Para além da dor: fantasias de prazer, poder e entrega: um estudo sobre sadomasoquismo
Full text
ÁREA TEMÁTICA:SEXUALIDADE E GÉNERO PARA ALÉM DA DOR: FANTASIAS DE PRAZER, PODER E ENTREGA. Um estudo sobre Sadomasoquismo MOTA, Ana Mafalda Mestre em Psicologia do Comportamento Desviante e Sistema da Justiça Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto [email protected] OLIVEIRA, Alexandra Mestre e Doutora em Psicologia Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto [email protected]
2 de 9
3 de 9 Palavras-chave: BDSM; Sadomasoquismo; Sexualidade; Direitos Sexuais. Keywords: BDSM; Sadomasochism, Sexuality; Sexual Rights. PAP1418 Introdução O BDSM (Bondage e Disciplina, Dominação e Submissão e Sadomasoquismo) tem sido associado à perversão sexual e à patologia mental. Contudo, este é um fenómeno complexo que não é compreensível através de visões simplistas. Nesta comunicação apresentamos as conclusões de uma investigação cujos objetivos foram conhecer e caracterizar os atores do BDSM em Portugal e aceder às suas motivações para as práticas. Optamos por uma visão próxima do fenómeno, escolhendo uma metodologia qualitativa, assente na realização de entrevistas semiestruturadas e na observação participante. Na análise de dados, recorreu-se à análise de conteúdo, adotando a lógica indutiva de construção de categorias a partir dos dados. Da nossa investigação concluímos que o comportamento BDSM não é homogéneo e que inclui uma variedade de dinâmicas e identidades. Também inferimos que o comportamento dos praticantes resulta de uma construção pessoal e social que pode ser vivenciada de diferentes formas. Para estes, todos os aspetos ligados com o BDSM precisam de ser negociados e enquadrados num relacionamento consentido. Ainda concluímos que o BDSM não se encerra nos equívocos populares sobre extrema dor, devendo ser entendido como uma fantasia. Por fim, as representações sociais detidas sobre o BDSM conduzem à estigmatização dos praticantes que gerem a sua identidade, ocultando o comportamento BDSMer ou desenvolvendo construções de oposição ao mainstream sexual. Julgamos que esta abordagem compreensiva do fenómeno poderá contribuir para uma visão mais ampliada das sexualidades. Poderá, ainda, fornecer uma visão da prática de BDSM como manifesto de um princípio básico de autonomia sexual e de autodeterminação. Abstract BDSM (Bondage and Discipline, Dominance, Submission and Sadomasochism), has been associated with sexual perversion and mental illness. However, this is a complex phenomenon that is not understood by the reductive and simplistic views. In this communication, we present the conclusions of an investigation whose main goals were to characterize the actors and the practices of BDSM in Portugal and also examining the perception they hold on social reaction of the out group. In order to get a close view of the phenomenon, we choose a qualitative methodology based on semi-structured interviews and on participant observation. In data analysis, we used content analysis, adopting building categories from those data through an inductive logic. From our research we conclude that the BDSM behaviour is not homogenous and includes a variety of dynamics and identities. We also infer that the behaviour of BDSM practitioners result from a personal and social construction that can be experienced in different ways. For these practitioners, all aspects related to the BDSM need to be negotiated. We also found that BDSM does not end in the popular misconceptions about extreme pain. They should be understood as a fantasy.Finally, the social representations held on the of BDSM lead to practitioners stigmatization who manage their identity by hiding behaviour BDSMer or developing constructions of opposition to the sexual mainstream. We believe that this comprehensive approach can contribute to a broader view of sexualities. Even more, when medical and psychiatric perspective has these behaviours as a pathology, it seems this research, by giving voice to actors, can provide an insight vision into the practice of BDSM as a manifest as a basic principle of sexual autonomy and self-determination.
