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O infante Dom Pedro de Portugal e suas viagens reais e imaginárias

Rodrigues, Ana Maria S. A.

Abstract

O infante D. Pedro, filho de D. João I e D. Filipa de Lencastre, é o protagonista de uma famosa viagem imaginária, escrita por Gómez de Santisteban. Esta obra ficcional deverá ter sido produzida no contexto da reabilitação da sua memória após a batalha de Alfarrobeira. O texto mescla elementos reais das peregrinações europeias à Terra Santa com elementos fantasiosos e ganhou credibilidade com o facto de o infante ter realizado, de facto, uma viagem pelas cortes europeias.

Full text

Vânia Lei e F óes Edma Checon de F ei as Sín al Ca los Mello Gonçal es Mi iam Cab al Cose Raquel Al i os Pe ei a Anna Ca la Mon ei o de Cas o (o gs.) Viagens e espaços imaginá ios na Idade Média Rio de Janei o Anpuh-Rio 2018 VIAGENS E ESPAÇOS IMAGINÁRIOS NA IDADE MÉDIA O ganização Vânia Lei e F óes Edma Checon de F ei as Sín al Ca los Mello Gonçal es Mi iam Cab al Cose Raquel Al i os Pe ei a Anna Ca la Mon ei o de Cas o Edição Anna Ca la Mon ei o de Cas o Thiago de Souza dos Reis A e g á ica Claudia Ma ilia Ma ques Espanha FICHA CATALOGRÁFICA As ideias aqui expos as são de in ei a esponsabilidade de au o es e o ganizado es. V598 Viagens e espaços imaginá ios na Idade Média / o ganização Vânia Lei e F óes... [e al.]. – Rio de Janei o: Anpuh-Rio, 2018. 246 . : il. ISBN 978-85-65957-11-3 Li o ele ônico 1. Idade Média 2. Eu opa 3. Viagens 4. Imaginá io 5. Na a i as I. Tí ulo CDD 940.1 V598 Viagens e espaços imaginá ios na Idade Média / o ganização Vânia Lei e F óes... [e al.]. – Rio de Janei o: Anpuh-Rio, 2018. 97 . : il. Uni e sidade Fede al Fluminense (UFF) Rei o : Sidney Mello Vice- ei o : An onio Claudio Lucas da Nób ega Che e de Gabine e: Má io Augus o Ronconi P ó- ei o ia de G aduação (P og ad): José Rod igues de Fa ias Filho P ó- ei o ia de Pesquisa e Pós-G aduação e Ino ação (P oppi): Vi o F ancisco Fe ei a P ó- ei o ia de Ex ensão: C esus Vinicius Depes de Gou êa Ins i u o de His ó ia Di e o : No be o Os aldo Fe e as Vice-di e o : Ronald José Raminelli P og ama de Pós-G aduação em His ó ia (PPGH) Coo denado a: Giselle Ma ins Venâncio Vice-Coo denado : Alexand e Ca nei o Ce quei a Lima Depa amen o de His ó ia Che e: Edma Checon de F ei as Sub-che e: Jonis F ei e Coo denação de Bacha elado: Coo denado a: Ca olina Coelho Fo es Vice-Coo denado : Luiz Fe nando Sa ai a Coo denação de Licencia u a: Coo denado : Alexand e San os de Mo aes Vice-Coo denado a: Elisa de Campos Bo ges Associação Nacional de His ó ia Seção Regional do Rio de Janei o (ANPUH- RIO) Conselho Di e o P esiden e: Rica do Figuei edo de Cas o (UFRJ) Vice-p esiden e: Sil ana C is ina Bandoli Va gas (Colégio Ped o II) Sec e á io-ge al: Na alia dos Reis C uz (UFF) P imei o sec e á io: Rena a To es Schi ino (UFF) Segundo sec e á io: Dominichi Mi anda de Sá (Coc/Fioc uz) P imei o esou ei o: Mau o Hen ique de Ba os Amo oso (UERJ) Segundo esou ei o: Vi ian Luiz Fonseca (UERJ/CPDOC-FGV) Conselho Consul i o: P esiden e: Má cia Ma ia Menendes Mo a (UFF) Sec e á io: Rod igo dos San os Rainha (UERJ/UNESA) Rela o : And éa Casa No a Maia (UFRJ) Conselho Fiscal: P esiden e: Bea iz Kushni (AGCRJ) Sec e á io: Gelson Rozen ino de Almeida (UERJ) Rela o : No ma Cô es Gou eia de Melo (UFRJ) Sec e a ia Adminis a i a Juceli Sil a Thiago de Souza dos Reis Realização Apoio SUMÁRIO APRESENTAÇÃO.......................................................................................................................6 Vânia Lei e F óes (Sc ip o ium | UFF-Ni e ói) VIAGENS E PODER RÉGIO O INFANTE DOM PEDRO E AS SUAS VIAGENS REAIS E IMAGINÁRIAS ........................ 9 Ana Ma ia S. A. Rod igues (Cen o de His ó ia/Uni e sidade de Lisboa) VIAGENS DIPLOMÁTICAS: O REI PORTUGUÊS À CORTE DE LUÍS XI .......................... 28 Douglas Mo a Xa ie de Lima (UFOPA-San a ém | Vi a ium | Sc ip o ium) CAMINHOS E DESCAMINHOS DE UM REI: D. JOÃO II E O PERCURSO NARRATIVO DO PODER EM PORTUGAL (SÉCULO XV) ........................................................................... 44 P iscila Aquino Sil a (Faculdade de São Ben o | Unilasalle- Ni e ói | Sc ip o ium) VIAGENS NAS REPRESENTAÇÕES ICONOGRÁFICAS A LUTA PELA ALMA ENTRE ANJOS E DEMÔNIOS NA LÉGENDE DORÉE (SÉCS. XIV- XV) .............................................................................................................................................. 59 Te eza Rena a Sil a Rocha (Sc ip o ium | UFF-Ni e ói) O VOLTO SANTO DE LUCCA – IMAGEM, MILAGRE E VIAGEM (SÉCS. XII-XV) ........ 70 Te eza Rena a Sil a Rocha (Sc ip o ium | UFF-Ni e ói) OS DESCAMINHOS DO PECADO: UMA ANÁLISE ICONOGRÁFICA DA BOCA DO LEVIATÃ (SÉCULO XV) ......................................................................................................... 