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Um projeto de (re)conhecimento do território em Cabo Verde: o relatório do engenheiro António Carlos Andréis de 1780

Soares, Maria João

Abstract

À medida que se caminha no século XVIII o arquipélago de Cabo Verde encontrava-se um pouco entregue a si próprio, dado que as ligações políticas e económicas com o Reino se foram tornando cada vez mais escassas. Em Portugal não havia uma estratégia para o arquipélago no quadro atlântico em que as ilhas se tinham tornado marginais e meras fornecedoras de aguada e refresco para os navios estrangeiros que escalavam Cabo Verde e dominavam o comércio miúdo local, a maior parte das vezes, por contrabando. O poder tinha sido tomado de assalto pela elite local que dominava câmara, milícia, misericórdia e oficialato e aproveitava as frequentes interinidades dos governadores e dos ouvidores para se apoderar do poder soberano e, quando aqueles exerciam os seus mandatos manietavam o poder colonial através de uma estratégia deliberada de cisão da esfera de competências dos governadores e dos ouvidores ou do seu assassinato, quando ameaçavam a autonomia dos potentados locais. Nos círculos políticos do Reino pensava-se em alguns meios que as ilhas eram inúteis, que todos os gastos nelas seriam sempre sem préstimo mas que se deveriam manter «(…) porque nelas se conserva o nome de Deus e do Rei». O consultado pombalino teve ecos diretos em Cabo Verde não só com a ida de um sindicante com poderes alargados mas sobretudo com a «privatização» das ilhas às mãos da companhia do Grão-Pará e Maranhão, através da qual se procurava reintegrar Cabo Verde no eixo atlântico negreiro Guiné-Brasil como plataforma de fornecimento de panos de algodão à costa africana e de urzela aos mercados do norte da Europa. A sublevação da elite revoltosa foi solucionada com a «inconfidência cabo-verdiana» e os seus maiorais foram sentenciados ao patíbulo ou ao enforcamento em Lisboa pelo assassinato do ouvidor João Vieira de Andrade em 1762, sendo as suas cabeças expostas na vila da Praia para servir de exemplo. Contudo, o projeto pombalino não vingou em Cabo Verde com a falência da companhia do Grão-Pará e Maranhão e da empresa que lhe sucedeu e sobretudo com a fome geral de 1773-1775 que dizimou entre 25 a 40 % da população. Em Portugal, Cabo Verde afigurava-se depois desta calamidade como um território cujos recursos naturais e populacionais eram desconhecidos, não se recordando já o capital de conhecimentos acumulados nos séculos XVI e XVII. O governador Saldanha Lobo (1770-1776) foi encarregado de dirigir os trabalhos de um técnico altamente qualificado – o capitão-engenheiro António Carlos Andréis, que fora degredado para o arquipélago depois de participar nos trabalhos de reconstrução da baixa lisboeta. O objetivo desta comunicação será o questionário subjacente ao relatório de 1780 do engenheiro Andréis, bem como o teor do mesmo, tal como o projeto político-ideológico a que veio dar resposta.

Full text

ATAS DO COLÓQUIO INTERNACIONAL CABO VERDE E GUINÉ-BISSAU: PERCURSOS DO SABER E DA CIÊNCIA LISBOA, 21-23 de Junho de 2012 IICT - Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical e ISCSP-UTL - Ins i u o Supe io de Ciências Sociais e Polí icas da Uni e sidade Técnica de Lisboa __________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________ ISBN 978-989-742-004-7 ©Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, Lisboa, 2013 UM PROJETO DE (RE)CONHECIMENTO DO TERRITÓRIO EM CABO VERDE: O RELATÓRIO DO ENGENHEIRO ANTÓNIO CARLOS ANDRÉIS DE 1780 MARIA JOÃO SOARES Cen o de His ó ia, Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical ma iajoaosoa [email protected] Resumo À medida que se caminha no século XVIII o a quipélago de Cabo Ve de encon a a-se um pouco en egue a si p óp io, dado que as ligações polí icas e económicas com o Reino se o am o nando cada ez mais escassas. Em Po ugal não ha ia uma es a égia pa a o a quipélago no quad o a lân ico em que as ilhas se inham o nado ma ginais e me as o necedo as de aguada e e esco pa a os na ios es angei os que escala am Cabo Ve de e domina am o comé cio miúdo local, a maio pa e das ezes, po con abando. O pode inha sido omado de assal o pela eli e local que domina a câma a, milícia, mise icó dia e o iciala o e ap o ei a a as equen es in e inidades dos go e nado es e dos ou ido es pa a se apode a do pode sobe ano e, quando aqueles exe ciam