4 de 9
5 de 9 1. Introdução Quando se fala em sadomasoquismo, é quase inevitável que se ouçam referências depreciativas que, embora estereotipadas, encontram fundamentação nas abordagens científicas que se desenvolveram desde o século XIX. O que tem sido descrito de forma mais simplista por sadomasoquismo inclui uma diversidade de práticas que vão além dos dois comportamentos que esta palavra encerra: sadismo e masoquismo. Assim, por considerarmos o termo sadomasoquismo redutor, optamos por utilizar a sigla BDSM, um acrónimo de Bondage, Disciplina, Dominação e Submissão e Sadomasoquismo, fazendo a distinção entre as suas diferentes componentes a saber: (a) Bondage e disciplina (B/D): envolve a retenção física e/ou representações de dinâmicas de poder, (b) Dominação e Submissão (D/s): inclui uma variedade de comportamentos sexuais que envolvem troca de poder consensual entre parceiros; e (c) Sadismo e Masoquismo (S/M): comportamentos e atividades sexuais que incluem experiências sensoriais, envolvendo dor ou ameaça de dor física ou psicológica. Todavia, delimitar o conceito de BDSM não é simples, uma vez que se encontra uma multiplicidade de definições que nos remetem para diferentes conceções do fenómeno e que incluem dominação/submissão, o role playing, a consensualidade, o contexto sexual, a imposição da dor, a humilhação deliberada, a restrição física, o uso de fantasias e a troca de poder (Weinberg, Williams e Moser, 1984 cit in Weinberg, 1987; Barker, 2007). Nos últimos anos, alguns autores têm tentado uma definição mais ampla, não cingindo o BDSM às práticas, mas a uma noção mais alargada de estilo de vida, não se encerrando nas práticas sexuais e estendendo-o a aspetos não sexuais. 2. Metodologia da Investigação A investigação que agora apresentamos tem como principal objetivo incrementar os conhecimentos sobre o fenómeno do BDSM em Portugal. Para atingir esta finalidade, tomamos como linhas orientadoras o estudo dos seguintes temas: (1) Contextualização da emergência do BDSM em Portugal, enquanto fenómeno organizado; (2) Caracterização dos atores, nomeadamente no que concerne às características sóciodemográficas, à forma como se veem e ao papel que desempenham nas interações de BDSM; (3) Motivações associadas ao seu envolvimento nas práticas de BDSM; (4) A natureza das relações ou interações estabelecidas entre praticantes e (5) Perceção da reação social ao fenómeno pelo exogrupo e implicações desta na vida psicológica. Em síntese, trata-se de examinar criticamente os discursos dominantes sobre o objeto e pôr a investigação científica ao serviço da desocultação de uma minoria erótica. A metodologia de investigação utilizada foi a qualitativa, uma vez que, quando se procede ao estudo de práticas e comportamentos, os ditos “factos humanos” que sobrevivem na invisibilidade, dado o seu carácter de transgressividade perante a norma, estas estratégias são formas privilegiadas de encetarmos a aproximação aos contextos naturais de vida onde o desvio ocorre e, portanto, de captar os aspetos da realidade que não são quantificáveis nem manipuláveis estatisticamente (Romani et al., 1986 cit in Fernandes, 1989). Deste modo, a escolha de uma abordagem qualitativa de investigação científica resultou da necessidade de entrarmos no terreno para uma melhor compreensão da realidade, uma vez que queríamos conhecer o fenómeno de “dentro para fora” segundo a perspetiva dos atores sociais, já que ouvir os fenómenos da transgressão é a única forma de os dizer corretamente (Agra, 1993). Para chegarmos aos participantes do nosso estudo, usamos um método em cadeia. Como a revisão da literatura nos indicou que a maioria dos sujeitos que pratica BDSM não se identifica como tal para a sociedade em geral, devido às perceções negativas e enviesadas sobre estes, a técnica de amostragem por bola de neve revelou-se a mais adequada, pela possibilidade de abarcar populações amplas e heterógenas e pela maior possibilidade em focar aspetos do fenómeno que outros métodos não atingem (Kemmesis, 2000 cit in Oliveira, 2002).
