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Os Escolares e a instituição educativa: cânone e cultura escolar

Magalhães, Justino

Abstract

A representação da educação envolve uma noção sistémica e os intelectuais podem funcionar como sistema. Eles configuram e demarcam o campo educacional. O intelectual constitui um conceito que pode ser trabalhado enquanto categoria epistémica com educabilidade e historicidade. Os Intelectuais cedo percepcionam o que está ‘de novo’ em crise e o que deverá permanecer. Entre estes emergem os Escolares; combinando as dimensões de intelectualidade e educabilidade, são intelectuais envolvidos institucionalmente e que estabelecem o cruzamento entre educação e sociedade, são instituintes. Reconhecidos como mestres, são, em regra, autores de textos doutrinários e livros escolares; têm especial relevância na constituição do cânone escolar, literário, científico, artístico. Nada do que é humano lhes é indiferente; sabem fazer uso do poder simbólico e material que o institucional e o normativo lhes conferem. Será sobre os Escolares que procurarei desenvolver o meu texto. Tomarei como referência fundamental os intelectuais portugueses e a história da educação em Portugal.

Full text

Jus ino Pe ei a de Magalhães Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 83 Os Escola es e a ins i uição educa i a: cânone e cul u a escola Jus ino Pe ei a de Magalhães * Resumo: A ep esen ação da educação en ol e uma noção sis émica e os in elec uais podem unciona como sis ema. Eles con igu am e dema cam o campo educacional. O in elec ual cons i ui um concei o que pode se abalhado enquan o ca ego ia epis émica com educabilidade e his o icidade. Os In elec uais cedo pe cepcionam o que es á ‘de no o’ em c ise e o que de e á pe manece . En e es es eme gem os Escola es; combinando as dimensões de in elec ualidade e educabilidade, são in elec uais en ol idos ins i ucionalmen e e que es abelecem o c uzamen o en e educação e sociedade, são ins i uin es. Reconhecidos como mes es, são, em eg a, au o es de ex os dou iná ios e li os escola es; êm especial ele ância na cons i uição do cânone escola , li e á io, cien í ico, a ís ico. Nada do que é humano lhes é indi e en e; sabem aze uso do pode simbólico e ma e ial que o ins i ucional e o no ma i o lhes con e em. Se á sob e os Escola es que p ocu a ei desen ol e o meu ex o. Toma ei como e e ência undamen al os in elec uais po ugueses e a his ó ia da educação em Po ugal. Pala as-cha e: His ó ia da educação. Cânone. In elec uais. Educabilidade. Escola es. Schoolchild en and he educa ional ins i u ion: canon and school cul u e Summa y: The ep esen a ion o educa ion in ol es a sys emic no ion and in ellec uals can unc ion as a sys em. They shape and dema ca e he educa ional ield. The in ellec ual is a concep ha can be wo ked as an epis emic ca ego y wi h educabili y and his o ici y. In ellec uals who soon pe cei e wha is ‘new’ in c isis * Dou o em Educação pela Uni e sidade do Minho (UM). P o esso ca ed á ico do Ins i u o de Educação da Uni e sidade de Lisboa. E-mail: [email p o ec ed] ORCID: h ps://o cid.o g/0000-0001-9464-6782 h p://doi.o g/10.14393/REVEDFIL. 33n67a2019-47899 Os Escola es e a ins i uição educa i a: cânone e cul u a escola 84 Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 and wha should emain. Among hese eme ge he Schola s. Combining he dimensions o in ellec uali y and educabili y, hey a e in ellec uals in ol ed ins i u ionally and who es ablish he in e sec ion be ween educa ion and socie y, a e ins i u ing. Recognized as mas e s, hey a e, as a ule, au ho s o doc inal ex s and school books; ha e special ele ance in he cons i u ion o he school, li e a y, scien i ic and a is ic canon. No hing ha is human is indi e en o hem; hey know how o make use o he symbolic and ma e ial powe ha ins i u ional and no ma i e powe con e on hem. I will be on he Scholas ics ha I will y o de elop my ex . I will ake as undamen al e e ence he Po uguese in ellec uals and he his o y o educa ion in Po ugal. Keywo ds: His o y o educa ion. Canon. In ellec uals. Educabili y. School child en. Les écolie s e l’é ablissemen d'enseignemen : canon e cul u e scolai e Résumé: La ep ésen a ion de l’éduca ion implique une no ion sys émique e les in ellec uels peu en onc ionne comme un sys ème. Ils açonnen e délimi en le champ éduca i . L'in ellec uel es un concep qui peu ê e a aillé comme une ca égo ie épis émique a ec éducabili é e his o ici é. Les in ellec uels qui pe çoi en bien ô ce qui es ‘nou eau’ en c ise e ce qui de ai es e . Pa mi ceux-ci éme gen les é udi s. Combinan les dimensions de l'in ellec uali é e de l'éducabili é, les Scolie s son des in ellec uels impliqués ins i u ionnellemen e qui é ablissen le poin de encon e en e l'éduca ion e la socié é. Ils son econnus comme maî es e son géné alemen des au eu s de ex es doc inaux e de manuels scolai es; e ê en une impo ance pa iculiè e dans la cons i u ion du canon scolai e, li é ai e, scien i ique e a is ique. Rien de ce qui es humain ne leu es indi é en . Ils sa en u ilise le pou oi symbolique e ma é iel que leu con