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Historiografia, Cultura e Política na Época do Visconde de Santarém (1791-1856)

Protásio, Daniel Estudante

Abstract

A historiografia portuguesa foi, no dealbar da Época das Revoluções, marcada por práticas culturais e políticas diversas. Entre as lutas revolucionárias e contra-revolucionárias, o erudito e o cronista coexistiam com o historiador amador. O qual reivindicava, tal como os políticos, filósofos e poetas, o papel de religar o passado e o presente, para entender os acontecimentos disruptivos do tempo e antever o futuro das sociedades e da humanidade. O exercício de papéis multifuncionais tornava dúbias, nos indivíduos, as fronteiras entre súbditos e cidadãos, particulares e estadistas, na emissão de opiniões e na tentativa de influenciar os rumos da história. A conjugação de historiografia, cultura e política abre novas e desafiantes visões acerca de uma época plena de ensinamentos para o século XXI. Pretende-se debater diferentes estados da arte na historiografia luso-brasileira, da história dos conceitos e do dicionarismo crítico. Estabelecer um diálogo crítico a propósito do discurso historiográfico do século XIX, da pluralidade dos significados da sua linguagem impressa e da necessidade de cooperação, aberta e constante, entre os estudiosos dos anos de 1828 a 1834. Analisar fenómenos específicos da arte e da religião, para entender como a cultura expressava o que elites e massas populares desejavam fazer perdurar como memória. Destacar vários instrumentos de conhecimento reflexivo, como as análises da construção dos Estados nacionais (em plena efervescência ibérica dos ideais legitimistas), a afinação tipológica de agrupamentos ideológicos miguelistas e a utilização sistemática das fontes diplomáticas manuscritas, para entender as lutas dinásticas ibéricas. Em suma, procura-se pôr à disposição da comunidade científica e do público informações de considerável utilidade, num esforço de elucidação da história política, social e mental daquele tempo.

Full text

His o iog a ia, Cul u a e Polí ica na Época do Visconde de San a ém (1791-1856) Lisboa Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa 2019 Daniel Es udan e P o ásio (O g.) Di ecção da colecção |Se ies edi o s Sé gio Campos Ma os e Co adonga Valdaliso Conselho cien í ico da colecção | Se ies scien i ic boa d Fe nando Ca oga (Uni . de Coimb a), Ila ia Po ciani (Uni . di Bologna), Ja ie Fe nández Sebas ián (Uni . del País Vasco), Luís Filipe Ba e o (Uni . de Lisboa), S e an Be ge (Ruh -Uni e si ä Bochum), Temís ocles Ceza (Uni . de Rio G ande do Sul), Valdei A aujo (Uni . Fede al de Ou o P e o) Tí ulo | Ti le His o iog a ia, Cul u a e Polí ica na Época do Visconde de San a ém (1791-1856) O ganização | O ganisa ion Daniel Es udan e P o ásio Edi o | Edi o Daniel Es udan e P o ásio Assis en e de edição | Edi o ial assis an Ca olina Ru ino Re isão edi o ial | Copy-edi ing And é Mo gado e Ca olina Ru ino Re isão o og á ica | P oo eading And é Lei ão, And é Mo gado, Ca olina Ru ino e Ma im Ai es Ho a Comissão cien í ica des e olume | Scien i ic boa d o his publica ion And ea Lisly Gonçal es (Uni . Fede al de Ou o P e o), Ca mine Cassino (CH-UL), Daniel Ribei o Al es (Uni . No a de Lisboa), João Cou anei o (Uni . Lisboa), Jo di Roca Ve ne (Uni , Ro i a i Vi gili, Ta agona), José B issos (CH-UL), Fá ima Sá e Melo Fe ei a (ISCTE-IUL), Ma ia Manuela Ta a es Ribei o (Uni . de Coimb a), Sé gio Campos Ma os (Uni . de Lisboa) Edição | Publishe Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa | 2019 Pa ocínio | Sponso ship Adminis ação do Po o de Lisboa Concepção g á ica | G aphic design B uno Fe nandes Imp essão G á ica | P in ing shop Se sili o – Emp esa G á ica, Lda. ISBN: 978-989-8068-24-8 Depósi o Legal: 463937/19 Ti agem: 150 exempla es Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa | Cen e o His o y o he Uni e si y o Lisbon Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa | School o A s and Humani ies o he Uni e si y o Lisbon Cidade Uni e si á ia - Alameda da Uni e sidade,1600 - 214 LISBOA / PORTUGAL Tel.: (+351) 21 792 00 00 (Ex ension: 11610) | Fax: (+351) 21 796 00 63 URL: h p://www.cen odehis o ia- lul.com Es e abalho é inanciado po undos nacionais a a és da FCT − Fundação pa a a Ciência e Tecnologia, I. P., no âmbi o do p ojec o UID/HIS/04311/2019. This wo k is unded by na ional unds h ough FCT – Founda ion o Science and Technology unde p ojec UID/HIS/04311/2019. This wo k is licensed unde he C ea i e Commons A ibu ion-Non Comme cial 4.0 In e na ional License. To iew a copy o his license, isi h p://c ea i ecommons.o g/ licenses/by-nc/4.0/ o send a le e o C ea i e Commons, PO Box 1866, Moun ain View, CA 94042, USA. ÍNDICE DA CONVERGÊNCIA ENTRE HISTORIOGRAFIA, TEORIA DA HISTÓRIA E HISTÓRIA POLÍTICA Daniel Es udan e P o ásio I – HISTORIOGRAFIA HISTORIA MAGISTRA VITAE. Ensaio sob e a (in)de inição do opos nos p oje os de esc i a da his ó ia do B asil no século XIX Temís ocles Ceza JOSÉ DA SILVA LISBOA E AS NARRATIVAS DA EMANCIPAÇÃO BRASILEIRA Valdei A aujo O CONCEITO DE REVOLUÇÃO NUMA GUERRA DE IDEIAS EM PORTUGAL: Algumas no as sob e linguagem e polí ica (1820-1834) Rica do de B i o DA NECESSIDADE DE UM DICIONÁRIO CRÍTICO DO TEMPO DE D. MIGUEL (1828-1834) A mando Malhei o da Sil a e Daniel Es udan e P o ásio II – CULTURA UMA FAMÍLIA DE PODER E CULTURA. Em o no do Re a o da Família do 1.º Visconde de San a ém, de Domingos Sequei a Alexand a Gomes Ma kl UMA DEVOÇÃO DO MIGUELISMO: Nossa Senho a da Rocha de Ca naxide Fá ima Sá e Melo Fe ei a 11 19 21 47 69 97 121 123 139 III – POLÍTICA LA “PENINSULA DAS HESPANHAS” Y LOS LEGITIMISMOS: La úl ima unción (1828-1840) Juan Pan-Mon ojo e And és Ma ía Vicen MODERADOS E ULTRAS NA REGÊNCIA E NO REINADO DE D. MIGUEL (1828-1834) Daniel Es udan e P o ásio LOS ÚLTIMOS MESES DE FERNANDO VII A TRAVÉS DE LA DOCUMENTACIÓN DIPLOMÁTICA PORTUGUESA Al onso Bullón de Mendoza y Gómez de Valuge a RESUMOS ABSTRACTS NOTAS BIOGRÁFICAS CRÉDITOS DAS IMAGENS 155 157 183 235 271 281 286 DA CONVERGÊNCIA ENTRE HISTORIOGRAFIA, TEORIA DA HISTÓRIA E HISTÓRIA POLÍTICA A pa i de 2020, oco e ão, em Po ugal e no mundo, as comemo ações dos bicen ená ios do 24 Agos o de 1820 e da Vila-F ancada (27 de Maio de 1823). Is o é, dos momen os inaugu ais da e olução libe al e da con a- e olução po uguesas. Uni e sidades, cen os de in es igação, especialis as (nacionais e in e nacionais) ca ea ão pa a o cená io público e pa a os eposi ó ios bibliog á icos as mais ecen es isões e e isi ações c í icas desse e ilhan e passado que an o apaixona os con empo aneis as. O colec i o nacional e global agua da po ais e en os, ce o da con inuidade de um es o ço cien í ico e his o iog á ico desde o bicen ená io da Re olução F ancesa, em 1989. En e an o, con ém e lec i , de o ma mui o sin é ica, sob e um dos aspec os mais elizes desses 30 anos de abalhos in e disciplina es e ansnacionais. Em conc e o, sob e os bene ícios azidos po esse es o ço à his o iog a ia, eo ia da his ó ia e his ó ia polí ica. Não exis indo – nem de endo exis i – ba ei as en e as ciências sociais e humanas, pe ilha-se a isão de que mui as delas con ibuí am pa a os a anços ob idos nas úl imas ês décadas, no que diz espei o ao es udo da his ó ia polí ica de e oluções e con a- e oluções. A his o iog a ia e a eo ia da his ó ia, no caso po uguês e b asilei o, êm sido en iquecidas com es udos de his ó ia polí ica sob e pe sonalidades, e en os e mo imen os dos séculos XIX e XX. Es udos de caso, monog a ias, ob as de sín ese sob e a esc i a his ó ica, seus con ex os e igu as, es ão equen emen e suplemen ados com enquad amen os polí ico-ideológicos I - HISTORIOGRAFIA HISTORIA MAGISTRA VITAE. ENSAIO SOBRE A (IN)DEFINIÇÃO DO TOPOS NOS PROJETOS DE ESCRITA DA HISTÓRIA DO BRASIL NO SÉCULO XIX Temís ocles Ceza Uni e sidade Fede al do Rio G ande do Sul, Depa amen o de His ó ia Un il he eigh een cen u y, he use o ou exp ession [his o ia magis a i ae] emained an unmis akable index o an assumed cons ancy o human na u e, accoun s o which can se e as i e able means o he p oo o mo al, heological, legal, o poli ical doc ines. Reinha Koselleck, Fu u e Pas . On he Seman ics o His o ical Time His o ia magis a i ae: pe manência x dissolução A pe manência do opos his o ia magis a i ae, seja como p oje o his o iog á ico, seja como igu a de e ó ica, es ende a c onologia da sua dissolução ou ans o mação, no B asil, pa a além do século XVIII.1 O Oi ocen os b asilei o é p ódigo em deba es en e ideias an igas e mode nas pa a se esc e e a his ó ia. Esse ideá io isa a, em p incípio, o ganiza ecu sos e p ocedimen os pa a se 1 Sob e a ans o mação do opos, e Bou on 2018. 22 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) esc e e a his ó ia da nação. Tal como a nação e a um plano em cons ução, a his ó ia, como campo de sabe disciplinado, do mesmo modo ensaia a seus p imei os passos. Logo, se o p oje o nacional não e a e iden e, ampouco o e a a iden idade da his ó ia e a do his o iado . Po isso, a esc i a da his ó ia o nou-se obje o de deba e e p oblema eó ico-me odológico no B asil do século XIX, cujas dis in as pe cepções ace ca do ema cons i uem um co pus discu si o olumoso e ainda não su icien emen e es udado.2 Nes e sen ido, sob a chancela do Ins i u o His ó ico e Geog á ico B asilei o (IHGB), undado no Rio de Janei o em 1838, são p o e idos discu sos e publicadas memó ias cujo obje i o e a o de no ma iza e c ia eg as pa a o o ício desse his o iado da nação. Con e idos em p og amas na Re is a do IHGB, esses ex os adqui em a condição de mani es os po uma his ó ia nacional. Tais p opos as, além de con ibuí em pa a a pad onização de no os pa adigmas pa a a pesquisa, no adamen e a busca pela cien i icidade, ambém a i ica am apo ias e di iculdades da esc i a da his ó ia, sob e udo aquelas ine en es à ins á el na a i a do pe íodo, ma cada pela oscilação en e a o ien ação hodie na, ou mode na, e os p essupos os p e é i os, ou an igos, da his o iog a ia ociden al, en e os quais a somb a ou a luz da his o ia magis a i ae. Selecionei ês des as mani es ações, não com o p opósi o de apon a um equí oco na análise de Koselleck, que além de indica a inexis ência de uma his ó ia da ó mula his o ia magis a i ae, oi ex emamen e p uden e em elação ao po encial gene alizan e que sua hipó ese pode ia adqui i , caso ex apolasse o con ex o his o iog á ico o mado pela compilação documen al ilológica e his o iog á ica, a pa i da qual e aça a genealogia do opos.3 Meu obje i o é demons a que a noção de his o ia magis a i ae p esen e nes es p oje os his o iog á icos oi menos ma cada pela dico omia pe manência x dissolução, do que pelo signo da (in)de inição, an o polí ica quan o epis emológica. Não se a a, po an o, simplesmen e de ges os mimé icos em elação aos an igos ou ao século imedia amen e p eceden e, mas de ec iação o iginal em elação aos p imei os e independência ela i a em elação aos segundos.4 2 Guima ães 2006, 101. 3 Koselleck 1985, 22. 4 É impo an e salien a que es es ex os man inham uma elação ensa com seus congêne es do século XVIII. Especi icamen e pa a o caso b asilei o (e suas elações com Po ugal), e Kan o (2004) e Sil ei a (2016). 23 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica Os mani es os são os seguin es: 1. O “Discu so” inaugu al p o e ido pelo cônego Januá io da Cunha Ba bosa (1780-1846), sec e á io pe pé uo do IHGB, publicado em 1839; 2. A disse ação do homem de ciência Ca l F ied ich Phillip on Ma ius (1794-1868), Como se De e Esc e e a His ó ia do B asil, de 1844; 3. As “Indicações sob e a His ó ia Nacional”, de T is ão de Alenca A a ipe (1821-1908), de 1894.5 Uma obse ação me odológica. Tenho p ocu ado analisa , em meus abalhos, as on es no limi e do ex o. Pode -se-ia de ini al p ocedimen o como uma a ian e he menêu ica do a o in e p e a i o do discu so da e sob e a his ó ia. No en an o, minha in enção não em sido a de ealiza um “cul o do ex o”,6 mas simplesmen e a de le a em conside ação a obse ação de Koselleck de que os acon ecimen os his ó icos e sua es u u a semân ica es ão in imamen e ligados. 7 His o ia magis a i ae (I): O “Discu so” de J. da C. Ba bosa8 Bas a a ende mos ao que diz Cíce o: a his ó ia é es emunha dos empos, a luz da e dade e a escola da ida. Po es a judiciosa dou ina bem acilmen e se conhece quão p o ícua de e se a nossa associação, enca egada, como em ou as nações, de e e niza pela his ó ia os a os memo á eis da pá ia, sal ando-os da o agem dos empos e desemba açando-os das espessas nu ens que não poucas ezes lhes aglome am a pa cialidade, o espí i o de pa idos e a é mesmo a igno ância. Oxalá não i éssemos nós in ini as p o as des a e dade, em an as ob as, mo men e es angei as, que co em o mundo! O nosso silêncio, ep eensí el em ma é ia que an o a e a a hon a da pá ia, em dado ocasião a que os his o iado es uns de ou os se copiem, p opagando-se po isso mui as inexa idões, que de e iam se imedia amen e co igidas.9 5 Pa a uma isão mais ab angen e dos ex os his o iog á icos publicados na Re is a do IHGB, e Guima ães (2010). A g a ia das ci ações oi a ualizada. 6 Faye 1972, 130. 7 Koselleck 1985, 222. 8 Re omo aqui, sob pe spec i a di e en e, ou seja, a pa i do en oque es i o da ó mula his o ia magis a i ae, exce os de um abalho an e io sob e as p opos as de Ba bosa e Cunha Ma os (Ceza 2011). 9 Ba bosa 1839, 10. 24 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) A menção ao O ado de Cíce o não é apenas a ci ação de um adágio e udi o, mas um p incípio o ganizado que jus i ica e, ao mesmo empo, o ien a as in es igações do IHGB. E e niza e sal a os a os são e bos que pa icipam da eng enagem p odu o a da c ença na his ó ia como mes a da ida. Duas ins âncias da mesma ope ação, e e niza e sal a , apesa de udo, não se con undem: e e niza- se aquilo que é susce í el de se o na memo á el, cuja de inição depende de uma sé ie de disposições eó icas e polí icas. Po conseguin e, após sua e e nização, o a o de e se sal o, o que, po sua ez, p essupõe ce o núme o de p ocedimen os me odológicos, cob indo um campo que começa com a descobe a das on es e se es ende à p odução ex ual. Além disso, no a-se uma a iação do adicional mé odo c í ico em his ó ia. As nu ens que impedem uma boa isão da ealidade são causadas, sob e udo, po ob as de au o es es angei os que de em se dissipadas pelos his o iado es do IHGB. À p imei a is a, pode ia pa ece ão-somen e uma p oposição me odológica xenó oba. En e an o, o p oblema não é o es angei o enquan o al, mas sua opinião p econcebida, que o p i a da obje i idade, ou seu desconhecimen o a espei o da nação sob e a qual ele se mani es a. Assim, os memb os do IHGB êm po missão descons ui a lógica que pe pe ua um conhecimen o inco e o do passado b asilei o, depu ando esses abalhos de algumas de suas manchas, nem que pa a isso seja necessá io, e en ualmen e, ejei á-los do campo his ó ico. O his o iado , con udo, não de e ia es ingi a u ilidade da his ó ia ao passado. Nação em p ocesso de edi icação e consolidação, o p esen e p óximo ambém p ecisa se inse ido no âmbi o do pode ab angido pelo opos cice oniano: O co ação do e dadei o pa io a b asilei o ape a-se den o no pei o, quando ê ela ados des igu adamen e a é mesmo os mode nos a os da nossa glo iosa independência. Ainda es ão eles ao alcance de nossas is as, po que apenas 16 anos se em passado dessa época memo á el da nossa mode na his ó ia, e já mui os se ão obli e ando na memó ia daqueles, a quem mais in e essam, só po que êm sido esc i os sem a impa cialidade e necessá io c i é io, que de em semp e o ma o ca á e de um e ídico his o iado .10 10 Ba bosa 1839, 10-11. 25 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica O p essupos o de que o passado e a o es a o de empo undamen al à his o iog a ia do século XIX oi edimensionado po Ba bosa. Não há in e dição a p io i à pe cepção da empo alidade imedia a, p incípio de his o icidade que, ainda que mui as ezes seja in isí el ou in isibilizado, ap esen a a ce a a i idade à época.11 O que é p opos o é que os mesmos equisi os usados pa a se es abelece os e en os passados sejam u ilizados pa a aqueles que ansco em no p esen e: impa cialidade e c i é io. Esse ipo de a i mação con a com uma ex ema boa on ade do lei o ou da audiência, po que, a igo , o que é se impa cial quando se esc e e do pon o de is a da nação? O que de ine exa amen e o “necessá io c i é io”?12 De a o, não pa ecia ha e , nes e con ex o, uma dis inção cla a en e as dimensões polí icas e his o iog á icas.13 Independen emen e do que ealmen e signi iquem, o ce o é que essas duas noções – impa cialidade e c i é io –, quando mal emp egadas, di icul am o abalho de memó ia, nesse caso, en o mada an o pela esc i a como pela isão, ecu so do discu so his ó ico, cuja o igem emon a aos an igos.14 A boa his ó ia do empo p esen e se ia aquela que combina ia a isibilidade do empo ecen e com a aculdade de a memó ia ope a em um espaço ó ico. Di idida em an iga e mode na, a his ó ia do B asil “de e se ainda subdi idida em á ios amos e épocas, cujo conhecimen o se o ne de maio in e esse aos sábios in es igado es da ma cha da nossa ci ilização”.15 Ba bosa, a seu u no, p opõe somen e modelos que ma cam o início his ó ico do B asil. Não obs an e, econhece que mesmo a de inição c onológica de um ma co inicial encon a obs áculos, uma ez que os a os inaugu ais já o am ecomendados à pos e idade po ou os au o es, “que são lidos em odos os empos com jus a admi ação”,16 mas que, dispe sos pelo e i ó io nacional, apenas esc e e am his ó ias pa icula es das p o íncias e não uma his ó ia ge al ou “ ilosó ica do B asil”, que encadeie “os seus acon ecimen os com escla ecido c i é io, com dedução” e com “luz pu a da 11 Ceza 2004. 12 Ceza 2003a. 13 A His ó ia Ge al do B asil, de F ancisco Adol o de Va nhagen, publicada em 1854-1857, é um exemplo signi ica i o des a ensão polí ica e his o iog á ica (Ceza 2018). 14 Sob e a ques ão da isão nos his o iado es an igos, e Zanga a (2007). 15 Ba bosa 1839, 10. 16 Ba bosa 1839, 11. 26 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) e dade”.17 À pe spec i a mode na, Ba bosa ac escen a a medida an iga: “Se ainda assim mesmo an os esc i os de ilus es b asilei os ossem dados à luz pública, ou conse ados em a qui os, pa a que a pos e idade deles se ap o ei asse, al ez en ão se pudesse ealiza ”, ainda que em pa e, “a dou ina de Cíce o”, quando chama “a his ó ia es emunha dos empos”.18 O e o no aos an igos e à his o ia magis a i ae apa ece igualmen e na delibe ação de um modelo de he ói ou de he oicidade. Pa a an o, Ba bosa con oca os “nob es sen imen os de Plínio o moço, esc e endo a Táci o sob e a desas osa mo e de seu io”, que em al ci cuns âncias a i ma a conside a igualmen e benemé i os aqueles a quem os deuses em concedido o dom, ou de aze coisas dignas de se em esc i as, ou de esc e e coisas dignas de se em lidas; e mui o mais benemé i os ainda os que a o ecem o exe cício des as duas p eciosas aculdades.19 Táci o e ia solici ado a Plínio, o Jo em, que con asse a his ó ia da mo e de seu io, Plínio, o An igo, “pa a pode ansmi i-lo mais exa amen e à pos e idade”.20 O espí i o da p opos a de Ba bosa não é di e en e. Se ia di ícil encon a as duas qualidades eunidas em uma só pessoa, po ém, é ce o que se alguém, no B asil, p a icou um a o digno de se con e ido em esc i a, os his o iado es do IHGB es ão em p on idão pa a egis á-lo. É po de ás desse sujei o que se esboça uma das p imei as igu ações do que é ou de e ia se um he ói nacional nos moldes oi ocen is as.21 Esse en endimen o o na-se mais cla o com a ci ação que Ba bosa az na sequência daquela de Plínio, o Jo em, seguindo ainda uma ez Alexand e de Gusmão: “a his ó ia é um ecundo seminá io de he óis”.22 Pa ece-me possí el es abelece uma inculação en e a pa icipação e e i a de á ios memb os do IHGB com os e en os ecen es da his ó ia b asilei a e a 17 Ba bosa 1839, 11. A exp essão “his ó ia ilosó ica” su ge em 1765, quando Vol ai e, sob o pseudônimo de abade Bazin, publica, em Ams e dão, La Philosophie de l’ H is oi e (Vol ai e [1765] 1963). Ve ambém Vol ai e ([1764] 1829, 191-92). Pa ece que os ês ipos de his o iog a ia p opos os po Hegel ([1822-30] 1965, 21-40) o am ado ados po alguns memb os do IHGB como modelos à esc i a da his ó ia. No que espei a a Ma ius, e Ma ius ([1844] 1953, 187-205); pa a Gonçal es de Magalhães, e Magalhães ([1858] 1859). 18 Ba bosa 1839, 11. 19 Ba bosa 1839, 13-14. Plínio esc e e: “Pou ma pa , j’es ime heu eux les hommes auxquels les dieux on acco dé le p i ilège de ai e des ac ions dignes d’ê e éc i es ou d’éc i e des li es dignes d’ê e lus, e ois ois heu eux ceux qui on l’un e l’au e Don”. (Pln. Ep. 6.113-114, ans. Guillemin 1989). 20 Pln. Ep. 6.16. 21 Sob e a ques ão, e os abalhos de Ende s (2000; 2014). 22 Ba bosa 1839, 14. Alexand e de Gusmão é ci ado ambém como epíg a e ao “Discu so”. 27 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica ideia de que os his o iado es ou esc i o es podem desempenha um papel he oico. No pio dos casos, pode iam me amen e esc e e coisas dignas de se em lidas. No melho , como Plínio, o An igo, pode iam ealiza coisas dignas de se em esc i as e lidas. Se não exis ia, no IHGB, um his o iado com al pe il, en ão não se ia possí el imagina que o p óp io IHGB, enquan o ins i uição, enca nasse essa igu a de he ói? Um he ói que se ia um agen e cole i o. Seus ges os he oicos se iam sua undação, suas a e as his ó icas consis i iam em sal a o passado nacional e em cons ui uma memó ia nacional. Em esumo, o nece à nação as luzes de que ela p ecisa. Reg esso à his o ia magis a i ae! Sendo assim, os g andes homens adqui em suas isionomias e modos de ep esen ação associados à noção de his ó ia como “mes a da ida”: “as melho es lições que os homens podem ecebe , lhes são dadas pela his ó ia, po isso a i ude é semp e digna de ene ação pública, a gló ia ab ilhan a os hon ados cidadãos”. Os his o iado es de em aze jus iça aos seus no á eis, pois sal a “seus nomes e seus ei os de um injus o esquecimen o, é o e es ímulo pa a uma o e emulação”. Toda ia, não se de e p ese a o p imei o que chega . É p eciso escolhe , e a escolha é um julgamen o: “Os c imes . . . não deixam de se de es á eis no ibunal da his ó ia, se a impa cial pena de sábios os desc e e em sua e dadei a luz”.23 O his o iado que julga não é unicamen e um juiz, ele ambém se ap esen a como “aus e o sace do e da e dade”.24 Se a his ó ia az os g andes homens, en ão os his o iado es que azem a his ó ia (que a “pu i icam”) são os e dadei os mes es do jogo. Fazedo es da his ó ia, eles con olam os des inos dos g andes homens, ou, di o de ou o modo, os i os con olam os mo os, e os mo os se em aos i os. Res a sabe se o g ande homem é um he ói acabado ou um candida o a he ói? Independen emen e da espos a, os his o iado es do IHGB êm o pode de decidi . Colocam-se, assim, em uma posição quase di ina; eles c iam sua p óp ia p o idência. À ep esen ação de he óis e g andes homens, Ba bosa associa a necessidade de um p oje o biog á ico no IHGB.25 Face a impo an e da his ó ia pensada como 23 Pa a as ci ações, a é aqui, des e pa ág a o: Ba bosa (1839, 13). 