Níveis de confiança na prática clínica dos alunos do 5º ano das Faculdades de Medicina Dentária em Portugal.
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i Níveis de confiança na prática clínica nos alunos do 5º ano das Faculdades de Medicina Dentária em Portugal Teresa Souto Dissertação submetida no âmbito da Unidade Curricular de Monografia de Investigação/Relatório de Atividade Clínica inserida no Mestrado Integrado em Medicina Dentária, da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto, sob orientação da Professora Doutora Irene Graça Azevedo Pina Vaz e Coorientação do Professor Doutor Vítor Manuel dos Santos Teixeira. Porto, 2014
ii De acordo com o Regulamento Geral de Ciclos de Mestrado Integrado da Universidade do Porto e do Regulamento do Ciclo de Mestrado Integrado da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP), este trabalho encontra-se formatado em conformidade com as normas da revista SPMED, à qual a autora pretende submeter esta investigação para publicação.
iii Resumo Os estudantes finalistas do Mestrado Integrado em Medicina Dentária deparam-se com a proximidade da exigência de um exercício profissional independente, e a sensação de insegurança na prática clínica pode ser motivo de grande preocupação para a generalidade dos futuro Médicos Dentistas. Esta investigação pretende identificar as áreas de maior debilidade na confiança na prática clínica, e explorar as opiniões dos estudantes em relação a propostas que possam melhorar a eficiência na formação pré-graduada em Medicina Dentária. Para avaliar o nível de confiança na prática clínica, foi construído um inquérito individual, distribuído online pelos estudantes das várias instituições de ensino de Medicina Dentária do país, incluindo questões relacionadas com a sensação de confiança que certos procedimentos clínicos despertam nos estudantes, com a necessidade/possibilidade de frequentarem um estágio tutelado e questões relacionadas com as principais preocupações na sua entrada para o mercado de trabalho. A insegurança na prática clínica revelou-se real e tal como em outros estudos, os estudantes mostram-se mais confiantes em procedimentos considerados simples e com os quais têm maior tempo de contacto clínico. A maioria manifestou interesse num estágio tutelado, ainda que este não fosse remunerado. A principal preocupação dos estudantes relaciona-se com a dificuldade em encontrar ofertas profissionais. Os níveis de confiança na prática clínica dos estudantes de Medicina Dentária são uma preocupação real, podendo estes ser melhorados, na perspetiva dos estudantes, através da realização de um maior número de atos clínicos na sua formação pré-graduada e da possibilidade de formação curricular ou extracurricular sob a forma de estágios tutelados. Palavras-chave Confiança, estágio clínico, prática clínica, perfil do Médico Dentista, reforma curricular.
iv Abstract In the final year, students of the Dentistry Degree face the proximity of a required independent professional practice, and the feeling of insecurity in clinical practice can be a great concern for most future dentists. This study aims to identify areas of greater weakness in the confidence of clinical practice, and to explore student’s opinions regarding proposals that could improve efficiency in pre-graduate training in dentistry. To assess the level of confidence in clinical practice, it was created an individual assessment form, distributed online for students of the seven educational Institutions of Dentistry in Portugal. This includes issues related to the feeling of confidence that certain clinical procedures awaken in students, questions about the need / possibility to undergo a mentored internship and issues related to the main concerns apon the entry into the job market. The lack of confidence in clinical practice has proved real and, as shown in other studies, the students were more confident in procedures considered simple and with whom they have longer clinical contact . Most expressed interest in a mentored internship, even if it wasn’t paid. The main concern of students is related to the difficulty in finding job opportunities. Confidence levels in the clinical practice of dentistry students are a real concern, and these may be improved, from student’s perspective, by conducting a greater number of clinical acts during pre-graduate training and the possibility of curriculum or extra-curricular mentored training as internships. Keywords: Confidence, clinical stage, clinical practice, dentist profile, curriculum reform
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vi Agradecimentos Aos meus estimados orientadores e educadores, por se terem revelado mais do que isso, pelo apoio, motivação, dedicação, paciência e carinho. À minha orientadora Professora Dra. Irene Pina Vaz, ao meu coorientador Professor Vítor Teixeira, e a alguém que, unicamente por simpatia, me disponibilizou o seu tempo, sabedoria e otimismo. À minha mãe por nunca duvidar de mim, pelo amor incondicional, pelo exemplo que representa, e por tudo. Ao meu pai por nunca me deixar pensar em desistir, e pelo exemplo de dedicação e entrega ao que melhor sabemos fazer. À Inês por me mostrar e relembrar a razão de estar aqui, da forma que mais ninguém consegue. Ao Tomás, Paul, Sissas e Mariana por serem a minha segunda família. Ao André por estar todos os dias ao meu lado a puxar o melhor de mim, pela paciência e pela motivação, pelos conselhos, pela serenidade e pelo inquestionável amor. A todos os meus amigos e aos participantes que tornaram este projeto possível.
