Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates
Full text
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates Ariana Soraia Brás Barroso Pereira Dissertação de Mestrado Orientador na FEUP: Prof. João José António Pinto Ferreira Co-Orientador na FEUP: Prof. Elga Costa Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Engenharia Industrial e Gestão 2012-10-21
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates ii Resumo O Startup Pirates é um acelerador de empreendedores em potência. Em programas de oito dias proporciona aos participantes a aquisição de conhecimentos ligados à criação de empresas através de workshops, permite-lhes o desenvolvimento em equipa de modelos de negócio tendo por base ideias dos participantes e convida empreendedores experientes para partilharem a sua história e orientarem a modelação dos negócios. No final da semana de trabalho, os participantes terão a oportunidade de apresentar os seus modelos de negócio a investidores e ouvirem os seus comentários. No espaço de um ano, o projeto, criado em Portugal por cinco jovens, já conseguiu assegurar eventos em quatro continentes até ao início de 2013, utilizando o licenciamento como modelo de negócio. Esta rápida expansão juntamente com as cinco startups já criadas no âmbito dos programas desenvolvidos foi o motivo que incitou a análise do projeto. De forma a perceber melhor o projeto, o modo de funcionamento da organização, a sucessão de acontecimentos e todos os fatores que têm contribuído para as metas alcançadas até ao momento, o Startup Pirates foi sujeito a uma análise qualitativa e transformado em caso de estudo. Percebeu-se que a equipa fundadora tem conseguido equilibrar todos os fatores do processo empreendedor, não tendo porém ainda conseguido assegurar a sustentabilidade financeira do projeto. Ao longo do processo a equipa não tem descurado nenhum componente vital para o seu modelo de negócio, tendo-se mantido sempre focada em alcançar os objetivos a que se propõe de forma eficaz e eficiente. A marca tem apresentado um grande crescimento, assim como a solicitação por parte de equipas locais para organizar o programa nas suas cidades.
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates iii Entrepreneurship Project Analysis: Startup Pirates Abstract Startup Pirates is a one-week acceleration program for entrepreneurs in the making. Basically, through a combination of training, mentoring and idea development it helps participants structure and develop their ideas. After an intense week they’ll have to present their business models to investors and successful business leaders. In a year, the founders have managed to leave Portugal’s borders and have upcoming events in four continents until January. This fast growth along with the five startups that were created after Startup Pirates’ programs was the trigger for this analysis. To provide a better understanding of the project, how the organization operates, the main events that have occurred and all the factors that had a role in Startup Pirates’ journey, the project was the object of a qualitative analysis and became a case study. The founders’ team has been managing to balance all the variables in the entrepreneurial process despite the fact that the project isn’t sustainable yet. During all this process, the team has been able to not overlook any of the parts involved in their business model, keeping themselves focused in achieving their goals. The brand is also continuously raising awareness and being more noticed. There are also a growing amount of people interested in organizing a Startup Pirates program in their city.
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates iv Agradecimentos Esta dissertação encerra um ciclo de cinco anos de aprendizagem muito intensa, passados na FEUP, e eu não a conseguiria ter feito sozinha. Gostaria de agradecer ao Professor João José Pinto Ferreira que, como meu orientador, me ajudou a desenhar a dissertação e a racionalizar ações que para mim eram espontâneas e não pensadas, assim como todo o apoio prestado e disponibilidade ao longo do desenvolvimento da dissertação. A compreensão, disponibilidade e apoio da Professora Elga Costa foram também determinantes para mim, pois não me foi fácil interiorizar os passos que teria de dar para concluir este trabalho. Agradeço toda a ajuda disponibilizada ao longo do meu trabalho. Agradeço também ao Professor João Falcão e Cunha por me ter sugerido este tema para a dissertação. Sem a sua indicação e apoio nunca teria sequer imaginado ser possível analisar o meu próprio projeto. Pela paciência e tempo que disponibilizaram para as entrevistas, gostaria de agradecer à Daniela, à Inês, ao João, ao Rafael, ao Miguel e à Andrea. Aos co-fundadores do Startup Pirates agradeço também a jornada que temos feito juntos. Um enorme agradecimento à minha família que formou o meu carácter e que me tem inspirado e apoiado em todos os momentos. Por último, mas não com menos significado, agradeço aos meus amigos que não me deixaram baixar os braços quando os horizontes escureciam e que fizeram com que os últimos meses fossem inesquecíveis, assim como os últimos cinco anos. Muito obrigada a todos.
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates v Índice de Conteúdos 1 Introdução .............................................................................................................................. 1 2 Metodologia de investigação ................................................................................................. 4 2.1 Estudo de Caso ........................................................................................................... 4 Classificação do Estudo de Caso ............................................................................. 6 2.2 BNML – Business Narrative Modelling Language ................................................... 7 3 Apresentação do projeto Startup Pirates .............................................................................. 10 3.1 Motivação Inicial ..................................................................................................... 10 3.2 Criação da equipa ..................................................................................................... 12 3.3 Primeiro ano do Startup Pirates ............................................................................... 12 3.4 Eventos Startup Pirates ............................................................................................ 14 4 Análise do contexto ............................................................................................................. 17 4.1 Análise do Ambiente Interno ................................................................................... 17 4.2 Análise do Ambiente Externo .................................................................................. 30 4.3 Análise SWOT ......................................................................................................... 32 5 Estudo de Caso ..................................................................................................................... 34 5.1 Objeto de Investigação ............................................................................................. 34 5.2 Recolha e Classificação de dados ............................................................................ 34 Rede de valor do Startup Pirates ............................................................................ 34 BNML - Bussiness Model Narrative Language .................................................... 36 5.3 Interpretação e Discussão de dados ......................................................................... 41 6 Conclusões ........................................................................................................................... 49 Referências ............................................................................................................................... 51 ANEXO A: Guião da Entrevista .............................................................................................. 53 ANEXO B: Agenda de um evento Startup Pirates ................................................................... 56 ANEXO C: Palavras Chave usadas na construção do modelo ................................................. 57
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates vi Índice de Figuras Figura 1 Linha temporal do Startup Pirates (em análise) ........................................................... 3 Figura 2 Processo de criação de um grafo no Graphviz ............................................................. 8 Figura 3 Exemplo de um grafo criado a partir do modelo do Excel .......................................... 9 Figura 4 Conceito do Startup Pirates ........................................................................................ 14 Figura 5 Comparação Visitas/Pageviews entre junho e julho 2011/2012 do site global ......... 24 Figura 6 Comparação Visitas/Pageviews entre julho e agosto 2011/2012 do site global ........ 25 Figura 7 Evolução das Visitas/Pageviews do site global desde junho 2011 a agosto 2012 ..... 25 Figura 8 Indicadores de Visita do site global de junho 2011 a agosto 2012 ............................ 26 Figura 9 Indicadores de Visita do site do Startup Pirates@Porto de junho a agosto 2012 ...... 27 Figura 10 Evolução das Visitas/Pageviews do site do Startup Pirates@Porto nos meses de junho, julho e agosto 2012 ........................................................................................................ 27 Figura 11 Distribuição geográfica das visitas ao site do Startup Pirates@Porto entre junho e agosto 2012 ............................................................................................................................... 28 Figura 12 Distribuição geográfica das visitas ao site global entre junho 2011 e agosto 2012 28 Figura 13 Origem geográfica dos gostos da página do Startup Pirates no Facebook (julho - agosto 2011) ............................................................................................................................. 29 Figura 14 Origem geográfica dos gostos da página do Startup Pirates no Facebook (julho - agosto 2012) ............................................................................................................................. 29 Figura 15 Rede de Valor do Startup Pirates ............................................................................. 35 Figura 16 Exemplo do ficheiro Excel criado para a análise ..................................................... 37 Figura 17 Excerto da tabela dinâmica criada no Excel ............................................................ 37 Figura 18 Mapa do Business Model Canvas proposto por Osterwalder e Pigneur (2010) ....... 39 Figura 19 O Modelo de Timmons para o processo empreendedor (Timmons, 2008).............. 40 Figura 20 Grafo de ligação da equipa e proposta de valor ....................................................... 42 Figura 21 Grafo de ligação da equipa e a oportunidade antes do Startup Pirates@ Porto (Ex_Ante_SPPorto) .................................................................................................................. 43 Figura 22 Grafo de ligação da equipa e a oportunidade após o Startup Pirates@ Porto .......... 44 Figura 23 Grafo de ligação da proposta de valor e oportunidade ............................................. 45 Figura 24 Grafo de ligação da equipa, fundador e oportunidade ............................................. 46 Figura 25 Grafo de ligação da oportunidade e recursos ........................................................... 47