è e le pou oi ins i u ionnel e no ma i . Ce se a su les scolas iques que je ais essaye de dé eloppe mon ex e. Je p end ai comme é é ence ondamen ale les in ellec uels po ugais e l’his oi e de l’éduca ion au Po ugal. Mo s-clés: His oi e de l'éduca ion. Canon. Les in ellec uels. Éducabili é. Écolie s. Jus ino Pe ei a de Magalhães Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 85 In elec uais e sis ema educa i o No li o de Ch is ophe Cha le, Les in ellec uels en Eu ope au XIX e siècle. Essai d’his oi e compa ée, pode le -se: «Comme pou les au es chapi es de l’his oi e sociale, seule une his oi e o ale peu pe me e d’app éhende les in ellec uels dans leu complexi é e leu é olu ion con as ée selon les pé iodes e les pays» (CHARLE, 2001, p. 19). Es e li o eio aze um olha eno ado sob e pensamen o e cul u a, pa icula men e sob e a elação en e cul u a esc i a e educação. A elação dos in elec uais com os sis emas educa i os é uma dimensão his ó ica que pe mi e en endê-los como ep esen an es e agen es, mas ambém como p odu o. São deposi á ios do conhecimen o a ansmi i e são senho es de um sabe cien í ico e écnico que possibili a a in elecção e a adequação da ap endizagem, podendo in luencia di ec a ou indi ec amen e a e olução sociocul u al e pedagógica. São de en o es de um capi al simbólico que esul a da expe iência cogni i a e ap enden e, e da acção nos planos epis émico e me ódico. Fo mados no in e io do sis ema educa i o e cul u al, os in elec uais enquan o co pus a iculado com a cul u a escola são ambém p odu o, desen ol endo-se, oda ia, com singula idade e des ino p óp ios, nos planos indi idual e g upal. As ans o mações na educação in eg am os g andes mo imen os cul u ais da P imei a Mode nidade. Os in elec uais pa icipa am dessa e olução. Fica am associados ao Humanismo e às Re o mas Religiosas, P o es an e e Ca ólica, dos séculos XV e XVI, como ao Racionalismo e ao Iluminismo, iniciados em inais do século XVII e o alecidos no decu so do século XVIII. Os es udos e as p opos as dos in elec uais epe cu i am nas o ien ações pedagógicas e nos planos cu icula es. Fomen a am e de am consis ência a mu ações na ins i uição escola . O es udo his ó ico-compa a i o e ela que, desde o século XVIII, icissi udes, a anços e pe manências dos sis emas educa i os e da cul u a escola , nos con ex os nacionais, na in e nacionalização e na ans e salização, encon a am base e móbil nos Os Escola es e a ins i uição educa i a: cânone e cul u a escola 86 Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 in elec uais. Re omando a cul u a e o ins i ucional escola es, con es ando, conse ando, e o mando ainda que ci cuns ancialmen e, os in elec uais consolida am-se como co pus e como ep esen ação. Ch is ophe Cha le e e e-se à segunda me ade do século XIX como a “idade de ou o dos uni e si á ios”, que an o cul i a am as disciplinas adicionais quan o ge a am no as disciplinas, nos domínios das Ciências Sociais e da His ó ia. Na gene alidade, o mados nas uni e sidades, ambém no ensino secundá io se dis ingui am como p o esso es: como in elec uais o gânicos, pa icipa am na mode nização da adminis ação, na eno ação dos sis emas polí icos, na o malização e no malização da docência, na c iação e adap ação de manuais escola es. Desde inais de Se ecen os que a educação es e e p esen e na mode nização cien í ica, ecnológica, polí ica e os in elec uais soube am e i a bene ício dessa aliança, ac uando den o e a pa i da escola, ou, co ela i amen e, ac uando como jo nalis as, publicis as, esc i o es, conselhei os. Como escola es, agindo de den o da ins i uição ou ans o mando-a do ex e io , os in elec uais in luencia am a ins i uição educa i a. Des inada às eli es e às classes médias, e p og essi amen e ex ensi a a ou os sec o es sociocul u ais – assim as classes médias, as populações u banas, a a is oc acia u al –, a escola e a cul u a escola e oluí am endo como e e ência a ep esen ação do le ado, que, no decu so do século XIX, encon ou al e na i a nos modelos cien í ico e écnico. P og essi amen e, as o mações humanis a, cien í ica e écnica ende am pa a uma ha monização, a iando oda ia em unção dos planos cu icula es e dos pe is p o issionais. Tal sis emá ica co espondeu a modalidades da educação secundá ia, nomeadamen e ao ensino liceal, em que p e aleceu a ma iz humanís ica, e ao ensino écnico e p o issional, em que aquela ma iz oi in eg ada num onco comum écnico-cien í ico. Dis in amen e da al abe ização, desen ol ida de baixo pa a cima, a escola ização oi cons i uída de cima pa a baixo. Assegu adas as Jus ino Pe ei a de Magalhães Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 87 capacidades básicas de le , esc e e , con a e calcula , da sín ese cu icula escola aziam ambém pa e udimen os de dou ina e mo al c is ãs, udimen os de c onologia e his ó ia pá ia, elemen os de co og a ia. A li e acia escola isa a a con e são, a in eg ação nacional, a assimilação de uma base dou iná ia eligiosa e cí ica, como pa io ismo e mani es ação de lealdade às au o idades ins i uídas. Inspi ada em modelos e alo es supe io es, es a base de al abe ização escola oi