80 Pa ícia Ma ques de Souza (CHA/UFRJ) O MENINO MÁRTIR E AS GRAVURAS: A CIRCULAÇÃO DA ICONOGRAFIA DA PAIXÃO SIMONIANA NA REGIÃO DOS ALPES (1475-1493) ............................................. 92 Vinícius de F ei as Mo ais (CHA/UFRJ | Sc ip o ium) VIAGENS E PEREGRINAÇÕES BEN COMO AOS QUE VAN PER MAR: RELATOS DE PEREGRINAÇÕES NAS CANTIGAS MEDIEVAIS ........................................................................................................ 105 Leno a Mendes (Música An iga da UFF | Sc ip o ium | UFF-Ni e ói)) A FAMÍLIA DE GREGÓRIO DE TOURS E AS PEREGRINAÇÕES À IGREJA DE SÃO JULIANO DE BRIOUDE ......................................................................................................... 115 Tomás de Almeida Pessoa (Sc ip o ium | UFF-Ni e ói) AS VIAGENS DE ELEANOR DE AQUITÂNIA DENTRO DOS RELATOS DE ODO DE DEUIL E ROGER DE HOVEDEN ........................................................................................... 126 Le ícia Simme (Uni io) VIAGENS E ESCATOLOGIAS: OS ESPAÇOS DA MORTE E DO ALÉM A VIAGEM DE NICOLAU AO PURGATÓRIO DE SÃO PATRÍCIO – UMA NARRATIVA DA LEGENDA ÁUREA ........................................................................................................... 134 Te eza Rena a Sil a Rocha (Sc ip o ium | UFF-Ni e ói) VIVOS E MORTOS NA MEMÓRIA DA CIDADE INGLESA (SÉCS. XIV-XV) .................. 147 Vi iane Aze edo de Jesuz (Cul u a Inglesa | Sc ip o ium) AL-MIR AJ: A TRADUÇÃO AFONSINA DA VIAGEM ESCATOLÓGICA DE MAOMÉ ... 159 Leona do Fon es (A qui o Nacional | Sc ip o ium) VIAGENS E MATERIALIDADE DAS NARRATIVAS: DAS BIBLIOTECAS RÉGIAS ÀS ESTALAGENS POUSANDO PELOS CAMINHOS: AS ESTALAGENS PORTUGUESAS EM TEMPOS DE D. MANUEL I................................................................................................................................ 175 Bea is dos San os Gonçal es (IBMEC | CANDIDO MENDES | Sc ip o ium) VIAGENS LITERÁRIAS: OS LIVROS DE VIAGENS NAS BIBLIOTECAS DOS REIS DE AVIS E EM PORTUGAL NOS SÉCULOS XV E XVI ............................................................ 192 Ca olina Cha es Fe o (UniCa ioca | Sc ip o ium) PERCEPÇÃO DA ATIVIDADE CINEGÉTICA COMO ESPAÇO DE FOLGANÇA E ITINERÂNCIA ATRAVÉS DA LITERATURA TÉCNICA DA DINASTIA DE AVIS (PORTUGAL, SÉCULOS XIV E XV) ...................................................................................... 206 Jona han Mendes Gomes (UEMG-Ca angola | Sc ip o ium) DA MAGIA À CONTEMPORANEIDADE: VIAGENS NO TEMPO E NO ESPAÇO MAGIA E TEXTO: UMA REFLEXÃO SOBRE O MERLIN DE ROBERT DE BORON ....... 224 Á ila Augus o Vila de Almeida (UEPB | De y João Pessoa | Sc ip o ium) UMA VIAGEM AO PASSADO: O IMAGINÁRIO MEDIEVAL NA CONTEMPORANEIDADE...................................................................................................... 236 João Ba is a da Sil a Po o Junio (UNESA | UFF) 6 APRESENTAÇÃO O ema das iagens e deslocamen os na Idade Média em sido al o de es udos ino ado es, an o nos seus aspec os cul u ais quan o socioeconômicos. A iqueza do ema e as inúme as possibilidades de abo dá-lo êm acumulado no uni e so da medie ís ica uma g ande a iedade de abalhos que ão desde as ques ões susci adas em o no do imaginá io como ambém das cons uções iden i á ias, inúme as ezes es udadas a pa i do seu opos o, as al e idades. An es de se pensa no ema conce nen e às iagens na Idade Média, é necessá io des incula a noção de iagem na con empo aneidade, da o ma como e a concebida nesse pe íodo. Em p imei o luga , despoja -se in ei amen e da ideia de um mundo es á ico, com poucos deslocamen os e con a os. P essupos o equi ocado, pois a a a documen ação dos ela os de iagem, dos egis os e guias desmen em al ideia. Na Idade Média, iajou-se e mui o. Uma segunda ques ão diz espei o à noção de iagem no mundo mode no. Em p imei o luga não há na Idade Média ocábulo nas línguas da La inidade que possam co esponde ao nosso en endimen o con empo âneo. Mesmo a exp essão ia o pa a o iajan e em múl iplos sen idos. Um deles é exa amen e o que a icula o e mo Voyage (bem pos e io ) a um as o campo semân ico. O e mo an o pode designa o deslocamen o, a passagem da ida pa a a mo e, os luga es das u opias ou g andes cons uções esca ológicas, assim como uma ideia de e as dis an es. Es e o e simbolismo é cons uído a pa i do p óp io uni e so discu si o de quem o enuncia. Uma e cei a ques ão diz espei o à o e noção de desen aizamen o que no malmen e deco e das iagens. O iajan e, em seus deslocamen os despoja-se semp e do luga ou s a us social que o inse e em de e minada sociedade. Inúme as ques ões ela i as aos es udos das iagens na Idade Média dizem espei o à na u eza dos ela os, sob