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Jus ino Pe ei a de Magalhães
Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019.
ISSN
0102-6801 83
Os Escola es e a ins i uição educa i a: cânone e
cul u a escola
Jus ino Pe ei a de Magalhães
*
Resumo: A ep esen ação da educação en ol e uma noção sis émica e os
in elec uais podem unciona como sis ema. Eles con igu am e dema cam o campo
educacional. O in elec ual cons i ui um concei o que pode se abalhado enquan o
ca ego ia epis émica com educabilidade e his o icidade. Os In elec uais cedo
pe cepcionam o que es á ‘de no o’ em c ise e o que de e á pe manece . En e es es
eme gem os Escola es; combinando as dimensões de in elec ualidade e
educabilidade, são in elec uais en ol idos ins i ucionalmen e e que es abelecem o
c uzamen o en e educação e sociedade, são ins i uin es. Reconhecidos como
mes es, são, em eg a, au o es de ex os dou iná ios e li os escola es; êm especial
ele ância na cons i uição do cânone escola , li e á io, cien í ico, a ís ico. Nada do
que é humano lhes é indi e en e; sabem aze uso do pode simbólico e ma e ial que
o ins i ucional e o no ma i o lhes con e em. Se á sob e os Escola es que p ocu a ei
desen ol e o meu ex o. Toma ei como e e ência undamen al os in elec uais
po ugueses e a his ó ia da educação em Po ugal.
Pala as-cha e: His ó ia da educação. Cânone. In elec uais. Educabilidade.
Escola es.
Schoolchild en and he educa ional ins i u ion: canon and school
cul u e
Summa y: The ep esen a ion o educa ion in ol es a sys emic no ion and
in ellec uals can unc ion as a sys em. They shape and dema ca e he educa ional
ield. The in ellec ual is a concep ha can be wo ked as an epis emic ca ego y wi h
educabili y and his o ici y. In ellec uals who soon pe cei e wha is ‘new’ in c isis
*
Dou o em Educação pela Uni e sidade do Minho (UM). P o esso ca ed á ico do Ins i u o
de Educação da Uni e sidade de Lisboa. E-mail: [email p o ec ed] ORCID:
h ps://o cid.o g/0000-0001-9464-6782
h p://doi.o g/10.14393/REVEDFIL. 33n67a2019-47899
Os Escola es e a ins i uição educa i a: cânone e cul u a escola
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and wha should emain. Among hese eme ge he Schola s. Combining he
dimensions o in ellec uali y and educabili y, hey a e in ellec uals in ol ed
ins i u ionally and who es ablish he in e sec ion be ween educa ion and socie y, a e
ins i u ing. Recognized as mas e s, hey a e, as a ule, au ho s o doc inal ex s and
school books; ha e special ele ance in he cons i u ion o he school, li e a y,
scien i ic and a is ic canon. No hing ha is human is indi e en o hem; hey know
how o make use o he symbolic and ma e ial powe ha ins i u ional and no ma i e
powe con e on hem. I will be on he Scholas ics ha I will y o de elop my ex .
I will ake as undamen al e e ence he Po uguese in ellec uals and he his o y o
educa ion in Po ugal.
Keywo ds: His o y o educa ion. Canon. In ellec uals. Educabili y. School child en.
Les écolie s e l’é ablissemen d'enseignemen : canon e cul u e
scolai e
Résumé: La ep ésen a ion de l’éduca ion implique une no ion sys émique e les
in ellec uels peu en onc ionne comme un sys ème. Ils açonnen e délimi en le
champ éduca i . L'in ellec uel es un concep qui peu ê e a aillé comme une
ca égo ie épis émique a ec éducabili é e his o ici é. Les in ellec uels qui pe çoi en
bien ô ce qui es ‘nou eau’ en c ise e ce qui de ai es e . Pa mi ceux-ci éme gen
les é udi s. Combinan les dimensions de l'in ellec uali é e de l'éducabili é, les
Scolie s son des in ellec uels impliqués ins i u ionnellemen e qui é ablissen le
poin de encon e en e l'éduca ion e la socié é. Ils son econnus comme maî es
e son géné alemen des au eu s de ex es doc inaux e de manuels scolai es;
e ê en une impo ance pa iculiè e dans la cons i u ion du canon scolai e, li é ai e,
scien i ique e a is ique. Rien de ce qui es humain ne leu es indi é en . Ils sa en
u ilise le pou oi symbolique e ma é iel que leu con è e le pou oi ins i u ionnel
e no ma i . Ce se a su les scolas iques que je ais essaye de dé eloppe mon ex e.
Je p end ai comme é é ence ondamen ale les in ellec uels po ugais e l’his oi e
de l’éduca ion au Po ugal.
Mo s-clés: His oi e de l'éduca ion. Canon. Les in ellec uels. Éducabili é. Écolie s.
