scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Uma abordagem aos projetos complexos na perspetiva da prevenção

Maria do Sameiro Queirós Domingues

Full text

Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Rua Dr. Roberto Frias, s/n 4200-465 Porto PORTUGAL VoIP/SIP: [email protected] ISN: 3599*654 Telefone: +351 22 508 14 00 Fax: +351 22 508 14 40 URL: http://www.fe.up.pt Correio Eletrónico: [email protected] MESTRADO EM ENGENHARIA SEGURANÇA E HIGIENE OCUPACIONAIS Dissertação apresentada para obtenção do grau de Mestre em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto UMA ABORDAGEM AOS PROJETOS COMPLEXOS NA PERSPETIVA DA PREVENÇÃO Maria do Sameiro Queirós Domingues Orientador: Professor Doutor João Santos Baptista (FEUP) Coorientador: Professor Doutor Miguel Tato Diogo (FEUP) Arguente: Professora Doutora Maria Manuela Maia (UFP) Presidente do Júri: Professor Doutor José Soeiro de Carvalho (FEUP) Outubro 2012 Uma Abordagem aos Projetos Complexos na Perspetiva da Prevenção i BUSQUE AMOR NOVAS ARTES, NOVO ENGENHO, PERA MATAR-ME, E NOVAS ESQUIVANÇAS; QUE NÃO PODE TIRAR-ME AS ESPERANÇAS, QUE MAL ME TIRARÁ O QUE EU NÃO TENHO. OLHAI DE QUE ESPERANÇAS ME MANTENHO! VEDE QUE PERIGOSAS SEGURANÇAS! Luís Vaz de Camões AGRADECIMENTOS Não existem palavras que consigam expressar a gratidão que se sente em relação aqueles, que de um modo direto ou indireto, colaboraram comigo, para que esta Dissertação – Uma Abordagem aos Projetos Complexos na Perspetiva da Prevenção – possa ter acontecido. Mas, mesmo assim não quero deixar de referir quem me prestou tão preciosa ajuda, se me esqueci de alguns, perdoem-me desde já. Assim, quero dizer obrigada: Ao Prof. Doutor João Santos Baptista, meu orientador igualmente pela sua disponibilidade e apoio no desenvolvimento desta dissertação; Ao Prof. Doutor Miguel Tato Diogo que também foi meu coorientador, pelo auxílio, disponibilidade e colaboração prestada de forma incansável; Ao Eng.º Carlos Otero do Instituto de Soldadura e Qualidade – ISQ, pela sua disponibilidade e apoio na realização deste trabalho e particularmente na direção do estudo de caso sob a sua responsabilidade; Aos Eng.ºs Pedro Valverde e Pedro Moreira da EDP Inovação e Valor que foram incansáveis na colaboração, apoio e interesse que sempre demonstraram no caso em estudo; A todos os colaboradores da WindPlus S.A., especialmente na figura dos seus responsáveis que tornaram possível que os documentos do Projeto WindFloat fossem objeto de análise e estudo para esta Dissertação; À Prof.ª Doutora Adelina Baptista minha amiga, sempre pronta ajudar com seu conhecimento e disponibilidade; À Prof.ª Mestre Aura Rua de quem me socorri inúmeras vezes pelo vasto conhecimento na área legislativa e pelo apoio enérgico; Aos meus colegas do ISQ, Jorge Macedo, Ana Sofia Roçadas, que sempre que solicitados, se disponibilizaram para prestar uma preciosa ajuda; Aos meus outros colegas e particularmente ao Francisco Pinheiro porque foram muito prestáveis; Aos meus restantes amigos e família, que sempre me apoiaram nesta fase de menor disponibilidade e a quem, ao mesmo tempo aproveito para endereçar um pedido de desculpas por ter estado menos presente e por tal, ter sido motivo de preocupação. Uma Abordagem aos Projetos Complexos na Perspetiva da Prevenção iii RESUMO A prevenção da segurança e saúde e a gestão dos riscos na indústria de construção são e continuam a ser uma das principais preocupações dos profissionais da mesma, dos utilizadores, de terceiros e das autoridades. A pesquisa partiu de um estudo de caso de um projeto de construção inovador, no domínio das energias renováveis, energia eólica offshore. O protótipo tal como o nome indica configurava-se um caso específico e único de prevenção. Assim, traçaram-se como objetivos a identificação, sistematização e conceção de uma estrutura de classificação de projetos complexos, enquadrada na perspetiva da gestão da prevenção e também a aplicação de um sistema de gestão de riscos profissionais (fase de projeto) específico e adaptado às caraterísticas do protótipo. Com fundamentação no estado da arte foram analisados documentos e reportagens fotográficas da fase de conceção e execução do protótipo e tendo sempre por base a premissa legal da União Europeia – Diretiva 92/57/CEE do Conselho de 24 de Junho. Para fazer face às características de complexidade e gestão da prevenção identificadas para a Diretiva estaleiros, propõem-se um sistema de gestão de riscos para projetos complexos na sua fase de conceção com assento, no parecer prévio, coordenador de segurança, plano de segurança e saúde e dossier de eventuais trabalhos posteriores. Os objetivos propostos foram atingidos e o protótipo objeto de pesquisa comporta particularidades de engenharia que o tornam numa interface única perante o conceito de complexidade. No futuro pode alargar-se o estudo a outros setores bem como desenvolver um sistema de identificação, análise e avaliação de riscos específico de projetos complexos. Palavras-chave: energia eólica offshore, projetos complexos, construção, prevenção e gestão de riscos. Uma Abordagem aos Projetos Complexos na Perspetiva da Prevenção v ABSTRACT Prevention on health and safety and risk management are and remain a major concern in construction industry, namely of their professionals, users, third parties and authorities. A case study of renewable energy in an innovative construction project, offshore wind energy, was the start point for this research. The prototype as the name suggests leads to a specific and unique case of prevention. So the identification, systematization and conception of a classification structure of complex projects, framed in the perspective of the prevention management and also to implement a system of professional risk management (design phase) and adapted to specific characteristics of the prototype, were outlined as the objective of this research. Based on the state of the art of this subject, documents and photographic reports of design phase and implementation of the prototype were analyzed taking into account the premise EU law - Council Directive 92/57/EEC of 24 June. To meet the characteristics of complexity and prevention management identified for the construction sites Directive, are proposed a system of risk management for complex projects in design phase based on prior notice, safety coordinator, safety and health plan and file to be taken in account during any subsequent works. Objectives were achieved and the prototype, object of this research involves engineering peculiarities that make it an unique interface to the concept of complexity. In the future this study may be extended to other areas and to develop a system of identification, analysis and risk assessment specific to complex projects. Keywords: offshore wind energy, complex projects, construction, prevention and risk management. Uma Abordagem aos Projetos Complexos na Perspetiva da Prevenção vii ÍNDICE 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 1 2 ESTADO DA ARTE....................................................................................................... 3 2.1 Enquadramento Legal e Normativo ........................................................................ 3 2.1.1 Gestão de Projetos ........................................................................................... 4 2.1.2 Gestão da Segurança ........................................................................................ 5 2.1.3 Gestão de Riscos .............................................................................................. 8 2.2 Referenciais Técnicos ........................................................................................... 10 2.2.1 Energias Renováveis...................................................................................... 10 2.2.2 Energia Eólica Offshore................................................................................. 11 2.2.3 Tecnologia WindFloat ................................................................................... 12 2.2.4 Gestão da Energia Eólica Offshore ................................................................ 12 2.2.5 Gestão de Projetos de Construção Offshore .................................................. 13 2.2.6 Gestão da Segurança ...................................................................................... 13 2.2.7 Gestão de Riscos do Setor Offshore .............................................................. 14 2.3 Conhecimento Científico ...................................................................................... 15 2.3.1 Gestão de Projetos ......................................................................................... 15 2.3.2 Gestão da Segurança ...................................................................................... 18 2.3.3 Gestão da Segurança na Construção .............................................................. 19 2.3.4 Modelos de Projetos Complexos ................................................................... 24 2.3.5 Modelos de Sistemas Complexos .................................................................. 31 2.3.6 Pensamento Complexo .................................................................................. 37 2.3.7 Gestão de Riscos ............................................................................................ 39 3 OBJETIVOS E METODOLOGIA ............................................................................... 47 3.1 Objetivos da Tese .................................................................................................. 47 3.2 Metodologia Global de Abordagem...................................................................... 48 3.3 Materiais e Métodos .............................................................................................. 48 3.3.1 Materiais ........................................................................................................ 48 3.3.2 Métodos ......................................................................................................... 49 4 TRATAMENTO E ANÁLISE DE DADOS ................................................................ 51 Uma Abordagem aos Projetos Complexos na Perspetiva da Prevenção Domingues, Maria 1 1 INTRODUÇÃO Uma abordagem aos projetos complexos na perspetiva da prevenção constitui um tema vasto e heterogéneo para os domínios de estudo da segurança e saúde no trabalho. A complexidade é um assunto de investigação que engloba as mais diversas áreas do conhecimento como a Filosofia, a Sociologia, a Gestão, a Economia, a Biologia, a Física e a Engenharia entre outras. Pelo mundo podem-se encontrar escolas diversas: a francesa (Centre Edgar Morin), a inglesa (Oxford, Lancaster University), a sueca (Umea University), a americana (Santa Fé e New England Institute) a australiana (ARC Centre for Complex Systems – Queensland e Sidney University entre outras), a brasileira (Business School of São Paulo), etc., que vão desde simples departamentos de diversas universidades, passando por institutos e terminando em empresas privadas. Já em 1984 no “Symposium on Science and Praxis of Complexity” da United Nations University (UNU), realizado em Montpellier (France), foram manifestadas duas linhas divergentes de abordagem à complexidade. Assim, para Edgar Morin e Jean-Louis Le Moigne, a complexidade estava ligada ao problema da incerteza no conhecimento e para os fundadores do Instituto Santa Fé, como Murray Gell-Mann ou John Holland, a complexidade era principalmente “a ciência dos sistemas complexos adaptativos”. No mesmo sentido, a complexidade dos projetos também tem sido estudada por vários autores que pretendem encontrar uma resposta eficaz no apoio ao processo de tomada de decisão. Entre esses autores, destacam-se nomes como Ameen e Jacob (2009), Azim at al. (2010), Baccarini (1996), Barlow (2000), Cicmil e Marshall (2005), Geraldi at al. (2011), Hass (2008), Ireland (2007), Li e Guo (2011), Love at al. (2011), Muller at al. (2012), Nassar e Hegab (2006), Remington at al. (2009), Ruuska e Brady (2011), Snowden and Boone (2007), Thomas e Mengel (2008), van Marrewijk et al. (2008), Wideman (1990), Williams (1999 e 2001) e Xia e Chan (2012). Por sua vez, os sistemas, os sistemas complexos e o pensamento têm sido matéria de investigação de autores como: Checkland (2011), Gersh et al. (2005), Hollnagel et al. (1998 e 2006), Marashi e Davis (2006), Belmonte et al. (2011), Sorensen (2002), Sayama (2003), Amaral e Uzzi (2007), Yaneer Bar-Yam (1997 e 2003), Kuras (2003), Broekel e Boschma (2011), Gregoriades e Sutcliffe (2008), Helbing et al. (2011), Johnson (2006), Klein et al. (2003), Weber e Polo (2007), Ritchey (2010), Felici (2006), Sivadasam et al. (2010), da Silva (2007), Doursat e Ulieru (2008), Wilson at al. (2007), Ribeiro e Pratschke (2003) e Mariotti (2000 e 2010). Por conseguinte, a prevenção como tema transversal a distintas disciplinas do saber, onde particularmente a prevenção ocupacional deverá estar, onde estiver a ação humana como fator trabalho pelo que, tem sofrido incrementos significativos, com a melhoria das condições de vida e do desenvolvimento humano. A prevenção compreende a gestão, previsão, planeamento e desempenho, adequados para que não aconteçam acidentes laborais ou se contraiam doenças motivadas pela atividade Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 2 Introdução profissional através de ações várias como a identificação, análise e avaliação dos riscos a que os trabalhadores estão sujeitos. Tais objetivos só poderão ser concretizados com a cooperação efetiva de todas as partes envolvidas: a entidade empregadora, que tem a responsabilidade de proporcionar as melhores condições de segurança e saúde no trabalho, os gestores, os supervisores, os trabalhadores e os seus representantes para a segurança e saúde, bem como os sindicatos e organizações profissionais através da comunicação, acordos coletivos, comissões de segurança ou outros. Decorrente da complexidade dos projetos/sistemas e por similaridade com os mesmos, a prevenção tem sido um tema de estudo em destaque nos últimos anos como ferramenta de apoio à gestão da segurança e saúde ocupacional das organizações e de outros sistemas de trabalho, lançando mão dos mais modernos instrumentos e metodologias. São muitos os autores que nos últimos anos têm desenvolvido estudos na área: Bea (1998), Rodrigues (1999), Saksvik e Quinlan (2003), Håvold (2010), Lukic et al. (2010), Njå e Solberg (2010), Reiman e Rollenhagen (2011), Fernández-Muñiz (2012), Eid et al. (2012), Gagliardi et al. (2012), Kelly e McDermid (1996), Gambatese et al. (2005), Yi-man (2006), Lorino (2007), Hinze (2008), Garrett e Teizer (2009), Ghosh e Young-Corbett (2009), Nahmens e Ikuma (2009), Hallowell e Gambatese (2009), Mitroupolos e Cupido (2009), Panas e Pantouvakis (2010), Gangolells et al. (2010), Hare e Cameron (2011 e 2012) e ainda, Rasmussen e Lundell (2012). E, particularmente no domínio da gestão de riscos podem-se citar: Young (1996), Mohamed e McCowan (2001), Walewski e Gibson (2003), Kawak e Ingall (2007), Papazoglou e Ale (2007), Harinarain et al. (2008), Colombo e Demichela (2008), Oliveira e Qualharini (2009), Mahamid (2011), Artilheiro (2009), Kujawski e Angelis (2009), Aven (2010 e 2012), Leitch, Purdy, Aven, Skogdalen, Grøtan, Cherubin, Lingard, Gil e Tether (2011), van Beusekom, Gibson, Bilgili, Kontic e Gerbec (2009), Paté-Cornell e Dillon (2001), Cruz et al. (2010). Assim, todas as ações de sistematização que se possam empreender em relação à gestão de riscos trazem um maior aporte de prevenção porquanto há, uma melhor focagem e continuidade que possibilitam o aumento da capacidade de identificar, avaliar, controlar e reduzir os riscos para os trabalhadores, utilizadores e terceiros de uma qualquer organização, sistema ou projeto. Uma Abordagem aos Projetos Complexos na Perspetiva da Prevenção Domingues, Maria 3 2 ESTADO DA ARTE O estado da arte, uma vez que é o mais elevado nível de desenvolvimento técnico e científico alcançado até ao momento faz uma resenha geral dos temas que servem de base ao desenvolvimento do presente trabalho. Parte-se da gestão de projetos, gestão da segurança, e gestão da segurança na construção (conceção, desenvolvimento e utilização) e caminha-se na pesquisa de outros temas como: projeto, projeto complexo e projeto de construção, para terminar na gestão de projetos complexos, sistemas complexos, pensamento complexo e gestão de riscos. Este capítulo é assim elaborado em três pontos: (1) enquadramento legal e normativo; (2) referenciais técnicos; (3) conhecimento científico. 2.1 Enquadramento Legal e Normativo A primeira preocupação social que impulsionou a criação de legislação laboral foi a segurança dos locais de trabalho, primeiro com a proteção de terceiros (vizinhança) e só posteriormente, bastante mais tarde com os trabalhadores (Miguel, 2010). Figura 1 – Implantação de Aerogerador no Mar Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 4 Estado da arte A legislação e normas laborais estão ligadas entre si e relacionadas com o sector de atividade em que se insere um qualquer labor. Nesse âmbito, e para o sector da construção expõem-se os documentos que servem de referência à elaboração desta Dissertação. Assim, far-se-á alusão aos principais documentos legislados e normalizados acerca de gestão de projetos e organizações, gestão da segurança e gestão de riscos. 2.1.1 Gestão de Projetos 1) Decreto-Lei n.º 18/2008 de 29 de Janeiro: aprova o Código dos Contratos Públicos (CCP), que estabelece a disciplina aplicável à contratação pública. Tem implícita a noção de projeto ao longo de todo o seu texto conforme se pode ver na tabela 1. Tabela 1 – Noção de Projeto e Complexidade no Decreto-Lei n.º 18/2008 Índice Descrição Artigo 25º 1 i) Essas obras estejam em conformidade com um projeto base comum Artigo 43º 1 b) Projeto de execução. Artigo 43º 2 Quando a obra a executar assuma complexidade relevante ou quando sejam utilizados métodos, técnicas ou materiais de construção inovadores, o projeto de execução … Artigo 352º 4 O empreiteiro tenha a obrigação de elaborar o projeto de execução 2) Lei n.º 60/2007 4 de Setembro: procede à sexta alteração do Decreto-Lei n.º 555/99 de 16 de Dezembro, que estabelece o regime jurídico da urbanização e edificação, republicando-o em anexo, na sua redação atual. Na tabela 2 apresentam-se algumas das citações da noção de projeto do texto da Lei n.º 60/2007. Tabela 2 – Noção de Projeto na Lei n.º 60/2007 Índice Descrição Artigo 3º 3 Os projetos dos regulamentos referidos no n.º 1 são submetidos a discussão pública, por prazo não inferior a 30 dias, antes da sua aprovação pelos órgãos municipais Artigo 10º 1 O requerimento ou comunicação é sempre instruído com declaração dos autores dos projetos Anexo I Artigo 124º Depósito legal dos projetos O diploma no seu art. 6º dispõe transitoriamente sobre: as obras de edificação e as operações de loteamento, obras de urbanização e trabalhos de remodelação de terrenos, cujo processo de licenciamento decorra na respetiva câmara municipal. 