e udo com o p opósi o de cons ui uma ipologia des as na a i as. Es e p oblema a é ago a pouco endeu aos es o ços dos es udiosos. As elações en e o i ido e o imaginá io e as possibilidades de se ala numa li e a u a de iagem são ques ões que cons i uem ainda campo de mui a polêmica. Es e li o p e ende da uma noção da plu alidade das ques ões, o e ecendo exemplos di e si icados em empo e espaço. O p imei o eixo Viagens e pode égio exempli ica po um lado, a i ine ância dos eis e p íncipes, o longo p epa o das suas iagens assim como o empenho na o ganização e na e dadei a exibição de seu pode e isualização de seu e i ó io. 7 Um ou o segmen o abo da a ques ão das Viagens nas ep esen ações iconog á icas, ma e ial ico e di e si icado, que pa a além do ex o codi ica e o dena mui o do imaginá io das iagens. A Baixa Idade Média oi uma e dadei a áb ica des as imagens isuais, que aliadas aos ex os e à p óp ia pe o mance no con a (na a ) as iagens o e eciam aos lei o es ou in es do medie o, um deslumb amen o (ma a ilhoso) sob e as a en u as dos na egado es e iajan es. Nas Viagens e pe eg inações exis en es desde os p imei os séculos do medie o es ão p esen es a c ença e a de oção dos pe eg inos que c uza am a Eu opa e o O ien e em busca dos luga es sag ados ou da pu i icação que es es luga es p opicia am. Os ex os sob e Viagens e esca ologias: os espaços da mo e e do Além exempli icam o g ande es o ço dos séculos inais da Idade Média pa a p esen i ica o des ino dos mo os an o na sua essu eição ou cas igo quan o na bem-a en u ança dos c is ãos jun o ao Reino di ino. Em Viagens e Ma e ialidade das Na a i as: das Biblio ecas Régias às Es alagens, os deslocamen os são pensados como um emp eendimen o ma e ial impo an e das gen es do comé cio, dos pe eg inos, dos gue ei os ou mesmo dos pode osos. Todo deslocamen o, pa icula men e os de g ande alcance, depende de longo p epa o, in es imen os e supo es di e sos. Os eis medie ais desde cedo empenha am- se pa a egula a conse ação dos caminhos, as es alagens, pousios e ou os apoios que o e ecessem condições ao iajan e. Finalmen e em Da magia à con empo aneidade: iagens no empo e no espaço, o am incluídas ques ões sob e o p óp io imaginá io medie al e e en e às magias e supe s ições que acon eciam ao longo das iagens. Ve dadei o deslocamen o espacial ou do imaginá io emoldu a a es as na a i as que chega am a é hoje no es o ço de i ência e simulação de iagens medie ais. Ce amen e, en ende-se que uma econs i uição se ia impossí el. No en an o, uma ap oximação do lei o -his o iado com o empo que p e ende conhece , se ia adequada. Tal é a inal o que a i ma Paul Zum ho no Pa le du Moyen âge. Ni e ói, ou ub o de 2018. Vânia Lei e F óes * * P o esso a Ti ula (aposen ada) de His ó ia Medie al da Uni e sidade Fede al Fluminense, onde a ua no P og ama de Pós-g aduação em His o ia da UFF. Coo denado a e Pesquisado a do Sc ip o ium – Labo a ó io de Es udos Medie ais e Ibé icos da UFF. 8 15 É pa en e a on ade do au o , desde o início, em i ma a sua c edibilidade na sua pa icipação na iagem, ca ac e ís ica comum aos au o es des e ipo de li e a u a, 28 embo a a c í ica his ó ica não enha conseguido, a é hoje, encon a quaisque es ígios de um pe sonagem eal com algum desses dois nomes. O público a que se des ina a p e e encialmen e es e ipo de ob a e a “a ei o à ma a ilha mas, simul aneamen e, inclinado à suspeição e e encial” 29 e e am necessá ios alguns e ei os de pe suasão pa a o con ence . San is eban ambém apon a desde logo os p incipais luga es isi ados – a Te a San a, os domínios do P es e João e a Índia Maio , onde es a ia gua dado o co po do após olo S. Tomé – insc e endo o seu li o no con ex o dos ela os de pe eg inações c is ãs. A p óp ia exis ência de doze companhei os de iagem odeando o in an e D. Ped o em uma cono ação p o undamen e c is ã – eme e pa a Jesus C is o e os doze após olos –, que no en an o é ba alhada pelos dois nomes, Gómez e Ga ci Ramí ez, usados pelo na ado , o que le a os es udiosos a pensa que se a am ambos da mesma pessoa. 30 Com es a insis ência do in an e em le a consigo apenas doze homens, como C is o, no seu deambula , a iagem pe de o ca ác e mundano que um g upo de ca alei os em deslocação pode ia e e ganha um ca ác e simbólico e sag ado. Segundo San is eban, D. Ped o e a conde de Ba celos e oi de Ba celos que oi pedi licença ao pai, o ei de Po ugal D. João I, pa a se ausen a do eino. Exis iu, e e i amen e, um século an es, um D. Ped o conde de Ba celos, c onis a e genealogis a, ilho bas a do de D. Dinis, 31 mas é mais p o á el que conde de Ba celos a que se aludia osse o já e e ido D. A onso, meio-i mão na u al de D. Ped o, que ez e e i amen e uma pe eg inação à Te a San a po 1406. 