vii Índice Geral Resumo ___________________________________________________________________________________ iii Abstract ___________________________________________________________________________________ iv ÍNDICE GERAL ___________________________________________________________ VII ÍNDICE DE TABELAS ______________________________________________________ IX ÍNDICE DE GRÁFICOS ______________________________________________________ X INTRODUÇÃO ______________________________________________________________ 1 Questões de Investigação _____________________________________________________________________ 2 MATERIAL E MÉTODOS _____________________________________________________ 4 Considerações metodológicas __________________________________________________________________ 4 Instrumentos _______________________________________________________________________________ 4 Participantes _______________________________________________________________________________ 5 Procedimento _______________________________________________________________________________ 5 Questões éticas ______________________________________________________________________________ 5 Procedimentos de análise de dados _____________________________________________________________ 6 RESULTADOS _______________________________________________________________ 7 DISCUSSÃO ________________________________________________________________ 16 CONCLUSÕES ______________________________________________________________ 22 REFERÊNCIAS _____________________________________________________________ 23
viii ANEXOS DECLARAÇÃO __________________________________________________________________________ 25 PARECER ORIENTADORA ________________________________________________________________ 26 PARECER DA COMISSÃO DE ÉTICA DA FMDUP ____________________________________________ 27 QUESTIONÁRIO ______________________________________________________________ 28
ix Índice de tabelas T ABELA I - P RINCIPAIS PREOCUPAÇÕES NA ENTRADA PARA O MERCADO DE TRABALHO ............................................... 7 T ABELA II - P ROCEDIMENTOS ONDE OS ALUNOS DEMONSTRARAM MAIORES NÍVEIS DE CONFIANÇA ............................. 7 T ABELA III - P ROCEDIMENTOS CLÍNICOS NOS QUAIS OS ALUNOS REVELAM MENORES NÍVEIS DE CONFIANÇA .............. 8 T ABELA IV - I NDICADOR DA CONFIANÇA NOS PROCEDIMENTOS CLÍNICOS , COMPARAÇÃO ENTRE ENSINO PÚBLICO E PRIVADO ............................................................................................................................................................... 9
6 A título de validação da amostra foi pedido no inquérito o número de estudante a cada aluno, garantindo, ainda assim, o anonimato das respostas. Foi solicitado aos serviços académicos das diferentes faculdades participantes a confirmação da inscrição no 5º ano de MD de todos os alunos que responderam ao inquérito online, através do número de aluno por estes fornecido. Com base nesta averiguação, foram excluídas todas as respostas que não respondiam a este pré-requisito para a participação na amostra de estudo. Procedimentos de análise de dados Para fins estatísticos os dados recolhidos foram tratados e analisados, recorrendo ao software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS ® ), utilizando descrições estatísticas, teste T de student .
