profissional e pessoal dos docentes tem que ser visto como um processo coletivo e individual e que deve processar-se na escola e não só. As competências profissionais enriquecem-se com as experiências que se diferenciam entre si e que podem ser formais e informais. Se a educação sofre mudanças, o conceito de desenvolvimento profissional também as sofre. Mas o que é certo é que este deve ser a longo prazo, onde o docente passará por diferentes oportunidades e experiências, promovendo o seu crescimento e desenvolvimento. A par do desenvolvimento surge a procura da identidade que é uma construção do “eu profissional”, que evolui também ao longo das carreiras, e que pode ser influenciado por vários fatores. Segundo Pereira (2001, p.37) “a formação contínua de professores esboça-se numa lógica carencialista e segundo o pressuposto de que um bom professor (...) detém os conhecimentos científicos a transmitir e domina as técnicas eficazes para assegurar esta transmissão. Por isso, as ações de reciclagem que se desenvolvem incidem, sobretudo, nos domínios disciplinar e didáticos”. A verdade é que, e segundo Campo (1995) desde que se verifica a existência de escolas há a possibilidade de formação contínua por parte dos professores. A oferta e procura de formação contínua aumenta e é um direito de todos. Para mim, para além de ser um direito é também um dever pessoal e profissional. 104 Conclusões e Perspetivas para o futuro 107 Faço votos para que a minha formação e evolução não pare. Neste momento o Estágio terminou e isso significa o final de uma etapa na minha vida. Todo o meu percurso académico termina aqui e foi para mim um privilégio poder viver estes 6 anos, mais concretamente este último, pois todo o conhecimento que adquiri e fui adquirindo é uma mais-valia importante e surge como a justificação dos meus estudos e trabalhos. Muitos (e ao mesmo tempo poucos) foram os anos que passei na faculdade e todos eles foram inesquecíveis mas o mais marcante no que diz respeito ao confronto com a realidade e com situações da docência em si, foi sem dúvida este último, o do EP na ESAS. Sendo o último e o mais “real”. Tornou-se o mais importante e surgiu também como um culminar pois tudo o que aprendi foi importante nesta fase e certamente será em outras também. No EP pude muitas vezes debruçar-me no auxílio do NE em si e também da PC e PO. Afirmo e defendo que todos eles foram muito importantes e considero que não fiz este caminho sozinho. Mesmo quando caminhava sem companhia sabia que podia contar com a ajuda das entidades acima enunciadas. O EP foi uma escada que me levou a um nível superior, onde moldei e adquiri conhecimentos e onde fui refletindo imenso sobre tudo o que de relevante se ia sucedendo. No confronto com o desafio e com as expectativas provei a mim mesmo que o EP e a docência não são apenas tarefas ou missões onde tem que se ensinar! Não… não é só isso. A docência em geral e o EP em específico são acima de tudo a promoção de conhecimento, tarefas de ensino-aprendizagem. Mas a orientação a dar aos alunos e o acompanhamento que é feito é também muito importante e por isso julgo que um professor é mais do que isso. Funciona como um elo muito importante na vida dos alunos. A educação dos alunos tem de ser integral permitindo que os alunos se desenvolvam com mestria na sua vertente intelectual, moral e física pois ao mesmo tempo também é disso que se trata. O mundo não para, a sociedade não para. Muitas são as mudanças e exigências que se verificam na atualidade e por essa razão se sabe e defende que os alunos são seres que necessitam de uma educação no seu sentido lato e não apenas de aulas de Futebol ou Ginástica, por exemplo. Uma abordagem redutora da educação é 108 uma limitação para quem a recebe e uma limitação de quem a dá. A educação deve ser virada para os valores e para a moral, deve ser socialmente aceite, deve contribuir para a edificação dos alunos, mas também para o crescimento e enriquecimento da sociedade! O corpo e a alma surgem como alvos importantes na nossa tarefa docente uma vez que o ensino das habilidades