32 O ei icou, nas pala as do na ado , “ama gu ado” mas deixou o ilho pa i , dando-lhe “um p esen e de doze mil peças de ou o”, 33 al ez e ocação do depósi o ei o em nome do in an e em Flo ença. 34 28 POPEANGA, Eugenia, “Los ela os de iajes medie ales: una enc ucijada de ex os”, in Viaje os medie ales y sus ela os, Buca es , Ca ea Uni e si a a, 2005, p. 26. 29 CORREIA, Ma ga ida Sé ulo, op. ci ., p. 111. 30 CORREIA, Cla a Pin o, op. ci ., no a 18, p. 65. 31 Sob e ele, c . GOMES, Ri a Cos a, “Ped o A onso, conde de Ba celos”, in Giulia Lanciani e Giuseppe Ta ani (o g.), Dicioná io da Li e a u a Medie al Galego Po uguesa, Lisboa, Caminho, 1993, pp. 434- 435. 32 ROGERS, F ancis M., op. ci ., p. 155. 33 O Li o do In an e, p. 66. 34 D. João I deposi ou no “cãibo de Flo encia” 50.000 dob as em nome de D. Ped o, pa a es e se sus en a , e ao seu séqui o, no es angei o, enquan o não ob i esse ecu sos p óp ios. FARO, Jo ge, Recei as e Despesas da Fazenda Real de 1384 a 1481. Subsídios documen ais, Lisboa, Ins i u o Nacional de Es a ís ica, 1965, p. 67. 16 De Valladolid, onde oi em seguida isi a o ei João II de Cas ela, D. Ped o ambém le ou um p esen e de cinco mil peças de ou o e um in é p e e, o di o Ga ci Ramí ez que só en ão se lhes e ia jun ado. Depois, segui am odos di e amen e pa a Veneza, luga habi ual de pa ida dos pe eg inos pa a a Te a San a, onde ende am os ca alos e se me e am num ba co que os le ou a Chip e. Foi pe an e a ainha de Chip e que os pe eg inos se disse am, pela p imei a ez, assalos do ei Leão da Hispânia – possí el eminiscência dos empos em que o ei de Leão se in i ula a Impe ado da Hispânia 35 e/ou exp essão do desejo de um no o impé io peninsula , capaz de le a a uma eliz conclusão a gue a san a. 36 De Chip e passa am à Tu quia, onde isi a am a cidade que o na ado designa de T óia. Pela desc ição das suas mu alhas, cons a a-se que co esponde a Cons an inopla, que só i ia a se conquis ada pelos u cos em 1453, pelo que, possi elmen e po uma ques ão de e osimilhança, o na ado a ocul a debaixo de ou o nome. 37 Da Tu quia, passa am à G écia, onde pe noi a am num mos ei o. Cidades e mos ei os p opo cionam ao na ado , nas pala as de Ma ga ida Co eia, “a opo unidade de in oduzi a pausa desc i i a ou o opos na a i o do episódio insóli o”. 38 P ecisamen e o que acon ece nes a passagem, pois dali os iajan es pa i am nada menos que em di eção à No uega e a do so de d omedá io. Es es e ou os d omedá ios u ilizados pelos iajan es o am um dos elemen os da na a i a que mais susci a am a imaginação dos seus sucessi os lei o es, a al pon o que, ainda nos inícios do século XX, Guillaume Apollinai e os in eg ou – al como a “Don Ped o d’Al a oubei a” – num poema da sua ob a Le Bes iai e, ou Co ège d’O phée, ilus ado po Raoul Du y e mais a de musicado po F ancis Poulenc e g a ado po Pie e Be nac. 39 No caminho pa a a No uega, os iajan es a a essa am “g andes se as e dese os cheios de ne es”. 40 Pa a acen ua o e ei o de ealidade, já os inham a isado de que e a uma e a “que inha não mais que ês ho as de dia e in e e uma ho as de noi e”, 41 mas 35 “ ex Legionis e o ius Hispanie impe a o ”. ROGERS, F ancis M., op. ci ., p. 281. 36 CORREIA, Ma ga ida Sé ulo, op. ci ., pp. 91-92. 37 ROGERS, F ancis M., op. ci ., p. 162. 38 CORREIA, Ma ga ida Sé ulo, op. ci ., p. 60. 39 ROGERS, F ancis M., “The ou d omeda ies o he in an Dom Ped o. One o Guillaume Apollinai e’s sou ces”, Bole im do Ins i u o His ó ico da Ilha Te cei a, XIV, Ang a do He oísmo, 1957, p. 1. 40 O Li o do In an e, p. 70. 41 Ibidem. 17 D. Ped o quis conhecê-la na mesma. Po ém, o io e a an o que acaba am po desis i e ol a pa a ás, pa a o co ação da Babilónia. Ali ica am ca o ze dias, a ca go do ilho do G ande Sul ão da Babilónia, 42 que que ia sabe no ícias sob e o Ociden e e o ei Leão da Hispânia. No im desse empo, ecebe am mais qua o mil peças de ou o e pa i am em di ecção à Te a San a, passando po e as com habi an es com cos umes es anhos que o na ado desc e e (aplica am ba as de e o em o no da cin u a dos ecém-nascidos, 43 anda am nus, comiam e as e ca ne c ua, en e ou as coisas). Visi a am a nascen e do io Jo dão, Naza é, Belém e o ale de Josa a , conside ado na época o local onde e ia luga o juízo Final. Em seguida, o am pa a Je usalém. Visi a am o San o Sepulc o, o Mon e Cal á io, o Mon e Oli e e e di e sos ou os luga es onde deco eu a Paixão de C is o. O na ado não só desc e e odos esses luga es com minúcia, como e e e as quan ias que já na época e am cob adas aos isi an es e os enxo alhos que os muçulmanos, senho es deles, aziam passa aos c is ãos. As indulgências ganhas com essas isi as ambém são enume adas com g ande sa is ação. São incon á eis as na a i as de iagens à Te a San a em que o na ado pode ia e -se apoiado, mas pa ece que a sua on e mais p óxima e á sido Pe o Ta u . 