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O envolvimento do pai durante a gravidez: um estudo exploratório

Ana Cláudia Freitas Ferreira

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Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação O ENVOLVIMENTO DO PAI DURANTE A GRAVIDEZ: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO Ana Cláudia Freitas Ferreira Outubro, 2014 Dissertação apresentada no Mestrado Integrado de Psicologia, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, orientada pelo Professor Doutor José Albino Rodrigues Lima (FPCEUP). AVISOS LEGAIS O conteúdo desta dissertação reflete as perspetivas, o trabalho e as interpretações do autor no momento da sua entrega. Esta dissertação pode conter incorreções, tanto conceptuais como metodológicas, que podem ter sido identificadas em momento posterior ao da sua entrega. Por conseguinte, qualquer utilização dos seus conteúdos deve ser exercida com cautela. Ao entregar esta dissertação, o autor declara que a mesma é resultante do seu próprio trabalho, contém contributos originais e são reconhecidas todas as fontes utilizadas, encontrando-se tais fontes devidamente citadas no corpo do texto e identificadas na secção de referências. O autor declara, ainda, que não divulga na presente dissertação quaisquer conteúdos cuja reprodução esteja vedada por direitos de autor ou de propriedade industrial. I Resumo O envolvimento do pai enquanto objeto de estudo, nomeadamente nas ciências sociais, não regista uma história longa e com frequência a figura paterna era somente associada ao sustento económica da família e à figura de autoridade no seio familiar. Na realidade, algumas das diversas dimensões implicadas no envolvimento do pai parecem não ter merecido o devido destaque, durante um longo período de tempo. A transição para a parentalidade ilustra o referido, já que muitas vezes o homem não integrava os estudos sobre a experiência da gravidez e os primeiros anos de vida da criança. Embora se registe uma mudança de paradigma, favorável à integração do pai desde cedo na vida da criança, parece ainda ser necessário investir nas dimensões que materializam efectivamente o envolvimento do pai durante a gravidez. Este envolvimento influencia a vivência da parentalidade e, consequentemente, o processo desenvolvimental dos filhos. Neste sentido, o presente trabalho procura dar voz a vinte e oito futuros pais, proporcionando-lhes uma oportunidade para expressar as suas emoções, sentimentos, expectativas, receios e preocupações, num momento em que o nascimento do seu filho se aproxima. Recorrendo à entrevista semiestruturada, pretende-se que este seja um momento favorável à revisão dos diferentes momentos da gravidez, bem como das diversas experiências implicadas.Com efeito, adotando uma perspetiva compreensiva e de aceitação para com os futuros pais, este estudo exploratório oferece um momento de genuína reflexão e partilha, onde a valorização e validação revelam-se essenciais. Através da análise do discurso dos participantes emerge a necessidade de reflexão acerca do espaço e tempo dado ao futuro pai para se integrar neste processo, e de alternativas promotoras de uma integração construtiva, fomentando a própria experiência pessoal do homem neste processo. De facto, o futuro pai parece perspetivar-se como figura de apoio à mãe, considerada cuidadora primária, sendo a futura mãe a mediadora da relação estabelecida entre pai e bebé. Salienta-se ainda a necessidade de repensar e rever alguns procedimentos capazes de promover uma adaptação positiva por parte dos pais, atenuando ainda os efeitos decorrentes de alguns medos e preocupações, por exemplo os associados ao parto e à prestação de cuidados ao bebé. Palavras-chave: pai, envolvimento, gravidez, expectativas, emoções, preocupações, transição para a parentalidade II Abstract Father´s involvementas an objectof study, especiallyin the social sciences, does not recorda long history andoftenafather´s figurewasonlyassociated to theeconomicsupport of the familyand theauthority´s figureof the family. In fact, some of the various aspectsinvolved in theengagementof the father seem not to get enough attentionover a longperiod of time. The transitionto parenthoodillustrates theabove,since manytimesthe manwas not part ofthe studies about theexperience of pregnancyand the first yearsofa child's life. Although there isa paradigm shift, in favor of incorporatingthe father earlier in the child´s life, still seems to benecessary to investin the dimensionsthatactuallymaterializefather's involvementduring pregnancy. This involvementinfluences theexperience ofparentingand, consequently, the developmentalprocessof the children. In this sense, this study seeks togive voice totwenty-eightfuture parents, providing theman opportunityto expresstheir emotions, feelings, expectations, fears and concerns, whenthe birthof their child approaches. Using thesemi-structured interview, it is intended to bea favorablereview of thedifferent momentsof pregnancynow,andthe variousexperiencesinvolved. Indeed, adopting a comprehensiveperspectiveand acceptancetoward future parents, this exploratory studyoffersa moment ofgenuinereflection and sharing, wherethe valuationand validationemerges to be the key. Through the discourse analysisof the participantsemergesthe need of reflectionaboutspace andtime givento the futurefatherto integratethis process, andpromoteconstructivealternatives forintegration, fostering personal experienceof menin the process. In fact, the future father seems to be the support for the mother, a primary caregiver, the mother will be the mediatorof the relationshipbetween father andbaby. Focus also went tothe need of rethinkand revisesome proceduresthat promotepositiveadaptationby parents, yetmitigatingthe effectsof somefearsand concerns, for example those associated withchildbirthand babycare. Key words: father,involvement, pregnancy, expectations, emotions, concerns, transition to parenthood III Résumé L'engagement paternelcommeun objet d'étude, en particulier dans lessciences sociales, n'enregistre pasune longue histoireet souventune figure paternelleétait associée au soutienéconomique de la familleetla figure d'autoritédans la famille. En fait, quelques différents aspectsimpliqués dans la missionde lamèresemblent avoirgagnél'attention voulue pendant longtemps. La transitionà la parentalitéillustrece qui précède, puisque de nombreuses foisl'hommene faisait pas partiedesétudes sur l'expérience de la grossesse et despremières annéesde la vie d'un enfant. Bien qu'il y aitun changement de paradigme, en faveurde l'intégration dupéretôt dans la viede l'enfant, il faut encoreinvestir danslesdimensionsqui se matérialisenten fait l´engagementdu pèrependant la grossesse. Cette implicationinfluencel'expériencede la parentalitéet, par conséquent, le processusdu développement des enfants. En ce sens, cedocument vise donner une voix àvingt-huitfuturs parents, leur donner l'occasiond'exprimer leursémotions, leurs sentiments, leurs attentes, leurs craintes et préoccupations, à un moment oùlanaissance de leur enfantapproche. Avec l´ utilisation de l'entrevue semi-structurée, il est prévu que ce soit un examenfavorabledesdifférents moments dela grossessemaintenant, etles différentesexpériences qui en découlent. En effet, en adoptant une perspective globale etacceptation enversles futurs parents, cette étude exploratoireoffre un moment deréflexion et de partageauthentique,oùl'évaluationet la validationémergecomme un élément clé. Grâce àl'analyse du discoursdes participantsémerge lanécessité d'une réflexionsur l'espaceet le temps consacré au futurepèred'intégrerce processus, etpromouvoirdes alternatives constructives pourl'intégration, la promotion del'expériencepersonnelle de l'hommedans le processus. En fait, l'avenirsemble montrer que la figure paternelle est le soutiendela mère, unprincipal dispensateur de soins, la mèreétant lemédiateurde la relationentre le pèreet l'enfant. Nous soulignons égalementla nécessité de repenseret de révisercertaines procéduresqui favorisentl'adaptation positive des parents, mais d'atténuer leseffets de certainescraintes et préoccupations, par exemple ceux liés àl'accouchementet aux soins du bébé. Mots-clés:père, engagement, grossesse, attentes, émotions, préoccupations, transition à la parentalité IV Agradecimentos A todos os pais que genuinamente aceitaram colaborar neste estudo. Ao Prof. Doutor Albino Lima, pelo entusiasmo, conhecimento, rigor, disponibilidade e apoio incondicional. Por ter acreditado sempre que era possível. Ao Hospital de Santa Luzia – Viana do Castelo, por abraçar este estudo e disponibilizar todos os recursos. A todos os profissionais da Maternidade, em especial às Enfermeiras da Consulta de Termo, pela dedicação, motivação e disponibilidade. À minha família. Ao meu pai, por todo o envolvimento e exemplo de persistência e ambição. À minha mãe, pela sensibilidade, companheirismo e disponibilidade incondicional. Ao meu irmão pela descontração e carinho. À minha avó, pela confiança, carinho, companheirismo e disponibilidade. Obrigada por acreditarem! À tia Luz pelo profissionalismo e fascínio pela parentalidade. Às minhas amigas por acreditarem sempre que eu conseguia! Pela paciência, disponibilidade, ternura e apoio incondicional. Tornaram sempre esta etapa mais fácil. A ti, por seres o meu porto de abrigo em todos os momentos. Em especial ao meu querido avô, pelo exemplo de luta, persistência e rigor. Serás eternamente a luz que guia o meu caminho. V ÍNDICE Introdução 1 CAPÍTULO I: ENQUADRAMENTO TEÓRICO 4 Parentalidade Enquanto Transição 5 Papéis Parentais 5 Envolvimento Paterno 7 Modelos Relativos Ao Envolvimento Do Pai 9 O Desejo De Ter Um Filho E A Gravidez Segundo Uma Perspetiva Masculina 11 As Experiências Individuais Do Futuro Pai E Da Futura Mãe Durante A Gravidez 12 O Envolvimento Do Pai Durante A Gravidez 14 Contributo Para O Estudo Do Envolvimento Do Pai Durante A Gravidez 15 CAPÍTULO II: MÉTODO 17 Participantes 18 Instrumento 18 Procedimento 19 CAPÍTULO III: RESULTADOS 20 Metodologia qualitativa e a análise de conteúdo 21 CATEGORIA 1 - Transição para a parentalidade 24 Subcategoria - O primeiro momento da transição: a notícia 24 Subcategoria - Significado atribuído ao papel de pai 25 Subcategoria – Mudanças 27 CATEGORIA 2 – O poder do imaginário durante o período de gravidez 28 Subcategoria – Vivências 28 Subcategoria – Expectativas 33 CATEGORIA 3 – O momento do parto 34 Subcategoria – Expectativas 34 Subcategoria – Presença 35 Subcategoria – Carácter familiar do parto 37 VI CATEGORIA 4 – Perceção do envolvimento durante a gravidez 38 Subcategoria – Apoio à companheira 38 Subcategoria – Preparativos 39 Subcategoria – Presença nas ecografias pré-natais e consultas médicas 40 Subcategoria – Envolvimento diferente da mãe 40 CATEGORIA 5 – Futuro 41 Subcategoria – Desenvolvimento 41 Pai Filho 41 Filho  Pai 43 Subcategoria – Preocupações 45 Subcategoria – Rotinas 48 Subcategoria – Actividades em conjunto 50 CAPÍTULO IV - DISCUSSÃO 53 CAPÍTULO VCONCLUSÃO 63 BIBLIOGRAFIA 68 ANEXOS 74 6 As mudanças associadas ao envolvimento da figura paterna demonstram o desprendimento da crença simplista que os pais, idealmente, desempenham um papel unidimensional e universal nas famílias (Lamb, 2010). Deste modo, aos pais são reconhecidos diversos papéis como o de companheiros, prestador de cuidados, cônjuges, protetores, modelos, chefes de família, professores, guias morais, etc., cuja importância relativa varia entre épocas históricas e classes socioeconómicas. Somente considerando o desempenho dos pais nesses vários papéis, e tendo em conta a sua importância e influência no contexto em causa, pode o impacto dos pais no desenvolvimento da criança ser avaliado. Em contraste com as anteriores conceções do papel dos pais, muitas vezes focadas exclusivamente no sustento da família, as discussões posteriores tiveram como foco o envolvimento desta figura nas diferentes áreas do sistema. O referido revela que investigadores, teóricos e profissionais já não se circunscrevem a crenças tradicionais e simplistas acerca da figura paterna. Assim, uma conceção unidimensional e universal do papel do pai (Lamb, 2010) é agora desafiada pelos diversos papéis desempenhados, sendo variado o seu destaque e importância quer ao longo do tempo, como em diferentes contextos socioculturais (Parke, 1996). A caracterização do envolvimento do pai, considerando a sua influência no desenvolvimento da criança, está na base de quatro áreas de investigação: os papéis que os pais desempenham na família; os tipos de envolvimento dos pais; os resultados do envolvimento na criança, e as diferentes formas de influência (Tamis-LeMonda & Cabrera, 1999). Os papéis assumidos por pais e mães revelam-se diferentes nas sociedades ocidentais. O papel de mãe é percecionado como cuidadora primária, enquanto que o papel do pai é perspetivado como provedor das necessidades materiais da família, prestando apoio indireto à díade mãe-bebé (De Martini, 1999; Levy-Shiff & Israelashvili, 1988, cit in Piccinini et al., 2004). Ao responsabilizarem-se pela prestação dos cuidados primários aos seus filhos, papel até então apenas associado à mãe, gradualmente é desconstruída a ideia tradicional acerca do papel do pai. Apesar de serem claras pequenas mudanças no referido papel do pai, este ainda continua a ter um menor papel do que a mãe na socialização da criança. De acordo com os resultados do estudo realizado por Balancho (2004) com famílias intactas, no qual participaram pais e os seus pais (avós), a prepotência/imposição de autoridade, a ausência da vida dos filhos, a função disciplinadora e a distância emocional foram mencionados pelos participantes como características dos “pais do passado” (avós). Quanto ao pai da atualidade, as características mencionadas prendem-se com o facto de ser compreensivo/comunicador e estar presente na vida dos filhos. 7 Fatores socioeconómicos como o maior envolvimento das mulheres na área profissional e o novo papel social do trabalho feminino, são aspetos que constituem uma oportunidade para a participação dos pais nos cuidados aos seus filhos. Assim, os pais mostram-se mais ativos no seu papel, exercendo influências diretas no desenvolvimento dos seus filhos (Parke, 1996), desprendendo-se assim da ênfase no seu papel essencialmente instrumental. Consequentemente, está a emergir o papel ideal do pai como cooperante (Pleck, 1997). Assim, os fatores e as necessidades sociais e económicas emergentes proporcionaram um aumento no tempo que os pais despendem para cuidar dos seus filhos, quando comparado com registos relativos há vinte anos atrás (Levine & Pittinsky, 1997, cit in Tamis-LeMonda & Cabrera, 1999). Considerando que as diferentes ideologias históricas, culturais e familiares evidenciam o jogo de papéis dos pais, o tempo que ocupam com as suas crianças, as atividades que partilham e talvez mesmo a qualidade das relações entre pais e filhos, mostra-se pertinente determinar aquilo que representa o papel do pai envolvido. Contudo, caso a caracterização do envolvimento do pai considerar variáveis como a sua ausência ou presença, a frequência do contacto, ou o apoio prestado, é reforçada uma visão estreita desta figura, e consequentemente saliente o seu papel tradicional de sustento económico. Em contrapartida, a perspetiva social carateriza o envolvimento do pai quer pelo tipo e frequência das interações entre pai e filho, como pela ligação emocional entre os mesmos. Envolvimento Paterno De acordo com o envolvimento ideal por parte do pai, verifica-se uma crescente aproximação dos papéis parentais. Atualmente registam-se aumentos na participação média dos homens quer na prestação de cuidados infantis, como das tarefas domésticas (Dienhart, 2001), e ainda um maior envolvimento nas sessões de ecografia, nas sessões de preparação para o parto e nascimento (Camus, 2003, cit in Gomez, 2005). O número de “at home dads” ou “full time dads” e de homens que assumem a custódia inteira ou partilhada dos filhos regista um aumento em alguns países, tal como é apontado por Coley (2001). No entanto, segundo Torres (2004) e Parke (1996) este processo de mudança mostra-se lento, e mais modesto do que as convicções manifestadas pela sociedade poderiam indicar. Medidas políticas no sentido de apoiar a igualdade de oportunidades entre os géneros têm sido legalmente estabelecidas, bem como a obtenção da licença por paternidade, o direito a partilhar a licença de paternidade, ou o estabelecimento da igualdade de direitos e deveres entre 8 mães e pais em relação aos seus filhos. Assim, torna-se emergente a adoção de novas atitudes perante a paternidade bem como de um “espaço legal” para as legitimar (Mendes, 2004). Em Portugal, apesar de existir há alguns anos a oportunidade de partilhar a licença de paternidade entre os progenitores, esta opção ainda não é a primeira para muitos pais portugueses. De acordo com os dados da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, nos últimos anos tem-se verificado uma evolução no uso das licenças de parentalidade, sobretudo no que diz respeito à figura paterna. Assim, os dados sugerem uma evolução, já que os homens que receberam subsídios por licença parental facultativa de uso exclusivo do pai, aumentou de 32945 em 2005, para 45165 em 2013. O mesmo se verifica nos homens que partilham licença de paternidade de 120/150 dias, já que regista um aumento de 413 em 2005, para 20128 em 2013. Segunda a investigações acerca da participação da figura paterna no dia-a-dia dos seus filhos, levadas a cabo por psicólogos do desenvolvimento na década de 1970 e início de 1980, as mães e os pais envolvem-se em tipos distintos de interação com as crianças. Estes estudos têm mostrado consistentemente que os pais tendem a especializar-se na brincadeira e no jogo, enquanto as mães se dedicam especialmente a determinados cuidados como a nutrição e a tarefas de rotina familiar, quer na infância como na adolescência (Lamb & Lewis, 2010). Embora o referido anteriormente tenha sido comprovado, os resultados têm sido frequentemente questionados, e levaram a excessivos retratos estereotipados e unidimensionais dos pais como parceiros de jogo. A inserção social da criança é promovida através do jogo, já que ao pai está associada uma figura desafiadora, estimulando a resolução de problemas sem recorrer à ajuda de um adulto. Ao predispor-se menos que a mãe para realizar a tarefa no lugar da criança, favorece a exploração e recurso das competências da criança, a busca de resultados positivos e melhores desempenhos na presença do pai. Apesar de se verificar que os pais dedicam uma proporção de tempo significativo à brincadeira e ao jogo quando comparado com as mães, segundo Lamb (2010) o tempo que os pais passam com os seus filhos vai para lá do jogo, já que é notório o seu envolvimento noutro tipo de atividades. Segundo Mendes (2004) o uso dos tempos entre homens e mulheres regista a sua maior diferença nas atividades de prestação de cuidados, e vigilância às crianças. Para o autor, tais dados revelam que as questões associadas ao exercício de controlo são realizadas diariamente por um período maior de tempo pelas mulheres do que pelos homens, invertendo assim a atribuição de papéis sociais aos homens e às mulheres. A conceptualização mais ampla e abrangente das funções paternas reconhece a variação apreciável que existe dentro e entre os pais. Apesar da maioria dos pais assumir diversos papéis 9 nas famílias (incluindo chefe de família, playmate, caregiver), diferem em relação à importância relativa destes diversos papéis. Quanto a famílias portuguesas, Monteiro e colaboradores (2010) apontam para uma participação no sentido de uma partilha igualitária, no que respeita aos cuidados diretos. No entanto, nos cuidados indiretos, os resultados indicam uma divisão ainda tradicional, onde à mãe cabe a maioria destes cuidados, e ao pai essencialmente um papel de suporte (Parke, 1996). Contudo, à sociedade parece faltar consenso acerca do papel do pai envolvido, já que a imagem de “novo pai”, para além de incluir rutura com os papéis masculinos tradicionais, envolve estereótipos de género e uma hipervalorização da função materna. Porém, a sociedade progressivamente vai permitindo que as diferenças entre as figuras parentais se organizem segundo diferentes critérios, sustentando-os através das especificidades/ idiossincrasias de cada casal. Face ao referido, o foco para ser progressivamente retirado dos fatores biológicos e/ou sexuais dos pais, e direcionado para as normas e regras relacionais no seio do sistema familiar (Relvas, 1996). Modelos Relativos Ao Envolvimento Do Pai Embora seja claro que o envolvimento do pai influencia o desenvolvimento da criança desde muito cedo, é fundamental avaliar em que medida resultados específicos evidenciados pela criança são promovidos pelo envolvimento da figura paterna, em certas fases do desenvolvimento da criança (Tamis-LeMonda & Cabrera, 1999). De facto, alguns estudos apontam que o investimento emocional do pai, as interações que estabelece e os recursos que oferece à criança, aparecem associados ao seu bem-estar, ao desenvolvimento cognitivo e a competências sociais (Lamb, 2010; MacDonald & Parke, 1984). Uma proposta desenvolvida por Lamb, Pleck, Charnov e Levine (1987) inclui três categorias do envolvimento do pai, sendo por isso denominado por modelo tripartido: (1) Interação - em que é contemplado o contacto direto do pai e as interações com o filho, na forma de proteção, jogo e/ou lazer (Lamb & Tamis-Lemonda, 2004; Lewis & Lamb, 2007; Lima, 2005; Pleck, 2010); (2) Acessibilidade – diz respeito à presença e disponibilidade do pai para a criança (Lamb & Tamis-Lemonda, 2004; Lewis & Lamb, 2007; Pleck, 2010), estar disponível física e psicologicamente (Lima, 2005), sendo independentes da natureza e da frequência da interação entre os mesmos, (3) Responsabilidade – o pai compreende e satisfaz as necessidades físicas e psicológicas da criança, envolvendo quer a prestação dos cuidados e recursos económicos, como o planeamento e organização da vida da criança (Lamb & Tamis-Lemonda, 2004; Lewis &Lamb, 10 2007; Lima, 2005; Pleck, 2010). A interação prevê a acessibilidade, pois para que o pai interaja com a criança é fundamental que esteja disponível para a mesma (Lima, 2005). Para além do modelo acima mencionado, no âmbito do apoio prestado às crianças, alguns autores diferenciam apoio formal e informal na avaliação das responsabilidades económicas da figura paterna para com o seu filho (Greene & Moore, 1996, cit in Tamis-LeMonda & Cabrera, 1999). Os cuidados prestados são também caracterizados e diferenciados como sendo diretos e indirectos, já que são diversos os papéis desempenhados pelos pais. Os cuidados directos incluem aspetos como o cuidar, ensinar, brincar, maus-tratos, e negligência. Também os cuidados indirectos influenciam o desenvolvimento das crianças, através dos seus efeitos sobre as outras pessoas e circunstâncias sociais, como é exemplo, o apoio económico à família, contribuindo assim para a educação e saúde dos filhos. De acordo com (Fabricius, Braver, Diaz & Velez, 2010) o apoio económico (ou a falta dele) é uma das formas que os pais sem a guarda dos filhos conseguem influenciar o seu desenvolvimento. Também o papel do pai como fonte de apoio emocional e instrumental para outras pessoas, nomeadamente para com as mães que estão envolvidas na prestação de cuidados diretos à criança, constitui uma fonte de influência indireta. Pleck (1997) sugeriu que os estudos iniciais que enfatizavam as componentes quantitativas do envolvimento paterno se justificavam pelo crescente número de divórcios, bem como de filhos fora das relações conjugais, sendo esta uma caracterização do pai com base na sua ausência ou presença. Pelo contrário, quando é contemplada a qualidade do envolvimento, assumindo assim uma perspetiva mais global, é incluído o foco nos pais e não somente nos seus comportamentos e respetiva frequência. Para Lamb, Pleck, Charnov, & Levine (1985, cit in Lamb et al., 1987), três fatores devem ser tidos em conta quando se trata do envolvimento do pai. Assim, os autores defendem que quando os pais assumem papéis sexuais menos estereotipados, as crianças têm atitudes menos estereotipadas sobre o sexo masculino e papéis femininos. Em segundo lugar, e em particular na área da competência cognitiva, estas crianças podem beneficiar por terem dois pais altamente envolvidos em vez de apenas um. Tal benefício garante-lhe a diversidade de estímulos, provenientes da interação com pessoas que têm diferentes estilos de comportamento. O terceiro ponto é relativo à importância atribuída ao contexto familiar em que as crianças são educadas. O modelo proposto por Belsky (1984) considera que a paternidade é influenciada diretamente por idiossincrasias quer do pai (por exemplo a personalidade), como da criança. Neste modelo é também contemplado o contexto social mais amplo onde a relação pai-criança se insere, como as relações conjugais, redes sociais e experiências profissionais do pai. A história desenvolvimental do pai, as redes sociais, as relações conjugais e o emprego são encarados como 11 fatores que podem contribuir negativa ou positivamente para o envolvimento do pai. Por sua vez, aquilo que é considerado como influência para o envolvimento do pai é, consequentemente, influência para o desenvolvimento da criança. Uma leitura abrangente do comportamento paterno sustentada numa perspetiva ecológica, contempla características da criança e dos dois progenitores, caraterísticas do microssistema familiar, características do exosistema familiar e características do macrossistema. O Desejo De Ter Um Filho E A Gravidez Segundo Uma Perspetiva Masculina Sabe-se que, durante muito tempo, o papel do pai e a adaptação à paternidade permaneceu de alguma forma negligenciado, já que os estudos investiam predominantemente no papel da mulher e na adaptação à maternidade. Contudo, o maior envolvimento masculino na paternidade demonstra que os homens se estão a tornar mais conscientes da importante transição que ocorre nas suas vidas durante a gravidez, procurando a própria experiência pessoal neste processo. O facto da maioria dos pais participarem na decisão da gravidez, acompanharem a mulher a pelo menos uma consulta, frequentarem aulas de preparação para o parto, aprenderem aspetos sobre o trabalho de parto e o nascimento, é um reflexo do referido anteriormente (Gomez, 2005). Assim, tal como refere Brandão (2009), as últimas décadas têm-se revelado fulcrais na transformação e valorização atribuída ao papel do pai, quer no que respeita à vivência da gravidez, como na forma como encara a parentalidade. Historicamente falando, os pais tiveram um papel relativamente marginal neste contexto. Contudo, os serviços de saúde materna e infantil da maioria dos países da Europa Ocidental esforçam-se para envolver o pai neste processo (Plantin, Olukoya & Ny, 2011). Apesar de não se mostrar possível descrever com precisão o cenário, existem algumas noções, não somente relativas sobre o processo de gravidez/gestação e as várias fases do mesmo, como sobre o que significa para um homem ser pai, crescer, passar a ocupar um lugar diferente nas várias hierarquias triangulares de pais-mães-filhos, e relacionar-se com um ser - o filho (Cordeiro, 2013). Embora não seja de todo acessível definir as tarefas implicadas na transição para a paternidade, sobretudo no período da gravidez, Jordan (1990) sugere três processos desenvolvimentais: aceitar a realidade da gravidez e da criança; empenhar-se pelo reconhecimento como pai pela rede de suporte social, e solidificar e definir-se no papel de pai envolvido. 