os seus manda os manie a am o pode colonial a a és de uma es a égia delibe ada de cisão da es e a de compe ências dos go e nado es e dos ou ido es ou do seu assassina o, quando ameaça am a au onomia dos po en ados locais. Nos cí culos polí icos do Reino pensa a-se em alguns meios que as ilhas e am inú eis, que odos os gas os nelas se iam semp e sem p és imo mas que se de e iam man e «(…) po que nelas se conse a o nome de Deus e do Rei.», O consul ado pombalino e e ecos di e os em Cabo Ve de não só com a ida de um sindican e com pode es ala gados mas sob e udo com a «p i a ização» das ilhas» às mãos da companhia do G ão Pa á e Ma anhão, a a és da qual se p ocu a a ein eg a Cabo Ve de no eixo a lân ico neg ei o Guiné-B asil como pla a o ma de o necimen o de panos de algodão à cos a a icana e de u zela aos me cados do no e da Eu opa. A suble ação da eli e e ol osa oi solucionada com a «incon idência cabo e diana» e os seus maio ais o am sen enciados ao pa íbulo ou ao en o camen o em Lisboa pelo assassina o do ou ido João Viei a de and ade em 1762, sendo as suas cabeças expos as na ila da P aia pa a se i de exemplo. Con udo, o p oje o pombalino não ingou em Cabo Ve de com a alência da companhia do G ão Pa á e Ma anhão e da emp esa que lhe sucedeu e sob e udo com a ome ge al de 1773-1775 que dizimou en e 25 a 40 % da população. Em Po ugal, Cabo Ve de a igu a a-se depois des a calamidade como um e i ó io cujos ecu sos na u ais e populacionais e am desconhecidos, não se eco dando já o capi al de conhecimen os acumulados nos séculos XVI e XVII. O go e nado Saldanha Lobo (1770-1776) oi enca egue de di igi os abalhos de um écnico al amen e quali icado – o capi ão-engenhei o An ónio Ca los And éis que o a deg edado pa a o a quipélago depois de pa icipa nos abalhos de econs ução da baixa lisboe a. O obje i o des a comunicação se á o ques ioná io subjacen e ao ela ó io de 1780 do engenhei o And éis, bem como o eo do mesmo, al como o p oje o polí ico-ideológico a que eio da espos a. Pala as-cha e: Iluminismo, Conheicmen o do e i ó io e seus agen es, ag icul u a, pecuá ia, omes * A pa i da segunda me ade do século XVII, o egime esc a oc a a de Cabo Ve de conheceu uma deses u u ação p ecoce e acele ada, enquan o na ou a ma gem do A lân ico as sociedades esc a is as do B asil e An ilhas se mani es a am pujan es e em ciclo económico ascenden e. O censo populacional de 1731, mesmo com os limi es des e ins umen o de cômpu o pa a o século XVIII, é bem e elado do desabamen o ATAS DO COLÓQUIO INTERNACIONAL CABO VERDE E GUINÉ-BISSAU: PERCURSOS DO SABER E DA CIÊNCIA LISBOA, 21-23 de Junho de 2012 IICT - Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical e ISCSP-UTL - Ins i u o Supe io de Ciências Sociais e Polí icas da Uni e sidade Técnica de Lisboa __________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________ ISBN 978-989-742-004-7 ©Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, Lisboa, 2013 p ema u o do sis ema esc a is a cabo- e diano, uma ez que o mon an e de esc a os a inge o seu máximo na ilha do Fogo, ci ando-se num qua o da sua população 1 . A sociedade esc a oc a a de Cabo Ve de eme giu ainda em inais do século XV, com base na sua posição geo-es a égica de pla a o ma e en epos o pa a o comé cio neg ei o do Rios de Guiné e na concessão de la gos p i ilégios come ciais e iscais aos mo ado es einóis naquele espaço a icano, uma ez que só des a o ma se conseguiam a ai pa a po oa es a e a á ida e inóspi a 2 . A escassez de ecu sos na u ais e a impedi i a de uma economia ag á ia expo ado a, como ha ia sucedido nos a quipélagos da Madei a e Aço es. Além disso, a ilha de San iago e es ia unção de escala das emba cações que sulca am o a lân ico umo ao B asil e Índia e que aqui se ap o isiona am de água, man imen os, homens ou e ec ua am pequenas epa ações na ais. A ilha de San iago conhece ia um empo de o una de pouco mais de um século como cen o de eexpo ação de esc a os pa a a Península Ibé ica, ou os a quipélagos a lân ico e sob e udo Índias de Cas ela 3 . Con udo, o exclusi o come cial dos a mado es de San iago, cons uído com base em diplomas legisla i os e não em po encial económico cedo i ia se queb ado com a en ada em cena na 2.