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A maior FITA que o Alentejo já viu

Azevedo, Eunice Tudela de

Abstract

Artigo sobre a primeira edição do FITA - Festival Internacional de Teatro do Alentejo, que decorreu em Beja e Évora, em Março de 2014.

Full text

Sinais de cena 21. 2014 oi en a e cinco Passos em ol a Eunice Tudela de Aze edo“A maio FITA que o Alen ejo já iu” “A maio FITA que o Alen ejo já iu” Eunice Tudela de Aze edo Ainda no dia do a anque do es i al, o Tea o Tie a (Colômbia) ap esen ou, no palco p incipal do Pax Júlia, El enano, uma adap ação li e da ob a O anão de Pä Lage k is . Com uma cenog a ia minimalis a e um abalho de luz p óximo de uma es é ica exp essionis a, o espec áculo ap esen a a a me amo ose comple a de uma única ac iz que, o a se mo ia g aciosamen e, en e gando uma másca a eneziana e um igu ino le e e delicado, o a diminuía a sua es a u a pa a me ade, ep esen ando de joelhos de o ma mui o na u al du an e g ande pa e do espec áculo, po o ma a da co po ao g o esco anão que eme giu mis e iosa e len amen e de um bidão. Foi em o no des e objec o me álico que se desen ol eu a ep esen ação e nele e e o igem uma das imagens mais o es do FITA: as chamas a eadas pelo diabólico anão numa sala escu ecida. No segundo dia do es i al, os A is as Unidos ouxe am, à Sala Es údio do Pax Júlia, numa encenação de F ancis Seleck, o espec áculo A 20 de No emb o, um monólogo esc i o po La s No én a pa i do diá io de Sebas ian Bosse, um jo em alemão que, em 2006, dispa ou sob e colegas do seu an igo liceu, em Emsde en, suicidando- se de seguida. A g ande o ça des e espec áculo esidiu Deco eu, es e ano, em Beja (e ambém em É o a), a p imei a edição do Fes i al In e nacional de Tea o do Alen ejo — o FITA —, uma inicia i a o ganizada pela companhia Lêndias d’Encan a (LdE). Es e e en o, in eg ado no p ojec o Imaginá ios ao Sul (uma pa ce ia en e a LdE, a Sociedade Ope á ia de Ins ução e Rec eio Joaquim An ónio d'Aguia e o Cine Clube da Uni e sidade de É o a), ans o mou Beja no p incipal palco pa a a ap esen ação do abalho de 13 companhias (8 nacionais e 6 es angei as) e á ios músicos — JP Simões, Má cia, Nau, Nuno do Ó e Pó da Alma — que, en e os dias 19 e 29 de Ma ço, anima am a cidade. Com a p omessa de uma p og amação espei á el, o FITA oi inaugu ado pela companhia Limia Tea o (Espanha), que o e eceu, a um público maio i a iamen e jo em, o espec áculo Don Quijo e, baseado na ob a de Ce an es e com encenação de Nu ia Gullón. Na Sala Es údio do Pax Júlia, ans o mada numa cozinha imp o isada, o cozinhei o Alonso, in e p e ado po F an Nuñez, con idou os espec ado es a acompanha a ei u a de um “po aje de Vigilia” — um p a o adicional espanhol com ligação a Dom Quixo e — enquan o na a a a his ó ia do ca alei o andan e. < La edad de la ci uela, de A ís ides Va gas, enc. Julio Césa Ramí ez, Tea o D’dos, 2014 (Gab iela Ramí ez, Yakelin Ye a), o . Ana Rod igues. Sinais de cena 21. 2014 Passos em ol a oi en a e seis < E oscópio, concepção de An ónio Re ez e Paulo Ribei o, Lêndias d’Encan a , 2014 (An ónio Re ez, Paulo Ribei o), o . Redliza d – P oduções Audio isuais. na in e p e ação de João Ped o Mamede e em como, po ezes ag essi amen e, in e pelou di ec amen e o público com ques ões incómodas, le ando-o a e lec i sob e aspec os pouco ag adá eis da sociedade ociden al dos nossos dias. Es e espec áculo e ela-nos o ou o lado de uma ques ão polémica, um pon o de is a que é mui as ezes igno ado ou demonizado pela cobe u a mediá ica des es acon ecimen os. Ra amen e se p ocu a comp eende os mo i os na génese de uma acção des a na u eza, con udo, o ac o conseguiu le a o espec ado a anspo essa ba ei a e a e lec i sob e o que pode le a um jo em como Sebas ian a desp eza o alo da ida humana. Uma al e ação no p og ama inicial ouxe à Sala P incipal do Pax Júlia o espec áculo Âmbulo, do Tea o do Ma , c iado a pa i do imaginá io g á ico da ob a The A i al, de Shaun Tan. Sem pala as di as em cena, es e espec áculo eco eu essencialmen e ao abalho sob e a componen e isual — a a és do c uzamen o de p ojecções mul imédia com dança, ea o ísico e manipulação de ma ione a — pa a ap esen a uma na a i a de emig ação, ainda que um pouco da ada, p e endendo econhece nela ainda a sua alidade nos dias de hoje. Também O Bando ma