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O turismo no Algarve. Padrões de urbanização

Jani Carmo Brito

Abstract

A presente dissertação tem como objectivo contribuir para a melhor compreensão dos diferentes processos de urbanização. O Turismo, pelas suas particularidades e polémicas, será tomado como caso de estudo. As transformações no território são evidentes, tornando-se urgente um melhor entendimento dos vários actores, contextos, escalas e velocidades que nele influem. O Algarve retrata a metamorfose que a actual expansão urbana está a desempenhar e encerra uma enorme diversidade de padrões de urbanização, a maior parte deles gerados pela actividade económica do turismo. Para uma melhor compreensão da dinâmica entre o turismo e a sua territorialização são revistos os conceitos próprios do sector turístico, a forma como este surgiu em Portugal, mais concretamente no Algarve e por fim, o modo como este é planeado e classificado. O PROTAL servirá de base para uma análise mais profunda de como se tem vindo a planear a expansão urbana. Serão revistos os conceitos utilizados neste plano de modo a compreender a sua adaptabilidade à realidade actual. A especificidade deste processo será analisada segundo três casos de estudo: Quarteira (onde a massificação turística é evidente); Vilamoura (turismo elitista) e o Barrocal (tendência recente de colonização do ex-rural). Estes padrões de urbanização estão sujeitos às influências da actividade turística e à diversidade de modos de organização do negócio turístico, onde as mudanças de oferta e procura do mercado ditam as regras. Aqui os factores paisagísticos são peças fundamentais de atractividade e a pressão de uso e edificação é evidente. Em cada caso serão aprofundados os diferentes padrões de urbanização utilizados de modo a compreender que medidas futuras devem ser adoptadas.

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ARQUITETURA ORIENTADOR: PROFESSOR ÁLVARO DOMINGUES Palavras-Chave: ! ! "#$$%&'$%(! ! )$*+,%-+./(! ! 012+$3#! ! "4$%56(! ! 71+,#+6#,&(! ! 0$84% &4$+! ! :(,5#$3+$;<#5#,3(13#$! ! =#%,&#$>$#&+$!! O Turismo no Algarve | Padrões de urbanização JANI CARMO BRITO DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APRESENTADA À FACULDADE DE ARQUITETURA DA UNIVERSIDADE DO PORTO EM ! ! 2! Este documento foi escrito segundo o antigo acordo ortográfico O Turismo no Algarve | Padrões de urbanização ORIENTADOR: PROFESSOR ÁLVARO DOMINGUES ! ! ! 3! ! ! ! 4! “A natureza fez tudo a favor do Algarve; a arte nem só não appareceo a melhorar as obras da natureza, mas a mão dos homens parece que se tem empenhado em suffocá-las. Falta quem dê hum sôpro de vida a tanta materia morta; quem explore com olhos da filosofia aquella terra, costas e mares; quem promova e acorçoe a industria; quem propague a instrucção necessária e própria para colher produtos valiosos das matérias brutas, que a natureza com mão larga por alli espalhou, quem estenda o braço bemfeitor ao pobre que deseja trabalhar. Dizia o sabio naturalista Broussonet, restituindo á França depois da sua emigração, que só o bello clima do Algarve, que atravessára em 1799 herborizando de caminho, lhe fizera esquecer, quasi, as suas desgraças e perseguições” João Lopes, Corografia ou Memória Económica, Estatística e Topográfica do Reino do Algarve, 1841, p.197|198. ! ! ! ! 5! ! ! ! 6! Agradecimentos Gostaria de prestar o meu sincero agradecimento: Ao Professor Álvaro Domingues pelo apoio e disponibilidade ao longo de todo o trabalho. O interesse revelado e as críticas construtivas tornaram possível a concretização desta dissertação. À minha mãe, avó e irmã, pelo carinho e paciência durante todo este percurso. Foram incansáveis. À Iolanda Sarmento e à Cláudia Oliveira, colegas e amigas que sempre me apoiaram. Ao meu avô, a quem dedico este trabalho. Estás sempre comigo. ! ! ! 7! ! ! ! 8! Índice 10 Resumo 12 Abstract 14 Introdução I Capítulo O mundo do Turismo 19 Conceitos 23 Como se desenvolve a indústria do Turismo 29 Realidade e Ficção na actividade Turística II Capítulo O Turismo em Portugal – Algarve 35 Turismo em Portugal 41 Turismo na Região do Algarve III Capítulo As múltiplas faces do Turismo no Algarve 62 O Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve, PROTAL, e os seus impasses 77 O PROTAL e o contexto real 81 No PROTAL, do que é que se fala, quando se fala do Algarve? IV Capítulo Casos de Estudo 89 Hiper-massificação: Quarteira 97 Nichos para clientes muito pontuais: Vilamoura 107 Padrões de Urbanização – Quarteira e Vilamoura 115 Tendências recentes: Ocupação dispersa no Barrocal V Capítulo Considerações finais 123 Considerações finais ! ! ! ! ! ! 15! ! ! 16! Método Este trabalho de investigação tem como base uma bibliografia restrita mas de elevado valor no que diz respeito à consolidação de alguns assuntos. O PROTAL servirá como ponto de partida para um estudo mais aprofundado. A escolha de três casos de estudo – Quarteira, Vilamoura e Barrocal – surge da necessidade de analisar as diferentes formas de urbanização turística, o seu público alvo e o edificado gerado em diferentes contextos da realidade. Essa análise foi restringida a uma pequena amostra, dada a complexidade dos elementos e assuntos que a temática do turismo suscita. Se por um lado, Quarteira e Vilamoura representam polaridades urbanas concentradas, por outro, o Barrocal como unidade biofísica e de paisagem, apresenta uma urbanização mais difusa. O trabalho desenvolve-se ao longo de cinco capítulos. No primeiro capítulo, procura-se um melhor entendimento dos conceitos próprios da actividade turística - turismo, turista, viagem e viajante – e a forma como esta surgiu e se desenvolveu ao longo do tempo. Pretende-se verificar as metamorfoses do mercado turístico e público alvo, os múltiplos agentes que integram a actividade turística e a influência que o marketing exerce neste contexto. No segundo capítulo é traçado um panorama geral sobre a forma como o turismo se desenvolveu em Portugal. Sendo o nosso objecto de estudo o Algarve, é feita uma reflexão sobre o desenvolvimento da actividade turística nesta região, através de um enquadramento geográfico, económico, sociocultural, entre outros. No terceiro capitulo é estudada a forma como os modelos de negócio e os modelos de alojamento evoluíram e que impactos produziram na gestão do turismo no Algarve. O estudo do PROTAL permitirá uma análise da forma como o turismo e a sua territorialização é encarada. Assim, é possível verificar quais os conceitos base utilizados para a classificação do solo na região do Algarve, e perceber a sua adequação ou não, dadas as actuais metamorfoses no modo como o urbano se constrói. No quarto capítulo serão apresentados os casos de estudo de Quarteira e Vilamoura que, apesar da sua proximidade física, retratam realidades bastante distintas em termos de urbanização turística. Será estudado também a unidade paisagística do Barrocal algarvio devido às tendências recentes de edificação e colonização do “ex-rural”. O quinto capitulo reunirá a síntese de toda a dissertação onde algumas conclusões serão retiradas e algumas questões permanecerão em aberto. ! ! 17! ! ! ! 18! I Capítulo O mundo do Turismo ! ! ! 19! Conceitos Turismo | Viagem Turista | Viajante Não é conhecido o momento exacto do aparecimento destes conceitos. Pensa-se que o termo turista surge a propósito das deslocações dos aristocratas europeus com a finalidade de complementarem a sua educação, deslocações essas que ganham maior proporção no final do séc. XVII devido ao Grand Tour. É, no entanto, a partir da publicação Mémoires d’un Touriste de Stendhal, em 1838, que se generaliza a expressão turista. Didier Urbain afirma inclusive que “Le mot touriste est bien antérieur au mot tourisme. (…) Touriste entre dans la langue française en 1816 tandis que tourisme n’y pénètre qu’en 1841 - c’est-à-dire trois ans après les Mémoires d’un touriste de Stendhal.”1 A distinção entre o turista e o viajante nem sempre é conseguida de forma óbvia. “Em qualquer dos casos todas as pessoas que se deslocam são chamadas viajantes e portanto, este termo designa toda a pessoa que viaja entre dois ou mais locais, qualquer que seja o modo ou o meio de deslocação. Se a deslocação se realiza entre locais situados dentro das fronteiras do país em que a pessoa se desloca, esta passa a designar-se por viajante interno; no caso da deslocação implicar a travessia de uma fronteira, designar-se-á por viajante internacional.”2 Assim, o turista distinguia-se inicialmente por possuir algum poder de compra e as suas deslocações eram motivadas pelo mero prazer, para aumentar os seus conhecimentos ou pela vontade de descobrir as particularidades de outros povos e novas paisagens. Com a revolução nos transportes, inserida na Revolução Industrial (séc. XVIII e XIX), surge um aumento substancial de deslocações, motivadas pelo surgimento dos comboios a vapor e respectiva expansão dos caminhos-de-ferro, e pelo incremento das travessias transoceânicas. Após a Primeira Grande Guerra Mundial surgem os primeiros autocarros e automóveis. Os aviões, inicialmente utilizados por minorias em longas distâncias, desenvolvem-se continuamente acabando por se impor às companhias navais. Nesta época desenvolve-se o turismo de montanha e ! ! 20! I Capítulo saúde (termas e sanatórios), o turismo em praias frias (Costa Azul, Canal da Mancha) e o turismo balnear que converte algumas zonas costeiras em grandes centros turísticos. A Segunda Guerra Mundial paralisa o sector do turismo em todo o mundo e os seus efeitos estendem-se até 1949. A partir de 1950 surge uma explosão neste sector motivada sobretudo pelo ambiente de estabilidade social que se fazia sentir na altura e pelo desenvolvimento da cultura do ócio no mundo ocidental. A recuperação económica e a reformulação dos direitos laborais conduziram à diminuição do tempo dedicado ao trabalho e consequente aumento do tempo de lazer. Assim, o turismo inicialmente elitista, passa a abarcar camadas cada vez mais vastas da população sobretudo devido à introdução da modalidade de subsídio de férias. Consequentemente, os motivos pelos quais as pessoas se deslocam passaram a ser cada vez mais vastos, tornando-se quase impossível distinguir quem viaja apenas por prazer ou por qualquer outro motivo. A crescente multiplicidade de deslocações levou a que se introduzissem novos desígnios: em 1963 já existia um novo termo – visitante. Deste modo, o viajante era qualquer pessoa que realizasse uma deslocação entre dois ou mais locais, dentro ou fora do país de residência habitual, visitante designa qualquer pessoa que se desloque a um país diferente do seu país de residência habitual (por qualquer razão que não seja a de aí exercer uma profissão remunerada). O visitante pode dividir-se em dois grupos, o primeiro é o turista que passa a ser designado pelo visitante que permanece pelo menos 24 horas no país visitado e cujos motivos da deslocação podem variar entre: lazer (repouso, férias, saúde, estudo e desporto), negócios, família, missões, reuniões; e o excursionista caracterizado pelo seu curto período de permanência (inferior a 24 horas).3 Esta classificação manteve-se durante vários anos, no entanto rapidamente se percebeu que era pouco realista considerar visitante e, consequentemente, turista apenas as pessoas que exerciam deslocações entre países distintos, excluindo desta categoria os movimentos dentro do próprio país de residência (turismo interno). Assim, as definições adoptadas pela ONU, em 1993, passam a definir que: visitante é toda a pessoa que se desloca a um local fora do seu ambiente habitual durante um período inferior a 12 meses consecutivos e cujo motivo principal da visita não seja o de exercer uma actividade remunerada no local visitado. ! ! 