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Futuro, cidades e território

Gaspar, Jorge

Abstract

Neste texto procurámos reconstituir os conteúdos que nos pareceram mais relevantes de uma apresentação feita no âmbito das conferências do IGOT. A exposição viveu muito de um conjunto largo de imagens que não é possível, nem operativo, transpor para a versão escrita. Estruturámos a reflexão segundo quatro pontos, que se seguem a uma introdução em que afirmamos a “materialidade” do futuro, na qual podemos projetar as cidades, em coerência com o seu passado. A natureza da cidade tem um passado, um presente e um futuro. O primeiro ponto chama a atenção para a importância da ficção, nomeadamente a ficção científica para o ordenamento do território do futuro, dando-se particular relevância às orientações da ciberfiction. No segundo ponto “O futuro das cidades hoje”, abordam-se alguns caminhos da procura da cidade do futuro na atualidade e em diferentes latitudes e contextos socioterritoriais. Em “Os futuros sonhados dos pobres, dos escorraçados” chama-se a atenção para os sonhos de futuro que os mais deserdados, que fogem do presente, transportam consigo e procuram implantar no território, sempre que têm essa possibilidade. São valorizados exemplos do Portugal meridional, percecionado ao longo de séculos como terra de promissão. Segue-se um apontamento sobre cidade e utopia, dueto inseparável desde os primórdios de qualquer civilização urbana e que permanece vivo nos nossos dias em variados contextos políticos, sociais e geográficos. É aberta uma menção particular ao urbanismo de génese ilegal que ocorreu na Europa do Sul na segunda metade do século XX. Releva-se ainda a importância da revolução das novas tecnologias da informação, não só na construção da cidade do futuro, como no renascer de utopias. A concluir chamamos a atenção para a permanência do papel determinante da urbanização e das cidades na resolução de um grande número de problemas com que a Humanidade e cada indivíduo se vão confrontando: “O ar da cidade torna o homem livre”. Um planeta de cidades pode ajudar os humanos na senda da prosperidade e da felicidade.

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FUTURO, CIDADES E TERRITÓRIO Jo ge Gaspa 1 Pa a se a alia a espe ança, há-se de medi o u u o Pad e an ónio Viei a RESUMO – nes e ex o p ocu ámos econs i ui os con eúdos que nos pa ece am mais ele an es de uma ap esen ação ei a no âmbi o das con e ências do iGO . a exposição i eu mui o de um conjun o la go de imagens que não é possí el, nem ope a i o, anspo pa a a e são esc i a. es u u ámos a e lexão segundo qua o pon os, que se seguem a uma in odução em que a i mamos a “ma e ialidade” do u u o, na qual podemos p oje a as cidades, em coe ência com o seu passado. a na u eza da cidade em um passado, um p e- sen e e um u u o. O p imei o pon o chama a a enção pa a a impo ância da icção, nomea- damen e a icção cien í ica pa a o o denamen o do e i ó io do u u o, dando-se pa icula ele ância às o ien ações da cibe ic ion. no segundo pon o “O u u o das cidades hoje”, abo dam-se alguns caminhos da p ocu a da cidade do u u o na a ualidade e em di e en es la i udes e con ex os socio e i o iais. em “Os u u os sonhados dos pob es, dos esco aça- dos” chama-se a a enção pa a os sonhos de u u o que os mais dese dados, que ogem do p esen e, anspo am consigo e p ocu am implan a no e i ó io, semp e que êm essa possibilidade. são alo izados exemplos do Po ugal me idional, pe cecionado ao longo de séculos como e a de p omissão. segue-se um apon amen o sob e cidade e u opia, due o insepa á el desde os p imó dios de qualque ci ilização u bana e que pe manece i o nos nossos dias em a iados con ex os polí icos, sociais e geog á icos. É abe a uma menção pa icula ao u banismo de génese ilegal que oco eu na eu opa do sul na segunda me ade do século XX. ele a-se ainda a impo ância da e olução das no as ecnologias da in o - mação, não só na cons ução da cidade do u u o, como no enasce de u opias. a conclui chamamos a a enção pa a a pe manência do papel de e minan e da u banização e das cida- des na esolução de um g ande núme o de p oblemas com que a Humanidade e cada indi- ecebido: Ou ub o 2015. acei e: Janei o 2016. 