7 Resultados Questão de investigação 1 Foi perguntado aos participantes se um determinado conjunto de aspetos constituíam uma preocupação para si, no momento do ingresso no mercado de trabalho. Na tabela I encontram-se os resultados a esta questão. Tabela I - Principais preocupações na entrada para o mercado de trabalho % Dificuldade em encontrar ofertas profissionais 82,7 Insegurança na prática clínica 57,3 Remuneração 54,5 Questões burocráticas necessárias ao exercício da profissão 33,6 Falta de conhecimento na gestão de uma clínica dentária 27,3 A insegurança na prática clínica é uma das principais preocupações para 57.3% dos participantes, sendo unicamente ultrapassada pela preocupação com a dificuldade em encontrar ofertas profissionais. Questão de investigação 2 Foi feita uma lista com 37 procedimentos dentários clínicos específicos e pediu-se aos sujeitos que classificassem a sua confiança em cada um deles numa escala de 1 a 5. Na tabela II encontram-se os dados descritivos dos 5 procedimentos em que os sujeitos evidenciam uma maior confiança, por ordem decrescente. Tabela II - Procedimentos onde os alunos demonstraram maiores níveis de confiança n % M(dp) Exodontia de dentes monorradiculares 110 100 4.53 (0.60) Aplicação de selantes de fissuras 109 100 4.52 (0.45)
8 Restaurações a compósito classe I e II 110 100 4.36 (0.59) Exodontia de dentes decíduos 103 93.6 4.30 (0.65) Diagnóstico de cárie 110 100 4.29 (0.51) Na tabela III encontram-se os dados descritivos dos procedimentos nos quais os sujeitos evidenciaram valores de confiança mais baixos. Tabela III - Procedimentos clínicos nos quais os alunos revelam menores níveis de confiança n % M(dp) Cirurgia periodontal 45 40.9 1.18 (0.39) Diagnóstico de patologia/lesão oral 106 96.4 1.94 (0.73) Diagnóstico e plano de tratamento de disfunção temporomandibular 105 95.5 1.99 (0.74) Tratamento endodôntico de dentes com 3 ou mais canais 105 95.5 2.30 (0.72) Diagnóstico e plano de tratamento de prótese fixa 104 94.5 2.35 (0.86) Questão de investigação 3 Dos 37 procedimentos analisados, apenas 10 tinham sido executados pela totalidade dos participantes, sendo eles: instruções de higiene oral, diagnóstico e plano de tratamento periodontal, diagnóstico de cárie, restaurações a compósito classe I ou II, exodontia de dentes monorradiculares, diagnóstico de endodontia, tratamento endodôntico de dentes com 1 ou 2 canais, diagnóstico e plano de tratamento em odontopediatria e seleção e prescrição de fármacos. O gráfico 1 apresenta, por ordem crescente, os procedimentos executados por menos de 90 estudantes, com as respetivas percentagens de respostas “nunca fiz”:
9 Gráfico 1 Procedimentos menos executados pela generalidade dos participantes Dos dados evidenciados no gráfico 1, destacam-se os cinco procedimentos nos quais uma maior percentagem de alunos referiu nunca ter executado: 59.1% nunca realizou cirurgia periodontal, 40.9% nunca realizou um branqueamento dentário, 40.5% nunca drenou um abcesso e 39.1% nunca executou um retratamento endodôntico, nem colocou uma ponte fixa. Questão de investigação 4 A tabela IV apresenta os valores descritivos médios para cada procedimento, e compara ainda os valores entre os alunos do ensino público e os alunos do ensino privado. Tabela IV - Indicador da confiança nos procedimentos clínicos, comparação entre ensino público e privado Total (n=110) Público (n=74) Privado (n=36) n % M(dp) n % M(dp) n % M(dp) t (df) 59,1 40,9 40,5 39,1 39,1 24,5 23,6 23,6 21,8 19,1 0 10 20 30 40 50 60 70 % de alunos que nunca realizaram o procedimento
10 Instruções de higiene oral 110 100 3.73 (0.45) 74 100 3.65 (0.48) 36 100 3.89 (0.32) -2.72(108)** Aplicação de selantes de fissuras 109 100 4.52 (0.45) 74 100 4.55 (0.50) 35 97.2 4.46 (0.51) 0.94(107)ns Diagnóstico e Plano de Tratamento periodontal 110 100 3.13 (0.56) 74 100 3.05 (0.56) 36 100 3.28 (0.51) -1.99(108) ns Alisamento radicular 86 70.2 3.77 (0.76) 51 3.47 (0.70) 35 97.2 4.20 (0.63) -4.92(84) ns Cirurgia periodontal 45 40.9 1.18 (0.39) 32 1.22 (0.42) 13 36.1 1.08 (0.28) 1.12(43)* Diagnóstico de cárie 110 100 4.29 (0.51) 74 100 4.28 (0.51) 36 100 4.31 (0.53) -0.21(108) ns Restaurações a amálgama 83 75.5 2.36 (0.78) 57 2.39 (0.78) 26 72.2 2.31 (0.79) 0.43(81) ns Restaurações a compósito classe I e II 110 100 4.36 (0.59) 74 100 4.28 (0.56) 36 100 4.53 (0.61) -2.08(108) ns Restaurações a compósito estéticas anteriores 107 97.3 2.86 (0.68) 74 100 2.89 (0.67) 33 91.6 2.79 (0.70) 0.73(105) ns Colocação de um espigão 84 76.4 3.35 (0.74) 61 3.41 (0.74) 23 63.9 3.17 (0.72) 1.32(82) ns Branqueamento dentário 65 59.1 2.72 (0.86) 44 2.48 (0.85) 21 58.3 3.24 (0.63) -3.66(63) ns Exodontia de dentes monorradiculares 110 100 4.53 (0.60) 74 100 4.53 (0.63) 36 100 4.53(0.56) -0.01(108) ns Exodontia de dentes multirradiculares 109 99.1 3.11 (0.67) 74 100 3.11 (0.65) 35 97.2 3.11 (0.72) -0.05(107) ns Drenagem de abcessos 60 54.5 3.30 (0.89) 45 3.33 (0.88) 15 41.7 3.20 (0.94) -0.50(58) ns Diagnóstico de lesão/patologia oral 106 96.4 1.94 (0.73) 73 2.11 (0.70) 33 91.6 1.58 (0.66) 3.70(104) ns Diagnóstico em endodontia 110 100 3.81 (0.63) 74 100 3.76 (0.63) 36 100 3.92 (0.60) -1.26(108) ns Pulpotomia de urgência 97 88.2 2.96 (0.74) 67 3.07 (0.68) 30 83.3 2.70 (0.79) 2.38(95) ns Tratamento endodôntico de dentes com 1 ou 2 canais 110 100 3.97 (0.67) 74 100 3.92 (0.70) 36 100 4.08 (0.60) -1.21(108) ns Tratamento endodôntico de dentes com 3 ou mais canais 105 95.5 2.30 (0.72) 70 2.20 (0.67) 35 97.2 2.51 (0.78) -2.14(103) ns Retratamento endodôntico 67 60.9 3.19 (0.74) 51 3.18 (0.77) 16 44.4 3.25 (0.68) -0.34(65) ns Diagnóstico e plano de tratamento de disfunção temporomandibular 105 95.5 1.99 (0.74) 73 2.04 (0.74) 32 88.9 1.88 (0.75) 1.06(103) ns Colocação de uma goteira oclusal 91 82.7 3.63 (0.90) 61 3.48 (0.92) 30 83.3 3.93 (0.79) -2.33 (0.89) ns Diagnóstico e plano de 110 100 3.08 (0.62) 74 100 3.03 (0.66) 36 100 3.19 (0.53) -1.33(108) ns
11 tratamento em odontopediatria Exodontia de dentes decíduos 103 93.6 4.30 (0.65) 67 4.18 (0.70) 36 100 4.53 (0.51) -2.65(101) ns Restaurações em odontopediatria 110 100 3.16 (0.70) 74 100 3.09 (0.69) 36 100 3.31 (0.71) -1.50(108) ns Pulpotomia em odontopediatria 84 76.4 3.83 (0.85) 64 3.94 (0.77) 20 55.6 3.50 (1.00) 2.05(82)* Plano de tratamento de prótese fixa 104 94.5 2.35 (0.86) 74 100 2.23 (0.80) 30 83.3 2.63 (0.93) -2.22(102) ns Prepara/desgaste dentário 91 82.7 3.40 (0.77) 66 3.29 (0.78) 25 69.4 3.68 (0.69) -2.21(89) ns Colocação de coroa fixa unitária 89 80.9 2.42 (0.75) 65 2.35 (0.68) 24 66.7 2.58 (0.65) -1.28(87) ns Colocação de ponte fixa 67 60.9 3.18 (0.82) 50 3.14 (0.81) 17 47.2 3.29 (0.85) -0.67(65) ns Diagnóstico e plano de tratamento de prótese removível 108 98.2 3.07 (0.71) 74 2.91 (0.71) 34 94.4 3.44 (0.56) -3.90(106) ns Colocação de uma prótese total acrílica 90 81.8 3.99 (0.74) 59 3.86 (0.78) 31 86.1 4.23 (0.62) -2.25(88) ns Colocação de uma prótese parcial acrílica 101 91.8 3.10 (0.71) 67 2.90 (0.72) 34 94.4 3.50 (0.51) -4.37(99) ns Colocação de uma prótese parcial esquelética 92 83.6 4.03 (0.69) 59 3.83 (0.67) 33 91.7 4.39 (0.56) -4.09(90) ns Identificação e encaminhamento de pacientes para ortodontia intercetiva 103 93.6 2.81 (0.67) 69 2.71 (0.60) 34 94.4 3.00 (0.78) -2.09(101) ns Atendimento de pacientes com necessidades especiais 93 84.5 3.19 (0.86) 60 3.02 (0.77) 33 91.7 3.52 (0.94) -2.76(91)* Seleção e prescrição de fármacos 110 100 3.28 (0.77) 74 100 3.30 (0.72) 36 100 3.25 (0.87) 0.30(108)* Nota: Os valores do desvio padrão estão entre parêntesis. **p<.01; *p<.05; ns - não significativo Na generalidade dos procedimentos debatidos, não se verificaram diferenças significativas entre os estudantes do ensino público e privado. No entanto, destacam-se quatro procedimentos pela disparidade estatisticamente significativa dos resultados encontrados no que toca à comparação entre educação pública e privada. Assim:
12 - os alunos do ensino público demonstram uma valor de confiança na instrução de técnicas de higiene oral (M=3.65, DP=0.48) significativamente menor do que o dos alunos no ensino privado (M=3.89, DP=032; t(108)=-2.72, p<.01); - os alunos do ensino público demonstram um valor de confiança na execução de pulpotomias em odontopediatria (M=3.94 , DP=0.77) significativamente superior aos alunos do ensino privado (M=3.50, DP=1.00); t(82)=(2.05), p<0.05); - os alunos do ensino público demonstram um valor de confiança no atendimento de pacientes com necessidades especiais (M=3.02 , DP=0.77) significativamente superior aos alunos do ensino privado (M=3.52, DP=0.94); t(91)=(-2.76), p<0.05); - os alunos do ensino público demonstram um valor de confiança na seleção e prescrição de fármacos (M=3.30, DP=0.72) significativamente superior aos alunos do ensino privado (M=3.25, DP=0.87); t(0.30)= 4.35, p<0.05). Questão de investigação 5 Para estudar os resultados obtidos criou-se um indicador de confiança, designado por Índice de Confiança na Prática Clínica em Medicina Dentária (ICPCMD), que representa a média dos valores de confiança em todos os procedimentos questionados no inquérito, e excluiu os procedimentos para os quais a resposta foi “nunca fiz”. Dos 110 participantes apenas 16 afirmam ter tido alguma experiência profissional extracurricular relacionada com MD antes ou durante a sua formação em MD. Sendo assim, a relevância da análise estatística da relação entre o nível de confiança e a experiência extracurricular é litigável. Ainda assim, observou-se que os alunos que afirmam ter tido essa experiência extracurricular têm um ICPCMD (M=3.34, DP=0.27) superior ao dos alunos que não tiveram qualquer experiência extracurricular (M=3.25, DP=0.40; t(108)=0.84, p<0.2 ns).
13 Questão de investigação 6 Foi perguntado aos participantes qual o seu interesse em frequentar formações gratuitas que permitissem um maior contacto com a prática clínica. O gráfico 2 representa as respostas a esta questão. Gráfico 2 Interesse dos alunos em formações com contacto clínico durante o curso A maioria dos alunos (98.28%) manifesta interesse em frequentar formações que lhes proporcione mais tempo de contato clínico. Destes 110 participantes, 81.82% não impôs quaisquer restrições, 10.91% apenas se mostraram interessados nas formações que ocorressem durante o ano letivo, e 5.45% apenas se ocorressem durante o período de aulas. Questão de investigação 7 Foi perguntado aos participantes se teriam interesse num estágio tutelado pela faculdade, no final da formação pré-graduada. O gráfico 3 representa a resposta a esta questão. 81,82 10,91 5,45 1,82 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 Sim definitivamente Sim se fosse durante o ano letivo Sim se fosse em período de aulas Provavelmente não frequentaria % de alunos
14 Gráfico 3 - Interesse num estágio de um ano tutelado pela faculdade Dos 110 participantes, apenas 10% manifestou desinteresse num estágio tutelado pela sua faculdade e 66.4% afirmaram ter interesse ainda que o estágio não fosse remunerado. Questão de investigação 8 Dos 110 participantes apenas 11 afirmaram não ter interesse em frequentar um estágio de um ano, tutelado pela sua Instituição de ensino. Por essa razão, a relevância da análise estatística da relação ente o nível de confiança e o interesse neste estágio é questionável. Ainda assim, observou-se que os alunos que afirmaram ter interesse em frequentar esse estágio revelaram um valor de confiança na prática clínica (M=3.23, DP=0.39) inferior ao dos alunos que afirmaram não ter interesse nesse estágio (M=3.56, DP=0.33; t(108)=-2.82, p>0.05). 23,6 66,4 10 0 10 20 30 40 50 60 70 Sim, se fosse remunerado Sim, ainda que nao fosse remunerado Não tenho interesse nesse estágio % de alunos
15 Questão de investigação 9 Foi feito um teste T de student para verificar se os alunos que demonstraram preocupação com a insegurança na prática clínica na entrada para o mercado profissional revelavam menor índice de confiança (ICPCMD). É possível dizer que os alunos que consideram a insegurança na prática clínica uma das suas principais preocupações na entrada do mercado de trabalho, têm um ICPCMD menor (M=3.14, DP=0.42) do que os alunos que não consideram essa insegurança uma preocupação, que apresentam um ICPCMD superior (M= 3.43, DP=0.38; t(108)=-4.29, p=0.00)