motoras é muito importante, mas a educação passa também por algo relativo ás emoções e inteligência. No meu entender posso referir que ao longo do ano não fui sempre a mesma pessoa mas fui evoluindo se não o EP não teria significado em mim, fui-me moldando às situações e também fui evoluindo numa perspetiva pessoal e profissional. Educando e ensinando também se aprende e também se cresce. Não me refiro apenas á crescente facilidade com que fui fazendo os planeamentos e todos as tarefas de casa e não só de um professor. Refiro-me concretamente ao trabalho de aula onde me sinto agora capaz de observar e corrigir erros, instruir e escolher as palavras certas, pensar em soluções, entre outras. Para além de tudo cresci como pessoa, sei que posso contar com o meu trabalho e que com responsabilidade e dedicação posso ter sucesso. Esta frase estava presente em mim mas a cada passo vai sendo consolidada. A minha principal referência e preocupação residiu sempre nos alunos e eles sempre permaneceram na minha mente desde setembro até ao final do EP. Penso que enquanto professor comecei bem e acabei ainda melhor, mais rico e evoluído e com a sensação de dever cumprido. Mas isto não resume este ano letivo pois ao longo destes meses fiz alterações e ajustes nas aulas sempre com a intenção de elevar os alunos e formá-los como um todo. A cooperação, respeito, responsabilidade, competição e também autonomia foram fazendo parte do meu espectro de preocupações e penso que foram bem vincados e trabalhados. A minha turma era considerada a melhor da ESAS, ou pelo menos uma das melhores, e nela não se verificava muita heterogeneidade mas os alunos não eram todos iguais. Eram da mesma zona geográfica, tinham quase todos a mesma idade e as mesmas experiências e nenhum deles se demarcava da mancha global do 11ºA. Apesar das poucas diferenças cada aluno é um caso diferente e todos eles foram importantes para mim, na medida 109 em que não descorei ninguém e tentei sempre chegar com sucesso a todos eles. Para além de tudo o que já referi, o EP foi importante também porque pude vivenciar outras questões como por exemplo as conversas e interações com outros professores e agentes educativos da ESAS, a participação em reuniões, torneios e DE e todas estas tarefas a que o professor está sujeito nunca me assustaram. Pelo contrário, sempre que tive hipótese e oportunidade tentei fazer parte dessa rotina que me possibilita um crescimento eclético enquanto recém-docente. A pessoa que hoje sou revela-se mais madura profissional e também pessoalmente pois o EP foi um espaço onde cresci imenso, com tudo e com todos. O facto de a docência ser uma profissão acima de tudo de humanidade foi-me, por via da prática, dado a conhecer uma situação que sempre desejei mas não sei se será possível mantê-la no futuro. Nestes magníficos meses consolidei a minha vontade de ensinar, conviver e aprender com os alunos. Em relação ao futuro surgem neste momento muitos pontos de interrogação dentro de mim pois a situação nacional é um problema geral e afeta todas as áreas, o que infelizmente leva a que muita gente não trabalhe na sua área ou então que tenha mesmo de sair do seu país para o fazer. Neste sentido, eu vou ser EU para o resto da minha vida, vou sempre esforçar-me para conseguir o que desejo e vou acima de tudo lutar por uma vida boa e harmoniosa, faça o que fizer e onde fizer. Com estas palavras quero dizer que tudo farei para seguir uma carreira dentro do âmbito da minha Licenciatura e do meu Mestrado pois é nisto que eu acredito e é com isto que me sinto bem. Concluindo, mesmo com esta situação nacional e não sabendo qual será a minha situação profissional no futuro, garanto que todo o tempo de faculdade e especificamente o tempo do EP foi um longo e incessante rio de conhecimento, boas relações, alegria, paz e harmonia, responsabilidade, moral, cooperação, no qual nadei e do qual bebi, enriquecendo-me e fortalecendo-me para a minha vida futura onde a humildade sempre fará parte de mim, tendo sido portanto muito positivo. 