24 Ba bosa 1839, 13-14. A ideia do IHGB como um agen e missioná io es á p esen e na ins i uição ainda no século XX. Ve , po exemplo, Co ea Filho (1960, 316-18) e Mei a (1982, 211-13). 25 Nes e abalho, não es ou p eocupado com as dis inções en e he ói, g ande homem ou homem ilus e (Oli ei a 2012; Ende s 2000; 2014). 28 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) mes a da ida, a p opos a já es a ia em mo imen o, pois o isconde de São Leopoldo e o dou o Emílio Joaquim Maia, sócios- undado es da ins i uição, inham iniciado a cole a de “elemen os pa a esse impo an e monumen o li e á io”.26 O obje i o e a ão simples quan o ambicioso, pois “na ida dos g andes homens ap ende-se a conhece as aplicações da hon a, ap ecia a gló ia e a a on a os pe igos”.27 Po ado a de exempla, odos posi i os, a biog a ia dos g andes homens é um plano há mui o es ado e ap o ado em ou as nações. Logo, não se a a de uma posição i e le ida, mas de uma p oposição que isa uma ap oximação à his ó ia mode na em p og esso. O mundo se ans o ma g aças aos g andes homens: O li o de Plu a co é uma excelen e escola do homem, po que o e ece em odos os gêne os os mais nob es exemplos de magnanimidade; aí se encon a descobe a oda a an iguidade; cada homem céleb e apa ece aí com seu gênio, com seus alen os, com suas i udes e com a in luência que exe ce a sob e seu século; aí se ap ende como o gênio dá mo imen os a po os in ei os, po suas leis, po suas conquis as, po sua eloquência; aí idas b ilhan es e mo es ilus es ensinam a ama a gló ia, a ap ecia as suas causas, a p e e os seus esul ados, e a acau ela mo-nos daqueles pe igos, que seguem como somb as.28 O li o que o IHGB de e esc e e , ou es imula sua composição, se ia análogo ao li o de Plu a co: “não o e ece á uma his ó ia e ídica do nosso país essas lições?”29 Sim, pois o B asil p opo ciona odas as condições pa a o su gimen o de g andes homens: o empo, uma longa du ação – ês séculos! –, mas ambém o espaço ou um solo é il. A inal, não e emos g andes homens com “di e sas qualidades que me eçam os cuidados do ci cunspec o his o iado , e que se possam o e ece às nascen es ge ações como ipos de g andes i udes?”30 O p oje o p e ê que a his ó ia dos “nossos” g andes homens seja esc i a pelos “nossos” his o iado es “nacionais”, e não pelo gênio especula i o dos es angei os. A c í ica aos esc i o es es angei os é, ao mesmo empo, uma medida 26 Ba bosa 1839, 15. 27 Ba bosa 1839, 14. 28 Ba bosa 1839, 14-15. 29 Ba bosa 1839, 15. 30 É in e essan e no a que uma das acepções da exp essão “ a ão”, quando ela designa o g ande homem, co esponde exa amen e ao “ a ão de Plu a co”, que dize “homem p obo, cheio de se iço à pá ia, e po isso compa á el aos g egos e omanos biog a ados po Plu a co”, ou ainda “homem que po sua ida ex ao diná ia pode ia igu a nas Vidas Pa alelas, ob a desse au o ” (Ba oso, 1996). Blu eau diciona iza a exp essão, mas não no mesmo sen ido (Blu eau 1712-21, 8:363). 35 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica pode ia a ingi . Desse es ágio supe io , pode ia o his o iado lança luzes pa a “p o a ” que “só ago a p incipia o B asil a sen i -se como um odo unido”, ou seja, a a e a da his ó ia é demons a que a uni icação das p o íncias oco e em deco ência da “lei o gânica” do impé io, simbolizada na igu a do mona ca. A missão da his ó ia ou a a e a do his o iado é o na isí el – po meio des a isibilidade con olada –, pa a os b asilei os, sua p óp ia nação: “jus amen e na as a ex ensão do país, na a iedade de seus p odu os, ao mesmo empo que os seus habi an es êm a mesma o igem, o mesmo undo his ó ico, e as mesmas espe anças pa a um u u o lisonjei o, acha-se undado o pode e g andeza do país”. Em esumo, pa a econhece seu p óp io pode e pa a sabe , é p eciso ap ende a e . En im, “nunca esqueça, pois, o his o iado do B asil, que pa a p es a um e dadei o se iço à sua pá ia de e á esc e e como au o moná quico-cons i ucional, como uni á io no mais pu o sen ido da pala a”. Pa a an o, Ma ius p opõe écnicas que se iam adequadas: o li o não de e ia excede um “só o e olume”; seu es ilo de e ia se popula “pos o que nob e”; de e ia sa is aze a in eligência e o co ação, consequen emen e, a esc i a de e ia se le e, sem excesso de e udição e de ci ações es é eis. Dessa o ma, se e i a ia a c ônica e, simul aneamen e, se p omo e ia uma e dadei a his ó ia p agmá ica ù il à nação. His o ia magis a i ae (III): en e a mona quia e a epública – o caso A a ipe Um ano an es da publicação da segunda edição e is a e ampliada da monumen al His ó ia Ge al do B asil, de F ancisco Adol o de Va nhagen, o conselhei o T is ão de Alenca A a ipe, p onuncia a, em 1876, no Rio de Janei o, a con e ência in i ulada: Como Cump e Esc e e a His ó ia Pá ia.55 Nela ele az du as c í icas a Va nhagen, ep oduzidas na e são “ epublicana” de 1894, sob o í ulo de Indicações sob e a His ó ia Nacional.56 Pa a A a ipe, an o em 1876 como em 1894, Va nhagen, que mo e a com o í ulo de Po o Segu o: 55 T a a-se da a i idade: Con e ências Popula es da F eguesia da Gló ia (A a ipe 1876). 56 A a ipe 1895a. 36 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) Esc e eu sem c í ica e sem es ilo, consumindo la gas páginas com a os somenos, quando deixa a nas somb as de ligei os aços acon ecimen os no á eis, dignos de mais desen ol ida no ícia. É, po ém, au o de g andes se iços de in es igação; oi ele quem despe ou a necessidade, e mos ou o p o ei o da pesquisa de an igos documen os em bem da his ó ia nacional. Dos a qui os nacionais e eu opeus desenca ou p eciosos ex os, que o mam ica con ibuição pa a os nossos as os p imi i os. Se como in es igado de on es his ó icas em mé i o, como his o iado as suas ob as His ó ia ge al do B asil e Holandeses no B asil o não ealçam.57 Longe de se a a de uma c í ica o iginal à ob a de Va nhagen,58 o comen á io einciden e de A a ipe in e essa-me po ou a ques ão: a da incapacidade de a his ó ia, pa a indi íduos como o conselhei o, cump i sua p incipal me a, ou seja, a de na a a his ó ia da nação. Também aqui a desap o ação do conselhei o não é uma no idade, mas um sin oma da discó dia polí ica, in elec ual e do empo do ideá io nacional. Discó dia polí ica po que o isconde de Po o Segu o, mo o em 1878, e sua “massa ciclópica de ma e iais que acumula a”, e a um mona quis a que não e e opo unidade de muda de posição.59 Discó dia in elec ual po que, no mesmo con ex o, Machado de Assis, em 1873, e e ia-se à li e a u a b asilei a como po ado a de um ce o “ins in o de nacionalidade”;60 e José de Alenca , em 1876, a i ma a, em om polêmico, n’O P o es o, que o monopólio da nacionalidade na li e a u a di idia-se ainda en e o Paço e o Reino.61 Discó dia do empo, po que os di e sos es a os empo ais que se concen am no ma co c onológico de 1860 ao inal do século mul iplicam-se, in e pene am-se e exau em-se de modo mais ou menos acele ado ( empo da nação, empo Saqua ema, empo da esc a idão, esgo amen o p esen e moná quico, ascensão e p og essos moná quicos, e c.). A ob a de Va nhagen, nesse sen ido, é, ealmen e, um bom e môme o dos e ei os des a deso dem: se, po um lado, a His ó ia Ge al, mesmo que c i icada po mui os, inha man ido ce o g au de in luência ao se con e ida em manual escola no Colégio Ped o II, impo an e ins i uição de ensino público do país, a pon o de, em 1890, Capis ano de Ab eu a i ma que se ia, a é àquele momen o, 57 A a ipe 1895a, 288-89. 58 Sob e o ema, e Ceza (2007; 2018). 59 A ci ação é de Capis ano de Ab eu em 1882 (Ab eu 1928, 441). 60 “Quem examina a a ual li e a u a b asilei a econhece-lhe logo, como p imei o aço, ce o ins in o de nacionalidade.” (Assis [1873] 1994, 801). 61 Alenca (1876) 1877, apud Cou inho 1968, X. 37 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica às ol as em in en a “queb a os quad os de e o de Va nhagen”,62 po ou o lado, suas pesquisas e esc i os abundan es não o am su icien es a mui os de seus con empo âneos pa a sup i a necessidade de a his ó ia ensina o que e a a nação e a nacionalidade. Não é su p eenden e, po an o, que A a ipe conside asse, em 1894, is o é, em pleno egime epublicano, a necessidade de se ins ui o his o iado sob e o melho modo de se in es iga e de se esc e e a his ó ia nacional. Po isso, ele inicia seu ex o a i mando que somen e a his ó ia pode esponde o que oi e o que é a nação, ou que na “ e dade se não i e mos a na ação since a dos acon ecimen os e a os sociais da nossa pá ia, como explica emos o que ela é, e o que pode i a se ?”.63 Pa a an o, a his ó ia p ecisa assumi uma dimensão mo al e se esc i a com “c i é ios”. Quais? Como em Ba bosa, meio século an es, eles não são p ecisos, e A a ipe se u a de ap esen á-los cla amen e. Po ém, não de e escapa das de inições diciona izadas do século XIX, nas quais c i é io é, en e ou as acepções, de inido como a “ eg a ou p incípio de disce ni o e dadei o do also”, condição da his ó ia ilosó ica desde Vol ai e.64 Ao p incípio mode no dissimulado (mais adian e ele ala á em “examina com esc upulosa diligência a e dade”),65 o au o associa a clássica de inição da his o ia magis a i ae: “ninguém du ida da u ilidade da his ó ia, a quem um ilus e esc i o an igo denominou luz da e dade e mes a da ida”.66 Logo, apesa de “um meio ins u i o do po o”, ela é “ciência” e não “me o delei e e ec eação”.67 De e se esc i a, po an o, de modo a p emia o mé i o dos ben ei o es do gêne o humano, aos quais a p udência dos séculos denomina he óis, e exe ci a no os es ímulos de imi ação dos g andes modelos de pa io ismo, desse sen imen o sublimado e gene oso que digni ica o homem an e a p óp ia consciência, e in unde-lhe alo pa a as mais al as emp esas, que pode o cidadão come e . . . . O esc i o b asilei o, pois, que p e ende esc e e a his ó ia da nossa pá ia, e á em conside ação desenha a igu a espei á el dos nossos homens benemé i os, de manei a que exci em em nossos co ações o amo pa a com as suas ene andas somb as, 62 Rod igues 1954-1956, 130. 63 A a ipe 1895a, 259-60. 64 Sil a 1789, 349. 65 A a ipe 1895a, 263. 66 A a ipe 1895a, 263. 67 A a ipe 1895a, 262-63. 38 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) e pe suadam-nos quan o é doce a ecompensa da i ude pela g a idão da pos e idade. Pa a isso cump e examina com esc upulosa diligência a e dade, e não desp eza a os exp essi os do ca á e do pa io a, que se consag ou ao bem do seu país.68 A cha e, mais uma ez, pa a se en ende o uncionamen o da his ó ia como mes a da ida é a imi ação. O disposi i o mimé ico de e pau a os g andes p incípios que gene alizam compo amen os e e i am a his ó ia da medida indi idual, pa adoxalmen e, a pa i do ges o pessoal: “Se o pin a mos com pe eição, e se ao e a o de mos os aços ca ac e ís icos do e dadei o he ói, o e ecendo à imaginação do lei o as eições ín imas da alma do homem eg égio, e emos exibido modelos capazes de exci a os mais san os desejos de imi ação.”69 Não in e essa mais o que Alcebíades ez ou não ez, mas o que os á ios Alcebíades ize am na cons ução da nação.70 Dessa manei a, quando “con apos os os ipos mo ais do ca á e an igo e do ca á e mode no dos po os, econhece emos a azão, po que a his ó ia an iga indi idualiza-se, quando a his ó ia mode na gene aliza-se”.71 O modelo p o ém, como em Januá io da Cunha Ba bosa, de Plu a co: Es e bióg a o dos g andes a ões g egos e omanos dá-nos com pincel magis al o e a o de seus he óis po al o ma delineados, que impossí el é ao lei o não acha aí uma escola de mo al e pa io ismo, que enob ece o co ação, e enche da inabalá el con icção, de que a pá ia é en idade eal, à qual de emos sac i ícios, e não a i iciosa in enção pa a egoís icas especulações.72 O his o iado b asilei o de e “pin a ” como Plu a co, po ém não apenas o he ói gue ei o – “e o a al, que não de e pe du a na opinião mode na”73 –, mas aquele que con ibuiu pa a a paz: menos Alexand e, Júlio Césa e Napoleão e mais Geo ge Washing on, “o ipo e dadei o do he ói”.74 Na no a complemen a às Indicações, o au o ac escen a (como se hou e a esquecido!), opo unamen e, os he óis epublicanos, os ma echais Deodo o da Fonseca e Flo iano Peixo o, 68 A a ipe 1895a, 263. 69 A a ipe 1895a, 264. 70 A is . Pol. 1451b.36. 71 A a ipe 1895a, 264. 72 A a ipe 1895a, 273-74. 73 A a ipe 1895a, 274. 74 A a ipe 1895a, 278. 39 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica exemplos de i ude cí ica e abnegação.75 Desse modo, o his o iado cump i ia com a me a de “suge i a ins ução nacional pelo dou inamen o da his ó ia”, essa e dadei a ciência mo al.76 Em consequência, pa a A a ipe, o “esc i o nacional” de e ia pe cebe com ni idez que os mode nos supe am os an igos: os his o iado es an igos esc e iam a his ó ia dos eis; os his o iado es mode nos ocupam-se com a his ó ia dos po os; os esc i o es an igos celeb a am as de as ações e os mo icínios; os esc i o es mode nos aplaudem as conquis as da indús ia, a con a e nidade dos po os, e o iun o dos bons cos umes. Os an igos esc i o es inalmen e seguiam o es épi o das açanhas e o seu b ilho ex e io , com desp ezo do sen imen o mo al, que cons i ui o e dadei o elemen o da his ó ia mode na77. A supe io idade dos mode nos é eó ica, me odológica e mo al, exce o pelo p incípio o ien ado e no ma izado da his ó ia: o opos his o ia magis a i ae. Pa ece que à p ocu a pelo no o – a o dem do p og esso inexo á el ou a c ença na e olução da na u eza humana –, co esponde a essu gência de passados que subs i uam a ine icácia das pala as de inido as da ideia de his ó ia. Se os mode nos são melho es do que os an igos, a his ó ia como sabe acumulado con inua sendo o emédio à ansiedade da dú ida do u u o abe o. His o ia magis a i ae: pe manência x dissolução = (in)de inição A eme gência, no século XVIII, e a consolidação, no século XIX, das iloso ias da his ó ia ge a am ques ionamen os ace ca das possibilidades de que se pode ia ap ende com a his ó ia. Po exemplo, em Vol ai e, desde 1764, em He de , dez anos depois, e em Kös e , em 1775, o ca á e modela da his ó ia pe deu consis ência dian e da singula idade da noção p ocessual e na ede do p og esso. Sendo um dos c i é ios undamen ais da empo alização da his ó ia, que começou 75 A a ipe 1895a, 343; H uby 2012, 237-38. 76 H uby 2012, 262-63. 77 A a ipe 1895a, 266. 40 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) seu di ó cio com a c onologia na u al, o p og esso é um concei o que exp essa a dessemelhança da consciência mode na em elação à an iga: “es a expe iência básica do ‘p og esso’, que pôde se concebida po ol a de 1800, em aízes no conhecimen o anac ônico que oco e em um empo c onologicamen e idên ico”. Logo, “desde o século XVIII as di e enças em elação a melho o ganização ou à si uação do desen ol imen o cien í ico, écnico ou econômico passam a se o ganizadas, cada ez mais, pela expe iência da his ó ia”. 78 O p og esso oi um e o que con e eu a expe iência co idiana em simul aneidade do não simul âneo, o nando-o um axioma elemen a no século XIX. Na medida em que a his ó ia assumiu o p og esso como o dem do empo, ela ambém admi iu a unicidade e a singula idade dos acon ecimen os. Po conseguin e, a educação baseada no exemplo p e é i o pe deu consis ência: “cada ensinamen o pa icula con lui en ão no e en o pedagógico ge al”.79 Se há um ap endizado, é o de que, como pensa a Hegel, e e indo-se à his ó ia p agmá ica, os homens não se ins uem com ela: em ge al se aconselha a go e nan es, es adis as e po os a ap ende em a pa i das expe iências da his ó ia. Mas o que a expe iência e a his ó ia ensinam é que po os e go e nos a é ago a jamais ap ende am a pa i da his ó ia, mui o menos agi am segundo suas lições.80 Passado e u u o não mais coincidiam, a possibilidade da epe ição his ó ica pe deu signi icado, a expe iência que se ealiza a icou es i a a seu empo, e o po i deslizou pa a uma in ini ude de possibilidades. A his o ia magis a i ae pa ecia dilui -se como onda no ma . Não se ia mais o passado que escla ece ia e ilumina ia o u u o, mas o u u o que elança ia sob e o passado o peso de sua p esença: não mais como imi ação nem como singula idade, mas como di e ença. “Esse u u o que escla ece a his ó ia passada, esse pon o de is a e esse elos que lhe con e em sen ido, adqui iu, com as es es da ciência, a apa ência da Nação, do Po o, da República, da Sociedade ou do P ole a iado.”81 Um exemplo, en e ou os possí eis, que exp essam essa no a 78 Koselleck 1985, 238. 79 Koselleck 2006, 55. 80 Hegel (1822-30) 1990, 49-50. 81 Ha og 2003, 146. 41 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica elação en e empo e his ó ia, em que a his o ia magis a i ae acila a, é e idenciado na amosa ase de Ma x, no 18 do B umá io: Os homens azem sua p óp ia his ó ia, mas não a azem como que em; não a azem sob ci cuns âncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se de on am di e amen e, ligadas e ansmi idas pelo passado. A adição de odas as ge ações mo as op ime como um pesadelo o cé eb o dos i os.82 De ce a o ma, en e an o, hou e eabili ação dos ensinamen os da his ó ia, apenas o luxo se in e eu: o ap endizado e os exemplos não inham mais do passado, mas do u u o que ainda não se ealiza a! Is o só ez aumen a seu po encial como c ença. Es a b e e genealogia da his o ia magis a i ae se iu pa a ilus a dilemas, an inomias e po enciais de uma ó mula que oi (e é) i ida como sinônimo da p óp ia ideia de his ó ia. Seus quase 2000 anos de exis ência agmen a am-se em di e en es cul u as his o iog á icas, ge ando o mas de ecepção dis in as e aplicações he e odoxas em elação à e são o iginal. No B asil, no século XIX, não oi di e en e. A pe manência do opos his o ia magis a i ae na his o iog a ia b asilei a oi ocen is a não signi icou, po an o, ejeição à mode nidade nem adesão i e le ida a iloso ias da his ó ia eu opeias.83 Nominalmen e, é possí el mapea sua p esença em p oje os de esc i a da his ó ia, discu sos o iciais, biog a ias, nec ológios, imp ensa, e c., o que a eme e pa a um campo de possibilidades em que a capacidade de se ap ende com o passado man ém-se. Con udo, se, po um lado, o uso da exp essão pa ece apenas e lexo p agmá ico e e ó ico de p á icas mo ais e polí icas cujo alcance pode ia se planejado, mas não de a o mensu ado, po ou o, sua equência, maio ou meno , não é ga an ia nem de sua u ilidade, nem de sua inu ilidade, nem de sua pe manência, nem de sua dissolução. A his o ia magis a i ae é como a ida: (in)de inida… 82 Ma x (1852) 1995, 329. 83 A aújo 2011. 42 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) BIBLIOGRAFIA Ab eu, J. 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Com maio libe dade de imp ensa no pe íodo após a independência, as na a i as his ó icas assumi am um papel cen al nas dispu as polí icas e na cons ução da legi imidade dos no os pode es es abelecidos. Alguns no os agen es do go e no na Eu opa o am con idados a ec u a es udiosos es angei os pa a esc e e , a o ecendo a causa b asilei a, e ai icando e iden e que o Es ado começa a exe ce um papel a i o nas dispu as pela his ó ia.9 O a o é que, po ol a de 1820, a cul u a his ó ica disponí el ap esen a a uma g ande di e sidade de on es, algo que p ocu amos da uma is a ge al no g á ico abaixo, sem a p e ensão de esgo a os eículos, mas apenas da uma amos a de suas dis in as o igens e e en uais “ egimes de au onomia”. Te esse pano ama em men e é undamen al pa a con ex ualiza a “his ó ia da independência”, de Sil a Lisboa, que analisa emos nas p óximas seções.10 Fig. 1. P incipais on es de na a i as his ó icas po ol a de 1820. 9 A aujo 2015; Medei os 2012, 19; 75 e seq. 10 Lisboa 1825-1830. 53 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica Di e sidade e usão de mac ona a i as Em 1825, o impe ado encomendou a um dos le ados mais in luen es no einado de seu pai pa a esc e e uma his ó ia de independência. José da Sil a Lisboa planejou um abalho em dez pa es como uma “His ó ia Ge al do B asil”, que culmina ia com o ela o da independência, com o í ulo His ó ia dos P incipais Sucessos Polí icos do Impé io B asilei o. Somen e qua o olumes do abalho apa ece am, en e 1826-1830, endo sido a ob a in e ompida po p essões polí icas e a pela mo e do au o em 1835. No plano o iginal, o abalho começa ia com a his ó ia das g andes na egações po uguesas, con ex o em que a descobe a do B asil de e ia se associada, ence ando com a ou o ga da Ca a Cons i ucional em 1824. O p imei o olume, publicado em 1826, abo da de a o as g andes na egações, as descobe as e os p imei os anos da colonização do B asil. Mas a sequência planejada oi in e ompida po o dem do impe ado , que deseja a an ecipa os olumes da his ó ia mais ecen e. Os p óximos ês olumes o am en ão dedicados à úl ima pa e da his ó ia planejada, na ando os e en os en e 1821-1822. Em ge al, podemos dize que a g ande na a i a nacional p oduzida po Sil a Lisboa busca comp eende a emancipação polí ica como o cump imen o de um plano p o idencial e, ao mesmo empo, a demons ação das o ças ci iliza ó ias que di igi iam a his ó ia b asilei a. Nascido das g andes na egações, que ab i am o comé cio global e expandi am a eligião c is ã, o B asil es a a des inado a se um g ande impé io come cial, capaz de iguala o equilíb io de pode no No o Mundo, sendo a p imei a mona quia cons i ucional ame icana. Em uma na a i a em que as ações são o ganizadas po uma o ça p o idencial ocul a que dá sen ido a con li os cons an es, esul an es de ambições e aquezas humanas, Sil a Lisboa p oduz uma his ó ia cômica, no sen ido dado po Hayden Whi e, com os e ei os de uma conciliação conse ado a.11 Em seu discu so, con e gem di e en es na a i as e linguagens polí icas; a segui , analisa emos ês dessas mac ona a i as e como elas a uam em conjun o pa a da sen ido e legi ima o no o impé io e seu go e no. 11 Whi e 1992, 44 e seq. 54 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) A mac ona a i a do con li o en e libe dade e au o idade Uma das on es de mo imen o des a na a i a é a c ença de que o mundo polí ico pode se en endido como um con li o e e no en e os p incípios da libe dade e da au o idade. Uma das epíg a es do abalho é uma passagem da Vi a Ag icola, pelo his o iado la ino Táci o: “Desde o início, o opulen o impé io mis u ou coisas a é ago a incompa í eis: P incipado e Libe dade. . . . Ago a o espí i o e o na: ele não ai se a epende de e cole ado a memó ia dos empos a uais com oz inábil e sem ado nos”.12 Sabemos que, pa a os homens de le as luso-b asilei os, um au o como Táci o ep esen a a um conjun o amilia de ideias e emas.13 Na passagem eunida po Sil a Lisboa, a ideia-cha e é uma espos a ao con li o en e i ude cí ica e impé io. A p imei a pa e da ci ação diz que, pela p imei a ez, e Sil a Lisboa se e e e ao einado de D. Ped o I, go e no e libe dade es a am em ha monia. Em seu con ex o o iginal, Táci o se e e e ao p incipado de Ne a e T ajano, no qual ele diz e a libe dade de esc e e a his ó ia e em que len amen e as i udes omanas es a am sendo es au adas. Temos en ão duas en es de lei u a. De uma pa e, a p imei a a i mação do echo ci ado p oduz um símile no qual Ne a e T ajano podem se ap oximados a D. João VI e D. Ped o I. Como em odo símile, uma das pa es de e sua o ça exp essi a a ou a; nesse caso, a his ó ia modela é a omana, a a és da qual a b asilei a pode se comp eendida pelos lei o es. Po ou o lado, em seu con eúdo especí ico, a passagem esponde de modo posi i o à g ande dú ida do século XVIII sob e a possibilidade de concilia um go e no o e, como o moná quico, com a Libe dade, já que o cidadão de uma sociedade come cial e polida não pode ia dispo do mesmo ipo de i ude que o de uma epública an iga. Sil a Lisboa, en ão, oma pa ido dos mode nos, de endendo uma ia p óp ia pa a sua o ganização polí ica, pode íamos dize , nesse momen o, uma mona quia cons i ucional. 