44 Fidalgo o iginá io de Se ilha que, en e 1437 e 1439, emp eendeu uma iagem pela Eu opa e o P óximo O ien e, Ta u apenas pôs po esc i o o seu deambula ce ca de duas décadas mais a de, 45 pelo que o au o de O Li o do In an e de e e ido con ac o com essa ob a mui o pe o da da a da sua edação. Da Te a San a, os pe eg inos passa am à A ménia, pelo na ado ca ac e izada como “a e a onde co em o lei e e o mel”, 46 mas de al modo in es ada po animais es anhos e/ou pe igosos – ma iles, cama eos, d agões, lico nes, e c. –, que os homens não se a e iam a lá i colhê-los. Animais an ás icos, já e e idos nou as na a i as de iagens ou o almen e inédi os, su gem em á ios pon os do pe cu so, ao que diz Ma ga ida Co eia, pa a ga an i a descodi icação do discu so e a e acidade da his ó ia. 47 A A ca de Noé es a a no opo de uma das mon anhas locais – o Mon e A a a – e podia 42 De e a a -se do ilho do Tamu leque mais adian e e e ido. 43 Cla a Pin o Co eia a i ma que há e sões em que a ba a de e o e a aplicada à ol a da cabeça – CORREIA, Cla a Pin o, op. ci ., no a 37, p. 71. Oli ei a Ma ins a i ma que es a e a uma p á ica i ual habi ual en e os egípcios do Suez – MARTINS, Joaquim Ped o de Oli ei a, Os Filhos de D. João I, Lisboa, Guima ães Edi o a, 1993, p. 87. 44 CORREIA, Ma ga ida Sé ulo, op. ci ., p. 118. 45 TAFUR, Pe o, Andanças e Viajes, edição de Miguel Ángel Pé ez P iego, Se ilha, Fundación José Manuel La a, 2009. 46 O Li o do In an e, p. 73. 47 CORREIA, Ma ga ida Sé ulo, op. ci ., p. 68. 18 se a is ada, mas não alcançada, al como acon ecia já inha di o Ma co Polo. 48 Depois de isi a em o ei da A ménia, que os e e e du an e in e e dois dias e só lhes deu ezen as peças de ou o à pa ida po que inha es ado ca i o e e a pob e, os iajan es segui am pa a o Egip o. Ali, na cidade de Babilónia, p es a am os seus espei os ao Sul ão, que lhes con essou e nascido em Cas ela, em Villanue a de la Se ena – uma ila na p o íncia de Badajoz –, ilho de Mes e Ma ín Yánez de la Ba buda. 49 C is ão ca i ado na in ância, ize a-se muçulmano e o a mais a de aclamado sul ão pelo po o. Ele acolheu-os e cedeu-lhes uma escol a quando pa i am, pa a a a essa em o Egip o em segu ança. Po ém, quando chega am a Pe ona, o ei local não ac edi ou que e am simples assalos do ei de Cas ela e p endeu-os du an e qua en a dias pa a que denunciassem quem, den e eles, e a o senho pode oso que os comanda a. 50 Como ninguém se denunciasse, libe ou- os con a um ibu o de in e e seis moedas de ou o apenas. Passa am depois pelo Cai o – cidade que inha uma mu alha de hon a oda ei a em diaman es – e pela cidade de Asian, onde co ia o io Phison 51 que inha do Pa aíso e es e; aí se de i e am doze dias. Na Capadócia, o G ande Mu ad 52 mandou-os embo a imedia amen e e eles di igi am-se a Sama canda, a a essando o dese o de Níni e. Ali chegados, o am p es a os seus espei os ao G ande Tamu leque. Timu Lenk e a um sobe ano á a o a quem o ei Hen ique III de Cas ela ha ia en iado uma embaixada em 1403. Reg essada ês anos mais a de, es a de a o igem a uma na a i a de iagem, a ibuída a um dos seus in eg an es, Ruy González de Cla ijo e in i ulada de Embajada a Tamo lán, 53 que se ca ac e iza, en e ou as coisas, pela desc ição minuciosa da sump uosidade do palácio e i ual co esão de Sama canda. É possí el que o au o d’O Li o do In an e enha ido conhecimen o dela. 48 POLO, Ma co, “O li o de Ma co Paulo”, in Ma co Paulo, in odução e índices de F ancisco Ma ia Es e es Pe ei a, Lisboa, Biblio eca Nacional, 1922. 49 Na sua C ónica de D. João I, Fe não Lopes e e e um Ma im Eanes da Ba buda, po uguês, que no con ex o da c ise de 1383-1385 passou a se i o ei de Cas ela e o nou-se Mes e de Alcân a a, O dem a que Villanue a de la Se ena pe encia. ROGERS, F ancis M., op.ci ., p. 295. 50 Os iajan es i ão semp e esconde a p esença, en e eles, de um ilho de ei, pa a e i a o pagamen o de um sal o-condu o excessi o ou mesmo de um esga e, segundo ROGERS, F ancis M., op. ci ., p. 161. 51 O Phison é adicionalmen e associado aos ios Indo ou Ganges, e o Gebon ao Nilo – ROGERS, F ancis M., op. ci ., p. 98. Aqui, po ém, pela p oximidade, pa ece acon ece o in e so. 52 Na sua iagem eal, o in an e D. Ped o comba eu o sul ão Mu ad II nos Balcãs – ROGERS, F ancis M., op. ci ., p. 182. 53 CLAVIJO, Ruy González de, Embajada a Tamo lán, edição de F ancisco López Es ada, Mad id, Cas alia, 1999. 