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FUTURO, CIDADES E TERRITÓRIO
Jo ge Gaspa 1
Pa a se a alia a espe ança, há-se de medi o u u o
Pad e an ónio Viei a
RESUMO – nes e ex o p ocu ámos econs i ui os con eúdos que nos pa ece am mais
ele an es de uma ap esen ação ei a no âmbi o das con e ências do iGO . a exposição
i eu mui o de um conjun o la go de imagens que não é possí el, nem ope a i o, anspo
pa a a e são esc i a. es u u ámos a e lexão segundo qua o pon os, que se seguem a uma
in odução em que a i mamos a “ma e ialidade” do u u o, na qual podemos p oje a as
cidades, em coe ência com o seu passado. a na u eza da cidade em um passado, um p e-
sen e e um u u o. O p imei o pon o chama a a enção pa a a impo ância da icção, nomea-
damen e a icção cien í ica pa a o o denamen o do e i ó io do u u o, dando-se pa icula
ele ância às o ien ações da cibe ic ion. no segundo pon o “O u u o das cidades hoje”,
abo dam-se alguns caminhos da p ocu a da cidade do u u o na a ualidade e em di e en es
la i udes e con ex os socio e i o iais. em “Os u u os sonhados dos pob es, dos esco aça-
dos” chama-se a a enção pa a os sonhos de u u o que os mais dese dados, que ogem do
p esen e, anspo am consigo e p ocu am implan a no e i ó io, semp e que êm essa
possibilidade. são alo izados exemplos do Po ugal me idional, pe cecionado ao longo de
séculos como e a de p omissão. segue-se um apon amen o sob e cidade e u opia, due o
insepa á el desde os p imó dios de qualque ci ilização u bana e que pe manece i o nos
nossos dias em a iados con ex os polí icos, sociais e geog á icos. É abe a uma menção
pa icula ao u banismo de génese ilegal que oco eu na eu opa do sul na segunda me ade
do século XX. ele a-se ainda a impo ância da e olução das no as ecnologias da in o -
mação, não só na cons ução da cidade do u u o, como no enasce de u opias. a conclui
chamamos a a enção pa a a pe manência do papel de e minan e da u banização e das cida-
des na esolução de um g ande núme o de p oblemas com que a Humanidade e cada indi-
ecebido: Ou ub o 2015. acei e: Janei o 2016.
1 P o esso emé i o da Uni e sidade de Lisboa, iGO e in es igado e e i o do CeG. e-mail:jo gegaspa @campus.ul.p
Finis e a, LI, 101, 2016, pp. 5-24
doi: 10.18055/ inis8875
a igo
6J. Gaspa
íduo se ão con on ando: “O a da cidade o na o homem li e”. Um plane a de cidades
pode ajuda os humanos na senda da p ospe idade e da elicidade.
Pala as-cha e: Cidade; u u o; cybe punk; cybe ic ion; u opia.
ABSTRACT – u u e ci ies and e i o y. in his ex we seek o econs i u e he
mos ele an ma e ial om a p esen a ion gi en a an iGO con e ence. The exposi ion
was comp ised o a wide ange o images, which is no possible o anspose in o w i ing.
The e lec ion p esen ed in his pape is s uc u ed in ou poin s, ollowing he in oduc-
ion which a i ms he “ma e iali y” o he u u e, enabling us o p ojec he ci y consis en
wi h i s pas . The na u e o he ci y has a pas , a p esen and a u u e. The i s poin d aws
a en ion o he impo ance o ic ion, namely science ic ion o e i o ial planning o he
u u e, a ibu ing pa icula ele ance o cybe ic ion. The second poin , “The u u e
o oday’s ci ies”, add esses se e al esea ch pa hs o which depa ing om he p esen iden-
i y he ci y o he u u e ac oss di e en la i udes and socio-spa ial con ex s. in he “The
u u e d eam by he poo , expelled” a en ion is gi en o he d eams o he u u e ha he
mos disinhe i ed, leeing he p esen , ca y wi h hem and seek o e i o ially deploy, whe-
ne e hey ha e he possibili y. examples a e p esen ed o sou he n Po ugal, pe cei ed o
cen u ies as he p omised land. ollowing his, a no e is made on he ci y and u opia, an
insepa able due since he beginning o any u ban ci iliza ion, which con inues o emain
ali e in ou ime in di e se poli ical, social and geog aphical con ex s. This leads o a pa i-
cula men ion o he illegal o igins o u baniza ion ha occu ed in sou he n eu ope in
he second hal o he wen ie h cen u y. i u he e eals he impo ance o he digi al
e olu ion, no only in building he ci y o he u u e, bu o he ebi h o u opias. o
conclude, we d aw a en ion o he pe manence o he key ole o u baniza ion and ci ies
in sol ing a numbe o p oblems ha will be con on ed by humani y and each indi i-
dual: “The ci y ai makes men ee.” a plane o ci ies can help humans in he pa h owa d
p ospe i y and happiness.
Keywo ds: Ci y; u u e; cybe punk; cybe ic ion; u opia.
