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O Envolvimento dos Jovens em Conteúdos de Ciência Online

Diana Filipa dos Santos Seabra

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FLUPDSAP/048.01 [email protected] | www.letras.up.pt FACULDADE DE LETRAS U NI V E R S I D A D E D O P O R T O 2º Ciclo de (Varian O Envolvimento Orientador: Professor Douto (Professor Associado da Fac Classificação: Ciclo de estud Dissertação/re Via Panorâmica s/n 4150-564 Porto | Telf. 226 077 100 | Fax 226 0 Diana Filipa dos Santos Seabra iclo de Estudos em Ciências da Comunicação Variante em Cultura, Património e Ciência) nto dos Jovens em Conteúdos de Ciência On 2012 Doutor José Manuel Pereira Azevedo a Faculdade de Letras da Universidade do Porto) estudos: ção/relatório/ Projeto/IPP: 6 091 610 | ia Online Porto) Versão definitiva O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online ii Agradecimentos Agradeço a todos aqueles que tornaram possível a realização desta dissertação: Ao Professor Doutor José Azevedo por me ter prestado apoio e orientação ao longo de todo este trabalho. À Escola Secundária da Maia por ter aceitado o pedido de realizar o estudo de caso nas suas instalações. Aos alunos que colaboraram na realização da experiência do estudo empírico e no preenchimento do questionário. Ao Mário Ventura por me ter auxiliado e fornecido preciosas indicações para a execução deste estudo. Ao projeto Ciência 2.0, no qual colaboro, e que serviu de mote para a concretização da componente prática. A todos que direta ou indiretamente ajudaram a tornar possível este trabalho. O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online iii Resumo Esta dissertação tem como objetivo estudar formas de envolver os jovens na ciência e tecnologia, no sentido de ajudar a contrariar a atual tendência de abandono destas áreas. Partindo da revisão da literatura, que aponta a comunicação da ciência no meio online como um bom meio para alcançar o envolvimento dos mais novos, realizouse um estudo empírico, no qual alunos do ensino secundário interagiram com diversos websites, entre os quais dois científicos, para testar se as páginas de ciência conseguiam ganhar a atenção dos adolescentes. De acordo com o esperado, concluiu-se que os conteúdos científicos não se revelaram tão interessantes para os jovens, como os do Youtube, por exemplo. Com o intuito de dar ao estudo um lado inovador, questionou-se os estudantes sobre os usos que faziam dos conteúdos dos websites apresentados, e as gratificações que obtiam dessa utilização. A finalidade era entender quais os motivos que conduziam os discentes a usarem os meios, para se poder adaptar os conteúdos científicos à procura dos alunos. Constatou-se que as matérias científicas são consumidas para a obtenção de recompensas de aprendizagem e de informação. O estudo chama a atenção para a necessidade de dar à ciência uma imagem mais divertida como forma de envolver os jovens, pois a diversão, a par da informação, é a gratificação que os mais novos valorizam quando pesquisam conteúdos na web. Palavras-Chave: Envolvimento, Usos e Gratificações, Comunicação da ciência no meio online, Jovens, Websites de ciência. O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online iv Abstract This thesis aims to study ways to engage young people in science and technology, in the direction of helping to contradict the current tendency of desertion of these areas. Based on the literature review, which considers science communication in online environment as a good way to reach the engagement of the youngest, there happened an empirical study, in which high school students interacted with several websites, including two scientific, to test if the science pages were managing to gain the attention of teenagers. In agreement with the expected, it was concluded that the scientific contents did not reveal themselves so interesting for the adolescents, like those of the Youtube, for example. With the intention of giving to the study an innovative side, the students were questioned on the uses they made of the contents of the presented websites, and the gratifications that they received from them. The purpose was to understand which were the reasons behind their preferences, in order to be able to adapt the scientific contents to the tastes of the pupils. It was noticed that the scientific matters are consumed for getting rewards of learning and information. The study attracts attention for the necessity of giving to science an image more amused, as a way to engage young people, since entertainment, together with information, is the gratification that the adolescents prefer when they search for contents in the web. Key-Words: Engagement, Uses and Gratifications, Science Communication in online environment, Youth, Science Websites. O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online v Sumário Resumo ............................................................................................................................ iii Abstract ............................................................................................................................ iv Introdução ......................................................................................................................... 1 Capítulo 1 1. O envolvimento dos jovens na Comunicação da Ciência .................................... 8 1.1. O conceito de Comunicação da Ciência ............................................................ 8 1.2. Os Modelos de Comunicação Pública da Ciência ........................................... 11 1.2.1. O modelo do défice................................................................................... 13 1.2.2. O modelo contextual ................................................................................. 16 1.2.3. O modelo de experiência leiga ................................................................. 18 1.2.4. O modelo democrático.............................................................................. 19 1.3. O Jornalismo de ciência enquanto elo de ligação com o público não cientista ……………………………………………………………………………….. 20 1.3.1. O Jornalismo de Ciência: uma definição .................................................. 21 1.3.2. Evolução histórica do jornalismo de ciência e o enquadramento desta prática nos modelos de comunicação pública da ciência ........................................ 22 1.3.3. A evolução para o ciberjornalismo ........................................................... 25 1.4. A Comunicação da Ciência na World Wide Web ........................................... 27 1.4.1. Características da World Wide Web e da Internet enquanto seu veículo de comunicação ............................................................................................................ 27 1.4.2. A Web 2.0: a Web participativa e interativa ................................................. 32 1.4.3. Potencialidades da comunicação da ciência no meio online .................... 34 O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online vi 1.4.4. A utilização das ferramentas da Web 2.0 para comunicar a ciência ........ 35 1.4.5. Imagem dos websites populares de ciência entre os jovens europeus ...... 36 1.5. A Relação dos Jovens com a Ciência .............................................................. 38 1.5.1. Decréscimo do número de estudantes de Ciência e Tecnologia no Ensino Superior. .................................................................................................................. 39 1.5.3. Retrato da Cultura Científica dos Jovens ................................................. 40 1.5.4. Razões para o afastamento dos jovens das áreas científicas …………….40 1.5.5. Imagem que os jovens têm dos cientistas e a perceção sobre a utilidade da ciência……………………………………………………………………………...42 1.5.6. Diferenças no interesse dos jovens pela ciência e tecnologia de acordo com o género ........................................................................................................... 43 1.5.7. Soluções possíveis para aproximar os jovens da ciência .......................... 44 1.6. O envolvimento como forma de ligar os jovens à ciência ............................... 46 1.6.1. O conceito de envolvimento .......................................................................... 46 1.6.2. Indicadores do envolvimento ........................................................................ 47 1.7. Usos e Gratificações dos conteúdos de ciência online..................................... 50 1.7.1. O nascimento da hipótese dos Usos e Gratificações ..................................... 50 1.7.2. A classificação das Gratificações …………………………………………...52 1.7.3. Usos e Gratificações que os jovens retiram dos conteúdos de ciência online………………………………………………………………………………55 Capítulo 2 2. Os jovens e a atratividade dos conteúdos de ciência no meio online: estudo de caso……………………………………………………………………………………..58 O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online vii 2.1. Objetivos do estudo empírico .............................................................................. 58 2.2. Questões de Investigação do estudo empírico ................................................. 58 2.3. Metodologia ......................................................................................................... 59 2.3.1. Desenho da experiência ................................................................................. 59 2.3.2. A Amostra ..................................................................................................... 59 2.3.3. Instrumentos .................................................................................................. 60 2.4. Análise e Discussão dos Resultados .................................................................... 66 2.4.1. Consumos na Internet .................................................................................... 66 2.4.2 Internet e Conteúdos de Ciência .................................................................... 69 2.4.3. Usos e Gratificações dos conteúdos online ................................................... 74 2.4.4. Indicadores do envolvimento ........................................................................ 81 Capítulo 3 3. Considerações finais e trabalho futuro ............................................................... 86 Referências Bibliográficas .............................................................................................. 90 Anexos ............................................................................................................................ 99 O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online viii Índice de Quadros Quadro 1 – Usos e Gratificações .................................................................................... 53 Quadro 2 – Meios mais utilizados para pesquisa de informação na Internet ................. 66 Quadro 3 – Conteúdos mais procurados nas pesquisas online ....................................... 67 Quadro 4 – Frequência de visita a websites de ciência................................................... 68 Quadro 5 – Motivos que levam os jovens a gostarem (ou não) de conteúdos de ciência ........................................................................................................................................ 69 Quadro 6 – Aspetos que levam os jovens a gostarem de um website de ciência ........... 71 Quadro 7 – Gratificações dos conteúdos de cada website .............................................. 74 Quadro 8 – Meios que melhor satisfizeram as gratificações dos alunos ........................ 78 Quadro 9 – Gratificações mais valorizadas pelos alunos ............................................... 79 Quadro 10 – Classificação dos Websites da experiência ................................................ 79 Quadro 11 – Preferência das páginas visionadas............................................................ 81 Quadro 12 – Tempo médio despendido em cada um dos websites da experiência ........ 83 O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online ix Índice de Figuras Figura 1 – Website do Público ........................................................................................ 61 Figura 2 – Website d’ O Jogo ......................................................................................... 62 Figura 3 – Website do Ciência 2.0 .................................................................................. 62 Figura 4 – Website do Ciência Hoje ............................................................................... 63 Figura 5 - Youtube .......................................................................................................... 63 Figura 6 - Vimeo ............................................................................................................. 64 O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 7 Capítulo 1 O envolvimento dos jovens na Comunicação da Ciência O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 8 1. O envolvimento dos jovens na Comunicação da Ciência 1.1. O conceito de Comunicação da Ciência A comunicação da ciência é um fenómeno múltiplo e um processo complexo que, nos últimos anos, tem sido alvo de vários estudos, dada a crescente importância que adquiriu em termos políticos e sociais e ao número de agentes e intervenientes que nela estão implicados. Se o ato de comunicar significa “pôr em comum”, então podemos dizer, a priori, que a comunicação pública da ciência procura comungar o conhecimento científico com os não-cientistas. Neste subcapítulo propomo-nos a passar em revista o conceito de comunicação da ciência em geral, e o de comunicação pública da ciência em particular. A comunicação da ciência é uma expressão com múltiplos sentidos. Apesar de estar frequentemente associada à divulgação do conhecimento científico para o público leigo, esta atividade tem várias outras vertentes, que vão desde a comunicação entre cientistas até à ficção cinematográfica (Carvalho e Cabecinhas, 2004). Dexter (2000) dá-nos uma noção da polissemia do conceito ao estabelecer que a comunicação da ciência compreende a relação entre os seguintes grupos: • elementos da comunidade científica; • a comunidade científica e os media; • os cientistas e o público; • os cientistas e o governo; • a indústria e o público; • os media e o público; e • o governo e o público. Notemos que o próprio conceito de “ciência”, na expressão “comunicação da ciência”, poder ser problematizado: estamos a falar apenas da ciência básica, normalmente associada à investigação científica, ou incluímos também a ciência aplicada, que abrange as tecnologias? O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 9 Devido aos propósitos da presente dissertação, iremos focar-nos apenas na comunicação da ciência dirigida ao público não especializado, ou seja, na comunicação pública da ciência. Iremos abordar este tipo de comunicação, enquanto atividade que se dá entre o universo da ciência e aqueles que se situam no seu exterior, procurando construir uma compreensão elucidativa sobre as matérias científicas no seio do público leigo. (Fernandes: 2011). Segundo Baudouin Jurdant a comunicação pública da ciência é: "une sorte d'éducation scientifique universelle, diffusée principalement par les mass-media et n'ayant pas pour but de former des spécialistes, mais plutôt d'assurer à la science une présence dans la culture générale des gens, afin qu'ils puissent mieux comprendre leur univers quotidien." (Heinzmann, 1994: 18) A comunicação pública da ciência tem, assim, uma vocação universal, e deve ser transmitida a todos os cidadãos para que estes compreendam melhor o universo que os rodeia. Mas como é que devemos transmitir a informação científica à população? Em primeiro lugar, a comunicação da ciência deve obedecer a determinadas características, que passam pelo abandono da linguagem hermética típica da