21! J.D. Urbain possui uma opinião muito própria sobre estes conceitos. Para ele, existem apenas dois grupos de indivíduos, os viajantes e os turistas. O viajante é aquele que se desloca em função da necessidade de procura, descoberta e fuga em relação ao seu ponto de origem, sendo este, movido pelo desejo de se interrelacionar com as civilizações e a cultura do lugar de visita. Caracteriza-se pelo sentimento de liberdade e entrega, pela clara vontade em apreender e integrar novos lugares sem expressar qualquer estranheza. Pelo contrário, o turista é aquele que viaja segundo níveis de planeamento, segurança e conforto amplamente assegurados. Cumprindo roteiros previamente elaborados onde não existe espaço para riscos ou imprevistos. O prazer da descoberta, da aventura, da novidade, do inesperado (procurada pelos viajantes) é substituído pela vontade de catalogar a realidade em vez de apreendê-la. As máquinas fotográficas possuem um papel fundamental neste processo para que o turista possa provar que, de facto, esteve em determinado lugar. Esta necessidade de exibicionismo e a invasão egoísta e voraz dos lugares visitados leva a que o turista seja, muitas vezes, encarado como uma espécie de praga que invade e destrói tudo à sua passagem. Como J.D. Urbain afirma “Le touriste n’appartient pas à la famille du voyageur. C’est un bâtard. Il forme une ‘race’ à part ou du moins une espèce inférieure.”4 Com o surgimento do turismo, surge também a sua reprovação quase que imediata. Esta actividade sempre se revelou muito polémica e convergiu em si dois pontos de vista antagónicos, tal como Didier Urbain explica: “Pour les uns, le tourisme est un principe de vie et de développement. (…) Pour d’autres, en revanche, le tourisme est un principe de mort et de destruction que anéantit sites et cultures.”5 Apesar da tendência natural de se procurar definições para a actividade do turismo, a verdade é que esta não possui um significado estático ou concreto. Existe sim, um sem fim de questões que emergem quando se fala de turismo. Tal como Didier Urbain afirma “Ici, tout est dans tout; la confusion, générale; et le tourisme, un conglomérat d’activités si disparates que l’identité du touriste proprement dit s’y dissout.”6 Assim, o conceito de Turismo veio a alterar-se ao longo dos tempos. Em 1942, Walter Hunziker e Kurt Krapf definiram turismo como sendo “o conjunto das relações e fenómenos originados pela deslocação e permanência ! ! 22! I Capítulo de pessoas fora do seu local habitual de residência, desde que tais deslocações e permanências não sejam utilizadas para o exercício de uma actividade lucrativa principal”.7 Mais tarde, em 1982, Mathienson e Wall apresentaram uma definição um pouco mais esclarecedora em que turismo consiste no “movimento temporário de pessoas para destinos fora dos seus locais habituais de trabalho e de residência, as actividades desenvolvidas durante a sua permanência nesses destinos e as facilidades criadas para satisfazer as suas necessidades”.8 Este conceito revela-se mais pertinente, uma vez que abrange tanto a oferta (facilidades criadas), como a procura turística (deslocações das pessoas), tendo em conta não apenas as actividades desenvolvidas pelos turistas mas também as actividades produtoras de bens e serviços. Podemos, no entanto, verificar ainda algumas lacunas nesta última definição. Em primeiro lugar é preciso verificar que não são desenvolvidas actividades apenas durante a estadia mas também durante as deslocações; em segundo, é preciso ter em conta não apenas as facilidades criadas mas também as facilidades inatas do destino (recursos naturais e históricoculturais) que provocam deslocações; e por último, é preciso entender que, ao referir-se a pessoas e não a visitantes, esta definição perde algum do seu rigor por compreender todos os viajantes e não apenas os turistas. Este último ponto serve de mote para a melhor compreensão da diferença entre viagem e turismo, uma vez que, o turismo inclui apenas os visitantes e não toda a globalidade dos viajantes, fazendo com que estas duas realidades sejam diferentes e possuam sentidos e amplitudes díspares. Licínio Cunha admite que “(...) o turismo é inseparável das viagens mas estas abrangem um vasto conjunto de actividades que não podem incluir-se no turismo (...) Além disso o termo ‘viagem’ engloba todas as deslocações de pessoas, ou seja de viajantes, expressão com um sentido mais amplo do que o do turismo.”9 (anexo 1) O termo Viajante será utilizado nesta dissertação com a definição existente no dicionário de Língua Portuguesa em que o viajante é simplesmente a “pessoa que viaja”10 e o Turista será referente especificamente à pessoa que se desloca a um local fora do seu ambiente habitual durante um período superior a 24 horas e inferior a 12 meses consecutivos, e cujo motivo principal da visita não seja o de exercer uma actividade remunerada no local visitado. ! ! 23! Viajantes, turistas, visitantes, peregrinos, passantes, excursionistas, etc., formam hoje uma multidão crescente de pessoas que se deslocam para fora dos seus habituais locais de residência, por períodos mais ou menos alargados, em demanda do sol, da viagem, do descanso ou do bulício. Esta é a diversidade dos turistas, das suas práticas e da diversidade de opiniões que sobre eles se constroem. No fim de contas todos nós somos por algumas vezes turistas. Como se desenvolve a indústria do Turismo Nos anos 50 a procura turística internacional era constituída por 25 milhões de turistas provenientes sobretudo da Europa Ocidental e da América do Norte. Actualmente este número aumentou para mais de 900 milhões de turistas provenientes de um número cada vez maior de países e pertencentes a todas as camadas sociais e faixas etárias. Devido aos padrões de vida cada vez mais diversificados, ao maior acesso à informação, aos preços de viagens e estadias mais acessíveis, ao facilitismo a nível dos transportes, sobretudo no que diz respeito ao transporte aéreo, o viajante torna-se numa personagem cada vez mais difícil de caracterizar. Se inicialmente o viajante era visto como uma massa uniforme, a verdade é que actualmente este possui uma heterogeneidade bastante mais alargada. Questões como o bem-estar, qualidade de vida, maior e mais diverso conhecimento cultural são cada vez mais valorizadas por camadas cada vez mais vastas da população. Esta realidade social origina novos segmentos da procura turística a partir de visitantes activos, aventureiros, apreciadores da cultura, que se movem também por motivações afectivas e actividades recreativas. Assim, a actividade turística desdobra-se em múltiplas formas de modo a alcançar as expectativas deste público tão diversificado e cada vez mais experiente e exigente. O turismo deixa de ser um fenómeno isolado, passando a intensificar as suas relações com as restantes actividades, tornando-se num sistema aberto que estabelece conexões com tudo aquilo que tem a ver com a actividade humana e o meio em que esta se desenvolve. Os sistemas económico-financeiro, social, ! ! 24! I Capítulo ambiental, político, jurídico-institucional, cultural, científico, educativo e tecnológico, constituem os principais sistemas com os quais o turismo estabelece interacções fundamentais. (anexo 2) A esta realidade acresce o surgimento de novos destinos emergentes, quer a nível europeu (só a Europa recebe 54% dos fluxos turísticos mundiais), quer a nível mundial que aumentam substancialmente a concorrência fomentada sobretudo pelas novas companhias low-cost e pela maior acessibilidade à informação, permitindo uma constante comparação com os produtos alternativos da concorrência. “As áreas turísticas desenvolvem-se segundo modalidades, tempos e morfologias diferentes, mas partilham elementos invariantes. Acessibilidade aérea, mais tempo livre e rendimento disponível oferecem uma geografia, dimensão e diversidade novas, à procura da viagem para estanciar durante o tempo livre.”11 As infra-estruturas e serviços desempenham um papel fulcral na qualificação do local turístico. A acessibilidade é um dos principais factores de valorização turística criada pela rede de transportes e serviços que tornam mais acessíveis, seguras e agradáveis as grandes deslocações até ao local de destino. Igualmente relevante, é garantir essa mesma acessibilidade nos próprios locais receptores, de forma a proporcionar ao visitante um leque mais vasto de hipóteses de passeio na área turística. Para além da real qualidade de destino receptor é, também, fundamental acompanhar as novas modas e tendências que se encontram em constante mutação. Como já foi anteriormente referido, o turismo tem vindo a revelar-se numa prática transversal a toda a sociedade que apresenta padrões de vida muito díspares. Assim, as formas de viajar são cada vez mais diversificadas. O destino receptor deve possuir infra-estruturas diferenciadas de modo a conseguir atrair os vários tipos de viajantes, desde os mais abastados, que procuram ambientes de resort de cinco estrelas, passando por apartamentos turísticos para famílias de classe média, até ao parque de campismo para jovens com pouco poder económico. Uma das inovações na área do turismo reside na forma como, actualmente, se programa a estadia no destino turístico. Durante o turismo elitista o sistema utilizado era sobretudo o holiday package, onde “a empresa exploradora negoceia com os operadores e tem, com relativa facilidade, a ocupação garantida durante ! ! 31! Se alguns destinos são escolhidos por reunirem um conjunto de aspectos positivos, outros são completamente abolidos por serem genericamente considerados como inconvenientes, “viewing of a nuclear power station on an attractive coastline (such as Heysham nuclear power stations on Morecambe Bay), factory buildings in an otherwise charming river valley (as much of the Basque country), farm buildings by a high-technology science park, and so on.”24 Quando realidades inconvenientes constituem um factor de perda de competitividade turística surge a necessidade de criar ficções que as contornem. “In response to this problem, many owners of tourist-related services have developed techniques of ‘visual resource management’ to disorganize, hide, or screen out inappropriate technologies’.”25 A preocupação com a segurança é outro tema que atormenta grande parte dos turistas, no entanto, tal como explica John Urry, “the judgment of what is ‘risky’ here is very much dependent on context.”26 É possível dividir esses perigos em dois grupos: por um lado, existe a poluição física, que está normalmente associada à poluição do ar ou da água; e por outro, temos a poluição social, que consiste normalmente em grupos sociais tidos como perigosos. No entanto, esses riscos são muitas vezes relativizados. É exemplo, o turista que se preocupa com a poluição da água, mas não se importa de correr o risco de provar uma iguaria só porque é exótica (ex: ostras) – aqui é o próprio indivíduo que constrói os seus parâmetros de avaliação do risco. Existem também parâmetros socialmente construídos; como por exemplo, algumas zonas são consideradas perigosas pela presença de drogados e prostituição, em contrapartida, uma das principais atracções de Amesterdão são as drogas legalizadas e as vitrinas onde as mulheres se expõem como objectos (na Red line). Perante este cenário, os investidores do sector turístico procuram apresentar ambientes controlados – ficcionados – onde possam dar uma maior garantia de segurança. Ficção e autenticidade são duas premissas que caminham constantemente lado a lado em matéria de turismo. Para dar resposta às novas exigências do mercado do turismo (exótico, seguro, diferente, etc.) os destinos tiveram que se adaptar, produzindo muitas vezes ficções que correspondessem àquilo que era universalmente tido como positivo. Criaram-se modelos que se repetiram um pouco ! ! 