22 Conclusões As Escolas de MD enfrentam grandes desafios no desenvolvimento de um currículo adaptado a cada realidade nacional, sendo uma das maiores dificuldades proporcionar um número e variedade de casos adequado, para garantir que os alunos tenham a oportunidade de alcançar as competências clínicas esperadas e exigíveis (14) . Os procedimentos com os quais os alunos têm menos tempo de contacto clínico são aqueles em que se sentem menos confiantes, sugerindo uma necessidade de encontrar soluções futuras que permitam inverter esta situação, nomeadamente, a criação de oportunidades de trabalho para os estudantes do pré-graduado, fora do contexto clínico habitual. Da mesma forma, aumentar as oportunidades de contacto clínico extracurricular, como as mencionadas experiencias outreach, mostrou ser uma hipótese apreciada pelos estudantes finalistas e pode constituir uma medida em prol de uma melhor formação profissional dos estudantes de MD. A hipótese da existência de um estágio tutelado mostrou ser interessante para a vasta maioria dos estudantes e poderá ter interesse para o programa educativo do MIMD, no sentido de facilitar a oportunidade de maior contato e experiência clínica e eventualmente promover uma melhoria na confiança na prática clínica. Deve ter-se em conta que a graduação representa o cumprimento de um currículo de formal do estudo, mas não o final da aprendizagem, a qual obrigatoriamente continua ao longo da carreira de um Médico Dentista (11) .
23 Referências 1. West J. Ten essential skills and guidelines of endodontic confidence. J Mass Dent Soc. 2013 Jan;62(3):30–5. 2. Polychronopoulou A, Divaris K. Perceived sources of stress among Greek dental students. J Dent Educ. 2005 Jun;69(6):687–92. 3. Implementação do Processo de Bolonha a nível nacional –Grupos por Área de Conhecimento - Medicina Dentária, 2004 – Coordenador Prof. Doutor Manuel Fontes de Carvalho [Internet]. 4. Gerrow JD, Murphy HJ, Boyd M a. Review and revision of the competencies for a beginning dental practitioner in Canada. J Can Dent Assoc. 2007 Mar;73(2):157–60. 5. House A. ADEA Competencies for the New General Dentist. 75(7). 6. General Dental Council. The First Five Years: A Framework for Undergraduate Dental Education. London; 2002. Report No.: 2nd edition. 7. Cowpe J, Plasschaert a, Harzer W, Vinkka-Puhakka H, Walmsley a D. Profile and competences for the graduating European dentist - update 2009. Eur J Dent Educ. 2010 Nov;14(4):193–202. 8. Patel R, Batchelor PA. Experiences of vocational trainees on their preparation and application for vocational training. Br Dent J. 2007 Mar 24;202(6):345–9. 9. Schönwetter DJ, Law D, Mazurat R, Sileikyte R, Nazarko O. Assessing graduating dental students’ competencies: the impact of classroom, clinic and externships learning experiences. Eur J Dent Educ. 2011 Aug;15(3):142–52. 10. Morgan PJ, Cleave-Hogg D. Comparison between medical students’ experience, confidence and competence. Med Educ. 2002 Jun;36(6):534–9. 11. Honey J, Lynch CD, Burke FM, Gilmour a SM. Ready for practice? A study of confidence levels of final year dental students at Cardiff University and University College Cork. Eur J Dent Educ. 2011 May;15(2):98–103. 12. Smith M, Lennon MA, Brook AH, Robinson PG. A randomized controlled trial of outreach placement’s effect on dental students' clinical confidence. J Dent Educ. 2006 May;70(5):566–70. 13. Arena G, Kruger E, Holley D, Millar S, Tennant M. Western Australian dental graduates’ perception of preparedness to practice: a five-year follow-up. J Dent Educ. 2007 Sep;71(9):1217–22.