comunidade científica, e pela adoção de um vocabulário simples, com recurso a metáforas e sem a incorporação de fórmulas matemáticas. Neste sentido, a comunicação científica consiste na reformulação de um discurso especializado com o objetivo de desembaraçá-lo das suas dificuldades específicas e técnicas, a fim de o tornar compreensível para o grande público (Trésor de la Langue Française informatisé apud Gélinas, 2005). Thouin (2001) entende que a comunicação pública da ciência consiste em adaptar um conjunto de conhecimentos científicos e técnicos de forma a torna-los acessíveis ao leitor não especialista. Esta característica da comunicação pública da ciência diferencia-a claramente do tipo de atividade que é praticada no seio da comunidade científica, comummente conhecida por disseminação científica. Esta última pauta-se pela utilização de uma linguagem especializada dirigida a um público restrito e separa-se em dois níveis: “intrapares” e “extrapares” (Rios et al., 2005). Segundo os mesmos autores (2005), podemos atribuir a nomenclatura de divulgação científica à comunicação pública da ciência. Com efeito, ao contrário da disseminação científica, esta tem a intenção de favorecer a compreensão e despertar o interesse do público pela O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 10 ciência, não utilizando o discurso científico. Notemos que “divulgar” significa “tornar público”. A prática da comunicação pública da ciência: “Incluye la divulgación, la comunicación a través del sistema educativo, de los llamados medios de comunicación, y de otros medios como los museos, el cine... (medios, por cierto, todos ellos en proceso de confluencia)” (Marcos, 2010: 1). De acordo com este autor (2010), os museus de ciência, os livros de divulgação científica, e a própria escola, são meios de transmitir informação científica ao público de forma mais acessível e prática (especialmente no caso dos museus e das escolas).Também o jornalismo científico tem um grande papel na comunicação pública da ciência, ao difundir e divulgar esta área do saber. São vários os agentes responsáveis pela comunicação da ciência ao público. Entre eles podemos identificar: os governos e os organismos estatais, a comunidade científica, as escolas, a indústria, os museus de ciência e os meios de comunicação social (Carvalho e Cabecinhas, 2004). Convém agora questionarmo-nos sobre o porquê de estes agentes, em particular a comunidade científica e o governo, quererem comunicar a ciência ao grande público. Com efeito, a comunicação da ciência nunca foi tão importante para quem está envolvido na área científica: “If there ever was a time when the research community could afford to lock itself away in the laboratory, oblivious to the views of the world outside, that time has surely passed. In the research community, we have to remind an often sceptical public of the value and relevance of science and technology, and that today’s research will affect their lives tomorrow. We must also convince young people that a career in scientific research is for them.” (May, 1996: 2) A comunicação pública da ciência é importante para a criação de um conhecimento coletivo sobre a relevância da ciência para a sociedade atual e futura, bem como para a atração de jovens para o seguimento de carreiras científicas. Segundo Sabbatini (2004), a comunicação pública da ciência cumpre diferentes objetivos, entre os quais estão: a) a criação de uma consciência pública e crítica sobre as atividades O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 11 científicas e tecnológicas, e b) o aumento da alfabetização científica entre os cidadãos, com o intuito de que estes apreciem a ciência, e assim, apoiem o financiamento de pesquisas desta índole. Heinzmann (1994) acrescenta ainda uma outra dimensão: o objetivo de reduzir o fosso de conhecimento existente entre o círculo restrito da comunidade científica e o resto da sociedade. Após termos caracterizado o conceito de comunicação da ciência em termos gerais, e de comunicação pública da ciência, em particular, há que analisar agora o momento a partir do qual os governos das democracias ocidentais passaram a manifestar preocupação para com a comunicação pública da ciência, adjudicando verbas para financiar este tipo de atividades. Os fatores que estiveram na base de tal empreendimento serão analisados no seguinte subcapítulo. 1.2. Os Modelos de Comunicação Pública da Ciência A comunicação pública da ciência começou a ganhar relevo a partir dos anos 50 do século XX, quando os governos das democracias ocidentais verificaram, através de inquéritos de opinião, que as suas populações apresentavam baixos níveis de alfabetização científica. Desde essa altura até ao presente, foram delineados vários modelos de comunicação pública da ciência (divididos entre unidirecionais ou deficitários: modelo do défice e modelo contextual e dialógicos ou democráticos: modelo de experiência leiga e modelo de participação pública), como forma de colmatar o défice de conhecimento científico, e assim aumentar a compreensão da ciência pelos públicos. Com efeito, a Compreensão Pública da Ciência era uma questão importantíssima para as democracias ocidentais, que temiam que o desconhecimento científico entre a população começasse a ter implicações ao nível do ensino e da indústria e que se traduzisse numa falta de apoio a políticas de ciência. Após uma sucessão de vários modelos, os governos concluíram pela necessidade de abrir a ciência à sociedade, tendência que persiste até hoje. A comunicação da ciência e da tecnologia recebeu um impulso vigoroso após a segunda Guerra Mundial, quando se deu início à realização de inquéritos para averiguar o nível de literacia científica da população dos Estados Unidos (Correia e Eiró-Gomes, 2009), e se verificou um fraco conhecimento generalizado. Em meados dos anos 70 do O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 12 século XX, o Conselho Nacional de Ciência dos EUA, aplicou novos questionários com o intuito de medir o saber e as atitudes do público face à ciência e à tecnologia. Os resultados revelaram que apenas 10% dos norte-americanos conseguiam definir o conceito de “molécula”, e que mais de metade acreditava que os humanos e os dinossauros haviam coabitado a terra no mesmo período. Concluiu-se que apenas 5% dos norte-americanos eram letrados cientificamente e que somente 20% se interessava por ciência e procurava informação a este respeito (Lewestein, 2003: 2). Também na década de 70, surgiram inquéritos de medição do conhecimento científico do público, no Reino Unido e em outros países do mundo, com resultados, de igual forma, pouco animadores. Perante um cenário bastante generalizado de iliteracia científica entre a população ocidental, e do evidente desinteresse manifestado em relação a matérias de ciência e suas instituições, os governos necessitavam, pois, de adotar medidas e de apresentar soluções. Para piorar este cenário, vários movimentos ambientais e sociais, surgidos em finais dos anos 70, vieram colocar em causa a credibilidade e o prestígio das instituições científicas. Neste contexto, e de acordo com Bauer et al. (2007), a Royal Society of London 3 publicou, na segunda metade da década de 80, um relatório intitulado Public Understanding of Science (Compreensão Pública da Ciência), no qual chamava a atenção para as atitudes negativas do público face à ciência e para a quebra de confiança nas suas instituições. Uma vez que o modelo de desenvolvimento adotado pela maioria dos países ocidentais assentava na designada economia baseada no conhecimento, a Royal Society of London apelava ao reforço das iniciativas em prol de uma melhor compreensão da ciência pelo público. Na perspetiva de Conceição (2011), esta quebra de confiança das populações na ciência radicava em três motivos: em primeiro lugar, nos fracos conhecimentos científicos da população; em segundo, na imagem desadequada que os media difundiam acerca da ciência (pouco precisa ou alarmista); e, por último, no fraco envolvimento dos cientistas no esforço de comunicação pública da ciência. O Relatório Public Understanding of Science estabeleceu também aquilo que o público deve saber sobre a ciência, reiterando que se deveriam conhecer os seus métodos, os seus feitos, e também os seus limites. As considerações da Royal Society 3 Criada em 1660, a Royal Society of London é uma instituição britânica que tem como objetivo fundamental o reconhecimento, a promoção e o apoio à ciência. Esta organização tem incentivado o desenvolvimento e o uso da ciência para o benefício da humanidade. O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 13 fizeram emergir o modelo do défice, que se assumiu como paradigma dominante na compreensão pública da ciência. 1.2.1. O modelo do défice Herdeiro dos estudos que, desde os anos 50, se dedicavam a medir a literacia científica e a recensear as atitudes do público em relação à Ciência e à Tecnologia, através de grandes inquéritos à escala nacional (Fernandes: 2007), o modelo do défice ou modelo dominante, procurava combater a desconfiança das populações para com as instituições científicas, apostando na transmissão de informações acerca da ciência, e reforçando a sua educação e divulgação junto de públicos alargados. Este modelo, nascido dos pressupostos do relatório da Royal Society, entendia que os indícios de desconfiança ou de desinteresse da população em relação à ciência estavam relacionados com o baixo nível de conhecimentos científicos dos cidadãos. Segundo Lewenstein (2003), o modelo do défice parte do princípio de que transmitindo mais informação, essa falta de conhecimento será extinta, e as pessoas apoiarão as políticas de ciência. Assim, os programas de comunicação pública da ciência tinham a função de desenvolver campanhas informativas que elevassem os níveis de conhecimento, de forma a restaurarem a confiança na ciência (Sturgis e Allum, apud Fares et al., 2007). Neste sentido, apostou-se, segundo Conceição (2011), no reforço do ensino formal das ciências, tornando-o mais universal e experimental. A mesma autora (2011) afirma que se procurou intensificar a educação ao longo da vida, tendo aparecido nesta época novos museus e centros de ciência. O modelo do défice partia do princípio, como vimos, de que promovendo-se uma maior difusão sobre os assuntos científicos, a iliteracia científica diminuiria e, se tal não acontecesse, poderíamos culpar as instituições científicas enquanto entidades que transmitem informações fidedignas. Este último pressuposto liga-se ao modelo canónico de comunicação pública da ciência que entendia que a comunicação científica deveria ser um: “espelho capaz de transmitir para o exterior, com mínima distorção, aquilo que ia sendo produzido no interior das instituições científicas”. (Conceição, 2011: 133). Dada a inerente dificuldade de entendimento do discurso científico por parte do público leigo, o modelo canónico chama a atenção para a necessidade de existir um mediador entre a ciência e o público, atribuindo aos cientistas este papel (Bucchi, 1998 apud O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 14 Sabbatini, s.d.). No modelo do défice, os cientistas são os especialistas do conhecimento, e o público é composto por leigos e ignorantes (Costa et al., 2010). Existe, assim, uma assimetria comunicacional, pois a informação é passada unilateralmente dos cientistas para o público, sem existir “feedback” dos leigos para os especialistas. Os mesmos autores referem (2010) que a ciência é aqui pensada como sendo autónoma em relação ao resto da sociedade, e que o público é visto como uma massa homogénea e passiva. Neste modelo, “o processo de comunicação é tratado como substancialmente unidirecional, linear, do complexo para o simples, de quem sabe para quem ignora” (Mazocco e Sousa, 2009). O modelo do défice, que emanou dos pressupostos contidos no Relatório da Royal Society, inscreve-se, de acordo com Fernandes (2007), na teoria hipodérmica da comunicação de massa, de onde se destacam os estudos de Lasswell. A teoria hipodérmica ou teoria da bala mágica surgida no período entre as duas Guerras Mundiais, para descrever o fenómeno recente da comunicação de massa, coincidiu com o período histórico caracterizado pela assimilação da comunicação à propaganda. O modelo de Lasswell iniciou a problemática dos efeitos nos estudos da comunicação, estando preocupado em entender o comportamento do indivíduo após ter sido atingido pela mensagem mediática. Pensava-se que os mass media tinham um total poder sobre o público, que era facilmente manipulado pelas mensagens transmitidas, ignorando-se questões importantes como a personalidade, o contexto social, entre outros fatores importantes para determinar a eficácia comunicativa do emissor. Pegando nestas considerações, podemos recorrer à teoria hipodérmica para explicar a relação de comunicação subjacente ao modelo da Royal Society. Tal como o modelo de Lasswell: “… o modelo dominante preocupa-se com as atitudes em relação à ciência, de que modo estas se alteram após exposição a campanhas de comunicação pública de ciência. O modelo dominante também gira em torno dos efeitos que se retiram das acções levadas a cabo por cientistas, sobretudo, com o fim de contribuir para uma melhor compreensão, e aceitação, da ciência.” (Fernandes, 2007: 117). Encontramos, com efeito, uma grande semelhança entre os pressupostos do modelo de Lasswell e as diretivas do modelo da Royal Society, nomeadamente: a assimetria do processo comunicativo e a intencionalidade da comunicação (o de promover uma atitude favorável à ciência); a independência dos papéis do emissor e do O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 15 recetor, que aparecem isolados e sem relação social entre eles. Como afirma a autora (ibidem) a teoria hipodérmica é uma abordagem que trata da informação que transita de uns para os outros, e não sobre a relação que se estabelece através dessa comunicação. O modelo do défice recebeu, na última década, inúmeras críticas. Uma delas tem a ver com o facto de não eleger como preocupação central o estudo dos destinatários. Tal significa que as informações transmitidas pelos cientistas às pessoas não eram adaptadas às suas particularidades, sendo assim, incompreendidas. O público era encarado como homogéneo e indiferenciado, e negligenciava-se o contexto de receção da mensagem. Como afirma Lewenstein (2003), vários estudos criticaram o facto de as informações serem transmitidas aos cidadãos, sem atenderem ao contexto específico das suas vivências. O autor (2003) recorre às teorias da aprendizagem para demonstrar que as pessoas têm maior facilidade em aprender, quando os factos e as teorias têm algum significado e relação com as suas vidas pessoais. E acrescenta: algumas investigações demostram que em comunidades onde existem problemas com a qualidade da água, pessoas com educação limitada conseguem compreender rapidamente informação altamente técnica e complexa, uma vez que tal assunto afeta diretamente as suas vidas. No entanto, em que circunstâncias é que um não cientista necessita de saber a definição de DNA, se dela não fizer uso no seu dia a dia? Chama-se assim a atenção para a utilidade que as audiências conferem à informação que lhes é transmitida e a forma como estas articulam tais informações com outros saberes e experiências de que já dispõem. Partilhando a mesma opinião de Lewenstein (2003), Miller (apud Sabbatini, s.d.) sustenta que o modelo do défice se caracteriza pela ausência de mudanças de contexto e de significado, passando-se diretamente do contexto da origem da informação para o contexto público, sem as adaptações necessárias. De acordo com Conceição (2011), começou também a questionar-se até que ponto existia uma associação direta entre o acesso a mais informação, e o reforço das atitudes positivas do público para com a ciência. A partir dos anos 90, muitas das análises quantitativas desenvolvidas revelaram que a familiaridade dos inquiridos com as teorias, os métodos e os processos científicos, não implicava que os mesmos confiassem acriticamente nas instituições científicas e nos seus peritos. Aliás, um bom nível de conhecimentos pode também originar uma atitude negativa em relação às temáticas de Ciência e Tecnologia. Estes trabalhos, de acordo com o que já foi referido anteriormente, mostraram que, mais O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 16 importante do que transmitir informações técnicas sobre os conhecimentos e avanços científicos, é fundamental atender às condições e ao contexto em que as mensagens poderiam ser recebidas. Este modelo é criticado também por se verificar que, após 25 anos de esforços no sentido de se aumentar o conhecimento do público, a percentagem de pessoas a responderem corretamente a questões sobre ciência não mudou muito desde então (Lewenstein, 2003). Podemos resumir os pressupostos básicos do modelo do défice em três tópicos: 1. O aumento do conhecimento traduz-se numa atitude positiva em relação à ciência; 2. A desigualdade cognitiva entre cientistas e leigos é uma realidade; 3. Linearidade da comunicação entre cientistas e não especialistas, que se traduz numa assimetria do processo comunicativo. Malgrado todos os esforços, o modelo do défice parece não ter resolvido o problema detetado pela Royal Society of London. Assim, referindo Landi e Gusmão (2004), começaram a ser desenhadas diversas alternativas a este modelo e foram propostas reformas na área do Public Understanding of Science. 