Os média sociais como fator de mudança no Jornalismo: análise quantitativa entre os jornais ibéricos e latino-americanos
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1" " " Joana Correia Lamoso “Os média sociais como fator de mudança no jornalismo: análise quantitativa entre os jornais ibéricos e latino-americanos.” Dissertação realizada no âmbito do Mestrado em Ciências da Comunicação, orientada pelo Professor Doutor Paulo Frias da Costa Faculdade Letras do Porto Porto, 2015
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3" " " Joana Correia Lamoso “Os média sociais como fator de mudança no jornalismo: análise quantitativa entre os jornais ibéricos e latino-americanos.” Dissertação realizada no âmbito do Mestrado em Ciências da Comunicação, orientada pelo Professor Doutor Paulo Frias da Costa Faculdade Letras do Porto Porto, 2015
4" " " Monografia apresentada à Faculdade de Letras do Porto como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestrado em Ciências da Comunicação. Assinatura do autor: _________________________________________________
5" " " Sumário Agradecimentos............................................................................................7 Resumo.........................................................................................................8 Abstract.........................................................................................................9 Índice de tabelas...........................................................................................10 Índice de gráficos..........................................................................................11 Introdução.....................................................................................................12 Revisão Bibliográfica....................................................................................14 Capítulo 1 - Evolução histórica do jornalismo online...................................17 1.1.1) “Na Europa”........................................................................................20 1.1.2) “Na América do Sul” ..........................................................................20 1.2) Características do jornalismo online.......................................................21 1.3 Do impresso para o digital........................................................................24 1.4) O jornalista online..................................................................................26 Capítulo 2 – Os média sociais.........................................................................28 2.1) A linguagem dos média sociais.................................................................31 2.2) O Facebook e o Twitter.............................................................................33 2.3) A posição dos Orgãos de Comunicação Social nos média sociais............35 Capítulo 3 – Estudo Empírico...........................................................................36 3.1) Metodologia...............................................................................................36 3.2) Jornais Ibéricos.........................................................................................37 3.2.1) Jornal Público.........................................................................................37 3.2.2) Jornal El País.........................................................................................37 3.3) Jornais Sul Americanos............................................................................ 38 3.3.1) Jornal O Globo......................................................................................38 3.3.2) Jornal El Clarin......................................................................................38 Capítulo 4Análise e discussão de resultados.................................................39 4.1) Facebook dos Jornais Ibéricos..................................................................40 4.1.1) Número de publicações no Facebook....................................................41 4.2) Discussão dos resultados parciais.............................................................46 4.3) Facebook dos Jornais Sul Americanos .....................................................47 4.3.1) Número de publicações no Facebook.....................................................48 4.4) Discussão dos resultados parciais..............................................................52 4.5) Twitter dos Jornais Ibéricos.......................................................................53 4.5.1) Número de publicações no Twitter.........................................................54 4.6) Twitter dos Jornais Sul Americanos..........................................................58 4.6.1) Número de publicações no Twitter.........................................................62 4.7) Discussão dos resultados parciais..............................................................62 4.8) Conclusões e Considerações finais............................................................63 Referências Bibliográficas.................................................................................67 Anexos...............................................................................................................73 "
6" " " " " " Anexos Anexo 5 – Tabela de análise ao facebook do Jornal Público Anexo 6 – Tabela de análise do facebook do Jornal El País Anexo 7 - Tabela de análise do facebook do Jornal O Globo Anexo 8 - Tabela de análise do facebook do Jornal El Clarin Anexo 9 - Tabela de análise do Twitter do Jornal Público Anexo 10 - Tabela de análise do Twitter do Jornal El País Anexo 11 - Tabela de análise do Twitter do Jornal O Globo Anexo 12 - Tabela de análise do Twitter do Jornal El Clarin
7" " " Agradecimentos Este trabalho é resultado, de uma luta constante em alcançar os meus objetivos, tanto emocionais como profissionais, que se refletiram com sucesso no conjunto de conhecimentos adquiridos ao longo de dois anos que apenas se tornaram concretizáveis com o apoio de pessoas excecionais. Agradeço assim, a um dia ter amado tanto as palavras como as pessoas e por isso, ter decidido estudar Ciências da Comunicação. Gostaria então, em primeiro lugar, de agradecer o esforço notável feito pela minha mãe para me proporcionar mais uma fase de estudos na minha vida e o incontornável apoio que sempre demonstrou em todos os projetos por mim desenvolvidos ao longo do meu percurso académico. Uma vénia a Pedro Abelha, Ana Campos e ao meu pai pela amizade verdadeira e constante motivação. Um especial agradecimento também às minhas colegas e companheiras de curso ao longo dos dois anos, Mariana Botelho, Patrícia Bettencourt e Inês Reis pela sua generosidade, pelo único e admirável apoio em tudo o que neste caminho surgiu, pela extraordinária paciência e espírito de entreajuda. A todos os colegas que fizeram parte, direta ou indiretamente, deste projeto e de toda a licenciatura. Aos professores, Paulo Frias, Helder Bastos (…) pela excelente motivação desde o primeiro momento, pela vontade singular de ensinar e, principalmente, pela amizade. Ao professor Paulo Frias, meu orientador, pela compreensão, dedicação e abertura de novos horizontes. Pela incrível organização e disponibilização de material de apoio à concretização desta monografia.
8" " " Resumo O jornalismo é uma instituição social com muita história e, por isso, a sua análise é necessária para compreender como funciona o processo do seu desenvolvimento e a forma como evoluímos e comunicamos enquanto sociedade. Ao longo dos anos, o jornalismo tem passado por diversas transformações internas que atingiram redações e utilizadores de todo o mundo. A Europa e América do Sul - os dois continentes que serviram como alvos de estudo neste caso - detêm jornais com uma diversificada cultura comunicacional, fruto da constante evolução mediática que nos anos dois mil deu início ao estudo de um novo paradigma: a Internet. A Internet assumiu um papel crucial na evolução do jornalismo que cultivou a permanência do jornalismo no online - proporcionando uma participação ativa dos cidadãos que, por sua vez, dão voz e partilham informação de uma forma instantânea - e em alguns dos casos ajudou a sustentar a presença no impresso. O papel dos média tornou-se vital para o entendimento da expansão do jornalismo, sendo que a maior parte deles são passíveis de ser ler lidos, comentados e até partilhados em diferentes meios sociais e em rede. Em suma, analisaram-se quatro jornais, dois de cada continente, na tentativa de demonstrar a aplicabilidade dos média sociais que os estudiosos da comunicação defendem em relação ao jornalismo praticado no mundo da Web. Os jornais Europeus são o jornal Público e o El País, e os Sul Americanos são o El Clarin e o El Globo. Palavras-chave: jornalismo online; redes sociais; média sociais
9" " " Abstract Journalism is a social institution with a lot of history. It is required an analysis to understand how it's development works and also how do we communicate and evolve as a society. Throughout the years, journalism has suffered several transformations worldwide. Europe and South America - the two targeted continents used for this study - have papers that integrate more paradigms in communication. These new paradigms have an essential role on the online journalism permanency since they are being directed to an active participation of all citizens (which in turn share all types of information, like photos, videos, texts and even their personal opinions). Thus, in this research case we are interested in studying the media role (which nowadays became social) and, of course, the public/consumers on the different online journals, european and south-american. In short, the analysis of the four selected journals emerges like an attempt of showing the theoretical applicability and the concepts that all of the communication researchers defend about the web journalism. The european journals used in the study were Publico and El Pais and the South American El Clarin and El Globo. Keywords: online journalism, social media.