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates vii Índice de Tabelas Tabela 1 Análise do Startup Pirates@ Porto ............................................................................ 15 Tabela 2 Análise do Startup Pirates@ Lisboa .......................................................................... 16 Tabela 3 Modelo de custos e receitas ....................................................................................... 20 Tabela 4 Análise SWOT do Startup Pirates ............................................................................. 33
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates viii
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 1 1 Introdução O Startup Pirates é um acelerador de empreendedores em potência. Foi criado com o objetivo ingénuo de ensinar empreendedorismo, mas este foi rapidamente alterado e é agora acelerar empreendedores, ou seja, dar-lhes uma clara orientação e as competências, as ferramentas e o conhecimento necessário para desenvolverem as suas ideias e posteriormente criarem a sua própria empresa. O Startup Pirates é um projeto português, que nasceu no Porto com uma visão internacional e, por isso, pretende ser um catalisador do empreendedorismo em todo o mundo, querendo estar presente nos mais variados ecossistemas de startups, através da criação de programas de aceleração de uma semana, bem como através de parcerias com eventos e organizações locais. Como acelerador, o Startup Pirates está focado em 3 pilares fundamentais: training, mentoring e o desenvolvimento da ideia. Desta forma, são entrosados os conhecimentos teóricos das mais diversas áreas de gestão como modelos de negócio, gestão de recursos humanos, gestão de equipas, marketing e desenvolvimento do modelo e plano de negócio, com uma componente muito prática que vai desde a estruturação de um modelo de negócio, ao desenvolvimento de um produto/serviço até à apresentação do modelo de negócio construído a potenciais investidores. Todo o conhecimento é transmitido por empreendedores e mentores experientes e ligados a várias áreas que estão disponíveis para orientar os participantes. O programa do Startup Pirates foca-se na realização de workshops durante as manhãs, relacionados com as variadas áreas teóricas mencionadas anteriormente. Durante as tardes existem blocos de trabalho nas ideias, horas de consultoria com mentores e algumas conversas com empreendedores. No final da semana de trabalho, todas as equipas têm de apresentar os seus modelos de negócio a investidores que os irão avaliar e aconselhar. Os melhores modelos irão receber prémios que visam ajudar na criação da empresa, como, por exemplo, incubação, licenças de software, espaço de trabalho, consultoria, etc. A expansão do Startup Pirates assenta sobre um modelo de licenciamento em que a equipa fundadora dá uma licença de operação às equipas locais. Assim, os programas são organizados por equipas locais, com experiência na área e conscientes do ecossistema empreendedor local, que, com a ajuda da equipa fundadora, desenvolvem os programas com autonomia, desde que obedecendo ao conceito base. Este modelo foi escolhido para tornar a expansão mais rápida e eficaz.
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 8 A BNML é uma metodologia que pode ser utilizada para facilitar a análise de narrativas. Como o caso em análise é ligado ao empreendedorismo, as ontologias escolhidas para suportar a classificação de cada segmento da narrativa foi o Business Model Canvas, o Modelo de Timmons, a Ontologia de Ushold e a Análise de redes de valor de Allee. A cada momento da narrativa, foi associado um ator, o papel desempenhado por ele e uma classificaçãp através da projeção desse segmento nas quatro ontologias, sempre sustentado por evidências textuais das entrevistas. Nas fases de Yin (2011), esta etapa corresponde à desmontagem. Após o modelo estar construído, é criada uma tabela dinâmica (pivot table) no Excel que é utilizada como base dos grafos criados no Graphviz tal como exemplificado na Figura 2. Esta etapa pertence à terceira fase do ciclo de Yin (2011), reconstruir. A partir do momento em que a tabela dinâmica está criada, é possível experimentar várias associações das variáveis criando diversos grafos que, após análise, irão revelar as ligações existentes na narrativa. Estes grafos constituem uma forma muito rápida e visual de perceber essas ligações, tal como visível na Figura 3. Após a geração dos grafos é possível terminar o ciclo de Yin (2011) com a interpretação dos mesmos e a redação das ilações tiradas. Figura 2 Processo de criação de um grafo no Graphviz
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 9 É possível criar uma infinidade de grafos, dependendo das diferentes conjugações de termos que for feita na tabela dinâmica. Para uma melhor compreensão da BNML, aconselha-se a leitura de Oliveira e Ferreira (2011) e Costa e Ferreira (2012). Figura 3 Exemplo de um grafo criado a partir do modelo do Excel
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 10 3 Apresentação do projeto Startup Pirates Neste capítulo será feita uma apresentação do Startup Pirates e dos acontecimentos que escreveram a sua história. De forma a proporcionar um maior entendimento da organização e do seu projeto, será também explicado, como maior detalhe, qual o conceito que sustenta os eventos organizados. 3.1 Motivação Inicial Os desafios impostos pela crise económica e financeira e pela consequente elevada taxa de desemprego levam a que seja necessário procurar soluções criativas para os problemas sociais de hoje e, ao mesmo tempo, arriscar e criar o próprio emprego. Deixaram de existir empregos para toda a vida, a segurança no trabalho é mínima, as taxas de desemprego escalam para números nunca antes registados e os empregos que hoje damos como garantidos, poderão deixar de o ser num ano e até deixar de existir daqui a vinte anos. Para ser possível a sociedade superar as dificuldades que se vão condensando e preparar-se para os desafios com que se depara, é necessário um conjunto de competências diferenciadoras, que vão desde a criatividade, ao pensamento crítico, passando pela capacidade de resolver problemas, lidar com a incerteza e lançar projetos próprios. Na maior parte dos casos, os sistemas de ensino ainda não estão aptos para preparar os alunos para esta nova realidade e para as novas necessidades do mercado de trabalho. Por se ter identificado este problema social, que constitui também um gap de mercado, surgiu o Startup Pirates. Na universidade, os estudantes são treinados para estudar e aprender, saindo de lá com conhecimentos técnicos e com capacidade para desenvolver produtos/serviços, mas muitas vezes sem grande desenvolvimento de competências pessoais, como por exemplo capacidade de identificar tendências, liderar e gerir pessoas. Quando esses estudantes, após a conclusão dos estudos ou não, tencionam entrar no mundo dos negócios, apercebem-se que essas são competências muito importantes, assim como conhecer os mercados, saber como os abordar, como reunir uma equipa, quais as implicações legais, entre muitos outros causadores de constrangimentos. A grande maioria nem sabe por onde começar. Tem uma ideia de negócio num momento Eureka e não sabe sequer o que fazer com ela, nem a quem se dirigir para encontrar orientação. Os membros da equipa conheciam vários casos como este e estavam descontentes com esta situação, pois apesar de estarem envolvidos na organização de vários
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 11 eventos ligados com a temática do empreendedorismo, sentiam que não estavam a ser eficazes no que faziam. Existem outros eventos que, tendo identificado esta lacuna, tentam ajudar através de conferências de cariz mais informativo, outras com o intuito de inspirar que, por mais motivadoras que sejam, não impelem a uma ação direta. No caso das informativas, normalmente são focadas em assuntos específicos e, para alguém que não tenha noção nenhuma do tema e dos seus conceitos, tem de frequentar várias e é muito complicado conseguir encontrar, frequentar e tirar o melhor partido das mesmas. Outros eventos são chamados de Bootcamps e são mais vocacionados para a prática, mas ou têm uma duração muito curta (fim de semana) ou muito longa (mês, semestre, etc.) e a obtenção de conhecimento é muito escassa. Há uma maior aposta no networking e partilha de ideias entre os participantes e por vezes mentores que, através do trabalho que desenvolvem, adquirem algumas competências. O Startup Pirates pretende condensar num programa de oito dias um rol de experiências e conhecimentos que, juntamente com as horas de trabalho e acompanhamento de mentores, contribui para uma maior aquisição de informação e crescimento pessoal que permitirá uma abordagem diferente no trabalho das ideias de negócio e a efetiva criação da empresa. Nessa semana são desenvolvidos modelos de negócio que, no final, serão apresentados a investidores. Os prémios do evento são também pensados de forma a ajudar na longa jornada que espera os que se atreverem a implementar os seus modelos. Os participantes têm uma semana intensa de trabalho e absorção de conhecimentos que os ajudará a deixar de procrastinar. No final dessa semana, terão o primeiro pequeno passo dado para criarem a sua empresa. Isto aplica-se aos participantes que não sabiam como trabalhar a sua ideia nem que rumo lhe dar. Existem também participantes que estão no evento porque, apesar de não terem nenhuma ideia no momento, sabem que ser empreendedor é algo que está nos seus planos e, como tal, aproveitam o Startup Pirates para se prepararem para quando estiverem prontos para dar esse passo. Há outros ainda que participam porque não têm qualquer noção dos conceitos abordados e querem perceber os artigos sobre startups e criação de empresas que cada vez mais invadem a comunicação social. Assim, ao nível do mercado alvo, o Startup Pirates está focado em dois grupos específicos: estudantes universitários e recém-licenciados/mestres.
