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A tipografia nacional finissecular: micro-história de um tipógrafo orientalista

Pinto, Marta Pacheco

Abstract

This essay investigates orientalist typography in Portugal from the end of the nineteenth century to the beginning of the twentieth by focusing on the typographer José António Dias Coelho (1858-1940). He served for almost fifty years at the Imprensa Nacional and was responsible for the composition of numerous works published by Portuguese orientalists. I first provide evidence of Dias Coelho’s work on Eastern typefaces based on testimonies extracted from books by Portuguese orientalists such as Guilherme de Vasconcelos Abreu, Sebastião Rodolfo Dalgado, and David Lopes. I then present a micro-history of Dias Coelho to evince his role in the genealogy of Oriental Studies in Portugal.

Full text

67 A Tipog a ia Nacional Finissecula : Mic o-his ó ia de um Tipóg a o O ien alis a MARTA PACHECO PINTO Cen o de Es udos Compa a is as da Faculdade de Le as Uni e sidade de Lisboa Abs ac : This essay in es iga es o ien alis ypog aphy in Po ugal om he end o he nine een h cen u y o he beginning o he wen ie h by ocusing on he ypog aphe José An ónio Dias Coelho (1858-1940). He se ed o almos i y yea s a he Imp ensa Nacional and was esponsible o he composi ion o nume ous wo ks published by Po uguese o ien alis s. I i s p o ide e idence o Dias Coelho’s wo k on Eas e n ype aces based on es imonies ex ac ed om books by Po uguese o ien alis s such as Guilhe me de Vasconcelos Ab eu, Sebas ião Rodol o Dalgado, and Da id Lopes. I hen p esen a mic o-his o y o Dias Coelho o e ince his ole in he genealogy o O ien al S udies in Po ugal. Keywo ds: Typog aphy, Po ugal, o ien alism, José An ónio Dias Coelho, Imp ensa Nacional A a e ipog á ica, pela a iedade de elemen os que nela se combinam—ca ac e es, inhe as, ile es, g a u as, in as, ons— e pelo deslumb amen o de e ei os que de odos êsses elemen os de i am, não se a as a do ciclo conside ado das Belas A es, cuja posição se e o ça pelos equisi os da écnica, habilidade e emoção a ís ica de quem a cul i a, e pelo encan o ex asian e que az aos olhos dos que a admi am. (Canhão 116) Pin o 68 Quando em 1873 Léon de Rosny c iou o Cong esso In e nacional de O ien alis as, em Pa is, e a seu p opósi o euni uma comunidade de japonólogos, es ipulando como dois p incipais obje i os a cump i a c iação de um plano de aduções de ex os undamen ais da adição li e á ia japonesa e a ixação de um mé odo consensual, ou sis ema, de ansc ição o og á ica do japonês pa a línguas ociden ais.1 Po um lado, es es obje i os deco iam de uma di iculdade sen ida po in es igado es eu opeus que es uda am es a língua asiá ica, dando assim con a de quem se ia o público-al o daquele ipo de e en o cien í ico. Po ou o lado, es á pa en e uma p eocupação em desen ol e um sis ema uni o me de comunicação ansnacional de ma e ial japonês—não apenas no seio da comunidade o ien alis a, mas ambém en e especialis as e os demais agen es en ol idos na p odução e disseminação dos seus abalhos, de que des aco os que os compunham e imp imiam, os ipóg a os, o que, po conseguin e, esul a ia numa melho ia da p óp ia qualidade da in o mação (li e á ia, cul u al, cien í ica) eiculada, po ia da adução, da edição c í ica ou do ensaio. A mesma p eocupação de uni o mização g á ica na ansc ição de ou os al abe os o ien ais pa a ca ac e es la inos ma cou sessões subsequen es do Cong esso In e nacional de O ien alis as, como a de Geneb a, em 1894, donde saiu um sis ema de ansc ição de sânsc i o e á abe, ou a de Roma, em 1899, em que se discu i am as conclusões do ela ó io da comissão nomeada no cong esso an e io (o de Pa is, em 1897) pa a a elabo ação de um sis ema único de ansc ição de sons chineses.2 De e minou-se, po ém, que cada país