A interatividade nos sites noticiosos e a contribuição do utilizador: estudo de caso, limites e desafios
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FACULDADE DE LETRA S UNIVE RSIDADE DO PO RTO Joana Raquel Soares da Costa Carvalho 2º Ciclo de Estudos em Ciências da Comunicação – Variante Estudos de Media e Jornalismo A interatividade nos sites noticiosos e a contribuição do utilizador: estudo de caso, limites e desafios 2014 Orientador: Dr. Fernando Zamith Classificação: Ciclo de estudos: Dissertação/relatório/Projeto/IPP: Versão definitiva
1 Resumo: O estar offline por algumas horas significa uma considerável desatualização daquilo que está a acontecer no ciberespaço. No entanto, é humanamente impossível acompanhar toda a informação patente na rede. O utilizador é, aqui, claramente ultrapassado pela tecnologia. Contudo, emergem novas relações interpessoais: interativas/reativas – uma das grandes vantagens do ecossistema digital. Entre outras possibilidades, o utilizador pode comentar os mais diversos temas, assumindo diversas identidades. Comentar aproxima o utilizador do médium, porém a gestão/moderação de comentários nos sites noticiosos ainda não se adaptou à «democracia do teclado». O controlo desta problemática, ou pelo menos, a tentativa de controlo, carece de vigilância. Palavras-chave: Interatividade; reatividade; utilizador; user-generated content (UGC); sistemas de moderação.
2 Agradecimentos: Ao meu orientador, Dr. Fernando Zamith, pelo incentivo e disponibilidade. Aos meus pais pelo apoio incondicional e à minha tia Nazaré, em particular, pela força transmitida e por nunca me ter deixado desistir. Às minhas amigas Bárbara e Margarida por acompanharem o meu percurso académico e, sobretudo, o agradecimento pela amizade.
3 ÍNDICE 1.INTRODUÇÃO 4 1.1 Estudo da interatividade 6 1.2 Objeto e importância do estudo 6 2.REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Contextualização histórica do ciberjornalismo: aparecimento e características 7 2.2 Interatividade 12 2.2.1 Primeiros exemplos de interatividade 23 2.3 Reatividade 25 3.CONCEITO DE COMENTÁRIO 3.1 Comentar online, uma questão global 26 3.2 Modelo de gestão/moderação de conteúdos gerados pelo utilizador – caixa de comentários 31 3.3 Questões legais 38 4.RESULTADO E DISCUSSÃO DE DADOS 43 4.1 Exemplos de comentários 59 5.CONSIDERAÇÕES FINAIS 73 6.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 75 7.APÊNDICE 7.1 Apêndice A – Critérios de publicação do site noticioso Público 77 7.2 Apêndice B – Tabelas e gráficos (Desporto) 80 7.3 Apêndice C – Tabelas (Política) 84
4 1. INTRODUÇÃO Na era digital vivemos num turbilhão de informação, onde desejamos a um ritmo veloz estar ativos num mundo que se tornou pequeníssimo, já que podemos virtualmente estar presentes em qualquer lugar. Aqui, estar offline por algumas horas significa uma considerável desatualização daquilo que está a acontecer no ciberespaço. No entanto, é humanamente impossível acompanhar toda a informação patente na rede. O utilizador é, aqui, claramente ultrapassado pela tecnologia. Contudo, emergem novas relações interpessoais: interativas/reativas – uma das grandes vantagens do ecossistema digital. Autores como Primo (1999), Castanheira (2004), Gillmor (2005), Rost (2006), Zamith (2007), Abdulmalik (2009), Paiva (2013), entre outros, foram essenciais para (des)construir conceitos como interatividade e reatividade. Entre outras possibilidades, o utilizador pode comentar os mais diversos temas, assumindo diversas identidades. Comentar aproxima o utilizador do médium, porém a gestão/moderação de comentários nos sites noticiosos ainda não se adaptou à «democracia do teclado». O controlo desta problemática, ou pelo menos, a tentativa de controlo, carece de vigilância. Uma das identidades que é possível assumir, ou melhor, ocultar é o anonimato que, por conseguinte, é uma das maiores preocupações do mundo online. O utilizador-comentador camufla a sua identidade para se sentir mais à vontade, evitando ser julgado em praça pública, neste caso, no ciberespaço. Também as falsas identidades põem em causa valores éticos, bem como a responsabilidade cívica intrínseca a cada ser humano. Compreender o valor acrescentado de um comentário online no final de cada notícia e o grau de importância dada pelos media levaria a que o “repositório” de comentários existentes no final de cada notícia – onde o utilizador-comentador interage/reage a um assunto que lhe desperte interesse – se tornasse num melhor ciberespaço de debate de ideias/argumentos. Alejandro Rost (2008) chega a questionar se o conteúdo produzido pelo utilizador melhora o trabalho jornalístico. Contudo, Rost (2008) afirma que «el concepto de Interactividad es clave para estudiar la relación entre los media y los usuarios». Está comprovado que a internet contribui em massa para a modificação das massas, para a forma como nos relacionamos e comunicamos num mundo altamente tecnológico, num mundo onde o ser humano já não consegue separar-se dos aparelhos
5 tecnológicos, da tecnologia digital. O Homem do século XXI é humano-dependente da tecnologia moderna. Marshall McLuhan, citado em Gillmor (2005:32), explicava que o nosso sistema nervoso central era estendível a um abraço global, abolindo as fronteiras espácio-temporais. A extensão do Homem seria concretizada pela «simulação tecnológica da consciência, em que o processo criador do conhecimento [seria] coletiva e corporativamente estendido à sociedade humana na sua totalidade, da mesma maneira que já estendemos os nosso sentidos e nervos através dos diversos media.» Comentar online tornou-se num diálogo global, num macro espaço de conversação que carece de discussões construtivas. Num meio desregulado, é urgente pensar em medidas que regulem o ecossistema digital – que é de todos e para todos – de modo a promover uma cultura de responsabilidade, bem como valores intrínsecos às sociedades democráticas. Nesta investigação, procuramos descortinar os limites e desafios da contribuição do utilizador nos sites noticiosos. O utilizador-comentador é uma mais-valia? É (des)valorizado pelo medium? O grau de interatividade/reatividade é mais elevado entre utilizadores, do que entre utilizador e jornalista? Também é importante perceber quem comenta o enfoque noticioso, de que forma o faz, porque o faz, bem como a linguagem utilizada. Durante a investigação foram analisados, ao longo de quatro meses – janeiro, fevereiro, março e abril – do presente ano, 2055 comentários de utilizadores de dois sites noticiosos portugueses – Jornal de Notícias e Público – pertencentes às editorias de Desporto e Política. De salientar que o corpus de investigação foi delimitado a dez dias de cada mês, de forma intercalar. Entre os principais resultados, podemos destacar: fraca interação entre utilizador e jornalista; desigualdade de participação nos sites noticiosos, que poderá estar relacionada com os sistemas de moderação implementados; elevada reação e percentagem de comentários fora da temática em causa; e, por fim, comentários com chamadas de atenção para a notícia (sugestões de correção e alertas para comentários impróprios). A não homogeneização das políticas de controlo continua a ser um dos graves problemas da tão prometida interatividade, não havendo investimento por parte dos órgãos de comunicação social para a gestão da panóplia de comentários. Urge pensar nestas questões, uma vez que ninguém quer se conotado de infoexcluído.
6 1.1 Estudo da interatividade Estudar a interatividade é muito mais complexo, do que à primeira vista possa parecer. Há autores que a defendem apenas ligada à tecnologia (máquina), outros que se referem à componente social e outros estudiosos que interligam estas duas vertentes. É certo que a interatividade faz parte de uma grande potencialidade do jornalismo, mas tem sido explorada (até ao limite)? A interatividade que nos vendem é mesmo interatividade? Que desafios nos traz a revolução tecnológica para a interatividade? 1.2 Objeto e importância do estudo Com as perguntas de partida: Como distinguir a interatividade da reatividade? Que (des)vantagens pode ter o espaço dedicado ao exercício da opinião pública nos cibermeios? Que tipo de comentário e linguagem predomina? Pretendese (des)construir o conceito de interatividade entre os utilizadores-comentadores portugueses nos media online, traçar o perfil do utilizador-comentador, bem como, a linguagem que utiliza. Dar a conhecer o grau de importância do comentário na notícia, percebendo de que forma é gerida toda a panóplia de comentários e, por último, o descortino da Lei Portuguesa, no que respeita a direitos e incumprimentos de normas previamente estabelecidas (relativas ao tema em causa) também fazem parte dos objetivos para esta dissertação.
7 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Contextualização histórica do ciberjornalismo: aparecimento e características As empresas detentoras de jornais foram as primeiras a experimentar a colocação de notícias na rede. A experiência surge, pela primeira vez, nos Estados Unidos, nos anos 70 – a distribuição das notícias online emerge a par dos primeiros computadores pessoais. Porém, é na década de 80 que explodem alternativas diversificadas para a difusão de conteúdos. Os jornais diários começam por publicar resumos de notícias e alguns artigos completos. Em Maio de 1992, o jornal The Chicago Tribune lança o Chicago Online, uma edição completa através de AOL que permite aceder a notícias, classificados, enviar mensagens ao próprio jornal e fazer compras online 1 . Surge assim os primeiros serviços de interatividade no que respeita a sites noticiosos. Os jornalistas passam a ter a possibilidade de participar em fóruns de discussão, chats e ainda entrevistar “em linha” protagonistas da estória em causa. 1994 é o pontapé de saída para o início do ciberjornalismo. Uma quantidade elevada de jornais – estadunidenses e europeus – inauguram os seus sites noticiosos na denominada World Wide Web. Pablo Alto Weekly (Califórnia) é o primeiro diário a publicar de forma regular na Web. A 19 de janeiro de 1994 começa a editar de forma completa os seus artigos mas apenas duas vezes por semana. Segue-lhe os passos o Mercury Center, que oferece notícias atualizadas de forma permanente, e-mail para os jornalistas, acesso ao arquivo e ainda serviço de mensagens. 2 Na Europa, o Daily Telegraph também se lança na Web, a 1 de novembro de 1994. Diferencia-se pelo seu design, bem como os links de hipertexto incorporados no texto e fotografias que iam aparecendo ao lado da notícia. No entanto, era criticado pela parca aposta na interatividade, uma vez que apenas divulgava o e-mail geral. Nos dois anos seguintes, a Web é bombardeada por sites noticiosos. No final de 1996, todos os jornais tradicionais (mais influentes), como o The New York Times, Los Angeles Times, USA Today, Newsday e Financial Times, tinham a sua “pegada” no 1 Rost, Alejandro (2006). La interatividad en el periódico digital. Tese de doutoramento. 2 Idem.