1.2.2. O modelo contextual Em meados dos anos 90 do século XX, aparece o modelo contextual, na tentativa de superar uma das falhas do modelo do défice: a não consideração da forma como os cidadãos recebiam as mensagens. Começou, de facto, a entender-se que a relação com a ciência não se circunscreve aos aspetos cognitivos, mas é antes influenciada pelo contexto sociocultural. A dimensão contextual (não cognitiva) em que vive o sujeito é a novidade deste modelo, que procura entender qual a relevância do conhecimento científico para o indivíduo, e de que forma é que este o utiliza para lidar com problemas específicos. Segundo Wynne (apud Fernandes, 2007), o modelo contextual não se foca nos estudos quantitativos, como por exemplo, os questionários de medição da literacia científica (característicos do modelo do défice), mas interessa-se por uma investigação qualitativa, que analisa o contexto em que se realizam as experiências científicas, explorando a forma como os indivíduos, em contextos sociais diferentes, constroem significados. O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 23 desenvolvidos pela URSS e EUA - o lançamento do “Sputnik” em 1957, e a ida à lua em 1969. De acordo com Phillips (2009), nos anos 50 e 60 os jornalistas eram defensores da ciência, acreditando que as novas descobertas iriam beneficiar a sociedade. Para estes profissionais, a conquista do reconhecimento dos cientistas era fulcral. O tom do relato jornalístico era, pois, pautado por um otimismo. No entanto, em 1962, uma jornalista, “Rachel Carson”, publicou um livro intitulado Silent Spring, no qual chamava a atenção para o pesticida DDT que estava a enfraquecer os ovos das aves e a matar a vida selvagem (Rensberger, 2009). O trabalho desta jornalista ajudou a lançar não apenas o movimento ambientalista, mas também a secção de jornalismo ambiental nos jornais. Efetivamente, no final dos anos 70, vários movimentos ambientais e sociais colocaram em causa a credibilidade da ciência e do seu prestígio. Como podemos verificar: “…during this period, the ‘missionary role’ of the scientific journalism was beginning to be criticized by a number of scientific journalists who had captured the spirit of the social criticism”. (Arca, 2004: 27). Até ao surgimento das críticas dos movimentos ambientalistas, os jornalistas regiam-se pelo valor da objetividade e viam as audiências como deficitárias do conhecimento científico. (Amend, 2011). Existia uma estrutura de transmissão linear (top-down) da informação que partia dos cientistas para os jornalistas, que, por sua vez, traduziam a investigação numa linguagem mais acessível e compreensível para as audiências. Com o aparecimento destes movimentos, assiste-se a uma mudança de paradigma no relato jornalístico da ciência. Este passa agora a ser composto por críticas ao trabalho dos cientistas, especialmente dirigidas aos que são financiados pela indústria. Como refere Rooyen (2002), o tom que marcou o relato jornalístico de 1965 a 1990 foi crítico e negativo. É importante não esquecer também que foi no final dos anos 70 que ocorreu o acidente nuclear em Three Mile Island (1979), Pensilvânia (EUA), desastre que terá certamente contribuído para o crescimento das incertezas em relação às instituições científicas, e logo, ao aumento do número de críticas à comunidade científica por parte dos profissionais dos media. Estes passaram a realçar as implicações sociais e políticas dos desenvolvimentos tecnológicos e científicos, começando, desta forma, uma nova era do jornalismo de ciência que ficou conhecida por Watchdog Age. O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 24 Phillips (2009) afirma que em vez de defenderem a ciência, os jornalistas tornaram-se defensores do interesse público. Até aqui vimos que na primeira metade do século XX, o problema da compreensão pública da ciência foi detetado e a legitimação do conhecimento científico foi adquirido através da apreciação da ciência pela sociedade. Contudo, após as críticas surgidas nos anos 70, a compreensão pública foi para além da apreciação da ciência, passando também a contextualizar o conhecimento científico e a atribuir-lhe um significado (Gregory e Miller, 1998, apud Arca, 2004). Estas críticas enquadram-se no modelo contextual (já analisado anteriormente), onde as mensagens jornalísticas passam a ser construídas de forma a terem relevância para audiências específicas, procurando atender às necessidades particulares do público (Amend: 2011). Com o advento do modelo de experiência leiga, e com o levantamento de novas questões sobre a competência e ética dos cientistas, os jornalistas centram-se em perspetivas alternativas externas à comunidade científica e examinam questões relacionadas com valores, ética e sociedade, algo que não acontecia nos modelos mais tradicionais. (Amend: 2011). Nos EUA o jornalismo de ciência teve um papel crescente enquanto observador crítico da comunidade científica na década de 1980, tal como o fez mais tarde em vários outros países da Europa. Convém relembrar que o desastre de Chernobyl, em 1986; a clonagem da ovelha Dolly, em 1997; a decifração do genoma humano, entre outros assuntos, levou a que a atividade do jornalismo de ciência aumentasse e que os profissionais dos media examinassem estes temas do ponto de vista ético e de relevância para a sociedade (Wormer: 2008). O nascimento do modelo de participação pública quebra também com o modelo de transmissão linear (top-down) presente na principal corrente do jornalismo. Neste modelo, a prática jornalística centra-se mais no relato dos processos que estão por detrás da ciência e inclui uma variedade de pontos de vista dos parceiros, e procura envolver as audiências num debate pluralista. Com efeito, este modelo tenta incluir os pontos de vista de diferentes parceiros e promover o envolvimento da ciência com a sociedade. Segundo Dickson (2005), os jornalistas têm hoje a tarefa de escreverem informação que ajude os indivíduos a envolverem-se apropriadamente no diálogo com a ciência. O objetivo destes profissionais deveria ser fornecer informação de qualidade e contextualizada para garantir que as decisões dos cidadãos sejam tomadas de forma O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 25 democrática e informada. Efetivamente, o papel que os media desempenham hoje em dia na comunicação da ciência é inegável: “Numa época em que a ciência é um tema público, sujeito ao escrutínio da comunidade científica e da sociedade, os media assumem-se não só como os principais meios de difusão científica para o público em geral, mas também como um espaço privilegiado de legitimação e um fórum de mediação das relações entre a ciência e a sociedade.” (Mendonça, 2006, apud Pinto e Carvalho, 2011: 10). Numa altura em que se procura abrir a ciência ao debate público, o jornalismo de ciência online surge como um bom instrumento para alcançar tal objetivo. É sobre esta nova forma jornalística que trataremos de seguida. 1.3.3. A evolução para o ciberjornalismo Em virtude da vigente crise económica e do advento da Internet, o setor dos meios de comunicação enfrenta, no seu conjunto, uma pressão sem precedentes, e o jornalismo de ciência não fica imune a esta situação (Semir, 2011). Com o encerramento das secções de ciência nos jornais impressos, muito se tem especulado sobre o futuro do jornalismo científico. Num contexto de incerteza sobre a sobrevivência e sustentabilidade desta atividade profissional, vários autores têm apontado a Internet e os media digitais como uma das possíveis soluções para a manutenção da especialidade jornalística (Phillips, 2009). Na verdade, o meio online revela-se bastante atrativo para as indústrias mediáticas por permitir alcançar maiores audiências com um menor esforço económico. Como refere Pavlik (2001, apud Bastos, 2005), o envolvimento do público nos conteúdos noticiosos é muito maior no online, dado que a Internet é um meio ativo, em vez de passivo. A migração para a Internet, fez emergir progressivamente um novo género jornalístico conhecido por jornalismo digital ou ciberjornalismo, que se distingue do jornalismo tradicional pelas suas características particulares: a multimedialidade, a hipertextualidade e a interatividade. (Bastos, 2005). De igual forma, a atualização noticiosa contínua, o acesso global à informação, a personalização de conteúdos, a reportagem instantânea, a convergência e a não-linearidade são, segundo o autor (2005), qualidades distintivas desta nova forma de jornalismo. O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 26 A produção de notícias de ciência no meio online pode tirar partido das modalidades de comunicação que lhe são inerentes (texto, áudio, vídeo, imagens, gráficos, animação, etc.), conjugando estes diferentes meios para facilitar a compreensão da mensagem pelo público. Efetivamente, a coordenação destes diferentes tipos de linguagem pode ajudar as audiências a terem uma visão mais contextualizada e multidimensional dos factos que são relatados. Como refere Bastos (2005), no ciberjornalismo há que explorar todos os formatos possíveis a ser utilizados numa estória, de forma a se conseguir tirar partido da característica-chave do novo médium: a convergência. Apesar destas vantagens, algumas críticas são apontadas a esta transição do jornalismo científico para a internet. Como sabemos, a internet veio provocar mudanças no seio das redações jornalísticas. Se antes os repórteres eram os únicos veículos de transmissão de informação para o público leigo, hoje o cidadão comum desempenha também um papel de destaque, pois pode, de igual forma, publicar conteúdos informativos. Esta característica da internet fez nascer o chamado citizen journalism (jornalismo cidadão), no qual o público dissemina e partilha informação na internet sobre um dado assunto em que pode ser, ou não, especialista. Na entrada do século XXI, a Internet foi “aproveitada pelos seus antigos recetores passivos como meio ideal de expressão individual e de questionamento da comunicação e do jornalismo um-para-muitos” (Zamith, 2011: 21,22). Como podemos constatar, na era digital, os jornalistas ocupam o papel de disseminadores do conhecimento, juntamente com os cidadãos. Segundo Zamith (2011), assiste-se a uma rutura com a clássica relação de poder top-down a que os meios de comunicação tradicionais estavam habituados. Com efeito, a evolução tecnológica está a ser determinante neste processo, pois está a facilitar o acesso e a democratizar o uso de instrumentos de captação, de edição e difusão de imagens, de áudio e vídeo. No caso do jornalismo científico, os chamados jornalistas de ciência têm ainda a concorrência dos cientistas, que, nos últimos anos, começaram a querer comunicar-se ao público, sobretudo, através de blogs criados na internet. Como afirmam Fahy e Nisbet (2011), os jornalistas de ciência trabalham, hoje em dia, num ambiente mediático que é pluralista, participativo e social. No atual contexto, os jornalistas, os cientistas e os leitores são, simultaneamente, produtores e O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 27 recetores de conteúdo. Assistimos, assim, a uma mudança na definição daquilo que é o jornalismo em geral, e mais concretamente, no conceito do jornalismo de ciência. Num cenário em que qualquer cidadão pode publicar conteúdo online, é necessário aumentar a sua capacidade para encontrar informação útil, de forma a conseguir discernir o fiável do não verídico, e para promover a sua participação na comunicação e nos debates científicos (Semir, 2011). O jornalista de ciência desempenha aqui um papel crucial. Como menciona Rensberger (2009), se os jornalistas de ciência querem alcançar confiança na sociedade, não lhes basta dominarem apenas os novos media, têm de aprender ciência para analisarem e interpretarem os resultados, incluindo, nomeadamente, os motivos dos financiadores, e devem também ser capazes de anteciparem os impactos das novas tecnologias. O jornalismo de ciência online é apenas uma das vertentes do amplo conjunto de atividades de comunicação de ciência na World Wide Web. No seguinte subcapítulo iremos abordar as características da World Wide Web enquanto veículo de comunicação e as vantagens que a ciência pode retirar por se divulgar neste suporte. 1.4. A Comunicação da Ciência na World Wide Web A World Wide Web (WWW), serviço que possibilita a troca de informação multimédia através da internet, tem conhecido um amplo crescimento enquanto canal de divulgação da atividade científica. Na verdade, os produtores de conteúdos de ciência e as instituições científicas rápido perceberam o potencial do meio online, e começaram a desenvolver iniciativas de comunicação na web, para chegarem a mais pessoas de forma ágil e económica. A aposta neste meio é facilmente compreensível se tivermos em conta o facto de o número de utilizadores da internet ter conhecido, desde o seu aparecimento, uma grande expansão a nível mundial e nacional. Se quisermos atrair os jovens para as áreas científicas não podemos de forma alguma negligenciar o meio online. Notemos que, em Portugal, os indivíduos entre os 15 e os 34 anos são o grupo etário que mais utiliza a Internet, e, consequentemente, a World Wide Web (Taborda, 2010). 