32! I Capítulo por todo o mundo, os quais, durante muito tempo, satisfizeram os desejos dos turistas, até que, o que supostamente deveria consistir numa novidade tornou-se semelhante de país para país (a mesma cadeia de resorts, os aeroportos semelhantes, a palmeira, a piscina, a relva, o restaurante exótico, entre outros). Os avanços e recuos entre ficção e autenticidade são mais uma prova da instabilidade que a actividade económica do turismo representa, sempre sujeita às novas tendências e exigências do mercado. Talvez por isso seja tão polémica a questão da “autenticidade”, da preservação dos valores locais, dos tradicionalismos, etc., face à importância do simulacro, da homologação de ambiências e tipos de paisagem que resultam de tendências globais e bastante “descoladas” dos territórios onde depois se instalam. No jogo entre realidade e ficção, tradição local e importação de modelos, a “Cidade Lacustre” não passa de um branding, um exotismo, um factor de diferenciação e de visibilidade da oferta. É importante ver o vídeo respectivo para perceber melhor como se constroem estas ficções. 05 Vídeo “Cidade lacustre” em Vilamoura ! ! 33! ! ! ! 34! II Capítulo O Turismo em Portugal - Algarve ! ! ! 35! Turismo em Portugal Apesar do turismo em Portugal não ser uma actividade recente, este apenas ganha expressão significativa como actividade económica a partir dos anos 70. O termalismo constitui uma das formas mais antigas de turismo em Portugal, possuindo já alguma expressão nos finais do século XVIII e ganhando “particular amplitude na segunda metade do século seguinte quando começam a ser exploradas com fins terapêuticos quase todas as nascentes actualmente utilizadas, após a construção de instalações minimamente suficientes.”27 Embora esta nova atracção turística estimulasse o desenvolvimento dos transportes terrestres, com a viragem do século e a expansão do termalismo por toda a Europa, Portugal teve muita dificuldade em acompanhar essa evolução devido ao isolamento de grande parte dos centros termais. No entanto, os investimentos no termalismo prosseguiram “através de hotéis de luxo, com serviço assegurado por profissionais treinados de Lisboa, equipamento médico, diversificação dos tratamentos, grandes parques, casinos e diversas actividades desportivas, recreativas e culturais (...)”28 O termalismo teve expressão significativa no turismo em Portugal até aos anos trinta, a partir desse momento esta actividade entra em crise em toda a Europa “perante a afirmação da quimioterapia e de formas diversas de ocupação dos tempos livres, nomeadamente do veraneio balnear.”29 Ainda durante a segunda metade do século XIX e à semelhança da restante Europa, o turismo balnear ganha alguma expressão; principalmente durante o Inverno, devido às temperaturas amenas do mediterrâneo; desencadeando “movimentos de pessoas de todas as classes sociais, tanto das cidades do litoral como das regiões do interior. O ar era tido como revigorante, sobretudo para as crianças, e o banho como terapêutico.”30 Neste momento o turismo balnear não possuía ainda o monopólio económico que hoje representa, uma vez que apenas se restringia ao mercado nacional devido à pouca acessibilidade em termos de transportes tanto terrestres como aéreos e devido à insipiência das infra-estruturas, apoiando-se “apenas ou essencialmente em residências secundárias e no aluguer de casas e quartos à população local. Só em raros casos foram então referidos hotéis, pensões e restaurantes.”31 ! ! 36! II Capítulo O climatismo como forma de turismo também teve alguma representatividade em Portugal embora em muito menor escala do que o turismo termal e balnear. No que diz respeito às épocas de maior calor, a população mais abastada procurava passar o tempo livre aproveitando as suas casas e quintas em meios rurais onde podiam afastar-se da cidade indo de encontro a um ambiente mais calmo e fresco. Durante os períodos mais frios, a prática de desportos de Inverno ganha alguma relevância a partir dos anos 30 na Serra da Estrela devido à predominância da neve neste local. No entanto, a falta de infra-estruturas de acolhimento e a dificuldade na acessibilidade complicavam as visitas à Serra. 06 “A Figueira da Foz é a rainha das praias portuguezas”!! 06 “Termas da Aguas da Curia – Entrada do Parque na Curia” ! ! 37! Durante o Estado Novo, António Ferro, dirigente do Secretariado de Propaganda Nacional (1933), contribuiu para o desenvolvimento do turismo nacional através de campanhas de propaganda e de outros meios de difusão (arte e cinema), onde o espaço português era promovido no estrangeiro. No sentido de estimular o desenvolvimento turístico nacional foi criada uma nova imagem do país através da estetização da cultura tradicional. Foram tomadas medidas para a melhoria das condições de acessibilidade e construíram-se novos equipamentos hoteleiros competitivos de forma a atrair o turismo internacional. “A criação de organizações institucionais e de novos mecanismos de estímulo ao turismo durante a primeira metade da década de 50 do século XX, que em muitos aspectos não traziam novidade, teve o mérito de antecipar as mudanças previsíveis e de dar coerência à política turística.”32 Para atrair o público estrangeiro com maior poder de compra os investimentos surgiram sobretudo em hotéis modernos e elegantes deixando de parte os pequenos hotéis de negócio familiar. Já em 1956 existiam dez pousadas, vinte e uma estalagens, sete hotéis de luxo, trinta e três hotéis de primeira classe, quarenta e seis hotéis de segunda classe e noventa e um hotéis de terceira classe. A posição marginal de Portugal em relação aos mercados emissores continuava a dificultar a chegada de estrangeiros. Por esse motivo e dada a importância atribuída ao turismo externo, no início dos anos cinquenta, “(...) apontam-se intervenções nos transportes (carreiras a vapor para o Brasil e EUA; comboio rápido e confortável para a Europa; ligações aéreas) e nas vias (melhoramento da rede de estradas, em relação com a difusão acelerada do automóvel), que aproximasse o país das áreas emissoras, em termos de tempo e de custo (...)”33. A acrescentar a todas estas medidas dá-se o aparecimento da aviação comercial e a acessibilidade ao automóvel, o que culmina na expansão do turismo externo em pleno desenvolvimento. A partir dos anos 60, o turismo de luxo é extremamente valorizado. Em 1963, chegam do estrangeiro cerca de 514 mil visitantes registando-se “receitas por turista bastante elevadas, pela participação de visitantes ricos (americanos e ingleses), (e) procura acentuada dos estabelecimentos hoteleiros de luxo, 1.ª e 2.ª classes”34 Apesar de surgirem novas formas de turismo mais económicas (parques de campismo e caravanismo, albergues de juventude...), o turismo de luxo conti- ! ! 38! II Capítulo nuava a predominar. Em 1966, a presença de visitantes abastados continua a prevalecer, provenientes sobretudo do Reino Unido, dos EUA, de França, da Alemanha e de Espanha. Se no início dos anos 70, se registaram os máximos de entradas do turismo estrangeiro, os anos que se seguiram não foram tão favoráveis devido à crise económica internacional, mas sobretudo, devido ao ambiente de instabilidade que se fazia sentir em Portugal aquando da Revolução dos Cravos de 1974 (25 de Abril). No entanto, a recuperação fez-se rapidamente e, em 1977, a entrada de estrangeiros em Portugal já havia ultrapassado os valores de 1973. Quanto ao turismo interno, este teve sempre um papel secundário no que diz respeito à “criação de formas de alojamento e outros equipamentos turísticos que se adaptem da melhor maneira às diversas categorias, do ponto de vista da capacidade económica por que se distribui a população portuguesa.”35 No entanto, no IV Plano de Fomento já se verificava a vontade de tornar o turismo mais acessível ao mercado nacional sendo inclusive considerado como uma necessidade social. Assim, em 1976, constatava-se um maior equilíbrio entre o turista interno e o estrangeiro mas nada que se compare com os restantes países da Europa. A distribuição do turismo em Portugal Continental no ano de 1966 favorece sobretudo Lisboa (54%) e o Algarve (13%). A sazonalidade ganha bastante expressão, registando-se a maior taxa de ocupação concentrada nos meses de Julho, Agosto e Setembro. Por volta de 1976, a atracção pelo litoral, principalmente pelos visitantes estrangeiros revelou-se bastante evidente, sendo eleito o litoral algarvio o destino por excelência. Quanto aos turistas nacionais, verifica-se a preferência pelo interior Tejo, as cidades de Lisboa e Porto, e o Algarve pela classe mais abastada. Portugal posiciona-se assim como forte destino turístico sendo que as “taxas de crescimento verificadas entre 1978 e 1987 não tiveram rival em qualquer outro país europeu, com excepção da Grécia, e durante a década de oitenta as entradas de turistas cresceram o triplo das verificadas a nível mundial, o que permitiu a Portugal posicionar-se entre os 15 primeiros destinos do globo.”36 Devido à crise económica mundial que se estabeleceu nos primeiros anos da década de noventa e à incapacidade por parte do turismo português de dar resposta às novas tendências da procura internacional, o turismo em Portugal reco- ! ! 39! nhece um período de perda de dinamismo. No entanto, a meio da década de noventa o turismo retoma o sentido crescente motivado sobretudo pela realização da “Expo 98”. Ainda assim, os resultados foram inferiores aos alcançados a nível mundial e europeu. Nesse momento o tipo de turismo predominante era o excursionismo praticado sobretudo pelos visitantes espanhóis. Quanto ao turismo nacional este aumentou substancialmente; apenas entre o ano 1998 e 1999 houve um aumento de 18% de portugueses que gozaram férias fora da sua residência habitual. “A chegada do novo milénio e a adesão à moeda europeia criaram uma onda de optimismo, que se reforçou com os sinais positivos registados nos dois primeiros anos, mas cedo se esvaneceu.”37 No entanto, o número de turistas voltou a aumentar em 2007 registando-se aproximadamente 40 milhões dormidas em estabelecimentos hoteleiros de turistas nacionais e estrangeiros. A partir de 2008 volta a verificar-se um crescente retrocesso registando-se um total de 39 227 938 dormidas, em 2009 um total de 36 457 069 e em 2010 uma ligeira subida para 37 391 291 dormidas em estabelecimentos hoteleiros de turistas nacionais e estrangeiros. Importa verificar que estes dados são referentes às dormidas em estabelecimentos hoteleiros, excluindo todas as outras formas de acomodação, nomeadamente campismo, residência secundária, estabelecimentos rurais, etc. Pode-se concluir que o Turismo em Portugal registou um crescimento muito repentino, sobretudo entre os anos de 1978 e 1987 o que se traduziu em profundas transformações muitas vezes demasiado precipitadas. “O elevado crescimento da procura originou euforias desmesuradas, produziu efeitos perversos e desenvolveu o espírito de lucro fácil. As expectativas empresariais passaram a fundar-se mais na euforia do que na racionalidade e mais na intuição do que no conhecimento.”38 O turismo tornou-se assim na actividade económica de eleição gerando uma forte dependência perante o seu sucesso ou insucesso, desenvolvendo-se “muito desigualmente entre as regiões, contribuindo para uma maior polarização e especialização regional, quando se pretendia que ajudasse a atenuar desequilíbrios regionais.”39 Para combater a extrema dependência deste tipo de turismo de ‘sol e mar’ e para harmonizar o espaço territorial português, têm-se realizado esforços de ! ! 