1 P o esso emé i o da Uni e sidade de Lisboa, iGO e in es igado e e i o do CeG. e-mail:jo gegaspa @campus.ul.p Finis e a, LI, 101, 2016, pp. 5-24 doi: 10.18055/ inis8875 a igo 6J. Gaspa íduo se ão con on ando: “O a da cidade o na o homem li e”. Um plane a de cidades pode ajuda os humanos na senda da p ospe idade e da elicidade. Pala as-cha e: Cidade; u u o; cybe punk; cybe ic ion; u opia. ABSTRACT – u u e ci ies and e i o y. in his ex we seek o econs i u e he mos ele an ma e ial om a p esen a ion gi en a an iGO con e ence. The exposi ion was comp ised o a wide ange o images, which is no possible o anspose in o w i ing. The e lec ion p esen ed in his pape is s uc u ed in ou poin s, ollowing he in oduc- ion which a i ms he “ma e iali y” o he u u e, enabling us o p ojec he ci y consis en wi h i s pas . The na u e o he ci y has a pas , a p esen and a u u e. The i s poin d aws a en ion o he impo ance o ic ion, namely science ic ion o e i o ial planning o he u u e, a ibu ing pa icula ele ance o cybe ic ion. The second poin , “The u u e o oday’s ci ies”, add esses se e al esea ch pa hs o which depa ing om he p esen iden- i y he ci y o he u u e ac oss di e en la i udes and socio-spa ial con ex s. in he “The u u e d eam by he poo , expelled” a en ion is gi en o he d eams o he u u e ha he mos disinhe i ed, leeing he p esen , ca y wi h hem and seek o e i o ially deploy, whe- ne e hey ha e he possibili y. examples a e p esen ed o sou he n Po ugal, pe cei ed o cen u ies as he p omised land. ollowing his, a no e is made on he ci y and u opia, an insepa able due since he beginning o any u ban ci iliza ion, which con inues o emain ali e in ou ime in di e se poli ical, social and geog aphical con ex s. This leads o a pa i- cula men ion o he illegal o igins o u baniza ion ha occu ed in sou he n eu ope in he second hal o he wen ie h cen u y. i u he e eals he impo ance o he digi al e olu ion, no only in building he ci y o he u u e, bu o he ebi h o u opias. o conclude, we d aw a en ion o he pe manence o he key ole o u baniza ion and ci ies in sol ing a numbe o p oblems ha will be con on ed by humani y and each indi i- dual: “The ci y ai makes men ee.” a plane o ci ies can help humans in he pa h owa d p ospe i y and happiness. Keywo ds: Ci y; u u e; cybe punk; cybe ic ion; u opia. RESUME – Le u u , les illes e le e i oi e. On ésume ici les aspec s qui semblen les plus impo an s, pa mi ceux qu’on é é p ésen és lo s d’une con é ence de l’iGO . Celle-ci u illus ée pa de nomb euses images qu’il es impossible e non souhai- able de ep odui e en e sion éc i e. no e é lexion a é é cons ui e en qua e poin s, suc- cédan à une in oduc ion a i man la ma é iali é du u u que son passé p oje e su la ille – ou e ille ayan un passé, un p ésen e un u u . Le p emie poin appelle l’impo ance de la ic ion e su ou de la ic ion scien i ique ou de la cybe - ic ionpou l’o ganisa ion u u e du e i oi e. Dans le deuxième poin , «Le u u ac uel des illes », on indique quelques oies de concep ion du u u u bain à pa i des ai s ac uels – à di é en es la i udes e en di e s con ex es socio- e i o iaux. Dans «les u u s dési és pa les pau es e les aban- donnés», on signale les ê es de u u que les plus déshé i és, uyan le p ésen , che chen à implan e dès qu’ils le peu en . son mis en aleu des exemples du Po ugal mé idional, qui a é é essen i au long des siècles comme une e e de p omission. Vien ensui e une no e su la ille e l’u opie, un couple insépa able dès l’appa i ion de ou e ci ilisa ion u baine e qui demeu e i an de nos jou s en di e s con ex es poli iques, sociaux e géog aphi- ques. Men ion pa iculiè e es ai e à l’u banisme de genèse illégale, p ésen dans le sud de l’eu ope dans la seconde moi ié du XXème siècle. On ai aussi ema que l’impo ance de 7 u u o, cidades e e i ó io la é olu ion des nou elles echnologies in o ma iques, non seulemen pou la cons uc ion de la ille du u u mais aussi pou la enaissance des u opies. en conclusion, on no e le ôle dé e minan qu’on l’u banisa ion e les illes, dans la ésolu ion d’un g and nomb e des p oblèmes a ec lesquels an l’Humani é que chacun des humains son con on és. «L’ai de la ille libè e ses habi an s». Une planè e u banisée pou ai bien mene les hommes su la oie de la p ospé i é e du bonheu . Mo s clés:Ville; u u ; cybe punk; cybe - ic ion; u opie. DEDICATÓRIA Pensa o u u o en e os geóg a os, no Po ugal de hoje, le a-nos se iamen e ao encon o com os ensinamen os de Ch is Jensen-Bu le , cujo mé odo igo oso e hones idade in elec ual nos az mui a al a. sucessi as ge ações de geóg a os e planeado es pude am bene icia do en iquecimen o eó ico e da p á ica de cons ução e ope ação com modelos que nos o e eciam janelas pa a esp ei a os possí eis u u os, que nos ins iga am a e le i e a aze escolhas. nas nossas coope ações, em que e am indispensá eis o desenho e a ope acionalização de modelos de e minís icos e p obabilís icos, lemb o a o ma como o Ch is con ibuía pa a a conceção, animação e implemen ação das á ias ases de abalho de g upo. De en e mui os es udos, planos e iagens de es udo, que o ago a des aca a pa icipação no P og ama Po ugal os P óximos 20 anos, p omo ido pela undação Calous e Gulbenkian, em que as me odologias u ilizadas pe mi i am a ingi esul ados cuja melho a aliação esul a do con on o com o que acon eceu no País 20 anos depois (1984-2003). ap o ei o a opo unidade pa a sauda os es an es colabo ado es na componen e geog á ica do p oje o: Diogo ab eu, e nando Co eia, João e ão e ana Ma in. i. in ODUÇÃO O u u o exis e, não é uma abs ação, em ma e ialidade, empo e espaço, po