8 ciberespaço. Este aumento exponencial acompanhou o crescente número de utilizadores. Alejandro Rost (2006) 3 considera quatro etapas na história do jornalismo digital: 1) Presença corporativa – os sites apenas mostram informação da empresa (reforçando assim a sua imagem corporativa) e algumas notícias do dia; 2) Volcado (despejo, também designado Shovelware) – o leitor tem os mesmos conteúdos tanto em papel como na Web. Não há atualização de notícias em formato digital; 3) Conteúdos próprios – os sites noticiosos passam a ter alguns conteúdos criados especificamente para a Web. A atualização é permanente e delineiase uma linguagem própria para o online. 4) Interatividade – o site noticioso oferece múltiplas possibilidades de seleção de conteúdos (interatividade seletiva) e diversas alternativas de expressão e comunicação (interatividade comunicativa). A presença do utilizador é notória, existindo uma clara tendência em oferecer poder ao ciberleitor na construção da realidade. O objetivo é explorar os recursos específicos do ecossistema digital. Já Hélder Bastos (2010) divide os primeiros doze anos do ciberjornalismo (em Portugal), em três fases: implementação, expansão ou “boom” e a depressão seguida de estagnação. A primeira fase (1995-1998) caracteriza-se pela implementação de edições online dos meios comunicação tradicionais. Esta etapa é marcada pelo shovelware. Os primeiros diários generalistas (Jornal de Notícias e Público) começaram a atualizar diariamente os seus conteúdos. O semanário Setúbal na Rede torna-se em janeiro de 1998 no primeiro jornal exclusivamente online. Entre 1999 e 2000, inicia-se a segunda etapa, marcada pelo aparecimento dos primeiros jornais generalistas exclusivamente online (Diário Digital e Portugal Diário). Nesta altura surgiu o já extinto semanário Euronotícias, que oferecia serviços interativos, tais como, votações, postais eletrónicos e sessões de conversação em tempo real (Bastos, 2010). 3 Idem.
15 «Interativity is an expression of the extent that in a given series of communication exchanges, any third (or later) transmission (or message) is related to the degree to which previous exchanges referred to even earlier transmissions.» Já Steuer (1992:84) fala na participação em tempo real (fator já referenciado anteriormente). Para o autor, a interatividade é: «The extent to which users can participate in modifying the form and content of a mediated environment in real time.» Ou seja, o utilizador participativo pode alterar a forma e conteúdo de um determinado ambiente, tendo sempre em conta o tempo. Porém, Pavlik (1998:137) refere-se à interatividade como comunicação de duas vias: «A interatividade significa uma comunicação bidirecional entre fonte e recetor, ou de forma mais ampla – comunicação multidirecional – entre mais do que uma fonte e recetores.» Também Amaral (2005) alinha no pensamento de Pavlik ao falar na reciprocidade de trocas. A autora afirma que a definição «exata» de interatividade é: «tipo de relação com uma máquina que implica uma reciprocidade de trocas.» Já em 1998, Lemos afirmava que tudo se vendia como interativo e a interatividade não era nada mais do que «uma nova forma de interação técnica, de cunho “eletrónico-digital”, diferente da interação “analógica”, que caracterizou os media tradicionais». Também Zamith (2007), no seu estudo – potencialidades dos sites noticiosos portugueses – concluiu que, no caso da interatividade, havia apenas um aproveitamento de 17%, o que confirmava a «grande distância» entre os ciberjornais mainstream e os visitantes/utilizadores, «persistindo em produtos massificados e não abertos à escolha e participação individual». Ou seja, os media vendem o conceito, mas não o aproveitam nem exploram de forma correta. A interatividade possui uma estreita relação com a evolução informática e as novas tecnologias da informação. É muitas vezes referida como um tipo de interação, tal
16 como assinala Jensen (1998) ao explicar que a interatividade é uma extensão da interação e que, por isso mesmo, ambas as palavras são sinónimas. O autor adota o conceito na perspetiva da relação entre os indivíduos. Porém, os campos semânticos intrínsecos cruzam-se, levando à confusão dos conceitos. A palavra interativa surge, pela primeira vez, em 1832, num artigo publicado no Saturday Even, no qual se fazia referência à “interação entre o leitor e o escritor”. O termo é aplicado em diversas áreas científicas, como informática, física, genética e ciências sociais. Um dos teóricos mais influentes neste campo é Sheizaf Rafaeli (1988): «The study of interactivity is part of the evolution in the ontology and epistemology of new communication technologies in general, and computers as media in particular.» No campo das ciências da comunicação, o conceito de interatividade começou a ser utilizado (ainda que de forma incipiente) nos anos 70. Os primeiros passos foram dados nos serviços de televisão interativa, teletexto e videotex que construíram um novo modelo de comunicação questionando, assim, o paradigma unidirecional protagonizado até então pelos meios de comunicação tradicionais. A primeira experiência de televisão interativa (Qube) arranca em 1977, em Ohio, nos Estados Unidos, onde o slogan proclamava o fim da era do telespetador passivo. Os serviços de teletexto aparecem em 1973 e 1974 na cidade londrina. Já o primeiro sistema de videotex (Prestel) é lançado, de forma comercial, em 1978 também em Londres. Estes três novos modelos introduziam variados níveis de opções interativas de seleção e comunicação, de forma muita crua (Rost, 2006). Tanto o teletexto como o videotexto despertaram para a discussão relativa ao conceito de interatividade. Porém nada implica que antes destes serviços não tenham surgido outros meios de comunicação com algum nível de interatividade. Por exemplo, o telefone é considerado por muitos estudiosos o meio interativo mais antigo, uma vez que estabelece um fluxo de bidirecionalidade entre emissor e recetor. John Carey (in Rost, 2006) frisa que a forma mais comum de comunicação é a chamada telefónica, uma vez que marcou o início da “era moderna dos meios interativos”.
17 Na tese de doutoramento, Alejandro Rost (2006:174) analisou as possibilidades interativas de seleção e comunicação que cada site noticioso oferece, estudando também a relação entre os utilizadores e o meio de comunicação em causa. Numa perspetiva sociológica é possível ter comunicação sem interação, mas não é possível existir interação sem comunicação. O nível de interatividade não depende apenas da tecnologia comunicacional, mas também da forma como essa tecnologia é usada. Para além de ter sido relacionada com os meios de comunicação de massa também se interligou à comunicação interpessoal nos sistemas de áudio e videoconferência, tal como refere Bretz (1983). O videotexto, teletexto e audiotexto emergem nos anos 70, tendo sido os antecessores dos novos media (digitais). O audiotexto era um serviço de informação onde, através de uma simples chamada telefónica, o utilizador podia aceder a informação local (e.g., estado de tempo e classificados). Já o teletexto só era possível se existisse uma set-top box (descodificador de sinal televisivo). A ideia partiu de duas grandes corporações de rádios inglesas (BBC e IBA). Este aparelho permitia ao telespetador interagir com a televisão navegando num número limitado de “páginas” com breaking news e informações meteorológicas. Por fim, o videotexto era (na época) o mais sofisticado e, segundo Alejandro Rost (2006), a diferença estava no seu cariz bidirecional e interativo, já que o indivíduo podia enviar mensagens ao sistema de informação, como também comunicar com outros indivíduos. Caracterizou-se como meio de comunicação interpessoal mais propício a operações bancárias do que à consulta de notícias. Foi pioneiro no uso das possibilidades interativas de seleção e comunicação através do ecrã, tendo contribuindo para o conceito de interatividade. A rede das redes surge no contexto da Guerra Fria – poucos dias depois da chegada de Neil Amstrong à Lua – e a partir daqui a forma de comunicar/interagir alterou por completo o cotidiano dos cidadãos. Hoje somos confrontados com tecnologia de ponta que nos alerta para tudo. Vivemos numa sociedade completamente globalizada, onde só quem está on se sente integrado. A aldeia global transformou-se numa caótica e agitada macro aldeia glocal. A 2 de Setembro de 1969, e face à necessidade de uma comunicação interna, o Departamento de Defesa dos EUA – Advanced Research Projects (ARPA) – interliga, pela primeira vez, os computadores de três universidades e um instituto de investigação.