12 Ci ado no o iginal la ino, “P imo s a im bea issimi Impe ii o u es olim dissociabiles miscui , P incipa um ac Libe a em. . . . Nunc edi animus: non pigebi udi e incondi a oce memo iam p aesen ium empo um composuisse”. Lisboa 1825-1830, I, 1. 13 Almeida 2009; A aujo 2010; A aujo e Va ella 2009. 55 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica Mesmo usando as pala as de Táci o (nada é ac escen ado), Sil a Lisboa compõe no a exp essão adap ando o sen ido da passagem aos obje i os da ob a, sup imindo pala as e mesmo in e endo a o dem dos pe íodos, de o ma que as pala as que em Táci o inham ce a unção assumam ou as na mon agem. To na-se en ão ele an e no a que Sil a Lisboa, delibe adamen e, omi e a menção aci iana às “p imei as se idões”. Pa ece ica cla o que o au o e i a o con on o en e passado e p esen e, ão impo an e no con ex o o iginal omano. Não se ia di ícil da con inuidade ao símile, iden i icando o pe íodo colonial b asilei o com as “p imei as se idões” a que se e e e Táci o, mas Sil a Lisboa pa ece delibe adamen e e i a esse pa alelismo, em busca de uma in e p e ação mais conciliado a. De odo modo, a exclusão dessa possibilidade pa ece coe en e com os sen idos ambi alen es do legado po uguês no B asil em sua ob a. Como p ocu amos cap u a com o esquema abaixo, a menção a Táci o é uma espécie de me onímia de uma na a i a mais comple a da his ó ia de Po ugal como lu a en e os p incípios da au o idade e da libe dade. Nessa lu a, o mais impo an e é a possibilidade de ha monia en e as pa es, já que nenhuma epública pode ia sob e i e dominada po apenas um desses p incípios. Po isso, ce os alo es emblemá icos, como a libe dade e a inicia i a indi idual e p i ada, êm o alo nega i o ou posi i o a depende da o ma e luga . De odo modo, a inspi ação aci iana, que o ien a a desc ição de uma undação ge mânica da cons i uição po uguesa, o ien a ambém a mac ona a i a que se ealiza com a mona quia cons i ucional b asilei a. 56 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) Fig. 2. O con li o en e go e no e libe dade. A a e a da esc i a da his ó ia e a demons a e de ende o modelo ci ilizacional ep esen ado pelo impé io em sua o ma moná quica- -cons i ucional. Educa o público sob e suas e dades, poli manei as e assim p epa a as condições pa a o seu p óp io desen ol imen o como uma emp esa li e á ia, po que sem libe dade e bom go e no não há condições pa a o p og esso das le as. Po an o, a ci cula idade en e le as e ci ilização é ou a dimensão da me ana a i a que o ganiza o ela o. As manei as come ciais pode iam le a à decadência da i ude, como mui os au o es de endiam. Nes e pon o, o bom go e no de e agi como um an ído o, a im de o ien a a comunidade, mesmo quando os homens não ossem capazes de iden i icá-lo. Como pa e do bom go e no, o his o iado de e ajuda a con ola o empo mode no com a i meza dos alo es mo ais e uma acionalidade empe ada pelas ci cuns âncias, ajus ando pa a os empos mode nos o equilíb io en e au o idade e libe dade.14 14 Lynch 2015; Pe ei a 2013. 57 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica A mac ona a i a p o idencial A desc ição do e i ó io da nação ap esen ada no p imei o olume da ob a en a iza suas on ei as na u ais, suge indo sua doação p o idencial e des acando a singula idade de sua g ande ex ensão e di e sidade de ecu sos: Não menos singula e sem pa alelo na his ó ia dos impé ios é que uma á ea ão g ande, de isionomia geológica supe io à Eu opa, oi ocupada pela mais pequena nação eu opeia, an o em e i ó io como em população, que em sido p op iedade de mais de ês séculos, ago a conse a a in eg idade da descobe a o iginal, com a mesma eligião, língua e lei, e mesmo com maio o ça e esplendo , apesa de á ias ezes e em sido in adidas, em á ias p o íncias, po anceses, ingleses, espanhóis e holandeses, como se e á em o cu so des a his ó ia. Assim, na medida em que a aca azão humana chega, pa ece não se con a a azão que os b asilei os podem dize com eligiosidade e o gulho – eja o dedo de Deus.15 Naquele con ex o, pa ecia, pa a di e sos memb os da eli e polí ica, que o maio desa io da independência e a man e a in eg idade do e i ó io nacional, ameaçado po con li os in e nos e ex e nos. Esse cu o pa ág a o é um bom exemplo do que gos a ia de chama “na a i as compac as”. Cu as passagens e ospec i as que colocam de modo condensado e mui o p eciso ao lei o a possibilidade de expe imen a , quase que analogicamen e, po memo ização, o p incípio de expe iência ao qual se que con o ma uma ealidade di e sa e pouco conhecida. Essas cu as sín eses ou ecapi ulações ga an iam a ci culação das na a i as o ien ado as, mesmo en e aqueles que não e iam o empo ou a opo unidade de le a ob a in ei amen e. Um aço dessas “na a i as compac as” é sua possibilidade de epe ição e memo ização, o ganizadas que es ão em o no de alguns “memes”, como a unidade na u al do e i ó io e a singula idade do impé io. Esses mi os não esis i iam a uma análise mais longa, mas de ão epe idos acabam po se con o ma em ealidade. Ou a es u u a ex ual de e o ço mui o u ilizada na ob a são as no as de odapé como ci cui o de e o ço e conexão empo al. Cons an emen e, as no as azem a necessá ia ap oximação en e começo e im, e o çando a pe spec i a 15 Lisboa 1827, 2-3. 58 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) eleológica da na a i a, ans o mando a di e sidade dos e en os em o ça p e igu a i a, como na passagem em que explica que os adje i os usados pa a desc e e o es ado do B asil o am e i ados de uma enunciação do ei b i ânico em 1808, celeb ando a ans e ência da co e po uguesa. A o dem simplesmen e c onológica é queb ada pela in odução de uma empo alidade pos e io ou an e io que o ien a a expe iência da lei u a. Assim, o a o de D. Ped o e nascido e sido aclamado impe ado no mês de ou ub o, o mesmo em que o p imei o ei de Po ugal inha i mado o ju amen o da isão que e e de C is o nos campos de Ou ique, p ome endo-lhe que nele e em sua descendência es abelece ia um g ande impé io, são apon adas em no a como coincidências não o ui as, mas com a essal a de que ais especulações e am incompa í eis com o gos o do século. No luga mais pessoal da no a de odapé, pode ia e o ça o p o idencialismo de sua in e p e ação sem comp ome e o deco o acional que a na a i a de uma his ó ia ge al eque ia. Os capí ulos seguin es desc e em a descobe a das ilhas oceânicas, do caminho pa a as Índias e da Amé ica. T aça longo elogio à queb a do monopólio de comé cio p o ocado pelas na egações, em especial po não e em sido necessá ias a gue a ou a injú ia a ou as nações. Mas essa pe spec i a p omisso a se ia in e ompida, pois o espí i o de conquis a, iné cia e cobiça, us ou, em g ande pa e, o bene ício da di indade, e a dou o na u al p og esso da ci ilização e pe ec ibilidade da espécie humana, e causou incalculá el misé ia, não só aos po os descobe os, mas ambém a seus descob ido es, e aos deles o iundos.16 A na u eza humana e a inci ilidade dos empos impedi am que o p og esso abe o se con i masse, in oduzindo-se g andes males como a esc a idão, a in ole ância eligiosa e o espí i o de conquis a. Es e es ado semibá ba o é en endido como uma con inuação dos p incípios eudais. Mas em ez de uma na a i a i ônica e escla ecida, que simplesmen e condenasse essas ações, Sil a Lisboa a i ma comp eendê-las em seu con ex o his ó ico, como o papel da Ig eja 16 Lisboa 1827, 11. 59 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica Ca ólica nos assun os in e nacionais, ep eensí el no século XIX, mas uma o ça ci ilizado a essencial no passado. Mui o ao gos o do iluminismo escocês e b i ânico, dos quais e a lei o e adu o , em especial da ob a de Bu ke, Robe son, Hume e Adam Smi h, Sil a Lisboa na a as g andes na egações como o im do monopólio do comé cio do O ien e impos o à Eu opa pelas cidades i alianas. Os po ugueses e iam ido o papel de pionei os no p ocesso undamen al de ci ilização da Eu opa e do mundo. Mas como, em oda a ob a, essas o ças de p og esso são bloqueadas pelo p econcei o, pela ambição e pelo espí i o de conquis a, que ma cam as sociedades ainda em es ado semibá ba o, como a eu opeia naquele momen o. Como se pode cons a a no esquema abaixo; nessa mac ona a i a, p a icamen e não se pode iden i ica e ezes ou e ocessos, pois mesmo e en os que pode iam se en endidos como ca as ó icos, como a in asão napoleônica, acabam se e elando posi i os. A his ó ia do B asil conec a-se com o milag e de Ou ique, passando pelo descob imen o e colonização, ou as opo unidades pa a islumb a a p o idência em ação. D. Ped o I, an igo e legí imo he dei o da p omessa ei a nos campos de Ou ique, eno a e a ualiza esse pac o no no o impé io c is ão e ca ólico da Amé ica. 60 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) Fig. 3. Mac ona a i a p o idencial. A mac ona a i a da passagem eudal-come cial Sil a Lisboa na a o descob imen o do B asil como p odu o da expansão ma í ima e, ao mesmo empo, p odu o de ação p o idencial, já que a esquad a po uguesa inha como obje i o o comé cio das Índias e não o descob imen o de no as e as. Po isso, de modo polêmico, p e e e chama es e e en o de “achado” do B asil, e não descobe a.17 O lance pe mi ia um mo imen o duplo, pois associa a o B asil à expansão come cial e, ao mesmo empo, a as a a os mo i os menos nob es ligados à on ade de conquis a e domínio. Dessa o ma, espondia e dis o cia as opiniões de Robe son e Robe Sou hey, ci adas como au o idades, que em suas his ó ias inham igualmen e salien ado o ca á e aciden al do descob imen o do B asil. Sil a Lisboa se ecusa a ac edi a que qualque acon ecimen o his ó ico pudesse se ob a do acaso, u ilizando-se da ideia de p o idência an o como ecu so cogni i o, quan o como o ma de ans e i o p o idencialismo luso e seu excepcionalismo ao B asil. Mas cabe des aca que em nenhum momen o esse ecu so é ans o mado em a gumen o su icien e, 17 Lisboa 1827, 44. 61 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica ou pe mi ia a inclusão de ações mi aculosas na na a i a, ele é semp e a i mado como uma c ença úl ima no sen ido da his ó ia, que mesmo ocul o ao his o iado , pode ia se de i ado de causas na u ais. Com es e mo imen o concei ual, a his ó ia do B asil e sua independência podem se na adas como o cump imen o de um des ino p o idencial e ci iliza ó io. A colonização po uguesa é e a ada como desleixada e ma cada po p incípios an icome ciais como monopólio, in ole ância eligiosa e ou as p á icas eudais. Es e “an igo sis ema colonial” e ia sido e o çado pelo T a ado de U ech no início do século XVIII. No en an o, apesa desses impedimen os, a colônia p ospe ou e p og ediu sob a inicia i a de seus habi an es, como se des aca na epíg a e ge al do abalho, uma ci ação da his ó ia do B asil de Robe Sou hey: disco e ed by chance, i is by indi idual indus y and en e p ise, and by ope a ion o he common laws o na u e and socie y, ha his empi e has isen and lou ished, ex ensi e as i is now, and migh as i mus one day become.18 O “an igo sis ema” bá ba o, eudal e colonial se ia e e ido apenas com a ans e ência da co e em 1808, pe íodo que já ha ia a ado em ob as an e io es.19 Mas como é equen e em sua his ó ia, esse p og esso nunca é linea e homogêneo, es á semp e comp ome ido pela aqueza e ambição humanas, em especial en e po os em que a ci ilização não ha ia a ingido um g au ele ado de pe eição. Em uma Eu opa ma cada ainda po mo imen os e olucioná ios e p oje os de impé ios uni e sais, Po ugal, ecém-libe ado do domínio ancês, se ia í ima dessas mesmas o ças na Re olução Libe al do Po o de 1820. Em uma engenhosa in e são, Sil a Lisboa in e p e a a Re olução do Po o como um complô en e democ a as adicais espanhóis e po ugueses pa a uni a península sob um mesmo go e no, ecoloniza a Amé ica e impo à Eu opa seus p oje os uni e sais de pode . As na a i as an inapoleônicas, p o undamen e inspi adas em Bu ke, são eu ilizadas pa a ca ac e iza o despo ismo das Co es de Lisboa, que acaba iam po o ça os b asilei os a decla a sua independência, pa a não se e em no amen e eduzidos a “se os da gleba”. Assim, desc e e como a 18 Sou hey 1810. 19 Diniz 2010; Rosa 2011. O CONCEITO DE REVOLUÇÃO NUMA GUERRA DE IDEIAS EM PORTUGAL: ALGUMAS NOTAS SOBRE LINGUAGEM E POLÍTICA (1820-1834)1 Rica do de B i o Uni e sidade de Lisboa, Faculdade de Le as, Cen o de His ó ia Apon amen os in odu ó ios São signi ica i as as ans o mações polí icas e sociais que se ope a am na ansição en e os séculos XVIII e XIX. Fazendo uso do í ulo da clássica ob a de E ic Hobsbawm, en e inais de Se ecen os, com a Re olução F ancesa (ou, se quise mos, com a Gue a da Independência Ame icana), a é sensi elmen e meados de Oi ocen os, es amos pe an e o pe íodo comummen e en endido como a “e a das e oluções”. Visão, de es o, exp essa pelos con empo âneos dos acon ecimen os, com o uso de exp essões como “época das e oluções”, “século das e oluções”, en e ou as. Nes e ciclo, assis iu-se, no cená io eu opeu, ao abalo da es u u a do edi ício do An igo Regime, esul ando em décadas de 1 Es e a igo cons i ui a e o mulação de uma comunicação ap esen ada no colóquio in e nacional Cul u a, Ciência e Polí ica na Época do 2.º Visconde de San a ém (Biblio eca Nacional de Po ugal, 2016). Ag adeço os apon amen os c í icos, que se ge a am no deba e pos e io , das p o esso as Fá ima Sá e Melo Fe ei a, Ma ia Alexand e Lousada e do p o esso Valdei A aujo. 70 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) pe u bações iolen as ( endencialmen e gue as ci is), que e ela am a di ícil consolidação das p opos as e o mado as – e e olucioná ias – eo izadas du an e o iluminismo, que ganha am uma exp essão mais sólida, embo a com e oluções e adap ações, du an e e após o p ocesso e olucioná io ancês. Po g ande pa e da Eu opa, egis ou-se, assim, um sinuoso caminho na consolidação dos egimes libe ais e cons i ucionais, sujei o a a anços e ecuos, do qual a Península Ibé ica não es e e ausen e.2 Como suge iu Ka l Jaspe s, o ciclo das e oluções libe ais do século XIX, p ecipi adas, em g ande medida, pelos esul ados da Re olução F ancesa de 1789 ( e olução undado a), ala gou os ho izon es pa a um no o ipo de consciência his ó ica, na medida em que os con empo âneos des a no a mode nidade ende am a olha pa a a sua época po oposição a ou as, u o do sen imen o de up u a que se inha o iginado,3 osse ele me a ó ico ou de ac o. Como assinalou, de es o, Reinha Koselleck, es e mesmo pe íodo de ansição de séculos cons i uiu- -se como um momen o cha nei a de p o undas ans o mações no léxico.4 Pos o des a o ma: concomi an e das e oluções polí icas, o ocabulá io, p incipalmen e nos campos polí icos e sociais (mas não só), expe imen ou igualmen e impo an es e signi ica i as al e ações; aliás, es es dois ec o es, o de acção e o da linguagem (que da a, a p io i e a pos e io i, sus en ação às p á icas), es i e am in imamen e ligados. É, po an o, sus en á el a i ma que as e oluções da p imei a me ade do século XIX ab i am caminho a um no o “ egime de concep ualidade”, no sen ido de uma ans o mação adical das es u u as polí icas e sociais, e da pe cepção dos con empo âneos de que essas ans o mações inham adqui ido uma dimensão sem pa alelo.5 Sen imen o de ac u a e, igualmen e, de acele ação do empo,6 que se encon a bem pa en e, po exemplo, no p ocesso de esseman ização do concei o de e olução nes e pe íodo. Embo a enhamos de e em con a que as e oluções concep uais demo a am um signi ica i o empo a consolida em-se – du an e la gos anos, 2 Pa a uma isão global e de sín ese, po país, e Solé 2008. 3 Jaspe s 1933, 13-15. 4 Koselleck 2006; 2012. 5 Sebas ián 2008, 46-47. 6 Ca oga 2003, 83-90. 71 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica coexis i am an igos e mode nos usos e in e p e ações de alguns concei os7 – os con empo âneos dos acon ecimen os i e am consciência des as ans o mações no ocabulá io. Sen imen o de ans o mação lexical que já inha começado a se sen ido po ol a de 1780, como bem a es am as pala as de Louis Sébas ien Me cie , no seu Tableau de Pa is, quando e e ia que “les mo s n’on plus la même signi ica ion dans deux bouches di e é en es”.8 As no as p eambula es de Nicolas- -Balisson de Rougemon ao seu Pe i Dic ionnai e Libé al, publicado em F ança, em 1823 (com um undo sa í ico),9 cons i uem mais um exemplo des a pe cepção, com um campo de expe iência que já se ia possí el his o ia na década de 1820: Le emps e les é olu ions appo en de g ands changemen s dans la langue des peuples mode nes, e leu imp imen des a ia ions sans nomb e. Semblables à ces iches pa enus qui pe den chemin aisan le sou eni de leu o igine, les mo s pe den en, ieillissan , les aces de leu é ymologie e l´on cou ai sou en le isque de ne plus ê e comp is, si on les employai dans leu accep ion p imi i e… Les pa is on aussi une langue qui leu es p op e, e don leu s in e p è es on un usage équen . La même exp ession, employée pa deux éc i ains d’opinions di é en s, a deux signi ica ions, don il es impo an de connaî e la aleu , a in de ne pas comme e de mép ise, e de sa oi à quoi s´en eni su le sens que lui a ache l´au eu qui s´en es se i; dé ou née de sa p emiè e accep ion, sou en elle o e au pa i qui l´adop e un sens mys é ieux à l´aide duquel il en eloppe des idées coupables d´un s yle qui semble ne ien p ésen e que d´innocen ; quelque ois aussi un é énemen imp é u change la signi ica ion d´un mo e lui donne un sens nou eau qui ai époque dans la langue. . . . C´es pou ob ie à ces incon énien s, e pou éclai e les lec eu s su leu aleu éelle, que j´ai en ep is de adui e quelques-unes des exp essions les plus usuelles de la langue é olu ionnai e, d´en complé e le sens pa des explica ions na u elles, ou de le démon e pa des exemples p is au hasa d dans les meilleu s o a eu s du pa i.10 As pala as de Nicolas-Balisson são bem e elado as de alguns aspec os que de e ão se conside ados nas ans o mações lexicais, des e pe íodo, da “linguagem e olucioná ia”: em p imei o luga , a noção de que um concei o, à luz de um de e minado e en o, pode adqui i um sen ido e en endimen o mui o di e en e do seu signi icado p imi i o (mesmo que es e já i esse sido eo izado ou p epa ado an es). Numa ou a e en e, um pouco na ideia de “wo ds in con ex ”,11 de 7 Sebas ián 2005. 8 Ma ie 1781, 22. 9 Es e pequeno dicioná io oi, passados alguns anos, em 1839, aduzido pa a po uguês com o í ulo: Dicioná io Libe al d’Algibei a. 10 Rougemon 1823, V-VIII. 11 Sob e o aspec o da in encionalidade e do con ex o linguís ico, e , en e ou os, Skinne (2005, 145-178). 72 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) que o mesmo concei o, e e ido, po exemplo, po igu as de campos ideológicos opos os, pode adqui i sen idos di e en es; não impe a i amen e na sua semân ica de base, mas na ca ga alo a i a que lhe é concedida (sen ido posi i o ou nega i o). O a, o concei o de e olução, que so eu uma econs ução semân ica signi ica i a du an e a Re olução F ancesa,12 cons i ui um bom exemplo des es campos que p e endemos analisa . Fazendo uso da exp essão de Ja ie Fe nández Sebas ián, o “ e amo o concep ual” que emos indo a e e encia só se no a, de o ma mais d ás ica, no con ex o ibé ico e ibe o-ame icano, nos p imei os anos de Oi ocen os, u o das in asões napoleónicas, que o igina am um p ocesso ela i amen e ápido de ans o mações polí icas.13 No en an o, obse amos que esse i mo de ans o mações, que nas es u u as polí icas como no p óp io léxico, oi di e en e em Po ugal e Espanha, u o de expe iências polí icas e his ó icas di e en es, assumindo-se o concei o de e olução como exemplo de uma ela i a assinc onia. A p imei a e olução libe al no espaço ibé ico deu-se, como se sabe, em Espanha, endo como esul ado úl imo a Cons i uição de Cádis, em 1812, sendo nes a expe iência his ó ica e polí ica que o concei o de e olução adop ou a sua mode na semân ica, de uma p o unda mudança de egime, embo a u ilizado com alguma cau ela po pa e da cul u a libe al espanhola, endo em con a as suas cono ações com o pe íodo de maio e o da Re olução F ancesa (a pa i de 1793).14 Em Po ugal, no dealba do século, no amos algo semelhan e, de ecusa dos p incípios e olucioná ios mais ex emados: após uma isão de in e esse e de genuína cu iosidade pe an e o ímpe o e o mis a inicial das Cons i uin es em F ança, o en iado e o mis a po uguês, D. Rod igo de Sousa Cou inho, já espe a a, em 1790, uma “na u al con a- e olução”.15 Não obs an e, pa a o pe íodo das In asões F ancesas e pa a os anos seguin es, a mode na semân ica do concei o pa ece não e ganhado subs ancial e eno no con ex o po uguês, embo a se no e 12 Koselleck 2006, 62. Ve ambém Bake (1988, 42-43). Pa a uma in e essan e isão de sín ese, numa c onologia mais la ga, e Benigno (2013, 223-243). 13 Sob e o emendo abalo egis ado no ocabulá io nes e pe íodo e pa a es a geog a ia, é ob iga ó ia a menção a um p ojec o ainda em cu so, mas já com ele an es esul ados publicados: Dicciona io Polí ico y Social del Mundo Ibe oame icano (O g. Ja ie Fe nández Sebas ián), ambém conhecido po Ibe concep os. 14 Seone 1968, 41. 15 Sil a 1991, 588. 73 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica já algum ocabulá io com ho izon e mode no. A ques ão de egime não se coloca a, con a iamen e ao caso espanhol, em que a gue a e a e olução o am, a pa i de ce o momen o, dois enómenos análogos.16 Tendencialmen e, os usos do concei o e olução, em publicações a lou a a lu a con a o in aso es angei o em Po ugal, g a i a am mais p óximos do sen ido de e ol a ou de es au ação,17 como é bem ilus ada pela ob a de José Acú sio das Ne es, His ó ia Ge al das In asões F ancesas em Po ugal e da Res au ação des e Reino (1810-11). Ou seja, o concei o apa ecia, global e endencialmen e, num sen ido de « e olução es au ado a». Nas éspe as do 24 de Agos o de 1820, e olução, na cul u a polí ica po uguesa, já inha adqui ido os seus mode nos en endimen os.18 Embo a não se enha assumido como o p incipal concei o e e encial do p imei o mo imen o libe al e cons i ucional, oi, con udo, u ilizado. Na conjun u a de gue a ci il en e campos dis in os, libe al e absolu is a (pos e io men e miguelis a), e depois o con li o en e as amílias libe ais a é sensi elmen e meados do século,19 e olução assumiu-se como um concei o de e e ência de Oi ocen os.20 Pa a os p opósi os des e ex o, des acando pa icula men e o pe íodo en e a p imei a expe iência libe al e o im da gue a ci il en e libe ais e absolu is as, p e ende-se ap esen a , em jei o de no as de in es igação, casos em que es e concei o e a con ocado, que como simples mecanismo linguís ico de comba e ou quando assumia uma dimensão analí ica e in e p e a i a de maio espec o. Di o de ou o modo, p e ende-se analisa a dispu a po es e concei o. Que a qui ec u a e ó ica, endo em con a o las o semân ico que es e concei o g anjeou na i agem do século, es e e subjacen e nos usos do concei o, que no campo libe al, como no eaccioná io, nos di e en es momen os de con on o? 16 Con ém sublinha que “gue a da independência” não oi uma exp essão (com as dimensões e e e ências que compo a) u ilizada com equência aquando dos acon ecimen os. T a a-se de uma in e p e ação e de um en endimen o his o iog á ico pos e io , com aízes na década de 1830, que se ulga izou e consolidou. Sob e es e aspec o, e Junco (1994, 75-99). 