ixasse o seu p óp io sis ema e o en iasse pa a coleção num manual in e nacional. Em 1892, o ilólogo po uguês Anice o dos Reis Gonçal es Viana (1840- 1914) mani es a a-se a a o de uma uni o mização de ou a na u eza, a simpli icação da composição ipog á ica de ca ac e es á abes, de o ma a acili a o abalho dos es udiosos eu opeus, an o o de composição como o de lei u a de ex os que usassem o al abe o á abe. Lançada numa cu a memó ia inse ida no 1 O p esen e abalho de in es igação deco e do p oje o Tex os e Con ex os do O ien alismo Po uguês—Cong essos In e nacionais de O ien alis as (1873-1973), em cu so no Cen o de Es udos Compa a is as da Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa. É inanciado pela Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia no âmbi o do P oje o 3599—P omo e a P odução Cien í ica, o Desen ol imen o Tecnológico e a Ino ação—não co inanciada (PTDC/CPC- CMP/0398/2014). 2 O sansc i is a Sebas ião Rodol o Dalgado (In luência do ocabulá io po uguês, lxxiii, lxx ii) alude às delibe ações do Cong esso de Geneb a an o pa a o de anága i como pa a o al abe o a ábico, que con i ma segui . Jou nal o Lusophone S udies 3.2 (Fall 2018) 69 quad o das publicações da décima sessão do Cong esso In e nacional de O ien alis as, p e is a pa a deco e , nesse ano de 1892, em Lisboa mas descon ocada de éspe a, es a p opos a consis ia, no undo, em anula a índole es é ica—calig á ica—da esc i a á abe. P opunha a esolução do que, na sua qualidade de o ien alis a, Gonçal es Viana desc e ia como “de ei os” desse al abe o, nomeadamen e a a és da sup essão dos sinais diac í icos assim como da linha cu a que inaliza di e sos ca ac e es, a qual classi ica a como “emba açosa” e “inú il” (Simpli ica ion 5-6). Enca a a es a necessidade de in e enção (ociden al) num sis ema o og á ico não-eu opeu como sendo de “ele ada impo ância pa a o p og esso e a di usão do es udo das línguas que ado a am es e sis ema de esc i a” (Simpli ica ion 4). Foi, dece o, uma p opos a unila e al de se i e bene icia ão-só a comunidade o ien alis a, que não e e consequências de maio , desconhecendo-se, na ipog a ia nacional, exemplos que a enham seguido. Comp eende-se, pois, que a qualidade da ciência o ien alis a en ão disseminada, en endida como um conjun o de sabe es cons uídos sob e línguas e cul u as di as o ien ais, e que se p e endia alidada e subsc i a pela comunidade cien í ica que a consumia, dependia, em g ande medida, da qualidade do abalho de composição e imp essão de ipos o ien ais, p esença ob iga ó ia em ocabulá ios ou g amá icas, e no pa a ex o de aduções de línguas o ien ais, em manuais pedagógicos de apoio ao ensino/ap endizagem dessas línguas, em edições c í icas de manusc i os e ou os ex os o ien ais, em es udos ou a é ecensões c í icas e sando o ema. Na sua exposição aos memb os da Comissão Nacional Po uguesa do Cong esso In e nacional de O ien alis as de 1873, con ocados pa a o ma em uma Associação P omo o a do Desen ol imen o dos Es udos O ien ais e Gló icos em Po ugal, o sansc i is a Guilhe me de Vasconcelos Ab eu (1842- 1907) de ine “o O ien alismo” em ligação es ei a com o p og esso das ciências, sob e udo sociais, ap oximando-se de uma ideia de in e disciplina assen e numa abo dagem compa a i a; o o ien alismo se ia en ão: [A] somma dos conhecimen os linguis icos, e hnologicos e his o icos áce ca dos po os, do O ien e, an igos e mode nos. [...] O es udo compa a i o dos cos umes, das eligiões, das my hologias, das philosophias dos po os da an iguidade, em Pin o 70 p es ado incon es a eis se iços á geog a ia, á an h opologia, em con i mado as g andes leis da sociologia e explica phenomenos que a his o ia não conhecia e ou os que ella apenas ela a a [...]