16" " " do online na sociedade, por outro lado, (Vieira, 2007: 33) defende que para além de ser possibilitada uma boa compreensão na facilidade de perceber a mensagem é essencial uma estudada produção de conteúdos informativos no online que vão desde o conhecimento da audiência, ao pensamento do que é diferente e pouco usual, a abordagem e enquadramento feito ao leitor, uma escrita legível e agradável e no fim, não esquecer a questão das fontes e os parâmetros éticos da profissão. A língua, assim como a religião, a filosofia e a geografia humana são fatores que em Portugal contribuíram para a expansão de vanguardas expressivas que hoje se tornaram temas pertinentes do jornalismo e assumem um papel igualmente importante na produção de conteúdos jornalísticos. Apesar de Portugal ter começado a evoluir nesse sentido de uma forma mais lenta no Séc.XVII que segundo (Tengarrinha, 2008: 39) não foram expostas quaisquer publicações jornalísticas, apenas surgiram, pontualmente, folhas soltas, que publicavam essencialmente notícias sobre a guerra da independência que Portugal travava contra Espanha. O jornalismo foi um dos importantes fatores para o término de muitas lutas políticas, usado como um instrumento que contribuiu desde sempre como uma forma perigosa, mas consciente com a cultura que o rodeava. A revolução conhecida no jornalismo da América do Sul foi em muitas cidades e ilhas o motivo que consagrou o sucesso do progresso do continente. O quase obrigatório crescimento perante uma revolução tecnológica sem fim fez com que o meio social se tenha tornado objeto de estudo. (Rodrigues, 2010: 49) recorda que a associação entre o conteúdo publicado nas redes sociais e a linha editorial de um meio de comunicação social pode implicar a extensão das regras éticas e deontológicas, sendo que as regras que obrigam a uma boa publicação no meio online é nula. Assim, todos têm acesso ao meio social, mas nem todos sabem como devem reagir, quer para informar outros, quer para se defender de injúrias ou de notícias falsas. Viver sem ser visto, pode ser uma vantagem e desvantagem de um espaço social infinito. No caso particular da rede social analisada neste trabalho, o Facebook, defende (Rodrigues, 2010:13) que a sua utilização pelos média é um dado adquirido, nomeadamente como agregador de notícias, como plataforma de difusão de informação e até como uma forma de captar leitores.
17" " " Já o microblogue Twitter é visto por (Recuero e Zago, 2011:1) como um ambiente mais propicio para a difusão de informações entre indivíduos pertencentes a essas plataformas. Pode-se admitir, em jeito de conclusão, que a preocupação dos média com as novas plataformas sociais justifica um maior grande crescimento do número de utilizadores que lhes garantem cada vez mais leitores e um crescente tráfego para os sites oficiais de notícias, como indica o (Pew Research, 2011:2011b) que justifica na sua análise uma das muitas formas de compreender e avaliar as práticas jornalísticas nos média sociais, através de um estudo comparativo entre os jornais ibéricos e latino americanos na rede social Facebook e também no Twitter como que é proposto na presente dissertação. Capítulo 1Evolução histórica do jornalismo online “A possibilidade de interacção directa com o produtor de notícias ou opinião é um trunfo forte a explorar pelo webjornalismo.” (Canavilhas, 2001:2) Para contextualizar os novos modelos de distribuição adotados pelos meios de comunicação, nomeadamente os que são feitos através dos meios sociais, torna-se necessário perceber a evolução histórica do jornalismo online. Considerado um dos maiores instrumentos de persuasão do mundo, o jornalismo é um contador de histórias sem fim, desde o seu surgimento no século XV. A combinação de duas técnicas que hoje sabemos que mudaram o mundo: a tipografia e a imprensa, foram pensadas por Gutemberg que as aperfeiçoou e combinou e que proporcionou à escrita um papel de que só alguns podiam alcançar. A sabedoria da escrita propôs o surgimento de novas evoluções que por si só suscitaram diferentes técnicas que deram origem, mais tarde ao computador. Foi a partir dele que a internet ganhou forma e juntos, permitiram o que chamamos hoje de comunicação em rede. A forma como transmitimos informação de forma tão imediata acontece essencialmente com a evolução do analógico/impresso para o digital como (Vieira, 2007: 166) explica “toda a forma de representação da realidade que tenda a recorrer a processos baseados em escalas de continuidade designa-se como analógica”. O
18" " " meio digital é comparado com o analógico como tendo “um carácter simbólico, uma maior independência em relação ao meio de transporte, maior durabilidade do suporte, maior volatilidade da informação, a reprodutibilidade sem perda de qualidade, a ausência de aura e maior facilidade de manipulação são as características predominantes do meio digital que, consequentemente, provocaram uma mudança de paradigma comunicativo, agora dominado pelas novas tecnologias, pelas novas formas de divulgar informação de carácter jornalístico, passando da massificação para a individualização.” (Shum, 2009: 132,133) Assim, a internet deve ser compreendida como um meio individual, na medida em que é uma tecnologia baseada no computador, que tem um carácter flexível, híbrido e não especializado e que promove ainda um potencial interativo, segundo (McQuail, 2003: 30). O jornalismo enriquece-se de potencialidades dos meios digitais e com todas essas ferramentas cedidas pela internet tem a possibilidade de disponibilizar cada vez mais informação aos leitores e consumidores do mundo da web. Este novo mundo de partilha propõe diferentes formas ver e fazer jornalismo online que (Manovich, 2001:43) designou por “New Media”, ou seja, os “Novos Média”. Segundo o autor “texts distributed on a computer (Web sites and electronic books) are considered to be new media”. (Sousa, 2006: 226) apercebe-se que a influência dos meios de comunicação na sociedade é caracterizada como sendo uma evolução sempre associada ao meio anterior, ou seja, “o conteúdo de qualquer meio é sempre o antigo meio que foi substituído”, como garante (Canavilhas, 2001:63). De fato, precisamos ter a consicência de que o jornalismo nasceu, e a imprensa renasce todos os dias, assim como a coerência jornalista que está adjacente. Como nos garante (McQuail, 2003:121) quando afirma que há a possibilidade da internet incorporar os diferenciados meios de comunicação como sendo a rádio, televisão e a imprensa. Os limites dos jornais e dos modelos de rádio, segundo o autor, “permitem conversações múltiplas que tornam possíveis rececionar, alterar e redistribuir em simultâneo objetos culturais, assim como, deslocar a ação de comunicação das fronteiras da nação para as relações de certos territórios espaciais da modernidade, providenciar contato global e instantâneo e por fim, inserir o sujeito moderno/pós moderno num dispositivo em rede”
19" " " (McQuail, 2003:121). Partindo do principio de que a impresa representa a totalidade de uma sociedade bem informada, adfirma-se que o jornalismo é apartir daí a linha que agrega todas as ações, sejam elas temporais ou sociais dos que a utilizam em massa. De acordo com (Traquina, 2005:23), foram incontáveis os fatores sociais que colaboraram para a expansão do jornalismo. Além da independência política e económica, os avanços tecnológicos também o transformaram, e segundo (Bourdieu, 2000:99) é destacado com o surgimento de novas tecnologias. A atividade jornalística começou também por posta à prova, principalmente pela pressão do tempo e pelo imediatismo. A possibilidade de o ecrã do computador transmitir em simultâneo textos, fotografias, ilustrações, sons e vídeos levou (Vieira, 2007:165) a ressalvar que vivemos num panorama radicalmente alterado, com formas incomparavelmente mais rápidas de produzir notícias, multiplicação de meios de comunicação e fluxos contínuos de informação”. A internet, vive do meio digital e, por isso, ela deve também ser encarada como um novo meio de comunicação social e, assim, fazer parte da evolução do jornalismo online. Segundo Ward citado por (Sousa, 2006:161) “o termo online é uma expressão genérica usada para descrever o acesso, armazenamento ou distribuição de informação digital.” Aceitando as considerações acima referidas à cerca dos novos média, (Canavilhas, 2011:1) vem dizer que “o jornalismo online não é mais do que uma simples transposição dos velhos jornalismos escrito, radiofónico e televisivo para um novo meio.” Nestes termos, o jornalismo online pode ser designado através de outros conceitos: webjornalismo, ciberjornalismo, jornalismo digital, jornalismo electrónico, jornalismo multimédia, entre outros. Em suma, todos significam o mesmo, repugnam a mesma ideia e compreendem que o jornalismo online se caracteriza como sendo uma produção de conteúdos de carácter informativo e noticioso publicados e divulgados através da web. Para além de transportar os conteúdos para o universo virtual e os entregar à rede, os meios de comunicação, neste caso prático, em função do online, devem saber e poder criar estratégias de adaptação, como deverá acontecer no caso dos jornais em todo o mundo.