12 Sabendo que o processo de ser pai inicia quando surge o desejo de ter um filho, importa conhecer e explorar os vários fatores que sustentam este desejo: desejo de se sentir completo; desejo de imortalidade; desejo de se multiplicar; desejo de realização de ideias e oportunidades perdidas; desejo de igualar-se ao próprio pai ou superá-lo e/ou desejo de responder a determinadas dúvidas acerca da sua masculinidade e duplicá-la (adolescentes, em que engravidar é sinal de masculinidade) (Brazelton & Cramer, 1989, cit in Leal, 2005). Assim, aquilo que carateriza o desejo de ter filhos é revisto durante a gravidez e transformado progressivamente em relações paternas saudáveis, sendo que na maioria dos casos, o nascimento representa o último passo decisivo do desejo de ter um filho e a relação objetal com ele (Brazelton & Cramer, 1989, cit in Leal 2005). Uma vez que a paternidade é um processo de aquisição e de transição do papel já iniciado na gravidez, esta transição apenas termina quando o homem desenvolve conforto e confiança ao desempenhar o papel de pai (Gomez, 2005). Sabendo que a paternidade é um processo caracterizado pela aquisição e transição de um papel (pai), os nove meses de gravidez é o tempo privilegiado para o futuro pai rever o seu desejo de ter um filho. Apesar de atualmente os pais se identificarem como um casal grávido desde o início da gravidez, procurando o homem um papel ativo, notório por exemplo na participação nas consultas de vigilância da gravidez ou nas aulas de preparação para o parto, Nogueira e Ferreira (2012) apontam que, com frequência, estão presentes sentimentos de ambivalência essencialmente no primeiro trimestre de gravidez. Tendo em conta que a gravidez poderá começar a ser visível após as catorze semanas, esta é confirmada e “materializada” para os pais depois da audição dos batimentos cardio-fetais e da visualização de imagens ecográficas (Lowdermilk e Perry, 2008, cit in Ferreira, Laia & Néné, 2010). Embora o tempo de gestação contribua para a consciencialização da chegada do bebé, segundo Jordan (1990) só depois da visualização direta do bebé é que a realidade se mostra concreta para o pai. As Experiências Individuais Do Futuro Pai E Da Futura Mãe Durante A Gravidez Apesar da mulher passar por alterações físicas e emocionais típicas da gestação, o futuro pai passa por um processo de transformação, sobretudo ao nível dos sentimentos e emoções (Piccinini et al., 2009). De facto, quando comparados com as mães, os pais não expressam com tanta facilidade as suas experiências, emoções e sentimentos relativos à gravidez e respetiva transição (Genesoni 13 & Tallandini, 2009). Apesar das atenções serem tendencialmente focadas para a mulher grávida, o homem também deverá ser alvo desta atenção durante a transição para a parentalidade, já que a gravidez é um período pautado por transformações e expectativas quer relativas ao filho como ao seu papel enquanto pai (Piccinini et al., 2009). O impacto, as vivências e as repercussões da gravidez são diferentes na mulher e no homem. Apesar da contribuição de ambos ser idêntica, é a mulher que sentirá o filho a crescer dentro de si, que o dará à luz e o irá amamentar. Assim, embora o envolvimento seja de níveis distintos, a gravidez tem repercussões no relacionamento homem – mulher, daí surgir o termo “casal grávido” (Maldonado, 1997) Opostamente à grávida, que carrega uma visível protuberância, o pai muitas vezes é perspetivado como espectador, e por isso ignorado quer pelos amigos como por profissionais de saúde. Assim, o possível sentimento de exclusão não se relaciona apenas na situação de “homempai” dirigida ao corpo e estado grávidos da mulher, mas também na sociedade, que continua a focar-se muito mais na mulher. A gravidez na mulher afeta todas as esferas da sua experiência corporal e psíquica, ao contrário do que ocorre com o homem. (Raphael-Leff, 1997). Segundo Cowan e colegas (1985), no que respeita às diferenças relativas às vivências nas trajetórias entre homem e mulher na gravidez, a transição masculina processa-se de forma mais lenta ao longo do tempo, sendo progressivamente formada a conceção de figura cuidadora. O referido, revela diferenças quanto à transição feminina, uma vez que esta implica mudanças mais radicais, salientando-se a quase transferência do eixo de vida do mundo do trabalho paras as atividades domésticas e de prestação de cuidados. Uma vez que o vínculo entre pai e bebé é indireto e mediado pela mãe, exatamente por ser apenas ela que pode sentir o filho a crescer dentro de si e sentir as respetivas alterações físicas e emocionais características, Piccinini e colegas (2004) referem que o vínculo entre pai e filho é criado de forma mais lenta, quando comparado com a mãe. Com a gravidez a mulher canaliza grande parte da sua atenção e energia para o seu mundo interior, de modo que as sensações físicas e emocionais, emergentes do estado em que se encontra, dirigem o seu comportamento e pensamento. Assim, a sintonia até então estabelecida com o marido passa a ser com o feto, havendo o risco do desejo sexual diminuir (Maldonado, 1997). Segundo Jordan (1990), a rede de suporte social do futuro pai poderá ajudar ou dificultar a transição para a paternidade, dependendo do tipo de interações existentes e da perceção que o futuro pai mantém acerca do apoio recebido. Deste modo, revela-se essencial que os profissionais de saúde e a rede de suporte social perspetivem o casal enquanto “casal grávido”, possibilitando a partilha de experiências, 14 comportamentos e sentimentos de cada elemento do casal nesta nova etapa, enriquecendo o estado de gravidez que pertence não só à mulher, como ao homem que assume a paternidade. O Envolvimento Do Pai Durante A Gravidez Durante os anos de 1960 e 1970 os homens eram incentivados a participar nos grupos de pais, tendo em vista a sua presença no momento do parto e um envolvimento mais ativo na prestação de cuidados ao bebé. Os grupos de futuros pais tinham como principal objetivo promover um maior apoio da figura paterna para com a sua companheira grávida, durante a gravidez e após o nascimento do bebé. Deste modo, os futuros pais eram aconselhados pelos serviços médicos, que ensinavam as melhores estratégias de apoio à companheira grávida (Plantin, Olukoya & Ny, 2011). Porém, tem-se registado uma mudança de perspetiva, em que a importância do envolvimento do pai deixa de ser apenas para o benefício da mãe e da criança, mas também para o benefício do próprio pai, sendo este período privilegiado para o desenvolvimento da sua identidade enquanto figura parental (Plantin, Olukoya & Ny, 2011) Embora o envolvimento do pai durante a gravidez dependa das idiossincrasias de cada indivíduo, Lamb (1992) sugere quatro fatores capazes de promover o envolvimento paterno: motivação; competência e auto - confiança; suporte (especialmente da companheira) e práticas institucionais. Sabendo que a gravidez permite a preparação para ser mãe, favorecendo o ensaio cognitivo de papéis e tarefas maternas e a ligação afetiva ao filho (Leal, 1990), o que permitirá este período ao futuro pai? Estarão as diferenças entre a futura mãe e o futuro pai a favorecer um envolvimento distinto do homem ao longo da gravidez? Parece ser evidente que, para além das variáveis e determinantes que o envolvimento do pai contempla, a sua participação começa desde muito cedo na vida da criança, incluindo o período de gravidez. Tendo em conta que o envolvimento paterno é diferente durante a gravidez e varia conforme o desenvolvimento do bebé e as características de cada pai, May (1982) identifica três fases de mudanças sequenciais no envolvimento emocional dos pais. A primeira fase diz respeito ao período desde a suspeita da gravidez até à confirmação, sendo naturais reações como o desconforto, stress e ambivalência. Na segunda fase a gravidez ainda não é sentida como sendo real, visto que os sinais físicos ainda não são evidentes. Segundo a autora, o que melhor caracteriza esta fase intermédia é a distância emocional. Na terceira e última fase, que corresponde sensivelmente ao terceiro trimestre, a gravidez já é vivenciada como real e o homem 15 já se define como pai, devido à proximidade do nascimento e à maior participação nos preparativos para receber o bebé. Com base na distinção entre envolvimento emocional e envolvimento comportamental, May (1980) caracterizou três estilos de pais – expectantes: observador, instrumental e expressivo. O pai caracterizado como observador tem uma visão da gravidez enquanto uma ocorrência normal e da responsabilidade da mulher, negando qualquer experiência emocional e impacto da gravidez em si, prestando auxílio apenas quando lhe é pedido. Relativamente ao pai do estilo instrumental, este apresenta-se pouco confortável na partilha de aspetos emocionais relacionados com a gravidez, apesar de prestar suporte em questões práticas. Por último, o pai expressivo envolve-se a nível emocional e comportamental, encontrando-se consciente da relevância da transição que está a experienciar e o impacto desta na sua vida, desejando assim partilhar a experiência e prestar o maior apoio e suporte emocional. Leal (2005) aponta o planeamento da gravidez como um fator que pode influenciar positivamente quer a sua aceitação, como o envolvimento do pai. O planeamento é igualmente considerado importante quer para o desenvolvimento de uma gravidez saudável, como para o desenvolvimento das tarefas destinadas à paternidade, influenciando, deste modo, o envolvimento do pai no decorrer da gravidez e na preparação para o nascimento (May e Perrin, 1985) Contributo Para O Estudo Do Envolvimento Do Pai Durante A Gravidez Embora seja claro que o envolvimento do pai é cada vez mais um objeto de estudo, o período da gravidez merece ainda uma atenção especial. De facto, a gravidez e a transição para a parentalidade são ainda com frequência associadas à mulher, negligenciando o papel do pai. Contudo, a revisão da literatura sugere que a gravidez segundo uma perspetiva masculina, começa a constituir um foco de atenção por parte de investigadores, agentes sociopolíticos, profissionais de saúde e comunicação social. A parentalidade tem merecido este maior destaque, uma vez que engloba um projeto de vida a longo prazo, e está sujeito a sucessivas mudanças que envolvem uma necessidade de prestação de cuidados e de manifestações de afeto, necessárias para que a criança desenvolva da melhor forma as suas diferentes capacidades, dentro e fora da família. Simultaneamente a parentalidade é perspectivada como um processo desafiante e de reorganização, promotor do próprio desenvolvimento dos pais. 22 Quadro 1 Sistema de categorias e subcategorias Categoria Definição Subcategorias Questões Orientadoras 1– Transição para a parentalidade Esta categoria revela o significado que o homem atribuí à transição que se aproxima, bem como todos os sentimentos, vivências, emoções, interpretações e mudanças ocorridas ao longo do processo de gravidez. O primeiro momento da transição: a notícia - Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? Significado atribuído ao papel de pai -O que representa para si ser pai? Mudanças -O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? 2– O poder do imaginário durante o período de gravidez Nesta categoria encontram-se as experiências, vivências e expectativas do homem face à gravidez e ao seu bebé. Para além do referido, esta categoria contempla as formas como o futuro pai tem contactado com o filho durante a gravidez, bem como as expectativas que mantém relativamente ao primeiro contacto (diretamente) com o filho. Vivências -Como descreve o momento em que o viu na ecografia? -Como tem contactado com o seu filho ao longo destes meses? -Quais as suas emoções e sentimentos quando fala/pensa no bebé? Expectativas -O que acha que vai sentir quando vir o seu filho diretamente pela primeira vez? 3 – O momento do parto Sabendo que o parto é um momento de emoções extremas e imbuído de expectativas face ao que realmente irá acontecer, esta categoria contempla a representação que o futuro pai desenvolveu em torno deste momento. Tendo em conta o carácter Expectativas -Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Presença -Pensa estar presente? Se sim, o que o motiva? Se não, porquê? Carácter familiar do parto -Em que medida a sua presença/ausência no momento do parto foi abordado entre o casal? 23 familiar do parto, é imprescindível compreender a forma como a casal abordou a presença/ausência do homem no momento do parto. 4 – Perceção do envolvimento durante a gravidez Esta categoria contempla as diversas formas de envolvimento do homem durante a gravidez, desde o apoio emocional à mulher, ao apoio instrumental. Para além de incluir a perceção do envolvimento do homem ao longo dos nove meses, faz referência à experiência pessoal do homem durante o período de gravidez. Apoio prestado à companheira - Em que medida se sentiu envolvido ao longo deste processo de gravidez? Presença nas ecografias e consultas médicas Preparativos (aulas, roupa, quarto, material, etc.) Envolvimento diferente da mãe 5 – Futuro Esta categoria inclui diversas dimensões relativas ao futuro, desde o desempenho do papel de pai e a sua influência no desenvolvimento do filho, às rotinas estabelecidas face à chegada de um novo membro. Aborda também todos os possíveis momentos partilhados entre pais e filhos, desde atividades lúdicas à satisfação de necessidades básicas. Face ao desempenho do papel de pai esta categoria contempla eventuais preocupações e receios, bem como a influência do filho no próprio desenvolvimento do pai. Desenvolvimento - Em que medida considera que irá influenciar o desenvolvimento do seu filho? E ele o seu? Preocupações -Tem alguma preocupação/receio relativamente ao seu desempenho enquanto pai que gostasse de partilhar comigo? Rotinas -Como imagina o dia-a-dia com o seu filho? Atividades em conjunto -O que acha que vão fazer em conjunto? 24 CATEGORIA 1 - Transição para a parentalidade Subcategoria - O primeiro momento da transição: a notícia. Sabendo que desta transição emergem diversas mudanças nas diversas dimensões de vida dos futuros pais, mostrou-se fundamental conhecer a forma como estas figuras encaram a notícia desta transição. Claro está que as idiossincrasias de cada pai influenciou a forma como vivenciou esta transição, bem como a relação de casal, que apesar de não ser alvo de estudo nesta investigação, foi por vezes mencionada pelos participantes. De facto alguns pais ao longo da entrevista encaram a parentalidade como uma transição nas suas vidas: “Começar uma nova etapa e sempre serenos e felizes.” – 13(2); “É uma fase da vida muito boa!” – 20(1); “Mais maduro, mais responsável até, tem tudo a ver com esta nova fase. Uma melhor fase.” – 13 (2). No que diz respeito ao momento em que os futuros pais tomaram conhecimento da transição que se aproximava, o sentimento mais referido pelos participantes foi a felicidade: “Foi bastante emocionante, felicidade! Ainda hoje guardamos esse teste!” – 24 (1); “O melhor momento das nossas vidas.”- 19 (3); “Quando ela me disse que estava grávida foi uma alegria.” – 20 (3); “Foi um dos melhores momentos da minha vida. Queria ser pai! Claro que foi um momento espetacular.” – 22 (3); “Por mais que uma pessoa pense ter um filho, por mais que uma pessoa queira ter um filho uma pessoa só no momento exato é que pensa duas vezes é, “Fantástico!”.” – 12(3); Os dados sugerem que a felicidade experienciada neste momento está relacionada com o facto de a gravidez ser planeada (“Acho que é das melhores notícias que uma pessoa pode receber, pelo menos desde que esteja planeado.” – 18 (3); “Foi um momento esperado! Foi bom!” – 11 (2)”; “Nós já tínhamos planeado e por isso deixamos de usar proteção. Foi natural, tranquilo.” – 13 (2); “Alegria é algo que estava em perspetiva” – 14 (2); “Muito contente. Era uma coisa planeada, fizemos para que isso acontecesse.” – 18 (2). Apesar do número de participantes que partilharam que a gravidez não foi planeada ser reduzido – 3, importa aqui explicitar o seu discurso de forma a compreender as diferenças e semelhanças das emoções e vivências no momento em que tomaram conhecimento que estavam à espera de um filho, quando comparados com os pais em que a gravidez foi planeada: - “Não foi planeado. O período não veio, fizemos o teste e vimos que estava grávida. No início ficamos um bocado… tristes… queríamos ter filhos mas não… nós casamos faz agora um ano. Queríamos estar casados dois anos e… Mas depois, dali a algum tempo, quinze dias, já começamos a ter outra ideia. No início pronto… em termos económicos… era mais por aí… casamos há pouco tempo e o nosso medo… não era para ter liberdade… o que nos preocupava mesmo era em termos económicos… uma pessoa casou há pouco tempo… medo de não 25 podermos dar as coisas à filha. Só que depois começamos a ver que sim, que desse problema estava resolvido… alguma coisa também temos os pais que nos ajudam. E depois ela não tinha culpa que não fosse planeada… e tínhamos que lhe dar todo o maior que fosse possível.” – 21(2); - “Foi bom, fiquei surpreendido mas foi bom. Verificamos se estava tudo bem e depois começar a planificar as coisas de casa, mais uma cama…” – 16 (3); - “Não lhe sei dizer ao certo com a palavra certa. (Quais foram os sentimentos e emoções associados a este momento?) Nervos ao princípio e preocupação com o futuro. (Não foi planeado, acha que pode estar associado a isso?) Exatamente!” – 23 (1). Ainda relativamente ao momento em que tomaram conhecimento de que estavam à espera de um filho, alguns pais demonstraram dificuldades em expressar e verbalizar aquilo que melhor define a forma como vivenciaram este momento: “Sei lá… Não sei descrever… acho que é uma coisa que … uma coisa diferente. Como descrever isso é um bocadinho complicado. É uma coisa que não dá assim para explicar… Nunca pensei pensar nisso e sentir o que sinto…” - 16(2); “Foi um bocado estranho. Foi uma notícia assim… não quer dizer que não gostasse, mas é assim um sentimento… Positivo, uma pessoa fica surpreendida no momento. É um conjunto de sentimentos que não se consegue explicar. E até ao momento uma pessoa ainda não acredita bem, só quando a tiver nos braços e quando a vir nascer.” -14 (3) Subcategoria - Significado atribuído ao papel de pai. Para alguns pais desempenhar o novo papel que a transição para a parentalidade implica é o concretizar de um sonho: “No fundo é o realizar de um sonho.” – 22(1); “Acho que é o maior orgulho que uma pessoa pode ter. É um sonho ser tornado realidade.” – 12 (3); “Ser pai é o realizar de um sonho.” – 18 (1); “Sente-se que deu tudo certo, que foi o realizar de um sonho.” – 22 (1); “Era um dos objetivos e desejos que eu tinha na vida e parece que está prestes a cumprir-se.” – 13(3) Os dados revelam que independentemente da gravidez ser ou não planeada a parentalidade constituí para a maioria dos participantes um desafio responsável: “Uma tarefa, um desafio na minha vida e que vou ter que conseguir!” – 21 (1); “Vai ser uma grande responsabilidade para o resto da minha vida.” – 19(1); “Se calhar sinto-me mais homem, mais maduro.” - 24 (1); “É ser responsável… é chegada a altura de dares este passo” – 13 (2); “… é aquele momento que já tens alguém a teu cargo e vais ter que ensiná-lo a crescer para a vida.” – 19(2); “…o próprio desafio de me tentar tornar uma pessoa melhor através dela e ver em que é que eu a posso ajudar a crescer e em que é que ela me pode ajudar a fazer crescer o casal e a mim individualmente. O fascínio de ser pai, toda a alegria que dá e depois o desafio que temos 26 pela frente com momentos bons e maus, mas aprendendo com ambos e tentando ajudar o melhor possível este novo ser.” – 17 (3). O discurso de alguns pais evidenciou que, para além do sentido de responsabilidade, a parentalidade é um compromisso com o qual se orgulham: “É um compromisso, que não é como casar. Nós hoje em dia podemos casar e depois podemo-nos divorciar, um filho não, é sempre um compromisso para o resto da nossa vida.” – 19 (1); “Um orgulho muito grande!” – 16 (2); “Representa um orgulho… e representa o mundo para mim… o infinito! Uma coisa que eu vou ter muito grande que para mim não vai acabar!” – 18 (2); “Imaginemos para um pintor, a melhor obra que o pintor fez!” – 19 (3). Para dois participantes a parentalidade representa uma componente do ciclo de vida: “Ser pai é ter mais uma componente na vida, é como um lego… Nós vamos construindo e vamos colocando uma peça, duas peças, três peças. Chegamos ao fim com a nossa experiencia toda, inclusivamente esta e ficamos com outra capacidade de perceção.” – 15(3); “…acho que é uma componente da vida e do mundo natural extremamente fascinante.” – 17(3) Ainda relativo a esta subcategoria, um participante associa o apoio emocional prestado ao filho com o significado de ser pai: “Ser pai é ser o pilar da família e da minha filha! Ela tem que saber que vai ter ali alguém ao lado dela que gosta dela, com quem ela pode partilhar tudo.” – 21 (1). Apenas um participante definiu a parentalidade com base na união do casal: “Dar sucessão à nossa união do casal, é o fruto que provém da nossa união, só por aí já representa muita coisa. São duas vidas que olhando para trás deram fruto.” – 22(1) Tal como aconteceu na subcategoria anterior, alguns pais demonstraram dificuldades em expressar e verbalizar aquilo que significa ser pai: “Quando eu o tiver nos braços e quando eu começar a olhar… é que vou saber ao certo… porque eu agora… claro uma pessoa tenta falar e tenta dizer o que é que acha e como poderá vir a ser, mas só quando tiver o X é que uma pessoa … acho que não sou só eu, acho que qualquer pessoa é assim… é que sabemos o que vai acontecer a partir daí, o que é que vai mexer connosco e tudo…” – 14 (2); “Sem palavras… é um sentimento que não se consegue descrever. Sabem que é ali a nossa semente, são os nossos filhos. Não dá para explicar.” – 16 (3); “Não quer dizer que seja só nesse momento. Já tenho a noção disso. Só que ai é que é o verdadeiro momento, tê-la nos braços e essas coisas assim. Agora vai começar tudo zero. Para já a rotina ainda está tudo normal, quando ela nascer aí é que praticamente começa tudo de novo. Aí é que uma pessoa vai cair mesmo na realidade. Para já ainda é um bocado a sonhar. É um bocado complicado… sei lá… como nunca fui pai. Para já ser pai para mim é vir às consultas e exames, comprar o que faz falta, para já tem sido isso. Agora essa pergunta que me fez só depois.” – 14 (3); “Sei lá… só depois é que se vai ver…” – 15 (1) 27 Subcategoria – Mudanças. A maior parte dos participantes encaram a transição para a parentalidade com mudanças em diversas dimensões das suas vidas. Uma das dimensões mais referidas como alvo de mudança foi o sentido de responsabilidade, estabelecendo novas prioridades: “Depois quando sabemos que vamos ter um filho, temos que mudar a nossa vida perante o nosso filho. Como fazer compras para mim ou para a minha mulher vou deixar de fazer, vou pensar sempre em primeiro lugar no meu filho. Se ia jantar duas/três vezes por semana, já não vou puder ir. E é assim este tipo de mudanças.” – 19(1); “Tive que me tornar um homem, mais responsável nas minhas coisas. Responsabilidade e as minhas atitudes em casa. Uma pessoa com 24 anos quer sair à noite com os amigos, com a gravidez já não é a mesma coisa.” – 21(1); “Se calhar maior responsabilidade, porque é uma vida que depende muito de nós para o seu desenvolvimento. O casamento a dois é uma coisa, agora a três ou quatro aumenta a responsabilidade.” – 22(1); “…a responsabilidade vai ser mais, não diria maior mas diferente, há mais uma pessoa que vem e que serei responsável por ela. E também ter mais cuidado, eu acho que quando não temos cargos familiares talvez nos dê esse plafon de maior risco.” – 13(2); “O dinheiro que gastava por exemplo… Agora já penso de maneira diferente… Estou a preparar um carro para correr e já não é igual, como estava a pensar há um ano atrás. Tinha seis carros agora só tenho quatro. É diferente… já penso mais na criança, o dinheiro