. (9) Mais, conscien e do mo imen o eu opeu em di eção ao O ien e e da conjun u a his ó ica e polí ica de Po ugal na segunda me ade do século XIX, Vasconcelos Ab eu exo a en usias icamen e à c iação de meios, em e i ó io nacional, que pe mi am o desen ol imen o da disciplina de Es udos O ien ais e, po conseguin e, de uma comunidade in e p e a i a: Não podem se mais auspiciosos os começos. Den o em pouco podemos e uma biblio eca, um a chi o, um museu digno de uma sociedade de o ien alis as, e den o de alguns annos, se o mos homens de ene gia, pode emos dize que em Po ugal exis e essa sociedade, pode emos dize que nos cabe a glo ia de e mos aco dado o espi i o d’es e po o ado mecido mas ap o pa a os g andes emp ehendimen os, pode emos dize que izemos a p imei a das e oluções—a da ins ucção, pode emos dize que conco emos pa a o eng andecimen o d’es a nação. (14) O a a e olução da ins ução, pela lei u a e pelo ensino, a pa da c iação de condições ma e iais de acesso ao sabe (biblio ecas, a qui os, museus), exigi ia ambém um sis ema e icaz de p odução e de comunicação dos sabe es que a sus en am, como o é, po exemplo, a imp ensa. Com e ei o, no inal do século XIX, p incípios do de XX, dos pa a ex os que in o mam as publicações de o ien alis as pela Imp ensa Nacional, que em 2018 comemo a 250 anos de a i idade, des aca-se um nome, o do ipóg a o José An ónio Dias Coelho. P e ende-se aqui ad oga a exis ência de uma ipog a ia o ien alis a no Po ugal inissecula , ao da a conhece es e uncioná io do Es ado Po uguês que, i endo à somb a dos li os que compôs e à ma gem de uma in elligen sia o ien alis a, concen ada sob e udo em Lisboa e com quem p i ou o a do cí culo es i amen e p o issional, oi um elemen o-cha e pa a assegu a a qualidade dos ma e iais que imp imiu, chegando a in e i no p ocesso c ia i o de au o es que ica iam na his ó ia epu ados como o ien alis as po ugueses. Jou nal o Lusophone S udies 3.2 (Fall 2018) 71 T anspõe-se, pa a o p esen e es udo, a noção de “mic o-his ó ias” que Je emy Munday explo a a p opósi o de ou os p odu o es ex uais, no caso os adu o es, pa a mos a a mais- alia de analisa os pe cu sos biog á icos des es agen es, a a és da ecolha de es emunhos de na u eza di e sa (desde pa a ex os a ou os ma e iais exogené icos, como co espondência, manusc i os, con a os), e de os inco po a no es udo dos p ocessos c ia i os.3 Também aqui se a á uma mic o-his ó ia de um p odu o de ex os, a de Dias Coelho. Ao con á io do adu o que pode assina o seu abalho—na capa, na icha écnica ou na olha de os o de um li o—e em assim a possibilidade de se o na isí el no pa a ex o ou apa a o c í ico, a isibilidade do ipóg a o composi o es á dependen e da on ade do au o que se e e que, a a és de ag adecimen os ou c í icas, pode op a po o nomea no pa a ex o que ele, au o , assina. Pa a es a mic o-his ó ia de um ipóg a o o ien alis a po uguês, que es e e a i o en e o inal das décadas de 1870 e 1920, a -se-ão à colação ma e iais encon ados que no A qui o His ó ico da Imp ensa Nacional (INCM/AHIN) que no A qui o Nacional da To e do Tombo (ANTT). Pa a cump i os ins enunciados, di idi -se-á o ex o em duas pa es: num p imei o momen o, a gumen a -se-á em a o da exempla idade do ipóg a o composi o com base na eceção do seu abalho po ia dos es emunhos dos seus clien es, sob e udo académicos especialis as em línguas o ien ais; num segundo momen o, a -se-á a mic o-his ó ia do ipóg a o especialis a em ca ac e es o ien ais, de o ma a a ibui -lhe um luga na genealogia dos es udos sob e o O ien e em Po ugal, o mesmo se á dize do o ien alismo po uguês. Des e modo, o na -se-á salien e um segmen o impo an e e cons i u i o da ipog a ia po uguesa, a ipog a ia o ien alis a. Es es obje i os se ão cump idos a pa da obse ação da impo ância do abalho de ansc ição, composição em ca ac e es o ien ais e e isão pa a ga an i a qualidade do sabe o ien alis a pos o em ci culação em Po ugal e, po ex