RESUME – Le u u , les illes e le e i oi e. On ésume ici les aspec s qui
semblen les plus impo an s, pa mi ceux qu’on é é p ésen és lo s d’une con é ence de
l’iGO . Celle-ci u illus ée pa de nomb euses images qu’il es impossible e non souhai-
able de ep odui e en e sion éc i e. no e é lexion a é é cons ui e en qua e poin s, suc-
cédan à une in oduc ion a i man la ma é iali é du u u que son passé p oje e su la ille
– ou e ille ayan un passé, un p ésen e un u u . Le p emie poin appelle l’impo ance
de la ic ion e su ou de la ic ion scien i ique ou de la cybe - ic ionpou l’o ganisa ion u u e
du e i oi e. Dans le deuxième poin , «Le u u ac uel des illes », on indique quelques
oies de concep ion du u u u bain à pa i des ai s ac uels – à di é en es la i udes e en
di e s con ex es socio- e i o iaux. Dans «les u u s dési és pa les pau es e les aban-
donnés», on signale les ê es de u u que les plus déshé i és, uyan le p ésen , che chen à
implan e dès qu’ils le peu en . son mis en aleu des exemples du Po ugal mé idional, qui
a é é essen i au long des siècles comme une e e de p omission. Vien ensui e une no e su
la ille e l’u opie, un couple insépa able dès l’appa i ion de ou e ci ilisa ion u baine e
qui demeu e i an de nos jou s en di e s con ex es poli iques, sociaux e géog aphi-
ques. Men ion pa iculiè e es ai e à l’u banisme de genèse illégale, p ésen dans le sud de
l’eu ope dans la seconde moi ié du XXème siècle. On ai aussi ema que l’impo ance de
7 u u o, cidades e e i ó io
la é olu ion des nou elles echnologies in o ma iques, non seulemen pou la cons uc ion
de la ille du u u mais aussi pou la enaissance des u opies. en conclusion, on no e le ôle
dé e minan qu’on l’u banisa ion e les illes, dans la ésolu ion d’un g and nomb e des
p oblèmes a ec lesquels an l’Humani é que chacun des humains son con on és. «L’ai de
la ille libè e ses habi an s». Une planè e u banisée pou ai bien mene les hommes su la
oie de la p ospé i é e du bonheu .
Mo s clés:Ville; u u ; cybe punk; cybe - ic ion; u opie.
DEDICATÓRIA
Pensa o u u o en e os geóg a os, no Po ugal de hoje, le a-nos se iamen e ao encon o com
os ensinamen os de Ch is Jensen-Bu le , cujo mé odo igo oso e hones idade in elec ual nos
az mui a al a. sucessi as ge ações de geóg a os e planeado es pude am bene icia do
en iquecimen o eó ico e da p á ica de cons ução e ope ação com modelos que nos o e eciam
janelas pa a esp ei a os possí eis u u os, que nos ins iga am a e le i e a aze escolhas.
nas nossas coope ações, em que e am indispensá eis o desenho e a ope acionalização de
modelos de e minís icos e p obabilís icos, lemb o a o ma como o Ch is con ibuía pa a a
conceção, animação e implemen ação das á ias ases de abalho de g upo. De en e mui os
es udos, planos e iagens de es udo, que o ago a des aca a pa icipação no P og ama Po ugal
os P óximos 20 anos, p omo ido pela undação Calous e Gulbenkian, em que as me odologias
u ilizadas pe mi i am a ingi esul ados cuja melho a aliação esul a do con on o com o que
acon eceu no País 20 anos depois (1984-2003).
ap o ei o a opo unidade pa a sauda os es an es colabo ado es na componen e
geog á ica do p oje o: Diogo ab eu, e nando Co eia, João e ão e ana Ma in.
i. in ODUÇÃO
O u u o exis e, não é uma abs ação, em ma e ialidade, empo e espaço, po isso, ao
longo de milénios, em sido is o como a Te a P ome ida. Pa a ed Polack o Fu u o
pode se is o como um abalho de econs ução, que an o in e age com o p esen e
como com o passado (Polack, 1973).
assim, quando obse amos as nossas cidades, as a uais, es amos, simul aneamen e, a
econs ui o seu passado e o seu u u o: é da o ma, da a i ude, da c í ica que somos
capazes de le a a cabo, que ai depende o seu u u o. Como no ei á ias ezes, anali-
sando um g ande núme o de cidades, elas só são elegí eis, in eligí eis, a a és de um
exe cício de econs ução do seu empo his ó ico, a a és dos seus espaços; da mesma
o ma, nos meus exe cícios de planeamen o do e i ó io, a isão pa a o u u o, des a ou
daquela cidade, oi semp e cons uída a pa i de uma p ojeção do passado e do p esen e
nos ec ãs que o u u o p opo ciona a.
an o quan o podemos an e e no empo u u o, a ensão milena en e o seden a-
ismo e o nomadismo ai man e -se, ou mesmo acen ua -se, embo a sob no as o mas,
possibili ada pelo desen ol imen o ecnológico dos anspo es e das comunicações que,
a pa i de inais do século XX, a ingi am exp essões nunca imaginadas.