3) Decreto-Lei n.º 48/2011 de 1 de Abril: simplifica o regime de acesso e de exercício de diversas atividades económicas. É um diploma realmente dedicado ao processo de licenciamento. Domingues, Maria 5 2.1.2 Gestão da Segurança 1) Convenção OIT nº 167 de 1988: a Convenção, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), para a segurança e saúde na construção veio aglutinar num único documento a segurança no local de trabalho (construção) e a segurança dos trabalhadores (trabalhadores da construção) bem como as responsabilidades de cada um dos vários intervenientes. 2) Diretiva 89/391/CEE de 12 de Junho de 1989: em termos de príncipios de prevenção da segurança e saúde dos trabalhadores o documento histórico na Europa é a Diretiva 89/391/CEE do Conselho de 12 de Junho, quando no seu artigo 6º, ponto 2, refere os nove princípios gerais de prevenção como uma obrigação da entidade patronal. 3) Diretiva 92/57/CEE de 24 de Junho de 1992: a publicação da Diretiva Estaleiros (DE) pela União Europeia (EU) (Diretiva 92/57/CEE do Conselho) foi um marco importante em termos de responsabilidades e obrigações em matéria de segurança e saúde no trabalho (SST) para todos os intervenientes no processo de construção. A noção de projeto também está intrinsecamente ligada à publicação da DE como ser pode ver na tabela 3 deste trabalho. Tabela 3 – Noção de Projeto na Diretiva 92/57/CEE Índice Descrição Introdução Considerando que escolhas arquitetónicas e/ou organizacionais inadequadas ou uma má planificação dos trabalhos na elaboração do projeto da obra contribuíram para mais de metade dos acidentes de trabalho nos estaleiros da comunidade Artigo 2º e) Coordenador em matéria de segurança e saúde durante a elaboração do projeto da obra Artigo 4º Elaboração do projeto da obra: princípios gerais Artigo 5º Elaboração do projeto da obra: função dos coordenadores A DE teve em conta as disposições da Convenção n.º 167 de 1988 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) acerca da segurança e saúde na construção e introduziu uma abordagem de melhoria da segurança e saúde nos estaleiros temporários ou móveis. A sustentação ou as pedras basilares da Diretiva Estaleiros são apresentadas na tabela 4. Tabela 4 – Conteúdos Base da Diretiva 92/57/CEE Eixos Descrição 1 Todos os intervenientes no processo de construção têm tarefas/responsabilidades específicas relativamente à segurança e saúde no trabalho, incluindo o dono da obra e autores do projeto 2 O conceito de coordenação de segurança e saúde para a fase do projeto/conceção e para a fase de construção/execução dos trabalhos 3 Três documentos de prevenção de riscos profissionais: o parecer prévio, o plano de segurança e saúde e o dossier de eventuais trabalhos posteriores Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 6 Estado da arte Como o dono da obra geralmente não possui os conhecimentos necessários passa as responsabilidades de SST para as figuras que a DE determina, tal como se vê na tabela 5. Tabela 5 – Figuras Jurídicas da Segurança da Diretiva 92/57/CEE Artigo Figuras Jurídicas Art.º 3º 1 O dono da obra ou o diretor/fiscal da obra nomeará, para um estaleiro em que vão operar várias empresas, um ou vários coordenadores em matéria de segurança e saúde… Art.º 3º 2 O dono da obra ou o diretor/fiscal da obra assegurará que, antes da abertura do estaleiro, seja estabelecido um plano de segurança e saúde… Art.º 3º 3 O dono da obra ou o diretor/fiscal da obra comunicarão às autoridades competentes, antes do início dos trabalhos, o parecer prévio… Assim, o parecer prévio (PP) será preparado antes do inicio dos trabalhos com as declarações de aceitação dos intervenientes e tem por função informar as autoridades competentes da abertura do estaleiro temporário ou móvel. O PP deve conter um conteúdo mínimo que é obrigatório quando satisfaz pelo menos uma das condições apresentadas na tabela 6. Tabela 6 – Obrigatoriedade de Parecer Prévio da Diretiva 92/57/CEE Condições de Obrigatoriedade Descrição 1 Trabalhos tenham uma duração superior a 30 dias de trabalho e neles sejam envolvidos mais do que 20 trabalhadores em simultâneo 2 Volume de trabalho exceda 500 pessoas-dia A DE estabelece que a coordenação de segurança e saúde em todas as obras que implicam riscos especiais, independentemente da sua dimensão (custo) e/ou complexidade deve ser implementada desde a elaboração do projeto, até à conclusão dos trabalhos e ainda durante a manutenção no seu período de vida útil. No seu anexo II, a DE apresenta uma lista não exaustiva de trabalhos que implicam riscos especiais que se transcreve na tabela 7. Tabela 7 – Trabalho de Risco Especial da Diretiva 92/57/CEE Trabalhos de Risco Especial Descrição 1 Riscos de soterramento, de afundamento ou de queda de altura 2 Substâncias químicas ou biológicas 3 Radiações ionizantes 4 Na proximidade de cabos elétricos de alta tensão 5 Que impliquem risco de afogamento 6 Em poços, túneis ou galerias 7 De mergulho com aparelhagem 8 Em caixões de ar comprimido 9 Que impliquem a utilização de explosivos 10 De montagem ou desmontagem de elementos pré-fabricados pesados Assim, visando a prevenção de riscos profissionais e tal como o determinado na DE são funções da coordenação de segurança em projeto (CS-P) as inscritas na tabela 8. Domingues, Maria 7 Tabela 8 – Funções da Coordenação de Segurança em Projeto da Diretiva 92/57/CEE Funções da CS-P Descrição 1 Coordenar a aplicação dos princípios gerais de prevenção nas opções arquitetónicas, técnicas e/ou organizacionais e na estimativa de prazos de execução dos diversos trabalhos 2 Elaborar, ou mandar elaborar, um plano de segurança e saúde que indicará com precisão as regras aplicáveis ao estaleiro em questão 3 Organizar um dossier adaptado às características da obra/empreendimento contendo informação relevante sobre segurança e saúde a ter em conta em eventuais trabalhos posteriores Tendo em conta o referido e os art.ºs 5º e 6º da DE considera-se que a função de coordenação de segurança de projeto comporta as tarefas expostas na tabela 9. Tabela 9 – Tarefas da Coordenação de Segurança em Projeto da Diretiva 92/57/CEE Tarefas da CS-P Descrição 1 Aconselhar o dono da obra em todos os assuntos relacionados com a segurança e saúde no trabalho 2 Coordenar a implementação dos príncipios gerais de prevenção que os autores do projeto devem aplicar na elaboração do mesmo 3 Elaborar o plano de segurança e saúde no trabalho que deverá incluir todas as regras relativas à segurança e saúde a serem implementadas durante a execução dos trabalhos 4 Elaborar o dossier de eventuais trabalhos posteriores 5 Preparar, sempre que aplicável, as exigências sobre segurança e saúde no trabalho a incluir no processo de concurso 6 Transmitir ao coordenador de segurança e saúde para a fase de construção de toda a informação relevante sobre segurança e saúde A preparação do plano de segurança e saúde (PSS) e do dossier de eventuais trabalhos posteriores (DETP), devem ser iniciados durante a elaboração do projeto e serem incluídos no processo de concurso. Logo após adjudicação e antes do início dos trabalhos esses documentos devem ser adaptados e complementados e na fase de construção devem evoluir (dinâmicos) e ser revistos de acordo com as regras estabelecidas, os processos e os métodos construtivos. O DETP é o documento de prevenção de riscos profissionais durante as intervenções pós-conclusão dos trabalhos. A transposição da DE nos diversos países da União Europeia (EU) em relação aos coordenadores de segurança e saúde foi feita com diferenças substanciais tal como expresso na tabela 10 (ISSA, 1999)1. O PSS de projeto, em alguns dos países da EU, é exigido para todos os projetos, noutros é imposto para projetos com parecer prévio ou que envolvam riscos especiais, em Espanha são necessário dois PSS (fase de projeto e de obra) e por fim, há também os que excluíram a sua exigência para pequenos trabalhos (a clarificação da Comissão Europeia de Novembro de 2001 não permite exclusões) (Comissão Europeia, 2011)2. 1 Genebra, Suíça em 1999 2 Luxemburgo em 2011 Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 8 Estado da arte Nos vários países da EU foram adotadas diferentes designações e abordagens para o DETP, que é exigido para todos os projetos em geral, apesar das exceções como é o caso de Espanha, e outros países onde a legislação refere a inclusão de um conteúdo mínimo. Tabela 10 – Responsabilidades dos Coordenadores de Segurança na União Europeia Países Entidade Jurídica Aplicação dos Princípios Gerais de Prevenção Outras Responsabilidades Espanha Itália Impõem que sejam pessoas singulares Reino Unido Suécia Determinam que sejam pessoas coletivas Alemanha, Dinamarca França Pessoa coletiva deve incluir na equipa pessoas singulares França A coordenação de segurança em projeto tem por função aplicá-los Entrega de documentos ao coordenador de segurança e saúde de construção sendo outra pessoa Definir as condições de aplicação e utilização de proteções Interferências com outras atividades Presidir à comissão interempresas Medidas para que só os autorizados possam entrar no estaleiro Irlanda Coordenação das atividades de outras pessoas contratadas para a elaboração do projeto Bélgica França Abrir, atualizar e completar o jornal da coordenação Bélgica Adaptar o plano de segurança e saúde às alterações do projeto Aconselhar e entregar documentos de segurança e saúde no trabalho Reino Unido Assegurar que os autores do projeto cumprem os seus deveres estabelecendo a cooperação entre eles Aconselhar o cliente quando solicitado e assegurar a notificação do estaleiro às autoridades competentes 2.1.3 Gestão de Riscos 1) Normas: a política de gestão de riscos de uma organização deve definir a sua estratégia de aptidão e abordagem à gestão de riscos além das responsabilidades de gestão de riscos em toda a organização, e dos requisitos legais para as declarações de política, como por exemplo, de saúde e segurança. Existem também, ferramentas e técnicas integradas para utilização nas diversas fases da gestão do processo de negócio, e tal exige: (i) o compromisso da gestão de topo e do executivo, (ii) a atribuição de responsabilidades dentro da organização; (iii) a alocação de recursos de formação (desenvolvimento) de uma perceção de risco nos afetos (IRM-airmic-ALARM, 2002)3. 3 Londres, Inglaterra em 2002 Domingues, Maria 9 2) Princípios e Linhas de Orientação da Norma ISO 31000 de 15/11/2009: a norma descreve em detalhe todo o processo sistemático e lógico de gerir o risco e traça um conjunto de princípios e de linhas de orientação para a implementação de práticas de gestão do risco no âmbito da gestão global das organizações. Como operam em ambientes cada vez mais incertos, a norma pretende potenciar a capacidade das mesmas atingirem os seus objetivos, desenvolverem a capacidade de identificação de oportunidades e ameaças, ou do aumento de confiança entre as partes. Como o risco está indissociavelmente ligado a múltiplas atividades empresariais, nem sempre o objetivo é a sua eliminação, mas sim a capacidade de o gerir (da Costa, 2011). A norma ISO 31000: 2009 sublinha repetidamente que a gestão de riscos deve ser parte integrante dos processos de gestão em todos os níveis da organização, e dos próprios processos. A condição de análise de riscos exige um pensamento mais desenvolvido do que o que existe em muitas organizações e preocupa-se com três pontos específicos tal como explicitado na tabela 11 (Leitch, 2010). Tabela 11 – Pontos de Análise de Riscos Pontos Descrição 1º Podem ser levadas a níveis de detalhe variáveis dependendo do risco 2º Considerar “a interdependência dos diferentes riscos e suas fontes” o que muitas vezes não é feito num processo de registo risco-conduzido, que tende a considerar os riscos independentes 3º Considerar e comunicar confiança nas avaliações de risco que são benéficas para a mudança 3) Guia ISO 73:2009 de Vocabulário Associado ao Risco: a publicação de uma nova norma para a gestão de riscos (IS0 31000), em 2009, juntamente com um novo vocabulário associado (Guia ISO 73) resultou de um processo de consenso conseguido ao fim de quatro anos e sete projetos que envolveram centenas de profissionais de gestão de risco de todo o mundo. A nova norma suporta uma maneira nova e simples de pensar a gestão de riscos e destina-se a iniciar o processo de resolver as muitas inconsistências e ambiguidades que existem entre diferentes abordagens e definições. A padronização tem como consequência inevitável a necessidade de compromisso e mudança (Purdy, 2010). O guia de terminologia, de gestão de riscos ISO 73:2009, expõe o vocabulário básico para a compreensão dos conceitos, termos de gestão e de avaliação de risco das organizações, funções e áreas de aplicação. O seu objetivo é contribuir para o desenvolvimento da área de gestão e avaliação de riscos, reforçando a sua base conceptual. Estabelece também, os fundamentos da norma IS0 31000:2009 e influencia as áreas de avaliação e gestão de risco. O conceito de risco (foco) é definido como o efeito da incerteza em atingir os objetivos, mas também são abordadas as definições de probabilidade, vulnerabilidade, perigo, identificação do risco e descrição de risco (Aven, 2011). Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 16 Estado da arte uma relação estatisticamente significativa entre os padrões de desempenho e as perceções de eficácia do desempenho no trabalho da gestão sénior. Sugerem também, diferentes expectativas e perceções de competência de gestão de projetos entre os gestores de projeto e os seus supervisores, a gestão sénior (Crawford, 2005). 3) Paradigmas e Tecnologias de Liderança: a gestão de projetos tradicional está profundamente enraizada no paradigma rígido tal como é evidenciado pelos seus pressupostos e atitudes, pelos contextos e pelos tradicionais papéis dos gestores de projeto. Em oposição, apesar de ser menor a influência do paradigma flexível na gestão de projetos tem vindo a crescer tal como indicam as evidências observadas na identificação das deficiências ou no questionar das suposições existentes. A gama de referenciais teóricos aplicados à pesquisa e à prática da gestão de projetos está a expandir-se exibindo um significativo grau de “pluralidade” (Pollack, 2007). A adoção de tecnologias colaborativas tipo Building Information Modeling (BIM) conduz a uma maior eficiência, tal como indica uma pesquiza de exploração das mesmas para sistemas mecânicos, hidráulicos, elétricos e de segurança contra incêndio. As conclusões evidenciaram dois aspetos particulares; as obrigações do indivíduo com um propósito de trabalho ou com uma determinada empresa podem colocar em risco a coesão do projeto, e a liderança individual (especialmente do coordenador das tecnologias BIM nas equipas estudadas) que muitas vezes se torna o substituto para as organizações de projeto mais fortes (Dossick & Neff, 2007). 4) Aspetos Operacionais: um estudo orientado para os resultados dos projetos de construção industrial especializada (incluindo os projetos de larga escala e de elevado grau de complexidade tecnológica), utilizou uma metodologia de avaliação de projetos fundamentada numa classificação de fatores críticos para o êxito e teve como linha de base e referência, diferentes projetos industriais com diferentes vínculos contratuais. Os resultados da investigação sugerem os estádios iniciais da fase de construção são indispensáveis para o sucesso dos projetos, além do grau de relação entre a eficácia dos fatores humanos e as funções de gestão do projeto, diferentes projetos industriais compreendem distintos fatores de sucesso e características de gestão para atingir os seus objetivos (Forcada et al., 2008). Um dos principais desafios dos governos é a conclusão de projetos públicos no prazo, dentro do orçamento e de acordo com o alcance desejado. Sendo a indústria da construção extremamente complexa, agravado ainda, pelo aumento contínuo dos preços dos materiais de construção e pelos problemas de trabalho, um erro menor numa estimativa do concurso pode conduzir ao fracasso do projeto e ter consequências extremas para o contratante. As estimativas prévias ao concurso devem servir de base fidedigna na avaliação de propostas. Os projetos que falham como resultado de má gestão, construção deficiente ou materiais Domingues, Maria 17 inadequados e assim, representam despesas inúteis e custos desnecessários para o contribuinte (Samuel, 2008). O desenvolvimento de normas de interoperabilidade é um projeto único que tem procurado o intercâmbio entre paisagismo, construção civil e arquitetura. Embora os objetivos de outros projetos internacionais (classes industriais de Estradas e obras de construção STEP no Japão) já concluídos, se sobreponham com os deste, importa referi-los: (i) desenvolvimento de um protótipo que facilite o intercâmbio de informações entre engenheiros civis, arquitetos paisagistas e arquitetos; (ii) implementação desse protótipo; (iii) teste e ensaio dos recursos do protótipo (Isokangas et al., 2009). A estratégia de uma organização pode influenciar a natureza dos projetos e os arranjos decididos para os gerir pelo que, estão por isso também, na origem do conceito de grau de “ajuste” entre a implementação da gestão de projetos organizacionais e o seu contexto organizacional (Cooke-Davies et al., 2009). 5) Vertente Humana: a inteligência emocional (IE) é uma área de investigação do comportamento, em crescimento e é positivamente relacionada com o sucesso, satisfação e saúde emocional no trabalho. Entre o comportamento organizacional e a inteligência emocional de um indivíduo existe uma complexa inter-relação por isso, é importante conhecer o impacto dos indivíduos de um determinado projeto ou de uma organização na competitividade da empresa (Love, Edwards, & Wood, 2011). No mesmo sentido, os gestores de projeto enfrentam grandes desafios de melhoria na área da gestão de pessoas mediante isso, devem desenvolver seis características consideradas fundamentais para a sua liderança: (i) compreender as caraterísticas comportamentais, (ii) capacidade de liderar, (iii) influenciar os outros, (iv) comportamento autêntico, (v) gerir conflitos e (vi) consciência cultural (Fisher, 2011). O mundo da gestão de recursos humanos está a mudar mais rapidamente do que se imagina e as constantes transformações ambientais significam que os gestores de recursos humanos enfrentam também essas modificações e devem responder-lhes tirando proveito das alterações graduais e profundas na natureza, práticas correntes e políticas globais de gestão de recursos humanos, missão e visão (Chiavenato, 2001). Associada à tendência de que as mudanças organizacionais podem beneficiar da aplicação das habilidades de gestão, ferramentas e técnicas dos projetos, há no mercado uma competição entre gestores de projeto e gestores da mudança no que respeita a quem deve pertencer a gestão da mudança nos negócios. Os executivos e gestores seniores têm vindo a exercer os papéis principais na gestão de grandes mudanças e transformações organizacionais embora possam envolver como assistentes os gestores de projeto e de mudança (Crawford & Nahmias, 2010). Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 18 Estado da arte 2.3.2 Gestão da Segurança 1) Fatores Humanos e Organizacionais: um desafio que a engenharia das estruturas offshore enfrenta atualmente é a integração explícita de considerações acerca de fatores humanos e organizacionais na conceção de novos sistemas e na operação dos sistemas existentes. Este desafio deve ser cumprido para que seja possível melhorar a segurança e fiabilidade das estruturas offshore (Bea, 1998). No mesmo sentido, a formação de coordenadores de segurança e saúde, do sector da construção, na fase de projeto e na fase de execução, de acordo com o preconizado na Diretiva comunitária 92/57/CEE do Conselho, de 24 de Junho deve integrar a formação base de um curso de engenharia civil que permita através de disciplinas de opção aceder à formação específica em segurança e saúde (Rodrigues, 1999). Ainda na mesma linha de pensamento, a avaliação da eficácia de sistemas SST da Noruega e da Austrália revelou muitas semelhanças apesar de, os mecanismos regulamentares de execução serem diferentes. Os dois países empregaram os mesmos objetivos definidos pelas normas internacionais, ISO 9000 e ISO 14000. Assim, conclui-se que a gestão desempenha um papel significante e requer habilitações de SST independentes, quer para os projetos, quer para os circuitos de feedback (Saksvik & Quinlan, 2003). Por fim, o estudo das atitudes relacionadas com a gestão da segurança/cultura a bordo de petroleiros de propriedade norueguesa veio apontar a existência de diferenças significativas entre os armadores, as ocupações dos marinheiros, os marinheiros de diferentes países de origem, as idades dos marinheiros, entre os navios de pavilhão estrangeiro e entre a idade dos navios, mas não entre os diferentes tipos de navios (Håvold, 2010). 2) Aprendizagem: os incidentes de SST geralmente são o resultado de uma combinação de falhas que tende a ser precedida de precursores (quase acidentes e eventos de pequena escala) e a incapacidade de reconhecer e aprender com esses indícios precoces geralmente resulta em incidentes maiores. A aprendizagem com incidentes deve assim, incluir a preparação para os mesmos (diferentes e inesperados) e os elementos úteis em contextos específicos, tendo em conta as restrições de tempo e custo (Lukic et al., 2010). Com os novos termos de concorrência, mudanças regulatórias, separação e transferência da autoridade da aviação civil, privatização e reformas de eficiência de novas infraestruturas, em suma, na reestruturação de companhias aéreas foi analisada a inclusão de considerações de segurança e o impacto das avaliações de segurança nos processos de mudança em decisões específicas. A análise conclui que o risco é um conceito complexo e difícil de comunicar num processo de decisão racional de políticas mas, o elemento emotivo intrínseco ao conceito de risco, abre o caminho para especulações políticas que facilitam a discussão das responsabilidades éticas. As avaliações de segurança e risco devem ser vistas num contexto de poder e devem ser consideradas como uma parte inerente aos processos Domingues, Maria 19 de planeamento/decisão e não podem ser tratadas como uma medida objetiva das condições de um sistema de segurança (Njå & Solberg, 2010). 3) Clima Atual: a gestão da segurança é baseada em modelos ou teorias de organização humana, comportamento e segurança de sistemas pelo que, os modelos e teorias vigentes contêm um conjunto potencial de preconceitos (humanos e organizacionais). O estudo dos mesmos em quatro áreas temáticas de crenças: (i) do comportamento humano, (ii) das organizações, (iii) das informações, e (iv) dos modelos de segurança; mostrou que algumas tendências conduzem a uma abordagem em que as pessoas são tratadas como atores isolados e independentes do que fazem (o que cria barreiras e restrições ao comportamento humano e negligência ao trabalho eficaz). Essa visão também pode levar a uma separação dos fatores humanos das questões técnicas e minar a visão holística dos sistemas de segurança (Reiman & Rollenhagen, 2011). Um estudo empírico de análise do clima de segurança foi realizado numa amostra de 131 organizações de Espanha, certificadas pela OHSAS 18001. Identificaram-se as dimensões da análise, testou-se e propôs-se um modelo de equações estruturais de determinação dos antecedentes e das consequências do comportamento de segurança dos funcionários. Os resultados mostraram o compromisso que a gestão, e particularmente o efeito que a comunicação, têm sobre os comportamentos e desempenhos de segurança, satisfação do empregado, e competitividade da empresa (Fernández-Muñiz et al., 2012). O elevado número de quase-acidentes e acidentes de trabalho indicam que os processos humanos e de conformidade do trabalhador com normas de segurança devem ser investigados. O clima individual positivo e os fatores de liderança podem influenciar os comportamentos de segurança bem como as mudanças no local de trabalho e na força de trabalho ao longo do tempo devido a downsizing, reestruturações, fusões empresariais, ou uma maior confiança nos empreiteiros, podem criar novos caminhos para a gestão da segurança no trabalho (Eid et al., 2012). Apesar das políticas e diretivas de segurança estabelecidas na Europa, ainda subsistem alguns problemas de implementação, devido às mudanças no mundo do trabalho, fragmentação, crise económica e, mais genericamente, ao impacto da globalização. Portanto, as ações em relação aos planos de pesquisa e à execução de políticas precisam ser revistas, de modo a apoiar a dimensão social, fomentando a segurança e saúde ocupacional como um conceito de mais amplo bem-estar no trabalho (Gagliardi et al., 2012). 2.3.3 Gestão da Segurança na Construção 1) Casos de Segurança: o propósito dos casos de segurança é apresentar o argumento de que um sistema, físico ou processual, é aceitavelmente seguro para operar e deve Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 20 Estado da arte demonstrar como as evidências disponíveis podem ser razoáveis e interpretadas como indicadores de conformidade com os requisitos de segurança do sistema. A utilização informal de casos de segurança já é comum, especialmente em domínios estáveis e bem entendidos (motores de controladores aeroespaciais) no entanto, esse tipo de utilização sem controlo, pode deixar de explorar oportunidades. A documentação de estruturas comuns de casos de segurança, com a criação de padrões, proporciona um meio adequado á promoção da reutilização sistemática de artefactos e de ajuda ao desenvolvimento de novos casos de segurança (Kelly & McDermid, 1996). 2) Segurança em Projeto: os projetos de segurança na construção implicam a consideração da segurança dos trabalhadores já na fase de elaboração do projeto (a conceção de projetos é vista como um fator de contribuição para a ocorrência de acidentes no estaleiro de construção), o qual deve eliminar ou evitar perigos antes da sua exposição como local de trabalho. As principais mudanças necessárias para a implementação do conceito de segurança na fase de projeto estão descritas na tabela 12. Também foi possível saber, através de entrevistas a arquitetos e engenheiros, que muitos profissionais de design estão interessados e dispostos a implementar o conceito da segurança em projeto e entre os obstáculos de implementação apenas se destacam: (i) o custo do projeto, (ii) o cronograma e (iii) as limitações de criatividade (Gambatese et al., 2005). Tabela 12 – Conceitos de Segurança na Fase de Projeto de Gambatese N.º Descrição 1 Mudança de mentalidade em direção à segurança de projeto 2 Estabelecimento de uma força motivacional para promover a conceção de segurança 3 Aumentar o conhecimento do conceito nos criadores 4 Incorporar conhecimento de segurança na construção na fase de projeto 5 Utilizar designers com conhecimento em modificações de design para a segurança 6 Utilizar ferramentas de segurança e orientações disponíveis para uso e referência no projeto 7 Mitigar a exposição e responsabilidade do designer 3) Segurança em Construção: em Hong Kong os resultados indicam que os descuidos dos trabalhadores e a falta de conhecimentos de segurança são as principais causas de acidentes bem como, a escassez de comunicação, gestão e falha de inspeções. O conceito de segurança e o reconhecimento dos comportamentos de segurança são os dois principais fatores de motivação dos trabalhadores para a segurança. Por sua vez, a principal motivação das empresas para implementar medidas de segurança é a oportunidade de participar em concursos de construção de obras (os custos das medidas de segurança correspondem a cerca de 0,011% do total do contrato) (Yi-man, 2006). A melhoria das condições de segurança e saúde no trabalho das empresas de construção pode fundamentar-se na noção de “processo” de gestão assente em três ideias: (i) dinâmica; (ii) processos organizacionais; (iii) testes de aplicabilidade. E, o sucesso dessa Domingues, Maria 21 noção baseia-se na aprendizagem organizacional, que é dialógica e mediada pela utilização de sistemas semióticos (linguagem, ferramentas técnicas e de gestão). Um estudo de caso de segurança no trabalho em estaleiros de construção mostra que é difícil “controlar” os riscos no trabalho pois, os projetos foram criados no quadro do processo, do “projeto de execução”. O risco é mais fácil de eliminar quando os atores do processo projetam e redesenham coletivamente a sua atividade, desde a primeira fase do projeto de construção até à sua conclusão. Uma maneira adicional de melhorar a segurança consiste em estender no tempo o cronograma da atividade coletiva em apreciação, superando a tradicional separação entre o “planeamento do projeto” e a “execução”. (Lorino, 2007). A essência do trabalho de construção no local muda drasticamente sempre que um novo projeto é iniciado. As partes envolvidas em cada projeto tendem a diferir das que elaboraram o projeto prévio e os trabalhadores estão num projeto por diferentes períodos de tempo ou seja, alguns trabalhadores estão num projeto por apenas alguns dias antes de serem imputados a outro projeto. Como tal, a natureza do trabalho de construção é feita de mudanças as quais requerem ajustes contínuos e a incapacidade de estabelecer uma adaptação às novas condições pode facilmente conduzir a acidentes e lesões (Hinze, 2008). O desenvolvimento de um programa intuitivo acerca do erro humano, ferramenta de classificação da segurança na construção propõe uma nova análise do erro educacional, pela educação dos trabalhadores e gestores das operações de campo na identificação das causas do erro humano e nas técnicas de mitigação do mesmo (Garrett & Teizer, 2009). 4) Novos Conceitos: os princípios lean visam reduzir os elementos dos processos de trabalho, e salvaguardar os trabalhadores da construção de riscos ocupacionais que contribuam para a diminuição dos acidentes de trabalho (desperdício sem valor acrescentado). A segurança é analisada pela avaliação de desempenho, do planeamento de segurança e da previsão de níveis de risco. Os conceitos lean estendidos ao planeamento da segurança na construção, tais como, o método last planner permitem integrar o planeamento da segurança na construção através do controlo de quatro funções essenciais como se observa na tabela 13 (Ghosh & Young-Corbett, 2009). Tabela 13 – Funções de Integração da Segurança na Construção de Ghosh N.º Descrição 1 Antecipação de recursos de segurança necessários ao controlo dos riscos 2 Identificação e controlo de riscos originados nas decisões de planeamento 3 Avaliação do desempenho da segurança (com base em indicadores pró-ativos e reativos) 4 Trabalhadores que permitem a identificação de riscos e apresentam sugestões para os controlar O desenvolvimento e implementação de aplicações de segurança sob a égide do paradigma da construção lean, podem ser classificadas em duas grandes categorias: (i) relacionadas com a melhoria dos processos de segurança e (ii) relacionadas com o detalhe do nível Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 22 Estado da arte operacional. É conhecido que os princípios lean reduzem a taxa de acidentes no entanto, não há nenhuma evidência empírica dessa hipotética relação no sector da construção. A análise do impacto potencial da melhoria contínua (conceito lean, usado na segurança) mostrou que a presença de programas desse tipo é associada a menores taxas de incidência de lesões. Assim, os resultados da pesquisa poderão contribuir para a melhor compreensão da aplicabilidade e potenciais benefícios da lean production no setor da construção, em termos, de segurança e saúde dos trabalhadores (Nahmens & Ikuma, 2009). 5) Paradigmas de Prevenção: os elementos mais eficazes de um programa de segurança são: o suporte da gestão de topo no compromisso e na seleção de subcontratados e a gestão estratégica, e os fatores menos eficazes são os registos, análises de acidentes e o planeamento da resposta a emergências. Assim, determinar a eficácia relativa dos componentes de um programa de segurança, quantificando a sua capacidade individual para mitigar os riscos da saúde e segurança na construção é crucial, a fim de determinar a eficácia dos elementos individuais do programa de segurança e se foram realizadas as atividades do programa de investigação: i) a criação de um sistema de classificação de riscos de segurança usando uma agregação de literatura relevante; ii) a identificação na literatura de elementos programa de segurança eficazes; iii) a quantificação da capacidade de cada elemento do programa de segurança para mitigar uma parcela de cada uma das classes de risco (Hallowell & Gambatese, 2009). Também, e para os estaleiros de construção, o modelo de estudo das causas dos acidentes de trabalho deve ser baseado na perspetiva da engenharia dos sistemas cognitivos (ESC) em que a segurança é uma propriedade que emerge do sistema de produção, dos processos de trabalho utilizados pela equipa, que podem gerar situações problemáticas aos trabalhadores (as exigências da tarefa), decisivas na afetação do seu desempenho. Na perspetiva cognitiva os erros são um sintoma da existência de uma dificuldade concreta no sistema de trabalho e não uma simples falha humana pelo que, a análise das conexões entre os comportamentos dos profissionais e a gestão dos recursos (ferramentas, pessoas, tarefas e ambiente operacional) é fundamental. Identificam-se na tabela 14, três paradigmas de evolução da investigação da segurança ocupacional (Mitropoulos & Cupido, 2009). Tabela 14 – Paradigmas da Segurança Ocupacional N.º Descrição 1 O primeiro centra-se em teorias normativas que prescrevem a maneira como os trabalhadores devem agir, isto é, os esforços para prevenir os acidentes de trabalho devem-se focar nos procedimentos a adotar e nas regras de conduta segura que estabelecem a possibilidade de pessoal competente, pela motivação e pela punição 2 O segundo paradigma emergiu dos estudos de acidentes trabalho e centra-se nos erros de desvios à norma, "modo conforme" de trabalhar, e inclui estudos de erro para que uma vez determinada a causa do mesmo, seja possível removê-la 3 O terceiro paradigma é baseado na abordagem da engenharia dos sistemas cognitivos, que em termos de gestão de riscos estão relacionados com as características dos sistemas de trabalho que influenciam as decisões, os comportamentos, assim como a possibilidade de erros e falhas Domingues, Maria 23 Os princípios do modelo da ESC podem ser benéficos para a área da construção apesar de a maioria das suas aplicações ser na gestão dos sistemas de segurança de atividades de risco elevado ou muito complexas como as da aviação, saúde, centrais nucleares e indústrias químicas. 6) Construção Sustentável: a abordagem atual para a saúde e segurança na construção subestima o papel das práticas de produção e concentra-se principalmente na formulação de diretrizes gerais e de melhores políticas. A formulação de um modelo conceptual, possibilitou a integração da sustentabilidade da SST, sob o prisma da produtividade e a apresentação de um quadro empírico para avaliar SST dos trabalhadores, relacionado com as térmicas de conforto e os parâmetros ambientais, nas estimativas de produtividade (operações de cofragem). A implementação do quadro empírico permitiu obter previsões no planeamento das operações de construção. Analisando as variações de produtividade em comparação com estimativas de base, o efeito do desempenho seguro é quantificado e a variação na produtividade também pode ser avaliada. (Panas & Pantouvakis, 2010). Uma das bases para uma gestão de sucesso da segurança no trabalho, é a identificação dos perigos/riscos no local de trabalho no entanto, ainda subsistem muitas barreiras de conhecimento, de informação, de processo e de procedimentos. Muitos profissionais da construção ainda veem os seus projetos apenas como requisitos onerosos e por vezes negligenciam a sua verdadeira aplicação. Além dos empreiteiros, também os projetistas, arquitetos e engenheiros têm uma intervenção significativa na prevenção dos riscos dos trabalhadores da construção por isso, é tão importante a explicitação das medidas de prevenção durante a conceção ou elaboração do projeto. (Gangolells et al., 2010). Também deve ser tido em conta, que as formações e treinos mais longos nos estaleiros de construção estão associados a menores taxas de acidentes (Hare & Cameron, 2011). No mesmo sentido, a utilização de uma gateway, pontos de decisão, que permitem a flexibilidade e a integração precoce da segurança e saúde no trabalho ao nível estratégico é determinante, apesar de ainda ser necessário a utilização de ferramentas de gestão integradas tais como o planeamento detalhado (Hare & Cameron, 2012). 7) Importância da Comunicação: no sentido de demonstrar como o risco pode ser gerido nos locais de trabalho de elevado risco, em especial na construção, analisaram-se falhas de comunicação e a sua importância para a segurança. A existência de ideais de comunicação diversos, o foco da comunicação organizacional como algo diferente da comunicação em geral, bem como, o objetivo de proporcionar melhores práticas deve limitar as possibilidades de encontrar formas mais complexas e produtivas de examinar e compreender a segurança na perspetiva da comunicação (Rasmussen & Lundell, 2012). Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 24 Estado da arte 2.3.4 Modelos de Projetos Complexos 1) Estrutura Analítica de Projetos: como os projetos se têm tornado mais complexos, a sua gestão eficaz também é proporcionalmente mais exigente. Assim, com base na estrutura analítica de projetos (WBS) e na sua relação com os fatores de sucesso concluiu-se que, as consequências das decisões, a comunicação e a coordenação, superam os resultados de quão bem um papel técnico específico é realizado e, quanto mais apertado é o cronograma, maior é essa evidência. As competências exigidas são diferentes das habilidades técnicas de engenharia, de design, ou de construção. De facto, num projeto grande e complexo, existem aspetos fora do âmbito das áreas técnicas que têm de ser bem geridos, para que os seus objetivos sejam cumpridos. A grande ênfase deve ser colocada na equipa de gestão de projetos, apoiada em recursos amplos e especializados (Wideman, 1990). 2) Classificação de Projetos de Santana: o modelo de classificação dos projetos de construção de reparte-os por três categorias: singulares, complexos e normais de acordo com a tabela 15 (Santana, 1990). Tabela 15 – Classificação de Projetos de Santana Projetos Descrição Construção Normal Incluem projetos tais como, a construção de edifícios, estradas e terraplanagens, em que o seu completo planeamento pode ser executado antes do início dos trabalhos Complexos Os projetos industriais são classificados como complexos, não são únicos nem singulares e os seus problemas são mais conhecidos. Nesta categoria incluem-se também todas as obras públicas e de desenvolvimento urbano Singulares Os projetos singulares são únicos e requerem longos períodos de planeamento e execução, são exemplo os projetos desenvolvidos pelos governos e que exigem investimentos avultados e sistemas de gestão exigentes 3) Matriz de Métodos e Objetivos: uma forma de avaliar a complexidade potencial de um projeto é a matriz de métodos e objetivos. A matriz classifica os projetos através de dois parâmetros: i) quão bem definidos são os objetivos e ii) quão bem definidos são os métodos para atingir os objetivos, conforme descrito na tabela 16 (Turner & Cochrane, 1993). Tabela 16 – Matriz de Métodos e Objetivos Projetos Descrição Tipo 1 Bem definidos e compreendidos, o papel do gestor é o de um condutor. Exemplo projetos de engenharia e construção. Tipo 2 Bem definidos quanto aos objetivos, mas mal definidas as suas atividades. O planeamento é evolutivo, tem que ser feito por fases à medida que a informação vai ficando disponível. O papel do gestor é o de um treinador. Exemplo projetos de desenvolvimento de produtos. Tipo 3 Mal definidos quanto aos objetivos, mas bem definidos quanto aos métodos. São planeados por fases de ciclo de vida e o papel do gestor é o de um artesão. Exemplo projetos de desenvolvimento de aplicações de software. Tipo 4 Mal definidos em objetivos e métodos para os atingir. Exemplo projetos investigação e desenvolvimento. Domingues, Maria 25 4) Matriz de Certezas e Acordos: o conceito de complexidade pode ser analisado sob duas dimensões: o grau de certeza e o nível de concordância através da matriz de certezas e acordos, conforme descrito na tabela 17 (Stacey, 1996). Tabela 17 – Matriz de Certezas e Acordos Zonas Descrição Próximas do acordo e da certeza Existem nos projetos ditos “simples” onde há uma tomada de decisão racional. Todos os envolvidos no projeto concordam sobre o que é necessário fazer. A abordagem tradicional da gestão funciona pois, o objetivo é identificar o processo de gestão onde a eficiência e eficácia sejam maximizadas. Longe do acordo e próximas da certeza Embora possa haver acordo sobre o modo como os resultados são obtidos, pode haver divergência quanto ao nível de resultados desejáveis o que conduz a jogos políticos nas organizações (formação de coligações, negociação e compromissos). Próximas do acordo e longe de certeza O objetivo final é acordado, mas não há certezas quanto ao modo de lá chegar. As abordagens tradicionais de gestão podem não funcionar por não existir um plano pré-determinado. Longe do acordo e da certeza É a anarquia total, não há concordância em relação aos planos e há também um elevado nível de incerteza. Os métodos tradicionais de gestão de projetos não se aplicam a estes casos. 5) Interligação e Interdependência: os sistemas complexos baseiam-se em dois parâmetros: interligação e interdependência das partes distintas. Por sua vez, os projetos têm características essenciais que determinam as ações adequadas para os gerir com sucesso. A complexidade do projeto: organizacional, tecnológica, informacional, etc., é uma dimensão do mesmo pelo que deve ser interpretada e medida em termos de diferenciação ou número de elementos e interdependência. O corolário para a complexidade do projeto é a integração pela comunicação, coordenação e controlo (Baccarini, 1996). 6) Cooperação entre Organizações: muitos dos problemas de desempenho da indústria resultam de uma inadequada cooperação inter-organizacional. Nos projetos complexos, os problemas e soluções da indústria da construção devem ser analisados à luz de relações de proximidade com os clientes. Tomando como exemplo um projeto de construção de um campo petrolífero offshore, de elevado valor e de elevada complexidade é analisado o uso das “parcerias” como uma ferramenta de estímulo de ganhos de desempenho de inovação em projeto (Barlow, 2000). 7) Efeito da Incerteza: em “modelando projetos complexos” a visão de complexidade dos projetos é estendida para além dos dois componentes já conhecidos (número de elementos e a interdependência dos mesmos) e introduz um terceiro que é a incerteza. Uma vez que a incerteza aumenta a complexidade do projeto, logo a mesma, pode ser vista como uma componente da dimensão de complexidade. A complexidade dos projetos entendida como a relação entre a complexidade do produto e do projeto, e a duração do projeto, é cada vez maior e é causa de falhas dos mesmos. A complexidade do projeto global pode ser Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 32 Estado da arte conceção e construção pela utilização de sistemas cognitivos, e é obviamente essencial que esta abordagem seja baseada em conhecimentos científicos sólidos (Hollnagel, 1998). Figura 2 – Complexidade do Comportamento Humano e das Organizações Fonte: Bar-Yam, Yaneer (1997) 3) Cultura de segurança: ressaltar a importância da cultura de segurança como um conceito único capaz de melhorar a segurança dos sistemas complexos é obvio, o que não é claro é o mecanismo pelo qual as atitudes ou cultura de segurança, afetam a segurança das operações até porque a evidência estatística que vincula a cultura de segurança ou os seus atributos na segurança das operações é muito rara, especialmente na indústria nuclear. Domingues, Maria 33 Tabela 26 – Cultura de Segurança de Sorensen N.º Descrição 1 O paradoxo de que a cultura pode atuar simultaneamente como uma condição prévia para operações seguras e como uma incubadora de riscos 2 Em situações de riscos complexos e mal estruturados, os decisores são confrontados não só com a questão do risco, mas com incerteza fundamental caracterizada pela incompletude do conhecimento 3 A construção organizacional de risco aceitável 4 A questão da aprendizagem organizacional e a necessidade política de atribuir a culpa em caso de catástrofes As tentativas empíricas de estudo da cultura de segurança e da sua relação com os resultados organizacionais têm permanecido assistemáticas, fragmentadas e inespecificadas em termos teóricos. A cultura de segurança está ligada a quatro conceitos conforme tabela 26 (Sorensen, 2002). 4) Engenharia evolutiva: para se compreender a abordagem dos sistemas complexos na conceção e implementação tem de se reconhecer as muitas diferenças entre o processo evolutivo natural e as práticas tradicionais de engenharia. A engenharia evolutiva de sistemas complexos emprega entre outros e em contraste com as práticas tradicionais de engenharia, os conceitos-chave apresentados na tabela 27 (Y. Bar-Yam & Kuras, 2003). Tabela 27 – Conceitos-Chave de Complexidade de Bar-Yam N.º Descrição 1 Foco na criação de um ambiente e processo ao invés de um produto 2 Construir continuamente o que já existe 3 Componentes operacionais modificáveis in-situ 4 Sistemas operacionais que incluem múltiplas versões de componentes funcionais 5 Utilização de múltiplos processos de desenvolvimento paralelos 6 Avaliação experimental in-situ 7 Aumento da utilização de componentes gradualmente mais eficazes 8 Soluções eficazes para problemas específicos que não podem ser antecipados 9 Os sistemas de engenharia tradicional devem ser utilizados para componentes não muito complexos 5) Multivariedade, Autorreplicação e Design: a resposta das estruturas de controlo hierárquicas, o controlo e planeamento central são inadequados e limitados como solução para problemas sociais complexos e para o funcionamento de organizações sociais complexas (Yaneer Bar-Yam, 2003). A principal conclusão ilustrada pelo modelo de construção no local de trabalho é um facto simples: quanto mais complexo for um sistema mais controlado se tem de tornar o ambiente local, para construir as suas réplicas por perturbações. Os organismos biológicos parecem ter evoluído em tão sofisticados “locais de trabalho” por causa da sua sobrevivência e prosperidade. No entanto, esse ponto esteve ausente nos estudos anteriores da vida artificial, e deve ser tomado em consideração para que se possa prosseguir para o passo seguinte do campo de pesquisa (Sayama, 2003). Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 34 Estado da arte Quase todos os artefactos complexos hoje em dia, incluindo artefactos físicos, tais como aviões, bem como artefactos de informação, tais como software, organizações, processos de negócios, planos e horários, são definidos através da interação de muitos participantes, trabalhando em diferentes elementos da conceção (Klein et al., 2003). 6) Processo de Sensemaking e Comportamento Humano: para lidar com a ambiguidade, as pessoas interdependentes procuram o sentido, de resolver de forma plausível e seguir em frente i.e momentos de sensemaking. As análises de sensemaking além de sugerirem capacidades e habilidades que merecem atenção e desenvolvimento também proporcionam os resultados que estão expressos na tabela 28 (Weick et al., 2005). Tabela 28 – Análises de Sensemaking de Weick N.º Descrição 1 Micro-mecanismo que produz uma macro-mudança ao longo do tempo 2 Lembrete de que a ação está sempre um pouco à frente da cognição, o que significa que durante o caminho age-se e mais tarde compreende-se 3 Explicação de atividades pré-decisionais 4 Descrição de um dos meios pelo qual o organismo altera as instituições e os ambientes (promulgação) 5 Oportunidades para incorporar significado e razão na teoria organizacional 6 Contraponto para a separação nítida entre pensamento e ação que muitas vezes fica invocado em explicações da vida organizacional (por exemplo, os planificadores versus os executores) 7 Fundo para uma atenção baseada na visão da empresa 8 Equilíbrio entre perspetiva na forma de antecipação e retrospetiva na forma de resiliência 9 Reinterpretação de avarias como ocasiões de aprendizagem e não como ameaças à eficiência 10 Razões para tratar a plausibilidade, o incrementalismo, a improvisação e a racionalidade limitada, como suficientes para orientar o comportamento direcionado para objetivos O aumento das atividades de pesquisa do comportamento humano em sistemas complexos adotou a ESC (surgida no início de 1980 como campo multidisciplinar concentrado na melhoria do ajuste dos humanos aos sistemas que operam) que tem aplicações várias, como as análises de inteligência de comando e controlo para os estudos de engenharia e design de novos sistemas (Gersh et al., 2005). 7) Resiliência: a engenharia de resiliência é um paradigma (para a gestão da segurança) que se concentra em ajudar as pessoas a lidar com a complexidade sob a pressão de alcançar o sucesso. Um sistema resiliente deve ter a capacidade de antecipar, perceber e responder. A engenharia da resiliência deve portanto, abordar os princípios e métodos pelos quais essas qualidades podem ser trazidas para o sistema (Hollnagel et al., 2006). 8) Propriedades Emergentes e Modelagem de Sistemas: os sistemas complexos podem ser caracterizados de várias maneiras diferentes, assim, a um nível superficial, consideram-se aqueles que são difíceis de conceber e entender. Os problemas conceptuais muitas vezes decorrem das múltiplas interações entre os diferentes componentes e também porque os Domingues, Maria 35 engenheiros combinam muitos aspetos distintos dessas ideias quando se referem à emergência em sistemas complexos (referem-se à surpresa implícita nas abordagens de previsão ao falar sobre as propriedades emergentes do projeto) (Johnson, 2006). A utilização da modelagem de sistemas de gestão do tráfego da aviação para a análise evolutiva da segurança é um modelo especificamente orientado para o apoio à análise sistemática de segurança (modelos) irá diminuir o custo da realização de análises de segurança (Felici, 2006). 9) Negociação e Argumentação: as principais fontes de complexidade dos sistemas de infraestruturas são a interação de conflituosos requisitos das partes interessadas por isso, propõem-se uma metodologia sistémica baseada na negociação e argumentação para ajudar à resolução desses problemas e facilitar a avaliação das diversas opções durante o projeto de tais sistemas. A abordagem é baseada no processo habitual de divulgação de evidências de desempenho e fiabilidade do sistema e seus componentes, proporcionando uma medida do sucesso de diferentes cenários ou alternativas de projeto. Os passos metodológicos de análise de cada opção do projeto são apresentados na tabela 29 (Marashi & Davis, 2006). Tabela 29 – Quadro Metodológico da Complexidade de Marashi-Davis N.º Descrição 1 Compreender a situação-problema 2 Decompor o sistema complexo nos seus subsistemas e subprocessos 3 Identificar os objetivos do processo e os critérios 4 Resolver os problemas com base em provas através do discurso e negociação 5 Deliberar sobre a ação apropriada e solução 6 Rever e atualizar continuamente os passos acima 10) Gestão Integrativa e Simulação de Ameaças: as oportunidades de gestão dadas pelos recentes avanços na ciência da complexidade são elevadas. Conhecer a natureza dos sistemas complexos e as muitas maneiras como se expressam nas organizações e mercados pode ser uma ferramenta relevante para os interesses dos gestores (Amaral & Uzzi, 2007). Foi desenvolvido também um quadro para determinar o desempenho ou a fiabilidade de um sistema complexo cujo estudo de caso foca a fiabilidade de um míssil. O estudo incide sobre a avaliação completa dos sistemas de testes de um veículo lançamento de elevada fiabilidade destinado a imitar uma ameaça de mísseis balísticos (Wilson et al., 2007). 11) Avaliação da Carga de Trabalho na Fase de Projeto e Engenharia Emergente: o método é suportado por uma ferramenta (de avaliação da carga de trabalho no início da fase de projeto para evitar falhas nos sistemas) que tem como base a validação de projetos de sistemas sociotécnicos futuros, tais como salas de comando e controlo de navios de guerra. O estudo combina medidas probabilísticas de desempenho humano com estimativas Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 36 Estado da arte subjetivas da carga de trabalho e identifica os estrangulamentos de desempenho no início da fase de projeto para o designer. A inovação além da análise de fiabilidade tradicional está na utilização de estimativas dinâmicas e estáticas dos inputs de fiabilidade para uma avaliação mais informada (Gregoriades & Sutcliffe, 2008). A engenharia emergente é um quadro metodológico para a implantação em larga escala de sistemas “eNetwork” e que pode ser ilustrado com cenários auto-organizados de segurança (emergência). Trata-se de um modelo abstrato de rede de autoconstrução programável que diferenciar de acordo com a posição (Doursat & Ulieru, 2008). 12) Complexidade Operacional: ao contrário do pensamento convencional, um aumento mensurável da complexidade operacional da função de programação da produção pode ser demonstrado e pode ocorrer em duas empresas após uma maior integração das suas cadeias de fornecimento. A complexidade operacional foi validada por meio de três ferramentas que constam da tabela 30. Tanto os processos de tomada de decisão do fornecedor como os do cliente saem reforçados com o suporte da quantificação das áreas complexas a dar prioridade e direcionar esforços de gestão (Sivadasan et al., 2010). Tabela 30 – Complexidade Operacional de Sivadasan N.º Descrição 1 Metodologia para medir a complexidade operacional 2 Previsão das implicações da integração fornecedor-cliente 3 Derivação de uma medida de complexidade operacional a aplicar antes e após a integração fornecedor-cliente 13) Pensador Sistémico: os sistemas de pensamento parecem ser menos reducionistas, mais holísticos do que a ciência natural e, portanto, em princípio capazes de abraçar a complexidade. O pensador sistémico, soft, percebe o mundo como sendo complexo, caótico, até certo ponto, e em mudança, mas acredita que o processo de questionamento do mesmo pode ser divulgado como um sistema de aprendizagem (Checkland, 2011). 14) Redes de Conhecimento: pouco se sabe sobre a estrutura das redes de conhecimento das diferentes indústrias, e em que graus ocorrem diferenças ou semelhanças entre as mesmas. As indústrias de aviação e espacial, holandesas são com frequência tratadas como semelhantes e chamadas de indústria aeroespacial, embora apresentem poucas conexões e variações na sua rede de conhecimento base. A diferença entre as redes de conhecimento das duas indústrias é mais acentuada no conhecimento do mercado do que no conhecimento tecnológico. As redes de conhecimento de mercado de organizações sem fins lucrativos não apresentam menores diferenças do que as duas indústrias, por isso, é essencial diferenciar entre redes fundamentadas no mercado e no conhecimento tecnológico (Broekel & Boschma, 2011). Domingues, Maria 37 15) Segurança Interdisciplinar, Desafios e Perspetivas: diferentes operadores mesmo quando recebem treino idêntico, não podem usar uma estratégia de monitorização semelhante, e a consequência é a elevada variabilidade no tempo que é necessário para detetar incidentes. O fator determinante é proporcionar ao operador com (with), “apenas” a informação suficiente a uma clara compreensão da situação presente e antecipar o futuro imediato. Tal passa pela realização de uma adaptação de pré-diagnóstico pelos sistemas automáticos e pelo diagnóstico final, em que, pelo menos há uma prerrogativa humana em situações degradadas. Numa perspetivas mais ampla, no futuro será necessário definir e projetar o nível certo de cooperação entre as máquinas cada vez mais automatizadas e os operadores humanos. (Belmonte et al., 2011). A grande ambição de projetos como o FuturICT é provocar uma mudança de paradigma científico, trazendo a complexidade para os campos atualmente fragmentados das tecnologias de informação (Helbing et al., 2011). 