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 12 Apesar das Universidades/Politécnicos estarem a direcionar esforços e recursos para a promoção/ensino do empreendedorismo, através de experiência própria, concluímos que este esforço não é ainda suficiente para criar uma verdadeira cultura empreendedora, na maior parte dos países da Europa, África, América Latina e Ásia e para responder às novas exigências do mercado de trabalho atual. Assim, ao nível geográfico, o mercado alvo atual do Startup Pirates é o Europeu e o Norte de África, sendo que nos próximos meses, com o aumento do reconhecimento da marca e consolidação do conceito, pretende chegar também à América Latina e Médio Oriente. 3.2 Criação da equipa O Startup Pirates nasceu de um conjunto de coincidências, cruzamento de círculos sociais e vontade de ver as coisas efetivamente a acontecerem, pois foi mesmo assim que se juntaram as cinco pessoas que compõem a equipa fundadora do Startup Pirates. Por razões académicas, gostos pessoais e amigos em comum os cinco fundadores ficaram a conhecer-se e a saber do interesse comum pela temática e a vontade de fazer algo diferente. A Inês Silva lançou a ideia que cativou os restantes quatro elementos que, em conjunto a trabalharam e transformaram no Startup Pirates. A equipa não foi especificamente escolhida para desenvolver este projeto, mas pelo acaso e vontade de cada um deles, a equipa formou-se e tem vindo a trabalhar de forma muito complementar. Este bom funcionamento da equipa deve-se, muito provavelmente, ao facto de o Startup Pirates ter nascido desta forma muito orgânica e ter continuado a funcionar da mesma forma. A Ariana e o João estão a terminar o Mestrado Integrado em Engenharia Industrial e Gestão, a Inês é licenciada em Gestão, a Daniela tem o Mestrado em Ciências Farmacêuticas e o Rafael o Mestrado Integrado em Engenharia Informática. As formações académicas dos elementos, assim como a sua experiência pessoal/profissional também têm contribuído bastante para o sucesso do projeto. 3.3 Primeiro ano do Startup Pirates Após a idealização do conceito a explorar, a equipa focou-se na criação da imagem e identidade do Startup Pirates e do seu programa. Este processo iniciou-se em março e em julho de 2011 foi feita uma festa de lançamento oficial do Startup Pirates no Hard Club, Porto.
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 13 Neste momento a equipa apenas tinha pensado no possível modelo de negócio a usar, uma vez que, antes de se dedicar à criação do seu plano de negócios, queria fazer uma validação de mercado, tal como aconselhado por Bel Pesce, pois “as empresas precisam de ser pacientes para validar o seu mercado e produto. As empresas que têm sucesso não são aquelas que criam rapidamente o produto que têm em mente. As empresas que têm sucesso são aquelas que aprendem o mais rapidamente possível. Essas empresas montam um ciclo de feedback que usam para validar as suas suposições.(…) No método da Lean Startup, esse feedback é chamado de Construir-Medir-Aprender( Learn, Build, Measure)”. (Pesce, 2012) Como tal, a equipa começou a trabalhar na organização do seu primeiro evento que serviria para perceber a aceitação do mercado. No dia 28 de agosto teve início o Startup Pirates@ Porto. O primeiro evento contou com trinta participantes de várias nacionalidades. Dos sete modelos de negócio que surgiram no final da semana, três foram eleitos pelo júri como vencedores. Desses três projetos, dois usufruíram dos prémios e iniciaram o processo de incubação na UPTEC e continuam a trabalhar no sentido de desenvolverem as suas Startups. Uma delas, a Uniplaces, já fechou uma ronda de investimento de 200.000 euros, deslocou-se para Lisboa após o final da incubação no Porto e ganhou um prémio de aceleração no Chile, entre outros inúmeros reconhecimentos. Ainda durante a realização do Startup Pirates@Porto, houve uma manifestação de interesse de um grupo de pessoas de Lisboa para serem a primeira equipa local. O interesse inicial transformou-se em extrema vontade e dedicação que culminaram num ótimo evento no início de fevereiro de 2012, no qual a Ariana Brás e o Rafael Pires estiveram presentes a representar a equipa fundadora. Uma das participantes deslocou-se da Eslováquia a Lisboa pois estava interessada em levar o conceito para Bratislava. Por ter gostado da semana que passou em Lisboa, decidiu definitivamente organizar um evento na sua cidade e o Startup Pirates conseguiu assim iniciar a sua presença internacional. Seguiram-se presenças e intervenções dos fundadores em inúmeros eventos por toda a Europa de forma a dar a conhecer o conceito do Startup Pirates. Como resultado, têm surgido cada vez mais pessoas interessadas em organizar eventos nas suas cidades. Em novembro de 2011 o Startup Pirates decidiu alargar um pouco o seu conceito e organizar uma Startup Pirates Battle no Porto. O objetivo deste evento era dar exposição a startups que estivessem já num nível avançado para o programa de uma semana.