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eme ge assim, na u banidade em que amos en ando, uma apa en e con adição: o
desen ol imen o simul âneo do seden a ismo e do nomadismo. Quando a Humanidade
caminha pa a o seden a ismo o al – não na u alidade, mas na u banidade – a ança
ambém com no as o mas e no os alo es do nomadismo. is o é álido pa a odos os
humanos, de qualque es a o social, que cada ez emp eendem deslocações mais amplas
pa a pode ansaciona a sua o ça de abalho, os seus sabe es écnicos, a sua in eligên-
cia. Mas ambém é e dade que os no os nomadismos con inuam a a e a mais os homens
que as mulhe es, o nomadismo pós-mode no não eliminou uma di e ença milena dos
dois géne os – à mo imen ação do homem opõe-se a ixação e a cen alidade da mulhe :
caçado es e camponeses e sus emig an es e es an es. Hoje em dia são os homens que
dominam, po exemplo, nos bandos de p o issionais e execu i os que de manhã cedo
enchem as ga es dos ae opo os e dos comboios de al a elocidade.
ii. PassaDO, P esen e e U U O – Das iCÇÕes Às P Á iCas Da GeO-
G a ia e DO O DenaMen O DO e i Ó iO
Vol amos aqui à ques ão da pa ição académica do empo e do espaço pelas discipli-
nas i mãs que são a His ó ia e a Geog a ia (Gaspa , 2013). não só ambas necessi am
des es dois concei os, como os ope am a a és dos ins umen os comuns que são os
mapas, adequados aos espe i os encaminhamen os analí icos: mapas do espaço e mapas
do empo que á ios au o es êm p ocu ado in eg a , desde as abo dagens ino ado as e
pionei as de o s en Häge s and e da sua escola (Häge s and, 1967, 1975; Ca ls ein,
1982). Um dos p incípios-cha e da Geog a ia Humana, a na u eza ocal da a i idade
Humana (Philb ick, 1957), an o se mani es a pa a o espaço como pa a o empo, pelo que
pode á se ú il e ins umen al a ca og a ia do passado ou do u u o, como dos espaços
(local, egional, global) a a és de mapas de p ojeção zeni al, em que os polos são simul-
aneamen e o ago a e o aqui.
assim de e se ambém pa a o planeamen o e o denamen o do e i ó io, an o no
plano eó ico como no analí ico e no p ospe i o. Cla o que ou a ques ão é a da dimensão
p oposi i a, em que os obje i os comandam o p ocesso de abo dagem. nes es casos a
ca og a ia de e á começa po p i ilegia a isoc onia, a isome ia e o iso opismo.
O a odos es es ipos de mapas são indispensá eis, que pa a indaga o u u o como
pa a aze escolhas sob e os u u os desejá eis. Ca ecemos de A las sob e o u u o, nome-
adamen e, os dedicados às cidades e ao u banismo. Como nou os âmbi os geog á icos, a
in o mação a u iliza exis e em múl iplos domínios emá icos e di e sos supo es in o -
ma i os, da ecolha no e eno ao cibe espaço, na li e a u a, nas in es igações ecnológi-
cas e sociais, nas a es e nas ciências.
Com maio incidência nas úl imas décadas, as ciências sociais, aí incluindo a Geo-
g a ia Humana, êm p ocu ado nos p ocessos de desen ol imen o das no as ecnologias
de in o mação e comunicação, pis as pa a a p ospe i a das cidades e dos e i ó ios. são
já á ias as o ien ações e os p og essos e i icados na lei u a do cibe espaço, dos seus
J. Gaspa
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dinamismos ísicos e cul u ais. Mais cau elosas êm sido na u ilização dos p og essos
e i icados nou os domínios de e minan es pa a os no os compo amen os dos indi í-
duos e da sociedade, mo men e os que possibili am al e ações- ecupe ações na compo-
sição isiológica do co po humano, exis indo já, no en an o, um núme o azoá el de pes-
quisas, mais e menos especula i as, que nos le am a c e que em b e e e emos, ambém
na Geog a ia, uma sín ese com os mínimos de base cien í ica o que a é há pouco empo
e a quase exclusi o da icção cien í icai. no en an o, nes es domínios, as p opos as mais
ascinan es de iagem ao u u o con inuam a se , como nos séculos ansa os, p opo cio-
nadas pela icção e, decisi amen e, pela icção Cien í ica, que, no que espei a a cons u-
ção de no as ealidades e i o iais, em no Do And oids D eam o Elec ic Sheep de
Phillip K. Dick (1968) o início da mudança, cuja “ isibilidade” oi p opo cionada, en im,
pelo Blade Runne , o ilme de idley sco (1982). a pa i daqui os conhecimen os da
cibe né ica ão po encia a s (science ic ion), nas suas a ian es cybe punk e cybe ic-
ion, em que po ia da comp essão empo-espaço e do papel de e minan e das cidades,
na a ualidade e p oje ado nos u u os (Ki chin & Kneale, 2001; abbo , 2007; Collie, 2011;
Kukka e al., 2014).
Desde que há egis os (esc i os, sono os, ílmicos) da icção, amos encon ando
suges ões de u u os, desde a Bíblia às mais ecen es a en u as no cibe espaço. e a cidade
é, desde os empos bíblicos, a o e a ena cen ais.
assim, como em Thomas Mo us, Júlio Ve ne, emílio salga i, Philip K. Dick, nós
conseguimos esp ei a p opos as de u u o, ambém nos au o es a uais, como William
Gibson e companhia, po mui o que nos cus e, emos que uma pa e das dis opias iccio-
nadas se ão acomodadas nas cidades do u u o – mas sem as des ui , ge ando no os
espaços, no as o ganizações socie ais, no as u banidades ( ig. 1).
ig. 1 – as ma a ilhas do ano 2000, de emilio salga i.
