Análise e gestão de risco na internacionalização de empresas do sector da construção
Full text
ANÁLISE E GESTÃO DE RISCO NA INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS DO SECTOR DA CONSTRUÇÃO ANDREA NEVES MATOS Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL — ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES Orientador: Professor Doutor Jorge Moreira da Costa JUNHO DE 2013
MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2012/2013 DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-5081446 [email protected] Editado por FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-5081440 [email protected] http://www.fe.up.pt Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 2012/2013 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2013. As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir. Este documento foi produzido a partir de versão eletrónica fornecida pelo respetivo Autor.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção Aos meus Pais e família.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção i AGRADECIMENTOS A minha vida académica representa uma das fases mais importantes da minha vida. Ao longo destes cinco anos foram muitas as pessoas que me ajudaram a concretizar este percurso e a continuar, mesmo quando apareciam dificuldades. Este trabalho é o culminar desta fase e contou com a colaboração de várias pessoas. Agradeço à ShARE, que me ensinou muito e com a qual cresci como pessoa, em especial ao Vitor, que me deu a ideia que fez nascer este trabalho. À Chica e ao sei pai, Engenheiro Afonso Silva, à Carina e ao Francisco, por me ajudarem no processo das entrevistas, e a todos os entrevistados por me disponibilizarem um pouco do seu tempo. Aos amigos que encontrei ao longo destes cinco anos, que ficam para a vida. E aos amigos de longa data, que estiveram sempre ao meu lado. Ao Daniel, por toda a paciência, mesmo nos dias impossíveis, e por acreditar que consigo fazer sempre mais e melhor. À minha mãe, ao meu pai, às minhas irmãs e aos meus abuelos que estão nos bons e nos maus momentos e com os quais posso sempre contar. Finalmente, agradeço ao meu orientador, Professor Doutor Jorge Moreira da Costa, por aceitar o desafio e ajudar-me a torná-lo realidade. Pela disponibilidade, compreensão e ajuda que me deu desde o início e ao longo de todo este processo.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção iii RESUMO A internacionalização tem vindo a ganhar, nos últimos tempos, grande representatividade nas empresas do sector da construção não só em Portugal mas no mundo inteiro. Esta estratégia, que consiste na entrada em mercados de outros países, tornou-se comum nas empresas portuguesas que, ao tentar sobreviver à crise económica pela qual o país está a passar, entram em mercados desconhecidos a procura de novas oportunidades de sucesso. Inerente a todo o processo de internacionalização é possível identificar inúmeros riscos em relação aos quais as empresas se devem prevenir e preparar. Assim, surge a análise e gestão de risco, com as quais é possível identificar, gerir e mitigar os diversos riscos que surgem ao longo de todo o processo de internacionalização das empresas da construção, que se inicia com a escolha do país e termina com a finalização do projeto. De modo a sensibilizar as empresas para a importância da análise de risco na atualidade, foi feito um estudo que permitisse mostrar o panorama atual da indústria da construção, e foram apresentados os diversos fatores de riscos aos quais as empresas se submetem, concluindo com matrizes de risco que têm como objetivo auxiliar as empresas durante a fase inicial do processo. PALAVRAS-CHAVE: Internacionalização, Gestão de Risco, Análise de Risco, Sector da Construção.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção v ABSTRACT Internationalization has gained recently a large representation in companies of the construction sector not only in Portugal but worldwide. This strategy, which consists of entry into other countries markets, has become very common in Portuguese companies, which are trying to survive the economic crisis that the country is passing, seeking new opportunities for success by entering in unknown markets. Inherent in the process of internationalization is possible to identify a number of risks for which companies must prevent and prepare. Thus arises the analysis and risk management, with which it is possible to identify, manage and mitigate the various risks that arise throughout the process of internationalization of the construction, which begins with the choice of the country and ends with the conclusion of the project. In order to encourage companies to the importance of risk analysis in the present, this study was done in order to show the current landscape of the construction industry, showing the various risk factors to which companies submit, concluding with arrays risk that aim to help companies during the initial phase of the internationalization process. KEYWORDS: Internationalization, Risk Management, Risk Analysis, Construction Sector.
xii Figura 27 - Importância da situação económica do país de destino na análise de risco. ..................... 47 Figura 28 - Importância da situação económica do país de destino na análise de risco ...................... 48 Figura 29 – Importância do sistema burocrático do país de destino em comparação com Portugal. .. 49 Figura 30 – Importância dos recursos no país de destino. ................................................................... 49 Figura 31 – Importância da relação entre trabalhadores e Dono de Obra. ........................................... 50 Figura 32 – Importância dos erros e omissões no projeto. ................................................................... 50 Figura 33 – importância da Gestão e Administração internas da empresa. ......................................... 51 Figura 34 - Matriz de Risco Geral - Empresa do sector da construção. ............................................... 54 Figura 35 - Matriz de Risco: Nação/ País (1). ....................................................................................... 55 Figura 36 - Matriz de Risco: Nação/ País (2). ....................................................................................... 56 Figura 37 - Matriz de Risco: Indústria. ................................................................................................... 56 Figura 38 - Matriz de Risco: Empresa/Projeto....................................................................................... 57
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção xiii ÍNDICE DE QUADROS Quadro 1 - Produto Interno Bruto 2000/2011: variação anual (INE, 2011). ........................................... 7 Quadro 2 – Taxas de crescimento anuais nos vários segmentos da CCOP (Euroconstruct, 2000). ..... 9 Quadro 3 – Ferramentas de avaliação de riscos (Adaptado de Han e Diekmann, 2001). ................... 22 Quadro 4Lista de países selecionados pelas empresas segundo a ordem de importância em percentagem.......................................................................................................................................... 38 Quadro 5 - Lista de países selecionados pelas consultoras segundo a ordem de importância em percentagem.......................................................................................................................................... 38 Quadro 6 - Lista de países selecionados pelas construtoras segundo a ordem de importância em percentagem.......................................................................................................................................... 39 Quadro 7 - RII e ordem associadas ao País. ........................................................................................ 52 Quadro 8 - RII e Ordem associadas à Indústria. ................................................................................... 53 Quadro 9 - RII e Ordem associadas à Empresa/Projeto. ..................................................................... 53
xiv
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção xv ACRÓNIMOS AECOPS - Associação de Empresas de Construção, Obras Públicas e Serviços AEIPRO - Asociación Española de Ingeniería de Proyectos AICCOPN – Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas ANEOP – Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas CCOP – Construção Civil e Obras Públicas CEE – Comunidade Económica Europeia EU – União Europeia FBCF – Força Bruta de Custo Fixo FEPICOP – Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas IC – Indústria da Construção ICE - Institution of Civil Engineers IDH – Índice de Desenvolvimento Humano InCI – Instituto da Construção e do Imobiliário INE - Instituto Nacional de Estatística IPMA - International Project Management Association ONU – Organização das Nações Unidas PIB – Produto Interno Bruto PMI - Project Management Institute PRAM - Project Risk Analysis and Management RAMP - Risk Analysis and Management for Projects RII – Índice de Importância de Risco VAB – Valor Acrescentado Bruto
xvi
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 1 1 INTRODUÇÃO 1.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS A internacionalização é, hoje em dia, apenas uma fase que faz parte de qualquer empresa de praticamente qualquer sector de atividade. Devido à crise económica que está a atravessar Portugal, a internacionalização tornou-se numa ferramenta que permite às empresas continuar a trabalhar e a progredir não só nas áreas nas quais se encontram especializadas, mas também em áreas que possam ser interessantes do ponto de vista comercial e económico. No entanto, entrar em novos mercados em países desconhecidos, com políticas, legislação, culturas e sociedades diferentes da portuguesa não é simples. Uma das áreas em que esta necessidade se revela premente é a do setor da construção. Assim, surge a necessidade por parte deste sector em adotar estratégias de internacionalização que tornem o processo mais simples e que aumentem a probabilidade de sucesso no novo mercado. Posto isto, a internacionalização deve ser considerada como uma questão essencial na sobrevivência de uma empresa, e deverá ser concretizada com base numa estratégia clara e robusta, tanto na abordagem a novas localizações geográficas como a nível da operacionalização. 1.2. ÂMBITO E OBJETIVOS Esta dissertação tem como principais objetivos investigar o envolvimento de empresas portuguesas do sector da construção em projetos internacionais e identificar os principais desafios que estas enfrentam; determinar os fatores de sucesso para assegurar uma boa prestação em mercados internacionais e estabelecer um modelo de internacionalização com uma análise de risco adequada à realidade atual. A globalização da indústria da construção veio abrir novas oportunidades às empresas, permitindo que estas se desenvolvam dentro e fora de Portugal, de forma a aproveitar as oportunidades que surgem diariamente no mercado internacional. Desta forma, a internacionalização surge como alternativa a mercados internos saturados. No entanto, para se conseguir um bom desempenho a nível internacional é necessário um estudo aprofundado e exaustivo sobre a estratégia de internacionalização (Gama, 2011). Neste contexto surge a análise e gestão de risco, que funcionam como ferramenta principal no estudo feito pelas empresas no momento de entrar em mercados desconhecidos.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 2 “Na atual conjuntura económica, em que apesar dos sucessivos anúncios de investimentos, o Sector não conheceu a retoma que era expectável, o sucesso das estratégias de internacionalização de muitas das empresas nacionais de Construção é, hoje, uma mais-valia que tem de ser incrementada” Reis Campos, Presidente da AICCOPN (Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas) (2008) 1.3. ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO A estrutura da dissertação desenvolve-se em cinco capítulos, dos quais o primeiro é a presente introdução onde se pretende fazer um enquadramento geral do tema a desenvolver e onde são referidos os objetivos a atingir. No segundo capítulo pretende-se fazer uma introdução ao tema da internacionalização, identificando os procedimentos e metodologias mais comuns e destacando a Construção internacional. Neste capítulo é feita, também, uma contextualização da situação económica do sector da construção em Portugal, nos últimos 20 anos, de forma a tentar compreender as motivações que levaram as empresas portuguesas do sector da construção a entrar em mercados internacionais. No terceiro capítulo será feita uma introdução à análise e gestão de risco, explicando algumas metodologias e formas de atuação neste campo. Será referida também a importância que esta análise tem no que diz respeito a projetos internacionais do sector da construção e de que formas são feitas as mesmas. O quarto capítulo tem como objetivo analisar e apresentar os procedimentos praticados por várias empresas do sector da construção relativamente à tomada de decisão na internacionalização e a análise de risco em projetos realizados pelas mesmas. Esta análise terá como base um inquérito e uma entrevista, realizada a Diretores das empresas que desempenhem cargos na área da internacionalização. O quinto capítulo é o último da presente dissertação onde se apresenta uma síntese do trabalho desenvolvido, referindo as principais conclusões e possíveis desenvolvimentos futuros, acompanhado de algumas recomendações.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 3 2 A INTERNACIONALIZAÇÃO 2.1. CARACTERIZAÇÃO DO SECTOR DA CONSTRUÇÃO EM PORTUGAL DESDE 1990 A indústria da construção em Portugal, como em qualquer outro país, influencia significativamente a economia nacional. O sector da Construção Civil e Obras Públicas (CCOP) apresenta uma grande cadeia de valor, uma vez que recorre a um elevado número de meios e empresas desde o início de um projeto até depois do mesmo estar concluído (Nunes, 2001). Este sector tem especificidades próprias caracterizadas pelo conjunto que engloba clientes, projetos, produtos, operações produtivas, tecnologias e unidades produtivas diferentes que implicam a interação de várias empresas de diversos sectores (Afonso, et al., 1998). Consequentemente, este sector tem uma importância relevante sobre o emprego, ao ponto de se estimar que cada emprego direto criado pelo Sector da Construção gera 3 postos de trabalho no conjunto da economia (Afonso, et al., 1998). A procura dirigida a este sector depende diretamente, mais do que em qualquer outro sector, do grau de desenvolvimento da economia, da conjuntura económica e do montante das despesas públicas, isto é, a evolução do sector da construção depende da dimensão e quantidade de investimentos feitos por outros sectores de atividade. A atividade caracterizada pelo sector da construção pode considerar-se, assim, uma atividade pró-cíclica, uma vez que apresenta maiores expansões que a economia global em fases positivas do ciclo e recessões mais marcadas em períodos negativos, sendo, por isso, considerada como um dos principais indicadores de uma economia (Baganha, et al., 2002). O sector da construção em Portugal, tal como nos restantes países da EU, assenta tradicionalmente numa estrutura empresarial onde predominam as pequenas empresas, que na maior parte não são especializadas, pelo que sentem a necessidade de recorrer frequentemente a subempreitadas. Por outro lado, existe um grupo de empresas de maior dimensão (1% das empresas) que detêm cerca de 40% do mercado e 20% de mão-de-obra (Baganha, et al., 2002). A estrutura empresarial do sector da construção é formada por grandes empresas multinacionais, empresas regionais, empresas especializadas e empresários em nome individual (INE, 1996). No entanto, as que predominam, tanto em Portugal como na maioria dos países europeus, são as pequenas empresas (até 19 empregados) (INE, 1998). Estas pequenas empresas eram responsáveis por empregar, em 1997, 60% das pessoas a trabalhar no sector. Por outro lado, as grandes empresas, que representam uma fatia muito menor no panorama do sector (apenas 0.5% do total), empregavam 20% dos efetivos no sector (Baganha, et al., 2002).