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 14 Num dia, um grupo de startups pôde combater entre si, usando o pitch das suas ideias de negócio, em frente a uma audiência e um júri atento, constituído por investidores. Houve também uma conferência entre as batalhas e uma pequena feira de startups. O Startup Pirates encontra-se agora num momento bastante delicado, pois continua com o objetivo de expansão mundial, mas a equipa tem a noção de que crescer não pode ser o único objetivo e estão a trabalhar na fundamentação da metodologia do programa e cimentação das suas fundações para que o Startup Pirates possa, efetivamente, continuar a crescer, mas de forma sustentável e segura. O objetivo agora é criar um modelo de negócio não só escalável, mas sustentável. 3.4 Eventos Startup Pirates O Startup Pirates criou o seu próprio conceito, que se tem revelado bastante eficaz. O conceito que sustenta o programa de 8 dias é o esquematizado abaixo na Figura 4. Os participantes selecionados para participar no Startup Pirates podem ou não ter uma ideia de negócio que queiram desenvolver. Após algumas atividades que estimulem a criatividade e que lhes permita conhecerem-se um pouco melhor, os participantes são convidados a apresentarem ideias de negócio em sessenta segundos. Cada participante pode não apresentar nenhuma ideia, ou apresentar várias. Após os momentos de pitch, os participantes votam nas ideias que acharam ter maior potencial. As mais votadas serão desenvolvidas durante a semana. O promotor de cada ideia escolhida irá de seguida construir uma equipa de acordo com as preferências dos seus colegas. Durante a restante semana, os participantes irão frequentar workshops sobre variados temas como marketing, gestão de equipas, direito, desenvolvimento de produto, entre outros, que lhes permitirão desenvolver os seus modelos de negócio nas horas que terão para dedicar ao trabalho das ideias. Ao final da tarde serão visitados por mentores experientes ligados a variadas áreas e que lhes poderão dar conselhos e orientações muito valiosas. Complementando esta formação, poderão também conhecer e conversar com Figura 4 Conceito do Startup Pirates
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 15 outros empreendedores convidados que irão partilhar a sua história. No final de sete dias muito intensos, as equipas têm de apresentar os seus modelos de negócio a um júri composto por investidores rigorosos que irão avaliar o potencial dos modelos apresentados (ver o exemplo de uma agenda no Anexo B). Com isto, os participantes têm a oportunidade de aumentar a sua carteira de contactos, acrescentando pessoas que podem ser muito relevantes na sua vida profissional, alargar horizontes, adquirir vários conhecimentos, trabalhar uma ideia de negócios, aprender como se faz um modelo de negócios e usufruir de uma experiência muito intensa e enriquecedora. Tal como já referido, até ao momento, o Startup Pirates conta com oito eventos organizados. No entanto, seis dos quais foram realizados muito recentemente, o que não permite que sejam analisados com a profundidade pretentida, pelo que a análise seguinte apenas se irá focar nas primeiras edições do Startup Pirates@ Porto e Startup Pirates@ Lisboa, que decorreram em setembro de 2011 e fevereiro de 2012, respetivamente. Análise do Startup Pirates@Porto Após a realização de cada evento, a organização elabora um relatório de satisfação e impacto com base em questionários feitos aos participantes. Os resultados alcançados no primeiro evento encontram-se apresentados na Tabela 1. Tabela 1 Análise do Startup Pirates@ Porto Participantes 30 Participantes 5 Países (Portugal, Argentina, África do Sul, Alemanha e Reino Unido) Idades compreendidas entre os 17 e os 41 anos Formações distintas (Farmácia, Arquitetura, Psicologia, História da Arte, Design, Engenharia, etc.) Ideias e Equipas 16 Ideias apresentadas 7 Ideias foram desenvolvidas por equipas durante a semana 3 Ideias foram escolhidas como vencedoras 2 Startups foram criadas Feedback dos Participantes (cotação de 1 a 5, ordem crescente de satisfação) Recomendaria o Startup Pirates a um amigo? 4.9 Organização do Evento 4.6 Oradores 4.3
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 16 Comentários dos participantes Abaixo encontram-se alguns dos comentários feitos pelos participantes. Devido ao caráter internacional do evento, a língua utilizada é o inglês. “Great opportunity to develop and acquire tools to become an entrepreneur. Great workshops. Great team Startup Piratesirit. Extremely useful.” “Nicely done! I am very grateful to have an opportunity like this, to experience some of the best workshops I attended so far and to work on a business idea and present it to investors. Really great job. Keep up the good work. ” “I don't intend to use what I've learned so far yet, but I'll be definitely an entrepreneur one day, and this week is making me realize I want to be that person sooner than I thought, because the ideas keep rising on and on in my head and I want to thank Startup Pirates for that.” Análise do Startup Pirates@ Lisboa Tal como no evento do Porto, também foram recolhidos dados no evento de Lisboa que se estão apresentados na Tabela 2. Tabela 2 Análise do Startup Pirates@ Lisboa Comentários dos participantes “Only a word comes to mind about them all, excellent, and completely above my expectations.” “The workshops and talks were awesome! I learned a lot in just one week. I really get out of my comfort zone and I'm not regretting anything. It was all amazing!” “It's rather hard to say what went particularly well because the whole event was absolutely unforgettable” Participantes 32 Participantes 6 Países (Portugal, Brasil, Israel, Polónia, Eslováquia e Suiça) Idades compreendidas entre os 20 e os 37 anos Formações distintas (Marketing, Turismo, Gestão, Arquitetura e várias Engenharias: Civil, Informática, Mecânica, Biomédica, Electrotécnica e Aeroespacial). Ideias e Equipas 28 Ideias apresentadas 9 Ideias foram desenvolvidas por equipas durante a semana 3 Ideias foram escolhidas como vencedoras 3 Startups foram criadas Feedback dos Participantes Satifação com o Evento (cotação de 1 a 5, ordem crescente de satisfação) 4.8 NPSNet Promoter Score (permite quantificar a lealdade dos clientes à marca) 96,5%
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 17 4 Análise do contexto Após uma apresentação mais detalhada do Startup Pirates, neste capítulo irá ser feita uma análise à organização e ao ambiente em que esta se insere, de forma a perceber melhor toda a sua envolvente. 4.1 Análise do Ambiente Interno Uma análise cuidada do ambiente interno das empresas permite avaliar as suas forças e fraquezas, assim como as suas capacidades e competências. Com isso é possível traçar um diagnóstico da empresa e fazer uma avaliação das suas condições de sobrevivência no mercado. Como o Startup Pirates não é, pelo menos por agora, uma empresa e sim uma associação sem fins lucrativos, não poderá ser avaliada pelos mesmos critérios que empresas cujo objetivo principal é obter um Cash Flow positivo. A análise também não poderá ser muito exaustiva, uma vez que o Startup Pirates apenas conta com um ano de existência. No entanto, há alguns pontos que podem ser analisados e que podem ajudar a uma reflexão e, possivelmente, conduzir a algumas melhorias. Recursos É com base nos seus recursos, tangíveis e intangíveis, que uma organização consegue criar as suas capacidades e competências centrais e, por conseguinte, as suas vantagens competitivas. Tangíveis Físicos Recursos Humanos o Reuniões semanais de ponto de situação entre os membros fundadores o Utilização da plataforma PODIO de forma a concentrar e facilitar a comunicação o Reuniões de ponto de situação com os líderes das equipas locais o Entrevista aos interessados em organizar um evento para perceber se podem ou não criar uma equipa local o Nas equipas locais, preferência a pessoas ligadas ao empreendedorismo, com experiência de organização de eventos, rede de contactos alargada e apoio de algum núcleo/associação/instituição o Proximidade aos participantes e abertura para dar apoio após os eventos Intangíveis Marca e Reputação
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 24 Análise da Notoriedade da Marca Site Global e site do Startup Pirates@Porto Graças às novas tecnologias, já é possível ter uma noção, mesmo que meramente ilustrativa, da notoriedade ganha pelas marcas ao longo do tempo. Isto é possível graças à internet que nos permite monitorizar a evolução das visitas aos sites e também da adesão às páginas criadas no Facebook. De forma a ter uma melhor perceção da evolução das visitas ao site, foi comparado o número de visitas nos mesmos meses de 2011 e 2012. A 29 de junho de 2011 foi enviada uma Newsletter a anunciar o lançamento do site global. O seu lançamento oficial foi feito a 5 de julho. Como tal, esta comparação só pode ser feita nos meses de junho, julho e agosto. Esta comparação não ilustra fielmente a variação de visitas, porque o Startup Pirates tem um site global onde é feito o registo dos novos eventos e comunicados gerais e, para cada evento local, é criado um site que é gerido pela sua própria equipa. Como tal, os únicos sites monitorizados pela equipa fundadora são o global e o site local do Porto. Daí que apenas seja possível a apresentação desses dados. De qualquer das formas, sendo os sites online há mais tempo, são aqueles que possibilitam uma melhor análise. O único constrangimento é que a equipa só começou a monitorizar o site do Porto a partir de junho de 2012 (Figura 5), não permitindo comparar os valores de forma a retirar conclusões fidedignas. Figura 5 Comparação Visitas/Pageviews entre junho e julho 2011/2012 do site global É possível verificar os aumentos de visitas em datas imediatamente após a divulgação do site, especialmente o pico visível no dia 5 de julho em que foram registadas 222 visitas e 743 pageviews. Em 2012, as visitas mantiveram-se constantes, uma vez que não houve grandes anúncios que as impulsionassem.