es u u ada em inais do século XVIII. Como escola ização p imá ia, oi p og essi amen e nacionalizada, no malizada e o nada ob iga ó ia ao longo do século XIX. Escola – elação de in elec i idade e educacionalidade O Escola ca ac e iza-se pela p oximidade e pela ep esen ação do ins i ucional escola . Seja po aquisição e pe cu sos p óp ios, enquan o agen e, o mado e ins i uin e, seja po ep esen ação delegada e legi imamen e econhecida, o escola no abiliza-se a a és de um c escen e de in elec ualidade e educabilidade inco po adas e ciclicamen e subme idas a i ocínio pedagógico e sociocul u al. Pode admi i -se uma escala de in elec i idade no âmbi o da educação, combinada com uma escala de educacionalidade. O escola pon ua e es á na in e secção des as duas escalas. No con ex o his ó ico e no quad o da cul u a esc i a, há a iá eis e a ian es que se p endem com as ci cuns âncias e as modalidades de acesso, sociabilidade e acul u ação da esc i a. Nos mo imen os do Humanismo e das Re o mas Religiosas, os in elec uais assumi am um papel des acado na exegese e na di usão dos ex os bíblicos. Tal i ocínio incluiu a in e p e ação, a adução e a ac ualização dos mesmos como undamen o e des ino úl imo dos indi íduos, da sociedade, da humanidade. A noção de e dade es a a plasmada nos ex os sag ados. As eligiões do li o digladia am-se pela hegemonia eligiosa. Os Escola es e a ins i uição educa i a: cânone e cul u a escola 88 Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 Na ansição da P imei a Mode nidade, o Racionalismo apoiado no expe imen alismo e na Ilus ação, ob ida a a és da ap endizagem pelos ex os e de uma pedagogia in e pela i a e conclusi a, o na am possí el uma au onomização dos indi íduos, combinando au ogo e no, sen ido c í ico, esponsabilidade. As ans o mações polí icas e sociocul u ais e olucioná ias que assinala am a supe ação do An igo Regime e a cons ução de egimes polí icos assen es na di isão de pode es, na pa icipação dos cidadãos e na melho ia das condições de p odução e p og esso económico ouxe am de no o os in elec uais pa a o cen o da polémica e da cons ução das es u u as discu si as, o gânicas, ma e iais. O en ol imen o na in e p e ação do p esen e e na ideação, undamen ado em no os modos de pensa , implemen ando no os mé odos e no as modalidades de in o mação e mobilização, a a és da imp ensa e da o mação de pa idos, ge ou con li ualidades mas ambém desa ios pa a a con e gência. A eme gência da es e a pública oi, no essencial, ob a de in elec uais, que ambém c ia am no os locais p i a i os de encon o, discussão e sociabilidades. Ti ando bene ício das ci cuns âncias e das po encialidades dos meios de in o mação e sociabilidade, es a am em cu so no as o mas de conco ência, aduzidas em hegemonias in elec uais e cul u ais. Com e ei o, a Ilus ação o nou possí el a p og essão cognoscen e e de humani ude inco po ada na escola ização, nos pe cu sos de ida, na ep esen ação dos indi íduos e das sociedades. A noção de pe ec i ude do humano, indi idual e social, explica que, desde o século XVIII, educação e his ó ia enham es ado in insecamen e associadas. A educação dá sen ido e az a ança a his ó ia; a his ó ia o na a educação signi ica i a e ans o ma i a. T ansmi ido e ein e p e ado no p esen e, o ex o educa i o encon a subs ância e sen ido na his ó ia. A his ó ia ilumina e o na possí el a comp eensão do p esen e e ge a pe spec i as de u u o. P esen e-passado e acção- ein e p e ação são condição de u u o. Como escola e ins i ucional escola , a educação oi sendo Jus ino Pe ei a de Magalhães Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 89 es u u ada e endeu pa a a uni e salização, sob a con igu ação e o es a u o de no ma e cânone. Coube aos in elec uais um papel de e minan e. O Le ado do An igo Regime encon ou na igu a do Escola , mais que um i al, um cons u o de pensamen o e conhecimen o e um p agmá ico que a ec ou decisi amen e os des inos da sociedade con empo ânea. A ins i uição escola oi o nada ex ensi a da ins ução elemen a à uni e sidade, ou po que, como su gia nos modelos napoleónicos, a uni e sidade e a o cume da pi âmide le ada, ou po que, como sucedeu com os modelos de inspi ação alemã, as uni e sidades inco po a am uma o mação especí ica. Ch is ophe Cha le ala do século XIX como a idade do ou o dos uni e si á ios, combinando o in elec ual e o escola , ou ão só alo izando o escola . Na medida em que a ins i uição escola se o nou a ins ância po excelência pa a a educação dos indi íduos e pa a a mode nização da sociedade, os escola es soube am e i a bene ício de ais alências, subme endo a ins i uição a depu ados juízos c í icos, ans o mando-a e ans o mando a pa i dela. O século XIX oi de con e gência e de con li ualidade. A pa i da uni e sidade, os in elec uais, pa icula men e os escola es, a ec a am a sociedade. O pe il sinc é ico do le ado saído do An igo Regime deu opo unidade a no os pe is, nos planos cien í ico, écnico e p o issional. A Ilus ação icou associada à o mação do cu ículo elemen a e à eme gência de dois modelos de uni e sidade: a uni e sidade – in es igação, cons ução da ciência e do