6 de 9 Neste estudo, as duas técnicas de recolha de dados utilizadas foram conduzidas segundo um procedimento específico. Para selecionarmos os entrevistados, o primeiro passo foi efetuar a nossa inscrição nos dos dois fóruns online portugueses. Inicialmente, focamo-nos na leitura das mensagens e debates publicados, o que foi crucial para nos familiarizarmos com o quadro conceptual do meio. Posteriormente, procuramos participantes que obedecessem aos critérios estipulados: serem praticantes de BDSM, serem membros ativos da comunidade (visível através das mensagens colocadas nos fóruns e na participação e realização de eventos privados ou públicos) e pertencerem à área metropolitana de Porto e Lisboa. Realizamos no total 14 entrevistas, embora uma não tenha sido considerada na análise de dados por não corresponder aos critérios estipulados. Destas 13 entrevistas, sete foram feitas a participantes do sexo feminino e seis a participantes do sexo masculino. Em relação às características sociodemograficas, os entrevistados têm uma idade compreendida entre os 29 e os 48 anos. Oito residem na Área Metropolitana de Lisboa e cinco residem na Área Metropolitana do Porto. A maioria apresenta formação universitária. Quanto ao estado civil, seis são solteiros, três casados, dois divorciados, um é viúvo e um vive em união de facto. Quanto ao tipo de posições/papéis que os praticantes de BDSM apresentam, no grupo das mulheres, três das entrevistas foram efetuadas a dominadoras, três a submissas e uma a switcher. No grupo dos homens, três foram efetuadas a dominadores, uma a submisso e duas a switchers. Para acedermos ao meio e realizarmos as observações no contexto natural, fomos consultando periodicamente os dois fóruns online, de forma a termos conhecimento sobre as festas que se iriam realizar. Este acesso foi, ainda, facilitado pelo contacto com o nosso informante que nos apresentou a outros participantes. Realizamos três observações em cinco locais distintos, num total de 23 horas e sempre na condição de investigadores para com os sujeitos com os quais interagimos. Consideramos que, nestas observações, o nosso papel deve ser definido como de “membro periférico” e não como observadores participantes, uma vez que observamos e interagimos com os sujeitos, mas não participamos nas atividades que constituem o aspeto central da pertença ao grupo (Adler & Adler, 1998 cit in Oliveira, 2008). Na análise dos dados obtidos, recorremos à análise de conteúdo, pois consideramos que esta técnica nos ajudaria na compreensão e na interpretação dos significados e das perspetivas manifestadas pelos atores (Silva, Gobbi & Simão, 2005). Sem seguir todos os passos da grounded analysis, adotamos a lógica indutiva de construção de categorias a partir dos dados, segundo a tradição de Glaser e Strauss (1967), isto é, a ideia da teoria ser gerada a partir de dados obtidos de forma sistemática na investigação social – dados qualitativos recolhidos em ambientes concretos. Numa primeira etapa, começamos por efetuar uma leitura flutuante das entrevistas transcritas e dos diários de terreno. Depois desta leitura inicial, realizamos outras mais precisas com o intuito de transformar os dados brutos. Fomos introduzindo comentários onde identificamos os temas e subtemas. Finda esta parte, os comentários foram separados do corpo do texto e ordenados seguindo a lógica de articulação por conteúdo/temas, independentemente da fonte e da natureza dos dados. Delineado o guião, procedeu-se à composição do texto, articulando-se as notas com teorias e resultados das investigações acerca do fenómeno em estudo. 3. Apresentação e interpretação dos resultados No final da investigação, consideramos que chegamos a algumas conclusões que permitem diluir alguns estereótipos sobre o BDSM. Em primeiro lugar, o Bdsm é complexo como qualquer outro comportamento social e interpessoal, claramente variável e individual e culturalmente contextualizado: Os dados obtidos evidenciam que não existe uma trajetória tipo, quer na idade da descoberta do interesse pelas práticas e comportamentos BDSM, quer na forma como os sujeitos entram no BDSM. Existe sim, uma diversidade de experiências, de percursos e motivações. Assim, se a maioria dos participantes relata que descobriu o seu interesse por este tipo de