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 25 No período de julho a agosto já se verifica claramente um aumento de visitas em 2012 (Figura 6). É interessante perceber que foram registadas duas quebras acentuadas nas visitas em 2012 que as aproximaram dos valores de 2011 mas, numa análise geral, os valores mais recentes foram quase sempre superiores, espelhando um claro aumento no reconhecimento da marca (Figura 7). Desde o lançamento do site global, há 14 meses, este já foi visitado por 14.663 pessoas. Um número significativo, especialmente por, como já referido anteriormente, cada iniciativa local ter um site próprio. Como é visível na Figura 8 8, dessas 14,663 visitas, cerca de 5.240 são visitas recorrentes, demonstrando que, para além de atrair novas pessoas com uma taxa de 73.54%, consegue captar a atenção de cerca de 26.38% que continuam a visitar o site. Figura 6 Comparação Visitas/Pageviews entre julho e agosto 2011/2012 do site global Figura 7 Evolução das Visitas/Pageviews do site global desde junho 2011 a agosto 2012
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 26 A média temporal que os visitantes despendem na consulta do site é de 1 minuto e 31 segundos, demonstrando que há uma consulta do site e não apenas uma passagem rápida. No entanto, a taxa de “rejeição” (Bounce Rate) do site é de 59.60%. Este facto deve-se, muito provavelmente, à baixa taxa de atualização do site, uma vez que este é um site estático que pretende compilar todas as informações do Startup Pirates relativamente ao conceito, equipa, eventos, etc. Este fator pode fazer com que pessoas que já tenham visitado o site o façam novamente para verificar se há novidades e, como a página se mantém igual, não continuam a navegação. Os sites locais são feitos em versão blogue, pelo que a atualização das entradas é feita com muito mais frequência, sendo os sites muito mais dinâmicos. No caso do site global, houve uma aposta na dinamização das redes sociais, nas quais são feitos vários posts diariamente. Seria interessante poder comparar a taxa de rejeição dos sites locais durante o mesmo período de análise mas, por falta de dados, esta análise não é possível. Com ela seria possível perceber se há, de facto, relação entre a atualização do site e rotação de conteúdos com a taxa de rejeição do mesmo. Como se pode verificar na Figura 9, contrariamente ao esperado, a taxa de rejeição é de 62.31%, superior à taxa de rejeição do site global. No entanto, este valor é apenas referente ao período de 3 meses, enquanto no site global a análise foi feita em 14, pelo que os valores não são comparáveis. Figura 8 Indicadores de Visita do site global de junho 2011 a agosto 2012
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 27 Figura 9 Indicadores de Visita do site do Startup Pirates@Porto de junho a agosto 2012 Pode apenas ser considerado como um indicador que a divulgação da marca não está a ser muito assertiva, atingindo muito público que não está interessado na temática e conceito. Mas sem dados mais concretos, apenas é possível especular. No entanto, o tempo médio de visita do site é de 2 minutos e 19 segundos, indicando que há interesse por parte das pessoas que consultam o site em analisar os seus conteúdos. A taxa de 30.53% de retorno ao site também indica que o site consegue fazer com que as pessoas queiram manter-se atualizadas sobre o evento. Contudo, só em junho do próximo ano será possível perceber o desempenho do site e a real evolução do comportamento dos visitantes. Como é possível verificar na Figura 10, em 3 meses o site do evento do Porto teve apenas 4,072 visitas. Contando que ele está online desde julho de 2011, este valor não pode ser tido em consideração. Figura 10 Evolução das Visitas/Pageviews do site do Startup Pirates@Porto nos meses de junho, julho e agosto 2012
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 28 Como pode ser verificado na Figura 11, apesar do curto período em análise, o Startup Pirates@Porto conseguiu alcançar algum público estrangeiro. Figura 11 Distribuição geográfica das visitas ao site do Startup Pirates@Porto entre junho e agosto 2012 No caso do site global, nos 14 meses em análise, foram registadas visitas significativas em 10 países (Figura 12). Em cada um deles há valores de visitas superiores a 300, pelo que denota uma presença efetiva nesses países. Como seria de esperar, visto o projeto ter nascido no Porto, o país com mais entradas, cerca de 12,000, é Portugal. De qualquer das formas, denotase que o esforço de internacionalização está a ter efeito, havendo uma grande disseminação da iniciativa em áreas geograficamente afastadas de Portugal. Figura 12 Distribuição geográfica das visitas ao site global entre junho 2011 e agosto 2012
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 29 Estes números são, muito possivelmente, consequência da referência ao Startup Pirates em alguns dos maiores blogues internacionais. Com essas publicações foram conseguidas cada vez mais equipas locais interessadas em organizar o evento nos seus países. Houve também uma aposta da equipa em fazer divulgação do projeto pela sua rede de contactos e marcar presença em eventos de revelo na área, de forma a dar a conhecer a marca a mais pessoas. Facebook Foi adotada a mesma estratégia dos sites para as redes sociais, ou seja, no Facebook foi criada uma página para o Startup Pirates, associada ao site global, e uma página para cada um dos eventos locais. Até ao final de agosto a página global reuniu 2.187 Gostos. O Facebook permite agora fazer também uma monitorização das páginas. Com ele, é possível analisar o desempenho da página, saber mais sobre o público criado e perceber se este é ou não o alvo da divulgação, assim como otimizar as publicações de acordo com o tipo mais popular de forma a aumentar a audiência. Foi comparado o período de um mês em 2011 e o mesmo período em 2012 para verificar qual o desenvolvimento da página. Como é possível verificar nas Figuras 13 e 14, houve uma enorme evolução na notoriedade da marca, não só nacional como internacionalmente. Figura 13 Origem geográfica dos gostos da página do Startup Pirates no Facebook (julho - agosto 2011) Figura 14 Origem geográfica dos gostos da página do Startup Pirates no Facebook (julho - agosto 2012)
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 30 4.2 Análise do Ambiente Externo O Mundo está em crise e o empreendedorismo está na moda. As grandes empresas fecham as portas e a esperança deposita-se nas novas empresas. Apesar das políticas governamentais demonstrarem que as pequenas e médias empresas são o caminho, são as novas empresas que criam mais emprego e estão em expansão. É verdade que muitas delas acabam por não resistir às dificuldades que o tempo apresenta, mas dinamizam o seu ecossistema, dão trabalho e proporcionam crescimento pessoal e profissional aos seus colaboradores, normalmente num ambiente informal mas de muito comprometimento e entreajuda. O empreendedorismo sempre existiu e, felizmente, há inúmeras referências na nossa História que o demonstram, mas nem sempre existiu o interesse de se promover este espírito, no entanto, agora está na moda falar de empreendedorismo. A comunicação social está repleta de notícias sobre empreendedorismo e casos de sucesso, numa tentativa de elevar a moral da nação, demonstrando que há outros caminhos e pessoas que alcançam o sucesso ao trilhá-los. Na conjuntura económica atual, estando a taxa de desemprego a escalar para números nunca antes registados, a sociedade encara o empreendedorismo como um das formas de combater este flagelo, para além de ser uma forma de o Estado se desresponsabilizar da falta de postos de trabalho e incentivar a população a enveredar pelo autoemprego. No entanto, as realidades não devem ser misturadas. Apesar de esta situação ter dado mais visibilidade ao empreendedorismo e eventos que o divulgam e dinamizam, este não deve ser visto como a solução para o desemprego. Empreendedorismo não é sinónimo de autoemprego. Apesar de existirem muitos empreendedores que precisam de ser “empurrados fora do ninho”, ou seja, despedidos para reunirem a coragem necessária para iniciarem o seu próprio negócio, isto não significa que todas as pessoas desempregadas o devam fazer ou tenham, no momento, as capacidades necessárias para dar esse passo. Em 2007 formou-se na Universidade do Porto o Clube de Empreendedorismo da UP. Foi o primeiro clube do país a juntar alunos, alumni e funcionários de uma Universidade com o interesse comum pelo empreendedorismo. Já existiam alguns clubes em Portugal, mas eram sobretudo frequentados por pessoas mais velhas já com alguma experiência de trabalho e que, numa altura mais estável da sua vida, se sentiam numa posição confortável para arriscar. Mas o espírito empreendedor não tem de esperar para desabrochar, ele tem tendência a manifestarse desde sempre, apesar de ser possível acordá-lo quando ele está adormecido e a precisar de estímulo e disciplina.
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 31 Como tal, muitas pessoas apercebem-se que não é preciso ter muito para se poder arriscar e que até é melhor não ter nada porque há menos a perder. E assim começou a crescer uma comunidade interessada em ser inspirada, em identificar-se com casos de sucesso, em saber como as coisas começaram e em trilhar um caminho semelhante. Com este interesse crescente e esta vontade de conhecimento, foi crescendo também a oferta de eventos relacionados com esta temática. Por todo mundo nascem iniciativas para promover e apoiar o empreendedorismo e em Portugal tem sido uma verdadeira epidemia. Praticamente todas as semanas são ministrados seminários, workshops, conferências e realizados bootcamps, etc. sobre empreendedorismo. Antes do surgimento desta ideia, toda a equipa do Startup Pirates, tendo um maior ou menor contacto com o mundo empreendedor, tinha conhecimento do que existia no mercado e do que era feito. Assim como também todos conheciam a realidade do ensino Universitário, que, apesar dos recentes esforços de inclusão desta temática, sempre se manteve um pouco à margem deste mundo. Como tal, a equipa achava que o ensino estava um pouco desconetado da realidade empresarial e que quem queria criar a sua própria empresa tinha de recorrer a programas organizados por outras entidades e grupos que não satisfaziam totalmente as necessidades dos participantes. Uma pessoa interessada em instruir-se em assuntos ligados ao empreendedorismo ou mesmo a trabalhar a sua ideia de negócio tem muita dificuldade em fazê-lo, pois apesar de haver eventos, estes são espaçados temporal e geograficamente, alguns são caros e se há temáticas mais populares que são fáceis de encontrar, outras nem tanto. Para além de que quando se pisam terrenos desconhecidos ou menos amigáveis, é sempre bom ter uma orientação. Posicionamento relativamente à concorrência Ao nível da concorrência, existem muitos eventos, programas e aceleradores, que, apesar de procurarem obter os mesmos objetivos, apresentam uma proposta de valor diferente. Assim, a concorrência pode ser dividida em dois grupos: programas de curta duração e os programas de longa duração.
