És social : guião pedagógico do documentário
Full text
1 ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário ÉS SOCIAL GUIÃO PEDAGÓGICO DO DOCUMENTÁRIO
2|A ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário Autoria Sofia Maia Silva Cristina Parente Ana Luísa Martinho Edição: Bernardo Providência Desenho gráfico Bernardo Providência Produzido no âmbito do Projecto Empreendedorismo Social em Portugal: as políticas, as organizações e as práticas de educação/formação (PTDC/CS-SOC/100186/2008) coordenado pelo Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (ISFLUP), em parceria com a A3S – Associação para o Empreendedorismo Social e a Sustentabilidade do Terceiro Setor e o Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território (DINAMIA’CET) do ISCTE-IUL. Financiamento COMPETE/QREN/EU Porto, 2014 FICHA TÉCNICA
3 ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário 1 O guião pedagógico 4 2 O documentário ÉS SOCIAL 5 Sinopse do filme 6 3 Proposta de exploração pedagógica do documentário 7 Capitulo 1 | Olhares sobre Empreendedorismo Social 8 Tema 1 – O que é o terceiro setor 8 Tema 2 – Que valores distinguem o terceiro setor 9 Tema 3 – Unidos pela missão 10 Tema 4 – O que é o Empreendedorismo Social 10 Capítulo 2 | Agir para transformar 11 Tema 1 - Desenvolvimento local 11 Tema 2 – As pessoas estão primeiro 12 Tema 3 – A noção de coletivo 13 Tema 4 – O que significa inovar 13 Capítulo 3 | Gerir pela missão social 14 Tema 1 – Inclusão pelo trabalho 14 Tema 2 – Gestão das organizações do terceiro setor 15 Tema 3 – Cultura organizacional 16 Tema 4 – Sustentabilidade económica das organizações do terceiro setor 16 Recursos pedagógicos 17 SUMÁRIO
4|A ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário Este guião foi elaborado com o intuito de fornecer pistas para a exploração pedagógica do documentário ÉS SOCIAL, sugerindo caminhos para debater e complementar os conteúdos do filme. Percorrem-se temas como o empreendedorismo social, as organizações do terceiro setor, a inovação social, a inovação organizacional, o desenvolvimento local, entre outros. Neste documentário encontramos testemunhos de profissionais do terceiro setor, académicos e outras pessoas com percursos de vida e experiências profissionais significativas no âmbito do empreendedorismo social ou com ele relacionado. Ele transporta-nos para o contexto real de implementação de projetos e iniciativas socialmente empreendedoras em Portugal, assentes na inovação social e organizacional, na sustentabilidade económica, social e ambiental, com objetivos de criação de valor social, territorialmente enraizado e consagrado nomeadamente na mudança de atitudes, comportamentos e modos de vida. Este guião não é mais do que um instrumento de apoio que percorre os vários temas ilustrados no documentário e apresenta sugestões de debate e de pesquisa que permitam orientar a visualização do mesmo. Dirige-se a formadores em geral, a docentes do ensino secundário, a professores universitários, a profissionais do terceiro setor e a outros facilitadores interessados em explorar os conteúdos do filme. 1 O GUIÃO PEDAGÓGICO
5 ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário Produzido no âmbito do projeto de investigação “Empreendedorismo Social em Portugal: as políticas, as organizações e as práticas de educação/formação”, desenvolvido entre 2010 e 2013, o documentário ÉS SOCIAL foi da responsabilidade da parceria entre o Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (ISFLUP) e a A3S – Associação para o Empreendedorismo Social e a Sustentabilidade do Terceiro Setor. O processo de produção e realização do documentário decorreu no período de 2012-2013 e implicou a recolha de testemunhos e a filmagem do dia-a-dia de oito organizações com iniciativas relevantes em termos de empreendedorismo social. Algumas destas organizações integram também os estudos de caso analisados no trabalho de investigação do referido projeto, no âmbito do qual este documentário foi produzido. 2 O DOCUMENTÁRIO ÉS SOCIAL