7 de 9 práticas na idade adulta (entre os 28 e os 45 anos), dois entrevistados afirmam que descobriram na sua juventude aos 18/19 anos. Não obstante, em alguns casos, os atores relatam que o interesse já existia previamente à descoberta do significado de BDSM, tendo na altura pensamentos ou brincadeiras associadas a este tipo de comportamentos. Também nos debates publicados nos fóruns, encontramos este tipo de construção de narrativas biográficas, ou seja, a partir do momento em que sabem o que é o BDSM e integram na sua identidade o ser BDSMer, as suas vivências passadas são analisadas a partir dos seus interesses no presente. A entrada no BDSM é também diferenciada entre os participantes pois, se existem pessoas que se iniciaram por influência do parceiro com quem mantinham um relacionamento íntimo, outras iniciaram-se por intermédio de outros praticantes e também por influência do cinema e/ou literatura erótica. Porém, a descoberta deste mundo de pessoas com os mesmos gostos tem como denominador comum o aparecimento da Internet, sobretudo com o canal do IRC #Bondage, o que proporcionou que as pessoas conversassem em tempo real e trocassem experiências e aprendizagens sobre o fenómeno. Também encontramos uma multiplicidade de pontos de vista sobre o que é o BDSM e a forma como é vivenciado. Agrupamos essas visões em duas grandes categorias sobre a conceptualização do BDSM, atividade e identidade. Há os que vêm o BDSM como, única e exclusivamente, uma componente da atividade sexual ou como um hobbie, ou seja, têm uma vida “baunilha,” mas gostam de ir a eventos e ter algumas sessões esporadicamente (que podem ou não envolver sexo). Já os que definem o BDSM como sendo um “estilo de vida”, conceptualizam o BDSM como parte integrante da sua identidade. No que concerne à descoberta da sua posição de submisso ou dominador, constatamos que a experimentação de práticas e jogos de papéis aparecem intimamente relacionados com a descoberta e confirmação da posição que a pessoa ocupará. No entanto, para alguns praticantes a posição ocupada é algo instintivo, asseverando que o ser-se dominador ou ser-se submisso está relacionado com caraterísticas psicológicas e comportamentais que são mais ou menos imutáveis nas diversas esferas onde se movem, sendo essa unicidade que promove a congruência entre os diferentes papéis. Uma segunda conclusão é a de que o BDSM não se encerra nos equívocos populares sobre extrema dor, danos duradouros e não consensualidade: De fato, a dor não parece ser um conceito central no BDSM, sendo um dos elementos que potencia o prazer em determinado contexto erótico, por isso, os praticantes falam na erotização e interpretação da dor. Do ponto de vista externo, as marcas também parecem resultar de elevadas quantidades de dor, contudo, para os praticantes, estas são vistas como troféus pessoais que recordam até onde se chegou e que se teve prazer na sessão. A consensualidade é um elemento-chave no BDSM, sendo que os praticantes apontam condutas éticas na dominação (e.g. não usar ou abusar emocionalmente de alguém e negociar o poder, implicando a reciprocidade de ambos os parceiros) e estabelecem limites, que podem ser mais ou menos imutáveis, nomeadamente, não pôr em causa a segurança do submisso, não efetuar práticas com crianças ou pessoas sem livre arbítrio, nem práticas que provoquem danos permanentes. Por fim, a terceira grande conclusão prende-se com o entendimento do BDSM como uma fantasia e não como uma parafilia: Uma das palavras-chave para entender o BDSM é fantasia, já que o comportamento BDSMer é altamente simbólico e constituído por um mundo figurativo, onde todas as relações têm os seus próprios ritos e rituais. Por outras palavras, existem diversos tipos de relacionamentos, desde relacionamentos sem ligação psico-afetiva ou meramente instrumentais a relacionamentos íntimos BDSMers, que têm caraterísticas transversais a qualquer relacionamento saudável. Aqui, assiste-se a uma romantização das relações BDSM, havendo, inclusive, uma transposição dos símbolos das relações normativas para a relação BDSM, como por exemplo, o uso da coleira, o símbolo formal usado pelo/a submisso/a, sinal de compromisso, tal como o é a aliança. Os praticantes também relatam uma grande multiplicidade de práticas preferidas e experimentadas, usando os instrumentos para conferirem uma diversidade de sensações, de forma a que o BDSM não se torne redutor. Contrariando a assumpção de que o dresscode é essencial para a excitação, os nossos resultados apontam para o fato deste ser apenas uma componente estética ou um estímulo transitivo para a incorporação