116 Patrício, M. (1993). Lições de axiologia educacional. Lisboa: Universidade Aberta. Pereira, M. (2001). Transformação educativa e formação contínua de professores: os equívocos e as possibilidades. Lisboa: Instituto de Inovação Educacional. Pina, M. (1997). Estrutura e Dinâmica do Desporto Escolar – levantamento e análise da situação em Portugal de 1990 a 1995 – do modelo à prospetiva. Lisboa: M. Pina. Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana. Ramal, A. (1997). Paradigma da educação. consult. em 27 de junho de 2012 em http://www.cfh.ufsc.br/~takase/curso/paradigma.html. Reis, M. (2009). O valor educativo da competição: estudo centrado no Desporto Escolar no Ensino Básico do Concelho de Paredes. Porto: M. Reis. Tese de Mestrado em Educação Física e Desporto – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Rink, J. (1993).Teaching physical education for learning (2 ed.): MosbyYear Book, Inc. 117 Santiago, R. (1996). A escola representada pelos alunos, pais e professores. Aveiro: Universidade de Aveiro. Scaglia, A. (2009). Ser treinador, ser professor: eis a questão. Consult 17 abril de 2012, disponível em http://www.universidadedofutebol.com.br/ConteudoCapacitacao/Artigos Detalhe.aspx?id=1895&p=. Siedentop, D. & Tannehill, D. (2000). Developing teaching skills in physical education (4 ed.): Mayfield Publishing Company. Silva, P. (2007). O Desporto Escolar – estudo dos serviços prestados nas escolas básicas do 2º e 3º ciclos do concelho de Gondomar. Porto: P. Silva. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Silva, T. (2009). Elementos para a Compreensão da Reflexão em Situação de Estágio Pedagógico – estudo de caso de um Estudante-Estagiário de Educação Física. Porto: T. Silva. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Sousa, P. (s.d.) Avaliação Escolar: limites e possibilidades. São Paulo: Universidade Católica de São Paulo. Twain, Mark (s.d.). “é melhor merecer as honras sem as receber do que receber sem as merecer”. Consult. 31 maio de 2012. Disponível em http://www.rh.com.br/Portal/frases.php. 118 Vaizey, J. (1968). A educação no Mundo Moderno. Biblioteca Universitária Inova. Vieira, I. (2008). Perceção dos professores do Desporto Escolar sobre os atributos do serviço e fatores de satisfação e insatisfação. Madeira: I. Vieira. Tese de Mestrado em Educação Física e Desporto – Universidade da Madeira. Ziglar, Z. (s.d.). “as pessoas dizem que a motivação não dura. Bem, nem o banho – e é por isso que é recomendado diariamente”. Consult. 27 maio de 2012. Disponível em http://www.quemdisse.com.br/frase.asp?frase=7652&f=- as-pessoas-dizem-frequentemente-que-a-motivacao-nao-dura-bem-nem-obanho---e-e-por-isso-que-ele-e-recomendado-diariamente&a=zig-ziglar. Síntese Final 121 Este documento foi elaborado no âmbito do Estágio Profissional (EP), inserido no ciclo de estudos conducentes ao grau de mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP). O EP é um confronto entre a teoria e a prática e é também um conjunto de momentos muito importantes para adquirir novos conhecimentos que surgem precisamente deste confronto. Segundo Rodrigues (2001), o exercício da profissão de professor requer duas dimensões, sendo a primeira a responsabilidade por uma formação científica rigorosa e exigente, ou seja, a teoria. A segunda é uma vivência igualmente rigorosa, sempre apoiada na realidade do contexto do trabalho, ou seja, a prática. O presente Relatório de Estágio (RE) é a tarefa que surge no culminar do EP e aqui pretendo debruçar-me sobre tudo aquilo que achei importante neste ano. Deste modo, para a realização deste RE o enfoque principal recaiu sobre as 4 Áreas de desempenho: Área 1 – “Organização e Gestão do Ensino Aprendizagem”; Área 2 – “Participação na Escola”; Área 3 – “Relações com a Comunidade”; Área 4 – “Desenvolvimento Profissional”. “O meu passado, presente e futuro” é o 1º capítulo, onde faço a caracterização da minha pessoa e da minha educação. Exponho sobre a minha infância e juventude, os estabelecimentos de ensino por onde passei, os clubes desportivos onde joguei, jogo e por onde passei enquanto treinador ou responsável por equipas. Uma vez que