40! II Capítulo modo a diversificar a oferta do produto. Para tal tem-se vindo a apostar cada vez mais em novas temáticas turísticas de forma a alcançar mais e novos mercados emissores. Temas como gastronomia, turismo cultural e paisagístico, turismo de saúde e bem-estar e turismo rural são uma alternativa para alargar o leque do mercado do turismo português e garantir-lhe uma melhor e maior viabilidade económica, pois não se encontra preso apenas a um factor de atracção nem a uma região. 07 Nível regional do equipamento hoteleiro, em 1970 ! ! ! ! ! 47! A indústria do turismo visava-se bastante promissora não apenas como actividade económica isolada mas também como motor de atenuação da crise que se começava a instalar nas principais actividades económicas algarvias. Assim, revelou-se urgente o aumento da capacidade de recepção uma vez que “(...) o Algarve, dominado por um povoamento costeiro, em que quase todas as aglomerações importantes se situavam à beira-mar, oferecia já as infra-estruturas mínimas para uma promoção destacada.”44 Todas as atenções se voltaram para o desenvolvimento da indústria do turismo, pois esta poderia prestar um notável contributo para a estabilidade financeira uma vez que abarcava em si vários sectores de actividades – construção civil e indústria, hotelaria, transportes, artesanato, agricultura, pecuária, pesca, etc. Os postos de emprego melhor remunerados eram os que se relacionavam directamente com a indústria do turismo e, muitas vezes, não necessitavam de formação académica, destacando-se a construção civil e o serviço doméstico. Este fenómeno que se traduziu num substancial êxodo rural, juntamente com a crescente emigração, levaram a uma grande crise ao nível de mão-de-obra no meio rural. Embora fosse “(...) do turismo que se espera(va) o impulso para o desenvolvimento da agricultura, através do fornecimento às unidades hoteleiras de produtos de qualidade, mediante contratos de produção-consumo entre organizações de agricultores e de turismo (...)”45. Tal intenção não se revelou viável uma vez que grande parte dos hotéis continuava a abastecer-se na capital pois o mercado regional não se revelava competitivo o suficiente. A falta de mão-de-obra e a dificuldade em cultivar certos produtos durante a época de maior calor, que por sua vez, correspondia à época de maior fluxo turístico, fizeram com que a agricultura perdesse o seu papel económico ao nível regional. O mesmo acontece com a Serra Algarvia, onde actividades como a cultura de cereais, a criação de porcos em regime pastoril, a produção de mel, carvão e aguardente de medronho e a venda de cortiça perdem o total papel económico regional. “Dum extremo ao outro, a Serra perde definitivamente ou estacionalmente a população activa, não apenas a favor da província, mas também dos países industrializados da Europa.”46 ! ! 48! II Capítulo Uma vez que, a agricultura tradicional de auto-consumo era pobre e não gerava rendimentos e a agricultura especializada e mercantil não tinha competitividade face aos mercados concorrentes; a actividade agrícola, sobretudo a tradicional, sofreu algum decréscimo. “Entre 1952 e 2005, o número de explorações agrícolas passa de 38 014 a 14 721, número que inclui as explorações entretanto criadas.”47. Em 1992, surge no baixo Algarve uma agricultura de forte carácter empresarial que agrava a crise agrícola sentida na serra uma vez que muitas das explorações agrícolas eram de carácter familiar e nas quais grande parte dos membros do seu agregado eram iletrados. “A falta de preparação escolar e profissional dos agentes comprometidos na exploração de sistemas agrícolas é, de facto, neste momento, o maior obstáculo ao melhoramento das terras agrícolas e portanto do êxito económico da agricultura e do seu prestigio social.”48 Depois de constatada a crise que se fazia sentir nas actividades económicas tradicionais, surgiu a real consciência de que grande parte da entrada de divisas dependia, única e exclusivamente da indústria do turismo. Se é verdade que o turismo e actividades conexas proporcionam actualmente um maior nível de rendimento e afirmam-se como economicamente preponderantes, absorvendo grande parte dos recursos regionais (mão-de-obra, capitais, terrenos) é igualmente verdade, que existem limites que rapidamente se esgotam, sobretudo quando se trata de uma actividade económica tão dependente das modas e tendências internacionais. Assim surge a preocupação em desenvolver realmente o turismo num contexto mais global, onde se proporcionam postos de trabalho de modo a que a população não seja forçada a emigrar e onde se estimula o incremento da actividade secundária e terciária, através do aumento da procura dos bens de consumo e de serviços por parte dos turistas. Nesse sentindo, alguns promotores privados asseguraram nos seus planos de expansão urbana de turismo uma parcela para a actividade agrícola, de modo a existir um abastecimento de produtos alimentares para os turistas, como por exemplo Vale do Lobo e Vilamoura. Em 1964, estas preocupações tornam-se oficiais acabando por figurar no “Plano Intercalar e no III Plano de Fomento. Quando o turismo se desenvolve, há turistas para alimentar e não há rede de distribuição que sirva uma região periférica, de um País fechado; entre turismo e ! ! 49! agricultura há mais sinergias do que conflitos.”49 Em 1985, as preocupações persistem e é proposto que se valorizem os recursos endógenos de modo a estimular o consumo dos produtos das actividades regionais por parte dos turistas, no Programa de Desenvolvimento Regional para 1986-1990. Essa intenção prevalece, e em 2007 “(...) ainda se insiste na maior internalização dos efeitos da procura turística na economia regional, designadamente na agricultura, pecuária e pesca.”50. Actualmente o sector de actividade mais importante é o terciário (comércio e serviços), resultado da principal actividade económica - o turismo - representando cerca de 60% do total de emprego e 66% do PIB regional, recebendo anualmente cerca de 5 milhões de turistas. Hospitalidade e Cultura Um factor decisivo na indústria do turismo é a hospitalidade e acolhimento. Este não se faz apenas nos postos de turismo, ou na recepção do hotel, para “(...) ser um factor decisivo de carácter industrial ao nível da região, torna-se necessário transformá-lo numa prática quotidiana e consciente, assumida por todos os participantes no fenómeno turístico.”51 No Algarve esta é uma realidade evidente. Sendo o turismo a principal actividade económica torna-se fundamental que a “arte do bem servir” seja evidente, sobretudo porque esta constitui cada vez mais um factor de atracção para o turista e um incentivo para o seu regresso. J.D.Urbain leva a questão da hospitalidade ao extremo, afirmando que: “L’hospitalité n’est plus qu’une technique de vente de biens et de services normalises au meilleur prix.” 52 É, por isso, importante que os profissionais de hotelaria, guias turísticos e os funcionários dos postos de turismo possam usufruir de ensino profissional para aperfeiçoarem as suas capacidades. No Algarve, esta situação tem-se revelado um pouco preocupante uma vez que apenas existem dois núcleos de ensino profissional, um em Faro e o outro em Portimão. ! ! 50! II Capítulo Se por um lado é importante agradar ao turista, também é necessário que o Algarve mantenha a sua própria identidade. Para tudo isto é necessário encontrar um equilíbrio. Agradar o turista não significa abdicar dos nossos próprios costumes e hábitos em detrimento da cultura do turista alvo. “Para alguns que nos visitam nem exprimimos a cultura portuguesa nem exprimimos qualquer cultura.”53 É preciso elevar a cultura da região e saber tirar partido dela. 13 Falares ! ! 51! Recursos Turísticos: No Algarve, as praias constituem o recurso turístico primordial que move todos os outros. Este tema não será desenvolvido, deixando espaço para abordar os restantes recursos turísticos que se encontram menos explorados. 14 Praia da Rocha ! ! 52! II Capítulo Acessibilidade e transportes A condição geográfica do Algarve contribuiu, em grande escala, para o seu isolamento durante vários séculos, no entanto, a região desenvolveu-se graças às comunicações marítimas e fluviais, que apesar de se terem revelado bastante significativas, foram posteriormente substituídas pelas vias de comunicação terrestres - estradas e caminhos-de-ferro - que adquiriram um papel preponderante no desenvolvimento desta região. Inicialmente as estradas algarvias eram “(...) menos más na beira mar, no barrocal peiores, e na serra péssimas.”54 Esta situação surge devido à concentração dos principais núcleos de povoamento romano junto à costa, fazendo com que a principal via romana do Algarve tenha sido realizada próxima da linha costeira. No entanto, em 1848 já se registavam no Algarve sete ligações com o Alentejo, fruto da vontade de ligar as várias regiões do país. No século XIX, apenas existia a estrada litoral que assumia um papel preponderante na região algarvia, por interligar as povoações mais importantes. A situação viária nacional evoluiu e o automóvel entra em Portugal em 1893. No início do século XX, assiste-se a um aumento exponencial do uso do automóvel e, em 1945, a estrada real Nº78 passa a ser classificada como estrada nacional (EN) 125, estabelecendo a ligação entre Vila do Bispo e Vila Real de Santo António, numa extensão de 157km. O crescimento do turismo na região do Algarve durante os anos 60, estimulou o desenvolvimento das vias de comunicação que culminou em 2002, com uma nova campanha de infra-estruturas, das quais resultaram as auto-estradas A2 e A22, fortalecendo e intensificando os acessos às redes viárias portuguesas – a nível nacional e regional. Actualmente, o Algarve usufrui de boas ligações internas com outras cidades portuguesas, e externas com os restantes países do mundo, não apenas em termos rodoviários, mas também ao nível de transportes ferroviários, aéreos e marítimos. ! ! 