6|A ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário O documentário ÉS SOCIAL ilustra iniciativas de empreendedorismo social em Portugal. Percorre testemunhos de pessoas e de organizações para mostrar como se consubstanciam experiências socialmente inovadoras e sustentáveis que procuram responder aos problemas quotidianos que afetam as nossas comunidades. Propõe um exercício de questionamento permanente sobre o que são os processos de Empreendedorismo Social e como se caraterizam. Capitulo 1 | Olhares sobre Empreendedorismo Social Este capítulo comporta testemunhos de diferentes atores sobre o conceito de empreendedorismo social e sobre as suas diferentes dimensões. http://www.youtube.com/watch?v=3i-epzmk-vo Capítulo 2 | Agir para transformar O capítulo 2 do documentário ilustra modelos de intervenção social, numa perspetiva de inovação social. http://www.youtube.com/watch?v=aLYTnl_Dxdw Capítulo 3 | Gerir pela missão social O capítulo 3 exemplifica modelos de gestão, numa perspetiva de inovação organizacional. http://www.youtube.com/watch?v=kpzT4-E1CFg FICHA TÉCNICA DO DOCUMENTÁRIO Participações organizacionais Artéria Centro de Educação Especial e Reabilitação Rainha Dona Leonor Cooperativa Terra Chã Dianova Portugal e Fundação Casa de Trabalho Participações especiais Ana Roque, Carlos Salgueiral, Jordi Estivill, Sandra Monteiro e Tiago Lucena Equipa técnica e de produção J. Bonito, R.D. Ribeiro (Imagem & Som) A. Cardoso (Imagens adicionais) R. Rio (Pós-produção vídeo) P. Tempera (Grafismo) A. Neto (Música original e mistura de som) L. Borralho (Versão inglesa) R.D. Ribeiro (Realização) M. Borges (Produção e pesquisa & desenvolvimento do guião) K-TOP (Meios técnicos e de produção) Agradecimentos A todos os dirigentes, trabalhadores e utentes das organizações que participaram neste documentário. Legendagem (revisão): Alexandra Lopes e Vanessa Marcos Consultoria especializada som/imagem: Bernardo Providência Equipa de investigação “Empreendedorismo Social em Portugal: As políticas, as organizações e as práticas de educação/formação” Coordenação Cristina Parente (Departamento de Sociologia, Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto) Ana Luísa Martinho (A3S – Associação para o Empreendedorismo e a Sustentabilidade do Terceiro setor) Financiamento Fundação de Ciência e Tecnologia FEDER / COMPETE – Programa Operacional no âmbito do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) Projecto Empreendedorismo Social em Portugal: As políticas, as organizações e as práticas de educação/formação (PTDC/ CS-SOC/100186/2008). SINOPSE DO FILME
7 ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário Neste ponto do guião lançamos algumas questões, propostas de debate e recursos que podem servir de suporte para a exploração dos conteúdos do documentário ÉS SOCIAL. Ele estrutura-se em torno de cada um dos três capítulos do documentário, apresentando e problematizando os temas ilustrados em cada um deles. O documentário pode ser visualizado em uma de duas modalidades: i) Assistir ao documentário na íntegra e proceder a uma discussão à luz das propostas pedagógicas no final de todo o visionamento; ii) Optar por uma visualização separada dos 3 capítulos, fazendo uma pausa de discussão e reflexão entre eles a partir das propostas pedagógicas que enunciamos para cada capítulo. De salientar ainda que embora os temas sejam apresentados por capítulo, o cruzamento, a plasticidade e a complexidade das temáticas permitem que um tema aqui proposto para um determinado capítulo possa ser explorado noutro capítulo diferente, sem perder o seu significado. Assim acontece desde logo com o tema do empreendedorismo social, à volta do qual se funda todo este documentário, que pode ser analisado no primeiro capítulo ou revisitado em qualquer um dos seguintes capítulos ou depois de visto o documentário na íntegra. A problemática do empreendedorismo social atravessa todos os momentos do filme sem que, contudo, encontremos uma resposta simples para o seu significado dado que os seus caminhos se encontram em emergência, num percurso de conceptualização e definição ainda em aberto e em fase de edificação na prática concreta da investigação. Podemos considerar que as várias áreas temáticas que exploramos são parte integrante do processo de empreendedorismo social em construção. 3 PROPOSTA DE EXPLORAÇÃO PEDAGÓGICA DO DOCUMENTÁRIO