o meu curriculum vitae não se resume á realidade desportiva faço também referência a estes pontos, salientado as empresas por onde também passei durante a minha vida. Para além do que fui e do que sou são adiantadas neste capítulo as minhas expectativas em relação ao meu estágio. No segundo capítulo “Organização da Prática Profissional” abordei os contextos em que se enquadra o EP, nomeadamente o contexto conceptual, legal, institucional e funcional. Este capítulo comporta ainda a formação dos docentes alcançada através do EP. Antes de partirem para o EP os estudantes estagiários possuem uma formação que lhes permite exercer a sua função mas após o estágio, quando todo o processo é bem conseguido e bem orientado as capacidades e competências destes são melhoradas e mais qualificadas. Por esta e por outras razões o EP é um marco importante na vida profissional dos docentes. “O Professor e a Personalidade Pedagógica” é o terceiro capítulo deste relatório e é aqui me refiro à importância da reflexão na docência e acima de tudo para um professor de Educação Física (EF) e para um Professor Estagiário. Ao longo de toda a minha formação vários foram os momentos em que me foi dada a entender a importância da reflexão e vários foram também os momentos em que me socorrei desta para a realização das minhas práticas. Ainda neste capítulo debruço-me sobre a importância dos profissionais de EF e de Desporto no panorama nacional, onde nem sempre estes são reconhecidos e onde nem sempre se aposta nos jovens formados. O quarto capítulo “A missão de um professor de Educação Física” reporta-se à conceção, ao planeamento, à realização, controlo, gestão e instrução, que são tarefas fundamentais na docência da EF. Os episódios mais simbólicos do meu EP são aqui retratados 122 (a aplicação do Modelo de Educação Desportiva; IV Meeting de Atletismo na ESAS; Visita de Estudo; Corta-mato; Jogos sem Idade da Escola Secundária Abel Salazar; O meu contributo nos Torneios Concelhios; Comentário geral sobre as aulas lecionadas por mim), bem como a avaliação, a escola e uma ligeira descrição de todos os meus alunos. A avaliação é composta por vários momentos e por vários tipos e é também um dos momentos críticos do trabalho do docente que deve transpor a performance dos alunos para uma nota. No que à escola diz respeito está para além de uma construção física é também uma construção social construída para e pelas pessoas. Os meus alunos foram o público para o qual trabalhei e foram todos eles as personagens principais do meu estágio. Presente neste RE surge ainda um Estudo de Investigação, situado no 5º capítulo e com o título “a Realidade do Desporto Escolar na Escola Secundária Abel Salazar”. Tal como o título indica, através deste estudo pretende-se perceber a própria realidade do Desporto Escolar na referida escola, no que diz respeito aos professores e à sua satisfação. Para a realização deste estudo foram aplicados questionários aos 9 professores de EF da Escola Secundária Abel Salazar, questionário esse que foi adaptado de um estudo de mestrado feito em 2008 na Universidade da Madeira por Ana Margarida Gouveia Vieira. Finalmente surge o 6º capítulo, “A Amplitude do Progresso”, que tem como base o desenvolvimento dos professores e a continuidade da sua formação, que deve também ser feita após a obtenção dos diplomas e por toda a vida, porque, segundo Teodoro (2006, p. 76) as exigências de mudança no desempenho profissional dos professores implica sólidas e dinâmicas estruturas de apoio no campo da formação e isso engloba igualmente a formação contínua e uma reciclagem cognitiva. Bibliografia: Rodrigues, A. (2001). A formação de formadores para a Prática na formação inicial de professores. Lisboa: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação – Universidade de Lisboa. Teodoro, A. (2006). Professores, para quê? Mudanças e desafios na profissão docente. Porto: Profedições. ANEXOS ix Dos enc ed. 3 2 Outro Quadro 24 – opinião dos professores relativamente à integração do DE no PEE e respetiva justificação. Opinião sobre o nível de integração do DE no