faz falta …” – 16(2); “… talvez ter que ter mais responsabilidade, faço a minha vida de uma outra forma, se calhar com mais cuidado. Mas se calhar com mais cautela desde que soubemos, para não ter tantos gastos.” – 24(1). Apesar de não ser uma dimensão muito referida, alguns pais consideram que o período de gravidez foi marcante, uma vez que promoveu a aproximação à família, sobretudo à companheira: “A forma de pensar mudou bastante, fez-me ficar mais perto da minha mulher e da minha filha, e a pensar mais nelas do que propriamente em mim como fazia antes.” – 23 (1); “…mais calmo, em termos de parar mais em casa. Não é só por estar de bebé, mas também pela mulher.” – 18 (2); “Acho que não estou tão “gandin”. Agora já nem saio nem nada, já se presta mais atenção à mulher, mais cuidado ao ver se ela está bem ou não está, se a criança está bem ou não está e começar a preparar as coisas” – 18 (3). Face à transição que estão a vivenciar neste momento, dois pais mencionaram que durante a gravidez experienciaram mudanças ao nível dos sentimentos: “Agora os sentimentos são diferentes, principalmente preocupação e ansiedade.” – 19 (3); “Os sentimentos também mudaram um pouco. Mais sensível!” – 24 (1). Apenas dois sujeitos apontaram a alegria como a única mudança sentida ao longo do processo de gravidez: “Sei lá, acho que nada. Está tudo igual, é só aquela coisa de estar mais 28 contente porque sei que vou ter um filho e sempre quis ter.” – 20 (3); “Acho que nada, sendo mesmo realista. Para além daquela alegria adicional de saber que vou ser pai. E acho que não vai mudar nada para além da alegria de falar dela e acabar por despender mais tempo com esta nova realidade.” – 17 (3). Aproximadamente nove sujeitos partilharam não sentir qualquer tipo de mudança até à atualidade, embora estejam conscientes das mudanças que irão ocorrer somente após o nascimento do bebé: “De momento acho que não mudou nada. Acho que pode mudar a nível de responsabilidades, pensar no futuro…” – 18 (1); “Eu acho que de momento ainda não mudou nada. Claro que uma pessoa já está a tratar das situações. Mas a nível de vida não alterei assim… não fiz uma grande alteração de vida. Se calhar vai-me alterar mais quando nascer a criança… aí sim, poderá alterar. Tentei lidar com a situação como soube… não é por ai que vou mudar a minha maneira de ser, nem nada que se pareça.” – 14 (2); “Nada… não mudou grande coisa por enquanto. Já fizemos o quarto e assim, mas de resto não mudou nada. (Depois de nascer acha que vai mudar alguma coisa?) É claro que vai mudar… a vida já não vai ser igual.” – 20 (2); Para já nada, mudará agora quando ela nascer.” – 11 (3); Muito sinceramente não mudou muita coisa, creio que irá mudar mais quando nascer. Até agora nada de especial. Acho que sim, acho não, a vida não fica igual.” – 13 (3); “Mudar para já está tudo normal. Mas é certo que vai ter que mudar alguma coisa porque a vinda de uma criança… Hábitos e vícios.” – 14 (3). CATEGORIA 2 – O poder do imaginário durante o período de gravidez Subcategoria – Vivências. Esta subcategoria inclui diferentes experiências do pai face à gravidez. O primeiro aspecto corresponde ao momento em que o pai viu o seu bebé pela primeira vez na ecografia; o segundo refere-se à forma como o pai tem contactado com o seu filho ao longo destes meses, e por último, serão apresentadas as diferentes emoções e sentimentos dos pais quando falam ou pensam no seu bebé, agora que o momento do parto está cada vez mais próximo. Quanto às vivências e emoções associadas ao momento da primeira ecografia, é notório que alguns pais experienciaram este momento com alguma ambivalência, já que a felicidade e a estranheza estiveram simultaneamente presentes: “…fiquei contente como é óbvio, mas é um bocadinho estranho. A primeira ecografia é aos três meses, uma pessoa fica à espera de mais, e na primeira ecografia não se conseguiu ver o sexo e assim…” – 19 (1); “Foi um momento assim um bocado estranho porque também não vi assim muito muito… pronto nós vemos, nós sabemos que é nosso, mas se formos à internet vemos… claro que vi e gostei… mas não vi aquilo que eu quero ver e estou à espera de ver. Falta-me tocar, e ver como é mesmo…” – 14 (2); “Foi castiço. A primeira vez que olhamos para aquilo o médico bem dizia que estava ali, “mas está ali o quê?”. O 29 começo foi lá e todos meses fazíamos ecografias, então dava sempre para ver a evolução.” – 18 (3); “É uma coisa mesmo esquisita, quem vê até parece que tem o formato certinho do bebé. É meio esquisito mas gostei.” – 20 (3) Para além da ambivalência experienciada no primeiro momento em que visualizam o filho na ecografia, alguns pais salientaram o sentimento de pertença como aquele que melhor descreve este momento: “Saber que é uma pessoa das nossas raízes!” – 18 (2); “Felicidade! Uma coisa que era nossa!” – 21 (2); “…que o adjetivo que melhor define se calhar é admiração, porque é nosso!” – 17 (3). Ainda nesta subcategoria, cinco pais referiram que a ecografia foi uma oportunidade para saberem em que medida o desenvolvimento do bebé estava a decorrer dentro dos parâmetros desejados: “Mas ver a evolução do nosso filho é ótimo, ver que à partida está tudo a correr bem, é sempre muita ansiedade sempre que se ligam as máquinas.” – 19 (3); “Sabemos que temos ali um filho ao ver a ecografia, satisfação porque estava tudo bem. Não foi assim nada… Foi normal, está tudo bem ótimo, vamos continuar a gestação.” – 15 (3); “Por um bocadinho que varie… Eu estava à espera de saber se estava tudo bem, era o que mais me interessava. A ecografia em si… prontos! É claro que estava ansioso para ver, mas já sabia (como era) ….” – 11(2). Embora não seja representativo face ao número de participantes, é interessante perceber que para alguns pais aquilo que experienciaram no momento da primeira ecografia foi extremamente marcante nesta transição, uma vez que se identificaram como pais após a visualização do feto: “Nós pais… As mães falam-nos muito, têm uma convivência quase direta… Nessa altura pronto ela ia-me dizendo, eu lembro-me até que quase que não sentia nada, ela parava sempre que eu punha a mão. Portanto a ecografia foi muito bom! É uma boa sensação, realmente é como se fosse a primeira vez que se vê que está mesmo a acontecer!” – 13 (2); 2Foi ai quando comecei a sentir que ia ter um filho” – 16 (2); “Tudo mudou a partir daí! Daí para a frente senti-me mesmo pai!” – 18 (2). A alegria é apontada explicitamente por seis pais como a emoção que melhor descreve o momento em que pela primeira vez viram o seu filho na ecografia: “Tenho lá as fotografias… Foi fixe! Foi uma alegria porque uma coisinha tão pequenina, de três milímetros já dava para ver aquilo, imagino agora… “ – 21( 1); “Eu fui para casa radiante, alegre!” – 17 (2); “Foi alegria… comecei a chorar!” – 19 (2). Embora seja claro que a primeira ecografia é relembrada como um momento emocionante, dois pais recorreram à descrição daquilo que viram, quando lhes é solicitado que recordem esse momento: “Vimos as mãos, vimos a cabeça…” – 20 (1); “… quem vê até parece que tem o formato certinho do bebé.” – 20 (3). 30 Ainda referente à primeira ecografia e à forma como os pais descreveram este momento, foi clara a espontaneidade com que inicialmente responderam à questão, revelando algumas dificuldades em expressar e verbalizar aquilo que descreve a forma como o vivenciaram: “Não consigo traduzir em palavras o que senti.” – 22 (3); “Ótimo, uma sensação indescritível.” – 19 (3); “É uma sensação que acho que não dá para descrever, é emocionante.” – 16 (3); “Há coisas que se passam no momento que não se sabe explicar. São coisas que sinto no momento, são internas e ficam comigo.” – 23 (1). Por fim, apenas um participante revelou que o momento da primeira ecografia foi uma oportunidade para pensar e se projetar no futuro: “Acho que a gente começa a pensar quando é que chega a hora dele nascer, e queremos vê-lo cá fora, para poder brincar com ele, e essas coisas… Acho que vêm muitas ideias à cabeça.” – 18(1). Apenas um pai não esteve presente na primeira ecografia, recordando tal circunstância com alguma mágoa: “Eu aí falhei. Neste segundo filho não fui ver nenhuma ecografia. A minha vida profissional não me permite muito, mas também me sinto mal por não ter ido. Acho que devia ter ido e vai-me ficar na consciência não ter ido a nenhuma ecografia. Ela trazia as fotografias a 3D e eu via. Acho que não falhava tanto como falhei. (se voltasse a trás) Ir a pelo menos a uma, porque não ir a nenhuma é muito mau.” – 12 (3). Os dados não são claros quanto a eventuais divergências na forma como os pais que já têm pelo menos um filho vivenciam e descrevem o momento da primeira ecografia, quando comparados com os homens que vão ser pais pela primeira vez. De facto, as respostas foram em sentidos distintos, por exemplo, o participante 22 (1) refere diferenças na experiência actual em relação ao primeiro filho: “Deste, pronto… já é o segundo, o impacto já não é o mesmo, embora tenha sempre a sua importância. Mas o primeiro foi o primeiro, é sempre diferente! É sempre outra emoção, apesar de agora ser mais a preocupação de saber se está tudo bem na ecografia. No primeiro era tudo novidade, tudo novo… agora não, já sabemos.” – 22(1). Contudo, o participante 23 (1) relembra a experiência atual com o mesmo impacto da anterior: “Fez-me lembrar a primeira (filha), muito parecido. Um nervoso miudinho, ansiedade…”. Relativamente ao contacto que os futuros pais mantêm com os seus filhos ao longo do período de gravidez, o toque na barriga (“Meter a mão na barriga da mãe e tentar senti-lo a maior parte das vezes, já que não dá para ver.” – 18 (1); “O maior contacto que consigo ter é quando ele mexe.” – 11(2); “Sentir na barriga ele a mexer-se. Uma pessoa depois sente saudades de pousar a mãe e sentir aquele contacto.” – 12(3)) e a interação através da fala (“… falar muito daquelas brincadeiras que fazemos eu e a mãe… fazemos aquelas brincadeiras muito próprias e tentamos-lhe explicar porque é que brincamos daquela forma. É uma forma de comunicar falando 31 já sobre nós. É muito engraçado falarmos ao nosso filho sobre nós.” – 17(3); “Falando para a barriga, contando o nosso dia…” – 17(2)), foram as dimensões mais destacadas. Através do toque e da fala os pais sentem que estão em contacto com os filhos, partilhando inclusivamente a eventual reação do bebé face aos estímulos provenientes da figura paterna: “…eu sou do Benfica e íamos ver o jogo e falava com ela “olha foi golo do Benfica”, e ela parecia que percebia porque mexia-se. Era incrível mesmo!” – 21 (1); “…se me conhece a mim não sei, mas reage ao estímulo de estar ali a falar com ela na barriga.” – 19 (3); “… e falo às vezes, acho que ela já deve conhecer a minha voz, já comunica mais comigo. No início quando punha a mão ela parava, era como se fosse uma energia, agora já lhe é uma energia familiar. Muitas vezes pára mas de repente já comunica, ou seja …Se estiver acordada já reconhece, já brinca… Por isso eu acho que ela de alguma forma já me reconhece nesta fase.” – 13(2). Segundo os dados obtidos, o contacto estabelecido entre pai e filho durante o período de gravidez parece ser mediado pela mulher grávida: “Umas vezes sou eu que toco, às vezes ela (companheira) é que chama à atenção, olha que está a mexer ou está aqui ou está mais duro aqui.” – 11(2); “…às vezes já estamos na cama e ela apercebe-se que ele está a mexer e pega-me na mão…” – 17 (2); “… depois o feedback da mãe a dizer “olha hoje a menina mexeu-se pouco, será que está alguma coisa mal?” e depois passado umas horas “Já se está a mexer outra vez.” Basicamente é a forma de a ver a interagir dentro do útero, dentro da barriga.” – 15 (3); “Tento até na brincadeira à noite, que ela até nem gosta muito, mexer na barriga para ele ficar assim agitado, e ela não dorme e eu durmo! Ela fica assim um bocado chateada, mas eu faço essas brincadeiras.” – 14 (2). A música foi também apresentada por três pais como uma das formas de contactar com o filho durante a gravidez: “…pôr um pouco de música.” – 24(1); “…pondo algumas músicas para ele ouvir, para se ir habituando à música e para quando estiver mais nervoso para o acalmar.” – 17(2); “… já lhe pus aquelas músicas de Natal, aquelas músicas de embalar.” – 19(2). Dos participantes que já tinham um filho apenas um referiu diferenças no contacto estabelecido na atualidade, quando comparado com a experiência anterior: “… também porque não somos só nós os dois, tenho mais uma pessoa em casa, a nossa filha, que também precisa de atenção. A minha esposa até se queixa um bocado que as coisas não são iguais. Não é queixar, é uma realidade. No primeiro filho havia muita atenção ao bebé e à gravidez e agora como já não é a primeira e temos a responsabilidade com a outra que já existe, as coisas não são bem iguais. Mudou o tempo disponível e o facto de ter que dar atenção à filha não dá para ter tanta disponibilidade.” – 22(1). Dois pais indicaram o tempo de gravidez e a forma distinta como experienciam a gravidez, quando comparado com as mulheres, como fatores que influenciam a procura do contacto com o 38 questão. Estar dentro do hospital é complicado, sinto-me mal, por isso é que eu não quero assistir.” – 12 (3). No que diz respeito aos pais que pela segunda vez passam pela experiência do parto, os aspetos destacados são praticamente comuns entre os participantes, e a experiência passada é apresentada como referência para a decisão que tomarão em breve: “No primeiro fui, agora nem sequer é assunto. Como fui no primeiro… Gostei da experiência. A minha esposa é que gostava que eu estivesse presente. E eu sempre tive a ideia que era isso que queria…” – 22 (1); “É normal. Prefiro assim e a minha mulher sabe como é que eu sou. No primeiro filho também não fui, foi a minha mãe.” – 20(1); “Ainda não se falou nisto. Eu penso que sim, porque da primeira eu perguntei se podia assistir, e disse que não porque ia ser cesariana.” – 23 (1); “ (primeiro filho) No início era para não assistir, os níveis de ansiedade que falava, mas a parteira insistiu que eu ficasse e concordamos. …Mas tínhamos decidido inicialmente que não. Agora no segundo como correu bem, já está subentendido que vou estar com ela. Não falei com ela, mas subentende-se que vou. Foi uma boa experiência e ajudou.” – 15 (3). CATEGORIA 4 – Perceção do envolvimento durante a gravidez Subcategoria – Apoio à companheira. Para alguns pais, a perceção que partilham acerca do seu envolvimento durante o período de gravidez, associa-se sobretudo ao apoio emocional prestado à companheira: “A gente faz sempre o possível para que a nossa esposa se sinta bem. Tentar fazer alguma coisa para que ela no dia-a-dia se sinta apoiada, muitas vezes está mal disposta e a gente tenta sempre dar a volta à situação, e dizer que futuramente vamos ser recompensados por isto. É difícil e acredito que para ela seja mais difícil, mas a gente tenta sempre maneira de dar a volta à situação e ajudar naquilo que for possível.” – 18 (1); “Se calhar o envolvimento e a preocupação nestes meses tenha sido mais nisso, talvez na preocupação nas consultas, ver se está tudo bem, os valores, as picagens das diabetes.” – 24 (1); “A minha envolvência era importante na parte do afeto à mãe, na entreajuda e no apoio. Durante este tempo fazer com que não houvesse preocupações de maior, aborrecimentos, que a nível emocional fosse tudo mais estável. Tudo que fizesse com a mãe seria bom para o bebé, tudo o que fosse positivo, portanto, desde o carinho, ao acompanhamento, ao rir, ao entretenimento, ao passeio.” – 13 (2). No entender de três pais, o apoio prestado à companheira no período de gravidez, caracteriza-se essencialmente por um apoio instrumental, sobretudo no realizar das tarefas domésticas: “Cozinho, limpo a casa… tudo!” – 19 (1); “No que podia ajudar em casa quando ela tinha dores. Eu a fazer comida sou uma desgraça, mas de resto no que podia ajudar ajudava. Quando fazia falta apanhar a roupa ia apanhar a roupa. Estender também não que sou uma 39 desgraça.” – 16 (2); “Eu acho que contribui para as tarefas domésticas e essas coisas assim, para ela não se cansar tanto. Tem que se ajudar, já não é uma obrigação, é um dever que uma pessoa tem em contribuir em fazer as coisas de casa, de maneira a que ela evite fazer tanto esforço.” – 12 (3). Subcategoria – Preparativos. Os dados revelam que cerca de onze pais estiveram envolvidos nos preparativos para a chegada do seu bebé: “Nas compras que fizemos para ela, a escolher o carrinho, a escolher a cama.” – 19 (1); “As roupas, o quarto e as restantes coisas temos preparado os dois.” – 11 (2); “Foi porreiro! Preparamos o quartinho dela, estivemos a pintá-lo, comprar as coisinhas, a caminha, a roupinha. É bonito, muito bonito!” – 19 (2); “Já temos o quartinho dela preparado, a roupinha toda. Está tudo ajeitado à espera dela. Compramos as coisas em conjunto.” – 21(2); “Desde a escolha da primeira roupa, o nome, a escolha e compra dos artigos que têm a ver com ela.” – 19 (3). Em alguns casos as tarefas não foram sempre assumidas por ambas as figuras parentais, existindo uma certa tendência para a mulher se dedicar à escolha da roupa e acessórios, e o homem à componente mais prática, como mobilar o quarto do seu bebé: “Coisas mais técnicas de mulheres é que não, como roupinhas. Roupa específica, eu não sabia que se tinha que cortar as etiquetas, por exemplo.” – 22 (3); “Não sei se é por ser homem… as roupinhas ela é que escolhe tudo, não tenho aquela iniciativa de ser eu. A mim se calhar cabe-me mais a parte do quarto, a caminha, isso sim fui eu que tomei a iniciativa, até mais preocupado com a segurança dele do que com outras coisas. Mas em termos de roupinhas e cremes, eu isso estou completamente a leste, não é comigo.” – 24 (1); “A roupa não percebo muito, mas agora a mobília e assim foi tudo em conjunto, os dois!” – 21 (2); “Carrinhos sim, quarto também, roupinhas é que não porque as amigas depois juntavam-se todas e não dava.” – 13 (3). Embora o número de participantes que frequentaram as aulas de preparação para o parto seja maior, apenas dois pais reconheceram estes momentos como uma forma de envolvimento: “Trabalho de noite, e andar a roubar tempo durante o dia é assim um bocado… Em parte também não senti muita necessidade! Ia levá-la à preparação e aproveito para descansar, para depois ter mais tempo noutras horas.” – 11 (2); “Se calhar agora por fim nestas aulas que ela teve de preparação, houve duas ou três aulas que eu não compareci, por causa do trabalho, também não conseguia trocar turnos. Não conseguia estar sempre presente, mas naquelas que pude acho que acompanhei.” – 14 (2); “Não pude ir com ela às aulas de preparação porque eram de manhã e eu trabalho de manhã por isso não dava.” – 21(1). 40 Subcategoria – Presença nas ecografias pré-natais e consultas médicas. Esta subcategoria revela uma expressividade elevada, uma vez que uma parte significativa dos participantes esteve presente nas consultas médicas e nas ecografias pré-natais: “Vou sempre com a mãe a todas as consultas…” – 19 (1); “Sempre, só não vim a uma que não pude mesmo. Tenho acompanhado sempre.” – 18 (2); “Sempre! Fui às consultas com ela. Tudo! Já foi com essa intenção. Nós quisemos os dois ter o bebé, é para participar em tudo, claro! Isso nem sequer se discute!” – 19 (2); “Ao acompanhar todas as consultas e a lidar com os médicos e enfermeiros sinto-me completamente integrado no processo.” – 17 (3); “Consultas vim a todas, não falhei nenhuma.” – 22 (3). Apenas um pai não acompanhou a grávida nas ecografias pré-natais e nas consultas médicas, demonstrando algum arrependimento e mágoa: “À partida deveria ter acompanhado mais as consultas, só estive mal nas consultas em não ter aparecido. Sinto-me um bocado de consciência pesada. Acho que é chegar à hora e “não fui a nenhuma consulta…”, “não vi nenhuma ecografia…” aí custa um bocado.” – 12 (3). Subcategoria – Envolvimento diferente da mãe. Alguns pais partilharam que um dos entraves naturais ao seu envolvimento durante a gravidez, prende-se com o facto de ser apenas a mulher que experiencia fisicamente a gestação, e por isso o seu envolvimento ser o ideal. De facto, alguns pais compreendem a gravidez como uma experiência feminina, ficando o seu envolvimento dependente da mulher. Talvez por reconhecerem estas diferenças na forma como sentem a gravidez, é que os futuros pais entendem a ligação da mãe com o bebé de uma forma única e inexplicável. - “Senti-me envolvido, mas não vou dizer a 100% porque ela está na barriga da mãe.” – 19 (1); - “Acho que não há muito mais para me envolver, vai-se à consulta, acho que um pai não pode fazer mais. O pai sente a filha a nascer, mas é de uma maneira diferente. Uma pessoa mete a mão na barriga e sente. Ela sente de outra forma, é diferente! Ela sente mais porque é a nível interior. Uma pessoa sente mais porque é a nível exterior.” – 20 (1); - “Porque a mãe é quem carrega, a mãe está todos os dias com ela, a mãe lembra-se de tudo. Não quer dizer que eu não me lembre, só que ela esteve este tempo todo em casa, também teve mais tempo para pesquisar e para ver o que fazia falta. (Sente que a mãe vivênciam as coisas de forma diferente?) De certeza. O envolvimento também é maior. Apesar de durante a noite quando ela acorda a dizer que ela está a mexer eu também acordo, mas o envolvimento dela de certeza que é maior. (O que faz com que sinta que é diferente?) Totalmente, não é só o facto de a sentir, são elas que os carregam nove meses. Elas é que fazem os exames, elas é que fazem as 41 análises e isso tudo. Os pais praticamente não fazem nada, quando muito acompanhar, mais nada..” – 14 (3) CATEGORIA 5 – Futuro Subcategoria – Desenvolvimento Pai  Filho. Quando se referem à influência que terão no desenvolvimento do seu filho, os dados sugerem que a educação e a transmissão de valores são os aspetos mais mencionados pelos futuros pais. Cerca de sete pais salientaram a educação como um dos pilares do desenvolvimento dos seus filhos, assumindo as figuras parentais um papel de relevo: “O desenvolvimento intelectual, eu sou uma pessoa que gosto muito de melhorar e do conhecimento o mais abrangente possível e por isso acho que esse pendor intelectual é sempre importante. E depois toda aquela ligação emocional que a gente possa transmitir, o máximo de carinho, apego e também em algumas situações de distanciamento para ela perceber quais é que são as situações que deve agir de uma forma ou de outra. Tudo isto que se chama educar, acho que quer na questão intelectual, cognitiva quer na questão emocional acho que poderei dar algum contributo.” – 17 (3); “Muito, não diria a 100% porque é mais do que provado que não é só uma educação que faz um bom filho. Não me vou esticar muito nessa medida, mas mínimo é 50% faz parte daquilo que eles aprendem. Eles só aprendem aquilo que nós lhe ensinamos.” – 19 (3). Para treze pais, uma das formas de influenciar o desenvolvimento dos seus filhos, passa por transmitir os valores mais adequados: “Vou tentar falar com o X, vou tentar mostrar-lhe o que é a vida. O que são as coisas boas e o que são as coisas más, porque nós agora estamos noutro século e já sabemos o que acontece e o porquê.” – 14(2); “Queria influenciar no bom sentido. Ter orgulho de dizer que tem um pai que é bom para ela. (valores) Amor, amizade, fazer o bem pelas pessoas e nunca fazer por mal, raiva não interessa.” – 21 (2); “Eu quero participar ao máximo para ter influência. Também vai depender da parte dele, não vou estar a pressioná-lo, que faça tudo que eu gosto. (valores) Que seja bom rapaz, que seja trabalhador, que tenha uma ideia dos pais de apoio e não que o tenham contrariado em tudo.” – 12 (3); “E dizer-lhe que temos que lutar pelos objetivos que queremos no futuro, pensar sempre no futuro. Tem que pensar “quero o melhor para mim, e tenho que escolher o melhor caminho. Tenho que lutar”. …É isso que eu lhes aconselho, serem educados para toda a gente, ter respeito próprio, ter autoestima.” – 16(3). Nesta subcategoria, as experiências passadas, os valores e a educação transmitida aos futuros pais, parecem contribuir para a forma como pretendem influenciar o desenvolvimento dos seus filhos: “Eu sou um bocado como o meu pai, não é por eu ter aquela ideia que ele tem 42 que seguir aquilo. Mas tentar que ele faça as coisas da forma mais correta. Estou a pensar daqui a alguns anos, quando ele for para a escolinha, aí tentar que ele dê prioridade aos estudos. Vou tentar dar o mesmo apoio que o meu pai me deu a mim. – 24 (1); “No fundo, a minha formação vai ser de prevenção em algumas coisas, e tentar incutir-lhe alguns valores que já me incutiram a mim que eu acho que lhe vão facilitar muito a vida no futuro.” – 13 (2); “… educação mais ou menos dentro dos valores que eu tenho, há coisas que têm que mudar. (Pretende então incutirlhe aquilo que lhe incutiram a si?) Sim, pelos meus pais.” – 11 (3); “Aquelas que me transmitiram a mim e ainda melhores. Educação, ser sociável com toda a gente.” – 14 (3). Três pais pretendem desenvolver nos filhos algumas das suas características pessoais, recorrendo a experiências passadas para justificar a sua posição: “Eu sempre respeitei toda a gente, e é isso que espero que ele um dia faça e seja. Já não digo melhor, mas que seja como eu fui. Se for como eu sou é uma pessoa impecável. Educado, meigo, brincalhão, sério, solidário.” – 17 (2); “Tentar explicar-lhe que sem estudos não há nada. O pai tem 36 anos e ainda hoje estuda, tendo disponibilidade e tendo tempo vou tirando as minhas especialidades. …O pai começou a trabalhar com 11 anos e ainda hoje vai estudar, nunca deixou de estudar.” – 16 (3); “Os filhos são sempre parte do reflexo dos pais. E se a minha filha tiver um bom reflexo, o que nós achamos que é o mais adequado, certamente que no futuro será uma pessoa melhor.” – 22 (3). Para dois participantes, uma postura de apoio, como base numa relação de amizade