53! A ferrovia surge tardiamente, desencadeada pela ligação Barreiro - Beja, em 1864, e permite a ligação a Faro apenas em 1889. Actualmente a CP (Comboios de Portugal) oferece uma vasta rede de comboios que assegura a cobertura do território continental, através dos seus serviços: Alfa Pendular, Inter-cidades e Interregionais. Em termos de transportes aéreos, a Região do Algarve é dotada de um aeroporto localizado a quatro quilómetros de Faro, o Aeroporto Internacional de Faro (FAO), em funcionamento desde 11 de Julho de 1965, onde as diversas companhias garantem deslocações regulares, fazendo da região um ponto de escala privilegiado de partidas e chegadas. Este é, actualmente, o terceiro maior aeroporto em termos de tráfego em Portugal, em 2011 desembarcaram 2 776 223 passageiros; e o principal aeroporto turístico do país, sendo que, em 2011, Lisboa representou em termos de tráfego internacional 84% do total, no Porto figurou 80,3% e em Faro 92,1%.55 Quanto à acessibilidade marítima esta ganha maior expressão ao nível das marinas, que constituem uma das motivações primárias para a captação de turistas para o Algarve e que atrai visitantes sobretudo da classe média e alta. Entre as várias marinas e portos de recreio as que se destacam pela sua qualidade são as de Albufeira, Lagos e Vilamoura, que ostentam a classificação máxima de cinco «âncoras de ouro» atribuída pela The Yacht Harbor Association e colocam o Algarve na liderança do turismo náutico ao nível nacional. No que diz respeito a cruzeiros, Portimão possui o único porto de cruzeiros do Algarve, actividade iniciada em 1996. ! ! 54! II Capítulo 15 Chegada do primeiro comboio à Estação de Faro, 1889 16 Estação de Faro, 2013 17 Inauguração do Aeroporto de Faro, 1965 18 Aeroporto de Faro, 2013 ! ! 55! Serviços e Infra-estruturas No Algarve é possível encontrar uma vasta oferta de alojamento, desde estabelecimentos hoteleiros com classificações elevadas, resorts, apartamentos, moradias, até aos parques de campismo, pousadas, hotéis rurais, entre outros que se encontram disponíveis ao longo de toda a região mas predominantemente concentrados junto à zona litoral. No ano de 2001 foram registados um total de 384 alojamentos hoteleiros e complementares (dados referidos a 31 de Julho de 2001; fonte: INE) e em 2010 este número aumentou para 412 alojamentos hoteleiros e complementares (dados referidos a 31 de Julho de 2010; fonte: INE). 19 Número de alojamentos por concelho em 2011! ! ! 56! II Capítulo Para acompanhar as novas tendências, têm surgido cada vez mais hotéis de luxo e resorts, que para além de possuírem uma localização estratégica, são muitas vezes dotados de múltiplas instalações e serviços, tais como piscinas, campos multi-desportivos, clubes infantis, spas, salas de jogos, restaurantes e bares, entre outros. O turismo rural tem vindo também a expandir-se progressivamente e revela-se cada vez mais uma alternativa ao típico turismo de ‘sol e mar’. O turismo desportivo tem igualmente adquirido expressão no Algarve, não apenas pela sua potencialidade marítima que proporciona desportos aquáticos desenvolvidos sobretudo a partir das praias e marinas, mas também pelos inúmeros campos de golfe (trinta campos) que atrai cada vez mais golfistas ao longo de todo o ano. Os parques temáticos como o Zoomarine, o Krazy World, o AquaShow e o Slide & Splash são equipamentos turísticos existentes que atraem especialmente famílias e grupos jovens. Para além dos importantes atractivos turísticos e dos espaços de alojamento que uma região como o Algarve deve possuir, existem ainda uma série de infraestruturas (água, electricidade, gás, fibra óptica, saneamento) e serviços, entre os quais hospitais, farmácias, correios, bancos, restaurantes, centros comerciais, transportes que proporcionem ao turista uma cómoda estadia. ! ! ! ! ! ! ! 63! do pelas decisões da Intervenção pública, pelo facto de se permitir a urbanização dispersa e desrespeitar a legislação no que toca à faixa costeira. A quase ausência de planeamento urbanístico à escala local e a incapacidade do sistema político e administrativo do turismo em integrar as novas modalidades de alojamento turístico contribuíram para a actual imagem da região. A região do Algarve possui três quartos do seu território classificado como área protegida, podendo esta recair numa ou mais das seguintes categorias: RAN, REN, Rede Natura e Área Protegida. “Embora apenas um quarto do solo do Algarve não tenha quaisquer restrições à construção por não se enquadrar em nenhuma das anteriores categorias, tal não tem sido suficiente para disciplinar a ocupação do solo. Na verdade, quase se pode acrescentar que as medidas fortemente restritivas fomentam atitudes mais facilitadoras por parte dos agentes públicos que fazem uma interpretação relativamente mais flexível da legislação, de forma a obviar as restrições excessivas de ocupação do solo.”61 Numa dinâmica económica, social e territorial que constituem a urbanização turística podemos verificar que a sua expansão está altamente dependente da partilha de responsabilidades entre o Governo, a Administração Central e as Câmaras Municipais de um lado, e a iniciativa privada de outro. O ordenamento do território e as dinâmicas urbanas criam a imagem que será transmitida para o exterior pelo sector turístico. Embora o edificado não constitua uma das motivações turísticas, o certo é que é também, através da sua forma que a qualidade de vida dos cidadãos e dos turistas se pode traduzir. ! ! 64! III Capítulo Quadro II O PROTAL identifica assim os principais pontos fracos e fortes do Algarve Pontos Fortes - Amenidade do clima e diversidade da paisagem; - Condições favoráveis ao desenvolvimento dos sectores primário (aquacultura e hortofruticultura) e terciário (turismo); - Enquadramento e atendimento ambiental (água, esgotos, resíduos sólidos) acima da média nacional; - Boa rede de infra-estruturas nos domínios da educação e saúde a partir de 2000; - Destacada projecção externa como destino turístico; - Boas condições de segurança pública; - Volume significativo de população flutuante na maior parte do ano. Pontos Fortes - Ausência de centro urbano regional de dimensão crítica; - Insuficiente articulação no sistema urbano regional; - Debilidade das infra-estruturas de apoio às actividades económicas; - Acessibilidades ferroviárias e marítimas obsoletas e ausência de articulação intermodal; - Baixo nível de qualificação da mão de obra; - Forte sazonalidade na actividade económica e no emprego; - Debilidade e pulverização do tecido empresarial; - Debilidade nos sistemas de apoio social e de saúde; - Dificuldade de inserção do aeroporto de Faro em rotas regulares e directas; - Despesas acrescidas no dimensionamento de infra-estruturas destinadas a uma população muito superior à residente. Fonte: PROTAL, Relatório preliminar de caracterização e diagnóstico, Vol. II, 2002, p.12. ! ! 65! O estudo dos documentos do PROTAL revela-se pertinente no sentido de verificar quais são as principais dificuldades na classificação e representação daquilo que constitui urbanização/edificação produzida pelo turismo. Torna-se urgente compreender as especificidades e heterogeneidades da espacialidade do turismo, dada a superabundância de regulamentos de uso do solo que em nada clarificam este assunto. As classificações são múltiplas “(...) com muitas possibilidades de sobreposição, numa situação em que a ilusão de rigor que explica a categorização fina das classificações acaba, de facto, por omitir o todo que é a importância avassaladora do turismo e as suas múltiplas formas, escalas, contextos, edifícios, etc.”62 O PROTAL pretende expressar a estrutura do povoamento e as formas de apropriação e exploração do espaço na região do Algarve resultantes das características morfológicas, biofísicas e socio-económicas. No entanto, a dificuldade em caracterizar o total impacto do turismo no desenvolvimento urbano persiste. É importante esclarecer quais são as principais unidades e dinâmicas territoriais, as suas características dominantes e determinantes para clarificar as principais tipologias de ocupação, sobretudo as impulsionadas pelo turismo e as suas pluralidades. Observando as inúmeras classes e subclasses existentes no PROTAL no quadro de – Padrões de ocupação de solo e ocupação edificada no espaço rural (quadro III) – verifica-se facilmente o impasse que existe principalmente no que toca ao turismo. Quando a questão do turismo apenas é introduzida nas chamadas “áreas turísticas” ou nos elementos isolados de “Hotel/Aparthotel” é posta em evidência a forma como o papel do turismo na produção de paisagem é encarado. A ideia de que o turismo fica retido em áreas ou elementos isolados revela a incompreensão de que a actividade turística não se restringe apenas ao alojamento ou a áreas previamente pensadas como turísticas, mas que se expande por todo o território deixando vestígios. ! ! 66! III Capítulo O PROTAL revela a dificuldade em tratar a leitura da transformação do território usando dicotomias habituais: rural/urbano; natural/artificial, etc.; mantendo velhas taxionomias que nada informam (ex: equipamentos) e criando leituras do território com categorias pouco esclarecedoras (urbanização de baixa densidade, urbanização de espaços rurais, etc.). Afirmações do PROTAL como “Para além das classes claramente edificadas urbanas, deu-se uma atenção especial aos fenómenos com tipologias turísticas, e aos núcleos em espaço rural.”, revelam a forma como o plano encara cada uma destas classes isoladamente sem que se tente compreender as suas sinergias e pontos de contacto. ! ! ! ! ! ! ! ! ! 21 Unidades e Sub-unidades Territoriais – PROTAL ! ! 67! Dicotomias “Há que resistir à tentação inevitável de pensar uma coisa por oposição a outra e, construir caminhos alternativos às dicotomias irresolúveis entre arte e ciência, economia e sociedade, cultura e tecnocracia.”63 Rural/Urbano A dicotomia rural/urbano deixou de ser uma realidade há já algum tempo. Inicialmente a cidade correspondia ao território densamente urbanizado, o seu oposto era o rural, e a sua caracterização variava conforme a maior ou menor dimensão, densidade ou conotação histórica. A cidade possuía um centro fortemente consolidado onde se reuniam os principais serviços, equipamentos e, muitas vezes, o próprio centro histórico. A sua organização partia das três premissas: urbis (edificado, infra-estrutura), polis (polícia, política) e civita (cidadania, espaço público), todas elas concentradas num único local. Existia uma clara dicotomia entre cidade e periferia, a cidade era o centro cuja cultura era cosmopolita e a edificação era densa; a periferia correspondia ao seu exterior, sendo este desconfinado e disperso, cuja cultura era rural, dominada por um tradicionalismo atávico, encerrada em si mesma e a base económica era predominantemente agro-florestal. Evolutivamente, a urbanização deixou de corresponder apenas aos cânones da cidade tradicional. A sociedade mudou, bem como os seus hábitos quotidianos e a sua forma de apropriação territorial, surgindo assim, novos contextos urbanos. A cidade canónica deixou de possuir o monopólio das infra-estruturas, estas passaram a dispersar-se ao longo do território, aumentando consequentemente a oportunidade da sua colonização. O incremento das acessibilidades, juntamente com o crescente uso do automóvel, permitiu reduzir o atrito territorial originando uma maior dispersão urbana uma vez que as proximidades físicas deixavam de ser primordiais. ! ! 