17 Fe ei a 2012, 82-85. 18 Em anos an e io es, mas sob e udo du an e o iénio in is a, egis a-se uma signi ica i a di usão de no os concei os (ou de no as semân icas). Sob e es e ala gado enómeno, e o abalho seminal de Telmo dos San os Ve delho (1981). 19 Sem p e ensão de exaus ão, e pa a se e uma ideia do núme o signi ica i o de e ol as e e oluções na p imei a me ade do século, e Va gues (1985, 501-572); Ma a (1991, 755-769). 20 O abalho de Fá ima Sá e Melo Fe ei a (2012) – en e ou os da mesma au o a – assume-se como um ex o de e e ência undamen al pa a uma isão pano âmica do pe cu so des e concei o ao longo do século XIX. 74 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) Das éspe as de 1820 ao im do miguelismo: de um uso cau eloso a io condu o de uma na a i a21 Os inícios da década de 1820 pa eciam espe ançosos pa a os sec o es libe ais numa pa e subs ancial dos países do meio-dia, com á ios p onunciamen os mili a es que, em alguns casos, como o po uguês, ize am sing a , pela p imei a ez, egimes libe ais e cons i ucionais.22 Cingindo-nos ao caso po uguês, a Re olução de 1820 oi o esul ado de um ela i amen e longo p ocesso de c ise(s): iniciado com as In asões F ancesas, da c escen e au onomia do B asil e do sen imen o de que Po ugal se inha ans o mado em colónia da colónia, com a co e no B asil desde 1808, e de c ise da p óp ia mona quia e do impé io.23 Como se sabe, a con es ação a es e cená io p oduziu alguns esul ados, como a e ol a e pos e io execução de Gomes F ei e de And ade (e dos memb os do Sup emo Conselho Regene ado ). Es e episódio denunciou o descon en amen o pe an e a si uação do eino, ao mesmo empo que ilus a a a du a ep essão a elemen os que pe ilha am ideias e o mado as ou libe ais – endência, aliás, sen ida um pouco po oda a Eu opa após o Cong esso de Viena, de 1815. Não obs an e, a u ilização de “Regene ado ”24 como de inido do p opósi o de al Conselho, e lec ia já as endências que e emos, a ní el concep ual, nos anos seguin es. O p onunciamen o de 1820 ende a se apelidado pela his o iog a ia como uma e olução, mas os con empo âneos dos e en os comp eende am al acon ecimen o (ou p ocesso) como uma egene ação. A u ilização des e concei o – nes e momen o, en endido essencialmen e como uma egene ação polí ica, po an o, di e en e da segunda egene ação de meados do século XIX – não e a 21 Pa es des e ex o i e am uma p imei a explo ação num abalho nosso an e io : B i o 2016. Ap o ei ou-se, aqui, pa a ala ga alguns dos pon os aí explo ados. 22 O modelo de p onunciamen o de Ra ael de Riego, em Cádis, alice çado numa insu eição o ganizada po sociedades sec e as (maçónicas ou pa amaçónicas), com uma lide ança mili a e com uma agenda e o mis a e libe al, e elou-se um modelo e olucioná io e icaz. Ca ac e ís icas que es i e am p esen es nos le an amen os na G écia, nos Es ados i alianos e em Po ugal (Isabella 2009, 21). No en an o, es as e oluções, que pa ilha am ca ac e ís icas comuns na sua sus en ação e iun o, como, po exemplo, o ex o cons i ucional gada ino (Suanzes-Ca pegna 2010, 237-274), ambém i am o seu im poucos anos depois. 23 Ramos e Mon ei o 2012, 379-387. 24 Também é bas an e ilus a i a a designação de uma das p imei as lojas maçónicas po uguesas, c iada em 1797, a Loja Regene ação, denunciando, assim, a in luência que o concei o inha g anjeado com a Re olução F ancesa (Ma ques 1990, 77). 75 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica no a: inha sido o iginalmen e u ilizado na F ança dos inícios da Re olução, em que uncionou como concei o equi alen e;25 e ambém em Espanha, em que, e apesa do in aso ancês se apelida de egene ado , o concei o oi u ilizado com alguma equência pa a designa a sua p imei a e olução.26 Em Po ugal, nos inícios do século XIX, po in luência das expe iências polí icas ancesas e espanholas, o concei o assumiu um ce o pendo nega i o, como e lexo de uma associação ao in aso es angei o. Podemos oma como exemplo algumas publicações anónimas, de isí el eo eaccioná io, em que o concei o e o adjec i o apa ecem com ca ga dep ecia i a: Engana-se mui o a Sup ema Jun a do Go e no, e conhece-nos mui o mal S.A.I. Sabemos mui o bem o que que dize = Felicidade =; en endemos pe ei amen e o que signi ica = P o ecção =; não nos é ocul o o sen ido das pala as = Libe dade =, = Regene ação =: já emos comp eendendo a linguagem do G ande Napoleão, e po úl imo emos omado algumas lições da linguagem dos Ti anos. . .27 Ou: Mas que medidas omam hoje as Nações à is a dos unes os esul ados de uma gue a ão uni e sal, que a F ança degene ada e e olucioná ia lhes em ei o sucessi amen e há pe o de in e anos, a acando odas as Mona quias, odas as Repúblicas, e inalmen e odos os Po os?28 A e dade é que R egene ação a i mou-se, po pa e dos sec o es e o mado es libe ais e cons i ucionais, como o concei o de inido . R egene ação ap esen a a-se como uma acção que, de o ma pací ica, p ocu a a p omo e a elicidade, a gló ia nacional e a libe dade a a és de e o mas que não p o ocassem up u as b uscas, man endo a mona quia e não hos ilizando a eligião.29 A endência hegemónica do uso de egene ação em oposição a e olução é pa en e nos deba es pa lamen a es das Co es Cons i uin es: numa quan i icação simples, e olução ap esen a 170 esul ados (em 135 páginas de 95 diá ios), enquan o 25 Ozou 1988, 821-830 e 847-858. 26 Fuen es 2003, 604. 27 Sen imen os Pa ió icos dos Espanhóis, Mani es ados ao Go e no que os Op imia... 1808, 2. 28 O Desengano 1809, 3. 29 P oença 1990, 65. Pelo menos num p imei o momen o, o mo imen o e olucioná io po uguês não oi con a o ei, assumindo semelhanças com as p imei as e oluções hispano-ame icanas (Gue a 1992). 76 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) egene ação su ge 511 ezes (491 páginas de 261 diá ios).30 Inclusi amen e, exis em exemplos em que se no a a dis inção ou ecusa da ia e olucioná ia den o do campo libe al, como é bem demons ada pela in e enção do depu ado Joaquim A. Seixas e Cas elo B anco: “Eu semp e a ei dis inção de uma Nação que se que de boa- é egene a e uma e olução. Quan as coisas chegam a um pon o de e olução não se espei am di ei os, quando se a a de egene ação de em-se espei a os di ei os”.31 Con udo, e olução não es e e ausen e do discu so. Recuando um pouco, o e úgio em Ingla e a da ep essão absolu is a pós- - es au ação de 1815 pe mi iu uma maio libe dade de publicação po pa e de quem pe ilha a modelos de go e no di e en es.32 São, no en an o, e iden es as di e gências quan o ao mé odo de acção, bem exempli icadas se compa a mos os usos do concei o de e olução no pe iódico de João Be na do Rocha Lou ei o, O Po uguês ou Me cú io Polí ico, e no de José Libe a o F ei e de Ca alho, O Campeão Po uguês. Rocha Lou ei o pugna a, sem g ande p eocupação, po uma e olução, ejei ando a ia e o mado a: “Nós emos um san o espei o po odas as e oluções da na u eza e ambém po as da polí ica se es as são ei as po o po o”;33 “Eu nem do Rei nem dos seus minis os espe o ob a boa e cabal po ia da e o ma. Es a espe o eu do Po o e de mais ninguém”.34 Num caminho di e en e, na es ei a de ou as expe iências e olucioná ias, o pe iódico de José Libe a o ap esen ou uma ou a p opos a, sublinhando a pe inência dep ecia i a en e e olução/ana quia – modelo de iden i icação nega i a amplamen e usado pelos sec o es eaccioná ios –, ao mesmo empo que ejei a a uma pa icipação popula , azendo-se um apelo a uma e olução pelas es u u as de cúpula, ce amen e endo p esen e os acon ecimen os mais con u bados do p ocesso e olucioná io ancês: 30 Disponí eis online em h p://deba es.pa lamen o.p /ca alogo/mc/c1821. 31 Diá io das Co es Ge ais…1821, 49:448. 32 Sob e o pe iodismo des a emig ação, e , po exemplo, Tenga inha (2013, 188-214). 33 O Po uguês 1816, 4 (24):602. 34 O Po uguês 1819, 10 (155):25. O emp ego de Re olução po pa e de Rocha Lou ei o oi mui o comum, demons ando que, ao con á io de uma endência mais ou menos ge al, não emp ega a o e mo com cau elas. São, pois, bem signi ica i as es as suas pala as, em que obse amos uma de esa de mudança social, u o de uma e olução cul u al, de men alidades, esul ado de uma c ença no p og esso: “ e olução do espí i o humano, e olução mo al . . . e olução sem limi es, que não sejam os das aculdades humanas, e po isso, mais ex ensos do que os dese os do a e do oceano, e olução an o mais segu a e ce a dos seus ins, quan o menos é possí el al ala o pensamen o ou escala o al ed io” (apud Al es 2005, 147). 77 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica Em uma pala a: es e Jo nal se á al ez mui as ezes ob igado a ala de Leis a bi á ias, de Reis déspo as, de nações esc a as, e de ins i uições bá ba as; con udo, o Campeão ja desde aqui p e ine seus Lei o es, que não se á com o im maligno de exci a e oluções e ana quia, mas simplesmen e com o im pa ió ico de mos a os pe igos de odo o go e no a bi á io, ou opos o às luzes do século em que i e. O Campeão Po uguês, bem longe de deseja e oluções na sua pá ia, se opo á cons an emen e a elas; e só de ende á e pedi á uma e olução gene osa e pací ica, ei a po seu p óp io Rei e go e no, pa a que o po o nunca a aça e a é nem a deseje aze .35 Sendo e olução um concei o da mode nidade,36 a e dade é que es es p imei os libe ais se encon a am num pe íodo em que adição e mode nidade ap esen a am uma elação bas an e p óxima, podendo nós, aliás, aze uso da ideia gadame iana de que não exis e undação sem adição.37 Como se indicou an e io men e, concei os undamen ais des e pe íodo ainda não se encon a am es anques, pe mi indo assim que an igos en endimen os g a i assem na p oximidade dos no os. A elação en e adição e mode nidade, nes e pe íodo de o mação do libe alismo po uguês, é bem isí el no concei o de cons i uição.38 Cons i uição e cons i ucional o am concei os p o undamen e usados pelos in is as,39 como a ibu os que melho de iniam a adesão à causa, em oposição a libe al ou libe alismo, que se man i e am, compa a i amen e, ma ginais.40 Di e en e, po an o, da expe iência polí ica e his ó ica que se desen olou no con ex o do izinho ibé ico, em que o subs an i o e adjec i o, pa a de ini um “pa ido” ou g upo, assumiu uma o ça bas an e mais e iden e.41 Os usos subs anciais de cons i uição e cons i ucional, po pa e des a p imei a cul u a polí ica libe al, não são indi e en es: e a con ocado um ipo de léxico de undo his o icis a, pa a que o p esen e (e o u u o) usu uísse de um passado idealizado. Des a o ma, a con ocação de uma ideia de “cons i ucionalismo his ó ico” oi bas an e comum nes e pe íodo, com as Co es de Lamego e a ideia de ep esen ação municipal, que, supos amen e, empe a am a acção do mona ca 35 O Campeão Po uguês 1819, 1:7. 36 Koselleck 2012, 161. 37 Sebas ián 2005, 168. 38 Ma os 2016, 51-68. 39 Ve delho 1981, 224-231. 40 Mon ei o e Ramos 2012, 388. 41 Sebas ián 2006, 134 e seq. 78 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) em ou os pe íodos his ó icos.42 De es o, es a a qui ec u a discu si a ap esen a a semelhanças com ou os con ex os em e olução, como o espanhol.43 Es e apelo a uma an iga ideia de Co es encon a-se bem exp esso na o ma como José Libe a o emp egou o concei o de e olução, A p imei a e undamen al lei da Mona quia Po uguesa é que en e o Rei e o po o haja o g ande Conselho da nação, denominado Co es . . . mas es e conselho já não exis e, e oi ilegalmen e sup imido: logo es e ac o ilegal oi e dadei amen e e olucioná io; e pois que du a a é hoje, ambém ce o é que ainda hoje es amos em e olução pe manen e.44 Seguindo es e aciocínio, é, pois, in e essan e cons a a que, aquando do p onunciamen o de 1820, José Libe a o o enha apelidado de “con a- e olução”, no í ulo à no ícia dos acon ecimen os, “San os, e jus os mo i os que i e am os au o es da glo iosa Con a- e olução do Po o em 24 de Agos o de 1820. Van agens p óximas e emo as da mesma glo iosa Con a- e olução”.45 Tendo em con a a conjun u a de inícios do século e dos no os ideá ios em acção, um e o no pleno às an igas Co es, e a uma ce a ideia de libe dade que delas saiu, e elou-se imp a icá el.46 A no a Cons i uição e ia de se , assim, um “ es abelecimen o” da memó ia cons i ucional adicional, das leis undamen ais da mona quia, mas, ao mesmo empo, decla a -se algo de no o: que essas leis e iam de se “ampliadas” e “ e o madas”.47 No Mani es o aos Po ugueses, esc i o po Manuel Fe nandes Tomás, não encon amos que egene ação, que e olução: “O mundo conhece bem que a nossa delibe ação não oi e ei o de uma ai a pessoal con a o go e no ou de uma desa eição à casa augus a de B agança”.48 Como inha acon ecido em ou os 42 Ma os 2016, 55; 66. 43 Cas ells 1988; Ma eu 2011. 44 O Campeão Po uguês 1819, 1:163. 45 O Campeão Po uguês 1820, 3 (28):186. 46 Con ém sublinha que, em alguns casos, a p e ensão de con ocação de Co es à moda an iga ep esen a a uma as úcia e ó ica (de o ma a não hos iliza a Co oa). Tendo em con a expe iências e olucioná ias nou os países, mo men e a ancesa, pensa a-se que, no p ocesso, es as da iam o sus en áculo necessá io às no as Co es libe ais e cons i ucionais. É o p óp io José Libe a o que, anos mais a de, con essa es e es a agema (Ca alho [1855] 1982, 120-121). 47 Hespanha 2004, 80. 48 Tomás 1974, 43. Um ou o exemplo des a pos u a inicial, ao ní el do discu so, pode se encon ado nas no as p eambula es de uma publicação anónima que da a con a das mo imen ações mili a es libe ais pós-24 de Agos o: “ e umba am os sono os B ados da Independência Nacional, base sob e a qual de ia egene a - -se o Edi ício Polí ico, que p ocu amos i ma en e as duas espei á eis balizas da Nossa San a Religião, e 85 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica A eacção: algumas linhas de o ça no discu so Concomi an e dos p incípios e das acções e olucioná ias, egis a-se igualmen e um mo imen o de eacção a es es. A c í ica já e a isí el em meados de Se ecen os. De o ma ela i amen e ápida, num cla o mo imen o de eacção a 1789 e de es udo dos acon ecimen os; no dealba do século XIX, já exis ia uma a qui ec u a dou inal con a- e olucioná ia alice çada em ob as do abade Ba uel, de Bonald, de Joseph de Mais e, en e ou os, e ambém de um leque ala gado de exp essões e de al os que ie am a in luencia , com maio ou meno g au, o discu so de igu as dos sec o es mais conse ado es no con ex o ibé ico. Cons i uindo-se a Re olução F ancesa como pa adigma, em odas as e oluções libe ais subsequen es se p ojec a am imagens globais dep ecia i as dos modelos e olucioná ios: ans o no ( iolen o) da o dem polí ica e social, a aque às ins i uições eligiosas, a compa ação me a ó ica com g andes calamidades da na u eza e, pa a o caso po uguês, a ligação a um elemen o es angei o, es anho ao nosso con ex o polí ico e his ó ico.78 De o ma mais ou menos usual, es as ca ac e ís icas es i e am p esen es na c í ica à implan ação do egime libe al e cons i ucional em Po ugal. Con ém, no en an o, no a que, al como acon eceu nos mo imen os libe ais, ambém os mo imen os con a- e olucioná ios não o am uni o mes, ha endo igu as que, apesa de man e em uma ma iz de mona quia pu a, ap esen a am, em alguns casos, p opos as e o mis as.79 Pa adoxalmen e, coube à eacção algumas ino ações em elação ao concei o, mo men e em Po ugal, em que os p imei os ecos da Re olução F ancesa in oduzi am algumas ino ações no que oca ao uso. Não an o na sua semân ica, no e-se. Nos inícios da úl ima década de Se ecen os, e p a icamen e ao mesmo empo, deu-se um mo imen o gene alizado, nos dois países ibé icos, de ecusa e medo pe an e os acon ecimen os em F ança, o icializados com a censu a e p oibição de um la go espec o da imp ensa pe iódica, icando apenas em publicação, sem p oibição, as gaze as o iciais. 78 Lousada 1996, 185-186. 79 Sob e es as ques ões, e Cas o (2002, 43-53). 86 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) A undamen ação legal do mo imen o censó io do lado po uguês pa eceu indica um pequeno islumb e de uma mode na semân ica do concei o de e olução, emí el e olução li e á ia e dou inal que nes es úl imos anos, e ac ualmen e, em ão unes amen e a en ado con a as opiniões es abelecidas, p opagando no os, inaudi os e ho o osos p incípios, e sen imen os polí icos, ilosó icos, eológicos e ju ídicos de amados e disseminados pa a uína da eligião dos impé ios e das sociedades.80 Apesa do in e essan e (e ino ado ) uso de “ e olução li e á ia e dou inal”, que p essupunha um emendo abalo num quad o es abelecido de e e ências, o p ocesso e olucioná io ancês em cu so não pa ecia di a , ainda, uma ans o mação semân ica signi ica i a do concei o de e olução no campo polí ico, na medida em que con inua a a g a i a em o no de ou os e mos p óximos, como sedição ou ebelião. Um ela ó io da In endência-Ge al da Polícia, de 1799, é exempli ica i o das es ei as ligações que possuíam es es concei os (i álicos nossos): Cump e ao meu ca go . . . apaga na o igem qualque aísca de sedição que, sop ada pelo espí i o do século, possa a ea a e igem e olucioná ia, que nes es empos calami osos, ou êm assolado, ou comp ome ido a segu ança dos Es ados. . . . Nos empos em que as sociedades maçónicas es a am en ol idas no seg edo e no mis é io, que az o seu p incipal ca ác e , oi p eciso à Ig eja e ao Es ado, o p e eni-las como p opagado as de opiniões an i- eligiosas, ou an i-sociais. . . . Hoje po ém, que se êm p opagado as suas máximas i eligiosas e e olucioná ias, e em que à ace de g a es esc i o es, que comp o am com ac os as suas asse ções, e que mos am a his ó ia do empo, aquelas suspei as e eceios se êm o nado em ce eza de que es as associações são ocos de imo alidade e de e olução. . . . A in e cep ação das suas co espondências e dos seus papéis, mos a es as sociedades dispos as e ligadas po seg edos, ju amen os, pala as e sinais ex e nos, a uni em-se en e si pa a o im da ebelião. . . .81 Face aos acon ecimen os em F ança, começa a-se, pois, a obse a nos sec o es absolu is as um mo imen o de eacção, inicialmen e p á ico (com o mecanismo censó io), mas igualmen e de apa a o eó ico. Um bom exemplo pode se encon ado na Disse ação a a o da Mona quia (1799), do ma quês de Penal a. De eo cla amen e eaccioná io, chegando mesmo a apelida o século XVIII de 80 Apud Al es 2000, 394. 81 Apud Al es 2000, 95. 87 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica “século das e as (digam o que quise em da sua Iluminação)” e, sem su p esa, iden i icando a e olução com a ana quia82, ap esen a a de esa da mona quia po uguesa nos moldes exis en es, com uma undamen ação eológica e com uma a qui ec u a adicionalis a, que pe passam oda a ob a. No en an o, quando e e e que “Te e es e Reino e oluções, ine i á eis acon ecimen os, que sucedem em oda a pa e; mas o co po na Nação iel ao seu Rei, semp e cons an e em lhe gua da as suas p e oga i as”,83 podemos obse a que, embo a já es i éssemos a meio do p ocesso e olucioná io ancês, que possibili ou a cons ução de uma no a semân ica do concei o, es a pa ece, como emos indo a indica , que ainda não inha encon ado signi ica i os ecos na cul u a polí ica po uguesa no dealba do século XIX, como é bem exempli icado po es a passagem, em que e olução pa ece indica , subs ancialmen e, pe u bações de g ande o dem. As in asões dos exé ci os anceses i e am, igualmen e, uma emenda in luência na u ilização do e mo. Com cono ações pejo a i as, e iden emen e. Mas não oi só e olução que icou associado dep ecia i amen e: como imos an es, egene ação (e o adjec i o), que eio a se usado de o ma subs ancial pelos libe ais in is as, ambém icou ca egado com uma ca ga alo a i a dep ecia i a: “Aonde es ão pois as epe idas p omessas des e supos o Regene ado de Po ugal? Aonde es á o elo des e impos o , que sem se chamado, abalha com a do pa a o aze eliz?;84 ou: “Mas que medidas omam hoje as Nações à is a dos unes os esul ados de uma gue a ão uni e sal, que a F ança degene ada e e olucioná ia lhes em ei o sucessi amen e há pe o de in e anos, a acando odos as Mona quias, odas as Repúblicas, e inalmen e odos os Po os?”85 De qualque o ma, os mo imen os de libe ação do jugo ancês ica am, como se indicou an es, subs ancialmen e ligados ao concei o de es au ação.86 Cu ioso se á de cons a a uma ce a ausência, nos mo imen os de ecusa dos p incípios e olucioná ios, do p e ixo an i pa a se quali ica em: são mui o a os, 82 Penal a 1799, 6-7. 83 Penal a 1799, 92. 84 Discu so sob e a Ruína de Po ugal T açada pelos F anceses 1809, 9. 85 O Desengano 1809, 3. 86 A í ulo de exemplo: Ca a de Respei osa G a idão, que sob e a Res au ação de Po ugal Di ige ao Augus o Rei da G ã-B e anha o Senho Jo ge III. O mais Humilde, e Re e en e Se o, de 1808; ou Apon amen os pa a Uma His ó ia da Res au ação do Reino em 1808, Esc i os po F . Inácio de S. Ca los, Religioso F anciscano, en e mui as ou as. 88 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) embo a pon ualmen e enham apa ecido alguns, como o opúsculo de José Mo a o, Disse ações An i- R e olucioná ias.87 G osso modo, a e ó ica de a aque e de ecusa dos p incípios e olucioná ios, en e os acon ecimen os de 1789 a é às éspe as de 1820, man e e-se cons an e. Os al os, pa a além dos p incípios dou iná ios, man i e am-se cen ados, po exemplo, na Maçona ia. Tendo em con a o p ocesso de o mação do libe alismo po uguês des e pe íodo, o al o começou a de ini -se melho e, como al, o a aque cen ou-se, po exemplo, nos pe iódicos no exílio, embo a se possa de ec a que sedição ainda cons i uía um pode oso concei o dep ecia i o.88 O al o da con a- - e olução po uguesa o na a-se, assim, mais e iden e, numa lógica mais es ei a en e e olução e con a- e olução – mo imen os que se encon am in imamen e ligados. Se, po pa e dos p imei os libe ais, o uso de e olução (e dos seus de i ados) oi cau eloso e ela i amen e ma ginal no pe íodo in is a; do ou o lado da ba icada, o subs an i o e o adjec i o o am bas an e comuns pa a quali ica em os agen es libe ais. A c í ica ao ago a no o egime libe al cons i ucional começou a no a -se, com maio ulgo , a pa i de 1821-22,89 com a publicação de um leque di e si icado de pe iódicos e olhe ins, uns de eo bas an e co osi o e de me a c í ica, ou os que en a am desmon a a a qui ec u a eó ica do no o egime, como as Ca as de Um Po uguês aos Seus Concidadãos…, de Acú sio das Ne es.90 Te mos dep ecia i os ais como “cong esso e olucioná io”, “medidas e olucioná ias”, “go e no e olucioná io” ou “espí i o e olucioná io” po oam os esc i os ad e sos ao libe alismo e o na am-se bas an e comuns nes e pe íodo.91 Pouco empo após a queda da p imei a expe iência libe al e cons i ucional po uguesa, apa ece a in e essan e ob a de José Sebas ião Daun, Dio ama de Po ugal….92 Ob a de la go espec o, que à luz de um ce o p isma analisa os acon ecimen os mais ecen es, jus i icando a Vila-F ancada, abalha a igualmen e a ques ão cons i ucional, de endendo as Co es de Lamego como a Magna Ca a 87 Mo a o 1810. 