1.4.1. Características da World Wide Web e da Internet enquanto seu veículo de comunicação Apesar de serem frequentemente utilizados como sinónimos, a internet e a World Wide Web não têm o mesmo significado. Vamos, então, esclarecer rapidamente O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 28 as diferenças entre os dois termos. A internet (ou a “rede” como também é designada) é um sistema de computadores interligados pelo protocolo de comunicação TCP/IP, que se interconectam até formar a grande rede, ou a internet. A World Wide Web (ou “teia de alcance mundial”) é um serviço que possibilita a troca de informação multimédia (texto, som, gráficos e vídeo) através da estrutura da internet. (Monteiro, 2001). O desenvolvimento da World Wide Web por Tim Berners Lee, em 1990, introduziu novos elementos, tais como interface gráfica e facilidade de acesso. A Internet e, mais tarde, a World Wide Web, vieram revolucionar o panorama da comunicação mundial, e em particular, o cenário mediático, ao introduzirem, pela primeira vez, o conceito de descentralização da informação, quebrando com o modelo de comunicação top-down imposto pelos meios de comunicação de massas tradicionais. O espaço cibernético introduz o dispositivo “Todos e Todos”, no qual não existe distinção entre emissores e recetores, dado que todos os intervenientes podem ocupar as duas posições, estabelecendo-se um novo tipo de interação (Galli, 2002). Tal paradigma vem cessar com o tradicional modelo “Um e Todos”, representado pelos mass media, que se caracteriza por possuir um centro emissor e múltiplos recetores, sendo a mensagem divulgada num único sentido, sem existir interatividade entre as partes. Para além da descentralização da informação, a World Wide Web permitiu o desenvolvimento de novas linguagens, de narrativas convergentes (multimédia) e de novas formas de recuperação e reutilização da informação (Zamith, 2011). Com efeito, a combinação da interatividade com a possibilidade de acesso a uma gama “quase” ilimitada de conteúdos, a dimensão da audiência atingida e a natureza global da comunicação, conferem à World Wide Web o seu carácter inovador. (Livingstone apud McQuail, 2003: 121). Vários autores têm tentado definir as características que melhor identificam a World Wide Web, e ambos apontam os seguintes aspetos: hipertextualidade, multimedialidade, e interatividade (Canavilhas, 2008, Salaverría, 2003 e Palácios, 2003 apud Baldessar, Antunes e Rosa, 2009). Passaremos a caracterizar cada um destes elementos, e seguidamente apresentaremos a definição e a caracterização da chamada Web 2.0, a dita segunda geração da WWW. O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 29 Hipertextualidade O hipertexto é o cerne da organização das informações na Web, operacionalizado através da linguagem de programação HTML. Na World Wide Web cada documento pode conter ligações (links) para outros documentos que, por sua vez, podem estar ligados a outros. Na estrutura hipertextual, o utilizador não é obrigado a seguir um percurso linear na leitura da informação (o habitual “começo, meio e fim”), pois pode optar pelo trajeto que entender, navegando livremente entre os documentos interligados (Monteiro, 2001). De acordo com Landow (1995 apud Baldessar, Antunes e Rosa, 2009), a estrutura não-linear e não-sequencial do hipertexto é revolucionária, uma vez que, ao permitir que o utilizador escolha o seu próprio caminho de leitura, faz com que este tenha um papel reativo. Na verdade, é o utilizador que “constrói” o texto final, ao navegar de ligação em ligação, de acordo com a sua experiência de vida e os seus interesses específicos. O início e o fim da história coincidem com o ponto onde o utilizador iniciou ou encerrou a leitura, podendo não estar de acordo com o começo e o fim da narrativa pensados pelo autor do texto. A primeira referência à estrutura hipertextual foi feita pelo matemático e físico americano Vannevar Bush (1890-1974), no artigo “As we may think”. O autor criticava a artificialidade dos sistemas de indexação e de organização de informações da comunidade científica (baseados numa ordem hierárquica), e apelava para a invenção de um método que fosse capaz de criar associações, à semelhança da mente humana (Zamith, 2011). Com efeito, as associações de pensamentos realizadas pelo cérebro humano não seguem uma ordem sequencial, mas sim uma forma não-linear, uma teia. O processo é o seguinte: a partir de uma ideia, a mente avança para o dado seguinte, caminhando pelas diferentes ligações que são configuradas pelas células do cérebro (Fachinetto, 2005). Apesar de Bush ter sido o precursor do conceito, o termo “hipertexto” foi apenas cunhado em 1965, por Ted Nelson, para indicar a escrita e a leitura não-lineares dos sistemas de computadores (Monteiro, 2001). Na década de 90 do século XX, Pierre Lévy sintetiza o conceito de hipertexto da seguinte forma: O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 30 “Tecnicamente, um hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou parte de gráficos, sequências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser hipertexto. Os itens de informação não são ligados linearmente, como numa corda com nós, mas cada um deles, ou a maioria, estende as suas conexões em estrela, de modo reticular. Navegar num hipertexto significa, portanto, desenhar um percurso numa rede que pode ser tão complicada quanto possível. Porque cada nó pode, por sua vez, conter uma rede inteira” (Lévy, apud Aquino, 2006:2). O hipertexto constitui-se como um novo processo de escrita/leitura que exige novas práticas aos utilizadores, permitindo-lhes aceder instantaneamente a outros textos/documentos. Efetivamente, a estrutura hipertextual, reticular e repleta de nós, apresenta-se como uma metáfora da mente humana, em que o percurso é definido no momento da navegação (Fachinetto, 2005). Multimedialidade A componente multimédia é uma das características diferenciadoras da World Wide Web. A origem etimológica da palavra dá-nos claras pistas do seu significado: multi significa numeroso e media é o plural de médium: meios ou intermediários. Assim, a multimédia é aquilo que se expressa, transmite ou se percebe através de vários meios (Salaverría, 2001). O conceito “multimédia” pode ter diferentes significados para diferentes pessoas, mas normalmente está associado a uma combinação entre meios eletrónicos. De acordo com Olliges (1996), existe um consenso geral de que a multimédia envolve diferentes formatos de media, integrados num único suporte de informação. Assim, a mensagem pode ser transmitida através da televisão ou de computadores, utilizando imagens estáticas ou em movimento, áudio, etc. No entanto, definir a comunicação multimédia como uma simples acumulação de estímulos visuais e auditivos num único suporte não é suficiente. Tal como assinalou Wedemeyer (apud Salaverría, 2001), o ser humano combina há séculos elementos textuais e audiovisuais para imprimir maior clareza e vigor às suas mensagens. Assim, terá de existir um traço que defina com maior precisão este conceito. Alguns autores como Bouwman, Aston e Klein (apud Salaverría, 2001) associam o conceito nuclear de O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 31 multimédia ao suporte no qual se difunde a informação e ao papel que desempenha o recetor do produto. Desta forma, consideram que os seus elementos determinantes são: a transmissão da informação em formato digital e a interatividade por parte dos utilizadores. De acordo com estes autores está Xie (Tsuji, 2010) que entende que: “multimedia digital es la integración de textos, gráficos, imágenes estáticas y en movimiento, animación, sonidos y cualquier medio por el cual se puede representar información, guardar, transmitir y procesar digitalmente, a través de una computadora”. Para além da integração de elementos textuais, visuais, sonoros, gráficos e audiovisuais num único suporte digital, o autor espanhol Cébrian Herreros (2005 apud Noci, 2009: 2), entende que a multimédia acrescenta à informação outros elementos específicos como: a interatividade, a navegação e a hipertextualidade. Quando se fala na combinação de diferentes meios num único suporte, há que atender também para o facto de a mensagem multimédia não consistir apenas numa mera justaposição de códigos textuais e audiovisuais. É necessário, pois, que exista uma integração harmoniosa entre todos os elementos para que se alcance a unidade da mensagem e esta faça sentido para o público. Em síntese, quando falamos em “comunicação multimédia” temos de entender a integração sincrónica e unitária de conteúdos com códigos diferentes (texto, áudio, imagens, etc.), que são transmitidos em suporte digital, de forma coerente e compreensível, e que são interativos. Interatividade Uma das características mais inovadoras da World Wide Web prende-se com a implementação de uma modalidade comunicativa que não é permitida nos media tradicionais: a comunicação interativa. Para Cho e Leckenby (1999 apud Rossi, Liveri e Silva, 2012), a interatividade é a principal vantagem competitiva da internet face aos outros media. Vejamos em que consiste este conceito. Alguns autores, como Lemos (1997, apud Aguiar, 2006) propõem uma classificação das diversas formas de interação que fazem parte do quotidiano. Assim, podemos ter a interação social, realizada através do intercâmbio de informações entre homem-homem, e a interação homem-máquina, também chamada de interação técnica, que consiste numa ação dialógica entre o homem e a técnica. É nesta última aceção que o autor situa a interatividade, referindo também O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 32 que além de interagir com a máquina, o utilizador pode também interagir com o conteúdo, com a informação, ou com outro utilizador. Neste trabalho, uma vez que estamos a abordar a interatividade enquanto característica do meio online, vamos centrar-nos na interação homem-máquina. Em que consiste, então, a interatividade? A comunicação interativa pode ser caracterizada, de acordo com Alba et. al (apud Rossi, Liveri e Silva, 2012), em três fatores: 1) multicaminhos; 2) imediatismo; e 3) contingente. O primeiro fator (multicaminhos) refere-se às pistas que o interface fornece ao utilizador, para que este escolha a sequência de ações que pretende adotar. As pistas (links ou opções de clique) são as várias opções de navegação que o interface dá ao utilizador, para que este escolha o seu caminho. O segundo fator (imediatismo) prende-se com a rapidez do sistema em dar a resposta ao utilizador, após o momento em que este enviou uma informação. O terceiro e último fator (contingente) refere-se, por sua vez, à facilidade que o utilizador tem em utilizar o sistema, mais especificamente, prende-se com a facilidade da navegação. Para estes autores, quanto maiores forem estes três níveis, maior será a interatividade entre o utilizador e a comunicação. Liu e Shrum (2002 apud Liu, 2003) propõem também três dimensões para a interatividade: o controle ativo, ou a capacidade do utilizador participar voluntariamente no processo de comunicação; a comunicação bidirecional, que capta o fluxo de informação nos dois sentidos; e a sincronicidade, ou a velocidade da interação. Em todas as definições que apresentámos, podemos concluir que a interatividade coloca a tónica nas ações que o utilizador tem com o sistema, com os seus conteúdos, ou outros utilizadores. A interatividade do meio online, ao contrário dos outros media, é uma interatividade online, que permite que o consumidor procure informações, tornando o processo mais intenso e ativo. Ao agir voluntariamente, o utilizador irá prestar maior atenção à mensagem, facto que se reflete numa maior aprendizagem (Rossi, Liveri e Silva, 2012). Podemos ainda acrescentar que, ao dar liberdade de interação ao utilizador, o meio online vem reforçar o processo de democratização de participação do cidadão comum em assuntos públicos (Noci, 2006). 1.4.2. A Web 2.0: a Web participativa e interativa A Web 2.0 foi um termo criado por Tim O’Reilly para designar aquilo que muitos dizem ser a segunda geração da Web, caracterizada pela introdução de novas O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 39 1.5.1. Decréscimo do número de estudantes de ciência e tecnologia no Ensino Superior Apesar de serem grandes consumidores de novas tecnologias, os jovens não estão dispostos a serem os seus produtores, concluiu o estudo Young People, Science and Technology, referindo dados do projeto ROSE (Sjøberg e Schreiner, 2008). Assim, malgrado o interesse que manifestam pela ciência, comprovado no relatório Les jeunes et la science (Gallup Organization, 2008), o qual revela que, a seguir à cultura e ao divertimento, a ciência e a tecnologia são os setores de conhecimento que mais interessam aos jovens, este grupo hesita na escolha de disciplinas científicas e na prossecução de carreiras neste domínio. Com efeito, o número de estudantes de ciência e tecnologia tem estado a crescer em termos absolutos (devido ao aumento do número de alunos no ensino superior), mas a decrescer em termos relativos. Este decréscimo não é, contudo, igual para todas as disciplinas científicas. O desinteresse dos jovens é mais notório em áreas como a matemática e as ciências físicas, cujas tendências de diminuição são particularmente preocupantes (OCDE, 2006). Contrariamente, as engenharias apresentam melhores resultados, significando, na maior parte dos países europeus, entre 40% a 60% do número total de estudantes de ciência e tecnologia. De acordo com o estudo Les jeunes et la science (Gallup Organization, 2008), este valor tem-se revelado estável ou positivo no decurso dos últimos anos. De referir que o número de alunos a frequentarem cursos de informática chegou mesmo até a aumentar (ibidem). O superior interesse por áreas mais tecnológicas pode explicar-se pelo facto de estas oferecerem melhores perspetivas de emprego. Contudo, a preferência dos jovens não é direcionada para as áreas científicas e tecnológicas, mas para as áreas das ciências sociais, seguidas da economia, do comércio e da gestão, setores que estão mais na moda no ensino superior. De acordo com o relatório Evolution of Student Interest in Science and Technology Studies (OCDE, 2006), a escolha dos alunos sobre as carreiras profissionais baseia-se, em primeiro lugar, no interesse que estes possuem por um campo em particular, bem como na perceção das perspetivas de emprego que essa área de estudos oferece. Os especialistas concluíram que os conteúdos educacionais desempenham um importante papel no aumento e na manutenção do interesse dos jovens pelas áreas de ciência e tecnologia, e que o contacto positivo com as ciências numa idade precoce pode provocar um impacto duradouro. Por outro lado, considera-se que as experiências O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 40 negativas na escola, devido a conteúdos pouco interessantes ou a uma má pedagogia são muito prejudiciais para as escolhas dos alunos no futuro. 1.5.3. Retrato da Cultura Científica dos Jovens Os relatórios PISA (apud Azevedo, Amador e Azevedo, 2008) fornecem-nos uma descrição social da compreensão pública dos jovens sobre a ciência. Utilizando os dados de 2006, verificamos que apenas 1,3% dos jovens dos países da OCDE alcançam o nível superior da escala de conhecimentos científicos, ou seja, o nível 6. Do conjunto de países da OCDE, os que apresentam melhores resultados são a Finlândia e a Nova Zelândia, onde 3,6% dos jovens atingem o nível máximo de conhecimentos, sendo capazes de identificar, explicar e aplicar os factos de ciência, recorrendo a argumentos científicos para a defesa de determinados pontos de vista. Por oposição, Portugal possui resultados bem abaixo dos anteriores, tendo a maioria dos estudantes atingido os níveis 2 e 3 na escala de conhecimentos. O que poderá estar na base destas diferenças de desempenho científico entre os jovens de diferentes nações? Os autores do PISA (ibidem) concluíram que as variáveis económicas e sociais de cada país poderão ajudar a entender esta situação. Assim, um país terá uma maior performance científica dos seus jovens, se o seu PIB per capita aumentar. Tal significa que nos países mais ricos, os jovens terão uma maior cultura científica. Isto porque os Estados mais abastados alocam maiores investimentos para a área da educação. No entanto, esta não é uma regra absoluta. Portugal, por exemplo, apresenta níveis de cultura científica bastante modestos, atendendo aos investimentos que são destinados à educação. Países como a Coreia e a Nova Zelândia, conseguem ter níveis de conhecimento científico mais elevados que o nosso país, usufruindo do mesmo montante de investimento que nós. Os investigadores concluíram que o investimento nas instituições educativas tem um peso importante para a melhoria dos conhecimentos científicos, embora não seja suficiente. Conclui-se também que o nível socioeconómico dos pais não está linearmente relacionado com o desempenho dos jovens. 