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 4 Na década 90, o sector da construção em Portugal apresentou um elevado dinamismo provocado pela aceleração da atividade económica e das descidas das taxas de juro nominais que incentivaram a construção. Este dinamismo refletiu-se em grandes projetos, como são o caso a Expo 98 ou a ponte Vasco da Gama, mas também na construção de um conjunto elevado de infraestruturas de transportes como autoestradas, ferrovias, expansão de aeroportos e pontes (Baganha, et al., 2002) A evolução acentuada do sector ao longo da década de 90 explica-se com a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1986, com a qual beneficiou de importantes fundos estruturais que ajudaram a promover o desenvolvimento de infraestruturas por todo o país. Paralelamente, a implementação progressiva de liberdade de circulação dos cidadãos de Estados membros da União Europeia (EU), a partir de 1992, e o alargamento da EU a novos Estados criaram condições que deram origem ao desenvolvimento de fluxos migratórios provocados pela evolução económica do sector da Construção Civil e Obras Públicas na EU. Relativamente a Portugal, verificou-se um fluxo constante de imigrantes dos países africanos de língua oficial portuguesa para Portugal e a saída de trabalhadores portugueses para outros países europeus, geralmente ao serviço de empresas portuguesas Baganha, et al., 2001). Apesar deste grande fluxo característico desta década, foi possível notar uma diminuição do tamanho médio das empresas, em termos de pessoal ao serviço. Entre 1990 e 1998, o número médio de trabalhadores por empresa passou de 9 para 7, o que representa uma condensação das empresas da CCOP (INE, 1998). O crescimento do sector foi progressivo desde 1990 e até entrar no século XXI, onde teve o seu fim. A principal razão deste fenómeno é o elevado número de infraestruturas no país, um menor apoio por parte da União Europeia e a uma diminuição de gastos por parte do Governo. Posto isto, evidenciou-se um crescente défice e excesso de oferta por parte do sector da Construção, que sofreu uma redução significativa do volume de negócios. Assim, deu-se começo a um período de estagnação do sector em Portugal. No entanto, a nível mundial verificava-se um forte crescimento com grandes investimentos em infraestruturas e imobiliário (Baganha, et al., 2002). Esta situação de défice interno e forte crescimento externo, levantou nas empresas do sector a necessidade de adaptação e modernização, adaptando a sua dimensão às necessidades futuras. Esta adaptação teve como base a adoção de critérios de qualidade e investimentos tecnológicos, novas técnicas e materiais e o planeamento articulado das obras entre os diversos intervenientes que, o que antigamente não se verificava (Baganha, 2002). A solução encontrada pelas empresas de construção portuguesas passou pela internacionalização das mesmas, aproveitando uma conjuntura externa favorável. Uma vez que a situação que o sector da construção evidenciava em Portugal era oposta à vivida no resto do mundo, foi possível encontrar na internacionalização uma forma de sobrevivência das empresas nacionais. Esta necessidade de procurar oportunidades que eram escassas dentro de Portugal tornou-se numa oportunidade para as empresas portuguesas de ganhar obras no exterior com elevadas margens de lucro e em contextos de pouca concorrência (Baganha, et al., 2002) Até 2008 fizeram-se notar os primeiros sinais de recuperação, no entanto, no último trimestre deste ano a crise financeira global gerou efeitos que se fizeram sentir negativamente no conjunto de atividade económica em Portugal, sendo esta ainda mais evidente no sector da construção, uma vez que a atividade da construção está intrinsecamente ligada aos aspetos críticos da crise, isto é, a crise de crédito, de confiança dos agentes económicos e a evolução dos preços dos ativos (Deloitte/ANEOP, 2009). Posto isto, a necessidade de internacionalização tornou-se praticamente obrigatória para as empresas da construção portuguesas ao deparar-se com um significativo aumento de preços das matérias-primas e a diminuição da procura a nível internacional. Ao mesmo tempo, surgiu a necessidade de aumentar o volume de negócios, investindo em projetos mais ambiciosos e desafiantes.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 5 Nos anos que se seguiram o panorama não sofreu melhorias, com reduções no número dos trabalhadores do sector da Construção na ordem dos 20%. No último ano, o volume de produção no sector da construção em Portugal desceu mais de 18%, o que representa a maior quebra de toda a união europeia (Eurostats, 2013). No primeiro trimestre de 2013 o número de desempregados da Construção inscritos no centro de emprego ultrapassou os 111 mil, em média mensal. Por outro lado, empregou 313,1 mil trabalhadores no mesmo período, provavelmente com o objetivo de trabalhar no estrangeiro (FEPICOP, 2013). Um dos motivos que levou a esta grande descida de emprego e de atividade na construção é o elevado número de construção nova que se verificou em Portugal nas últimas décadas, quer de edifícios, quer de infraestruturas. Nos últimos anos têm sido feitos cortes orçamentais mas em 2012 este corte tornouse ainda mais profundo. Por outro lado, a Associação de Empresas de Construção, Obras Públicas e Serviços (AECOPS) afirma que os cortes orçamentais e a falta de investimento público são os principais responsáveis pela crise no sector (Idealista, 2013). Estes cortes foram feitos desde que Portugal começou a receber ajuda externa e fizeram paralisar o sector da Construção (Cavaleiro, 2013). Posto isto, as empresas portuguesas de Construção têm estabelecido as suas atividades maioritariamente em países com economias emergentes ou em vias de desenvolvimento, contrariamente ao que se pode verificar na maior parte dos países europeus desenvolvidos. Esta atitude apresenta um risco de negócio mais elevado, contudo é nestas zonas que as empresas poderão vir a ter um maior retorno da internacionalização das suas atividades (Deloitte, ANEOP, 2009). Do ponto de vista estratégico, espera-se que no futuro as empresas de construção portuguesas aumentem ou mantenham a percentagem de volume de negócios em mercados externos, visto não se preverem melhorias significativas no contexto económico interno. Além disso, as empresas portuguesas procuram encontrar estratégias de consolidação dos mercados internacionais onde estão implantadas e dos processos de internacionalização em curso, isto deve-se à incerteza em relação à evolução dos mercados internacionais e aos impactos da crise económica mundial. Desta forma, é possível potenciar os meios disponíveis e os conhecimentos adquiridos nestes mercados (Deloitte/ANEOP, 2009). 2.2 EVOLUÇÃO ECONÓMICA DO SECTOR DA CONSTRUÇÃO EM PORTUGAL O sector da CCOP é um dos sectores com maior importância económica na EU, representando, em 1996, 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e de 60% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) (Nunes, 2002) . Em Portugal, a CCOP representava, em 1996, 7% do PIB, 9% do emprego e 52% da FBCF. As taxas de crescimento do produto deste Sector eram, no período 1990-1996, muito elevadas, chegando a ultrapassar a evolução do PIB, sendo o diferencial acumulado das taxas de crescimento anuais superior para o Sector da Construção (Baganha, et al., 2002). 2.2.1. VALOR ACRESCENTADO BRUTO (VAB) Como já foi dito anteriormente, a indústria da construção Portuguesa, tal como no resto do mundo, tem elevada importância no conjunto da economia. O valor acrescentado bruto é um indicador económico que permite comparar a produtividade e a evolução dos diferentes sectores de atividade económica e corresponde ao valor que um sector acrescenta a matérias, produtos e serviços utilizados, através dos próprios processos de produção e marketing (SIDS, 2013).
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 12 O instituto de desenvolvimento empresarial explica que as empresas têm uma lógica de proximidade nos seus investimentos externos. A proximidade mais importante é a de nível de desenvolvimento económico, a geográfica é a menos importante (IDE, 2009). O padrão de desenvolvimento seguido pelas empresas portuguesas tem como base a proximidade geográfica, linguística e histórica, o que pode significar alguma dificuldade em entrar em mercados com outros tipos de exigências, “a proximidade psíquica vale mais do que a física” (Simões, 1997). De acordo com um estudo de campo efetuado com 30 empresas portuguesas de diversos sectores, a maioria selecionou os países com maior proximidade cultural e geográfica para se difundirem (Pais, 2002). Figura 5 - Modelo de Internacionalização (Adaptado de Hans e Diekmen, 2001). ESCOLHA DO PAÍS Identificação e avaliação dos riscos do país Abandonar: Procurar outro país Entrar no país Investigar oportunidades de projeto Satisfaz os objetivos? Sim Não Avaliar cada projeto Esperar por projetos com mais potencial Desenvolver alternativas INTERNACIONALIZAÇÃO As opções escolhidas podem melhorar? Satisfaz os níveis mínimos de objetivos Sim Sim Não Não
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 13 2.3.3. MODELOS DE INTERNACIONALIZAÇÃO Antes de dar início a uma explicação pormenorizada dos vários modelos de internacionalização, importa referir que estes não dizem respeito a uma única teoria explicativa de aceitação global, no entanto, verifica-se uma convergência uma vez que estes modelos têm na sua base a consciencialização e gestão de recursos próprios no sentido de aplicar da forma mais adequada possível o investimento internacional de modo a criar valor. Ao mesmo tempo, é importante salientar que estes modelos estão associados, na sua maioria, à estrutura de grandes empresas pelo que têm, muitas vezes, um contexto temporal e, por esse motivo, não correspondem à realidade observada nos processos de internacionalização atuais. No entanto, é importante abordar estas metodologias de forma a contextualizar os processos de internacionalização a nível teórico (Neto, 2010). Neste contexto, identificam-se e apresentam-se, os principais modelos teóricos explicativos de internacionalização (Dias, 2007). ▪ Teoria clássica do comércio internacional: esta teoria é tida como marco a partir do qual foram realizados estudos relacionados com a internacionalização de empresas. A explicação da existência do comércio internacional é feito com base nas diferenças de preços relativos dos bens dos diversos países e os diferenciais nos preços resultariam das diversas condições de oferta e procura (Ricardo, 1817; Smith, 1776); ▪ Teoria da Vantagem Competitiva: este conceito de competitividade entre vários países é menos focado no preço e incluindo não só os fatores de produção básicos mas também as diferenças tecnológicas, o fator qualidade e os métodos de concorrência (Porter, 1990). Desta forma, defende que nenhum país é competitivo em todos os sectores e o sucesso de cada um depende da forma como as empresas de sectores interrelacionados se organizam e competem a nível global (Teixeira, et al., 2005); ▪ Teoria do Ciclo de Vida do Produto: o dinamismo da tecnologia leva a que as vantagens comparativas dos países se alterem ao longo do tempo. Assim, é possível definir três fases relativamente aos produtos a transacionar, sendo a primeira de teste e produção, a segunda caracterizava-se pela entrada dos países menos desenvolvidos no mesmo negócio e a terceira pela maturidade dos produtos (Onkvisit, 1983; Vemon, 1966); ▪ Teoria do Comportamento e Gestão das Empresas: alguns autores defendem que esta teoria relaciona o investimento internacional através do comportamento da empresa e da importância da gestão. A decisão de investimento no estrangeiro é um processo complexo, composto por um grande número de motivações (Aharoni, 1966). Para outros autores o investimento tende a efetuar-se em mercados cultural e geograficamente mais próximos, os quais são mais familiares aos gestores (reduzindo o seu risco na tomada de decisão) (Cyert e March, 1963). ▪ Teoria das Imperfeições de Mercado: a motivação das empresas na internacionalização resulta das vantagens para a própria empresa em explorar outros mercados e do desafio que advém do desconhecimento do país estrangeiro onde se decide realizar projetos com sucesso (Hymer, 1976; Kindleberger, 1969). 2.3.4. MOTIVOS QUE LEVAM À INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMPRESAS As motivações que levam às empresas a internacionalizar são muitas. Alguns autores apontam um conjunto de onze fatores (Neto, 2010). Estes fatores surgem em dois grupos diferentes: o das motivações proactivas, isto é, benefícios fiscais, vantagens em termos de lucros e tecnologias, informação exclusiva, o compromisso da gestão e as economias de escala; e o das motivações reativas,