conhecimen o; a uni e sidade – ins ância de e icalização e supe in endência do conhecimen o em aliança com o Es ado. De modo sumá io, es es dois modelos ica am conhecidos po modelo humbold iano, pos o que inspi ado em Wilhelm on Humbold e na Uni e sidade de Be lim undada em 1810, e modelo napoleónico de ca iz cen alizado . A cons i uição dos Es ados-Nação es a a associada ao sis ema escola , numa sequência de p ocessos de Ilus ação, que se desen ol e am no século XIX: es a alização, libe alização, nacionalização. Com as e oluções libe ais, a uni e sidade Os Escola es e a ins i uição educa i a: cânone e cul u a escola 90 Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 oi en ol ida nas ans o mações polí icas, ideológicas, cul u ais, cien í icas e g adualmen e ambém a ís icas. O núcleo do cu ículo escola passou a se cons i uído pela his ó ia, a no ma linguís ica, a ciência e écnica ligadas à economia e à sociedade – en im, o cânone. Os escola es su gem associados a es es campos. A his o iog a ia ecen e em-se e e ido aos in elec uais como objec o epis émico au ónomo associado à His ó ia In elec ual. Nes e ex o, e oma-se a elação dos In elec uais com a Educação, pa icula men e com a ins i uição-escola, em Po ugal e B asil, pa a in oduzi a igu a do Escola . Dá-se sequência a es udos an e io es (MAGALHÃES, 2016, MAGALHÃES e al., 2016). Nes e con ex o, cabe ambém e e i Viei a e Chiozzini (2018, p. 69), au o es que ap esen am o que designam de Espi al de In elec ualidade na Educação. Escola – in elec ual comp ome ido A cons i uição da na a i a his ó ica, a cons i uição dos cânones li e á ios, a cons i uição de um cu ículo de ciências, geog a ia, di ei o o am ob a de in elec uais. Os uni e si á ios in e ie am, mas oi a a és do p o esso do ensino secundá io que a uni e sidade pa icipou de o ma decisi a no sis ema escola . No undamen al dos planos humanís ico e cien í ico, a educação secundá ia oi di ada de cima pa a baixo. Se, nos planos écnico, a ís ico, p o issional, al hegemonia cedeu ao diálogo en e p á ica e ino ação ( omando em a enção a adição, consignada na e olução écnica e na egulamen ação dos o ícios), e, po ou o lado, a expe iência e a o mação p o issional, que, num quad o de educação in eg al, de e iam se a iculadas com a componen e humanís ica, na educação secundá ia liceal, onde a ma iz humanís ica e a mais acen uada, al ha monização oi mais len a. A disciplina ização das humanidades não oi acili ado a da cons i uição de cu ículos in eg ados. Jus ino Pe ei a de Magalhães Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 91 No inal do medie al, o humanis a su giu como modelo e me a- humano; no inal do século XVIII, em boa pa e, oi o le ado que su giu como modelo, i alizando, ao empo, com o engenhei o, o mili a , o écnico-cien í ico. As dimensões cons i u i as des es pe is con e gi am e, ao longo do século XIX, o am sendo econ igu adas, ocalizadas no in elec ual e des e no escola . Pa a além do escola , que inha uma sob e i ência assegu ada, do uni e so in elec ual, como ep esen ação da es e a pública, aziam pa e sec o es ligados à c ia i idade li e á ia e a ís ica: homens de le as, esc i o es, publicis as. Mediando com o ins i ucional escola , a es e a pública compo a a um ou o ipo de in elec uais – assim pedagogis as, cu icula is as, e o mado es das polí icas de ensino. F equen emen e, e am p o issionais libe ais. A igu a do escola assumiu ele o desde a ansição do século XIX e, ainda que mui os escola es enham ac uado o a do sis ema educa i o, en ou em c ise no e cei o qua el do século XX, co ela i amen e à c ise da ins i uição escola . O campo de acção dos escola es oi di e si icado, podendo e e i -se a ino ação pedagógica, azendo ci cula a in es igação e as boas p á icas, es u u ando co en es pedagógicas, suge indo e enunciando no as disciplinas, induzindo al e ações cu icula es e ac ualizações dos planos de es udo. O papel ins i uin e dos escola es essal a undamen almen e da in luência sob e o cânone e a no ma escola es. Conhecedo es e ep esen an es legi imados da cul u a escola , em que in e êm como es u u an es, au o es, a aliado es, mas, simul aneamen e, po ado es de um olha ex e no, pos o que a en os e sensí eis à e olução da ciência e à ino ação es é ica; obse ado es c í icos em ace das ci cuns âncias sociocul u ais e das a iculações da escola com a sociedade, passa am po eles o inqué i o e a a e ição das ap endizagens, bem como o es udo sob e o eg esso dos diplomados escola es. Ganha am assim legi imidade pa a in e e i no cânone. Co ela i amen e, enquan o p o esso es econhecidos e c edi ados, os escola es não deixa am de in e e i na o mação de p o esso es e na Os Escola es e a ins i uição educa i a: cânone e cul u a escola 98 Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 e o pode ine en e ao go e no e à adminis ação das ins i uições educa i as. Ainda na es e a do pode de e se incluída a ca ego ia Di ec o es e P o esso es do Ensino Técnico, o mada po 49 biog a ados, a que co esponde a pe cen agem de 5%. No conjun o, es as qua o ca ego ias ep esen am 44% dos biog a ados. Se a es as se ag