entre pais e filho, revela-se a forma mais adequada para promover o desenvolvimento saudável do seu filho: “Acima de tudo é pai, mas se puder ser um amigo, alguém que ela pode confiar, também é bom! Porque há situações com pais, que são pais e não passam disso! Eu espero ser um amigo também, para qualquer coisa, problemas, tudo que se tenha que resolver.” – 19 (2); “…que tenha uma ideia dos pais de apoio e não que o tenham contrariado em tudo.” – 12 (3). A presença das figuras parentais na vida dos filhos é apontada por dois pais, como um fator crucial no desenvolvimento das crianças: “Espero ser um pai presente, se conseguirmos estar presentes no crescimento acho que já é um grande passo.” – 22(1); “Acompanhar sempre, acho eu. Estar sempre presente, acho que é isso, o básico!” – 19 (2). Para além das propostas acima apresentadas, há algumas sugestões que foram apenas mencionadas por um participante: incutir rotinas (“Educá-lo da forma exata, chamá-lo à atenção quando ele não estiver a fazer alguma coisa. Por exemplo na alimentação, não digo obrigá-lo a comer, mas incutir-lhe que há regras para tudo. Há horas para comer, para brincar, para tudo!” – 17 (2)); acompanhar a saúde (“Tudo que seja possível fazer para ele crescer saudável, uma pessoa vai fazendo. Primeiro médico, e depois sei lá…” – 16 (2)); o pai como figura de autoridade (“…tem-se mais aquelas coisas ao pai, respeito e essas coisas assim. É normal, as crianças quando chegam ai aos seus 4/5 anos são mesmo insuportáveis e mesmo irrequietos. E acho que um pai 43 sempre mete mais um bocado de respeito e assim. Educação.” – 20 (3); satisfação das necessidades básicas (Posso contribuir se calhar, não vou falar em questões financeiras, alimento, tudo. Desde alimento, vestuário, tudo que seja útil e que precise, que faça falta! Financiamento, brinquedo. Tudo que tenha a ver com o dia-a-dia do bebé!” – 18 (2)). Nesta subcategoria, os pais que estão a reviver a experiência da parentalidade, recorrem ao passado para sustentar a sua resposta e a sua forma de agir: “Acho que vou fazer como fiz do primeiro, dar-lhe amor e carinho.” – 20 (1) “Foi incentivá-la, mostrando e explicando as coisas e as curiosidades, o tato, as cores, para que é que serve o quê, o que faz. Estar com ela “olha isto é um papel, serve para riscar com esta caneta, isto é a cor azul”, explicar-lhe tudo. Quando ela faz asneiras dizer que está mal e porque é que está mal. Acho que isso foi um ponto de apoio, o explicar-lhe porquê sempre, tanto o bem como o mal, foi uma coisa que ela aprendeu e desenvolveu.” – 23(1). Filho  Pai. A possibilidade do filho influenciar o próprio desenvolvimento da figura paterna, parece ser motivo de reflexão por parte dos participantes, mostrando-se recetivos a mudanças, a novas aprendizagens e significados. A experiência da parentalidade parece contribuir para um aumento de responsabilidade dos futuros pais, sendo um dos aspetos referido por cinco participantes: “A nível profissional já mudou um pouco, fez-me ser mais objetivo, criar mais objetivos e ser mais cauteloso no meu trabalho. Não é que eu não fosse até agora, mas se calhar hoje em dia… Havia alturas que eu se calhar não precisava de ir e não ia, hoje em dia vou.” – 24 (1); “Mais sentido de responsabilidade, já tenho, mas vai ser diferente agora!” – 20 (2); “É a situação da responsabilidade. Ter alguém que está pendente de mim e que antigamente não tinha assim ninguém pendente. E agora tenho uma pessoa que está dependente de mim, tenho que ter em atenção isso tudo. As decisões que vou ter que tomar, vou ter que pensar que tenho uma filha a meu cargo e posso ter as consequências.” – 21(2). Para três pais, o desafio que represente a chegada de um filho, parece influenciar positivamente a sua maturidade: “Vou amadurecer muito mais, um filho é uma coisa em grande.” – 20 (3); “Irei crescer como pessoa! Irei ter que cuidar da minha filha e ficarei mais maduro.” – 21 (1). O facto da família contar com mais um elemento, parece influenciar as prioridades dos futuros pais, sendo salientado por dois participantes a importância de despenderem de mais disponibilidade para a família: “Ser mais cauteloso, dar valor a outras coisas que se calhar antigamente não dava, como a família, se calhar estar mais presente com a família. Não é que eu estivesse ausente, mas se calhar hoje em dia dou mais valor à família. Se calhar aquela união e 44 aquele laço tornaram-se mais fortes. Também faço questão que o meu filho nasça nesse ambiente” – 24 (1); “A minha disponibilidade e a minha presença em casa terá que aumentar, seguramente! Devido à minha profissão, a minha disponibilidade em casa neste momento é pouca.” – 21 (1). O facto de se confrontarem com um novo desafio, revela-se uma oportunidade de aprendizagem e mudança e, consequentemente, promotora do desenvolvimento do futuro pai: “De alguma forma a gente vai aprender com ele, é o primeiro filho. A gente vai aprender e vai-se habituar com ele. Eu acho que vou ter que aprender a conviver com ele, primeiro. Depois vai crescendo e vou aprendendo coisas com ele.” – 18 (1); “Ao começar a crescer, não sei.” – 16(2); “Muito pela questão do desafio que nos vai colocar, quer mesmo pelas mudanças que vamos tendo em termos de pensamento e de relacionamento.” – 17 (3). Para dois participantes, a relação construída com o filho é promotora de desenvolvimento, uma vez que favorece a construção de uma nova perspetiva e de um novo significado sobre as coisas: “Acho que me pode dar mais significado a pormenores que às vezes não dava importância, e com ela sei que vão ser importantes. Até uma brincadeira qualquer vai-se tornar uma brincadeira importante e castiça.” – 18 (3); “…Mas irá depender de mim em todos os sentidos, enquanto não for autónomo e enquanto criança. Principalmente a diferença, não há muitas, mas é na minha cabeça, na maneira de abordar as coisas, na maneira de pensar, que tenho sempre aquela preocupação que não tinha e agora tenho. É uma preocupação positiva.” – 19 (3). O sentido de vida até então construído parece ser alvo de mudanças após a chegada de um filho. Para dois participantes, o filho irá proporcionar-lhes um sentido de vida diferente: “Aquele novo ser para além de dar mais sentido à nossa vida, mas também porque nos faz mudar algumas linhas orientadoras, precisamente porque nós antes teríamos linhas no sentido dogmático, mas que depois são postas em causa por esse novo desafio que é educar um filho e isso faz-nos mudar acho que para bem. Fazer-nos mudar e adaptar um pouco também à realidade, faz com que nós próprios também mudemos.” – 17 (3); “Eu acho que ela me vai dar um novo alento. Vai-me fazer pensar em muitas mais coisas, até acho que melhora o meu sentido de vida… Acho que até vai dar mais uma razão, que eu goste mais de viver.” – 13 (2). Apenas um pai associou as mudanças no seu estado de humor (“Espero que me deixe sempre contente, alegre e orgulhoso. Talvez mais alegre!” – 19 (2)) e nos seus vícios (“…eu fumava e entretanto estou a deixar de fumar” – 19 (1)) à influência do filho no seu próprio desenvolvimento. Apesar de cinco pais referirem que apenas o tempo e a experiência poderão ditar possíveis influências, mostram-se conscientes e recetivos a eventuais alterações: “Nunca posso 45 dizer que não, mas em princípio, pode haver algum ponto que ela possa influenciar. Ela vai ser a minha prioridade e não eu!” – 19 (1); “Não sei no que é que me vai influenciar, acho que ainda é prematuro para ter já essa perceção do que vai acontecer. Claro que sendo crianças saudáveis só temos que esperar tudo de bom e que nos faça crescer a nós também.” – 22 (1); “Eu espero que muito, sinceramente. Essa pergunta é muito difícil de responder porque acho que só daqui a uns anos é que eu me vou conseguir aperceber das mudanças. Nem no dia-a-dia, nem numa semana nem daqui a um mês se calhar conseguia responder a uma pergunta.” – 13 (3). Apenas um participante não reconheceu qualquer tipo de influência do seu filho, no seu próprio desenvolvimento: “Penso que não em muita coisa. Se for tudo como deve de ser, acho que não vão haver influências. O que sou agora sempre fui, não tenho muitas alterações.” – 17 (2). Mais uma vez, aqueles que estão a reviver a parentalidade, mencionam a influência da experiência anterior no presente, revelando as mudanças que foram sentindo no seu desenvolvimento ao longo do tempo: “Ter um filho desenvolve em nós uma preocupação, o instinto paternal. Desenvolve-nos o instinto. Uma pessoa fica muito mais responsável, ainda por cima já tenho 43 anos e juntando com toda a experiência de vida que tenho, mais este instinto paternal faz com que as pessoas tenham uma maturidade diferente. Mais responsáveis, dentro do possível. Um pensamento com a perspetiva da vida diferente. Olhar mais para o futuro, o que poderá acontecer mais para o futuro.” – 15 (3); “Acho que já desenvolveu da primeira vez que eu tive, ao nível da mentalidade mudei bastante. Eu tive o meu rapaz com 18 anos, uma pessoa com 18 anos é um puto, tem mentalidade muda bastante, tem que pensar como pai. Pensar como pai é pensar primeiro nos filhos e depois é que é no resto, nas discotecas… Uma pessoa pensa nisso depois, prefere é estar com eles.” – 20 (1); “…aprende noutros aspetos… telemóvel na mão e eu tive um episódio de chegar à escola e ter um desenho com o pai de telemóvel na mão. Todos os miúdos desenharam o pai normal e eu aparecia com o telemóvel, portanto a imagem que ela tem minha… Agora evito estar ao telemóvel com ela. Uma pessoa aprende. Evito o telemóvel, uma pessoa tem que respeitar um bocadinho a parte deles, a atenção deles.” – 12 (3). Subcategoria – Preocupações. Nesta subcategoria importa realçar que as preocupações relativamente ao futuro, sobretudo relacionadas com o desempenho enquanto pai, eventual desemprego e a fase da adolescência, foram aquelas que apresentaram maior expressão entre as partilhas dos futuros pais. Para cinco participantes o seu desempenho enquanto pai é a preocupação que mais sentida: “… só espero que a consiga educar como deve de ser. …tentar fazer o nosso melhor, o meu melhor, e ela também, para que tudo corra bem.” – 19 (2); “Não sabemos nunca se vamos 46 ser bons pais. A ideia é tentar ser o melhor possível, mas nunca se sabe se vamos ser bons ou maus.” – 19 (3). Três pais salientaram a sua preocupação face ao seu desempenho enquanto pai, embora realçassem a influência daquilo que lhe foi transmitido pelos seus pais, no seu próprio desempenho: “…ensinar muita coisa que me ensinaram a mim. Se eu conseguir isso já fico feliz!” – 21 (2); “Quem tem uma infância acompanhada pelos pais, eu acho que quer sempre mais. Eu tive sempre um acompanhamento fantástico dos meus pais e vou querer dar sempre mais. “O meu pai deu-me isto, eu vou ter que dar melhor”. Fazer as coisas de outra maneira com o pensamento que temos agora.” – 12 (3). Embora reconheçam algumas preocupações no desempenho do seu papel de pai, alguns participantes identificaram figuras de apoio (companheira ou familiares) que, eventualmente, serão um bom suporte para atenuar algumas dificuldades: “Porque é que ele chora, porque é que ele não dorme, ou não come… aqueles porquês. … E eu acho que vou passar um bocado mau, mas também acho que vou tentar manter a calma e que as coisas corram bem. E ela também é educadora de infância… Não é que tenha um à-vontade total, porque também é o primeiro filho, mas entre ela, os avós da parte dela e da minha parte, a ver se conseguimos que as coisas cheguem a bom porto e que tudo corra muito bem.” – 14 (2). Apenas um pai mencionou a possibilidade de ficar desempregado e o impacto deste na resposta às necessidades do filho: “Sim para o futuro tenho preocupação, se ficar desempregado como é que vamos dar as melhores condições ao meu filho. … Na sociedade que estamos hoje em dia é muito complicado um filho chegar à escola, e olha papá eu também queria aquilo… Não te posso dar! Acho que magoa muito um pai e uma mãe não poder dar o melhor ao nosso filho.” – 19 (1). A fase da adolescência e os respetivos desafios colocados aos pais nesta etapa desenvolvimental, foi apontada como preocupação futura para um participante: “Não vou falar em emprego que é muito cedo, mas talvez na adolescência. Há muitos caminhos que eles escolhem, e há sempre aquela preocupação se ele se vai saber orientar na ausência dos pais.” – 18 (1). Os problemas de saúde e o sentimento de impotência face a alguma doença foram aspetos mencionados por três pais, quando salientavam aquilo que mais os preocupa na transição que estão a experienciar: “Depois de nascer preocupa-me a saúde. Não me preocupam as noites mal dormidas, não preocupo com nada disso. Preocupo-me é que venha com saúde e que não tenha problemas graves, pelo sofrimento dele e o desgaste também da mãe.” – 24 (1); “…é o medo de falhar, precisar de “ti” em algum momento e tu não reagires da melhor forma, nem seres capaz… não estar à altura da situação. Alguma doença.” – 13 (2). 47 Para além da saúde, um participante aponta as circunstâncias que caracterizam o momento do parto e a falta de descanso dos pais após o nascimento do bebé são apontadas como as principais preocupações: “…a não ser mesmo o parto que me preocupo um pouco. É uma coisa que não depende tanto de nós, depende das pessoas que estão a olhar por ela. Mesmo que uma pessoa queira controlar não pode. São as coisas naturais da vida que nos preocupa, não são os médicos não serem profissionais. …Mas há aquelas horas quando já não há descanso, isso aí já não posso falar muito. Sei que há situações muito complicadas. Quando os pais já estão muito cansados, já não pensamos da mesma forma e aí é preciso ter calma.” – 24 (1). Apenas dois pais referiram explicitamente a componente afetiva como um dos aspetos que consideram essencial para o desenvolvimento saudável da criança, revelando preocupação na forma como a irão garantir ao longo do ciclo de vida dos seus filhos: “A função do pai e da mãe é fazer com que o filho tenha tudo para ter um desenvolvimento normal, para ser feliz, para lhe dar condições materiais e afetivas durante a vida. …Mais nesse aspeto de o podermos ajudar nas dificuldades naturais, e não lhes podermos dar a parte afetiva.” – 15 (3). Apesar de três participantes não identificarem qualquer preocupação específica, parecem conscientes das mudanças e adaptações que esta transição implica: “Acho que não, acho que estou capacitado para enfrentar todos os problemas. Mais com a mãe se houver algum problema com a filha… que nós confrontemos as ideias um do outro, e uns dias será ela a dar o braço a torcer e outros vou ser eu.” – 18 (3); “No momento não estou com receio de nada… depende do dia, um dia de cada vez. Não sabemos o dia de amanhã. Preocupo-me em ter as coisas necessárias para o dia-a-dia e tudo que faça falta no lar.” – 18 (2). Para cinco pais a transição para a parentalidade é antecipada sem qualquer preocupação e ou/receio: “Assim à primeira vista não. Não se pode ter medo.” – 14 (3); “Não, acho que vou ter um bom desempenho. Acho que tenho tido até agora.” – 20 (3). Na opinião de quatro participantes que já são pais, o facto de estarem a reviver a experiência, perece diminuir os níveis de ansiedade e eventuais preocupações e/ou receios face ao seu desempenho enquanto pai. Uma vez que a primeira experiência foi bem sucedida, os futuros pais encaram o momento atual com certa naturalidade: “Não. Acho que vou ser igual como fui com a primeira, acho que os resultados têm sido bons porquê não os repetir.” – 23 (1); “Acho que não! Se for como o meu primeiro filho é paixão à primeira vista. É filho é filho, seja bonito seja feio.” – 20 (1); “Como já é o segundo… a gente pensa que está preparado para tudo mas às vezes aparecem algumas dificuldades, mas neste momento estou confiante que estou preparado.” – 22 (1). 54 Neste capítulo consta a discussão dos resultados obtidos e apresentados no capítulo anterior, onde se evidenciam diversas reflexões e interpretações, desenvolvidas com base na revisão da literatura, sustentando a compreensão daquilo que é simultaneamente objeto e objetivo deste trabalho – o envolvimento paterno durante a gravidez. O nascimento do primeiro filho resulta numa nova fase do ciclo vital da família, caracterizando-se por uma sequência previsível de transformações na organização familiar, tendo por base o cumprimento de tarefas bem definidas. Estas tarefas de desenvolvimento familiar sustentam-se nas características de cada elemento da família, e da pressão que a sociedade exerce para cumprimento adequado das mesmas (Relvas, 1996) Neste sentido, o nascimento de um filho envolve a mudança do foco da atenção para a criança, passando a família nuclear de uma relação conjugal para uma relação constituída por três elementos ou mais. De facto, esta passagem para uma tríade implica também, a necessidade da partilha do afeto com um terceiro (Boyce, Condon, Barton & Corkindale, 2007). Esta mudança inclui a redistribuição de papéis no próprio lar, na relação entre o casal e respetivas famílias de origem, e nas relações sociais mais significativas. Sendo agora a família constituída por três ou mais elementos, o casal passa a perspetivar o papel do outro não só como marido/mulher mas também como pai/mãe. Na transição para a parentalidade, surge a necessidade dos casais se reorganizarem ao nível familiar, sobretudo na definição dos papéis parentais e filiais, e na revisão dos limites em relação ao exterior (Relvas, 1996). Para além das transformações ao nível das relações sistémicas, também são alvo de mudanças as expectativas acerca da paternidade e maternidade (Relvas, 1996). Para alguns pais, as expectativas acerca do seu desempenho enquanto figura parental, tem como referência o seu próprio pai. A relação estabelecida com o pai e as características desta figura são a inspiração de muitos homens, quando a experiência da parentalidade está para breve. De facto, parece ser evidente o sentimento de continuidade e transmissão dos modelos transmitidos pelos seus próprios pais (Boyce, Condon, Barton & Corkindale, 2007). Apesar de ser caracterizada como uma transição feliz na vida do homem, a parentalidade é também descrita como um processo altamente desafiante, e responsável, exigindo a adaptação a novas realidades e exigências do estatuto que passam a assumir. Assim, o ajustamento à parentalidade parece incluir aspetos como a satisfação pessoal, dinâmica e funcionamento familiar, estabilidade emocional dos progenitores e adaptação à 55 prestação de cuidados. Face a estes ajustamentos, cabe aos pais encontrarem a melhor forma de organizar e adaptar o seu estilo de vida, ao novo papel que agora desempenham. O nascimento de um filho resulta inevitavelmente em mudanças consideradas para a vida, podendo os futuros pais experienciar uma variedade de emoções e sentimentos, como orgulho, felicidade, entusiasmo e sentido de pertença (Bradley & Slabe, 2011). Perspetivando a transição para a parentalidade como uma mudança progressiva de objetivos, desafios e papéis desempenhados, Salmela-Aro e Nurmi (2000) sugerem que as alterações inerentes a esta transição dependem das oportunidades e experiências de cada indivíduo, sendo estas reconstruídas durante a transição. Os autores sugerem que na fase inicial da transição para a parentalidade, a gravidez, o parto e a saúde do bebé são as principais preocupações dos pais. Por sua vez, após o parto, o foco deve mudar para os desafios relacionados com o recém-nascido e as questões relacionadas com a família. As mudanças no autoconceito do futuro pai, e a necessidade de se preparar para a alteração de um estilo de vida independente e mais despreocupado, envolve aspetos de um processo de luto, já que para a maioria dos pais as responsabilidades e restrições são distintas (Boyce, Condon, Barton & Corkindale, 2007). Para além de se mostram conscientes das adaptações que ocorrerão no seu dia-a-dia, os futuros pais identificam-se como uma figura de apoio, capaz de responder com sucesso às solicitações da figura materna. O facto de se identificarem como figura de apoio, subentende a posição de controlo que a mulher continua a ocupar após o nascimento do bebé. Os resultados obtidos estão de acordo com o referido anteriormente, estando os pais recetivos à eventual redefinição de responsabilidades, revelando disponibilidade para apoiar nas tarefas domésticas e prestação de cuidados ao bebé, realçando a necessidade de cooperação entre os progenitores. De facto, a transição para a parentalidade implica a construção de expectativas acerca da divisão de tarefas, pelo que, sobretudo nos pais que estão a experienciar a parentalidade pela primeira vez, há mais facilidade em desenvolver expectativas irrealistas. Para além das transformações inerentes à experiência atual, já referidas anteriormente, o aumento das tarefas domésticas e, consequente sobrecarga, poderá favorecer episódios de conflito entre o casal (Biehle & Mickelson, 2012). No entanto, a investigação de Dessen e Oliveira (2013), onde foi estudada a perceção de mulheres grávidas e mulheres já mães, acerca do envolvimento paterno, sugere que as mães se mostram satisfeitas com o envolvimento do companheiro, embora os percecionem como pouco participativos. 56 A gestão trabalho-família representa uma sobrecarga para o homem, ao contrário da mulher que se encontra a usufruir de licença de maternidade (Plantin, Olukoya & Ny, 2011). De facto, um dos aspetos mencionados pelos participantes foi a dificuldade em conciliar o emprego com a disponibilidade para a prestação de cuidados ao bebé, sendo o seu envolvimento durante a gravidez e após o nascimento dependente do horário de trabalho. Assim sendo, os futuros pais realçam que o seu envolvimento, sobretudo após o nascimento do bebé, não será conforme o desejado. Nystrom e Ohrling (2004) apresentam os diferentes aspetos mencionados por ambas as figuras parentais, relativamente há experiência da parentalidade durante o primeiro ano de vida da criança. Assim, e de acordo com os dados obtidos no presente estudo, a investigação de Nystrom e Ohrling (2004) salientam o facto das figuras paternas estarem a desempenhar um novo papel, para além de companheiro das brincadeiras e amigo, identificando-se como a figura protetora e responsável pelo sustento familiar. Foram também mencionadas pelos pais os novos desafios do dia-a-dia, face à chegada do bebé. Por sua vez, as recentes mães partilharam a satisfação sentida pelo desempenho do novo papel, salientando contudo os desafios inerentes ao facto de se identificar como a cuidadora principal do bebé. As figuras maternas realçaram também a necessidade de uma melhor gestão do tempo, já que o facto de se encontrarem extremamente cansadas, tem implicações no autocuidado. O envolvimento do pai durante o período de gravidez revela-se um extraordinário objetivo e objeto de estudo, já que diversas variáveis estão implicadas, quer durante a gestação, como no futuro da família e seus respetivos membros. Embora no passado não lhe tivesse sido dado a devida atenção, o homem representa um papel fundamental nesta transição, sendo inclusivamente identificado pelas mães como a fonte de apoio mais importante durante a transição decorrente do nascimento dos filhos (Dessen & Oliveira, 2013). De facto, atualmente é esperado que os futuros pais assumam a responsabilidade financeira, mas também que demonstrem uma nova atitude face à parentalidade, sobretudo mais solidária e igualitária (Plantin, Olukoya & Ny, 2011). Os dados revelados neste estudo sugerem que o planeamento da gravidez está relacionado com as emoções e sentimentos experienciados durante a transição para parentalidade. Porém, independentemente da gravidez ser ou não planeada, os pais indicam que esta experiência favorece uma mudança na forma como significam e interpretam aquilo que os rodeia, refletindo sobre as suas responsabilidades e prioridades. Para além das mudanças identificadas na vivência da parentalidade, os futuros pais mostram-se recetivos a novas adaptações promotoras do seu próprio desenvolvimento pessoal. 