Fig. 1 – The wonde s o he yea 2000, om Emilio Salga i.
u u o, cidades e e i ó io
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O ap o undamen o da cibe cul u a po encializa a capacidade de maio pa icipação
na ges ão das cidades, bem como, já hoje se no a, uma maio p eocupação com o espaço
público, não só no que espei a à sua ap op iação e manu enção, como à di e si icação e
in ensi icação dos seus usos. Po ou o lado, a cibe cul u a, ao p omo e a compe ição
en e espaços públicos e en e cidades, pode á, dece o, p opicia obsolescências mais
ápidas, ciclos de ida mais cu os. Mui os sí ios que hoje es ão na moda e inci am à sua
isi ação e u ilização pode ão em b e e ica pe didos na dispe são do lixo que se acu-
mula no cibe espaço, em localizações múl iplas, com di e si icadas uncionalidades, mas
não deixando de, no empo, con ibui pa a a en opia inal.
a lei u a e análise c í ica dos esc i os da cybe ic ion ou da cybe punk podem aze à
Geog a ia e ao U banismo elemen os e suges ões que p opo cionam pis as ou a é cha es
pa a des enda u u os. ambém podem con ibui , e êm con ibuído, como a icção
cien í ica, num passado ecen e, pa a da o ma e inspi ação às geog a ias imaginá ias.
segundo Ki chin e Kneale (2001: 23) a cybe ic ion é, de mui as o mas, emendamen e
p odu i a, que em e mos de molda o desen ol imen o ecnológico, que de a icula
no os espaços eme gen es, como a in e ne . “além disso es as icções são e amen as
analí icas ú eis na medida em que con êm um espelho das a uais espacialidades pós-
-mode nas e e elam as possibilidades u u as…” (id., 24).
a cybe ic ion, embo a ab anja mui as na a i as geog á icas, oca-se p io i a ia-
men e nos u u os u banos (id. ib., 24). Vá ios au o es já êm sublinhando, desde os anos
90, que a cibe punk e a cybe ic ion p opo cionam um mapeamen o do u banismo do
u u o (Bu ows, 1997, ci ado po Ki chin & Kneale, 2001): “Os emas e p ocessos
que uma lei u a sin omá ica da cibe punk e ela são bem mais pe spicazes do que as
que a ualmen e são a adas nos abalhos eó icos e empí icos da mains eam…
eu penso que ob emos um mais cla o en endimen o analí ico dos p ocessos u banos
con empo âneos na lei u a de Gibson ou s ephenson do que quando lemos sassen ou
Cas ells…”(Bu ows, 1997: 38).
a cybe ic ion ale an o pela sua c iação imagé ica, acompanhada po uma con inu-
ada e lexão sob e a inculação dos humanos às descobe as e expe imen ações ecnoló-
gicas, como pela capacidade de anspo e pa a as u u as paisagens sociais. nes e úl imo
âmbi o e i ica-se uma apos a em “cená ios” endenciais, se bem que bem esco ados em
análises cien i icamen e sus en adas, mac o e mic o: o inc emen o das pola izações
sociais, o aniquilamen o da classe média e, de uma manei a ge al, o ap o undamen o da
globalização e dos seus e ei os anómicos, em que se incluem as múl iplas ac u ações,
agmen ações e ap op iações dos e i ó ios.
Quando dizemos “ ale an o” não signi ica que êm mais ou menos alo ope a i o
enquan o con ibu os pa a a cons ução de u u os. as dimensões económica e social,
p oje ando co e amen e endências anali icamen e de inidas, podem con ibui pa a
impo an es a isos co e o es de opções e aje ó ias, em oposição a algumas icções u ó-
picas dos dois úl imos séculos, que podem e ei o esquece o con inuado ap o unda-
men o de um ce o núme o de dis unções, como as que ele am o posicionamen o eco-
lógico da Humanidade.
J. Gaspa
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se, po um lado, as cidades êm po encial pa a bene icia da supe ação do espaço
pelo empo, po ou o lado, o ab andamen o da cen alização no espaço u bano a o ece
o sp awl, a u banização di usa, a pe da de cen alidade das an igas cidades que, na melho
das hipó eses, e olucionam pa a pa ques emá icos. O a is o é a ado, desde os anos
1980, no cybe punk e na s (Ki chin & Kneale, 2001: 26).
no que espei a à o ma u bana e à sua elação com a es u u a socioeconómica,
embo a não exis a uma o al conco dância na p odução dos á ios au o es e di e sas
abo dagens, pa ece cla a a endência pa a uma p ojeção no empo u u o do que é obse -
á el nos nossos dias. al ez possamos suge i que a e olução da sociedade e do e i ó-
io nas úl imas décadas já começou a desenha as paisagens u banas do u u o. William
Gibson é, sem dú ida, o g ande isioná io da u banização no u u o em di e en es con i-
nen es, em di e en es con ex os cul u ais, sociais e económicos, conseguindo da um
as o pano ama do asoi amen o do plane a e ao mesmo empo e idenciando si uações
únicas, que ao ní el da “g ande” paisagem que ao ní el do local mais “local”, dese-
nhando os e i ó ios que au o es “cien is as”, como William W. Mi chel, inham já ipi i-
cado (Mi chel, 1999) ( ig. 2).
ig. 2 – neu omance , de William Gibson.
