Otimização da remoção de photoresists no processo e WLB na indústria de semicondutores
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OTIMIZAÇÃO DA REMOÇÃO DE PHOTORESISTS NO PROCESSO eWLB NA INDÚSTRIA DE SEMICONDUTORES DIANA ESPERANÇA VIRGÍLIO CARDOSO Dissertação realizada no âmbito do Mestrado Integrado em Engenharia Metalúrgica e de Materiais Orientador: Professor Doutor José Carlos Magalhães Duque da Fonseca Orientador na empresa: Dr.ª Elsa Pereira Julho 2014
i CANDIDATO Diana Esperança Virgílio Cardoso Código 200906561 TÍTULO Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores DATA 25 de Julho de 2014 – 15h30 LOCAL Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto - Sala F103 JÚRI Presidente Professor Doutor Fernando Jorge Mendes Monteiro DEMM/FEUP Arguente Professor Doutor Sérgio Dinis Teixeira de Sousa DPS/EEUM Orientador Professor Doutor Sérgio Dinis Teixeira de Sousa DEMM/FEUP
ii RESUMO O foco da dissertação incidiu na otimização do processo de remoção de photoresists na NANIUM, através do estudo dos parâmetros de processo de wet etching. Foram ainda estudadas duas soluções alternativas à solução atualmente utilizada em wet etching, também com vista à redução de custos deste processo. Ambas as soluções alternativas testadas foram desconsideradas no fim do estudo realizado, por não irem de encontro ao objetivo proposto, uma por não demonstrar eficácia no processo e outra por não conceder a redução de custos desejada. O estudo dos parâmetros de processo de stripping permitiu definir processos otimizados que representam uma redução de custos entre 49 a 60 %. Os testes realizados a estes novos processos demonstram resultados positivos. O trabalho futuro a realizar consistirá na avaliação dos resultados dos testes realizados para avaliação de possíveis falhas. Caso não se verifique um aumento de falhas em relação ao processo de referência será realizada uma experiência de confirmação em produção e posterior implementação do processo otimizado. Palavras-chave: Stripping, Wet etching, Otimização de processo
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iv ABSTRACT This thesis focused on the optimization of photoresists etching at NANIUM, through the study of wet etching process parameters. Two etchants were also studied as an alternative for the current etchant, as an additional solution for cost reduction within this process. Both alternative etchant were disregarded at the end of this study, since they did not fill the initial objective, either by not being an effective etchant or by not providing the needed cost reduction. The study regarding the process parameters enabled setting optimized stripping procedures which represent a cost reduction between 49 to 60 %. Tests performed with these new procedures reveal positive results. Future work to be carried out will consist in evaluating the tests results for the evaluation of potential failures. If these tests do not show an increased number of failures when comparing to the standard process then it will be carried a confirmation experiment in production and subsequent implementation of the optimized process. Keywords: Stripping, Wet etching, Process optimization
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vi AGRADECIMENTOS Agradeço ao Professor Doutor José Carlos Fonseca pelo apoio cedido durante este trabalho. A todas as pessoas na NANIUM que contribuíram para a concretização deste trabalho. À minha orientadora, Elsa Pereira, e à Cláudia Heitor, por todo o apoio, paciência e disponibilidade cedidos. A todos os engenheiros da NANIUM que de alguma forma me deram a formação necessária para a realização deste trabalho. Aos técnicos da área de wet pelo apoio durante as experiências na linha de produção. Por fim, aos meus colegas da NANIUM, em particular à Raquel Pinto e à Ana Santos pelo companheirismo e apoio moral. À Marta Santos por toda a disponibilidade. A todos os meus colegas e amigos que fiz no MIEMM, por todo o companheirismo demonstrado nestes últimos 5 anos. Um sincero obrigado por tornarem estes últimos anos muito mais do que uma formação académica. Agradeço à FEUP, nomeadamente ao DEMM e aos seus docentes, por todo o apoio e disponibilidade aos estudantes do MIEMM, que tantas vezes falha no ensino superior. A todos os meus amigos que direta ou indiretamente me ajudaram durante este período. Em especial, àqueles que a distância me impede de ver mais vezes. Ao Vasco, que desde o primeiro dia me incentivou e apoiou incondicionalmente. Aos meus irmãos, por toda a cumplicidade e por serem os maiores responsáveis pelo meu crescimento pessoal. Por fim, agradeço aos meus pais, por todos os sacrifícios que fizeram para que eu pudesse atingir os meus objetivos pessoais e profissionais. E por, mesmo longe, conseguirem estar sempre comigo.
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viii ÍNDICE Lista de figuras ............................................................................................... x Lista de tabelas ............................................................................................ xiv Lista de acrónimos ......................................................................................... xvi Glossário .................................................................................................. xviii 1. Introdução ................................................................................................. 1 2. Apresentação da NANIUM ................................................................................ 5 3. Tecnologia eWLB – embebbed Wafer Level Packaging .............................................. 7 3.1. Processo eWLB da NANIUM ......................................................................... 8 3.2. Principais processos da etapa de redistribuição .............................................. 14 3.2.1. Litografia ...................................................................................... 14 3.2.2. Deposição por pulverização catódica ...................................................... 16 3.2.3. Eletrodeposição .............................................................................. 17 4. Etching ................................................................................................... 18 4.1. Dry Etching ......................................................................................... 20 4.2. Wet etching ........................................................................................ 21 4.2.1. Wet etching em metais ...................................................................... 22 4.2.2. Wet etching em polímeros .................................................................. 22 4.2.2.1. Strippers utilizados na indústria dos semicondutores ............................. 23 5. Materiais e Métodos .................................................................................... 24 5.1. Localização da etapa de wet etching no processo eWLB .................................... 24 5.2. Materiais utilizados ............................................................................... 25 5.2.1. Photoresists ................................................................................... 25 5.2.2. Strippers ....................................................................................... 26
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xvi LISTA DE ACRÓNIMOS ANOVA Analysis Of Variance (Análise de variâncias) ATR Attenuated Total Reflection BS Blank Silicon eWLB Embedded Wafer Level Ball Grid Array FMEA Failure Modes and Effects Analysis (Análise modal de falhas e efeitos) FOWLP Fan-Out Wafer Level Package FTIR Fourier Transform Infrared Spectroscopy (Espectroscopia de infravermelho com transformada de Fourier) IC Integrated Circuit (Circuito Integrado) I/O Inputs/Outputs (Entradas/Saídas) KOH Hidróxido de sódio MC Mold Compound NMP N-metil-2-pirrolidona OSAT Outsourced Semiconductor Assembly and Test PCB Printed Circuit Board (Placa do circuito impresso) PGMEA Propylene Glycol Monomethyl Ether Acetate (1-metoxi–2-propril acetato) PVD Physical Vapour Deposition (Deposição física por vapor) RIE Reactive Ion Etching UV Ultravioleta WLP Wafer Level Packaging
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xviii GLOSSÁRIO Back-end Processo que engloba o dicing da wafer em chips individuais, o packaging e os testes dos circuitos integrados criados. Ver dicing, wafer, packaging, circuito integrado. Circuito Integrado Circuito elétrico avançado de pequenas dimensões (na ordem dos milímetros), composto por diferentes componentes eletrónicos tais como transístores, resistências, condensadores e díodos. Frequentemente denominado de chip ou microchip. Crosslinking Ligações químicas cruzadas entre diferentes cadeias de polímeros. Developer (litografia) Solução utilizada em litografia com função de remover (revelar) o photoresist. Ver litografia, revelação, photoresist. Dicing Processo de corte que permite a individualização da wafer em dies. Ver wafer, die, singularização. Die Pequenos blocos individuais de uma wafer, individualizados através do processo de dicing. Um ou mais dies dão origem a um circuito integrado. Ver wafer, dicing, circuito integrado. Dielétrico (litografia) Photoresist que atua como isolante elétrico. Ver litografia, photoresist.