57 Caso a gravidez não tenha sido planeada, os futuros pais estão mais propensos a altos níveis de ansiedade, existindo maior probabilidade de não se sentirem preparados para assumir tal responsabilidade. Por vezes, estes pais têm como referência experiências parentais negativas de outros homens (Boyce, Condon, Barton & Corkindale, 2007). Embora as idiossincrasias de cada pai assumam um papel de relevo na adaptação à parentalidade, os pais que planearam a gravidez mostram-se menos permeáveis a altos níveis de ansiedade, já que a tomada de decisão e o fator tempo promovem a reflexão de estratégias mais ajustadas no seu envolvimento, o que lhes permite sentir um maior controlo e competências no desempenho do papel de pai. Segundo dados da população portuguesa (Ferreira, Laia & Nené, 2010), o planeamento da gravidez influência o envolvimento paterno e, consequente a futura adaptação à parentalidade. Os dados sugerem que o facto da gravidez ser planeada e desejada está associada a um aumento progressivo entre o tempo de gestação e o envolvimento paterno, o que vai ao encontro do estudo de Piccinini e colegas (2004), que conclui que o envolvimento paterno aumenta com a evolução da gravidez, devido à aquisição de uma representação da imagem do feto mais real, e por ser um período marcado pela proximidade do nascimento do bebé. Também May e Perrin (1985) salientam a relação existente entre o planeamento da gravidez e o envolvimento paterno. Porém, segundo May e Perrin (1985) o facto da gravidez não ter sido planeada nem desejada, não implica que a mesmo não seja aceite, uma vez que vários fatores contribuem para o grau de envolvimento do pai durante a gravidez. Assim, para além do planeamento, sugerem fatores promotores da aceitação da gravidez por parte da figura paterna, como a personalidade, as expectativas do papel sexual e as experiências com os serviços hospitalares. Embora o número de participantes em que a gravidez não foi planeada se mostre reduzido neste estudo, as suas partilhas ilustram o referido anteriormente, demonstrando que a aceitação da gravidez pode ser possível, mesmo não estando nos planos do futuro pai. Tal como a literatura sugere, a relação entre o pai e o bebé é construída durante o período de gravidez, e não apenas após o nascimento, sendo revelado que a qualidade da relação pré-natal e as representações dos futuros pais relativamente ao seu bebé estão relacionadas (Vreeswijk, Maas, Rijk & Bakel, 2014). No entanto, alguns participantes revelaram que apenas o momento do parto e, consequentemente, o nascimento do seu filho, é que permitirá a interiorização do papel que irão desempenhar. Deste modo, o parto é perspetivado como o marco na ligação do pai com o seu filho, tal como refere Jordan (1990). Porém, a ligação emocional ao bebé parece ser diferente entre os pais que estão a experienciar a parentalidade pela primeira vez, e os pais que já têm pelo menos um filho 58 (Vreeswijk, Maas, Rijk & Bakel, 2014). Os autores sugerem que os pais que o são pela primeira vez demonstram mais preocupações com o bebé, mantendo uma ligação com o seu filho qualitativamente diferente dos pais que estão a repetir a experiência. Para além do referido, a divisão da atenção entre o primeiro e segundo filho, parece também contribuir para as diferenças entre o envolvimento dos pais que já têm pelo menos um filho, e aqueles que pela primeira vez estão experienciar a parentalidade. Deste modo, a ligação ao bebé durante a gravidez e as preocupações parecem sofrer implicações, quando o factor novidade não está presente. A idade também se mostra uma variável significativa, uma vez que aos pais mais jovens está associada uma ligação forte ao bebé. Porém, é importante realçar que os pais mais jovens também são aqueles que estão a experienciar a parentalidade pela primeira vez (Vreeswijk, Maas, Rijk & Bakel, 2014). Apesar de no presente estudo a idade dos participantes não se revelar uma variável significativa, o nível de escolaridade dos futuros pais, parece ter alguma influência na forma como descrevem as suas emoções e se projetam no futuro. Porém, o referido anteriormente não se revela determinante na qualidade do envolvimento do pai no processo de gravidez. Contudo, esta relação parece ser mediada pela mulher grávida, já que o contacto entre o futuro pai e o bebé, e o conhecimento de tudo o que acontece com o bebé depende da futura mãe. As experiências que o pai vai usufruindo durante a gestação, contribuem para a formação de significados e expectativas acerca daquilo que irá ser o seu desempenho no presente e no futuro. Sabendo a transição que se aproxima, os homens experienciam momentos de enorme felicidade e realização pessoal. Porém, o facto de ser um mundo altamente desconhecido e onde não assume qualquer controlo (Boyce, Condon, Barton & Corkindale, 2007), favorece uma certa ambivalência na vivência de certas etapas esperadas na gestação. Segundo Leary & Thorwick (2006), o pensamento convencional perspetiva a gravidez como uma "questão de mulheres", relembrando que num passado, não muito distante, não era permitido aos pais assistir ao nascimento do seu filho. Segundo uma perspetiva histórica, mostra-se claro que os homens ocuparam um papel marginal na transição para a parentalidade. Porém, são evidentes os esforços no sentido de envolver a figura masculina nos serviços de saúde materna e infantil. De facto, de forma progressiva, os pais são integrados nas diferentes fases da gravidez e em todos os aspetos que lhe estão associados (Plantin, Olukoya & Ny, 2011) De facto, a sociedade em geral parece, de certa forma, pressionar o futuro pai a estar presente e a envolver-se no período de gestação, não dando oportunidade para a integração e 59 expressão das inquietações e emoções. Assim, a ansiedade sentida face á transição que se aproxima parece relacionar-se com a redefinição de responsabilidades e prioridades, e o confronto com diversas ambiguidades (Bradley, Slade & Leviston, 2008) A pressão social referida anteriormente, parece interpretar e valorizar o papel do pai durante a gravidez enquanto uma figura de apoio para a mãe (Leary & Thorwick, 2006). E de facto, os dados deste estudo sugerem exatamente isso, na medida em que a procura da experiencia pessoal no período de gestação não se mostra evidente por parte dos homens, o que mais uma vez salienta a posição de controlo que a mulher desempenha neste período. Embora seja claro um aumento no envolvimento do homem durante a gestação, através do acompanhamento às consultas e ecografias pré-natais, da participação nas aulas de preparação para o parto e nos preparativos face à chegada do bebé, os dados deste estudo também sugerem que o próprio homem parece identificar-se como figura de apoio à mulher, durante a gestação e após o nascimento do bebé. Plantin, Olukoya e Ny (2011) salientam a mudança de perspetiva, já que atualmente o envolvimento do pai é identificado como benéfico para a mãe e bebé, realçando também a própria experiência do homem neste processo, promovendo o desenvolvimento da sua identidade enquanto pai o mais antecipado possível. Apesar dos dados sugerirem que as experiências durante a gravidez são tendencialmente associadas a emoções positivas, o momento do parto é também antecipado com alguma ambivalência, uma vez que o sofrimento da mulher e o primeiro contacto com o filho estão simultaneamente presentes. Os dados obtidos neste estudo também alertam para os receios e preocupações dos futuros pais face ao momento do nascimento do seu filho, evidenciando a necessidade de refletir acerca dos procedimentos hospitalares que rodeiam este momento. Segundo Bradley, Slade e Leviston (2008), os futuros pais que pretendem assistir ao parto, estão mais permeáveis a um certo sofrimento psicológico, alertando para o facto dos futuros pais apresentarem níveis de stress mais elevados, do que aqueles que seriam esperados para uma amostra não considerada clínica. Embora o parto represente o fim de todo o processo de gravidez, é considerado um momento altamente crítico e diretamente visível para o pai. De acordo com as expectativas dos participantes, ao parto estão associados procedimentos médicos complexos e uma perda de sangue significativa (Bradley, Slade & Leviston, 2008). Deste modo, as autoras alertam para o facto das circunstâncias que rodeiam o parto serem suficientes para o desenvolvimento de respostas sintomáticas, capazes de cumprir critérios de stress pós-traumático. 60 De forma a promover a expressão emocional e a integração adaptativa da experiência do parto por ambos os progenitores, Olin e Faxelid (2003) salientam a necessidade dos progenitores conversarem acerca da experiencia do parto, sobretudo aqueles que são pais pela primeira vez. Contudo, as autoras referem que não é claro qual das figuras sente maior necessidade de ter um espaço dedicado à experiência do parto. Ainda relativo ao momento do parto, os pais que desejam estar presentes, projetam-se como figura de apoio para amulher, estando de acordo com a proposta de Bobak, Lowdermilk & Jensen (1999) em que o papel do pai no momento do parto é identificado como incentivador, prestando apoio físico através de massagens e do toque, e emocional motivando e confortando a mulher. A presença do futuro pai no momento do parto, pode diminuir a dor, níveis de ansiedade e o cansaço sentida pela mulher. O facto de também contribuir para a diminuição da duração do trabalho de parto, reduz a necessidade de recorrer a medicação para atenuar a dor (Plantin, Olukoya & Ny, 2011) Já que a filosofia dos cuidados maternos é orientada para a família, as intervenções não devem ser apenas focadas na saúde e bem-estar das futuras mães e seus bebés, mas antes incluir a figura paterna nos cuidados pré-natais, de modo a facilitar a intimidade conjugal e a vinculação pai-bebé (Yu, Hung, Chan, Yeh& Lai, 2012). Os mesmos autores salientam a necessidade das mulheres grávidas, dos profissionais de saúde e da rede de suporte social, apoiarem os futuros pais nesta transição, já que os inúmeros desafios que ela coloca, podem favorecer algumas dificuldades na adaptação do homem a esta etapa da sua vida. Mesmo quando são oferecidas as informações necessárias sobre a gravidez e o parto aos futuros pais, o risco de ansiedade continua presente, sendo sugerida mais atenção por parte dos profissionais de saúde, sobretudo no que respeita à informação sobre a mulher e a gravidez, o parto, e a prestação de cuidados ao bebé (Boyce, Condon, Barton &Corkindale, 2007). Os mesmos autores salientam a necessidade dos profissionais de saúde se encontrarem mais conscientes dos factores de risco promotores de sofrimento psicológico por parte dos futuros pais, considerando a gravidez uma excelente oportunidade para apoiar os pais na vivência desta transição. Mostra-se relevante mencionar que este apoio apresenta benefícios quer para o próprio homem, quer para o seu bebé e companheira (Boyce, Condon, Barton & Corkindale, 2007; Plantin, Olukoya & Ny, 2011). O momento da primeira ecografia e o momento do parto ilustram o referido anteriormente, já que todo o pessoal médico se dedica à mulher, e do homem é esperado um determinado desempenho, que muitas vezes ambiciona e receia em simultâneo. 61 Apesar das experiências a que o homem está exposto durante a gestação favoreçam algumas crenças desajustadas e, consequentemente, receios e expectativas irrealistas, o momento em que vê pela primeira vez o seu bebé na ecografia, é associado a sentimentos e emoções positivas. Também após o nascimento do bebé os pais julgam experienciar sentimentos positivos, como felicidade, amor, ternura e protecção. No entanto, os pais que estão a vivenciar a parentalidade pela primeira vez, pensam que os sentimentos serão tendencialmente ambivalentes, já que associada à felicidade estão alguns receios por se considerarem inexperientes, por exemplo no momento do banho ou na interpretação dos comportamentos do bebé. Ainda relativamente à prestação de cuidados, os futuros pais identificam a mãe como a figura que possui maiores competências parentais, capazes de responder de forma mais ajustada às necessidades do bebé, já que, segundo os participantes, a ligação entre a mãe e o bebé é distinta de todas as outras. A experiência de outros familiares, sobretudo os avós do bebé, revelase importante para os futuros pais, identificando-os como figuras de apoio. O facto dos futuros pais partilharem uma percepção positiva do suporte social mostra-se essencial, já que, entre algumas variáveis, a rede de suporte social e a relação conjugal são aquelas que mais contribuem para um certo sofrimento psicológico, quando percepcionados como negativos (Boyce, Condon, Barton & Corkindale, 2007; Jordan, 1990). A literatura indica que os pais que se sentem reconhecidos no seu novo papel e percepcionam o apoio emocional recebido durante a gravidez como positivo, apresentam uma melhor saúde física e psicológica (Plantin, Olukoya & Ny, 2011). Uma vez que aos pais não lhe parecem proporcionar o devido tempo e espaço para a integração e reflexão acerca do novo papel que em breve irão desempenhar, a entrevista revelouse uma excelente oportunidade para reconhecer e valorizar o seu papel durante o processo de gravidez e após o nascimento do bebé, e validar os receios, preocupações, sentimentos e emoções partilhadas pelos futuros pais. Na realidade, o momento da realização da entrevista mostrou-se uma oportunidade para rever todo o processo de gravidez, proporcionando aos pais um espaço promotor da reflexão pessoal, tal como grande parte dos participantes salientaram. Por não lhes ser dedicada a atenção necessária durante a gravidez, parece-nos não haver oportunidade para os futuros pais desenvolverem construtivamente a sua identidade enquanto figura paterna. Como consequência do referido, os pais revelam dificuldade na expressão de expectativas quer em relação ao seu papel enquanto pai, quer no que diz respeito ao desenvolvimento do seu filho. 62 Embora alguns pais não expressem claramente que o processo de gravidez promoveu uma profunda experiência emocional, a forma intencional com a entrevista foi guiada e a adoção de uma postura compreensiva por parte do entrevistador, revelou-se essencial na forma como os futuros pais significaram e aproveitaram este momento apenas dedicado a eles. Durante o processo de recolha de dados, em duas situações a investigadora interrompeu os procedimentos inerentes à realização da entrevista (gravação áudio), já que os participantes mostravam uma enorme necessidade de “catarse e validação do seu sofrimento”, não se mostrando disponíveis para colaborar com a entrevista, aproveitando aquele momento conforme as suas necessidades. Tal como sugere Bryan (2004), observar, ouvir, falar e participar permitem ao investigador aprender e vivenciar o mundo social de forma quase idêntica aos seus participantes, proporcionando a vivência de detalhes e experiências únicas. CAPÍTULO VCONCLUSÃO 70 Horvat, I. (1995). O pai como força na família. In J. Gomes Bebé XXI: Criança e família na viragem do século. Lisboa. Fundação Caloust Gulbenkian. Jordan, P. (1990). Laboring for relevance: The male experience of expectant and new parenthood. Nursing Research, 39 (1), 11-16. Lamb, M. (1992). O papel do pai em mudança. Analise Psicológica, 1 (10), 19 -34. 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CONSENTIMENTO INFORMADO CONSENTIMENTO INFORMADO Ana Cláudia Freitas Ferreira, aluna do 5º ano do Mestrado Integrado em Psicologia, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, vem requerer a sua colaboração no estudo de investigação, sob a orientação do Prof. Doutor José Albino Lima, com o tema: “Envolvimento do Pai durante a Gravidez” O objectivo global deste trabalho é estudar os processos e as formas de envolvimento paterno durante o período de gravidez, bem como as representações e expetativas do pai em relação ao seu papel parental. A sua colaboração consiste na resposta a questões relacionadas com o seu envolvimento durante o período da gravidez, representações e expetativas face ao papel parental. Os dados recolhidos são anónimos e confidenciais, estando disponível para responder a eventuais dúvidas. Assinatura: _________________________ (Ana Cláudia Ferreira) ________________________________________________________________________ CONSENTIMENTO INFORMADO Reconheço que os procedimentos e objectivos da Investigação sobre este estudo me foram explicados, e, que me responderam de forma satisfatória a todas as questões por mim colocadas. Compreendo que tenho o direito de colocar, agora e durante o desenvolvimento do estudo, qualquer questão sobre o mesmo. Foi-me assegurado que os dados que me dizem respeito serão guardados de forma confidencial e anónimos. Compreendo que sou livre de a qualquer momento poder desistir do estudo, e que se tal acontecer, a qualidade dos cuidados de que posso beneficiar em nada será afectada. Consinto em participar de livre vontade neste estudo. Assinatura:_________________________________________ ANEXO 2. QUESTIONÁRIO SÓCIODEMOGRÁFICO QUESTIONÁRIO SÓCIODEMOGRÁFICO 1. Idade ________ 2. Local de nascimento__________________________________ 3. Escolaridade__________________________________ 4. Estatuto Profissional Empregado Desempregado 5. Profissão _____________________ 6. Estatuto matrimonial  Solteiro  Casado  Em regime de Coabitação/União de facto  Separado/Divorciado 7. Duração do casamento/coabitação_______________ 8. Duração do relacionamento com a mãe do bebé_____________ 9. A gravidez foi planeada? Sim  Não  10. É o primeiro filho? Sim  Não  11. Se não quantos filhos tem? ________ Outros dados a preencher pelo investigador: Semanas de gestação:______ Gravidez Normal  Gravidez de Risco  Sexo do Bebé: F  M  Número _____ ANEXO 3. GUIÃO ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA 18 (1) 1.Como define o momento em que soube que ia ser pai? É um momento de muita felicidade. Foi uma coisa planeada, tanto eu como ela queríamos, estou muito feliz mesmo! Gosto muito de crianças e é uma felicidade enorme. 2. O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? De momento acho que não mudou nada. Acho que pode mudar a nível de responsabilidades, pensar no futuro… mas de momento, acho que para já se mantém tudo igual. 3. Como descreve o momento em que o viu pela primeira vez na ecografia? É muito emotivo! Acho que a gente começa a pensar quando é que chega a hora de ele nascer, e queremos vê-lo cá fora, para poder brincar com ele, e essas coisas… Acho que vêm muitas ideias à cabeça. É aquela coisa da felicidade que nos rodeia durante o dia-a-dia. 4.Como é que tem contatado com o seu filho ao longo destes meses? Meter a mão na barriga da mãe e tentar senti-lo a maior parte das vezes, já que não dá para ver. 5.O que acha que vai sentir quando o vir diretamente pela primeira vez? Acho que vou chorar. Muito sinceramente acho que vou chorar quando o vir nascer, planei-o vêlo nascer, assistir ao parto. Acho que vou chorar, mesmo! Não há outra emoção… é essa a ideia que tenho. 6.Quais são as suas emoções e sentimentos quando fala ou pensa no seu filho? Não sei, começo a imaginar-me de pai. É algo que nós queremos e que eu quero. Quando a gente fala numa coisa que é nossa, sente-se sempre aquela responsabilidade que nos pertence. E é assim que eu começo a falar “o meu filho”, “o meu filho X (nome)”… eu hoje vou vê-lo, hoje mexe-se muito… 7/8Parto Já. Tenho um bocadinho de receio de não conseguir ajudar a minha esposa naquilo que me é acessível. Sei que vai ser doloroso para ela, mas será depois um momento muito recompensado. (Pretende estar presente?) Sim, claro! (o que o motiva a estar presente?) É um momento marcante. É a primeira vez que o vou ver, é a primeira vez que ele sai de lá de dentro. Aquele impacto que nós vamos ter. E também, se me for possível, quero cortar o cordão umbilical. Já que na gravidez calha quase tudo à mãe, a ver se consigo ter essa felicidade. É a primeira vez que vamos ver o nosso filho e gostava de estar presente, claro que sim! 9. Em que medida a sua presença no parto foi abordada entre o casal? Sim, ela faz questão que eu esteja lá. Eu também tenho vontade de lá estar. Sem dúvida que é dos dois. 10. Tem alguma preocupação ou receio relativamente ao seu desempenho enquanto pai que gostasse de partilhar comigo? Tenho sempre, da maneira como isto está uma pessoa nunca sabe. Não vou falar em emprego que é muito cedo, mas talvez na adolescência. Há muitos caminhos que eles escolhem, e há sempre aquela preocupação se ele se vai saber orientar na ausência dos pais. E há sempre aquela preocupação, tirando isso, tem que se estar presente e sabê-lo guiar. Mas tirando a preocupação dos maus caminhos, para já, que é o que eu mais penso, não tenho. 11. Em que medida se sentiu envolvido ao longo destes meses? A gente faz sempre o possível para que a nossa esposa se sinta bem. Tentar fazer alguma coisa para que ela no dia-a-dia se sinta apoiada, muitas vezes está mal disposta e a gente tenta sempre dar a volta à situação, e dizer que futuramente vamos ser recompensados por isto. É difícil e acredito que para ela seja mais difícil, mas a gente tenta sempre maneira de dar a volta à situação e ajudar naquilo que for possível. (presente nas consultas e ecografias) Sinto-me envolvido a 100%. Naquilo que eu posso fazer, ando sempre com ela, só falhei a uma (consulta) porque tive que ir trabalhar e não houve outra hipótese. Também gosto de estar interessado e saber. 12. Como imagina o seu dia-a-dia com o seu filho? O que acha que vão fazer em conjunto? O momento de felicidade. Vejo-me a chegar do trabalho todos os dias e ver o meu filho feliz por me ver a chegar a casa. Acho que a ideia que eu tenho é essa. Talvez não de manhã que a gente acorda e ele está a dormir, mas mais quando chegamos a casa ele estar bem-disposto. Brincar, jogar à bola. A gente tem sempre a ideia que ao menos seja como o pai. Que seja feliz, que seja uma pessoa alegre e que se saiba divertir. Brincar com um cão que tenho em casa, jogar à bola. Essas coisas assim que eu fazia quando era miúdo e que agora tenho a ideia que ele também faça. 13.Em que medida acha que vai influenciar o desenvolvimento do seu filho? E ele o seu? Eu acho que ele só depende de nós. Mesmo a educação que nós tivemos, acho que passa também um bocadinho para ele. Nós devemos aos nossos pais aquilo somos hoje em dia, e acho que ele também vai passar por isso. Tudo passa por nós. Na minha ideia tem que dar valor a tudo, tudo terá o seu tempo. A família é muito importante, os pilares. A educação, seguir a minha. Os maiores valores: saber respeitar, saber levar a vida no dia-a-dia, e tem que dar valor àquilo que se vai tendo. Tem que haver esforço por aquilo que se tem que fazer. Tem que lutar por alguma coisa, objectivos na vida. Tudo terá o seu tempo, mas vou tentar sempre dar a entender o valor das coisas. (E ele o seu?) De alguma forma a gente vai aprender com ele, é o primeiro filho. A gente vai aprender e vai-se habituar com ele. Eu acho que vou ter que aprender a conviver com ele, primeiro. Depois vai crescendo e vou aprendendo coisas com ele. 14. O que representa para si ser pai? Ser pai é o realizar de um sonho. É uma felicidade enorme deixar aqui alguém que nos siga. A minha ideia, como o meu pai é um exemplo para mim, gostava que ele pensasse da mesma forma. Que o pai dele fosse um exemplo para ele. E isso é uma coisa que nos dá muita alegria, que nos dá gosto. Eu tenho gosto em viver, e tenho gosto em ter um filho precisamente por isso. Eu sei que vou poder viver com ele momentos que vivi com o meu pai. E vou tentar dar sempre ao meu filho aquilo que puder e o que imagino. Ver e sentir que ele tem orgulho em mim, em tudo. Ser pai é bom por isso… saber levá-lo e chegar a um patamar e dizer que “eu gosto do meu pai por isto ou por aquilo”! 19 (1) 1.Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? Felicidade! Quando ela soube que estava grávida contou-me. Foi um momento de muita felicidade. 2.O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? Pouca coisa porque eu sempre tive o sonho de ser pai. E é um sonho que está a ser realizado. Mais responsabilidade, olhar para o futuro de outra forma provavelmente. A vida vai trocar um pouco, enquanto uma pessoa é sozinha é solteira e depois casa, já troca ali um pouco. Depois quando sabemos que vamos ter um filho, temos que mudar a nossa vida perante o nosso filho. Como fazer compras para mim ou para a minha mulher vou deixar de fazer, vou pensar sempre em primeiro lugar no meu filho. Se ia jantar duas/três vezes por semana, já não vou poder ir. E é assim este tipo de mudanças. 3. Como descreve o momento em que a viu pela primeira vez na ecografia? Foi um bocadinho… fiquei contente como é óbvio, mas é um bocadinho estranho. A primeira ecografia é aos três meses, uma pessoa fica à espera de mais, e na primeira ecografia não se conseguiu ver o sexo e assim… a gente ouve falar, já vais ver o sexo e tal… Depois na segunda ecografia já deu para ver melhor, já deu para ver os traços da cara, os bracinhos, os membros superiores e inferiores. 4.Como tem contatado com a sua filha ao longo destes meses? Todos os dias, se posso e estou com a mãe. Falo com ela, quando ela mexe um pé, ou está a mexer e aleija a mãe eu digo para não aleijar a mãe. Ponho a mão na barriga todos os dias! 5. O que acha que vai sentir quando a vir diretamente pela primeira vez? Não sei! Isso é uma coisa que uma pessoa pode imaginar, mas só no momento é que … é que vai ser um momento único! Imagino um momento com muita felicidade e alegria. Não sei… vai ser uma emoção muito… Eu não sei se vou assistir ao parto, só na hora é que eu vou decidir. É uma mistura de sentimos que não dá… só depois de o viver é que a gente pode dizer qualquer coisa. Até lá pode imaginar mil e uma coisas… 6.Quando pensa ou fala na sua filha quais são os sentimentos e emoções que estão associadas? As emoções são muitas! Já muitos colegas meus têm filhos, e já penso nela. Quando ela começar a andar, quando ela começar a dizer pai, quando ela começar a dizer mãe, já começo a pensar nessas coisas todas! As emoções?! É um bocadinho relativo! Peço que ela venha com saúde, e a partir daí é o dia-a-dia, nada de especial. 7/8 Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Pretende estar presente? O que o motiva? Não sei se vou assistir ao parto, só na hora é que vou decidir. Tenho fobia a sangue e essas coisas todas, na hora se tiver coragem vou. 9. Em que medida a sua presença/ausência no momento do parto foi abordada entre o casal? Sim, sim! 10. Em que medida se sentiu envolvido ao longo destes meses de gravidez? Senti-me envolvido, mas não vou dizer a 100% porque ela está na barriga da mãe. Tudo aquilo em que eu possa envolver eu estou lá! Vou sempre com a mãe a todas as consultas, ajudo a mãe em tudo que posso. Cozinho, limpo a casa… tudo! Nas compras que fizemos para ela, a escolher o carrinho, a escolher a cama. 11. Tem alguma preocupação ou receio relativamente ao seu desempenho enquanto pai que gostasse de partilhar comigo? Sim para o futuro tenho preocupação, se ficar desempregado como é que vamos dar as melhores condições ao meu filho. Imagine que eu fico desempregado, como é que vou sustentar a minha filha? Na sociedade em que estamos hoje em dia é muito complicado um filho chegar à escola, e “olha papá eu também queria aquilo… Não te posso dar!” Acho que magoa muito um pai e uma mãe não poderem dar o melhor ao filho. 12. Como imagina o seu dia-a-dia com o seu filho? O que acha que vão fazer em conjunto? Vai ser agitado, devido ao meu trabalho não vou estar cá, não vou estar presente todos os dias. E quando estiver fora vou estar preocupado. Eu consigo articular, porque eu saio à segunda e entro à quarta, ou saio a quarta e vou à sexta! (O que acha que vão fazer em conjunto?) Tudo e mais alguma coisa. Dar banho, brincar com ela… Tudo o que se pode fazer. Ir ao parque, ir com ela ao hospital ver se está bem, às consultas de rotina. Acompanhar! 