8|A ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário CAPITULO 1 OLHARES SOBRE EMPREENDEDORISMO SOCIAL Objetivos pedagógicos: • Identificar as diferentes famílias ou subsetores organizacionais que integram o terceiro setor; • Reconhecer os valores que distinguem o terceiro setor dos outros setores (o setor público e o setor privado com fins lucrativos); • Identificar o significado e a relevância da missão nas organizações do terceiro setor; • Conhecer as dimensões que integram o processo de empreendedorismo social; • Reconhecer o papel do empreendedorismo social na resposta às necessidades sociais; • Constatar a existência de discursos e definições distintas e divergentes sobre o empreendedorismo social. Tema 1 - O que é o terceiro setor “A abordagem europeia da economia social e solidária representa concetualmente o terceiro setor como um campo que ocupa um espaço intermediário e equidistante entre o Estado, o Mercado e a comunidade ou redes primárias de solidariedade. Um espaço híbrido, onde as fronteiras institucionais variam de acordo com a história de cada território. A sua existência constitui um espaço plural onde a sociedade civil se organiza coletivamente, de acordo com uma multiplicidade de princípios que a distinguem, com maior ou menor nitidez, das três fronteiras enunciadas – Estado, Mercado e comunidade. Esta perspetiva opta, por isso, por uma abordagem analítica e compreensiva que, enunciando um conjunto aberto de princípios, recusa a sua aplicação prescritiva. Princípios que ampliam e integram as realidades compreendidas no setor não lucrativo e na economia social e solidária.” Parente, C. & Quintão, C. (2014). Uma abordagem ecléctica ao empreendedorismo social. In C. Parente (ed.), Empreendedorismo Social em Portugal, Porto: FLUP. http://web3.letras.up.pt/empsoc/. Ideias para debater: • Terceiro setor, economia social, economia solidária e setor não lucrativo querem dizer a mesma coisa? Mais do que as semelhanças, interessa perceber o que os diferencia. • Que tipo de organizações integram o terceiro setor em Portugal? O que distingue o terceiro setor do setor público e do setor privado com fins lucrativos? • Qual a diferença entre os subsetores ou famílias que compõe o terceiro setor: associações, cooperativas, mutualidades, misericórdias e fundações? • Que importância detêm estes subsetores ou famílias na realidade nacional do terceiro setor? (v. quadro 1)
9 ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário Quadro 1 – Número de organizações do terceiro setor em Portugal, no ano 2013, apresentados de acordo com a sua forma jurídica Forma jurídica N % Cooperativas 2.260 4,1% Mutualidades 119 0,2% Misericórdias 381 0,7% Fundações 537 1,0% Associações e outras organizações do terceiro sector 52.086 94,0% Total 55.383 100,0% Fonte: INE (2013)1. Tema 2 - Que valores distinguem o terceiro setor As formas jurídicas das organizações da economia social podem variar de um EstadoMembro para outro. No entanto, estas empresas [sociais] são diferentes das empresas de capital por causa das suas especificidades relacionadas com as suas características comuns, incluindo: • a primazia do indivíduo e do objeto social sobre o capital; • a adesão livre e voluntária; • o controle democrático pelos seus membros; • a combinação dos interesses dos seus membros beneficiários e o interesse geral; • a defesa e a implementação dos princípios da solidariedade e da responsabilidade; • a autogestão e independência face ao governo; • o uso da maior parte do excedente para a prossecução de objectivos de desenvolvimento sustentável, no interesse dos membros e interesse público2. Charte Européenne de l’Economie Sociale. http://www.cresspaca.org/esspresentation-chartes-2.html. Acedido a 13 de abril de 2014. Ideias para debater: • O que significa não ter como objetivo o lucro? • O que representa estar ao serviço das pessoas? • O que são os resultados/excedentes económicos para as organizações do terceiro setor? 1 Este quadro foi obtido em Lopes, A.; Parente, C. & Marcos, V. (2014). Entre o Estado e o Terceiro setor: modos de regulação. O Terceiro setor português em foco. In C. Parente (ed.), Empreendedorismo Social em Portugal, Porto: FLUP. http://web3.letras.up.pt/empsoc/. 2 Este texto foi traduzido livremente pelas autoras a partir do original
16|A ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário Parente (ed.), Empreendedorismo Social em Portugal, Porto: FLUP. http://web3. letras.up.pt/empsoc/. Ideias para debater: • Que diversificação de recursos podem as organizações mobilizar para aumentar a sua sustentabilidade financeira e independência face ao Estado? Que exemplos são apresentados no documentário? • Poderá o investimento em atividades de suporte à sustentabilidade económica desviar as organizações do terceiro setor da sua missão? • Poderão as tendências de autonomização e sustentabilidade económica do terceiro setor fazer o Estado recuar nas garantias sociais?