ª me ade do século XVI de no os e mais pode osos conco en es come ciais. F anceses, Ingleses e Holandeses passa am a abas ece -se nos me cados neg ei os dos Rios de Guiné, negociando di ec amen e com os o necedo es a icanos, con o nando a in e mediação dos a mado es insula es, cuja posição ac i a no a o decai p og essi amen e. Além disso, os no os modelos de o necimen o de esc a os as Amé icas a a és de con a os, a ema ados sis ema icamen e po c is ãos-no os po ugueses du an e a p imei a me ade do século XVII i iam da o golpe de mise icó dia no agenciamen o insula no á ico neg ei o 4 . A pa i da Res au ação de 1640, acassadas as en a i as de companhias come ciais nacionais pa a in e i no a o neg ei o nos Rios de Guiné, as ligações en e Cabo Ve de e o Reino o nam-se Cabo Ve de mais escassas e i egula es, ao mesmo empo que a p io idade que o B asil assumiu no con ex o a lân ico, conduzi am a uma queda de impo ância do a quipélago pa a a Co oa Po uguesa. 1 Ca ei a, An ónio (1984), “O p imei o censo da população das Ilhas de Cabo Ve de (1731)”, Re is a de His ó ia Económica e Social, n.º 13, pp. 51-66. 2 Sil a, An ónio Co eia e Sil a (1990), “Os undamen os do po oamen o de Cabo Ve de”, Oceanos, n.º 5, pp. 68-77. Do mesmo au o e (1989) A in luência do Al ân ico na o mação de Po os em Cabo Ve de, Lisboa, Cen o de Es udos de His ó ia e Ca og a ia An iga, sé ie Sepa a as Ve des, n.º 228. 3 To ão, Ma ia Manuel (1999), T á ico de Esc a os en e a Cos a da Guiné e a Amé ica Espanhola. A iculação dos Impé ios Ibé icos num Espaço A lân ico (1466-1595), Lisboa, Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, disse ação pa a e ei os de acesso à ca ego ia de in es igado auxilia , (polic.). 4 To ão. Ma ia Manuel (1995), “Ro as come ciais, agen es económicos, meios de pagamen o” in His ó ia Ge al de Cabo Ve de, coo d. de Ma ia Emília Madei a San os, ol. II, Lisboa, Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, pp. 17-124. ATAS DO COLÓQUIO INTERNACIONAL CABO VERDE E GUINÉ-BISSAU: PERCURSOS DO SABER E DA CIÊNCIA LISBOA, 21-23 de Junho de 2012 IICT - Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical e ISCSP-UTL - Ins i u o Supe io de Ciências Sociais e Polí icas da Uni e sidade Técnica de Lisboa __________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________ ISBN 978-989-742-004-7 ©Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, Lisboa, 2013 Pa adoxalmen e, no momen o em que se iniciou o a o ansa lân ico em la ga escala, as ilhas i am diminui as ligações egula es com as g andes o as a lân icas, es ando-lhes uma posição pe i é ica e ma ginal que ica a com as sob as daqueles luxos come ciais, limi ando-se a o nece aguada, e esco e o necimen o de pequenas quan idades de gado às emba cações eu opeias que escala am o a quipélago umo às suas colónias ame icanas. Es e comé cio miúdo, como oi designado po Ilídio Baleno, mui as ezes in o mal e sob a o ma de con abando, ai domina a economia ex e na de Cabo Ve de du an e odo o século XVIII, sendo os p incipais pa cei os come ciais os ingleses 5 . Cabo Ve de deixa a se pa e ac i a da es a égia impe ial a lân ica e as ilhas são p a icamen e abandonadas pela Co oa Po uguesa à sua so e, no p eciso momen o e, al ez na medida, em que o ciclo da g ande p odução açuca ei a a ingia a sua ma u idade e o su o au í e o do B asil despon a a. Em 1713, numa consul a do Conselho Ul ama ino sob e a in asão da ilha de San iago po co sá ios anceses no ano an e io , o p ocu ado da azenda p o e iu uma sen ença lapida que aduzia o que em ce os sec o es do eino se pensa a sob e Cabo Ve de. A i ma que odas as despesas nas es u u as de de esa se iam inú eis e que as ilhas só se de iam man e po que “(…) nelas se con e sa o nome de Deus e do Rei” 6 . Os esc a oc a as empob ecem d as icamen e e ans e em-se pa a a economia ag á ia, baseada na ag icul u a e pecuá ia ex ensi a, onde a única mais- alia signi ica i a esidia na p odução dos panos da e a de algodão, p odu o es a égico pa a o esga e nos Rios de Guiné, além da u zela e do sal 7 . En e an o, Pombal en ega a Cabo Ve de às mãos da companhia do G ão Pa á e Ma anhão, cujo exclusi o come cial i ia exau i ainda mais os já de si empob ecidos e a enen es locais, uma ez que es es são o çados a ende os seus ecu sos es a égicos – panos, u zela, esc a os e me ais p eciosos en esou ados a p eços mui o baixos em oca de me cado ias eu opeias sob e co adas 8 . A economia esc a oc a a icou em si uação de alência eminen e, si uação que se agudizou com os di e sos ciclos de omes e secas que se o na am mais eco en es no a quipélago desde meados do século XVIII, 5 Ilídio Baleno (2002),”Recon e são do comé cio ex e no em empo de c ise e o impac o da companhia do G ão Pa á e Ma anhão” in His ó ia Ge al de Cabo Ve de, coo d. de Ma ia Emília Madei a San os, ol. III, Lisboa, Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, pp. 157-233. 