isso, ao longo de milénios, em sido is o como a Te a P ome ida. Pa a ed Polack o Fu u o pode se is o como um abalho de econs ução, que an o in e age com o p esen e como com o passado (Polack, 1973). assim, quando obse amos as nossas cidades, as a uais, es amos, simul aneamen e, a econs ui o seu passado e o seu u u o: é da o ma, da a i ude, da c í ica que somos capazes de le a a cabo, que ai depende o seu u u o. Como no ei á ias ezes, anali- sando um g ande núme o de cidades, elas só são elegí eis, in eligí eis, a a és de um exe cício de econs ução do seu empo his ó ico, a a és dos seus espaços; da mesma o ma, nos meus exe cícios de planeamen o do e i ó io, a isão pa a o u u o, des a ou daquela cidade, oi semp e cons uída a pa i de uma p ojeção do passado e do p esen e nos ec ãs que o u u o p opo ciona a. an o quan o podemos an e e no empo u u o, a ensão milena en e o seden a- ismo e o nomadismo ai man e -se, ou mesmo acen ua -se, embo a sob no as o mas, possibili ada pelo desen ol imen o ecnológico dos anspo es e das comunicações que, a pa i de inais do século XX, a ingi am exp essões nunca imaginadas. 8 eme ge assim, na u banidade em que amos en ando, uma apa en e con adição: o desen ol imen o simul âneo do seden a ismo e do nomadismo. Quando a Humanidade caminha pa a o seden a ismo o al – não na u alidade, mas na u banidade – a ança ambém com no as o mas e no os alo es do nomadismo. is o é álido pa a odos os humanos, de qualque es a o social, que cada ez emp eendem deslocações mais amplas pa a pode ansaciona a sua o ça de abalho, os seus sabe es écnicos, a sua in eligên- cia. Mas ambém é e dade que os no os nomadismos con inuam a a e a mais os homens que as mulhe es, o nomadismo pós-mode no não eliminou uma di e ença milena dos dois géne os – à mo imen ação do homem opõe-se a ixação e a cen alidade da mulhe : caçado es e camponeses e sus emig an es e es an es. Hoje em dia são os homens que dominam, po exemplo, nos bandos de p o issionais e execu i os que de manhã cedo enchem as ga es dos ae opo os e dos comboios de al a elocidade. ii. PassaDO, P esen e e U U O – Das iCÇÕes Às P Á iCas Da GeO- G a ia e DO O DenaMen O DO e i Ó iO Vol amos aqui à ques ão da pa ição académica do empo e do espaço pelas discipli- nas i mãs que são a His ó ia e a Geog a ia (Gaspa , 2013). não só ambas necessi am des es dois concei os, como os ope am a a és dos ins umen os comuns que são os mapas, adequados aos espe i os encaminhamen os analí icos: mapas do espaço e mapas do empo que á ios au o es êm p ocu ado in eg a , desde as abo dagens ino ado as e pionei as de o s en Häge s and e da sua escola (Häge s and, 1967, 1975; Ca ls ein, 1982). Um dos p incípios-cha e da Geog a ia Humana, a na u eza ocal da a i idade Humana (Philb ick, 1957), an o se mani es a pa a o espaço como pa a o empo, pelo que pode á se ú il e ins umen al a ca og a ia do passado ou do u u o, como dos espaços (local, egional, global) a a és de mapas de p ojeção zeni al, em que os polos são simul- aneamen e o ago a e o aqui. assim de e se ambém pa a o planeamen o e o denamen o do e i ó io, an o no plano eó ico como no analí ico e no p ospe i o. Cla o que ou a ques ão é a da dimensão p oposi i a, em que os obje i os comandam o p ocesso de abo dagem. nes es casos a ca og a ia de e á começa po p i ilegia a isoc onia, a isome ia e o iso opismo. O a odos es es ipos de mapas são indispensá eis, que pa a indaga o u u o como pa a aze escolhas sob e os u u os desejá eis. Ca ecemos de A las sob e o u u o, nome- adamen e, os dedicados às cidades e ao u banismo. Como nou os âmbi os geog á icos, a in o mação a u iliza exis e em múl iplos domínios emá icos e di e sos supo es in o - ma i os, da ecolha no e eno ao cibe espaço, na li e a u a, nas in es igações ecnológi- cas e sociais, nas a es e nas ciências. Com maio incidência nas úl imas décadas, as ciências sociais, aí incluindo a Geo- g a ia Humana, êm p ocu ado nos p ocessos de desen ol imen o das no as ecnologias de in o mação e comunicação, pis as pa a a p ospe i a das cidades e dos e i ó ios. são já á ias as o ien ações e os p og essos e i icados na lei u a do cibe espaço, dos seus J. Gaspa 9 dinamismos ísicos e cul u ais. Mais cau elosas êm sido na u ilização dos p og essos e i icados nou os domínios de e minan es pa a os no os compo amen os dos indi í- duos e da sociedade, mo men e os que possibili am al e ações- ecupe ações na compo- sição isiológica do co po humano, exis indo já, no en an o, um núme o azoá el de pes- quisas, mais e menos especula i as, que nos le am a c e que em b e e e emos, ambém na Geog a ia, uma sín ese com os mínimos de base cien í ica o que a é há pouco empo e a quase exclusi o da icção cien í icai. no en an o, nes es domínios, as p opos as mais ascinan es de iagem ao u u o con inuam a se , como nos séculos ansa os, p opo cio- nadas pela icção e, decisi amen e, pela icção Cien í ica, que, no que espei