17 ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário 1. Realizar visitas de estudo a organizações do terceiro setor identificadas pelas suas práticas socialmente empreendedoras. Alguns destes exemplos nacionais podem ser conhecidos no capítulo 9 da parte III da publicação Empreendedorismo Social em Portugal em versão e-book em web3letras.up.pt/.empsoc.net/ ou nos casos identificados pelo IES disponíveis em http://www.ies.org.pt/casos, ou nos exemplos apresentados pelo Mapa de Inovação e Empreendedorismo Social (MIES) em http://mies.pt/index.php/pt/. 2. Realizar debates com prós e contras acerca dos processos de empreendedorismo social. Uma ideia de debate poderá dar-se em torno da relação entre o terceiro setor e o empreendedorismo social. Dividindo o grupo de participantes em dois, um dos grupos apresentará argumentos que defendem que o terceiro setor e o empreendedorismo social são sinónimos e o outro grupo defenderá que são conceitos distintos. Outra das ideias de debate poderá ser sobre a sustentabilidade do terceiro setor e a sua relação com o Estado. Neste caso, um dos grupos apresentará ideias que apoiam a necessidade do terceiro setor criar estratégias para a sua autonomia financeira em relação ao Estado e o outro grupo defenderá que o Estado deve apoiar financeiramente as organizações do terceiro setor na concretização do trabalho e serviços para as comunidades. 3. Convidar os participantes a identificar quais os valores que distinguem o terceiro setor do Mercado e do Estado, a partir de excertos do documentário, tais como os que versam a democraticidade interna, a primazia das pessoas, o trabalho guiado pela missão, entre outros. 4. No trabalho com atores do terceiro setor, debater que ideias são veiculadas no documentário como fazendo parte nuclear das atividades das suas organizações. Este debate levantará pistas que permitirão identificar quais os centros vitais da atividade das organizações do terceiro setor. 5. A partir de uma necessidade social identificada, elaborar, em pequenos grupos, um projeto de empreendedorismo social para responder a essa necessidade. Neste projeto deverão ser apresentados: a. a que necessidade social se está a responder (a partir do diagnóstico realizado); b. qual a equipa e competências necessárias para a realização do trabalho; RECURSOS PEDAGÓGICOS
18|A ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário c. como motivar e envolver a equipa de forma coletiva e colaborativa; d. quais as parcerias necessárias para a concretização do projeto (problematizando com quem será desejável e viável trabalhar); e. como tencionam envolver a comunidade (na ótica do trabalhar com e para a comunidade); f. como será trabalhada a identificação dos stakeholders (internos e externos) com a missão da intervenção / projeto; g. como serão avaliados os resultados e impactos do projeto e especificamente o seu valor social; h. onde se vai inspirar para realizar este projeto (livros, autores, figuras, exemplos da comunidade, etc). 6. Criar uma chuva de ideias, vulgo brainstorming, em torno de temas centrais sobre o empreendedorismo social, tais como as sugestões de debate já apresentadas: Quais os principais obstáculos na gestão das organizações do terceiro setor? Qual a diferença entre os subsetores ou famílias que compõe o terceiro setor (associações, cooperativas, mutualidades, misericórdias e fundações)? Podem as organizações do terceiro setor configurar alternativas de emprego com valores e características distintas do mercado de trabalho convencional? Como podem as organizações do terceiro setor desenvolver um trabalho de intervenção capacitante e empoderador dos seus destinatários? 7. Dinamizar um processo de geração de ideias para responder aos problemas sociais, através da atividade dos seis chapéus, criada por Edward De Bono (1985). Um dos problemas a que pode ser aplicado seria a inclusão socio-laboral de públicos vulneráveis no mercado de trabalho, por exemplo, jovens à procura do primeiro emprego, ex-reclusos ou pessoas desempregadas de longa duração com 40 ou mais anos de idade. Esta atividade permite subdividir o processo de tomada de decisão sobre o problema social escolhido de acordo com diferentes perspectivas: objectiva, criativa, positiva, negativa, intuitiva e focada. Deve ser aplicada em pequenos grupos (4-6 pessoas) e deve partir de uma solução ou proposta previamente pensada. Através da dinâmica dos chapéus vai ser possível testar essa proposta a partir de diferentes prismas. Primeiro o grupo coloca o chapéu branco e pensa em factos e informações objetivas sobre a proposta que está a ser analisada, depois coloca o chapéu verde e testa ideias criativas sobre esse mesmo problema, de seguida coloca outro dos chapéus e assim sucessivamente até chegar ao último chapéu azul onde se resumem as informações e sensações recolhidas e se conclui sobre a validade e pertinência da proposta e as suas necessárias reformulações.