19 Dian e do sobe ano, os iajan es ize am os salamaleques p econizados po Cla ijo odos jun os pa a que ninguém se ape cebesse que um deles e a um p íncipe. Fica am alojados no palácio e, no dia seguin e, o am espec ado es de uma ce imónia de exal ação da g andeza do Tamu leque que o na ado desc e e em de alhe, si uados num local p i ilegiado po que o e e ido senho os colocou jun o dele po se em assalos do ei Leão da Hispânia, que ele chama a de “seu ilho”. No banque e, o am-lhes se idas di e sas espécies de ca ne, mas eles não quise am comê-las po se sex a- ei a; en ão, o sobe ano mandou da -lhes u os, lei e, mel e man eiga, pa a não os aze peca con a a sua eligião. Man i e am-se nesse luga in e dias, dando no as do Ociden e ao Tamu leque e obse ando as ma a ilhas locais, en e as quais um mé odo de incuba a i icialmen e o os de galinha cob indo-os com es ume. 54 Depois, pa i am de no o, di igindo-se a Sodoma e Gomo a, que isi a am, endo igualmen e is o a es á ua de sal da mulhe de Lo ; 55 es a, lambida cada noi e po animais ou ampu ada po se es humanos em busca do p ecioso condimen o, essu gia in ac a de manhã, como já ha ia ela ado no século XII o judeu peninsula Benjamim de Tudela. 56 Segui am em di eção à A ábia e na cidade de Saba – e ocação p o á el da ainha bíblica com o mesmo nome – encon a am “a p imei a aça de o mada, que em co po de homem e ca a de cão”. 57 Homens com cabeça de cão, ou sem cabeça e com os olhos e a boca no meio do pei o, aziam pa e dos p odígios a is ados po Alexand e e na ados no seu Romance. 58 Ou os homens mons uosos o am obse ados mais a de, no deco e da iagem. Pa a Ma ga ida Co eia, a a és des a “ adical al e idade do longe e do ou o”, ep esen a-se “a ace in isí el e malé ica do eal.” 59 De no o, o ei local p endeu-os pa a descob i se ha ia en e eles algum homem pode oso, p o a elmen e pa a pode exigi um ibu o maio pela sua passagem, mas como eles não cede am apenas lhes cob ou in e e seis peças de ou o e deixou-os pa i . 54 Ao que diz Cla a Pin o Co eia, na China, já desde 5.000 anos a. C. se conheciam écnicas de incubação a i icial de o os de pin o, da ando de 3.000 a.C. o seu conhecimen o no An igo Egi o – CORREIA, Cla a Pin o, op. ci ., no a 62, p. 82. 55 Segundo o An igo Tes amen o, a mulhe de Lo , desobedecendo a uma injunção di ina, ha ia olhado pa a ás pa a e a des uição que Deus lança a sob e Sodoma e Gomo a e o a, po isso, ans o mada em es á ua de sal. Genesis, XIX. 56 “Réci s de oyage héb aïques. Benjamin de Tudèle”, in RÉGNIER-BOHLER, Danielle (ed.), C oisades e pèle inages. Réci s, ch oniques e oyages en Te e Sain e, Pa is, Robe La on , 1997, pp. 1315-1316. 57 O Li o do In an e, p. 84. 58 CORREIA, Ma ga ida Sé ulo, op. ci ., p. 71. 59 Ibidem. 20 Alcançado o Mon e Sinai, pe manece am no mos ei o ali e guido se e semanas. O na ado e e e que, nele, cump imen a am F ei Je ónimo de Séneca, amilia do ei Leão da Hispânia, o que é cu ioso endo em is a que o e e ido ei e a, econhecidamen e, uma pe sonagem simbólica e não eal. Segue-se uma densa desc ição do cenóbio e espe i os monges, incluindo a ped a em que San a Ca a ina jaz em ca ne e osso, esco endo dos seus es os mo ais um óleo que cu a odas as doenças. Também Pe o Ta u isi ou esse cenóbio, desc e endo-o e ela ando o milag e p o agonizado pela san a. 60 Do Mon e Sinai, os iajan es saí am pa a a e a do G ande Robo ão, 61 que os encaminhou pa a Meca como p isionei os com dois dos seus mou os. Lá chegados, o G ande Gudil e de Baldaque 62 man e e-os p esos du an e dez semanas, isolados uns dos ou os, pa a que dissessem se algum deles e a pa en e ou assalo p incipal do ei Leão da Hispânia “que es a a en ol ido na conquis a a expensas do Rei Leão de G anada”. 63 Mas, uma ez mais, ninguém alou e ele acabou po libe á-los. Visi a am o palácio eal, com as pa edes e o chão inc us ados de ped as p eciosas, e o san uá io da Caaba, assim como uma mesqui a e o úmulo do p o e a Maomé, suspenso no a po magne os. 64 Ao pa i em, paga am as habi uais in e e seis peças de ou o. A e apa seguin e le ou-os a é jun o das Amazonas, classi icadas como “mulhe es c is ãs que são súbdi as do P es e João das Índias”. 65 A pa i do momen o em que supos amen e en a am no e i ó io des e sobe ano, o ela o e oca passos da chamada Ca a do P es e João das Índias. Es a, ao que se pensa edigida po algum clé igo da co e impe ial alemã no con ex o da p epa ação da segunda c uzada – ou seja, em inais do século XII –, e a uma desc ição do impé io do P es e e e e uma mul iplicidade de e sões, em la im e línguas e nacula es, a é ao século XVII. 66 É possí el que o au o de O Li o do In an e conhecesse alguma das suas e sões la inas ou bé icas, mas ambém 60 ROGERS, F ancis M., O sonho de unidade en e c is ãos ociden ais e o ien ais no século XV, Baía, Publicações da Uni e sidade da Baía, 1960, pp. 23-28. 61 T a a a-se do Impe ado de Tig ida, ilho do ca alei o Ci a , na opinião de ROGERS, F ancis M., The a els, p. 193. 62 T a a a-se do G ande Cali a de Bagdad, segundo ROGERS, F ancis M., The a els, p. 194. 