2.3.6 Pensamento Complexo 1) Arquitetura: o emprego de princípios do pensamento complexo na conceção mostra que a adoção desses princípios, convida, sobretudo, a uma reavaliação das relações entre conceptor-usuários-objeto-ambiente das estruturas (Ribeiro & Pratschke, 2003). 2) Complexidade e Simplicidade: o paradigma da complexidade pode ser enunciado não menos simplesmente que o da simplificação; este impõe separar e reduzir; aquele une enquanto distingue (Morin, 2003). Há uma série de conceitos diferentes para cobrir todos os significados que se atribuem à palavra complexidade, e à sua oposta simplicidade. Há um tipo de complexidade que corresponde melhor ao que se entende pela palavra complexidade em conversação ordinária, e em diálogo científico que é o que se chama de complexidade eficaz e que se refere a uma descrição muito precisa das regularidades de uma entidade e não os recursos que são tratados como aleatórios ou acidentais, mas às características que são tratadas como regularidades (Gell-Mann, 2005). 3) Necessidade do Pensamento Complexo: A complexidade chegou a nós, nas ciências, pelo mesmo caminho que a tinha expulsado. O próprio desenvolvimento da ciência física, que se consagrava a revelar a Ordem impecável do mundo, o seu determinismo absoluto e perpétuo, a sua obediência a uma Lei única e sua constituição de uma forma original simples (o átomo) desembocou finalmente na complexidade do real. Descobriu-se no universo físico um princípio hemorrágico de degradação e de desordem (segundo princípio da termodinâmica); depois, no que se supunha ser o lugar da simplicidade física e lógica, descobriu-se a extrema complexidade microfísica; a partícula não é um primeiro tijolo, mas uma fronteira sobre uma complexidade talvez inconcebível; o cosmos não é uma Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 38 Estado da arte máquina perfeita, mas um processo em vias de desintegração e de organização ao mesmo tempo. A complexidade a um primeiro olhar é um tecido (complexus: o que é tecido junto) de constituintes heterogéneos inseparavelmente associados: coloca o paradoxo do uno e do múltiplo. Num segundo momento, é efetivamente o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem o mundo fenoménico. Mas então, a complexidade apresenta-se com os traços inquietantes do emaranhado, do inextricável, da desordem, da ambiguidade, da incerteza... O conhecimento necessita ordenar os fenómenos repelindo a desordem, afastar o incerto, selecionando os elementos da ordem e da certeza, precisar, clarificar, distinguir, hierarquizar... (Morin, 2006). 4) Rumo ao Pensamento Complexo: os caminhos da complexidade são apresentados na tabela 31 (da Silva, 2007). Tabela 31 – Caminhos de Complexidade da Silva N.º Descrição 1 Irredutibilidade do acaso e da desordem 2 Transgredir para além dos limites 3 Complicação 4 Misteriosa relação complementar, no entanto, logicamente antagonista entre as noções de ordem, de desordem e de organização 5 Organização 6 Crise da clareza e da separação nas explicações 5) Imprecisão da Gestão Estratégica: a procura de um acentuado grau de flexibilidade e sensibilidade nos gestores para identificar aspetos que impactem nos negócios da empresa é um facto pelo que contextos complexos exigem pensamento complexo. O pensamento complexo e a incerteza podem contribuir para a compreensão e abordagem das razões pelas quais nem sempre os resultados, ainda que fruto de processos bem elaborados, sejam os esperados e por que as empresas e os seus gestores, por melhores que sejam seus sistemas de coleta e análise de informações e de tomada de decisão, nem sempre controlam os seus destinos. Os modelos deterministas e quantitativos devem ser utilizados com consciência dos seus limites. A existência de verdades não absolutas, mas de perceções de verdades temporárias, obriga os gestores a lidar com conceitos e elementos paradoxais que influenciam interpretações e ações, longe da certeza (Weber & Polo, 2007). 6) Liderança e Sustentabilidade: as diversas escolas de complexidade e pensamento complexo não se excluem umas às outras, são complementares. O pensamento complexo é um instrumento de mudança e resistência e é um método no sentido de Descartes e os seus principais objetivos estão plasmados na tabela 32. Sendo o fenómeno da liderança interativo e participativo, isto é, inclui a liderança do líder e a dos liderados os atores sociais precisam de entender a liderança num âmbito mais amplo (Mariotti, 2010). Domingues, Maria 39 Tabela 32 – Objetivos do Pensamento Complexo N.º Descrição 1 Compreender a incerteza e aprender a conviver com ela 2 Aprender a lidar com paradoxos e situações que não podem ser resolvidas pela lógica binária 3 Proporcionar mais flexibilidade de raciocínio às pessoas 4 Compreender melhor a vida, os sistemas da natureza e os criados pelo homem 5 Proporcionar um melhor relacionamento no mundo natural 6 Compreender melhor o ego e aprender a lidar com ele de um modo menos auto e hétero destrutivo 7) Análise Morfológica Geral (GMA): como método para investigar a totalidade das relações dos problemas complexos, multidimensionais e não quantificáveis, foi durante as duas últimas décadas, ampliada, informatizada e utilizada para a estruturação da política complexa em questões de planeamento, desenvolvimento de cenários, laboratórios de estratégia e análise de estruturas de organizações e dos seus parceiros. É um método de modelagem não-quantificado que serve para estruturar e analisar o conjunto total de relações complexas no campo dos problemas sociais, organizacionais e educacionais. A análise morfológica geral tem sido utilizada para desenvolver um modelo de inferência genérica (numa fase inicial, especificar as necessidades de treino e instruções, e depois identificar as relações entre as necessidades e os recursos) (Ritchey, 2010). 2.3.7 Gestão de Riscos 1) Projetos Complexos: a complexidade e a visibilidade dos projetos de construção de mega escala e de milhares de milhões de dólares, assim como, a oportunidade de obter poupanças de custos, conduzem a aproximações inovadoras no que concerne à gestão do risco, uma vez que, o dono da obra controla a segurança. Estratégias de risco sensíveis tais como, maiores franquias de seguros de acidentes pessoais, requerem aproximações competitivas no que respeita à gestão da SST. A gestão de riscos de mega projetos e a suas implicações na gestão de substâncias perigosas é importante (Young, 1996). 2) Comparação de Alternativas de Projeto de Execução: apresenta-se uma metodologia capaz de modelar os efeitos dos fatores monetários e não monetários num projeto de construção, através do uso de distribuições de possibilidade. A metodologia proposta proporciona um método preciso e conveniente para comparação de diferentes alternativas de projeto. A teoria das possibilidades parece ser um método menos calculista, enquanto continua a fornecer resultados precisos e transparentes. O programa desenvolvido foi concebido para realizar uma análise de cada opção de investimento e para fornecer uma classificação geral de opções de investimento disponíveis (Mohamed & McCowan, 2001). Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 40 Estado da arte 3) Análise Probabilística de Risco na NASA: a sua utilização teve altos e baixos ao longo do tempo pelo que a sua adoção recente fundamenta-se nas necessidades de gestão do space shuttle, da estação espacial e de algumas outras missões no espaço. A longo prazo esta decisão pode melhorar a consistência e eficiência dos sistemas espaciais da NASA. O valor das análises será determinado pelo uso da informação fornecida e a NASA deve melhorar os seus processos de avaliação quantitativa (Paté-Cornell & Dillon, 2001). 4) Avaliação de Riscos dos Contratos de Construção: a construção de um cenário internacional é dificultada pela falta de processos de gestão e avaliações de riscos normalizadas. Como os riscos são definidos e geridos de forma diferente pelos investidores, proprietários e empreiteiros; então ocorre uma compartimentalização do risco pelo que, os mesmos são vistos por vezes como estáticos, em vez de eventos dinâmicos, durante o ciclo de vida de um projeto, havendo também, uma desconexão entre as equipas de projeto e os tomadores de decisão (Walewski & Gibson, 2003). 5) Simulação de Monte Carlo para Orçamentos: a simulação de Monte Carlo é uma técnica útil para modelar e analisar sistemas e situações do mundo real. As vantagens da simulação de Monte Carlo estão na utilização de dados quantitativos, que permitem que os gestores de projeto justifiquem e comuniquem os seus argumentos à administração perante as expectativas irrealistas dos projetos. A gestão do risco inclui a formação, o treino, e os avanços na tecnologia de computação combinados com o software de simulação Monte Carlo o que facilita aos gestores de projeto implementarem o método. No campo da gestão de projetos, a simulação de Monte Carlo serve para quantificar os efeitos do risco e da incerteza em cronogramas e orçamentos, dando ao gestor de projeto indicadores estatísticos do desempenho do mesmo, tais como data alvo de conclusão do projeto e o orçamento (Kwak & Ingall, 2007). 6) Diagramas de Blocos Funcionais: os diagramas de blocos funcionais e as equivalentes árvores de eventos são apresentados como modelos lógicos na quantificação dos riscos profissionais. Embora um diagrama de blocos funcionais seja semelhante a um diagrama de influência ou a uma rede de crenças que fornece uma estrutura para a introdução de forma compacta da lógica do modelo através da partição dos caminhos equivalentes da árvore de eventos. Considera-se um evento conjunto o que tem como principais resultados as consequências que definem o risco em análise. O evento é decomposto em eventos mais simples (repartido em subconjuntos correspondentes aos resultados do evento conjunto inicial). Os acontecimentos mais simples podem ser decompostos em eventos ainda mais simples, criando uma hierarquia onde os eventos de um determinado nível (os pais) são decompostos num número de eventos mais simples (filhos) no próximo nível hierárquico. Domingues, Maria 41 O risco ocupacional é modelado através de um diagrama de blocos funcionais geral, onde a consequência indesejável na saúde e segurança é decomposta em dose e a dose é decomposta em centro de eventos e mitigação; o centro de eventos é decomposto em evento inicial e prevenção. Este diagrama de blocos funcionais genérico pode ser transformado num diagrama de blocos funcionais específico da atividade que, juntamente com as árvores de eventos equivalentes serão usados para delinear as várias sequências de acidentes com consequências de lesão ou morte (Papazoglou & Ale, 2007). 7) Contratos de Construção: o processo de construção é regido por contratos de relações complexas e difíceis. Há muitos riscos envolvidos nos projetos de construção que podem ser atribuídos a uma série de razões como as apresentadas na tabela 33. O contrato de construção é um acordo entre duas partes, uma das quais o empreiteiro que se compromete a construir um edifício, e o outra, o dono da obra que se compromete a pagar para tal. Pelo acordo são criados direitos e obrigações e o direito de uma das partes é a obrigação do outro pelo que o contrato passa a existir pela aceitação de uma oferta. Tabela 33 – Causas dos Riscos nos Projetos de Construção N.º Descrição 1ª A natureza do processo de construção 2ª A complexidade das atividades de demorada conceção e construção 3ª O envolvimento de inúmeras pessoas, de diferentes organizações, com diferentes habilidades e interesses Os riscos inerentes a um projeto de construção são distribuídos entre o cliente, a equipa de conceção (design), o empreiteiro, as empresas especializadas, os materiais e os demais fornecedores. As diversas fontes de riscos para os contratantes podem-se observar na tabela 34, por isso os empreiteiros têm de considerar o efeito de cada uma no desenvolvimento do plano de gestão de risco (Harinarain et al., 2008). Tabela 34 – Fontes de Risco para Contratantes N.º Descrição 1ª Cliente 2ª Subcontratado 3ª Topógrafo de quantidades 4ª Agente principal 5ª Arquiteto 6ª Engenheiro 7ª Autoridades do governo 8ª Fornecedores 8) Análises de Fiabilidade Humana: o desempenho das análises de fiabilidade humana e a integração dos seus resultados em sistemas de avaliação quantitativa de riscos continua a ser uma tarefa bastante difícil e complexa de executar. Mais difícil ainda, são as Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 48 Objetivos e metodologia 3.2 Metodologia Global de Abordagem O estudo e a compreensão de Projetos Complexos é pertinente e relevante para que se concebam, programem e desenvolvam medidas de prevenção e proteção eficazes para os intervenientes e terceiros. No mesmo sentido, também permite que se estabeleçam linhas mestras de segurança na fase de projeto pela elaboração e disponibilização de informação sistematizada e compilada para tal fim. Foi necessário recolher informação de suporte e sustentação, quer em termos técnicos, quer em termos científicos, quer ainda, em termos legais para a devida preparação dos dois momentos supracitados. Consultaram-se organismos nacionais e internacionais da especialidade de segurança no trabalho, pesquisaram-se bases de dados e indagaram-se as diversas publicações nacionais e europeias de cariz legal. E fulcral, para o aprofundamento deste estudo foi a aplicação prática, isto é o acompanhamento de um estudo de caso (consubstanciado em projeto complexo). O modus operandi do estudo de caso deste trabalho passa pela verificação, na prática, da sua especificidade à luz do conceito de projetos complexos, e da aplicação efetiva pelos diversos atores, dos resultados referentes às situações de singularidade, inscritas no quadro legal da promoção da segurança e saúde no trabalho. Neste âmbito, a elaboração do presente trabalho passa por dois momentos distintos:  O primeiro, a elaboração de uma compilação de características base do estudo de caso, o que permitirá enquadrá-la na definição de Projeto Complexo;  O segundo, assente nos resultados obtidos elaborar propostas de melhoria de atuação para as falhas ou deficiências encontradas em termos de projetos de segurança perante um projeto complexo. 3.3 Materiais e Métodos Na prossecução dos objetivos definidos descrevem-se os materiais e métodos utilizados na recolha e tratamento de dados. 3.3.1 Materiais O presente estudo fundamenta-se em documentos de projeto do estudo de caso e em reportagens fotográficas. Assim, entre os diversos documentos destacam-se o plano de segurança e saúde e o projeto (peças desenhadas e escritas). O projeto que se toma como base para a elaboração deste estudo foi a construção de uma central eólica offshore de águas profundas (superior a 45 m de profundidade) a que ao longo do texto se chamará genericamente de protótipo. Domingues, Maria 49 O protótipo é composto por uma plataforma e uma turbina eólica que têm fabrico completamente independente. Mais tarde, a turbina eólica será acoplada a uma plataforma flutuante (Cermelli et al., 2009) portanto, sem fundações. Essa assemblagem terá lugar numa unidade de construção naval uma vez que, o protótipo será rebocado até ao local onde ficará permanentemente fundeado (3 anos de exploração para investigação e desenvolvimento). Para que seja possível fundear o mesmo, é necessário que se coloquem previamente no local as âncoras e as respetivas correntes pelo que é essencial que esse equipamento seja transportado para o local de construção da central eólica no mar. E, como essa central eólica tem por finalidade a produção de energia elétrica ficará ligada por meio de um cabo submarino a uma subestação já existente em terra. O processo de amarração do protótipo com vista ao seu fundeamento no local de permanência será executado com o auxílio de navios rebocadores e especialistas de vária ordem quer no domínio de áreas diversas de engenharia, quer no que respeita a trabalhos de mergulho, de eletricidade, de mecânica, de transporte marítimo, quer ainda no domínio da gestão da qualidade, ambiente e segurança e saúde no trabalho. O principal navio rebocador será de nacionalidade luxemburguesa que por sua vez terá trabalhadores de diversos países a trabalhar no processo de amarração. Estão envolvidas na construção deste protótipo, três entidades executantes com vários subcontratados. Essas entidades executantes são também de nacionalidades diferentes tal como, vários dos subcontratados. O dono da obra é uma organização privada portuguesa. No respeitante ao licenciamento, como o estaleiro principal se situa em águas portuguesas a 6 km da orla costeira também terá várias entidades a intervirem nesse processo: Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, Autoridade Marítima Nacional, Autoridade para as Condições de Trabalho, Agência Portuguesa para o Ambiente, Administração da Região Hidrográfica, Inspeção-Geral da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Câmara Municipal, Ministérios vários e outras. 3.3.2 Métodos Os métodos adotados compreendem:  A pesquisa bibliográfica;  A análise documental (do protótipo);  A observação e elaboração de documentos nas fases de projeto e de execução do protótipo. A pesquisa bibliográfica realizada em bases de dados e revistas de referência disponibilizadas através do Metalib da Exlibris teve por referência um esquema de classificação tridimensional em que cada um dos eixos se refere a uma variável (projeto, gestão e complexidade), conforme ilustrado na figura 5. Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 50 Objetivos e metodologia Figura 5 – Método de Classificação das Referências Bibliográficas A análise documental do conjunto de documentos que fazem parte do projeto relativo ao protótipo foi elaborada com base em dois critérios que permitiram identificar ou reconhecer conteúdos/dados/informação com as seguintes características:  De complexidade;  Relativas à gestão de riscos. A elaboração do PSS para a fase de projeto do protótipo foi uma das principais atividades desenvolvidas pelo que o método participativo é um importante pilar de sustentação da dissertação. Gestão Projeto s Complexidade CAE - Construção Risco GP PC GPC GC Pensamento Sistemas Complexos GP – Gestão de Projetos GPC – Gestão de Projetos Complexos GC – Gestão da Complexidade PC – Projetos Complexos Uma Abordagem aos Projetos Complexos na Perspetiva da Prevenção Domingues, Maria 51 4 TRATAMENTO E ANÁLISE DE DADOS O tratamento e análise de dados compreendem duas abordagens, sendo entendido como dados o conjunto de documentos do projeto do protótipo:  A análise documental do sistema de documentação do protótipo;  Verificação no terreno da especificidade da obra, à luz do conceito de projetos complexos e da aplicação efetiva pelos diversos atores, dos resultados referentes às situações de singularidade, inscritas no quadro legal da promoção da segurança e saúde no trabalho; 4.1 Análise Documental do Projeto O estudo de caso tem por base um protótipo que já foi apresentado no capítulo 3. Tabela 37 – Análise Documental (Documentos de Projeto) Doc. Referência Descrição Complexidade Gestão de Riscos 1 Anexo A1 2.1 Mapa de Localização do Protótipo X 2 Anexo A1 2.2 Folhetos de Apresentação do Protótipo – OQW X 3 “ Folhetos de Apresentação do Protótipo – FOWS X 4 “ Folhetos de Apresentação do Protótipo – M X 5 “ Folhetos de Apresentação do Protótipo – W X 6 “ Folhetos de Apresentação do Protótipo – DOWTD X 7 Anexo A1 2.3 Notícia A. P. WF e Resumo G. P. – N X 8 “ Notícia A. P. WF e Resumo G. P. – RNT X X 9 “ Notícia A. P. WF e Resumo G. P. – WP 4 T4.3 X 10 “ Notícia A. P. WF e Resumo G. P. – BM X 11 Anexo A1 2.4 Projeto Geral X X 12 Anexo A1 2.5 Projetos Detalhados – MST X X 13 “ Projetos Detalhados – HVSS X X 14 “ Projetos Detalhados – GSV80 X X 15 “ Projetos Detalhados – MSPAI X X 16 “ Projetos Detalhados – LPS X X 17 “ Projetos Detalhados – EDPWODP X X 18 “ Projetos Detalhados – MSC X X 19 Anexo A1 2.6 Listas de Equipamento – MCC X 20 Anexo A1 2.7 Planeamento e Cronogramas de Trabalho – P X 21 Anexo A1 2.8 Listas de Documentos – V X 22 Anexo A1 2.9 Organograma – PC X 23 Anexo A2 3.1 Patente N.