xix Dry etching Processo de remoção de material que utiliza um gás ou plasma como etchant. Ver etching, etchant, wet etching. Eletrodeposição Processo de revestimento em que um metal é depositado na superfície de materiais condutores. O mesmo que plating. Etchant Agente promotor da remoção seletiva de material durante o processo de etching. Pode consistir num líquido, num gás ou num plasma. Ver etching, dry etching, wet etching. Etching Processo seletivo de remoção de materiais, usualmente divido em wet etching e dry etching. Ver etchant, dry etching, wet etching. Etching anisotrópico Processo de etching no qual a taxa de remoção de material difere de acordo com a direção. Ver etching. Etching isotrópico Processo de etching no qual a taxa de remoção se mantém constante em todas as direções. Ver etching. Etch rate Taxa de remoção de material, promovida por um determinado etchant, durante o processo de etching. Ver etching, etchant. eWLB (Embedded Wafer Level Ball Grid Array) Tecnologia de packaging eletrónico. Ver packaging.
xx Front-end Processo de fabrico dos circuitos integrados, sobre uma wafer, a partir de uma wafer “limpa”. Os processos de dicing e packaging dos circuitos integrados não são incluídos no processo de front-end. Ver back-end, wafer, circuito integrado, dicing, packaging. Leakage Perda não intencional de corrente elétrica entre diferentes estruturas do chip. Ver circuito integrado. Litografia Processo usado na microfabricação de padrões de filmes finos. É utilizada uma luz para transferir um padrão geométrico num polímero sensível à luz. Uma série de tratamentos químicos posteriores revelam o padrão desenhado, permitindo depois a deposição de um novo material apenas nas zonas desejadas. Também denominado por fotolitografia. Máscara (etching) Material depositado sobre o material a remover, que define as zonas onde deverá ocorrer o etching. Ver etching. Máscara (litografia) Estrutura da dimensão de uma wafer, que contém o padrão a transferir para o photoresist, durante o processo de litografia. Ver wafer, photoresist, litografia. Mold compound Polímero utilizado no packaging dos chips. Ver packaging, circuito integrado. Overetching Execução do processo de etching durante mais tempo que o necessário. Ver etching. Package Estrutura física, tipicamente constituída por polímeros, que protege o chip de danos físicos e corrosão, mantendo as suas propriedades térmicas e elétricas. O package é obtido através do processo de packaging. Ver circuito integrado, packaging.
xxi Packaging Processo de empacotamento dos chips. Ver circuito integrado, package Photoresist Resina fotossensível (sensível à luz), tipicamente de natureza orgânica, utilizada no processo de litografia. Frequentemente denominado apenas por resist. Ver litografia. Pick & place Processo de agarrar um objeto num determinado local e colocá-lo noutro local. Este é usualmente um processo automatizado realizado por um braço robótico. Plasma Gás ionizado em cujas concentrações de partículas carregadas com carga positiva e negativa são aproximadamente iguais. Considerado o quarto estado físico da matéria. Pulverização catódica Método de deposição de filmes finos, que envolve a remoção de um material do alvo e a sua deposição num substrato. O mesmo que sputtering. Retículo Estrutura de dimensão inferior a uma wafer, com parte do padrão a transferir para o photoresist durante o processo de litografia. Ver wafer, photoresist, litografia. Revelação (litografia) Processo de remoção do photoresist exposto, através de uma solução denominada por developer. Ver litografia, photoresist, developer. Salas limpas Sala com um ambiente controlado utilizada para a manufatura dos semicondutores. Este tipo de sala é desenhada para possuir um reduzido número de partículas no ar, evitando assim a falha dos componentes eletrónicos por contaminação por partículas. O mesmo que cleanroom.
xxii Seed layer Um ou mais filmes finos de materiais metálicos que tem como função ser o substrato para as ligações cobre a serem construídas posteriormente por eletrodeposição. Seletividade (etching) Taxa de remoção (etch rate) do material a remover em relação ao etch rate dos restantes materiais utilizados no chip, para um determinado etchant. Ver etching, etch rate, circuito integrado, etchant. Singularização Individualização da wafer em chips, através do processo de dicing. Ver wafer, circuito integrado, dicing. Soft-baking (litografia) Tratamento térmico de cura a baixa temperatura do photoresist utilizado durante o processo de litografia. Ver litografia, photoresist. Spin coating Técnica para a obtenção de camadas finas e uniformes em substratos planos. Consiste na rotação de uma wafer a grande velocidade durante e deposição de uma determinada quantidade de material sobre o substrato. Stripping Processo de remoção do photoresists através de etching. Ver etching, photoresist, Stripper. Stripper Agente promotor da remoção seletiva de photoresists durante o processo de stripping. Ver stripping, photoresist. Strip rate Taxa de remoção de photoresist, promovida por um determinado stripper, durante o processo de stripping. Ver stripping, stripper.
xxiii Substrato Material físico sobre o qual um determinado processo ou etapa do processo está a ser realizada. Teratogénico Substância que produz malformações a um ser vivo durante o estágio embrionário ou fetal. Underetching Distância entre a extremidade da máscara utilizada em etching e a extremidade do material removido debaixo da máscara. O mesmo que undercutting. Ver etching, máscara (etching). Wafer Fina fatia de material semiconductor monocristalino, tipicamente silício, na qual os circuitos integrados são construídos. Ver circuitos integrados Wafer-Level Packaging Processo de packaging definido por originar packages com uma área inferior a 120 % da área do die nele contido e pelo packaging ser produzido sobre a wafer antes de ocorrer o dicing da mesma. Ver packaging, package, dicing, wafer. Wet etching Processo de remoção de material que utiliza um líquido como etchant. Ver etching, etchant, dry etching. Yield Percentagem de chips conformes obtidos após um processo, etapa de processo, inspeção ou teste.