18 A ARPANET foi, assim, o embrião da Internet. Passados 45 anos, a Internet transformou-se numa gigante revolução tecnológica, E citando Manuel Castells (1999): «La tecnología de la información es a esta revolución lo que las nuevas fuentes de energía fueron a las sucesivas revoluciones industriales». (CASTELLS, 1999a: 57) Tendo integrado o grupo ARPA, Ray Tomlinson inventou um programa de correio eletrónico para enviar mensagens através da rede. Tomlinson, ao criar este programa em 1971, inventou ainda o símbolo @ de modo a separar o nome do usuário do servidor em questão. O @ agregado ao e-mail representa, assim, o mundo conectado dos e para os quatro cantos do mundo. A partir dos anos 90 e, com a explosão de serviços na internet juntamente com a criação da World Wide Web, a interatividade ganhou novo alento. Jens Jensen (1998) estudou o modelo de conversação partindo da comunicação interpessoal. O teórico dinamarquês aborda a interatividade «como uma extensão do conceito de interação» e entende o conceito numa tripla ótica: sociológica (interatividade entre indivíduos), a nível das ciências da comunicação (fluxos comunicacionais entre recetores e mensagens dos mass media) e, por último, a nível informático (HCI - human-computer interaction). Jensen (1998) 5 divide ainda a interatividade em dois ramos: seletiva (enfoque informático e comunicacional) e comunicativa (enfoque sociológico). Desta dupla perspetiva surgem três posições sobre como distinguir o conceito: 1) a interatividade apenas se refere à interação com conteúdos ou com a máquina (interatividade seletiva); 2) a interatividade alude à interação entre os indivíduos (interatividade comunicativa); 3) compreende tanto a interação com os conteúdos como a interação entre os indivíduos (interatividade seletiva e comunicativa). Segundo publicado na Agencia para la Informática (ADI) (mencionada por Rost, 2006:178), a definição de interatividade, ou melhor, de interativo surge em França, em 1981: «Califica al hardware, los programas o las condiciones de explotación que permiten acciones recíprocas en modo conversacional, con usuários, o en tiempo real, con aparatos.» (Rost, 2006:178) 5 Jensen, J. (1998). “Interactivity: Tracking a new concept in media and communication studies”. Disponível em: http://www.organicode.net/jenson.pdf
19 Esta definição também tem enfoque informático. Rudy Bretz (1983:13), citado em Rost (2006:178), publicou o livro Media for interactive communication onde explica que «interactive communication is the situation in which each of two (or more) communicants respond to the other». Para Bretz um sistema interativo deve possuir as seguintes especificidades: 1) as mensagens devem fluir de e para indivíduos específicos ou para pequenos grupos; 2) a resposta deve ser imediata ou até mesmo simultânea; 3) o sistema interativo deve possuir pelo menos dois canais com direção oposta ou um único canal reversível; 4) os sistemas são fechados; 5) o conteúdo da comunicação interativa tende a ser informal. Bretz delimita três tipos de situações comunicacionais (Rost 2006:179): Sistemas de comunicação de uma via (one-way communication); Sistemas de comunicação quase interativos ou reativos (quasi interactive ou responsive) – o emissor A envia uma mensagem e o recetor B responde a essa mensagem; Sistemas de comunicação completamente interativos (fully interactive communication) – neste processo o emissor A envia uma mensagem ao recetor B, B responde a essa mensagem baseando-se no que disse A e A responde ou reage à mensagem de B (aquilo a que poderemos designar por reação ou reatividade). Considerando apenas a interatividade entre indivíduos, Bretz dá preferência ao diálogo cara a cara em pequenos grupos fechados, destacando o cariz interativo do telefone e dos sistemas de videoconferência (Rost 2006:179). Para Everett Rogers (1986), in Rost (2006:181): «Interactividad es la capacidad de los nuevos sistemas de comunicación (que usualmente tienen una computadora como uno de sus componentes) de responder a los usuarios, casi como un individuo participando de una conversación.» Rogers (1986) frisa que os novos meios de comunicação são diferenciadores das possibilidades dos media interativos mais velhos pela sua capacidade de enviar e receber mensagens de forma síncrona (e.g. e-mail). Na sua conceção de interatividade, Rogers (1986:34) afirma que os meios de comunicação possuem diferentes níveis de interatividade (quadro 1):
20 Nível baixo Imprensa, rádio, televisão e cinema Nível intermédio Teletexto Nível alto Comunicação via videotexto, BBS, teleconferências, televisão interativa por cabo Quadro 1 – Níveis de interatividade. *retirado de Rost (2006:181) com elaboração própria Assim, a interatividade não é uma característica do meio mas sim do processo comunicativo (quadro 2). Rafaeli (1988) reconhece que “Um alto nível de interatividade é um ideal, não uma descrição da realidade”. Comunicação interativa (bidirecional) Comunicação reativa (bidirecional) Comunicação declarativa (unidirecional) Troca de papéis Troca de papéis Não existe troca de papéis A última mensagem relaciona-se não apenas com esta mas com também com mensagens anteriores A última mensagem está apenas ligada à mensagem anterior Criação de mensagens independentes umas das outras Quadro 2 – Nível de interatividade, segundo Rafaeli [retirado de Rost (2006:184)] É importante reforçar a ideia de que Rafaeli (1988) apenas considera a interatividade entre indivíduos, ou seja, a interatividade comunicativa, deixando de parte a interatividade com os conteúdos/computador (interatividade seletiva). Na Internacional Encyclopedia of Communications, John Carey (1989), in Rost (2006:187), define os meios interativos abordando, de forma muito clara, a dupla dimensão de interatividade. Carey considera, então, os meios interativos como:
21 «Technologies that provide person-to-person communications mediated by a telecommunications channel (e.g., a telephone call) and person-to-machine interactions that simulate an interpersonal exchange (e.g., an electronic banking transaction)». Carey afirma que a forma mais comum de comunicação interativa é a chamada telefónica. No entanto, também fala no e-mail, nas videoconferências e nos fóruns de discussão. A interação que podem estabelecer os utilizadores com os novos media denomina-se de face to interface communication e pode dividir-se em duas vertentes: a comunicação medida por computador (em inglês CMC – computer-mediated communication) em que emissores e recetores trocam de papéis; a interação entre pessoas e computadores (em inglês, HCI – human computer interaction), sendo que o emissor tem um papel limitado (Rost, 2006:189). Para Hassen et al (1996) a interação com o computador possui um baixo nível de interatividade. «Es importante advertir que com la interacción del hombre con la computadora, la interacción es asimétrica. Hay entonces, en el mejor de los casos, una ilusión de intercambio de roles.» (Hassen et al 1996) Tendo como premissa o modelo de Rafaeli (1988), Hassen et al (1988) mencionam três níveis de interatividade: bidirecionalidade (e.g. teletexto), comunicação reativa (e.g. videotex) e a responsiveness (e.g. e-mail). Para os autores a interatividade comunicativa tem um maior nível de interatividade que a seletiva face à possibilidade de troca de papéis entre emissores e recetores. Jens Jensen (1998) enquadra a interatividade como uma extensão da interação. Porém, salvaguarda o conceito de interação no seu sentido sociológico (original) – ações de dois ou mais indivíduos mutuamente interdependentes (excluindo a comunicação mediatizada). O conceito de interatividade é abordado em três dimensões: relação dos indivíduos com a máquina (interatividade seletiva), relação entre indivíduos (interatividade comunicativa) e, por fim, a dimensão que contempla num só grupo as duas abordagens mencionadas anteriormente.
22 Muitos autores sublinham que os meios interativos combinam características dos mass media com canais de comunicação interpessoal. Os primeiros trabalhos nesta área de investigação permitiram concluir que a troca para ser interativa tem de ser realizada em tempo real. No entanto, há teóricos que afirmam o contrário (as possibilidades dos meios interativos devem realizar-se em trocas de comunicação de forma assincrónica). Uma maior velocidade de resposta trará uma maior perceção de interatividade (Rost, 2006). Para Rost (2006:192), há algo transversal a todas as conceptualizações de interatividade. É o seu aspeto positivo tanto da parte dos media como do processo de comunicação. O conceito está associado à participação dos utilizadores nos processos comunicativos e ao discurso público, assim como às teorias da democracia. Alejandro Rost conceptualiza a interatividade da seguinte forma: «La interatividad es la capacidad gradual y variable que tiene un medio de comunicación para darle a los usuarios/lectores un mayor poder tanto en la selección de contenidos (interactividad selectiva) como en las posibilidades de expresión y comunicación (interactividad comunicativa).» (Rost, 2006:195) Para Rost (2006), a inter-acción designa o espaço de relação dialógica entre duas pessoas ou objetos implicando, per si, reciprocidade. Para Starkey Duncan (1989), apud in Rost (2006), a interação é aceite como o veículo de funções cruciais e interrelacionadas como, por exemplo, estabelecer laços (afetivos) entre pais e filhos: “Interaction is generally accepted as the vehicle for such crucially important and interrelated functions as establishing the parent-infant bond, nurturing and guiding the social and cognitive development of the child, defining and sustaining cultures and subcultures, and providing, a medium for transactions between individuals – the conversation, play and games, religious and secular ritual, commercial exchanges, greetings, and the like that make up everyday life”. (Duncan, 1989 in Rost, 2006) Rost (2006:196) aponta as possibilidades interativas em duas vertentes: a de seleção de conteúdos que consiste na capacidade que o meio de comunicação tem para responder ao que é pedido pelo utilizador, bem como, a sua capacidade em oferecer um
23 menu de conteúdos no qual o utilizador tem a possibilidade de escolher aqueles que melhor se adequam às suas preferências; e na possibilidade de expressão e comunicação que se refere aos espaços que cada meio proporciona aos seus utilizadores (e.g., fóruns de discussão, caixa de comentários). Rost (2006: 86) acrescenta ainda que as possibilidades interativas de acesso à informação e comunicação têm dois efeitos: atenuam as diferenças entre países ricos e países pobres (infoincluídos e infoexcluídos) e aprofunda as lacunas internas entre os que estão conectados e os não conectados. 2.2.1 Primeiros exemplos de interatividade «The degree to which participants in a communication process have control over, and can exchange roles in, their mutual discourse is called interactivity» (Williams et al, 1988) Os primeiros bloggers alteraram por completo a forma de comunicar, em que todos podiam escrever, desde que possuíssem um computador e ligação à internet. Qualquer cibernauta podia ter uma espécie de micro órgão de comunicação passível de publicar as mais diversas informações/notícias. O blogue foi a primeira ferramenta que permitiu maior permeabilidade para publicar conteúdos online. Um autêntico meio de comunicação em que é possível, de entre outras coisas, a discussão de temáticas entre utilizadores. Porém, já antes era possível escrever na net (e-mail, fóruns e grupos de conversa). A título de exemplo, Gillmor faz referência à manifestação ocorrida em Bagdad a 10 de Dezembro de 2003. Esta manifestação tinha como mote o protesto «contra as bombas colocadas pelos insurretos». No entanto, nenhum médium falava do significado desta manif e é aqui que entra o papel dos blogues locais que passaram a revelar informação muito mais precisa do que um médium prestigiado. O bloguista Zeyad dizia-se surpreso por as pessoas confiarem no seu blogue e que muitos dos seus leitores iam mais facilmente à sua página do que ao site da CNN ou da BBC. Um exemplo de como o público passou a estar mais ativo no contexto mediático digital. Os denominados wikis foram os claros percursores dos blogues. Numa página wiki qualquer utilizador pode editar essa mesma página ao acrescentar ou retirar
24 informação. Assim, «A internet é o primeiro meio de informação de que o público é o proprietário, o primeiro meio que deu voz ao público» (Gillmor, 2005). Algumas das mais importantes fotografias e vídeos no que respeita a informação noticiosa foram captadas por amadores. Gillmor dá o exemplo das imagens da «bola de fogo» aquando do embate do voo 767 da United Arlines na segunda torre do World Trade Center a 11 de setembro de 2011. As imagens foram difundidas pelos mais variados órgãos de comunicação de todo o mundo.