1.5.4. Razões para o afastamento dos jovens das áreas científicas Qual a razão do desinteresse dos jovens pelas matérias científicas? Vários estudos têm procurado explicações para um fenómeno que se faz sentir em vários países do mundo, incluindo Portugal. Segundo Fiolhais (2011), todas as razões entroncam na O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 41 distância existente entre a ciência e a sociedade. Um primeiro fator explicativo para este distanciamento pode ser o temor e o receio que muitos cidadãos têm em relação à ciência, em virtude de vários desastres que têm ocorrido ao longo da história (relembremos os casos de Bhopal e Chernobyl, e o mais recente derrame petrolífero no golfo do México, bem como o acidente nuclear em Fukushima, no Japão). O relatório Young People, Science and Technology (Sjøberg e Schreiner, 2008), dá-nos conta deste receio manifestado em relação à ciência, ao concluir que os jovens europeus, pertencentes aos países mais ricos, têm algumas dúvidas sobre a segurança dos empreendimentos científicos. E os jovens japoneses destacam-se por serem aqueles que apresentam níveis de confiança mais baixos nas instituições de ciência. Outra explicação para este afastamento dos jovens pode ter a ver com as dificuldades intrínsecas de aprendizagem da matemática e da física (Fiolhais, 2011). Na realidade, uma vez que o entendimento destas disciplinas exige empenho e método de trabalho, muitos alunos podem querer excluí-las do seu leque de estudos, dado que os jovens dão primazia ao divertimento sobre o esforço. Carrapatoso et. al (2005), consideram que uma outra razão para este desinteresse poderá estar relacionada com a massificação e uniformização de gostos e de tendências entre os jovens, para os quais é fashionable depreciar a matemática e a física. Os autores (2005) referem também que outra das possibilidades para o abandono dos estudos de ciência, pode relacionar-se com a insuficiente visibilidade e prestígio da imagem social do cientista. Acrescentam, ainda, que a opinião pública não tem conhecimento suficiente sobre os atrativos da ciência e da tecnologia, bem como dos seus impactos sobre a sociedade. Segundo Fiolhais (2011), o deficiente rendimento dos estudos de ciência a nível do básico e do secundário poderá contribuir também para o não seguimento de carreiras científicas por parte dos jovens. Esta falta de preparação dos alunos poderá ter a ver com o próprio método de ensino dos professores, segundo avança o relatório Evolution of Student Interest in Science and Technology Studies (OCDE, 2006). Efetivamente, os docentes exercem uma forte influência sobre as escolhas dos alunos, principalmente, no ensino básico e no secundário, ajudando-os a construírem uma imagem (positiva ou negativa) sobre os domínios que lecionam. Em abono da verdade, muitos professores podem não adotar os métodos mais apropriados para o ensino da ciência e tecnologia (áreas que exigem experimentação e questionamento), contribuindo para o desinteresse dos discentes por essas disciplinas. O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 42 Uma outra causa para o desapego dos jovens das ciências estará relacionada, segundo Carrapatoso et. al (2005), com o divórcio entre o ensino secundário e o superior, materializado na falta de diálogo entre os professores destes dois níveis de ensino. Os mesmos autores (2005) acrescentam ainda que a imagem negativa construída pelo público em relação à ciência, deve-se, de igual forma, ao não reconhecimento da importância da comunicação, instrumento fundamental para a aproximação dos leigos à ciência, e para a construção de uma boa imagem entre o público, e neste caso, entre os jovens. 1.5.5. Imagem que os jovens têm dos cientistas e a perceção sobre a utilidade da ciência Os inquéritos de prestígio e de motivação mostram que os jovens têm uma perceção bastante positiva sobre as ciências e as tecnologias. Estes domínios são encarados como importantes para a sociedade e a sua evolução, apesar de alguns alunos manifestarem preocupações específicas frequentemente ligadas a algumas consequências negativas da ciência e tecnologia sobre o ambiente e a sociedade (OCDE, 2006). O mesmo relatório (ibidem) concluiu que os cientistas são os profissionais nos quais a opinião pública deposita uma maior confiança, embora o seu prestígio social tenha diminuído, dado que raramente ocupam posições de chefia nas empresas. Acresce que as informações difundidas pelos média sobre os eventos relacionados com ciência não se focalizam na pessoa dos investigadores, pelo que estes gozam de anonimato entre o público. O estudo Les jeunes et la science (Gallup Organization, 2008) inquiriu os jovens sobre a visão que estes têm da profissão de cientista, e concluiu que os discentes europeus têm uma imagem positiva dos cientistas, sendo que apenas 5% duvida da integridade dos mesmos. A maioria dos respondentes achava que estes profissionais eram pessoas dedicadas, que trabalhavam para o bem da humanidade. Portugal e a Grécia foram os países em que os alunos mais concordaram com esta afirmação (91%). Contudo, muitos estudantes reconhecem que, em virtude dos conhecimentos que detêm, os cientistas têm um poder que os pode tornar perigosos. No que toca à questão da utilidade da ciência e as perceções que sobre ela são construídas, os jovens europeus têm, de uma forma geral, uma opinião positiva sobre a ciência e a tecnologia. Um terço dos respondentes (35%) afirmaram que estão O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 43 totalmente de acordo com o facto de a ciência trazer mais benefícios que prejuízos para a sociedade. (Gallup Organization, 2008). De notar também que um número similar (38%) está convicto de que a ciência é bastante influenciada pelo lucro. Os próprios jovens reconhecem que o interesse do seu grupo social pela ciência é fundamental para a prosperidade futura da civilização (metade dos respondentes mostrou-se muito de acordo com esta afirmação e 39% é bastante de acordo). 1.5.6. Diferenças no interesse dos jovens pela ciência e tecnologia de acordo com o género Vários estudos identificaram um número de fatores que influenciam as atitudes dos indivíduos para com a ciência, de uma maneira geral. São eles: o género, a personalidade, as variáveis estruturais e curriculares. De todos estes fatores, a literatura aponta que o mais significativo é o género (Osborne, Simon, e Collins, 2003). Analisaremos, então, as atitudes dos jovens para com a ciência, atendendo ao género. Aquilo que transparece de uma extensa revisão da literatura sobre a área é que as raparigas têm uma atitude menos positiva face à ciência do que os rapazes (ibidem). Com efeito, os rapazes têm uma opinião mais positiva sobre a ciência e a tecnologia do que as raparigas. 4 homens em 10, estão plenamente convictos de que a ciência torna a nossa vida mais saudável, mais fácil e mais confortável, em oposição a 3 mulheres em 10 que partilham da mesma opinião (The Gallup Organization, 2008). Outro aspeto que transparece é que os elementos do sexo feminino são ainda pouco representados nos estudos de ciência e tecnologia (Sjøberg e Schreiner, 2008; OCDE, 2006). Efetivamente, apesar de o número de raparigas ter aumentado mais rapidamente no ensino superior do que os elementos do sexo oposto, a proporção de elementos do sexo feminino que optam por áreas de ciência e tecnologia continua abaixo dos 40% na maioria dos países da OCDE. Estes dois relatórios mostram que a escolha das disciplinas é altamente relacionada com o género, sendo as áreas das engenharias e ciências da computação dominadas pelos rapazes. Já as raparigas que optam pelas áreas científicas preferem as vertentes de medicina e as ciências da saúde, uma vez que estas são mais vocacionadas para áreas de contacto pessoal e de ajuda ao próximo. O estudo ROSE (apud Sjøberg e Schreiner, 2008) chama a atenção para a importância dos valores pessoais nas escolhas educativas dos jovens. Realmente, o facto O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 44 de a maior parte das raparigas não revelar interesse por profissões mais tecnológicas, pode estar relacionado com influências culturais externas, que consideram os rapazes mais indicados para esse tipo de profissões. O relatório Evolution of Student Interest in Science and Technology (OCDE, 2006) constatou que o interesse dos jovens pela ciência e tecnologia começa a decair fortemente perto da idade dos 15 anos. Esta é precisamente a idade em que as distinções entre os rapazes e as raparigas se começam a traduzir nas suas escolhas, e quando as orientações essenciais para o futuro são fixadas. A tese mais aceite para explicar as diferenças de opções entre os rapazes e as raparigas, relaciona-se com a questão da socialização cultural, que oferece às raparigas menos oportunidades de experimentarem os dispositivos tecnológicos e de utilizarem instrumentos de medição. Em virtude deste acontecimento, as raparigas consideram que têm mais talento para outras disciplinas, como por exemplo, o inglês, do que para as ciências (Osborne, Simon e Collins, 2003). Se atendermos a temas específicos que interessam mais a cada um dos sexos, constatamos que as raparigas revelam ter mais preocupações com a proteção do ambiente do que os rapazes. Estes últimos têm uma forte crença na ciência e na tecnologia, considerando que esta pode resolver qualquer tipo de problemas que afetem o ambiente. No entanto, os japoneses do sexo masculino são céticos em relação a este aspeto. Temas mais filosóficos e que lidam com o desconhecido, como a possibilidade de existir vida fora da terra e a sensação de leveza no espaço interessam a ambos os sexos. Todos os jovens querem uma profissão que encaixe nos seus valores e nas suas atitudes, sendo este aspeto mais valorizado pelas raparigas (Sjøberg e Schreiner, 2008). 1.5.7. Soluções possíveis para aproximar os jovens da ciência De acordo com Fiolhais (2011), uma das possíveis formas de aproximar os jovens da ciência consiste em melhorar e multiplicar as ações de marketing das ciências. Os “Dias Abertos” das Universidades e dos institutos e laboratórios de investigação, bem como o desenvolvimento de ações de verão, ajudam os jovens pré-universitários do ensino superior a conhecerem o dia-a-dia do trabalho científico. A organização de palestras de cientistas nas escolas secundárias ou em centros de museus de ciência contribuem também para aproximar os jovens das ciências e facilitam o contacto direto com os profissionais da área. Este contacto é importante, por permitir que os mais novos O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 45 obtenham informações precisas sobre a profissão, como o tipo de trabalho desenvolvido, a remuneração obtida e o número de horas de trabalho exigido. Os poderes públicos deveriam afetar recursos para a promoção destas atividades de sensibilização, procedendo, de igual forma, à avaliação da sua eficácia. A motivação dos jovens nas escolas, nomeadamente através de atividades experimentais, proporcionadas o mais cedo possível, é um empreendimento a considerar para despoletar um maior interesse dos alunos. Para Falk e Dierking (2010), os sistemas de ensino informais são os meios através dos quais os jovens mais aprendem ciência, e, quando utilizados numa idade precoce, são determinantes para a escolha de carreiras científicas no futuro. Os autores (2010) entendem que as visitas a museus, a jardins zoológicos ou oceanários, ou a visualização de documentários na televisão ou na internet, são bons meios para atraírem os jovens para as temáticas científicas, e para a aprendizagem da ciência. Acrescentam ainda que a internet desempenha, neste aspeto, um importante papel, dado que é o principal meio utilizado pelos jovens para a obtenção de informação científica, citando o estudo Pew Internet & American Life Project (2006), que indicava que o meio online superava os meios tradicionais para a obtenção de informações científicas pelo público. Estas informações parecem indicar que o ensino formal, isto é, a escola, não é o único meio em que se deve apostar para atrair os jovens para as áreas científicas, mas as atividades extracurriculares devem ser tidas em conta quando se delineiam estratégias de atração dos mais novos para as carreiras científicas. No entanto, atendendo ao peso que a componente escolar desempenha no interesse dos alunos por estas matérias, a OCDE (2006), chama a atenção para a necessidade de se procederem a reformas nos programas de ensino, de forma a que estes reflitam melhor a realidade da ciência e tecnologia modernas, sublinhando a contribuição destas áreas de estudo para a sociedade. O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 46 1.6. O envolvimento 8 como forma de ligar os jovens à ciência Saber envolver os jovens na ciência pode ser uma forma de estimular vocações na área e de aproximar este grupo social das temáticas científicas. Este conceito é importante porque se compreendeu que os cidadãos envolvidos com uma determinada instituição têm maior probabilidade de se posicionarem em favor desta, de lhe serem fiéis, e de adquirirem/consumirem o seu material, aumentando, assim, a sua margem de lucro. Na área da ciência, o envolvimento dos jovens é determinante para se evitar o afastamento, já demonstrado, pela área. A internet pode ser favorável ao envolvimento dos jovens com os conteúdos de ciência, uma vez que se assume como o meio mais utilizado pelos discentes. Sinais do envolvimento são, entre outros: a participação ativa do utilizador na produção de conteúdos, e o questionamento e a vontade de manter um diálogo com a instituição. Os websites e, mais particularmente, as redes sociais são bons instrumentos para potenciarem o envolvimento do público. 1.6.1. O conceito de envolvimento O envolvimento é um termo que tem sido alvo de estudo por parte de profissionais de diferentes áreas: marketers (Gambetti e Graffigna, 2010), publicitários (Micu e Plummer, 2010), jornalistas (Mersey, Malthouse e Calder, 2010), profissionais dos media (Askwith, 2007), entre outros, na tentativa de entenderem o que provoca o envolvimento dos consumidores/audiências, fazendo com que aumentem o consumo de um determinado produto ou conteúdo. Uma vez que o nosso estudo se centra no envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência na web, iremos, pois, concentrar os nossos esforços na definição deste conceito no meio online, deixando de lado as definições provenientes de outras áreas. Em primeiro lugar, o que podemos entender por envolvimento? O termo remetenos de imediato para algumas palavras como “participação”, “adesão”, “motivação”, “interesse” e “ligação”, vocábulos que transmitem a ideia de ação e atividade. Assim, o envolvimento implica sempre a existência de uma ligação emocional com um 8 O termo envolvimento foi traduzido do inglês engagement. Este é um conceito que começou a ser alvo de maiores estudos a partir do ano de 2003, altura em que os profissionais dos media e do marketing começaram a interessar-se por este termo. É de referir que a definição de envolvimento reúne pouco consenso, e os estudos sobre este assunto são escassos para a área do online. Aliás, os trabalhos existentes sobre a temática centram-se todos em estratégias de envolvimento dos leitores/consumidores em conteúdos dos media e publicidade. O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 47 determinado assunto, que faz com que a pessoa envolvida queira participar, aderir e interagir com esse tema, enfim, é alguém que tem vontade de fazer parte do objeto com que se envolveu. Adrian (2009) refere mesmo que quando estamos envolvidos com uma determinada marca, por exemplo, temos vontade de pertencer à comunidade que trabalha a marca, de forma a darmos os nossos “inputs” para o seu desenvolvimento e para a resolução de problemas que possam vir a surgir. Existe no fundo, uma grande dose de motivação para agir. No meio online, o envolvimento adquire uma maior expressão, por intermédio, nomeadamente, das ferramentas da Web 2.0 (redes sociais, blogs, websites), que dão aos utilizadores a possibilidade de expressarem ativamente os seus comentários e opiniões, e partilharem conteúdos com outros utilizadores. De que forma, pode este conceito aplicar-se à ciência? Castro (2011) entende que o envolvimento no meio online: “é ir além do convencer ou informar o público, é tentar estabelecer uma relação com a audiência através de uma participação activa numa conversa, em temas de debate e até envolver as duas partes (científica e pública) na resolução de problemas e desenvolvimento de conteúdos”. (Castro, 2011 9 ). Ainda de acordo com a autora (ibidem), para envolver a audiência nas áreas científicas é preciso saber escutar e responder, tanto a argumentos que suportam a nossa visão, como aos que a desafiam, sendo necessário estarmos recetivos a mudanças e adaptações. Notemos que as audiências envolvidas têm uma maior probabilidade de divulgarem a informação científica junto dos seus amigos, e de partilharem esse saber nas redes sociais. 