19 ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário Chapéu branco Objectivo Qual é a informação que eu tenho? Quais são os factos? Qual é a informação que necessito? Chapéu verde Criativo Quais as novas ideias e alternativas que posso ter? Posso criar alguma coisa nova? Chapéu amarelo Positivo Quais são os aspectos positivos? Porque é que isto é útil? Porque é que isto pode ser feito? Chapéu negro Negativo O que é que está errado nisto? O que é que pode falhar? Chapéu vermelho Intuitivo Como é que me sinto em relação a isto? O que é que eu gosto nesta ideia? O que é que eu não gosto nesta ideia? Chapéu azul Focado Onde é que estamos agora? Como resumir todas as estas informações? O que se pode concluir? 8. Convidar os participantes a tomarem uma posição sobre algumas afirmações associadas ao empreendedorismo social. Esta atividade serve para estimular o interesse sobre a temática e explorar opiniões e, por isso, deve ocorrer antes do esclarecimento mais detalhado sobre o tema. Para aplicar esta atividade podem seguir-se os seguintes passos: a. Colocar num dos lados da sala uma folha escrita com “Não concordo” e noutro lado da sala outra folha com “Concordo”. b. Explicar aos participantes que não existem respostas certas ou erradas, o objetivo é debater ideias sobre os temas. c. Ler cada uma das afirmações, de forma clara e objetiva, mas sem prestar explicações sobre o assunto. Devem selecionar-se no máximo cinco afirmações: i. Todas as organizações do terceiro setor são empresas sociais; ii. Terceiro setor, economia social, economia solidária e setor não lucrativo são conceitos com o mesmo significado;
20|A ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário iii. As organizações do terceiro setor que têm atividades comerciais estão orientadas para o lucro; iv. Não é possível aplicar instrumentos de gestão empresarial e manter o foco na missão social e nos valores participativos; v. Empregar pessoas, nomeadamente pessoas em situação de vulnerabilidade social, é por si só uma forma de criar valor social; vi. É difícil angariar financiamentos quando se trabalha com populações em situação de vulnerabilidade e/ou exclusão social; vii. As empresas com fim de lucro também podem criar iniciativas de empreendedorismo social; viii. Não é fácil inovar na área social; ix. Nem todas as instituições públicas e privadas das comunidades locais estão sensibilizadas para a partilha de recursos; d. Depois de lida a primeira afirmação, os participantes posicionam-se na sala de acordo com a sua opinião. Podem dispor-se nos extremos “não concordo” e “concordo” ou em qualquer outro espaço entre estes opostos. Podem, por exemplo, ocupar um posicionamento intermédio, que pode estar ligeiramente mais perto do concordo ou do não concordo ou simplesmente no meio dos dois. e. Depois de cada participante ter escolhido a sua posição na sala, devem explicar, um a um, as razões que levaram a esse posicionamento. f. No final de todas as explicações e do debate gerado, os participantes podem optar por se reposicionar na sala, caso tenham mudado de opinião. g. Repetir o mesmo para as afirmações seguintes. 9. Explorar alguns argumentos a partir da atividade Gráfico de Notas. Os participantes poderão explorar fundamentos “contra” e “a favor” de determinada ideia (ponto de partida), estruturando as suas pesquisas a partir do esquema em baixo. Estas pesquisas podem ser baseadas no próprio documentário mas também em publicações ou websites, por exemplo. Pontos de partida exemplificativos de ideias para o registo no gráfico de notas: a. O empreendedorismo social é um processo de intervenção e gestão que se aplica ao terceiro setor, economia social, economia solidária e setor não lucrativo, mas não ao setor privado e Estado; b. A inovação social não se confunde com a inovação organizacional; c. Os instrumentos de gestão empresarial podem ser adaptados e aplicados à