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In elec uais e sis ema educa i o
No li o de Ch is ophe Cha le, Les in ellec uels en Eu ope au XIX
e
siècle. Essai d’his oi e compa ée, pode le -se: «Comme pou les au es
chapi es de l’his oi e sociale, seule une his oi e o ale peu pe me e
d’app éhende les in ellec uels dans leu complexi é e leu é olu ion
con as ée selon les pé iodes e les pays» (CHARLE, 2001, p. 19). Es e
li o eio aze um olha eno ado sob e pensamen o e cul u a,
pa icula men e sob e a elação en e cul u a esc i a e educação. A
elação dos in elec uais com os sis emas educa i os é uma dimensão
his ó ica que pe mi e en endê-los como ep esen an es e agen es, mas
ambém como p odu o. São deposi á ios do conhecimen o a ansmi i e
são senho es de um sabe cien í ico e écnico que possibili a a in elecção
e a adequação da ap endizagem, podendo in luencia di ec a ou
indi ec amen e a e olução sociocul u al e pedagógica. São de en o es de
um capi al simbólico que esul a da expe iência cogni i a e ap enden e,
e da acção nos planos epis émico e me ódico.
Fo mados no in e io do sis ema educa i o e cul u al, os in elec uais
enquan o co pus a iculado com a cul u a escola são ambém p odu o,
desen ol endo-se, oda ia, com singula idade e des ino p óp ios, nos
planos indi idual e g upal. As ans o mações na educação in eg am os
g andes mo imen os cul u ais da P imei a Mode nidade. Os in elec uais
pa icipa am dessa e olução. Fica am associados ao Humanismo e às
Re o mas Religiosas, P o es an e e Ca ólica, dos séculos XV e XVI,
como ao Racionalismo e ao Iluminismo, iniciados em inais do século
XVII e o alecidos no decu so do século XVIII. Os es udos e as
p opos as dos in elec uais epe cu i am nas o ien ações pedagógicas e
nos planos cu icula es. Fomen a am e de am consis ência a mu ações
na ins i uição escola . O es udo his ó ico-compa a i o e ela que, desde
o século XVIII, icissi udes, a anços e pe manências dos sis emas
educa i os e da cul u a escola , nos con ex os nacionais, na
in e nacionalização e na ans e salização, encon a am base e móbil nos
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in elec uais. Re omando a cul u a e o ins i ucional escola es, con es ando,
conse ando, e o mando ainda que ci cuns ancialmen e, os in elec uais
consolida am-se como co pus e como ep esen ação.
Ch is ophe Cha le e e e-se à segunda me ade do século XIX como
a “idade de ou o dos uni e si á ios”, que an o cul i a am as disciplinas
adicionais quan o ge a am no as disciplinas, nos domínios das
Ciências Sociais e da His ó ia. Na gene alidade, o mados nas
uni e sidades, ambém no ensino secundá io se dis ingui am como
p o esso es: como in elec uais o gânicos, pa icipa am na mode nização
da adminis ação, na eno ação dos sis emas polí icos, na o malização
e no malização da docência, na c iação e adap ação de manuais escola es.
Desde inais de Se ecen os que a educação es e e p esen e na
mode nização cien í ica, ecnológica, polí ica e os in elec uais soube am
e i a bene ício dessa aliança, ac uando den o e a pa i da escola, ou,
co ela i amen e, ac uando como jo nalis as, publicis as, esc i o es,
conselhei os. Como escola es, agindo de den o da ins i uição ou
ans o mando-a do ex e io , os in elec uais in luencia am a ins i uição
educa i a.
Des inada às eli es e às classes médias, e p og essi amen e
ex ensi a a ou os sec o es sociocul u ais – assim as classes médias, as
populações u banas, a a is oc acia u al –, a escola e a cul u a escola
e oluí am endo como e e ência a ep esen ação do le ado, que, no
decu so do século XIX, encon ou al e na i a nos modelos cien í ico e
écnico. P og essi amen e, as o mações humanis a, cien í ica e écnica
ende am pa a uma ha monização, a iando oda ia em unção dos
planos cu icula es e dos pe is p o issionais. Tal sis emá ica
co espondeu a modalidades da educação secundá ia, nomeadamen e ao
ensino liceal, em que p e aleceu a ma iz humanís ica, e ao ensino
écnico e p o issional, em que aquela ma iz oi in eg ada num onco
comum écnico-cien í ico.
Dis in amen e da al abe ização, desen ol ida de baixo pa a cima, a
escola ização oi cons i uída de cima pa a baixo. Assegu adas as
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capacidades básicas de le , esc e e , con a e calcula , da sín ese
cu icula escola aziam ambém pa e udimen os de dou ina e mo al
c is ãs, udimen os de c onologia e his ó ia pá ia, elemen os de
co og a ia. A li e acia escola isa a a con e são, a in eg ação nacional,
a assimilação de uma base dou iná ia eligiosa e cí ica, como
pa io ismo e mani es ação de lealdade às au o idades ins i uídas.
Inspi ada em modelos e alo es supe io es, es a base de al abe ização
escola oi es u u ada em inais do século XVIII. Como escola ização
p imá ia, oi p og essi amen e nacionalizada, no malizada e o nada
ob iga ó ia ao longo do século XIX.
