Imunoestimulantes na prevenção de infeções respiratórias em crianças
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Ac a Pediá ica Po uguesa 253
ARTIGO ORIGINAL / ORIGINAL ARTICLE
INTRODUÇÃO
As in eções do a o espi a ó io (ITR) são uma causa im-
po an e de mo bimo alidade em idade pediá ica, sen-
do a maio ia de e iologia i al e au olimi ada. A de ini-
ção de ITR eco en e não é consensual, mas
no malmen e implica a oco ência de á ias ITR em
c iança sem doença de base que jus i ique a sua eco -
ência. Apesa de em alguns casos pode em su gi com-
plicações bac e ianas (o i e média aguda, sinusi e e
b onqui e) que podem bene icia de an ibio e apia, a
sua u ilização indisc iminada é inco e a1.
Tendo em con a a p e alência das ITR, a sua impo ância
clínica e a sua associação equen e com p esc ição ina-
dequada de an ibió icos, êm sido desen ol idas á ias
es a égias de p e enção, sendo uma das mais u ilizadas
os imunoes imulan es (IS). Es es consis em em molécu-
las de o igem bac e iana, ege al ou sin é ica, que in e-
agem com mecanismos imunológicos que in i o que
in i o2. Os lisados bac e ianos são os mais u ilizados;
pa ecem a ua po imunomodulação, que especí ica
celula (es imulação Th1) e humo al (sec eção de imu-
noglobulina A), que inespecí ica a i ando a imunidade
ina a1,2. Vá ios es udos in es iga am os e ei os dos IS na
imunidade ina a e adqui ida e a sua e icácia clínica; con-
udo, não há consenso em elação ao seu eal bene ício
clínico3-7.
OBJETIVOS
Nes e “Coch ane Co ne ” ap esen amos e comen amos
os esul ados da e isão Coch ane cujo obje i o oi
de e mina a e icácia e segu ança dos IS na p e enção
de ITR eco en es em c ianças8.
MÉTODOS
T a a-se de uma e isão sis emá ica de ensaios clínicos
alea o izados e con olados, ealizados em idade pediá-
ica, que compa a am a u ilização de IS e sus placebo
ou dois IS en e si, na p e enção de ITR eco en es. Ex-
cluí am-se a p io i es udos em c ianças com asma, ale -
gia/a opia ou doença espi a ó ia c ónica. U ilizou-se
me odologia es anda dizada das e isões Coch ane, in-
cluindo pesquisa sis emá ica de es udos a é e e ei o de
2011 (incluindo pesquisa nas bases de dados Coch ane
Cen al Regis e o Con olled T ials [CENTRAL], MEDLI-
NE, EMBASE, Google Schola , Scopus, PASCAL, SciSea ch
e IPA), a aliação do isco de iés dos ensaios e a aliação
da qualidade da e idência pelo sis ema GRADE.
O esul ado p imá io de inido oi a média de ITR
oco idas em c ianças de cada g upo du an e o pe íodo
do es udo. Os esul ados secundá ios o am a edução
p opo cional de ITR (usando o g upo de placebo como
e e ência) e a incidência de e ei os ad e sos.
Na me análise, os esul ados o am desc i os sob
a o ma de di e ença média (DM) pa a as a iá eis
con ínuas e isco ela i o (RR) pa a as a iá eis disc e as.
Os esul ados o am ap esen ados com in e alos de
con iança de 95% (IC95%). O I2 oi u ilizado como
medida da pe cen agem da a iação global en e os
es udos que é de ida à he e ogeneidade.
Fo am e e uadas, ainda, análises de sensibilidade
es i as a es udos com as seguin es in e enções: IS
bac e ianos, OM-85 e D53.