1.6.2. Indicadores do envolvimento Os indicadores do envolvimento ajudam a determinar o grau de envolvimento do utilizador com o objeto de referência, neste caso, os conteúdos de ciência na web, tarefa que é bastante facilitada com os recursos da internet. Na realidade, o envolvimento pressupõe, como já o dissemos, o estabelecimento de um vínculo emocional do utilizador com os conteúdos, que pode assumir diferentes níveis, sendo mais forte, nuns casos, e menos forte, noutros. A forma como o utilizador vai interagir com os 9 http://viveraciencia.org/index/index.php?option=com_content&view=article&id=422%3Aenvolverum-abraco-entre-a-ciencia-e-comunicacao-online&catid=14%3Acronicas&Itemid=200129&lang=pt O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 48 conteúdos, indicar-nos-á o nível de envolvimento que tem com eles. Passaremos a indicar o que diz a literatura sobre a forma de percecionarmos o envolvimento nos websites e redes sociais. Indicadores do envolvimento nos websites Existem várias ferramentas de análise que ajudam a determinar o envolvimento do utilizador com um website. Essas ferramentas identificam um conjunto de medidas de envolvimento. Chaffey (2012) aponta três principais: a taxa de rejeição; a duração ou tempo de permanência; e as páginas por visita. Vamos analisar cada uma delas. A taxa de rejeição diz respeito à percentagem de visitantes que abandonam imediatamente o website, após consultarem apenas uma página do mesmo (normalmente, a homepage, ou página de entrada). Esta medida ajuda a determinar o envolvimento inicial dos utilizadores com os conteúdos presentes no site. Se a taxa de rejeição for elevada, o envolvimento dos utilizadores será provavelmente baixo, o que significa que os conteúdos terão de ser adaptados para despertarem um maior interesse por parte dos usuários. A duração ou tempo de permanência está relacionado com o tempo médio que o utilizador passa na página ou no site. Esta medida é um bom indicador do envolvimento, uma vez que um utilizador envolvido, tenderá a permanecer mais tempo na página ou no website, do que um usuário que não esteja envolvido. As páginas por visita dizem respeito ao rácio das páginas visualizadas pelo número de visitas. Esta medida indica o valor médio de páginas visitadas do website. Um maior número de páginas visitadas é indiciador de um maior envolvimento, ao passo que poucas páginas visitadas exprimem a pouca eficácia do website em promover o envolvimento do utilizador. Para além destas três medidas, Bill Grassman( apud Cummings, 2007) entende que as subscrições feitas, o fornecimento de dados pessoais e a escrita de comentários são também indicadores do envolvimento do utilizador com o website, uma vez que estas ações são realizadas de forma voluntária pelo indivíduo. Indicadores do envolvimento nas redes sociais As redes sociais são um bom instrumento para detetar o nível de envolvimento dos utilizadores. Dadas as especificidades de cada indivíduo, Paine (2011) afirma que O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 55 1.7.3. Usos e Gratificações que os jovens retiram dos conteúdos de ciência online De acordo com a Revisão que fizemos sobre a hipótese dos Usos e Gratificações, ficou claro que os jovens só utilizarão os conteúdos de ciência online se esse material tiver para eles interesse e se vier suprir alguma necessidade que sintam. É nítido também que o consumo destes conteúdos é realizado de forma ativa, partindo unicamente da iniciativa dos utilizadores (estamos a excluir situações de obrigatoriedade de consulta, como recomendações de professores, por exemplo). No sentido de perceber quais as gratificações que os jovens retiram dos conteúdos de ciência online, Weigold e Treise (2004) conduziram um estudo, intitulado Attracting Teen Surfers To Science Web Sites, no qual teceram recomendações no sentido dos websites de ciência irem de encontro às necessidades dos alunos. Weigold e Treise (2004) começaram por identificar quais as gratificações que os jovens retiram do uso da internet, passando posteriormente a averiguar quais as recompensas que os discentes obtiam dos conteúdos de ciência online. Vamos analisar cada um desses aspetos, seguindo a ordem atrás indicada. Ebersol (apud Weigold e Treise, 2004), partindo da hipótese dos Usos e Gratificações, aplicou um questionário a adolescentes para saber quais as gratificações/recompensas que os jovens retiravam da Web. O autor concluiu que este grupo utilizava a internet, principalmente devido a oito dimensões: • pesquisa e aprendizagem (para completar trabalhos de casa); • fácil acesso ao entretenimento; • comunicação e interação social (para conversar com outras pessoas; para encontrar pessoas); • fazer alguma coisa quando se está aborrecido (para entretenimento ou estar simplesmente a navegar); • acesso a material de outra forma indisponível (encontrar coisas que não estão na biblioteca; “downloads” de software e de outras coisas livres); • suportes técnicos e informação do produto; • acesso a sites com conteúdos explícitos de jovens e de sexualidade; • e transações de consumo. O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 56 Para verificarem a utilização que os jovens faziam dos web sites de ciência, os autores (2004) utilizaram grupos focais com alunos para obterem informação sobre esta dimensão. Assim, quando questionados sobre o que os levaria a gostarem de um web site de ciência, os jovens referem: • ajuda nos trabalhos de casa; • jogos relacionados com a ciência (apenas alguns referiram este aspeto); • perguntas e respostas (metade mencionou esta dimensão); • links externos (para materiais interessantes para verem e experimentarem). A constatação destes factos é importante para delinearmos estratégias de envolvimento dos jovens nas áreas científicas. Conhecendo os motivos que os conduzem ao consumo, podemos responder com uma maior eficácia às suas necessidades. Ao longo deste capítulo, procurou-se demonstrar a importância de envolver os jovens nas disciplinas de ciência e tecnologia, utilizando a Comunicação da Ciência no meio online para se alcançar esse fim. Vamos agora aplicar a teoria a um caso prático, no capítulo que se segue. O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 57 Capítulo 2 Os jovens e a atratividade dos conteúdos de ciência no meio online: estudo de caso O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 58 2. Os jovens e a atratividade dos conteúdos de ciência no meio online: estudo de caso Neste capítulo será apresentado o estudo de caso desenvolvido no âmbito da dissertação. Em primeiro lugar, mostrar-se-ão os objetivos do estudo e as questões de investigação, passando-se depois para a explicitação dos procedimentos metodológicos e à apresentação e discussão dos resultados. 2.1. Objetivos do estudo empírico Foram definidos os seguintes objetivos para o estudo empírico: • Obter informação sobre os consumos dos jovens na Internet; • Conhecer as gratificações que os adolescentes retiram dos conteúdos de ciência online; • Recolher informação útil sobre o interesse dos jovens pela ciência e determinar alguns indicadores do seu envolvimento com os conteúdos científicos; 2.2. Questões de Investigação do estudo empírico A partir dos objetivos definidos, estabeleceram-se as seguintes questões de investigação: • Serão os conteúdos de ciência suficientemente apelativos para levarem os jovens a preferirem-nos comparativamente a outro tipo de assuntos?; • Terão os conteúdos de ciência capacidade para desencadearem algum tipo de envolvimento nos alunos?; • Que gratificações esperam os jovens obter dos conteúdos de ciência? O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 59 2.3. Metodologia 2.3.1. Desenho da experiência O estudo consistiu na realização de uma experiência com alunos do ensino secundário, aos quais foi pedido para interagirem durante 25 minutos com 6 websites de natureza diversa: Público, O Jogo, Ciência Hoje, Ciência 2.0 12 , Youtube e Vimeo, tendo-lhes sido solicitado para permaneceram 2 minutos em cada sítio. Após terem ficado os 2 minutos em cada site, os jovens navegaram livremente durante mais 13 minutos nas páginas da experiência que mais gostaram. O objetivo era averiguar a que websites os jovens davam preferência, e encontrar sinais de envolvimento dos alunos com os conteúdos. Pretendia-se também saber se os meios científicos eram suficientemente atrativos para que os jovens ficassem algum tempo a visioná-los. A atividade decorreu durante a manhã do dia 24 de abril de 2012, e foi seguida da aplicação de um questionário, para se obter dados sobre o consumo dos jovens na web e sobre alguns aspetos da interação com os websites da experiência. 2.3.2. A Amostra Foram selecionados 17 alunos, sendo 14 rapazes e 3 raparigas, do 12º ano da Escola Secundária da Maia, situada no Concelho da Maia, pertencente ao distrito do Porto. Os elementos pertenciam ao agrupamento de Ciências e Tecnologias e tinham uma média aproximada de 17 anos de idade. 12 O website do Ciência 2.0, um projeto de comunicação de ciência multiplataforma, desenvolvido na Universidade do Porto, foi incluído no estudo, porque a autora da dissertação integra a equipa que está a dinamizar esta iniciativa, e pretendia obter algum feedback do público jovem sobre os conteúdos científicos que foram sendo desenvolvidos. O envolvimento d Gráfico A escolha da amostr obter informação sobre o apresentados, mais especific alunos em concreto deveu escola, tratandose, assim, d partici pantes teve que ver co sim extrair informações qual 2.3.3. Instrumentos Para a realização da websites apresentados, o qu questionário piloto, bem com um deles é feita nos subtópic 35% ento dos jovens em conteúdos de ciência online ráfico 1 – Percentagem de alunos por género Gráfico 2 – Distribuição de idades amostra foi motivada pelos propósitos do estudo, re o envolvimento dos jovens com os conteúdos pecificamente com os de natureza científica. A eveu - se a questões práticas, dada a facilidade em sim, de uma amostra de conveniência. O númer ver com o facto de não se pretender generalizar r s qualitativas desta experiência. ão da atividade experimental utilizaramse como in , o questionário aplicado aos alunos no final da m como um programa de captação de vídeo. A des btópicos que se seguem. 82% 18% 59% 35% 6% 17 a 18 a 19 a 60 studo, que pretendia teúdos dos websites a. A escolha destes de em aceder a esta número reduzido de lizar resultados, mas omo instrumentos os nal da atividade e o A descrição de cada Masculino Feminino 17 anos 18 anos 19 anos O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 61 • Websites Os alunos interagiram com 6 websites de natureza distinta: Público, O Jogo, Ciência Hoje, Ciência 2.0, Youtube e Vimeo, cada um com especificidades próprias, formatos e conteúdos diferentes. A intenção desta diversidade explica-se porque se queria verificar quais os conteúdos a que os jovens davam preferência, e em quais dos websites estes permaneciam mais tempo. No fundo, tencionava-se comparar a atenção atribuída aos conteúdos de ciência, em relação aos outros. Simultaneamente desejava-se entender as gratificações que os alunos retiravam dos conteúdos pertencentes a cada um dos meios. Público O Público 13 é um jornal generalista que aborda assuntos da atualidade em diferentes áreas: mundo, política, desporto, sociedade, educação, ciências, ecosfera, cultura, media, tecnologia, entre outras temáticas. É sobretudo um meio de cariz informativo utilizado para satisfazer necessidades de informação. 13 Pode-se aceder ao site do Público via http://www.publico.pt/ Figura 1 – Website do Público O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 62 O Jogo Figura 2 – Website d’ O Jogo O jornal O Jogo 14 é um órgão de informação especializado na vertente desportiva, que contém notícias sobre diferentes modalidades: futebol, andebol, basquetebol, futsal, hóquei em patins, entre outras. É consumido, principalmente, por utilizadores que pretendem satisfazer necessidades de informação desportivas. Ciência 2.0 Figura 3 – Website do Ciência 2.0 O Ciência 2.0 15 é um projeto de comunicação de ciência multiplataforma, desenvolvido na Universidade do Porto, que tem como objetivo fundamental promover um maior diálogo entre ciência e sociedade, abrindo ao público a possibilidade de 14 Este site é passível de ser visualizado em http://www.ojogo.pt/ 15 Pode-se aceder ao Ciência 2.0 em http://www.ciencia20.up.pt/ O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 63 participar com conteúdos de divulgação científica. É utilizado, sobretudo, para a satisfação de necessidades de informação científica. Ciência Hoje Figura 4 – Website do Ciência Hoje O Ciência Hoje 16 é um órgão de comunicação social que se dedica à divulgação pública da ciência em Portugal. Publica informação diariamente e é consumido por pessoas do domínio da ciência e por não-cientistas que pretendem satisfazer necessidades relacionadas com a área. Youtube Figura 5 - Youtube 16 O Ciência Hoje pode ser visualizado em http://www.cienciahoje.pt/ O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 64 O Youtube é um portal que possibilita a publicação e a busca de vídeos por parte dos utilizadores. É usado com diferentes propósitos, desde a vontade de submeter conteúdos para alcançar notoriedade, até à mera curiosidade em descobrir novos assuntos. Usufrui de grande notoriedade entre os utilizadores (Gill, 2008). Vimeo Figura 6 - Vimeo O Vimeo é, tal como o Youtube, um portal que possibilita a submissão e a pesquisa de vídeos por parte dos utilizadores. No entanto, tem vindo a ser menos popular do que o seu concorrente (Jarboe, 2011). • Questionário O questionário 17 aplicado aos alunos foi dividido em quatro componentes principais: 1ª parte - Consumos na Internet; 2ª parte – Internet e Conteúdos de Ciência; 3ª parte - Usos e Gratificações dos conteúdos online, e a 4ª parte – Website do Ciência 2.0 (cf. Anexo A). Na primeira parte, intitulada Consumos na Internet, tentou-se analisar os meios que os jovens mais utilizam para pesquisarem informações online. Pretendia-se também obter informação sobre o tipo de conteúdos que os alunos investigavam na Internet. Examinou-se, de igual forma, a frequência de visita aos conteúdos de divulgação científica no ciberespaço por parte dos discentes. 