Escola – elação de in elec i idade e educacionalidade
O Escola ca ac e iza-se pela p oximidade e pela ep esen ação do
ins i ucional escola . Seja po aquisição e pe cu sos p óp ios, enquan o
agen e, o mado e ins i uin e, seja po ep esen ação delegada e
legi imamen e econhecida, o escola no abiliza-se a a és de um
c escen e de in elec ualidade e educabilidade inco po adas e
ciclicamen e subme idas a i ocínio pedagógico e sociocul u al. Pode
admi i -se uma escala de in elec i idade no âmbi o da educação,
combinada com uma escala de educacionalidade. O escola pon ua e es á
na in e secção des as duas escalas. No con ex o his ó ico e no quad o da
cul u a esc i a, há a iá eis e a ian es que se p endem com as
ci cuns âncias e as modalidades de acesso, sociabilidade e acul u ação
da esc i a. Nos mo imen os do Humanismo e das Re o mas Religiosas,
os in elec uais assumi am um papel des acado na exegese e na di usão
dos ex os bíblicos. Tal i ocínio incluiu a in e p e ação, a adução e a
ac ualização dos mesmos como undamen o e des ino úl imo dos
indi íduos, da sociedade, da humanidade. A noção de e dade es a a
plasmada nos ex os sag ados. As eligiões do li o digladia am-se pela
hegemonia eligiosa.
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Na ansição da P imei a Mode nidade, o Racionalismo apoiado no
expe imen alismo e na Ilus ação, ob ida a a és da ap endizagem pelos
ex os e de uma pedagogia in e pela i a e conclusi a, o na am possí el
uma au onomização dos indi íduos, combinando au ogo e no, sen ido
c í ico, esponsabilidade. As ans o mações polí icas e sociocul u ais
e olucioná ias que assinala am a supe ação do An igo Regime e a
cons ução de egimes polí icos assen es na di isão de pode es, na
pa icipação dos cidadãos e na melho ia das condições de p odução e
p og esso económico ouxe am de no o os in elec uais pa a o cen o da
polémica e da cons ução das es u u as discu si as, o gânicas, ma e iais.
O en ol imen o na in e p e ação do p esen e e na ideação, undamen ado
em no os modos de pensa , implemen ando no os mé odos e no as
modalidades de in o mação e mobilização, a a és da imp ensa e da
o mação de pa idos, ge ou con li ualidades mas ambém desa ios pa a
a con e gência. A eme gência da es e a pública oi, no essencial, ob a de
in elec uais, que ambém c ia am no os locais p i a i os de encon o,
discussão e sociabilidades.
Ti ando bene ício das ci cuns âncias e das po encialidades dos
meios de in o mação e sociabilidade, es a am em cu so no as o mas de
conco ência, aduzidas em hegemonias in elec uais e cul u ais. Com
e ei o, a Ilus ação o nou possí el a p og essão cognoscen e e de
humani ude inco po ada na escola ização, nos pe cu sos de ida, na
ep esen ação dos indi íduos e das sociedades. A noção de pe ec i ude
do humano, indi idual e social, explica que, desde o século XVIII,
educação e his ó ia enham es ado in insecamen e associadas. A
educação dá sen ido e az a ança a his ó ia; a his ó ia o na a educação
signi ica i a e ans o ma i a. T ansmi ido e ein e p e ado no p esen e,
o ex o educa i o encon a subs ância e sen ido na his ó ia. A his ó ia
ilumina e o na possí el a comp eensão do p esen e e ge a pe spec i as
de u u o. P esen e-passado e acção- ein e p e ação são condição de
u u o. Como escola e ins i ucional escola , a educação oi sendo
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es u u ada e endeu pa a a uni e salização, sob a con igu ação e o
es a u o de no ma e cânone.
Coube aos in elec uais um papel de e minan e. O Le ado do An igo
Regime encon ou na igu a do Escola , mais que um i al, um cons u o
de pensamen o e conhecimen o e um p agmá ico que a ec ou
decisi amen e os des inos da sociedade con empo ânea.
A ins i uição escola oi o nada ex ensi a da ins ução elemen a à
uni e sidade, ou po que, como su gia nos modelos napoleónicos, a
uni e sidade e a o cume da pi âmide le ada, ou po que, como sucedeu
com os modelos de inspi ação alemã, as uni e sidades inco po a am
uma o mação especí ica. Ch is ophe Cha le ala do século XIX como a
idade do ou o dos uni e si á ios, combinando o in elec ual e o escola ,
ou ão só alo izando o escola . Na medida em que a ins i uição escola
se o nou a ins ância po excelência pa a a educação dos indi íduos e
pa a a mode nização da sociedade, os escola es soube am e i a
bene ício de ais alências, subme endo a ins i uição a depu ados juízos
c í icos, ans o mando-a e ans o mando a pa i dela. O século XIX oi
de con e gência e de con li ualidade. A pa i da uni e sidade, os
in elec uais, pa icula men e os escola es, a ec a am a sociedade. O
pe il sinc é ico do le ado saído do An igo Regime deu opo unidade a
no os pe is, nos planos cien í ico, écnico e p o issional.
A Ilus ação icou associada à o mação do cu ículo elemen a e à
eme gência de dois modelos de uni e sidade: a uni e sidade –
in es igação, cons ução da ciência e do conhecimen o; a uni e sidade –
ins ância de e icalização e supe in endência do conhecimen o em
aliança com o Es ado. De modo sumá io, es es dois modelos ica am
conhecidos po modelo humbold iano, pos o que inspi ado em Wilhelm
on Humbold e na Uni e sidade de Be lim undada em 1810, e modelo
napoleónico de ca iz cen alizado . A cons i uição dos Es ados-Nação
es a a associada ao sis ema escola , numa sequência de p ocessos de
Ilus ação, que se desen ol e am no século XIX: es a alização,
libe alização, nacionalização. Com as e oluções libe ais, a uni e sidade
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oi en ol ida nas ans o mações polí icas, ideológicas, cul u ais,
cien í icas e g adualmen e ambém a ís icas. O núcleo do cu ículo
escola passou a se cons i uído pela his ó ia, a no ma linguís ica, a
ciência e écnica ligadas à economia e à sociedade – en im, o cânone. Os
escola es su gem associados a es es campos.