6 Consul a do Conselho Ul ama ino de 27 de Janei o de 1713 sob e a in asão de co sá ios anceses na ilha de San iago, AHU, Cabo Ve de, cx. 9, doc. 75. 7 Ca ei a, An ónio (1973), “A u zela e o pano de es i : dois p odu os de expo ação das ilhas de Cabo Ve de” Re is a do Cen o de Es udos de Cabo Ve de, sé ie Ciências Humanas. Vol. I, n.º 1,, pp. 3-35. Do mesmo au o e Pana ia Cabo- Ve diano- Guineense. Aspec os his ó icos e sócio-económicos, Lisboa, Jun a de In es igações do Ul ama . Amo im, Inês (2010), “Las islas de Cabo Ve de en la u a de la sal. La cons ucción de um complex economic de época mode na in Islas y sis emas de an egacóin du an e las edads media e mode na, ed. Adela Fáb egas Ga cía, G anada, Alhulia, pp. 359-411. 8 Ca ei a, An ónio (1983), As companhias pombalinas do G ão Pa á e Ma anhão e Pe nambuco e Pa aíba, Lisboa, ed. P esença. ATAS DO COLÓQUIO INTERNACIONAL CABO VERDE E GUINÉ-BISSAU: PERCURSOS DO SABER E DA CIÊNCIA LISBOA, 21-23 de Junho de 2012 IICT - Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical e ISCSP-UTL - Ins i u o Supe io de Ciências Sociais e Polí icas da Uni e sidade Técnica de Lisboa __________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________ ISBN 978-989-742-004-7 ©Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, Lisboa, 2013 endo o seu co olá io com a 1.ª ome ge al de Cabo Ve de en e 1773-1775 9 . Es a ome pa a além dos ele ados cus os humanos que se ci am en e 25 a mais de 40% de mo alidade, acele ou a deses u u ação da economia ag á ia insula , dado que os e a enen es se i am cons angidos a ende esc a os ao desba a o em oco de bens alimen a es ca os ou simplesmen e a abandoná-los, dado que não inham condições pa a os alimen a 10 . Uma pa e signi ica i a da mão-de-ob a esc a a oi al o iada ou simplesmen e la gada à sua so e, abandonando San iago e Fogo, ilhas do po oamen o p imi i o umo sob e udo às ilhas do Ba la en o onde busca am no as o mas de sob e i ência 11 . Só pe an e os ela os exc ucian es des a ome e da alência económica insula , a Co oa eage a diamen e a es e des ino de há mui o anunciado. O pode cen al, pela mão do sec e á io de Es ado da Ma inha e Ul ama Ma inho de Melo e Cas o decidiu pô em p á ica em 1780 um p ojec o já an e io men e discu ido no Conselho Ul ama ino de epo oa Cabo Ve de e ans o ma o a quipélago numa colónia ag ícola. Consis ia es e emp eendimen o em cus ea pela azenda eal o en io pa a as ilhas de 100 casais po ugueses deg edados, pelos quais se iam dis ibuídos 1000 esc a os a adqui i na Cos a da Guiné, e as, semen es e al aias ag ícolas, além de sus en o ga an ido po ês anos, bem como isenção do pagamen o de o os. T a a-se de um p ojec o ípico dos e o mismos pombalino e ma iano de e i alização económica ul ama ina e, pela p imei a ez em mais de ês séculos de his ó ia insula , o que se isa a como ac i idade económica basila e a a ag icul u a e não o comé cio ex e no. Con udo, es e p ojec o ca ecia de in o mações quan o à sua exequibilidade, pelo que Ma inho de Melo e Cas o enca egou o capi ão de in an a ia com exe cício de engenhei o An ónio Ca los And éis de da um pa ece sob e o mesmo, dado que de inha um la go cu ículo de sabe es sob e Cabo Ve de saídos da sua expe iência pessoal de ce ca de 13 anos de pe manência no a quipélago. An ónio Ca los And eis e a um p es igiado engenhei o mili a que se i a em Po ugal no isco de á ias o i icações e na econs ução da baixa pombalina em colabo ação com Eugénio dos San os. Em 1766 oi mandado se i em Cabo Ve de po 6 9 Sil a, An ónio Co eia e (1994), “Subsídios pa a a His ó ia Ge al de Cabo e de. As secas e as omes ns séculos XVII e XVIII”, S dia, n.º 53, pp. 365-382. 10 And eis a i mou que nunca se pode iam conhece os quan i a i os exac os da mo alidade causada pela ome de 1773-1775 pelo que apon ou uma media de alecimen o de 25 % pa a odas as ilhas, embo a econhecesse que a sua in ensidade i esse sido a iá el, consoan e as ilhas conside adas, sendo San iago a menos a ingida. Um ou o cômpu o da população que mo eu du an e a ome è ap esen ado po Seena Ba cellos, sem no en an o especi ica a sua o igem. Ve Ba cellos, Ch is iano José de Senna, (1905) Subsídios pa a a His ó ia de Cabo Ve de e Guiné, pa e III, Lisboa, Academia Real das Sciencias. 