20" " " 1.1.1) “Na Europa” O jornalismo português nasceu e evoluiu perante aquilo que já se fazia na Europa, principalmente em França. No entanto, foram as guerras napoleónicas, as lutas liberais que permitiram que a imprensa portuguesa se descobrisse e adapta-se ao modelo britânico de jornalismo, assente no princípio da liberdade de imprensa (Derieux,1978:117). A chegada do jornalismo à Europa foi inesquecível. Em Espanha, tudo começou com a criação do jornal a “Gazeta” o primeiro a ser impressoe que nasceu de forma a poder propaganda à Restauração da Independência. Os jornais passaram a ser reconhecidos como um meio de denunciar injustiças, como se verifica, esse desejo acontece até aos dias de hoje. Desse modo, o jornalismo passou a ser visto como um aliado da democracia e a ser considerado como o “Quarto Poder” (Sodré , 1999:4). Em Portugal, tudo começou mais lento, sendo que apenas no Séc.XVII surgiram, pontualmente, folhas soltas, que publicavam essencialmente notícias sobre a guerra da independência que Portugal travava contra Espanha (Tengarrinha, 2008:39). As transformações da sociedade foram atos vitoriosos no contexto do jornalismo europeu, sendo que com elas surgiram o cultivo das artes, da literatura, das religiões, da filosofia, da retórica e até da geografia humana que contribuíram para a compreensão e expansão de vanguardas expressivas que mais tarde, viriam a ser os temas pertinentes do jornalismo. 1.1.2) “Na América do Sul” Na América do Sul existem tantas línguas e etnias que se torna difícil traduzir o verdadeiro significado da linguagem. O “Cone Sul”, como é carinhosamente conhecido, surge perante o jornalismo através das relações que na época a família imperial portuguesa traçou com a imprensa. Por esta altura, no Brasil lutava-se, ao contrário de outros países, contra a expansão fugaz da liberdade de expressão, não obstante das lutas pela independência do país como recorda (Benítez,2000:20) “El periodismo, además de haber sido un importante factor de esas luchas, también fue un instrumento que contribuyó en forma sobresaliente y prestigiosa con la cultura y constituyó un valioso
21" " " capítulo en las memorias de esa cultura. El desarrollo del periodismo en América del Sur, por muchas razones, es prácticamente un nexo con la historia política de la región. El periodismo y su evolución forman un lazo en muchos sentidos con el progreso de América del Sur y de toda la América hispana, incluyendo las islas del mar”. Na Argentina destaca-se o jornal “La Nación Argentina” fundado pelo pelo General Bartolomeu Mitre em 1870. Este jornal, publicava e ordenava que fossem lidos apenas artigos e comentários que fossem de interesses do general. Mais uma vez, motivos políticos que neste ponto reforçam a ideia de que o jornalismo se baseva em critérios que ainda hoje alimentam os jornalistas. De acordo com todos os aspetos apresentados, a linguagem jornalística tanto na Europa como na América do Sul passou a ser configurada por diversas fases e procedimentos deontológicos que, constantemente, são influenciados por relações de poder e mudanças sociais. 1.2) Características do jornalismo online “Capacidade de atualização instantânea, distribuição global, baixos custos para os editores e a sua componente maioritariamente informática, são algumas das vantagens que os jornais online apresentam” (Canavilhas,2011:41) É no online que os conteúdos noticiosos adquirem uma dimensão sem fronteiras e se organizam de forma mais interativa. Os motivos de discussão pelos leitores que partilham e comentam as publicações, são exemplo disso. Assim, partimos do princípio que a linguagem utilizada na internet torna-se uma garantia de que o consumidor tem a liberdade de pesquisar as informações das quais mais se identifica fora todas as que os jornais proporcionam. Esta liberdade de pesquisa é confirmada por (Canavilhas, 2001:2) quando diz que “no webjornalismo a notícia deve ser encarada como o princípio de algo e não um fim em si própria, deve funcionar apenas como o “tiro de partida” para uma discussão com os leitores”. A linguagem pode, em função das características de quem as lê ser complementada com outro tipo de conteúdos interativos. Assim, o hipertexto ajuda a relacionar o texto com outros complementos que podem facilitar a compreensão. Segundo (Canavilhas, 2001:4) o webjornalismo é “um jornalismo participado por via da
22" " " interação entre emissor e recetor.” A interatividade, uma das mais importantes características do online, reflete a citação anterior quando se percebe que o que complementa a linguagem proposta no jornalismo online são elementos multimédia. As imagens ilustrativas, fotografias, links de acesso, vídeos, são, por exemplo, fundamentais relativamente à transmissão de informação, tal como (Barthes,1980:61) confirma “(...) quanto ao conjunto das “boas” fotos, tudo o que podemos dizer é que o objeto fala, induz vagamente a pensar (...) os redatores da “Life” recusaram as fotos de Kertész quando ele chegou aos Estados Unidos, em 1937, porque, segundo afirmavam, as suas imagens «falavam demasiado»; elas faziam refletir, sugeriam um sentido. (...) a Fotografia é subversiva (...) quando é pensativa.” Quando utilizamos os sons com o acesso a músicas, neste caso, acarretamos melhor o conceito de objetividade – outra das características do jornalismo online – é através dele que recebemos emoções e as partilhamos de uma forma que nunca seriam tão notáveis como se fossem lidas. Esse poder da objetividade do acontecimento é motivado também pela opinião do próprio jornalista que dá a notícia incutindo no consumidor uma necessidade de também ir, sentir e viver a história que está a ser contada. A verdade do que está ser dito e a atualização permanente dos conteúdos, são elementos que confirmam a relação entre o emissor e recetor e efetuam a importância de caracterizarmos o jornalismo proveniente da internet como algo que consegue transmitir a essência dos conteúdos que lá são produzidos e, assim, podermos compreender melhor as vantagens do jornalismo online. São incontáveis os autores que lhe atribuem características e que usam diferentes designações para os catalogar, no entanto, seguem a mesma linha de pensamento quando as caracterizam. Neste contexto (Palácios, 2003: 77) propõe-nos as seguintes: • Multimedialidade – convergência de diferentes formatos dos meios de comunicação tradicionais na produção e divulgação de um facto ou informação noticiosa. • Interactividade – capacidade que o utilizador tem de interagir com o próprio conteúdo noticioso através de comentários, partilhas e a própria forma como o utilizador tem acesso aos conteúdos através das interações estabelecidas com outros conteúdos relacionados e também com o próprio computador. • Hipertextualidade – manifesta-se através da interação entre diversos textos, imagens,
23" " " sons ou vídeos interligados através de hiperligações. • Personalização – trata-se da costumatização do próprio conteúdo onde o utilizador define aquilo que lhe interessa e o modo como a informação é recebida ou apresentada. • Memória – acumulação de informação e produções noticiosas é muito maior na web do que nos meios de comunicação tradicionais, possibilitando ao utilizador o acesso a conteúdos já difundidos de forma imediata. • Instantaneidade – diz respeito à rapidez com que se pode aceder aos conteúdos na web e a sua facilidade de produção e divulgação permitem uma atualização contínua das informações e desenvolvimento de assuntos de grande interesse para o público em tempo real. As relações associadas à internet, e, especialmente, as experiências sociais que acontecem em função das notícias surgem através de partilhas, nas quais é possível trocar links, informações em tempo útil, discussão de temas e tópicos, tal como será possível perceber nos anexos deste estudo. Tudo o que caracteriza o online integra a rede que é a internet, que se subdivide em diversos meios sociais que se subdividem em redes. Estas ramificações ampliam as possibilidades de interação sendo que aproveitam e personalizam conteúdos produzidos pelos jornalistas ou pelos próprios utilizadores. (IAB 5) apercebe-se dessa participação ativados leitores e confirma que: “La alta participación de los usuarios, el número de conexiones y la interactividad de los mismos, así como la viralidad e influencia que puede ejercer entre sus relaciones y las posibilidades de segmentación que ofrecen, son algunas de las características propias de los medios sociales.” Novas realidades, trazem novas consciências que valorizam o poder da web de uma forma que vai muito para além do jornalismo e que até há muito pouco tempo se afirmava ser apenas avaliado como algo palpável e impresso.