cou p esença no FITA, com um espec áculo pa a os mais no os, azendo à Sala Es údio do Pax Júlia um monólogo baseado no uni e so dos con os de Ve gílio Fe ei a e com uma encenação pa ilhada po Sa a de Cas o e João B i es: O senho imaginá io. Guilhe me No onha — do ado de uma boa capacidade de imp o iso e comunicação com o público — enca nou o biza o (mas mui o ca i an e) Je emias, o con ado de his ó ias sob e o con on o en e duas classes sociais a p opósi o do local de cons ução de uma on e numa aldeia, eco endo a almo adas pa a e oca as di e en es pe sonagens que in e inham na na a i a. O único disposi i o cénico, uma es u u a geomé ica me álica, semelhan e a uma jaula com um sis ema de iluminação inco po ado, albe ga a as mui as almo adas usadas no dinâmico jogo de ep esen ação e se ia, ambém, de pla a o ma de ligei a in luência cons u i is a, pa a a mo imen ação cénica de Guilhe me No onha. Es e espec áculo, apesa de di eccionado pa a um público in an il, in eg a a á ios ní eis de lei u a que acilmen e ca i a iam uma pla eia mais elha, aspec o que não oi conseguido pelo espec áculo ap esen ado pelos Baal 17, Clean Play Clown, que e ocou o uni e so dos jogos de ídeo como es a égia de sensibilização das ge ações mais jo ens pa a os bene ícios das ene gias eno á eis. No mesmo dia d’O Bando, os u uguaios El Mu a ap esen a am uma das pé olas do es i al: El uelo. Es e o midá el exe cício de esba imen o de on ei as en e ealidade e icção ma e ializou-se, em pa e, a a és da opção cénica de coloca em palco, lado a lado, público e ac o que, du an e ce ca de uma ho a, pa ilha am de o ma descon aída um espaço cuja con igu ação e oca a uma cabine de a ião, e o çando, assim, a g ande emá ica condu o a da sucessão de agmen os na a i os: a iagem. A explo ação do ema não se limi ou a abo da a deslocação ísica do se humano, an es apela a ambém à possibilidade de uma iagem in e io e o c escimen o pessoal ei o po expe iências de ida que I an Sola ich pa ilhou na p imei a pessoa com o público, acabando, embo a, po elemb a a odos a sua condição de ac o . Foi com es e belíssimo espec áculo, mui o bem acolhido pelo público, que se ence ou a p imei a semana do FITA com a asquia ele ada, di icul ando, de ce a o ma, o abalho da companhia A ’Imagem que ab iu, no dia 25, a segunda semana do es i al, com o espec áculo As eias abe as da humanidade. Com encenação de José Lei ão e Daniela Pêgo, Flá io Hamil on e Ped o Ca alho no elenco, es e espec áculo, que de ol eu ao público o seu habi ual luga na pla eia, e elou-se uma in e essan e iagem pela cul u a e ealidade social da Amé ica La ina a a és da ob a de Edua do Galeano. No dia 26, a Sala Es údio do Pax Julia ecebeu o espec áculo d’A B uxa, In e no, da au o ia de Jon Fosse e encenação de Figuei a Cid, que in eg ou ambém o elenco, ao lado de Ana Lei ão. Nes e espec áculo, es anhamen e e nu en o, dá-se a conhece a imp o á el ligação en e dois desconhecidos cuja his ó ia pessoal nunca é e elada, an es suge ida, mas que pe cebemos pe ence em a duas es e as sociais di e en es. Um homem e uma mulhe acabam po encon a , po me o acaso, o necessá io, sem sabe ao ce o o que p ocu a am. Es e espec áculo e elou se , con udo, incons an e na capacidade de comunicação com o público, a é po que mui o do seu sub ex o exigi ia um maio cuidado na ges ão da en oação e do silêncio pa a se de idamen e comp eendido. > El enano, de Pä Lage k is , enc. Juan Ca los Moyano, Tea o Tie a, 2014 (Cla a Inés A iza), o . Redliza d – P oduções Audio isuais. > A 20 de No emb o, de La s No én, enc. F ancis Seleck, A is as Unidos, 2014 (João Ped o Mamede), o . Redliza d – P oduções Audio isuais. Eunice Tudela de Aze edo “A maio FITA que o Alen ejo já iu” Sinais de cena 21. 2014 Passos em ol a oi en a e se e < 20 dize , di . José Rui Ma ins, ACERT/T igo Limpo, 2014 (José Rui Ma ins), o . Redliza d – P oduções Audio isuais. Já na ec a inal do FITA, a LdE ap esen ou E oscópio: uma pe o mance c iada po An ónio Re ez — o a e ido diseu — e Paulo Ribei o, um dos gui a is as do espec áculo e composi o da música o iginal, que ão bem acompanhou a in e p e ação de poemas de na u eza e ó ica, ma e ializada ambém que pela uidosa ba e ia de Ma co Cesá io, que pela gui a a de Nuno Figuei edo, baixo de Manuel Nob e e Césa Sil ei a ao piano. A Sala P e a d’Os In an es encheu-se, no dia 27, pa a acolhe calo osamen e es e espec áculo, já amilia ao público da companhia de Beja. Po en e p ojecções mul imédia e simulações imp óp ias pa a meno es, Re ez deu oz às pala as de poe as como Jo ge de Sena, Al Be o, Nuno Júdice ou Na ália Co eia. A passagem da ACERT/T igo Limpo pelo FITA oi a ípica, no sen ido de e sido a única companhia a ac ua duas ezes (ambas no dia 28). 