ega em a ca ego ia In elec uais (que con abiliza 49 biog a ados, ep esen ando 5% do o al) e a ca ego ia Pedagogos (que con abiliza 20 e ep esen a 2%), conclui- se que, em conjun o, as ca ego ias compos as pelos educado es mais in luen es no sis ema o alizam 468 biog a ados e ep esen am 51% do o al. A ca ego ia In elec uais é compos a po au o es e pensado es da educação; a ca ego ia Pedagogos in eg a aqueles que p oduzi am e lecções o iginais sob e educação. No sis ema educa i o po uguês, não pode deixa de des aca -se a ca ego ia Di ec o es e P o esso es de Colégios Pa icula es, não apenas po que o ensino pa icula man e e uma cono ação eli is a, quan o, em pe íodos de pe seguição polí ica, mui os p o esso es e in elec uais dis in os exe ce am unções docen es e de di ecção dos Colégios. Assim sendo, se se ag upa es a ca ego ia (que é compos a po 44 biog a ados) às an e io men e e e idas, ob ém-se um o al de 512 biog a ados que ep esen am 56% do o al. A ins i uição educa i a, com ele o pa a a Escola e o Ins i ucional Escola , é ins ância de pode , nos planos in e no, ge ando hie a quias e, no plano ex e no, in luenciando e, em algumas ci cuns âncias, de e minando os des inos da sociedade. Isso se comp o a com a ele ância que a es e a do pode , nas suas di e sas componen es, assume no uni e so dos educado es biog a ados. As ca ego ias ela i as ao pode são cumula i as, ainda que o conjun o de emas que ab angem não co espondam in eg almen e a uma especi icidade. Mas há uma ou a ca ego ia, a de No malis as e Me odólogos, compos a po 78 biog a ados e ep esen ando 9%, que compo a ce a ambiguidade, pois que não co esponde a e e ências emá icas p ecisas. Admi indo, oda ia, que, Jus ino Pe ei a de Magalhães Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 99 que no plano in e no que no ex e io da ins i uição- escola, os no malis as cul i a am a no ma, p ese ando-a e azendo-a aplica , nomeadamen e jun o dos p o esso es em o mação, e que os me odólogos (designação equen emen e aplicada aos o ien ado es de es ágio do ensino secundá io) dispunham de au o idade na manu enção e adequação dos mé odos de ensino, a ca ego ia No malis as e Me odólogos não pode á deixa de se incluída no conjun o das ca ego ias de pode – pode simbólico e pode e ec i o. Cabe-lhe uma unção ins i uin e. Des e modo, em 900 educado es biog a ados, 590, pe azendo 65%, ou seja, bem mais de me ade, es ão associados ao pode ins i ucional. Enunciadas na esque da da igu a, as es an es oi o ca ego ias consignadas no Dicioná io, são: Au o es de Li e a u a pa a a In ância (23/ 3%); Educação Popula (58/ 6%); Médicos Escola es e Psicopedagogos (41/ 5%); Di igen es Associa i os (52/ 6%); Missioná ios e Educação Colonial (20/ 2%); Educado es Sociais (23/ 3%); Educação Religiosa (32/ 4%); P o esso es do Ensino P imá io e In an il (58/ 6%). Todas es as ca ego ias es ão, po ine ência, ligadas ou ins i ucional escola , ha endo ci cuns âncias e quad os decisó ios em que não deixa am de se de e minan es. Com e ei o, a adap ação e a cons ução dos espaços, as no mas e as p á icas escola es não deixa am de se p o undamen e a ec adas, senão mesmo de e minadas, po co en es higienis as, o ien ações médico-sani á ias e psicológicas, aqui simbolizadas na ca ego ia Médicos Escola es e Psicopedagogos. Po ou o lado, não pode deixa de se conside ada a in luência dos Au o es de Li e a u a pa a a In ância na cons i uição do cânone escola , como ambém não é negligenciá el a in luência da Educação Religiosa na axiologia e na no ma i idade escola . Pode conclui -se que o conjun o dos biog a ados são pe sonalidades que i e am ele ância no campo da educação. Deles exis e uma memó ia colec i a, es emunhada e egis ada. Recupe ando na a i as an e io es e azendo uso de on es de di e sa na u eza, o Dicioná io de Os Escola es e a ins i uição educa i a: cânone e cul u a escola 100 Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 Educado es Po ugueses é uma ep esen ação his ó ico-pedagógica e o na-se signi ica i o pa a a his ó ia dos Escola es. Dos Escola es Po ugueses A elabo ação do Dicioná io de Educado es Po ugueses obedeceu a um plano igo osamen e de inido. No en an o, a esc i a não deixa de e lec i a sensibilidade dos au o es e de essen i -se da especi icidade dos biog a ados. En e os biog a ados selecionados, alguns o am abo dados pela p imei a ez e ou os es a am biog a ados nou os campos, sendo necessá io azê-los pa a o campo da educação. Há ambém um pequeno conjun o que, pela ele ância como pe sonalidades des acadas, me eceu desde logo um a amen o mais ala gado. A unidade de ep esen ação da esc i a biog á ica é o indi íduo. A biog a ia ganha sen ido na dialéc ica en e o in e no e o ex e no, pelo que a esc i a não pode deixa de essen i -se das on es p imá ias, sua especi icidade, sua di e sidade, seu campo de ep esen ação. Rela i amen e a mui os biog a ados, o co pus documen al disponí el e a de âmbi o local e einciden e numa ópica ão es ei a, quan o elemen a , enquan o pa a ou os oi possí el a combinação en e on es p imá ias e on es secundá ias – elabo adas e ac ualizadas es as em consonância