88 Diálogo en e Um Mes e e Seu Discípulo… 1818. 89 To gal 1980. 90 Ne es 1989. 91 Ve delho 1981, 288-289. 92 Ag adeço es a e e ência à p o esso a Fá ima Sá e Melo Fe ei a. 89 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica po uguesa (exe cício bas an e comum po pa e dos absolu is as, en ando con a-a gumen a que não se ia necessá ia uma no a Cons i uição), ap esen a in e essan es u ilizações de e olução e de concei os co ela i os. Po exemplo, logo na in odução à ob a, Sebas ião Daun az uso de ebelião pa a quali ica o le an amen o de 24 de Agos o, dis inguindo es e p imei o passo do p ocesso subsequen e, que, ine i a elmen e, adjec i a como “mons uosa Re olução”. Re ela a, assim, uma p ecisão concep ual que uns anos an es não e a pe cep í el, dis inguindo-se di e en es momen os.93 A de inição concep ual mais ina es á ambém pa en e no con á io de e olução, nes e caso, con a- e olução. Se o e mo, endencialmen e, assume uma ca ego ia his o iog á ica, a e dade é que os con empo âneos dos acon ecimen os não u iliza am amiúde es a designação. No en an o, es a não es e e o almen e ausen e, como imos no caso de D. Rod igo Sousa Cou inho, bem como demons a o es emunho de José Pin o de Sousa, em 1823.94 O con on o en e os sec o es absolu is as e libe ais p olongou-se pa a lá dos inícios de 1830. No en an o, a pa i de 1826, na sequência da mo e de D. João VI e da ou o ga da Ca a Cons i ucional po D. Ped o, a lu a en e os sec o es absolu is as e libe ais assumiu ou as ca ac e ís icas, jun ando-se à ecusa e ao con on o polí ico dos p incípios e olucioná ios a ques ão dinás ica. É, pois, nes e momen o, que a con a- e olução em Po ugal adqui iu um elemen o aglu inado mais sólido, ainda que não o almen e homogéneo, no e-se, passando o miguelismo a se usado como capa pa a a con a- e olução em Po ugal.95 Num pa adoxal jogo de pala as, como se iu an e io men e, os libe ais ie am a apelida es e sec o de “ ebelde”, dimensão que, à luz da isão con a- e olucioná ia, e a ejei ada, undamen ando a legi imidade de D. Miguel.96 Laconicamen e incisi o, em 1832, Faus ino José da Mad e de Deus sin e izou bem os di e en es momen os 93 Daun 1823, III. 94 “No dia seis do mês de Fe e ei o de mil oi ocen os e in e e um inha eu acabado es a minha ob a: en ão imedia amen e a dei a le a algumas pessoas, que me de iam odo o bom concei o, pa a me dize em com ingenuidade o que sen iam a espei o dela: e odos uni o memen e me aconselha am, que não a izesse imp imi , po que longe de ob e a con a- e olução, que eu po ela me p opunha consegui a a o do nosso Amado REI, supos a a p epo ência dos inculcados Regene ado es, ob e ia somen e e com ce eza a minha o al uína” (Po ugal Iluminado 1823, 4). 95 Sob e o miguelismo e as suas di e en es ca ac e ís icas, e , po exemplo, Sil a (1993, 2009); Lousada (1987). 96 Sa ai a 1828. 90 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) da dispu a e olucioná ia das úl imas décadas: “Em 1807 en ou a Re olução em Po ugal cobe a com a capa da P o ecção; em 1820 cobe a com a capa da Regene ação; em 1826 cobe a com a capa da Legi imidade.”97 A li e a u a de comba e e de c í ica à e olução, que já inha dos inícios de Oi ocen os, man e e-se p o ícua nes e pe íodo. Na e dade, o ecu so a elemen os es ilís icos no discu so oi bem mais comum no campo con a- e olucioná io, p incipalmen e na adjec i ação dep ecia i a e com um leque me a ó ico ala gado: e olução como “c ime”, “abo o e olucioná io”, “ ulcão e olucioná io”, e olução como ob a do Diabo, en e ou as exp essões, ajuda am a c ia uma imagem p o undamen e nega i a nes e ipo de li e a u a. José Agos inho de Macedo, como se sabe, con ibuiu de o ma p o icien e pa a es e ipo de p opaganda, com os seus ex os in lamados, p incipalmen e a pa i de 1828, no seu pe iódico, A Bes a Es olada. Não obs an e, cu ioso se á cons a a , mais uma ez, uma ce a ausência do p e ixo an i na o ma como se au ode ini am os memb os absolu is as, com a excepção do sin oma icamen e in i ulado O Cace e, Pe iódico An i- e olucioná io (1831-32). Es a ausência do p e ixo an i e ela a uma al a de adição, na língua po uguesa, do seu uso? E a mal is o o seu emp ego? Ou, is o de ou a o ma, os sec o es absolu is as não se a i ma am po oposição, não necessi ando des e mecanismo linguís ico? In elizmen e, não possuímos uma espos a conc e a. À semelhança dos exemplos libe ais que e e imos, ambém se no ou no campo absolu is a, p incipalmen e a pa i da e olução em F ança, em 1830, uma e lexão e olucioná ia das úl imas décadas. Hou e a consciência dos con empo âneos de que se es a a num pe íodo e olucioná io sem p eceden es, como no ou José Agos inho de Macedo, “exis imos no século das e oluções”.98 Não é po acaso que, nesse mesmo ano, é aduzida a ob a do abade de Beuy, Manual das Re oluções (inicialmen e publicado nos escaldos de 1789). Faus ino José da Mad e de Deus dedicou-se a uma his o ização semelhan e, e guendo o seu Po ugal e a Re olução, publicado em 1832, ou seja, no ano de início da gue a ci il en e os dois campos. Num ce o sen ido, mas com as de idas 97 Deus 1832, 13. 98 O Desengano: Pe iódico Polí ico e Mo al 1830, 7:2. 91 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica di e enças, pode íamos aze um pequeno pa alelo com a ob a do libe al Almeida Ga e , em que o concei o de e olução nos é o e ecido como o io condu o de uma na a i a. Em aços la gos, cons i uiu uma sín ese da in e p e ação con a- - e olucioná ia das úl imas décadas. Fazendo um pa alelo en e as e oluções an e io es e aquela que se inha desencadeado em 1830, Mad e de Deus inca a componen e c iminosa do ac o e olucioná io, que do pon o de is a da o dem social, como do pon o de is a eligioso: “os ins da Re olução . . . são sub e e a o dem es abelecida nos Es ados pa a undamen a o Impé io do Maçonismo. . . . Faze causa comum é c ime, po que a Re olução é c iminosa pe an e a Razão humana e a Jus iça Di ina”. C i icando, ob iamen e, a ideia de libe dade libe al, a que chama a de “o espinhoso A bus o”.99 Ou a ca ac e ís ica con a- - e olucioná ia comum que encon amos, nes e ex o de Mad e de Deus, é a iden i icação de e olução com o elemen o es angei o. Não é, pois, po acaso que e e e que “Eu emendo me pa ece que ejo a Re olução desen eada le a o es ago e a mo e de País em País”.100 Os eceios de Faus ino da Mad e de Deus inham undamen o: da gue a de pala as, seguiu-se o ine i á el con li o a mado en e 1832-34, cujo esul ado di a a o im do cu o einado de D. Miguel e o es abelecimen o de ini i o do libe alismo em Po ugal, embo a, como se indicou, ainda não na sua o ma inal. 99 Deus 1832, 6-7. 100 Deus 1832, 11. 92 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) BIBLIOGRAFIA A Bes a Es olada. 1828-31. Lisboa. Alice ces da Regene ação Po uguesa.1820. Lisboa: Tipog a ia Rollandiana. Al es, José Augus o dos San os. 2000. A Opinião Pública em Po ugal (1780-1820). 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Soa es. 93 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica Discu so sob e a Ruína de Po ugal T açada pelos F anceses. 1809. Lisboa: O icina Simão Tadeu Fe ei a. Falcão, José Anas ácio. 1823. He óica Resolução do Se eníssimo Senho In an e D. Miguel, e Mani es o dos Mo i os que De am O igem à Regene ação do Memo á el Dia de 5 de Junho do Co en e Ano. Lisboa: O icina da Ho o osa Conspi ação. Fe ei a, Fá ima Sá e Melo. 2012. “O Concei o de Re olução na His ó ia dos Concei os: Um Pe cu so em Po ugal: 1750-1870.” In Linguagens e F on ei as do Pode , o g. Mi iam Halpe n Pe ei a e al., 79-96. Lisboa: CEHC. Fuen es, Juan F ancisco. 1997. “Ap oximación al Vocabula io Socio-Polí ico del P ime Libe alismo Español (1792-1823).” In La Imagen de F ancia en España (1808-1850), eds. Jean-René Aymes, e Ja ie F. Sebas ián, 51-62. Se icio Edi o ial de la Uni e sidad del País Vasco/P esses de la So bonne Nou elle. Ga e , Almeida. (1830) 2005. Po ugal na Balança da Eu opa. Lisboa: Li os Ho izon e. 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Se exis em di e en es o mas de posse documen al,7 odas acei á eis à luz da lei, já o silenciamen o e ca ác e sigiloso de de e minadas on es de conhecimen o his ó ico só podem, em nosso en ende , se i o desconhecimen o, ex a io e des uição documen ais. Du an e mais de dois séculos, su gi am os “luga es da memó ia”, como os denominou Pie e No a,8 nomeadamen e a qui os e biblio ecas. Cons i uem, em si, uma ino ação impo an e, po que a memó ia nacional, aduzida em ace o bibliog á ico e documen al, passou a es a concen ada em ins i uições e se iços c iados e inanciados di ec a e exclusi amen e pelo Es ado-nação. Mas ambém, cedo, os a qui os e as biblio ecas se o na am e éns de um pa adigma cus odial, his o icis a, pa imonialis a e ecnicis a, p o agonizado pelo uncionalismo co ela i o. Um pa adigma o ien ado pa a a gua da dos documen os como bens únicos e p eciosos, pa a a amen o desc i i o, mais cen ado no ins umen o in en á io do que no ca álogo, e mui o pouco na elabo ação de índices ideog á icos e onomás icos; conduzindo ao isolamen o a qui ís ico, ace a um público mais ala gado, dispe so po ní eis de ensino abaixo do ní el g aduado e pós-g aduado. O ecu so es i o ou in ensi icado às ecnologias de in o mação e comunicação (TIC) cons i ui, po si só, uma mudança ou, pelo menos, uma ine i á el ansição de pa adigma, com a alo ização da in o mação indexada e ep oduzida in eg almen e, e do acesso online, no cen o dessa e olução. 6 Embo a egula izado median e aco do esc i o das pa es en ol idas. 7 Colecções e ace os pa icula es (indi iduais e amilia es), e públicos (municipais, dis i ais e cen ais). 8 No a 1984-1992. 102 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) O que aqui nos mo e é uma ideia ab açada o a dos “luga es da memó ia”, mas que se a icula e ha moniza com a missão que esses espaços ins i ucionais e uncionais possuem: da isibilidade máxima a uma documen ação as a, a é hoje dispe sa e mais ou menos na somb a. O p opósi o é eco e a pla a o mas digi ais que ajudem a conc e iza um deside a o mode adamen e ambicioso e u gen e. Um objec i o que apa ece cada ez mais associado à exp essão “humanidades digi ais”, que, em e mos gené icos, engloba o conjun o de pesquisas e expe iências que isam acili a a u ilização dos ecu sos digi ais no âmbi o das ciências sociais e humanas, o nando-as mais in ui i as e acessí eis. Pa a os signa á ios do Mani es o, é uma “ ansdisciplina po ado a dos mé odos, dos disposi i os e das pe spe i as heu ís icas ligadas ao digi al no domínio das ciências humanas e sociais”.9 Não cabe aqui discu i a alidade epis emológica des a p opos a, lançada, segundo Ki schenbaum e Fi zpa ick,10 em 2004, na ob a A Companion o Digi al Humani ies. Mas a expe iência acumulada, que um dos au o es possui na á ea da ciência da in o mação (CI), pe mi e eduzi as humanidades digi ais ao que e ec i amen e em oco endo no campo das ciências sociais e humanas, e em odos os campos da ac i idade cien í ica e sec o es cul u ais. A sabe : a adopção ins umen al ou ope a ó ia das “ e amen as digi ais” com is a a o na a pesquisa e a edição de esul ados mais comple as, e icazes e impac an es, an o na comunidade especializada, como num público mais ala gado. Is o em sendo ei o já há mui o empo, e a c iação de uma ansdisciplina ep esen a um es o ço académico exage ado e con ap oducen e, po que a CI, enquan o ciência social aplicada, esponde cabalmen e à p odução não apenas de BD, mas ambém de índices e de pla a o mas de edição, que possibili am, a a és da digi alização plani icada e sis emá ica de on es, o seu a amen o pa a um acesso online e hipe ex ual. Na e en e do ac ual p ojec o, mais do que às humanidades digi ais, eco e- -se, no plano in ocomunicacional, aos con ibu os á ios e consolidados da CI. Ao op a -se po uma es u u a de con eúdos como a expos a a ás, a implicação ecnológica é a de que es amos pe an e uma BD, com os campos 9 Mani es e des Digi al Humani ies, apud Gue ei o e Bo binha 2014. h ps://www.bad.p /publicacoes/index.php/cade nos/a icle/ iew/1060/pd [acesso 24.03.2019]. 10 Ki schenbaum 2012; Fi zpa ick 2012. 103 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica necessá ios à cobe u a da emá ica e aos c uzamen os elacionais acili ado es da pesquisa. É ce o que hoje e, em especial, depois do su gimen o e consolidação da Wikipédia, e do desen ol imen o da solução wiki, a endência pa a o na os con eúdos apidamen e acessí eis online e de o ma assaz suges i a segue po es a ia e menos pelas BD. Uma wiki signi ica um ipo especí ico de colecção de documen os em hipe ex o ou o so wa e colabo a i o que o c ia e que pe mi e a edição colec i a dos documen os, usando um sis ema que dispensa que o con eúdo seja e is o, po pa es quali icados, nas emá icas abo dadas, an es da sua publicação. Po hipe ex o en ende-se um ex o ao qual se ag egam ou os conjun os de in o mação na o ma de blocos de ex os, pala as, imagens ou sons, cujo acesso se dá a a és de e e ências especí icas, denominadas, no meio digi al, hipe ligações. Es as hipe ligações oco em na o ma de e mos des acados, no co po de ex o p incipal, ícones g á icos ou imagens. Têm a unção de in e conec a os di e sos conjun os de in o mação, o e ecendo acesso, sob pedido, às in o mações que es endem ou complemen am o ex o p incipal. A base de dados (ou banco) é um conjun o de a qui os elacionados en e si, com egis os sob e pessoas, luga es ou objec os. São colecções o ganizadas de dados que se elacionam de o ma a c ia algum sen ido (in o mação) e a concede mais e iciência du an e uma pesquisa ou es udo. São de i al impo ância pa a emp esas, que, desde há duas décadas, se o na am a p incipal peça dos sis emas de in o mação. No malmen e, exis em po á ios anos sem al e ações na sua es u u a. Na década de 80, a ecnologia de SGBD (sis ema ge enciado de base de dados) elacional passou a domina o me cado e, ac ualmen e, u iliza-se de o ma quase exclusi a. 104 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) Le an amen o de on es A p emissa inicial aqui assumida é que, apesa das bases pa a al sín ese es a em lançadas, a his ó ia de D. Miguel, egen e e ei (1828-1834), pe manece po esc e e . Nos anos 70 a 90 do século passado, o am ealizados es udos essenciais sob e igu as con a- e olucioná ias, como Gama e Cas o (po Luís Reis To gal); as opções ideológicas da nob eza i ulada em 1828 (Ma ia Alexand e Lousada); as cons uções ideológicas, his o iog á icas e mi ológicas do miguelismo, a e ospec i a e os subsídios bibliog á icos do miguelismo na his ó ia con empo ânea de Po ugal (A mando Malhei o da Sil a); as e âncias miguelis as de 1834-1843 (Ma ia Te esa Mónica); a insu eição miguelis a con a o cab alismo de 1842 a 1847 (José B issos); e o le an amen o dos jo nais, sé ies e pe iódicos po ugueses, an o libe ais quan o miguelis as, en e 1826 e 1834 (Joseph Cone ey). T abalhos mais ecen es, de Ma ia Alexand e Lousada e Fá ima Sá e Melo Fe ei a, dedicados a ques ões polí icas, diplomá icas e ideológicas, assim como a biog a ia de D. Miguel, sob e o miguelismo pe se e em ligação com o ca lismo (inclusi e po Al onso Bullón de Mendoza y Goméz de Valuge a), são en iquecedo es, es u u an es e incon o ná eis.11 Po ém, depois de An ónio Fe ão e publicado, em 1940, um i ulen o Reinado de D. Miguel, eduzido a um olume,12 pouco em sido sis ema izado, de o ma ab angen e, sob e os anos de 1828 e 1834, ela i amen e a um empo ainda hoje en ol o em polémica. No caso p esen e, e -se-á em con a a epis olog a ia, uma on e documen al que conside amos de especial impo ância pa a o es udo do empo de D. Miguel. Exis em á ios olumes em que a co espondência diplomá ica miguelis a é ep oduzida: pelo isconde de Bo ges de Cas o, pelo ba ão de São Clemen e, po An ónio Viana e po F ancisco José da Rocha Ma ins. Po ém, dela não é ex aída a in o mação mais essencial: a dos jogos de pode e de bas ido es da polí ica, dos alinhamen os pessoais e amilia es, das alianças e desa enças, das ap oximações e up u as, dos con li os es a égicos e ideológicos; en im, 11 To gal 1973; Lousada 1987; Sil a 1993a; 1993b; Mónica 1997; B issos 1997; Cone ey 1999; Valugue a 1999; Fe ei a 2002, Lousada e Fe ei a 2006; 2014. 12 Fe ão 1940. 105 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica dos posicionamen os no espec o de mode ados e ul as. Apenas o ganizando o conhecimen o que podemos ob e dessa co espondência, sob e ac o es públicos e agen es de mudança e de eacção, consegui emos ompe um ce o cí culo icioso de a i mações gené icas e eó icas sob e es es anos de 1828 a 1834, pois não se conhece, es u u adamen e, o discu so e as conside ações de an os in e locu o es epis ola es. Is o é, com base documen al e em con ex o c onológico especi icamen e iden i icado. Nas on es epis ola es conside adas, emos a édi a, mas ambém a inédi a. Comecemos po analisa quan i a i amen e aquela. Como an as ezes sucede, cons i ui an o uma bênção quan o uma maldição es a publicada a co espondência de uma de e minada igu a. Isso é e iden e no caso dos cinco olumes do isconde de San a ém dedicados à polí ica e à diplomacia, sob a coo denação de Rocha Ma ins. A ausência de um índice emissi o emá ico e onomás ico; a acumulação de apêndices documen ais; a al a de um c i é io edi o ial cla o, incluindo ma e iais da mais di e sa p o eniência e na u eza, o na ex emamen e con uso o labo in es iga i o. O pon o de is a do isconde de San a ém, enquan o minis o e ec i o dos Negócios Es angei os (MNE) de D. Miguel, en e Ma ço de 1828 e Ab il de 1834,13 co e, pa a além disso, o isco de se sob e alo izado, po a quan idade de ma e ial disponí el nesses cinco li os se imensa e caó ica. Tan o quan o sabemos, os ou os i ula es de pas as minis e iais sob D. Miguel não êm co espondência ou documen ação publicada. Pode, po isso, ica -se com a isão e ónea de que o isconde oi uma igu a cen al naquele pe íodo, não pela sua pe spicácia ideológica ou es a égica, mas pela desp opo ção imensa de páginas imp essas. Po ém, essa con ingência, essa abundância documen al e bibliog á ica, não de e á se igno ada nem meno izada. Caso con á io, pe de --se-á in o mação em ase de sis ema ização e esquece -se-á uma pe sonalidade que az, pa a a cena polí ica do empo de D. Miguel, o mas de es a ins i ucionais e ideológicas que simbolizam um posicionamen o coe en e e in luenciado . Se uma á o e não az a lo es a, não deixa de a ep esen a pa cialmen e nem de a in eg a . 13 P o ásio 2018, 370-372. 106 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) Assim sendo e dada a dispe são e deso ganização da documen ação epis ola diplomá ica, quais os c i é ios a adop a no seu es udo, enquan o uma das es u u as do Es ado con a- e olucioná io en ão es au ado? P opomos, assim: 1 – Di isão en e co espondência en iada e ecebida; 2 – O ganização de co espondência pa a legações o iciais ou o iciosas nas á ias capi ais eu opeias em que exis iam ep esen an es diplomá icos, pa a-diplomá icos e consula es ao se iço do egime; 3 – Idem pa a ep esen an es o iciais e o iciosos es angei os em Po ugal, an o do co po diplomá ico quan o do consula , dis inguidos dos en iados especiais em momen os isolados;14 4 – Idem pa a co espondência in e na, pa a o ei, ou os minis os, in enden es-ge ais da polícia e magis ados judiciais supe io es; 5 – Documen ação in e na di e sa: á ias minu as de euniões do Conse- lho de Es ado, do Conselho de Minis os, de con e ências com digni á ios es angei os; memó ias his ó icas e polí icas do MNE; mani es os e a igos na Gaze a de Lisboa; ela ó ios de espionagem no es angei o; 6 – Co espondência e documen ação não p oduzidas pelo egime, mas en iquecedo as: como as de diploma as es angei os pa a os seus minis os; dos diploma as libe ais po ugueses en e si e com os espec i os minis os; bem como os discu sos nas câma as inglesas a p opósi o da ques ão po uguesa. Imagine-se o uni e so de um conjun o de olumes publicados, is o é, de on es imp essas, ão con uso que es eja desp o ido de simples di isões in e nas; o abalho colossal de se ia , po da as e na u eza dos o ícios,15 mais de seis anos de co espondência do MNE de D. Miguel; e a necessidade de con on a al in o mação com o que ou os edi o es publica am. Se enca a mos o conjun o dos cinco olumes edi ados po Rocha Ma ins com os qua o que o ba ão de São 14 É bom não esquece que apenas ês Es ados inham ep esen an es diplomá icos em Po ugal no einado de D. Miguel. Já a ep esen ação consula e a mui o maio , inclusi e b i ânica, ancesa e b asilei a. 15 Os ensi os, ese ados, con idenciais, pa icula es e ci cula es. 107 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica Clemen e imp imiu nos Documen os pa a a His ó ia das Co es Ge ais,16 podemos e ideia de quão di ícil se o na es abelece um mínimo de o dem. Tal o ganização, na u almen e, é indispensá el pa a se pe cebe em os assun os in e nos e ex e nos, de o dem diplomá ica, polí ica, ideológica, mili a , judicial, policial, p opagandís ica e dinás ica con idos nessa documen ação. A análise heu ís ica e a in e p e ação he menêu ica cons i uem duas aces da mesma moeda. Se se quise con i ma ou in i ma a ideia que ainda hoje emos da go e nação de D. Miguel, como azê-lo sem consul a as on es? Quad o 2 Co espondência en e o isconde de San a ém e as legações po uguesas Emisso Des ina á io Es ado das missi as Publicadas po Rocha Ma ins (RM) Visconde de San a ém 13 legações po uguesas 903 publicadas 901 (99,78 %) 13 legações po uguesas Visconde de San a ém 633 publicadas 453 (71,56 %) Sub o al 1536 publicadas 38,25 % em 3984 iden i icadas Visconde de San a ém 5 legações po uguesas17 828 inédi as 675 (55,08 %) 5 legações po uguesas Visconde de San a ém 1620 inédi as 305 (19,25 %) Sub o al 2448 inédi as 61,75 % em 3984 iden i icadas To al missi as 1536 publicadas (RM), 2448 inédi as 3984 (100 %) Já o p óp io isconde de San a ém, na década de 1850, a i ma a axa i amen e, enquan o his o iado da diplomacia po uguesa, que apenas azia sen ido a publicação in eg al de uma peça documen al p oduzida po um agen e diplomá ico po uguês quando p ecedida e sucedida pelas edigidas 16 Clemen e 1888-1891, V-VIII. Felizmen e que Rocha Ma ins inclui, sal o e o, oda a co espondência do e pa a o isconde de San a ém edi ada nos dois p imei os olumes de Viana 1891-1894, o nando, assim, desnecessá ia uma con on ação, peça a peça, dos documen os manusc i os a in en a ia . 