24" " " 1.3) Do impresso para o digital “O ciberjornalismo não se limita a disponibilizar notícias e comentários na Internet.” (Hall, Jim , 2001:4) Como se refere no ponto anterior, as novas formas de interagir no jornalismo só são possíveis graças ao fato da internet ter vindo transformar a forma como lemos as noticias. Isso torna-se possível graças ao facilitado acesso a novas ferramentas da web em todos os meios de comunicação existentes e integrados nela. A imprensa escrita é o meio que mais tem sentido as mudanças dessa revolução do online: “o jornalismo impresso encontra-se em profunda crise e o futuro pertence à informação difundida pela internet, e só não vê quem não quer” (Fidalgo e Canavilhas,2001:5). Afirma-se assim que a história da internet recomeça diariamente, mas foi no século XX que uma agência de pesquisa dependente do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a ARPA (Advanced Research Projects Agency) desenvolveu uma rede experimental de computadores, a Arpanet, durante os agitados anos sessenta. Em constante alteração e cada vez mais adeptos, foi a partir de um claro salto do texto para o hipertexto que ficamos a conhecer as maiores vantagens do online. Recorda (Bastos,2000:284) que o aparecimento da internet e a subsequente emergência do ciberjornalismo proporcionou ao jornalismo a exploração de novos territórios e diferentes linguagens. Surgiram inovadoras narrativas que se tornaram práticas e inéditas de onde surgiram novos géneros jornalísticos: hipertexto, a multimédia, a interatividade, a ubiquidade e a instantaneidade que levaram os média noticiosos a reconfigurarem-se de modo a responder às exigências do novo meio. De uso diário, o jornalismo associado à internet tornou-se uma ferramenta indispensável para os que consomem notícias e também para quem as publica. Naquela imensidão de conteúdos é permitido criar plataformas, cultivar novas formas de leitura e até propor o início de novas linguagens digitais. Com acesso a estas novas funcionalidades, percebe-se que a evolução do jornalismo também altera os hábitos do consumidor antes conhecido como audiência (Rosen, 2006:31). O jornalismo na era digital passou a participar em um mundo mediático que surge através de uma maior interação e redistribuição de notícias “que fazem coincidir o espaço da interatividade com o espaço da obra”
25" " " (Vairinhos,2002:53). Esta “nova” sociedade de informação comporta algumas transformações que vão de encontro, e principalmente, à relação proposta ao emissor e ao recetor anteriormente referida. Van Dijk, citando o autor (McQuail, 2003:124) considera este novo conceito de sociedade como “uma forma de sociedade que organiza as suas relações em redes mediáticas, substituindo ou complementando de forma gradual as redes sociais de comunicação face a face.” Cada vez mais dependentes deste ambiente tecnológico, ressalvam-se os cinco critérios essenciais das tecnologias da informação diferenciados por Díaz Nosty (Parra, 2009:87), ou seja, da abundância, a transparência, a ubiquidade, a instantaneidade e a interactividade. Como qualquer outra dependência, o futuro avizinha-se incerto para o impresso, no entanto, a aparente mudança para o digital garante um futuro quase inevitável, que deve ser avaliado com a cautela necessária e a liberdade de mudança de cada um dos leitores. Esta mudança, elimina todos todas as características que sempre foram associadas ao jornalismo tradicional, por exemplo com o surgimento dos tablets e smartphones que oferecem uma nova interface, simples e acessível para o usuário, onde é possível fazer-se o download de jornais e até de livros inteiros que em muitos casos já anulam de uma forma muito eficaz e alternativa ao jornal tradicional. Neste ponto, o surgimento do Iphone como garante (Martin,2011:25) foi o ponto de viragem na indústria dos telemóveis. Autores como (Baran,1995:39), consideram difícil definir o que é a internet, porque "é uma amálgama grande e indefinida de recursos e informações e a sua configuração muda constantemente", mas entendem que a sua imensidão ultrapassa os limites dos que um dia imaginaram como seria. A mudança e o acréscimo de novas características é irreal, segundo (Baran, 1995:39), novas redes podem integrar a internet a todo o instante, enquanto outras podem sair. Os ciberjornalistas viverão a cada dia a necessidade de se integrarem como sociedade, e com cada vez mais intensidade no mundo do digital. Como garante (Bastos,2000:288) quando nos diz que os ciberjornalistas vêm-se obrigados a uma mudança de atitude em relação a determinadas noticias que para além disso possibilitam o acompanhamento em tempo real das mesmas. Essa realidade, e as audiências online que, automaticamente, emergem em certos casos pressupõe a alteração dos valores/notícia, uma vez que se tende a dar mais destaque às
32" " " ângulo de abordagem e enquadramento; juntar os conhecimentos adequados; utilizar uma escrita agradável, justa e explicativa; dar ênfase ao lead, que é o mais importante no online, visto que os utilizadores querem ter acesso às informações principais de uma forma rápida e imediata; não exagerar nas actualizações, pois pode pôr em causa o que é relevante ou não e pode-se perder o sentido da notícia; peças curtas e interessantes repartidas por blocos e separadores; ser claro relativamente áquilo que se pretende comunicar; utilizar hiperligações para enriquecer o texto com informações complementares; e, por fim, não esquecer a veracidade das informações, a questão das fontes e os parâmetros éticos da profissão. Os média sociais não falam todos a mesma língua, principalmente se falarmos de países e até continentes diferentes. A linguagem deverá ser universal, mas não acontece em todos os casos e é a partir daqui que o universo que é a internet fornece plataformas sociais que indiquem e filtrem o que é publicado, por exemplo, no Facebook ou no Twitter. O equilíbrio de publicações nestes dois meios é organizado, simplificado e intuitivo, e por isso qualquer utilizador se sente livre de poder navegar e partilhar ideias e pensamentos. É importante perceber que quanto mais pequena e explosiva for a mensagem maior é o número de gostos e partilhas. Quantos mais links e hastags usarmos, um maior número de outros utilizadores atingiremos e nos seguirão de volta. Nestas circunstâncias os riscos de controlarmos a nova vida no online tornam-se menor, visto que temos a liberdade, como confirma (Fidalgo & Canavilhas, 2009:134) de seguimos quem queremos, bloqueamos quem não pretendemos que nos siga e assim tem-se um melhor controlo possível da informação que entra e da que sai. O serviço de microblogues e redes sociais tornaram-se ferramentas poderosas de instantaneidade e expansão noticiosa, ao mesmo tempo que é um exemplo do poder da audiência (Vivar,2009:20). (Serra, 2009:313) refere que os blogues têm uma importância que apenas podia ser qualificada através de influenciadores provenientes da política e sociedades contemporâneas, ou seja, que esses seriam os mais poderosos indicadores para ajudar a compreender a perspetiva dos média sociais onde é fácil deduzir a importância que são detentoras na atualidade: todos os dias saem noticias que têm por base as redes sociais, blogues. A linguagens dos média passam a ser estudadas como algo que vai para além de simples notícias, tornaram-se verdadeiras
33" " " experiências sociais destinadas aos leitores, que depois disto, se limitam a gostar, comentar e partilhar informações. (Rodríguez 87) relembra que os meios digitais “crean espacios de debate, de discusión, de conversación, con rapidez y facilidad, algo que ningún medio de comunicación había conseguido”. Está criado um espaço de debate por excelência, outra das principais funções do jornalismo (Canavilhas, 2011:120) local onde se partilham ideias, e cada vez mais surgem ferramentas que se adaptam às necessidades dos novos leitores. A forma como lemos as lemos, de uma forma literal, também tem vindo a ser alterada a médio/curto prazo desde o surgimento da internet. Novos dispositivos, mais concretamente os móveis permitem transportar as notícias no bolso e em todas as partes do mundo “Mobile tech devices, such as laptops, cell phones, smartphones and other handheld devices, are dramatically changing the way Americans access information in their lives” (Pew Research 30). “Com efeito, poucas tecnologias tiveram uma difusão tão rápida e com tanto impacto no modo de viver como a telefonia móvel” (Fidalgo & Canavilhas, 2009:1). A rede torna-se maior a cada dia, e o número de utilizadores daos diversos meios sociais apenas o comprova. Como são exemplo, o Facebook e o Twitter. 2.2) O Facebook e o Twitter A internet uniu em rede a sociedade e reordenou a distribuição de conteúdos noticiosos. Não obstante de existirem plataformas oficiais dos jornais que (Rodríguez, 2009:82) intitula de “promoção social” considera que as notícias que são dissolvidas no Facebook e no Twitter são implacáveis e passam bem a mensagem que é partilhada inicialmente nos sites oficiais. (Rodrigues,2010:11) defende: A utilização do Facebook pelos média é um dado adquirido, nomeadamente como agregador de notícias, como plataforma de difusão de informação e até como uma forma de captar leitores. Criado nos anos dois mil por Mark Zuckerberg - na altura estudante de Harvard – esta rede social tinha o objetivo de inicialmente ser apenas uma rede onde os jovens universitários partilhavam fotografias. Com a proporção que atingiu depois da sua criação, conseguiu o apoio de uma empresa que propos que a plataforma fosse aberta ao público, e ao mundo. O que caracteriza esta que é a maior rede social do mundo, são o grande número de utilizadores que angaria em tão curto espaço de tempo e as potencialidades que fumenta perante as empresas e até
34" " " investidores. O Facebook diferencia-se, portanto, por sempre se ter sabido diferenciar tanto pelas ferramentas únicas que dispõe como pela facilidade em criar relações entre leitores, consumidores, órgãos de comunicação social e empresas. O “gosto” e o tão pretendido “Não gosto” são dois exemplos de interação da rede social que hoje é caracterizada como uma das principais plataformas de comunicaçãoo online. As mesmas são, no entanto, postas em causa pela liberdade que transparece ao utilizador. Segundo (Morais, 2009:197) o consumidor tem o poder sobre todos os produtos que circulam na web que na sua maioria são gratuitos e pior que isso, demasiado rápidos. Esse conteúdo dinâmico que caracteriza as redes sociais é sinónimo de atualização noticiosa continua, que é visto por (Pavlik, 2001:16) como uma faca de dois bicos para os jornalistas, sendo que não apenas podem como devem providenciar atualizações permanentes de notícias para uma audiência acostumada a ter acesso aos mais recentes desenvolvimentos da atualidade. O novo jornalista, o jornalista do futuro vê-se confrontado com esta nova realidade e deve com sucesso saber produzir informação, mais rápido e melhor. Estas novas características do ciberjornalista devem adaptar-se também ao microblogue Twitter. Nascido em 2006 com o objetivo de criar um espaço onde os utilizadores pudessem trocar e divulgar os seus pensamentos de forma curta – uma das vantagens da linguagem em microblogues, como já foi referido no ponto 2.1 – propõe-nos um acesso gratuito que pode ser feito através do computador ou até pela aplicação através do telemóvel. O uso e o sucesso de estes dois meios sociais junto dos utilizadores comuns é um dado adquirido, mas falta verificar de que forma os meios de comunicação estão a explorar as potencialidades destas plataformas. É o que se começa por fazer no capítulo seguinte.