a a cons u- ção de no as ealidades e i o iais, em no Do And oids D eam o Elec ic Sheep de Phillip K. Dick (1968) o início da mudança, cuja “ isibilidade” oi p opo cionada, en im, pelo Blade Runne , o ilme de idley sco (1982). a pa i daqui os conhecimen os da cibe né ica ão po encia a s (science ic ion), nas suas a ian es cybe punk e cybe ic- ion, em que po ia da comp essão empo-espaço e do papel de e minan e das cidades, na a ualidade e p oje ado nos u u os (Ki chin & Kneale, 2001; abbo , 2007; Collie, 2011; Kukka e al., 2014). Desde que há egis os (esc i os, sono os, ílmicos) da icção, amos encon ando suges ões de u u os, desde a Bíblia às mais ecen es a en u as no cibe espaço. e a cidade é, desde os empos bíblicos, a o e a ena cen ais. assim, como em Thomas Mo us, Júlio Ve ne, emílio salga i, Philip K. Dick, nós conseguimos esp ei a p opos as de u u o, ambém nos au o es a uais, como William Gibson e companhia, po mui o que nos cus e, emos que uma pa e das dis opias iccio- nadas se ão acomodadas nas cidades do u u o – mas sem as des ui , ge ando no os espaços, no as o ganizações socie ais, no as u banidades ( ig. 1). ig. 1 – as ma a ilhas do ano 2000, de emilio salga i. Fig. 1 – The wonde s o he yea 2000, om Emilio Salga i. u u o, cidades e e i ó io 10 O ap o undamen o da cibe cul u a po encializa a capacidade de maio pa icipação na ges ão das cidades, bem como, já hoje se no a, uma maio p eocupação com o espaço público, não só no que espei a à sua ap op iação e manu enção, como à di e si icação e in ensi icação dos seus usos. Po ou o lado, a cibe cul u a, ao p omo e a compe ição en e espaços públicos e en e cidades, pode á, dece o, p opicia obsolescências mais ápidas, ciclos de ida mais cu os. Mui os sí ios que hoje es ão na moda e inci am à sua isi ação e u ilização pode ão em b e e ica pe didos na dispe são do lixo que se acu- mula no cibe espaço, em localizações múl iplas, com di e si icadas uncionalidades, mas não deixando de, no empo, con ibui pa a a en opia inal. a lei u a e análise c í ica dos esc i os da cybe ic ion ou da cybe punk podem aze à Geog a ia e ao U banismo elemen os e suges ões que p opo cionam pis as ou a é cha es pa a des enda u u os. ambém podem con ibui , e êm con ibuído, como a icção cien í ica, num passado ecen e, pa a da o ma e inspi ação às geog a ias imaginá ias. segundo Ki chin e Kneale (2001: 23) a cybe ic ion é, de mui as o mas, emendamen e p odu i a, que em e mos de molda o desen ol imen o ecnológico, que de a icula no os espaços eme gen es, como a in e ne . “além disso es as icções são e amen as analí icas ú eis na medida em que con êm um espelho das a uais espacialidades pós- -mode nas e e elam as possibilidades u u as…” (id., 24). a cybe ic ion, embo a ab anja mui as na a i as geog á icas, oca-se p io i a ia- men e nos u u os u banos (id. ib., 24). Vá ios au o es já êm sublinhando, desde os anos 90, que a cibe punk e a cybe ic ion p opo cionam um mapeamen o do u banismo do u u o (Bu ows, 1997, ci ado po Ki chin & Kneale, 2001): “Os emas e p ocessos que uma lei u a sin omá ica da cibe punk e ela são bem mais pe spicazes do que as que a ualmen e são a adas nos abalhos eó icos e empí icos da mains eam… eu penso que ob emos um mais cla o en endimen o analí ico dos p ocessos u banos con empo âneos na lei u a de Gibson ou s ephenson do que quando lemos sassen ou Cas ells…”(Bu ows, 1997: 38). a cybe ic ion ale an o pela sua c iação imagé ica, acompanhada po uma con inu- ada e lexão sob e a inculação dos humanos às descobe as e expe imen ações ecnoló- gicas, como pela capacidade de anspo e pa a as u u as paisagens sociais. nes e úl imo âmbi o e i ica-se uma apos a em “cená ios” endenciais, se bem que bem esco ados em análises cien i icamen e sus en adas, mac o e mic o: o inc emen o das pola izações sociais, o aniquilamen o da classe média e, de uma manei a ge al, o ap o undamen o da globalização e dos seus e ei os anómicos, em que se incluem as múl iplas ac u ações, agmen ações e ap op iações dos e i ó ios. Quando dizemos “ ale an o” não signi ica que êm mais ou menos alo ope a i o enquan o con ibu os pa a a cons ução de u u os. as dimensões económica e social, p oje ando co e amen e endências anali icamen e de inidas, podem con ibui pa a impo an es a isos co e o es de opções e aje ó ias, em oposição a algumas icções u ó- picas dos dois úl imos séculos, que podem e ei o esquece o con inuado ap o unda- men o de um ce o núme o de dis unções, como as que ele am o posicionamen o eco- lógico da Humanidade. J. Gaspa 11 se, po um lado, as cidades êm po encial pa a bene icia da supe ação do espaço pelo empo, po ou o lado, o ab andamen o da cen alização no espaço u bano a o ece o sp awl, a u banização di usa, a pe da de cen alidade das an igas cidades que, na melho das hipó eses, e olucionam pa a pa ques emá icos. O a is o é a ado, desde os anos 1980, no cybe punk e na s (Ki chin & Kneale, 