ensão, a epu ação dos p óp ios o ien alis as. 3 Munday baseia-se na p opos a do his o iado inglês Pe e Bu ke de desen ol e uma “no a his ó ia” cen ada em g upos ou indi íduos que a his ó ia adicional, mais p eocupada com ac os, ende a ma ginaliza : “Bu ke (1991/2001, 3-6) succinc ly con as s adi ional, ‘Rankean’ his o y, conce ned wi h ‘ ac s’ and i s -hand accoun s, wi h he ‘new’ his o y o social his o ians who a e in e es ed in he li es o ‘o dina y’ people o speci ic g oups, such as women, who ha e ended o be ma ginalized in adi ional his o y” (66). Pin o 72 Um ipóg a o o ien alis a O o ien alismo em Po ugal, ao con á io dos o ien alismos b i ânico, alemão, ancês ou i aliano, não se apoiou na c iação de publicações especializadas, an es i ando pa ido dos bole ins ou e is as das sociedades cien í icas a que os o ien alis as es a am ligados e que unciona am como os p incipais ó gãos de disseminação da sua a i idade. São exemplos o Bole im da Segunda Classe da Academia das Ciências de Lisboa, que saiu de 1898 a 1929, o Bole im da Sociedade de Geog a ia de Lisboa, que se publica desde 1876, ou O Ins i u o de Coimb a, publicado en e 1852 e 1981. Se o úl imo oi imp esso pela Imp ensa da Uni e sidade de Coimb a a é 1934, da a da sua ex inção, o p imei o saiu do p elo da Tipog a ia da Academia das Ciências a é 1910, al u a em que é dissol ida, sendo a imp essão do bole im de 1911 assegu ada pela Imp ensa Nacional e, a pa i de 1912, pela Imp ensa da Uni e sidade de Coimb a. O Bole im da Sociedade de Geog a ia é, a pa i de 1882, imp esso pela Imp ensa Nacional a é à p imei a década do século XX. Com e ei o, a Imp ensa Nacional e a Imp ensa da Uni e sidade epa i am en e si a coau o ia pela imp essão de mui os dos es udos cien í icos p oduzidos em Po ugal no pe íodo inissecula . Se, po exemplo, as e is as o ien ais en ão publicadas em Flo ença bene icia am “da ipog a ia de ca ac e es o ien ais c iada pelos Medici no século XVI” (Vicen e 71), as publicações o ien alis as imp essas em Po ugal, an o pe iódicas como monog á icas, e ão bene iciado, po um lado, do sabe dos homens que manob a am as p ensas e, po ou o, da undição de ipos que a edi o a o icial do Es ado Po uguês inha à sua disposição. Manuel Canhão não hesi a em a i ma que a Imp ensa Nacional dispunha, na segunda me ade de Oi ocen os, “de maio es condições de expansão no ab ico de ca ac e es” que a coloca a “em posição de supe io idade pe an e a p odução pa icula ” (56). E é es e ipo de condições que, como ambém elemb a, pe mi i ia aos ope á ios o e ece um se iço de qualidade: “Tôda a no abilidade do abalho do ipóg a o em a sua base nos ca ac e es e mais ma e ial ipog á ico que a undição de ipos lhe o nece” (Canhão 116). A pesquisa ealizada no âmbi o do p oje o Tex os e Con ex os do O ien alismo Po uguês: Cong essos In e nacionais de O ien alis as (1873- 1973), que esul ou na compilação dos abalhos p oduzidos pelos pa icipan es po ugueses nes es e en os de deba e dos Es udos O ien ais en ão p a icados, Jou nal o Lusophone S udies 3.2 (Fall 2018) 73 eio o na pa en e que o o ien alismo, enquan o á ea de es udo(s), e e em Po ugal um desen ol imen o mais concen ado e di e si icado, em e mos de inicia i as au o ais e de núme o de publicações, en e as décadas de 1870 e 1920. Aquando da análise do ma e ial pa a ex ual que in o ma esses abalhos, de e ou- se a eco ência de um mesmo nome de ipóg a o composi o em ob as imp essas, p ecisamen e, du an e esse in e alo de empo, que co esponde aos anos de a i idade de Dias Coelho. Os elogios que se ibu am a es e ipóg a o o ien alis a azem adi inha , como a segui se e á, uma impo an e ede de elacionamen o in e pessoal que ai além da es e a p o issional. A é à da a não se conhecem ou os abalhos sob e o o ien alismo po uguês que deem con a de agências ma ginais como a de um