8 de 9 dos papéis, e não uma condição indispensável para a obtenção do prazer. Além disso, as motivações que encontramos para estes comportamentos vão desde a obtenção do prazer erótico/sexual até à obtenção de prazer psicológico, estendendo-se a aspetos não sexuais. Por último, as perceções que os praticantes detêm sobre a reação social são fortemente negativas porque já foram alvo, ou conhecem alguma situação de discriminação/estigmatização. Assim, optam por gerir o segredo e, portanto, ocultar o seu comportamento BDSMer. Consequentemente, de forma a lidar com o estigma, alguns praticantes tentam discriminar a sociedade mainstream, o chamado “efeito espelho” (Goffman, 1963), visível, por exemplo, quando chamam de “baunilha” os não praticantes. É de notar, que a ocultação também pode servir uma função positiva, contribuindo para a construção da identidade e coesão grupal. 4. Considerações Finais Os conhecimentos obtidos permitiram-nos perceber que são muitas mais as continuidades entre desviantes e não desviantes do que as diferenças (Matza, 1969). Tal só foi possível porque decidimos escutar, observar e interagir com os praticantes de BDSM e porque abordamos a pluridimensionalidade do fenómeno. Não obstante estarmos impedidos de fazer generalizações dos nossos resultados, devido às características metodológicas deste estudo, julgamos que esta investigação poderá ter algumas implicações, pela oportunidade de desocultar um fenómeno que a ciência tem subvalorizado em Portugal e pela possibilidade de conhecer o terreno, facilitando novas incursões investigativas. Em segundo lugar, ao privilegiarmos a perspetiva das pessoas envolvidas, percebemos que o BDSM é um fenómeno complexo. Esta conceção implica uma diluição dos estereótipos existentes sobre o BDSM e, ao mesmo tempo, uma visão ampliada das sexualidades, alertando-nos para a forte necessidade de desmistificar o discurso social dominante heteronormativo e desafiar os sistemas de crenças morais.É preciso atentar que a escolha pelo comportamento BDSMer, enquanto consensual e entre adultos, é manifesto de um princípio básico de autonomia sexual e autodeterminação, direitos fundamentais na área da sexualidade. Consideramos que a realização de estudos somente focados nas características dos sujeitos, nas suas regras e nas práticas não se deve sobrepor ao estudo das motivações e significados, nem ao estudo de novas variáveis como o estudo aprofundado das significações do que é ser switcher, de aspetos relacionados com os papéis desempenhados no BDSM, o estudo do BDSM profissional e a análise dos multirrelacionamentos existentes. Já, quanto aos profissionais de saúde, estes devem refletir sobre as suas atuais suposições sobre o BDSM e começar a desafiar as crenças, de forma a terminar com a perpetuação dos discursos patologizadores e demonizantes sobre o BDSM. 5. Referências bibliográficas Agra, C. & Fernandes, L. (1993). Droga enigma, droga novo paradigma. In C. Agra (Ed.), Dizer a Droga, Ouvir as Drogas. Porto: Radicário. Barker, M. (2007). Turning the world upside down: Developing a tool for training about SM. In Langdridge, D. & Barker, M. (Eds.) Safe, sane and consensual:contemporary perspectives on sadomasochism. (261–270). Basingstoke: Palgrave Macmillan. Fernandes, L. (1989). Estratégia qualitativa de investigação do uso de drogas e da toxicodependência. Análise Psicológica, 1-2-3 (VIII), 329-228. Glaser, B & Strauss, A. (1967). The Discovery of Grounded Theory: Strategies for Qualitative Research. Chicago: Aldine Pub. Co. Goffman, E. (1963). Stigma. Notes on the management of spoiled identity. Prentice Hall. Matza, D. (1949). Becoming deviant. Englewood Cliffs: PrenticeHall.
9 de 9 Oliveira, A. (2002). Da prostituição ao trabalho sexual: atrizes, práticas e contexto. (Tese de Mestrado). Porto: FPCEUP. Oliveira, A.(2008). O mundo da prostituição de rua: trajetórias, discursos e práticas. Um estudo etnográfico (Tese de doutoramento).Porto: FPCEUP. Silva. C., Gobbi, B. & Simão, A. (2005). O uso da análise de conteúdo como ferramenta para a pesquisa qualitativa: descrição e aplicação do método. Organ. Rurais Agroind., 7(1), 70-8.1 Weinberg, T. S. (1987) Sadomasochism in the United States : A review of recent sociological literature, The Journal of Sex Research, 23 (1), 50-69.