68! III Capítulo Assim, surge o urbano extensivo, num momento em que a espacialidade é variável, as temporalidades são simultâneas e as “próteses” (como ruas, estradas, auto-estradas, redes de energia, telecomunicações, entre outros) transformaram a forma como a sociedade se organiza. Ao contrário da cidade tradicional que se desenvolvia em mancha de óleo, organizada e hierarquizada. Agora, o urbano caracteriza-se pela sobreposição de camadas diferentes onde a estufa se mistura com a arquitectura moderna, com a habitação colectiva, com as sinaléticas estridentes, etc. O urbano não cabe em taxionomias pré-concebidas, surgem elementos genéricos misturados de forma improvável, o território torna-se híbrido e transgénico. 22 Rural | Urbano ! ! 69! As transformações da agricultura e do rural têm-se revelado tão profundas, como as que se verificam nas cidades. “A pressão construtiva segue a par e passo com a crise económica da (pequena) agricultura (...)”64, uma vez que a sua competitividade encontra-se bloqueada pela globalização dos mercados e dos preços agrícolas. É importante perceber que a dicotomia rural/urbano, sendo que o rural sempre esteve associado à agricultura, pouco se aplica à região do Algarve visto que a actividade agrícola (sobretudo a tradicional) possui muito pouca expressão em termos económicos. A insistência do PROTAL em utilizar dicotomias como rural/urbano (campo/cidade) revela a dificuldade que permanece em abandonar estas ideias pré-concebidas que já não se aplicam à realidade territorial. Actualmente o Algarve, sobretudo o litoral, corresponde a conurbações urbanas não metropolitanas caracterizadas pela urbanização extensiva, industrialização e urbanização difusa, resultado da recente colonização do território pela fileira económica do turismo. “Passados tantos séculos, parece nada ter mudado na representação comum do território e da organização social: cidades são pontos ou manchas com forma, limite e centro supostamente definidos; e campo é o território aberto da agricultura e da floresta.”65 A classe “Áreas Edificadas” que poderiam ser entendidas como sendo urbanas; incluem áreas cujo solo é de origem rústica “Núcleos em espaço rural” (lugares, aldeias e aglomerados), que foram, por sua vez, subdivididos em três classes, em função da sua dimensão, estrutura e forma edificada. No entanto, toda esta classificação, pouco informa sobre as novas dinâmicas introduzidas nestes locais, quer ao nível económico, cultural ou social. “Desde a recuperação de casas tradicionais, até aos aldeamentos e resorts ou complexos hoteleiros e golfe..., tudo isto pode colonizar o ex-rural em imensas possibilidades de combinação.”66 ! ! 70! III Capítulo Natureza/Cultura Num panorama em que a “Natureza” engloba uma vasta multiplicidade de sentidos torna-se difícil a aplicação da dicotomia natural/ cultural. “O natural desliza com facilidade para o sobrenatural ou então desdobra-se em tantos temas (do vento ao vírus da SIDA) e escalas (do nano ao cosmos) que é cada vez mais difícil perceber o todo: ‘Natureza’ é aquilo que é necessário explicar e não um elemento da explicação (...)”67 23 Artista Eduardo Kac – Coelho transgénico verde fluorescente 24 Estrutura Regional de Protecção e Valorização Ambiental – PROTAL ! ! 71! O marketing turístico usa e abusa das palavras “natural” ou “natureza” sem nunca as explicar. O “natural” é tido como uma mitologia que reúne tudo o que é puro, que preserva a essência e que estabelece a ordem natural das coisas; é algo exterior à cultura e à sociedade. “Os amantes do golfe encontram aqui o seu lugar de eleição. Para além de poderem usufruir de um ‘putting green’ no exterior do hotel, terão toda a beleza natural e qualidade que distinguem os campos de Golfe de Vilamoura a poucos minutos de distância.”68 Este slogan usa a palavra “natural” num falso contexto; na realidade um campo de golfe é uma construção do Homem, onde a “natureza” é amplamente manipulada. Muitas vezes, o “natural” passa a ser uma verdade moldada para a realidade de cada interesse; é sempre uma construção social e cultural. Uma “natureza sintética” como um golfe será um exemplo muito claro acerca da elasticidade infinita da construção de imagens e narrativas sobre “a natureza”, ou a “paisagem natural”. Para um maior desenvolvimento sobre este tema e sua ligação com as “arquitecturas verdes” ver: Duarte Pacheco, Arquitectura Esverdeada: do mito da natureza à paródia da verdolatrias, FAUP, 2012). ! ! 72! III Capítulo No PROTAL esta questão é evidente: “A competitividade do cluster turismo/lazer está dependente da capacidade de recuperação da qualidade do espaço público e da paisagem e de elevados níveis de protecção ambiental e do património natural, conservação da natureza e do património cultural.” 69 Esta frase explicita a confusão que dicotomias como natureza e cultura podem gerar. Estamos perante um discorrer de palavras que nada informam: “espaço público”, “paisagem”, “natural”, “natureza”, “cultural”; palavras que “(...) absorvem qualquer temática social e, apertando, também sairá de lá qualquer assunto. Ou seja, estes pseudo-conceitos transformam-se em dispositivos comunicacionais que, mais do que o conteúdo variável que possam conter, são usados como artilharia de arremesso nos processos de luta simbólica em momentos de mudança e de forte conflitualidade social.”70 A verdade é que a “natureza” encontra-se cada vez mais manipulada (ex: genética aplicada), a dicotomia entre natureza e cultura já não existe (pelo menos não da forma como a reconhecíamos) e a ansiedade em valorizar as coisas naturais e conservar ou “patrimonializar” a natureza dificultam o entendimento da realidade. Como Latour afirma “(…) no existe algo así como la Naturaleza en sí y para sí misma, ni algo como la Sociedad (o la Cultura) (Latour, 1993). El conjunto de cosas (humanas y no humanas) que pueblan el mundo está formado por híbridos de naturaleza y cultura que se multiplican incesantemente.”71 A multiplicidade de sentidos que o “natural” pode admitir leva à realização de inúmeros “zonamentos” e regulamentos de uso do solo, bem como planos REN, RAN, Áreas Protegidas e Rede NATURA, que muitas vezes se sobrepõem. A região do Algarve possui 57% da sua área total afecta à Reserva Ecológica Nacional (REN), que visa a protecção de áreas de grande sensibilidade ecológica através da proibição de “(...) operações de loteamento, obras de urbanização, construção e ampliação, vias de comunicação, escavações e aterros bem como a destruição do revestimento vegetal não associada às operações culturais de aproveitamento agrícola do solo e das operações decorrentes de condução e exploração dos espaços florestais.”72 ! ! 79! Apesar de no PROTAL a preocupação em incluir as questões do turismo estar sempre patente, continua-se sem perceber as múltiplas faces da organização desta actividade e como o próprio turismo constitui uma “máquina de fazer paisagens”, criando novos territórios. Classificações como - “Áreas turísticas de moradias”, “Áreas turísticas de moradias com golfe”, “Áreas de edifícios turísticos multifamiliares” – pouco informam sobre a escala ou contexto em que estas áreas turísticas se desenvolvem, transmitindo a ideia de que a definição de tipologias (moradias, multifamiliares, com golfe…) é suficiente para a compreensão deste fenómeno. Quando surge algum elemento que não cabe nos conceitos-esponja anteriores, criam-se classes próprias para os designar – “Hotel/Aparthotel (como elemento isolado)”. Sendo o turismo como negócio uma “fileira” – conjunto diversificado de actividade/negócios que convergem num máximo divisor comum – é necessário que seja analisado através da subdivisão das suas partes. Algo como, Turismo Rural, não pode ser analisado segundo o mesmo ponto de vista que se usaria para analisar um Resort, por exemplo. No entanto, a excessiva subdivisão das nomenclaturas técnicas: turismo rural, natureza, golfe, montanha, urbano, etc., por vezes apenas complicam, quando na realidade tudo isso pode convergir numa mesma área, sobretudo quando se trata de uma região tão pequena como o Algarve. Quando se entra neste tipo de explicações em que tudo é dividido e colocado em “caixas” surgem três grandes problemas: primeiro, como já foi dito anteriormente, perde-se a noção do todo, deixa-se de perceber quais são as prioridades, tudo passa a ser excepção; segundo, ficamos tão absorvidos neste processo de encontrar taxionomias onde os elementos encaixem que acabamos por tornar essa repartição mesquinha, sem se saber até onde ir, gerando um somatório sem fim de classes e subclasses; e, por fim, ficamos tão agarrados a convicções aplicáveis à forma como os antecedentes urbanísticos se organizavam, que não conseguimos encarar as novas tendências. ! ! 80! III Capítulo Assim sendo, parece não restar dúvidas quanto à necessidade de uma revisão profunda do modo de pensar e operacionalizar o ordenamento e o urbanismo. No lugar de se acumular um somatório de reformas, é necessária a ruptura; é preciso abandonar os lugares comuns e esquecer palavras como – estratégicos, articulados, integrados, sustentáveis, etc. – desígnios genéricos que muitas vezes já se encontram destinados ao insucesso apesar de serem ética e politicamente legítimos. 28 Carta Síntese dos PDM’s – PROTAL ! ! 81! No PROTAL, do que é que se fala, quando se fala do Algarve? No PROTAL, o tipo de questões que acompanham a diversidade e os contrastes da construção de um destino turístico como o Algarve é múltiplo e aparentemente infindável. O turismo é um assunto de polémicas inacabáveis que levanta questões como: a diversidade das políticas preconizadas, medidas de restrição ou de incentivo, contradições, sinergias, etc. As intenções são muitas e legitimas, no entanto também são contraditórias e utópicas: “diversificação dos produtos de oferta turística”; “promoção de um turismo sustentável”, “redução das assimetrias regionais”, “motor do bem estar da população”, “utilização responsável dos recursos naturais e do património nacional”; “redução da sazonalidade”; etc. Este quadro revela a grande confusão que é o assunto do turismo, cuja diversificação do produto turístico é altamente espartilhado de forma a possuir um pouco de tudo, quando na verdade, raros são os produtos que se encontram devidamente explorados. Se os Produtos Principais já possuem alguma expressão, o mesmo não acontece com os Produtos Complementares que se perdem em designações que ninguém sabe para que servem: “Turismo social”; “Turismo cultural e urbano”; “Turismo de natureza”; entre outros. Quadro IV - PROTAL Produtos Principais Produtos Complementares! - Sol, praia, mar e clima – o negocio central (“core business”) do Algarve é o “Sol e Praia” a evoluir para “Sol, Praia/Mar e Clima”, com desenvolvimento da cadeias de valor, alargamento da época balnear e programas de época baixa - Golfe! - Turismo náutico! - Lazer e férias – fins-de-semana e outras estadias de curta duração! - Parques temáticos! - Turismo e vilegiatura sénior, residência temporária ou permanente de reformados! - Turismo desportivo e estágios desportivos! - Turismo de saúde e bem-estar – SPA’s e termas! - Reuniões, incentivos, congressos eventos! - Campismo e caravanismo, com espaços próprios e qualificados - Eventos culturais e desportivos - Turismo de cruzeiros! - Turismo social! - Turismo cultural e urbano! - Diversão nocturna e jogo! - Turismo em espaço rural - Turismo de natureza! - Pesca desportiva! - Caça! ! ! ! Fonte: PROTAL, Vol. I, 2007, p.40. ! ! ! 