Fig. 2 – Neu omance , om William Gibson.
Há assim uma con e gência en e os achados analí icos e a cons ução iccionada, o
que indicia que não es amos mui o dis an es, no empo e no espaço, da coisa e do
momen o, em que es es enómenos se ão decla a .
Ou o aspe o “ ealis a” e in e essan e é a capacidade de eciclagem que os “no os”
humanos, desclassi icados, ma ginalizados, e idenciam ace a e i ó ios abandonados,
u ilizados como lixei as, onde se pode encon a udo o que já não é necessá io aos g u-
u u o, cidades e e i ó io
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pos dominan es. Como assinalam Ki chin e Kneale (2001, 30), esses espaços o e ecem
“no os espaços públicos, sí ios de esis ência, e espaços de espe ança, nos quais podem
desen ol e -se as no as comunidades u banas”. imaginemos os he é icos expulsos das
suas comunidades, nas gue as eligiosas que desde a idade Média a assala am a eu opa;
ou os ga os expulsos pa a as miasmá icas a eias do li o al do cen o de Po ugal, ainda no
século XViii…; ou os exceden es humanos da e olução indus ial eu opeia em busca
das suas e as p ome idas nas amé icas, na aus ália ou nou as pa agens.
Como alguns a is as plás icos, Gibson eco e, li e a iamen e, à écnica da colagem,
assumida po ou os mes es do isioná io, como Wal e Benjamin, anspo ando do
empo a ual pa a o empo u u o es u u as, agmen os de espaços, e i ó ios, sejam
o iundos das ma ginalidades de óquio ou de Hong Kong ou das a elas la ino-ame ica-
nas. as pe manências/con inuidades oco em em múl iplas si uações “– O que u que es
é um pa aíso – comen ou o Linha ec a, depois de ou i a exposição da si uação do Case.
– in es iga Copenhaga nas ma gens da zona uni e si á ia.” (Gibson, 1984).
Quan as ezes, iajando nou a cidade, o a de ho as ou o a dos luga es que nos são
mais a ins, emos endência pa a a e e ie cybe punk/cybe ic ion, o que an o pode ge a
o pânico ou o enjoo, o édio ambém, como alguma eu o ia em que a iculamos e i ó-
ios (u banos ou semiu banos) u ópicos com paisagens dis ópicas. O mesmo se pode
passa com algumas lei u as de icções de on ei a, de hib idização, como po exemplo o
que nos o e ece a ilogia Milénio de s ieg La sson (2005-2007). Ou, podemos ainda
suge i que es a, localizada en e gue as, nos p epa a pa a a iagem à Sp awl T ilogy, do
pós-3ª Gue a Mundial.
iii. O U U O Das CiDaDes HOJe
na a ualidade encon amos mui as equipas, em ge al plu idisciplina es, a es uda o
enómeno u bano nos u u os, que eco endo a cená ios mais ou menos complexos
que o ien ando-se segundo de e minados e o es de mudança – ecnologias da in o -
mação e comunicação, al e ações climá icas, e olução demog á ica, sus en abilidades,
ini ude dos ecu sos, mobilidade, e c. Pa a uma boa sín ese do es ado da a e e discussão
epis emológica da ques ão u bana eja-se o ecen e ensaio de neil B enne e Ch is ian
schmid (B enne & schmid, 2015).
Um exemplo mui o in e essan e de in es igação acon ece no Mi com o senseaa-
ble Ci y Labo a o y, que, sob a di eção de Ca lo a i, em explo ando, em di e en es
ambien es geog á icos, as mudanças p o undas que algumas cidades êm indo a ope a
e a pa i daí an ecipa as soluções mais adequadas pa a o u u o. espos as que, equen-
emen e, a am ques ões mui o conc e as que se le an am do âmbi o económico, social,
cul u al ou in aes u u al.
Ou o exemplo in e essan e é o Fu u e Ci ies P ojec , da União eu opeia, mui o
ocado nas adap ações necessá ias às al e ações climá icas, p oje o a que se associou a
cidade do Po o.
J. Gaspa
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Po seu lado, a cidade de Lisboa associou-se a um p oje o com algumas semelhanças,
o Connec ed Sus ainable Ci ies, coo denado po William J. Mi chel e ede ico Casalegno,
e que além da Cisco sys ems, e e como pa cei os as cidades de Lisboa, ams e dão, são
ancisco, Bi mingham, seoul, Hambu go e Mad id. Com in ensi o ecu so às iCs,
inha como p incipais obje i os uma ges ão in eligen e de ecu sos escassos como a ene -
gia e a água, uma maio e icácia na edução de e luen es gasosos, como as emissões de
ca bono, e um e icien e a amen o de lixos.
De la go espec o emá ico e g ande alcance geog á ico e empo al, é o p oje o lan-
çado pelo eino Unido sob e os desa ios que as suas cidades ão en en a ao longo dos
p óximos 50 anos. Os esul ados já conseguidos e publicados imp essionam pela as idão
e qualidade, o ganizados segundo seis emas p incipais: a ida das cidades, as economias
u banas, o me abolismo u bano, a o ma u bana, a in aes u u a u bana e a go e nação
u bana. Dos abalhos já publicados, um dos mais es imulan es su giu em 2014: A isual
his o y o he u u e, sob a di eção de alan Wilson, que e idencia o “pode e a impo ân-
cia das cidades imaginadas e das isões u banas a a és da cul u a popula …”.
ig. 3 – as cidades do u u o, de eugène Héna d, publicado na ame ican Ci y em Janei o de 1911.