35" " " 2.3) A posição dos Orgãos de Comunicação Social nos média sociais A web tornou-se um desafio para Orgãos de Comunicação Social e para os utilizadores. Surgiram novas formas de comunicar e uma clara mudança de hábitos de consumo que por aproximação ambos, não estão imunes a riscos que vão muito para além de uma simples transposição das velhas regras do jornalismo tradicional. Segundo um estudo realizado por (Mutter,2012:2012b) estes sintomas de mudança são indicadores da crise que os jornais atravessam: o número de jornalistas que trabalham em jornais norteamericanos atingiu em abril de 2012 o número mais baixo desde 1978. A queda no número de jornalistas começou em 1990, o que coincide com o início da expansão da Internet. Segundo (López, 2009:141) os números confirmam que a imprensa escrita é que mais se tem vindo a ressentir: na última década, a circulação de jornais diários caiu 5% nos Estados Unidos da América e 3% na Europa. Uma permissa que está em constante transformação e que nos remete para a problemática levantada nesta dissertação: Os média sociais como fator de mudança no jornalismo: análise quantitativa entre os jornais ibéricos e latino-americanos. Na Europa, e de acordo com os dados do European Interactive Avertising Associantion, Mediascope Europe 2007, os sites de notícias são os mais visitados e 65% dos inquiridos afirmam que o faz pelo menos uma vez por mês. Na América Latina, a procura de informações também é um dos principais motivos que levam as pessoas a utilizar a Internet (Mejías,2009:151) e a rapidez com que se consegue informação (70%), a disponibilidade de 24 horas (67%) e a quantidade e variedade de informação (56%) são as principais características que atraem os latino-americanos para este novo meio. Os Orgãos de Comunicação Social tradicionais deixaram de ser os únicos capazes de partilhar as notícias, o que teve grandes repercussões ao nível da distribuição: hoje existem mais vozes, são mais diversificadas e têm um raio de ação mais amplo (Serrano & Cabezuelo, 2009:388). A possível interação do público, com o mediatismo da web, através de comentários e partilhas fazem coincidir o espaço da interatividade com o espaço da obra (Vairinhos, 2002:53).
36" " " A posição dos jornais perante o meio social promoveu novas características aos jornais impressos. As páginas de jornais no meio online são o novo modelo de distribuição de notícias que mais tarde direcionam os leitores para as diferentes plataformas sociais que trabalham em si em rede. Esta definição está intimamente ligada à relação ao leitor/utilizador. Capítulo 3 – Estudo Empírico 3.1) Metodologia Os média sociais são um fenómeno que ganhou novos contornos com a massificação da internet. Permitiu um mais facilitado acesso às ferramentas de produção, publicação e partilha de informação. “Na verdade, a internet praticamente impede o papel passivo do leitor ou recetor, já que obriga-o a debater, refutar ou contradizer determinada informação, notícia ou declaração” (Correia e Aroso, 2007:34). Assim, participar, partilhar e colaborar são palavras que integram hoje as linhas editoriais de muitos meios. De fato, há “uma preocupação dos média em integrar nos seus espaços a participação cidadã” (Rodrigues, 2008:20). Esta ocorre de diversas formas, na medida em que o público é convidado a dar o seu contributo. Sendo esta uma questão muito abrangente, no âmbito deste estudo, procurou-se uma abordagem exploratória e parcelar, circunscrita em termos temáticos. Assim, sendo certo que as redes sociais e os microblogues são uma ferramenta essencial do jornalismo, permitindo a colaboração do cidadão comum em todo o processo jornalístico, focou-se a pesquisa nesta interrogação: Quais são as práticas jornalísticas nos média sociais: estudo comparativo entre os jornais ibéricos e latinoamericanos no Facebook e no Twitter? Mais concretamente, desenvolveu-se uma investigação que possibilita responder à questão: De que forma os jornais ibéricos, El País e Jornal Público e latino-americanos, O Globo e El Clarin publicam as suas notícias no Facebook e no Twitter? A pesquisa incidiu então sobre as páginas de Facebook e Twitter dos meios de comunicação referidos, e na pesquisa foram examinadas publicações diárias dos Facebooks e Twitter oficiais dos jornais Público, El Pais, El Clarin e O Globo compreendida entre os daias 15 a 30 de Abril e posteriormente entre os dias 15 de Agosto e 1 de Setembro.
37" " " As características quantitativas analisadas em relação ao Facebook foram: número de seguidores, número de gostos, partilhas e número de publicações. Esta análise procurou, por fim, traçar uma visão real sobre esta realidade, onde o objetivo foi muito claro: aferir a utilização que estes meios fazem das redes sociais como potenciais ferramentas de jornalismo e a linguagem com que o fazerem. Em relação ao Twitter os tópicos escolhidos para análise quantitativa foram igualmente o número de partilhas e de comentários e gostos. 3.2) Jornais Ibéricos Como método de escolha da amostra de jornais generalistas ibéricos a analisar, foram pesquisadas todas as notícias da temática Política escritas na Península Ibérica – Portugal e Espanha - nos meses de abril e agosto de 2015. Do conjunto que derivou de tal pesquisa, excluíram-se as edições que não correspondessem a jornais diários generalistas, resultando num conjunto de dois jornais: Público e o El País. Note-se que ambos jornais impressos que também possuem versão online. 3.2.1) Jornal Público O jornal Público organiza-se em dez secções, cada qual com subdivisão própria. No caso da Política, apenas com a secção principal. Em “Mais”, inserem-se os cadernos culturais Life&Style, Fugas, Revista 2, P3, Ípsilon e Cinecartaz. O Life&Style divide-se em seis editorias. Na página da secção de Politica é possível encontrarmos para além das notícias colocadas por ordem chronologica, artigos de opinião e entrevistas e todas elas permitem hiperligação direta para os diferentes meios sociais, dos quais integram o Facebook e o Twitter. 3.2.2) Jornal El País O segmento do jornal analisado foi o El País Espanha, sendo que também existe o El País Brasil, América e Catalunha. Essa decisão baseou-se por o El País Espanha ser a base da origem do jornal. O espanhol El Pais subdivide a sua versão online em dez editorias, entre as quais destaca-se a Politica. Na editoria Politica, as publicações são organizadas
38" " " por ordem cronológica, permitindo no entanto uma facilitada busca por notícias anteriores à atualidade. Em cada uma das notícias é possível após a sua leitura, sugeri-las a outros leitores a partir dos botões do Facebook e o Twitter. 3.3) Jornais Sul Americanos No caso da amostra correspondente aos jornais diários generalistas da América do Sul foi selecionado um conjunto de dois jornais: Jornal O Globo (Brasil) e o El Clarin (Argentino). Além de serem jornais diários generalistas de referência, dos mais lidos no em ambos os países e de possuírem edição online com atualização frequente de notícias, contam com editorial de Política. 3.3.1) Jornal O Globo O jornal O Globo organiza-se entre quatorze secções: Home, Rio, Brasil, Mundo, Economia, Sociedade, Tecnologia, Ciência, Saúde, Cultura, Ela, Esportes, TV e Mais. A secção de “Política”, mesmo depois de selecionar o “Brasil” não é destacada. Para conseguirmos alcançar notícias sobre o tema, deve-se clicar em Home onde se encontram a maior parte das notícias pretendidas, no entanto, podemos na barra de pesquisa escrever a categoria e logo somos direcionados para o que é pretendido. Abrindo uma notícia, não é possível, no final da leitura partilhar com outros leitores diretamente nas redes sociais. Elas estão presentes no final do site, junto dos outros contatos. 3.3.2) Jornal El Clarin O jornal Argentino divide-se entre quatro secções. As Notícias, “Desportes”, “!ExtraShow!”, Estilo e “Servicios”, mas é na primeira que a categoria de Política se insere, no meio de tantas outras. As notícias são publicadas por ordem cronológica, e é possível, no final de cada uma partilha-las no Facebook e Twitter. O jornal online apresenta-nos também uma espécie de artigos da categoria mais lidos, o que permite uma facilitada interatividade com o leitor.
