A influência dos traços de personalidade no burnout dos professores
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A docência é uma das profissões que apresenta níveis elevados de stress (Carlotto, 2002; Mota-Cardoso et al., 2000 ), podendo o stress crónico conduzir ao burnout. Nos últimos anos os professores têm vindo a experimentar uma grande pressão da sociedade para tentar corrigir problemas sociais, enquanto dotam os estudantes de conhecimentos académicos e cívicos (Moreno-Jimenez et al., 2002). São um grupo profissional a quem é exigido grande contacto com os outros para o desempenho da sua actividade laboral, sendo objecto de inúmeras pesquisas (Mallar, 2003; Marques-Pinto, 2000; Martins, 2008; Moreno-Jimenez et al., 2002) que tentam compreender e identificar factores stressantes, tanto de ordem institucional e social, como os advindos da própria natureza e exigências da função profissional. Bibliografia Nos estudos portugueses sobre burnout nos professores não foram encontradas referências à associação entre burnout e personalidade resistente segundo o conceito de Kobasa (1979), apesar de alguns países já terem efectuado investigações neste domínio. Consideramos que a personalidade resistente enquanto traço de personalidade poderá constituir um factor protector no stress provocado por razões laborais, diminuindo o aparecimento do burnout. Este estudo pretende conhecer, em professores, o nível de burnout e a presença do traço de personalidade resistente, colocando a hipótese de existir uma correlação negativa entre ambos, indicadora de que este traço de personalidade influencia o burnout. II II- -Objectivos Objectivos Tabela 1. Médias nas dimensões do burnout e da personalidade resistente IV IV- -Resultados Resultados e Conclusões e Conclusões Sofia Dias Sofia Dias1,2 1,2 & Cristina Queir & Cristina Queiró ós s1 1 1 Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto 2Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico de Viana do Castelo sofiadi[email protected] [email protected] I I- -Introdu Introduç ção ão A A influência influência dos dos Tra Traç ços os de de Personalidade Personalidade no no burnout burnout dos dos Professores Professores III III- -Metodologia Metodologia Participantes: 203 professores de escolas públicas da região norte de Portugal, com predomínio do sexo feminino (76%), casados ou em união de facto (70%), com filhos (62%), com uma idade média de 41.4 anos e uma média de anos de serviço de 16.5 anos. Cerca de 71% dos inquiridos pertenciam ao distrito do Porto, e em relação às habilitações literárias, cerca de 89% dos inquiridos referiram possuir licenciatura e somente 11% pós-graduação, sobretudo Mestrado. No que diz respeito à situação profissional, 70% apresenta vínculo definitivo (70%), com exclusividade (56%), e tem uma carga horária semanal de 35 horas (63%) e uma média semanal de 20 horas efectivas de aulas. Em relação ao ano de escolaridade leccionado, 48% dos inquiridos leccionava o 7º-9º ano, 25% leccionava o 5º-6º ano e apenas 10% leccionava o 10º-12º ano. Verificou-se que 41% dos sujeitos desempenhava outros cargos para além da docência, predominando a direcção de turma. Instrumentos: Questionário constituído por três grupos de questões: caracterização sócio-demográfica e profissional da amostra; avaliação da personalidade resistente através do Personal Views Survey (P.V.S) numa versão que adaptamos a partir de Moreno-Jimenez e colaboradores (2000) e de Mallar & Capitão (2004); e avaliação do burnout através do Maslach Burnout Inventory (M.B.I., de Maslach & Jackson, 1997) cedida por MarquesPinto (2009). Procedimento: Questionário anónimo, de auto-preenchimento, distribuído e recolhido no início do ano lectivo de 2009 (entre Setembro e Novembro), após autorização da Direcção das respectivas escolas. A amostra de professores inquiridos apresenta-se satisfeita e motivada para exercer o seu trabalho, sentindo-se realizada profissionalmente. Contudo, existe alguma insatisfação provocada pela falta de reconhecimento da profissão e do seu estatuto social, aspectos relacionadas com as sucessivas modificações no estatuto da carreira docente, e que se reflectem em menos tempo disponível para a família e lazer (devido ás exigências