º US 0,147,703 A1 Aug. 7, 2003 X 24 Anexo A2 3.2 Patente N.º US 0,236,843 A1 Oct. 27, 2005 X 25 Anexo A2 3.3 Patente N.º US 7,281,881 B1 Oct. 16, 2007 X 26 Anexo A2 3.4 Patente N.º US 0,086,362 A1 Abr. 8, 2010 X 27 Anexo A2 3.5 Patente N.º US 0,037,264 A1 Fev. 17, 2011 X 28 Anexo A2 3.6 WindFloat: A floating foundation for offshore wt X 29 Anexo A2 3.7 Windfloat: A floating f. for offshore wt part i: X 30 Anexo A2 3.8 Windfloat: A floating f. for offshore wt part ii: X 31 Anexo A2 3.9 Windfloat: A floating f. for offshore wt part iii: X 32 Anexo A3 4.1 PSS versão EN X 33 Anexo A3 4.2 PSS versão PT X 34 Anexo A4 Licenças X 35 Anexo A5 6.1 Fotografias Lisnave 1 X X 36 Anexo A5 6.2 Fotografias Lisnave 2 X X 37 Anexo A5 6.3 Fotografias Leixões X X 38 Anexo A5 6.4 Fotografias Aguçadoura X X Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 52 Tratamento e Análise de Dados Assim, tomaram-se como elementos de estudo os documentos relativos ao mesmo (inclusos no Anexo A), conforme listagem constante da tabela 37. No contexto da análise de documentos constantes no projeto do protótipo e tendo por objetivo evidenciar os conteúdos documentais na perspetiva dos critérios de complexidade e/ou de gestão de riscos exemplifica-se na figura 5 o procedimento adotado na execução das tabelas 38 – 50. Figura 6 – Página do Documento 7 do Protótipo (Anexo A1 2.3) "A complexidade técnica encontra-se em projetos que têm como características de design ou técnicas, aspetos que são desconhecidos ou julgados assim, a complexidade surge devido à incerteza sobre o resultado das soluções de design interdependentes" (Remington & Pollack, 2007). "A complexidade do projeto deve ser interpretada e medida em termos de diferenciação ou número de elementos e interdependência" (Baccarini, 1996). "O uso de replicação é adequado quando o objeto da replicação é relativamente complexo" (Ruuska & Brady, 2011). " Um exemplo de um projeto de construção de elevado valor e de elevada complexidade é um projeto de campo petrolífero offshore"(Barlow, 2000). Domingues, Maria 53 A tabela 38 justifica para o documento n.º 11 “projeto geral”, com a referência Anexo A1 ponto 2.4, as características de complexidade e de gestão de riscos com base no Estado da Arte apresentado no capítulo 2. Tabela 38 – Caraterísticas de Complexidade e Gestão de Riscos (Doc. 11) Doc./Referência Descrição 11/Anexo A1 2.4 Projeto Geral Complexidade  “Summary (Fabrication and Load-Out, Mooring, Installation)” Pág. 1 de 28 – título  “A complexidade do projeto deve ser interpretada e medida em termos de diferenciação ou número de elementos e interdependência” (Baccarini, 1996).  “F-5B Rotor Blade Installation (Using the gantry crane and the blade catcher device, blades, are installed individually)” Pág. 13 de 28 – título, 1ª frase  “Nos estudos foram encontradas diferentes fontes de complexidade nomeadamente a técnica” (Ameen & Jacob, 2009).  “Mooring Pre-Lay” Pág. 15 de 28 – título  “Uma vez que a incerteza aumenta a complexidade do projeto, logo a mesma, pode ser vista como uma componente da dimensão de complexidade” (Williams, 2001). Gestão de Riscos  “The tower is added in two parts using the gantry crane” Pág. 11 de 28 – 3ª frase  “Há muitos riscos envolvidos nos projetos de construção que podem ser atribuídos a uma série de razões, entre as quais a natureza do processo de construção e a complexidade” (Harinarain et al., 2008).  “F-5B Rotor blade installation (vertical clearance may prohibit the use of the gantry crane for this operation)” Pág. 13 de 28 – título, 4ª frase  “A natureza do trabalho de construção é feita de mudanças as quais requerem ajustes contínuos e a incapacidade de estabelecer o ajuste às novas condições pode facilmente conduzir a acidentes e lesões” (Hinze, 2008).  “Electrical install (cable conductors and fiber-optics are connected to the main junction box. Following are notes to accompany the Electrical Install drawing set found in appendix A)” Pág. 23 de 28 – 7ª frase  “Os projetos de segurança na construção implicam a consideração da segurança dos trabalhadores já na fase de elaboração do projeto” (Gambatese et al., 2005). Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 54 Tratamento e Análise de Dados A tabela 39 justifica as características de complexidade e de gestão de riscos para o documento n.º 12 “projetos detalhados”, com a referência Anexo A1 ponto 2.5, com suporte no estado da arte apresentado no capítulo 2. Tabela 39 – Caraterísticas de Complexidade e Gestão de Riscos (Doc. 12) Doc./Referência Descrição 12/Anexo A1 2.5 Projetos Detalhados Complexidade  “Unloading off trucks will be effected by 2 reach stackers, hereafter landed in custom made cradles supplied by …” Pág. 7 de 9 – 2ª frase  “Projetos altamente complexos exigem uma atenção especial durante o planeamento para antecipar os resultados e a abordagem a adotar” (Ireland, 2007).  “Preliminar or intended stowage plan to be sent to Vestas before loading of the voyage, sea fastening, including welding/cuting procedure to be aproved before sailing” Pág. 7 de 9 – 10ª frase  “A complexidade do projeto fundamenta-se numa série de dimensões a serem tomadas em linha de conta tais como a programação do projeto entre outras” (Hass, 2008).  “Any deviations to any documents or agreement will be formally documented by email, fax or scanned PDF file” Pág. 8 de 9 – 6ª frase  “É importante ressaltar a importância da cultura de segurança como um conceito único capaz de melhorar a segurança dos sistemas complexos” (Sorensen, 2002). Gestão de Riscos  “The purpose of this document is to secure that all procedures and regulations are followed to secure the safety for personnel, environment and components” Pág. 4 de 9 – 1ª frase  “Além dos empreiteiros, também os projetistas, arquitetos e engenheiros têm uma influência significativa na prevenção dos riscos dos trabalhadores da construção” (Gangolells et al., 2010).  “The changes will be recorded and added to this method statement. Any change may mean a change in the risk of an operation” Pág. 4 de 9 – 5ª frase  “Analisaram-se falhas de comunicação e a sua importância para a segurança” (Rasmussen & Lundell, 2012).  “Non conformances will be registered and a report will be submitted to … upon registration” Pág. 9 de 9 – 5ª frase  “Devem ser consideradas e comunicadas as avaliações de risco pois são benéficas para a mudança” (Leitch, 2010). Domingues, Maria 55 A tabela 40 evidencia as características de complexidade e de gestão de riscos para o documento n.º 13 “projetos detalhados”, com a referência Anexo A1 ponto 2.5, com assento no estado da arte apresentado no capítulo 2. Tabela 40 – Caraterísticas de Complexidade e Gestão de Riscos (Doc. 13) Doc./Referência Descrição 13/Anexo A1 2.5 Projetos Detalhados Complexidade  “The system has been designed on basis of the following main characteristics: -Technical and economical competitive concept; -Safe access for all personnel in the WTGs Towers; -Easy operation, service and maintenance of electrical power systems” Pág. 2 de 4 – 2ª, 3ª, 4ª, 5ª frase  “Não há hipóteses na pesquisa da complexidade, em vez disso há análises históricas, técnicas e simulação de processos ao longo do tempo, que originam resultados inesperados” (Browning & Boudès, 2005).  “One HV Switchgear, consisting of transformer feeder (V) with circuit breaker with relay, motorization for operating of the circuit breaker and earthing switch for connection of HV cable” Pág. 2 de 4 – 11ª frase  “Os sistemas complexos podem ser caracterizados de maneiras diferentes. Assim, num nível superficial, consideram-se aqueles que são difíceis de conceber e entender” (Johnson, 2006).  “Cable (one cable with 4 cores) between step up transformer and HV Switchgear” Pág. 3 de 4 – título 3.3  “O método de construção é o segundo parâmetro mais importante a afetar a complexidade do projeto” (Xia & Chan, 2012). Gestão de Riscos  “This facilitates safe access into the WTG Tower for all persons without any risks…” Pág. 2 de 4 – 7ª frase  “As avaliações de segurança e risco devem ser vistas num contexto de poder e devem ser considerados como uma parte inerente aos processos de planeamento e decisão” (Njå & Solberg, 2010).  “The protection relay type includes short circuit protection and over current protection and earth fault protection” Pág. 3 de 4 – 23ª frase  “As maiores perdas são normalmente o resultado do fracasso de várias barreiras de segurança nos cenários mais complexos” (Cherubin et al., 2011).  “Fully isolated (bolted M16) 630 A” Pág. 4 de 4 – 9ª frase  “O propósito de um caso de segurança é o argumento de que um sistema, seja ele físico ou processual, é aceitavelmente seguro para ser operado” (Kelly & McDermid, 1996). Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 56 Tratamento e Análise de Dados A tabela 41 evidencia as características de complexidade e de gestão de riscos para o documento n.º 14 “projetos detalhados”, com a referência Anexo A1 ponto 2.5, com base no estado da arte apresentado no capítulo 2. Tabela 41 – Caraterísticas de Complexidade e Gestão de Riscos (Doc. 14) Doc./Referência Descrição 14/Anexo A1 2.5 Projetos Detalhados Complexidade  “General Specification Mechanical Design” Pág. 6 de 49 – título  “O emprego de princípios do pensamento complexo na conceção mostra que a adoção desses princípios, convida, sobretudo, a uma reavaliação das relações entre conceptorusuários-objeto-ambiente das estruturas” (Ribeiro & Pratschke, 2003).  “The energy input from the wind to the turbine is adjusted by pitching the blades according to the control strategy” Pág. 6 de 49 – 3ª frase  “A partir de achados de projetos complexos (petróleo e gás) foi desenvolvido um modelo sistémico que dá aos gestores os insights necessários das interdependências e dos comportamentos entre as variáveis-chave” (Love, Edwards, Irani, et al., 2011).  “A separate set of documents describes the earthing system in detail” Pág. 21 de 49 – 1ª frase  “Quase todos os artefactos complexos hoje em dia, incluindo artefactos físicos, tais como aviões, bem como artefactos de informação, tais como software, organizações, processos de negócios, planos e horários, são definidos através da interação de muitos participantes, trabalhando em diferentes elementos da conceção” (Klein et al., 2003). Gestão de Riscos  “Complying with all applicable safety, operation, maintenance, and service agreements, instructions, and requirements” Pág. 21 de 49 – 5ª frase  “O modelo de risco de ambientes dinâmicos e complexos aborda a complexidade como uma questão importante para a avaliação de risco em relação a operações integradas” (Grøtan et al., 2011).  “Complying with all safetyrelated laws, regulations, and ordinances” Pág. 21 de 49 – 5ª frase  “A publicação de uma nova norma mundialmente aceite para a gestão de riscos, a IS0 31000:2009, juntamente com um novo vocabulário, associado ao Guia ISO 73:2009” (Purdy, 2010).  “Conducting all appropriate safety training and education” Pág. 21 de 49 – 5ª frase  “Os resultados de análises ao clima de segurança de várias organizações certificadas pela ISO 18001, mostraram que o compromisso da gestão, e particularmente o efeito que a comunicação, tem sobre os comportamentos e desempenhos de segurança, satisfação dos empregados, e competitividade da empresa são muito importantes” (Fernández-Muñiz et al., 2012). Domingues, Maria 57 A tabela 42 justifica as características de complexidade e de gestão de riscos para o documento n.º 15 “projetos detalhados”, com a referência Anexo A1 ponto 2.5, com sustentação no estado da arte apresentado no capítulo 2. Tabela 42 – Caraterísticas de Complexidade e Gestão de Riscos (Doc. 15) Doc./Referência Descrição 15/Anexo A1 2.5 Projetos Detalhados Complexidade  “Before the handover to offshore transport, the Construction Manager will provide a handover certificate that will be signed by both Construction Manager and the sea transport vessel” Pág. 7 de 14 – 17ª frase  “Há um efeito moderador da complexidade do projeto na relação entre as competências de liderança dos gestores e o sucesso dos projetos” (Muller et al., 2012).  “Each day a toolbox meeting will be held where all attendants are signing off” Pág. 8 de 14 – 6ª frase  “O pensamento complexo e a incerteza podem contribuir para a compreensão e abordagem das razões pelas quais nem sempre os resultados, ainda que fruto de processos bem elaborados, sejam os esperados e por que as empresas e seus administradores, por melhores que sejam seus sistemas de coleta e análise de informações e de tomada de decisão, nem sempre controlam os seus destinos” (Weber & Polo, 2007).  “The following documents are identified as necessary to perform the work: Installation Manual, Tool Box Talk, Handover Certificates” Pág. 8 de 14 – 8ª frase  “Um aumento considerável na complexidade operacional da função programação da produção pode ocorrer após uma maior integração da cadeia de fornecimento de duas empresas” (Sivadasan et al., 2010). Gestão de Riscos  “For all personnel working on the Assembly and Installation site, the validity of each training certificate has been checked prior to the work” Pág. 9 de 14 – 7ª frase  “Formações e treinos mais longos nos estaleiros de construção estão associados a menores taxas de acidentes” (Hare & Cameron, 2011).  “Personal Protection Equipment” Pág. 10 de 14 – título 3.5  “Os diagramas de blocos funcionais e as equivalentes árvores de eventos são modelos lógicos de quantificação dos riscos profissionais” (Papazoglou & Ale, 2007).  “Fire hazards” Pág. 11 de 14 – título 3.10  “As análises de fiabilidade humana e a integração dos seus resultados em sistemas de avaliação quantitativa de riscos continua a ser uma tarefa bastante difícil e complexa de executar” (Colombo & Demichela, 2008). Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 64 Tratamento e Análise de Dados A tabela 50 justifica para o documento n.º 34 “licença”, com a referência Anexo A4, as características de gestão de riscos com base no estado da arte apresentado no capítulo 2. Tabela 50 – Caraterísticas de Gestão de Riscos (Doc. 34) Doc./Referência Descrição 34/Anexo A4 Licença Complexidade  “Autoridade Marítima Nacional” Título  “As principais fontes de complexidade dos sistemas de infraestruturas são a interação de conflituosos requisitos das partes interessadas por isso, propõem-se uma metodologia sistémica baseada na negociação e argumentação para ajudar à resolução desses problemas e facilitar a avaliação das diversas opções durante o projeto de tais sistemas” (Marashi & Davis, 2006)  “Autorização às operações associadas à instalação da plataforma WindFloat” Pág. 1 – 1ª parte, 1ª frase  “Os projetos de engenharia complexos devem ser geridos como processos evolutivos” (Yanner Bar-Yam, 2003)  “Observar o Despacho do Capitão do Porto de 08 de Outubro de 2011” Pág. 1 – 2ª parte, 1ª frase  “Complexidade eficaz refere-se a uma descrição muito precisa das regularidades de uma entidade e não os recursos que são tratados como aleatórios ou acidentais” (Gell-Mann, 2005) 4.2 Observação da Construção do Protótipo A observação da construção do protótipo permitiu que fossem obtidas algumas fotografias que à semelhança dos documentos do mesmo podem ser analisadas pelo prisma da complexidade e/ou da gestão de riscos segundo o Diagrama de Gantt que representa o ciclo de vida do protótipo ilustrado na figura 7. Neste sentido, a figura 8, constituída por duas etapas de construção do protótipo em terra (assemblagem plataforma-turbina e transferência de doca), traduz os dois aspetos a tomar como pontos de análise:  A complexidade;  A gestão de riscos. Essas duas etapas de construção, realizadas após a ultimação do fabrico, quer da plataforma, quer da turbina, constituem a preparação para a instalação offshore (1/8 do tempo representado para o fabrico) tal como se pode ver no diagrama de Gantt da figura 7. Uma Abordagem aos Projetos Complexos na Perspetiva da Prevenção Domingues, Maria 65 Figura 7 – Ciclo de Vida do Protótipo Uma Abordagem aos Projetos Complexos na Perspetiva da Prevenção Domingues, Maria 66 A complexidade representada na figura 8 é presenciada nos seguintes aspetos:  Técnicos;  Sociais. Nos aspetos técnicos, porque a execução das operações de assemblagem da plataformaturbina e transferência de doca, exige grande conhecimento, especialização, perícia, planeamento, organização e equipamentos auxiliares muito específicos além de serem operações de elevada envergadura. Nos aspetos sociais, porque estão envolvidas diversas organizações: a que fabricou a plataforma, a que fabricou a turbina, a que cedeu as instalações para transferência de doca e assemblagem, e a que mais tarde autorizou o lançamento ao mar, etc., com trabalhadores de diversas nacionalidades e distintos graus de formação. Figura 8 – Transferência de Doca e Assemblagem do Protótipo Quanto à gestão de riscos, as operações também envolvem riscos de segurança e saúde em elevada escala. Tanto a atividade de assemblagem como a atividade de transferência de doca comportam riscos vários. A assemblagem da turbina à plataforma e mais tarde o lançamento do protótipo ao mar, têm de ser bem estudados, planeados, avaliados os riscos e implementadas medidas preventivas adequadas e só então é que as atividades poderão ser executadas. A figura 9, respeitante à atividade de ancoragem do protótipo (iniciada em Setembro e terminada em final de novembro de 2011, de acordo com diagrama de Gantt da figura 7) no local de instalação definitiva no mar, denota um tipo de trabalho que envolve complexidade e risco. A complexidade manifestada é de índole técnica, e a gestão de riscos compreende essencialmente, o afogamento e as lesões provocadas pelo rebentamento dos cabos durante a operação de instalação das âncoras sem se contar com o perigo de formação de uma tempestade no mar. Domingues, Maria 67 Figura 9 – Ancoragem do Protótipo A complexidade técnica observa-se na dificuldade de colocação das âncoras no local preciso e exato de fundeamento do protótipo. Tais trabalhos têm de ser realizados por trabalhadores especializados entre os quais se pode salientar os mergulhadores de profundidade (40-50 m) e os trabalhadores do rebocador que terão de proceder à colocação da amarração i.e. correntes de sustentação das âncoras. Figura 10 – Amarração do Protótipo A figura 10 referente à amarração do protótipo denota o grau de complexidade de tal atividade e simultaneamente a necessidade de gestão do risco da mesma. A complexidade além de técnica é também expressa na própria constituição do estaleiro de construção i.e., realizam-se conjuntamente trabalhos em território português (local de implantação do protótipo) e em território estrangeiro (pavilhão do navio que executa os trabalhos de amarração definitiva do protótipo. O estaleiro no local é constituído pelo protótipo e por três rebocadores (dois dos quais de pavilhão português e um de pavilhão Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 68 Tratamento e Análise de Dados estrangeiro). Os trabalhos de amarração são executados pelo rebocador de pavilhão estrangeiro enquanto os outros dois, procedem à sustentação do protótipo. A necessidade de gestão de riscos é evidenciada nos perigos de queda à água, falta de respiração assistida aos mergulhadores ou ainda o rebentamento descontrolado dos cabos de amarração. A figura 11 relativa aos ensaios do cabo submarino de avaliação da fiabilidade do mesmo ao transporte de energia elétrica representa uma atividade, que apesar de executada por especialistas da área elétrica (complexidade técnica), mostra essencialmente as necessidades de gestão de riscos. Figura 11 – Ensaio ao Cabo Elétrico Submarino A execução dos ensaios prevê medidas de segurança excecionais como sejam a consignação da subestação. Este tipo de trabalho consiste em colocar fora de serviço todas as fontes de energia elétrica capazes de colocar em riscos a segurança e saúde dos trabalhadores da mesma. Uma Abordagem aos Projetos Complexos na Perspetiva da Prevenção Domingues, Maria 69 5 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS O último Relatório da OIT para o dia mundial da segurança e saúde no trabalho alerta para a chamada “economia verde” que é cada vez mais o símbolo de uma economia e uma sociedade mais sustentável, onde defender o meio ambiente para as presentes e futuras gerações e garantir a todas as pessoas condições de vida e de trabalho mais inclusivas é um dos maiores objetivos da Humanidade (OIT, 2012). A complexidade dos projetos é imperativa quanto à necessidade de se estabelecerem medidas excecionais de prevenção em estaleiros de construção temporários ou móveis. 