11 Sob e o segundo ciclo de po oamen o e Sil a, An ónio Co eia e (2002), “Dinâmicas de demposição e ecomposição de espaços e sociedades” in His ó ia Ge al de Cabo Ve de, coo d. de Ma ia Emília Madei a San os, Lisboa, Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, pp. 1-66, sob e udo as páginas 1-12. ATAS DO COLÓQUIO INTERNACIONAL CABO VERDE E GUINÉ-BISSAU: PERCURSOS DO SABER E DA CIÊNCIA LISBOA, 21-23 de Junho de 2012 IICT - Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical e ISCSP-UTL - Ins i u o Supe io de Ciências Sociais e Polí icas da Uni e sidade Técnica de Lisboa __________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________ ISBN 978-989-742-004-7 ©Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, Lisboa, 2013 anos, endo iniciado o seu labo nas ob as de cons ução da o aleza de Bissau em 1767 12 . De ido a desen endimen os que aí e e com o condu o de al emp esa, o sa gen o-mo Manuel Ge mano da Ma a, And eis oi mandado deg edado pa a Cabo Ve de, endo-lhe sido dada baixa do seu pos o mili a de capi ão de in an a ia com exe cício de engenhei o e eduzido à ca ego ia de soldado. A sua es adia coincidiu com o manda o do go e nado Joaquim Salema Saldanha Lobo (1770-1776) que decidiu ap o ei a o ele ado po encial p o issional de And eis, enca egando-o de aze uma expedição po odo o a quipélago, de endo elabo a mapas das ilhas, cidades e ilas de Cabo Ve de. Em 1771 iniciou o gi o das ilhas passando de San iago ao Fogo e des a ilha à B a a, ha endo no ícias de que es a a no ano seguin e na ilha do Maio e pos e io men e em San o An ão, endo o seu abalho nes a ilha sido elogiado pelo bispo D. F ei Ped o Jacin o Valen e que pa a aí ans e i a a sua mo ada. Há ambém no ícia da sua es adia na ilha de S. Nicolau. Em 1773, já inha concluído a sua expedição po odas as ilhas, al ando-lhe no en an o ape echos e in as pa a desenha as plan as e mapas. En e an o, And eis ol ou pa a San iago e acolheu-se à somb a do ou ido João Gomes Fe ei a, an agonis a de Saldanha Lobo, queb ando-se a elação p óxima que se es abelece a an e io men e en e o go e nado e o engenhei o mili a . En e as múl iplas a e as desempenhadas po And eis em Cabo Ve de, con am-se no as ob as na o i icação da ila da P aia, colabo ação nas ob as de bene iciamen o da sé ca ed al, esquisso pa a eabili ação do palácio episcopal que es a a a uinado, conse o da o aleza eal de S. Filipe e dema cação da es ada eal en e a cidade da Ribei a G ande e a ila da P aia. Te e licença pa a eg essa ao eino po o dem égia e a conselho de Ma inho Melo e Cas o e se á já em Lisboa que i á da o seu pa ece sob e o e e ido plano em 1780. Com base na sua i ência local de ce ca de 13 anos e no sabe acumulado em di e sas unções e nas expedições cien í icas que aí ealiza a, i á elabo a um ela ó io ci cuns anciado sob e a sociedade e economia ag á ias de Cabo Ve de, o que só pela na u eza des e objec o az des e documen o um e a o ino ado e e dadei amen e singula sob e o a quipélago 13 . Pa a esponde à ques ão de Ma inho de Melo e Cas o sob e se o a quipélago se pode ia ans o ma numa colónia ag ícola capaz de acolhe po oado es einóis e esc a os, And eis aça o p imei o e c emos que único ela ó io sob e a uma ag icul u a em egime opical saheliano com um olha ag onómico, is o é, um en oque que con empla o es udo dos solos, plan as e clima em conjun o e in e acção, com is a a alcança a melho p odução e p odu i idade com o meno cus o possí el, obse ando as condições na u ais 12 Sob e a cons ução da o aleza de Bissau a expensas da companhia do G ão Pa á e Ma anhão e Sa ai a, José Mendo da Cunha (1946), “A cons ução da o aleza de Bissau e a companhia do G ão Pa á e Ma anhão” in Cong esso Comemo a i o do V Cen ená io do Descob imen o da Guiné, Lisboa, pp. 157-191; San os, Nuno Valdez dos (1971), “As o alezas de Bissau, Bole im Cu u al da Guiné Po uguesa, n.º 103, pp. 481-519 e And ade, Be na dino An ónio Ál a es de (1990), Plan a de Bissau e suas adjacen es, ed. e no as de Damião Pe es, Lisboa, Academia Po uguesa da His ó ia, 2.