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 14 como o excesso de capacidade produtiva, a saturação do mercado doméstico, as pressões da concorrência e proximidade de clientes e portos de desembarque (Czinkota, et al., 1999). Paralelamente, surge outra proposta mais abrangente e complementar que contempla as motivações reativas, proactivas e mistas, onde estas últimas se enquadram nas duas primeiras (Brito, 1999). É importante, também, referir as razões que justificam a internacionalização de várias empresas sem historial internacional: sinergias em termos de estruturas de custos, redução de risco de negócio pela diversificação, colaboração com empresas e instituições públicas, domínio dos mercados, vantagens absolutas a nível de domínio de recursos e acima de tudo o aumento da sua faturação (Viana, 2005). Assim sendo, é possível separar estas seis razoes em três grupos: as oportunidades estratégicas, a vontade de crescimento e os mercados, clientes, concorrentes, custos e natureza do negócio (Viana, 2005). As motivações para a internacionalização podem, deste modo, ser agrupadas, de forma sumária, em dois grandes grupos que se relacionam (Figura 6). Figura 6 - reativas e proactivas que levam à internacionalização (Adaptado de Lorga, 2000). 2.4. A INTERNACIONALIZAÇÃO EM EMPRESAS DO SECTOR DA CONSTRUÇÃO Construção internacional define-se pela execução de trabalhos num país por uma empresa residente noutro país. No entanto, esta definição é demasiado simples, pelo que pode conduzir a interpretações erradas (Mawhinney, 2001). Este tipo de construção distingue-se da Construção nacional em várias Motivações Reativas Motivações Pro-ativas Estratégia de crescimento Oportunidade criada num mercado novo Proximidade geográfica, cultural e/ou linguística Redução dos custos e/ou aproveitamento da economia de escala Redução do risco Apoios governamentais Aproveitamento da imagem do país Internacionalização por “arrastamento” Condições imperativas do negócio
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 15 áreas, sendo composta por uma combinação de capacidades de negociação e gestão onde estão envolvidos fatores de mobilidade de produção. A globalização de mercados internacionais permite que empresas locais compitam internacionalmente. Porém, as decisões de internacionalização num novo país têm muitas incertezas associadas, não só as que surgem na Construção em geral, mas também ao nível dos projetos internacionais. As empresas devem ter a capacidade de reconhecer as suas próprias condições e se se encontra apta para realizar potenciais projetos em ambiente internacional. Este reconhecimento deve ser feito antes de se dar início ao processo de internacionalização. Long et al. (2004) reforçam a importância de existir uma monitorização e manutenção de um historial de experiências passadas (Track Record), definindo cinco principais fatores que recorrentemente são problemáticos: a incompetência de projetistas e construtores, a má estimativa e planeamento de obras, problemas sociais e tecnológicos, problemas relativos ao local de obra e a má aplicação de técnicas construtivas. Uma empresa que esteja a considerar uma expansão internacional deve, inicialmente, avaliar as suas capacidades relativas à Construção internacional, passando, de seguida, por uma análise ponderativa tendo em conta as ameaças e oportunidades que deste tipo de construção advêm (Gunhan e Ardhiti, 2005). Depois de concretizadas estas duas fases, a empresa deve analisar os riscos associados ao país em que pretende construir de forma a garantir as qualificações necessárias para operar no mesmo. Os problemas de tomada de decisão são complexos e comuns numa infinidade de áreas. A procura de soluções para estes problemas vem de tempos remotos, tendo como apoio raciocínios dedutivos, a fim de validar e guiar as escolhas feitas pelo homem. Muitos autores estabeleceram a relação entre a atividade da Construção e o desenvolvimento económico, sublinhando que a evolução do desenvolvimento de um país provoca um decréscimo no volume de negócios do sector da Construção, contribuindo assim de uma forma menor para a Economia. Este fator poderá ser o fator chave na escolha de países emergentes como mercado a investir (Ngowi, et al., 2005). 2.4.1. A ESCOLHA DE PAÍSES NA INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS DO SECTOR DA CONSTRUÇÃO De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI, 2012), não existe um consenso entre as várias escolas de pensamento económico sobre a definição de desenvolvimento de um país. No entanto, é comum estabelecer o grau de desenvolvimento de um país através da comparação de estatísticas como o PIB per capita, expectativa de vida e grau de alfabetização. A ONU (UN, 2001) desenvolveu o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), um índice composto de vários parâmetros, que estabelece um indicador de desenvolvimento humano para os países onde os dados são disponíveis, sendo que os países em desenvolvimento possuem valores baixos para esses indicadores em relação aos valores obtidos pelos países considerados desenvolvidos. Os termos mais utilizados referentes ao desenvolvimento dos países são o termo LDC (Low Development Country), ou país menos desenvolvido e "países mais desenvolvidos economicamente", primeiro mundo ou países industrializados para o grupo de países desenvolvidos, ambos utilizados pela ONU. Existem alguns países que se encontram no limite dessas duas definições, do qual se nota o grupo conhecido como BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), com eventual inclusão do México e da África do Sul. Esses países, apesar de serem industrializados e terem um grande peso económico no cenário global, falham na distribuição equitativa de receitas, fazendo com que haja pobreza e problemas estruturais. Em contrapartida, há países menos industrializados e de baixa projeção económica mundial, mas que conseguem manter um certo nível de bem-estar social. Esses países encontram-se principalmente no Leste Eropeu e no Cone Sul (composta pelas zonas sul da América do Sul) (Bozyk, 2006). Desta forma, é possível definir países emergentes como:
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 16 ▪ Países emergentes de uma forma geral: são países que estão a passar por um processo de globalização, abrindo as suas fronteiras ao fluxo internacional de comércio e investimentos. Consequentemente, tal país ou mercado torna-se um local onde os investimentos são vistos como alvos atrativos para investidores que procuram lucros e níveis produtividade mais altos (Bozyk, 2006). ▪ Países emergentes economicamente: são países cuja economia é forte ou muito forte, muitas vezes comparável com a de países do Primeiro Mundo, como é o caso do Brasil (UN, 2001). ▪ Países emergentes socialmente: são países com uma sociedade comparável com a dos países do Primeiro Mundo, contudo não têm ainda um impacto económico forte como os países emergentes economicamente, mas têm os sectores da educação, saúde e saneamento desenvolvidos. Estes países estão mais próximos dos países desenvolvidos do que os países emergentes economicamente, uma vez que os últimos têm grandes deficiências sociais (UN, 2001) Pelo grande risco que se corre na Construção internacional apenas 19% das atuais “top 400 contractors” apostam em mercados emergentes, apesar da revista Engineering News-Record sublinhar as grandes oportunidades esperadas no sector da Construção nos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos (ENR, 2008). 2.4.2. SECTOR DA CONSTRUÇÃO E O MERCADO INTERNACIONAL Desde o início dos anos 80, foram lançados, em muitos países, programas de privatização relativamente vastos e profundos, que diminuíram as regulamentações públicas e rígidas que antes bloqueavam os mais variados sectores de atividade económica (Mawhinney 2001). No plano externo, numa base unilateral, multilateral ou de integração económica por grupos de países (União Europeia), têm sido eliminadas barreiras ao comércio, bem como removidos obstáculos ao movimento de capitais (Ngowi et al. 2005). Inclusive a circulação internacional de trabalhadores aumentou significativamente (Proverbs, et al., 1999), apesar dos entraves que ainda hoje existem. No que diz respeito à circulação de pessoa, a paisagem da economia mundial tem mudado de forma expressiva. A criação das normas ISO (Internacional Standards Organization) estabeleceu no mundo um guia de aprovação e aceitação de produtos ou serviços, permitindo assim a facilidade de comunicação no que diz respeito à qualidade. (Bozyk 2006) O mercado da Construção representa neste momento uma grande fatia do volume de negócios produzido no mundo. De acordo com um estudo elaborado pela Deloitte/ANEOP (2009), o volume de negócios internacional representava em 2008 mais de 30% do volume de negócios das maiores 50 empresas da Europa, tendo-se esperado, segundo Hazelton (2009), um crescimento de 4.6% até 2011. A natureza e a direção da Construção internacional dependem da distribuição global da atividade de Construção, bem como da distribuição da riqueza (Han, et al. 2008). Na maior parte dos países, a sua economia é afetada por empresas de países industrializados, e mesmo quando dentro do próprio não existe uma economia favorável, a necessidade de crescimento das empresas pode ultrapassar fronteiras e estabelecer-se noutro país. Deste modo, todas as empresas devem planear a sua sobrevivência e o seu crescimento com base num mundo de competição global. Com a constante mutação do mercado internacional, as empresas de Construção sentem a necessidade de desenvolver estratégias aprofundadas de análise da capacidade da concorrência e de ter uma capacidade de resposta às mudanças rápidas das condições de mercado. Na economia global nenhum mercado está seguro e as empresas encontram competição com empresas estrangeiras em qualquer
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 17 mercado internacional. Mesmo quando as empresas optam por não alargar o seu mercado ao nível internacional, estas acabam por ter competição estrangeira no seu próprio país (Gunhan e Arditi 2005). Em Portugal, as empresas de construção, principalmente as de grande dimensão, têm conseguido, ao longo dos anos, promover empreitadas em mercados externos que apresentam grande crescimento. No entanto, nos últimos anos o número de pequenas e médias empresas (PME) a entrar no mercado internacional tem vindo a aumentar significativamente devido à necessidade crescente de obter novos projetos e novos mercados.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 18
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 19 3 ANÁLISE E GESTÃO DE RISCO 3.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS A análise e gestão de risco são cruciais no bom desempenho de qualquer empresa. Estas são ainda mais importantes quando se trata de novos mercados em novos países. A internacionalização veio, desta forma, reforçar o papel da análise e gestão de risco nas empresas de qualquer sector. Segundo o presidente do departamento britânico de gestão de risco Neil Lerner, “Apesar de não ser possível eliminar por completo o risco, podemos geri-lo. O custo de uma gestão de risco eficaz é mínimo quando comparado com o custo de o fazer de forma errada. Quando é feita de uma forma errado, é que realmente custa” (ENR 2008). 3.2. RISCO, ANÁLISE DE RISCO E GESTÃO DE RISCO “Risco” refere-se à probabilidade condicional de ocorrência de um acontecimento específico (e.g., falha numa barragem, colapso de uma ponte, queda de um avião) combinado com alguma avaliação (e.g., uma perda ou avaria funcional) de consequências de um acontecimento (e.g., ferimentos, morte, perda de propriedade) (Kolluru et. al., 1996). O risco é considerado como função de vários fatores, nomeadamente, da natureza do perigo, da possibilidade de contacto (potencial de exposição), da característica das populações expostas (recetores), da possibilidade de ocorrência, e da magnitude das exposições e consequências, bem como da existência de valores públicos (Kolluru et.al., 1996). O risco depende das incertezas dos projetos, nomeadamente a variabilidade da duração e os custos das atividades dos projetos (Tavares et al., 1998). A “Avaliação de Risco”, é o processo de estimativa de probabilidade de ocorrência de um determinado acontecimento e a provável magnitude de efeitos adversos (em termos de segurança, saúde, ecologia, ou economia) durante um determinado período de tempo (Kolluru et.al., 1996). A “Análise de Risco” e “Avaliação de Risco”, são termos frequentemente utilizados como sinónimos, embora a análise de risco seja mais vasta incluindo os aspetos de gestão de risco (Kolluru et.al., 1996). A “Gestão de Risco” tem como objetivo minimizar o eventual impacto negativo resultante da sua materialização, ao nível de uma empresa e dos seus stakeholders, bem como avaliar relações de