RESULTADOS
Fo am incluídos nes a e isão 61 ensaios con olados
com placebo, que a alia am c ianças com idades
comp eendidas en e os 6 meses e os 19 anos. Em
alguns ensaios o am incluídas c ianças sem his ó ia de
ITR eco en es que equen a am in an á ios/escolas e
nou os c ianças com ITR eco en es. A de inição de ITR
eco en e p opos a nos di e en es es udos oi mui o
a iá el, desde um episódio de ITR com necessidade
de a amen o no úl imo ano a é en e ês a se e
episódios de ITR nos úl imos ês a 12 meses, com
ou sem necessidade de an ibio e apia. A du ação do
COChRANE CORNER
Joana Gil1, João Cos a2,3,4, An ónio Vaz Ca nei o2,3, Rica do M Fe nandes1,3,4
1. Depa amen o de Pedia ia, hospi al de San a Ma ia – Cen o hospi ala Lisboa No e, Cen o Académico de Medicina de Lisboa
2. Cen o de Es udos de Medicina Baseada na E idência, Faculdade de Medicina da Uni e sidade de Lisboa, Cen o Académico de Medicina de Lisboa
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de Medicina de Lisboa
Ac a Pedia Po 2014;45:253-255
IMMUNOSTIMULANTS FOR PREVENTING RESPIRATORy TRACT INFECTION IN ChILDREN
IMUNOESTIMULANTES NA PREVENÇÃO DE INFEÇõES
RESPIRATóRIAS EM CRIANÇAS
254 Ac a Pediá ica Po uguesa
IMUNO-ESTIMULANTES NAS INFEÇõES RESPIRATóRIAS NA CRIANÇA
seguimen o oi di e sa, a iando en e dois e 15 meses.
A he e ogeneidade dos es udos e a ambém e iden e
no que se e e e à in e enção es udada (os IS incluí am
p odu os bac e ianos, ex a os ege ais, compos os
sin é icos, ex a os ímicos e in e e ão sin é ico), ao
núme o de ITR no g upo placebo e, ainda, à ap esen ação
e desc ição dos esul ados.
Apenas 35 des es 61 es udos (4060 c ianças) epo a am
dados de o ma adequada pa a inclusão na me análise.
Quando compa ado com o placebo (Tabela 1), o uso
de IS eduziu as ITR em e mos absolu os (DM = -1,24;
IC95% [-1,54, -0,94]; I2 = 94%) e em e mos de di e ença
na p opo ção de ITR (DM = -38,84%; IC95% [-46,37%,
-31,31%]; I2 = 83%) (e idência de qualidade mode ada
de aco do com o sis ema GRADE, ou seja, esul ados
de es udos u u os podem al e a es as es ima i as e,
possi elmen e, e ão impac o impo an e na con iança
em elação às es ima i as a uais). A análise es i a
a IS bac e ianos (D53 e OM-85) p oduziu esul ados
semelhan es com menos he e ogeneidade es a ís ica
(núme o absolu o de ITR: DM = -1,41; IC95% [-1,92,
-0,93]; I2 = 94%; di e ença na p opo ção de ITR: DM =
-41,21; IC95% [-49,10, -33,31]; I2 = 72%).
Não se e i ica am di e enças em e mos de e ei os
ad e sos en e o g upo placebo e o do IS, embo a
apenas 10 es udos o necessem in o mação adequada
des e ou come (e idência de qualidade baixa de aco do
com o sis ema GRADE, is o é, esul ados de es udos
u u os p o a elmen e ão al e a es as es ima i as
e, mui o possi elmen e, e ão impac o impo an e na
con iança em elação às es ima i as a uais) (Tabela 1).
Os e ei os ad e sos mais equen es o am exan ema,
náuseas/ ómi os, do abdominal e dia eia.
CONCLUSõES
Combinando os á ios esul ados des a e isão, e i i-
cou-se que os IS eduzi am em 1,24 episódios a média
de ITR po g upo, equi alen e a uma edução de 39% das
ITR compa a i amen e com o g upo placebo. Os dados
suge em, ainda, que os IS êm um pe il de segu ança
a o á el.