com a e olução concep ual e a ees u u ação do sis ema educa i o. Aliás, as biog a ias dos educado es mais es udados ap esen am, em eg a, um g au de elabo ação e so is icação, que se o na di ícil, a a és da lei u a, econs i ui o espec o emá ico e a ac ologia de base. O espei o pela di e sidade icou plasmado no comp omisso en e o homogéneo do plano e a he e ogeneidade das ci cuns âncias, dos empos e das especi icidades dos biog a ados. Ac esce a di e sidade au o al ine en e ao espec i o modo de esc e e . O índice emá ico des e Dicioná io é esul ado de al comp omisso, pelo que es á ap esen ado po cons elações de assun os e de i ens. Jus ino Pe ei a de Magalhães Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 101 Como e e ido, pa a um núcleo de educado es conside ado po ado de signi icado his ó ico-pedagógico, seja pela pa icipação na cons i uição da ins i uição-escola, seja po que a ep esen ou ou ep esen a na his o iog a ia publicada, o am esc i os e be es mais longos. Numa p imei a ap oximação, se ia espe ado que a es as pe sonalidades co espondessem ou uma o e especialização ou uma ep esen ação signi ica i a num conjun o de campos e que es e conjun o o masse uma biog a ia ecunda e coe en e. O Dicioná io de Educado es Po ugueses ap esen a um índice emá ico que ag upa e desdob a o elenco de ca ego ias, insc e endo em cada uma o núme o co esponden e à iden i icação dos biog a ados nela ep esen ados. Fazendo uso do índice emá ico des e Dicioná io, e p ocedendo ao in en á io de menções po ca ego ia e po biog a ado, obse a-se desde logo que a expec a i a deposi ada sob e alguns dos biog a ados a quem oi a ibuída uma biog a ia ala gada não oi in ei amen e comp o ada pelo espec o emá ico. Assim, em con o midade com o índice emá ico, An ónio Feliciano de Cas ilho su ge associado a Educação Popula , Ensino da Lei u a, Manuais Escola es, Mé odo de Ensino. A biog a ia e ela coe ência emá ica mas não con e e igual des aque a aspec os como a in luência de An ónio Feliciano de Cas ilho na cons i uição do cânone escola e a pa icipação na Jun a Consul i a de Ins ução Pública. Po oposição, Rui G ácio, que i eu um século mais a de, su ge associado a Ciências da Educação, Democ a ização do Ensino, Pedagogia, Polí icas Educa i as, Re o mas Educa i as. Da biog a ia anspa ece uma ab angência do campo ob ida po a iações na escala de linguagem. Signi ica i o na di e sidade emá ica é o caso de José Augus o Coelho, que su ge associado a Ensino No mal, Ensino da Lei u a, His ó ia da Educação, Pedagogia, Mé odos, Re o mas de Ensino, Co en es de Pensamen o. Mais es i o é o campo emá ico de F ancisco Adol o Coelho: Ensino de Língua Ma e na, Ginás ica, Re o mas de Ensino, Li e a u a pa a a In ância e Ju en ude. O índice emá ico não salien a a in luência decisi a de Adol o Coelho na cons i uição do Os Escola es e a ins i uição educa i a: cânone e cul u a escola 102 Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 cânone li e á io escola . Igualmen e es i o é o campo emá ico de Luís Filipe Lei e. Su ge e e enciado a Educação de Adul os, Ensino No mal, Mé odos de Ensino, P o esso es do Ensino P imá io pe il e unção; não é dado o de ido ele o à au o ia, adução e selecção de ex os cons i u i os do cânone escola . No in e médio, podem e e i -se os casos de Joaquim Al es dos San os, que icou associado a His ó ia da Educação, Pedagogia e Re o mas Educa i as; Fa ia de Vasconcelos, associado a Educação No a, Educação Popula , Uni e sidades Li es e Popula es; João dos San os, associado a Ensino de Fa mácia e a Mé odos de Ensino. Sem que i essem sido incluídos en e os biog a ados com espaço ala gado, su gem casos, bem exp essi os, na di e sidade emá ica. Re i am-se alguns. An ónio da Cos a su ge associado a Assis ência e p o ecção a meno es/ ins i uições, Educação da mulhe , Educação eminina, Educação popula , His ó ia da Educação, Minis é io da Ins ução Pública, Polí ica Educa i a, Re o mas do ensino. An ónio Sé gio su ge associado a Co en es de Pensamen o Pedagógico, Educação No a, Educação Popula , His ó ia da Educação, Polí icas Educa i as; Re o mas do Ensino. De modo análogo, Leona do Coimb a su ge associado a Educação da Mulhe , Ensino de Filoso ia, Escola Única, Pedagogia; Re o mas de Ensino, Uni e sidade. Con empo âneo des es, João de Ba os su ge associado a Educação Cí ica, Educação In eg al, Educação No a, Fo mação de P o esso es, Polí icas Educa i as, Regime Educa i o; Agos inho de Campos su ge associado a Educação Colonial, Educação da Mulhe , Educação amilia , Educação In o mal, Educação Popula , Polí icas Educa i as, Re o mas de Ensino; An ónio Figuei inhas su ge associado a Al abe ização, Associa i ismo docen e, Didác ica e Ensino P imá io, Inspecção pedagógica, Manuais Escola es, P o esso es do Ensino Básico/ si uação socio-económica; João de Deus Ramos su ge associado a Al abe ização, Educação In an il, Educação No a, Educação Popula , Mé odos de Ensino, Re o mas de Ensino. Jus ino Pe ei a de Magalhães Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 103 Casos dis in os, po que ac uando undamen almen e como in es igado es e o