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 20 retorno – risco tendo em vista a aplicação de soluções de otimização do portefólio de negócios (EDP, 2013). Segundo Cooper e Chapman (1987), a gestão de risco é o estudo da tendência e da probabilidade de perdas e falhas num projeto internacional de Construção, e valoriza assim a importância de sistematizar meios para conseguir contrariar estes factos. Um sistema de gestão de risco visa identificar e quantificar todo o risco no qual o negócio ou projeto está exposto, para que possam ser tomadas medidas (Yng e Hoi, 2006). Zou et al. (2007) referem o sistema de gestão de risco como uma potencial solução em consequências de eventos ou atividades que possam vir a ser negativas ou prejudicais. 3.2.1. A IDENTIFICAÇÃO DO RISCO A identificação do risco tem como principal objetivo encontrar os diversos tipos de risco e as suas origens em determinado mercado, agrupando esses riscos de forma a poder estabelecer relações entre eles (Bu-Qammaz et al., 2009). Os riscos identificados deverão ser agrupados numa lista, dividida na especialidade que cada analista representa. Nesta fase qualquer risco não identificado, não será avaliado numa fase posterior. A empresa terá assim de assumir esse risco (Bu-Qammaz et al., 2009). Para além dos riscos ocorridos e associados a um projeto nacional, um projeto internacional soma os riscos associados ao país em desenvolvimento, como riscos políticos, económicos e culturais. Yng e Hoi (2006) estabelecem a identificação de risco em dois diferentes passos: o primeiro consiste na identificação e divisão do risco em natural e humano: Natural: ▪ Meteorológico ▪ Geológico Humano: ▪ Politico: define-se através da interferência do governo local na conduta normal de negociações e inclui a guerra, a desordem civil e ações na indústria que afetem o progresso do projeto; incluem-se ainda as expropriações, atrasos nas aprovações, corrupção e mudanças nas leis. ▪ Económico: encontram-se relacionados com o fornecimento de materiais, fornecimento de mão-de-obra, disponibilidade de equipamentos, inflação, tarifas e impostos, políticas fiscais e taxas de câmbio. ▪ Financeiro: relevam a taxas de juro, créditos, fornecimento de capital, flutuação de mercado. ▪ Legal: está associado a contratos, cláusulas, regulamentações e códigos. ▪ Gestão: relativo à produtividade, garantia de qualidade, controlo de custos, gestão de recursos humanos, segurança, qualidade, defeitos na produtividade e competência. ▪ Técnico: inclui os erros de equipamento e sistemas, erros de projeto, colisões e acidentes, erro de acesso local e erro em nova tecnologia. ▪ Social: encontra-se relacionado com atos criminosos, problemas de integração e problemas religiosos. ▪ Cultural: ocorre por diferenças de religião e culturais; a cultura europeia é uma cultura de confronto, isto é, existe pouco respeito pela hierarquia e recorre-se frequentemente à argumentação sempre que surgem desentendimentos com culturas diferentes. O segundo passo consiste na identificação do risco tendo como base os fatores consequência, tipo e impacto. Cooper e Chapman (1987) dividem a identificação do risco em 4 grupos: ambiente, indústria,
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 21 cliente e projeto. Zhi (1995) e Zou et al. (2007) identificam os riscos de uma forma semelhante, distinguindo: ▪ Nação/região: onde estão incluídos a situação política, económica e financeira, e o ambiente social; ▪ Indústria da Construção: onde estão incluídas a flutuação de mercado, leis e regulamentos, medidas standard e códigos, sistemas de contratação; ▪ Empresa: que compreende empregado/dono, arquiteto, mão-de-obra e subcontratação, materiais e equipamento, problemas internos; projeto, que considera os deficientes problemas físicos, atrasos não programados e derrapagens orçamentais. Enquanto alguns autores descrevem os riscos gerais relativamente à Construção internacional, outros focam os seus estudos em riscos de áreas específicas, como o risco político (Adams 2008; Mahalingam e Taylor, 2004), diferenças culturais, de projetos internacionais (Chua et al., 2003; Chan e Tse 2003; Pheng e Leong 2000) e risco relativos à regulamentação, contratação e diferenças nas regras construtivas (Walker e Johannes, 2003; Mahalingam e Taylor, 2004). Pheng e Leong (2000) e Chan e Tse (2003) apontam as considerações culturais como uma das áreas que mais pode afetar, de uma forma negativa, empresas que se internacionalizam. A diversidade cultural não pode de forma alguma ser ignorada, ou evitada. Um melhor entendimento no que diz respeito aos fatores culturais vai ajudar a reduzir e gerir conflitos que surgem em projetos de Construção internacional. Desta forma, é possível criar uma base de dados global, que permita às empresas consultar e compilar, os fatores de risco que são mais apropriadas a cada país. 3.2.2. A AVALIAÇÃO DO RISCO Hillson e Hulett (2004) afirmam que o risco pode ser definido em duas dimensões: a incerteza (probabilidade de ocorrência) e o efeito (impacto), sendo que uma boa avaliação do risco envolve uma boa avaliação de ambas as dimensões. Depois de identificar os diferentes modos de risco, estes são processão de forma a ser divididos em dois grupos diferentes, objetivos ou subjetivos. Depois de feita esta separação, os riscos identificados são analisados consoante o seu impacto no projeto (Zhi, 1995). A avaliação de riscos objetivos é, regra geral, feita através de probabilidades que têm como base a experimentação ou cálculos analíticos. A análise de riscos subjetivos, por outro lado, é qualitativa e baseada em conhecimentos e experiência. Os riscos subjetivos correspondem à maior parte dos riscos associados à Construção e esses são os mais difíceis de ser avaliados uma vez que a eles está associada uma grande incerteza (Proverbs et al., 1999). O desempenho de um projeto está dependente de acontecimentos que possam pôr em causa o projeto e os riscos do projeto, a probabilidade é a forma de medir esses riscos (Tavares et al., 1998). Antes de começar a avaliar o risco, é necessário começar por identificar os fatores de risco e quantificar o impacto desses fatores no sucesso do projeto (Akintoye e MacLeod, 1997). Segundo Dikmen e Birgonul (2006), a avaliação do risco em projetos internacionais é uma tarefa bastante complicada devido à sensibilidade relativa aos riscos de cada país e do projeto em si. Quem toma as decisões tem bastante dificuldade em pesar a relação oportunidade versus risco, sendo que as oportunidades podem ser medidas segundo o que se espera do desempenho de um projeto. Zhi (1995) acrescenta que uma gestão eficiente dos riscos pode ajudar a entender não apenas os tipos de riscos a que estamos expostos, mas também como controlar esses riscos nas diferentes fases de um projeto. O controlo sobre um projeto implica que cada projeto deve responder a objetivos, estes devem focar perspetivas extremamente importantes como a duração, custos, benefícios, recursos consumidos
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 28 o Apreciação do risco o Elaboração do plano de atividade e investimento o Controlo da atividade desenvolvida Na Figura 10 é apresentado um fluxograma do processo de desenvolvimento de negócios/Prospeção Comercial e as suas principais fases. Figura 10Fluxograma do Processo de Desenvolvimentos de mercados (Adaptado de entrevista a uma das empresas). ▪ Monitorização do mercado: aqui é feita a atualização dos documentos de análise de risco sempre que tal seja justificável. Desenvolvimento de Propostas Sempre que é identificada uma oportunidade de negócio, quer seja no mercado nacional ou internacional, é necessário seguir um conjunto de procedimentos que auxiliem na decisão de avançar ou não com o projeto (Entrevista a uma das empresas, 2013). Na Figura 11 é apresentado um fluxograma do processo de desenvolvimento de propostas. Desenvolvimento de Negócios Prospeção Comercial Identificação da oportunidade Elaboração da Análise do Mercado Apreciação do Risco de Mercado Planeamento da Atividade e do Investimento
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 29 Figura 11 – Fluxograma do processo de desenvolvimento de propostas (Adaptado de entrevista a uma das empresas). Realização de Projetos A fase de Realização de Projetos pode ser dividida em três atividades cruciais: o plano de gestão de risco, a monitorização dos projetos e o encerramento de projetos. ▪ Plano de Gestão de Riscos: consiste na elaboração de um documento quando solicitado pelo cliente na fase de realização dos projetos; ▪ Monitorização dos Projetos o Elaboração de uma check list e possível revisão/atualização da análise de risco feita anteriormente o Recolha de informação que permita realizar um registo de indicadores de desempenho económico, com vista a acompanhar o desenvolvimento económico da obra; e o registo dos indicadores de desempenho contratual ▪ Encerramento de Projetos o Encerramento da empreitada com respetivo relatório de contas o Emissão de um relatório com os fatores de sucesso e as falhas ocorridas durante todo o projeto para ser consultado num projeto futuro Na Figura 12 é apresentado o fluxograma síntese da fase de realização de projeto. Desenvolvimento de Negócios Prospeção Comercial Identificação dos riscos Identificação da oportunidade Análise do processo do concurso Solicitações, apoios e consultas Identificação dos riscos recorrentes Cash-flow e/ou cronograma financeiro Pedido de apoio a áreas técnicas Identificação de novos riscos e medidades de mitigação
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 30 Figura 12 - Fluxograma do processo de realização do projeto (Adaptado de entrevista a uma das empresas). 3.4. ESTRATÉGIA DE ENTRADA EM NOVOS MERCADOS: PARCERIAS Como foi explicado anteriormente, existem inúmeros riscos associados à entrada de empresas do sector da construção em novos mercados, nomeadamente em mercados internacionais. De forma a contrariar estes riscos, surgiu a necessidade de criar estratégias que ajudassem a combater os mesmos. Posto isto, o conceito de vantagem estratégica tem sido bastante discutido nos últimos anos (Gama, 2011). Paralelamente, o desenvolvimento dos Free trade blocks, a Asian Pacific Economy Corporation (APEC), ou a North America Free Trade Agreement (NAFTA) e a União Europeia (E.U.) incentivaram à formação de parcerias e/ou à abertura de empresas satélite em novos países (Han e Diekmann 2001). Outra das estratégias geralmente aplicada é a de aquisição de empresas existentes, de forma ganhar acesso a clientes ou equilibrar e ultrapassar barreiras relativas à cultura, etnia e outras características importantes. Esta última abordagem é, de facto, válida na criação de uma presença local ou regional, mas é dispendiosa e altamente arriscada, por operar em ambientes desconhecidos (Gama, 2011). A melhor forma, segundo Walker e Johannes (2003), de responder aos potenciais riscos, seria formar uma joint-venture, ou parcerias, com empresas locais e absorver a cultura local e organizacional. Parceria é uma associação de empresas que pode ser definitiva ou não, com fins lucrativos para explorar determinados negócios. Difere da sociedade comercial (partnership) porque se relaciona a um único projeto cuja associação é dissolvida automaticamente após o seu término (Ozorhon et al. 2007). Segundo Sousa (2008) é possível distinguir equity joint ventures e non equity joint-venture, podendo chamar consórcio (non equity joint venture) ao que não é dotado de personalidade jurídica, e ACE (equity joint venture) ao dotado de personalidade jurídica. As parcerias são bastante complexas e difíceis de gerir, pois envolvem duas ou mais entidades diferentes, com objetivos e estratégias competitivas (Ozorhon et al., 2007). Uma vez que cada projeto é único, os fatores específicos do projeto são muito importantes para o sucesso de uma parceria. Obra Adjudicada Identificação dos riscos Identificação dos riscos Identificação da oportunidade Identificação da oportunidade Análise do processo do concurso Solicitações, apoios e consultas Identificação dos riscos recorrentes Cash-flow e/ou cronograma financeiro Pedido de apoio a áreas técnicas Identificação de novos riscos e medidades de mitigação
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 31 Existe um grande número de vantagens em realizar uma parceria, entre elas, inclui-se o acesso ao mercado local, alargamento das áreas de influência da empresa em termos de tamanho e objetivos, maior experiência, capacidade de escolha de trabalhadores em vez de recrutamento num mercado externo, acesso a varias áreas do mundo sem correr todos os riscos que daí resultam, e ganhar a capacidade de gerir várias frentes internacionais (Gama, 2011). Por outro lado, apesar das inúmeras vantagens associadas às parcerias numa experiência de internacionalização, a adaptação não é simples e gerir as parcerias internacionais é uma tarefa com alguma dificuldade (Boateng e Glaister, 2002). Ao procurar uma parceria, as empresas devem preocupar-se com o impacto que esta tem no país anfitrião e devem ser ponderados uma vez que é importante avaliar as capacidades técnicas e organizacionais da parceria para que estas sejam semelhantes à estrutura da própria estrutura da empresa, compartilhando objetivos e motivações. Como já foi referido anteriormente, quando uma empresa de construção internacional entra num novo mercado, está sujeita a uma grande incerteza. Esta incerteza é causada por riscos políticos, económicos, estruturais, ambientais, de mercado, de produção e sociais (Gama, 2011). Destes riscos, consideram-se mais importantes os que podem ser amenizados através de uma parceria, ou seja, os riscos políticos, uma vez que estes condicionam a operacionalidade da empresa, como as importações, leis e regulamentação; e a macroeconomia, inflação, flutuação da moeda, taxas e impostos (Ozorhon et al., 2007). A força do sistema legal do país anfitrião e a qualidade das relações entre empresas parceiras e o governo local são aspetos muito importantes para a formação e operacionalidade de uma joint-venture, já que é o sistema legal que resolve os conflitos e disputas relacionado com os contractos. Estas parcerias são mais lucrativas quando formadas com os governos dos países anfitriões comparativamente às que são formadas com sectores privados (Boateng e Glaister, 2002). A definição de que os clientes apenas procuram projetos únicos, onde são cumpridos orçamentos e prazos a uma qualidade média está a acabar (Egemen e Mohamed, 2006). Alguns estudos sugerem que pode haver grandes benefícios de uma segmentação de mercado, com uma vontade cada vez maior da parte dos clientes de voltarem a trabalhar com a mesma empresa de Construção, se ficarem totalmente satisfeitos. Logo, a capacidade de construir e manter relações, utilizando ferramentas e estratégias de marketing, pode ser um fator chave para se evidenciarem num mercado competitivo (Martins, 2010).