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 1 1. INTRODUÇÃO A sociedade atual encontra-se dependente de pequenos componentes de microeletrónica, denominados por circuitos integrados (ICs, do inglês Integrated Circuits). Os circuitos integrados encontram-se em praticamente todos os tipos de aplicações eletrónicas: nos computadores, telemóveis, eletrodomésticos, equipamento médico, na indústria da manufatura ou em automóveis [1-5]. Um circuito integrado (figura 1), frequentemente denominado de chip ou microchip, consiste num circuito elétrico avançado, composto por diferentes componentes eletrónicos, tais como transístores, resistências, condensadores e díodos. As diferentes configurações destes componentes essenciais permitem a construção de ICs com diferentes funções [2, 6, 7]. Figura 1 - Diferentes ICs sobre um circuito impresso [8]. De acordo com a lei de Moore, o número de transístores num chip duplica a cada dois anos, de modo a aumentar a performance e funcionalidade dos chips. Como resultado, o tamanho dos componentes eletrónicos num IC diminuem de tamanho, sendo que hoje em dia são produzidos ICs contendo transístores na ordem dos 20 nm de tamanho [4, 9, 10]. Desta forma, o processo de manufatura dos ICs tem de lidar com elementos de dimensão muito reduzida e qualquer defeito ou contaminante é crítico para o bom funcionamento do chip. Por estas razões os chips são produzidos em salas limpas (do inglês cleanroom), as quais possuem
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 8 ligações elétricas criadas. No fim deste processo procede-se à singularização dos dies da wafer reconstruída, obtendo-se por fim pequenos chips protegidos pelo packaging eletrónico [16, 37]. 3.1. PROCESSO eWLB DA NANIUM A NANIUM produz vários tipos de wafer-level packaging (WLP), sendo uma das principais produtoras mundiais de eWLB. O processo eWLB está dividido, sumariamente, em 4 áreas distintas: preparação da wafer, reconstituição, redistribuição e ligação das bolas de solda com posterior singularização (figura 7) [16, 37]. Figura 7 - Diferentes etapas do processo de produção eWLB [37]. As wafers provenientes do front-end são recebidas na área de preparação da wafer. O processo eWLB é iniciado com o desbaste da zona não ativa da wafer, de modo a reduzir a sua espessura. A wafer é então colocada sobre um suporte (adesivo) e submetida ao dicing, que individualiza a wafer em diversos dies [16, 37]. Nesta altura as wafers entram na zona de reconstituição. Os dies que sejam reconhecidos como estando em boas condições são colocados, por pick & place, num suporte metálico previamente revestido com um adesivo (figura 8). Os dies são colocados com a parte ativa para baixo e com um determinado espaçamento entre si, o qual dará origem à área extra para I/O, típica da tecnologia FOWLP. Este conjunto é curado, de modo a promover a adesão dos dies ao adesivo [16, 37]. Preparação da wafer Reconstituição Redistribuição Ligação das bolas de solda e singularização
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 9 Figura 8 – Os dies provenientes da wafer de front-end (à esquerda) são colocados num suporte metálico previamente revestido com um adesivo (a meio), com um determinado espaçamento entre si (à direita) [37]. De seguida procede-se à moldagem da wafer, no qual o MC é vertido sobre os dies aderidos ao suporte metálico. O MC é forçado a espalhar-se por toda a área do suporte metálico através de compressão e vácuo, garantido que todos os dies são cobertos pelo polímero. Durante esta prensagem o MC sofre uma pré-cura, que é posteriormente concluída num forno. Quando arrefecido, o adesivo e o suporte metálico são removidos, obtendo-se assim uma wafer reconstruída, em que os dies de silício se encontram embebidos no MC (figura 9) [16, 37]. Figura 9 – Sobre os dies aderidos ao suporte metálico (à esquerda) é vertido o MC (a meio), que após compressão, vácuo e cura dará origem à wafer reconstruída (à direita) [37]. A próxima etapa é a redistribuição, que consiste na construção de vias de distribuição, que asseguram a ligação do die ao exterior através das bolas de solda. Esta fase é constituída por três processos base: a litografia, a deposição por pulverização catódica e a eletrodeposição (ver secção 3.2). A etapa da redistribuição é iniciada com tratamentos de plasma, que removem possíveis resíduos que dificultam a adesão e o contacto entre a wafer reconstruída e os materiais que serão depositados nos passos seguintes [16, 37]. Seguidamente é depositada a primeira camada de dielétrico sobre a parte ativa da wafer moldada, através de spin coating. Nesta técnica, uma porção de material líquido, dielétrico e
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 10 fotossensível, é colocado no centro da superfície da wafer. A wafer é então rotacionada e a força centrífuga provoca o espalhamento do líquido por toda a superfície (figura 10) [16, 37]. Figura 10 – Esquema do método de spin coating [37]. O dielétrico é então submetido ao processo de litografia, onde é exposto a uma luz ultravioleta (UV) que alterará as suas propriedades. A configuração da estrutura elétrica é obtida através de uma máscara alinhada com a wafer, que permite expor o dielétrico apenas em áreas bem definidas. Estas áreas expostas são removidas posteriormente por um processo denominado por revelação. Nesta altura, a wafer é submetida a mais um processo de cura, para aumentar a robustez do dielétrico que permanece sobre o die [16, 37]. O padrão desenhado pela máscara utilizada em litografia garante a exposição dos contactos de alumínio do die de silício. Seguidamente é depositada por pulverização catódica a seed layer - uma dupla camada de titânio e cobre. O titânio da seed layer tem como função evitar a migração de átomos de cobre no alumínio, o que levaria a que não houvesse condução elétrica entre o die e o exterior. A seed layer garante então que existe uma superfície condutora para a eletrodeposição de cobre, permitindo a posterior adesão das bolas de solda [16, 37]. Uma vez depositada a seed layer é realizado um novo passo de litografia que tem como função deixar expostas as áreas de seed layer onde será eletrodepositada uma camada de cobre. A eletrodeposição de cobre desenha as vias de distribuição entre os contactos de alumínio e as
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 11 bolas de solda a serem colocadas. No fim desta etapa procede-se à remoção, por wet etching, do photoresist (frequentemente denominado apenas por resist) dito de sacrifício, já que este tem apenas como função definir as zonas de eletrodeposição de cobre. Recorrendo também ao wet etching remove-se toda a camada de seed layer em excesso, que ficou exposta após remoção do photoresist. Após o processo de wet etching a seed layer permanecerá apenas nas zonas onde o cobre foi eletrodepositado, como mostra a figura 11 [16, 37]. A etapa de redistribuição termina com a deposição da segunda camada de dielétrico, de novo através de litografia. Desta vez as zonas expostas exibirão os contactos de cobre onde as bolas de solda irão ser depositadas. Toda a restante área encontrar-se-á isolada com o material dielétrico não exposto [16, 37]. Figura 11 – Pormenor de uma wafer reconstruída após eletrodeposição e wet etching [37]. Por último, as wafers são submetidas à última etapa do processo, a de ligação de bolas de solda com posterior singularização. As bolas de solda têm como função fazer a ligação elétrica entre o interior (die de silício) e o exterior do circuito integrado [16, 37]. Neste procedimento é colocado um fluxo pastoso sobre as pequenas aberturas da segunda camada de dielétrico, o qual é constituído por ácido fórmico e um granulado de estanho, prata e cobre. Estes são os metais constituintes das bolas de solda pelo que a deposição deste fluxo, termicamente ativado, vai permitir uma boa ligação das bolas de solda aos contactos de cobre. As bolas de solda são colocadas sobre o fluxo e a wafer é submetida a um
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 12 ciclo térmico que atinge a temperatura de ativação do fluxo, dando-se nesta altura a soldadura das bolas de solda ao cobre (figura 12). Para finalizar o processo, as wafers são singularizadas e marcadas a laser com o código do respetivo produto [16, 37]. (a) (b) Figura 12 – Dies do processo eWLB após a soldadura das bolas de solda: (a) vários dies na wafer reconstruída (b) um die em pormenor [37]. A figura 13 esquematiza os passos do processo de eWLB acima descritos. Todo o processo de eWLB tem a ele associado metodologias de metrologia e testes de desempenho que garantem a qualidade do produto produzido [37].
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 13 1. Dicing da wafer de silício. 2. Ligação do adesivo ao suporte metálico. 3. Posicionamento dos dies de silício no suporte, por pick & place. 4. Moldagem da wafer. 5. Remoção do suporte metálico. 6. Deposição da primeira camada de dielétrico através de spin coating. 7. Exposição e revelação do dielétrico, mantendo os contactos de alumínio expostos através de litografia. 8. Deposição da seed layer (titânio e cobre) através de pulverização catódica. 9. Deposição, exposição e revelação do photoresist (através de litografia), mantendo expostas as zonas onde será depositado as vias de cobre. 10. Eletrodeposição do cobre. 11. Remoção do material photoresist e do excesso de seed layer, através de wet etching. 12. Deposição, exposição e revelação da segunda camada de dielétrico (por litografia), mantendo expostas as zonas de ligação das bolas de solda. 13. Soldadura das bolas de solda. Figura 13 – Esquema dos passos do processo de eWLB da NANIUM [16].
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 14 3.2. PRINCIPAIS PROCESSOS DA ETAPA DE REDISTRIBUIÇÃO 3.2.1. LITOGRAFIA Litografia é o processo que permite, no packaging de ICs, a transferência de um determinado padrão para um substrato depositado sobre a wafer. Este substrato, de origem polimérica, é denominado de photoresist e é fotossensível a uma determinada fonte de luz, tipicamente radiação UV [4, 5, 38-40]. O padrão desejado é desenhado numa máscara, ou em retículos, através da definição de áreas que são seletivamente transparentes ou opacas ao comprimento de onda utilizado no processo litográfico. A litografia é uma etapa crítica na indústria dos semicondutores, já que é a resolução deste processo que define qual a dimensão mínima possível de obter nos diferentes componentes do IC, permitindo assim o aumento da complexidade e redução do tamanho dos chips [4, 5, 38, 39]. Resumidamente existem quatro passos associados (figura 14) ao processo de litografia: i. O photoresist é depositado uniformemente sobre a wafer através de spin coating; ii. O padrão, existente numa máscara, ou apenas parte desta (retículos), é alinhado com a wafer; iii. Uma fonte de luz, com um comprimento de onda apropriado, é utilizada para expor o photoresist; iv. A wafer é colocada em contacto com uma solução denominada por developer, que tem como função remover (revelar) algumas zonas do photoresist, definidas pelo padrão utilizado no passo (ii) [38, 39] Os photoresist são usualmente divididos em positivo e negativo, dependendo do modo como estes materiais se comportam durante o passo de revelação. Se o photoresist exposto muda quimicamente de modo a ser dissolvido pelo developer, então é denominado de photoresist positivo. Por outro lado, se o photoresist se torna mais estável com a exposição ao UV, então não é dissolvido pelo developer e é denominado por photoresist negativo. Desta forma, ao usar um photoresist positivo, teremos uma imagem positiva do padrão utilizado e o oposto acontece com um photoresist negativo. Os photoresists positivos são mais adequados para transferência de padrões com alta resolução e são tipicamente utilizados em sistemas que utilizam os UV como fonte de luz [4, 5, 38, 40].