PEE Professores Resposta Justificação A Integrado Hábitos saudáveis pelo desporto B Integrado C Muito integrado D Muito integrado DE pertence ao PE e é mais valia para a escola E Muito integrado PE orienta e valoriza a PD e o EVS, espirito de integração F G H I Integrado vai ao encontro de algumas das metas Quadro 25 – A ESAS e os seus parceiros no DE e a sua relação com o Desporto Federado A ESAS, o DE e os seus parceiros Escola dinâmica na busca de parceiros? Quais os parceiros DE devia ligar-se mais ao DF Professor A Sem opinião Sim Professor B Sem opinião Sem opinião Professor C Não CMM Sim Professor D Sem opinião Sem opinião Professor E Sim CMM, ex. alunos e restantes escolas Não Professor F Sem opinião Não Professor G Não Sem opinião Professor H Não Não Professor I Quadro 26 – contribuições e alcances do DE. Em que medida o DE contribui para Itens/nº de respostas Muito insatisfeito Insatisfeito Nem insatisfeito nem satisfeito Satisfeito Muito satisfeito Sem opinião Promoção da saúde 1 3 5 Desenvolvimento da cidadania 1 5 2 Criação de hábitos desportivos e EVS 3 6 Formação de praticantes desportivos 1 5 1 Redução do abandono escolar 4 2 2 Diminuição do 5 2 1 x absentismo Resolução de conflitos 3 2 3 Melhoria próxima e articulada com o DF 2 2 1 3 Melhoria do clima na escola 5 3 Outro Quadro 27 – satisfação geral dos Professores relativamente ao DE. Satisfação geral sobre o DE Professores Respostas Porquê? A Satisfeito prática desportiva e luta contra obesidade B Satisfeito prática e competições vs informações tardias e pouco € C Satisfeito prática desportiva e promoção do desporto D Satisfeito E Muito satisfeito gosto e formação de jovens praticantes e aproveitamento das condições F Muito satisfeito valorizar a PD vs falta de interesse dos alunos G Insatisfeito competição ao fim de semana e poucos alunos inscritos (insatisf.) H Satisfeito I Quadro 28 – continuidade dos professores no DE. Pretende continuar no DE? Professor Resposta Porquê? A Sim B Talvez Cansaço C Sim D E Sim F Sim G H I Quadro 29 – aferição sobre a recomendação do DE ao filho de um amigo Recomendaria o DE ao filho de um amigo? Professor Resposta A Sim B Sim C Sim D E Sim F Sim G Talvez H Sim I . xi Quadro 30 – Sugestões para melhorar DE na ESAS A Quadro 31 – problemas do DE a nível nacional. Problemas do DE a nível nacional Professor Resposta A B C D excluir os federados E F redução da carga horária G é muito competitivo, deviam excluir os federados H pouca motivação, competição ao FDS, alunos federados, pouca visibilidade das escolas I falta de €, abertura aos federados Sugestões para melhorar DE na ESAS Professor Resposta A B C D definir a modalidade rainha, investir no ténis, badminton e natação E F aumentar a oferta de modalidades G adquirir mais material H aumentar o nº de praticantes I maior divulgação, recolha de imagens para aumentar a motivação xii INSTRUÇÕES: As perguntas são de resposta rápida que poderão ser de três tipos: a marcação de um X na opção correta; a escolha de um valor numa escala de 1 a 5 pontos; resposta escrita dentro do espaço disponível e de acordo com a sua opinião. Tenha em atenção que em algumas perguntas, na margem direita da folha, existe a opção: SEM OPINIÃO ou/e NÃO SEI. No caso de se enganar pode riscar e voltar a escolher outra opção. Caso tenha outra resposta que não esteja contemplada tem sempre a possibilidade de a incluir no final. Depois de responder às perguntas verifique se o questionário está todo preenchido. Muito obrigado pela sua colaboração. 