burocráticas das tarefas) e em mais dificuldades na gestão de comportamentos indisciplinados dos alunos. Apesar de estarem ainda no inicio do ano lectivo, estes professores apresentam-se já com alguma exaustão emocional, estando em rico de desenvolver burnout (Tabela 1). Os resultados apresentam algumas diferenças quando comparados com outros estudos com professores, nomeadamente mais exaustão emocional, menos despersonalização e maior presença de personalidade resistente. A correlação negativa encontrada entre burnout e personalidade resistente (Tabela 2) está de acordo com a literatura científica internacional. Verifica-se que quanto maior a personalidade resistente menor o burnout, a exaustão emocional e a despersonalização, e maior a realização pessoal. O compromisso, o controle e o desafio variam inversamente com o burnout, exaustão emocional e despersonalização, e correlacionam-se positivamente com a realização pessoal, embora o desafio não apresente um valor estatisticamente significativo. A existência de correlações negativas entre burnout e personalidade resistente confirma os resultados dos estudos de Mallar (2003), de Mallar e Capitão (2004) e de Vieira (2007), sugerindo que a personalidade resistente constitui um factor protector face a situações stressantes, como afirmam GilMonte e Peiró (1997), Moreno-Jimenez e colaboradores (2000), Kobasa (1979) e Sciacchitano e colaboradores (2001). Conclui-se que a existência de valores elevados no traço personalidade resistente constitui uma maisvalia individual, permitindo aos professores inquiridos gerir de forma mais adequada as fontes de stress resultantes da sua actividade laboral e estarem mais protegidos contra o burnout. Personalidade resistente Burnout Correlação Compromisso Controle Desafio Total da Personalidade Resistente Exaustão emocional R Pearson -,367 -,330 -,342 -,411 Sig. ,000** ,000** ,000** ,000** Despersonalização R Pearson -,319 -,278 -,277 -,346 Sig ,000** ,000** ,000** ,000** Realização pessoal R Pearson ,164 ,267 ,090 ,208 Sig ,019* ,000** ,201 ,003** Total do burnout R Pearson -,405 -,416 -,344 -,462 Sig ,000** ,000** ,000** ,000** Tabela 2 . Correlação entre burnout e personalidade resistente *p<0,050 **p<0,010 Estudo Dimensão Min – Max possível Média (D.P.) Mallar & Capitão (2004) Barends (2004) Vieira (2007) Exaustão Emocional 0 - 54 24,3 (12,6) 22,7 - 22,6 Despersonalização 0 - 30 3,1 (3,9) 5,2 - 13,7 Realização Pessoal 0 - 48 34,1 (8,0) 38,4 - 24,5 Total burnout 0 - 132 41,3 (17,7) - - 60,7 Compromisso 0 - 48 29,0 (4,2) 16,2 19,3 17,2 Controle 0 - 51 34,1 (4,5) 23,0 23,6 22,4 Desafio 0 - 51 32,6 (4,7) 25,4 27,4 26,5 Total personalidade resistente 0 - 150 95,7 (11,2) - 70,1 66,0 VII VII Simp Simpó ósio sio Nacional Nacional de de Investiga Investigaç ção ão em em Psicologia Psicologia Universidade do Minho, Braga, 4 Universidade do Minho, Braga, 4- -6 Fevereiro 2010 6 Fevereiro 2010 Carlotto, M.S. (2002). A síndrome de burnout e o trabalho docente. Psicologia em Estudo, 7 (1), 21-29.; Mallar, S.C. (2003). Burnout e hardiness: um estudo de validade de instrumentos em professores de alunos com necessidades especiais. Dissertação de Mestrado em Psicologia. São Paulo: Universidade São Francisco. Marques-Pinto, A. (2000). Burnout profissional em professores portugueses: representações sociais, incidência e preditores. Dissertação de Doutoramento em Psicologia. Lisboa: F.P.C.E.U.L.; Marques-Pinto, A. (2000). Burnout profissional em professores portugueses: representações sociais, incidência e preditores. Dissertação de Doutoramento em Psicologia. Lisboa: F.P.C.E.U.L. Moreno-Jimenez, B., Garrosa-Hernández, E., Galvez, M., González, J.L., & Benevides-Pereira, A.M. (2002). A avaliação do burnout em professores. Comparação de instrumentos: CBP-R e MBI-ED. Psicologia em Estudo, 7 (1), 11-19.; Mota-Cardoso, R., Araújo, A. Carreira Ramos, R., Gonçalves, G., & Ramos, M. (2000). O Stress nos Professores Portugueses – Estudo IPSSO2000. Porto: Porto Editora.; Martins, J. (2008). Burnout na profissão docente. Dissertação de Mestrado em Psicologia da Saúde. Porto: F.P.C.E.U.P.; Mallar, S.C., & Capitão, C.G. (2004). Burnout e hardiness: um estudo de evidência de validade. 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