2001: 26). no que espei a à o ma u bana e à sua elação com a es u u a socioeconómica, embo a não exis a uma o al conco dância na p odução dos á ios au o es e di e sas abo dagens, pa ece cla a a endência pa a uma p ojeção no empo u u o do que é obse - á el nos nossos dias. al ez possamos suge i que a e olução da sociedade e do e i ó- io nas úl imas décadas já começou a desenha as paisagens u banas do u u o. William Gibson é, sem dú ida, o g ande isioná io da u banização no u u o em di e en es con i- nen es, em di e en es con ex os cul u ais, sociais e económicos, conseguindo da um as o pano ama do asoi amen o do plane a e ao mesmo empo e idenciando si uações únicas, que ao ní el da “g ande” paisagem que ao ní el do local mais “local”, dese- nhando os e i ó ios que au o es “cien is as”, como William W. Mi chel, inham já ipi i- cado (Mi chel, 1999) ( ig. 2). ig. 2 – neu omance , de William Gibson. Fig. 2 – Neu omance , om William Gibson. Há assim uma con e gência en e os achados analí icos e a cons ução iccionada, o que indicia que não es amos mui o dis an es, no empo e no espaço, da coisa e do momen o, em que es es enómenos se ão decla a . Ou o aspe o “ ealis a” e in e essan e é a capacidade de eciclagem que os “no os” humanos, desclassi icados, ma ginalizados, e idenciam ace a e i ó ios abandonados, u ilizados como lixei as, onde se pode encon a udo o que já não é necessá io aos g u- u u o, cidades e e i ó io 12 pos dominan es. Como assinalam Ki chin e Kneale (2001, 30), esses espaços o e ecem “no os espaços públicos, sí ios de esis ência, e espaços de espe ança, nos quais podem desen ol e -se as no as comunidades u banas”. imaginemos os he é icos expulsos das suas comunidades, nas gue as eligiosas que desde a idade Média a assala am a eu opa; ou os ga os expulsos pa a as miasmá icas a eias do li o al do cen o de Po ugal, ainda no século XViii…; ou os exceden es humanos da e olução indus ial eu opeia em busca das suas e as p ome idas nas amé icas, na aus ália ou nou as pa agens. Como alguns a is as plás icos, Gibson eco e, li e a iamen e, à écnica da colagem, assumida po ou os mes es do isioná io, como Wal e Benjamin, anspo ando do empo a ual pa a o empo u u o es u u as, agmen os de espaços, e i ó ios, sejam o iundos das ma ginalidades de óquio ou de Hong Kong ou das a elas la ino-ame ica- nas. as pe manências/con inuidades oco em em múl iplas si uações “– O que u que es é um pa aíso – comen ou o Linha ec a, depois de ou i a exposição da si uação do Case. – in es iga Copenhaga nas ma gens da zona uni e si á ia.” (Gibson, 1984). Quan as ezes, iajando nou a cidade, o a de ho as ou o a dos luga es que nos são mais a ins, emos endência pa a a e e ie cybe punk/cybe ic ion, o que an o pode ge a o pânico ou o enjoo, o édio ambém, como alguma eu o ia em que a iculamos e i ó- ios (u banos ou semiu banos) u ópicos com paisagens dis ópicas. O mesmo se pode passa com algumas lei u as de icções de on ei a, de hib idização, como po exemplo o que nos o e ece a ilogia Milénio de s ieg La sson (2005-2007). Ou, podemos ainda suge i que es a, localizada en e gue as, nos p epa a pa a a iagem à Sp awl T ilogy, do pós-3ª Gue a Mundial. iii. O U U O Das CiDaDes HOJe na a ualidade encon amos mui as equipas, em ge al plu idisciplina es, a es uda o enómeno u bano nos u u os, que eco endo a cená ios mais ou menos complexos que o ien ando-se segundo de e minados e o es de mudança – ecnologias da in o - mação e comunicação, al e ações climá icas, e olução demog á ica, sus en abilidades, ini ude dos ecu sos, mobilidade, e c. Pa a uma boa sín ese do es ado da a e e discussão epis emológica da ques ão u bana eja-se o ecen e ensaio de neil B enne e Ch is ian schmid (B enne & schmid, 2015). Um exemplo mui o in e essan e de in es igação acon ece no Mi com o senseaa- ble Ci y Labo a o y, que, sob a di eção de Ca lo a i, em explo ando, em di e en es ambien es geog á icos, as mudanças p o undas que algumas cidades êm indo a ope a e a pa i daí an ecipa as soluções mais adequadas pa a o u u o. espos as que, equen- emen e, a am ques ões mui o conc e as que se le an am do âmbi o económico, social, cul u al ou in aes u u al. Ou o exemplo in e essan e é o Fu u e Ci ies P ojec , da União eu opeia, mui o ocado nas adap ações necessá ias às al e ações climá icas, p oje o a que se associou a cidade do Po o. J. Gaspa 13 Po seu lado, a cidade de Lisboa associou-se a um p oje o com algumas semelhanças, o Connec ed Sus ainable Ci ies, coo denado po William J. Mi chel e ede ico Casalegno, e que além da Cisco sys ems, e e como pa cei os as cidades de Lisboa, ams e dão, são ancisco, Bi mingham, seoul, Hambu go e Mad id. Com in ensi o ecu so às iCs, inha como p incipais obje i os uma ges ão in eligen e de ecu sos escassos como a ene - gia e a água, uma maio e icácia na edução de e luen es gasosos, como as emissões de ca bono, e um e icien e a amen o de lixos. De la go espec