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 15 Figura 14 – Passos do processo de litografia (excluindo o alinhamento do padrão) [38]. A uniformidade na camada de photoresist é garantida pela deposição de um volume bem definido deste composto, seguido do processo de spin coating, que promove a rotação da wafer e, consequentemente, a distribuição do polímero. Caso necessário realizam-se ainda tratamentos de superfície, antes de rotacionar a wafer, de modo a promover a adesão do photoresist ao substrato. Após da deposição realiza-se um tratamento térmico ao photoresist, denominado de soft-baking, com o objetivo de remover os solventes que constituem o photoresist, tornando-o assim quimicamente estável. [4, 5, 38-40]. Os photoresists podem ser utilizados apenas como camada de sacrifício, sendo esta totalmente removida posteriormente, de modo a construir algumas das características do package. Em alternativa podem ser parte integrante do package, tendo como função limitar e isolar algumas áreas do die. Este último tipo de photoresist é denominado de dielétrico [16].
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 16 3.2.2. DEPOSIÇÃO POR PULVERIZAÇÃO CATÓDICA A deposição por pulverização catódica, denominada em inglês por sputtering, é uma técnica de deposição de filmes finos sem reação química, ou seja, apenas através de fenómenos físicos. Assim, a pulverização catódica é considerada como sendo uma técnica de deposição física por vapor (PVD, do inglês Physical Vapour Deposition) [38]. Na técnica de pulverização catódica uma superfície alvo, com átomos do filme a depositar, é bombardeada por um fluxo de iões, que promovem a remoção dos átomos desta superfície. Um gás é introduzido numa câmara de alto vácuo e é aplicada uma diferença de potencial entre o alvo (átomos a depositar) e o substrato (superfície onde se deseja depositar o filme). Os átomos do gás ionizam-se, produzindo eletrões de alta energia e iões positivos, dando assim origem ao fluxo de iões, denominado por plasma. Normalmente o gás escolhido para a produção do plasma é o árgon devido à sua elevada massa atómica e pelo facto de, sendo um gás nobre, não reagir nem com o alvo nem com o substrato [4, 5, 38, 41]. O fluxo de iões gerado bombardeia o alvo, transferindo parte do seu momento para os átomos à superfície do mesmo. Caso a energia transferida seja suficiente, os átomos atingidos são removidos do alvo e caem sobre a superfície do substrato (figura 15), formando o filme fino, de uma forma gradual [4, 5, 38, 41]. Figura 15 – Esquema da técnica de pulverização catódica.
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 17 3.2.3. ELETRODEPOSIÇÃO A eletrodeposição (denominada em inglês por plating) é uma técnica de deposição de metais usada desde o início do século XIX. Com esta técnica é possível depositar camadas metálicas com espessuras na ordem dos µm, com bons níveis de qualidade superficial e baixas tensões internas. Esta é uma etapa essencial na produção dos ICs, já que são os metais eletrodepositados que asseguram os caminhos de comunicação entre o die e o exterior [4, 38]. Neste método a seed layer da wafer é ligada ao polo negativo (cátodo) de uma fonte de energia, enquanto o material a depositar (tipicamente o cobre) está ligado ao polo positivo, constituindo assim o ânodo. O ânodo é submerso por uma solução denominada de eletrólito, que contém iões do metal a depositar. Esta solução está também em contato com a parte da wafer durante o processo de eletrodeposição. Os catiões do eletrólito são atraídos pela carga negativa imposta à wafer, depositando-se na mesma e fechando assim o circuito elétrico (figura 16). Durante este processo os átomos do ânodo substituem os iões que vão sendo depositados na superfície da wafer, mantendo assim as características químicas do eletrólito [38]. Figura 16 – Esquema da técnica de eletrodeposição do cobre sobre a superfície metálica de uma wafer [42]. Na criação dos circuitos elétricos, tem-se como objetivo realizar a eletrodeposição de um modo seletivo, apenas em algumas zonas da wafer. Para cumprir este objetivo, as áreas em que o metal não deverá ser depositado devem estar cobertas, o que normalmente é alcançado através da deposição de um photoresist durante a etapa de litografia. O photoresist atua como um molde, desde que a sua espessura seja superior à espessura de metal eletrodepositado [38].
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 24 5. MATERIAIS E MÉTODOS A redução de custos na operação de remoção do photoresist (stripping) em wet etching, objetivo principal deste trabalho, foi estudada de duas formas distintas. A primeira abordagem passa pela redução de custos através da substituição do stripper atual, que será denominado por stripper A, por um outro stripper mais económico. Para isto foram pesquisados a nível bibliográfico vários strippers alternativos ao atual. A seleção dos strippers a testar foi realizada tendo em conta os requisitos da empresa, que serão posteriormente descritos. Numa segunda abordagem, a redução de custos foi idealizada através da otimização da operação de stripping, de modo a reduzir o consumo do stripper A por cada wafer produzida. 5.1. LOCALIZAÇÃO DA ETAPA DE WET ETCHING NO PROCESSO EWLB De modo a melhor entender o processo estudado, é necessário localizá-lo no processo de eWLB. Recordando o capítulo 3 deste documento, o wet etching encontra-se imediatamente a seguir ao processo de eletrodeposição. Dentro do wet etching existem as operações de remoção do photoresist, sucedida pela remoção da seed layer. A evolução das camadas depositadas durante as operações de eletrodeposição e wet etching do processo eWLB pode ser observada na figura 19. No final do processo de eletrodeposição, a superfície da wafer exibe o cobre eletrodepositado (a laranja) e o photoresist (a verde) que servirá apenas como camada sacrificial. O processo de wet etching é iniciado pela operação de stripping, ficando à superfície da wafer o cobre eletrodepositado e a seed layer (a vermelho). A seed layer é então removida em duas operações distintas e sequenciais do wet etching (Cu etch e Ti etch). Figura 19 – Esquema representativo da wafer após os processos de eletrodeposição (à esquerda) e wet etch (consiste em stripping, Cu etch e Ti etch) [16]. Cu etch + Ti etch Stripping
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 25 5.2. MATERIAIS UTILIZADOS 5.2.1. PHOTORESISTS A operação de stripping foi estudada em dois photoresists positivos distintos, utilizados como camada sacrificial no processo eWLB da NANIUM, e que serão denominados por photoresist 1 e photoresist 2 durante a descrição do trabalho realizado. Os dois photoresists estudados possuem na sua composição o solvente orgânico 1-metoxi– 2-propril acetato (PGMEA, do inglês Propylene Glycol Monomethyl Ether Acetate) e a resina Novolac (resina epoxídica formada a partir dos grupos fenol e formaldeído), cujas fórmulas estruturais estão descritas na figura 20. O espectro de infravermelho com transformada de Fourier (FTIR, do inglês Fourier Transform Infrared Spectroscopy) de uma resina epoxídica encontra-se na figura 21. As resinas revelam em FTIR uma banda por volta dos 920 cm-1, que traduz a existência de um anel oxirano, o composto característico destas resinas [66, 67]. PGMEA Novolac Figura 20 – Composições químicas do solvente PGMEA e da resina Novolac [68, 69]. Figura 21 - Espectro FTIR em transmitância de uma resina epoxídica [66].