21 ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário gestão das organizações do terceiro sector, sem que isso significa a perda do foco na missão social e nos valores participativos. Gráfico de Notas Sim (Argumentos a favor) Não (Argumentos contra) Fonte: Citação: Resumo da ideia: Fonte: Citação: Resumo da ideia: Fonte: Citação: Resumo da ideia: Fonte: Citação: Resumo da ideia: Fonte: Citação: Resumo da ideia: Fonte: Citação: Resumo da ideia: ……. 10. Conhecer o enquadramento teórico do empreendedorismo social a partir da publicação que enquadra este documentário: Empreendedorismo Social em Portugal: as políticas, as organizações e as práticas de educação/formação. São aqui exploradas, entre outros, as escolas de pensamento mais significativas sobre o empreendedorismo social e os seus campos de aplicação, as dinâmicas organizacionais e gestionárias, a inovação social e organizacional e as representações sobre o conceito empreendedorismo social. Apresenta igualmente um retrato exploratório acerca da educação para o empreendedorismo social em Portugal. A consultar no repositório Aberto da Universidade do Porto (http://repositorio-aberto.up.pt/) e no website do projeto “Empreendedorismo Social em Portugal” (http://web3.letras.up.pt/empsoc/). 11. Explorar os dez passos propostos no manual “Transformar o Mundo” para trabalhar ideias inspiradoras com potencial impacto social, disponível em http://www.faz. transformaromundo.pt/index.html. 12. Conhecer algumas iniciativas de desenvolvimento local em meio rural em Portugal, identificadas pelo projeto “À descoberta do mundo rural”, promovido pelo ICE – Instituto das Comunidades Educativas e a ANIMAR – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local, com relatório que pode ser consultado em http://www. animar-dl.pt/index/documentacao/documentos/dl/dlrur. 13. Analisar o relatório “A Economia Social na União Europeia” do Comité Económico e Social Europeu, com uma apresentação conceptual e comparativa sobre a situação da economia social na União Europeia (em 25 Estados Membros), disponibilizado em http://www.eesc.europa.eu/resources/docs/eesc-2007-11-pt.pdf. 14. Visualizar e debater o filme “In Transition 2.0” (em inglês) que captura histórias inspiradoras que procuram responder aos problemas dos nossos tempos com soluções criativas. É possível conhecer histórias de experimentação social, como as comunidades que imprimem o seu próprio dinheiro, o cultivo de alimentos e a criação de centrais comunitárias.
22|A ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário 15. Visualizar e debater o filme “Si può fare” (com legendas em espanhol). O filme apresenta a história de um homem de negócios que perdeu o seu trabalho e se vê obrigado a gerir uma cooperativa de antigos pacientes psiquiátricos. Ele ensina os membros da cooperativa a aprenderem um ofício e, assim, se libertarem da dependência das doações caritativas. 16. Explorar o tema da economia social a partir do texto “A Economia Social – Uma constelação de esperanças” escrito por Rui Namorado, do Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. São aqui problematizadas as questões da não-lucratividade das cooperativas, o enquadramento jurídico da economia social em Portugal, os princípios e valores do setor e a relação entre o desenvolvimento local e os movimentos sociais que “dão vida às organizações de economia social”. Disponível em: http://www.ces.uc.pt/publicacoes/oficina/ ficheiros/213.pdf. 17. Visitar alguns websites de organizações de cúpula que actuam na área do empreendedorismo social e do terceiro setor. No âmbito do contexto português, podem ser conhecidas: a CASES - Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (http://www.cases.pt/), a ANIMAR - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local (http://www.animar-dl.pt/), a CNIS – Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (http://www.novo.cnis.pt). A nível internacional podem ser explorados: a ASHOKA (http://www.ashoka.org/international), a Social Innovation Europe (http:// siresearch.eu/social-innovation), a ENSIE – European Network of Social Integration Enterprises (http://www.ensie.org). 