o emá ico e g ande alcance geog á ico e empo al, é o p oje o lan- çado pelo eino Unido sob e os desa ios que as suas cidades ão en en a ao longo dos p óximos 50 anos. Os esul ados já conseguidos e publicados imp essionam pela as idão e qualidade, o ganizados segundo seis emas p incipais: a ida das cidades, as economias u banas, o me abolismo u bano, a o ma u bana, a in aes u u a u bana e a go e nação u bana. Dos abalhos já publicados, um dos mais es imulan es su giu em 2014: A isual his o y o he u u e, sob a di eção de alan Wilson, que e idencia o “pode e a impo ân- cia das cidades imaginadas e das isões u banas a a és da cul u a popula …”. ig. 3 – as cidades do u u o, de eugène Héna d, publicado na ame ican Ci y em Janei o de 1911. Fig. 3 – The Ci ies o The Fu u e om Eugène Héna d, published in Ame ican Ci y, Janua y 1911. Ou o exemplo de abo dagem polí ica e ísica do u u o da cidade oi demons ado na inicia i a lançada em ança pelo P esiden e sa kozi pa a a “descobe a” de g andes p oje os com po encial pa a p oje a o u u o da capi al. Com o p oje o Le G and Pa is, ap esen ado em 2007, sa kozy p e endeu, numa ce a adição ancesa, e como acon e- ce a com os seus an ecesso es, Mi e and e Pompidouii, que a sua p esidência osse ma - cada pela monumen alidade. Os esul ados das á ias p opos as/ideias dos a qui e os e/ ou u banis asiii con idados o am ap esen ados em 2009. Pa a lá da a i mação da g an- deza de Pa is, na ança e no Mundo, es a a p esen e a ambição de in eg a , a icula e p omo e a “co-habi ação” en e a me ópole e o subú bio, um p oblema pa en e na capi- al ancesa, não só no plano u banís ico-pa imonial, mas ambém, e sob e udo, no social e cul u al. u u o, cidades e e i ó io 20 Pe e sbu go, onde se podia ainda inclui Mad id, pa a e e encia o nosso maio poe a da cidade da 2ª me ade do século XiX: Cesá io Ve de. Mas a p opos a mais in e essan e p o em do encon o en e ialho de almeida, c o- nis a do enómeno u bano, com o a qui e o mais a i o e a la mode na i agem do século, Ven u a e a. as p opos as pa a uma Lisboa Monumen al (1906), de molde a que Lisboa não desme ecesse das me ópoles bu guesas da eu opa e de Pa is, em pa icula , não deixa a de cons ui ambém uma u opia pa a os pob es, pa a os abalhado es – o Bai o Ope á io: uma isão pa e nalis a, um ideal “ u bano”, que pe mi ia man e o “equilíb io” social. a imagem e o açado inham inspi ações na cidade-ja dim, uma onda que pe - co ia a eu opa. Mas en e nós se ia o “es ado no o” de salaza a “ ealiza ” a “u opia”, a dos Bai os económicos, e o desenho que saiu dos es i ado es dos a qui e os não andou mui o longe da desc ição de ialho de almeida. Mas aquele ideal do bai o-ja dim, com uma cla a chamada pa a o mundo u al, e a uma espos a insu icien e pa a as necessidades do g ande núme o de u ais que a luíam às cidades e em pa icula à G ande Lisboa; po isso, as p opos as do pós-gue a i iam a e ou a escala, ou o desenho u bano, ou a imagem, ou o ealismo, mas con inua am a se insu icien es, c escendo pa alelamen e os bai os de la a. É nes e con ex o, ace à incapacidade de espos a po pa e do es ado e das au a quias, que apa ecem os lo ea- men os ilegais a pa i dos anos 1950, de es o, à semelhança do que se passa a nas p in- cipais cidades do sul da eu opa, de Lisboa a a enas (Gaspa , 1984). a possibilidade de au ocons ui uma casa p óp ia num e eno adqui ido po um p eço acessí el é o sonho de mui os dos ca en es de habi ação, não só em Lisboa como em á ias cidades de pequena e média dimensão. Pa a um g ande núme o desses no os u bani as, os bai os clandes inos ep esen a am uma u opia, pelo po encial e olu i o do lo e, pelo papel de a o o que ep esen a a o acesso a casa p óp ia indi idual. É assim que os lo eamen os clandes inos i ão cons i ui ambém uma opo unidade de alo ização das poupanças, inclusi e pa a mui os dos emig ados em países da eu opa, mo men e em ança. O acesso ao solo u bano, a uma casa p óp ia, é um pe cu so pa a um u u o melho , que chega a e es i uma isão messiânica do p ocesso de “u banização ilegal/clandes- ina”. Como ela ei numa publicação de 1989, em 1975/1976, quando se le an a am dú i- das sob e a con inuidade/ alidade dos lo eamen os p omo idos e endidos po a. Xa ie de Lima, um p op ie á io de um no o lo e “numa en e do lo eamen o” disse-me com plena é de que se ia e dade “... e is o ainda pode ia es a melho , já de e íamos e luz e água, se não i essem co ido com o Xa ie de Lima... que e a homem pa a aze udo... mas ele es á quase a ol a !” e logo a segui ,… “… á ias pessoas já o êm is o passa po aqui pe o, no seu Me cedes b anco!” (Gaspa , 1989a). a i udes semelhan es encon ei en e as populações de bai os de génese ilegal/espon ânea, nos a edo es de Mad id, de Ba celona, de oma ou de a enas (Gaspa , 1989b). O bai o clandes ino, com equência, pe mi e econs i ui a aldeia o iginal, e a- zendo-se a comunidade e, ao mesmo empo, pe mi e man e ligações