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 26 5.2.2. STRIPPERS O estudo realizado contemplou a aplicação de três strippers distintos. O stripper A foi analisado com vista à otimização do processo atualmente implementado e como base de comparação aos restantes strippers estudados. Como alternativas ao stripper A foram analisados a acetona, por ser um composto de baixo custo, e um outro stripper comercializado por uma empresa especializada, que será denominado por stripper S. O stripper A e S são ambos uma mistura pronta a ser utilizada (ready-to-use), com base num solvente e em compostos com grupos amina. As restantes alternativas referidas pela bibliografia e mencionadas na secção 4.2.2.1. deste documento não foram consideradas neste trabalho experimental por não serem adequados aos requisitos da NANIUM. O NMP foi descartado por representar um risco de segurança aos colaboradores; a solução piranha não se adequa à realidade industrial por obrigar à preparação de novos banhos em curtos períodos de tempo; por último, as soluções alcalinas referidas não são seletivas em relação aos restantes materiais utilizados no processo da NANIUM. 5.3. PROCEDIMENTO Tendo em conta o objetivo proposto para este estudo, o planeamento experimental foi dividido em duas partes que decorreram em paralelo, como se pode verificar na figura 22. A primeira parte deste trabalho contempla o estudo dos strippers alternativos ao stripper A. A acetona será utilizada apenas numa parte deste estudo, por não possuir o strip rate necessário ao processo implementado na NANIUM, como será discutido no capítulo 6 deste documento. Em paralelo estudou-se a influência dos parâmetros do processo no strip rate do stripper A, de modo a otimizar o processo de stripping, diminuindo o consumo atual. Para estudar o strip rate dos strippers foram utilizadas wafers de silício sem dies produtivos (wafers blank silicon, ou wafers BS), com as camadas equivalentes às do processo eWLB. Desta forma, as wafers BS utilizadas possuíam as camadas de seed layer, photoresist e cobre (figura 23), depositados pelas etapas de pulverização catódica, litografia e eletrodeposição, com os mesmos parâmetros utilizados no processo eWLB.
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 27 Figura 22 – Etapas do estudo realizado. Figura 23 – Aspeto de uma wafer BS após a operação de eletrodeposição. A avaliação do etch rate de um determinado solvente faz-se normalmente através da variação da espessura do material funcional em função do tempo de etching. No entanto, os photoresists estudados ao sofrerem o processo de stripping espalham-se sobre toda a wafer, Otimização por alteração dos parâmetros de processo Determinação do strip rate do stripper A Determinação dos parâmetros de processo no strip rate do stripper A Criação de um processo otimizado com base nos resultados anteriores Realização de FMEA Confirmação da eficácia do processo otimizado Otimização por alteração do stripper atual Teste preliminar aos strippers considerados Determinação do strip rate do stripper S Medição do ângulo de contacto do stripper S
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 28 pelo que a medição da sua espessura não traduziria o etch rate da solução testada. Desta forma, optou-se pela medição do strip rate através da variação da massa da wafer ao longo dos vários passos de deposição de stripper. Foram realizados 3 ensaios para cada condição experimental, como forma de controlar a variação dos resultados. 5.3.1. OTIMIZAÇÃO POR ALTERAÇÃO DO STRIPPER ATUAL O estudo da eficácia dos strippers alternativos ao stripper A foi iniciado com um teste preliminar em laboratório. Aplicou-se uma gota das soluções de acetona e de stripper S sobre uma wafer BS, nas condições descritas pela tabela 1. A wafer foi de seguida inspecionada a olho nu e a microscópio ótico. A avaliação do teste preliminar permitiu prever o comportamento dos dois strippers nas condições de produção. Por não realizar um stripping adequado à realidade industrial da NANIUM (como será demonstrado no capítulo 6), a acetona foi descartada como opção alternativa ao stripper A. Desta forma, a determinação do strip rate em condições semelhantes às do processo eWLB (no equipamento de produção) foi realizada apenas com o stripper S. Tabela 1 – Condições testadas no teste preliminar dos strippers alternativos. Stripper Temperatura (ºC) Tempo (min) Acetona Temperatura ambiente 5 2 1 Stripper S 65 5 2 45 5 2 Após serem submetidas às etapas anteriores ao stripping, as wafers BS foram pesadas, como explica a figura 24. O processo de stripping foi de seguida realizado no equipamento utilizado em produção. Após stripping, a wafer foi lavada com água desionizada e secada com nitrogénio (N2). Por fim, tornou-se a pesar a wafer e inspecionou-se visualmente, de modo a verificar a existência de photoresist à superfície da wafer. Caso permanecesse photoresist este
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 29 procedimento era repetido até não se detetar mais photoresist visível à superfície da wafer (figura 25). Este estudo foi realizado apenas com o photoresist 1. Pode ser observado na figura 25 o aspeto de uma wafer BS após remoção completa de photoresist. Figura 24 – Sequência de operações para avaliação do strip rate dos strippers A e S. Figura 25 – Aspeto de uma wafer BS após remoção completa de photoresist através da operação de stripping. A deposição do stripper pode ser feita em jato (normalmente chamado de stream) ou em spray. Após a deposição de stripper é possível deixar o solvente depositado sobre a wafer durante um determinado período de tempo, sendo este passo denominado por soak. As deposições stream e spray são mostradas pela figura 26. (a) (b) Figura 26 – Deposição de stripper em (a) stream (b) spray, através do braço de deposição (a branco).
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 30 Estes três passos (stream, spray e soak) foram avaliados através do plano experimental exibido pela figura 27. As deposições em stream e em spray foram realizadas durante 15 segundos, podendo ou não ser seguidas por um passo de soak de 20 s. Os restantes parâmetros de processo foram mantidos iguais ao processo atualmente implementado na NANIUM. Este esquema de experiências foi repetido até não existir mais photoresist visível aquando da inspeção visual. Figura 27 – Passos realizados no processo de stripping para avaliação do strip rate dos strippers A e S. Por fim, foram medidos os ângulos de contacto dos strippers A e S em wafers BS, de modo a verificar a molhabilidade destas soluções. Os ângulos de contacto foram determinados utilizando o método da gota de séssil. Para isto utilizou-se o equipamento Krüss FM40 Easy Drop, sendo depois o ângulo calculado através do software Krüss Drop Shape Analysis DAS 100. 5.3.2. OTIMIZAÇÃO POR ALTERAÇÃO DOS PARÂMETROS DE PROCESSO Esta segunda fase do estudo foi iniciada pela análise da influência dos parâmetros de processo no strip rate do stripper A. O efeito dos vários tipos de deposição de stripper A foram estudados aquando da comparação com o stripper alternativo. Adicionalmente, foi realizado o mesmo estudo utilizando o stripper A e o photoresist 2.
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 31 Foi ainda estudada a influência de outros dois parâmetros de processo durante a deposição do stripper: a velocidade de rotação (em inglês spin speed) da wafer e a velocidade de varrimento (em inglês scan speed) do braço responsável pela deposição do stripper. Estes dois parâmetros foram estudados apenas com deposições em spray de 15 segundos e com o photoresist 1, consoante o procedimento experimental expresso pela figura 24. Os valores testados para estes dois parâmetros encontram-se descritos na tabela 2. Tabela 2 – Velocidades de rotação e varrimento estudadas durante a deposição em spray do stripper A. Parâmetros Valor atual Valores estudados Velocidade de rotação (rpm) 50 13 25 100 200 Velocidade de varrimento 26 13 39 52 195 Os parâmetros de processo associados à operação de soak foram estudados com base nos métodos de Taguchi. Selecionaram-se os fatores de tempo de soak e velocidade de rotação da wafer, a dois níveis distintos (tabela 3). Tabela 3 – Fatores e níveis selecionados para o estudo da operação de soak através do método de Taguchi. Fator Nível 1 Nível 2 Tempo de soak (s) 20 (Atual) 60 Velocidade de rotação (rpm) 15 (Atual) 50 Segundo o método de Taguchi, para esta conjugação de fatores e níveis, são necessárias 4 experiências, utilizando uma matriz ortogonal denominada por L4, como mostra a tabela 4. A resposta analisada durante este estudo foi a perda de massa de photoresist após a operação de stripping. Paralelamente, e à semelhança dos casos anteriores, todas as wafers foram inspecionadas visualmente.