13.Em que medida considera que pode influenciar o desenvolvimento da sua filha? E ela o seu? Vou influenciar naquilo que eu achar mais correcto para ela, eu e a mãe. A educação, depois no tempo dela ir à escola… (valores) Os valores que os meus pais me ensinaram. Um bocadinho diferente, mais abertos. (filhopai) Isso não sei! Mas pode influenciar em muita coisa, agora não sei, isso depois no dia-adia é que… Já me vai influenciar, porque eu fumava e entretanto estou a deixar de fumar. Vamos vendo depois no dia-a-dia. Nunca posso dizer que não, mas em princípio, pode haver algum ponto que ela possa influenciar. Ela vai ser a minha prioridade e não eu! 14.O que representa para si ser pai? Ser pai é uma grande responsabilidade, porque mesmo que digam que após os 18 anos são maioridade, não deixam de estar à responsabilidade dos pais. Antigamente chegavam aos 18 anos e iam à vida, hoje em dia já não é assim. Vai ser uma grande responsabilidade para o resto da minha vida. É um compromisso, que não é como casar. Nós hoje em dia podemos casar e depois podemo-nos divorciar, um filho não, é sempre um compromisso para o resto da nossa vida! Temos que lhe dar o melhor que vemos para ela em conjunto, pai e mãe! Ensinar-lhe os valores mais correctos da sociedade de hoje em dia. 20 (1) 1.Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? Contente, alegria! Não é o primeiro. Acho que é uma coisa boa! 2.O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? Mudou muita coisa. Antes uma pessoa pensava para si, agora tem que pensar para a família. Antes uma pessoa fazia tudo sozinha, agora tem que fazer a quatro. É muito diferente! Em tudo! Uma pessoa pensa em sair à noite, não pode pensar em si, tem que pensar na família toda. Primeiro estão os filhos, depois é que está o resto. 3. Como descreve o momento em que viu o seu filho pela primeira vez na ecografia? Senti-me contente. Vimos as mãos, vimos a cabeça… Depois na segunda estava mais desenvolvida, já dava para ver melhor a boca, o nariz. Já foi diferente! 4. Como tem contatado com a sua filha ao longo destes meses? Meto a mão na barriga, sinto-a a mexer. O meu rapaz é que é mais, está muitas vezes a dar beijinhos, faz-lhe os mimos todos. Eu estou a trabalhar, mas à noite é sempre. 5. O que acha que vai sentir quando vir o seu filho diretamente pela primeira vez? Vou sentir um bocado de medo, porque é uma coisa muito pequena. Mas vou ficar contente. 6.Quais são as suas emoções e sentimentos quando fala ou pensa no seu filho? É de alegria. Estou contente, nós queríamos isto. 7/8 Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Pretende estar presente? Não, isso não! Tenho um bocado de medo, porque eu desmaio e tudo. E isso vou deixar para a minha mãe. Venho trazer a mulher e depois encarrego a minha mãe. Tenho um bocado de medo de sangue. Fico aqui, mas a minha mãe é que vai assistir ao parto. 9.Em que medida a sua ausência no momento do parto foi abordada entre o casal? É normal. Prefiro assim e a minha mulher sabe como é que eu sou. No primeiro filho também não fui, foi a minha mãe. Ela sabe bem que eu desmaio, e o médico tem que a socorrer a ela. Não há problema! 10. Em que medida se sentiu envolvido ao longo deste meses de gravidez? Participei em tudo, vim com ela às consultas, onde ela vai ao longo da gravidez eu vou sempre com ela. Acho que foi bom, estive sempre presente. Acho que não há muito mais para me envolver, vai-se à consulta, acho que um pai não pode fazer mais. O pai sente a filha a nascer, mas é de uma maneira diferente. Uma pessoa mete a mão na barriga e sente. Ela sente de outra forma, é diferente! Ela sente mais porque é a nível interior. Uma pessoa sente mais porque é a nível exterior. 11. Tem alguma preocupação ou algum receio relativamente ao seu desempenho enquanto pai que gostasse de partilhar comigo? Acho que não! Se for como o meu primeiro filho é paixão à primeira vista. É filho é filho, seja bonito seja feio. Tenho a ajuda da minha mãe, acho que não há problema. 12. Como imagina o dia-a-dia com o seu filhao O que acha que vão fazer em conjunto? Como eu sou padeiro vai ser um bocado duro, eu trabalho de noite e tenho que dormir de dia. Mas acho que vai ser bom. Dar banho, dar comida, passear na avenida, essas coisas… 13.Em que medida considera que pode influenciar o desenvolvimento do seu filho? E ele o seu? Acho que vou fazer como fiz do primeiro, dar-lhe amor e carinho. Acho que já desenvolvi da primeira vez, ao nível da mentalidade mudei bastante. Eu tive o meu rapaz com 18 anos, uma pessoa com 18 anos é um puto, a mentalidade muda bastante, tem que pensar como pai. Pensar como pai é pensar primeiro nos filhos e depois no resto, nas discotecas… Uma pessoa pensa nisso depois, prefere é estar com eles. 14.O que representa para si ser pai? A melhor coisa do mundo. É uma fase da vida muito boa! É uma coisa que gostámos, que vamos amar até morrermos. 21 (1) 1.Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? Num primeiro momento foi uma surpresa. Já tínhamos tentado várias vezes, mas a primeira vez correu mal. À segunda é que foi concreto mesmo. Fomos comprar vários testes à farmácia para ter a certeza. Nós estávamos em casa de manhã, foi um domingo, fui à farmácia e comprei dois testes. Trouxe para casa, ela fez e deram os dois positivos. Ligou às irmãs, e vieram as irmãs a correr. Foi muito fixe! 2.O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? Muita coisa. Tive que me tornar mais responsável, sou novo, tenho 24 anos. Tive que me tornar um homem, mais responsável nas minhas coisas. Responsabilidade e as minhas atitudes em casa. Uma pessoa com 24 anos quer sair à noite com os amigos, com a gravidez já não é a mesma coisa. Embora saísse na mesma, já não era a mesma coisa. 3.Como descreve o momento em que viu o seu filho pela primeira vez na ecografia? Tenho lá as fotografias… Foi fixe! Foi uma alegria porque uma coisinha tão pequenina, de três milímetros já dava para ver aquilo, imagino agora… Foi comovente! 4.Como é que tem contatado com o seu filho ao longo deste tempo? Tento falar com ela, passando a mão na barriga. Por exemplo, eu sou do Benfica e íamos ver o jogo e falava com ela “olha foi golo do Benfica”, e ela parecia que percebia porque mexia-se. Era incrível mesmo. 5. O que acha que vai sentir quando vir a sua filha diretamente pela primeira vez? Não sei! Mas todos me dizem que é um choque pelo lado positivo. Os meus colegas que já são pais, que me falam, dizem que é um momento único. Já imaginei, por um lado tenho medo de não conseguir aguentar o parto. Mas quero tentar estar lá, quero estar ao lado da minha esposa, apoiá-la e ver a criança nascer. 6.Quais são as suas emoções e sentimentos quando fala ou pensa no seu filho? Que corra tudo bem, que ela seja feliz. Que eu esteja à altura de ser pai. Eu tive problemas com o meu pai e espero não cometer os mesmos erros que ele cometeu comigo. 7/8 Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Pretende estar presente? O que o motiva? Sim! Por aquilo que vejo na televisão e pelo que li e pelas imagens que vi, acho que a minha esposa precisa de alguém ao lado dela para lhe dar apoio, e acho que a primeira pessoa que ela deve ter sou eu. É um momento de dor e sofrimento para ela, e tentarei dar-lhe o máximo de apoio possível da minha parte. O meu colega também já me falou nisso (no cordão umbilical), porque ele cortou e eu também quero cortar. 9.Em que medida a sua presença no momento do parto foi abordada entre o casal? Desde o princípio que soubemos que estava grávida que eu sempre disse que queria assistir ao parto, e ela aceitou, nunca esteve contra. 10. Em que medida se sentiu envolvido ao longo deste processo de gravidez? Tentei acompanhá-la ao máximo nas consultas, nas ecografias, em tudo! Por vezes o meu trabalho não me deu oportunidade, mas sempre que tive oportunidade vim com ela. Não pude ir com ela às aulas de preparação porque eram de manhã e eu trabalho de manhã, por isso não dava. Mas de resto sempre que pude estive presente. (quando não podia, quem acompanhava?) Maior parte das vezes veio sozinha, uma vez ou outra veio uma irmã. Eu acho que fiz o meu máximo e dei o meu máximo. Ela sempre aceitou, nunca se opôs (ao envolvimento). 11.Tem alguma preocupação ou receio relativamente ao seu desempenho enquanto pai que gostasse de partilhar comigo? Acho que não. É uma coisa que terei que aprender no dia-a-dia. Cada dia será uma experiência nova. Vou ter que me tornar outra pessoa, vou ter que ser mais responsável. 12.Como é que imagina o seu dia-a-dia com o seu filho? O que acha que vão fazer em conjunto? Vai ser uma alegria. Os primeiros dias vão ser complicados, porque toda a gente vai querer visitála. A minha esposa tem 11 irmãos, vai ser algo incrível. Mas depois entre nós, eu, a minha esposa e a minha filha, no nosso canto vai ser mais sossegadinho. Uma coisa que eu já disse à minha esposa é que quando ela tiver 3 anos vai ao Estádio da Luz comigo. Mudar as fraldas, dar banhinho, dar o biberão… acordar a meio da noite. 13. Em que medida considera que irá influenciar o desenvolvimento da sua filha? E ela o seu? A aproximação que a minha filha terá no futuro comigo, espero que seja diferente daquela que eu tenho com o meu pai. Isso foi o que ele não fez comigo e eu pretendo fazer com a minha filha. Quero que ela tenha uma relação comigo para além de pai, de amizade. Uma pessoa com quem ela possa contar, estar ali sempre presente. Eu não tive essa hipótese! (valores) Os melhores! Que ela tenha tudo de bom! (filha pai) Irei crescer como pessoa! Irei ter que cuidar da minha filha e ficarei mais maduro. A minha disponibilidade e a minha presença em casa terão que aumentar, seguramente! Devido à minha profissão, a minha disponibilidade em casa neste momento é pouca. 14. O que representa para si ser pai? Ser pai é ser o pilar da família e da minha filha! Ela tem que saber que vai ter ali alguém ao lado dela que gosta dela, com quem ela pode partilhar tudo. Vou ter que a educar… vai ser bom! Uma tarefa, um desafio na minha vida e que vou ter que conseguir! 22 (1) 1.Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? No fundo é o realizar de um sonho. Sempre planeamos ter mais que um filho, visto que a minha esposa é filha única e eu tenho cinco irmãos, o objectivo nunca era ter só um. Com um bocado de receio porque já houve um aborto na primeira gravidez, a segunda correu bem, e esta felizmente está a correr bem. 2.O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? Se calhar maior responsabilidade, porque é uma vida que depende muito de nós para o seu desenvolvimento. O casamento a dois é uma coisa, agora a três ou quatro aumenta a responsabilidade. (prioridades) São totalmente diferentes, primeiro está sempre o filho. Claro que não descurando a atenção um do outro, mas o filho é sempre o mais importante, precisa de mais atenção. 3.Como descreve o momento em que o viu na ecografia pela primeira vez? 9 - Em que medida a sua presença no momento do parto foi abordado entre o casal? Ainda não se falou nisso. Eu penso que sim, porque da primeira eu perguntei se podia assistir, e disse que não porque ia ser cesariana. 10 - Em que medida se sentiu envolvido ao longo deste processo de gravidez? Eu senti-me sempre presente. Estou sempre presente a ver o que faz falta, se são precisas algumas coisas. Sinto-me presente no momento. Acompanhamento da gravidez a todo o momento. Se estou em casa estou pendente. Se chego do trabalho e quero fazer alguma coisa fora de casa, antes de sair vejo se está bem, se precisa de alguma coisa, se quer ajuda para o que faz falta fazer em casa, e estou lá para isso. Primeiro chego a casa e vejo como é que está a situação, como é que estão as filhas e como é que está a mãe, e depois se estiver tudo bem venho me embora e tento trazer a filha comigo que é para a mãe estar mais descansada. Se ela se sente cansada, fica deitada descansada que eu trato do resto. 11 - Tem alguma preocupação que gostasse de partilhar relativamente ao desempenho do seu papel de pai? Eu como pai sinto-me um pai presente, tento compartir o que eu gosto com ela. Está bastante entretida comigo, quando estou em casa vou para a garagem fazer mecânica e ela vem também. Andar de bicicleta, ver rally… (Tem alguma preocupação…) Não. Acho que vou ser igual como fui com a primeira, acho que os resultados têm sido bons porquê não os repetir. (Como foi na primeira filha?) Quando ela nasceu era tudo novidade e havia sempre “será que vou ser capaz de fazer bem, será que…”. Correu sempre tudo bem, as brincadeiras também correram sempre bem… os cuidados correram sempre bem. Se correu bem uma vez porque não correrá bem na segunda?! Já não é um passo no desconhecido. Já há uma experiência antes que tem influência. 12 - Como acha que vai ser o seu dia-a-dia com ele? O que vão fazer em conjunto? Eu acho que vai ser como foi da primeira. Bastante animado e entretido. Por causa das tarefas, por causa do contato, por causa de chegar a casa e pegar e deitá-la no meu corpo. E estar ali sossegado… deixem-me estar ali com a minha filha, que ninguém me chateie. São momentos que é preciso vive-los. Acho que vai ser tudo compartido. Alternar, conforme for preciso fazer as coisas, fazer-se. Não estar à espera que faça um ou que faça outro. 13 - Em que medida considera que irá influenciar o desenvolvimento do seu filho? E ele a si? Não sei. (Na primeira o que é que fez para que ela crescesse e se desenvolvesse?) Foi incentivá-la, mostrando e explicando as coisas e as curiosidades, o tacto, as cores, para que é que serve o quê, o que faz. Estar com ela “olha isto é um papel, serve para riscar com esta caneta, isto é a cor azul”, explicar-lhe tudo. Quando ela faz asneiras dizer que está mal e porque é que está mal. Acho que isso foi um ponto de apoio, o explicar-lhe porquê sempre, tanto o bem como o mal, foi uma coisa que ela aprendeu e desenvolveu. (valores) Humildade e honestidade. (filhopai) Elas influenciaram-me no sentido de ser uma preocupação, antes era eu e ela, agora não… sou eu, as minhas filhas e a minha companheira. Porque se não está um tem que estar o outro. Ambos temos que lidar com a situação de forma igual, de forma a não nos contradizermos um ao outro. 14 – Em suma, o que representa para si ser pai? Uma preocupação! Uma parte de preocupação e muita alegria. Depois os sentimos que fazem sentir, que não se consegue explicar. Surpreendem (os filhos) de um dia para o outro. (O que sente quando lhe chama pai?) Estou a ficar velho. O tempo passou muito rápido, desde os 22 para a frente. Ela faz-me ver que o tempo está a passar muito rápido, uma pessoa tem uma rotina instalada e o tempo está a passar, ela vai desenvolvendo e tu vais mudando sem te aperceberes. Faz-me pensar que isto está a passar muito depressa e estou lá todos os dias e vivo todos os dias… Com a segunda acho que vai ser no mesmo patamar, a mesma linha de crescimento. As rotinas vão mudar e vai acrescentar mais uma preocupação. Da primeira vez era uma preocupação porque era a primeira, agora é a preocupação de ter a segunda e a primeira vai estar atrás e vai querer fazer. Tenho que ver a reacção para ver se ela vai ter ou não ciúmes. Se ela tiver o mesmo cuidado que tem com os bonecos, vai ser um perigo porque é muito possessiva. 24 (1) 1.Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? Foi bastante emocionante, felicidade! Até foi numa altura em que não estávamos a contar, porque já estávamos a tentar há uns meses e foi mera coincidência. Compramos o teste no Continente. Chegamos a casa, ela fez e deu positivo. Ainda hoje guardamos esse teste! 2.O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? Sei lá… muita coisa! Os sentimentos também mudaram um pouco. Mais sensível! Mas talvez mais responsabilidade, faço a minha vida de uma outra forma, se calhar com mais cuidado. Na altura até foi um bocado stressante, estávamos sempre preocupadas que não houvesse dinheiro. E às vezes até provocava um pouco de stress, e não é necessário. Mas se calhar com mais cautela desde que soubemos, para não ter tantos gastos. 3.Como descreve o momento em que o viu na ecografia pela primeira vez? Primeiro foi uma coisa muito pequenina. Se calhar quando ouvi o coração a bater, aí é que foi um momento diferente. Muito emocionante, mas estranho ao mesmo tempo. É difícil entender como é que aquilo acontece, de um momento para o outro aparece ali um coração a bater… é tudo um bocado estranho. Depois no terceiro mês quando vemos o perfil do bebé, aí é completamente diferente. No primeiro trimestre a Doutora tinha dito que era uma menina, e eu estava convencido que era um menino desde o início. Só depois no segundo trimestre é que deu para ver que era um menino, fiquei bastante contente! A mãe queria uma menina, mas eu não, desde o início era um menino. 4.Como é que tem contatado com o seu filho ao longo destes meses? Mais presente um bocadinho à noite. Embora ela às vezes se queixe que eu não falo para ele. Mas eu também já lhe disse que se calhar sentimos as coisas de uma outra forma, se calhar nesta fase como já sentimos o bebé é diferente, já falo para ele, passo a mão na barriga. Mas no início se calhar, não era não estar presente, mas como não sentimos o bebé, é diferente da mãe. Nesta altura, a partir do momento em que começamos a sentir o bebé a mexer e colocámos a mão na barriga e sentimos é diferente! À noite já dá aquela vontade de ter lá a mão e de falar para ele, pôr um pouco de música. Ao início se calhar um pouco mais afastado. Não era por mal, mas não sentíamos da mesma forma. Ela chamava-me à atenção, e eu dizia-lhe que se calhar era mesmo por isso, por sentir de forma diferente. Agora nota-se, uma pessoa encosta-se à barriga, sente de forma diferente. (Isso mudou quando?) Primeiro quando comecei a ver na ecografia ele a mexer-se, mas a partir do momento em que vi a própria barriga a mexer-se e com as mãos sentir o bebé, acho que a partir daí foi diferente. Porque antes não sei. Não sei se todos os pais são iguais, mas como não sentimos o bebé, acho que o sentimento é diferente do da mãe que já sente de outra forma. 5.O que acha que vai sentir quando vir o seu filho diretamente pela primeira vez? Não sei. Uma alegria se calhar muito grande! É uma coisa tão desejada. Já gostaria até de ter tido há uns anos atrás. Se calhar uma das maiores alegrias da minha vida, esse momento. 6.Quando fala ou pensa no seu filho quais são as emoções e sentimentos associados? Ser pai… nós já nascemos para isso, para deixar cá uma marca nossa. Penso nele daqui a uns anos. É isso que eu vejo no meu filho. O que ele vai fazer, se vai seguir os meus passos, se vai andar comigo de bicicleta. Na fase de bebé não tenho muitos pensamentos. Não é já crescido, mas “miúdo”, são essas imagens que eu vou tendo na minha cabeça. 7/8. Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Pretende estar presente? O que o motiva? Não muito. Aliás vou pensando, até nem falo muito com ela, porque ela está sempre com medo. Está sempre a dizer “se fosse cesariana…”, embora eu gostasse que fosse normal para poder acompanhar. Mas penso… mas não é uma coisa que me esteja a preocupar muito. (Pretende estar presente?) Só se não puder mesmo. (O que o motiva?) Talvez por ser o momento mais importante da minha vida. Do parto com ela não (falo), talvez para não a preocupar. Evito até que ela fale do assunto, porque está sempre com medo. Como eu trabalho longe, às vezes numa emergência posso não estar presente. 9.Em que medida a sua presença no momento do parto foi abordado entre o casal? Sim, sim. Ela até achava que eu não tinha coragem para estar presente, mas eu faço questão de estar. Se for cesariana é que não, mas neste momento tudo indica para um parto normal. 10. Em que medida se sentiu envolvido ao longo destes meses? Não sei se é por ser homem, as roupinhas ela é que escolhe tudo, não tenho aquela iniciativa de ser eu. A mim se calhar cabe-me mais a parte do quarto, a caminha, isso sim fui eu que tomei a iniciativa, até mais preocupado com a segurança dele do que com outras coisas. Mas em termos de roupinhas e cremes, estou completamente a leste, não é comigo. Se calhar ela também me deixa à-vontade nisso, e ela é que tem tratado de tudo. Se calhar mais preocupado até com a saúde, as consultas e tudo. Se calhar até ando mais a par com os cuidados que ela deve ter, se calhar até chamo mais à atenção. Com o bebé, para preparar o nascimento dele é mais com ela e não tanto comigo. Se calhar o envolvimento e a preocupação nestes meses tenha sido mais nisso, talvez na preocupação nas consultas, ver se está tudo bem, os valores, as picagens das diabetes. Se calhar nesta fase final já me preocupo mais em saber se já está tudo pronto para o receber, se tem tudo. Se calhar no inicio não, mas nesta fase talvez por sentir as coisas de outra forma. (Presença nas consultas) Vim sempre, só falhei a uma devido ao trabalho. Lá está, essa preocupação em saber se está tudo bem, sempre a acompanhei desde a primeira à última. Também para ela sentir que está mais segura e saber que está a ser acompanhada. 11.Tem algum receio ou preocupação em relação ao seu desempenho enquanto pai que gostasse de partilhar comigo? No início acho que tive mais medos do que agora. Talvez de perder o bebé, que ela não tivesse tantos cuidados. Controlar as diabetes, fiquei bastante preocupado mas depois vi que há muitas grávidas assim e isso deixou-me mais tranquilo. Depois ela também tinha os valores da anemia um pouco baixos, o que me deixou um pouco preocupado. Mas neste momento não, medos não tenho, a não ser mesmo o parto que me preocupa um pouco. É uma coisa que não depende tanto de nós, depende das pessoas que estão a olhar por ela. Mesmo que uma pessoa queira controlar não pode. São as coisas naturais da vida que nos preocupam. Medos, medos não tenho tido. No início foi pior, talvez porque a gente já andava a tentar há algum tempo e até à data não tinha conseguido. Ela até fez questão de dizer à família, eu era mais cauteloso, pelo menos nos primeiros dois meses tentava que ninguém soubesse, talvez para nos proteger a nós também. Depois de nascer preocupa-me a saúde. Não me preocupam as noites mal dormidas, não me preocupo com nada disso. Preocupo-me é que venha com saúde e que não tenha problemas graves, pelo sofrimento dele e o desgaste também da mãe. (E quanto ao seu desempenho enquanto pai?) É uma coisa muito desejada, eu acho que vou cumprir com o meu dever - criá-lo, tentar que não lhe falte nada, principalmente a alimentação, educá-lo. Cumprir com os deveres e as obrigações porque é um ser que depende muito dos pais para tudo, e a nossa obrigação é criá-lo. Mas há aquelas horas quando já não há descanso, isso aí já não posso falar muito. Sei que há situações muito complicadas. Quando os pais já estão muito cansados, já não pensamos da mesma forma e aí é preciso ter calma. Mas na minha maneira de pensar agora, é que vou estar presente quando ele precisar e irei ter todos os cuidados. 12.Como imagina o dia-a-dia com o seu filho? O que acha que vão fazer em conjunto? Os primeiros dias eu acho que nem vou querer ir trabalhar, ou vou tentar sair mais cedo do trabalho para estar com ele. Se calhar sempre ansioso para chegar a casa. Depois mais para a frente não sei. (O que se imagina a fazer em conjunto com o seu filho?) Tanta coisa. Faço ciclismo e vejo nele isso, mas se ele não seguir esses passos, não é isso que me preocupa. Mas era uma alegria que me dava, ele acompanhar-me. É isso e gosto muito de animais. Gostava de o ver a tratar dos animais comigo, é uma das imagens que eu tenho na minha cabeça. Uns passeios… mas se calhar aquilo que eu tenho mais nas imagens que tenho em mente é mesmo isso, ele a acompanhar-me nas minhas voltas de bicicleta, ajudar-me a tratar dos animais. A três umas férias, acho que também estamos a precisar. Para já este ano e se calhar para o próximo ano não, mas quando puder acho que vai ser isso. Umas férias diferentes, até agora têm sido a dois e agora vão ser a três, e enquanto for pequenino acho que até vai ter a sua piada. Mais desgastantes se calhar, mas se calhar vai marcar de uma outra forma. 13.Em que medida considera que irá influenciar o desenvolvimento do seu filho? E ele o seu? Eu sou um bocado como o meu pai, não é por eu ter aquela ideia que ele tem que seguir aquilo. Mas tentar que ele faça as coisas da forma mais correcta. Estou a pensar daqui a alguns anos, quando ele for para a escolinha, aí tentar que ele dê prioridade aos estudos. Vou tentar dar o mesmo apoio que o meu pai me deu a mim. Que o crescimento dele seja bem acompanhado por mim e tentar fazê-lo ver que se calhar os estudos e a formação dele vão ser muito importantes. É talvez das coisas mais importantes para a vida, é a formação desde a primária até ser adulto. Acho que isso é que vai fazer dele gente um dia. Depois o acompanhamento dele na fase de menino, vou tentar estar atento para que ele se consiga dar bem com os outros meninos, que consiga partilhar as coisas com os outros meninos, saber dividir, estar atento um pouco a isso. Emprestar. (filho pai) Já mudou um pouco. Ser mais cauteloso, dar valor a outras coisas que se calhar antigamente não dava, como a família, se calhar estar mais presente com a família. Não é que eu estivesse ausente, mas se calhar hoje em dia dou mais valor à família. Se calhar aquela união e aquele laço tornaram-se mais fortes. Também faço questão que o meu filho nasça nesse ambiente. Daqui para a frente não sei. A nível profissional já mudou um pouco, fez-me ser mais objectivo, criar mais objectivos e ser mais cauteloso no meu trabalho. Não é que eu não fosse até agora, mas se calhar hoje em dia… Havia alturas que eu se calhar não precisava de ir e não ia, hoje em dia vou. Se calhar já mudou um pouco em relação a isso. 14.O que representa para si ser pai? Acho que se é mais homem. Acho que também sinto isso. Muita responsabilidade. Mas acima de tudo realizado, ele ainda não nasceu mais sinto-o. Não é o dever cumprido, porque o dever cumprido não é só fazer o filho, é fazê-lo crescer e educá-lo. Mas se calhar sinto-me mais homem, mais maduro. 