A his o iog a ia ecen e em-se e e ido aos in elec uais como
objec o epis émico au ónomo associado à His ó ia In elec ual. Nes e
ex o, e oma-se a elação dos In elec uais com a Educação,
pa icula men e com a ins i uição-escola, em Po ugal e B asil, pa a
in oduzi a igu a do Escola . Dá-se sequência a es udos an e io es
(MAGALHÃES, 2016, MAGALHÃES e al., 2016). Nes e con ex o,
cabe ambém e e i Viei a e Chiozzini (2018, p. 69), au o es que
ap esen am o que designam de Espi al de In elec ualidade na Educação.
Escola – in elec ual comp ome ido
A cons i uição da na a i a his ó ica, a cons i uição dos cânones
li e á ios, a cons i uição de um cu ículo de ciências, geog a ia, di ei o
o am ob a de in elec uais. Os uni e si á ios in e ie am, mas oi a a és
do p o esso do ensino secundá io que a uni e sidade pa icipou de
o ma decisi a no sis ema escola . No undamen al dos planos
humanís ico e cien í ico, a educação secundá ia oi di ada de cima pa a
baixo. Se, nos planos écnico, a ís ico, p o issional, al hegemonia cedeu
ao diálogo en e p á ica e ino ação ( omando em a enção a adição,
consignada na e olução écnica e na egulamen ação dos o ícios), e, po
ou o lado, a expe iência e a o mação p o issional, que, num quad o de
educação in eg al, de e iam se a iculadas com a componen e
humanís ica, na educação secundá ia liceal, onde a ma iz humanís ica
e a mais acen uada, al ha monização oi mais len a. A disciplina ização
das humanidades não oi acili ado a da cons i uição de cu ículos
in eg ados.
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No inal do medie al, o humanis a su giu como modelo e me a-
humano; no inal do século XVIII, em boa pa e, oi o le ado que su giu
como modelo, i alizando, ao empo, com o engenhei o, o mili a , o
écnico-cien í ico. As dimensões cons i u i as des es pe is con e gi am
e, ao longo do século XIX, o am sendo econ igu adas, ocalizadas no
in elec ual e des e no escola . Pa a além do escola , que inha uma
sob e i ência assegu ada, do uni e so in elec ual, como ep esen ação
da es e a pública, aziam pa e sec o es ligados à c ia i idade li e á ia e
a ís ica: homens de le as, esc i o es, publicis as. Mediando com o
ins i ucional escola , a es e a pública compo a a um ou o ipo de
in elec uais – assim pedagogis as, cu icula is as, e o mado es das
polí icas de ensino. F equen emen e, e am p o issionais libe ais.
A igu a do escola assumiu ele o desde a ansição do século XIX
e, ainda que mui os escola es enham ac uado o a do sis ema educa i o,
en ou em c ise no e cei o qua el do século XX, co ela i amen e à
c ise da ins i uição escola . O campo de acção dos escola es oi
di e si icado, podendo e e i -se a ino ação pedagógica, azendo
ci cula a in es igação e as boas p á icas, es u u ando co en es
pedagógicas, suge indo e enunciando no as disciplinas, induzindo
al e ações cu icula es e ac ualizações dos planos de es udo. O papel
ins i uin e dos escola es essal a undamen almen e da in luência sob e o
cânone e a no ma escola es. Conhecedo es e ep esen an es legi imados
da cul u a escola , em que in e êm como es u u an es, au o es,
a aliado es, mas, simul aneamen e, po ado es de um olha ex e no,
pos o que a en os e sensí eis à e olução da ciência e à ino ação es é ica;
obse ado es c í icos em ace das ci cuns âncias sociocul u ais e das
a iculações da escola com a sociedade, passa am po eles o inqué i o e
a a e ição das ap endizagens, bem como o es udo sob e o eg esso dos
diplomados escola es. Ganha am assim legi imidade pa a in e e i no
cânone.
Co ela i amen e, enquan o p o esso es econhecidos e c edi ados,
os escola es não deixa am de in e e i na o mação de p o esso es e na
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e o pode ine en e ao go e no e à adminis ação das ins i uições
educa i as.
Ainda na es e a do pode de e se incluída a ca ego ia Di ec o es e
P o esso es do Ensino Técnico, o mada po 49 biog a ados, a que
co esponde a pe cen agem de 5%. No conjun o, es as qua o ca ego ias
ep esen am 44% dos biog a ados. Se a es as se ag ega em a ca ego ia
In elec uais (que con abiliza 49 biog a ados, ep esen ando 5% do o al)
e a ca ego ia Pedagogos (que con abiliza 20 e ep esen a 2%), conclui-
se que, em conjun o, as ca ego ias compos as pelos educado es mais
in luen es no sis ema o alizam 468 biog a ados e ep esen am 51% do
o al. A ca ego ia In elec uais é compos a po au o es e pensado es da
educação; a ca ego ia Pedagogos in eg a aqueles que p oduzi am
e lecções o iginais sob e educação.