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 32 Tabela 4 – Matriz ortogonal L4 do método de Taguchi. L4 Fatores e Níveis Experiências Fator A Fator B Interação AxB 1 1 1 1 2 1 2 2 3 2 1 2 4 2 2 1 Através da utilização deste método foi ainda possível analisar o efeito da interação entre o tempo de soak e a velocidade de rotação. Tal como no caso anterior, os parâmetros da operação de soak foram estudados com deposições em spray de 15 segundos, utilizando o stripper A e o photoresist 1. Por último, para concluir o estudo da operação de soak, foram realizados ensaios adicionais mantendo a velocidade de rotação em 15 rpm e fazendo variar os tempos de soak. Foram pesadas wafers submetidas a 10, 20, 30, 40, 50 e 60 segundos de soak. 5.3.3. CRIAÇÃO E VALIDAÇÃO DO PROCESSO DE STRIPPING OTIMIZADO A análise aprofundada dos resultados obtidos permitiu a construção de dois processos otimizados para o stripping, que serão discutidos na secção 6.3 deste documento. Foram ainda idealizados mais dois processos otimizados, variando apenas dos primeiros na velocidade de rotação da wafer durante a etapa de deposição de solvente. Sendo esta uma proposta para alteração ao processo eWLB foi fundamental a execução de um FMEA, de modo a prever possíveis falhas provocadas pela implementação destes processos. Através da realização do FMEA foi identificada a necessidade de comparar os processos otimizados com um processo de referência. Desta forma, foram processadas cinco wafers reconstituídas, com vista a executar de igual forma todo o processo eWLB, à exceção da operação de stripping. Cada uma destas wafers foi processada em wet etching com um processo de stripping diferente, correspondendo aos quatro processos otimizados e ao processo de referência, que foi tido como o procedimento de referência.
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 33 O controlo da qualidade do processo de stripping ao longo do processo de eWLB foi verificado de cinco formas distintas: pela inspeção manual ao microscópio ótico, de modo a identificar a presença de resíduos de seed layer após wet etching; inspeção visual automatizada, examinando 100 % da superfície da wafer em reconhecimento de defeitos; monitorização do leakage; monitorização da espessura de cobre eletrodepositada; e, por fim, pela monitorização da adesão das bolas de solda ao package. Adicionalmente foi realizada uma análise de superfície através da espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier (FTIR). Nesta análise teve-se como objetivo comparar o espetro do photoresist 1, existente em wafers BS após a operação de eletrodeposição, com os espetros obtido após a aplicação dos processos otimizados. Para isto foi utilizado um equipamento de FTIR em modo ATR (do inglês Attenuated Total Reflection) ABB-Bomen, com 6 scans por amostra, resolução espacial de 4 cm-1 e uma gama de 4000-650 cm-1)
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 40 Para além disto, a utilização da deposição em spray permite diminuir os custos associados a este estudo, já que o seu consumo é bastante inferior à deposição em stream. Figura 34 - Massa de photoresist 2 na wafer em função do número de deposições de stripper A. Observando a variação de massa de photoresist em função da velocidade de rotação da wafer (figura 35) verifica-se um aumento do strip rate com o aumento da velocidade de rotação. O aumento da velocidade de rotação obriga, através da força centrifuga aplicada, um maior movimento da solução sobre a wafer, tendo um efeito semelhante ao de agitação da solução. Não obstante, o efeito da velocidade de rotação é menos acentuado quando comparado ao efeito associado ao tipo de deposição de stripper. Considerando que a velocidade de rotação atual é de 50 rpm, o processo de stripping poderá ser otimizado pelo aumento da velocidade de rotação para 200 rpm, diminuindo o número de deposições de stripper e, consequentemente, o seu consumo. 0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 01234 Massa de photoresist (g) Número de deposições Stream Spray Stream + Soak Spray + Soak
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 41 Figura 35 – Influência da velocidade de rotação (rpm) durante a deposição em spray de stripper A sobre o photoresist 1. Por outro lado, a variação da velocidade de varrimento do braço de deposição (figura 36) não parece ter influência na variação do strip rate do solvente. Figura 36 - Influência da velocidade de varrimento durante a deposição em spray de stripper A sobre o photoresist 1. 0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0 1 2 3 4 5 Massa de photoresist (g) Número de deposições 13 25 50 100 200 0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 01234 Massa de photoresist (g) Número de deposições 13 26 39 52 195
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 42 O estudo dos parâmetros da operação de soak através do método de Taguchi permitiu a identificação do tempo de soak como sendo o fator com maior efeito na variação da massa de photoresist (tabela 5). Por outro lado, o fator de velocidade de rotação possui um efeito (delta) muito reduzido, pelo que não será um fator importante para a melhoria do processo. Adicionalmente é possível verificar que não existe interação entre os dois fatores considerados, já que a variação associada aos dois níveis estudados é quase nula. Durante a experiência realizada, a resposta medida foi a massa de photoresist perdida após stripping, pelo que o resultado mais favorável será o que possuir um valor mais elevado. Tabela 5 – Tabela das respostas médias obtidas através do método de Taguchi. Massa de photoresist 1 removida (g) Fator A Fator B Interação AxB Tempo de soak Velocidade de rotação Tempo de soak x Velocidade de rotação Nível 1 0,42 0,47 0,48 Nível 2 0,56 0,51 0,50 Delta 0,14 0,04 0,02 A análise em forma gráfica dos fatores estudados possibilita uma perceção imediata do efeito obtido e dos melhores níveis para o problema proposto. O efeito dos vários fatores é traduzido pelo declive das retas traçadas, que será tanto maior quanto maior o efeito existente. Comparando os fatores estudados, é notório o efeito acentuado do tempo de soak em relação à velocidade de rotação. Verifica-se ainda que os melhores níveis serão o tempo de soak ao nível 2 (60 segundos) e a velocidade de rotação também ao nível 2 (50 rpm). A análise mais profunda das respostas obtidas pela combinação dos dois fatores estudados (tabela 6) permite a construção de um gráfico representativo desta interação (figura 37). Por serem praticamente paralelas, as retas traçadas nesta figura traduzem, segundo o método de Taguchi, uma interação bastante fraca entre os dois fatores estudados.
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 43 Tabela 6 – Respostas médias obtidas para os dois níveis dos fatores estudados através do método de Taguchi. Tempo de soak (s) 20 60 Velocidade de rotação (rpm) 15 0,39 g 0,55 g 50 0,45 g 0,57 g Figura 37 – Efeito da interação tempo de soak e velocidade de rotação na massa de photoresist 1 removida. Aplicando a técnica de análise de variâncias (ANOVA, do inglês Analysis Of Variance) ao método de Taguchi, é possível determinar quantitativamente o efeito de cada fator na resposta obtida. Foi determinado, desta forma, que o fator tempo de soak contribui com 81,5 % na variação total da resposta, sendo que a velocidade de rotação contribui apenas com 4,9 %. O cálculo do valor médio esperado da resposta com a melhor combinação de fatores revela um valor de 0,58 g, correspondendo a uma melhoria de 48,7 % quando comparado com o valor médio inicial (0,39 g). A descrição detalhada da aplicação do método de Taguchi a este estudo pode ser consultada no anexo A. Dado que a velocidade de rotação possui um pequeno efeito na variação total da resposta, há outros aspetos que devem ser considerados aquando da escolha do nível deste fator. A inspeção visual da wafer após a operação de stripping demonstrou uma remoção de photoresist uniforme quando aplicada uma velocidade de rotação de 15 rpm. Em contraste, a aplicação da velocidade de rotação de 50 rpm provoca um stripping mais acentuado na zona 0,30 0,40 0,50 0,60 20 60 Massa de photoresist removida (g) Tempo de soak (s) 15 rpm 50 rpm
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 44 central da wafer, sendo que os resíduos de photoresist permanecem na periferia da mesma. Este acontecimento é explicado pela elevação da força centrifuga, que força os subprodutos de reação para as extremidades da wafer, impossibilitando que a reação de stripping ocorra nestas zonas. Consequentemente, a heterogeneidade demonstrada pela elevada velocidade de rotação leva a uma remoção inadequada do photoresist, sendo por isso mais favorável manter este parâmetro com a velocidade de rotação atual (15 rpm). Considerando a seleção dos níveis de 15 rpm para a velocidade de rotação e 60 segundos para o tempo de soak, o valor médio esperado da resposta será de 0,56 g, que corresponde a uma melhoria de 43,6 %. Os resultados obtidos através do método de Taguchi demonstram a importância do fator de tempo de soak durante a operação de stripping. Assim, considerou-se relevante aprofundar o conhecimento sobre a influência deste fator no processo estudado. A figura 38 permite observar a variação da massa de photoresist perdida em função do tempo de soak aplicado durante o processo. Como previsto, a massa de photoresist removida aumenta continuamente com o tempo de soak, sendo que após 60 segundos a massa perdida corresponde à média da massa de photoresist depositado durante a operação de litografia (0,56 g ± 0,02). Figura 38 – Variação da massa de photoresist removida em função do tempo de soak.