COMENTÁRIO
Exis em á ios ensaios clínicos isolados que supo am
o uso dos IS como medida de p e enção das ITR3-7.
Con udo, a sua u ilização pe manece con o e sa e
exis em ince ezas undamen adas quan o ao âmbi o da
sua u ilização e à sua u ilidade na p á ica clínica. A e isão
que aqui se esume e le e bem algumas das limi ações
da e idência exis en e. O isco de iés dos ensaios
oi na maio ia dos casos ince o, po al a de de alhe
na desc ição da alea o ização, alocação, ocul ação e
núme o de c ianças que abandona am os es udos.
Exis em indícios es a ís icos de iés de publicação, ou
seja, publicação p e e encial de esul ados posi i os e
consequen e sob e-es ima i a do e dadei o bene ício
dos IS. Finalmen e, cons a ou-se uma impo an e
he e ogeneidade en e os esul ados dos es udos.
Os au o es suge em que es a he e ogeneidade es á
sob e udo associada à a iabilidade do núme o de ITR
no g upo con olo, mas o espe o de idades das c ianças
incluídas e a u ilização de di e en es IS ambém são
a o es a e em con a.
Tabela 1. Compa ação dos esul ados nos ensaios: qualque imunoes imulan e e sus placebo
Resul ado
Núme o de
pa icipan es
(es udos)
Magni ude do e ei o
He e ogeneidade (I2)Qualidade da
e idência (GRADE)
Di e ença média (DM)
ou isco ela i o (RR)
[IC 95%]
Núme o de ITR 4060 (35) DM -1,24 [0,94, 1,54] 94% Mode ada
Pe cen agem de di e ença
nas ITR 4060 (35) DM -38,84 [-47,37, -31,31] 83% Mode ada
Incidência de e ei os
ad e sos gas oin es inais 1457 (10) RR 0,01 [-0,01, 0,03] 42% Baixa
Incidência de e ei os
ad e sos cu âneos 1469 (10) RR 0,00 [-0,01, 0,01] 0% Baixa
ITR, in eções do a o espi a ó io.
Ac a Pediá ica Po uguesa 255
IMUNO-ESTIMULANTES NAS INFEÇõES RESPIRATóRIAS NA CRIANÇA
Não se de e, po ém, igno a os esul ados posi i os da
e isão, indicando que a u ilização dos IS pode eduzi
a incidência das ITR com uma magni ude assinalá el.
O e ei o p o e o pa ece dependen e da oco ência de
um núme o ele ado de ITR, is o é, se e iden e quando
o núme o de in eções a eduzi é mais al o do que a
incidência no mal pa a um dado g upo e á io. Assim, é
p o á el que o bene ício do uso de IS pa a a p e enção
de ITR de a se limi ado a c ianças susce í eis com ITR
eco en es (p e enção secundá ia).
Impo a ainda ealça que as ITR eco en es são
um g upo he e ogéneo de en idades clínicas, com
e iologia e isiopa ogénese dis in as, e que podem
cons i ui um sinal de ala me pa a a p esença de
imunode iciências, doença ale gológica ou pa ologia
es u u al ou especí ica do o o espi a ó io. É, assim,
p io i á io despis a a o es p edisponen es, u ilizando
os IS de o ma acional.
Em suma, as limi ações da e isão sup a-desc i as
implicam cau ela na in e p e ação e ex apolação dos
esul ados, sendo necessá ios mais es udos de maio
qualidade pa a melho de ini o e dadei o bene ício
clínico dos IS na p e enção de ITR em c ianças.
CONFLITOS DE INTERESSE
Os au o es decla am a inexis ência de con li os de in e esse
na ealização do p esen e abalho.
FONTES DE FINANCIAMENTO
Não exis i am on es ex e nas de inanciamen o pa a a
ealização des e a igo.
CORRESPONDÊNCIA
Joana Gil
[email p o ec ed]
Recebido: 22/05/2014
Acei e: 02/06/2014
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