82! III Capítulo Do que é que se fala, quando se fala do Algarve? Fala-se dos saudosismos do passado, da incompreensão do presente e das perspectivas futuras. Fala-se de realidades e de ficções. Partilham-se culpas, inventam-se desculpas, procuram-se respostas. Desde questões políticas, económicas, sociais, culturais, ambientais, urbanísticas, estéticas, etc. Tudo é abordado e participa na actividade turística; o Algarve não é excepção. Vejamos alguns exemplos: - CCDR/Algarve destaca empresas ligadas ao mar e náutica de recreio “Até ao final de Agosto de 2013, o Programa Operacional do Algarve (PO Algarve 21) aprovou um total de 539 projectos, dos quais 352 são de natureza empresarial. O financiamento FEDER total do PO Algarve 21 ascende a mais de 179,2 milhões de euros. Para o próximo período de programação, entre 2014 e 2020, ‘o mar é uma área estratégica onde devemos continuar a apostar’, concluiu o presidente David Santos.” 77 - Algarve, uma serra vazia e muito betão à beira-mar “Ninguém aponta culpados, mas a Liga da Protecção da Natureza, pela voz da presidente, nascida e criada na Praia da Rocha, resume o problema de um Algarve hoje alvo de requalificação: ‘Imitação do turismo espanhol, destruição do tipicismo da região, construção em massa e concentração da construção na orla costeira’, referiu ao DN Alexandra Cunha.”78 - Turismo do Algarve quer região a funcionar durante o Inverno “O presidente da Região de Turismo do Algarve, Desidério Silva, apelou hoje aos elementos que compõem o setor (hoteleiro) na região para que não encerrem as portas durante a época baixa, num esforço para combater a sazonalidade.‘ É importante que o Algarve, enquanto maior destino de férias no país, dê um sinal aos mercados emissores de que está preparado e tem produtos para se afirmar todo o ano e não só no verão’, sublinhou o responsável do Turismo do Algarve em comunicado.”79 ! ! 83! - Governo estuda taxa turística que reverta para a recuperação do património “De acordo com o ante projecto das Grandes Opções do Plano (GOP), na área da cultura, a valorização e a requalificação do património surge como ‘um desígnio nacional’, por ser um ‘factor multiplicador de riqueza’, e coloca-o ‘como uma das grandes apostas’ do próximo Quadro Comunitário de Apoio 2014-2020. Quanto à taxa turística para o património, seria aplicada nas dormidas da hotelaria nacional, e o valor reverteria ‘na totalidade e directamente para a requalificação e valorização do património nacional’, gerido pela Secretaria de Estado da Cultura (SEC).”80 - Governo aprovou novo PIN para atrair árabes a investir no interior do Algarve “O litoral tem milhares de camas vazias, mas ainda há quem aposte em construir na zona "alternativa" do Algarve, o barrocal e a serra. O concelho de Loulé está na agenda dos investidores do Kuwait. O Algarve volta a estar na mira dos capitais árabes na área do turismo, mas o investimento de 200 milhões de euros anunciado a semana passada no Kuwait pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, poderá não passar de uma miragem. O Governo, para tentar acelerar o projecto, inserido na Rede Natura 2000, conferiu-lhe o estatuto de "relevante interesse público", mas a obra, se vier a concretizar-se, poderá levar anos até que seja lançado o primeiro tijolo.”81 - Turismo “natureza”/ turismo “cultural” “Today our property is still a working organic farm producing carob, olives, almonds, oranges and figs, which are used mainly for the boutique hotel. The main production, though is apricots. We grow around 10 000 to 20 000 kilos of apricots every year that we expor to Northern Europe.”82 ! ! 84! III Capítulo O desenvolvimento dos 539 projectos aprovados pelo Programa Operacional do Algarve junto ao mar, aumentam a concentração da construção na orla costeira criticada pela Liga da Protecção da Natureza. O presidente da Região de Turismo do Algarve, apela para que não se encerrem os hotéis durante a época baixa para combater a sazonalidade, mas a verdade é que, os empresários necessitam de viabilidade para os manter abertos. A valorização e a requalificação prevista no ante projecto das Grandes Opções do Plano (GOP), através da aplicação da taxa turística para o património nas dormidas da hotelaria, apenas parece ser viável caso esse investimento se reflectir em termos de aumento de atractividade turística. Os investimentos no Barrocal estão a ganhar visibilidade, no entanto continua ser difícil conciliar o desenvolvimento urbano com as questões de protecção ambiental. Muitas são as opiniões e interesses em matéria de turismo, os emissores são variados e representam as mais diversas áreas. Os assuntos são muitas vezes polémicos e difíceis de conciliar. É preciso definir metas e optimizar as ferramentas que contribuam para a sua concretização. É importante satisfazer os diferentes interesses dos agentes envolvidos mas sobretudo, é preciso dar resposta ao modo como a expansão urbana se tem vindo a desenvolver no Algarve. ! ! 85! ! ! ! 86! IV Capítulo Casos de Estudo ! ! ! 87! 29 Casos de estudo Casos de estudo Para uma melhor compreensão dos padrões urbanísticos gerados pelo turismo nas suas múltiplas formas é necessário entender como se integram os diferentes tipos de alojamento e equipamentos (sobretudo os desportivos e de animação), uma vez que estes elementos constituem, muitas vezes, o principal atractivo ou motivo de escolha do destino turístico. O alojamento constitui a base essencial dos destinos turísticos, uma vez que proporciona as dormidas, e sem o qual estes não poderiam existir. No entanto, o alojamento raramente constitui por si mesmo o principal atractivo do destino. Os meios e formas de alojamento turístico são muito diversificados correspondendo aos diferentes tipos de clientes (jovens, famílias, turismo social, etc.), ao tipo de turismo exercido no local (turismo de negócios, turismo de recreio, turismo de desporto) e às características inatas do destino (praias, montanhas, cidades, etc.). Quanto aos equipamentos, estes constituem, muitas vezes, a principal atracção dos destinos turísticos, sobretudo no que diz respeito ao turismo temático e ao turismo desportivo. O turismo temático é em grande parte sustentado pelos próprios parques temáticos que se definem pelas grandes áreas que ocupam e onde se concentram um variado conjunto de diversões. Quanto aos equipamentos relacionados com o turismo desportivo, no Algarve, destacam-se sobretudo as marinas e os campos de Golfe. ! ! 88! IV Capítulo Dada a complexidade e pluralidade dos padrões urbanísticos e dos elementos que os constituem, optou-se por fazer “zoom” a algumas áreas que retratam os conteúdos desenvolvidos ao longo desta dissertação. Quarteira e Vilamoura foram duas das áreas escolhidas por constituírem locais de forte atracção turística, com dinâmicas totalmente díspares. Apesar da sua proximidade física, representam formas de territorialização completamente distintas. Uma com base piscatória e muito mais orientada para o turismo massificado – Quarteira; enquanto outra surge como modelo de urbanidade, correspondendo a um tipo de cliente mais elitista – Vilamoura. Por fim, aborda-se a urbanização dispersa no Barrocal algarvio, por constituir uma tendência relativamente recente, que nada tem que ver com o típico turismo de ‘sol e mar’ predominante no Algarve. 30 Quarteira e Vilamoura ! ! 95! 40 Quarteira – Apartamentos Turísticos Solgarve 3* 41 Quarteira – Pensão Triangulo ! ! 96! IV Capítulo 42 Quarteira - Parque de Campismo Orbitur – Postal antigo 43 Quarteira - Parque de Campismo Orbitur - 2013 ! ! 97! Nichos para clientes muito pontuais Se antes da democratização das férias o turismo era reconhecido como sendo elitista, a verdade é que, apesar do desenvolvimento do turismo massificado, o turismo elitista continua a ser uma realidade. Numa primeira fase, o turismo era tido como elitista porque apenas um pequeno grupo de pessoas – inicialmente, a família real e a aristocracia - possuíam poder económico para financiar as deslocações e a estadia de uma viagem. Actualmente, o turismo elitista consiste no usufruto por parte de uma minoria de produtos turísticos extremamente luxuosos e dispendiosos. 44 PU Vilamoura ! ! ! 98! IV Capítulo Vilamoura Vilamoura consiste na construção de raiz, de um espaço urbanizado inteiramente vocacionado para o turismo. Aqui confluem, não só, alojamentos turísticos, mas também, serviços, equipamentos e toda a infra-estrutura necessária para um desempenho totalmente autónomo em relação à envolvente. A sua localização próxima do mar e a existência de uma marina proporcionam boas condições para o turismo de ‘sol e mar’. A juntar a todas estas características, Vilamoura oferece ideais de segurança e exclusividade, tornando-se assim num verdadeiro pólo de atracção turística bastante elitista. A construção do complexo turístico de Vilamoura ocupa uma antiga propriedade nobre cuja área ocupava cerca 1600 hectares a antiga Quinta da Quarteira. Este terreno é adquirido pala Lusotur em 1965, para aí implantar uma verdadeira ‘cidade de lazer’. Para tal é realizado o Anteplano de Urbanização de Vilamoura, por Carver L. Baker & Associates, cujo Plano Geral e Planos Sectoriais seriam desenvolvidos por uma equipa coordenada pelo engenheiro Manuel da Costa Lobo. Antes do novo projecto, este terreno era parcialmente ocupado por sequeiro e por pequenos lotes arrendados – velha Quinta de Quarteira. O novo projecto previa uma exploração agro-pecuária de cerca de 577 hectares (que nunca chegou a existir) com a finalidade de “(...) procurar valorizar ao máximo as economias das regiões turísticas, através de incentivos à produção local para que ofereça muitos dos produtos que os turistas vierem a consumir (...)”83 Numa visão que “(...) gira em volta de um conceito actualizado de organização urbana que tem a melhor exemplificação nas Novas Cidades inglesas (…)”84 surge Vilamoura, cuja área submetida a estudo de urbanização correspondia a 1 054 hectares, dos quais, 323 hectares seriam de espaços verdes e onde a população residente prevista seria de 12 000 habitantes e população turística de 38 000 habitantes. Da área total disponível só uma parte de Vilamoura foi urbanizada em torno do núcleo central, constituído pela marina (primeira marina portuguesa) onde se instalaram várias cadeias internacionais de hotéis e pequenos blocos de aparta- ! ! 