ª ed.. 13 AHU, Cabo Ve de, cx 40, doc. 9. O ela ó io de An ónio Ca los And eis em acompanhado de uma abela que ep oduzimos em Quad o I. ATAS DO COLÓQUIO INTERNACIONAL CABO VERDE E GUINÉ-BISSAU: PERCURSOS DO SABER E DA CIÊNCIA LISBOA, 21-23 de Junho de 2012 IICT - Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical e ISCSP-UTL - Ins i u o Supe io de Ciências Sociais e Polí icas da Uni e sidade Técnica de Lisboa __________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________ ISBN 978-989-742-004-7 ©Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, Lisboa, 2013 locais 14 . Com is a a essa inalidade, And eis açou o p imei o quad o de zonas ag ícolas do a quipélago calculando em cada ilha a supe ície das e as de egadio, semen ei a e mon ado. Po pa adoxal que hoje possa pa ece , uma das ideias que And eis p ocu ou con a ia oi a noção que se inha no Reino ace ca de uma p e ensa abundância ag ícola das ilhas de Cabo Ve de “cuja ama de e ilidade excede udo o c iado nes e mundo depois do e al pa aizo”. Conside ou que as únicas e as e dadei amen e é eis e am as e as al as p óximas às mui as ibei as da ilha de San iago onde e am p oduzidos “(…) os u os das qua o pa es do mundo”, pelo que não se podia inco e no e o de oma a pa e pelo odo 15 . And eis açou um quad o e dadei amen e luxu ian e des es ales onde c esciam u os ão di e sos quan o os ananases, u as, papaias, caju, goiabas, ama indos, cid as, la anjas, limões maçãs, ma melos, nêspe as, e c., á o es e plan as di e si icadas como a cola da Guiné, calabacei a, iguei a-b a a, oli ei a, cibes, chabéus ou onde se cul i a a a oz, se bem que em pequenas quan idades. And eis passou em e is a odas as ilhas, começando pela que conside a a se a ilha com maio ocação ag ícola de odo o a quipélago, is o é, San iago 16 . Como ac o ecológico de e minan e, And eis conside ou a aca p ecipi ação, sua i egula dis ibuição no empo e no espaço, sua concen ação num cu o pe íodo do ano ou mesmo a sua ausência po di e sos anos conduzia a um p edomínio da paisagem á ida e semi-á ida incapaz pa a qualque cul u a ag ícola ou pecuá ia consis en es e sob e udo pa a a ag icul u a de egadio, eduzida a uma supe ície o al ín ima. Em ce ca de 13 anos de pe manência nas ilhas de Cabo Ve de, And eis a i mou só ha e p esenciado um ano com uma es ação de chu as abundan e. T açou assim o e a o de um egime de um egime ag ícola de al o isco e ele ada ulne abilidade alimen a . O engenhei o conside ou igualmen e que a di e sidade climá ica insula e a ambém p odu o da di e enciação dos ele os insula es que agiam nos ní eis de plu iosidade e humidade. Assim uma das p imei as di isões con empladas po And eis, além da segmen ação geog á ica adicional en e ilhas do So a en o e ilhas do Ba la en o oi a das ilhas com ele o ele ado e acen uado como San iago, Fogo, B a a, S. An ão e S. Nicolau e as ilhas baixas como Maio, Boa Vis a e Sal, a que co espondiam egimes ag ícolas dis in os. Con udo, além dos ac o es climá icos, exis iam ou os cons angimen os es u u ais na ag icul u a da ilha de San iago. Um dos mais signi ica i os e a o egime undiá io, dado que uma pa e signi ica i a da 14 Sob e a ex ensão do clima saheliano con inen al ao a quipélago de Cabo Ve de e Sil a, An ónio Co eia e (1996), His ó ias de um Sahel Insula , P aia, Spleen edições. 15 Sob e a di e ença de paisagens en e o início do po oamen o e a ac ualidade, o esgo amen o das e as po acção do homem e e en uais al e ações climá icas e Lingskog, Ped e Delai e, Benoi (1996), “Deg ading land: an En i onmen al His o y o he Cape Ve de Islands”, En i onmen and His o y, ol. II, n.º 3, pp. 271-290. 16 Ama al, Ilídio do (1964), San iago: A Te a e os Homens, Lisboa, Jun a de In es igações do Ul ama ; Ama al, Ilídio do (1974), Aspec os geomo ológicos da ilha do Fogo, Lisboa, Jun a de In es igações do Ul ama . ATAS DO COLÓQUIO INTERNACIONAL CABO VERDE E GUINÉ-BISSAU: PERCURSOS DO SABER E DA CIÊNCIA LISBOA, 21-23 de Junho de 2012 IICT - Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical e ISCSP-UTL - Ins i u o Supe io de Ciências Sociais e Polí icas da Uni e sidade Técnica de Lisboa __________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________ ISBN 978-989-742-004-7 ©Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, Lisboa, 2013 p op iedade, sob e udo a mais é il, se encon a a inculada a mo gadios e capelas, egime esse es ei amen e associado ao modelo de ep odução social a is oc á ico da eli e local. Dada a g ande ulne abilidade da ag icul u a em egime opical seco, os mo gados só cul i a am o es i amen e necessá io pa a sus en o das suas casas, a endando o es o a uma mul idão de a enda á ios mui o pob es aos quais impunham condições de a endamen o se e as. Nes as p op iedades a endadas, conhecidas localmen e como luga es, os endei os con a am ainda com a