39" " " Capítulo 4 - Análise e discussão de resultados Compreende-se que o que se tornou mais relevante neste estudo dos diferentes jornais é elevar o poder da comunicação a partir do computador. Hoje, os ecrãs representam uma nova forma – sólida e maleável – de produção de nos conteúdos adaptados a todos os leitores assim como a difusão dos mesmos. Os quatro jornais analisados são precisas referências do jornalismo online enquanto difusoras de notícias e também na relação e interação com os seus consumidores diários. A escolha deste tema, tornou-se um desafio entre dois continentes, que no fundo, partilham das mesmas qualidades e ao mesmo feedback por parte de quem os segue. A tendência das redações que se apresentam cada vez mais preparadas para o jornalismo online é crescente e com elas surgem diversos ambientes, jornalistas e uma nova “espécie” de leitores. Esta realidade, é uma tendência mundial comentada em direto na rede, uma interatividade do futuro que promove diariamente nas redações um ambiente participativo e de grande valor. Assim, a evolução e peculiaridade da participação cívica e da introdução da internet no jornalismo digital, mais propriamente no Facebook e Twitter conduz a uma pergunta de investigação: Quais são as práticas jornalísticas nos média sociais nos jornais ibéricos e latino-americanos no Facebook e Twitter? Sendo esta uma questão muito abrangente, no âmbito deste estudo, procurou-se uma abordagem exploratória e parcial. Assim, sendo desenvolveu-se uma investigação que possibilita responder à questão com base no desenvolvimento e posterior análise de gráficos e tabelas. A pesquisa incidiu sobre as páginas de Facebook e Twitter dos meios de comunicação selecionionados. Em suma, o dois jornais Europeus que analisamos, apresentam e correspondem à evolução dos diferentes países e justificam com pormenor a linguagem descrita. Durante quinze dias analisados e de forma a compreender a linguagem dos média sociais nos dois continentes (Europa e América do Sul). Em cada um deles, devemos ressaltar que a categoria de análise escolhida foi Política, e as noticias publicadas assim estavam catalogadas nas páginas oficias de cada um deles.
40" " " 4.1) Facebook dos Jornais Ibéricos A escolha da temática da Política resultou de uma clara aposta num tema dinâmico e com um maior e potencial número alargado de publicações diárias. É concretamente um tema empolgante, que dá asas às mais diversas opiniões e espaço de opinião ao grande público. Assim, o tema analisado em função do Facebook e Twitter são distinguidos pela abundância de informação e rigor. No caso do Facebook é importante ressalvar que a linguagem escolhida pelos diferentes jornais europeus determina em muitas formas o sucesso de cada publicação. O Jornal Público segue de início ao fim uma linha coerente, onde utiliza a própria notícia como base de todas as publicações, ou seja, insere o link no seu perfil que automaticamente dá origem à imagem que corresponde à notícia. De seguida, destaca uma frase simples e associa-a à mesma. Raramente fazem referência a outras páginas (através de links diretos) e quando o fazem, quase sempre é para o site oficial do jornal e tão pouco utilizam hastags 1que servem por exemplo, como um bom demarcador das temáticas das notícias. A sua imagem, no geral, é limpa: a fotografia de perfil constitui o logótipo atual da entidade e a fotografia de capa é alterada em média de 2 em 2 semanas. O Jornal El País, apresenta-se igualmente com o logotipo da marca na fotografia de perfil e na capa é alternado com imagens de notícias chamativas que contemplam também uma pequena citação da mesma e um link direto para o site oficial. Da mesma forma que o Público, publicam as noticias no perfil da página através do link da mesma, que automaticamente abrem a imagem associada à publicação, no entanto, têm mais tendência para fazer links de outras entidades, celebridades que muitas vezes se destacam na categoria de entrevistas que é também (sem coerência e sem regras) sinalizada com o hastag: #Entrevista. """""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""" 1 Hastag: Toda a palavra-chave antecedida do si!mbolo # e que e! automaticamente indexada no 1 Hastag: Toda a palavra-chave antecedida do si!mbolo # e que e! automaticamente indexada no reconhecimento de determinado assunto, seja atrave!s de motor de pesquisa ou de link direto "
41" " " 4.1.1) Número de publicações no Facebook Tabela 1 – Número de publicações no Facebook Os dois jornais ibéricos em análise apresentam valores significativos de publicações analisadas. Ainda que a diferença do número total de artigos publicados, no prazo de quinze dias, não seja avassaladora, cada um deles faz parte de uma média de 7.4 no caso do Jornal português, Público e em média 6.5 de artigos publicados no Jornal espanho, El País. Em ambos – como se poderá verificar nas tabelas em anexo – foram analisados o número de gostos, partilhas, comentários, seguidores e a língua em que passam a mensagem aos leitores. Gráfico 1– Gostos Público Facebook Total&de&artigos&publicados Média&de&artigos&por&dia Jornal&Público 111 7.4 Jornal&El&Pais 98 6.5(3)
48" " " real da redação do jornal. No entanto, assim que abrimos a fotografia não somos remetidos para nenhum site oficial, nem há o cuidado de ter uma legenda. Apenas publicam com o link da notícia, que abre a imagem da notícia associada ao site como todos os outros jornais fazem, no entanto quando se verifica a citação que é colocada no topo da publicação percebemos que há falta de critério na linguagem: para além de não linkarem entidades e utilizarem hastags devidos, há uma incompreensível falta de pontuação que mostra inadequadamente que as notícias poderão estar inacabadas e mal publicadas. 4.3.1) Número de publicações no Facebook Tabela 2 – Número de publicações no Facebook Ainda que a diferença do número total de artigos publicados no prazo de quinze dias não seja avassaladora, cada um deles faz parte de uma média de 5.2 no caso do Jornal brasileiro, O globo e em média 0.9(3) de artigos publicados no Jornal argentine , El Clarin. Aqui, é importante referir que o ultimo – El Clarin – apresenta uma amostra muito reduzida de análise, sendo que no ínicio da mesma houveram quase nenhumas notícias sobre o tema Política. No entanto, a análise apresentada acerca do jornal é possível de apresentar valores significativos e determinantes para o estudo. Ambos – como se poderá verificar nas tabelas em anexo – foram analisados o número de gostos, partilhas, comentários, seguidores e a língua em que passam a mensagem aos leitores. O Jornal O Globo detêm 78 notícias publicadas na temática da Política e durante os 15 dias de análise deste estudo. Com um total (até à data) de 3.881.532, iniciou a análise com 3.841.278, ou seja, em apenas 15 dias teve aproximadamente 40 novos gostos que equivalem a novos utilizadores/leitores. Os dias que mais impulsionaram o gráfico dos gostos, foram analisados com valores muito aproximados, no entanto com Facebook Total&de&artigos&publicados Média&de&artigos&por&dia Jornal&O&Globo 78 5.2 Jornal&El&Clarin 14 0.9(3)
49" " " algumas diferenças quantitativas. O dia 17, conta com apenas 8 publicações em que em apenas uma delas – “Quem está combatendo é o MPF, a Polícia Federal e a Justiça. Eles não têm nada a ver com isso', disse o ex-presidente do STF. http://glo.bo/1cCXudz” - o valor de gostos dispara para 41.163 mil. Este valor é faz parte de um dos 3 valores mais altos do Globo, os outros dois marcam valores como 27.146 mil e 13.182 mil correspondentes aos dias 21 e 30, que curiosamente não são os que mais sobressaem no gráfico. Isto acontece porque dependendo da média de publicações de cada dia, a média de gostos de todas elas é contabilizada como um todo, e mesmo que haja uma que marque um dos valores mais altos, as restantes serão pela lógica muito reduzidas. O dia 18, é o segundo mais gostado e conta 10 publicações. Neste caso, a quantidade faz com que o segundo dia tenha mais gostos. O jornal El Clarin no início da sua análise começa por ter 4.200.953 mil seguidores, que no decorrer da análise não se alteraram. O número de gostos é maior no dia 16 de abril que detêm 11 publicações, em média e no seu total quase alcançavam os 1000 gostos. Gráfico 5 – Gostos O globo
50" " " Gráfico 6 –Gostos El Clarin O gráfico correspondente ao número de partilhas do Globo é de uma total discrepância. O dia 15 foi quem recebeu mais partilhas, aproximadamente 1.800 e naquele dia de abril foram publicadas 12 notícias. Uma delas – “Ministro da Defesa diz que não vê motivo para afastamento de Vaccari, preso nesta quarta-feira. http://glo.bo/1cwinY5” detêm um dos valores mais altos de partilhas com 6.445 mil. Mais uma vez, a quantidade é um fator crucial, sendo que o valor mais alto de partilhas - 11.106 – corresponde ao dia 25 de abril que não aparece em destaque no gráfico. O El Clarin, apresenta o dia 16 igualmente como o dia com mais partilhas, no seu total alcançando em média 450, num total de 4.200.953 mil utilizadores.