17 Contudo, antes da aplicação do questionário, foi realizado um inquérito piloto para verificar se as questões ofereciam dificuldade de interpretação por parte de outros alunos que não os desta amostra. Concluiu-se que o questionário experimental não colocou grandes obstáculos de entendimento, acabando por ser depois aplicado à amostra do estudo, sem efetuar alterações. O envolvimento d Fora da Europa, os jovens ja em relação às instituições de É de assinalar, no e influenciado estes resultado inquiridos eram rapazes, e, apetência pelas áreas científi ao agrupamento de Ciência facilidade na aprendizagem d ensino secundário. Assim, o elevado no que toca a facilid instituições de ciência poderá No que concerne a desenvolvimento de simpatia os jovens, uma vez que a ma esta afirmação ( 3,4). D ser importante, podese pres discentes nutrem por estas á interessante e é importa nte concordaram nem discordara profissionais de ciência no s que fazem os profissionai s d conhecimento do que fazem interesse dos jovens pelas ma Da análise do quadro dos jovens não gostarem d tamanho da amostra, o géne poderá ter determinado estes Quadro 6 – Aspetos qu Aspetos Jogos relacionados com ciência Secção onde podes colocar per ento dos jovens em conteúdos de ciência online vens japoneses são aqueles que revelam uma maio ões de ciência. , no entanto, que o tamanho reduzido da amos sultados. Acresce ainda dizer que a maioria d es, e, como se viu na revisão da literatura, este g ientíficas e tecnológicas. Além do mais, os indivíd ências e Tecnologias , pelo que se conclui que gem deste tipo de assuntos, para prosseguirem os s sim, o facto de este grupo ap resentar um nível de facilidade das áreas científicas e de manifestarem poderá ter a ver com os três fatores atrás menciona a influência que amigos e familiares te rão ex mpatia por estas áreas, constata - se que tal não é sig e a maioria manifestou um nível de concordância m ,4). Deste modo, dado que a influência de familia e pressupor que outros motivos poderão explicar estas áreas, nomeadamente o facto de acharem q nte para o desenvolvimento da sociedade . O ordaram com o item sobre o desconhecimento do no seu dia -a-dia ( 3,3) (tópico reconvertido p s de ciência no seu dia -a-dia ), pelo que se de fazem esses profissionais não é, por si só, fator d las matérias científicas. uadro 5 não se consegue retirar um motivo que rem de conteúdos de ciência. Tal como já se r o género e o agrupamento científico a que perten estes resultados. tos que levam os jovens a gostarem de um website ciência ar perguntas e obter respostas 71 a maior desconfiança amostra poderá ter ioria dos elementos este grupo tem mais ndivíduos pertenciam ui que deveriam ter m os seus estudos no ível de concordância starem confiança nas cionados. rão exercido para o o é significativo para ncia mais baixo para amiliares parece não plicar o gosto que os rem que a ciência é . Os alunos não to do que fazem os rtido para conheço o se depreende que o fator decisivo para o explique a razão á se referiu atrás, o pertencem os alunos de ciência Média 2,7 2,1 O envolvimento d Possibilidade de submeter cont Facilidade de interação/mexer Um design apelativo Informação atualizada diariame Artigos desenvolvidos com pro Artigos desenvolvidos de form Entrevistas a cientistas Acesso a informação que não a Existência de um chat para esc Possibilidade de simular a reali Nesta questão, foi pe os aspetos que os levariam a 5 (1 – concordo plenamen discordo; 5 – discordo totalm Da análise do quadro com a concordância dos alun concordo nem discordo , a desenvolvidos de forma simp a cientistas ( 2,5). Por indiferentes para levarem os A certa indiferença contradição com uma das co Science Web Sites (Weigold importante para o interesse d tópico artigos desenvolvidos recebido uma tão grande co pertencerem ao agrupamento informação mais detalhada desenvolvidos com profundi discentes ( 1,9). Pode ento dos jovens em conteúdos de ciência online er conteúdo (vídeo, imagens, texto) no site exer com a página ariamente om profundidade científica e forma mais simplista e com poucos termos técnicos não aprendo nas aulas ra esclarecer diretamente com os cientistas as minhas d a realização de experiências foi pedido aos alunos para expressarem a sua conc riam a gostar de um website de ciência, numerando mente ; 2 – concordo; 3 – não concordo nem otalmente ). quadro 6 constata - se que praticamente todos os s alunos, excetuando 3 tópicos que receberam a av , a saber: jogos relacionados com ciência ( simplista e com poucos termos técnicos ( 2,6 Por conseguinte , estes três itens parecem s em os jovens a gostarem de websites de ciência. rença manifestada em relação aos jogos de ciê das conclusões a que chegou o estudo Attracting T igold e Treise, 2004), o qual concluiu que a inclus esse dos alunos pelos websites de ciência. Uma ex vidos de forma simplista e com poucos termos nde concordância poderá ter a ver com o facto d amento escolar de Ciências e Tecnologias e preten alhada sobre determinados assuntos. Aliás, o undidade científica recebeu uma elevada concord Pode - se também relacionar a pontuação obti 72 2,4 2,1 1,9 1,6 1,9 2,6 2,5 2,2 nhas dúvidas 2,4 1,8 a concordância sobre rando os itens de 1 a nem discordo ; 4 – os os itens contaram m a avaliação de não 2,7); artigos 2,6); e entrevistas cem ser um pouco ciência entra em ing Tee n Surfers to inclusão de jogos era ma explicação para o técnicos não ter acto de estes alunos pretenderem, assim, iás, o item artigos oncordância entre os obtida no tópico O envolvimento d entrevistas a cientistas com o consideram o conhecimento relevante para apreciarem os as entrevistas a cientistas ciência. Contrariamente, todo um site científico, com diariamente ( 1,6), logo experiências ( 1,8). Veja podes colocar perguntas e com a página ( 2,1) obtiv De uma forma geral concordância dos alunos interatividade. Para além do esclarecer diretamente com para esta conclusão. Estes a interativos, que possibilitem simulação de experiências. relatório da YOSCIWEB (2 onde se afirm a que os eleme sendo sugerida a possibilid artigos e de publicação de co É igualmente import jovens ( 1,9). Esta con conclusões do já citado relat os jovens para os websites , é claro e uma navegação fácil. A inserção de inform mereceu um bom grau de co jovens premeiam os sites q escola. Em jeito de síntese, n de conteúdos de ciência, c ento dos jovens em conteúdos de ciência online com o quadro 5, da questão anterior. Uma vez que imento do que fazem os profissionais de ciênc em os conteúdos destas áreas, é natural que também tas c omo fator determinante para gostarem de , todos os outros parecem ser importa ntes para a com especial destaque para o item informaç , logo seg uido do tópico possibilidade de simular a Veja -se que os restantes itens, como por exempl s e obter respostas ( 2,1) e facilidade de in ) obtiveram uma pontuação bastante positiva. geral, a maioria dos tópicos que receberam um lunos estavam relacionados com um elem dos tópicos já mencionados, a existência de com os cientistas as minhas dúvidas ( 2,4) a stes aspetos podem significar que os jovens gosta ilitem a submissão de conteúdos, a colocação de ncias. Estes resultados coincidem com as reco (2010) ( Young people and images of science elementos interativos são bastante apreciados pelo sibilidade de colocação de questões nos website de conteúdos. importante referir que um design apelativo é rel ta constatação não é de todo surpresa e vai d o relatório da YOSCIWEB (2010) , onde se refere , é necessário construí -los de forma atrativa, c fácil. formação que não aprendem nas aulas é outra de concordância entre os discentes. Este resultado ites que lhes dão infor mação adicional àquela qu tese, no que se refere aos aspetos que levam os jov cia, constatou - se que a importância que a ciênc 73 ez que os alunos não ciência como fator também não encarem m de um website de para a apreciação de mação atualizada lar a realização de xemplo secção onde de interação/mexer m um bom grau de elemento -chave: a de um chat para 2,4) aponta também gostam de websites ção de questões, e a recomendações do ience on websites), s pelos adolescentes, site s, de envio de é rel evante para os vai de encontro às refere que para atrair tiva, com um design outra dimensão que ultado mostra que os ela que recebem na os jovens a gostarem ciência tem para o O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 74 desenvolvimento da sociedade e o interesse que lhe é intrínseco, foram os mais valorizados, algo que vai de encontro aos resultados dos relatórios Evolution of Student Interest in Science and Technology Studies (OCDE, 2006) e Les jeunes et la science (Gallup Organization, 2008), respetivamente. No que respeita aos aspetos que levariam os jovens a gostarem de websites de ciência, verificou-se, por sua vez, que a inclusão de artigos desenvolvidos com profundidade científica; informação atualizada diariamente; e a possibilidade de simular a realização de experiências são aspetos a considerar para se alcançar a atenção dos jovens. A presença de elementos interativos é considerada relevante, tal como havia documentado o relatório da YOSCIWEB (2010). 2.4.3. Usos e Gratificações dos conteúdos online Esta componente da análise tinha o objetivo de obter informações sobre os usos que os jovens fazem dos conteúdos online, incluindo os científicos, e conhecer as gratificações que deles retiram. Quadro 7 – Gratificações dos conteúdos de cada website Gratificações Público O Jogo Ciência 2.0 Ciência Hoje Youtube Vimeo Ajuda-me a ter tópicos de conversa com os meus amigos (Integração e Interação social) 2,5 2,2 3,1 2,8 1,6 2,5 Atualiza-me com novidades (Informação) 1,6 1,6 2,5 2,4 2,0 2,7 Dá-me informação adicional à que aprendo nas aulas (Aprendizagem) 2,8 3,6 2,2 2,2 2,7 3,2 Ajuda-me a distrair e a passar o tempo (Diversão) 2,4 2,3 3,1 2,9 1,2 2,3 Deixa-me bem-disposto (Diversão) 3,2 2,6 3,4 3,4 1,5 2,6 Ajuda-me a encontrar pessoas que partilham os mesmos interesses que eu (Integração e Interação social) 3,7 3,7 3,8 3,8 2,4 3,1 Auxilia-me a completar os trabalhos de casa 4,0 4,4 2,9 2,8 3,1 3,9 O envolvimento d (Aprendizagem) Posso encontrar artigos/textos bibliografia (Informação) Põeme a par de questões qu dificilmente encontraria noutr local (Informação) O quadro 7 contém u No total existem quatro: Int Diversão. Foi pedido aos alu tópicos apresentados, utiliza concordo; 3 – n ão concordo objetivo era averiguar qual a Da análise do quadr conversa com os meus am Youtube foi o meio que mais a concordância dos alunos. atribuíram uma pontuação m concordo nem discordo. Este como tema de conversa co interação social deste grup possibilita aos jovens pesqu (música e filmes ), para além de interação com os websi colegas o material que vision e interação social dos discen No item Atualiza - Informação , os jovens atribu d’O Jogo , obtendo os dois u escala de Likert. Por seu lado com uma média de ( 2,7 evidência aponta para o facto ento dos jovens em conteúdos de ciência online textos e 2,2 3,8 2,8 2,0 es que noutro 2,5 3,0 2,0 1,9 ntém um conjunto de itens, associados a diferentes Integração e Interação Social , Informação, aos alunos para indicarem a sua concordância com utilizando uma escala de 1 a 5 (1 – concordo pl ordo nem discordo ; 4 – discordo; 5 – d iscordo qual a pontuação média de cada website para cada g quadro 7 conclui -se que no item Ajudame a amigos (gratificação da Integração e Intera e mais se destacou, com uma média de ( 1,6), unos. Contrariamente, o Ciência 2.0 foi o sítio ção menor, obtendo uma média de ( 3,1), equi Este resultado revela que os adolescentes não uti rsa com os amigos, sendo este assunto pou co re grupo. No entanto, o Youtube mereceu destaq pesquisarem os conteúdos que mais lhes interess além de lhes permitir submeter conteúdo. Aliás, ebsite s, notou-se que alguns alunos comentava visionavam no Youtube , pelo que este canal ajuda discentes. - me com novidades , que se insere na g atribuíram uma classificação superior aos website dois uma média de ( 1,6), equivalente ao níve eu lado, o Vimeo foi o website que recebeu uma me 2,7), correspondente ao nível não concordo nem o facto de os jovens reconhecerem que os website 75 3,5 3,7 2,0 2,8 erentes gratificações. Aprendizagem e ia com cada um dos plenamente ; 2 – rdo totalmente ). O cada gratificação. e a ter tópicos de teração social ), o 1,6), obtendo assim a que os jovens ), equivalente ao não ão utilizam a ciência co relevante para a destaque, dado que teressam na internet Aliás, na experiência entavam com outros l ajuda na integração na gratificação da bsite s do Público e o nível concordo da ma menor pontuação, nem discordo . Tal site s noticiosos são O envolvimento d a melhor maneira de satisfaz parece não ser o meio predile No que respeito o tóp que se integra na gratificação Ciência Hoje como os dois obtido uma média de ( efeito, este resultado não é alunos que frequentam a va natural que estes dois websit escola sobre este tipo de ma menos concordância para a 3,6), equivalente ao pon informação desportiva não estranhar que este website ten No que concerne o tó gratificação da Diversão , o classificação, com uma méd discordo. Destaquese també igualmente encaixado n ess distrairse e passar o tempo ciência, sendolhes estes um Youtube foi o meio que cont 1,2), equivalente ao ponto Como já era esperado, este passarem o tempo. No item Deixame be 2.0 e o Ciência Hoje obtiver concordo nem discordo . Tal de ciência suficientemente a uma média de ( 1,5), eq para a boa disposição dos websites , alguns dos joven comédia e entretenimento, al ento dos jovens em conteúdos de ciência online atisfaze rem a necessidade de informação. Por outro predileto dos alunos para a satisfação deste tópico. o o tópico Dáme informação adicional à que apre icação Informação , os mais novos identificaram o dois sites que melhor satisfazem esta necessidade 2,2) cada, pontuação equivalente ao nível não é sur preendente. Uma vez que a amostra é a variante de Ciências e Tecnologias no ensino ebsite s sejam aqueles que lhes forneçam mais info de matérias. Inversamente, o website O Jogo foi ara a satisfação deste tipo de necessidade, com u ponto 4 da escala de Likert, ou seja, ao Discord não é um assunto que se lecione na sala de a tenha recebido uma fraca pontuação para este i ne o tópico Ajuda-me a distrair e a passar o tempo , o website do Ciência 2.0 foi o que obt a média de ( 3,1), equivalente ao nível não também o Ciência Hoje que, com uma média de esse nível. Estes valores mostram que, qua tempo, os jovens não dão grande preferência aos es um pouco indiferentes para a satisfação desta ne e contou com a melhor pontuação, reunindo uma m onto 1 na escala de Likert, ou seja, ao concord o, este foi o meio preferido pelos jovens para s e bem -disposto, incluído na gratificação da Diver btiveram uma média de ( 3,4), correspond ente . Tal significa que os adolescentes não consideram ente atrativos para os deixar bem - dispostos. Já o ,5), equivalente ao nível concordo é o m eio que dos alunos. Efetivamente , durante o tempo de int jovens utilizaram o Youtube para pesquisarem nto, algo que vai de encontro a este resultado. 