31 3.2 Modelo de gestão/moderação de conteúdos gerados pelo utilizador – caixa de comentários No caso específico de sites noticiosos online, o utilizador pode comentar (se assim o desejar) no final de cada notícia. Obviamente que o interesse de cada utilizador em comentar depende sempre do assunto em causa. Por exemplo, no site noticioso do jornal Público é possível encontrar utilizadores que participam de forma regular nestes espaços dedicados à opinião. É um processo bastante simples e rápido, pois apenas se coloca o nome ou pseudónimo, ou até mesmo anonimamente, antes de introduzir o comentário (há sites que exigem um pré-registo e comentários que, por opção editorial, não são colocados imediatamente – dependendo assim de aprovação). Idealmente, os comentários devem possuir um raciocínio lógico, coerente. Cada médium tem a sua política de gestão de comentários, no entanto, deve ter como princípio o banimento de conteúdos difamatórios, obscenos, racistas, insultuosos, conteúdos que promovam atos ilegais, bem como, a promoção de publicidade comercial. O El Periódico, no estudo já referido anteriormente, afirma que os comentários abertos descredibilizam a marca do médium. A complexidade das construções semânticas está fora do alcance de filtros de software. Dan Gillmor defende que só com os avanços tecnológicos é que será possível bons métodos de avaliação que permitam «controlar reputações e verificar a boa-fé dos comentadores», sem que seja necessário revelar a sua identidade. Gillmor é defensor do anonimato. No entanto deixa patente a ideia de que as discussões construtivas deveriam ser feitas com a própria identidade. Para Marisa Torres da Silva (2013), a caixa de comentários constitui-se: «como um espaço potencialmente deliberativo [que permite] a expressão de opinião acerca de um determinado tema». Sobre a vertente democrática da internet, Torres da Silva (2013) questiona se «as discussões online promovem efetivamente uma troca democrática de ideias e opiniões» e «em que medida é que este novo ambiente de discussão introduz alterações à situação da esfera pública e em que sentido».
32 Dahlberg (2004) 7 propõe uma tipologia das condições normativas da esfera pública: Tematização: os argumentos são dirigidos aos que participam no debate, mas também àqueles que possam ser afetados pela “discussão”; Reflexividade: transcende as preferências pessoais, analisando de forma crítica os valores, assunções e interesses; Role taking: o utilizador mostra-se disposto a modificar as próprias crenças a partir das razões apresentadas por outros utilizadores; Sinceridade: esforço para tornar visível toda a informação que seja relevante para o debate, e também as intenções e os interesses do utilizador; Igualdade formal: existe igual oportunidade para os participantes expressarem atitudes, desejos e necessidades criando-se “condições formais de inclusão”; Igualdade discursiva: prevalece o “melhor argumento” que remete para a autonomia no que respeita às relações de poder dentro do discurso. Os argumentos podem expressar-se, por exemplo, em ameaças, posições dogmáticas ou tentativas de manipulação, bem como, autonomia em relação ao Estado e ao poder corporativo. Torres da Silva (2013) faz referência a Robert Goodin, autor que afirma que «’postar’ um comentário na internet não é, em si mesmo, um ato deliberativo». Para Rasmussen (2008), «o que é possível em termos tecnológicos pode não ser favorável em termos sociais». Isto significa que a sociedade não está preparada para acompanhar o ritmo veloz das mudanças tecnológicas, daí que muitos órgãos de comunicação – forçados a fazer adaptação no online – tenham dificuldade em encontrar estratégias tecno-sociais, de forma a estreitar a relação com o consumidor de notícia, neste caso, utilizador-comentador. Atualmente, urge que os sites noticiosos apostem na interatividade/reatividade, valorizando o utilizador. 7 Dahlberg, L. (2004). The Habermasian Public Sphere: a specification of the idealized conditions of democratic communication. Disponível em: https://www.sussex.ac.uk/webteam/gateway/file.php?name=10-1a.pdf&site=412
33 Torres da Silva (2013) defende que as possibilidades para uma maior participação não são sinónimo da geração de um debate que promova os ideais democráticos. Papacharissi (2012) caracteriza a comunicação online pela expressão de opiniões “apressadas”, o “flaming”, ou seja, posts de caráter abusivo ou “trolling”, que está associado a comentários que desinformam, enganam, provocam, destabilizam ou trivializam o debate. Também a violência verbal se enquadra neste campo, já que torna as discussões online particularmente vulneráveis à disrupção. O anonimato – abordado também no subcapítulo das questões legais – é um dos grandes problemas da interatividade/reatividade. Surgem problemas ao nível da verificação da informação transmitida e de identidade. No entanto, há autores que (erroneamente) defendem que “estar anónimo” ou usar pseudónimos pode fomentar um debate mais aberto, uma vez que os participantes se sentem mais livres para avançar a sua opinião. Com a ocultação da identidade, o utilizador tem mais facilidade em reagir/interagir, eliminando receios face a uma eventual exclusão no debate, apagando as diferenças sociais. Há quem também refira a oportunidade para uma fraude consciente na identidade o que, segundo Dahlberg (idem) pode minar a confiança dentro dos grupos online e conduzir à desinformação. O utilizador-anónimo reage com mais ataques verbais como são o caso da injúria, difamação, humilhação e sarcasmo. Nos debates online, nomeadamente, nas caixas de comentários, há desvantagens que avivam a falaciosa interatividade: a questão do anonimato (já referida); o facto de os comentários estarem apenas focados em pontos de vista pessoais, não refletindo sobre outros argumentos nem respondendo a outros utilizadores. Dahlberg fala na pressão para a resposta imediata que pode limitar a possibilidade para os participantes aprofundarem as suas posições à luz dos argumentos apresentados por outros; monopolização da atenção por parte de indivíduos ou grupos particulares, o que corrobora a opinião de Ferreira (2012) [citado em Torres da Silva, 2013]: «Noutros termos: os fóruns de discussão online poderão aumentar a quantidade de participação, mas isso não significa necessariamente aumentar a diversidade de participação – porque os participantes acabam por ser, muitas vezes, os ‘suspeitos do
34 costume’. A esfera pública virtual encontra-se estruturada de uma forma que replica a estrutura política tradicional, e por isso o debate online acaba por ser dominado tanto quantitativa como qualitativamente por indivíduos que transferem para o espaço virtual o domínio que possuem no mundo real». A discussão online caracteriza-se por dois sistemas principais de moderação: - “Intervencionista”: baseado na moderação prévia quer por utilizadores quer por jornalistas/gestores de conteúdos; - “Livre”: moderação à posteriori (Noci et al., 2010) em que o comentário é automaticamente publicado. Porém, se o seu conteúdo for considerado abusivo por outros utilizadores, estes podem denunciá-lo e o comentário poderá ser removido. O Público foi o primeiro jornal em Portugal a implementar o sistema de pósmoderação para a comunidade online 8 . Desde 22 de novembro de 2012 que são os próprios utilizadores a moderar os comentários ao aprová-los ou rejeitá-los, ou seja, com a implementação deste sistema os comentários são filtrados. Apesar de o Público colocar a responsabilidade de aprovação e/ou rejeição de comentários no utilizador, os critérios de publicação obedecem às normas que estão explícitas no site noticioso. Neste modelo, os jornalistas têm voz, na medida em que também eles participam na moderação e são os únicos que validam as denúncias de utilizadores. Cada utilizador-comentador tem uma reputação que é calculada de forma automática, a partir do número de participações na comunidade através de comentários, votações, acrescento de argumentos em inquéritos e moderação de comentários de outros utilizadores. A qualidade destas participações também é uma mais-valia, já que aprovar um comentário contribui para aumentar a reputação naquele espaço. Contudo, 8 Os comentários no Público deixaram de ser publicados – de forma automática – a 5 de março de 2011. A partir desta data, os comentários ficaram sujeitos a aprovação que, durante ano e meio, ficou a cargo de uma equipa de editores de comentários.
35 se o comentário violar os critérios de publicação e se for denunciado por outro utilizador-comentador, o moderador é automaticamente penalizado. 9 Todos os utilizadores registados «têm uma página pessoal, com o histórico de participação no site e a possibilidade de partilhar contacto, fotografia, hiperligações (links) para páginas pessoais, blogues e redes sociais». Também é possível guardar artigos para ler posteriormente. Se o utilizador o desejar, também pode fazer o registo através do facebook ou twitter, onde a ligação direta entre o perfil no Público e a página da rede social é sinónimo de que os comentários consumados são acompanhados por assinatura e fotografia patente na rede social. 10 Com o renovado site, este órgão de comunicação escolhe diariamente um ou mais comentários dos seus utilizadores para destacar na homepage e em todas as páginas de secção. Esta escolha está intrinsecamente ligada a temas de atualidade, exceto opinião e educação. A comunidade (online) do Público assenta em três ideias-chave: Reputação do utilizador – o «leitor» não é autor de comentários isolados, onde tem uma história que é valorizada consoante a contribuição (positiva/negativa) para um debate saudável, informado e cordial. Esta reputação é importante para a moderação de comentários e inquéritos de outros «leitores»; Papel do Público – o utilizador-comentador pode moderar outros utilizadores-comentadores, desde que disponha de ferramentas certas, já que a comunidade é autossuficiente na qualidade e na relevância das participações. O Público apenas determina as regras e só intervém quando for necessário; Interação alargada – os comentários têm como objetivo esclarecer outros «leitores» sobre a atualidade ou criticar a abordagem noticiosa, recorrendo a linguagem clara e concisa. Para além dos comentários, os 9 http://www.publico.pt/nos/criterios-de-publicacao 10 Idem.