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 32
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 33 4 CASO DE ESTUDO 4.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS De forma a concretizar os objetivos propostos no início desta dissertação, decidiu-se investigar a realidade do mercado nacional na IC. Para isso, surgiu a necessidade de ter um contacto direto com algumas das empresas do sector da construção portuguesas, para que estas pudessem esclarecer os fatores mais importantes na tomada de decisão da internacionalização e os respetivos riscos inerentes aos mercados externos. Desta forma, foi realizado um inquérito com o intuito de entrevistar colaboradores das empresas do sector, dividindo-o em construtoras e consultoras de engenharia civil. 4.2. ELABORAÇÃO DO INQUÉRITO E UNIVERSO DE ESTUDO Como se pretende saber a realidade das empresas da IC em Portugal, foram escolhidas algumas empresas tendo em conta a sua representatividade a nível nacional. Assim, foram contactadas dezassete empresas, das quais oito construtoras e nove consultoras de engenharia civil, a pedir a colaboração das mesmas para o estudo desta dissertação. Com o intuito de obter respostas mais concretas e corretas, sem correr o risco de interpretações erradas do inquérito, decidiu-se realizar entrevistas pessoais a profissionais com cargos relacionados com a área internacional. Desta forma, seria possível obter respostas a perguntas que não estão indicadas no inquérito, resultantes no decorrer da entrevista. Relativamente ao inquérito (Anexo 1), este foi realizado tendo como base uma revisão bibliográfica, este encontra-se dividido em três secções diferentes: na primeira é feito o perfil da empresa, identificando as suas características gerais; na segunda é indicado o processo de internacionalização; por fim, na terceira secção aborda a análise e gestão de risco em si, identificando alguns dos fatores mais importantes. É também importante referir que foi feita uma página de rosto que tem como função explicar os objetivos do inquérito e indicar a confidencialidade do mesmo. As empresas foram contactadas maioritariamente através de correio eletrónico, no qual eram explicados os objetivos, metodologia e duração esperada da entrevista. Estes correios eletrónicos começaram a ser enviados em Maio e a primeira entrevista foi realizada na segunda semana do referido mês. A sétima, e última, entrevista foi realizada na primeira semana de junho. Inicialmente foram contactadas 9 empresas, das quais apenas 4 responderam e realizaram a entrevista. Numa fase posterior, uma vez que não se obteve resposta das outras empresas, foi enviado uma segunda mensagem de correio eletrónico a mais 8 empresas, das quais 5 responderam. No entanto,
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 34 apenas foram realizados mais 3 entrevistas, uma vez que as outras duas não responderam ao pedido de agendamento da entrevista. Assim, foram realizadas na totalidade sete entrevistas, duas das quais foram a construtoras, de classe 9, e as outras quatro a consultoras de engenharia civil. Depois de realizadas as primeiras três entrevistas, surgiu a necessidade de alterar algumas questões do inquérito. Assim, a pergunta 2.2 foi eliminada, uma vez que tinha interpretações ambíguas e as respostas eram repetidas nas alíneas seguintes. Os quadros das perguntas 2.3 e 2.4 (que na segunda versão passam a 2.2 e 2.3) foram eliminados uma vez que as respostas dadas pelos entrevistadores não se enquadravam no formato dos quadros. Finalmente, a pergunta 2.6 (que na segunda versão passou a 2.5) foi alterada, de forma a ser mais apropriada ao tipo de resposta dada pelos entrevistados. Algumas destas alterações foram sugeridas pelos próprios entrevistados e outras foram feitas devido à falta de clareza de algumas questões. A versão final do inquérito encontra-se no Anexo 2 desta dissertação. 4.3. ANÁLISE DOS RESULTADOS 4.3.1. CARACTERÍSTICAS GERAIS DA EMPRESA De forma a fazer uma análise da gestão de risco feita pelas empresas da IC na internacionalização, é importante saber o perfil da empresa. Assim, é possível encontrar semelhanças e divergências entre os vários perfis analisados. 4.3.1.1. Perfil de atividade da empresa Como já foi dito anteriormente, das empresas entrevistadas, 2 eram construtoras e 5 consultoras. Estas empresas são especializadas em diversas áreas de atividade, sendo algumas, como é o caso do projeto, com 7 respostas, mais comuns e outras menos comuns, como é o caso da fiscalização, com apenas 4 respostas. A gestão de empreendimentos e infraestruturas são também áreas de atividade comuns nas empresas. Na opção ‘Outra’, as construtoras disseram que a construção de todo o tipo é a principal atividade de ambas empresas. Na Figura 13 é possível observar as diferentes áreas de trabalho de cada uma das empresas. Figura 13 – Áreas de atividade das empresas. 7 4 6 6 3 Projeto Fiscalização Infraestruturas Gestão de empreendimentos Outra Tipo de projetos
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 35 4.3.1.2. Número de anos de atividade da empresa O leque de empresas entrevistadas vai desde um único ano de atividade até aos 95 anos de atividade no sector da construção. No entanto, quatro das empresas entrevistadas têm mais de 25 anos de experiência enquanto apenas uma tem menos de 10. Desta forma, é possível afirmar que há um universo de inquiridos experientes. Na Figura 14 é possível ver a distribuição do número de anos de atividade da empresa em três grupos etários. Figura 14 – Número de anos de atividade das empresas. 4.3.1.3. Atividade da empresa em mercados internacionais ▪ Número de anos de atividade em mercados internacionais De forma a entender se existe uma relação entre o que foi dito no Capítulo 1 e a realidade das empresas, foi inquirido o número de anos de atividade em mercados internacionais. Assim, foi possível verificar que mais de metade das empresas (4) deu entrada em mercados internacionais nos últimos 5 a 10 anos e, em segundo lugar, encontram-se as empresas cuja entrada em mercados internacionais começou há mais de 10 anos. É também importante referir que ambas as construtoras entrevistadas responderam que têm atividade em mercados internacionais há mais de dez anos, com quarenta e trinta e quatro anos respetivamente. Estes números confirmam a tendência das empresas relacionada com o contraciclo vivido pelo sector da construção. Paralelamente, estes números mostram uma grande experiência relativamente à internacionalização por parte das empresas inquiridas. Na Figura 15 é possível observar os resultados obtidos nas entrevistas. Figura 15 – Número de anos de atividade da empresa em mercados internacionais. 1 2 4 <10 anos 10-25 anos >25 anos 1 4 2 <5 anos 5 - 10 anos >10 anos
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 36 ▪ Existência de departamento destinado à internacionalização dentro das empresas De forma a perceber como as empresas lidam com a internacionalização e qual a preparação interna que têm para entrar em novos mercados fora de Portugal, questionou-se às empresas sobre a existência de um departamento exclusivo a projetos internacionais. Na Figura 16 é possível observar que 5 das empresas inquiridas afirma ter um departamento dedicado à internacionalização na sua empresa. No entanto, estes departamentos não são exclusivos à internacionalização. O que se verifica é a existência de departamentos destinados à área comercial da empresa ou à análise de risco em projetos aos quais pertencem os projetos internacionais. Tendo em conta a importância que a internacionalização tem, nos dias de hoje, nas empresas portuguesas, seria de esperar que fizesse parte da estrutura organizativa das mesmas um departamento dedicado exclusivamente à internacionalização. A existência deste tipo de departamento indica a complexidade da atividade da empresa, uma vez que a internacionalização das empresas deve ser analisada com cuidado e de forma personalizada, isto é, devem ser analisados os diferentes países e projetos isoladamente. Através das empresas que responderam que não tinham um departamento destinado à internacionalização (2 das 7) é possível perceber como a internacionalização tem um grande peso na responsabilidade da administração de algumas empresas. Mais uma vez, a complexidade do processo de internacionalização parece indicar que este processo deverá ter uma delegação própria dentro da empresa. Figura 16 – Existência de departamento destinado à internacionalização nas empresas. ▪ Países escolhidos pelas empresas As empresas foram questionadas acerca dos países nos quais trabalham e foi-lhe pedido que os ordenassem segundo o valor total de faturação anual nos mesmos. Ao analisar as respostas dadas, é possível evidenciar que os países escolhidos pelas empresas portuguesas, apesar de serem muitos e geograficamente distantes, têm alguns pontos comuns. De forma a analisar da forma mais correta possível as respostas dos entrevistados, foi calculada uma média ponderada da importância de cada um dos países, segundo a frequência com que eram indicados e a faturação anual de cada um deles. Posteriormente, foram separados os resultados obtidos pelas construtoras dos resultados obtidos pelas consultoras, com o objetivo de detetar possíveis diferenças e semelhanças. O resultado obtido pode ser observado nos Quadros 4, 5 e 6. Paralelamente, foi criada a Figura 17, onde é possível ver a distribuição dos países escolhidos pelas empresas portuguesas para entrar em mercados internacionais por ordem de importância, onde os mais importantes se encontram a cor mais escura e os menos importantes a cor mais clara. 5 2 Sim Não
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 37 Figura 17 – Países escolhidos pelas empresas por ordem de importância.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 44 Finalmente, é importante referir que o aspeto menos importante para as empresas entrevistadas é a distância geográfica entre países, com três respostas a indicar que é ‘Pouco importante’. No entanto, duas empresas indicaram que este aspeto é ‘Importante’. Ambas as empresas disseram sentir dificuldade na entrega atempada de materiais e/ou equipamentos de outros países para o país de destino. Esta dificuldade é sentida principalmente em países emergentes do continente africano. Figura 23 – Valores médios dos aspetos gerais na escolha de um novo mercado para as construtoras. Figura 24 – Valores médios dos aspetos gerais na escolha de um novo mercado para as consultoras. 4,00 4,00 4,50 4,00 4,00 4,00 4,00 3,50 4,00 4,00 3,50 4,00 4,50 2,00 0 1 2 3 4 5 Tamanho do projeto Duração do projeto Condições de pagamento Tipo de projeto Tipo de cliente Experiência da empresa em projetos do mesmo tipo Experiência da empresa no país de destino Capacidade financeira da empresa Capacidade técnica da empresa Capacidade de gestão da empresa Percentagem de trabalho subcontratado Existência de parcerias Capital a investir Distância geográfica entre países Média Máximo Mínimo 3,40 2,80 4,20 4,40 4,00 4,20 3,20 4,60 4,20 3,80 3,43 4,60 4,80 3,20 0 1 2 3 4 5 Tamanho do projeto Duração do projeto Condições de pagamento Tipo de projeto Tipo de cliente Experiência da empresa em projetos do mesmo tipo Experiência da empresa no país de destino Capacidade financeira da empresa Capacidade técnica da empresa Capacidade de gestão da empresa Percentagem de trabalho subcontratado Existência de parcerias Capital a investir Distância geográfica entre países Aspetos gerais Máximo Mínimo
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 45 4.3.2.4. Importância das parcerias para as empresas Segundo todos os entrevistados, as parcerias desempenham um papel muito importante na internacionalização das empresas de construção civil. Segundo as empresas entrevistadas, as parcerias locais são as mais importantes. Isto deve-se ao facto de permitirem que as empresas entrem num mercado desconhecido e no qual não são conhecidas aliadas a empresas que têm reputação, credibilidade e contactos no país estrangeiro, facilitando o processo inicial de reconhecimento do mercado e de aceitação por parte do país de destino. Ao mesmo tempo, as parcerias locais oferecem, geralmente, apoio técnico, financeiro e comercial às empresas, o que as torna ainda mais vantajosas. Estas parcerias são as mais importantes quando se trata de países novos, nos quais ainda não se realizou nenhum projeto. Em segundo lugar, as parcerias técnicas, são importantes pois ajudam a equilibrar possíveis áreas mais fracas da empresa, fortalecendo a sua imagem fora do país. As parcerias governamentais e institucionais são importantes para alguns tipos de projetos, no entanto, não são cruciais para o bom desempenho das empresas no estrangeiro. Em conclusão, é possível afirmar que todo o tipo de parcerias ajuda a diminuir o nível de risco para as empresas da IC portuguesa, sendo que algumas são consideradas obrigatórias para o sucesso das mesmas em mercados internacionais. 4.3.2.5. Importância da distância geográfica para as empresas Para as empresas, a distância geográfica é, hoje em dia, um fator de pouco valor para as empresas uma vez que a comunicação ou até mesmo ligação entre países distantes consegue ser feita sem grandes inconvenientes. Apenas em casos pontuais surgem problemas com a entrega de equipamentos ou materiais necessários. Por outro lado, a distância geográfica traz alguns incómodos em relação aos colaboradores e trabalhadores das empresas uma vez que, em muitos casos, implica a transladação dos mesmos por temporadas mais ou menos longas fora de Portugal. Os fusos horários podem, também, resultar em alguns inconvenientes para as empresas nacionais, nomeadamente a nível de comunicação entre os dois países ou resolução de problemas em tempo real. 4.3.2.6. Disponibilidade por parte dos colaboradores da empresa em passar temporadas fora de Portugal Inquiriu-se os entrevistados acerca da dificuldade em enviar colaboradores das empresas para outros países. Mais uma vez, foi disponibilizado um quadro onde era possível escolher um número, do 0 ao 5, onde 0 correspondia a ‘Não sabe/Não responde’; 1 a ‘Muito difícil’; 2 a ‘Difícil’; 3 a ‘Indiferente’; 4 a ‘Fácil’; e 5 a ‘Muito fácil’. Na Figura 21 é apresentado um gráfico com os valores médios das respostas e os valores máximos e mínimos. Ao analisar a Figura 25 é possível chegar rapidamente à conclusão que é muito fácil enviar engenheiros juniores para o estrangeiro. Este facto justifica-se pela situação económica atualmente vivida em Portugal, onde o desemprego jovem atingiu valores que rondam os 40%. Por outro lado, os diretores gerais são os que mais dificilmente têm disponibilidade para passar temporadas fora de Portugal. Uma das justificações para este valor é a faixa etária média dos colaboradores que desempenham estes cargos, que se encontra acima dos 30 anos, o que indica, na
