Formação inicial de professores: entre nada e coisa nenhuma
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Artigo notícias do Dia-a-dia com novo endereço www.apagina.pt/ Dia-a-Dia Edição Impressa Último jornal Nº 184 Dezembro 2008 Nº 184 em Formato PDF PEDIDOS de assinatura do jornal ( Portugal e estran g eiro ) Arquivo ARQUIVO de j ornais anteriores TEXTOS arquivados por autores HOJE: 6.508 textos on-line Pesquisar o arquivo Ou Frase nmlkjinmlkj Pesquisar Dos LEITORES Para submeter artigos, ler regras aqui: PROPOSTAS de publicação INQUÉRITOS em votação A Página da Educação Arquivo - Arti g o Formação inicial de professores: Entre nada e coisa nenhuma O debate cheira a bafio, mas continua a animar fóruns televisivos e páginas de jornais. Nuno Crato, p or exemplo, afirma que uma das razões que explica, hoje, o insucesso escolar dos nossos estudantes tem a ver tanto com as lacunas e o pouco tempo dedicado à formação científica dos seus p rofessores como com a prosperidade curricular das disciplinas relacionadas com o universo das Ciências da Educação no âmbito dos projectos de formação inicial para a docência. Se há quem entenda isto como uma provocação, uma manifestação típica do exercício de má-língua em que os arautos do conservadorismo pedagógico se têm vindo a especializar, há, no entanto, quem responda a afirmações deste tipo, tentando justificar a importância da formação pedagógica dos p rofessores como um factor que contribui para configurar o espaço que permite identificar a especificidade dos seus saberes profissionais. Nós, ao contrário, não nos atrevemos nem a manter o silêncio nem tão pouco a contribuir para dicotomizar o tempo e o espaço relacionados com a formação inicial de professores. Se é certo que não é a excelência dos conhecimentos em Matemática, em Físico-Química ou em História que garantem a excelência do desempenho profissional dos docentes, também é certo que este desempenho não melhora só porque somos capazes de discorrer com propriedade acerca de conceitos tão pertinentes como o de violência simbólica, o de conflito cognitivo ou o de zona de desenvolvimento potencial. Isto não significa que a excelência dos conhecimentos científicos relacionados com as diversas áreas do saber ou o domínio de conceitos derivados da Psicologia e da Sociologia da Educação não têm nada a ver com a qualidade das práticas profissionais dos professores, mas tão somente que é necessário discutir como é que uns e outros contribuem para que estas práticas p ossam constituir uma condição necessária ao Autor do Artigo Ariana Cosme Fac. de Psicologia e Ciências da Educação, Univ. de Porto tr[email protected]t Rui Trindade Faculde de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto tr[email protected] Inf. sobre o artigo Jornal "a Página" Nº 156 Ano 15 | Maio 2006 Pag. 16 Imprimir este artigo Versão para impressão Abre uma nova janela com este artigo numa versão mais amiga da impressora. LIVRARIA PUBLICIDADE EXTERNA Page 1 of 3 12-02-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=4597
INQUÉRITOS em arquivo CONTACTOS e cartas à redacção desenvolvimento de aprendizagens sólidas e significativas por parte dos alunos e, neste sentido, como é que contribuem para a sua formação pessoal e social. N ão se põe em causa, por isso, que a formação científica de um professor possa proporcionar as condições necessárias para que este dialogue com os seus alunos, configure os desafios a propor-lhes ou defina as estratégias de interpelação a que os terá que submeter. É também essa formação científica que poderá permitir que um docente possa gerir os conflitos e os confrontos epistemológicos que necessariamente ocorrem no âmbito de qualquer sala de aula e, deste modo, as competências p edagógicas desse docente não poderão ser dissociadas daquele tipo de formação. Sabemos, no entanto, que a formação científica tem vindo a ser assumida, sobretudo, como a chave que permite ao p rofessor deter a solução dos enigmas que vai p ropondo aos seus alunos, o que não pode deixar de ser associado a uma formação pedagógica que se lhe justapõe e que, como tal, é pouco útil, já que não contribui para estimular ou para ajudar a sustentar o diálogo, os desafios e os confrontos atrás referidos. Deste modo, continuar a apostar na dicotomização do campo da formação inicial dos professores é o mesmo que nos obrigar a optar entre nada e coisa nenhuma. É que a dimensão pedagógica de um p rojecto que se situe no seio daquele campo deverá estar presente no modo como se concretiza a formação científica nesse âmbito, do mesmo modo que a possibilidades de os alunos se apropriarem dos saberes já estabelecidos é potenciada por via da formação pedagógica quando esta contribui para que os futuros docentes compreendam como o acto de aprender é mais do que um processo de descoberta um processo de construção no seio do qual os professores ocupam uma posição estratégica p rivilegiada como actores que permitem andaimar os percursos de aprendizagem dos seus alunos, estabelecer as condições dessa aprendizagem e contribuir, por esta via, para que as escolas se constituam como contextos culturais e educativos. Em suma, de acordo com esta perspectiva, a formação científica no âmbito da formação inicial de professores deverá ter em conta e de forma intencional o propósito profissional que orienta este tipo de formação, do mesmo modo que a formação p edagógica deverá contribuir, sobretudo, para que um professor possa utilizar a sua formação científica como instrumento de intervenção educativa. Com Bolonha à vista e os planos anunciados pelo Ministério da Educação para a formação inicial será Page 2 of 3 12-02-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=4597
que a perspectiva acabada de defender continua a ser uma perspectiva exequível? Quando se sabe que os cursos de formação de professores dos 2º e 3º Ciclos e do Ensino Secundário se deverão desenvolver em função de dois grandes momentos, um primeiro onde se tenderá a privilegiar a formação científica e um segundo onde se parece querer valorizar a formação pedagógica, o que é que se poderá fazer para que não se tenha de optar entre nada e coisa nenhuma? E será possível fazer alguma coisa de jeito se não se puder mudar o cenário da formação inicial de professores que se define a partir de um pro j ecto bi-etápico? Page 3 of 3 12-02-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=4597