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 45 6.3. CRIAÇÃO E VALIDAÇÃO DO PROCESSO DE STRIPPING OTIMIZADO A criação do processo otimizado de stripping teve inicialmente como base a análise dos strippers alternativos, estando estes reduzidos ao stripper S devido à inadequação da acetona ao processo implementado. Sabendo que o custo do stripper S é cerca do dobro do custo do stripper A, a sua implementação apenas se justificaria caso o strip rate do stripper alternativo fosse igualmente duas vezes superior. Considerando os resultados descritos na secção 6.1 esta alteração não se justifica, sendo assim mantido o stripper A no processo de wet etching. A otimização do processo passa desta forma pela diminuição do consumo atual de stripper A. Considerando o processo de referência (tabela 7) e sabendo que a deposição em stream tem um caudal cerca de 2,5 vezes superior à deposição em spray, a proposta inicial passou pela diminuição do tempo de deposição em stream ou mesmo pela substituição deste passo pela deposição em spray. Tabela 7 - Comparação dos processos otimizados de stripping em relação ao processo de referência. Processo de referência (PR) Processo otimizado 1 (PO1) Processo otimizado 2 (PO2) Stream 14 s 50 rpm Spray 15 s 200 rpm Spray 15 s 200 rpm Soak 20 s 15 rpm Soak 30 s 15 rpm Soak 60 s 15 rpm Stream 14 s 50 rpm Spray 15 s 200 rpm Spray 20 s 200 rpm Soak 20 s 15 rpm Soak 30 s 15 rpm Spray 20 s 50 rpm Spray 15 s 200 rpm Analisando cuidadosamente os resultados de strip rate demonstrados pela figura 32, é possível observar que a combinação de stream e soak possui um strip rate muito superior às restantes condições. Não obstante, ao fim da segunda deposição de stripper, a conjugação de spray e soak possui o mesmo efeito sobre a massa de photoresist removida, ficando assim
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 46 definida a substituição das deposições em stream do processo de referência para deposições em spray. De modo a garantir o overetching do processo alterado, optou-se ainda por aumentar o tempo dos dois passos de soak em 10 segundos. A grande vantagem de utilizar a operação de soak com um tempo acrescido baseia-se no facto de ser possível remover uma maior quantidade de photoresist sem aumentar o consumo de stripper, diminuindo assim os custos associados a este processo. O estudo da influência da velocidade de rotação durante a deposição do stripper (figura 35) levou à escolha de uma velocidade de 200 rpm, de modo a amplificar o strip rate do solvente durante esta etapa do processo. A conjugação destas duas análises deu assim origem ao processo otimizado 1 (PO1). O consumo deste processo representa uma redução de 49 % em relação ao consumo atual de stripper. O estudo realizado com as variáveis da operação de soak permitiu verificar que ao fim de 60 segundos de soak o photoresist é removido quase na totalidade. Consequentemente foi sugerido o processo otimizado 2 (PO2), que possui um menor tempo de deposição de stripper, representando uma redução de 60 % em relação ao consumo atual. Após realizar uma análise de modos e efeitos de falha (FMEA) potenciais, definiu-se testar os processos otimizados em wafers reconstruídas, de modo a compará-los com o processo de referência (PR) em condições mais próximas à realidade industrial da NANIUM. Adicionalmente definiu-se que estas wafers seguiriam o processo eWLB implementado, a fim de detetar falhas que poderão ser potenciadas pela alteração do processo de stripping. Observando a execução do PO1 e PO2, realizados em wafers reconstruídas, verificou-se que algumas zonas da periferia da wafer não eram corretamente molhadas pelo stripper. Este acontecimento não era expectável já que o ângulo de contacto medido para o stripper A foi bastante reduzido. No entanto, é necessário referir que o ângulo de contacto foi medido em wafers BS e não em wafers reconstruídas. Como tal, é possível que o MC existente nas wafers reconstruídas produza uma alteração na tensão superficial dos materiais depositados durante o processo eWLB, alterando a molhabilidade dos mesmos.
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 47 Em consequência destas observações, formularam-se versões alternativas dos processos idealizados, reduzindo-se a velocidade de rotação para a utilizada no processo de referência (50 rpm). Estes novos processos serão denominados por PO11 e PO22 conforme tiveram origem no PO1 ou PO2, respetivamente. Foram assim testados quatro processos otimizados (POs) em wafers reconstruídas. Dada a seletividade dos reagentes utilizados no processo de wet etching, a remoção inadequada de photoresist dará origem a uma remoção incompleta da seed layer, após as operações de etching de cobre e titânio. Deste modo, o primeiro sinal da ineficácia do processo de stripping estará na existência de resíduos de seed layer após o processo de wet etching. A inspeção no microscópio ótico após a operação de wet etching revelou um maior número de resíduos de seed layer na wafer submetida ao PO2 (figura 39). Nas restantes wafers foi detetada uma quantidade de resíduos substancialmente menor, estando estes concentrados nas zonas de dicing do chip. Esta quantidade e distribuição de resíduos, demonstrada pela figura 40, era semelhante entre wafers submetidas ao PO1, PO11 e PO22. Figura 39 – Wafer após wet etching realizado com o PO2, mostrando resíduos de seed layer (a amarelo) entre as estruturas de cobre (a castanho). As figuras são apresentadas com a mesma ampliação.
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 48 Figura 40 – Wafer após wet etching realizado com o PO1. É apenas visível seed layer entre os vários packagings (à esquerda). A figura à esquerda é apresentada com o dobro da ampliação da figura à direita. A presença de resíduos de seed layer, se em contacto com duas estruturas de cobre distintas, dará origem a uma perda não intencional de corrente elétrica (leakage), que poderá tornar o chip inutilizável. A medição desta corrente é feita com recurso a um dispositivo elétrico que possui duas pontas de prova. As pontas de prova são colocadas sobre duas estruturas de cobre próximas, mas que não deveriam ter qualquer contacto. O dispositivo quantifica a corrente que flui entre estes dois pontos quando aplicada uma tensão. Quanto maior a corrente medida, maior o leakage existente. O leakage é medidos em estruturas especialmente desenhadas para o efeito, em 62 dies espalhados uniformemente pela wafer. Os resultados da medição de leakage após wet etching estão descritos na figura 41. Analisando os valores de leakage obtidos, verifica-se que não existem diferenças significativas entre os POs testados, sendo a resposta semelhante ao obtido através do PR. Adicionalmente, todas as amostras demonstram valores de leakage inferiores ao máximo previsto pela NANIUM. A medição de leakage não é, no entanto, suficiente para garantir a inexistência de resíduos de seed layer, já que é necessário haver um contato entre a seed layer e a estrutura de cobre para que o leakage se manifeste.