Fig. 3 – The Ci ies o The Fu u e om Eugène Héna d, published in Ame ican Ci y, Janua y 1911.
Ou o exemplo de abo dagem polí ica e ísica do u u o da cidade oi demons ado
na inicia i a lançada em ança pelo P esiden e sa kozi pa a a “descobe a” de g andes
p oje os com po encial pa a p oje a o u u o da capi al. Com o p oje o Le G and Pa is,
ap esen ado em 2007, sa kozy p e endeu, numa ce a adição ancesa, e como acon e-
ce a com os seus an ecesso es, Mi e and e Pompidouii, que a sua p esidência osse ma -
cada pela monumen alidade. Os esul ados das á ias p opos as/ideias dos a qui e os e/
ou u banis asiii con idados o am ap esen ados em 2009. Pa a lá da a i mação da g an-
deza de Pa is, na ança e no Mundo, es a a p esen e a ambição de in eg a , a icula e
p omo e a “co-habi ação” en e a me ópole e o subú bio, um p oblema pa en e na capi-
al ancesa, não só no plano u banís ico-pa imonial, mas ambém, e sob e udo, no
social e cul u al.
u u o, cidades e e i ó io
20
Pe e sbu go, onde se podia ainda inclui Mad id, pa a e e encia o nosso maio poe a da
cidade da 2ª me ade do século XiX: Cesá io Ve de.
Mas a p opos a mais in e essan e p o em do encon o en e ialho de almeida, c o-
nis a do enómeno u bano, com o a qui e o mais a i o e a la mode na i agem do século,
Ven u a e a. as p opos as pa a uma Lisboa Monumen al (1906), de molde a que Lisboa
não desme ecesse das me ópoles bu guesas da eu opa e de Pa is, em pa icula , não
deixa a de cons ui ambém uma u opia pa a os pob es, pa a os abalhado es – o Bai o
Ope á io: uma isão pa e nalis a, um ideal “ u bano”, que pe mi ia man e o “equilíb io”
social. a imagem e o açado inham inspi ações na cidade-ja dim, uma onda que pe -
co ia a eu opa. Mas en e nós se ia o “es ado no o” de salaza a “ ealiza ” a “u opia”, a
dos Bai os económicos, e o desenho que saiu dos es i ado es dos a qui e os não andou
mui o longe da desc ição de ialho de almeida.
Mas aquele ideal do bai o-ja dim, com uma cla a chamada pa a o mundo u al, e a
uma espos a insu icien e pa a as necessidades do g ande núme o de u ais que a luíam
às cidades e em pa icula à G ande Lisboa; po isso, as p opos as do pós-gue a i iam a
e ou a escala, ou o desenho u bano, ou a imagem, ou o ealismo, mas con inua am
a se insu icien es, c escendo pa alelamen e os bai os de la a. É nes e con ex o, ace à
incapacidade de espos a po pa e do es ado e das au a quias, que apa ecem os lo ea-
men os ilegais a pa i dos anos 1950, de es o, à semelhança do que se passa a nas p in-
cipais cidades do sul da eu opa, de Lisboa a a enas (Gaspa , 1984). a possibilidade de
au ocons ui uma casa p óp ia num e eno adqui ido po um p eço acessí el é o sonho
de mui os dos ca en es de habi ação, não só em Lisboa como em á ias cidades de
pequena e média dimensão. Pa a um g ande núme o desses no os u bani as, os bai os
clandes inos ep esen a am uma u opia, pelo po encial e olu i o do lo e, pelo papel de
a o o que ep esen a a o acesso a casa p óp ia indi idual. É assim que os lo eamen os
clandes inos i ão cons i ui ambém uma opo unidade de alo ização das poupanças,
inclusi e pa a mui os dos emig ados em países da eu opa, mo men e em ança.
O acesso ao solo u bano, a uma casa p óp ia, é um pe cu so pa a um u u o melho ,
que chega a e es i uma isão messiânica do p ocesso de “u banização ilegal/clandes-
ina”. Como ela ei numa publicação de 1989, em 1975/1976, quando se le an a am dú i-
das sob e a con inuidade/ alidade dos lo eamen os p omo idos e endidos po a. Xa ie
de Lima, um p op ie á io de um no o lo e “numa en e do lo eamen o” disse-me com
plena é de que se ia e dade “... e is o ainda pode ia es a melho , já de e íamos e luz e
água, se não i essem co ido com o Xa ie de Lima... que e a homem pa a aze udo...
mas ele es á quase a ol a !” e logo a segui ,… “… á ias pessoas já o êm is o passa po
aqui pe o, no seu Me cedes b anco!” (Gaspa , 1989a). a i udes semelhan es encon ei
en e as populações de bai os de génese ilegal/espon ânea, nos a edo es de Mad id, de
Ba celona, de oma ou de a enas (Gaspa , 1989b).