5.1 Atual Sistema de Gestão de Riscos de Obras de Construção O atual sistema de gestão de riscos aplicável a estaleiros temporários ou móveis, no espaço da União Europeia, é o preceituado na Diretiva Estaleiros 92/57/CEE de 24 de Junho e é apresentado esquematicamente na tabela 51. Tabela 51 – Sistema de Gestão de Riscos de Obras de Construção Etapa Sistema de Gestão de Riscos da Diretiva Estaleiros (92/57/CEE de 24 de Junho) Descrição 1ª Parecer Prévio Coordenador de Segurança e Saúde Plano de Segurança e Saúde Dossier de Eventuais Trabalhos Posteriores Requisi tos 2ª Trabalhos de ancoragem do protótipo realizados por um rebocador de pavilhão estrangeiro O coordenador tomará medidas para que o acesso ao estaleiro seja reservado apenas a pessoas autorizadas Trabalhos de transferência da doca seca para o mar e operações de lastragem Trabalhos posteriores de manutenção a efetuar durante o período de exploração Protótipo 3ª (Gibson & Howsam, 2010) (Thomas & Mengel 2008) (Lingard et al. 2012) (Ruuska & Brady 2011) Comple xidade 4ª (Kontic & Gerbec 2009) (Fisher 2011) (Grøtan et al. 2011) (Kujawsky & Angelis 2009) Gestão de Riscos Etapa Sistema de Gestão de Riscos para Projetos Complexos (92/57/CEE de 24 de Junho) Descrição 5ª Parecer Prévio Coordenador de Segurança e Saúde Plano de Segurança e Saúde Dossier de Eventuais Trabalhos Posteriores Requisi tos Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 70 Discussão dos Resultados 5.1.1 Diretiva Estaleiros – 1ª Etapa Os requisitos essenciais para implementação do sistema de gestão instituído pela DE 92/57/CEE de 24 de Junho são quatro: i) Parecer prévio; ii) Coordenador de segurança e saúde; iii) Plano de segurança e saúde; iv) Dossier de eventuais trabalhos posteriores. Na fase de conceção ou de projeto e à luz da DE onde se efetuam trabalhos de construção “4) montagem e desmontagem de elementos pré-fabricados” segundo o art.º 3º, 1, da mesma, deverá ser nomeado pelo dono da obra e/ou pelo diretor fiscal um coordenador de segurança e saúde, pessoa singular e/ou coletiva que, em concordância com art.º 6º deverá: “Coordenar a aplicação dos princípios gerais de prevenção em matéria de segurança e saúde (nas opções arquitetónicas, técnicas e/ou organizacionais para planificar os diferentes trabalhos ou fases de trabalho que irão desenrolar-se simultânea ou sucessivamente, na previsão do tempo a destinar à realização desses trabalhos ou fases do trabalho, tidos em conta, sempre que se afigure necessário, todos os planos de segurança e saúde e todos os dossiers elaborados), elaborará ou mandará elaborar um plano de segurança e saúde que indicará com precisão as regras aplicáveis ao estaleiro em questão e elaborará um dossier adaptado às características da obra, que incluirá os elementos úteis em matéria de segurança e de saúde a ter em conta em eventuais trabalhos posteriores”. E ainda, de acordo com art.º 3º, 3: “O dono da obra e/ou o diretor fiscal comunicarão às autoridades competentes, antes do início dos trabalhos, o parecer prévio elaborado em conformidade com o Anexo III”. Assim, para o protótipo em estudo e para cumprir o preconizado pelo sistema de gestão, o dono da obra, comunicou à Autoridade para as Condições Trabalho a abertura do estaleiro, nomeou um coordenador de segurança e saúde em projeto e em obra e assegurou que antes da abertura do mesmo fosse estabelecido um plano de segurança e saúde. Por sua vez, o coordenador de segurança e saúde durante o projeto da obra elaborou um dossier em matéria de segurança e saúde a ter em conta em eventuais trabalhos posteriores. 5.1.2 Protótipo – 2ª Etapa Para a construção do protótipo foi necessário atender aos requisitos de gestão de riscos da DE 92/57/CEE de 24 de Junho. Por conseguinte, na elaboração do parecer prévio e decorrente da necessidade de anexar as declarações de responsabilidade identificou-se a insuficiência do procedimento em causa devido à existência de um rebocador de pavilhão estrangeiro que efetuou todos os trabalhos de amarração do protótipo como subcontratado de uma das entidades Domingues, Maria 71 executantes. O protótipo foi implantado em território nacional e a execução dos trabalhos de amarração decorreu em território estrangeiro. Em boa verdade a entidade executante deixou de ter responsabilidade sobre os trabalhos realizados pelo seu subcontratado porque foram realizados fora do território nacional (em território estrangeiro). Relativamente aos coordenadores de segurança e saúde, e de acordo com o artigo 6º alínea f) da DE, os mesmos tomarão as medidas necessárias para que o acesso ao estaleiro seja reservado apenas a pessoas autorizadas. No caso do protótipo em estudo e durante a execução dos trabalhos de amarração por um rebocador de pavilhão estrangeiro tal, fica excluído das suas funções porque o coordenador não está habilitado a coordenar atividades em território estrangeiro ou supranacionais. Quanto PSS, e por exemplo na fase de saída da doca seca para o mar e consequente lastragem do protótipo, a especificidade das operações conjugadas, as dimensões das estruturas envolvidas implicam a necessidade de utilização de métodos ou modelos de avaliação de risco igualmente singulares como por exemplo, uma análise integrada de riscos de segurança e saúde e ambientais. Este requisito condiciona de modo significativo, a apresentação de soluções preventivas em fase de projeto. Por fim, e no que respeita à elaboração do dossier de eventuais trabalhos posteriores para atividades de manutenção do protótipo, as suas singularidades construtivas determinam soluções cujos procedimentos de manutenção, envolvem operações que, noutros cenários seriam rotineiras, mas neste caso, são operações de risco elevado. Mais uma vez, o requisito aponta para a necessidade de adoção de métodos particulares de identificação e avaliação de riscos. 5.1.3 Complexidade – 3ª Etapa A título de exemplo, fundamentam-se numa breve resenha de quatro autores que dedicaram a sua investigação ao tema da complexidade, os quatro requisitos base da DE 92/57/CEE de 24 de Junho. O parecer prévio numa perspetiva de complexidade e porque o quadro jurídico dos parques eólicos offshore causa impactes diversos no processo de licenciamento, na taxa de desenvolvimento de novos parques eólicos offshore e na realização das metas definidas para a produção de eletricidade a partir de energias renováveis, os limites de consentimento associados ao seu desenvolvimento devem ser claramente definidos por uma comissão de planeamento de infraestruturas que ajudará a diminuir a incerteza associada à dependência de decisores locais (Gibson & Howsam, 2010). No respeitante aos coordenadores de segurança e saúde e tal como os mestres gestores de projetos de ambientes complexos, desconhecidos e incertos necessitam desenvolver habilidades emocionais, espirituais, capacidades de orientação que induzam a ação criadora (fazer acontecer) e promovam a reflexão crítica num ambiente de aprendizagem e que por Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 72 Discussão dos Resultados isso, a educação para a gestão de projetos que envolvem complexidade e para sistemas adaptativos complexos ou sensíveis exige muito mais do que a transferência de saber através dos métodos tradicionais de ensino/formação (o quê ou o como) (Thomas & Mengel, 2008). O plano de segurança e saúde mais concretamente a atual prevenção de riscos para a construção, através dos seus quadros de formulação de políticas, processos e ferramentas de gestão, não reconhece a maneira pela qual as interações e associações entre os stakeholders (partes interessadas) e os diversos artefactos não-humanos são influenciados pela evolução das decisões do projeto (Lingard et al., 2012). O dossier de eventuais trabalhos aponta para a utilização de replicação adequada quando o objeto da mesma é relativamente complexo pois, a investigação tem incidido nos conceitos de projeto de construção e na capacidade de aprendizagem, através da replicação e extensão do trabalho anterior (Ruuska & Brady, 2011). 5.1.4 Gestão de Riscos – 4ª Etapa De modo similar apresentam-se a seguir os resultados dos estudos de quatro autores que poderão ajudar a compreender os quatro pilares de sustentação da DE 92/57/CEE de 24 de Junho na perspetiva da gestão de riscos. O parecer prévio remete para o processo de licenciamento que, apesar da ausência formal (regulamentar) de valores-limite para o risco é o resultado da avaliação do impacte ambiental e da avaliação de riscos dos diversos intervenientes no processo como sejam: o investidor, o consultor e a autoridade competente (Kontic & Gerbec, 2009). Os coordenadores de segurança e saúde por similitude com os gestores de projeto enfrentam grandes desafios de melhoria na área da gestão de pessoas pelo que se propõem, seis características elementares de liderança das mesmas: compreender as suas caraterísticas comportamentais, capacidade de as liderar, competência para as influenciar, adoção de comportamentos autênticos, saber gerir conflitos e possuir consciência cultural (Fisher, 2011). O plano de segurança e saúde na sua vertente de instrumento de identificação e análise de riscos tradicional, não é suficiente para reconhecer a heterogeneidade dos critérios de entrada (figurados pela metáfora secular – wildness in wait) de sistemas complexos pelo que, as avaliações de risco devem reconhecer e atender às propriedades sistémicas do risco bem como ao quadro cynefin, sense making, a fim de identificar e tratar a distinção crucial entre ordem dirigida (resultante) e ordem não-direcionada (emergente), em suma, a avaliação de risco deve ser encarada como uma prática de conhecimento social (Grøtan et al., 2011). O dossier de eventuais trabalhos deve tomar em linha de conta que o quadro de risco é dinâmico e como tal, as fontes e as consequências dos riscos evoluem e mudam ao longo Domingues, Maria 73 do ciclo de vida do projetos, daí a necessidade de os monitorizar constantemente, sabendo que as ações de resposta a riscos que não acompanham as situações de mudança do projeto são uma das principais causas de falha na gestão de riscos (Kujawski & Angelis, 2009). 5.2 Sistema de Gestão de Riscos para Projetos Complexos Na mesma linha de pensamento e tendo como base a premissa legal da União Europeia – Diretiva 92/57/CEE do Conselho de 24 de Junho e à semelhança da lista não exaustiva (no seu anexo III) de trabalhos de riscos especiais também se consideram as características de complexidade dos projetos. Assim, pretende-se com este trabalho atualizar e reformular os instrumentos de gestão da prevenção da mesma para a fase de conceção, aplicada a projetos complexos, tal como constam da tabela 52. Tabela 52 – Sistema de Gestão de Riscos para Projetos Complexos Etapa Sistema Atual de Gestão de Riscos da Diretiva Estaleiros (92/57/CEE de 24 de Junho) Descrição 1ª Parecer Prévio Coordenador de Segurança e Saúde Plano de Segurança e Saúde Dossier de Eventuais Trabalhos Posteriores Requisi tos 2ª Trabalhos de ancoragem do protótipo realizados por um rebocador de pavilhão estrangeiro O coordenador tomará medidas para que o acesso ao estaleiro seja reservado apenas a pessoas autorizadas Trabalhos de transferência da doca seca para o mar e operações de lastragem Trabalhos posteriores de manutenção a efetuar durante o período de exploração Protótipo 3ª (Gibson & Howsam, 2010) (Thomas & Mengel 2008) (Lingard et al. 2012) (Ruuska & Brady 2011) Comple xidade 4ª (Kontic & Gerbec 2009) (Fisher 2011) (Grøtan et al. 2011) (Kujawsky & Angelis 2009) Gestão de Riscos Etapa Sistema de Gestão de Riscos para Projetos Complexos (92/57/CEE de 24 de Junho) Descrição 5ª Parecer Prévio Licenciamento Obrigatório Coordenador de Segurança e Saúde Coordenador de Segurança e Saúde de Projetos Complexos Plano de Segurança e Saúde Análise e Avaliação de Riscos de Projetos Complexos Dossier de Eventuais Trabalhos Posteriores Análise e Avaliação de Riscos de Projetos Complexos Requisitos Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 80 Conclusões E, em jeito de encerramento, deve-se fazer notar que algumas das premissas de sustentação da diretiva estaleiros são sobretudo de natureza social, derivadas de um registo de elevada sinistralidade setorial. Como a DE encerra em si própria um tipo de sistema de gestão, neste moldes os projetos complexos também devem acarretar uma solução consubstanciada num sistema de gestão com uma forte base de preocupação com a segurança e saúde dos trabalhadores e terceiros. Apresentou-se uma primeira proposta que tem implícito no seu seio, o imperativo de responder à complexidade sem omitir a preocupação de retribuir com eficácia à gestão dos riscos profissionais. Figura 13 – Assemblagem Torre-Plataforma do Protótipo Uma Abordagem aos Projetos Complexos na Perspetiva da Prevenção Domingues, Maria 81 7 PERSPECTIVAS FUTURAS Um tema tão extenso como a prevenção em projetos complexos, não fica de maneira nenhuma, esgotado nesta Dissertação. São várias as perspetivas que se podem apontar para o futuro e que vão desde: (i) o desenvolvimento e validação mais aprimorada do sistema de gestão de riscos apresentado i.e. a sua implementação; (ii) à proposta de novos sistemas de gestão independentes da DE e apropriados também para outros tipos de projetos; até (iii) um modelo de avaliação de riscos mais adaptado… formulação de um novo modelo de análise de riscos especialmente adaptado à complexidade dos projetos de construção e/ou outro tipo de projetos. Figura 14 – Perspetiva de Terra e do Protótipo no Mar Domingues, Maria 83 8 BIBLIOGRAFIA Akimoto, H., Tanaka, K., & Uzawa, K. (2011). Floating axis wind turbines for offshore power generation - a conceptual study. Environmental Research Letters, 6(4), 6. doi: 10.1088/1748-9326/6/4/044017 Amaral, L. A. N., & Uzzi, B. (2007). Complex Systems - A New Paradigm for the Integrative Study of Management, Physical, and Technological Systems. Management Science, 53(7), 1033-1035. doi: 10.1287/mnsc.1060.0696 Ameen, M., & Jacob, M. (2009). Complexity in Projects A Study of Practitioners Understanding of Complexity in Relation to Existing Theoretical Models. (Masters in Strategic Project Management), Umeå University, Umeå, Sweden. Andrade, V. (2011). Windfloat Impulsiona Economia do Mar, Expresso. Arthur D. Little Ltd. (2003). The Business Case for Corporate Responsibility. In A. D. L. Ltd. (Ed.). Cambridge UK. Artilheiro, F. J. A. (2009). Metodologia integrada de avaliação de impactes ambientais e de riscos de segurança e higiene ocupacionais. (Mestrado), Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto. Aubault, A., Cermelli, C., & Roddier, D. (2009). WindFloat: A Floating Foundation for OffShore Wind Turbines Part III: Structural Analysis. Paper presented at the ASME 28th International Conference on Ocean, Offshore and Arctic Engineering, Honolulu, Hawaii, USA. Aven, T. (2010). On how to define, understand and describe risk. Reliability Engineering & System Safety, 95(6), 623-631. doi: 10.1016/j.ress.2010.01.011 Aven, T. (2011). On the new ISO guide on risk management terminology. Reliability Engineering & System Safety, 96(7), 719-726. doi: 10.1016/j.ress.2010.12.020 Aven, T. (2012). The risk concept - historical and recent development trends. Reliability Engineering & System Safety, 99, 33-44. doi: 10.1016/j.ress.2011.11.006 Azim, S., Gale, A., Lawlor-Wright, T., Kirkham, R., Khan, A., Alam, M., & (2010). The importance of soft skills in complex projects. International Journal of Managing Projects in Business, 3(3), 387-401. doi: 10.1108/17538371011056048 Baccarini, D. (1996). The Concept of Project Complexity - a Review. International Journal of Project Management, 14(4), 201-204. Bar-Yam, Y. (1997). Complexity Rising: From Human Beings to Human Civilization, a Complexity Profile. In N. E. C. S. Institute (Ed.). Cambridge, MA, USA: New England Complex Systems Institute. Bar-Yam, Y. (2003). Multiscale Variety in Complex Systems. In NECSI (Ed.), NECSI Technical Report 2003-11-01. Cambridge, Massachusetts 02138, USA: New England Complex Systems Institute. Bar-Yam, Y. (2003). When Systems Engineering Fails - Toward Complex Systems Engineering. Paper presented at the International Conference on Systems, Man & Cybernetics, Piscataway - NJ, USA. Bar-Yam, Y., & Kuras, M. L. (2003). Complex Systems and Evolutionary Engineering An AOC WS LSI Concept Paper: Complex Systems Institute and The MITRE Corporation. 