17 Po uma ques ão de economia de es o ço, o am escolhidas, das 13 legações, 5 em elação às quais e a ce o exis i documen ação inédi a: Lond es e Mad id (as p incipais, em e mos polí ico-diplomá icos e es a ís icos), mas ambém Viena, Copenhaga e Washing on. 108 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) pelo in e locu o es angei o.18 O mesmo sucede com as espos as das di e sas legações po uguesas no es angei o com as quais o MNE de D. Miguel se co espondia. São e lexos de pe sonalidades di e en es, complemen a es. Con ex ualizam os momen os his ó icos, e idenciam as si uações dos Es ados e das sociedades com os quais o eino po uguês deseja a es abelece elações o mais e as causas pa a que al enha, ou não, sucedido. Po ou o lado, há mais de uma década que Ped o O’Neill Teixei a19 consul ou documen ação miguelis a exis en e no A qui o Nacional da To e do Tombo, chamando a a enção pa a os a qui os das legações es angei as em Po ugal e pa a a co espondência ocada en e os minis é ios po ugueses dos Negócios Es angei os e da Jus iça. Es e úl imo é um aspec o da ques ão a alo iza : o da epis olog a ia ins i ucional. Conside amos a a -se de um campo analí ico essencial pa a o en endimen o das es u u as da es au ação de uma de e minada in e p e ação do Es ado absolu o. Nomeadamen e com a es au ação das Co es di as adicionais, da censu a à imp ensa e aos li os, da depu ação da Uni e sidade de Coimb a, do uncionalismo égio, do Exé ci o e da A mada de Gue a. To na-se quase impossí el comp eende o empo de D. Miguel sem se en ende o ac o humano e os pe cu sos indi iduais e g upais de quem ade e ao pode polí ico igen e e de quem é expulso ou ep imido po ele, bem como as causas po de ás de ais oco ências e o modus ope andi ins i ucional aplicado.20 Po que se exis em jogos de acções e lu as de pode , eles são exe cidos em alinhamen os e con li os ins i ucionais, in e minis e iais, en e os o iciais-gene ais das o ças mili a es e es es e na ais, o co po diplomá ico o icial e o icioso, os magis ados supe io es e os conselhei os de Es ado. A epis olog a ia ins i ucional, em conjugação com a p odução documen al de supo e, uma ez es udada e analisada de o ma quan i a i a e quali a i a, pe mi i á ul apassa a ase ac ual de eo izações sob e o pode absolu o sob D. Miguel, mui as ezes sem conexão com uma sólida base documen al, e i icá el, acessí el e alidá el. Pa a p ocu a p o a es a 18 Ma ins VII 1919, 264-265. 19 Teixei a 2004. 20 Is o é, a o ma como os minis é ios dos Negócios Es angei os, do Reino, da Jus iça, da Ma inha e da Gue a ac ua am isoladamen e e em ede. 109 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica asse ção, e -se-á em con a, de o ma sucin a, o que apu ou um le an amen o p é io de epis olog a ia diplomá ica inédi a, já ealizado – e como es a pe mi e e gue a pon a do éu da sociedade po uguesa dos anos de 1828 a 1834. A impo ância da documen ação epis ola inédi a: um es udo de caso A ní el cien í ico, qual a u ilidade dos documen os inédi os? Qual o seu alo his ó ico? Podem, de ac o, aze mais- alias ao conhecimen o? Vejamos alguma eo ização sob e o assun o, seguida de exemplos conc e os. Pa imos, aqui, do pon o de is a de que a documen ação publicada não possui alo acial in ínseco sem a inédi a e ice- e sa; são desp o idas, quando isoladas, de alo absolu o. E de que uma epís ola, ca a, missi a e o ício diplomá ico, aqui enca ados como concei os sinónimos,21 são documen os su icien emen e abundan es, no que diz espei o ao pe íodo de 1828-1834, pa a neles pe cebe mos o ca ác e sis emá ico e o ganizado de quem a en ia e classi ica; de quem se limi a a edigi me os bole ins in o ma i os (como o isconde de Canelas, des acado pa a Haia); ou de quem elabo a ela ó ios de alhados e se dá ao abalho de copia , em cada o ício, um exempla do an e io , pa a, dessa o ma, diminui a p obabilidade de se pe de alguma missi a (como, em Washing on, Jacob F ede ico To lade Pe ei a de Azambuja). Apesa de des aca pa a cinco no as che ias de missão ou os an os i ula es a is oc á icos,22 alguns dos quais seus pa en es,23 o isconde de San a ém acaba po e de lida com o ac o de mui os deles não se em do ados daquele ca ác e minucioso que um minis o plenipo enciá io e embaixado ex ao diná io (ou sec e á io de legação) de e ia e , na nume ação, ca ego ização e da ação inequí ocas dos o ícios. Não é po acaso que são homens p o enien es do comé cio 21 Sob e o alo e a na u eza da epis olog a ia, e Buescu 2003, 89 e seq. e sob e udo Rocha 1985, 9-35. 22 Fo am eles: o ma quês do La adio, os condes da Pon e e da Figuei a, e os iscondes de Asseca e de Canelas. Aos quais se jun am dois i ula es que ansi am de épocas an e io es, o conde de O iola e o ba ão de Vila Seca (es e du an e alguns meses, em 1828), em Be lim e Viena. Num o al de se e che es de missão a is oc a as i ula es em 13 legações. 23 Condes da Pon e e da Figuei a e isconde de Asseca. 110 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) e/ou do jo nalismo e pan le ismo polí icos24 quem, po ezes, nos o nece uma isão con inuada, ama ga, mas e osímil, da ealidade polí ico-diplomá ica dos assun os po ugueses e do país pa a onde o am designados. Nou a ocasião, ala emos melho de odas essas igu as, pois in elizmen e não abundam as missi as localizadas de mui as delas. Deb ucemo-nos, en e an o, sob e o que po ago a conhecemos, a ní el quan i a i o. Sabemos, po exemplo, que nos Rese ados da Biblio eca Nacional, no Espólio Rod igo da Fonseca, exis em quase 60 ca as inédi as, pa icula es, do duque de Cada al, ex-minis o Assis en e ao Despacho de D. Miguel en e 1828 e 1831, pa a o isconde de San a ém, esc i as de Janei o a Julho de 1833.25 E que na mesma ins i uição, no Espólio/Colecção de An ónio Ribei o Sa ai a,26 es ão deposi adas 72 ca as po publica , di igidas a Sa ai a pelo isconde de San a ém, em 1829-1833.27 O a, se quise mos en ende os alinhamen os ou os an agonismos ideológicos en e San a ém e Cada al, e en e Cada al e Sa ai a, as on es undamen ais pa a al análise e ão de se os documen os esc i os, sob e udo os epis ola es – mas não só. Assim, pelo Diá io de Ribei o Sa ai a e po alguns dos seus esc i os, podemos segui as na a i as de acon ecimen os e as isões c í icas que man inha sob e a ac uação do seu supe io hie á quico, o isconde de San a ém. Bem como do desejo de o aze subs i ui po alguém que osse p óximo do duque de Cada al, ein eg ando-o, ao mesmo empo, na p esidência do execu i o de D. Miguel. Des e modo, o Diá io e as ca as ocadas com San a ém, po um lado, e com Cada al, po ou o, pe mi em en ende melho as dinâmicas, as edes de sociabilidades e as alianças polí icas de Sa ai a e do duque. É de des aca , ambém, a impo ância quan i a i a da co espondência inédi a ocada en e o isconde de San a ém e An ónio Ribei o Sa ai a (76 documen os 24 Heliodo o Jacin o de A aújo Ca nei o, An ónio Ribei o Sa ai a, Ca los Ma ias Pe ei a, José Basílio Rademake e Jacob F ede ico To lade Pe ei a de Azambuja. 25 Biblio eca Nacional de Po ugal, Rese ados, Espólio Rod igo da Fonseca. 26 É u ilizada es a dupla denominação po que Mónica designa, nos seus ex os de 1987, 1989 e 1997, po “espólio” o que ac ualmen e (Ma ço de 2019) é e e ido, nos Rese ados da Biblio eca Nacional de Po ugal, po “colecção”. 27 In o mação a que oi possí el acede inicialmen e a pa i de um pos de 2007 no blogue da his o iado a e an iga esponsá el de a qui o, Ma ia Te esa Mónica: h p://an onio ibei osa ai a.blogspo .p /sea ch?upda ed- max=2007-12-05T05:11:00-08:00&max- esul s=7 [acesso 24.03.2019]. 117 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica Ma ins, F ancisco José Rocha (RM). 1918-1919. Co espondência do 2.º Visconde de San a ém Coligida, Coo denada e com Ano ações de… (da Academia das Ciências de Lisboa). Publicada pelo 3.º Visconde de San a ém. Vols. I-V e VII. Lisboa: Al edo Lamas, Mo a e Companhia, Edi o es. Sa ai a, An ónio Ribei o. 1915. Diá io de Ribei o Sa ai a (1831-1888). Vol. I. Lisboa: Imp ensa Nacional. Valuge a, Al onso Bullón de Mendoza y. 1999. “Los Úl imos Meses de Fe nando VII a a és de la Documen ación Diplomá ica Po uguesa.” Apo es 40 (XIV):9-30. Viana, An ónio. 1891-1894. Sil a Ca alho e o Seu Tempo. Vols. I-II. Lisboa: Imp ensa Nacional. Bibliog a ia B issos, José. 1997. A Insu eição Miguelis a nas Resis ências a Cos a Cab al, 1842-1847. Lisboa: Colib i. Buescu, Ma ia Leono Ca alhão. 2003. “Aspec os da Epis olog a ia de Alcipe.” In Alcipe e a Sua Época, coo ds. Ma ia Leono Machado de Sousa, Ma ion Eh ha d , e José Es e es Pe ei a, 89-97. Lisboa: Colib i/ Fundação das Casas de F on ei a e Alo na. Cone ey, Joseph. 1999. 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[Acesso: 24.03.2019.] II - CULTURA UMA FAMÍLIA DE PODER E CULTURA. EM TORNO DO RETRATO DA FAMÍLIA DO 1.º VISCONDE DE SANTARÉM, DE DOMINGOS SEQUEIRA Alexand a Gomes Ma kl Museu Nacional de A e An iga, Lisboa A ep esen ação do jo em Manuel F ancisco de Ba os e Sousa de Mesqui a de Macedo Lei ão e Ca alhosa, no g ande e a o amilia pin ado po Domingos Sequei a (1768-1837) na segunda década de Oi ocen os (Fig. 1), apesa de ausen e no B asil desde inais de 1807, pa a onde pa i a acompanhando a co e na a en u a da sob e i ência do eino, é um in ulga documen o, que nos pe mi e comp eende as suas o igens amilia es e abo da as elações des a amília bem posicionada nos meios da co e e es ei amen e anco ada ao pode . Nes e e a o, João Diogo de Ba os Lei ão e Ca alhosa (1757-1818),1 o pa ia ca da amília, ez-se ep esen a no salão de uma das suas casas de Lisboa,2 jun amen e com a sua segunda mulhe ,3 cinco dos ilhos do segundo ma imónio e o i mão mais no o, D. An ónio Robe o de Ba os Lei ão e 1 O í ulo de isconde o a-lhe concedido a a és do dec e o de 17 de Dezemb o de 1811. 2 A da ua do Sac amen o à Lapa, a de S. Sebas ião da Ped ei a ou na Quin a do Cabeço, aos Oli ais. 3 Ma ia José de Sampaio e Pina F ei e de And ade, com quem casou em 1802 e de cujo ma imónio nasce am no e ilhos, endo sob e i ido qua o a é à idade adul a. Ve Macedo (1963, 60 n.10). 124 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) Ca alhosa (1763-1829), a cebispo de Ad ianópolis.4 Igualmen e p esen es, apesa da dis ância que os sepa a a, a a és da inclusão num e a o exis en e sob e o ogão de sala, emos o ilho p imogéni o, u u o 2.º isconde de San a ém (único u o do p imei o casamen o),5 ep esen ado ainda c iança jun o dos ios, iscondes de Vila No a da Rainha, espec i amen e a i mã, Ma iana Leocádia Lei ão e Ca alhosa e o cunhado6 do 1.º isconde. A ele ância social e polí ica alcançada po es a amília encon a-se bem e lec ida em alguns de alhes da ep esen ação. Numa espaçosa e mode na sala deco ada à manei a neoclássica, os di e sos elemen os da amília o ganizam-se em dois g upos dis in os. Ao cen o, des acando-se de o ma au ónoma, a mãe, odeada de qua o ilhos, co po iza a ideia de ma e amilias, num papel eminino mais independen e, que, e en ualmen e, não espe a íamos encon a nes e início de Oi ocen os na adicional sociedade po uguesa. À esque da, o p imogéni o do segundo ma imónio, sen ado no cadei ão, e idencia-se em elação aos es an es i mãos. Embo a bas an e no o, pela o ma de aja , pela pos u a e po os en a na mão um pequeno li o, e oluiu já pa a uma imagem mais consen ânea com o papel a ibuído a um jo em senho . À di ei a, um pouco a as ados, sen ados em posições descon aídas e in o mais, o isconde e o seu i mão mais no o odeiam a maque e de uma es á ua dedicada ao p íncipe egen e D. João. E se do go e nan e o isconde ecebe di ec amen e o pode , no po meno do cep o que pa a ele apon a; a a és do ges o p o ec o do b aço com que odeia a es á ua, encon amos exp essa a ideia da de esa dos eais in e esses. Es a pe cepção acha-se ainda e o çada pelos inúme os papéis e pas as espalhados sob e a mesa de abalho, jun o ao in ei o, e elando a ac i idade do isconde na elabo ação de ela ó ios e missi as, p epa ados no âmbi o das inúme as unções que desempenha a na co e, mui os dos quais des inados a se em en iados pa a o B asil. Quan o ao a cebispo de Ad ianópolis, apenas é iden i icá el pela capa e melha caída sob a mesa e pelo uso de meias igualmen e e melhas. Reme ido a um papel secundá io ( a a-se a inal do i mão mais no o), su ge ambém ele em a i ude descon aída, in eg ado 4 Elei o em 1811. O qua o e úl imo i mão, de nome Diogo José, aleceu em 1799. 5 Nascido em 1791, do p imei o ma imónio de João Diogo com Ma iana Ri a Xa ie Po cille Ribei o Rangel. 6 Ma iana Leocádia Lei ão e Ca alhosa (1759-1835) e F ancisco José Ru ino de Sousa Loba o (1773-1830). O í ulo o a-lhe concedido po dec e o de 21 de Maio de 1810. 125 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica no ambien e amilia , sem que nada nos seja di o, po exemplo, sob e qualque sen imen o de sa is ação ou alo ização po ha e um p elado de al a hie a quia no clã amilia . Fidalgo da Casa Real, o 1.º isconde ocupou di e sos ca gos ele an es na co e, quase odos nos cí culos mais es i os da con iança do p íncipe egen e. En e ou as unções, oi consecu i amen e nomeado gua da- oupa, gua da-jóias, gua da- apeça ias e po ei o da Câma a, apon ado dos Fo os dos Repos ei os e Moços da Câma a, esc i ão da Fazenda da Casa Real, sec e á io da Casa do In an ado, inspec o dos Paços Reais e da Quin a de Belém. Nes e úl imo ca go, ocupado du an e um longo pe íodo, en e 1802 e a sua mo e, oco ida em Janei o de 1818, inha sob a sua di ecção a coo denação das ob as do no o Palácio da Ajuda. Com a pa ida da co e pa a o B asil, es as unções assumi am eno ada impo ância, já que passou a se o in e mediá io longínquo das o dens do p íncipe egen e, ga an indo o bom andamen o dos abalhos de cons ução e o cump imen o das decisões supe io es, dando egula men e con a do que se ia passando. Nes a condição, desen ol eu elações p i ilegiadas com os a is as que abalha am na ob a do palácio, en e os quais o p óp io Domingos Sequei a, que desde meados de 1802 o a nomeado pa a o ca go de p imei o-pin o da Câma a e Co e,7 di igindo as ob as de pin u a (em ca go pa ilhado com Viei a Po uense a é à mo e des e úl imo, oco ida em 1805). O a as amen o de Sequei a des es abalhos – que, embo a p osseguindo a um i mo mais len o após a pa ida da amília eal, nunca pa a am comple amen e – oi-lhe impos o depois do episódio da p isão e do p ocesso judicial que lhe oi mo ido em 1809, po suspei as de colabo ação com os anceses, e de que se iu li e em Se emb o desse ano.8 Como seu supe io hie á quico, o isconde não pode e deixado de es a en ol ido na decisão omada. Toda ia, desconhecemos o papel que e e nos acon ecimen os (alguns oco idos nas ins alações do palácio)9 ou qual a opinião que e e sob e eles. Sabemos que, a as ado das suas ocupações, o pin o sob e i eu ma e ialmen e, nos anos seguin es, com as encomendas de alguns amigos e p o ec o es, como o 7 Dec e o de 28 de Julho de 1802. 8 Sob e es e episódio da ida de Sequei a, e Hols ein (1874, cap. 4:182-185). 9 Como o episódio da en ada de um ca alo na sala do ono, pa a se usado na execução do e a o eques e de um dos o iciais anceses. A es e p opósi o, e Hols ein (1874, 182-185). 126 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) ba ão de Sob al ou o ba ão de Quin ela, que lhe encomenda am g andes pin u as.10 Também a encomenda des e g ande e a o pa ece indica que o 1.º isconde de San a ém es e e en e aqueles que o con inua am a apoia após o in eliz episódio. Pa a al inha ce amen e o ça e pode su icien e. Ou o elemen o da amília que conheceu, nes a al u a, g ande no o iedade oi o io do u u o 2.º isconde, igualmen e, como imos, ep esen ado no quad o sob e a la ei a (Fig. 2). Já no B asil, F ancisco José Ru ino de Sousa Loba o (1773- 1830) o a nomeado ba ão e depois 1.º isconde de Vila No a da Rainha.11 Com os anos, ambém ele oi acumulando unções na co e, no cí culo mais p óximo do p íncipe: gua da- oupa, gua da-jóias e gua da- apeça ias, apon ado dos Fo os dos Repos ei os, man eei o, esou ei o do Bolsinho, po ei o da Real Câma a, sec e á io de Es ado dos Negócios da Casa e Es ado do In an ado, o icial-mo da Casa Real e supe in enden e do Con en o de Ma a.12 De ambos os lados do A lân ico, ambos os cunhados ocupa am, pois, ca gos semelhan es, da máxima con iança do egen e. Es a ep esen ação é, pois, um documen o ele an e sob e uma das amílias mais pode osas do início de Oi ocen os. Cons a a-se que a opção de ap esen a os di e sos elemen os da amília, apesa da dis ância, ma ca um o e sen ido de união en e eles. Nes e sen ido, a única imagem que se lhe compa a, no in e io da iconog a ia po uguesa, é o bem conhecido enlaçamen o que une o ma quês de Pombal aos seus dois i mãos, ep esen ados no palácio da amília, em Oei as. Não es ando da ada, a pin u a ap esen a di e sos sinais indiciado es de quando e á sido execu ada. Desde logo, a idade apa en e dos di e sos e a ados, especialmen e as c ianças, mais áceis de iden i ica : João Lucas, o mais elho dos ilhos do segundo ma imónio, nascido em 1803; José Joaquim, em 1805; Ma ia Isabel, em 1806; e Inácio José, 1809, o mais pequeno. A é ago a, em-se conside ado que es e úl imo, ep esen ado com poucos meses de ida, se ia Ma ia 10 A Alego ia às Vi udes do P íncipe Regen e, ac ualmen e pe encen e ao Palácio Nacional de Queluz, encomendada em 1810 pelo ba ão de Sob al, e o pa de pin u as Lisboa P o egendo os Seus Habi an es e O Génio da Nação, encomendadas pelo ba ão de Quin ela, execu adas em 1812 e ac ualmen e p op iedade da Câma a Municipal de Lisboa. 11 Respec i amen e em 1809 e 1810. 12 Além des es ca gos, oi igualmen e depu ado da Mesa da Consciência e O dens no B asil, p o edo da Al ândega do Tabaco, go e nado da o aleza de San a C uz, no Rio de Janei o, endo pe encido ao Conselho de D. João VI. 127 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica Joana, nascida a 9 de Agos o de 1815,13 o que em le ado a da a a pin u a do início de 1816. O nascimen o de ou os ilhos, que apenas e ão sob e i ido du an e poucos meses, nomeadamen e Agos inho (1810) e João (1812) – ac o a é ago a negligenciado –,14 pe mi e an ecede a pin u a em alguns anos, si uando-a po ol a de 1811 ou 1812. Fica, des a o ma, alinhada com a idade apa en e de odos os ep esen ados e com a da ação de ou a pin u a de Sequei a com ca ac e ís icas p óximas. Re i o-me ao e a o do jo em José Ped o Quin ela, u u o conde de Fa obo, pin ado em 1813.15 A maque e em gesso da es á ua do p íncipe egen e, que se ê sob e a mesa (Fig. 3), é ou o dos elemen os que conco em pa a a da ação, mas que em, igualmen e, pe u bado a análise da ques ão. D. João su ge ep esen ado com o cep o na mão, como imos, apon ando pa a o 1.º isconde. Sob e os omb os, a pele de leão, que se in eg a nas ep esen ações do egen e como no o Hé cules, ão comuns na Casa Real po uguesa desde o século XVIII, numa alusão à pe icli an e si uação em que se encon a a o eino com as In asões F ancesas. E se o leão, símbolo adicional de o ça e, po isso, associado desde semp e ao pode e à ealeza, se encon a p esen e, não encon amos a co oa, nem sob e a cabeça nem no chão, o que le a a conside a que a pin u a enha sido execu ada an es de 1816, ainda du an e o pe íodo de egência. É bem conhecido que Sequei a oi o au o de di e sos p ojec os pa a es á uas pedes es de D. João, des inadas que a Lisboa, que ao Rio de Janei o,16 nenhuma das quais acaba ia po se e ec i amen e ealizada. A exis ência des a ep esen ação indicia que ao menos um dos p ojec os chegou a e um p o ó ipo e que o 1.º isconde es e e en ol ido na encomenda. Também a exis ência de um pequeno desenho execu ado a lápis (Fig. 2), um bilhe e p epa ado pa a se en iado aos iscondes, escusando-se o pin o po não pode compa ece po se encon a doen e com e isipela, ajuda a da a a p epa ação da pin u a a pa i do inal de 1810. Es e desenho, igualmen e pe encen e à colecção do Museu Nacional de A e An iga (MNAA),17 con ém di e sos esboços, 13 A pa i de alguns elemen os biog á icos coligidos pelo 3.º isconde de San a ém e que acompanha am a doação da pin u a ao museu, em 1911, documen o manusc i o exis en e no a qui o da ins i uição. 14 Macedo 1963, 60 n.10. 15 Museu Nacional de A e An iga, in .º 1826 Pin . 16 Lima 1934, 257-264. 17 Adqui ido pela Academia Real de Belas A es à amília do a is a, em 1874, e ans e ido pa a o museu depois da sua c iação em 1884 (in .º 1256 Des.). A es e p opósi o, e Ma kl (1997, 97-98). 134 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) Fig. 1. Domingos An ónio de Sequei a, Re a o da Família do 1.º Visconde de San a ém, ca. 1812, óleo s/ ela, 136 x 177 cm, MNAA, in .º 1223. Pin . © DGPC, Luísa Oli ei a/José Paulo Ruas, 2015. 135 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica Fig. 3. Domingos An ónio de Sequei a, Re a o de F ancisco Manuel de Lei ão Ba os Ca alhosa, ca. 1802, desenho a ca ão, sanguínea e giz b anco sob e papel osa, 24,6 x 15,4 cm, MNAA, in .º 2268. Des. © DGPC, Luísa Oli ei a, 2013. Fig. 2. Domingos An ónio de Sequei a, Es udo pa a Bilhe e com Au o- e a o com E isipela, ca. 1810, desenho a lápis p e o e aguada cinza, 17,9 x 23,1 cm, MNAA, in .º 1256. Des. © DGPC, José Pessoa, 1996. 136 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) BIBLIOGRAFIA Fon es manusc i as A qui o Nacional da To e do Tombo (ANTT) Minis é io do Reino. Maço 995, doc. 52. Bibliog a ia Beaumon , Ma ia Alice. 1972-75. Domingos An ónio de Sequei a. Lisboa: Ins i u o de Al a Cul u a. Blanco, F ancisco Co dei o. 1947. “Um Álbum Inédi o de Sequei a.” P ome eu 3-4:148-153. –––––. 1956. Álbum do Palácio de A oios. Desenhos de Domingos An ónio de Sequei a. Lisboa: Ins i u o de Al a Cul u a. F ança, José-Augus o. 1966. A A e em Po ugal no Século XIX. 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UMA DEVOÇÃO DO MIGUELISMO: NOSSA SENHORA DA ROCHA DE CARNAXIDE1 Fá ima Sá e Melo Fe ei a Ins i u o Uni e si á io de Lisboa, Cen o de In es igação de Es udos de Sociologia Uni e sidade No a de Lisboa, Ins i u o de His ó ia Con empo ânea In odução Em 1825, edi ou-se em Lisboa, na Imp ensa Régia, um opúsculo in i ulado No ena da Milag osa Imagem da Senho a da Conceição da Rocha que à Mesma O e ece F . Cláudio da Conceição. O seu au o e a um pad e a ábido, p egado égio e c onis a do eino, esponsá el po uma olumosa his ó ia de Po ugal que, com o nome de Gabine e His ó ico, se começa a a publica em 1818 e em cujo olume IX, da ado de 1823, es e na a a já longamen e os ac os que, em Maio de 1822, inaugu a am em Po ugal o cul o a uma no a in ocação da Vi gem: Nossa Senho a da Conceição da Rocha de Ca naxide. O mesmo F ei Cláudio da Conceição o a já ambém au o , em 1822, de um pequeníssimo opúsculo, onde, pela p imei a ez, desc e ia o que designa a po “um p odígio a o”, que consis i a na descobe a, numa das ma gens da ibei a 1 Uma e são des e ex o oi publicada em espanhol em Discu sos y De ociones Religiosas en la Península Ibé ica, 1780-1860, 2014. Eds. Ra ael Se ano Ga cia, Angel de P ado Mou a, e Elisabel La iba. Valladolid: Uni e sidad de Valladolid. 