O bai o clandes ino, com equência, pe mi e econs i ui a aldeia o iginal, e a-
zendo-se a comunidade e, ao mesmo empo, pe mi e man e ligações com a e a de
o igem. É assim que se es abelecem luxos come ciais in e essan es – o pão, o queijo, as
ba a as, a ca ne, que êm da e a; os g upos co ais que os alen ejanos ão c iando de
J. Gaspa
21
Vila anca de Xi a a Cascais, de almada ao Mon ijo, e que, em compa ação com os das
aldeias o iginais, são igualmen e genuínos com a an agem de se em cons i uídos po
gen e mais jo em. É a u opia da con inuidade: os da Co e do Pin o (Mé ola) que ie am
pa a o P io Velho não só cons uí am, econs i uindo, as co en ezas de casas, como
“ ouxe am” o ba bei o e o me ceei o. Cu iosamen e no enómeno mig a ó io an o
assis imos ao sonho do u u o em con inuidade como ao do co e com o empo (o pas-
sado) e o espaço (o país, a e a de o igem). escapa pa a uma No a Cali ó nia de e
implica um co e com o pon o de pa ida e com o luga que lhe es á associado.
as p óp ias o mas da u banização do emig an e podem con igu a sonhos, u u os
independen es do passado. e a sua quin inha, com a sua casinha, uma amília, uma
piscina, dois au omó eis + 1, uns animais: a u opia do sp awl, a u banização di usa em
con ex os nacionais e sociais dis in os pode man e a sua dimensão u ópica e ao mesmo
empo uma p ojeção do u u o.
Uma ques ão que se pode coloca é a de sabe se as no as o mas de u banização, que
ogem à cidade, êm u u o, ou, po ou as pala as, quan o empo de ida êm as u opias
do pe i-u bano ou do anu bano, em que ele o as no as ge ações dos megacondomínios
echados, da Celeb a ion da Disney aos Alpha ille que já ma cam a hie a quia u bana no
B asil, como o ize am (e azem) os shopping cen es.
omemos o í ulo de uma ob a undamen al pa a abo da es a ques ão Cidade de
Mu os – C ime, seg egação e cidadania em São Paulo (Caldei a, 2000): além de analisa o
enómeno da seg egação e agmen ação social e ísica da g ande me ópole con empo â-
nea, es a ob a é decisi a pa a uma e lexão sob e os possí eis u u os da g ande cidade, do
no e e do sul, do Ociden e e do O ien e. a au o a, logo na in odução, e e e são Paulo,
Los angeles, Joanesbu go, Buenos ai es, Budapes e, Cidade do México e Miami (Caldei a,
2000, 3ª edição 2011: 95) a que pode íamos ac escen a mui as ou as, inclusi e Lisboa.
não só o aumen o das desigualdades sociais, como ou as o mas conducen es à
seg egação social e e i o ial, como os mo imen os mig a ó ios, as di e enciações dos
es ilos de ida, as eligiões e ou as p á icas sociais e cul u ais, bem como a pe ença a
g upos co po a i os, são a o es de agmen ação, de dema cação de e i ó ios, de edi i-
cação de o alezas no in e io das cidades do u u o.
Po udo is o é necessá io es a a en o aos discu sos di e sos com que nos dias de
hoje nos que em se i a cidade do u u o, con igu ando sucessi as campanhas de ma ke-
ing, mais ou menos encadeadas e supos amen e cimen adas pelas “no as” ecnologiasi .
O exemplo mais a ual é o das di e idas sma ci ies, como se as cidades não i essem sido
semp e in eligen es. À semelhança da ei a, o ma ke ing pa a se apela i o de e se di e -
ido, po isso, equen emen e, uma sma ci y é ambém uma un ci y. Cla o que o uso
excessi o da exp essão sma ci y banalizou ou des alo izou o concei o, o que ob iga a
um a u ado esc u ínio da bibliog a ia que é assim e e enciada. a p opósi o eja-se a
excelen e ob a de an hony M. ownsend, Sma Ci ies: big da a, ci ic hacke s, and he
ques o a new u opia ( ownsend, 2013).
as ino ações ecnológicas, como em odas as épocas his ó icas, con inuam a o e ece
um po encial pa a melho a as sus en abilidades das cidades e o bem-es a dos seus habi-
u u o, cidades e e i ó io
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an es. Como nou os empos his ó icos as ino ações e ão que se bem ge idas e bem
aplicadas. O a o po encial ecnológico dos dias de hoje nem semp e é aplicado com o
maio igo , como equen emen e nos damos con a ao e i ica as opções de polí ica
pa a as in aes u u as, bem e iden es em á ios exemplos no âmbi o do saneamen o
básico, da p odução e dis ibuição de ene gia, dos anspo es públicos, en e ou os.
Quando nos con on amos com os dados obse á eis no dia a dia das cidades e i i-
camos como a de icien e aplicação do po encial ecnológico a e a p imo dialmen e os
mais ágeis, luga es ou cidadãos, pelo que é necessá io o ien a a e lexão pa a os concei-
os dominan es e as o mas de go e no da cidade. É necessá io ecupe a e ap o unda a
anspa ência da go e nação e a co ela i a p es ação pública e egula de con as, di ecio-
nada pa a a no mal a aliação polí ica. assim, po exemplo, o ego e no não dispensa as
adicionais o mas de go e nação democ á ica.