ipóg a o composi o , po ha e um maio en oque na a uação de ozes audí eis, an o po ia da sua p odução esc i a como po meio da sua in e enção sociopolí ica. O a, o que se p opõe é mos a como a agência supos amen e ma ginal de um ipóg a o especialis a em ca ac e es o ien ais oi de e minan e pa a ga an i , po um lado, a exis ência ma e ial de um obje o ex ual e, po ou o, a sua qualidade cien í ica. Es e in en o se á cump ido com base não em es emunhos di e os, po que Dias Coelho não os deixou, à exceção dos abalhos de ipog a ia que execu ou, mas po ia de es emunhos indi e os, os dos seus clien es, sob e udo académicos. A inclusão de ca ac e es o ien ais em abalhos especializados se ia não apenas uma ma ca o mal de exo ismo, an o isual como linguís ico, que ajuda ia o lei o a localiza o O ien e e sado, mas ambém—ou essencialmen e—um indicado da cien i icidade do abalho e um modo de legi imação do sabe , ou sabedo ia, do au o que os assina, conco endo pa a a au o idade do p óp io es udo e pa a o es a u o de especialis a do seu au o . Pa a além de e assegu ado a composição dos abalhos de Vasconcelos Ab eu, Dias Coelho es e e ambém en ol ido na imp essão dos li os do sansc i is a Sebas ião Rodol o Dalgado (1855-1922), sucesso de Vasconcelos Ab eu no Cu so Supe io de Le as, ou do a abis a Da id Lopes (1867-1942). O ipóg a o é uma p esença cons an e nos ag adecimen os das ob as des es au o es, que o enal ecem sob e udo como um coadju an e, cujo o ício desempenha a pa a além das pa edes da o icina ipog á ica, indo ao encon o dos seus au o es e assis indo-os a é na co eção das p o as. Pin o 74 Vasconcelos Ab eu, no pos ácio do seu Manual pa a o es udo do sãosk i o clássico (1881), des aca o auxílio e p o issionalismo do ainda “moço” mas já en ão “dis in o” Dias Coelho: A disposição ypog aphica, oda a composição, oi di igida po mim d’acco do com o moço, mas dis inc o ypog apho, o s . Dias Coelho. Sem a coadju ação cons an e, p o icua, e digna do econhecimen o, que lhe con esso aqui, não sei quando pode ia eu aze imp imi es e li o. Du an e a doença, que ha anno e meio me es o a de sai como eu ca eço pa a desempenho dos meus de e es, mui as ho as da noi e gas ou o s . Coelho na minha biblio heca e á cabecei a do meu lei o, e endo commigo as p o as e combinando a disposição ypog aphica. (173) Dez anos mais a de, em Summa io das in es igações em samsc i ologia desde 1886 a é 1891, Vasconcelos Ab eu ei e a o elogio ao ipóg a o, desc e endo-o como “mes e de composi o es em ca ac e es o ien ais, o s . J. A. Dias Coelho, cujo mé i o é digno dos mais subidos elogios” (54). Também Gonçal es Viana já ha ia con i mado a sua excelência na composição ipog á ica em co espondência p i ada com o linguis a alemão Hugo Schucha d (1842-1927), especialis a em c ioulos omânicos, ao epi e á-lo, numa ca a de 6 de ou ub o de 1888, como “o mais habil composi o da Peninsula” que, en e ou os, execu ou “o a ado em a abe celeb ado com o sul ão de Zanziba [a 25 de ou ub o de 1879], e ou os p imo es da ypog aphia po uguesa.” Na sua in odução à adução de His ó ia dos po ugueses no Malaba po Zinadím: manusc i o á abe do século XVI, publicada o iginalmen e pela Imp ensa Nacional, em 1898, Da id Lopes conclui essal ando que “[n]ão deixa emos de aze uma e e ência especial ao nome do S . J. A. Dias Coelho, que compôs o ex o á abe des a c ónica, assim como o ex o da nossa Aljamía, publicada em Janei o: o seu alioso e in eligen e auxílio aqui lhe ag adecemos” (17). Em Tex os em aljamía po uguesa (1897), a espei o dos c i é ios ado ados na ansc ição do á abe, Da id Lopes salien a a a iedade de g a ias pa a línguas eu opeias, inclusi amen e den o do mesmo país, onde “ahi mesmo não ha uni o midade en e os especialis as que se occupam d’esses es udos” (xix). Aludindo à p opos a da comissão cons i uída po ocasião