51" " " Gráfico 7–Partilhas O Globo Gráfico 8 - Partilhas El Clarin
52" " " 4.4) Discussão dos resultados parciais A dimensão do continente Sul Americano é significativamente maior que a Europeia, no entanto a linguagem, os gostos e costumes podem alterar tudo. Nesse ponto, o Jornal O Globo foi quem representou mais publicações diárias (78 com uma média de 5.2), seguindo-se do Jornal El País (14 com uma média de 0.9(3)). O número de gostos, em função do período de análise do Globo atingiu o seu auge com a publicação: “Quem está combatendo é o MPF, a Polícia Federal e a Justiça. Eles não têm nada a ver com isso', disse o ex-presidente do STF. http://glo.bo/1cCXudz”. Esta, traduz uma linguagem percetível, aborda um tema polémico no Brasil e cita um ex presidente importante do país. No entanto, e como anteriormente referido, o link associado é erradamente colocado, sendo que dirige os leitores exatamente ao mesmo local de leitura. Só devemos coloca-lo quando pretendemos partilhar uma imagem que esteja associada à noticia ou por exemplo um vídeo. Esta notícia, foi também o auge de partilhas - 11.106 – e o número de comentários ultrapassou a média dos 50. A análise aos comentários em toda a amostra foi realizada por médias de mais de 50 (< 50) e menos de 50 (> 50). Este último, surgiu apenas 13 vezes num universo de 78 publicações. O&Jornal&argentino&EL&Clarin,& contabiliza&um&número&de&gostos&pouco&significativo&–&1000&–&e&de&partilhas&–&450&F&em& função& da& amostra& estudada,& mas& no& entanto,& o& número de utilizadores contrariam sendo que no dia 15 de abril contava com 4.200.953 e no dia 30 com 4.300.942. &
53" " " 4.5) Twitter dos Jornais Ibéricos Considerando o Twitter um dos veículos de comunicação mais usados nos meios de comunicação, este é um dos mais lidos pelo público ibérico. Com grandes proporções. esta rede social é direcionada para empresas direcionarem a sua comunicação aos leitores. Nos jornais Público e El País servem como um complemento crucial aos restantes meios onde os jornais estão inseridos – digital e impresso. O período de análise correspondeu entre o dia 15 agosto a 1 de setembro e o caso do Jornal português no Twitter é peculiar: apresenta-se com a mesma linha gráfica do facebook, onde a fotografia de perfil é o logótipo do Jornal e apenas a de capa se altera para uma fotografia real, mas não em tempo real da redação. A análise do Twitter não se regeu pelos mesmos parâmetros que a do Facebook, neste caso, porque as duas apresentam diferentes formas de interagir. Avaliamos neste microblogue a imagem, os retweets, os gostos, número de seguidores e por fim o número de tweets. A imagem no Twitter desempenha um papel igualmente crucial como no Facebook, os gostos que no Twitter significam “curtir”, o número de seguidores e o número de “tweets” que são equivalentes ao número de publicações do Facebook. Ao contrário da forma que publicam no Facebook O Jornal El Clarin, ao contrário do desânimo do Facebook, apresenta-se no Twitter com grande frequência e rigor na forma como se apresenta aos 1.71 mil de seguidores que marcaram o primeiro dia de análise. A sua imagem é coerente com a do Facebook visto que utiliza as mesmas fotografias de perfil e de capa. A forma como publica no Twitter as suas notícias ganham uma fórmula melhorada sendo que para além da fotografia, é colocada uma citação pontuada e um link que dirige os leitores ao site oficial do jornal.
54" " " 4.5.1) Número de publicações no Twitter jornais ibéricos Tabela 3 - Número de publicações no Twitter É relevante referir que em nenhuma publicação – expeto editoriais – contem fotografia, como é possível verificar na tabela em anexo. O jornal Público contou com 300 artigos publicados no período de análise de 15 agosto a 1 de setembro. Em média, foram lidos 20 artigos por dia pelos 317 mil seguidores que foram contabilizados no início da análise e que no final se refletiram em 325 mil. Assim, sabemos que nos 15 dias analisados o Público teve mais 8 mil seguidores da página oficial do Twitter. O El País, não está longe da realidade do anterior, detêm 228 artigos publicados no seu total e uma média de 15.2 notícias publicadas por dia. A conta do Twitter do jornal Público começa por dizer que “estamos onde estão as notícias, estamos onde estão os leitores”, esta máxima contraria os dados da tabela de análise dos “gostos”, sendo que a média por dia é relativamente baixa, em alguns casos quase nula. A 16 de agosto, registou-se o maior pico, alcançando os 30 gostos. Nesse mesmo dia foram contabilizados 17 publicações noticiosas, sendo que esta “Fora Dilma, grita-se este domingo outra vez em todo o Brasil.” Alcança os 10 gostos, e todas as outras sempre abaixo desse valor. É curiosamente no mesmo dia que é alcançado o segundo maior dia de retweets contabilizando 11 na notícia “Brasileiros pedem afastamento de Dilma em manifestação em Lisboa.”, o primeiro mais partilhado é relativo ao dia 18 agosto e conta com 11 retweets na notícia “Há provas das cedências de Paulo Portas aos alemães na compra dos submarinos”. Twitter Total&de&artigos&publicados Média&de&artigos&por&dia Jornal&Público 300 20 Jornal&El&Pais 228 15.2
55" " " Gráfico 9Gostos Público Gráfico 10Retweets Público
56" " " O espanhol El País apresenta-se na rede social Twitter com veracidade, em média de 15.2 artigos por dia dos quais são “gostados” com maior quantidade que os do jornal Publico. No gráfico dos gostos, verificamos que os dias 27 e 28 de agosto absorveram o maior número de gostos. O dia 27 de agosto, contabiliza 22 notícias publicadas sendo que duas delas obtêm no total dos dias os maiores números de gostos. A primeira noticia “#LatinosUnidos http://cort.as/WL73 Ricky Martin, Paulina Rubio y Marc Anthony se alían en internet contra Donald Trump” dá conta de 256 gostos, segue-se “Matt Damon es el último enemigo de Donald Trump: “Es xenófobo y deshumanizante” que contabiliza o terceiro maior número que corresponde a 157 gostos. O dia 28, alberga o segundo maior número de gostos com a notícia “El orgullo de sentirse hispano”: el discurso de @AntonioBanderas contra Donald Trump resucita http://ow.ly/RurB0 “. As 3 notícias têm muitos aspetos relevantes que fazem com que, na totalidade, sejam as mais gostadas. Todas foram publicadas com uma fotografia adequada à notícia, todas no final de cada citação da mesma tem o link de acesso ao site, onde é possível ler a notícia na íntegra, assim como no caso da primeira utiliza um hashtag que refere o tema logo à partida. Estes, são fatores da linguagem que pesam na decisão de ler ou não uma notícia e nesse sentido, clicar nela, gostar e fazer retweet. O gráfico de partilhas do Twitter dá conta que o dia 26 de agosto foi o que suscitou mais interesse nos 179 mil seguidores que nessa data poderam ler 28 publicações noticiosas das quais ressalva-se a que mais retweets teve – 364 – que relata um acontecimento de “Última Hora”: “ÚLTIMA HORA | Dos periodistas mueren a tiros mientras hacían un directo en Virginia, EE UU”. Esta última, para além de ser uma notícia de última hora, o que suscita imediatamente o interesse do público/leitor, é referida como tal, o que não acontece em todos os casos. Por exemplo, o dia 15 de agosto conta com uma notícia do mesmo caráter, igualmente sem imagem associada e o número de reweets é igualmente bastante significativo.