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 32 Programas de curta duração Neste âmbito, podemos salientar o Startup Weekend, evento de 54 horas que, nos últimos 3 anos, foi organizado mais de 400 vezes em todo o mundo e que se foca exclusivamente no desenvolvimento de uma ideia de negócio e posterior apresentação dos resultados a investidores. Este é o programa mais bem sucedido em todo o mundo, contando já com a criação de mais de 5000 startups. A sua expansão internacional continua a crescer, contando com apoios da Google, Microsoft, Kauffman Foundation, entre outros. Têm surgido alguns eventos similares que tentam replicar o conceito um pouco por todo o mundo, sendo que o mais conhecido é o Startup Live, que se assume como uma versão Europeia do Startup Weekend. Programas de longa duração Nos últimos três anos têm surgido um pouco por todo o mundo aceleradores, normalmente com a duração de três meses, e que estão focados em apoiar empreendedores que já se encontram numa fase mais avançada, tendo já desenvolvido a ideia de negócio. Estes aceleradores estão muito focados no mentoring e em proporcionar aos participantes bons contactos junto de investidores e outros potenciais stakeholders. A nível mundial, o mais conhecido programa de aceleração é o YCombinator, mas na Europa podemos encontrar programas como o TechStars, StartupBootcamp, 500 Startups, SeedCamp e Startup Piratesringboard. Concorrentes institucionais Apesar de não serem concorrentes diretos, não podem ser ignorados os inúmeros programas que universidades e até governos estão a criar para promover uma cultura mais empreendedora entre os jovens universitários. 4.3 Análise SWOT A Análise SWOT utiliza as análises ao contexto interno e externo para perceber o comportamento da organização e se o futuro da mesma está comprometido. Após esta análise, cabe à organização tentar compensar as suas fraquezas e transformá-las em forças, que por sua vez são utilizadas para aproveitar as oportunidades e tentar neutralizar as ameaças. A análise SWOT do Startup Pirates encontra-se na Tabela 4
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 33 Tabela 4 Análise SWOT do Startup Pirates Forças Oportunidades Conceito inovador (modelo de desenvolvimento de ideias combinando training e mentoring pelo período de uma semana) Componentes teórica e prática conjugada Semana intensiva de trabalho Atividades extra que ajudam na libertação criativa e relaxamento Enfoque no desenvolvimento da ideia com input de mentores experientes de várias áreas Permite desenvolver um modelo de negócio Permite aquisição de conhecimentos relacionados com o empreendedorismo Marca e imagem apelativas Criação de um ambiente pirata a envolver os eventos e a comunicação Curta duração (oito dias) Inglês como língua oficial (possibilita a internacionalização) Seleção dos participantes Condensação de várias aprendizagens no mesmo evento Escalabilidade (interesse demonstrado por diversas entidades nacionais e internacionais em acolher e organizar programas) Estilo de gestão moderada (o dinheiro é gasto de forma cuidadosa, assim como o uso dos recursos disponíveis) Equipa (a experiência da equipa na organização de eventos ligados ao Empreendedorismo e a sua ligação a redes internacionais (Sandbox, ESTIEM, etc) e organizações internacionais que promovem iniciativas semelhantes (Startup Weekend ou Startup Live)) Impacto Socioeconómico (5 startups criadas em 2 eventos) Sinergias com Redes/Organizações Internacionais Parcerias com empresas/instituições cujos serviços sejam complementares ao do Startup Pirates Parcerias com empresas/instituições cujos serviços/produtos sejam úteis aos vencedores Parcerias com entidades que queiram patrocinar a participação de determinadas pessoas nos eventos Startup Pirates Mudança de alguns dos membros fundadores para outros países de forma a poder explorar outra rede de contactos Criação de uma metodologia própria e reconhecida Oportunidades de expansão (a reduzida presença dos concorrentes em alguns países/regiões com alto potencial de desenvolvimento socioeconómico (casos de África e Ásia) são oportunidades que a equipa está a explorar. Os eventos na Argélia e Macau já estão confirmados e poderão ser utilizados para desenvolver esta presença Apoio global ao empreendedorismo (no contexto económico atual, governos de diversos países têm apostado na promoção e apoio ao empreendedorismo. Iniciativas semelhantes ao Startup America ou Startup Britain vão surgindo em diversos países e são excelentes oportunidades de entrada nesses mercados Fraquezas Ameaças Metodologia não acreditada Inglês como língua oficial (nacionalmente pode não ser bem aceite e é um fator inibidor para as pessoas com pouco domínio da língua) Modelo ainda não sustentável financeiramente Possibilidade de problemas com as equipas locais pela pouca proteção dada pelo licenciamento Envolvimento crescente da comunidade, mas ainda reduzido Grande responsabilidade de gestão dos colaboradores devido à sua crescente dimensão Não profissionalização da equipa (dois elementos já se encontram a trabalhar a full time no projeto, mas seriam necessárias mais pessoas) Reduzida presença internacional (comparativamente aos concorrentes, o Startup Pirates ainda tem uma presença internacional reduzida) Posicionamento/Escala de potenciais concorrentes (marcas potencialmente concorrentes, nomeadamente o Startup Weekend e StartupLive, têm atualmente uma presença internacional mais forte que a do Startup Pirates. Alguma alteração no modelo dos referidos concorrentes que o aproxime mais do modelo inovador do Startup Pirates poderá ter um impacto negativo e na perda da vantagem competitiva) A sua crescente dimensão torna-o apetecível para a concorrência local e global • Entrada de novos players (a escala atual do Startup Pirates não o protege em caso de entrada de um novo player. A potencial entrada de um novo player com mais recursos humanos e financeiros poderá diminuir as oportunidades de expansão). Falta de entidades patrocinadoras e parceiras
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 40 Para finalizar, a empresa tem de ter bem presente quais os canais que vai utilizar para atingir os seus segmentos de clientes de forma a mostrar a sua proposta de valor. Para um conhecimento mais extenso e profundo do Bussiness Model Canvas, consultar Osterwalder e Pigneur (2010). Modelo de Timmons Este modelo foi desenvolvido por Jeffery Timmons como tese de doutoramento. A sua simplicidade e facilidade de compreensão, juntamente com a contínua pesquisa e casos de estudo, tem elevado este modelo a um guia para os empreendedores. Os três fatores essenciais num projeto empreendedor, segundo Timmons (2008) são a oportunidade, os recursos e a equipa que terão de ser habilmente contrabalançados pelo empreendedor (ou fundador), sendo este, portanto, a base do modelo. Esses fatores têm de se equilibrar mutuamente de forma a manter a sustentabilidade do projeto, como representado na Figura 19. Para uma melhor compreensão do Modelo de Timmons aconselha-se a leitura de Timmons (2008). Figura 19 O Modelo de Timmons para o processo empreendedor (Timmons, 2008)