63 O Li o do In an e, p. 87. 64 Como inha sido desc i o numa canção de ges a do início do século XII ela ando a conquis a de An ioquia du an e a P imei a C uzada – “La Chanson d’An ioche”, in RÉGNIER-BOHLER, Danielle (di .), op. ci ., p. 100. 65 O Li o do In an e, p. 88. 66 RAMOS, Manuel João, “In odução. A “ e são o iginal” e as econs uções da Ca a do P es e João”, in Ca a do P es e João das Índias. Ve sões medie ais la inas, P e ácio e no as de Manuel João Ramos, adução de Leono Buescu, Lisboa, Assí io e Al im, 1998, pp. 9-11. 21 pode se que apenas i esse con ac ado com pa es da Ca a inse idas nou as ob as li e á ias da época. No que oca às Amazonas, a a a-se de um mi o o iginá io do mundo g eco- omano, 67 que se pe pe uou na Idade Média peninsula a a és de au o es c is ãos como Paulo O ósio, San o Isido o, Jus ino e A onso X, o Sábio, en e ou os. 68 T a a a-se de mulhe es gue ei as e dominado as, que não p ecisa am de homens pa a i e , usando- os exclusi amen e pa a p oc ia . E de ac o, no Li o do In an e, as Amazonas ecebem os homens indos das Índias apenas du an e ês meses po ano, pa a se ep oduzi em; indo al p azo, eles êm de pa i . Quando nascem as c ianças, ba izam-nas e, se são a ões, c iam-nos du an e ês anos e depois en iam-nos aos espe i os pais. Se são êmeas, gua dam-nas e ao c esce em queimam-lhes o pei o esque do pa a que possam a i a ao a co, gua dando o di ei o pa a da em de mama . O in an e D. Ped o e elou à ainha das Amazonas que e a um amilia do ei Leão da Hispânia que inha ei o odo esse caminho pa a isi a o P es e João das Índias pa a consegui dela uma ajuda mone á ia pa a o p osseguimen o da iagem. Os iajan es a a essa am em seguida o Rio das Ped as e a Judeia. 69 Segundo Ma ga ida Co eia, es e io em, na na a i a, um signi icado p óximo ao dos ios de ogo da adição o ien al, que ep esen a am on ei as que não se de ia a a essa . 70 Com e ei o, ao chega em à Cananeia, os iajan es o am de no o de idos po no e semanas, sem e ela em, po ém, qualque desigualdade en e eles. Toda ia, como esse já e a e i ó io sujei o ao P es e João das Índias, o am não só libe ados como compensados das suas ibulações a a és de 900 peças de ou o. Pa i am pa a a cidade de Luca, ca ac e izada pela exis ência de gigan es e de elhos de idade mui o a ançada. En a am en ão nas Índias, p ocu ando o P es e João de cidade em cidade a é que o encon a am em Al es. Es a e a uma cidade o emen e amu alhada e com passagens sub e âneas pa a melho esis i aos a aques dos muçulmanos. 71 Também pe an e o P es e João D. Ped o se ap esen ou como pa en e do ei Leão da Hispânia, sendo assim escolhido pa a come à sua mesa, jun o com a sua mulhe , o seu 67 IRIARTE, Ana, “La i gen gue e a en el imagina io g iego”, in Ma y Nash e Susana Ta e a (ed.), Las muje es y las gue as, Ba celona, Uni e sidad de Ba celona / Ica ia, 2009, pp. 17-32. 68 IRIZARRY, Es elle, “Echoes o he Amazon My h in Medie al Spanish Li e a u e”, in Be h Mille (ed.), Women in Hispanic Li e a u e. Icons and Fallen Idols, Be keley, Uni e si y o Cali o nia P ess, 1983, pp. 53-66. 69 Um io de ped as é ambém e e ido na Ca a. Ca a do P es e João das Índias, p. 31. 70 CORREIA, Ma ga ida Sé ulo, op. ci ., p. 59. 71 T a a-se de uma cidade u ópica, sem qualque co espondência eal, segundo ROGERS, F ancis M., op. ci ., p. 199. 22 ilho e ou os eis; os es an es pe eg inos o am sen ados a ou a mesa. Mais uma ez, o palácio é-nos desc i o em po meno e com oda a iqueza que os homens medie ais pensa am exis i no O ien e: elhado de cachos de ou o, chão de ped as p eciosas, ampos das mesas de diaman es. 72 O na ado ambém ela a as p á icas pa icula es des es c is ãos das Índias: os sace do es são casados, logo êm mulhe e ilhos; há dois em cada ig eja, dispondo es a igualmen e de dois al a es, duas imagens, dois c uci ixos, e c.; os pa oquianos êm de se con essa e comunga cada quinze dias no máximo, senão são cas igados com a expulsão da ig eja. No meio da desc ição dos cos umes locais, San is eban e e e que, an es de aqui chega em, os pe eg inos encon a am ou a aça de homens es anhos, que embo a sejam os c is ãos mais ca ólicos do mundo, “só êm uma única pe na e um único pé, e, no meio do co po dos homens, o ó gão ep odu i o. Têm a pe na mesmo po baixo, e o pé como o de um ca alo, de dois palmos de comp imen o e dois palmos de la gu a.” 73 Foi ainda na cidade de Al es que D. Ped o e os seus companhei os o am isi a o úmulo do após olo Tomé, 74 cujo b aço que oca a as chagas de C is o ainda ap esen a a o mesmo iço que du an e a ida do san o. Na es a da sua igília, e a cos ume coloca em na mão do san o um ime que, du an e a noi e, e deja a e da a u as, que depois e am i u adas, delas sendo ex aído o