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 46 maior parte das vezes, que os diretores têm motivos familiares que os torna menos disponíveis para passar temporadas fora. No entanto, nos últimos anos tem-se tornado mais fácil. Figura 25 – Disponibilidade dos colaboradores em passar temporadas fora de Portugal. 4.3.2.7. Aspetos que podem influenciar a decisão de deslocação internacional De forma a compreender de que forma as empresas são influenciadas pela concorrência noutros países ou pela existência de empresas de maior dimensão que possam dominar o mercado afeta a decisão das empresas portuguesas, pediu-se aos entrevistados que indicassem se um destes aspetos tem importância na decisão e de que forma se reflete esta importância. As respostas foram bastante similares, indicando que nenhum dos dois aspetos influencia negativamente a decisão de deslocação internacional. Todas as empresas concordam em afirmar que a existência de concorrência é vantajosa e a presença de empresas de grande reputação e dimensão também, uma vez que permite a criação de parcerias entre elas. Outra razão é o facto de ser positivo haver concorrência num determinado país, isto é, um país com grande risco de investimento terá poucas empresas porque poucas querem ir para esse país, logo a concorrência é pequena mas o risco é grande. A única ameaça apontada por todas as empresas e, portanto, o fator que tem mais influência na deslocação internacional é o desconhecimento da realidade local que possa existir. 4.3.3. ANÁLISE E GESTÃO DE RISCO 4.3.3.1. Importância e impacto de fatores relacionados com a experiência internacional da empresa Com o objetivo de estudar a forma de reagirem com os indicadores de risco que aparecem em países estrangeiros e de que forma se preparam as empresas da IC portuguesa para estes riscos, foi apresentado um quadro com vários fatores divididos em subgrupo: situação política; situação económica; e envolvente social. Assim, foi pedido aos entrevistados que respondessem, utilizando uma escala de 0 a 5, onde, tal como anteriormente, 0 significa ‘Não sabem/Não responde’; 1 ‘Não é importante’; 2 ‘É pouco importante’; 3 ‘Medianamente Importante’; 4 ‘Importante’; e 5 ‘Muito 2,57 3,57 3,14 2,43 2,57 3,43 0 1 2 3 4 5 Engenheiros séniores Engenheiros juniores Gestores/Administradores Diretores gerais Mão-de-obra Técnicos especializados Disponibilidade dos colaboradores da empresa Máximo Mínimo
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 47 Importante’. De seguida, foram calculados os valores médios de cada motivo apresentado, bem como o valore máximo e mínimo correspondente. ▪ Situação Política do país Na Figura 26 apresentam-se os resultados referentes à situação política do país de destino. Relativamente à situação política do país de destino, as empresas entrevistada têm em especial atenção a ‘Possibilidade de guerras/motins’, que apresenta uma importância elevada. A ‘Instabilidade do governo’ é, também um fator importante para as empresas, no entanto, este depende do tipo de instabilidade em questão. Finalmente, a ‘Relação com o Governo Português’ é, para as empresas, um fator medianamente importante, uma vez que, segundo os entrevistados, não há uma relação direta entre um bom relacionamento dos governos e, por outro lado, os projetos, sendo independentes do estado, não têm influência neste fator. Figura 26 – Importância da situação política do país de destino na análise de risco. ▪ Situação Económica do País Em relação à situação económica do país de destino, as ‘Taxas de conversão da moeda’ e o ‘Financiamento e investimento do estado português no país’ são os fatores que apresentam menor importância. Por outro lado, os fatores considerados com maior nível de impacto neste subgrupo são o ‘Repatriamento de capitais e de lucros’ pela empresa, que, neste caso, revelam a forma das empresas em adaptar-se à realidade competitiva na internacionalização, apostando num mercado que muito provavelmente as obriga a deixar parte dos lucros no país estrangeiro. Figura 27 - Importância da situação económica do país de destino na análise de risco. 4,71 4,14 3,14 0 1 2 3 4 5 Possibilidade de guerras/motins Instabilidade do governo Relação com o Governo Português Situação política do país Máximo Mínimo 3,43 4,29 3,71 4,71 4,57 4,57 0 1 2 3 4 5 Taxas de conversão de moeda Inflação e força macroeconómica do país Financiamento e investimento do estado português no país Restrições da transferência de lucros (taxas e impostos) Repatriamento de capitais Repatriamento de lucros Situação Económica do País Máximo Mínimo
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 48 ▪ Envolvente Social Na Figura 28 é possível analisar os resultados obtidos pelos inquéritos. Figura 28 - Importância da situação económica do país de destino na análise de risco Os fatores sociais são, de facto, os mais suscetíveis em comprometer o sucesso da internacionalização de uma empresa. O ‘Crime e insegurança’, com o valor médio mais elevado (4,57), indicam como estes podem afetar a tomada de decisão de uma empresa em internacionalizar-se. Se a sua probabilidade for grande pode trazer vários problemas a uma empresa que pretende estabelecer-se num novo mercado. Existirá igualmente dificuldade em manter os profissionais motivados a prosseguirem a internacionalização. Os riscos associados às ‘Diferenças culturais e religiosa’ e à ‘Barreira linguística’ são fatores medianamente importantes para as empresas inquiridas. Isto reflete a globalização que existe nos dias de hoje, mostrando que as empresas têm grandes capacidades de adaptação. Por outro lado, isto pode também ser influenciado pelo facto de os países mais escolhidos para internacionalização terem proximidade cultural e linguística com Portugal. 4.3.3.2. Importância e impacto de fatores relacionados com a Indústria da Construção Tal como anteriormente, pretende-se entender de que forma reagem as empresas aos desafios que são apresentados no processo de internacionalização, mas agora, relativamente à Indústria da Construção. O quadro de fatores apresentados no inquérito encontra-se dividido em cinco subgrupos: sistemas burocráticos; recursos; trabalhadores/dono de obra; projeto; e gestão/administração da empresa. O sistema de respostas é idêntico ao apresentado anteriormente, com uma escala de respostas que vai do 0 ao 5. ▪ Sistemas burocráticos Na Figura 29 apresentam-se os resultados obtidos no subgrupo de sistemas burocráticos. A partir da figura é possível afirmar que a ‘Regulamentação’ e as ‘Diferenças na legislação e normas’ assumem um papel importante no subgrupo. Estes fatores apresentam riscos para as empresas uma 3,14 3,29 4,00 4,57 0 1 2 3 4 5 Diferenças culturais e religiosas Barreira linguística Perceção de níveis de corrupção do país Crime e insegurança Envolvente Social Máximo Mínimo
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 49 vez que podem conduzir a interpretações erradas de algumas regras no caso de serem ambíguas e pouco parecidas com as aplicadas em Portugal. Por outro lado, relativamente a ‘Restrições na contratação de trabalhadores e colaboradores’, este fator indica que, principalmente em países de desenvolvimento, existe disponibilidade suficiente de trabalhadores, sendo então estabelecidas barreiras para a migração de mão-de-obra, principalmente da não especializada. Figura 29 – Importância do sistema burocrático do país de destino em comparação com Portugal. ▪ Recursos Uma correta gestão de recursos é essencial numa fase de gestão de projetos, tanto a nível nacional como a nível internacional. A gestão de recursos implica a obtenção de equipamentos, materiais e mão-de-obra necessários para a conclusão de um projeto. Na Figura 30 é possível observar que ‘Acesso limitado a materiais e equipamento’ e ‘Disponibilidade de mão-de-obra especializada’ são os fatores de risco com maior importância para as empresas inquiridas. Isto deve-se ao facto de a carência de materiais e equipamentos implicar a importação que, em projetos relativamente grandes, implicam custos elevados dependendo da distância geográfica e da disponibilidade de profissionais. Figura 30 – Importância dos recursos no país de destino. 3,86 4,00 3,71 3,43 3,71 0 1 2 3 4 5 Regulamentação Diferenças na legislação e normas Dificuldade de aprovação de projetos e licenças Restrições com as importações e exportações Restrições na contratação de trabalhadores e colaboradores Sistemas burocráticos Máximo Mínimo 3,29 3,29 2,86 2,71 0 1 2 3 4 5 Acesso limitado a materiais e equipamento Disponibilidade de mão-de-obra empecializada Disponibilidade de mão-de-obra não empecializada Disponibilidade de subempreiteiros Recursos Máximo Mínimo
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 50 ▪ Trabalhadores/Dono de Obra Ao analisar a Figura 31 é possível concluir que a falta de clareza tanto nos objetivos do cliente como nos contratos são fatores de risco de muita importância uma vez que podem traduzir-se em interpretações erradas por parte dos trabalhadores relativamente ao dono de obra ou relativamente à sindicações do cliente. Figura 31 – Importância da relação entre trabalhadores e Dono de Obra. ▪ Projeto Na figura 32 apresenta-se o nível médio de importância dos erros e omissões no projeto. Este fator de risco é importante na medida em que os erros e omissões no projeto podem conduzir a perdas monetárias elevadas devido a custos extras para a obra. Este fator de risco é agravado em mercados internacionais, uma vez que está sujeito a variáveis desconhecidas para a empresa que está num ambiente internacional Figura 32 – Importância dos erros e omissões no projeto. ▪ Gestão/Administração Interna Como já foi explicado anteriormente, a distribuição dos colaboradores pela empresa em ambiente internacional é crucial para que haja uma boa relação entre todos os intervenientes no projeto, inclusive os trabalhadores locais. Assim, a gestão de recursos humanos torna-se essencial para minimizar o risco na internacionalização de uma empresa. 4,29 4,43 0 1 2 3 4 5 Falta de clareza das especificações e objetivos por parte do cliente Falta de clareza nos contratos e documentos Trabalhadores/Dono de Obra Máximo Mínimo 3,71 0 1 2 3 4 5 Erros e omissões no projeto Projeto Máximo Mínimo
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 51 Por outro lado, a distribuição de lucros pela empresa pode depender da estrutura adotada pela empresa e do repatriamento de lucros, como foi explicado anteriormente. Posto isto, este fator é então importante para qualquer empresa. Figura 33 – importância da Gestão e Administração internas da empresa. 4.4. IMPACTO DO RISCO De forma a compreender melhor as respostas dadas pelos entrevistados e analisadas no ponto 4.3. desta dissertação, foi necessário quantificar a o impacto do risco associado à internacionalização de empresas do sector da construção. Posto isto, procedeu-se à classificação dos fatores tendo como base a classificação feita por Dikmen e Birgonul (2006). Deste modo, foram analisados os dados recolhidos através de uma fórmula empírica, que determina o incide de importância relativa do risco: (2) Onde: W - Valor de cada fator, dado por cada respondente numa escala de 0 a 5; A - Máximo valor dado nesse fator; N - Numero total de respondentes. Através deste índice foi possível ordenar os riscos identificados pelos entrevistados segundo o seu nível de importância. Assim é possível estabelecer prioridades de forma a definir quais os fatores com os quais se deve ter maior precaução. De forma a perceber se existem diferenças entre os diferentes subgrupos, dividindo-os em três grupos diferentes, no primeiro encontram-se os subgrupos relacionados com o país, isto é, a situação política, a situação económica e a envolvente social; no segundo encontram-se os subgrupos relacionados com a indústria, ou seja, os sistemas burocráticos e os recursos; por último, encontram-se os subgrupos relacionados com a empresa e o projeto, isto é, trabalhadores e dono de obra, projeto e gestão e administração interna. Nos Quadros 7, 8 e 9 são apresentados os resultados obtidos para o índice de importância de risco e a ordem de cada um dos fatores dentro do grupo onde se encontra. É importante referir que, numa fase inicial pretendia-se fazer esta análise por grupo de empresas, de forma a identificar a diferença entre os dois. No entanto, devido ao reduzido universo em estudo, os resultados obtidos não eram claros, pelo que se optou por fazer apenas uma análise geral. 3,00 3,57 0 1 2 3 4 5 Distribuição de lucros dentro da empresa Gestão de Recusos Humanos Gestão/Administração interna Máximo Mínimo
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 52 Quadro 7 - RII e ordem associadas ao País. Riscos RII Ordem País Situação política do país Possibilidade de guerras/motins 0,943 1 Instabilidade do governo 0,829 8 Relação com o Governo Português 0,786 11 Situação Económica do País Taxas de conversão de moeda 0,857 6 Inflação e força macroeconómica do país 0,857 6 Financiamento e investimento do estado português no país 0,743 12 Restrições da transferência de lucros (taxas e impostos) 0,943 1 Repatriamento de capitais 0,914 3 Repatriamento de lucros 0,914 3 Envolvente Social Diferenças culturais e religiosas 0,629 13 Barreira linguística 0,821 9 Perceção de níveis de corrupção do país 0,800 10 Crime e insegurança 0,914 3
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 53 Quadro 8 - RII e Ordem associadas à Indústria. Riscos RII Ordem Indústria Sistemas burocráticos Regulamentação 0,771 3 Diferenças na legislação e normas 0,800 2 Dificuldade de aprovação de projetos e licenças 0,743 4 Restrições com as importações e exportações 0,686 6 Restrições na contratação de trabalhadores e colaboradores 0,743 4 Recursos Acesso limitado a materiais e equipamento 0,657 8 Disponibilidade de mão-de-obra especializada 0,821 1 Disponibilidade de mão-de-obra não especializada 0,571 9 Disponibilidade de subempreiteiros 0,679 7 Quadro 9 - RII e Ordem associadas à Empresa/Projeto. Riscos RII Ordem Empresa/Projeto Trabalhadores/Dono de Obra Falta de clareza das especificações e objetivos por parte do cliente 0,857 3 Falta de clareza nos contratos e documentos 0,886 2 Projeto Erros e omissões no projeto 0,743 5 Gestão/Administração interna Distribuição de lucros dentro da empresa 0,750 4 Gestão de Recursos Humanos 0,893 1 Analisando os valores obtidos nos quadros 7, 8 e 9 para o índice de importância relativa do risco, é possível concluir que dentro de cada subgrupo os fatores têm ordens diferentes, sendo que em subgrupos diferentes há fatores com a mesma ordem de risco. É percetível então que exista uma diferença na importância dada aos fatores de risco.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 60 vários tipos de trabalhos, é essencial para garantir a adaptação às necessidades do mercado internacional em que se insere. Ao mesmo tempo, a capacidade de gestão deve garantir que a empresa não perde os seus objetivos ao longo do processo e que a internacionalização não compromete a produtividade da empresa. Por último, a capacidade financeira, é importante na medida em que a empresa deve garantir capacidade de investimento tanto no mercado nacional como no mercado internacional. Relativamente às condições dos projetos, é possível concluir que a dimensão e duração do projeto são características importantes a considerar e o capital investido pelas empresas depende do nível de incerteza associado ao projeto. É necessário que as empresas definam os desafios que a internacionalização apresenta e apresentem estratégias que permitam eliminar as ameaças. Deste modo, surge a possibilidade de as empresas nacionais ganharem posição em mercados internacionais, principalmente tendo em conta o insuficiente volume de negócios disponível em Portugal. ▪ Estratégias de internacionalização Em relação às estratégias de entrada de qualquer empresa em mercados emergentes, é possível identificar as parcerias como a melhor e mais utilizada pelas empresas da IC portuguesa. As parcerias surgem de formas distintas mas têm todas como objetivo comum tornar o processo de entrada num país estrangeiro mais simples e seguro. No que diz respeito à operacionalidade, é possível concluir que é relativamente fácil transferir profissionais de diferentes categorias para o estrangeiro por temporadas longas, com uma facilidade acentuada para os engenheiros juniores. 