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 41 5.3 Interpretação e Discussão de dados Através da análise das entrevistas dos cinco fundadores, foi possível perceber que as perspetivas são muito semelhantes, havendo, como seria de esperar, algumas ligeiras diferenças na narração de pequenos acontecimentos. Mas, no geral, os acontecimentos marcantes foram apercebidos por todos de forma muito homogénea. Isto deve-se possivelmente à racionalização desses mesmos acontecimentos que, por ser uma equipa ainda pequena, discute mais vezes o que acontece e acaba por fazer uma interpretação em grupo dos factos. Os testemunhos dos responsáveis das duas equipas locais não foram muito aprofundados, uma vez que estes só tiveram contacto com o projeto após a sua criação e não são envolvidos em questões estratégicas. Numa ótica construtiva apenas se limitam à organização do seu evento e todas as tarefas inerentes a essa ação, pelo que não fazia sentido serem questionados sobre outras coisas para além da sua experiência no projeto. Nas entrevistas foi também possível perceber que a equipa dá imenso valor a parcerias uma vez que estas, quando bem escolhidas, potenciam todos os projetos envolvidos. Como tal, desde o início que o Startup Pirates tem celebrado várias parcerias com diferentes entidades de forma a aumentar a sua rede de contactos, a sua abrangência e os serviços disponibilizados. Como enunciado anteriormente, as perspetivas de análise do modelo criado são o Modelo de Timmons e o Business Model Canvas. Como tal, os grafos criados foram parametrizados segundo esses dois modelos. Foram usados os quatro termos associados ao modelo de Timmons (Recursos, Equipa, Fundador e Oportunidade) assim como os nove termos do Bussiness Model Canvas identificados pelas siglas respetivas (KP-Key Partners; KAKey Activities; KR-Key Resources; VP-Value Proposition; CR-Customer Relationship; CHChannels; CStCost Structure; RS-Revenue Stream; CS-Customer Segments). As palavras chave utilizadas na construção do modelo estão apresentadas no anexo C. A primeira relação que se decidiu explorar foi a do fundador com a equipa por ser uma relação evidente. Como esperado, percebeu-se que o fundador, a Inês, está ligado à ideia que serviu de base ao projeto, assumindo o papel de impulsionadora do mesmo e teve especial impacto na fase inicial, anterior à concretização do projeto onde, usando a sua rede de contactos, conseguiu reunir a equipa do Startup Pirates. Este facto comprova que a rede de contactos é claramente um recurso muito importante e que está em constante expansão e utilização. A ideia do fundador levou a uma avaliação de mercado mais profunda que permitiu
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 42 a identificação da oportunidade concreta. Toda a equipa ajudou posteriormente a definir todas as atividades essenciais ao aproveitamento dessa oportunidade, criando o maior valor possível para os clientes. A partir desse momento inicial, o papel do fundador dilui-se com o dos restantes membros da equipa, passando a fazer sentido que a análise seja feita à equipa em si, sem diferenciação do fundador. Como tal, faz sentido verificar a ligação entre a equipa e a proposta de valor do modelo de negócio como representado na Figura 20. Figura 20 Grafo de ligação da equipa e proposta de valor Na Figura 20 verifica-se uma grande densidade de linhas direcionadas ao Plano de Negócios. Isto denota que a equipa teve sempre presente a necessidade de estruturação e planeamento do projeto. A proposta de valor do Startup Pirates para o seu programa de oito dias é “ experiência de oito dias de aprendizagem e trabalho intensivo na modelação de um negócio, mentoring de empreendedores experientes e apresentação do modelo de negócio a investidores e
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 43 especialistas”. Para a Startup Pirates Battle é “ oportunidade de apresentação de startups a vários investidores e ouvir os seus comentários, sendo também possível colocarem os seus produtos em exposição durante o dia.” Na Figura 20 é percetível que todos os elementos da equipa, independentemente do seu papel no projeto, contribuíram para a criação de valor quer seja através do programa de oito dias quer seja da Startup Pirates Battle. Isto demonstra que houve uma noção constante da importância da proposta de valor e mesmo após a construção do primeiro conceito, a equipa continuou a trabalhar nele e assumiu o risco de o expandir de forma a aumentar o seu segmento de clientes. Demonstra também que após a criação do conceito original, a equipa se apercebeu de outra oportunidade e criou um conceito que fosse capaz de lhe responder. Isto deve-se ao facto de que uma equipa não deve ficar agarrada à ideia inicial e apostar tudo para que esta se concretize. É preciso manter os olhos abertos uma vez que o mercado está em constante alteração e as oportunidades seguem a sua tendência. Neste caso a nova oportunidade detetada não levou à alteração de raiz do projeto, mas sim a um aumento do portfolio de atividades. Isto levanta uma questão pertinente de como é que a equipa reagiu a um aumento da oportunidade. Na Figura 21 encontra-se o grafo que faz essa ligação, antes do evento do Porto, ou seja, no período Ex_Ante_SPPorto. De forma a possibilitar a comparação, foi gerado um grafo com a mesma ligação, mas para o período seguinte, o Ex_Post_SPPorto, apresentado na Figura 22. Figura 21 Grafo de ligação da equipa e a oportunidade antes do Startup Pirates@ Porto (Ex_Ante_SPPorto)
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 44 Inicialmente, a oportunidade detetada que influenciou a criação do conceito original, foi encarada pela equipa como uma atividade chave (KA) sendo que aquando da deteção da segunda oportunidade, esta já foi considerada como um aumento da proposta de valor (VP) do projeto. Este fator demonstra um crescimento da visão de negócio por parte da equipa e é explicado também pelo facto de o primeiro evento ter servido para validação do mercado e como base de sustentação do conceito criado, pelo que, na deteção da primeira oportunidade houve uma maior preocupação com a organização desse evento, enquanto que na segunda oportunidade a equipa se focou mais em explorar a própria oportunidade. De forma a detetar a primeira oportunidade, a equipa realizou uma avaliação de mercado, enquanto que para definir o conceito da Startup Pirates Battle não foi necessário nenhuma pesquisa do mercado. Isto porque, estando a equipa completamente embrenhada no ecossistema empreendedor, apercebe-se das necessidades do mercado sem necessitar de estudos mais formais. É um dos benefícios de conhecer bem o ecossistema onde a organização se movimenta, pois torna a identificação de oportunidades uma ação mais natural e espontânea. Sendo que o próprio avanço de um novo conceito que colmate a falha detetada é feito de forma muito mais célere pois a organização já possui mais ferramentas (marca, rede de contactos, conhecimentos, competências, etc.) que lhe permitem uma maior movimentação na área. Na pesquisa feita na tabela dinâmica (pivot table), após o período Ex_Post_SPPorto, não é detetada mais nenhuma oportunidade. Este facto é explicado com a mudança de perspetiva da Figura 22 Grafo de ligação da equipa e a oportunidade após o Startup Pirates@ Porto (Ex_Post_SPPorto)
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 45 equipa que deixou de encarar os novos eventos como oportunidades e passou a vê-los como crescimento do projeto. Também seria perfeitamente aceitável referir essa fase como oportunidade de expansão, mas pela subjetividade da questão, foi incorporada a opinião da equipa fundadora. Apesar de não ser visível nos grafos, foi patente nas entrevistas a motivação de alguns dos fundadores. Verificando que o número de eventos organizados por equipas locais estava a aumentar e o projeto começava a ganhar impulso e que isso implicava uma gestão mais apertada, não hesitaram em despedir-se e dedicar a totalidade do seu tempo ao Startup Pirates, sendo que neste momento já tem o seu próprio escritório e três pessoas a tempo inteiro. Sendo a oportunidade um fator chave para o sucesso de um projeto empreendedor, tentou-se encontrar a sua ligação com a proposta de valor apresentada (Figura 23). A proposta de valor esteve sempre intrinsecamente ligada à oportunidade, como se pode verificar pela densidade de linhas que ligam os dois campos. Como enunciado anteriormente, através de uma avaliação do mercado a equipa tomou consciência de duas oportunidades e Figura 23 Grafo de ligação da proposta de valor e oportunidade
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 46 adaptou a sua proposta de valor de forma a satisfazer o mercado (após ter ganho maior perceção desta necessidade). A proposta de valor foi sendo ajustada, e ainda o é, conforme a experiência adquirida pela equipa. Esta não é reformulada, mas tem vindo a ser melhorada de acordo com os comentários dos participantes, de colaboradores, de mentores e das próprias equipas locais. A proposta só adquire efetivamente valor quando os segmentos de clientes a que se destina a valorizam e como tal, são todas as ligações apresentadas na Figura 23 que suportam a proposta que o Startup Pirates tem vindo a vender. Como verificado na Figura 20 a propósito da ligação entre a equipa e a proposta de valor e na Figura 23 com a ligação entre a proposta de valor e a oportunidade, verifica-se novamente uma forte ligação entre a equipa e a oportunidade. Toda a equipa esteve envolvida em todos os momentos na deteção de oportunidades de forma a poder ajustar-se e aumentar a sua proposta de valor. Pela sua grande importância na análise, tentou obter-se um grafo onde fossem visíveis as ligações entre as quatro variáveis do Modelo de Timmons; no entanto, a variável recursos é muito extensa e o grafo gerado era demasiado denso e complexo, o que impossibilita a sua apresentação e análise. Na Figura 24 verificou-se apenas a relação entre a equipa, o fundador e a oportunidade. Figura 24 Grafo de ligação da equipa, fundador e oportunidade