mado es de p o esso es, são os de Émile Plancha d (associado a Democ a ização do Ensino, Educação No a, His ó ia da Educação, Pedagogia, Polí ica Educa i a, Uni e sidades) e o de João Dias Agudo (associado a Associa i ismo Docen e, Educação No a, Educação pa a a paz, Ensino Coope a i o, Ensino de Li e a u a, Mé odos). Dis inguindo-se pela singula idade do conjun o das dimensões a que es á inculado, pela acção den o e o a da ins i uição uni e si á ia e azendo ‘escola’, essal a a biog a ia do Pad e Manuel An unes, associada a Axiologia, Educação Pe manen e, Ensino de Filoso ia, Pedagogia, Re o mas Educa i as. Con inuando a obse a o quad o ge al das biog a ias, essal am pe sonalidades u ela es como Teó ilo B aga, Ben o de Jesus Ca aça, Del im San os, An ónio José Sa ai a, Má io Dionísio, Rómulo de Ca alho, que i e am in luência como canonis as, dou iná ios, me odólogos, mas que su gem associados a um espec o eduzido de assun os. São, no en an o, pe sonalidades que não es ão su icien emen e es udadas no campo da his ó ia da educação ou que con inuam o adas ao silêncio. Ano e-se que, em eg a, as biog a ias são pouco incisi as em dimensões como a his ó ia do cu ículo e a his ó ia do li o escola , sendo escassas as e e ências a au o ia de li os e à pa icipação na cons i uição do cânone escola . No mesmo sen ido, sendo a biog a ia, po na u eza, uma on e cuja unidade epis émica é o biog a ado, são mui as escassas as e e ências exp essas, ou mesmo indi ec as, a p ocessos de sociabilidade. Tal escassez condiciona as in e ências sob e a noção de ‘ aze escola’. Com base nos casos e e idos, é possí el, no en an o, sis ema iza um apon amen o de conjun o. 1) Os p essupos os de que ce as pe sonalidades, endo em a enção a ep esen ação e a his o iog a ia an e io , me ece iam um a amen o mais amplo, não o am in ei amen e comp o ados pelas biog a ias em ap eço, pa icula men e no que se e e e à ampli ude do espec o emá ico. 2) Há pe sonalidades, Os Escola es e a ins i uição educa i a: cânone e cul u a escola 104 Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 nomeadamen e An ónio da Cos a e An ónio Sé gio, que, não sendo omadas como di ec amen e associadas à ins i uição-escola, são ep esen a i as do campo educacional. 3) Há pe sonalidades como Leona do Coimb a, Agos inho de Campos e An ónio Figuei inhas que inco po am uma dupla ep esen ação do campo educacional, pois que ac ua am den o e o a da ins i uição escola . 4) Há pe sonalidades como João de Ba os, João de Deus Ramos, João Dias Agudo, que den o do campo educacional cump i am di e en es papéis, ino ando em di e en es en es. 5) Há pe sonalidades u ela es, den o e o a da ins i uição, como Del im San os e An ónio José Sa ai a, e a quem pode se a ibuída a dis inção de ‘ aze escola’ que con inuam colocadas em segundo plano. 6) Émile Plancha d é o caso de uma pe sonalidade que cons uiu, in es igou e esc e e sob e uma cons elação emá ica. Escola – ep esen ação e ins i uição Pie e Bou dieu designou de ac es d’ins i u ion aqueles que acon ecem quando há uma ins i uição que de ine as eg as e em ace das quais os agen es e elam amilia idade, legi imidade e habilidade de execução (BOURDIEU, 2001, p. 108). Os ac os de ins i uição e elam conhecimen o e capacidade de acção, pelos que são de idos a pe sonalidades com capi al simbólico e capi al e ec i o. Em ace das biog a ias dos educado es b asilei os e dos educado es po ugueses, pode a en a -se que ais ac os são esul ado da combina ó ia en e uma escala de in elec i idade, que aduz capacidade de diagnós ico e acional de acção; uma escala de educacionalidade, que combina in encionalidade, ideá io e pedagogia; uma escala de ins i ucionalidade, aduzida pela legi imidade de idea , pa icipa e in e i nos des inos da ins i uição- escola. Tomando a ins i uição educa i a em ge al e a ins i uição-escola em pa icula e, combinando as escalas de in elec i idade, educacionalidade, ins i ucionalidade, pode -se-á a en a que eme ge um complexo que Jus ino Pe ei a de Magalhães Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 105 epo a ao eixo o mado po ep esen ação e signi icado do ins i ucional escola ; ao eixo o mado po in elec i idade, co espondendo à a iação no g au de comp eensão e ealização nos planos eó ico e p á ico; ao eixo de educacionalidade, a iando na especi icidade de lida e ans o ma o humano. Pela especi icidade da ins i uição educa i a, há ês ca ego ias undamen ais de ep esen ação e acção: o cânone; a no ma; o ins i ucional. Os au o es de manuais e os cu icula is as são, po eg a, os que in e e em com p op iedade e e icácia no cânone; os me odólogos e os no malis as são os que, po eg a, p ese am e adequam a no ma; os agen es de pode e os polí icos são, em eg a, os que azem e olui a ins i uição seja no plano in e no, seja a pa i do ex e io . Sucede, pela obse ação das biog a ias incluídas no Dicioná io de Educado es Po ugueses, que polí icos, publicis as, pedagogis as ambém exe cem uma in luência undamen al sob e o ins i ucional escola . Tal e i ica-se com as biog a ias de An ónio da Cos a, An ónio Sé gio, An ónio Figue inhas. Os dois p imei