84 Bibliografia Barlow, J. (2000). Innovation and learning in complex offshore construction projects. Research Policy, 29, 973-989. Bea, R. G. (1998). Human and Organization Factors: Engineering Operating Safety into Offshore Structures. Reliability Engineering & System Safety, 61, 109 - 126. Belmonte, F., Schön, W., Heurley, L., & Capel, R. (2011). Interdisciplinary safety analysis of complex socio-technological systems based on the functional resonance accident model: An application to railway trafficsupervision. Reliability Engineering & System Safety, 96(2), 237-249. doi: 10.1016/j.ress.2010.09.006 Bilgili, M., Yasar, A., & Simsek, E. (2011). Offshore wind power development in Europe and its comparison with onshore counterpart. Renewable and Sustainable Energy Reviews, 15(2), 905-915. doi: 10.1016/j.rser.2010.11.006 Broekel, T., & Boschma, R. (2011). Aviation, Space or Aerospace? Exploring the Knowledge Networks of Two Industries in The Netherlands. European Planning Studies, 19(7), 1205-1227. doi: 10.1080/09654313.2011.573133 Browning, L., & Boudès, T. (2005). The use of narrative to understand and respond to complexity: A comparative analysis of the Cynefin and Weickian models. E:CO, 7(3-4), 32-39. Carassus, J. (2004). Construction Sector System, Innovation and Services. Paper presented at the Construction, innovation and services, Toronto, Canada. Cermelli, C., Roddier, D., & Aubault, A. (2009). WindFloat: A Floating Foundation for OffShore Wind Turbines Part II: Hydrodynamics Analysis. Paper presented at the ASME 28th International Conference on Ocean, Offshore and Arctic Engineering, Honolulu, Hawaii, USA. Checkland, P. (2011). Autobiographical retrospectives: Learning your way to ‘action to improve’ – the development of soft systems thinking and soft systems methodology. International Journal of General Systems, 40(05), 487-512. doi: 10.1080/03081079.2011.571437 Chen, L., Ponta, F. L., & Lago, L. I. (2011). Perspectives on innovative concepts in windpower generation. Energy for Sustainable Development, 15(4), 398-410. doi: 10.1016/j.esd.2011.06.006 Cherubin, P., Pellino, S., & Petrone, A. (2011). Baseline risk assessment tool: A comprehensive risk management tool for process safety. Process Safety Progress, 30(3), 251-260. doi: 10.1002/prs.10464 Chiavenato, I. (2001). Advances and Challenges in Human Resource Management in the New Millennium. Public Personnel Management, 30(1), 17-26. Cicmil, S., & Marshall, D. (2005). Insights into collaboration at the project level: complexity, social interaction and procurement mechanisms. Building Research & Information, 33(6), 523-535. doi: 10.1080/09613210500288886 Colombo, S., & Demichela, M. (2008). The systematic integration of human factors into safety analyses: An integrated engineering approach. Reliability Engineering & System Safety, 93(12), 1911-1921. doi: 10.1016/j.ress.2008.03.029 Comissão Europeia. (2011). Guia de boas práticas não vinculativo para a compreesão e a aplicação da Directiva 92/57/CEE «Estaleiros». Luxemburgo: Serviço das Publicações da União Europeia. Cooke-Davies, T. J., Crawford, L. H., & Lechler, T. G. (2009). Project management systems: Moving project management from an operational to a strategic discipline. Project Management Journal, 40(1), 110-123. doi: 10.1002/pmj.20106 Domingues, Maria 85 Crawford, L. (2005). Senior management perceptions of project management competence. International Journal of Project Management, 23(1), 7-16. doi: 10.1016/j.ijproman.2004.06.005 Crawford, L., & Nahmias, A. H. (2010). Competencies for managing change. International Journal of Project Management, 28(4), 405-412. doi: 10.1016/j.ijproman.2010.01.015 Cruz, R. M., Baptista, J. S., & Diogo, M. T. (2010). Emergência numa Perspectiva de Processo. Paper presented at the International Symposium on Occupational Safety and Higyene, Guimarães, Portugal. da Costa, V. C. (2011). Gestão do Risco. Ingenium, 24, 24-26. da Silva, R. A. C. (2007). Roaming the Complex Thought. Publicação UEPG Humanitária, , 15(1), 13-18. dos Santos, J. N. (2008). O Projecto Eléctrico: Aspetos Legais, Formais e Técnicos (Topicos) (pp. 19). Porto, Portugal: Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Dossick, C. S., & Neff, G. (2007). How Leadership Overcames Organizational Divisions in Bimenabled Commercial Construction. Seatle, WA, USA: University of Washington. Doursat, R., & Ulieru, M. (2008). Emergent Engineering for the Management of Complex Situations Paper presented at the 2nd International Conference on Autonomic Computing and Communication Systems, Turin, Italy. Eid, J., Mearns, K., Larsson, G., Laberg, J. C., & Johnsen, B. H. (2012). Leadership, psychological capital and safety research: Conceptual issues and future research questions. Safety Science, 50(1), 55-61. doi: 10.1016/j.ssci.2011.07.001 Farinha, M. M., Boto, M., & Béjinha, A. (2006). Avaliação de Riscos Profissionais. ISQ Tecnologia & Qualidade, 5, 23-26. Felici, M. (2006). Capturing emerging complex interactions: Safety analysis in air traffic management. Reliability Engineering & System Safety, 91(12), 1482-1493. doi: 10.1016/j.ress.2006.01.010 Fernández-Muñiz, B., Montes-Peón, J. M., & Vázquez-Ordás, C. J. (2012). Safety climate in OHSAS 18001-certified organisations: Antecedents and consequences of safety behaviour. Accident Analysis & Prevention, 45, 745-758. doi: 10.1016/j.aap.2011.10.002 Fisher, E. (2011). What practitioners consider to be the skills and behaviours of an effective people project manager. International Journal of Project Management, 29(8), 994-1002. doi: 10.1016/j.ijproman.2010.09.002 Forcada, N., Casals, M., Gangolells, M., Roca, X., & Fuertes, A. (2008). Experiences of Success in Industrial Plants Projects. Revista Ingenieria de Construcción, 23(2), 82 - 93. Gagliardi, D., Marinaccio, A., Valenti, A., & Iavicoli, S. (2012). Occupational Safety and Health in Europe: Lessons from the Past, Challenges and Opportunities for the Future. Industrial Health, 50, 7-11. Gambatese, J. A., Behm, M., & Hinze, J. W. (2005). Viability of Designing for Construction Worker Safety. Journal of Construction Engineering and Management, 131(9), 1029 - 1036. doi: 10.1061//asce/0733-9364/2005/131:9/1029 86 Bibliografia Gangolells, M., Casals, M., Forcada, N., Roca, X., & Alba, F. (2010). Mitigating construction safety risks using prevention through design. [Research Support, NonU.S. Gov't]. J Safety Research, 41(2), 107-122. doi: 10.1016/j.jsr.2009.10.007 Garrett, J. W., & Teizer, J. (2009). Human Factors Analysis Classification System Relating to Human Error Awareness Taxonomy in Construction Safety. Journal of Construction Engineering and Management, 135(8), 754-763. doi: 10.1061//asce/co.1943-7862.0000034 Gell-Mann, M. (2005). ISIS Opening Address: Complexity versus Simplicity. Paper presented at the International Symposium of Interdisciplinary Science, Natchitoches, Louisiana, USA. Geraldi, J., Maylor, H., & Williams, T. (2011). Now, let's make it really complex (complicated): A systematic review of the complexities of projects. International Journal of Operations & Production Management, 31(9), 966-990. doi: 10.1108/01443571111165848 Gersh, J. R., McKneely, J. A., & Remington, R. W. (2005). Cognitive Engineering: Understanding Human Interaction with Complex Systems. Johns Hopkins Apl. Technical Digest 26(4), 377-382. Ghosh, S., & Young-Corbett, D. (2009). Intersection between Lean Construction and Safety Research: A Review of the Literature. Paper presented at the Industrial Engineering Research Conference. Gibson, E., & Howsam, P. (2010). The legal framework for offshore wind farms: A critical analysis of the consents process. Energy Policy, 38(8), 4692-4702. doi: 10.1016/j.enpol.2010.04.029 Gil, N., & Tether, B. S. (2011). Project risk management and design flexibility: Analysing a case and conditions of complementarity. Research Policy, 40(3), 415-428. doi: 10.1016/j.respol.2010.10.011 Gil, N., Tommelein, I. D., Kirkendall, R. L., & Ballard, G. (2000). Contribution of Specialty Contractor Knowledge to Early Design. Gregoriades, A., & Sutcliffe, A. (2008). Workload prediction for improved design and reliability of complex systems. Reliability Engineering & System Safety, 93(4), 530-549. doi: 10.1016/j.ress.2007.02.001 Grøtan, T. O., Størseth, F., & Albrechtsen, E. (2011). Scientific foundations of addressing risk in complex and dynamic environments. Reliability Engineering & System Safety, 96(6), 706-712. doi: 10.1016/j.ress.2010.12.009 Hallowell, M. R., & Gambatese, J. A. (2009). Construction Safety Risk Mitigation. Journal of Construction Engineering and Management, 135(12), 1316-1323. doi: 10.1061//asce/co.1943-7862.0000107 Hare, B., & Cameron, I. (2011). Site manager safety training. Engineering, Construction and Architectural Management, 18(6), 568-578. doi: 10.1108/09699981111180881 Hare, B., & Cameron, I. (2012). Health and safety gateways for construction project planning. Engineering, Construction and Architectural Management, 19(2), 192204. doi: 10.1108/09699981211206115 Harinarain, N., Othman, A. A. E., & Pearl, R. G. (2008). Investigating the Contractor's Risk Sources Associated with the Principal Building Agreement in South Africa. Paper presented at the 5th Post Graduate Conference on Construction Industry Development, Bloemfontein, South Africa. Domingues, Maria 87 Hass, K. B. (2008). Introducing the New Project Complexity Model. Projects and Profits Case Studies in Management. Håvold, J. I. (2010). Safety culture and safety management aboard tankers. Reliability Engineering & System Safety, 95(5), 511-519. doi: 10.1016/j.ress.2010.01.002 Helbing, D., Balietti, S., Bishop, S., Lukowicz, P., & (2011). Undestanding, creating and managing, complex techno-socio-economic systems: Challenges and perspectives. The European Physical Journal, 195, 165-186. Hinze, J. (2008). Construction safety. Safety Science, 46(4), 565. doi: 10.1016/j.ssci.2007.07.003 Hodgson, D. (2002). Disciplining the Professional: The Case of Project Management. Journal of Management Studies, 39, 803-821. Hollnagel, E. (1998). Commentary Comments on 'Conception of the cognitive engineering design problem' by John Dowell and John Long. Ergonomics, 41(2), 160-162. doi: 10.1080/001401398187198 Hollnagel, E., Woods, D. D., & Leveson, N. G. (2006). Resilience Engineering Concepts and Precepts. Aldershot, Hampshire, England: Ashgate Publishing Limited. INAG. (2011). POEM - Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo. Lisboa, Portugal: Instituto da Água. Ireland, L. (2007). Project Complexity: A Brief Exposure to Difficult Situations: asapm website. IRM-airmic-ALARM. (2002). A Risk Management Standard. London, UK: The Institute of Risk Management. Isokangas, E., Byrnes, A., Coglan, J., Drogemuller, R., Hicks, D., Jensen, M., . . . Hakkanen, M. (2009). Interoperable Standards Development. Brisbane, Australia. ISSA. (1999). Coordination of Safety and Health at temporary or mobile construction sites: current status. Geneva, Switzerland: International Social Security Association. Johnson, C. W. (2006). What are emergent properties and how do they affect the engineering of complex systems? Reliability Engineering & System Safety, 91(12), 1475-1481. doi: 10.1016/j.ress.2006.01.008 Kahane, A. (2004). Solving Tough Problems An Open Way of Talking, Listening, and Creating New Realities. San Francisco, CA, USA: Berrett-Koehler Publishers, Inc. Kelly, T. P., & McDermid, J. A. (1996). Safety Case Construction and Reuse using Patterns. York, UK: University of York. Klein, M., Faratin, P., Sayama, H., & Bar-Yam, Y. (2003). The Dynamics of Collaborative Design: Insights from Complex Systems and Negotiation Research. Concurrent Engineering, 11(3), 201-209. doi: 10.1177/106329303038029 Kontic, B., & Gerbec, M. (2009). The role of environmental accidental risk assessment in the process of granting development consent. Risk Anal, 29(11), 1601-1614. doi: 10.1111/j.1539-6924.2009.01285.x Kujawski, E., & Angelis, D. (2009). Monitoring risk response actions for effective project risk management. Systems Engineering, n/a-n/a. doi: 10.1002/sys.20154 Kwak, Y. H., & Ingall, L. (2007). Exploring Monte Carlo Simulation Applications for Project Management. Risk Management, 9(1), 44-57. doi: 10.1057/palgrave.rm.8250017 Leitch, M. (2010). ISO 31000:2009--The new international standard on risk management. Risk Anal, 30(6), 887-892. doi: 10.1111/j.1539-6924.2010.01397.x 88 Bibliografia Li, H., & Guo, H. L. (2011). International Journal of Project Management special issue on “Complexities in managing mega construction projects”. International Journal of Project Management, 29(7), 795-796. doi: 10.1016/j.ijproman.2011.05.001 Lingard, H., Cooke, T., & Blismas, N. (2012). Designing for construction workers occupational health and safety: a case study of socio-material complexity. Construction Management and Economics, 30, 367-382. doi: 10.1080/01446193.2012.667569 Liu, H.-T., & Tsai, Y.-l. (2012). A fuzzy risk assessment approach for occupational hazards in the construction industry. Safety Science, 50(4), 1067-1078. doi: 10.1016/j.ssci.2011.11.021 Lorino, P. (2007). Process Based Management and the Central Role of Dialogical Collective Activity in Organizational Learning - The Case of Work Safety in the Building Industry. Paper presented at the International Conference on Organizational Learning, Knowledge and Capability, London, Ontario, Canada. Love, P., Edwards, D., Irani, Z., & Goh, Y. M. (2011). Dynamics of Rework in Complex Offshore Hydrocarbon Projects. Journal of Construction Engineering and Management. doi: 10.1061/(asce)co Love, P., Edwards, D., & Wood, E. (2011). Loosening the Gordian knot: the role of emotional intelligence in construction. Engineering, Construction and Architectural Management, 18(1), 50-65. doi: 10.1108/09699981111098685 Lukic, D., Margaryan, A., & Littlejohn, A. (2010). How organisations learn from safety incidents: a multifaceted problem. Journal of Workplace Learning, 22(7), 428-450. doi: 10.1108/13665621011071109 Lyon, D., Stevens, G., Graf, K., Peineke, C., Christensen, D., Peineke, C., . . . Rossi, N. (2011). Risk Quantification and Risk Management in Renewable Energy Projects. Hamburg, Germany: Altran Arthur D. Little. Madariaga, A., Martínez de Alegría, I., Martín, J. L., Eguía, P., & Ceballos, S. (2012). Current facts about offshore wind farms. Renewable and Sustainable Energy Reviews, 16, 3105-3116. doi: 10.1016/j.rser.2012.02.022 Maggi, Y. I., Sabino, R., & Sabino, L. (2001). Projeto de Obras Marítimas em Aço: Tecnologias Aplicadas à Construção. In L. eXe Engenharia (Ed.). Curitiba, Brasil: eXe Engenharia, LTDA. Mahamid, I. (2011). Risk matrix for factors affecting time delay in road construction projects: owners' perspective. Engineering, Construction and Architectural Management, 18(6), 609-617. doi: 10.1108/09699981111180917 Manwell, J. F., Elkinton, C. N., Rogers, A. L., & McGowan, J. G. (2007). Review of design conditions applicable to offshore wind energy systems in the United States. Renewable and Sustainable Energy Reviews, 11(2), 210-234. doi: 10.1016/j.rser.2005.01.002 Marashi, E., & Davis, J. P. (2006). An argumentation-based method for managing complex issues in design of infrastructural systems. Reliability Engineering & System Safety, 91(12), 1535-1545. doi: 10.1016/j.ress.2006.01.013 Mariotti, H. (2000). Reducionismo, "Holismo" e Pesamentos Sistêmico e Complexo (Suas consequências na vida cotidiana). In P. Athena (Ed.), As paixões do ego: complexidade, política e solidariedade. São Paulo, Brasil. Mariotti, H. (2010). Pensamento Complexo suas Aplicações à Liderança, à Aprendizagem e ao Desenvolvimento Sustentável. São Paulo, Brasil: Editora Atlas S.A. Domingues, Maria 89 Miguel, A. S. S. R. (2010). Manual de Higiene e Segurança do Trabalho. Porto, Portugal: Porto Editora. Mitropoulos, P. T., & Cupido, G. (2009). The role of production and teamwork practices in construction safety: a cognitive model and an empirical case study. [Research Support, U.S. Gov't, Non-P.H.S.]. J Safety Res, 40(4), 265-275. doi: 10.1016/j.jsr.2009.05.002 Mohamed, S., & McCowan, A. K. (2001). Modelling project investment decisions under uncertainty using possibility theory. International Journal of Project Management, 19, 231-241. Möller, B., Hong, L., Lonsing, R., & Hvelplund, F. (2012). Evaluation of offshore wind resources by scale of development. Energy, XXX, 1-9. doi: 10.1016/j.energy.2012.01.029 Morin, E. (2003). Da necessidade de um pensamento complexoPara navegar no século XXI - Tecnologias do Imaginário e Cibercultura. Porto Alegre, Brasil: Sulinas/Edipucrs, 2003. Morin, E. (2006). Introdução ao Pensamento Complexo E. Sulina (Ed.) Muller, R., Geraldi, J., & Turner, R. J. (2012). Relationships Between Leadership and Sucess in Different Types of Project Complexities. IEEE Transactions on Engineering Management,, 59(I), 77-90. Nahmens, I., & Ikuma, L. H. (2009). An Empirical Examination of the Relatonship between Lean Construction and Safety in the Industrialized Housing Industry. Lean Construction Journal, 1 - 12. Nassar, K. M., & Hegab, M. Y. (2006). Developing a Complexity Measure for Project Schedules. Journal of Construction Engineering and Management,, 132(6), 554561. doi: 10.1061//asce/0733-9364/2006/132:6/554 Njå, O., & Solberg, Ø. (2010). Safety Considerations in Political Decisions: A Case Study of Changes to the Norwegian Aviation System. Review of Policy Research, 27(5), 595 - 619. Offshore Center Danmark. (2012). Renewables Yearbook 2012 Offshore Industry in Denmark. OIT. (2005). Diretrizes sobre Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho (Fundacentro ed.). São Paulo, Brasil: Organização Internacional do Trabalho. OIT. (2012). Promoting Safety and Health in a Green Economy World day for safety and health at work 28 April 2012. Geneva, Switzerland: International Labour Office. Oliveira, M. d. P., & Qualharini, E. (2009). Gestão de Riscos na Operação de Plataformas de Petróleo. Paper presented at the V Congresso Nacional de Excelência em Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade, Niterói, RJ, Brasil. Panas, A., & Pantouvakis, J.-P. (2010). An Empirical Framework for the PerformanceBased Evaluation of Health and Safety's Contribution to Sustainable Construction Organization, Technology and Management in Construction - An International Journal, 174 - 182. Papazoglou, I. A., & Ale, B. J. M. (2007). A logical model for quantification of occupational risk. Reliability Engineering & System Safety, 92(6), 785-803. doi: 10.1016/j.ress.2006.04.017 Paté-Cornell, M. E., & Dillon, R. (2001). Probabilistic Risk Analysis for the NASA Space Shuttle: a Brief History and Current Work. Reliability Engineering & System Safety, 74, 345 - 352.