57" " " Gráfico 11 - Gostos El País Gráfico 12 - Retweets El País
64" " " América do Sul, mais propriamente em Portugal, Espanha, Brasil e Argentina o surgimento da imprensa focou-se, como ainda hoje acontece, em motivos políticos, enaltecendo e reforçando a escolha da temática de Politica para a análise em questão. Remetendo para a época em que surgem os jornais, recordamos que o fator linguagem sempre teve um papel de destaque. Começaram a partir deste presuposto a ganharem voz os órgãos de comunicação, a um ritmo alucinante que acompanhou a velocidade com que a informação se integrava nas redações dos diferentes países. Citado pelo autor (Sousa 174), Jonathan Dube no ponto 2.1 deste estudo, compreende que para termos melhor proveito sobre o mundo social devemos acima de tudo compreender a linguagem e por sua vez a leitura do jornalismo online. Os dados recolhidos no presente estudo reforçam um relatório já realizado em 2011 - comScore – que concluiu que o tráfego gerado pelo Facebook nos jornais online lidos na Europa terá duplicado entre os anos 2010 e 2011. De forma a esta análise traçar uma visão real do que é partilhado pelos meios na era digital, as características quantitativas analisadas em relação à rede social Facebook foram: número de seguidores, número de gostos, partilhas e número de publicações e em relação ao Twitter os tópicos escolhidos para análise quantitativa foram igualmente o número de partilhas e de comentários e gostos. Em relação ao Twitter destaca-se o Jornal o Globo como sendo o mais influente durante o período de análise compreendido entre 15 de agosto e 1 de setembro com uma média de 426 artigos publicados e uma média de 28.4 artigos diários, e em segundo, o El País com uma média de artigos publicados diariamente de 15.2. Estes valores analisados devem ser intimamente ligados ao total de seguidores de cada página oficial (relativos à data de análise) neste caso: 3.881.532 do jornal O globo e 1.663.164 mil seguidores. É importante referir que o jornal El Clarin representa um nesta fase um total de 4.200.953 mil seguidores, e no entanto não supera o jornal espanhol, devido a e principalmente, à incoerência de publicações em ambas as plataformas em termos linguísticos: falta de pontuação, mau uso de hastags que muitas vezes não são utilizados, escassez de links que fazem a ligação direta aos sites oficiais, entre outros. O caso do jornal Argentino não é único, o português Público também se apresenta com falhas semelhantes, em para além dos pontos já assinalados também se mostram pouco recetivos
65" " " ao uso de imagens, que são essenciais para incentivar o consumo e a atenção do leitor. Este desleixo, mais vincado nos Órgãos de Comunicação Europeus não se preocupam com as ligações, por isso não filtram os perfis e aceitam toda a gente, independentemente do uso que tais perfis possam dar à relação criada: são, por isso, relações de laços fracos. A clara falta de regras introduzidas nas redações contrariam a produção jornalística pensada para o meio online. Quando se considera que deve ser utilizado o maior número de ferramentas que possam potenciar conteúdos de forma a os tornarem interativos, reportamos para o caso do Twitter que, por exemplo no caso da América Latina obtêm uma maior interação dos OCS2 perante o público que os segue. O elevado número de utilizadores, as características de comunicação que cada jornal comporta e a facilidade de partilha de informação despertaram o jornalismo para a potencialidade dos chamados média sociais que se entende como uma “nova” forma de distribuição de modelos jornalísticos. Os mesmos, são vistos apartir deste estudo como impulsionadores motivos para alterar a forma como se escrevem, partilham e disseminam noticias. Na Europa, como na América do Sul avista-se a curto prazo um mundo sem limites de ideias, e consequentemente sem limites para os profissionais do jornalismo e as suas redações. Conclui-se, com base nas análises quantitativas que os média sociais são considerados pelos OCS como um potencial modelo de difusão que visa complementar o site oficial, a versão impressa e online do jornal. Considera-se, no entanto, que as mesmas estratégias são frágeis e assentam sobretudo na intuição dos que tomam decisões nas redações. É também explicita a clara falta de conhecimento sobre a forma como se categorizam as notícias, como as partilham, e posteriormente sobre o fluxo que geram. Esta falta de lineariedade e de estratégia é, aliás, confirmada pelas análises em anexo. As grandes diferenças na análise quantitativa em relação aos quatro casos práticos reflete-se primeiramente pelo número de seguidores e de partilhas que clarificam que Facebook e o Twitter têm missões e visões distintas na web: o Twitter como sendo mais adaptado à divulgação e outra mais adaptada à discussão como é o caso da rede social Facebook. O """""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""" 2"Orgãos"de"Comunicação"Social."
66" " " caso do Twitter, por exemplo, limita-se a um mau aproveitamento das noticias, sendo que em três dos casos apenas são publicadas noticias em modo automático quando deveriam ser feitas publicações com retorno imediato, com estratégia, como já tem vindo acontecer no Jornal O Globo. No caso do Facebook, nota-se uma falta de integração entre o jornal e o leitor, assim como algum desleixo no aspeto visual da página. Assume-se que a responsabilidade cabe a cada OCS em aproveitar da melhor forma as diferentes plataformas sociais nas quais têm presença. Tornou-se o caso da Europa e da América Latina como verdadeiro exemplos de média sociais mais influentes dos dias de hoje, de forma a compreender que ainda há um caminho a percorrer e muitos espaços que precisam de manobra para que o jornalismo se adapte e se solidifique junto das plataformas ditas sociais. É importante que os jornais adotem novas estratégias, neste caso, que assumam a evolução de uma forma mais eficaz para a passagem de uma estratégia tecnológica para uma estratégia social. Em ambos os casos, conclui-se que não basta estar presente nos meios, é necessário permitir e possibilitar outras e cada vez mais melhoradas formas de aceder às noticias, e assim incutir no leitor a responsabilidade de as disseminar, dando-lhes a verdadeira importância.
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73" " " Anexos " Anexo"5"–"Análise"quantitativa"facebook"–"jornal"El"País" " Anexo"6"–"Análise"quantitativa"facebook"–"jornal"O"Globo" Anexo"7"–"Análise"quantitativa"facebook"–"Jornal"Público Anexo"8"–"Análise"quantitativa"facebook"–"Jornal"El"Clarin" Anexo"9"–"Análise"quantitativa"Twitter"–"jornal"El"País" Anexo"10"–"Análise"quantitativa"Twitter"Jornal"O"Globo" Anexo"11"–"Análise"quantitativa"Twitter"jornal"Público" Anexo"12"–"Análise"quantitativa"Twitter"jornal"El"Clarin"
80" " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " "
81" " " " " " " " " " " Anexo"8"–"Análise"quantitativa"facebook"–"Jornal"El"Clarin" " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " "
82" " " Anexo"9"–"Análise"quantitativa"Twitter"–"jornal"El"País" " " "
83" " " " " " " "
84" " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " " "
85" " " Anexo"10"–"Análise"quantitativa"Twitter"Jornal"O"Globo" " " " " " " " " "
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