No sis ema educa i o po uguês, não pode deixa de des aca -se a
ca ego ia Di ec o es e P o esso es de Colégios Pa icula es, não apenas
po que o ensino pa icula man e e uma cono ação eli is a, quan o, em
pe íodos de pe seguição polí ica, mui os p o esso es e in elec uais
dis in os exe ce am unções docen es e de di ecção dos Colégios. Assim
sendo, se se ag upa es a ca ego ia (que é compos a po 44 biog a ados)
às an e io men e e e idas, ob ém-se um o al de 512 biog a ados que
ep esen am 56% do o al.
A ins i uição educa i a, com ele o pa a a Escola e o Ins i ucional
Escola , é ins ância de pode , nos planos in e no, ge ando hie a quias e,
no plano ex e no, in luenciando e, em algumas ci cuns âncias,
de e minando os des inos da sociedade. Isso se comp o a com a
ele ância que a es e a do pode , nas suas di e sas componen es, assume
no uni e so dos educado es biog a ados. As ca ego ias ela i as ao pode
são cumula i as, ainda que o conjun o de emas que ab angem não
co espondam in eg almen e a uma especi icidade. Mas há uma ou a
ca ego ia, a de No malis as e Me odólogos, compos a po 78 biog a ados
e ep esen ando 9%, que compo a ce a ambiguidade, pois que não
co esponde a e e ências emá icas p ecisas. Admi indo, oda ia, que,
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que no plano in e no que no ex e io da ins i uição- escola, os
no malis as cul i a am a no ma, p ese ando-a e azendo-a aplica ,
nomeadamen e jun o dos p o esso es em o mação, e que os
me odólogos (designação equen emen e aplicada aos o ien ado es de
es ágio do ensino secundá io) dispunham de au o idade na manu enção
e adequação dos mé odos de ensino, a ca ego ia No malis as e
Me odólogos não pode á deixa de se incluída no conjun o das
ca ego ias de pode – pode simbólico e pode e ec i o. Cabe-lhe uma
unção ins i uin e. Des e modo, em 900 educado es biog a ados, 590,
pe azendo 65%, ou seja, bem mais de me ade, es ão associados ao pode
ins i ucional.
Enunciadas na esque da da igu a, as es an es oi o ca ego ias
consignadas no Dicioná io, são: Au o es de Li e a u a pa a a In ância
(23/ 3%); Educação Popula (58/ 6%); Médicos Escola es e
Psicopedagogos (41/ 5%); Di igen es Associa i os (52/ 6%);
Missioná ios e Educação Colonial (20/ 2%); Educado es Sociais (23/
3%); Educação Religiosa (32/ 4%); P o esso es do Ensino P imá io e
In an il (58/ 6%). Todas es as ca ego ias es ão, po ine ência, ligadas ou
ins i ucional escola , ha endo ci cuns âncias e quad os decisó ios em
que não deixa am de se de e minan es. Com e ei o, a adap ação e a
cons ução dos espaços, as no mas e as p á icas escola es não deixa am
de se p o undamen e a ec adas, senão mesmo de e minadas, po
co en es higienis as, o ien ações médico-sani á ias e psicológicas, aqui
simbolizadas na ca ego ia Médicos Escola es e Psicopedagogos. Po
ou o lado, não pode deixa de se conside ada a in luência dos Au o es
de Li e a u a pa a a In ância na cons i uição do cânone escola , como
ambém não é negligenciá el a in luência da Educação Religiosa na
axiologia e na no ma i idade escola .
Pode conclui -se que o conjun o dos biog a ados são pe sonalidades
que i e am ele ância no campo da educação. Deles exis e uma
memó ia colec i a, es emunhada e egis ada. Recupe ando na a i as
an e io es e azendo uso de on es de di e sa na u eza, o Dicioná io de
Os Escola es e a ins i uição educa i a: cânone e cul u a escola
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Educado es Po ugueses é uma ep esen ação his ó ico-pedagógica e
o na-se signi ica i o pa a a his ó ia dos Escola es.
Dos Escola es Po ugueses
A elabo ação do Dicioná io de Educado es Po ugueses obedeceu
a um plano igo osamen e de inido. No en an o, a esc i a não deixa de
e lec i a sensibilidade dos au o es e de essen i -se da especi icidade
dos biog a ados. En e os biog a ados selecionados, alguns o am
abo dados pela p imei a ez e ou os es a am biog a ados nou os
campos, sendo necessá io azê-los pa a o campo da educação. Há
ambém um pequeno conjun o que, pela ele ância como pe sonalidades
des acadas, me eceu desde logo um a amen o mais ala gado.
A unidade de ep esen ação da esc i a biog á ica é o indi íduo. A
biog a ia ganha sen ido na dialéc ica en e o in e no e o ex e no, pelo que
a esc i a não pode deixa de essen i -se das on es p imá ias, sua
especi icidade, sua di e sidade, seu campo de ep esen ação.
Rela i amen e a mui os biog a ados, o co pus documen al disponí el e a
de âmbi o local e einciden e numa ópica ão es ei a, quan o elemen a ,
enquan o pa a ou os oi possí el a combinação en e on es p imá ias e
on es secundá ias – elabo adas e ac ualizadas es as em consonância com
a e olução concep ual e a ees u u ação do sis ema educa i o. Aliás, as
biog a ias dos educado es mais es udados ap esen am, em eg a, um g au
de elabo ação e so is icação, que se o na di ícil, a a és da lei u a,
econs i ui o espec o emá ico e a ac ologia de base.