36 inquéritos também têm destaque sendo entendidos como uma “extensão natural” dos artigos, onde os «leitores» podem votar e argumentar. Baseado numa avaliação qualitativa – feita pela comunidade sobre a participação de cada um dos «leitores» – o sistema de reputação é alvo de observação permanente por parte dos responsáveis editoriais, de forma a construir um espaço de debate respeitado por todos, um espaço clean aberto aos utilizadores. Os comentários – limitados a 800 caracteres – são permitidos em todos os artigos publicados no site noticioso. Com possibilidade de comentar o enfoque noticioso até 30 dias após a publicação, o Público «reserva a opção de impedir que determinado artigo seja comentado». Na caixa de comentário não são permitidos comentários anónimos, bem como, a utilização da palavra “anónimo” (ou expressão similar) como nome de perfil. De forma a manter a caixa de comentários clean, o Público sugere critérios de estilo e conteúdo, tais como: linguagem clara, concisa e com raciocínio e estilo fáceis de seguir; assinatura com nome real; incentivo à expressão livre da opinião dos cidadãos, debate crítico da atualidade, trica de ideias e assunção pública de posições de forma livre e civicamente madura. Os autores dos comentários podem utilizar pseudónimos criando uma persona identificável, contudo, os comentários off topic devem ser evitados, bem como, fórmulas de cortesia, agradecimentos ou envio de comentário repetido. Segundo a política de gestão das caixas de comentários no Público, estas devem ser utilizadas para defesa de pontos de vista informados, relevantes e intelectualmente honestos para que se mantenha o espírito de diálogo, evitando assim, o confronto verbal e “perseguições” a outros utilizadores. Já a política de gestão de comentários do Jornal de Notícias é bem diferente do Público, porque no JN o sistema de moderação é inexistente. No JN, os comentários são publicados diretamente, estando limitados a 750 caracteres. Os utilizadores estão divididos em registados e não registados e não é possível colocar fotografia.
37 Segundo a conduta do utilizador publicada no site do JN 11 , o utilizadorcomentador está proibido de enviar mensagens abusivas, obscenas, insultuosas, ameaçadores, sexualmente tendenciosas ou qualquer outro material que possa violar a lei em vigor. Colocar a mesma mensagem ou séries de mensagens semelhantes para uma ou mais secções ou posts – excessivo cross-posting ou multiple-posting, mensagens off-topic, desrespeitosas ou envio de chain letters também é proibido. É igualmente proibido, segundo o JN, a disponibilização de moradas, contacto telefónico, recurso a spam ou envio de mensagens não relacionadas com o tema do enfoque noticioso ou menção a matérias ilegais. O JN desaconselha o uso de símbolos como #$% ou quaisquer outros caracteres semelhantes, personificação de alguém ou entidade, bem como, o uso de um nome muito semelhante a outro já existente (com o intuito de se fazer passar por esse outro utilizador) e/ou ofensivo, obsceno ou difamatório. Uma conduta inadequada leva à expulsão imediata e permanente do utilizador. 11 http://www.jn.pt/info/termosdeuso.aspx
38 3.3 Questões legais O ambiente online estimula a circulação de modos discursivos para além da argumentação crítico-racional, dando forma a um espaço público heterogéneo, quer em termos de linguagem e de expressão, quer em termos de discussão. (Esteves, 2003 in Torres da Silva, 2013) Dahlberg (2005) alerta para as discussões online que não cumprem os critérios ideais da democracia deliberativa, pois os utilizadores acabam por se desrespeitar de forma mútua, acabando por ser um espaço selvagem onde as regras não são cumpridas e onde grande parte dos utilizadores-comentadores não leem as políticas de gestão de comentários dos respetivos órgãos de comunicação. No Reino do Anonimato, José Pedro Castanheira (2004) lança várias questões tais como: «Até que ponto a liberdade de expressão é um valor sem limites nem fronteiras? Como salvaguardar outros direitos igualmente fundamentais, como o direito ao bom nome, à reputação, à vida privada? A regulação na net não incorrerá no risco da censura, ou será que a autorregulação será suficiente? Quem deve responder pelos conteúdos emitidos, em caso de responsabilidade judicial?». Todas estas questões são claramente pertinentes, pelo que se tentará, de seguida, responder a algumas delas recorrendo aquilo que está consagrado na Lei, nos respetivos Códigos. Face à implementação da «democracia do teclado», os media foram forçados a criar regras para que a internet funcionasse como um «fórum cívico». A 10 de janeiro de 1998 o Expresso online passa a ter disponível espaço próprio para o utilizador comentar, sem que seja necessário algum tipo de registo prévio. Contudo, a falta de civismo por parte dos utilizadores obriga o semanário a tomar medidas. É então que, em abril de 2001, é criado um software de filtragem para as palavras/expressões impróprias. Em outubro do mesmo ano passa a exigir a todos os utilizadores um registo próprio. Castanheira (2004) refere duas especificidades no que respeita às reações online: constante anonimato (ainda que seja possível identificar o utilizador através do seu IP) e propensão em resvalar para comentários de carácter insultuoso e difamatório. Já Helder Bastos, citado em Castanheira (2004), defende que «todos os cuidados são poucos na confirmação da identidade dos verdadeiros autores». No entanto, todos nós temos direito ao anonimato – por norma é aqui que o utilizador se sente mais à vontade para
39 comentar o que quer que seja, fugindo assim da sua própria identidade – e à privacidade (que leva a uma menor inibição do utilizador). Helder Bastos, citado em Castanheira (2004), refere-se à internet como «o espaço por excelência para liberdade de expressão da nação digital». Este facto está consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos (Nações Unidas, 1948), no seu artigo 19.º: “todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão”. O direito à liberdade de expressão é ainda reforçado na Constituição da República Portuguesa, no artigo 37.º/n.º1: “todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio (…), sem impedimentos nem discriminações”. Este artigo abrange qualquer exteriorização da vida própria das pessoas. Num sentido amplo, este direito é indissociável das demais liberdades (de consciência, religião, entre outras). Todo o cidadão português está protegido pela CRP no seu artigo 26.º: “a todos são reconhecidos os direitos (…) ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar”. O Código Civil estipula no seu artigo 484.º a ofensa ao bom nome: “quem afirmar ou difundir um facto capaz de prejudicar o crédito ou o bom nome de qualquer pessoa, singular ou colectiva, responde pelos danos causados” Uma vez que o direito à honra (ao bom nome e à reputação) está consagrado na Lei. Todo o cidadão tem direito a não ser ofendido ou lesado na sua honra e consideração social, bem como, a defender-se da ofensa. O Código Penal estipula penas para estes crimes e Alberto Arons de Carvalho, entrevistado por José Pedro Castanheira,
40 reforça que «os crimes eventualmente cometidos no online terão que ser apreciados no âmbito do Código Penal». Apesar da Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelecer o direito à liberdade de expressão, a Lei de Imprensa (n.º2/99, de 13 de janeiro) no artigo 3.º fala sobre os limites da liberdade de informação: “a Liberdade de Imprensa tem como únicos limites os que decorrem da Constituição e da lei, de forma a salvaguardar o rigor e a objectividade da informação, a garantir os direitos ao bom nome, à reserva da intimidade da vida privada e à palavra dos cidadãos e a defender o interesse público e a ordem democrática”. No artigo 180.º do Código Penal é referido a difamação: “quem, dirigindo-se a terceiro, imputar a outra pessoa, mesmo sob a forma de suspeita, um facto, ou formular sobre ela um juízo, ofensivos da sua honra ou consideração, ou reproduzir uma tal imputação ou juízo, é punido com pena de prisão até 6 meses ou com pena de multa até 240 dias.” No entanto, se o crime for cometido através dum médium a punição aumenta tal como consta no artigo 183.º/n.2: “se o crime for cometido através de meio de comunicação social, o agente é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa não inferior a 120 dias”. Mais uma vez, Arons de Carvalho sublinha que «quem ‘frequenta’ a Internet está habituado aos excessos de linguagem típicos do meio, pelo que uma apreciação pelos tribunais deverá sempre ter em conta a natureza deste novo meio, em que as pessoas podem estar a escrever para uma imensa multidão mas acabam muitas por vezes por ser lidas por uma ínfima minoria». Independentemente do número de pessoas por quem se seja lido há que ter em atenção que a liberdade também tem os seus limites, entrando-se aqui na questão cívica, de respeito para com o outro. Gillmor (2005) afirma ter praticamente a certeza de já ter sido caluniado, mas nunca processou ninguém. Ao longo deste texto já se referiu a questão do anonimato, mas quando o comentário se pauta pelo carácter difamatório, delinquente, coloca-se a seguinte questão: de quem é a responsabilidade criminal? Do utilizador? Ou do médium que
47 a estarem registados, daí a discrepância de resultados. Os utilizadores registados são quase na sua totalidade pertencentes ao Público, porém o JN também tem utilizadores registados. Gráfico 2 – Percentagem de utilizadores registados e não registados nos dois sites noticiosos. Afunilando a análise, a tabela 7 permite perceber como os utilizadores se registam, concluindo-se que 45% optam por pseudónimos, seguindo-se outros com 23% e o grupo anónimo a ocupar o terceiro lugar com 13%. Esta tabela elucida-nos para o facto de a maioria dos utilizadores do JN preferirem o registo em anónimo ao nome próprio e apelido.