5.2. SUGESTÕES E RECOMENDAÇÕES Tendo finalizado o estudo e relacionando os dados bibliográficos, o inquérito e as próprias entrevistas, é possível propor algumas sugestões e recomendações para as empresas. Em especial para as empresas do sector da construção que ainda não entraram nos mercados internacionais ou para as quais este é ainda pouco significativo. As empresas da IC encontram-se numa situação crítica, pelo que a internacionalização é, como já foi dito, fulcral para a sua sobrevivência. Como tal, é necessário que as mesmas se adaptem a esta nova realidade. Inicialmente, a criação e exploração de um departamento de internacionalização dentro de uma empresa torna-se essencial para o sucesso da mesma, uma vez que é a partir deste departamento que são analisadas as distintas oportunidades que surgem por todo o mundo. Ao mesmo tempo, é no departamento de internacionalização que são identificados os riscos e definidos os modos de atuação que procuram elimina-los ou reduzi-los, para que não tenham efeitos negativos para a empresa. A competitividade global é notória, por isso, é importante que as empresas portuguesas tentem desafiar esta competitividade, acompanhando as tendências do mercado e identificando os países em crescimento e com necessidades visíveis no sector da construção. Por último, é importante consciencializar as empresas portuguesas com pouca experiência na internacionalização para a necessidade em definir regras, métodos e estratégias que lhes permita ganhar experiência e reconhecimento em mercados internacionais.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 61 5.3. DIFICULDADES E LIMITAÇÕES Ao longo de todo o estudo surgiram várias dificuldades. A mais limitadora passa pelo pequeno número de empresas que se mostraram disponíveis para esta análise e o consequente número reduzido de entrevistas realizadas. Tendo em conta a realidade económica pela qual Portugal está a passar, seria de esperar que houvesse um maior interesse por parte das empresas que caracterizam o sector da construção portuguesa em fazer parte de um estudo que pode ajudá-las a enquadrar o panorama atual da IC dentro de cada uma das empresas. O número de respostas revelou-se crucial na análise das informações recolhidas, que teriam um nível de rigor maior se o universo de respostas fosse também maior. Assim, a possibilidade de fazer um estudo estatístico mais completo foi eliminada. 5.4. PERSPETIVAS PARA O FUTURO Este estudo funciona como base de estudos mais aprofundados e com um universo de análise maior para que seja possível fornecer às empresas documentos que as eduquem acerca dos riscos inerentes à internacionalização. Por outro lado, as matrizes de risco construídas podem ser úteis para empresas de menor dimensão do setor da construção. Estas podem, também, fazer parte de uma base de dados para toda a IC portuguesa, que poderia ser construída com a colaboração de várias empresas com uma vasta experiência em mercados internacionais e com o estudo de casos de sucesso das mesmas. Em relação ao sector da construção, é possível prever que a necessidade de internacionalização se mantenha ou aumente, uma vez que não estão previstas grandes melhorias para o panorama económico nos últimos anos. Posto isto, as empresas portuguesas terão de procurar novos mercados, com maiores índices de risco e em países mais distantes a nível cultural, religioso e linguístico.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 62
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 63 BIBLIOGRAFIA Adams, F. (2008). Risk perception and Bayesian analysis of international construction contract risks: The case of payment delays in a developing economy. International Journal of Project Management, Vol. 26., p. 138-148. Afonso, Fernando Paes; et al. (1998) O sector da construção - diagnóstico e eixos de intervenção. Lisboa: IAPMEI (Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento), Observatório das PME. Aharoni, Y. (1966). The Foreign Investment Decision Process. Havard Business School, Boston. Akintoye, A.; Macleiod, M. (1997). Risk analysis and management in construction. International Journal of Project Management, Vol. 15., p. 31-38. APPC. (2012). Boletim Informativo: Mais e Melhor Apoio à Internacionalização do Sector. APPC. Arnaldo, M. (2006). 20 ANOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL. Baganha, M. (2002). The civil construction sector and public works in Portugal: 1990-2000. International Migration Review, Vol. 34., p. 1302-1306, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Baganha, M.; Cavalheiro, Luis. (2001). Uma europeização diferenciada: o sector da construção civil e obras públicas. O curso da economia: contextos e mobilidades, Porto: Afrontamento (no prelo). Baganha, M.; Ferrão, J. Malheiros. (1998). Os movimentos migratórios externos e a sua incidência no mercado de trabalho em Portugal. IEFP, Lisboa. Baganha, M.; Marques, J.; Góis, P. (2002). O Sector da Construção Civil e Obras Públicas em Portugal: 1990-2000. Pemint, Relatório 1-P European Commission, 5th Framework Programme Improving Human Potential and Socio-Economic Knowledge Base Key Action for Socio-Economic Research. Baganha, Maria Ioannis; Marques, José Carlos; Góis, Pedro. (2002). O Sector da Construção Civil e Obras Públicas em Portugal: 1990-2000, p. 35., Pemint, Relatório 1-P European Commission, 5th Framework Programme Improving Human Potential and Socio-Economic Knowledge Base Key Action for Socio-Economic Research. Boateng, A.; Glaister, K. (2002). Performance of international joint ventures: evidence for West Africa. International Business Review, Vol. 11., p. 523-541. Bozyk, P. (2006) Globalization and International Policy. Ashgate. Britannica. (2006). Enciclopedia Britannica Online. Bu-Qammaz, A.; Dikmen, I.; Birgonul, M. (2009). Risk assessment of international construction projects using the analytic network process. Canadian Journal of Civil Engineering, Vol. 36., p. 1170-1181.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 64 Calof, J.; Beamish, P. (1995). Adapting to Foreign Markets: Explaining Internationalization. International Business Review. Vol. 4. Cavaleiro, D. (2013). Queda de 18% na produção na construção em Portugal é a maior na UE. Jornal de Negócios Online. Consultado em Junho 2013. Disponível em: <http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/queda_de_18_na_produccedilatildeo_na_c onstruccedilatildeo_em_portugal_eacute_a_maior_na_ue.html>. Cyert, R.; March, J. (1963). A Behavioural Theory of the Firm. Patiente-Hall, Englewood Cliffs, NJ. Deloitte/Aneop. (2009). O Poder da Construção em Portugal - Impactos 2009/10. Deloitte/Aneop, Lisboa. Dias, M. (2007). A internacionalização e os factores de competitividade: o caso Adira. Dissertação de Mestrado em Ciências Empresariais, Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Dikmen, I.; Birgonul, M. (2006). An analytic hierarchy process based model for risk and opportunity assessment of international construction projects. Canadian Journal of Civil Engineering, Vol. 33, p. 58-68. Dikmen, I.; Birgonul, M.; Gur, A. (2007). A case-based decision support tool for bid mark-up estimation of international construction projects. Automation in Construction, Vol. 17, p. 3044. ENR. (2008). The Top 400 Contractors. ENR. Euroconstruct. (2000). The Outlook for the European Construction Sector: 2001-2003. Euroconstruct. Eurostats. (2013). Construction Porduction. Consultado em: Maio de 2013. Disponível em: <http://epp.eurostat.ec.europa.eu/tgm/table.do?tab=table&init=1&plugin=0&language=en&pc ode=teiis500&tableSelection=2>. FEPICOP. (2013). Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas. Consultado em: Maio de 2013. Disponível em: <http://www.fepicop.pt/>. FMI. (2012). World Economic Outlook. FMI. Freire, A. (1997). Estratégia - Sucesso em Portugal. Editorial Verbo, Lisboa. Gama, M. (2011). Internacionalização de Empresas de Construção Portuguesas: Análise dos Factores de Sucesso e da Gestão Risco em Mercados Emergentes. Dissertação de Mestrado, Universidade Nova de Lisboa. Gunhan, S.; Arditi, D. (2005). Factors Affecting International Construction. Journal of Construction Engineering and Management, Vol. 131, p. 273-282. Gunhan, S.; Arditi, D. (2005). International Expansion Decision for Construction Companies. Journal of Construction Engineering and Management, Vol. 131, p. 928-937. Han, S. (2001). A risk-based entry decision model for international projects. ASCE Journal of Civil Engineering, Vol. 5, p. 87-96.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 65 Han, S.; Kim, D.; Jang, H. (2008). A web-based integrated system for international project risk management. Automation in Construction, Vol. 17, p. 342-356. Han, S.; Kim, D.; Jang, H.; Choi, S. (2009). Strategies for contractors to sustain growth in the global construction market. Habitat International. Vol. 10, p. 1-10. Hans, S.; Diekman, J. (2001). Approaches for Making Risk-Based Go/No-Go Decision for International Projects. Journal of Construction Engineering and Management, Vol. 127, p. 300-308. HJamil, M.; Khan, A. (2008). Risk Identification for International Joint Venture Construction Projects. Karachi, Pakistan. Hymer, S. (1976). The International Operations of National Firms: A Study of Direct Foreign Investment. MIT press, Cambridge. IDE. (2009). Instituto de desenvolvimento empresarial. Consultado em: Fevereiro de 2013. Disponível em: <http://www.ideram.pt/>. Idealista. (2013). “Seca” no investimento público responsável por crise no sector da construção. Consultado em: Junho de 2013. Disponível em: <http://idealista.pt/news/arquivo/2013/06/12/013003-seca-no-investimento-publicoresponsavel-por-crise-no-sector-da-construcao>. IEM. (2013). Portal do Empreendedor do Minho. Consultado em: Junho de 2013. Disponível em: <http://www.portaldoempreendedor.pt/index.php?op=111&i=101&id=4>. InCI. (2010). Empresas do Sector da Construção: Análise Económico Financeira. Instituto da Construção e do Imobiliário. InCI. (2011). O Sector da Construção: Relatório Anual. Instituto da Construção e do Imobiliário. INE. (1993). Portugal Agrícola Lisboa. Instituto Nacional de Estatística, Lisboa. INE. (1996). Estatísticas das empresas de construção e obras públicas de 1990 a 1995. Instituto Nacional de Estatística, Lisboa. INE. (1998) Inquérito ao emprego de 1990 a 1997. Instituto Nacional de Estatística, Lisboa. INE. (2011) Boletim Mensal de Estatística. Lisboa. Instituto Nacional de Estatística, Lisboa. Infopédia. (2013). Infopédia - Enciclopédia e Dicionários Porto Editora. Consultado em: Março de 2013. Disponível em: <http://www.infopedia.pt/$produto-interno-bruto-(pib)>. Insight. (2009). Importance of infrastructure construction in india. IHS Global. Consultado em Fevereiro de 2013. Disponível em: <www.ihsglobalinsight.com/construction>. Jordão, B.; Pereira, S. (2006). A análise multicritério na tomada de decisão – o método analítico hierarquico de t.l.saaty. Departamento de Engenharia Civil, Instituto Superior de Engenharia de Coimbra. Kartam, N.; Kartam, S. (2001). Risk and its management in the Kuwaiti construction industry: a contractors' perspective. International Journal of Project Management, Vol. 19, p. 325-335.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 66 Kindleberger, C. (1969). American Business Abroad: Six Lectures on Direct Investment. Yale University Press, New Haven. Krugman, P. (1980). Scale economies, product differentiation, and the pattern of trade. American Economic Review, Vol. 70, p. 950-959. Lei, L.; Hong-Bing, L.; Nie, N. (2009). Fuzzy Set Based Analysis on Bidding Decision. IEEE, Management and Service Science, International Conference of IEEE. Ling, F.; Hoi, L. (2006). Risks faced by Singapore firms when undertaking construction projects in India. International Journal of Project Management, Vol. 24. Long, N.; OGunlana, S.; Quang, T.; Lam, K. (2004). Large construction projects in developing countries: a case study from Vietnam. International Journal of Project Management, Vol. 22, p. 553-561. Mahalingam, H.; Taylor, J. (2004). Understanding and managing the effects of institutional differences in global projects. International Journal of Project Management. p. 7-19. Martins, T. (2010). O Marketing no Processo de Internacionalização das Empresas de Construção Civil Portuguesas – Levantamento e Análise. Dissertação de Mestrado, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa. Mawhinney, M. (2001). International Construction. Edited by London: Blackwell Science. Oxford. Meyer, R. (1996). The Internationalization Process of the Firm Revisited: Explaining Patterns of Geographic Sales Expansion. Management Report, Erasmus University, Roterdam. Neto, J. (2010). Factores de decisão no Porcesso de Internacionalização das Empresas de Construção de Infra-Estruturas de Transportes. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Ngowi, A.; Pienaar, A.; Mbachu, J. (2005). The globalisation of the construction industry - a review. Building and Environment. Vol. 40. Nieto-Morote, A.; Ruz-Avila, F. (2010). A fuzzy approach to construction project risk assessment. International Journal of Project Management, Vol. 10. Nunes, C. (2001). Construção: O Desafio da especialização. GEPE - Gabinete de Estudos e Prospectiva Económica do Ministério da Economia, Lisboa. Nunes, R. (2002). Desafios da Internacionalização. Consultado em Fevereiro de 2013. Disponível em: <http://static.publico.clix.pt/docs/economia/500Empresas.pdf>. Onkvisit, S.; Shaw, J. (1983). An Examination of the International Product Life Cycle and its Application Within Marketing. Columbia Journal of World Business, Vol. 18. Ozorhon, B.; Arditi, D.; Dikmen, I.; Birgonul, M. (2007). Effect of host country and project conditions in international construction joint ventures. International Journal of Project Management, Vol. 25. Pais, J. (2002). A globalização das empresas portuguesas. Experiências de Internacionalização, Centroatlântico.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 67 Pereira de Sousa, D. (2012). As Parcerias na Estratégia de Internacionalização das Empresas de Construção Portuguesas. Dissertação de Mestrado. IST - Universidade Técnica de Lisboa. Pestana, M.; Gageiro, J. (2005). Descobrindo a regressão com a complementaridade do SPSS. Edições Sílabo, Lisboa. Pheng, L.; Leong, C. (2000) Cross-cultural project management for international construction in China. International Journal of Project Management, Vol. 18. Porter, M. (1990). The Competitive Advantage of Nations and Firms. Free Press, New York. Proverbs, D.; Holt, G.; Olomolaiye, P. (1999). A method for estimating labour requirements and costs for international construction projects at inception. Building and Environment, Vol. 34. Ricardo, D. (1817). On the Principles of Political Economy and Taxation. John Murray, London. Rocha, A.; Silva, .; Carneiro, J. (2007). Expansão internacional das empresas brasileiras: expansão e síntese. Internacionalização dos Países Emergentes, Atlas, São Paulo. Roxo, J. (2010). Risk Management in Civil Engineering: Today and Tomorrow. International Project Management Meeting: The challenge of working abroad,. Lisboa: IP2M'2010. SIDS. (2013). Sistema de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável do Algarve. Consultado em: Junho de 2013. Disponível em: <http://web.ccdralg.pt/sids/indweb/indicador.asp?idl=157&idt=20>. Simões, V. (1997). A Internacionalização das Empresas Industriais Portuguesas: Características e Perspectivas. Comércio e Investimento Internacional, ICEP, Lisboa. Smith, A. (1776). An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of the Nations. William Clowes and Sons. Sousa, M. (2008). A utilização de consórcios na internacionalização de empresas de Construção. Caso Mota Engil, Mota Engil. Tavares, L.; Ferreira, J; Coelho, J. (1998). On the optimal management of project risk. European Journal of Operational Research, Vol. 107. Teixeira, S.; Diz, H. (2005). Estratégias de Internacionalização. Publisher Team, Lisboa. Unesco. (2006). Convenção para a protecção do património mundial cultural e natural português. Disponível em: <http://whc.unesco.org/archive/convention-pt.pdf>. Vemon, R. (1966). International Investment and International Trade in The Product Cycle. Quarterly Journal of Economics, Vol. 80. Walker, D.; Johannes, D. (2003). Construction industry joint venture behaviour in Hong Kong - designed for collaborative results. International Journal of Project Management, Vol. 21. Wells, J. (1996). Labour migration and international construction. Habitat International, Vol. 20. Zou, P.; Zhang, G.; Wang, J. (2007). Understanding the key risks in construction projects in China. International Journal of Project Management, Vol. 25.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 68