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores 49 Figura 41 – Comparação do leakage medido após os vários processos de stripping executados. A inspeção a 100 % da superfície da wafer permitiu quantificar mais detalhadamente os tipos de defeitos existentes após a etapa de redistribuição do processo eWLB. Através desta inspeção confirma-se uma maior presença de resíduos de seed layer no PO2 (figura 42). Os restantes POs testados demonstram resultados semelhantes e um número de defeitos idêntico ao PR. A figura 43 demonstra o mapa da wafer submetida ao PO2. Nesta figura estão identificados os dies não produtivos a amarelo, os dies conformes a verde e os dies com defeitos nas restantes cores. Os dies representados a amarelo com um círculo preto possuem a estrutura de cobre para a medição de leakage. Observa-se uma grande quantidade de defeitos nas zonas periféricas da wafer, sendo na sua maioria devido a resíduos de seed layer (identificados a castanho).
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Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores Anexo A – Método de Taguchi: metodologia aplicada 60 ANEXO A – MÉTODO DE TAGUCHI: METODOLOGIA APLICADA Este anexo tem como objetivo a descrição detalhada dos passos realizados durante o estudo dos parâmetros de soak através do método de Taguchi. 1. Descrição do problema a resolver O passo de soak permite remover o photoresist durante o processo de stripping, sem que haja consumo de stripper. Desta forma, a otimização do passo de soak permite a diminuição do consumo do stripper utilizado e, consequentemente, a diminuição de custos a ele associado. O objetivo deste estudo é assim a otimização dos parâmetros de soak no stripping do photoresist 1, utilizando o stripper A. 2. Definição das variáveis de resposta a estudar A resposta a estudar será a da massa de photoresist removida, em gramas, após a operação de stripping. 3. Classificação da resposta a obter O objetivo da operação de stripping é a remoção completa do photoresist existente. Desta forma, quanto maior a massa de photoresist removida melhor será a resposta obtida. “O valor máximo é o melhor” 4. Definição do número de respostas por experiência Serão realizados 3 ensaios por cada experiência.
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores Anexo A – Método de Taguchi: metodologia aplicada 61 5. Seleção da matriz ortogonal a. Definição do número de variáveis (fatores) e respetivos níveis Consideraram-se dois fatores: o tempo de soak e a velocidade de rotação da wafer. Para cada um destes fatores foram considerados dois níveis, como mostra a tabela abaixo. O nível 1 representa o valor utilizado no processo de referência. Tabela 8 – Fatores e níveis selecionados para o estudo da operação de soak através do método de Taguchi. Fator Nível 1 Nível 2 Tempo de soak (s) 20 60 Velocidade de rotação (rpm) 15 50 b. Consideração de possíveis interações Foi considerada uma possível interação entre os dois fatores definidos. Esta interação será representada como o produto entre os fatores considerados (Tempo de soak x Velocidade de rotação). c. Determinação dos graus de liberdade i. Graus de liberdade das variáveis VGL = nº de variáveis x (nº de níveis das variáveis – 1) VGL = 2 X (2 – 1) = 2 ii. Graus de liberdade da interação IGL = nº de interações x (GL da variável 1 x GL da variável 2) IGL = 1 x ((2 – 1) x (2 – 1)) = 1 iii. Graus de liberdade totais TGL = VGL + IGL TGL = 2 + 1 = 3
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores Anexo A – Método de Taguchi: metodologia aplicada 62 d. Seleção da matriz ortogonal A matriz (Lx) deve ser a menor possível para minimizar o número de experiências a realizar (x). O número de experiências a realizar é igual ao número de linhas da matriz ortogonal e deve ser igual ou superior aos graus de liberdade totais. Lx, x ≥ TGL Neste caso a menor matriz possível para acondicionar 3 graus de liberdade é a L4, que está descrita abaixo. Cada linha desta matriz corresponde a uma experiência e cada fator ou interação corresponde a uma coluna. Na intersecção das linhas e colunas estão definidos os níveis de cada fator que devem ser utilizados em cada uma das experiências. Note-se que é possível eliminar colunas de uma matriz ortogonal, mas nunca linhas. Desta forma, o número de experiências mantém-se independentemente das colunas da matriz serem todas preenchidas. Tabela 9 – Matriz ortogonal L4 do método de Taguchi. L4 Fatores e Níveis Experiências 1 2 3 1 1 1 1 2 1 2 2 3 2 1 2 4 2 2 1
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores Anexo A – Método de Taguchi: metodologia aplicada 63 6. Alocação dos fatores e interações às colunas da matriz ortogonal No caso de serem consideradas interações entre os fatores é necessário deixar colunas livres na matriz, para que se possa estimar o seu efeito. A seleção desta coluna não é arbitrária, sendo necessário utilizar gráficos lineares para alocar corretamente a interação na coluna. Abaixo é visível o gráfico linear referente à matriz L4. Os fatores são representados por círculos. A interação entre dois fatores é representada por um segmento de reta que une os fatores correspondentes. Figura 47 – Gráfico linear da matriz L4. Através deste gráfico linear identifica-se que a matriz L4 permite avaliar 2 fatores e 1 interação, sendo que os dois fatores devem estar nas colunas 1 e 2 e a interação na coluna 3. 7. Execução da experiência As experiências foram executadas conforme a tabela abaixo. Tabela 10 – Plano de experiências executadas na aplicação do método de Taguchi. Tempo de soak (s) Velocidade de rotação (rpm) 1 20 15 2 20 50 3 60 15 4 60 50
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores Anexo A – Método de Taguchi: metodologia aplicada 64 8. Tratamento dos resultados Os resultados obtidos podem ser consultados na tabela abaixo. Tabela 11 – Resultados obtidos após realização das experiências idealizadas. Experiência Fator A Fator B Ensaios Média Tempo de soak (s) Velocidade de rotação (rpm) 1 2 3 1 20 15 0,35 0,42 0,40 0,39 2 20 50 0,46 0,48 0,41 0,45 3 60 15 0,56 0,53 0,57 0,55 4 60 50 0,57 0,56 0,59 0,57 Valor médio total (𝐓 ) 0,49 A partir destes valores é possível calcular as médias para cada nível dos fatores considerados, bem como o efeito de cada fator. Abaixo é dado como exemplo o cálculo das médias de respostas e do efeito para o fator tempo de soak. Média das respostas para A1: 0.39+0.45 2=0.42 Média das respostas para A2: 0.55+0.57 2=0.56 Efeito do fator A: |𝐴1 −𝐴2 | = 0.14 Realizando estes cálculos para todos os fatores e interações considerados, constrói-se a tabela das médias. Nesta tabela é também considerada a ordem dos fatores/interações com o maior efeito na resposta obtida. Abaixo encontra-se a tabela das médias construída para o estudo realizado.
Otimização da remoção de photoresists no processo eWLB na indústria de semicondutores Anexo A – Método de Taguchi: metodologia aplicada 65 Tabela 12 – Tabela das médias, construída segundo o método de Taguchi. Massa de photoresist removida (g) Fator A Fator B Interação AxB Tempo de soak Velocidade de rotação Tempo de soak x Velocidade de rotação Nível 1 0,42 0,47 0,48 Nível 2 0,56 0,51 0,50 Efeito 0,14 0,04 0,02 Ordem 1 2 3 Através da tabela das médias são identificados os efeitos mais fortes. Quanto maior o valor obtido no efeito, maior será a importância do fator ou interação considerados na resposta em estudo. Os valores demonstrados pela tabela das médias permitem a construção do gráfico das médias para cada fator e interação estudados. Quanto maior o declive das linhas maior o efeito do fator. Figura 48 – Efeito do tempo de soak (à esquerda) e da velocidade de rotação (à direita) na massa de photoresist removida. 0,30 0,40 0,50 0,60 20 60 Massa de photoresist removida (g) Tempo de soak (s) 0,30 0,40 0,50 0,60 15 50 Massa de photoresist removida (g) Velocidade de rotação (rpm)