ameaça animal que pai a a sob e as suas cul u as, dado que um olume ap eciá el de co os, galinhas do ma o, macacos e a os ameaça am come g ande pa e das colhei as, pelo que aqueles e am ob igados a assis i quase inin e up amen e nas suas e as pa a debela al ameaça. And eis salien ou que du an e a sua pe manência em Cabo Ve de nenhuma p op iedade inculada ha ia agado pa a a Co oa. A única ans e ência de p op iedade que obse ou oi a de pequenos p op ie á ios que du an e a ome de 1773-1775 ende am boa pa e das suas p op iedades aos mais icos, aumen ando assim ainda mais a concen ação undiá ia. O modelo analí ico sob e o modo como se cons i uía a economia ag á ia ai se a ilha de San iago que conside ou ace adamen e se a ilha com maio ocação ag ícola. Aqui o que mais se plan a a nas ín imas supe ícies de egadio, nas e as al as dos ales das ibei as do maciço mon anhoso cen al e a a cana-de- açúca , conside ada localmen e como a cul u a ag ícola mais en á el, dado que e a ans o mada em agua dan e que inha g ande p ocu a no me cado in e no local, sendo ocada po ou os p odu os. Além de se uma cul u a mode adamen e exigen e em e mos de água, conseguia-se p oduzi açúca nas e as esgo adas pelo cul i o da mandioca. As e as mais i igadas pela densa ede hid og á ica de San iago e am ambém u ilizadas pa a plan io de mandioca, pa a sus en o dos esc a os, bem como u icul u a, ho icul u a, coquei os pa a madei amen os das casas e co das e pu guei as pa a iluminação 17 . Nas e as de sequei o, conhecidas localmen e po e as de semen ei a plan a a-se a milho, eijão e abóbo as que cons i uíam a base alimen a da população san iaguense 18 . No es o das e as de sequei o, conhecidas localmen e como e as de semen ei a, plan a a-se algodão, manu ac u a dos chamados “panos da e a” unciona a como moeda de oca nos me cados neg ei os dos Rios de Guiné. O algodão e a plan ado nas e as menos i igadas e é eis dos ales - as chamadas achadas - onde se encon a a esgua dado dos en os e de se comido pelo gado. 17 Rela i amen e à mandioca, And eis obse ou que e a de o igem ame icana e que inha de se p epa ada pa a ex acção da pa e enenosa, sendo comida assada ou cozida. 18 Ma ia Manuel To ão (1995), Die as alimen a es: ans e ências e adap ações nas ilhas de Cabo Ve de: 1460-1540, Lisboa, Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical. ATAS DO COLÓQUIO INTERNACIONAL CABO VERDE E GUINÉ-BISSAU: PERCURSOS DO SABER E DA CIÊNCIA LISBOA, 21-23 de Junho de 2012 IICT - Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical e ISCSP-UTL - Ins i u o Supe io de Ciências Sociais e Polí icas da Uni e sidade Técnica de Lisboa __________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________ ISBN 978-989-742-004-7 ©Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, Lisboa, 2013 Dado con udo a escassez do egime plu ial, em que mui as ezes não se p oduzia milho bas an e pa a ga an i a su iciência alimen a , as e as, sob e udo as de egime de sequei o e am ocupadas na c iação de gado acum e cap ino, dado que o lei e, o queijo e a man eiga inham g ande ele ância na alimen ação dos habi an es de San iago, pelo que deixa am incul as pa e das e as pa a mon ado, es a égia seguida sob e udo pelos pequenos p op ie á ios dispe sos pelas e as mais á idas. C ia a-se igualmen e gado ca ala , mua e o ino. O gado e a ou a ese a es a égica dos mo ado es de San iago, dado que endiam ca ne às emba cações es angei as que escala am as ilhas pa a abas ecimen o alimen a ou espécies i as u ilizadas como acção nas colónias ame icanas. Em San iago, a supe ície ocupada pelo mon ado a ingia ce ca de 2/3 da á ea global. And eis in e ogou-se sob e as al e na i as dos san iaguenses en e a c iação de gado e o plan io de algodão, conside ando que o p imei o nunca pode ia se sac i icado a es e géne o, dado não só o gado cons i uía uma ese a alimen a es a égica da população de San iago, como se se p oduzisse algodão em excesso se da ia luga a uma manu ac u a excessi a da pana ia de algodão, azendo desce os p eços nos me cados neg ei os dos Rios de Guiné e aumen ando o con abando. A p odução manu ac u ei a de panos da e a e a um dos un os da ag icul u a expo ado a de San iago e um p odu o de alo ac escen ado, pelo que se alia da impo ação de algodão em espécie da izinha ilha do Maio e da mais longínqua ilha de San o An ão. Rela i amen e à ilha do Fogo, And eis des acou que a supe ície dedicada à ag icul u a de egadio e a meno em p opo