do Cong esso dos Jou nal o Lusophone S udies 3.2 (Fall 2018) 75 O ien alis as de 1894 pa a a ansc ição de línguas semí icas, de que se conside a pa idá io conquan o a julgue pouco adequada às línguas ibé icas, essal a que nes e abalho, “como nou as publicações pos e io es, encionamos pô-la de pa e desde que esc e amos em po uguês, po que aqui ha no mas acionaes que se impõem” (xxii), e expõe, de seguida, o quad o de ansc ições que segue, con o me às eg as de acen uação po uguesas. Sebas ião Rodol o Dalgado, no seu Glossá io luso-asiá ico (1919), es ende a u ilidade do aco do de 1894 a ou os al abe os o ien ais: O mesmo pode e con êm ap o ei a -se pa a a ansc ição dos ou os al abe os que em idên ica o igem, com no ação peculia , ácilmen e in eligí el, das le as p i a i as. Impo a, po an o, conhece a ansc ição dos al abe os de anagá ico, amul e á abe-pe siano. (L) IV. O e e ido Cong esso dos O ien alis as ambêm ixou a ansc ição do al abe o a ábico, que eu sigo, p e e indo as a ian es op a i as. Mas subs i uo ḍ po ẓ, pa a e i a a con usão com o ḍ do hindus ani, e w po , ou u, pa a man e a ha monia com a ansc ição do al abe o de anagá ico. V. Sendo alguns é imos a ábicos ep oduzidos das ansc ições an igas, de em na u almen e di e i às ezes da ansc ição ap o ada. (LIV) O ipóg a o composi o a ua ia, po an o, em obse ância à on ade do au o com quem es a ia a colabo a , que pode ia di e i da de ou o especialis a na mesma língua o ien al. Às idiossinc asias de cada au o soma -se-iam ou as di iculdades com que Dias Coelho se e á deba ido. T azendo à colação a suges ão de Gonçal es Viana de simpli ica a composição ipog á ica dos ca ac e es á abes nas publicações ociden ais, jus i ica o ilólogo a sua p opos a com base na plu alidade de o mas que cada le a pode assumi , na medida em que “não há uma única que não mude de o ma consoan e es eja isolada, ligada à le a p eceden e, à le a seguin e ou a ambas” (3). Exclui da possibilidade de simpli icação a esc i a de anága i, Pin o 82 Po ugal, do pedagogo e e nolinguis a F ancisco Adol o Coelho (1847-1919) (INCM/AHIN, Li o de egis o 284, 304). Na secção no iciosa do pe iódico macaense A Voz do C en e de 22 de ou ub o de 1892, ep oduz-se uma no ícia publicada o iginalmen e num jo nal lisboe a ela i a aos abalhos insc i os pa a o Cong esso de Lisboa, em que se ese a um pa ág a o de elogio ao abalho a ís ico da Imp ensa Nacional: Os ou os abalhos impo an es es ão concluidos, que se ão, além de udo, um no o e hon oso i ulo pa a a nossa imp ensa, onde sob a di ecção de modes os e ac isolados a is as, como os sn s. Coelho, Cosmelli e ou os, se azem abalhos e ep oduções documen aes, em a abe, heb aico, abyssinio, sansc ip o, concani, e c., como a amen e se azem lá ó a. (351) A pa do nome de Dias Coelho indica-se o de Júlio Césa Cosmelli, que oi g a ado e o óg a o da Imp ensa Nacional, esponsá el pelas ep oduções o o ípicas que Vasconcelos Ab eu incluiu no seu Summa io das in es igações em samsc i ologia. Não se sabe com que endimen o Dias Coelho en ou pa a a Imp ensa Nacional nem em quan o e á sido boni icado em 1891 ao ascende a che e de secção ipog á ica. No en an o, de aco do com a sua icha de se iço, em janei o de 1897 ecebia o encimen o de 1.500 éis diá ios, a 22 de ou ub o de 1900, com a nomeação pa a o luga de che e de e isão po ocasião da mo e de José Augus o da Sil a, passou a au e i mais 400 éis, ou seja, 1.900 éis diá ios, e a 1 de junho de 1902 es a a a ganha 2.100 éis, um aumen o g adual que dá bem con a da sua p odu i idade e en abilidade den o da ins i uição. Segundo o es emunho de No be o de A aújo e A u José Pe ei a Mendes, num manusc i o p epa ado pa a o e e ido concu so dos es ejos da 2.