48 Registo do Utilizador Órgão de Comunicação Total (%) Jornal de Notícias Público Nome Próprio 9,2 1,1 10,3 Nome Próprio e Apelido 3,8 4 7,8 Apelido 1 0,1 1,1 Pseudónimo 39 6,2 45,2 Anónimo 12,4 0,1 12,5 Outro 22,6 0,5 23,1 Total (%) 88 12 100 Tabela 7 – Site noticioso versus Registo do Utilizador. Na secção Desporto, o género masculino é quem comenta praticamente 50% das notícias (conforme se verifica no gráfico 3 em anexo). Porém há utilizadores que não são possíveis de identificar devido às expressões que utilizam no momento do registo. No que respeita ao tipo de comentário analisado – tabela 8 – 63% são reativos, seguindo-se a interação com 27% e o desabafo com 7%. Tipo de comentário Comentários Percentagem (%) Reação 511 63,4 Opinião 13 1,6
49 Interação 221 27,4 Desabafo 52 6,5 Spam 8 1 Violação dos critérios de publicação 1 0,1 Total 806 100 Tabela 8 – Tipo de comentário nos sites noticiosos. Apenas se encontrou um comentário que violava os critérios de publicação, no site Público, no dia 3 de janeiro de 2014, do utilizador registado como DSM. No comentário pode ler-se “comentário denunciado por violação dos critérios de publicação”. Quanto ao registo de linguagem – gráfico 4 – 49% dos comentários comenta em registo corrente/familiar, seguindo-se a gíria/calão com quase 30%. A linguagem cuidada ocupa o último lugar com 6%.
50 Gráfico 4 – Linguagem utilizada nos comentários. No que respeita ao tom com que são proferidos os comentários – tabela 9 – estes são claramente escritos com tom marcadamente negativo ao atingir 66% da amostra, seguindo-se o tom neutro e positivo com 18% e 16%, respetivamente. Comentários Percentagem (%) Positivo 128 15,9 Negativo 529 65,6 Neutro 148 18,4 Não aplicável 1 0,1 Total 806 100 Tabela 9 – Tom dos comentários nos sites noticiosos. A nível de atitude do utilizador (tabela 10 em anexo), 43% opta por ser agressivo, o que contrabalança com os 39% dos utilizadores que escolhem uma atitude
51 cooperativa perante o trabalho jornalístico e o utilizador. Aquela atitude agressiva acaba por ir de encontro aos comentários pejorativos que se encontraram nesta análise, com 27%. Quanto à personalidade retratada no comentário (tabela 11 em anexo) conclui-se que as figuras públicas, neste caso, desportistas, dirigentes desportivos, jogadores de futebol, atingem 33%. Já os comentários em que o utilizador é a personagem principal ocupam 21%, seguindo-se instituição (clubes) com 15%. Na secção de Política observou-se uma amostra muito desigual – tabela 12 – onde o Jornal de Notícias possui 82% de comentários e o Público com 18% da amostra, verificando-se mais uma vez que este último contém bastante rigor na sua política de gestão/moderação no que respeita à caixa de comentário. Site noticioso Comentários Percentagem (%) Jornal de Notícias 1025 82,1 Público 224 17,9 Total 1249 100 Tabela 12 – Comentários na secção de Política. Tal como em Desporto, também o mês de janeiro foi aquele que mais utilizadores teve a comentar (41%), sendo março o mês com menos comentários (11%) – tabela 13.
52 janeiro fevereiro março abril Total (%) Total (%) 40,9 29,4 11 18,7 100 Tabela 13 – Volume de comentários por mês. Nesta editoria, o pico de comentários – tabela 14 em anexo – ocorreu no dia 14 de janeiro de 2014, ao atingir 24%. Com a notícia “Restaurante cobrou mais ao CDS para compensar roubos do Governo” (JN) e “CDS acusa restaurante de aumentar a conta por se sentir ‘roubado’ pelo Governo” (Público), estes dois órgãos de comunicação social, principalmente o JN, sofreram uma avalanche de utilizadores a proferirem comentários. Quanto ao tema do comentário – tabela 15 – o JN é aquele onde mais comentários estão mais ligados à notícia com 38%.
53 Órgão de Comunicação Total (%) Jornal de Notícias Público Tema do comentário Diretamente ligado à notícia 38,1 11 49,1 Indiretamente ligado à notícia 14,1 3,4 17,5 Não possui ligação 29,6 3,5 33,1 Não aplicável 0,2 - 0,2 Total (%) 82,1 17,9 100 Tabela 15 – Tema do comentário nos sites noticiosos. Porém, no que respeita a comentários indiretos o JN possui 14% da amostra. Destaque também para 30% dos comentários (JN) que não estão relacionados com o enfoque noticioso. Em relação ao tipo de interatividade/reatividade – tabela 16 – foram observados 63% de comentários reativos no JN contra os 14% no Público. Pode-se então dizer que, o Jornal de Notícias possui mais utilizadores reativos do que o Público. Também a interação interpares é muito maior entre os utilizadores do JN (19%), do que com os utilizadores do Público (4%), verificando-se uma maior proximidade entre utilizadores no JN. O facto de 77% (63% no JN + 14% no Público) dos comentários não serem resposta a outros comentários confirma a teoria da reatividade – hipótese levantada e conceito defendido ao longo da dissertação.
54 Órgão de Comunicação Total (%) Jornal de Notícias Público Tipo de Interatividade/Reatividade Reação 62,9 14,3 77,3 Interação Interpares 19 3,6 22,6 Não aplicável 0,2 - 0,2 Total (%) 82,1 17,9 100 Tabela 16 – Tipo de interatividade/reatividade nos sites noticiosos. Essa hipótese é, uma vez mais, reforçada no tipo de comentário – tabela 17 – onde 53% (JN) e 13% (Público) são reativos, contra os 18% (JN) e 3% (Público) interativos.
55 Órgão de Comunicação Total (%) Jornal de Notícias Público Tipo de Comentário Reação 53,4 12,6 66 Opinião 2 0,8 2,8 Interação 17,5 3,2 20,7 Desabafo 8,8 1,4 10,2 Spam 0,4 - 0,4 Total (%) 82,1 17,9 100 Tabela 17 – Tipo de comentário nos sites noticiosos. Passando agora para o registo do utilizador – tabela 18 – são os pseudónimos que mais se utiliza – 30% (JN) e 7% (Público) – e registos com números e palavras impercetíveis ocupam o segundo lugar – 20% (JN) e 1% (Público).
56 Órgão de Comunicação Total (%) Jornal de Notícias Público Registo do Utilizador Nome Próprio 9,8 1,9 11,8 Nome Próprio e Apelido 6,8 6,7 13,5 Apelido 2,6 0,9 3,4 Pseudónimo 30,2 7,3 37,5 Anónimo 12,4 - 12,4 Outro 20,3 1,1 21,4 Total (%) 82,1 17,9 100 Tabela 18 – Registo do Utilizador versus site noticioso. Registos como camarada patricio, antilambebotas, delinquente politico, eleições, integral, parolo, trotil, retornado, comuna, joaozinho do bigode farto ou tripeiro estão ligados ao enfoque noticioso e/ou a determinado utilizador. No Público, os utilizadores são muito mais contidos quanto à escolha de um nome/nickname, dadas as regras de moderação. Porém, também se encontra pseudónimos que fogem às normas deste órgão de comunicação, como, ceci n’est pas une nick, AMIGO_DO_ORGASMO_CARLOS, a_mae_da_tua_mae. O registo em anónimo só é possível no Jornal de Notícias (12%). Nomes próprios e apelidos são os menos utilizados – 10% (JN) e Público (2%); 3% (JN) e Público (1%), respetivamente.