24 14. Rodd HD, Farman M, Albadri S, Mackie IC. Undergraduate experience and self-assessed confidence in paediatric dentistry: comparison of three UK dental schools. Br Dent J. 2010 Mar 13;208(5):221–5. 15. Bartlett DW, Coward PY, Wilson R, Goodsman D, Darby J. Experiences and perceptions of vocational training reported by the 1999 cohort of vocational dental practitioners and their trainers in England and Wales. Br Dent J. 2001 Sep 8;191(5):265–70. 16. Stewart J, O’Halloran C, Barton JR, Singleton SJ, Harrigan P, Spencer J. Clarifying the concepts of confidence and competence to produce appropriate self-evaluation measurement scales. Med Educ. 2000 Nov;34(11):903–9. 17. Greenwood LF, Lewis DW, Burgess RC. How competent do our graduates feel? J Dent Educ. 1998 Apr ;62(4):307–13. 18. Greenwood LF, Townsend GC, Wetherell JD, Mullins GA. Self-perceived competency at graduation: a comparison of dental graduates from the Adelaide PBL curriculum and the Toronto traditional curriculum. Eur J Dent Educ. 1999 Nov;3(4):153–8. 19. Holmes DC, Diaz-Arnold AM, Williams VD. Alumni self-perception of competence at time of dental school graduation. J Dent Educ. 1997 Jun;61(6):465–72. 20. Patel J, Fox K, Grieveson B, Youngson CC. Undergraduate training as preparation for vocational training in England: a survey of vocational dental practitioners’ and their trainers' views. Br Dent J. 2006 Sep;Suppl(August):9–15. 21. Rocha JL, Braga AC, Carvalho MF P-VI. Prevalence of apical periodontitis and endodontic treatment in an adult portuguese population. Arch Oral Res. 2012;8:219–27. 22. Henzi D, Davis E, Jasinevicius R, Hendricson W. North American dental students’ perspectives about their clinical education. J Dent Educ. 2006 Apr;70(4):361–77. 23. Smith M, Lennon MA, Brook AH, Ritucci L, Robinson PG. Student perspectives on their recent dental outreach placement experiences. Eur J Dent Educ. 2006 May;10(2):80–6. 24. Hunter ML, Oliver R, Lewis R. The effect of a community dental service outreach programme on the confidence of undergraduate students to treat children: a pilot study. Eur J Dent Educ. 2007 Feb;11(1):10–3. 25. Radford DR, Weld J a. Micro-educational opportunities in outreach clinical dental education. Br Dent J. Nature Publishing Group; 2013 Oct;215(8):389–91.
Anexos
Preparaçao para o mercado de trabaiho Anexo 1 UECLARAçAO Monografia de Investigacao/ RelatOrio de Atividade ClInica Declaro que o presente trabaiho, no âmbito da Monografia de Investigacão/ Relatório de Atividade ClInica. integrado no MIMD, da FMDUP, é da minha autoria e todas as fontes foram devidamente referenciadas. Porto, 29 de maio de 2014 A investigadora CM (ccc ¶j-o 24
Preparacäo para o mercado de trabaiho Anexo 2 PARECER Entrega do trabaiho final de Monografia Inforrno que o Trabaiho de Monografia desenvolvido pela Estudante Teresa Maria Garrett e Castro Souto corn o tItulo: NIveis de confiança na prática cilnica nos alunos do 50 ano das Faculdades de Medicina Dentária em Portugal, está de acordo corn as regras estipuladas na FMDUP, foi por mirn conferido e encontra-se em condicOes de ser apresentado ern provas pâblicas. Porto, 29 de maio de 2014 A Orientadora 25
27 Anexo 3 PARECER DA COMISSÃO DE ÉTICA DA FMDUP
28 Anexo 4 QUESTIONÁRIO Grupo I: Perfil do estudante 1. Data de nascimento: 2. Instituição onde Iniciou o Curso de Medicina Dentária:_______________________________________ 2.1. Ano de Ingresso: ________ 3. Instituição atual de Ensino do Curso de Medicina Dentária:________________________________ 4. Frequenta ou frequentou algum outro curso? 4.1. __SIM 4.1.1. Qual? ____________________________ 4.2. __NÃO 5. Teve alguma experiência profissional relacionada com Medicina Dentária antes ou durante a sua formação em Medicina Dentária? 5.1. SIM ___ 5.1.1. Qual? _______________________________________________ 5.2. NÃO ___ 6. Se durante o curso tivesse oportunidade, frequentaria algum tipo de formação sem custos, que lhe permitisse contacto com a prática clínica dentária? 6.1. Sim, definitivamente ____ 6.2. Sim, se fosse durante o ano letivo ____ 6.3. Sim, se fosse em período de férias ____