O espei o pela di e sidade icou plasmado no comp omisso en e
o homogéneo do plano e a he e ogeneidade das ci cuns âncias, dos
empos e das especi icidades dos biog a ados. Ac esce a di e sidade
au o al ine en e ao espec i o modo de esc e e . O índice emá ico des e
Dicioná io é esul ado de al comp omisso, pelo que es á ap esen ado
po cons elações de assun os e de i ens.
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Como e e ido, pa a um núcleo de educado es conside ado po ado
de signi icado his ó ico-pedagógico, seja pela pa icipação na
cons i uição da ins i uição-escola, seja po que a ep esen ou ou
ep esen a na his o iog a ia publicada, o am esc i os e be es mais
longos. Numa p imei a ap oximação, se ia espe ado que a es as
pe sonalidades co espondessem ou uma o e especialização ou uma
ep esen ação signi ica i a num conjun o de campos e que es e conjun o
o masse uma biog a ia ecunda e coe en e. O Dicioná io de Educado es
Po ugueses ap esen a um índice emá ico que ag upa e desdob a o
elenco de ca ego ias, insc e endo em cada uma o núme o co esponden e
à iden i icação dos biog a ados nela ep esen ados.
Fazendo uso do índice emá ico des e Dicioná io, e p ocedendo ao
in en á io de menções po ca ego ia e po biog a ado, obse a-se desde
logo que a expec a i a deposi ada sob e alguns dos biog a ados a quem
oi a ibuída uma biog a ia ala gada não oi in ei amen e comp o ada
pelo espec o emá ico. Assim, em con o midade com o índice emá ico,
An ónio Feliciano de Cas ilho su ge associado a Educação Popula ,
Ensino da Lei u a, Manuais Escola es, Mé odo de Ensino. A biog a ia
e ela coe ência emá ica mas não con e e igual des aque a aspec os
como a in luência de An ónio Feliciano de Cas ilho na cons i uição do
cânone escola e a pa icipação na Jun a Consul i a de Ins ução Pública.
Po oposição, Rui G ácio, que i eu um século mais a de, su ge
associado a Ciências da Educação, Democ a ização do Ensino,
Pedagogia, Polí icas Educa i as, Re o mas Educa i as. Da biog a ia
anspa ece uma ab angência do campo ob ida po a iações na escala de
linguagem. Signi ica i o na di e sidade emá ica é o caso de José
Augus o Coelho, que su ge associado a Ensino No mal, Ensino da
Lei u a, His ó ia da Educação, Pedagogia, Mé odos, Re o mas de Ensino,
Co en es de Pensamen o. Mais es i o é o campo emá ico de F ancisco
Adol o Coelho: Ensino de Língua Ma e na, Ginás ica, Re o mas de
Ensino, Li e a u a pa a a In ância e Ju en ude. O índice emá ico não
salien a a in luência decisi a de Adol o Coelho na cons i uição do
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cânone li e á io escola . Igualmen e es i o é o campo emá ico de Luís
Filipe Lei e. Su ge e e enciado a Educação de Adul os, Ensino No mal,
Mé odos de Ensino, P o esso es do Ensino P imá io pe il e unção; não
é dado o de ido ele o à au o ia, adução e selecção de ex os
cons i u i os do cânone escola . No in e médio, podem e e i -se os
casos de Joaquim Al es dos San os, que icou associado a His ó ia da
Educação, Pedagogia e Re o mas Educa i as; Fa ia de Vasconcelos,
associado a Educação No a, Educação Popula , Uni e sidades Li es e
Popula es; João dos San os, associado a Ensino de Fa mácia e a Mé odos
de Ensino.
Sem que i essem sido incluídos en e os biog a ados com espaço
ala gado, su gem casos, bem exp essi os, na di e sidade emá ica.
Re i am-se alguns. An ónio da Cos a su ge associado a Assis ência e
p o ecção a meno es/ ins i uições, Educação da mulhe , Educação
eminina, Educação popula , His ó ia da Educação, Minis é io da
Ins ução Pública, Polí ica Educa i a, Re o mas do ensino. An ónio
Sé gio su ge associado a Co en es de Pensamen o Pedagógico,
Educação No a, Educação Popula , His ó ia da Educação, Polí icas
Educa i as; Re o mas do Ensino. De modo análogo, Leona do Coimb a
su ge associado a Educação da Mulhe , Ensino de Filoso ia, Escola
Única, Pedagogia; Re o mas de Ensino, Uni e sidade. Con empo âneo
des es, João de Ba os su ge associado a Educação Cí ica, Educação
In eg al, Educação No a, Fo mação de P o esso es, Polí icas Educa i as,
Regime Educa i o; Agos inho de Campos su ge associado a Educação
Colonial, Educação da Mulhe , Educação amilia , Educação In o mal,
Educação Popula , Polí icas Educa i as, Re o mas de Ensino; An ónio
Figuei inhas su ge associado a Al abe ização, Associa i ismo docen e,
Didác ica e Ensino P imá io, Inspecção pedagógica, Manuais Escola es,
P o esso es do Ensino Básico/ si uação socio-económica; João de Deus
Ramos su ge associado a Al abe ização, Educação In an il, Educação
No a, Educação Popula , Mé odos de Ensino, Re o mas de Ensino.