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 69 ANEXOS
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 76 SECÇÃO 3 – ANÁLISE E GESTÃO DE RISCO 3.1. Quantifique o impacto dos seguintes fatores segundo a sua importância relativa a uma experiencia internacional num país em desenvolvimento (Utilize a seguinte escala de respostas) 0 1 2 3 4 5 Situação política do país de destino Possibilidade de guerras/motins Instabilidade do governo Relação com o Governo Português Situação económica do país Taxas de conversão de moeda Inflação e força macroeconómica do país Financiamento e investimento do estado português no país Restrições da transferência de lucros (taxas e impostos) Repatriamento de capitais Repatriamento de lucros Envolvente social Diferenças culturais e religiosas Barreira linguística Perceção de níveis de corrupção do país Crime e insegurança 0 1 2 3 4 5 Contratando profissionais exteriores Feita pelo departamento da empresa indicado para o efeito Através de contactos no país de destino Não existe um estudo pormenorizado 0 - Não sabe/ Não responde 1 – Não é importante 2 – É pouco importante 3 – Não é muito nem pouco importante 4 – Importante 5 – Muito importante
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 77 3.2. Qual o nível de importância de cada um dos fatores de risco associados à indústria da construção apresentados a seguir? (Utilize a escala de respostas) 0 1 2 3 4 5 Sistemas burocráticos Regulamentação Diferenças na legislação e normas Dificuldade de aprovação de projetos e licenças Restrições com as importações e exportações Restrições na contratação de trabalhadores e empregados Recursos Acesso limitado a materiais e equipamento Disponibilidade de mão-de-obra especializada Disponibilidade de mão-de-obra não especializada Disponibilidade de subempreiteiros Trabalhadores/Dono de obra Falta de clareza das especificações e objetivos por parte do cliente Falta de clareza nos contratos e documentos Projeto Erros e omissões no projeto Gestão/Administração interna Distribuição de lucros dentro da empresa Gestão de recursos humanos 0 - Não sabe/ Não responde 1 – Não é importante 2 – É pouco importante 3 – Não é muito nem pouco importante 4 – Importante 5 – Muito importante
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 79 ANEXO 2 – SEGUNDA VERSÃO DO INQUÉRITO OBJETIVOS DO INQUÉRITO Este estudo pretende identificar pistas que possam ser úteis às empresas do Sector da Construção Portuguesa que se deparam com o desafio da internacionalização. Como forma de agradecimento pela sua participação, ser-lhe-á enviado um relatório com as conclusões. O inquérito visa recolher informação sobre o perfil de empresas do sector da construção de forma a ser complementado por uma entrevista inserida no âmbito da análise e gestão de risco associada à internacionalização do sector da Construção. Deste modo, pretende-se qualificar e analisar os dados recolhidos de modo a procurar identificar os principais fatores de sucesso relevantes no processo de implementação de uma empresa no mercado internacional. NOTAS: Os objetivos dependem do número de inquéritos que forem preenchidos. A exatidão dos dados recolhidos é crucial para a validade do estudo, sendo garantida total reserva em relação às informações facultadas. Os inquéritos devem, preferivelmente, ser respondidos pelo responsável do departamento de Internacionalização da empresa em causa ou responsáveis pela sua implementação. CONFIDENCIALIDADE Toda a informação fornecida pelo respondente é estritamente confidencial. No trabalho final não será possível identificar as pessoas e empresas envolvidas. Os dados recolhidos serão utilizados unicamente para fins estatísticos e apresentados de forma agregada. COMO PREENCHER O INQUÉRITO 1. Por favor selecione a opção que melhor represente a sua opinião ou situação específica. 2. Recorde que este inquérito pretende avaliar a experiencia específica da sua empresa na internacionalização.
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 80 SECÇÃO 1 - CARACTERÍSTICAS GERAIS DA EMPRESA 1.1. Perfil de Atividade da empresa Construtora Consultora Projeto Fiscalização Infraestruturas Empreendimentos Outra(s)________________________________________________ 1.2. Qual a sua categoria profissional/função? Indique a opção mais correta. Diretor Geral Diretor Comercial Diretor de Marketing Diretor da área Internacional Outra. Qual? _________________________________________________________________ 1.3. Número de anos de atividade da empresa (aproximado) ____________________________ 1.4. Número de anos de atividade na empresa (aproximado) ____________________________ 1.5. Quais as principais áreas de trabalho? __________________________________________ ____________________________________________________________________________
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 81 1.6. Existe algum departamento dedicado exclusivamente à estratégia de internacionalização na sua empresa? Sim Não Se respondeu Não, que departamento se encarrega da internacionalização da sua empresa? ____________________________________________________________________________ 1.7. Quantos anos de experiência tem a empresa em mercados internacionais? ____________ 1.8. Indique uma estimativa, em percentagem do volume de negócios da sua empresa, no mercado nacional e nos mercados internacionais. (Por favor indique os valores que tiver disponíveis) (%) 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 Mercado Nacional Mercado Internacional 1.9. Quais os mercados internacionais onde atua a sua empresa? Por favor indique os países ordenando-os por importância no total da faturação internacional sua empresa. País País 1º 6º 2º 7º 3º 8º 4º 9º 5º 10º
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 82 SECÇÃO 2 – PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO 2.1. Que aspetos gerais são tidos em consideração na decisão de entrada no mercado internacional? (utilize a seguinte escala de respostas) 0 - Não sabe/ Não responde 1 – Não é importante 2 – É pouco importante 3 – Medianamente importante 4 – Importante 5 – Muito importante 0 1 2 3 4 5 Tamanho do projeto Duração do projeto Condições de pagamento Tipo de projeto Tipo de cliente Experiência da empresa em projetos do mesmo tipo Experiência da empresa no país de destino Capacidade financeira da empresa Capacidade técnica da empresa Capacidade de gestão da empresa Percentagem de trabalho subcontratado Existência de parcerias Capital a investir Distância geográfica entre países 2.2. De que forma as parcerias criadas no mercado internacional podem amenizar o nível de risco? (Indique o tipo de parcerias que julga serem pertinentes e o nível de risco associado às mesmas) _______________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 2.3. Qual o nível de risco considerando a distância geográfica entre Portugal e o país de destino? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 83 2.4. Em relação à experiência da sua empresa em mercados internacionais, qual a dificuldade de encontrar profissionais dispostos a passar temporadas fora de Portugal? (Utilize a seguinte escala de respostas) 0 1 2 3 4 5 Engenheiros seniores Engenheiros juniores Gestores/Administradores Diretores gerais Mão-de-obra Técnicos especializados 2.5. Qual destes aspetos considera ter maior influência na sua decisão de deslocação internacional? Deque forma? (escolha a opção mais correta e explique a sua escolha) Número de empresas em competição Presença de empresas de grande dimensão e reputação (rivalidade) ________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 2.6. Qual a importância destas oportunidades para a sua empresa, que influenciam na sua decisão de iniciar uma experiencia internacional? (Utilize a seguinte escala de respostas) 0 1 2 3 4 5 Ganhar experiência e reputação Possibilidade de ganhar posição no país para conseguir outros projetos no futuro A existência de apoio de parceiros nacionais e/ou internacionais interessados no mesmo projeto O mercado nacional é demasiado pequeno para o tamanho da empresa 2.7. De que forma é feita a análise de cada país antes da decisão de aposta num mercado internacional? (Utilize a seguinte escala de respostas) 0 - Não sabe/ Não responde 1 – Muito difícil 2 – Difícil 3 – Indiferente 4 – Fácil 5 – Muito fácil 0 - Não sabe/ Não responde 1 – Não é importante 2 – É pouco importante 3 – Medianamente importante 4 – Importante 5 – Muito importante 0 - Não sabe/ Não responde 1 – Nunca 2 – Raramente 3 – Regularmente 4 – Preferencialmente 5 – Sempre
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 84 SECÇÃO 3 – ANÁLISE E GESTÃO DE RISCO 3.1. Quantifique o impacto dos seguintes fatores segundo a sua importância relativa a uma experiencia internacional num país em desenvolvimento (Utilize a seguinte escala de respostas) 0 1 2 3 4 5 Situação política do país de destino Possibilidade de guerras/motins Instabilidade do governo Relação com o Governo Português Situação económica do país Taxas de conversão de moeda Inflação e força macroeconómica do país Financiamento e investimento do estado português no País Restrições da transferência de lucros (taxas e impostos) Repatriamento de capitais Repatriamento de lucros Envolvente social Diferenças culturais e religiosas Barreira linguística Perceção de níveis de corrupção do país Crime e insegurança 0 1 2 3 4 5 Contratando profissionais exteriores Feita pelo departamento da empresa indicado para o efeito Através de contactos no país de destino Não existe um estudo pormenorizado 0 - Não sabe/ Não responde 1 – Não é importante 2 – É pouco importante 3 – Não é muito nem pouco importante 4 – Importante 5 – Muito importante
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 85 3.2. Qual o nível de importância de cada um dos fatores de risco associados à indústria da construção apresentados a seguir? (Utilize a escala de respostas) 0 - Não sabe/ Não responde 1 – Não é importante 2 – É pouco importante 3 – Não é muito nem pouco importante 4 – Importante 5 – Muito importante 0 1 2 3 4 5 Sistemas burocráticos Regulamentação Diferenças na legislação e normas Dificuldade de aprovação de projetos e licenças Restrições com as importações e exportações Restrições na contratação de trabalhadores e empregados Recursos Acesso limitado a materiais e equipamento Disponibilidade de mão-de-obra especializada Disponibilidade de mão-de-obra não especializada Disponibilidade de subempreiteiros Trabalhadores/Dono de obra Falta de clareza das especificações e objetivos por parte do cliente Falta de clareza nos contratos e documentos Projeto Erros e omissões no projeto Gestão/Administração interna Distribuição de lucros dentro da empresa Gestão de recursos humanos
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 92 2.7. De que forma é feita a análise de cada país antes da decisão de aposta num mercado internacional? SECÇÃO 3 3.1. Quantifique o impacto dos seguintes fatores segundo a sua importância relativa a uma experiencia internacional num país em desenvolvimento 0 1 2 3 4 5 Média Máximo Mínimo Contratando profissionais exteriores 3 2 1 1 2,14 5 1 Feita pelo departamento da empresa indicado para o efeito 1 1 2 33,86 5 1 Através de contactos no país de destino 4 3 4,43 5 4 Existe um estudo pormenorizado 1 2 3 1 3,00 5 0 0 1 2 3 4 5 Média Máximo Mínimo Situação política do país Possibilidade de guerras/motins 2 5 4,71 5 4 Instabilidade do governo 1 4 2 4,14 5 3 Relação com o Governo Português 1 3 3 3,14 4 1 Situação Económica do País Taxas de conversão de moeda 4 3 3,43 4 3 Inflação e força macroeconómica do país 1 3 3 4,29 5 3 Financiamento e investimento do estado português no país 1 1 3 2 3,71 5 1 Restrições da transferência de lucros (taxas e impostos) 2 5 4,71 5 4 Repartimento de capitais 1 1 5 4,57 5 3 Repartimento de lucros 1 1 5 4,57 5 3 Envolvente Social Diferenças culturais e religiosas 2 3 1 1 3,14 5 2 Barreira linguística 1 3 3 3,29 4 2 Perceção de níveis de corrupção do país 1 5 1 4,00 5 3 Crime e insegurança 3 4 4,57 5 4
Análise e Gestão de Risco na Internacionalização de Empresas do Sector da Construção 93 3.2. Qual o nível de importância de cada um dos fatores de risco associados à indústria da construção apresentados a seguir? 0 1 2 3 4 5 Média Máximo Mínimo Sistemas burocráticos Regulamentação 2 4 1 3,86 5 3 Diferenças na legislação e normas 2 3 2 4,00 5 3 Dificuldade de aprovação de projetos e licenças 3 3 1 3,71 5 3 Restrições com as importações e exportações 1 2 3 1 3,43 5 1 Restrições na contratação de trabalhadores e colaboradores 1 5 1 3,71 5 1 Recursos Acesso limitado a materiais e equipamento 1 1 1 3 1 3,29 5 1 Disponibilidade de mão-de-obra especializada 1 2 4 3,29 4 1 Disponibilidade de mão-de-obra não especializada 2 1 1 2 1 2,86 5 1 Disponibilidade de subempreiteiros 3 4 2,71 4 1 Trabalhadores/Dono de Obra Falta de clareza das especificações e objetivos por parte do cliente 1 3 3 4,29 5 3 Falta de clareza nos contratos e documentos 1 2 4 4,43 5 3 Projeto Erros e omissões no projeto 3 3 1 3,71 5 3 Gestão/Administração interna Distribuição de lucros dentro da empresa 2 3 2 3,00 4 2 Gestão de Recusos Humanos 3 4 3,57 4 3