ª República, que não chegou a se publicado po não e ob ido p émio, “[c]ap ichou o ci ado emp egado em da à secção que lhe ha iam dado pa a di igi uma o ien ação especial, que, como dissemos, an es não inha, egulando a lei u a, e asendo passa an ecipadamen e pela sua meza odos os documen os o iginaes e p o as indas de odas as secções” ( . 18). Essa o ien ação especial passou ambém pela uni o mização da o og a ia po uguesa. A es e che e dos se iços de e isão se de e a e o ma o og á ica de Jou nal o Lusophone S udies 3.2 (Fall 2018) 83 1911, po e sido o seu p incipal ins igado . A 17 de dezemb o de 1910, Dias Coelho o iciou Luís De oue , ale ando pa a a ana quia que p oli e a a em ma é ia de o og a ia pelas publicações da Imp ensa Nacional e ad e indo pa a a u gência de se ixa eg as o og á icas: As publicações saídas da Imp ensa Nacional, que o iciais, que de pa icula es, ap esen am g a ias di e en es, umas discu i eis, ou as po êm g ossei as e e gonhosas. O p óp io Diá io do Go ê no, que de e ia e o og a ia uni o me, emp ega di e sas, con o me o cap icho de quem en ia os o iginais, ge almen e pessoas indou as. Tais a iedades de g a ias azem pa a a Imp ensa não só desc édi o mas ambêm p ejuizos pecuniá ios, po quan o a composição de odos os diplomas saídos no Diá io em de ansi a pa a ou as publicações pe iódicas, [...] so endo en ão cada um dêsses diplomas mais emendas, ao sabo de quem em de lhes aze no a e isão. Tan as emendas, alêm de es abelece em con usão no espí i o do composi o , a olumam de uma manei a assomb osa a despesa da composição, e impedem a apidez na imp essão pelo mui o empo que se pe de a aze al e ações. Com es a ana quia o og á ica os composi o es hesi am e come em no os e os, e aos e iso es se o na ambêm impossí el ixa , pa a cada ob a, as di e gências de an a g a ia. U ge, po an o, acaba com ês e es ado de cousas. Fácil me pa ece o emédio. Se cada qual se em julgado a é aqui com di ei o a impo a sua manei a de esc e e , po que azão o Go ê no da República não ha de impo ambêm a sua, e no que é seu? (Di eção Ge al 3) Recomenda a en ão que se ado asse como manual a O og a ia nacional: simpli icação e uni o mização sis emá ica das o og a ias po uguezas (1904), de Gonçal es Viana. A 14 de janei o de 1911, Luís De oue , subsc e endo o apelo de Dias Coelho, o iciou o Di e o Ge al de Ins ução Secundá ia, Supe io e Especial, “ azendo a ias conside ações enden es a mani es a o seu aco do Pin o 84 com a ma e ia de endida no o icio do che e da e isão da Imp ensa Nacional, cujo o icio jun amen e en ia a” (A aújo e Mendes, . 250). Um mês depois, a 15 de e e ei o, o Minis o do In e io An ónio José d’Almeida nomea a uma comissão pa a ixa as bases o og á icas da língua po uguesa, cons i uída po Adol o Coelho, que a eio a p esidi , Ca olina Michaëlis de Vasconcelos, Gonçal es Viana, Cândido de Figuei edo e Lei e de Vasconcelos. A 16 de ma ço de 1911, o am ag egados no os ogais de apoio à comissão e, ainda nesse ano, o am publicadas as Bases pa a a uni icação da o og a ia que de e se adop ada nas escolas e publicações o iciais. No be o de A aújo e A u Mendes são pe en ó ios a a i ma que “[a] inicia i a des a e o ma de e-se, pois, a Dias Coelho, che e dos se iços da e isão da Imp ensa Nacional” ( . 251); ambém o ela ó io da comissão lhe az jus ao ep oduzi , nas p imei as páginas, o o ício que saiu do seu Gabine e e os que se lhe segui am. En e 1914 e 1916, Dias Coelho oi ogal e e i o do Conselho Disciplina da Imp ensa Nacional. Em 1922, oi lou ado pelo modo como di igiu os abalhos imp essos da Con e ência Pa lamen a In e nacional de Comé cio, que euni a em maio de 1921 no Palácio do Cong esso em Lisboa. Em 1923, uma o dem de se iço expedida na sua ins i uição da a ambém con a de um lou o público do Go e no Po uguês à Imp ensa Nacional e aos seus a is as, incluindo Dias Coelho, po con a do abalho de imp essão da ob a O dens mili a es po uguesas e ou as condeco ações, mandada publica pelo Minis é io da Gue a; de aco do com a po a ia que saiu na segunda sé ie do Diá io do Go e no (n.