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Casos dis in os, po que ac uando undamen almen e como
in es igado es e o mado es de p o esso es, são os de Émile Plancha d
(associado a Democ a ização do Ensino, Educação No a, His ó ia da
Educação, Pedagogia, Polí ica Educa i a, Uni e sidades) e o de João
Dias Agudo (associado a Associa i ismo Docen e, Educação No a,
Educação pa a a paz, Ensino Coope a i o, Ensino de Li e a u a,
Mé odos). Dis inguindo-se pela singula idade do conjun o das
dimensões a que es á inculado, pela acção den o e o a da ins i uição
uni e si á ia e azendo ‘escola’, essal a a biog a ia do Pad e Manuel
An unes, associada a Axiologia, Educação Pe manen e, Ensino de
Filoso ia, Pedagogia, Re o mas Educa i as.
Con inuando a obse a o quad o ge al das biog a ias, essal am
pe sonalidades u ela es como Teó ilo B aga, Ben o de Jesus Ca aça,
Del im San os, An ónio José Sa ai a, Má io Dionísio, Rómulo de
Ca alho, que i e am in luência como canonis as, dou iná ios,
me odólogos, mas que su gem associados a um espec o eduzido de
assun os. São, no en an o, pe sonalidades que não es ão su icien emen e
es udadas no campo da his ó ia da educação ou que con inuam o adas
ao silêncio. Ano e-se que, em eg a, as biog a ias são pouco incisi as em
dimensões como a his ó ia do cu ículo e a his ó ia do li o escola ,
sendo escassas as e e ências a au o ia de li os e à pa icipação na
cons i uição do cânone escola . No mesmo sen ido, sendo a biog a ia,
po na u eza, uma on e cuja unidade epis émica é o biog a ado, são
mui as escassas as e e ências exp essas, ou mesmo indi ec as, a
p ocessos de sociabilidade. Tal escassez condiciona as in e ências sob e
a noção de ‘ aze escola’.
Com base nos casos e e idos, é possí el, no en an o, sis ema iza
um apon amen o de conjun o. 1) Os p essupos os de que ce as
pe sonalidades, endo em a enção a ep esen ação e a his o iog a ia
an e io , me ece iam um a amen o mais amplo, não o am in ei amen e
comp o ados pelas biog a ias em ap eço, pa icula men e no que se
e e e à ampli ude do espec o emá ico. 2) Há pe sonalidades,
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nomeadamen e An ónio da Cos a e An ónio Sé gio, que, não sendo
omadas como di ec amen e associadas à ins i uição-escola, são
ep esen a i as do campo educacional. 3) Há pe sonalidades como
Leona do Coimb a, Agos inho de Campos e An ónio Figuei inhas que
inco po am uma dupla ep esen ação do campo educacional, pois que
ac ua am den o e o a da ins i uição escola . 4) Há pe sonalidades como
João de Ba os, João de Deus Ramos, João Dias Agudo, que den o do
campo educacional cump i am di e en es papéis, ino ando em di e en es
en es. 5) Há pe sonalidades u ela es, den o e o a da ins i uição, como
Del im San os e An ónio José Sa ai a, e a quem pode se a ibuída a
dis inção de ‘ aze escola’ que con inuam colocadas em segundo plano.
6) Émile Plancha d é o caso de uma pe sonalidade que cons uiu,
in es igou e esc e e sob e uma cons elação emá ica.
Escola – ep esen ação e ins i uição
Pie e Bou dieu designou de ac es d’ins i u ion aqueles que
acon ecem quando há uma ins i uição que de ine as eg as e em ace das
quais os agen es e elam amilia idade, legi imidade e habilidade de
execução (BOURDIEU, 2001, p. 108). Os ac os de ins i uição e elam
conhecimen o e capacidade de acção, pelos que são de idos a
pe sonalidades com capi al simbólico e capi al e ec i o. Em ace das
biog a ias dos educado es b asilei os e dos educado es po ugueses,
pode a en a -se que ais ac os são esul ado da combina ó ia en e uma
escala de in elec i idade, que aduz capacidade de diagnós ico e acional
de acção; uma escala de educacionalidade, que combina in encionalidade,
ideá io e pedagogia; uma escala de ins i ucionalidade, aduzida pela
legi imidade de idea , pa icipa e in e i nos des inos da ins i uição-
escola.
Tomando a ins i uição educa i a em ge al e a ins i uição-escola em
pa icula e, combinando as escalas de in elec i idade, educacionalidade,
ins i ucionalidade, pode -se-á a en a que eme ge um complexo que
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epo a ao eixo o mado po ep esen ação e signi icado do ins i ucional
escola ; ao eixo o mado po in elec i idade, co espondendo à a iação
no g au de comp eensão e ealização nos planos eó ico e p á ico; ao eixo
de educacionalidade, a iando na especi icidade de lida e ans o ma o
humano. Pela especi icidade da ins i uição educa i a, há ês ca ego ias
undamen ais de ep esen ação e acção: o cânone; a no ma; o
ins i ucional. Os au o es de manuais e os cu icula is as são, po eg a,
os que in e e em com p op iedade e e icácia no cânone; os me odólogos
e os no malis as são os que, po eg a, p ese am e adequam a no ma; os
agen es de pode e os polí icos são, em eg a, os que azem e olui a
ins i uição seja no plano in e no, seja a pa i do ex e io .