18. Explorar as definições, instrumentos legais e políticas públicas sobre a economia social e a sua relação com a crise económica através do texto “The social economy in the European Union” elaborado pelo Comité Económico e Social Europeu e disponível em http://www.ciriec.ulg.ac.be/fr/telechargements/RESEARCH_REPORTS/EESC_ CIRIECReport2012_EN.pdf 19. Analisar alguns dos artigos da separata “Quem é quem na economia social” publicada pela Dirigir – a revista para chefias e quadros. Podem encontrar-se em http://www.iefp.pt/iefp/publicacoes/Dirigir/Documents/2010/DIRIGIR_109. pdf diversos artigos alusivos ao tema do empreendedorismo social, tais como “A economia social na Europa: uma perspectiva da sociedade civil”, “Organizações sem fins lucrativos e gestão”, “Fundações: o retracto possível”, “As potencialidades da economia social para a geração de emprego e realização pessoal”. 20. Visualizar e debater o filme Los valores de la economía social, com duração aproximada de 4 minutos, produzido por Desarrollo Social.TV e disponível em http:// www.youtube.com/watch?v=eWxQBpK6wxc. 21. Conhecer em http://esresponsableysostenible.org/presentacion o Pacto por la Economía Social Responsable y Sostenible producido pela Confederación de Entidades para la Economía Social de Andalucía (CEPES-A). Neste website podem ser analisados os objectivos do pacto e também alguns dos princípios e valores da economia social, tais como a primazia das pessoas sobre o capital, a aplicação de resultados orientados para o desenvolvimento sustentável e para as pessoas, a capacidade de auto-gestão, a democracia interna e a independência sobre os poderes públicos.
23 ÉS SOCIAL Guião pedagógico do documentário 22. Debater as perspectivas sobre a economia solidária apresentadas pelo Fórum Brasileiro de Economia Solidária através da sua Carta de Princípios da Economia Solidária, em http://www.fbes.org.br/index.php?option=com_ content&task=view&id=63&Itemid=60. 23. Analisar as ideias exploradas por Sandra Monteiro no artigo “Que manifesto para a economia social?”, onde problematiza o enquadramento da economia social como setor e a sua invisibilidade, a diversidade organizativa e de actividades da economia social e os seus valores. Esta publicação do Le Monde Diplomatique – edição portuguesa, pode ser consultada em http://pt.mondediplo.com/spip.php?article507 24. Debater o texto “Empreendedorismo Social” produzido por João Cotter Salvado, do IES e publicado na revista Dirigir & Formar de Out/Dez 2012: http://www.iefp.pt/ iefp/publicacoes/df/Documents/2012/DF_N_01.pdf. 25. Visualizar o documentário “Quem se importa”, produzido por Mara Mourão a partir das histórias de vida de 18 empreendedores sociais do Brasil e do mundo e explorar as actividades e abordagens propostas no Guia auxiliar também disponível em http:// www.quemseimporta.com.br/educacao/. 26. Conhecer com maior detalhe o enquadramento das empresas sociais em Portugal e, especificamente, os estudos de caso das empresas de inserção, através do artigo “Empresas sociais em Portugal: Uma breve análise com base em estudos de caso” produzido por Carlota Quintão e disponível em http://www.isociologia.pt/App_Files/ Documents/working6_101019094118.pdf. 27. Aprofundar o papel das organizações do terceiro setor na promoção da inclusão pelo trabalho e na aplicação dos seus princípios e valores em prol do trabalho digno, através da análise do artigo “Social and Solidarity Economy: Our common road towards Decent Work” produzido pela Organização Internacional de Trabalho: http://www.ilo. org/empent/units/cooperatives/WCMS_166301/lang--en/index.htm. 28. Debater a economia solidária a partir dos filmes realizados no âmbito da campanha brasileira “Economia solidária – outra economia acontece”, tais como: Economia solidária – apresentação, Redes e cadeias solidárias, Empresas recuperadas, Feiras e comercialização solidária, Trocas solidárias e moedas sociais, Crédito e finanças solidárias, Economia solidária e inclusão social, Desenvolvimento local e Empreendimentos culturais. 29. Debater os temas relacionados com o empreendedorismo social a partir de outros vídeos, tais como os filmes espanhóis da REAS – Red de economía alternativa y solidária (https://www.youtube.com/watch?v=8NDtx3p72mw e https://www.youtube.com/ watch?v=UPmtACcFsis), o documentário brasileiro “Das quinzenas às coisinhas” baseado no trabalho da ASMAR – Associação de Selecionadores de Materiais Recicláveis ou o filme inglês “Banknotes and local currencies – Quaterly Bulletin”, produzido pelo Bank of England.