com a e a de o igem. É assim que se es abelecem luxos come ciais in e essan es – o pão, o queijo, as ba a as, a ca ne, que êm da e a; os g upos co ais que os alen ejanos ão c iando de J. Gaspa 21 Vila anca de Xi a a Cascais, de almada ao Mon ijo, e que, em compa ação com os das aldeias o iginais, são igualmen e genuínos com a an agem de se em cons i uídos po gen e mais jo em. É a u opia da con inuidade: os da Co e do Pin o (Mé ola) que ie am pa a o P io Velho não só cons uí am, econs i uindo, as co en ezas de casas, como “ ouxe am” o ba bei o e o me ceei o. Cu iosamen e no enómeno mig a ó io an o assis imos ao sonho do u u o em con inuidade como ao do co e com o empo (o pas- sado) e o espaço (o país, a e a de o igem). escapa pa a uma No a Cali ó nia de e implica um co e com o pon o de pa ida e com o luga que lhe es á associado. as p óp ias o mas da u banização do emig an e podem con igu a sonhos, u u os independen es do passado. e a sua quin inha, com a sua casinha, uma amília, uma piscina, dois au omó eis + 1, uns animais: a u opia do sp awl, a u banização di usa em con ex os nacionais e sociais dis in os pode man e a sua dimensão u ópica e ao mesmo empo uma p ojeção do u u o. Uma ques ão que se pode coloca é a de sabe se as no as o mas de u banização, que ogem à cidade, êm u u o, ou, po ou as pala as, quan o empo de ida êm as u opias do pe i-u bano ou do anu bano, em que ele o as no as ge ações dos megacondomínios echados, da Celeb a ion da Disney aos Alpha ille que já ma cam a hie a quia u bana no B asil, como o ize am (e azem) os shopping cen es. omemos o í ulo de uma ob a undamen al pa a abo da es a ques ão Cidade de Mu os – C ime, seg egação e cidadania em São Paulo (Caldei a, 2000): além de analisa o enómeno da seg egação e agmen ação social e ísica da g ande me ópole con empo â- nea, es a ob a é decisi a pa a uma e lexão sob e os possí eis u u os da g ande cidade, do no e e do sul, do Ociden e e do O ien e. a au o a, logo na in odução, e e e são Paulo, Los angeles, Joanesbu go, Buenos ai es, Budapes e, Cidade do México e Miami (Caldei a, 2000, 3ª edição 2011: 95) a que pode íamos ac escen a mui as ou as, inclusi e Lisboa. não só o aumen o das desigualdades sociais, como ou as o mas conducen es à seg egação social e e i o ial, como os mo imen os mig a ó ios, as di e enciações dos es ilos de ida, as eligiões e ou as p á icas sociais e cul u ais, bem como a pe ença a g upos co po a i os, são a o es de agmen ação, de dema cação de e i ó ios, de edi i- cação de o alezas no in e io das cidades do u u o. Po udo is o é necessá io es a a en o aos discu sos di e sos com que nos dias de hoje nos que em se i a cidade do u u o, con igu ando sucessi as campanhas de ma ke- ing, mais ou menos encadeadas e supos amen e cimen adas pelas “no as” ecnologiasi . O exemplo mais a ual é o das di e idas sma ci ies, como se as cidades não i essem sido semp e in eligen es. À semelhança da ei a, o ma ke ing pa a se apela i o de e se di e - ido, po isso, equen emen e, uma sma ci y é ambém uma un ci y. Cla o que o uso excessi o da exp essão sma ci y banalizou ou des alo izou o concei o, o que ob iga a um a u ado esc u ínio da bibliog a ia que é assim e e enciada. a p opósi o eja-se a excelen e ob a de an hony M. ownsend, Sma Ci ies: big da a, ci ic hacke s, and he ques o a new u opia ( ownsend, 2013). as ino ações ecnológicas, como em odas as épocas his ó icas, con inuam a o e ece um po encial pa a melho a as sus en abilidades das cidades e o bem-es a dos seus habi- u u o, cidades e e i ó io 22 an es. Como nou os empos his ó icos as ino ações e ão que se bem ge idas e bem aplicadas. O a o po encial ecnológico dos dias de hoje nem semp e é aplicado com o maio igo , como equen emen e nos damos con a ao e i ica as opções de polí ica pa a as in aes u u as, bem e iden es em á ios exemplos no âmbi o do saneamen o básico, da p odução e dis ibuição de ene gia, dos anspo es públicos, en e ou os. Quando nos con on amos com os dados obse á eis no dia a dia das cidades e i i- camos como a de icien e aplicação do po encial ecnológico a e a p imo dialmen e os mais ágeis, luga es ou cidadãos, pelo que é necessá io o ien a a e lexão pa a os concei- os dominan es e as o mas de go e no da cidade. É necessá io ecupe a e ap o unda a anspa ência da go e nação e a co ela i a p es ação pública e egula de con as, di ecio- nada pa a a no mal a aliação polí ica. assim, po exemplo, o ego e no não dispensa as adicionais o mas de go e nação democ á ica. Um exemplo das mode nas o mas de go e na a Polis, possibili ada pelas no as ec- nologias da in o mação e comunicação, é-nos o necido pelo “jogo” do o çamen o pa i- cipa i o, que an o pode emos conside a uma boa in odução à ges ão pa icipa i a, como um en iesamen o da mesma. De ac o, esse “jogo” é mui as ezes um bom en e e- nimen o, sem dú ida ú il pa a a ai alguns segmen os da comunidade pa a os con eúdos e o mas