1 – Idade? ≤ 25 anos 26 a 30 anos 31 a 35 anos 36 a 40 anos 41 a 45 anos 46 a 50 anos > 50 anos 2 – Sexo? Masculino Feminino 3 - . Ciclo de Ensino na ESAS (em caso de lecionar em mais do que um assinale duas ou mais X): 1º ciclo 2º ciclo 3º ciclo Secundário 4 – Qual a sua situação profissional? Professor do quadro Professor do quadro da zona pedagógica Professor contratado 5 - Quantos anos de experiência tem no Desporto Escolar (se interrompeu deve contar o total de anos acumulado)? Menos de 1 ano 1 a 3 anos 4 a 6 anos 7 a 9 anos 10 a 12 anos 13 a 15 anos Mais de 15 anos Anexo 2 - Questionário Desporto Escolar na ESAS O Professor Estagiário Nuno Amendoeira está a realizar um estudo que pretende recolher e tratar informação sobre o DESPORTO ESCOLAR na ESCOLA SECUNDÁRIA ABEL SALAZAR. O contributo dos professores envolvidos no Desporto Escolar pode ser importante para aumentar o conhecimento sobre este setor e contribuir para a melhoria das atividades e do serviço. É neste sentido que pedimos a sua colaboração para preencher este questionário que é anónimo e confidencial. A duração de preenchimento prevista é de 25 minutos. xiii 6 - . Qual é o cargo(s) que desempenha no Desporto Escolar no presente ano letivo? (no caso de ter mais do que um cargo assinalar um X também no segundo cargo) Coordenador do Desporto Escolar Orientador do Grupo / Equipa Coordenador da atividade interna Outro:__________________________ 7 - Qual é a carga horária letiva (semanal) que dispõe para o exercício do(s) seu(s) cargo(s) no Desporto Escolar? Cargos Carga horária letiva Coordenador do Desporto Escolar Orientador do Grupo / Equipa Coordenador da atividade interna Outro:__________________________ 7.1 – Durante o ano letivo a carga horária sofreu alterações? Sim Não Porquê?__________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 8 - No caso de ser Professor Orientador de Grupo/Equipa: 8.1 - Quantas horas de treino por semana realiza? ________________________________________ 8.2 - Em que dias e em que horário realiza os treinos? Dias Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Horário dos treinos (ex.: das 14h30 às 15:30) xiv 8.3 - É professor de que modalidade(s) e escalão etário e sexo no Grupo/Equipa do Desporto Escolar? Modalidade Escalão Etário Sexo 8.4 - Em que mês começou os treinos no Grupo/Equipa do Desporto Escolar? Set. Out. Nov. Dez. Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. 8.5 - Em que mêses competiram / participaram em encontros interescolas (no caso de ter duas modalidades considere apenas aquela que começou mais cedo)? Set. Out. Nov. Dez. Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. 8.6 – Por favor indique as razões/critérios que estiveram na base de escolha da (s) modalidade (s) em que está envolvido: _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 8.7 - Gostaria de orientar outra (s) modalidade ou atividade (s) no Desporto Escolar? Sim Não Talvez Se sim, qual a (s) modalidade (s) / atividade (s) que gostaria de orientar? 9 - Também está ou esteve envolvido, neste ano letivo, num clube fora da Escola como treinador, técnico, árbitro ou dirigente, ou outro? Sim Não Se sim, qual a modalidade/atividade desportiva? Em que cargo? xv 10 - Na sua perspetiva, Indique as razões ou motivos que justificam a prática de Desporto Escolar dos alunos colocando uma cruz ou um círculo nas opções mais adequadas, de acordo com a escala: Disc ordo em absoluto Di scordo Nem concordo nem discordo Conc ordo Concordo em absoluto 1 Ser popular 1 2 3 4 5 2 Fazer parte de uma equipa 1 2 3 4 5 3 Ser fisicamente saudável 1 2 3 4 5 4 Melhorar as capacidades 1 2 3 4 5 5 Ser uma estrela ou campeão desportivo 1 2 3 4 5 6 Estar com os amigos 1 2 3 4 5 7 Divertimento 1 2 3 4 5 8 Gosto pela competição 1 2 3 4 5 9 Os pais querem que os filhos pratiquem 1 2 3 4 5 1 0 Por falta de oportu2nidade do desporto federado 1 2 3 4 5 1 1 Outra: _______________ 1 2 4 4 5 11 - Indique o seu grau de satisfação relativamente à facilidade de participação do seu Grupo/Equipa colocando uma cruz nas opções mais adequadas, de acordo com a escala: Muit o insatisfeito ins atisfeito Nem insatisfeito nem satisfeito satis feito Muito satisfeito 1 Horário dos treinos 1 2 3 4 5 2 Local dos treinos 1 2 3 4 5 3 Número de treinos por semana 1 2 3 4 5 4 Número de competições por sábado / concentração 1 2 3 4 5 5 Número de competições / jogos por ano 1 2 3 4 5 6 Duração dos treinos 1 2 3 4 5 7 Competições ao sábado de manha 1 2 3 4 5 8 Horário dos 1 2 3 4 5 xvi transportes para as competições (a)) 9 Outra: __________________ 1 2 3 4 5 a) Responder apenas os professores dos grupos/equipas que utilizam transporte para a competição. 