os ac ua am essencialmen e de o a, ainda que o segundo se enha ca ac e izado a si p óp io de pedagogis a; ambos exe ce am, ainda que po empo cu o, a unção minis os da ins ução pública. O e cei o, omando-se a si mesmo como pedagogo, dou inando e aduzindo a ados de pedagogia, endo sido p o esso , au o e edi o de e is as e li os escola es, exe ceu in luência den o e o a da ins i uição-escola. In e e iu di ec amen e no cânone e na no ma, in luenciou os p o issionais de ensino e a opinião pública. De modo quase con as an e, a in luência sob e o ins i ucional escola po pa e de pe sonalidades como Adol o Coelho oi indi ec a e sub il, mas não menos de e minan e. Adol o Coelho oi in es igado de educação, undado (de escola e museu), au o de um cânone li e á io pa a o ensino p imá io complemen a e pa a o ensino secundá io. Teó ilo B aga ou mais ecen emen e An ónio José Sa ai a o am au o es com in luência decisi a no cânone escola . Quem e dadei amen e ealiza ac os de ins i uição? A quem se aplica e ec i amen e o e mo Escola es? Os Escola es e a ins i uição educa i a: cânone e cul u a escola 106 Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 O Escola é um concei o que compo a ca ac e ís icas in e nas e in ínsecas ao ins i ucional, e ca ac e ís icas ex e nas que se p endem com a legi imidade de ep esen ação. Figu a des acá el na cul u a escola , po eg a in e e e no cânone, na no ma e no ins i ucional enquan o, simul aneamen e, o ma e exe ce in luência sob e os pa es e a sociedade. Se á de espe a que um Escola cong egue odas es as alências. Po en u a, pe is como os de José Augus o Coelho, Leona do Coimb a, Manuel An unes ou, de o ma menos elabo ado mas mais ab angen e, o de An ónio Figuei inhas se ap oximem daquele complexo concep ual. Recupe a os pe is de polí icos e pedagogis as, como An ónio da Cos a e An ónio Sé gio, é deixa em segundo plano a dimensão do cânone e subs i ui a no ma escola ei a de eo ia e expe iência po um co po dou iná io. Po con as e, na biog a ia de Manuel An unes há dimensões ex e nas e in e nas; há uma eo ia educa i a sob e o ape eiçoamen o do humano (educação pe manen e- axiologia) e sob e a in e acção ins i ucional (pedagogia); há uma ma é ia cu icula , que possibili a melho ias no cânone e no mé odo (Ensino de Filoso ia); há uma in e enção den o e o a do quad o ins i ucional (Re o mas Educa i as). Es á cump ido o complexo: in elec i idade, educacionalidade, ins i ucionalidade, e a biog a ia con ém indicações sob e ‘ aze escola’, pos o que indicia um ideá io, uma sensibilidade, uma in e acção, uma discipulação po pa e de alunos, lei o es e discípulos. Também a e is a B o é ia de que oi di ec o , deu consis ência e p olongou o magis é io do Pad e Manuel An unes. Conclua-se que ep esen ação e ins i uição se cong egam na igu a do Escola . O Escola é um in elec ual in luen e na cul u a escola e na dinâmica ins i ucional. A iculando in elec i idade e educacionalidade, nada do que é humano lhe é indi e en e. T ês dimensões undamen ais em que in e e e são a educação, a cul u a escola , a ins i uição. C iado de ideias, obse ado c í ico, idealizado de planos cu icula es e de ex os, o Escola in e e e nas p á icas e na cons i uição de modelos, mas in e e e sob e udo na mudança de pa adigmas, nos planos axiológico, Jus ino Pe ei a de Magalhães Educação e Filoso ia, Ube lândia, . 33, n. 67, p. 83-108, jan./ab . 2019. ISSN 0102-6801 107 pedagógico, cien í ico, cul u al. Os Escola es êm especial ele ância na cons i uição do cânone, seja do cânone li e á io, cien í ico, a ís ico; seja da Memó ia e da His ó ia. Mais que académicos echados numa especialidade e numa ins i uição, os Escola es azem e ep esen am a ins i uição. A cul u a escola como a qui ex o (simbolização, ep esen ação, (in) o mação) assen a no cânone, na ins i uição – campo em que Académicos/ Escola es o am os p incipais undado es, c iado es, di ulgado es. Os In elec uais ep esen am a educação em sen ido o al, pois que p e igu am as dis in as acepções de educabilidade e, undamen almen e, assegu am a elação en e educação e sociedade. Há uma ca og a ia dos in elec uais na Cul u a Esc i a; na Mode nização; na Educação e na Escola ização de que essal am os Escola es. É do g upo dos ‘g andes in elec uais’ que equen emen e eme gem ações e se dis inguem os que idealizam e se o nam apologé icos da mudança ins i ucional. Re e ências BOURDIEU, Pie e. Langage e Pou oi Symbolique. Pa is: Édi ions Faya d, 2001. CHARLE, Ch is ophe. Les In ellec uels en Eu ope au XIXe siècle. Essai d’his oi e compa ée [1ª ed. 1996]. Pa is: Édi ions du Seuil, 2001. DOI: h ps://doi.o g/10.14375/NP.9782020239578 FAVERO, Ma ia de Lou des de Albuque que e B i o, Jade de Medei os (O g.). Dicioná io de Educado es no B asil. Da Colônia aos dias a uais. Rio de Janei o: Edi o a UFRJ/ Ins i u o Nacional de Es udos e Pesquisas Educacionais, 1999. DOI: h p://dx.doi.o g/10.21680/1981- 1802.2016 54n41 MAGALHÃES, Jus ino Pe ei a de & Ba e o, Raylane And eza Dias Na a o (2016). Os in elec uais e a educação – abo dagem his ó ica e biog á ica. Re is a Educação em Ques ão, Na al, . 54, n. 41, p. 61-85.