inho com que o P es e João celeb a a a Missa do dia. O b aço de S. Tomé azia ainda ou o milag e, que e a ab i a mão em di ecção ao sace do e escolhido po ele pa a se o no o P es e João quando o an e io mo ia. 75 Depois des a isi a, D. Ped o pediu au o ização pa a segui iagem mas o P es e João disse-lhe que e a demasiado pe igoso, pois chega iam a uma e a em que pais e ilhos se comiam en e si. 76 Não conseguindo, po ém, dissuadi o in an e de pa i , deu- lhe guias e animais de anspo e pa a o auxilia na jo nada. Os pe eg inos segui am en ão em di ecção ao Pa aíso Te es e, andando dezasse e dias às cos as dos d omedá ios sem 72 A desc ição não co esponde, po ém, à que é ei a na Ca a, onde é di o que o palácio do P es e ha ia sido ei o à semelhança daquele que S. Tomé cons uiu pa a o ei indiano Gundu o o; na e dade, ela mis u a elemen os de dois ou os palácios nela e e idos. Ca a do P es e João das Índias, pp. 89-119. 73 O Li o do In an e, p. 94. 74 A Ca a e e e que o úmulo do após olo S. Tomé se encon a nas e as do P es e, mas não o desc e e nem alude a qualque i ual ei o com as suas elíquias. Ca a do P es e João das Índias, p. 55. 75 A adição de o após olo Tomé e e angelizado a Índia e sido lá ma i izado cons a dos apóc i os A os de S. Tomé e oi ep oduzida no Speculum his o iale de Vicen e de Beau ais e na Legenda Áu ea de Tiago de Vo agine. Du an e a Idade Média, sabia-se que ha ia c is ãos na Índia e exis ia em Mylapo e um san uá io com elíquias de S. Tomé; en e elas igu a a um b aço que azia milag es – ROGERS, F ancis M., op. ci ., pp. 95-96 e 106. 76 Os an opó agos ambém aziam pa e dos po os desc i os na Ca a, e ha iam sido ap isionados po Alexand e en e al os mon es, de onde só saíam pa a comba e os inimigos do P es e. Ca a do P es e João das Índias, pp. 59-61. 23 encon a em ninguém. Chegados a um de e minado pon o, o guia não os deixou i mais longe e eles o am e os qua o ios que co iam no Pa aíso: o Tig e, o Eu a es, o Gehon e o Phison. Depois, ol a am pa a jun o do P es e João, icando po lá mais in a dias. Ao dispo em-se a eg essa ao seu país de o igem, o P es e mandou en ega -lhes 900 peças de ou o e uma ca a que o na ado ansc e e. T a a-se de uma e são, eduzida e mui o menos inspi ada, da já an as ezes e e ida Ca a do P es e João das Índias. Após a ansc ição da ca a, o na ado a i ma que o P es e João se despediu dos pe eg inos, lamen ando que o ei Leão da Hispânia não es i esse mais pe o dele pa a que os inimigos da é que o odea am não ossem ão pode osos. E eles pa i am pelo ma Ve melho e no e de Á ica a é ao eino de Fez, de onde passa am a Cas ela. O eg esso é, pois, apenas aludido numa dúzia de linhas, já que o objec i o dos pe eg inos inha sido cump ido com a chegada ao eino do P es e João e ao Pa aíso Te es e. O o al desin e esse pelo e o no ao pon o de pa ida e a, aliás, habi ual nes e ipo de li e a u a. 77 Em conclusão, O Li o do In an e é uma sín ese en e a ealidade das pe eg inações dos c is ãos do Ociden e medie al à Te a San a, que lhes pe mi iam encon a e conhece os c is ãos o ien ais, e o ema de S. Tomé como após olo das Índias, ligado ao mi o do P es e João, que inicialmen e oi ambém localizado nas Índias e só mais a de passou à E iópia. Tem elemen os que ie am ao conhecimen o do au o a a és do con ac o com e dadei os pe eg inos, ou a é de alguma pe eg inação que o p óp io le ou a cabo, pe mi indo-lhe desc e e luga es econhecí eis. Mas ambém se baseia em lei u as que o au o e á ei o, 78 nomeadamen e, o ciclo de omances elacionado com Alexand e Magno, os li os de Ma co Polo e John Mande ille e, e en ualmen e, os ela os de Benjamim de Tudela, Cla ijo e Ta u , incluindo assim odo o ipo de c ia u as an ás icas, iquezas e ma a ilhas que o gos o da época a ibuída ao O ien e. Foi a iagem eal do in an e D. Ped o que deu c edibilidade à sua iagem imaginá ia, a al pon o que, du an e mui o empo, se ac edi ou que ele i esse es ado mesmo na Te a San a. 79 Em con apa ida, a sua iagem imaginá ia o nou-o conhecido de um público mais as o e pe mi iu i ma a sua epu ação de g ande p íncipe c is ão, após um pe íodo em que a sua memó ia oi di amada e diminuída. As duas iagens 77 CORREIA, Ma ga ida Sé ulo, op. ci ., p. 24. 78 Mui as des as na a i as de iagens basea am-se exclusi amen e em on es li escas di e sas. C . POPEANGA, Eugenia, “La búsqueda del pa aíso e enal”, in op. ci ., p. 48. 79 Oli ei a Ma ins, en e mui os ou os, acei a como e ídica essa e algumas ou as pa es da iagem, embo a ambém ejei e mui as como e abulações - MARTINS, Joaquim Ped o de Oli ei a, op. ci ., pp. 83- 105. 24 encon am-se, po isso, indissolu elmen e ligadas e ambas con ibuem pa a a ascinação que al pe sonagem his ó ico em exe cido sob e os es udiosos a é aos nossos dias.