ção ela i amen e a San iago que de ido à cobe u a ulcânica de uma pa e signi ica i a dos solos, que de ido à meno capacidade híd ica das suas ibei as. Dado que os e enos ag ícolas não e am ão ele ados como em San iago, a sua e ilidade e a meno . En e as ac i idades ag ícolas da ilha do ulcão, And eis salien ou o p edomínio do cul i o de algodão, no qual os seus habi an es se ha iam especializado desde os inícios do po oamen o, ocupando a quase o alidade dos e enos de egadio. A ilha do Fogo e a não só a maio p odu o a de algodão em espécie como a melho p odu o a de manu ac u a de panos, o que se de ia, segundo And eis, ao ac o único no a quipélago de se em p oduzidos po mulhe es ecedei as. Dado que a ilha do Fogo ca ecia de po os acessí eis, os seus habi an es con abandea am o algodão a a és da B a a ou oca am-no pela agua den e p oduzida em San iago. No egadio, e a cul i ada alguma u icul u a, nomeadamen e melancias, papaias, bananei as, goiabas e ananases, enquan o o sequei o e a dominado pelas cul u as anuais do milho e do eijão, embo a em meno es quan idades que em San iago. Também a ac i idade pecuá ia e a meno que em San iago, a ul ando sob e udo o gado acum e o gado cab um. ATAS DO COLÓQUIO INTERNACIONAL CABO VERDE E GUINÉ-BISSAU: PERCURSOS DO SABER E DA CIÊNCIA LISBOA, 21-23 de Junho de 2012 IICT - Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical e ISCSP-UTL - Ins i u o Supe io de Ciências Sociais e Polí icas da Uni e sidade Técnica de Lisboa __________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________ ISBN 978-989-742-004-7 ©Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, Lisboa, 2013 Rela i amen e à ilha B a a, And eis des acou que o ele o ele ado e o mado em socalcos p opicia a a i igação de uma supe ície eduzida de e as, emp egues na cul u a da inha, mandioca, alguma u icul u a e ag icul u a, além de algodão nas e as mais baixas jun o ao ma . A ilha B a a ambém possuía alguma pecuá ia ex ensi a, pelo que e a mui o equen ada po es angei os que aí se bas eciam de gado nos po os da Fu na, Fajã de Água e Fe ei os. Já nos Ba la en o, a ilha de San o An ão pa ilha a com a B a a, o emp ego da supe ície de egadio no cul i o da inha. And eis des acou que a má qualidade das e as impedia o cul i o da mandioca, além de e uma p odução de milho insu icien e pa a as necessidades alimen a es da sua população. Os ecu sos em que San o An ão se e ela a mais a o á el e am a u zela, cujo olume de ecolecção e a o maio de odas as ilhas e os d agoei os. Nes a ilha, And eis des acou a di isão do abalho po géne o, obse ando que as mulhe es se dedica am à pesca e ca egamen o da lenha, enquan o os homens se dedica am à ag icul u a. O pescado e a u ilizado pa a conse as. Um das pa icula es que a ilha de San o An ão e es ia no en ende de And eis e am os ele ados iscos de abalho e os inúme os aciden es mo ais. Na pesca, apanho de u zela e cap u a de cab as b a as, os homens a en u a am-se po p ecipícios e ochas mui o esca padas, de que esul a am mui as mo es po queda, pelo que And éis conside a a que os eu opeus se iam inap os pa a ão ipo de a e as. A supe ície de sequei o e a u ilizada pa a cul i o do milho, eijão e abóbo as. O mon ado ocupa a g ande pa e da supe ície da ilha, mas a sua qualidade e a ão má que não pe mi ia a alimen ação de gado acum, mas apenas de gado cap ino b a o. Tal como em San o An ão, em S. Nicolau, o egadio e a emp egue no cul i o na inha e subsidia iamen e em algodão. Con udo, dado que a á ea do cul i o de algodão não se encon a a sepa ada das pas agens, exis iam ele ados iscos de se comido pelo gado. Apenas nos sí ios de Juncalinhos e Figuei inhas, o cul i o do algodão es a a p o egido da acção p edado a do gado. Possuía boa c iação de gado ca ala , mua , suíno, galinhas mansas e b a as de que os ingleses e am os p incipais comp ado es a a és dos po os da P eguiça, Velho, Inglês, Palha do Inglês e Ta a al. Quan o à ilha da Boa is a, dado que se a a a de um ele o com al i udes mui o baixas quase oda a supe ície da ilha e a emp egue em mon ado, dominando o gado acum e cab um. O egime de en os dominan e aço ea a e cob ia de a eia as poucas ibei as exis en es, impedindo qualque ipo de ac i idade ag ícola, mesmo que de subsis ência. Na ilha do Maio domina a o mesmo ipo de paisagem ag á ia e à excepção de uma á ea diminu a na Ribei a de San o An ónio dedica ao cul i o de algodão, mandioca e bananei as, odos os e enos e am emp egues