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 47 Na Figura 24 percebe-se que há, como já seria de esperar, uma forte ligação entre os recursos e a oportunidade, apesar de este grafo não representar todos os recursos, pois pela complexidade que este atingiria, não poderia ser analisado. Nota-se também que todas as atividades definidas como principais, assim como os recursos, estão ligados à oportunidade, denotando que a equipa nunca perdeu a noção do seu objetivo e os passos necessários para o alcançar. Tal como referido anteriormente, parametrizando com o modelo de Timmons e o Business Model Canvas, a variável recursos apresenta demasiadas ligações, não podendo ser analisada no seu todo, pois o grafo gerado não é analisável devido à densidade das ligações. Como tal, foram selecionadas parte das ligações dos recursos relacionadas com o CH, RS e CS do Bussiness Model Canvas que geraram um grafo no qual se relacionam com a oportunidade (Figura 25). Na Figura 25 percebe-se que há, como já seria de esperar, uma forte ligação entre os recursos e a oportunidade, apesar deste grafo não incluir todos os recursos, pois pela complexidade que este atingiria, não poderia ser analisado. Nota-se também que todas as atividades definidas Figura 25 Grafo de ligação da oportunidade e recursos
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 48 como principais, assim como os recursos, estão ligados à oportunidade, denotando que a equipa nunca perdeu a noção do seu objetivo. Neste momento, o maior problema do Startup Pirates é a sustentabilidade financeira. O fator do Business Model Canvas diretamente associado é o RS (Revenue Stream – Fluxos de Rendimentos). No entanto, há fatores menos óbvios como os CS (Customer Segments – Segmentos de Clientes) e os CH (Channels – Canais). Como tal, essas são também fontes de rendimento direto, no caso dos CH em que os meios de divulgação, querendo ser exclusivos poderão pagar por esse privilégio ou até mesmo apadrinhar um evento sendo o seu nome associado ao mesmo. No caso dos CS, na opinião da autora, é possível que alargando o espectro de ação do Startup Pirates, a equipa possa entrar noutros mercados que lhes permitam aumentar a rentabilidade do projeto. Analisando a Figura 25, é possível perceber que outra forma de aumentar os rendimentos do Startup Pirates é aumentando a Oportunidade. Com este aumento de oportunidade, vai haver um aumento da entrada de dinheiro. Para que isto aconteça, é visível na Figura 25 que os pontos chave do Bussiness Model Canvas que têm se sofrer alterações são as KA (Key Activities – Atividades Chave), os KR (Key ResourcesRecursos Chave) e a VP (Value Proposition – Proposta de Valor). Como tal, na opinião da autora, estes deveriam ser os pontos em que a equipa se deveria focar de forma a tentar assegurar a sua sustentabilidade financeira nos próximos anos. A equipa deveria investir em aumentar o número de eventos locais e continuar a apostar na procura de patrocinadores e parceiros de forma a continuar a aumentar as KA e os KR. Na VP, esta pode ser aumentada criando mais serviços que integrem a mesma, como por exemplo consultoria após o final dos eventos, etc. Após um ano repleto de eventos, seria possível, por exemplo, organizar um evento Startup Pirates Global em que na mesma semana fossem organizados eventos em vários países e os seus vencedores fossem posteriormente disputar a final global, todos reunidos num país ou então por vídeo - conferência, como fosse logística e economicamente viável com os recursos disponíveis. Isto só poderia ser feito após uma boa consolidação do projeto e iria implicar um esforço de gestão muito grande, mas daria uma projeção enorme ao projeto o que poderia atrair não só ainda mais eventos como também patrocinadores maiores.
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 49 6 Conclusões Esta dissertação tinha como objetivo analisar um projeto empreendedor concreto, o Startup Pirates e perceber quais as dinâmicas geradas durante a sua criação e expansão, dando principal enfoque à oportunidade. Foi possível perceber que a equipa definiu muito bem quais seriam os seus objetivos, a curto e longo prazo e traçou os caminhos que teria de trilhar para os alcançar e para além disso, definiu também as métricas pelas quais iria avaliar o seu sucesso. Houve um esforço assertivo por parte de todos os envolvidos no projeto, mesmo dos membros das equipas locais que, não tendo ajudado na componente estratégica, se empenharam na organização dos seus eventos, criando massa crítica e reputação para o Startup Pirates. Desde o início que a equipa manifestou interesse em travar parcerias com entidades que permitissem aumentar o valor do Startup Pirates. A equipa tem conseguido equilibrar os três conceitos chave de Timmons de forma a criar valor para o projeto que tem aumentado a cada evento organizado e parceria celebrada, no entanto, ainda não conseguiu alcançar a sustentabilidade financeira. No momento, três dos fundadores já se encontram a trabalhar a tempo inteiro no projeto, não havendo ainda recursos para os remunerar pelo seu trabalho. A organização tem conseguido transformar vários recursos intangíveis em recursos tangíveis. Esta é a base da criação de um negócio sustentável e de um legado. À medida que for conseguindo converter mais pessoas da sua rede de contactos em eventos e participantes, está a conseguir gerar receitas e entrada de dinheiro na organização. A equipa deverá continuar a investir nos seus recursos intangíveis e assegurar a sua conversão em criação de valor para o projeto. Como tal, os esforços da equipa vão no sentido de encontrar formas de aumentar a sustentabilidade do modelo de negócios que poderá passar por: Começar a atuar noutros mercados, abrangendo mais segmentos de clientes; Gerar receitas através dos canais de comunicação utilizados; Aumentar a proposta de valor (exemplo: aumentar o espetro de serviços disponibilizados); Aumentar o número de eventos locais; Organizar um evento Startup Pirates Global.
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 56 ANEXO B: Agenda de um evento Startup Pirates Abaixo encontra-se a agenda do Startup Pirates@ Porto.
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 57 ANEXO C: Palavras Chave usadas na construção do modelo Modelo Timmons TM_Opportunity TM_Resources TM_Team TM_Founder TM_Exogenous_Forces TM_Business_Plan TM_Ambiguity TM_Uncertainty TM_Capital_Market_Context Bussiness Model Canvas KP-Key Partners; KAKey Activities; KR-Key Resources; VP-Value Proposition; CR-Customer Relationship; CH-Channels; CStCost Structure; RS-Revenue Stream; CS-Customer Segments Ontologia de Ushold EO_Recurso EO_Habilidade EO_Alocação_Recurso EO_Especificação_Atividade EO_Marca EO_Cliente EO_Imagem EO_Promocao Rede de Valor de Allee Referente aos recursos usados (Uses) e construídos (Builds) na organização. Uses_Rede_de_Contactos Uses_Capacidade_Negociacao Uses_Avaliacao de Mercado Uses_Experiencia Uses_Competencias Uses_Competencias_Design Uses_Competencias_Informatica Uses_Imagem_Evento Uses_Divulgação Uses_Artigos_Imprensa
Análise de um Projeto Empreendedor: Startup Pirates 54 Uses_Reputação Uses_Reconhecimento Uses_Sites Uses_Eventos Uses_Conceito Uses_Conceito_Extra Uses_Equipa Builds_Rede_de_Contactos Builds_Capacidade_Negociacao Builds_Avaliacao de Mercado Builds_Experiencia Builds_Competencias Builds_Competencias_Design Builds_Competencias_Informatica Builds_Imagem_Evento Builds_Divulgação Builds_Artigos_Imprensa Builds_Reputação Builds_Reconhecimento Builds_Sites Builds_Eventos Builds_Conceito Builds_Conceito_Extra Builds_Equipa Posição temporal Ex_Ante_SPPorto SP_Porto Ex_Post_SPPorto Ex_Ante_SPLisboa SP_Lisboa Pontos de Extração SP_Ideia SP_Equipa SP_Conceito SP_Estrategia_Comunicacao SP_Site SP_Lancamento_Marca SP_1º_Evento_Porto SP_Battle SP_Lancamento_2º_Evento SP_2o_evento_Lisboa