11 (2) 1.Como define o momento em que soube que estava à espero de um filho? Foi um momento esperado! Foi bom! Foi e melhor coisa que ela (companheira) me podia dar. O tempo vai passando, já tenho 36 anos! Depois fica um bocado tarde para aturar o rapaz. 2.O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? Não sei, sei lá! Não faço ideia! Sei lá, acho que sim! Comecei a pensar na vida e no que se pode esperar do futuro. A parte pior não é a estabilidade económica, é o futuro em geral. 3.Como descreve o momento em que o viu na ecografia? Sei lá! É claro que foi bom. Estava à espera! Estava ansioso para ver, como é normal. Foi um momento de felicidade. (Mas como é que foi? Estava à espera do que viu?) Em parte estava porque já tinha visto mais. Por um bocadinho que varie… Eu estava à espera de saber se estava tudo bem, era o que mais me interessava. A ecografia em si… prontos! É claro que estava ansioso para ver, mas já sabia (como era). Já tinha visto várias, queria saber era se estava tudo bem, era o que mais me interessava. Mesmo na segunda ecografia tem que ser o médico a dizer: já tem o narizinho… Agora à primeira vista não nos diz nada. O que interessa à mãe é saber se está tudo bem e a companhia. 4.Como tem contatado com o seu filho ao longo destes meses? Mais senti-lo a mexer e companhia. O maior contato que consigo ter é quando ele mexe. Umas vezes sou eu que toco, às vezes ela (companheira) é que chama à atenção, olha que está a mexer ou está aqui ou está mais duro aqui. 5.O que acha que vai sentir quando o vir diretamente pela primeira vez? Não sei … (Já pensou nesse momento?) Já claro (E como acho que vai ser?) Não sei! Antecipo esse momento com felicidade e alguns receios, tenho medo de lhe pegar por ser muito pequenino. Mas é claro que estou à espera que ele apareça. 6.Quais são as suas emoções e sentimentos quando fala ou pensa no bebé? Não lhe sei explicar, sinceramente. 7/8. Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Pretende estar presente? O que o motiva? Já! (E como o imagina?) É assim um bocado… não sei! (Pretende estar presente) Sim. Pretendo estar presente, embora me meta um bocado de confusão sangue e companhia. Espero bem não dar trabalho a quem lá estiver (risos). Acho que vai valer a pena, mal será senão vale. 9.Em que medida a sua presença no momento do parto foi abordado entre o casal? Foi uma decisão tomada a dois. 10.Em que medida se sentiu envolvido ao longo deste processo de gravidez? Sim! (Esteve presente nas consultas e nas ecografias) (Participação nos preparativos?) Não, foi ela! Trabalho de noite, e andar a roubar tempo durante o dia é assim um bocado… Em parte também não senti muita necessidade! Ia levá-la à preparação e aproveito para descansar, para depois ter mais tempo noutras horas. As roupas e o quarto e as restantes coisas, temos preparado os dois. 12.Como acha que vai ser o seu dia-a-dia como ele? O que vão fazer em conjunto? Vou passar agora menos tempo disponível, mas deve ser bom, não é?! Passo a ter uma companhia, eu trabalho de noite ela de dia, em contrapartida vou ter com quem estar. (O que acha que vão fazer em conjunto?) Acho que tudo, espero eu! 13.Em que medida considera que irá influenciar o desenvolvimento do seu filho? E ele o seu? Espero bem que a todos os níveis. (Que valores é que pretende passar?) Sei lá?! Aqueles que me passaram a mim! Desde o respeitar os outros, trabalhar, tudo o que faz falta para viver. (filhopai) Eu acho que já tinha pensado nisso, e acho que já tinha feito a preparação muito tempo antes. 14. Em suma, o que representa para si ser pai? É o que eu sonhei desde sempre, já desde que comecei a namorar com ela há 11 anos. 13 (2) 1.Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? Nós já tínhamos planeado e por isso deixamos de usar protecção. Foi natural, tranquilo. Como temos (idade) os dois às tantas, não sei se será diferente noutras idades, mas eu não me estava a ver a ter um filho antes. Acho que nesta idade estou muito mais preparado e não me atrapalho tanto. Levamos a gravidez com serenidade, confiantes. Planear de certa forma os timings para que a mãe tivesse tempo para o bebé, felizmente temos, conseguimos isso. Recebemos a notícia com agrado. Começar uma nova etapa e sempre serenos e felizes. 2.O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? Muda… Há algum receio à mistura. A responsabilidade vai ser mais, não diria maior mas diferente, há mais uma pessoa que vem e que serei responsável por ela. E também ter mais cuidado, eu acho que quando não temos cargos familiares temos esse plafon de maior risco. Tendo um filho ou uma filha temos que ponderar melhor tudo o que façamos dali para a frente. O que mudou no fundo foi maior responsabilidade, maior sentido de responsabilidade. 3.Como descreve o momento em que viu o seu filho pela primeira vez na ecografia? Nós pais… As mães falam-nos muito, têm uma convivência quase directa. Nessa altura pronto ela ia-me dizendo, eu lembro-me até que quase que não sentia nada, ela parava sempre que eu punha a mãe. Portanto a ecografia foi muito bom! É uma boa sensação, realmente é como se fosse a primeira vez que se vê que está mesmo a acontecer! Os batimentos cardíacos, eu acho que é sem dúvida obrigatório (passar pelo momento). É muito importante para um pai. E estou expetante mesmo no dia do parto. Falta é vê-lo mesmo, com os próprios olhos! Agora já sentimos, é giro, é uma fase muito engraçada. Tudo o que muda em nós… Fica então a expectativa! 4.Como é que tem contatado com a sua filha ao longo destes meses? Contato por apalpação, e falo às vezes, acho que ela já deve conhecer a minha voz, já comunica mais comigo. No início quando punha a mão ela parava, era como se fosse uma energia, agora já lhe é uma energia familiar. Muitas vezes pára mas de repente já comunica, ou seja se estiver acordada já reconhece, já brinca. Por isso eu acho que ela de alguma forma já me reconhece nesta fase. 5.O que acha que vai sentir quando vir a sua filha diretamente pela primeira vez? Acho que vou sentir alegria. Muita alegria, bom! Acho que vai ser dos melhores momentos da minha vida. 6. Quais as emoções e pensamentos quando fala ou pensa no seu filho? É forte! É uma ligação de sangue, é algo que ainda fazemos nós mesmos, é algo que é nosso. É uma sensação especial, não tem comparação com nenhuma outra. Algo que lhe poderei chamar de mais sagrado. Das coisas mais importantes da nossa vida! 7/8. Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Pretende estar presente? O que o motiva? Imagino que vai correr bem, eu estou a ter aulas de (preparação para) parto para isso mesmo, para ir preparado. Queria acompanhar a minha esposa o máximo que puder. Não me assusta, acho que vai ser dentro dos parâmetros normais, a não ser que haja algum azar, mas nem penso nele. Acho que vai ser uma mistura de expectativa com o sistema nervoso também um bocado alterado, mas vai ser mais a expectativa de o ter cá fora. Depois não sei como vou reagir, se vão sair lágrimas ou gargalhadas. Só o momento o dirá! Acho importante presenciar o momento. Poder dar o apoio à minha esposa. 9. Em que medida a sua presença no momento do parto foi abordado entre o casal? Foi abordado essencialmente no carinho e no apoio que eu possa dar nas contracções. Poder ajudar na respiração se ela se descontrolar. Poder eu sossegá-la durante o processo. Acho que o meu apoio vai ser mesmo esse. Nós já temos treze anos de namoro e sete de casamento, a minha relação tem se pautado por uma relação de amizade, de companheirismo. A nossa preferência é se pudermos estarmos sempre um com o outro, claro que muito mais nesses momentos. 10.Em que medida se sentiu envolvido ao longo deste processo de gravidez? A minha envolvência era importante na parte do afecto à mãe, na entreajuda e no apoio. Durante este tempo fazer com que não houvesse preocupações de maior, aborrecimentos, que a nível emocional fosse tudo mais estável. Tudo que fizesse com a mãe seria bom para o bebé, tudo o que fosse positivo, portanto, desde o carinho, ao acompanhamento, ao rir, ao entretenimento, ao passeio. Acho que todos os momentos que se possa viver essa gravidez assim, claro que sem pressão, nem nada que seja negativo, acho que é essencial para que a minha filha nasça saudável. Eu acredito que muitos problemas de hiperactividade e assim estão ligadas a mães que têm uma 10.Em que medida se sentiu envolvido ao longo deste processo de gravidez? (Acompanhou a sua mulher nas diferentes consultas e ecografias?) Sempre. (Participação nos preparativos) Os dois, a roupa, o quartinho, tudo… 11. Tem alguma preocupação ou receio relativamente ao seu desempenho enquanto pai que gostasse de partilhar comigo? Não! 14.O que representa para si ser pai? Sei lá… só depois é que se vai ver… (Só depois é que vai sentir a concretização mesmo?) Claro! 16 (2) 1.Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? Sei lá… Não sei descrever… acho que é uma coisa que … uma coisa diferente. Como descrever isso é um bocadinho complicado. É uma coisa que não dá assim para explicar. Nunca pensei pensar nisso e sentir o que sinto… 2.O que mudou em si desde que soube que estava à espera de um filho? Muita coisa… Desde os carros até… O dinheiro que gastava por exemplo… Agora já penso de maneira diferente… Estou a preparar um carro para correr e já não é igual, como estava a pensar há um ano atrás. Tinha seis carros agora só tenho quatro. É diferente, já penso mais na criança, o dinheiro faz falta … Não vou ter carros e depois não lhe poder dar qualquer coisa. (Sente-se mais responsável?) Pelo menos ela (companheira) diz que sim! (mas sente isso?) Sim, sinto. Primeiro está o meu filho do que o resto. Tinha muito dinheiro gasto nos carros, agora não… penso de maneira diferente. (Está a ser uma oportunidade para crescer?) Totalmente diferente! Entre os 18 e os 21 foi muito complicado, tudo o que ganhava era para carros e motas. Não é igual… não é igual porque agora tenho medo de um acidente… tenho medo… é diferente! Uma pessoa pode ter um acidente, ainda para a mais a correr, e agora tenho um filho! Nem arrisco! 3. Como descreve o momento em que o viu na ecografia? Sim! Perguntei à mulher o que era aquilo, uma coisa tão pequenina, eu não sabia… Foi ai quando comecei a sentir que ia ter um filho. Primeiro estavam essas coisas, estava o rapaz! (Sente que a experiência da ecografia foi um marco para se identificar como pai A mim pelo menos mudou-me. Não sei se é porque pode fazer falta alguma coisa à criança e depois não podemos dar. 5.O que acha que vai sentir quando o vir diretamente pela primeira vez? Sei lá… já quando vi o meu sobrinho já foi assim uma coisa forte, então um filho… não sei… tenho de esperar para ver. Não sei a reacção. 6.Quais as suas emoções e sentimentos quando fala ou pensa no bebé? Alegria… sei lá… nunca mais chega a hora, e ela desde os cinco meses que tinha contrações, foi quando teve que parar de trabalhar, e desde ai até agora parece que o tempo não passa. Ainda ontem quando viemos para baixo pensei que ela ontem o ia ter. 7/8 Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Pretende estar presente? Eu vou assistir ao parto, quero assistir ao parto. Primeiro porque a mãe sofre e o apoio conta. E depois é uma coisa diferente, é o meu primeiro filho e gostava de ver. Tenho receio porque tenho um colega meu que não há muito tempo desmaiou, e tenho outro que trabalha comigo que correu tudo bem, ajudou a fazer força na barriga, por isso é que eu estou assim no meio. Mas eu nessas coisas normalmente reajo bem. Estive nos bombeiros três anos… mas é diferente ver as outras pessoas e ver a minha. Eu nunca vi nada de partos nem nada nos bombeiros. 9.Em que medida a sua presença no momento do parto foi abordado entre o casal? Sim… 10.Em que medida se sentiu envolvido ao longo deste processo de gravidez? Sim, claro, no que podia ajudar. No que podia ajudar em casa quando ela tinha dores. Eu a fazer comida sou uma desgraça, mas de resto no que podia ajudar ajudava. Quando fazia falta apanhar a roupa ia apanhar a roupa. Estender também não que sou uma desgraça. Eu coisas de casa não… (Acompanhamento nas ecografias e consultas) Presente em todas! Só menos nas do Centro de Saúde em Melgaço, quando ia por causa da baixa. Mas lá em X (local de residência), quando foi em X (Hospital de Santa Luzia – Viana do Castelo) e aqui vim sempre. Eu é que queria ir. Acho que tudo o que podia fazer fiz! 11. Tem alguma preocupação ou receio relativamente ao seu desempenho enquanto pai que gostasse de partilhar comigo? Não porque eu com 10 anos… eu tenho uma irmã adoptiva, veio para nós com dois meses e três dias, e eu com 10 anos já comecei com as coisas… e depois com os meu sobrinhos. Não é uma coisa … como que nunca tivesse mudado uma fralda. 12.Como acha que vai ser o dia-a-dia com ele? O que vão fazer em conjunto? É um bocadinho complicado porque eu saiu às seis da manha e entre às dez da noite… eu trabalho numa fábrica, trabalho por turnos. O patrão só quer que eu faça oito horas, e eu para ganhar mais algum, trabalho para fora. Sou capaz de abandonar o trabalho de manhã, pelo menos agora no princípio, também o dinheiro não é tudo. Pelo menos estes primeiros meses … (O que vão fazer em conjunto?) O que puder ajudar a mãe, ajudo! Banho não e pegar nele ao colo não porque eu sou um bocadinho bruto, e tenho medo de o aleijar. Primeira coisa aí ao ter um aninho, um aninho e tal, começar a ver se o consigo meter nas coisas que eu gostava. Ainda há um mês e qualquer coisa fomos a uma pista, e ele assim que ouvia os carros a trabalhar mexia. 13. Em que medida considera que irá influenciar o desenvolvimento do seu filho? E ele o seu? Sei lá. Tudo que seja possível fazer para ele crescer saudável, uma pessoa vai fazendo. Primeiro médico, e depois sei lá… (valores) A educação que eu levei, que eu tive. (filhopai) Ao começar a crescer, não sei. 14.Em suma, o que representa para si ser pai? Um orgulho muito grande! É uma coisa diferente… que nunca tive! Um pessoa muda, pelo menos eu mudei totalmente! Por tudo é bom! 17 (2) 1.Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? Felicidade… muita! Era a coisa mais desejada! Por mim já vinha a caminho antes de casar, mas ela decidiu casar e esperou-se mais um bocadinho. E aí vem um ano após. 2.O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? Não muito… não mudou muito! Sinto que é mais ou menos a mesma coisa, apesar que… eu sou fumador e fiz uma promessa, quando ele nascer vou deixar de fumar! Tem que haver uma data especial, acho que não há data mais especial que o nascimento de um filho. 3.Como descreve o momento em que o viu na ecografia? Foi assim… emocionante principalmente quando senti o coraçãozinho dele a bater, para mim foi… Eu fui para casa radiante, alegre! 4. Como tem contatado com o seu filho ao longo destes meses? Falando para a barriga, contando o nosso dia, pondo algumas músicas para ele ouvir, para se ir habituando à música e para quando estiver mais nervoso para o acalmar. Às vezes quando está bem-disposto ainda dá uns pontapés. Somos os dois, às vezes já estamos na cama e ela apercebe-se que ele está a mexer e pega-me na mão… ponho mão, faço assim umas festinhas e ele reage. 5. O que acha que vai sentir quando o vir diretamente pela primeira vez? Não sei… não faço ideia! Só quando ele estiver cá fora nos meus braços é que … mais do que ela se calhar (ansioso). Estou muito, muito ansioso. Eu antes de ela engravidar eu andava sempre… vai fazer o teste, será que já está?! Não estou a dizer que ela não está (ansiosa)… mas se calhar sou o pai galinha, como se costuma dizer, e estou alerta sempre! Qualquer dorzinha que lhe dá … ando sempre a tentar que tudo corra bem. 6. Quais as suas emoções e os sentimentos quando pensa ou fala no seu filho? Muitas… ao ponto de às vezes quase… já por várias vezes que quase começo a chorar. Sempre quis ser pai, adoro crianças! Uns colegas meus tiveram um filhote há cerca de um ano e meio, e sempre que estou com ela, brinco com ela. Adoro crianças, mesmo que elas façam asneiras… eu alinho com elas! Tenho paciência! 7/8. Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Pretende estar presente? O que o motiva? (Como imagina esse momento?) Não faço ideia… tenho um bocado de medo! Só quero que tudo corra bem! Eu às vezes sou assim um bocado pessimista, quando quero uma coisa fico muito ansioso e tenho sempre medo que alguma coisa corra mal. Mas vai tudo correr bem, tenho a certeza! (Pretende estar presente?) Sim, a 100 %! (O que o motiva a estar presente?) É o meu filho! O meu primeiro filho só vai nascer uma vez! Depois pode nascer o segundo, o terceiro, o quarto… mas a primeira vez que vou ser pai é agora! Agora até estou desempregado e penso que até está a ser uma mais-valia, tenho-a acompanhado em tudo! Desde as ecografias, a aulas de preparação para o parto, tudo! As roupas… posso dizer que está a ser um bem que eu estou a ter, estar em casa! Assim tenho disponibilidade a 100%! Se estivesse empregado não podia estar aqui! Ainda por cima a empresa onde eu estava, supostamente despediu-me por ela estar grávida, por isso não dava mesmo, nem hipótese! 9.Em que medida a sua presença no momento do parto foi abordado entre o casal? Sim, ela sempre soube que era uma das coisas que eu queria e nunca se opôs. Sempre disse que estava tudo ok, claro que sim. 10. Em que medida se sentiu envolvido ao longo deste tempo? Totalmente! Sempre a dois, quando temos que ir às compras! 12.Como acha que vai ser o dia-a-dia com ele? O que vão fazer em conjunto? Acho que vai ser bom, eu tenho paciência para o aturar, por isso estou tranquilo. (O que vão fazer em conjunto?) Brincar, quando ele for maiorzinho estudar com ele. Apesar de eu nunca ter sido grande estudante. Em tudo… tudo o que ele precisar! Ser como eu, em desfazer as coisas ao meu pai. O meu nunca me bateu, e ralhar às vezes, por isso eu também não vou bater por causa disso. Tudo o que ele precisar, da atenção que ele precisar eu estar lá presente. 13.Em que medida considera que irá influenciar o desenvolvimento do seu filho? E ele o seu? Educá-lo da forma exacta, chamá-lo à atenção quando ele não estiver a fazer alguma coisa. Por exemplo na alimentação, não digo obrigá-lo a comer, mas incutir-lhe que há regras para tudo. Há horas para comer, para brincar, para tudo! (Incutir rotinas?) Exactamente! Apesar de eu nunca ter tido muitas, é uma das coisas que gosto e que quero. Quero que tudo seja feito no seu timing, não é na hora de comer que vai brincar, nem na hora de brincar que vai comer. (Que valores lhe pretende transmitir?) Eu sempre respeitei toda a gente, e é isso que espero que ele um dia faça e seja. Já não digo melhor, mas que seja como eu fui. Se for como eu sou é uma pessoa impecável. Educado, meigo, brincalhão, sério, solidário. (filho pai) Penso que não em muita coisa. Se for tudo como deve de ser, acho que não vão haver influências. O que sou agora sempre fui, não tenho muitas alterações. 14. O que representa para si ser pai? Tudo! Tudo mesmo! É um desejo… para mim é uma alegria e uma felicidade enorme! Apesar de tudo que me está acontecer, um pouco pela gravidez da minha mulher, ao nível do trabalho e de não conseguir arranjar trabalho por causa disso, está tudo à frente! Se isto está a acontecer por algum motivo é. E se este motivo é este caminho, é esse o meu destino! No final, a propósito do desemprego e entrevistas de trabalho: Já fui a duas, ele disse ok tudo bem, quando cheguei à parte de dizer que vou ser pai – “ah então não pode ser, porque você depois tem que gozar os direitos.” Era uma das coisas que por muito que me custasse estava a pensar abdicar (a licença). E já tive outra empresa que também foi a mesma coisa! Por ser uma pessoa séria, disse e excluíram-me logo, apesar de me deixarem a porta semi-aberta. Disseramme que quando estiver tudo arrumado para passar lá. Não aconteceu comigo, mas já sei que há ai uma fábrica que está a proibir as mulheres… aceitamnas, mas obrigam-nas a assinar um papel como nuns X anos não engravidam. 18 (2) 1.Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? Muito contente. Era uma coisa planeada, fizemos para que isso acontecesse. 2.O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? Muita coisa… mais calmo, em termos de parar mais em casa. Não é só por estar de bebé, mas também pela mulher. Tudo isso muda um pouco. Mais poupado, mais organizado… (Sente que dedica mais tempo á família?) Sim, isso já acontecia antes… mas começamos a ficar mais babados. 3.Como descreve o momento em que o viu na ecografia? Foi mesmo uma coisa feliz! Tudo mudou a partir daí! Saber que é uma pessoa das nossas raízes! Daí para a frente senti-me mesmo pai! 4. Como tem contatado com o seu filho ao longo destes meses? Festinhas e falar, mais nada. Por minha vontade. 5. O que acha que vai sentir quando o vir diretamente pela primeira vez? Acho que ainda vou acrescentar mais alegria… (Como imagina esse momento?) Não faço o mínima. Não sei qual vai ser a sensação. Expetativas muito boas. 6.Quais as suas emoções e sentimentos quando fala ou pensa no bebé? Alegria e estar preparado para algo que seja preciso. Penso nisso tudo! 7/8.Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Pretende estar presente? O que o motiva? Já pensei por dois sentidos. Não sei se vou conseguir assistir ou não. Estou indeciso. Eu gostava de estar ao lado, mas às vezes lembro-me que se calhar não vou conseguir e depois em vez de dar força só vou é tirar. A reacção… o momento… Se calhar algum mal-estar no bom sentido. Estou indeciso… Se vou para lá e não aguento tenho que sair e vou deixar a mãe. Não vou dizer desmaios, mas se calhar alguma aflição, ou impressão… Eu já passei por vários tipos… de ver pessoas magoadas e na hora dou força e se calhar dali a um pouco já me começa a vir tudo à ideia… e uma pessoa começa a sentir-se um pouco mais fraco. É um caso a pensar… Dependo do dia, como é que vou chegar e se calhar tem que ser instantâneo, é uma questão que eu ainda não planeei… (O que o motiva a estar presente?) Dar logo com os olhos no meu filho! Se calhar pegar nele. Ver o meu filho pela primeira vez! O primeiro minuto dele a sair da barriga, gostava de estar lá! 9. Em que medida a sua presença no momento do parto foi abordado entre o casal? Sim e a questão é essa! Está tudo bem, se estiver que estar presente estou se não estiver… também não tem havido chatices. Sinto muito (que a companheira gostava que estivesse presente) e se calhar é isso que me está a ajudar a tomar a decisão… 10.Em que medida se sentiu envolvido ao longo do processo de gravidez? Senti-me envolvido para ajudar a mãe, para estar perto, porque dizem que os bebés também sentem as nossas falas e o nosso carinho. (Acompanhamento nas consultas médicas e ecografias) Sempre, só não vim a uma que não pude mesmo. Tenho acompanhado sempre. Preparar tudo em casa. 11.Tem alguma preocupação ou receio relativamente ao seu desempenho enquanto pai que gostasse de partilhar comigo? No momento não estou com receio de nada… depende do dia, um dia de cada vez. Não sabemos o dia de amanhã. Preocupo-me em ter as coisas necessárias para o dia-a-dia e tudo que faça falta no lar. 12.Como acha que vai ser o dia-a-dia com ele? O que vão fazer em conjunto? Cada dia a alegria vai aumentar! Sei lá… tanta coisa… Quando andar, passear de certeza. Tentar dar-lhe aquilo que ele quer ou que ele peça. Antes (de andar) ajudá-lo… é uma pessoa que não vai conseguir fazer nada só! Ajudar a mãe, estar do lado do bebé e fazer o que fizer falta fazer! 13. Em que medida considera que irá influenciar o desenvolvimento do seu filho? E ele o seu? Posso contribuir se calhar, não vou falar em questões financeiras, alimento, tudo. Desde alimento, vestuário, tudo que seja útil e que precise, que faça falta! Financiamento, brinquedo. Tudo que tenha a ver com o dia-a-dia do bebé! (filhopai) Se calhar vai pedir algo e vou estar disposto a dar-lhe o que queira. Lutando para que não lhe falte nada, dentro das possibilidades. Transmitir que um dia mais tarde se perder o pai ou a mãe esteja preparado para… 14. Em suma, o que representa para si ser pai? Representa um orgulho… e representa-me o mundo para mim… o infinito! Uma coisa que eu vou ter muito grande para mim e não vai acabar! Uma alegria enorme que ele me vai dar! Não há palavras, sente-se! 19 (2) 1.Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? Uma felicidade! Foi planeado… por isso uma alegria! Espero é que corra tudo bem… estou a ficar nervoso porque estamos ali há algum tempo e vejo-a assim um bocado a sofrer agora, e está-me a custar um bocado. Mas dizem que tem que ser, pronto tem que ser! Foi às quatro e meia da manhã que rebentaram as águas em X (local de residência), chegamos aqui seis e pouco … Como é antes do tempo e querem tentar fazer parto normal, pode durar até três dias isto. 2.O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? Talvez a responsabilidade. O poupar mais um bocadinho, porque agora com a menina é diferente. 3.Como descreve o momento em que o viu na ecografia? Foi alegria… comecei a chorar! Porque pronto… era o que queríamos e vem ai! 4.Como é que tem contatado com o seu filho ao longo destes meses? Ponho lá a mão na barriguinha e ela mexe, não mexe sempre, mas vai mexendo… já lhe pus aquelas músicas de Natal, aquelas músicas de embalar… não sei… nem sei se é normal ou se não é… 5.O que acha que vai sentir quando o vir diretamente pela primeira vez? Acho que vai ser bom. Já estamos à espera… que seja uma coisa assim rápida, para a mãe também! 