140 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) do Jamo , na eguesia de S. Romão de Ca naxide, nos a edo es de Lisboa, de uma imagem de Nossa Senho a, descobe a que e ia sido ei a po um g upo de apazes que ali b inca a pe seguindo um coelho. Se os ac os na ados nes es ês ex os, ão p óximos no empo, pouco di e gem en e si, e a in e p e ação eligiosa que é dada ao enómeno desc i o pe manece a mesma, conside ando-se em qualque deles a descobe a como milag osa e ela ando-se ambém nos ês o cul o de que, imedia amen e, a imagem começou a se objec o po pa e dos habi an es do luga , assim como a sua pos e io ans e ência pa a a Sé de Lisboa, a in e p e ação dada ao enómeno di e ge la gamen e num aspec o: o da lei u a polí ica que dele é ei a em 1825. Na No ena da Milag osa Imagem, essa lei u a é mui o explíci a e mui o cla a. O apa ecimen o da imagem da Vi gem, na g u a de Ca naxide, não e a apenas um enómeno milag oso em si mesmo, po se uma mani es ação da mãe de Deus jun o dos homens, sob a o ma da imagem de Nossa Senho a da Conceição, pad oei a de Po ugal. O enómeno e a milag oso ambém po se o p enúncio da queda da Cons i uição, que se e i ica a em Maio de 1823 po in e enção do in an e D. Miguel, que, a a és de um golpe mili a , de uba a as p imei as Co es libe ais em Vila F anca, es au ando os “inau e í eis” di ei os de seu pai enquan o ei absolu o. Na dedica ó ia da publicação de 1825, e e em-se di ec amen e os bene ícios ei os a Po ugal po in e médio do apa ecimen o da imagem da Vi gem em Ca naxide, “nos dias em que ele se iu cobe o da sua maio humilhação”, e aos po ugueses “quando eles se acha am mais a li os e a ibulados, a emo izando os seus pe seguido es, p essagiando g andes an agens” e, po im, “ azendo o iun o de Po ugal, o iun o da Mona quia e o iun o da Religião”.2 2 Conceição 1825. 141 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica A apa ição: ap op iações e escalas Anuncia a-se assim, o malmen e, pela pena de F ei Cláudio da Conceição, o papel desde cedo a ibuído, pelos inimigos do egime cons i ucional implan ado em 1820, à imagem apa ecida em Ca naxide, que a en oniza a como pad oei a e de enso a do T ono e do Al a . Um desígnio que, à dis ância, pa ece bem cla o já no olume de 1823 do Gabine e His ó ico, quando o seu au o e e e, po exemplo, que, sendo con ínuas as o e as ei as à imagem da Vi gem na Sé depois da sua asladação pa a Lisboa, “uma ica lâmpada de p a a que o na a capela” lhe o a o e ecida pela p óp ia ainha D. Ca lo a Joaquina, ou que nas es as que sob a sua in ocação se inham ali ealizado, se dis inguiam os se mões p egados pelo pad e José Agos inho de Macedo, um bem conhecido e iolen o ad e sá io da e olução cons i ucional. A co oa a en onização da imagem de Nossa Senho a da Rocha como símbolo da i ó ia sob e os libe ais, oda a amília eal se desloca ia à Sé de Lisboa a 23 de Junho de 1823 pa a, solenemen e, lhe ag adece a sua p o ecção.3 Fica a assim selado, como desígnio polí ico das o ças an i- e olucioná ias, a ene ação àquela imagem e àquela in ocação da Vi gem. D. Miguel, que eme gia da Vila-F ancada como decidido de enso do absolu ismo e líde da con a- e olução, conjun amen e com a sua mãe, i ia mos a -se semp e um seu iel e pa icula de o o. Numa das uas po onde passou a amília eal nessa sua deslocação à Sé, num dos a cos iun ais que assinala am a ce imónia, podia le -se jun o aos e a os de D. João e de D. Ca lo a: À Rainha dos Céus pediu Ca lo a A li asse das mãos da Ti ania Seus desejos cump iu a mãe do E e no E de i ag adece -lhe é es e o dia.4 O cul o à imagem de Nossa Senho a da Rocha inse ia-se, no en an o, nou as escalas de elações e con li os que não e am odos necessa iamen e 3 Lousada e Fe ei a, 2006. 4 Apud Pe ei a 1999, 155. 142 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) polí icos ou, se ambém o e am, não se iam odos acilmen e econduzí eis à eia da polí ica nacional. A p imei a dessas escalas, pa a a qual Ana Mou a Fa ia chamou cuidadosamen e a a enção em Os Libe ais na Es ada de Damasco,5 inha, pa a além de uma dimensão polí ica, ca ac e ís icas p op iamen e eligiosas, p endendo-se, po exemplo, com dis in os en endimen os no in e io do co po eclesiás ico sob e o cul o das imagens e ou as exp essões ex e nas de eligiosidade. Essa cli agem exp essa a-se na polémica que opuse a, no iénio in is a, o abade de Med ões, Inocêncio An ónio de Mi anda, que, na sua ob a O Cidadão Lusi ano, denuncia a o uso e abuso de mui as dessas p á icas, que conside a a mais supe s iciosas do que eligiosas, a José Agos inho de Macedo e a F ei Cláudio da Conceição. Logo no início do seu p imei o opúsculo ela i o à descobe a da imagem na g u a de Ca naxide, aziam-se ou i ecos dessa polémica. F ei Cláudio a i ma a, po exemplo, que em odos os empos a nação po uguesa o a supe io men e p o egida nas épocas de maio necessidade, como mais uma ez se comp o a a, ap o ei ando pa a e be a os que a a am “ce as de oções de abusos e supe s ições” e pa a c i ica o ac o de alguns sace do es (não sei de que Religião) abalha em an o pa a que se des e em es es abusos, os quais êm a se na gene alidade que quem o pecado de nada se e o a nem ou i Missa odos os dias em Al a p i ilegiado ou não p i ilegiado, nem aze Con as, Ve ónicas, Ben inhos, Co eias e c. . . .6 Pouco depois, a polémica passa ia a en ol e di ec amen e os acon ecimen os de Ca naxide, con ando com a pa icipação do p óp io abade de Med ões, que conside a á in e osímil a na ação da descobe a da imagem e c i ica á a al a de espei o pelas exigências canónicas pa a que se pudesse o na objec o de de oção pública e ossem publicados os milag es que se lhe a ibuíam.7 Vis a, po ezes, como espos a da co en e de eligiosidade di a “bea a” aos sace do es mais ilus ados e p ó-libe ais, como o ci ado abade de Med ões, a no a de oção iniciada em Ca naxide, em Maio de 1822, possuía ainda uma ou a 5 Fa ia 2005. 6 Conceição 1822. 7 Respos a do Abade de Med ões à Segunda Ca a de Amb ósio às Di ei as 1822 apud Fa ia 2005, 929-930. 143 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica dimensão: a de cul o local e popula , que en ou apidamen e em con li o com os ou os designíos de que ia sendo in es ida pelas eli es eclesiás icas e ci is. Dela dão ambém con a os p imei os esc i os de que é objec o, mencionando-se, desde cedo, neles, a “imensa de oção do po o”, que ans o ma ia, a b e e echo, Ca naxide num luga a que conco ia de oda a pa e inume á el mul idão de po o não só de Lisboa, mas do seu e mo, mas de odo o Po ugal, g andes e pequenos, icos e pob es, bispos e p elados das eligiões e a p imei a nob eza de co e, dando o mais since o cul o à Mãe de Deus. . . .8 Te á sido es e a luxo de de o os a de e mina a po a ia do go e no, de 27 de Julho de 1822, que manda a que a imagem osse imedia amen e asladada pa a Lisboa, pa a a Sé Pa ia cal, com a jus i icação de não se o luga “onde oi achada a di a imagem . . . p óp io pa a ela con inua a exis i e mui o menos pa a se lhe da um cul o público e ão solene”. A po a ia oi expedida ao Colégio Pa ia cal, o denando-lhe que se enca egasse do anspo e “com aquela decência e espei o que lhe são de idos e a que de nenhum modo se de e al a ”. Po a ias semelhan es o am en iadas às au o idades ci is, à In endência-Ge al da Polícia e ao juiz de o a de Oei as, dizendo-se exp essamen e na p imei a que “que endo Sua Mages ade que se e i e oda e qualque deso dem que possa ha e naquela ocasião”, se o dena a que o in enden e-ge al da Polícia p es asse odo o auxílio eque ido e julgado necessá io pa a o di o e ei o.9 O eo da po a ia deixa a pensa que o go e no adi inha a deso dens e, se assim e a, a sua expec a i a cump iu-se in eg almen e. A uma esis ência cla amen e local à saída da imagem do luga onde o a descobe a, p o agonizada pelos seus habi an es, e -se-ia jun ado, segundo a escassa imp ensa libe al que na época no iciou o ac o, como O As o da Lusi ânia, a manob a polí ica dos sec o es an ilibe ais. Pa a o pad e Ma cos Vaz P e o, o sace do e libe al enca egue de aze a p imei a alocução na Sé de Lisboa quando a imagem aí oi ecebida, o go e no ize a aslada a imagem pa a Lisboa “ espei ando o que ha ia de eligioso no in en o, e p e enindo o que a malícia podia aze ”, endo-a deposi ado na Sé, 8 Conceição 1823, 231-232. 9 Conceição 1823, 235. 144 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) “onde os clubis as podiam se melho igiados e mais conhecida a sua pe e sidade, mesmo es ando eles mis u ados com o po o since o e de o o”.10 Em qualque caso, a esis ência à saída da imagem de Nossa Senho a oi g ande. A sua ans e ência pa a Lisboa só se e á ealizado à e cei a en a i a, exigindo in e enção mili a , e não uma in e enção qualque . Foi um egimen o comandado pelo p óp io gene al Sepúl eda, comandan e da gua nição de Lisboa e igu a ulc al da Re olução de 1820, que conseguiu aze aca a as o dens do go e no, não sem an es o e e ido gene al e sido ag edido po uma habi an e da localidade, indignada com a e i ada da imagem. O ma quês da F on ei a e Alo na, um memb o libe al da al a a is oc acia, à época um jo em ajudan e-de-campo do gene al Sepúl eda, na a o episódio nas suas Memó ias, esc i as en e 1861 e 1863, a i mando, em jei o de conclusão: “A imagem eio pa a Lisboa, causando o maio desgos o nas eguesias u ais daqueles sí ios p óximos da capi al e sendo, no u u o, uma g ande a ma de que se se i am os inimigos da libe dade con a o sis ema cons i ucional”.11 O cul o e ia, no en an o, p osseguido no local, à ol a de um egis o colocado à en ada da g u a, que, pouco depois, o go e no libe al manda ia en aipa pa a lhe pô im. O p ojec o de aí cons ui um san uá io e á sido acalen ado pelas populações locais e e -se-iam mesmo iniciado as ob as pa a a sua cons ução, só suspensas em 1833, nos inais da Gue a Ci il (1832-1834), em que as o ças miguelis as o am de o adas.12 A ans e ência, em 1822, pa a a Sé de Lisboa e á sido bas an e solene se ac edi a mos na desc ição de F ei Cláudio, segundo a qual “depois de i a em a Senho a do seu luga en e lág imas e g andes ala idos, p incipalmen e das mulhe es daqueles con o nos, a conduzi am em p ocissão o mada dos eligiosos a ábidos dos ês con en os das p aias . . . ao sí io da C uz Queb ada onde es a am os escale es”. No dia seguin e, a Senho a da Rocha e ia ei o a sua en ada em Lisboa, sendo desemba cada no Te ei o do Paço às 9 ho as da manhã, onde a espe a am “ odas as comunidades das O dens Religiosas e a é aquelas mesmas 10 O Censo Lusi ano 1823, 26: 3 de Janei o apud Fa ia 2005, 917-918. 11 Ba e o 1926, 288-289. 12 Nossa Senho a da Conceição da Rocha de Ca naxide. Como apa eceu a… 1912. 151 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica Epílogo Em 1883, deu-se, en ão, a solene ans e ência da imagem de Nossa Senho a da Rocha de Lisboa pa a Ca naxide, sob a égide de Tomás Ribei o e do p óp io ei D. Luís, ne o de D. Ped o e ilho de D. Ma ia da Gló ia, D. Ma ia II, que os miguelis as an o inham comba ido. Tomás Ribei o não deixa ia de se acusado po jo nais legi imis as, como A Res au ação, de o e ei o po azões enais, como as de en iquece “com aliosos bens” uma pa óquia onde inha adqui ido uma p op iedade e “alcança popula idade pa a o pa ido Regene ado que goza[ a] de poucas simpa ias nes es concelhos ma ginais”. D. Luís ambém não se ia poupado pela imp ensa legi imis a, mas sob e udo pela epublicana, que o acusa a de enco aja o cle icalismo, po e pa ocinado a ce imónia e, ao mesmo empo, se e escusado a pa icipa numa homenagem ao ma quês de Pombal, o céleb e minis o de D. José, que os epublicanos homenagea am, en e ou as coisas, pelo seu an ijesui ismo: Quando, ainda on em, a opinião pública, po ac o espon âneo, ap o ei ou o ani e sá io do Ma quês de Pombal pa a com imponen es mani es ações inci a os go e nan es à igilância con a as in asões do cle icalismo, a es a égia go e namen al da Senho a da Rocha não pode deixa de e po le iandade, senão a in enção de quem lhe deu um ca ác e meio o icial, o sen ido de uma al a de espei o e de e ência pela opinião pública e pelo pa ido libe al, pelas suas eclamações e pelos seus sob essal os. . . . E o ei? Maldi a aqueza! T is es condescendências. . . . Mal de nós se o Che e do Es ado . . . en ende que o seu luga é onde a igno ância p es a cul o à supe s ição . . . se ac edi a nos milag es da Senho a Apa ecida e desconhece os se iços do Ma quês de Pombal, se acha os a aiais de o os mais dignos da sua p esença do que as es as e as comemo ações dos libe ais.28 Dez anos depois, a 29 de Maio de 1893, oi inaugu ado o Real San uá io da Senho a da Rocha, pelo qual as populações locais espe a am desde os anos de 1820. O no o ei, D. Ca los, não compa eceu à ce imónia, na qual, no en an o, es e e p esen e a sua mulhe , a ainha D. Amélia, e os seus ilhos, pa a além do p esiden e do Conselho de Minis os, Hin ze Ribei o, e de Tomás Ribei o, o g ande p omo o da ob a.29 28 Co eio da Noi e, 29 de Se emb o de 1883, apud Fa inha e al. 1997, 404-405. 29 Fa inha e al. 1997, 406. 152 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) Nossa Senho a da Rocha a as a a-se de ini i amen e da capi al e e a de ol ida às populações do luga em que inha apa ecido. Mas nem no seu eg esso àquele luga pe i é ico pôde escapa à con o é sia polí ica que, desde o seu apa ecimen o, à sua ol a se ins ala a, mesmo se essa con o é sia adqui i a, en e an o, no os con o nos e no os p o agonis as. 153 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica BIBLIOGRAFIA Ba e o, D. José T azimundo Masca enhas. 1926. Memó ias do Ma quês de F on ei a e d’Alo na, D. José T azimundo Masca enhas Ba e o, Di adas po Ele P óp io em 1861. Re . e coo d. po E nes o de Campos de And ada, pa e I e II. Coimb a: Imp ensa da Uni e sidade. 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Si la his o ia que hay que con a es la p o agonizada po los p oyec os y luchas libe ales a a o de la cons ucción de es ados nacionales, los con a e oluciona ios e an más un obs áculo que una pa e de esa his o ia. Desde esa nue a pe spec i a, la his o iog a ía del legi imismo ha insis ido en las líneas 1 Es e ex o se enma ca en el p oyec o de in es igación HAR2015-66695-P (MINECO-FEDER). Que emos ag adece la lec u a c í ica y los comen a ios de Juan Luis Simal y de los e aluado es anónimos. 2 Cla in 2010. 158 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) de ue za que compa en los di e sos e i o ios de la Eu opa la ina – F ancia e I alia además de la Península Ibé ica – a lo la go del siglo XIX. Es a esis explica el siglo XIX como un la go p oceso de cons ucción del Es ado a a esado po una gue a ci il – a eces so e ada, a eces abie a – que concluye en cada uno de esos países en echas ce canas. Los acon ecimien os ue on más simila es de lo espe able de una his oi e é énemen ielle. Los ac o es y p ocesos se epi ie on. Los legi imismos espec i os se apa ecie on a menudo a los coe áneos como e siones dis in as de una misma canción. También se sub ayan las conexiones polí icas, cul u ales e incluso pe sonales que exis ie on en e unos y o os a a és de las on e as. Desde es a pe spec i a, las cons ucciones de los Es ados eu opeos no hab ían consis ido solo en una se ie de la gos y pa ecidos con lic os nacionales, sino que se pod ía habla incluso de una gue a ci il eu opea.3 Respec o a España y Po ugal es e ínculo ue aún mayo , po i más allá de la ayec o ia gene al que dibuja es a lec u a, al menos has a las gue as de sucesión que expe imen a on ambos países. En es e ex o se sub ayan los elemen os compa idos, no solo pa ecidos o en ec uzados, du an e la década de 1830 en la “Peninsula das Hespanhas”, que ue el sin agma que se eligió en la Con ención de É o a Mon e pa a exp esa el espacio del que debían sali Don Ca los y Don Miguel, candida os legi imis as a los onos de España y Po ugal espec i amen e.4 Desde la pe spec i a ex e io – “la Eu opa” an as eces ci ada en onces –, los dos einos a menudo cons i uye on un único espacio, un único obje o del que ocupa se o p eocupa se, en el que in e eni mili a , polí ica o ma e ialmen e. Dado su común descenso en é minos de pode global, esa pe cepción “eu opea” ue un elemen o decisi o en la e olución polí ica de ambas mona quías.5 Ese especial pa en esco, además de la yux aposición espacial y la in e sección dinás ica, p ocedía de su mo ibunda condición de mona quías globales. Tal dimensión, desa endida en el es udio de ambas gue as, p opo ciona una nue a en ana a la que asoma se en la comp ensión de los legi imismos peninsula es. La mane a en que ambas disoluciones se en iló esul ó 3 Canal 2011; 2012. 4 A igo 7.º Con enção de É o a Mon e apud Lousada e Fe ei a 2006, 315. 5 De la To e 2000. 159 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica de e minan e ambién en las posibilidades de pe i encia y ans o mación del ca lismo y del miguelismo. En e dos idas pa alelas y una ida común: de mona quías globales a Es ados eu opeos (1807-1840) Ambas gue as de sucesión ibé icas ue on el úl imo capí ulo de sendas c isis impe iales, pa alelas pese a sus di e gen es esul ados en Amé ica.6 El ca iz dinás ico que adqui ie on inculó los p ocesos polí icos de los einos gobe nados desde Mad id y desde Lisboa de una mane a de ini i a. El P e endien e español e a ío y ue dos eces cuñado del p e endien e, luego sobe ano y inalmen e p e endien e una ez más po ugués. Pe o más allá de los lazos amilia es de las dinas ías, las pe sonas ambién se epi en. Ál a ez Mendizábal, el homb e de los ac eedo es y bolsis as londinenses, como sub ayaban sus enemigos, in e medió la inanciación de ped is as e isabelinos y apad inó algunas de las medidas que iden i ica on de ini i amen e a ambos con el libe alismo. Mendizábal no ue más que un caso, aunque des acado, en e los muchos exiliados ibé icos que compa ie on p oyec os y ecu sos, cuando no coope a on de o ma más di ec a, en Pa ís y Lond es. Po úl imo, en é minos mili a es hay a ios elemen os que apun an en la misma di ección. La conocida como “Expedición Rodil” abandonó el e i o io po ugués que había in adido sin media decla ación de gue a en pe secución de Don Ca los, pa a con inua esa misma pe secución en Na a a. La misma península, dos amilias eales más que empa en adas, mili an es de causas ibé icas, in e media ios inancie os iguales o semejan es, ejé ci os que c uzan la on e a…7 En esas p ime as décadas, su dinámica de uni e so p opio ue al que los en elazamien os y compa aciones con las o as expe iencias la inas quizá deba hace se de la Península Ibé ica como un odo.8 Tan os caminos compa ie on 6 Paque e 2013a, 235-315. 7 Po illo 2006. 8 No po casualidad, B on (2015) i ula su ex o sob e el impac o en I alia de las e oluciones de la década de 1820 y 1830 Lea ning Lessons om he Ibe ian Peninsula: I alian Exiles and he Making o a Riso gimen o Wi hou People, 1820-1848. 160 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) po ugueses y españoles que las “Hespanhas” pa ecie on pe de su ca ác e plu al desde el pun o de is a de la lucha emp endida. En el o oño de 1807, apenas en el espacio de un mes, la en ada de opas ancesas en la pa e eu opea de las mona quías española y po uguesa al mando del Gene al Juno c is alizó la c isis de ambos impe ios. Un segundo acon ecimien o ambién se dio en los dos casos: la pa ida del ey y su amilia de la Península. Los dis in os iempos de ambos exilios – la amilia eal po uguesa salió an es de que en a an las opas ancesas, la española después – y los di e en es des inos – la dinas ía B aganza se asladó a sus dominios ame icanos, los Bo bones a F ancia, as un in en o acasado de emula a sus pa ien es y iaja a México – ambién cons i uyen un elemen o undamen al del di e gen e desa ollo de esa doble c isis. En Po ugal, las opas b i ánicas desemba ca on en el e ano de 1808 y al comenza el in ie no lo hicie on en España. En poco más de un año, los peninsula es ie on sali a sus mona cas y en a a los ejé ci os impe iales de F ancia y G an B e aña. En esa pue a gi a o ia en la que unos en aban y o os salían casi sin solución de con inuidad y en un o den apa en emen e alea o io, es án algunas de las cla es de la ansición que se comple ó a p incipios del siglo XIX. T escien os años después de To desillas, las mona quías ibé icas inicia on el in de su i alidad impe ial, agudizada en las décadas p e ias en la Banda O ien al. La Peninsula Wa , como ue bau izado el con lic o en G an B e aña, du ó has a 1813 y solo ue una pa e de esa c isis. Al in y al cabo, desde poco an es de la eunión en To desillas y has a unos años después de la ancesada, las dos e an mona quías globales y la mayo pa e de sus dominios es aban ue a de Eu opa. La c isis que se inició no e a sólo una c isis dinás ica, ni ampoco exclusi amen e una c isis peninsula , sino sob e odo una c isis a lán ica que a ec aba a los inmensos e i o ios que componían ambas mona quías po odo el mundo, en especial en Amé ica.9 La media ización de la Mona quía ca ólica po pa e del Impe io ancés y la ansla io impe ii po uguesa jun o a la ocupación del e i o io peninsula sumido en la gue a desencadena on una p o unda ede inición de las dos comunidades polí icas. 9 Po illo 2006; Adelman 2008; Pé ez Vejo 2010. 264 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) San Ca los se le o denó que pe manecie a en F ancia.52 Es e mismo día, en ca a con idencial, in o maba que El Rey a conociendo el p ecipicio a que lo conducía, y a odos los suyos, el pa ido de los llamados c is inos, y po eso Zea (que es el único a quien odo se debe), a limpiando la capi al de es a ca e a de mal ados. Que el gobie no se man u iese ale a con a los libe ales no signi icaba, po supues o, que no siguiese omando medidas pa a ga an iza la sucesión emenina. El 7 de ab il se publicó una Gace a Ex ao dina ia con dos eales ó denes p e iniendo la con oca o ia de Co es pa a el 20 de junio de 1833, con el p opósi o de ju a a la In an a Isabel como he ede a: “Es a g an no edad ue gua dada con el mayo sec e o has a el día de la publicación de los Dec e os, quedando ce ados los imp eso es con el comisionado po el gobie no oda la noche del sábado al Domingo has a que se dio al público.”53 Como ocu e en o os despachos, en el del 9 de ab il hallamos una nue a e e encia a los sucesos de La G anja, es a ez elacionada con la posible in e ención del cle o: Se con oda ce eza que Su Majes ad Ca ólica esc ibió en echa de 12 de ene o del p esen e año al San o Pad e, quejándose de los p ocedimien os p ac icados en la G anja en el momen o de mayo pelig o de su en e medad, po una acción, en que desg aciadamen e en a on algunos eclesiás icos, suplicando a Su San idad, que u iese a bien de ad e i a los A zobispos, Obispos, y demás cle o de es e eino pa a que exho asen a sus diocesanos la sumisión y espe o debido a sus legí imos sobe anos y sus eales dec e os. La espues a de Su San idad, según oí, se limi a solamen e a exp esiones gene ales, ligándose al espí i u del E angelio sin en a en opiniones polí icas.54 Como e a de espe a , la ju a paso a se “el asun o de odas las con e saciones”, plan eándose muchos “cuáles se ían los esul ados si algunos pe sonajes se nega an a p es a es e ju amen o”.55 52 Legações. Caixa 671, despacho no. 234 (5 de Ab il de 1833). En el despacho no. 236 (10 de Ab il de 1833) se indicaba que oda ía no se había e ec uado la salida de es os úl imos, pe o si la de o os ma cados po muy ealis as, “como son D. José Zo illa, que ue je e de la policía y desemba gado , un al Ped osa, que u o igual empleo, el b igadie he mano anciscano y amoso gue ille o D. Ba olomé Tala n, y el pad e Puyal, p o incial que ue de los jesui as, odos a dis ancia de 20 leguas de es a capi al”. 