Um exemplo das mode nas o mas de go e na a Polis, possibili ada pelas no as ec-
nologias da in o mação e comunicação, é-nos o necido pelo “jogo” do o çamen o pa i-
cipa i o, que an o pode emos conside a uma boa in odução à ges ão pa icipa i a,
como um en iesamen o da mesma. De ac o, esse “jogo” é mui as ezes um bom en e e-
nimen o, sem dú ida ú il pa a a ai alguns segmen os da comunidade pa a os con eúdos
e o mas de ges ão da coisa pública, mas ao mesmo empo pode eduzi o âmbi o do
necessá io esc u ínio público do go e no da cidade. É assim que amiúde encon amos
e e ências à manu enção ou mesmo aumen o da opacidade que ca ac e iza mui os a os
do planeamen o e da ges ão das ques ões mais ele an es pa a o u u o das cidades.
Vi. OU as QUes Ões
“Mas se á que as cidades nos azem p óspe os, in eligen es, saudá eis e elizes?” es a
oi uma ques ão que me oi opo unamen e le an ada po Má io Vale e que eu e omo
ago a a p opósi o do u u o das cidades ou das cidades no u u o.
Conhecemos ela i amen e bem a his ó ia da cidade e as his ó ias de um g ande
núme o de cidades, ao longo de alguns milha es de anos e, no essencial, nas suas dimen-
sões geog á icas, sociais, económicas e cul u ais não se egis a am g andes al e ações na
essência, na na u eza das cidades. Po isso emos uma azoá el acumulação de conheci-
men o pa a esponde àquela ques ão: sim. ambém podemos a isca com uma azoá el
p obabilidade de ace a , que o u u o das cidades não ai se mui o di e en e: os p incí-
pios de dis ibuição espacial, a o ganização in e na, as o mas de elacionamen o social e
económico da cidade dos u u os não se ão basicamen e ou os dos que podemos as-
ea ao longo daqueles dois a ês mil anos pa a os quais emos in o mação c edí el
sob e a ida das cidades.
Con inua á a se a cidade o luga que o e ece mais opo unidade de a i mação do
indi íduo, pois é aí que ele pode ap ende com ou as expe iências, onde consegue mais
in o mação, endo semp e em con a uma c escen e alo ização das écnicas de in o ma-
ção e comunicação. Po isso os u bani as do u u o êm mui as p obabilidades de se mais
J. Gaspa
23
e mais in eligen es e po isso mesmo ambém sabe ão cuida melho da sua saúde. Po
úl imo, ace à g ande ques ão que semp e se coloca á aos humanos: “onde es á a elici-
dade?”; se conside a mos o acesso às necessidades básicas – alimen ação, habi ação,
saúde e educação, e a sua conjugação com o bem undamen al que é a libe dade, é sem
dú ida na cidade que o acesso conjugado es á mais ga an ido. Con inua a se álida a
máxima medie al de que “o a da cidade o na o homem li e”.
a u banização e a cidade cons i uem a cha e pa a a sus en abilidade ambien al do
Plane a, como o êm e e enciado es udos ecen es, mo men e os que a am das espos-
as pa a as al e ações climá icas. Po ou o lado, êm pe mi ido a qualque ní el e i o-
ial, do local ao plane á io, e apesa de odas as di iculdades e dis unções bem e e encia-
das, o encon o de espos as pa a as g andes ques ões sociais, económicas, polí icas e
cul u ais. De e, oda ia, no a -se que no bom go e no da cidade, al como nos oi
demons ado desde a an iguidade, con inuam álidos os p incípios sis ema izados po
a is ó eles. assim, po exemplo, a localização, o sí io e o bom desenho con inuam a o -
nece as espos as pa a nos p epa a mos pa a as al e ações climá icas.
oi a u banização e a cons i uição de edes de cidades, “as a madu as u banas”, que
pe mi i am o p og esso nas á eas mais us igadas pelas omes e pela al a de acesso aos
cuidados de saúde, como é o caso de g ande pa e da Á ica ao sul do saa a. O “Milag e
indiano” oi possí el g aças ao p ocesso de u banização, como o demons ou de o ma
supe la i a Gu cha an Das na sua ob a ascinan e India Unbound (2000). a p odução de
bens e se iços é necessá ia, mas não em a e icácia necessá ia sem uma adequada dis i-
buição, como se e i ica ainda hoje no mundo subdesen ol ido, mas ambém de o ma
c escen e em encla es do P imei o Mundo, como o em demons ado o alas amen o de
enómenos dos “ ood dese s” (Del Casino J , 2015).
a u banização o al do Plane a, ou a endência pa a essa me a, ge a no as opo uni-
dades pa a uma la guíssima maio ia dos humanos, pa a quem a “ uga” dos campos oi
mui as ezes a busca de um sonho, se quise em, da cidadania, ainda que só mui o poucos
o iessem a sen i , a conc e iza . Mas um plane a u banizado, um plane a de cidades, não
se á nunca um plane a es á ico, pelo con á io, ao ge a mais in o mação ambém ge a
mais mo imen os e são es es que pe mi em a busca da p ospe idade, do conhecimen o,
do bem-es a , quem sabe se o islumb e do que se pode á chama elicidade.
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cidades.
J. Gaspa