de ges ão da coisa pública, mas ao mesmo empo pode eduzi o âmbi o do necessá io esc u ínio público do go e no da cidade. É assim que amiúde encon amos e e ências à manu enção ou mesmo aumen o da opacidade que ca ac e iza mui os a os do planeamen o e da ges ão das ques ões mais ele an es pa a o u u o das cidades. Vi. OU as QUes Ões “Mas se á que as cidades nos azem p óspe os, in eligen es, saudá eis e elizes?” es a oi uma ques ão que me oi opo unamen e le an ada po Má io Vale e que eu e omo ago a a p opósi o do u u o das cidades ou das cidades no u u o. Conhecemos ela i amen e bem a his ó ia da cidade e as his ó ias de um g ande núme o de cidades, ao longo de alguns milha es de anos e, no essencial, nas suas dimen- sões geog á icas, sociais, económicas e cul u ais não se egis a am g andes al e ações na essência, na na u eza das cidades. Po isso emos uma azoá el acumulação de conheci- men o pa a esponde àquela ques ão: sim. ambém podemos a isca com uma azoá el p obabilidade de ace a , que o u u o das cidades não ai se mui o di e en e: os p incí- pios de dis ibuição espacial, a o ganização in e na, as o mas de elacionamen o social e económico da cidade dos u u os não se ão basicamen e ou os dos que podemos as- ea ao longo daqueles dois a ês mil anos pa a os quais emos in o mação c edí el sob e a ida das cidades. Con inua á a se a cidade o luga que o e ece mais opo unidade de a i mação do indi íduo, pois é aí que ele pode ap ende com ou as expe iências, onde consegue mais in o mação, endo semp e em con a uma c escen e alo ização das écnicas de in o ma- ção e comunicação. Po isso os u bani as do u u o êm mui as p obabilidades de se mais J. Gaspa 23 e mais in eligen es e po isso mesmo ambém sabe ão cuida melho da sua saúde. Po úl imo, ace à g ande ques ão que semp e se coloca á aos humanos: “onde es á a elici- dade?”; se conside a mos o acesso às necessidades básicas – alimen ação, habi ação, saúde e educação, e a sua conjugação com o bem undamen al que é a libe dade, é sem dú ida na cidade que o acesso conjugado es á mais ga an ido. Con inua a se álida a máxima medie al de que “o a da cidade o na o homem li e”. a u banização e a cidade cons i uem a cha e pa a a sus en abilidade ambien al do Plane a, como o êm e e enciado es udos ecen es, mo men e os que a am das espos- as pa a as al e ações climá icas. Po ou o lado, êm pe mi ido a qualque ní el e i o- ial, do local ao plane á io, e apesa de odas as di iculdades e dis unções bem e e encia- das, o encon o de espos as pa a as g andes ques ões sociais, económicas, polí icas e cul u ais. De e, oda ia, no a -se que no bom go e no da cidade, al como nos oi demons ado desde a an iguidade, con inuam álidos os p incípios sis ema izados po a is ó eles. assim, po exemplo, a localização, o sí io e o bom desenho con inuam a o - nece as espos as pa a nos p epa a mos pa a as al e ações climá icas. oi a u banização e a cons i uição de edes de cidades, “as a madu as u banas”, que pe mi i am o p og esso nas á eas mais us igadas pelas omes e pela al a de acesso aos cuidados de saúde, como é o caso de g ande pa e da Á ica ao sul do saa a. O “Milag e indiano” oi possí el g aças ao p ocesso de u banização, como o demons ou de o ma supe la i a Gu cha an Das na sua ob a ascinan e India Unbound (2000). a p odução de bens e se iços é necessá ia, mas não em a e icácia necessá ia sem uma adequada dis i- buição, como se e i ica ainda hoje no mundo subdesen ol ido, mas ambém de o ma c escen e em encla es do P imei o Mundo, como o em demons ado o alas amen o de enómenos dos “ ood dese s” (Del Casino J , 2015). a u banização o al do Plane a, ou a endência pa a essa me a, ge a no as opo uni- dades pa a uma la guíssima maio ia dos humanos, pa a quem a “ uga” dos campos oi mui as ezes a busca de um sonho, se quise em, da cidadania, ainda que só mui o poucos o iessem a sen i , a conc e iza . Mas um plane a u banizado, um plane a de cidades, não se á nunca um plane a es á ico, pelo con á io, ao ge a mais in o mação ambém ge a mais mo imen os e são es es que pe mi em a busca da p ospe idade, do conhecimen o, do bem-es a , quem sabe se o islumb e do que se pode á chama elicidade. BiBLiOG a ia abbo , C. (2007). Cybe punk ci ies: science ic ion mee s u ban heo y. U ban s udies and planning acul y publica ions and p esen a ions. Pape 57. h p://pdxschola .lib a y.pdx.edu/usp_ ac/57 aze edo, a. ., Pimen a, J. . & sa men o, J. (eds.) (2009). Geog a ias do co po – ensaios de Geog a- ia Cul u al. Po o: Li a ia iguei inhas. B enne , n. (ed.) (2013). Implosions/explosions: owa ds a s udy o plane a y u baniza ion. Be lin: Jo is. B enne , n. & schmid, C. (2015). owa ds a new epis e- mology o he u ban?. Ci y, 19 (2-3), 151-182. Bu ows, . (1997). Vi ual cul u e, u ban social pola i- sa ion and social science ic ion. in B. Loade (ed.) The go e nance o cybe space (38-45). 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