53 Legações. Caixa 671, despacho no. 235 (9 de Ab il de 1833). 54 Legações. Caixa 671, despacho no. 235 (9 de Ab il de 1833). 55 Legações. Caixa 671, despacho no. 237 (16 de Ab il de 1833). 265 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica El 4 de junio Se e ino Gomes esc ibe a San a ém plan eando la posibilidad de que la co espondencia diplomá ica es u iese siendo in e cep ada po las au o idades españolas, ya que ello explica ía el e aso que se no aba en las comunicaciones. La sospecha ue con i mada en su despacho del 7, donde ecoge que odos los esc i os p oceden es de Po ugal e an abie os y examinados de o den del Gobie no, “ al a de buena e” que no hab ía más emedio que ole a mien as la amilia de Don Ca los pe maneciese en Po ugal.56 Pe o al ez lo más eseñable de es e despacho sea el males a del Rey, ansmi ido po Zea, an e el hecho de que la amilia de Don Ca los se hubiese asladado a Coimb a sin su pe miso. En es a ocasión, las explicaciones del diplomá ico po ugués pa ecie on con en a al minis o de Es ado, pe o comenzaban así las disensiones causadas en e los gobie nos de Fe nando VII y Don Miguel po la p esencia de Don Ca los en Po ugal, disensiones que, as la mue e del mona ca español, acaba ían dando luga a una in e sión de alianzas que supuso el golpe de g acia pa a el ya de o ado legi imismo po ugués.57 El g an acon ecimien o polí ico en la España de junio de 1833 e an las co es que debían celeb a se el día 20, en la iglesia de los Je ónimos de Mad id, pa a ju a a la hija del Rey como he ede a del T ono. En la noche del 17 “el enca gado de Negocios de Su Majes ad Siciliana di igió al Seño Zea una no a muy ci cuns anciada de p o es a que ecibió de El Rey su Augus o amo”, p o es a que ambién emi ió de o ma o icial a odo el cue po diplomá ico ac edi ado en Mad id.58 Aunque po su pa en esco con Ma ía C is ina al p o es a puede esul a llama i a, lo cie o es que el ey de Nápoles e a uno de los p e e idos en sus de echos a la co ona de España po la abolición de la ley semisálica. 56 Legações. Caixa 671, despachos nos. 252; 253. En es e úl imo se ecoge el eg eso a la co e del In an e Don Sebas ián y su esposa. 57 Según el en iado de Don Ped o en Mad id, José Guilhe me Lima, en su despacho no. 4, de 10 de Julho de 1833 (ANTT, Legações. Caixa 672), el gobie no español se p oponía ap o echa los p oblemas que iban su giendo en e Don Miguel y Mad id a causa de Don Ca los pa a pode jus i ica un cambio de pa ido. En la Co espondência do 2.º Visconde de San a ém (1918, 5:276-376), apa ecen unas amplias “Imp esiones del Vizconde de San a ém sob e la enida de la Familia Real Española y de la polí ica en gene al” donde p o undiza en es os emas. Según es imonio de Ribei o Sa ai a, ecogido po Siebe z (1986, 306), cuando an es de su dimisión a p incipios de 1834 Zea conminó a Don Miguel a que expulsa a a Don Ca los de Po ugal, la espues a ue del eno siguien e: “Diga a su gobie no que mi ío D. Ca los halló aquí el asilo al que iene de echo, y que mi debe es con inua dándoselo. Si la co ona me cae de la cabeza, no se á manchada po un ac o de coba día.” En opinión del ci ado his o iado : “Es a espues a p o ocó la caída del minis e io de Zea y decidió la sue e de la causa de D. Miguel.” 58 Legações. Caixa 671, despacho no. 256 (18 de Junho de 1833). 266 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) El 20 Gomes pa icipó ac i amen e en las ies as de la ju a: “salí po la mañana y me ecogí a media noche, siemp e ocupado en los es ejos públicos po juzga no debe al a a uno solo, siguiendo el ejemplo de los ep esen an es de las Co es más in luyen es”. El 21 con inua on las ies as, po lo que el diplomá ico po ugués dejó pa a el p óximo co eo in o ma con de alle de odos los acon ecimien os. Sin emba go, añadió en no a ci ada a pie de página la siguien e y cu iosa obse ación: “En ez de ies a pa ece un une al; ni un i a. . . . Fue mandado sali en pocas ho as el A zobispo de Toledo”.59 En su siguien e despacho, el 28 de junio, Se e ino Gomes mani es aba a San a ém su p opósi o de “in o ma a V.E. ci cuns anciadamen e de odo lo que se ha pasado aquí desde el día 20 que ue el del ju amen o, has a aye , que se acaba on las ies as; sin emba go sólo me se á posible hace lo den o de unos pocos días, y po ex ao dina io”. Es, pa a noso os, la úl ima ci a eseñable de la co espondencia diplomá ica miguelis a, pues, ex a iados o in e cep ados los despachos 259 y 260, que no se hallan en la se ie diplomá ica, el úl imo que se conse a en el A qui o Nacional da To e do Tombo es el 261, echado el 6 de julio de 1833, y ecibido en Lisboa sie e días más a de. El 24, las opas ped is as al mando del duque de Te cei a en aban en la capi al y a donde haya podido i a pa a la documen ación diplomá ica miguelis a a pa i de es a echa es algo que desconocemos. Pe demos así una uen e de p ime o den a la ho a de alo a los acon ecimien os que u ie on luga en España a lo la go de los meses inmedia amen e an e io es al inicio de la gue a ca lis a. Conclusión Si p escindimos de aspec os muy conc e os, como los sucesos de La G anja, la dinámica polí ica de los dos úl imos años de Fe nando VII es ela i amen e poco conocida, y además los ela os disponibles p oceden de uen es no especialmen e iables. Den o de es e con ex o la in o mación apo ada po los 59 Legações. Caixa 671, ca a del 20 de junio y despacho no. 257 (21 de Junho de 1833). 267 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica sucesi os embajado es po ugueses esul a una uen e de p ime a magni ud pa a una co ec a alo ación de la época. Así, podemos obse a que las ensiones en el seno de la Co e e an ya an es de los sucesos de La G anja mucho mayo es de lo que adicionalmen e se c eía, y que los mismos acaba on siendo la causa del cese de un minis e io en cuyo in e io había di e en es sensibilidades polí icas, aunque no dinás icas, pues odos e an pa ida ios de la sucesión emenina de Isabel II, como deja muy cla o el es imonio que se ep oduce de la P incesa de Bei a. En el nue o minis e io, encabezado po Zea Be múdez, las disensiones e an aún incluso mayo es que en el an e io , como ambién puede e se po la co espondencia de los muy bien in o mados diplomá icos po ugueses, y se eían alen adas po las inje encias de la Reina, en ocasiones con a es adas po las de su ma ido. Un pano ama emendamen e complejo, y cuyas implicaciones podían se a ales pa a Po ugal, en cuyo e i o io peninsula se i ía desde mediados de 1832 una gue a ci il muy simila a la que no a da ía en es alla en España. Fe nando VII e a sin duda el más ue e apoyo de Don Miguel, pues lo úl imo que deseaba e a ene libe ales en el país ecino. Jus o an es de cae su minis e io, el conde de la Alcudia llegó a plan ea se que opas españolas en asen en Po ugal pa a conquis a Opo o, uese cual uese el cos e con Ingla e a, y Zea Be múdez, su embajado en Lond es, ue ambién un i me sopo e de la causa miguelis a. Que Don Ca los decidiese, en ma zo de 1833, pasa a Po ugal acompañando a su cuñada, la P incesa de Bei a, ue sin duda un elemen o nega i o pa a la causa de Don Miguel, pues Fe nando VII le acabó haciendo esponsable de que su he mano no cumplie a las ó denes que le en iaba desde Mad id. Aun así, oda ía después de la mue e del ey, cuando en España ya había una gue a en e ío y sob ina de plan eamien os muy simila es a la de Po ugal, Zea Be múdez a ó de man ene su línea de conduc a. Su caída, en ene o de 1834, supuso una ápida in e sión de alianzas y la en ada de opas españolas en Po ugal pa a e mina de decidi , a a o de Doña Ma ía de la Glo ia, una gue a que Don Miguel, po o a pa e, ya enía pe dida.60 60 Un ensayo gene al sob e las di e encias y simili udes en e el ca lismo y los demás mo imien os legi imis as eu opeos, con especial a ención al miguelismo, puede e se en Bullón de Mendoza (1996, 195-253). 268 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856) BIBLIOGRAFIA Fuen es manusc i as A qui o Nacional da To e do Tombo (ANTT) Fundo Minis é io dos Negócios Es angei os (MNE). Legações. Caixas 671-672. Bibliog a ía Ac as del Consejo de Minis os. 1984 e seq. Mad id: Minis e io de la P esidencia. Ac as del Consejo de Minis os. Fe nando VII. 1832. Tomo 7. Bullón de Mendoza y Gómez de Valuge a, Al onso. 1986. “Ideología Ca lis a y Régimen Fo al 1833-1845.” Cong eso de His o ia de Na a a de los Siglos XVIII, XIX y XX. Anejos a P íncipe de Viana. Pamplona: Gobie no de Na a a. –––––. 1990a. “La Jun a de Mad id y el Alzamien o Ca lis a de 1833.” Es udios His ó icos. Homenaje a los P o eso es Don José Ma ía Jo e Zamo a y Don Vicen e Palacio A a d. Vol. 1. Mad id: Uni e sidad Complu ense de Mad id. –––––. 1990b. “B e e His o ia del Ca lismo Mad ileño, 1833-1839.” Apo es 13 (ma zo):51-74. –––––. 1991. “Don Ca los en Po ugal.” Apo es 17 (julio):71-83. –––––. 1992. La P ime a Gue a Ca lis a. Mad id: Edi o ial Ac as. –––––. 1995. “Documen os pa a el Es udio de las Úl imas Co es del An iguo Régimen (1833): Ci cula del Minis o de la Gue a y Respues a del Ma qués de las Ama illas.” Spagna Con empo anea 7:225-240. –––––. 1996. “El Legi imismo Eu opeo, 1688-1876.” In Iden idad y Nacionalismo en la España Con empo ánea, el Ca lismo, 1833-1975, coo d. S anley G. Payne, 195-253. Mad id: Edi o ial Ac as. Ca na on, Ea l o . 1837. Po ugal and Gallicia, wi h a Re iew o he Social and Poli ical S a e o he Basque P o inces; and a Few Rema ks on Recen E en s in Spain. To Which is Now Subjoined, a Reply o he “Policy o England Towa ds Spain”. Vol. 2. London: John Mu ay. Co espondência do 2.º Visconde de San a ém, Coligida, Coo denada e com Ano ações de Rocha Ma ins. Publicada pelo 3.º Visconde de San a ém. 1918. Vols. III-IV. Lisboa: Al edo Lamas, Mo a & C.ª edi o es. Diá io de Ribei o Sa ai a, 1831-1888. 1915. Tomo 1. Lisboa: Imp ensa Nacional. El Dia io de A isos de Mad id, 27 de no iemb e de 1832. Go icho Mo eno, Julio. 1966. “Los Sucesos de la G anja y el Cue po Diplomá ico.” In An hologica Annua, 243-437. I ujo, Manuel de. 1945. Ingla e a y los Vascos. Buenos Ai es: Edi o ial Vasca Ekin. Llo ca Villaplana, Ca men. 1954. “Los Sucesos de la G anja y el Conde Sola o.” Re is a de la Uni e sidad de Mad id: 347-356. 269 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica Siebe z, Paul. (1944) 1986. Don Miguel e a Sua Época. A Ve dadei a His o ia da Gue a Ci il. 2.ª ed. e . Mem Ma ins: Ac ic. Suá ez, Fede ico. 1953. Los Sucesos de la G anja. Mad id: CSIC. U quijo Goi ia, José Ramón. 1996. “Els Fu s Bascs en la C isi de l’An ic Règim: La Dico omia Abolició o Modi icació du an la P ime a Gue a Ca lis a.” Rece ques 34:29-46. RESUMOS ABSTRACTS HISTORIA MAGISTRA VITAE. ENSAIO SOBRE A (IN)DEFINIÇÃO DO TOPOS NOS PROJETOS DE ESCRITA DA HISTÓRIA DO BRASIL NO SÉCULO XIX Temís ocles Ceza No B asil, a pe manência do opos his o ia magis a i ae, seja como p oje o his o iog á ico, seja como igu a de e ó ica, es ende a c onologia da sua dissolução pa a além do século XVIII. O Oi ocen os b asilei o é p ódigo em ideias an igas e mode nas pa a se esc e e a his ó ia. Esse ideá io isa a, de modo ge al, o ganiza ecu sos e p ocedimen os pa a se esc e e a his ó ia da nação. Se, con udo, a nação e a um plano em cons ução, en ão é p eciso não se pe de de is a que a his ó ia, como campo de sabe disciplinado, es a a ainda dando seus p imei os passos. De a o, a esc i a da his ó ia, no B asil do século XIX, o nou-se obje o de deba e e p oblema eó ico- -me odológico, cujas dis in as pe cepções ace ca do ema cons i uem um co pus discu si o olumoso e ainda não su icien emen e es udado. Meu obje i o, a pa i de ês mani es ações publicadas na Re is a do IHGB (em 1839, 1844 e 1895), é demons a que a noção de his o ia magis a i ae p esen e nes es p oje os his o iog á icos oi menos ma cada pela dico omia pe manência x dissolução do que pelo signo da (in)de inição, an o polí ica quan o epis emológica. JOSÉ DA SILVA LISBOA E AS NARRATIVAS DA EMANCIPAÇÃO BRASILEIRA Valdei A aujo Nes e a igo, p ocu amos en ende como a mode nização concei ual a e a e é a e ada po mudanças na na a i a his ó ica. No con ex o abe o em 1808, com a ans e ência da co e po uguesa, en amos comp eende como se p ocessa a nacionalização das na a i as, aqui abo dadas a pa i das mudanças nos egimes de au onomia do discu so his ó ico. P e endemos demons a como José da Sil a Lisboa, o u u o isconde de Cai u, em sua his ó ia da independência do B asil, se alimen a de uma g ande di e sidade discu si a undindo ês di e en es mac ona a i as que es a am disponí eis nessa conjun u a: a da ação p o idencial, do con li o libe dade e sus au o idade e da passagem do mundo eudal ao come cial. HISTORIA MAGISTRA VITAE. ESSAY ON THE (IN)DEFINITION OF TOPOS IN THE WRITING PROJECT OF THE HISTORY OF BRAZIL IN THE 19TH CENTURY Temís ocles Ceza In B azil, he pe manence o he opos his o ia magis a i ae, whe he as a his o iog aphic p ojec o as a igu e o he o ic, ex ends he ch onology o i s dissolu ion beyond he eigh een h cen u y. The nine een h cen u y, in B azil, is p odigal in old and mode n ideas o w i e his o y. These ideas we e mean o o ganize esou ces and p ocedu es o w i ing he his o y o he na ion. I , howe e , he na ion was a plan unde cons uc ion, hen one mus no lose sigh o he ac ha his o y, as a disciplined ield o knowledge, was s ill aking i s i s s eps. The w i ing o his o y in B azil in he nine een h cen u y became an objec o deba e and a heo e ical-me hodological p oblem, whose di e en pe cep ions abou he subjec cons i u e a massi e discu si e co pus and no ye su icien ly s udied. My objec i e, om h ee mani es a ions published in he Re is a do IHGB (1839, 1844 and 1895), is o demons a e ha he no ion o his o ia magis a e i ae p esen in hese his o iog aphic p ojec s was less ma ked by he pe manence x dissolu ion dicho omy han by he sign o (in)de ini ion, bo h poli ical and epis emological. JOSÉ DA SILVA LISBOA AND THE NARRATIVES OF BRAZILIAN EMANCIPATION Valdei A aujo In his a icle, we seek o unde s and how concep ual mode niza ion a ec s and is a ec ed by changes in his o ical na a i e. In he con ex opened in 1808, wi h he ans e o he Po uguese cou , we y o unde s and how he na ionaliza ion o he na a i es, app oached om he changes in he egimes o au onomy o his o ical discou se, akes place. We in end o demons a e how Sil a Lisboa, in his his o y o B azilian Independence, eeds on a g ea discu si e di e si y, me ging h ee di e en mac ona a i es ha we e a ailable in his conjunc u e: he na a i e o p o iden ial ac ion, he na a i e abou he con lic be ween eedom and au ho i y and he na a i e conce ning he passage om eudal o comme cial wo ld. NOTAS BIOGRÁFICAS ALEXANDRA GOMES MARKL Dou o ada em Ciências da A e, especialidade de Desenho, pela Faculdade de Belas-A es da Uni e sidade de Lisboa. Conse ado a do Museu Nacional de A e An iga, esponsá el pelas colecções de Desenho, G a u a e Iluminu a. Tem comissa iado di e sas exposições nes e museu e nou os, e ambém no es angei o. Au o a de nume osos a igos, incidindo especialmen e sob e pin u a, desenho e g a u a dos séculos XVIII e XIX, e do li o sob e o pin o na u alis a An ónio Ramalho (2003). ALFONSO BULLÓN DE MENDOZA Y GÓMEZ DE VALUGERA Dou o em His ó ia Con empo ânea, com P émio Ex ao diná io, pela Uni e sidade Complu ense. Ca ed á ico de His ó ia Con empo ânea da Uni e sidade CEU San Pablo, di ec o do Ins i u o CEU de Es udios His ó icos e p esiden e da Fundación Uni e si a ia San Pablo CEU. Au o de ce ca de uma cen ena de publicações sob e as Gue as Ca lis as, a Segunda República e a Gue a Ci il Espanhola, bem como ealizado e guionis a de á ios documen á ios sob e a mesma. ANDRÉS MARÍA VICENT Du an e os úl imos anos, em p osseguido os seus es udos de dou o amen o na Uni e sidade An ónoma de Mad id. A sua in es igação cen a-se no es udo do p imei o ca lismo, numa pe spec i a ansnacional, p es ando uma a enção especial à cul u a polí ica. ARMANDO MALHEIRO DA SILVA P o esso ca ed á ico da Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o (FLUP) e coo denado do G upo Cul u a Digi al do CITCEM. Licenciado em Filoso ia pela Faculdade de Filoso ia de B aga (Uni e sidade Ca ólica Po uguesa) e em His ó ia pela FLUP. Habili ado com o an igo Cu so de Biblio ecá io-A qui is a pela Faculdade de Le as da Uni e sidade de Coimb a. Na Uni e sidade do Minho, p es ou P o as Públicas com a ese Ideologia e Mi o no Miguelismo (1989) e dou o ou-se (1999) com a de esa da ese Sidónio e Sidonismo. His ó ia e Mi o. 284 no as biog á icas dos au o es DANIEL ESTUDANTE PROTÁSIO Licenciado em His ó ia pela Uni e sidade de Lisboa. Mes e em His ó ia Con empo ânea pela Uni e sidade de Coimb a (UC). Dou o ado em His ó ia Ins i ucional e Polí ica Con empo ânea pela Uni e sidade No a de Lisboa. Pós-dou o amen o em His ó ia pela UC. In es igado in eg ado do Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa e in es igado colabo ado do CEIS20, da UC. Li os publicados: Pensamen o His ó ico e Acção Polí ica do 2.º Visconde de San a ém, 2016; 2.º Visconde de San a ém (1791-1856): Uma Biog a ia In elec ual e Polí ica, 2018. FÁTIMA SÁ E MELO FERREIRA Dou o ada em His ó ia pela Uni e sidade de Pa is I – So bonne, é p o esso a associada (aposen ada) do Depa amen o de His ó ia do ISCTE-IUL. In es igado a do CIES-IUL e do IHC-No a, é edac o a da e is a Le His ó ia e au o a de á ios li os e a igos sob e a con a- - e olução e o miguelismo. Dedica-se ac ualmen e, sob e udo, à his ó ia dos concei os e linguagens polí icos. Nesse âmbi o, in eg a o p ojec o Ibe concep os desde 2005. JUAN PAN-MONTOJO Ca ed á ico de His ó ia Con empo ânea da Uni e sidade Au ónoma de Mad id. Ac ualmen e, é di ec o da e is a Aye . As suas úl imas publicações são: “La Re olución Libe al y las T ans o maciones de la Ag icul u a Española”, na e is a A eas (2018) e “Un País Desconocido: Las Eli es Sociales Españolas y el Espacio Ru al en el Siglo XIX”, publicada no li o Mi ando desde el Puen e (2019), edi ado po Fe nando And és, Mau o He nández e Saúl Ma ínes. RICARDO DE BRITO Licenciado (2009) e mes e (2012) em His ó ia pela Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa, encon a-se a e mina a ese de dou o amen o, no PIUDHis , sob e o concei o de e olução em Po ugal e Espanha no século XIX. Os seus in e esses de in es igação, cujos esul ados êm sido ap esen ados em publicações e con e ências (nacionais e in e nacionais), g a i am sob e his ó ia polí ica, da cul u a, dos concei os e da his o iog a ia. É in es igado no Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa, no g upo Usos do Passado. 285 TEMÍSTOCLES CEZAR P o esso - i ula do Depa amen o de His ó ia da Uni e sidade Fede al do Rio G ande do Sul (B asil), p esiden e da Sociedade B asilei a de Teo ia e His ó ia da His o iog a ia, di ec eu d’é udes in i é na École des Hau es É udes en Sciences Sociales (EHESS) de Pa is, bolsei o do Conselho Nacional de Pesquisa e Desen ol imen o (CNPq-B asil). VALDEI ARAUJO É p o esso -associado de Teo ia e His ó ia da His o iog a ia do cu so de His ó ia (g aduação e pós-g aduação) da Uni e sidade Fede al de Ou o P e o (UFOP). In es igado do CNPq e edi o -che e da RBH-Re is a B asilei a de His ó ia. Foi in es igado - isi an e em es ágio pós-dou o al na Uni e sidade de São Paulo (USP) e na RU-Bochum (Alemanha). no as biog á icas dos au o es CRÉDITOS DAS IMAGENS Capa De alhe da ep esen ação da Di ina Comédia, de Dan e Alighie i. Almada Neg ei os, 1961. Pó ico da en ada da Faculdade de Le as. A e pa ie al, g a u as incisas colo idas sob e pa ede e es ida a can a ia de calcá io, Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa. Fo og a ia de A mando No e. F on ispício 2.º Visconde de San a ém (M.M. in . n.º 05273), po Ped o C uz. P op iedade do Museu de Ma inha. Di ei os de imagem adqui idos po Daniel Es udan e P o ásio e cedidos pa a a p esen e edição. Con acapa 2.º Visconde de San a ém em 1821, e a ado po Boucha dy. Imagem ep oduzida em li og a ia de J. Vilas Boas na ob a de Ped o An ónio José dos San os, Re a os dos Homens Ilus es, que po Ciência, Polí ica e A es Sob essaí am em Po ugal du an e o Século XIX. Lisboa, 1846. Biblio eca Nacional de Po ugal, Biblio eca Nacional Digi al. Imagens no in e io Museu Nacional de A e An iga (MNAA): in .º 1223 Pin ., in .º 1256. Des., in .º 2268 Des. Rep odução au o izada pelo A qui o de Documen ação Fo og á ica/Di ecção-Ge al do Pa imónio Cul u al, po cedência de di ei os de Alexand a Gomes Ma kl pa a a p esen e edição (pp. 134-135). lisbon his o ical s udies | his o iog aphica HISTORIOGRAFIA, CULTURA E POLÍTICA NA ÉPOCA DO VISCONDE DE SANTARÉM (1791-1856) A his o iog a ia po uguesa oi, no dealba da Época das Re oluções, ma cada po p á icas cul u ais e polí icas di e sas. En e as lu as e olucioná ias e con a- e olucioná ias, o e udi o e o c onis a coexis iam com o his o iado amado . O qual ei indica a, al como os polí icos, ilóso os e poe as, o papel de eliga o passado e o p esen e, pa a en ende os acon ecimen os dis up i os do empo e an e e o u u o das sociedades e da humanidade. O exe cício de papéis mul i uncionais o na a dúbias, nos indi íduos, as on ei as en e súbdi os e cidadãos, pa icula es e es adis as, na emissão de opiniões e na en a i a de in luencia os umos da his ó ia. A conjugação de his o iog a ia, cul u a e polí ica ab e no as e desa ian es isões ace ca de uma época plena de ensinamen os pa a o século XXI. P e ende-se deba e di e en es es ados da a e na his o iog a ia luso- -b asilei a, da his ó ia dos concei os e do diciona ismo c í ico. Es abelece um diálogo c í ico a p opósi o do discu so his o iog á ico do século XIX, da plu alidade dos signi icados da sua linguagem imp essa e da necessidade de coope ação, abe a e cons an e, en e os es udiosos dos anos de 1828 a 1834. Analisa enómenos especí icos da a e e da eligião, pa a en ende como a cul u a exp essa a o que eli es e massas popula es deseja am aze pe du a como memó ia. Des aca á ios ins umen os de conhecimen o e lexi o, como as análises da cons ução dos Es ados nacionais (em plena e e escência ibé ica dos ideais legi imis as), a a inação ipológica de ag upamen os ideológicos miguelis as e a u ilização sis emá ica das on es diplomá icas manusc i as, pa a en ende as lu as dinás icas ibé icas. Em suma, p ocu a-se pô à disposição da comunidade cien í ica e do público in o mações de conside á el u ilidade, num es o ço de elucidação da his ó ia polí ica, social e men al daquele empo. A colecção H is o iog aphica dá a conhece es udos sob e his o iog a ias e his o iado es, a cons ução de memó ias sociais e indi iduais e usos ins umen ais do passado – a semp e complexa elação en e p esen e, passado e u u o, nas suas elações con ex uais com p oblemas sociais e polí icos. Ab ange múl iplos empos e geog a ias e incen i a a ap oximação en e di e sas ciências sociais e humanas.