29 6.4. Provavelmente não frequentaria ____ Grupo II: Grau de Confiança – procedimentos /situações clínicas Numa escala de 1 a 5 em que 1 significa nada confiante e 5 significa muito confiante, refira em que medida se sente confiante em cada procedimento ou situação clínica. Assinale n/f - “nunca fiz” se nunca executou esse procedimento. Procedimento / situação clínica Nada confiante Muito pouco confiante Pouco confiante Confiante Muito confiante Nunca fiz 1. Instruções de higiene oral 1 2 3 4 5 n/f 2. Aplicação de selantes de fissura 1 2 3 4 5 n/f 3. Diagnóstico e plano de tratamento periodontal 1 2 3 4 5 n/f 4. Alisamento radicular 1 2 3 4 5 n/f 5. Cirurgia periodontal 1 2 3 4 5 n/f 6. Diagnóstico de cárie 1 2 3 4 5 n/f 7. Restaurações a amálgama 1 2 3 4 5 n/f 8. Restaurações a compósito de classe I ou II 1 2 3 4 5 n/f 9. Restaurações a compósito estéticas (anteriores) 1 2 3 4 5 n/f 10. Colocação de um espigão 1 2 3 4 5 n/f 11. Branqueamento dentários 1 2 3 4 5 n/f 12. Exodontia de dentes monorradiculares 1 2 3 4 5 n/f 13. Exodontia de dentes multirradiculares 1 2 3 4 5 n/f 14. Drenagem de abcessos 1 2 3 4 5 n/f 15. Diagnóstico de lesão/patologia oral 1 2 3 4 5 n/f 16. Diagnóstico em endodontia 1 2 3 4 5 n/f 17. Pulpotomia de urgência 1 2 3 4 5 n/f 18. Tratamento endodôntico de dentes com 1 ou 2 canais 1 2 3 4 5 n/f 19. Tratamento endodôntico de dentes com 3 ou mais canais 1 2 3 4 5 n/f 20. Retratamento endodôntico 1 2 3 4 5 n/f 21. Diagnóstico e plano de tratamento de disfunção temporomandibular 1 2 3 4 5 n/f 22. Colocação de uma goteira oclusal 1 2 3 4 5 n/f 23. Diagnóstico e plano de tratamento em odontopediatria 1 2 3 4 5 n/f 24. Exodontia de dentes decíduos 1 2 3 4 5 n/f 25. Restaurações em odontopediatria 1 2 3 4 5 n/f 26. Pulpotomia em odontopediatria 1 2 3 4 5 n/f 27. Plano de tratamento de prótese fixa 1 2 3 4 5 n/f 28. Preparo/desgaste dentário 1 2 3 4 5 n/f 29. Colocação de coroas fixas unitárias 1 2 3 4 5 n/f
30 30. Colocação de ponte fixa 1 2 3 4 5 n/f 31. Diagnóstico e plano de tratamento de prótese removível 1 2 3 4 5 n/f 32. Colocação de uma prótese total acrílica 1 2 3 4 5 n/f 33. Colocação de uma prótese parcial acrílica 1 2 3 4 5 n/f 34. Colocação de uma prótese parcial esquelética 1 2 3 4 5 n/f 35. Seleção/Prescrição de fármacos 1 2 3 4 5 n/f 36. Atendimento de pacientes medicamente comprometidos 1 2 3 4 5 n/f 37. Atendimento de pacientes com necessidades especiais 1 2 3 4 5 n/f 38. Seleção de materiais dentários específicos 1 2 3 4 5 n/f Grupo III: Perspetivas futuras 1. Após a sua graduação no Curso de Medicina Dentária, teria preferência por: (escolha uma opção) 1.1. Iniciar a atividade profissional na sua clínica privada ____ 1.2. Estabelecer um contrato e trabalhar numa clínica com supervisão ____ 1.3. Estabelecer um contrato e trabalhar para uma clínica sem supervisão ____ 1.4. Continuar a formação académica antes de iniciar a atividade profissional ____ 1.5. Estabelecer um contrato de trabalho no estrangeiro ____ 1.6. Outra. Qual? 2. No final do Mestrado Integrado gostaria de fazer um estágio de um ano, tutelado na sua faculdade? (escolha uma ou duas opções) 2.1. Sim se fosse pago 2.2. Sim, ainda que não fosse pago 2.3. Não tenho interesse nesse estágio 3. De uma perspetiva de futuro, quais considera serem as principais preocupações enquanto médico-dentista? (escolha a/as opção/opções que considera mais pertinentes) 3.1. Dificuldade em encontrar ofertas profissionais ___ 3.2. Remuneração ___ 3.3. Insegurança na prática clínica ___ 3.4. Falta de conhecimento na gestão de uma clínica dentária ___ 3.5. Questões burocráticas legais necessárias ao exercício da profissão ___