63 «Aqui deixo o apelo aos responsáveis do JN para, por favor, exigirem login para ser possível comentar notícias. Para que estas deixem de ser o caixote onde alguns veem depositar o lixo que lhes sai da cabeça. Alguns pela idade ou por serem simplesmente atrasados servem-se desta secção para terem um pouco de atenção e sentirem-se melhores consigo próprios, mas os restantes leitores não têm que levar com isso…À uma solução que é deixar de visitar, mas essa não é do interesse do jornal» (Midgard, 25 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Os últimos 6 ou 7 comentários (aposto que foram todos escritos pelo mesmo frustrado fanático) deveriam ser todos apagados. Uma autêntica vergonha para quem visita estes fóruns à procura de conversas e diálogos virtuais saudáveis e dignos. Mas isto desculpem não é exemplo…A vida duma pessoa merece total respeito.» (Anónimo, 25 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Vá lá que apagaram esses últimos comentários que agora já não se vêem. Agora sim, o ambiente ficou mais respirável!» (Anónimo, 25 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «É com tristeza que leio comentários aqui escritos e dos quais deveriam antes de serem transcritos,serem filtrados pelo JN.Certos comentários são da autoria de animais em vias de extinção.Assim dou-lhes um desconto porque são irracionais.Este Homem escreve-se o nome dele com um H grande, a maioria destes comentadores nem nascidos eram, façam comentários construtivos e deixem-se de bacoradas que deixam Portugal, mais com valores de taxa de analfabetismo (…)» (Anónimo, 25 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Por uma questão de bom senso, solicito aos responsáveis do JN, o apagamento de alguns comentários (como o das 18:24) que não só são provocadores, como ofendem a memória de Mário Coluna (…)» (Anónimo, 25 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Anónimo das 19:00,tens razão. Muita gente confunde a liberdade de expressão com má educação. Pensam que podem dizer tudo o que lhes apetece e que podem agredir verbalmente os outros, dando uma péssima imagem destes fóruns, onde existem igualmente bons e sérios comentadores. Não deveria haver censura dos comentários,
64 mas moderação prévia como alguns jornais electrónicos já fazem…» (Anónimo, 25 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «O que está em causa é o respeito duma pessoa que chegou a representar Portugal com brilho. Tenho pena de comentários nojentos como este. Espero que o JN modere este comentário, pois é um insulto à memória de Coluna.» (Anónimo para Mais um batoteiro, 25 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) As chamadas de atenção ao utilizador também são uma constante, com a agressividade a ocupar o primeiro lugar: «aprender a escrever.» (Vai… para Manuel Pedro Santos, 10 de março de 2014, in Jornal de Notícias) «Sou tripeiro e portista. Grande Jogador que se foi, Paz a sua alma, e por favor Jornal de Notícias os comenterios reles eliminar por favor, aqui não é o Porto contra o Benfica, foi um Homem que Faleceu. Sr. comentaristas se não gostam dele ou se não gostaram evitem fazer figuras de parvo ao escrever asneiras que nem uma criança e 6 anos escreveria.» (José, 25 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Se ria se chore com o chorilho de disparates que aqui vejo escritos. Tristes gentes e sujas pessoas. O espelho da podridão de um país. Gente estupida sem sentido de moral e sem pingo de educação e sem o menor sentido de decoro. Muito tristes algumas diareias que encontraram aqui poiso…» (Nao sei…, 25 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Recomendo um tratamento psiquiátrico urgente às pessoas que aparentam estar felizes com a morte duma pessoa que levou uma vida digna, e que ganhando pouco (…) representou o nosso País com mestria (…)» (Anónimo, 25 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Comentes com o nick que comentares nao passas de um psicopata, tu deves ser a coisa mais triste à face da terra, a tua vida é largar baboseiras na Internet, pobre de espirito que tu és, um grande débil mental, porque nao acabas com esse sofrimento e te
65 atiras para debaixo do TGV?» (Leonardo para Monta-nelas, 25 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «oh teia anda ao porto, tu vais ver o que é bom para a tosse, es um revoltado, frustrado, sem chá, sem alma principalmente.nem a eutanásia mereces pobre coitado» (murss, utilizador registado, para teia, 26 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) A 20 de janeiro de 2014, o utilizador Anónimo comentava referindo-se especificamente a um utilizador: «o MOREIRA-FRANCE ainda nao chegou hoje» (Anónimo, 20 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) Já outro utilizador interpelava dizendo que não se podia comentar com tanta azia. Outro utilizador (Bicho_da_Seda) falava na questão de outro utilizador ter lido todos os comentários: «Entao porque e que tu estas aqui neste espaco a comentar? E por sinal estiveste a ler os comentários todos. Vai trabalhar vagabundo ainda nao percebeste que a maioria dos comentadores tem mais de 65 anos de idade e estao reformados ou tem menos de 5 anos e ainda nao comecaram a escola. Vai trabalhar vagabundo, vai trabalhar.» (Bicho_da_Seda para Anónimo, 14 de abril de 2014, in Jornal de Notícias) No Público, um utilizador optou por se registar como Anónimo: «É isso para o que pagamos os impostos, para dar prémios à futilidade (…)» (Anónimo, 20 de janeiro de 2014, in Público) Como exemplo de boa interação temos o seguinte caso: «Uma coisa é o que o sr João acha, outra o que está instituído! (Já pensou se aparece alguém a achar que deixa estar na bandeira a cruz suástica? Ups)» (Maria Teixeira, 27 de março de 2014, in Público) «Cara Maria, foi precisamente isso que aconteceu em Portugal na revolução republicana (que eu acho totalmente certa): alguém achou por bem destruir séculos de
66 tradição ao colocar verde e vermelho na bandeira.» (João Miranda, 27 de março de 2014, in Público) Passando agora para a secção de Política (conforme se verificou no ponto 5), o JN tem mais comentários ligados à notícia. Por exemplo: «Acho engraçado estes títulos de notícias: quando alguém é apanhado pelas autoridades em flagrante a cometer um crime é “alegado”, “suspeito” mas nunca é tratado como culpado. Aqui, só temos uma versão da história, já é assumido que “cobrou mais”.» (Miguel, 14 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Sempre achei o Dr D Bessa uma má opção conjuntural do PS. Fez e faz a sua vida por conta de um ziguezague pouco consisente entre centro e direita, espreitando os furos. Desculpo-o porque aparentemente em Portugal todos andam ao mesmo. Mas não me parece que as suas ações e omissões justifiquem o tempo e feitio que se perdem ao ouvi-lo.» (antonio adao, 8 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Para mim os Portugueses não têm em Portugal mais nenhum candidato, seja de direita ou esquerda a não ser Marcelo Rebelo de Sousa. Um homem sério, coerente, imparcial, sabido, mesmo que tenha que dizer mal contra ele próprio. Na verdade Passos Coelho nunca se lhe ouviu dizer uma palavra nem para bem nem para mal sobre Marcelo (…)» (O apartidário., 20 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) «(…) em caso de dúvida absolver-se-á os arguidos (réus). Ora a dúvida pareceme instalada na medida em que não se conseguiu provar cabalmente um suborno ou se foram apenas contra-partidas negociais (…) Os submarinos em Portugal foram comprados pq Portugal tem uma vasta marítima (não aproveita-la é outra discussão) (…)» (RB, 14 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «este tipo é mesmo um aldrabão compulsivo» (Péricles, 20 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) Porém também se pode ler no Público comentários relacionados com o enfoque noticioso:
67 «mas porque é que a maioria há de rejeitar o inquérito? é que, independentemente dos factos o inquérito ia concluir que a culpa é do sócrates, do guterres, do soares e do vasco gonçalves.» (klippan, 8 de janeiro de 2014, in Público) «Ao que chegou a democracia em Portugal! Um dos maiores partidos portugueses apenas com um candidato. (…) Não há mais ninguém capaz de debater os problemas e as soluções dentro do PSD? (…)» (Joaquim Moreira, 26 de janeiro de 2014, in Público) «Estas grandes empresas alemãs conseguem corromper tudo e todos neste pequeno rectângulo e sair pela porta grande com o dinheiro do povo português. Parabéns ao sistema judicial português; eles portam-se como os cromos de serviço.» (Filipe Ferreira, 14 de fevereiro de 2014, in Público) «Não sei se concordo ou discordo com esta medida. Sei que as tolerâncias deveriam ser definidas com tempo de antecedência, nunca anunciadas à última da hora (…)» (paru, 20 de fevereiro de 2014, in Público) Destaque também para os comentários que não estão relacionados com o enfoque noticioso. Por exemplo: «Necessitamos de mandar vir uns quantos Ucranianos….» (saq, 20 de fevereiro de 1024, in Jornal de Notícias) «O estádio de Aveiro,já está com lotação ESGOTADA. Se viram como eu vi na TV desempregados na fila horas para comprar bilhetes. E agora que é que vocês dizem?? A culpa é do governo?? Ou é dos reformados que dizem aqui que foram roubados. Tenham a CORAGEM de dizer qual o montante da vossa reforma.» (Lotação esgotada, 9 de abril de 2014, in Jornal de Notícias) «QUEM É O POVO MAIS COBARDE DA EUROPA OCIDENTAL???PRÉMIO :UM AUDI A6 ..AJUDA: HÁ RABOS NO GOVERNO……GANHOU!!!!!» (ADIVINHA, 21 de abril de 2014, in Jornal de Notícias)