6. Quais são os sentimentos e emoções quando pensa ou fala no bebé? Sinto-me contente… mais uma vez alegria e felicidade! (fala muito na sua bebé?) Sim bastante. Também tem a ver com a família, estão sempre a perguntar, e no trabalho também. 7/8.Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Pretende assistir? O que o motiva? Eu vou assistir, vou tentar, mas acho que sim! É por mim, porque eu não sei como vai ser a minha reacção. Tudo o que tem a ver com hospital… agulhas… Tem que ser tem que ser! Vou tentar! Não sei como é que aquilo é! Vi hoje de manhã só (sala de partos). Também encontrei aqui um colega meu, e ele é que me disse que esteve a assistir e que também pensava que era diferente! Eles fazem aquilo de maneira a que não se consiga ver nada que choque, e que em princípio corre bem assim! Quando dás por ela já está tudo… é só mais aquela aflição da mulher, ali um bocado a sofrer. Por isso vou… vou tentar… acho que consigo também! Eu quero, não é nenhuma obrigação, nem pensar! (O que o motiva a estar presente?) É a minha maneira de ser, acompanho muito, já com familiares e assim! E com a X (companheira) gosto de estar sempre com ela, à beira dela, senão também já tinha ido trabalhar. 9.Em que medida a sua presença no momento do parto foi abordado entre o casal? Sim, sim… Ela fica contente, mas lá está , mas mais uma vez “ a ver se consegues, já que queres”. Mas pronto estamos assim um bocado os dois… é novidade para os dois, vamos ver! 10.Em que medida se sentiu envolvido ao longo deste processo de gravidez? Sempre! Fui às consultas com ela. Tudo! Já foi com essa intenção. Nós quisemos os dois ter o bebé, é para participar em tudo, claro! Isso nem sequer se discute! Ajudá-la a ela, ajudar com o bebé. Naquelas situações com o bebé, e ela é que tem que fazer tudo? Não, não sou assim! Ajudar em tudo o que puder! Partilhamos as coisas! Foi porreiro! Preparamos o quartinho dela, estivemos a pintá-lo, comprar as coisinhas, a caminha, a roupinha. É bonito, muito bonito! 11.Tem alguma preocupação ou receio relativamente ao seu desempenho enquanto pai que gostasse de partilhar comigo? Não, acho que … só espero que a consiga educar como deve de ser. De resto não! Não é como deve de ser, porque isto chega-se a uma fase que eles é que decidem… tentar fazer o nosso melhor, o meu melhor, e ela também, para que tudo corra bem. Para que tenha uma boa vida! 12.Como acha que vai ser o seu dia-a-dia com ele? O que vão fazer em conjunto? Vai ser bom! Vai custar aquela parte do dormir… tem que ser, faz parte. Mas vai ser bom! Não sei, pelo que dizem de duas em duas horas tem de mamar, ou de três em três, depende pronto! Já ouvi várias… Mas tem que ser! Para já é pequenina, são aquelas coisas normais. Quando começar a crescer levá-la ao parque, vamos ao supermercado, várias coisas, coisas que acho que são normais de um pai ou de uma mãe. (O que vão fazer em conjunto?) Espero que andar de mota! Espero que partilhe esse gosto! Motas não lhe faltam em casa, espero que partilhe! Podemos ir ao cinema, podemos ir passear. Eu conto estar presente sempre… E espero que seja um bom pai e um bom amigo… (O que é para si se um bom pai?) Que nunca lhe falte nada. Que tenha tudo o que puder, mas tem que ser com algum esforço. Não é tudo de mão beijada, porque depois não corre muito bem. 13. Em que medida considera que irá influenciar o desenvolvimento do seu filho? E ele o seu? Acompanhar sempre, acho eu. Estar sempre presente, acho que é isso, o básico! Acima de tudo ser pai, mas se puder ser um amigo, alguém que ela pode confiar, também é bom! Porque há situações com pais, que são pais e não passam disso! Eu espero ser um amigo também, para qualquer coisa, problemas, tudo que se tenha que resolver. (filhopai) Espero que me deixe sempre contente, alegre e orgulhoso. Talvez mais alegre! Eu aí falhei. Neste segundo filho não fui ver nenhuma ecografia. A minha vida profissional não me permite muito, mas também me sinto mal por não ter ido. Acho que devia ter ido e vai-me me ficar na consciência não ter ido a nenhuma ecografia. Ela trazia as fotografias a 3D e eu vi. (Sente que no primeiro foi diferente?) Acompanhei sempre. No primeiro tivemos um caso muito complicado, à partida deram-nos a ideia que tenho trissomia 21 e ai o impacto também foi muito maior, e acabamos por dar outro acompanhamento e tivemos que ir a muitas mais consultas. Ai foi diferente. Apesar de não acompanhar eu sempre quis saber. Se eu também não perguntar ela fica triste. Eu acho que tenho esse direito e dever. Acho que não falhava tanto como falhei. Ir a pelo menos a uma, porque não ir a nenhuma é muito mau. 4Como tem “contatado” com o seu filho ao longo destes meses? Por exemplo, procura senti-lo ao tocar na barriga da mãe, “conversa” com ele? Sentir na barriga ele a mexer-se. Uma pessoa depois sente saudades de pousar a mãe e sentir aquele contato. 5 - O que acha que vai sentir quando vir (diretamente) o bebé pela primeira vez? Vai ser bom de certeza. 6 - Quais as suas emoções e sentimentos quando fala/pensa no bebé? O primeiro ser menina e agora ser rapaz acho que faz diferença. Para um pai ter um rapaz é sempre aquela expectativa será como eu… quererá fazer as coisas que eu faço e os gostos… É completamento diferente. Se tivesse outro filho seria diferente novamente. Em cada filho uma pessoa tem emoções diferentes, mas é fantástico. Também as roupas, mudar o quarto também faz com que uma pessoa se apegue mais. Eu é que tomava a iniciativa. 7/8 Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Pensa estar presente? Se sim, o que o motiva? Se não, porquê? O parto eu não vou assistir, eu sou fraquinho. Tenho a minha cunhada que é médica e ela é que vai assistir. 9 - Em que medida a sua presença no momento do parto foi abordado entre o casal? Normal, ela já sabe. Também não fez questão. Estar dentro do hospital é complicado, sinto-me mal, por isso é que eu não quero assistir. 10 - Em que medida se sentiu envolvido ao longo deste processo de gravidez? É sempre aquela preocupação de saber se está tudo bem, o que se pode fazer. Eu acho que contribui para as tarefas domésticas e essas coisas assim, para ela não se cansar tanto. Tem que se ajudar, já não é uma obrigação, é um dever que uma pessoa tem em contribuir em fazer as coisas de casa, de maneira a que ela evite fazer tanto esforço. É mais nesse aspecto. À partida deveria ter acompanhado mais as consultas, só estive mal nas consultas em não ter aparecido. Sinto-me um bocado de consciência pesada. Acho que é chegar à hora e “não fui a nenhuma consulta…”, “não vi nenhuma ecografia…” aí custa um bocado. 11 - Tem alguma preocupação que gostasse de partilhar relativamente ao desempenho do seu papel de pai? Não… sou muito optimista. Quem tem uma infância acompanhada pelos pais, eu acho que quer sempre mais. Eu tive sempre um acompanhamento fantástico dos meus pais e vou querer dar sempre mais. “O meu pai deu-me isto, eu vou ter que dar melhor”. Fazer as coisas de outra maneira com o pensamento que temos agora. 12 - Como acha que vai ser o seu dia-a-dia com ele? O que vão fazer em conjunto? É complicado hoje em dia as coisas como são, uma pessoa depois aproveita ao máximo depois o fim-de-semana. A brincar, eu gosto de brincar… Ai é que eu espero que não aconteça nada de mal. Eu tive o exemplo com o meu irmão. Acho que uma diferença de quatro anos cria rivalidade e eu não quero passar essa imagem para a minha filha. Eu quero que ela veja as coisas de igualdade e não de rivalidade. E a minha preocupação é essa. Fiz com que tivesse os dois filhos muito próximos por isso mesmo. O meu maior receio é esse. Às vezes até podemos estar a fazer bem, o pior são as pessoas e a família. Eu vejo muitas vezes a frase “agora com o mano como é que vai ser?”, uma pessoa tem que estar logo em cima e contrariar e explicar as coisas. (o que vão fazer em conjunto?) Espero jogar à bola, é um dos gostos maiores que eu tenho. Não vou influenciar em nada aquela situação dos clubes de futebol, não espero que seja igual a mim completamente, mas que tenha a sua personalidade. 13 - Em que medida considera que irá influenciar o desenvolvimento do seu filho? E ele a si? Eu quero participar ao máximo para ter influência. Também vai depender da parte dele, não vou estar a pressioná-lo que faça tudo que eu gosto. (Que valores lhe pretende transmitir?) Que seja bom rapaz, que seja trabalhador, que tenha uma ideia dos pais de apoio e não que o tenham contrariado em tudo. (filhopai) Uma pessoa aprende, de certeza que nos vai trazer novidades. Mas não sei, depende. Sentioque há coisas que uma pessoa faz sem má intenção e eles levam a mal e uma pessoa pensa duas vezes e realmente não devia ter feito, tipo contrariar em alguma coisa. Tipo doçuras, complica aí um bocadinho. Mas contornando as coisas de outra forma acho que eles ultrapassam. E isso aprende-se, acho que nós não temos essa lição. Eu acho que aí uma pessoa aprende, e aprende noutros aspectos… telemóvel na mão e eu tive um episódio de chegar à escola e ter um desenho com o pai de telemóvel na mão. Todos os miúdos desenharam o pai normal e eu aparecia com o telemóvel, portanto a imagem que ela tem de mim… Agora evito estar ao telemóvel com ela. Uma pessoa aprende. Evito o telemóvel, uma pessoa tem que respeitar um bocadinho a parte deles, a atenção deles. 14 – Em suma, o que representa para si ser pai? Acho que é o maior orgulho que uma pessoa pode ter. É um sonho ser tornado realidade. Por mais que uma pessoa pense ter um filho, por mais que uma pessoa queira ter um filho, uma pessoa só no momento exacto é que pensa duas vezes e é “Fantástico!”. 13 (3) 1 - Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? Alegria. Também já estávamos a tentar há algum tempo e foi bom quando soubemos. 2O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? Muito sinceramente não mudou muita coisa, creio que irá mudar mais quando nascer. Até agora nada de especial. A vida não fica igual. Até agora somos dois, somos nós que decidimos e que fazemos, a partir de agora tem que ser tudo em função da filha. As responsabilidades e as prioridades passam a ser as dela. 3 - Como descreve o momento em que o viu na ecografia? Muito sinceramente não estava a perceber nada do que estava a ver. Mas depois começando a explicar e tal …mas a que mais me tocou foi a 3D agora já nos 6/7 meses. Aí sim, aí já dava mesmo para ver. Essa já dá para ver ali um ser humano. As outras sinceramente não se percebem, vê-se um bocadinho mas… (E quando ouviu o coração a bater?) É muito emocionante. Uma pessoa já fica contente, já acha que já é pai, mas acho que a verdadeira sensação de pai é só mesmo depois. 5 - O que acha que vai sentir quando vir (diretamente) o bebé pela primeira vez? Não sei. Eu já estava a contar saber a esta hora. Não sei mesmo, é daquelas coisas que só acontecendo é que se sabe. (Está ansioso?) Claro, principalmente desde hoje à noite. 6 - Quais as suas emoções e pensamentos quando fala/pensa no bebé? Não é fácil explicar o que uma pessoa sente. Sinto que é algo que já é nosso, pertence, mas… é uma sensação um bocado difícil de explicar… pertence e não pertence porque ainda não está aqui. A qualquer momento tudo pode acabar, as coisas podem correr mal ou bem… uma pessoa tem sempre aquele receio. Já tenta falar como tivesse, mas ao mesmo tempo tem receio porque ainda não está. 7 - Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Pensa estar presente? Se sim, o que o motiva? Se não, porquê? Esse também tento não pensar muito. Vem um diz que é uma coisa, vem outro diz que é outra coisa. Eu muito sinceramente tento não pensar nisso, é chegar e ver o que vai ser. O que para uns é o “valha-nos Deus” e tenho colegas meus que foram assistir ao primeiro e juraram que não assistiriam ao segundo, outros foi a coisa mais bonita que viram até hoje… Portanto eu tento não pensar muito. Eu vou assistir. E não penso muito nisso que é para já não ir… uma pessoa vai com aquelas ideias pré-formadas. Acho que vai ser um momento de alegria. Se calhar um bocado de dor para a mãe, mas espero que seja uma horinha pequenina. (O que o motiva a estar presente?) Não vou dizer que é mesmo por querer estar com ela logo nas mãos, é mesmo para dar apoio à mãe, porque acho que é importante. Posso tê-la na mão um minuto ou dois depois, não era por ai. 9 - Em que medida a sua presença no momento do parto foi abordado entre o casal? Não foi sequer motivo de conversa. À partida ficou assente que eu ia assistir. Surgiu naturalmente… foi quase “Vais assistir?” “Vou”. 10 - Em que medida se sentiu envolvido ao longo deste processo de gravidez? A 100% porque andamos sempre os dois. A minha esposa não tem família cá em Portugal, ela não tem aqui amigas de infância não tem nada. Portanto tudo o que ela faça, fazemos os dois. Vamos os dois às compras, desde a primeira ecografia a tudo, tudo que ela passou na gravidez foi comigo. (Participação nos preparativos) Carrinhos sim, quarto também, roupinhas é que não porque as amigas depois juntavam-se todas e não dava. Muita confusão, muita gente a escolher coisas. 11 - Tem alguma preocupação que gostasse de partilhar relativamente ao desempenho do seu papel de pai? Eu espero estar à altura. Tive um excelente pai portanto se fizer igual não faço mal. Vou tentar não falhar com as coisas, não é tentar que ela “seja alguma coisa”, “tem que ser…”… Espero que nunca lhe falta nada de coisas essenciais. Educação vou dar o melhor que souber. Mimo não lhe deve faltar porque tem muita gente. 12 - Como acha que vai ser o seu dia-a-dia com ele? O que vão fazer em conjunto? Espero que sejam dias animados, uma aventura! (O que vão fazer em conjunto?) Tudo, muito sinceramente tudo, dependendo das fases de vida dela. Agora quando é pequenina… as fraldas é que não… mas de resto enquanto é pequenina nesta fase inicial é mais dependente da mãe. De resto o que puder fazer faço. Depois quando ela for crescendo espero que ela tenha uma boa relação comigo para podermos fazer muitas coisas juntas. Não minha família não há raparigas, agora vou experimentar para ver como é que é. 13 - Em que medida considera que irá influenciar o desenvolvimento do seu filho? E ele a si? Eu espero bem que muito em muitas coisas. É o primeiro não sei bem em quê… em tudo, na personalidade nem tanto porque é mais de cada um. Na maneira de estar, na maneira de ver as coisas… tentar influenciar nessas coisas. Os valores da família, para mim são muito importante. E de resto que ela faça o que acha que é correcto fazer. Mais por esses valores, família e amigos. Para mim isso é o mais importante. (filho  pai) Eu espero que muito, sinceramente. Essa pergunta é muito difícil de responder porque acho que só daqui a uns anos é que eu me vou conseguir aperceber das mudanças. Nem no dia-a-dia, nem numa semana nem daqui a um mês se calhar conseguiria responder a uma pergunta. 14 – Em suma, o que representa para si ser pai? Era um dos objectivos e desejos que eu tinha na vida, e parece que está prestes a cumprir-se. 14 (3) 1 - Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? Foi um bocado estranho. Foi uma notícia assim… não quer dizer que não gostasse, mas é assim um sentimento… Positivo, uma pessoa fica surpreendida no momento. É um conjunto de sentimentos que não se consegue explicar. E até ao momento uma pessoa ainda não acredita bem, só quando a tiver nos braços e quando a vir nascer. 2O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? Para já está tudo normal. Mas é certo que vai ter que mudar alguma coisa, porque a vinda de uma criança… Hábitos e vícios. Em vez de ser os hábitos à minha maneira vão ter de ser à maneira dela. As rotinas vão ter que ser alteradas. (Sente que tem que haver uma adaptação?) Muito bem ao princípio não sei, mas tenho que me adaptar. Por exemplo as primeiras noites por causa do descanso e essas coisas. 3 - Como descreve o momento em que o viu na ecografia? Gostei de ver, só que não fiquei surpreendido por ser menino ou menina, era-me indiferente. O mais importante é que tenha saúde. (O que sentiu quando ouviu o coração a bater?) São sentimentos que uma pessoa parece que ainda não acredita. Está a ver mas parece que ainda não acredita. 4Como tem “contatado” com o seu filho ao longo destes meses? Por exemplo, procura senti-lo ao tocar na barriga da mãe, “conversa” com ele? A nível do toque, mexe bastante. 5 - O que acha que vai sentir quando vir (diretamente) o bebé pela primeira vez? Não sei. Nem imagino… só depois do momento. Tenho um bocado de ansiedade. Vai depender de muita coisa, de como vai correr o parto. 6 - Quais as suas emoções e pensamentos quando fala/pensa no bebé? Sim, pensa-se. Vai se pensando no que é que uma pessoa vai ter que mudar, como é que uma pessoa vai ser para ela (enquanto pai). A maneira de a tratar, tentar ser o mais presente possível. 7/8 - Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Pensa estar presente? Se sim, o que o motiva? Se não, porquê? Esse momento ainda foi assim uma coisa que ainda não pensei bastante. Estou ansioso, mas não sei o que me vai acontecer nesse momento. Não sei como é que vai correr. (Pretende estar presente?) Em princípio sim. (O que o motiva?) Ver a minha filha a nascer. 9 - Em que medida a sua presença no momento do parto foi abordado entre o casal? Eu perguntei-lhe isso e ela disse que sim. Na ideia dela os pais vão assistir. Estar ali a interagir. 10 - Em que medida se sentiu envolvido ao longo deste processo de gravidez? Tenho tentado envolver-me ao máximo. Creio que tenho acompanhado as consultas todas, só menos às da médica de família. A Ginecologista, as ecografias e isso tudo tenho estado. Ela anda mais em cima do que faz falta, pesquisa mais do que eu. Porque a mãe é quem carrega, a mãe está todos os dias com ela, a mãe lembra-se de tudo. Não quer dizer que eu não me lembre, só que ela esteve este tempo todo em casa, também teve mais tempo para pesquisar e para ver o que fazia falta. (Sente que a mãe vivênciam as coisas de forma diferente?) De certeza. O envolvimento também é maior. Apesar de durante a noite quando ela acorda a dizer que ela está a mexer eu também acordo, mas o envolvimento dela de certeza que é maior. (O que faz com que sinta que é diferente?) Totalmente, não é só o facto de a sentir, são elas que os carregam nove meses. Elas é que fazem os exames, elas é que fazem as análises e isso tudo. Os pais praticamente não fazem nada, quando muito acompanhar, mais nada. 11 - Tem alguma preocupação que gostasse de partilhar relativamente ao desempenho do seu papel de pai? Assim à primeira vista não. Não se pode ter medo. 12 - Como acha que vai ser o seu dia-a-dia com ele? O que vão fazer em conjunto? Isso é uma coisa que não sei. Tenho pensado, mas só depois de estar cá fora. Não se pode planear. Estando em casa vou estar sempre perto. (O que vão fazer em conjunto?) Enquanto ela é pequena o maior contato possível, depois passear, muita coisa. 13 - Em que medida considera que irá influenciar o desenvolvimento do seu filho? E ele a si? Tentar dar-lhe o melhor possível, educação. (Que valores lhe pretende transmitir?) Aquelas que me transmitiram a mim e ainda melhores. Educação, ser sociável com toda a gente. (filhopai) Tenho que ser uma pessoa mais responsável ainda. 14 – O que representa para si ser pai? Não quer dizer que seja só nesse momento. Já tenho a noção disso. Só que ai é que é o verdadeiro momento, tê-la nos braços e essas coisas assim. Agora vai começar tudo zero. Para já a rotina ainda está tudo normal, quando ela nascer aí é que praticamente começa tudo de novo. Aí é que uma pessoa vai cair mesmo na realidade. Para já ainda é um bocado a sonhar. É um bocado complicado… sei lá… como nunca fui pai. Para já ser pai para mim é vir às consultas e exames, comprar o que faz falta, para já tem sido isso. Agora essa pergunta que me fez só depois. 15 (3) 1 - Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? Foi de alegria quando soubemos que íamos ter mais uma. Foi uma coisa planeada 2O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? Absolutamente nada. É o segundo filho, basicamente não mudou nada. (E na primeira?) Foi diferente. (Mudou alguma coisa em si?) Não acho que não. (E durante estes cinco anos, sente que mudou alguma coisa?) Muda sempre, temos uma filha ali, temos que cuidar dela, dá mais preocupações. O dia-a-dia é o normal de ter um filho, mais uma responsabilidade, mas de resto não alterou nada. 3 - Como descreve o momento em que o viu na ecografia? Não foram assim sentimentos muito fortes. Sabemos que temos ali um filho ao ver a ecografia, satisfação porque estava tudo bem. Não foi assim nada… Foi normal, está tudo bem óptimo, vamos continuar a gestação. E a primeira igual, quando soubemos que estava tudo nos parâmetros normais ficamos contentes. 4Como tem “contatado” com o seu filho ao longo destes meses? Por exemplo, procura senti-lo ao tocar na barriga da mãe, “conversa” com ele? Mexer na barriga. Depois o feedback da mãe a dizer “olha hoje a menina mexeu-se pouco, será que está alguma coisa mal?” e depois passado umas horas “Já se está a mexer outra vez.” Basicamente é a forma de a ver a interagir dentro do útero, dentro da barriga. É o toque e também a parte visual, vê-la ali com os punhos a passar na barriga. 5 - O que acha que vai sentir quando vir (diretamente) o bebé pela primeira vez? Vou me sentir contente, se tudo correr bem. (Como foi na primeira filha?) Foi igual, sentimo-nos bem, alegria. O sentimento é de alegria. 6 - Quais as suas emoções e sentimentos quando fala/pensa no bebé? São as mesmas, acima de tudo alegria por estar tudo bem. É igual, não há grandes diferenças. Se bem que na primeira foi o descobrir do processo passo a passo, íamos descobrindo as coisas conforme elas iam acontecendo. Aqui já podemos antecipar alguma coisa, para além dos níveis de ansiedade que são diferentes, provavelmente será isso, os sentimentos são exactamente iguais. Agora se calhar aquela componente de ansiedade é menor. Sabemos que está tudo bem, já passamos pelo processo todo, portanto a ansiedade é menor. 7/8 - Já pensou no momento do parto? Como o imagina? Pensa estar presente? Se sim, o que o motiva? Se não, porquê? Pensei no momento do parto, um episódio que vai acontecer mais tarde ou mas cedo, mas que já passamos por ele. (Pretende estar presente?) Sim. (O que o motiva?) Acompanhar a mãe, dar força, fazer com que ela esteja calma, diminuir os níveis de ansiedade da mãe. 9 - Em que medida a sua presença no momento do parto foi abordado entre o casal? (Em relação à primeira) Foi fácil. No início era para não assistir, os níveis de ansiedade que falava, mas a parteira insistiu que eu ficasse e concordamos. Também se não houvesse essa insistência da parteira se calhar… tínhamos dito na altura que não assistia porque não sabíamos bem como é que era e como íamos reagir. Mas depois da proposta da parteira, concordamos facilmente que eu estivesse lá. Mas tínhamos decidido inicialmente que não. Agora no segundo como correu bem, já está subentendido que vou estar com ela. Não falei com ela, mas subentende-se que vou. Foi uma boa experiência e ajudou. 10 - Em que medida se sentiu envolvido ao longo deste processo de gravidez? Sempre, um nível de envolvimento normal. Assisti às consultas todas, eu e a minha filha, às ecografias. Estive presente em todas as fases da gestação. (Na primeira foi igual?) Sim. Na primeira trabalhava, mas acabava por ter sempre alguma autonomia. 11 - Tem alguma preocupação que gostasse de partilhar relativamente ao desempenho do seu papel de pai? A função do pai e da mãe é fazer com que o filho tenha tudo para ter um desenvolvimento normal, para ser feliz, para lhe dar condições materiais e afectivas durante a vida. Agora a ansiedade acho que é comum em qualquer ser humano… nós não duramos para sempre, temos um período de longevidade muito curto… qualquer pai tem esse sentimento, não poder estar presente o máximo de tempo possível durante a vida de um filho. Mais nesse aspecto de o podermos ajudar nas dificuldades naturais, e não lhes podermos dar a parte afectiva. 12 - Como acha que vai ser o seu dia-a-dia com ele? O que vão fazer em conjunto? Vai ser igual a este. Ajudar a mãe no que puder quando for preciso. Quando a mãe não estiver, complementar o trabalho da mãe. É um trabalho de equipa entre eu e a mãe. (O que vão fazer em conjunto?) O normal. As brincadeiras, ir ao parque passear, ajudá-la a comer, a vestir-se. O dia-a-dia será basicamente o mesmo. 13 - Em que medida considera que irá influenciar o desenvolvimento do seu filho? E ele a si? Há uma série de estímulos que os pais podem fazer. Instintos sensoriais, etc. O brincar, o desenvolver mais aquela característica ou outra. (filho pai) Ter um filho desenvolve em nós uma preocupação, o instinto paternal. Desenvolvenos o instinto. Uma pessoa fica muito mais responsável, ainda por cima já tenho 43 anos e juntando com toda a experiência de vida que tenho, mais este instinto paternal faz com que as pessoas tenham uma maturidade diferente. Mais responsáveis, dentro do possível. Um pensamento com a perspetiva da vida diferente. Olhar mais para o futuro, o que poderá acontecer mais para o futuro. 14 – Em suma, o que representa para si ser pai? Ser pai é ter mais uma componente na vida, é como um lego… Nós vamos construindo e vamos colocando uma peça, duas peças, três peças. Chegamos ao fim com a nossa experiencia toda, inclusivamente esta e ficamos com outra capacidade de percepção. 16 (3) 1 - Como define o momento em que soube que estava à espera de um filho? Foi bom, fiquei surpreendido mas foi bom. Verificamos se estava tudo bem e depois começar a planificar as coisas de casa, mais uma cama… 2O que mudou em si desde que soube que ia ser pai? Acho que mantive a minha personalidade. No primeiro mudou, decidi que tinha que ter mais responsabilidade, mais despesas… por isso agora é manter.