º 266): Manda o Go ê no da República Po uguesa, pelo Minis o da Gue a, que à di ecção daquele es abelecimen o do Es ado, na pessoa do seu di ec o , Luís De oue , seja dado um público lou o e bem assim aos a is as po ugueses, odos uncioná ios do mesmo es abelecimen o, Rica do Ma ia da Cos a, Júlio Pe ei a, José An ónio Dias Coelho, Al edo Romão do Nascimen o, Edua do Al es Co eia, Albe o Sil a, Edua do Lopes Júnio e mais pessoal que auxiliou a ob a mencionada, pelo mui o zêlo, des elado in e êsse e inalidade a ís ica que impuse am a essa ob a, que bem se pode en ilei a en e as Jou nal o Lusophone S udies 3.2 (Fall 2018) 85 p imei as do es angei o, hon ando assim o es abelecimen o do Es ado a que pe encem. Paços do Go ê no da República, 10 de No emb o de 1923.—O Minis o da Gue a, An ónio Ma ia da Sil a. (INCM/AHIN, Li o de o dens de se iço n.º 331) Desde 4 de junho de 1922 que Dias Coelho passa a, con udo, à e o ma. Foi um uncioná io exempla da Imp ensa Nacional, es ando essa exempla idade egis ada em espe i a o dem de se iço po ocasião da sua e o ma: [E]s a Di ecção Ge al exp ime a mágoa de e a as a do se iço quem, em pe o de 50 anos de labo quási cons an e, deu á Imp ensa, em á ias conjun u as, as p o as mais i ecusá eis do seu zêlo e da sua in eligência, con ibuindo não poucas ezes, com os seus as os conhecimen os, pa a que o Es abelecimen o gozasse uma epu ação acima da ulga idade. (INCM/AHIN, Li o de o dens de se iço n.º 296, de 31 de maio de 1922; Li o de ma icula . 100) Do mesmo Li o da ma icula do pessoal, egis am-se ão-só 12 dias de al as a Dias Coelho po mo i o de doença, de 9 a 20 de junho de 1914, o que abona em a o da sua dedicação não apenas à casa, mas ambém às le as e à ciência po uguesas. No as coadju an es Dias Coelho não oi um in elec ual, não deixando, po isso, qualque ipo de legado esc i o. Foi um lei o p i ilegiado, po en u a um dos p imei os lei o es, dos manusc i os que lhe chega am às mãos pa a deci a , compo , e e e imp imi , endo assim sido esponsá el pela ma e ialização de inúme as ideias (manusc i as) em obje os ex uais (li os) des inados a se em consumidos po uma eli e da cul u a po uguesa. Es e ope á io da classe ipog á ica, conside ado de “ a os conhecimen os e p o undamen e es udioso” (A aújo e Mendes . 248), oi não apenas um execu an e de composição ipog á ica e a is a de ipos o ien ais, mas sob e udo Pin o 86 um coadju an e do o ien alismo e da comunidade o ien alis a nacionais, que bene icia am do seu sabe , empenho e écnica pa a p oduzi ciência no inal do século XIX e p imei as décadas do século XX. Dos á ios es emunhos aqui co ejados, ica pa en e o seu con ibu o decisi o pa a a cons ução e acumulação de capi al cien í ico e académico sob e di e sos O ien es em Po ugal. Es ando, embo a, po aze a his ó ia do p elo de ipos o ien ais na Imp ensa Nacional, al como Dias Coelho ou os ipóg a os e sados em ca ac e es o ien ais hou e, es abelecidos que em Lisboa que em Coimb a ou no Po o, onde con inua a es a concen ada a indús ia ipog á ica po uguesa, e cujas mic o-his ó ias é impo an e esc e e e colaciona pa a comp eende a e olução da ipog a ia o ien alis a, que oi ambém uma ipog a ia cien í ica e é espelho das di e en es ases de desen ol imen o dos Es udos O ien ais em Po ugal. Ob as Ci adas Ac es du douzième Cong ès in e na ional des o ien alis es, Rome 1899: ome p emie , ésumé des bulle ins—Inde e I an. Socié é Typog aphique Flo en ine, 1901. A aújo, No be o de, e A u José Pe ei a Mendes. Ms. Imp ensa Nacional de Lisboa, memo ia his o ica—no as de a e, an eceden es, desc ições, c i ica, documen os. Biblio eca da Imp ensa Nacional, 1912. A qui o Nacional da To e do Tombo. 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