68 A agressividade constatada nos comentários vai ao encontro dos comentários pejorativos, dados que já foram anteriormente referidos (ponto 5). Por exemplo: «FORÇA PS: ESSA GENTE É CRUEL,SO MERECE A MORTE» (anonimo, 25 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Eu, pessoalmente, preferia que o dono do restaurante os tivesse envenenado!» (centauro, 14 de janeiro de 2014, in Público) «Mais um papagaio a tentar mandar areia para os olhos do povo mandado pelo corvo!» (Abílio Carvalho, 2 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) Ao longo da amostra encontra-se comentários interativos, onde o utilizador responde a outro. Porém a linguagem continua a ser em tom agressivo: «Se não está contente imigre. Aqui em Portugal há democracia (…) Parece que vive num mundo de Utopia (…) Pelo que escreve, bem se v~e a sua cor politica.» (Realista para Descubra as diferenças, 8 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) «MEU DEIXASTE-ME SEM PALAVRAS…EU PARA GANHAR ESSES SALARIOS TENHO QUE IR PARA FORA DO PAIS E FAZER PELO MENOS 260 HORAS AO MÊS (…)» (vianense para BROLY, 8 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Não sabes ler, o.tário? foi no “meta dos leitões”» (ze para Cardozo, 14 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Isto não é comentário, é uma provocação!» (Almeida para outro utilizador, 1 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Anda para aí um comentador que,nem sabe o que é um vencimento absurdo ou 585€, caso contrário, deixava de comentar estupidez !» (Europeu, 21 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Quem ainda não percebeu que estes cortes são irreversíveis (…) então não percebeu nada. a despesa do Estado tem de baixar (…) Terá ainda de haver mais cortes para que o défice em 2015 fique no máximo de 3%, que é isso a que são obrigados
69 todos os países do euro.» (Fire Head para Antonio José, 21 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) No Público, um utilizador decide aprovar o comentário dizendo que não tira o direito à opinião: «Aprovei o seu comentário só para manifestar a minha indignação pelo seu desprezo pela lei, mas nunca lhe tirando o direito à sua opinião, apesar de querer tirar direitos aos outros…» (o cume abre portas.. para Jose Manuel Rodrigues, 15 de janeiro de 2014, in Público) Depois há comentários que ficam marcados pelo tom ameaçador: «(…) antes de chamares nomes e ameaçares os outros, mede bem o que dizes. E não ameaçes os outros por trás de um computador só mostra o cobarde que deves ser.» (viriato para Para o Fonseca, 14 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) Outros utilizadores chamam à atenção sobre questões lexicais: «Escreve-se honestos com H e não Onestos seu morcão.» (Aprende para ONESTOS com O grande, 14 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) «…e és um aldrabão.Inventaste metade da frase para ir ao encontro da tua idiotice. Esta frase não existe.O prpvérbio correcto é:“Quem rouba um pão, é ladrão; quem rouba um milhão, é barão.”MORCÃO!» (Estás de má fé… para Zé Açor, 14 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Agradeço ao anónimo das 18 e 18 para escrever em português para eu ter conhecimento do seu comentário. Obrigado.» (Anónimo, 19 de fevereiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Não é hoteleura, é hoteleira, seu morcão. E desliga a m erda do caps lock.» (Adolfo Dias para HERNANI SANTOS, 14 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) «ouve; -vem do verbo ouvir,,,,Houve , haver ,existir por isso houve um resgate» (Anónimo para pinto, 27 de abril de 2014, in Jornal de Notícias)
70 A nível interativo temos um bom exemplo no Público: «Não obstante concordar com o teor da declaração de Seguro, creio que o Tripeiro tem razão. Falta a apresentação de um programa de governação credível, e não apenas declarações.» (Joao para tripeiro, 25 de fevereiro de 2014, in Público) A 3 de abril de 2014, o utilizador Anónimo interagia sobre o facto de outro utilizador ser comentador assíduo: «A este pobre diabo que dá pelo nome de Mafamude alguém lhe deu um rascunho deste comentário que ele na sua ignorância não soube decifrar e então como lhe achou piada aí está ele todos os dias a dizer o mesmo, ou seja, um comentário sem pés nem cabeça.» (Anónimo para mafamude, 3 de abril de 2014, in Jornal de Notícias) Outros utilizadores preferem insultar: «Ao O NOME TE FICA BEM, tu grande otário não passas de mais um com o cérebro lavado (…)» (Anónimo dirigindo-se a um utilizador, 15 de abril de 2014, in Jornal de Notícias) «Cala-te lá seu “Anónimo” da porcaria! Ainda vais ter que te vergar e dar razão a este grande estadista (…)» (“Calhau” dirigindo-se a Anónimo, 26 de abril de 2014, in Jornal de Notícias) Como exemplo de boa interação: «Pena não divulgarem o nome do restaurante Eu adorava dar um abraço a este amigo» (helder cascais, 14 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) «E diz, na segunda página.» (José, 14 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) Como exemplo de elogio à personalidade em foque: «Sem saber como foi, foi para mim o melhor PR depois da Abrilada. Sinto pena que se tivesse perdido o teu espírito de liberdade, de humanidade e de amor à nossa gente. Bem haja, camarada Ramalho, Percebo, nas entrelinhas, o que nos queres
71 dizer…O meu humilde, mas muito humilde obrigado.» (Francisco, 9 de abril de 2014, in Jornal de Notícias) A nível de comentário impróprio, um utilizador do Público diz: «Rangel.. vai passear os dalmatas.. da corja laranja.. e apanha os *** também. BPN BPN BPN!!! Cavaco!!! (…)» (a_mae_da_tua_mae, 27 de abril de 2014, in Público) Por último, utilizadores mais atentos à forma como são difundidas as notícias criticam os órgãos de comunicação social, quer no destaque fotográfico quer na forma como é redigida a notícia. Por exemplo: «E isto que está na fotografia é que são os representantes dos trabalhadores dos Estaleiros de Viana?» (Norberto, 8 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Noticia publicada depois do almoço dá nisto senhor jornalista, bebe agua, é cada erro.» (Anónimo, 14 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Enquanto que a comunicação social continuar a ser o papagaio dos pressreleases que lhes chegam à redacção estas notícias das absolvições continuarão a ser o pão nosso de todos os dias. A impunidade é total – jurídica e social.» (Manuel Andrade, 14 de fevereiro de 2014, in Público) «Absolvidos os dez arguidos» ou «Absolvidos todos os arguidos»; «Absolvidos todos os dez arguidos» é uma redundância.» (marios.vilar, 14 de fevereiro de 2014, in Público) «Acho engraçado estes títulos de notícias: quando alguem é apanhado pelas autoridades em flagrante a cometer um crime é “alegado”, “suspeito” mas nunca é tratado como culpado.Aqui, que só temos uma versão da história, já é assumido que “cobrou mais”.» (Miguel, 14 de janeiro de 2014, in Jornal de Notícias) «Mas afinal que medidas foram essas?! Perdoem-me os profissionais, mas isto não é notícia que se apresente.» (António Miguel Trindade, 15 de abril de 2014, in Público)
72 «…Na front page do P. este link surge, inusitadamente, sob as últimas do naufrágio na Coreia do Sul. É um descuido pois, mas dos disparatados.» (RFC, 26 de abril de 2014, in Público)
79 7. Não repita o envio do seu comentário. Ele aparecerá no site quando for aprovado pela comunidade; 8. Se apenas pretende corrigir um erro num texto, utilize o formulário próprio para o efeito, acessível através do botão com o desenho de um lápis. Este botão encontra-se disponível em todas as notícias, entre a fotografia e o texto. As caixas de comentários devem ser utilizadas para defender pontos de vista informados, relevantes e intelectualmente honestos, mantendo sempre o espírito do diálogo e evitando a todo o custo o confronto verbal e “perseguições” a outros leitores. O PÚBLICO reserva o direito de editar gralhas e erros de ortografia ou pontuação nos comentários dos leitores, opção que não está ao alcance dos restantes leitores moderadores. Os comentários destacados na homepage ou nas páginas das secções são citações dos comentários originais e, por isso, podem não estar destacados na íntegra. O PÚBLICO aceita (e agradece) todas as críticas ao seu trabalho, desde que estas sejam escritas com cordialidade e com a intenção de corrigir ou enriquecer a informação prestada pelo jornal. Ataques dirigidos individualmente a jornalistas, fotojornalistas, videojornalistas, infográficos ou a qualquer outro elemento da redação não são tolerados.
80 Apêndice B – Tabelas e gráficos (Desporto) Comentários Percentagem (%) Dias 02.01.2014 13 1,6 03.01.2014 98 12,2 08.01.2014 10 1,2 14.01.2014 2 0,2 15.01.2014 2 0,2 20.01.2014 75 9,3 21.01.2014 11 1,4 26.01.2014 107 13,3 01.02.2014 3 0,4 02.02.2014 24 3,0 07.02.2014 6 0,7 08.02.2014 3 0,4 13.02.2014 6 0,7 14.02.2014 4 0,5 19.02.2014 11 1,4 25.02.2014 121 15 26.02.2014 5 0,6 03.03.2014 2 0,2 04.03.2014 5 0,6
81 09.03.2014 7 0,9 10.03.2014 19 2,4 15.03.2014 4 0,5 16.03.2014 60 7,4 21.03.2014 11 1,4 22.03.2014 6 0,7 27.03.2014 20 2,5 28.03.2014 13 1,6 02.04.2014 16 2,0 03.04.2014 7 0,9 08.04.2014 35 4,3 09.04.2014 8 1,0 14.04.2014 40 5,0 15.04.2014 8 1,0 20.04.2014 36 4,5 21.04.2014 3 0,4 26.04.2014 3 0,4 27.04.2014 2 0,2 Total 806 100 Tabela 4 – Volume de comentários por dia.
82 Gráfico 3 – Género de utilizador nos sites noticioso. Tom do comentário Comentários Percentagem (%) Positivo 128 15,9 Negativo 529 65,6 Neutro 148 18,4 Não aplicável 1 0,1 Total 806 100 Tabela 9 – Tom dos comentários nos sites noticiosos.
83 Atitude Comentários Percentagem (%) Cooperativa 314 39 Agressiva 347 43,1 Neutra 140 17,4 Não aplicável 5 0,6 Total 806 100 Tabela 10 – Atitude do utilizador nos sites noticiosos.
84 Personalidade Comentários Percentagem (%) Utilizador 166 20,6 Figura Pública 263 32,6 Instituição 122 15,1 Instituição e Figura Pública 70 8,7 Outra 114 14,1 Não aplicável 71 8,8 Total 806 100 Tabela 11 – Personalidade retratada nos comentários dos sites noticiosos. Apêndice C – Tabelas (Política) Comentários Percentagem (%) Dias 02.01.2014 32 2,6 03.01.2014 37 3 08.01.2014 20 1,6
85 09.01.2014 12 1 14.01.2014 305 24,4 15.01.2014 18 1,4 20.01.2014 17 1,4 21.01.2014 41 3,3 26.01.2014 14 1,1 27.01.2014 14 1,1 01.02.2014 39 3,1 02.02.2014 26 2,1 07.02.2014 35 2,8 08.02.2014 7 0,6 13.02.2014 11 0,9 14.02.2014 136 10,9 19.02.2014 21 1,7
86 20.02.2014 42 3,4 25.02.2014 35 2,8 26.02.2014 14 1,1 03.03.2014 11 0,9 04.03.2014 33 2,6 09.03.2014 21 1,7 10.03.2014 2 0,2 15.03.2014 13 1 16.03.2014 11 0,9 21.03.2014 9 0,7 22.03.2014 11 0,9 27.03.2014 4 0,3 28.03.2014 23 1,8 02.04.2014 45 3,6
87 03.04.2014 53 4,2 08.04.2014 3 0,2 09.04.2014 20 1,6 14.04.2014 23 1,8 15.04.2014 39 3,1 20.04.2014 4 0,3 21.04.2014 5 0,4 26.04.2014 21 1,7 27.04.2014 22 1,8 Total 1249 100 Tabela 14 - Volume de comentários por dia.
88 Órgão de Comunicação Total (%) Jornal de Notícias Público Atitude do Utilizador Cooperativa 30,3 12 42,4 Agressiva 38,5 3,1 41,6 Neutra 13,1 2,8 15,9 Não aplicável 0,1 - 0,1 Total 82,1 17,9 100 Tabela 21 – Atitude do utilizador nos sites noticiosos. Órgão de Comunicação Total (%) Jornal de Notícias Público Tipo de Agressividade Difamatória 3,3 0,1 3,4 Pejorativa 24,3 1,7 26 Irónica/Sarcástica 14,3 3 17,3 Não aplicável 40,1 13,2 53,3