20 dize , um espec áculo em que a pala a b ilha, do início ao im, a a és das ozes de José Rui Ma ins e Luísa Viei a — que ambém compôs e in e p e ou a música — oi ap esen ado, em dois momen os di e en es (na Sala Es údio do Pax Julia e n’Os In an es), o iginando duas ap esen ações mui o dis in as en e si, cada uma com o seu i mo e inalidade p óp ios, po que habilmen e adap adas ao con ex o em que acon ece am. A p imei a mos ou uma adap ação do espec áculo o iginal a um público cons i uído na sua g ande maio ia po c ianças e elemen os da CERCI e esul ou, pela abulosa sensibilidade de José Rui Ma ins à o ma como a sala espondia, num didác ico e animado espec áculo in an il. A segunda ap esen ação, apesa de pa ilha mui os dos ex os da p imei a, oi de na u eza adicalmen e di e en e, embo a se enha sen ido, no amen e, a capacidade de c ia uma boa ligação com o público. Des aca-se, em ambas as ap esen ações, a beleza e a simplicidade dos a anjos musicais e a oz de Luísa Viei a que ão ag ada elmen e acompanhou a poesia de au o es lusó onos. Uma das melho es p es ações do FITA oi o e ecida pela ac iz Ca mem Mo e zsohn, no palco p incipal do Pax Julia, onde con acenou com Mu ilo G ossi no espec áculo Dinossau os, do G upo Cena, com ex o de San iago Se ano e encenação de Guilhe me Reis. Com um abalho de luz mui o sób io, que p e endia apenas c ia um ambien e de ex e io noc u no, e um cená io bas an e eduzido — um único banco de madei a — o oco des e espec áculo incidiu essencialmen e sob e o abalho de ep esen ação. Foi nesse con ex o que imos dois es anhos, um homem e uma mulhe (sob e cujas idas amos adi inhando pedaços, à medida que a con e sa se sol a) e gue em uma p og essi a p oximidade, pa indo de um momen o gélido inicial. En e a anços e ecuos na in e acção, a c escen e ligação acaba po aduzi -se, len a e simul aneamen e, em p oximidade ísica no banco em que se encon am, à medida que a cumplicidade c esce, deliciando assim o espec ado . No úl imo dia de es i al, a Sala P incipal do Pax Julia acolheu La edad de la ci uela, da au o ia de A is ides Va gas, pelo Tea o D’dos (Cuba), que se e elou uma óp ima escolha pa a o ence amen o e que ica á, ce amen e, na memó ia do público como um dos espec áculos mais bem conseguidos des a edição. Tendo po ema a mulhe e os á ios papéis que es a (in) olun a iamen e assume ao longo da ida, es e espec áculo oi ap esen ado po duas ac izes mui o compe en es — Yakelin Ye a e Gab iela Rami ez — com um jogo de cena dinâmico e exp essi o, al e nando en e pe sonagens com mui a luidez e na u alidade sem nunca con undi em o espec ado , apesa de nem semp e se possí el uma boa comp eensão do ex o. A ans o mação das ac izes nas á ias pe sonagens, a que dão co po e oz, oi habilmen e auxiliada pelo uso de ade eços que, ac escen ados aos igu inos, se alia am à ans igu ação da exp essão co po al e e bal po pa e das duas ac izes na c iação das no as igu as. A encenação e concepção plás ica do espec áculo oi da in ei a esponsabilidade de Julio Césa Ramí ez, que con e iu a odas as componen es do espec áculo um g ande impac o isual, coe ência c ia i a e p o issionalismo. Es e p imei o FITA me ece, sem dú ida, um balanço posi i o, não apenas pela quan idade, qualidade e di e sidade da sua p og amação, mas ambém pelas pessoas que o ize am e que se p epa am já pa a aze a Beja — e a ou as cidades do Alen ejo — uma segunda edição, que se á, ce amen e, p og amada com base nos c i é ios que de am o ma à edição de es eia: espei o pela c iação e pelo público. > In e no, de Jon Fosse, enc. Figuei a Cid, A B uxa Tea o, 2014 (Figuei a Cid e Ana Lei ão), o . Redliza d – P oduções Audio isuais. < Dinossau os, de San iago Se ano, enc. Guilhe me Reis, G upo Cena, 2014 (Mu ilo G ossi e Ca mem Mo e zsohn), o . Redliza d – P oduções Audio isuais. Eunice Tudela de Aze edo“A maio FITA que o Alen ejo já iu”