Sucede, pela obse ação das biog a ias incluídas no Dicioná io de
Educado es Po ugueses, que polí icos, publicis as, pedagogis as
ambém exe cem uma in luência undamen al sob e o ins i ucional
escola . Tal e i ica-se com as biog a ias de An ónio da Cos a, An ónio
Sé gio, An ónio Figue inhas. Os dois p imei os ac ua am essencialmen e
de o a, ainda que o segundo se enha ca ac e izado a si p óp io de
pedagogis a; ambos exe ce am, ainda que po empo cu o, a unção
minis os da ins ução pública. O e cei o, omando-se a si mesmo como
pedagogo, dou inando e aduzindo a ados de pedagogia, endo sido
p o esso , au o e edi o de e is as e li os escola es, exe ceu in luência
den o e o a da ins i uição-escola. In e e iu di ec amen e no cânone e
na no ma, in luenciou os p o issionais de ensino e a opinião pública. De
modo quase con as an e, a in luência sob e o ins i ucional escola po
pa e de pe sonalidades como Adol o Coelho oi indi ec a e sub il, mas
não menos de e minan e. Adol o Coelho oi in es igado de educação,
undado (de escola e museu), au o de um cânone li e á io pa a o ensino
p imá io complemen a e pa a o ensino secundá io. Teó ilo B aga ou
mais ecen emen e An ónio José Sa ai a o am au o es com in luência
decisi a no cânone escola . Quem e dadei amen e ealiza ac os de
ins i uição? A quem se aplica e ec i amen e o e mo Escola es?
Os Escola es e a ins i uição educa i a: cânone e cul u a escola
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O Escola é um concei o que compo a ca ac e ís icas in e nas e
in ínsecas ao ins i ucional, e ca ac e ís icas ex e nas que se p endem
com a legi imidade de ep esen ação. Figu a des acá el na cul u a escola ,
po eg a in e e e no cânone, na no ma e no ins i ucional enquan o,
simul aneamen e, o ma e exe ce in luência sob e os pa es e a sociedade.
Se á de espe a que um Escola cong egue odas es as alências.
Po en u a, pe is como os de José Augus o Coelho, Leona do Coimb a,
Manuel An unes ou, de o ma menos elabo ado mas mais ab angen e, o
de An ónio Figuei inhas se ap oximem daquele complexo concep ual.
Recupe a os pe is de polí icos e pedagogis as, como An ónio da Cos a
e An ónio Sé gio, é deixa em segundo plano a dimensão do cânone e
subs i ui a no ma escola ei a de eo ia e expe iência po um co po
dou iná io. Po con as e, na biog a ia de Manuel An unes há dimensões
ex e nas e in e nas; há uma eo ia educa i a sob e o ape eiçoamen o do
humano (educação pe manen e- axiologia) e sob e a in e acção
ins i ucional (pedagogia); há uma ma é ia cu icula , que possibili a
melho ias no cânone e no mé odo (Ensino de Filoso ia); há uma
in e enção den o e o a do quad o ins i ucional (Re o mas Educa i as).
Es á cump ido o complexo: in elec i idade, educacionalidade,
ins i ucionalidade, e a biog a ia con ém indicações sob e ‘ aze escola’,
pos o que indicia um ideá io, uma sensibilidade, uma in e acção, uma
discipulação po pa e de alunos, lei o es e discípulos. Também a e is a
B o é ia de que oi di ec o , deu consis ência e p olongou o magis é io
do Pad e Manuel An unes.
Conclua-se que ep esen ação e ins i uição se cong egam na igu a
do Escola . O Escola é um in elec ual in luen e na cul u a escola e na
dinâmica ins i ucional. A iculando in elec i idade e educacionalidade,
nada do que é humano lhe é indi e en e. T ês dimensões undamen ais
em que in e e e são a educação, a cul u a escola , a ins i uição. C iado
de ideias, obse ado c í ico, idealizado de planos cu icula es e de
ex os, o Escola in e e e nas p á icas e na cons i uição de modelos, mas
in e e e sob e udo na mudança de pa adigmas, nos planos axiológico,
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pedagógico, cien í ico, cul u al. Os Escola es êm especial ele ância na
cons i uição do cânone, seja do cânone li e á io, cien í ico, a ís ico; seja
da Memó ia e da His ó ia. Mais que académicos echados numa
especialidade e numa ins i uição, os Escola es azem e ep esen am a
ins i uição. A cul u a escola como a qui ex o (simbolização,
ep esen ação, (in) o mação) assen a no cânone, na ins i uição – campo
em que Académicos/ Escola es o am os p incipais undado es, c iado es,
di ulgado es.
Os In elec uais ep esen am a educação em sen ido o al, pois que
p e igu am as dis in as acepções de educabilidade e, undamen almen e,
assegu am a elação en e educação e sociedade. Há uma ca og a ia dos
in elec uais na Cul u a Esc i a; na Mode nização; na Educação e na
Escola ização de que essal am os Escola es. É do g upo dos ‘g andes
in elec uais’ que equen emen e eme gem ações e se dis inguem os que
idealizam e se o nam apologé icos da mudança ins i ucional.
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