12 - Pergunta apenas para o professor Orientador de Grupo/Equipa: Indique o seu grau de satisfação relativamente ao local de prática (treinos) do Grupo/Equipa colocando uma cruz nas opções mais adequadas, de acordo com a escala: Muit o insatisfeito ins atisfeito Nem insatisfeito nem satisfeito satis feito Muito satisfeito 1 Qualidade do piso 1 2 3 4 5 2 Higiene 1 2 3 4 5 3 Segurança 1 2 3 4 5 4 Conforto 1 2 3 4 5 5 Estado de conservação 1 2 3 4 5 6 Apoio dos funcionários 1 2 3 4 5 7 Outro:_____________ _____ 1 2 3 4 5 13 - Pergunta apenas para o professor Coordenador de Atividade Interna: Indique o seu grau de satisfação relativamente à facilidade de organização das atividades internas: Muit o insatisfeito ins atisfeito Nem insatisfeito nem satisfeito satis feito Muito satisfeito 1 Horário das instalações 1 2 3 4 5 2 Horário curricular dos alunos 1 2 3 4 5 3 Colaboração dos profs. de EF 1 2 3 4 5 4 Colaboração dos alunos 1 2 3 4 5 5 Apoio do coordenador do DE 1 2 3 4 5 6 Apoio da escola 1 2 3 4 5 7 Efeito das atividades na continudiade da prática dos alunos 1 2 3 4 5 8 Apoio dos funcionários 1 2 3 4 5 9 Outra: __________________ 1 2 3 4 5 xvii 14 - Indique o seu grau de satisfação relativamente aos balneários da sua escola colocando uma cruz nas opções mais adequadas, de acordo com a escala: Muit o insatisfeito ins atisfeito Nem insatisfeito nem satisfeito sati sfeito Muit o satisfeito S em opinião 1 Higiene 1 2 3 4 5 6 2 Segurança 1 2 3 4 5 6 3 Conforto 1 2 3 4 5 6 4 Estado de conservação 1 2 3 4 5 6 5 Apoio dos funcionários 1 2 3 4 5 6 15 - Indique o seu grau de satisfação relativamente aos materiais desportivos utilizados no Desporto Escolar da sua escola colocando uma cruz nas opções mais adequadas, de acordo com a escala: Muito insatisfeito insa tisfeito Nem insatisfeito nem satisfeito satisf eito Muito satisfeito 1 Quantidade 1 2 3 4 5 2 Estado de conservação 1 2 3 4 5 16 - Indique o seu nível de satisfação relativamente aos intervenientes (pessoas que participam) no Desporto Escolar colocando uma cruz nas opções mais adequadas, de acordo com a escala: Atenção: nos itens 2. e 3. só responde se não for o interveniente em questão. Muit o insatisfeito ins atisfeito Nem insatisfeito nem satisfeito sati sfeito Muit o satisfeito S em opinião 1 Presidente da direção do conselho executivo 1 2 3 4 5 6 2 Coordenador do DE 1 2 3 4 5 6 3 Professor do DE 1 2 3 4 5 6 4 Professores de EF 1 2 3 4 5 6 5 Funcionários da Escola 1 2 3 4 5 6 6 Professores do gabinete do DE 1 2 3 4 5 6 7 Encarregados de Educação 1 2 3 4 5 6 8 Árbitros 1 2 3 4 5 6 9 Outro:_____________ ____ 1 2 3 4 5 6 17 - Pergunta apenas para o professor Orientador de Grupo/Equipa. xviii Indique o seu grau de satisfação relativamente aos treinos colocando uma cruz nas opções mais adequadas de acordo com a escala: Muit o insatisfeito ins atisfeito Nem insatisfeito nem satisfeito satis feito Muito satisfeito 1 Organização dos treinos 1 2 3 4 5 2 Nº de treinos semanais 1 2 3 4 5 3 Nº elevado de alunos por treino 1 2 3 4 5 4 Nº reduzido de alunos por treino 1 2 3 4 5 5 Carga horário de treinos 1 2 3 4 5 6 Interesse dos alunos por treino 1 2 3 4 5 7 Apoio do coordenador do DE 1 2 3 4 5 8 Respeito pelas regras desportivas 1 2 3 4 5 9 Disponibilidade das instalações em horário adequado 1 2 3 4 5 1 0 Assiduidade dos alunos no treino 1 2 3 4 5 1 1 Outra: _______________ 1 2 4 4 5 18 - Pergunta apenas para o professor Coordenador do Desporto Escolar ou Orientador de Grupo/Equipa. No caso de desempenhar ambos os cargos deve responder enquanto Coordenador do Desporto Escolar. Indique o seu grau de satisfação relativamente ao funcionamento das competições externas (campeonatos escolares = infantis, Iniciados e juvenis; concentrações/encontros) do Desporto Escolar colocando uma cruz nas opções mais adequadas, de acordo com a escala: Muit o insatisfeito ins atisfeito Nem insatisfeito nem satisfeito satis feito Muito satisfeito 1 Qualidade da organização da competição 1 2 3 4 5 2 Número de jogos ou competições 1 2 3 4 5 3 Número de equipas em competição 1 2 3 4 5 4 Horário das competições 1 2 3 4 5