76 r outro lado, o Vimeo pico. aprendo nas aulas , ram o Ciência 2.0 e o sidade, tendo os dois ível concordo. Com stra é composta por ensino secundário, é ais informações extra foi o que recebeu com uma média de ( scordo. Dado que a de aulas, não é de este item. empo , que integra a e obteve uma pior não concordo nem ia de ( 2,9), fica , quando procuram ia aos conteúdos de sta necessidade. Já o uma média de ( cordo plenamente . para se distraírem e iversão , o Ciência ente ao ponto não ideram os conteúdos . Já o Youtube, com o que mais contribui de interação com os isarem vídeos sobre O envolvimento d No item Ajudame a eu (Integração e Interação s que mereceram a discordân equivalente ao discordo da e um grande interesse pela á socialmente se utilizarem es Youtube foi o meio que mer de ( 2,4), equivalente ao mais contribui para a integra Para o item Auxili gratificação da Aprendizagem média de ( 2,8), e quival uma média de ( 2,9). Um e Tecnologias , é natural q auxiliarem nos trabalhos d concordância entre os alunos de discordo . Como já foi dit aulas, pelo que este meio de No tópico Posso enco Hoje foi o website que conse correspondente ao nível de website que os alunos con pontuado com uma média de No item Põeme a p (Informação), o website do uma média de ( 1,9), equ Jogo foi o website que agreg correspondente ao não conc informação de ciência não exemplo, a informação des outros meios. ento dos jovens em conteúdos de ciência online e a encontrar pessoas que partilham os mesmos ão social) , o Ciência Hoje e o Ciência 2.0 foram cordância dos jovens, com uma média de ( da escala de Likert. Este resultado revela que os pela área da ciência e não conseguem integrar em estes assuntos como mote para conversa. No e mereceu uma maior concordância dos alunos, co nte ao nível concordo . De facto, este parece ser egração e interação social dos jovens. Auxilia - me a completar os trabalhos de casa agem , o Ciência Hoje foi o website melhor pontu quivalente ao nível concordo, logo seguido do Ci 9). Uma vez que os alunos da amostra são estudant ural que os websites científicos sejam os prefe lhos de casa. Já O Jogo foi aquele que reuni alunos, obtendo uma média de ( 4,4), correspo foi dito anteriormente, o conteúdo desportivo não é io de informação não é útil para a satisfação desta encontrar artigos/textos e bibliografia (Informaç conseguiu uma melhor pontuação, com uma médi el de concordo na escala de Likert. O Jogo , por s consideraram menos satisfazer essa gratificaçã dia de ( 3,8). a par de questões que dificilmente encontrari do Ciência Hoje foi o que reuniu uma maior conc 9), equivalente ao nível 2 da escala de Likert, ou agregou uma menor concordância, com uma médi concordo nem discordo . Assim, os jovens reco a não é tão facilmente encontrada noutros loc o desportiva, presente nas televisões, noticiário 77 smos interesses que foram os dois meios 3,8) cada um, ue os jovens não têm tegrar -se e interagir a. No lad o oposto, o nos, com uma média ce ser o website que casa , incluído na r pontuado, com uma Ciência 2.0 , com tudantes de Ciências preferidos para os reuniu uma menor rrespondente ao grau não é lecionado nas desta dimensão . rmação) , o Ciência média de ( 2,0), , por sua vez, foi o tificação, tendo sido traria noutro local or concordância, com rt, ou concordo. Já O média de ( 3,0), s reconhecem que a s locais, como por iciários, rádio, entre O envolvimento d Quadro 8 – Meios q Gratificações Informação Aprendizagem Integração e Interação Social Diversão Da análise do quadro contribuiu para a gratificação ao nível concordo. Por outro satisfação deste fator , com most ram que as temáticas de informativas dos jovens da necessidades. Reparese que ser menos pontuadas do qu associados a algo mais lúdic Diversão , terão recebido men Para a obtenção da Ciência 2.0 com uma méd prediletos para a sua aquisiç mais elevada a estes dois we e estes dois sítios conterem i Os jovens considerar Integração e Interação socia 2.0 parece ser o website qu uma média de ( 3,4 ), e revela que os jovens usam filmes ) para se integrarem e parecem não ser determinant ento dos jovens em conteúdos de ciência online eios que melhor satisfizeram as gratificações dos al Público O Jogo Ciência 2.0 Ciência Hoje 2,411 2,607 2,215 2,058 3,411 4 2,588 2,529 3,117 2,882 3,441 3,264 2,852 2,382 3,205 3,147 quadro 8, conclui -se que o Ciência Hoje foi o we ficação da Informação, com uma média de ( r outro lado, o Vimeo foi o website que menos co com ( 3,0), ou não concordo nem discordo. icas de ciência e tecnologia constituem as principai ns da amostra, e os websites de ciência parecem s se que as temáticas de atualidade geral e desporti do que os temas de ciência. O Youtube e o Vim lúdico e divertido, como se verá na discussão da do menor pontuação nesta variável. Aprendizagem, os alunos consideraram o C a média de ( 2,5) e ( 2,6), respetivame aquisição . Com efeito, os jovens terão atribuído u website s por frequentarem o curso de Ciências erem informação sobre esses aspetos. sideraram o Youtube o meio preferencial para a social , com uma média de ( 2,0), ou concord que menos contribui para a gratificação desta ), equivalente ao não concordo nem discordo usam os conteúdos lúdicos que visionam no Yo rem e interagirem com os seus pares. Já as temát inantes para a interação e integração social dos j 78 dos alunos Youtube Vimeo 2,509 3,039 2,882 3,823 2 2,823 1,352 2,235 website que mais 2,1) equivalente os contribuiu para a Estes resultados incipais necessidades ecem satisfazer essas sportiva chegaram a Vimeo por serem ão da gratificação da C iência Hoje e o tivamente, como os uído uma pontuação cias e Tecnologias , ara a gratificação da cordo . Já o Ciência desta variável , com rdo . Tal resultado Youtube (música, temáticas científicas dos j ovens, algo que O envolvimento d demonstra que os alunos não esta necessidade. Os alunos são pratic mais contribui para a sua div correspondente a ( 1,4 gratificação desta dimensão, Quadro 9 Inf Ap Int Di Da análise do Quadro valorizada pelos jovens, obte 2,5 ), logo seguida da gra concordância elevado entre o aquela que reúne uma menor Quadro 10 Gratificações Público Design atrativo 3,2 Facilidade na pesquisa de informação 3,9 Cores apelativas 3,2 Informação organizada 3,8 Nesta questão pediu utilizando a seguinte escala: bom. ento dos jovens em conteúdos de ciência online os não utilizam os assuntos de pendor científico pa praticamente unânimes ao considerarem o Youtu diversão , tendo este obtido um elev ado nível de ). Já o Ciência 2.0 é o website que menos co nsão, pelo que foi menos pontuado ( 3,2). – Gratificações mais valorizadas pelos alunos Gratificações Médias Informação 2,5 Aprendizagem 3,15 Integração e Interação Social 2,9(3) Diversão 2,575 Quadro 9, constata -se que a gratificação da Inform s, obtendo um maior nível de concordância entre o a gratificação Diversão que também alcançou entre os discentes ( 2,6 ). Já a gratificação da menor concordância entre os jovens ( 3,2). 10 – Classificação dos Websites da experiência blico O Jogo Ciência 2.0 Ciência Hoje 2,9 3,2 3,3 3,5 3,2 3,3 3,1 3,6 3,5 3,6 3,5 3,5 pediu -se aos jovens para classificarem os sites escala: 1 - mau; 2medíocre; 3 – razoável; 4 – bo 79 ico para satisfazerem outube o meio que ível de concordância, nos contribui para a formação é a mais entre os alunos ( ançou um nível de o da Aprendizagem é Youtube Vimeo 4,2 3,8 4,3 3,4 4,1 3,8 3,7 3,5 sites da experiência bom e 5 – muito O envolvimento d No que toca ao item maior nível de concordância Já O Jogo foi o meio que alc o valor de ( 2, 9). Estes é um motor de busca especia por ser um site de informaç informação, que poderá não menor pontuação atribuída motivada pelo facto de o m Internet Explorer , utilizado p No que concerne ao voltou a ser o meio que acu com uma média de ( 4, menor nível de concordânci caso do Youtube , este result possuir um motor de busca rapidamente a informação q um conjunto de itens que rem utilizador. Já no Ciência 2.0 plug-ins 21 , poderá ter influen Relativamente ao tóp com uma maior concordânci um menor consenso ( 3,1 Quanto ao item Infor maior concordância entre o Ciência 2.0, o Ciência Ho consenso entre os jovens ( Em jeito de síntese, n ciência no meio online , veri foram os que receberam um 21 Neste caso, os plug-ins s ão externos à aplicação. ento dos jovens em conteúdos de ciência online o item Design atrativo, o Youtube foi o website dância entre os alunos, alcançando uma pontuação ue alcançou um menor nível de concordância entre Estes resultados podem explicar - se da seguinte for specializado em vídeos, e tem um design mais simp ormação desportiva, possui uma estrutura mais p rá não agradar tanto aos jovens. É importante r ibuída ao website do Ciência 2.0 ( 3,2), po de o meio não estar devidamente otimizado par zado pelos alunos da escola. rne ao item Facilidade na pes quisa de informaç ue acumulou um maior nível de concordância ent 4,3). Por sua vez, o Ciência 2.0 foi o site qu rdância entre os alunos com uma classificação de resultado pode aclarar -se pelo facto de o website busca no topo da página, qu e permite aos aluno ção que pretendem. Além disso, existe do lado es ue remetem de i media to para os tópicos que podem a 2.0 a desformatação provocada pelo navegado nfluenciado estes resultados. ao tópico Cores apelativas, o Youtube foi, mais um rdância ( 4,1), contrariamente ao website O Jo 3,1). Informação organizada , o Público foi o meio ntre os alunos, tendo alcançado uma média de ( Hoje e o Vimeo foram os meios que reunir 3,5). tese, no que concerne os Usos e Gratificações do , verificou -se que os websites do Ciência Hoje e am uma maior pontuação para a satisfação das g ão programas que permitem a reprodução de conteú 80 site que obteve um tuação de ( 4,2). entre os alunos com nte forma: o Youtube is simples. Já O Jogo ais preenchida com ante ressalvar que a ,2), poderá ter sido o para o navegador mação , o Youtube ia entre os discentes site que adquiriu um ão de ( 3,2). No site ser intuitivo, e alunos encontrarem ado esquerdo do site podem interessar ao vegador, e a falta de ais uma vez, o meio O Jogo , que reuniu que reuniu uma a de ( 3,8). Já o reuniram um menor dos conteúdos de e do Ciência 2.0 das gratificações de conteúdos audiovisuais O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 87 lado engraçado da ciência. A World Wide Web oferece, como vimos, uma panóplia de ferramentas para dar à ciência o caráter divertido de que esta necessita. Além do mais, a própria utilização do Youtube para a inclusão deste tipo de material deve ser ponderada, uma vez que este meio é fortemente utilizado pelos adolescentes, e é associado a atividades prazerosas. Apesar de os alunos da amostra terem testemunhado interesse pelos conteúdos científicos, e afirmarem reconhecer a importância da ciência para o desenvolvimento da sociedade, verificou-se que esta área não tem força suficiente para competir com assuntos de caráter lúdico. Aliás, os websites científicos, particularmente o do Ciência 2.0, foram os menos apreciados pela turma, tendo sido neste site, em especial, que os alunos permaneceram menos tempo. Tal evidência leva-nos a concluir que esta página não foi capaz de criar o tão desejado envolvimento dos estudantes, algo que é crucial para garantir o seu retorno ao website. Por conseguinte, a resposta à questão de investigação: Terão os conteúdos de ciência capacidade para desencadearem algum tipo de envolvimento nos alunos? é negativa. Estas conclusões vêm corroborar os estudos apresentados no capítulo da Revisão da Literatura, no qual se afirmava haver um desinteresse dos adolescentes pelos conteúdos de matéria científica. Importa ainda fazer uma nota para a relevância da interatividade na comunicação da ciência no meio online. Os alunos do estudo mostraram apreciar conteúdos interativos, que lhes possibilitassem submeter informação e colocar perguntas e obter respostas. Deste modo, as instituições de ciência devem incorporar estes aspetos nos seus websites, aproveitando a interatividade para se aproximarem do público e obterem um feedback das suas ações. A internet vem, de facto, potenciar os modelos dialógicos da comunicação pública da ciência, que, ao que tudo indica, os jovens parecem apreciar. Dificuldades encontradas A elaboração do estudo de caso comportou algumas dificuldades. A primeira prende-se, de imediato, com o próprio estudo do envolvimento, conceito complexo, multifacetado e difícil de medir. Nem todas as métricas existentes na Literatura para apurar o envolvimento dos utilizadores no meio online, se adequavam ao âmbito deste estudo exploratório, pois implicavam um acompanhamento da interação dos jovens com os sites ao longo do tempo, algo que não poderia ficar circunscrito ao dia da O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 88 experiência. Como o período temporal para a realização desta investigação não era compatível com tais exigências, tivemos de optar por efetuar um estudo mais curto, centrado em alguns elementos que fossem indiciadores do envolvimento. Por limitações temporais e burocráticas, fomos também obrigados a reduzir o tamanho da nossa amostra, pois conseguir a autorização das escolas para a execução do estudo é algo difícil e demorado. É importante referir também que a quantidade de gratificações existentes colocou algumas dificuldades ao estudo, exigindo algum período de reflexão sobre as variáveis que pudessem ir mais de encontro às necessidades da classe jovem. Sugestões para trabalhos futuros Este campo de investigação está a começar, ainda, a ser desbravado a nível nacional, pelo que o presente estudo marca pela inovação, ao tentar perceber a forma como os jovens encaram os websites de ciência. Prosseguir trabalhos nesta área é relevante, uma vez que a internet é um bom meio para procurar envolver os adolescentes na ciência. Em jeito de recomendações para pesquisas futuras que procurem seguir esta linha de abordagem, entendemos que seria útil a realização de entrevistas aos jovens uma semana após a experiência, no sentido de saber se voltaram a visitar os websites exibidos, e se neles estabeleceram qualquer tipo de interação, como inserção de comentários ou colocação de “gostos”. Pensamos também que um bom questionário deveria inquirir os alunos sobre aspetos que ligassem a ciência à diversão. Os discentes poderiam ser expostos a material audiovisual sobre o lado lúdico da ciência, e posteriormente, questionados sobre os aspetos que mais/menos gostaram da exposição. A amostra selecionada deveria ter uma maior dimensão para que as conclusões extraídas pudessem ser generalizadas. No nosso estudo, o tamanho reduzido da amostra não nos permite tirar conclusões passíveis de serem estendidas para a população de jovens estudantes portugueses. Caso se pretenda obter informação deste nível, é necessário elaborar uma amostra de dimensão superior, composta por alunos de escolas pertencentes a distritos diferentes, e a vários agrupamentos de estudos. Era também importante que o número de elementos do sexo masculino e feminino fosse mais aproximado, de forma a poderem-se estabelecer diferenças respeitantes ao género, algo O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 89 que não foi possível praticar neste estudo. De igual forma, seria interessante perguntar aos alunos que tipo de conteúdos científicos os levariam a visitar um website: por exemplo, informações sobre física, medicina, informática, biologia, etc. e se os websites especializados numa dessas temáticas seriam preferíveis às páginas generalistas. O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 90 Referências Bibliográficas Adrian, A. (2009). What is Online Engagement? Disponível em http://blog.anneadrian.com/2009/10/what-is-online-engagement.html Aguiar, K. (2006). Blog-jornalismo: interatividade e construção coletiva da informação. Biblioteca on-line de ciências da comunicação, 1-8. 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Não és obrigado a utilizar todos os números da escala e podes repeti-los quantas vezes entenderes. 7Classifica numa escala de 1 a 5 (1 – mau; 2 – medíocre; 3 – razoável; 4 – bom e 5 - muito bom) cada um dos sites da experiência, atendendo aos seguintes aspetos: Público O Jogo Ciência 2.0 Ciência Hoje Youtube Vimeo Ajuda-me a ter tópicos de conversa com os meus amigos Atualiza-me com novidades Dá-me informação adicional à que aprendo nas aulas Ajuda-me a distrair e a passar o tempo Deixa-me bem-disposto Ajuda-me a encontrar pessoas que partilham os mesmos interesses que eu Auxilia-me a completar os trabalhos de casa Posso encontrar artigos/textos e bibliografia Põe-me a par de questões que dificilmente encontraria noutro local O envolvimento dos jovens em conteúdos de ciência online 104 Público O Jogo Ciência 2.0 Ciência Hoje Youtube Vimeo Design atrativo Facilidade na pesquisa de informação Cores apelativas Informação organizada 8 - Ainda em relação à experiência que realizaste no computador, assinala no quadro abaixo a página que mais gostaste de visitar e a que menos gostaste (Público, O Jogo, Ciência 2.0, Ciência Hoje, Youtube, Vimeo). Página que mais gostei Página que menos gostei Parte IV – Site do Ciência 2.0 9 - Voltaste à página do Ciência 2.0 após os 2 minutos que te pedimos? Sim Não 9.1 - Gostaste dos temas da página do Ciência 2.0? Sim Não 9.2 - Qual a probabilidade de recomendares o site do Ciência 2.0 aos teus amigos? Grande probabilidade Recomendo com toda a certeza Pouca probabilidade Não recomendo de forma alguma Ficamos gratos pela tua colaboração!