99! mentos turísticos. Mais afastados deste centro, surgiram alguns aldeamentos turísticos – Aldeia do Golfe, Aldeia do Campo, Monte da Vinha. Do projecto faziam ainda parte: escolas, igrejas, estação de água, estações eléctricas, telefones, parques, lavandarias, um casino (aberto em 1973), campos de ténis, campos de golfe, centros comerciais, etc. Entre 1996 e 2005, Vilamoura esteve a cargo da empresa Lusotur sendo posteriormente vendida ao grupo espanhol Prasa. Vilamoura, constitui assim, um caso urbanístico paradigmático em Portugal, totalmente vocacionado para o turismo, que durante muito tempo contou com a frequência de pessoas de grande poder económico que alimentavam este ambiente de ostentação. No entanto, a falta de updates originados pela postura comodista de alguns empresários de Vilamoura juntamente com a crise que se fez sentir em Portugal e um pouco por todo o mundo, tem provocado impactos económicos que tornam difícil assegurar a manutenção de um espaço de lazer para uma minoria tão exclusiva. Apesar da dificuldade em manter a ‘actual Vilamoura’, está previsto um mega-projecto de ‘cidade lacustre’ nesta mesma zona, que incluirá a construção de uma rede de três lagos artificiais ligados entre si por canais navegáveis (por cerca de 300 embarcações), rodeadas por hotéis e apartamentos, spas, quilómetros de pontes e passadeiras pedonais e um palco gigantesco sobre a água, entre outros luxos. Este complexo será envolvido por vários campos de golfe e ocupará uma área urbanística superior a 300 mil metros quadrados. O turismo em Vilamoura caracteriza-se sobretudo pela afluência de pessoas de classe média-alta ou alta, que procuram ambientes selectivos e seguros, onde o luxo e a comodidade predominem. Para dar resposta ao turismo elitista, o alojamento em Vilamoura concentra-se, sobretudo, em hotéis de cinco estrelas, resorts e aldeamentos turísticos. A alimentação é feita, muitas vezes, no próprio hotel/resort ou nos luxuosos restaurantes existentes em Vilamoura. O tempo livre é predominantemente ocupado nas piscinas e spas; nos campos de golfe e de ténis; nos passeios de barco ou na ‘passarela’ em torno da marina. Também a vida nocturna é exuberante e a ida ao Casino faz parte do ritual de ‘ver e ser visto’. ! ! 100! IV Capítulo 45 Vilamoura - marina ! ! 101! Alojamento em Vilamoura Em Vilamoura predominam os hotéis de cinco estrelas que oferecem um vasto serviço complementar e luxuoso. Normalmente qualquer um destes hotéis possui piscina, áreas ajardinadas, spa, “kids club”, restaurantes e bar, salas de reuniões, entre outros. A proximidade com o mar e campos de golfe são condição de valorização destes hotéis. Ao contrário dos hotéis de Quarteira, estes apresentam regra geral uma arquitectura mais actual, encontram-se em melhor estado de conservação e possuem áreas mais generosas. Os aldeamentos turísticos desenvolvem-se muitas vezes segundo vias orgânicas em torno dos campos de golfe e ao longo da costa, constituindo ambientes encerrados, face à obsessão pela segurança e exclusividade, revelandose verdadeiros pólos de atracção turística elitista. No entanto, a maioria dos aldeamentos turísticos de Vilamoura estão classificados com três estrelas o que leva a crer que consistem em alojamentos economicamente mais acessíveis. Os clientes caracterizam-se sobretudo por famílias numerosas de classe média e média-alta que procuram a proximidade com a realidade ostentosa de Vilamoura: os campos de golfe; os passeios na marina e as praias frequentadas por figuras públicas. Vilamoura oferece as condições ideais para a fixação de resorts pela existência de vários campos de golfe, de uma marina e pela proximidade com o mar. O público alvo é bastante exclusivo sendo maioritariamente constituído por pessoas de classe alta e muito alta. A promoção destes ambientes assenta em grande medida na ideia de exclusividade (o consumidor paga pela diferença e exclusividade) e segurança (através de barreiras físicas e sistemas de controlo). ! ! 102! IV Capítulo 46 Vilamoura – Hotel Tivoli Marina 5* 47 Vilamoura – Hotel Dom Pedro Marina 4* ! ! 103! 49 Vilamoura – Aldeamento Turístico Prado do Golf 3* 48 Vilamoura – Aldeamento Turístico Verde Pino 3* 50 Vilamoura – Aldeamento Turístico Aldeia do Golf 4* ! ! 104! IV Capítulo 52 Vilamoura - Hilton Resort 51 Vilamoura – Lake Resort ! ! 111! 57 – Marina de Vilamoura 58 – Campos de Golfe ! ! 112! IV Capítulo Segundo o PDM, Vilamoura é predominantemente constituída por “áreas urbano-turísticas”, no entanto essas áreas têm vindo a urbanizar-se de formas muito distintas. Em torno da marina de Vilamoura as escalas e formas do edificado são múltiplas, variando entre edifícios de habitação (grande parte são residências secundárias) de pequena escala (três pisos), hotéis (mais de onze pisos), conjuntos habitacionais de grandes dimensões, resorts, esplanadas, decks, etc. A linguagem arquitectónica é bastante variada, onde os diferentes elementos foram colados uns ao lado dos outros. Este tipo de fenómeno acontece pelo facto de muitas destas construções serem desenvolvidas por promotores privados que possuem diferentes interesses, perspectivas e formas de encarar a urbanização. Esta atitude resulta num somatório de várias operações turísticas autónomas propostas por diferentes actores e cuja iniciativa pública pouco regula. Essa colagem vai-se desenvolvendo para Este, até encontrar o limite de Quarteira. Para Norte surge um novo padrão de urbanização que se territorializa em torno dos campos de golfe. Segundo o PDM estas áreas são denominadas como “áreas de verde urbano equipado”. O edificado é predominantemente constituído por moradias unifamiliares (dois pisos) que ocupam lotes relativamente homogéneos e por moradias em banda, que se distribuem de forma orgânica em torno dos campos de golfe. Nestas áreas o mix-funcional deixa de ser relevante. A habitação ou alojamento e as zonas de lazer e desporto (campos de golfe, piscina de cada propriedade) são suficientes catalisadores turísticos. Associados aos campos de golfe surgem estabelecimentos hoteleiros, academias de golfe, clubhouse, bares, restaurantes, etc. Este padrão de urbanização revela-se distinto dos abordados até então, não corresponde a uma área urbana compacta pois os campos de golfe impõem o espaçamento entre o edificado, mas também não corresponde à urbanização difusa uma vez que os vários elementos são dispostos segundo uma lógica de justaposição. Para Noroeste a expansão urbana de Vilamoura é travada pelas áreas classificadas como Reserva Ecológica Nacional (REN) e Reserva Agrícola Nacional (RAN). ! ! 113! Perante a análise dos padrões de urbanização aqui presentes torna-se clara a necessidade de enquadramentos jurídicos e legais diferentes que entendam as razões e profundidades das transformações sociais/territoriais e do papel que a fileira económica do turismo desempenha no âmbito da urbanização. Constatações e perspectivas futuras: - É necessária a determinação de algumas directrizes em termos de desenvolvimento urbano que não se limitem a definir grandes áreas de classificações pouco esclarecedoras, ou que se restrinjam a estabelecer cérceas máximas, alinhamentos e índices de construção. - É necessário equacionar estratégias de reestruturação da urbanização extensiva que assegurem uma envolvente menos instável, tanto em termos de usos, como de acessos, como de imagem. Assim, cada projecto individual pode prever formas de se relacionar com a envolvente em vez da actual tendência de se encerrarem e defender do que lhe é exterior e imprevisível. - Mais do que o estudo profundo de vários fragmentos (ex: PU) é importante perceber como é que esses pedaços de estrutura urbana se vão relacionar com o todo. A cada novo elemento é necessário uma reavaliação da lógica de conjunto. É um processo de constante evolução reflexo natural da própria mutação da forma como a urbanização se desenvolve actualmente. - Ao arquitecto cabe a função de pensar para além da parcela em que vai operacionalizar, isto é, a qualidade do conjunto não depende apenas da qualidade arquitectónica individual de cada elemento mas sim da sua relação com o todo. Mais do que o desenho da fachada, interessam a altura, a escala e a proporção dos volumes, o modo como os edifícios se associam, quer constituam elementos independentes, quer criando linhas de fachada contínuas. ! ! 114! IV Capítulo - Para que todas estas medidas sejam viáveis é fundamental a interacção entre os diferentes intervenientes no processo de urbanização, as diferentes áreas têm que estabelecer coligações e sinergias. Arquitectos, projectistas, promotores, gestores, entre outros intervenientes, devem procurar a criação de espaços urbanos coerentes, legíveis e flexíveis. Esta quadratura do círculo, defendendo a articulação entre os diferentes agentes, é talvez a mais difícil de operacionalizar: o turismo é um jogo de contradições e interesses muito diversos o que faz com que a regulação do processo seja mais da família da gestão do conflito do que da construção do consenso. “Face à ausência de um sistema total ordenador – ou perante a nossa incapacidade para compreender o sistema existente - o que percebemos são fragmentos resultantes de processos autónomos e com lógicas próprias, incapazes de criar uma unidade reconhecível e legível.”86 ! ! 115! Tendências recentes: Inicialmente, o turismo rural era procurado pela classe baixa e caracterizava-se pela contemplação da natureza, da paisagem e da arquitectura rústica (popular); que possibilitava a ruptura com o quotidiano através do contacto com outras realidades, outros valores e rotinas. O turismo rural não era a escolha primordial mas sim, o único destino de férias que algumas famílias podiam comportar; quem possuía melhores níveis de vida escolhia as prestigiadas praias do litoral. Ao longo dos tempos esta realidade veio a alterar-se. A procura turística dos espaços rurais passou a ser realizada pelas classes média alta e alta que “(...) procuram férias alternativas ao sol e à praia, com isolamento, privacidade, repouso, pacatez e quietude, tratamento personalizado, relações humanas autênticas, algo de diferente e de especifico (...)”87 Colonização/transformação do povoamento e do edificado rural _Barrocal Após o 25 de Abril, o Algarve ressentiu do forte êxodo rural uma vez que a indústria do turismo necessitava de muita mão de obra e oferecia melhores condições de trabalho e de salário, levando a que o número de explorações agrícolas passasse de 38 014 a 14 721, entre os anos de 1952 e 2005. Em 1973 o Anteplano do Planeamento Sub-Regional destaca o “(...) crescente interesse que vem a despertar o interior rural, não só para a fixação de famílias idosas reformadas, oriundas dos países do Norte da Europa, mas também para o estabelecimento de complexos turísticos com baixas densidades populacionais de características de vilegiatura e repouso especiais.”88 Para além do desenvolvimento da indústria do turismo; a democratização do automóvel e a melhoria das vias de comunicação e acessibilidade, deram origem à colonização de alguns dos terrenos rurais da região. ! ! 116! IV Capítulo No Algarve, tanto o Barrocal como o Litoral possuíram “(...) padrões muito estáveis de ocupação agrícola e de povoamento que hoje estão quase extintos, como a policultura de sequeiro (amêndoa, figo, cereal) ou regada (horta) no minifúndio do barrocal; agricultura tradicional de sequeiro (cereais); ou a agricultura especializada da qual restam alguns laranjais e hortícolas. Desde a recuperação de casas tradicionais, até aos aldeamentos e resorts ou complexos hoteleiros e golfe..., tudo isto pode colonizar o ex-rural em imensas possibilidades de combinação.”89 Em 2001, o número de estabelecimentos rurais na Região do Algarve revelava-se claramente inferior ao das restantes regiões. Porém, se em termos de número de estabelecimentos rurais a Região do Algarve não ganha expressão, o mesmo não acontece com o número de dormidas tendo-se em 2001 verificado que cerca de 6% das dormidas ocorriam em estabelecimentos rurais; mais do que os valores registados para a Madeira e os Açores. O número de dormidas na região quintuplicou durante a década de 90 (5.000 em 1991, 25.527 em 2001). Apesar deste fortíssimo crescimento percentual prevalecer com pouca expressão no contexto nacional, é um bom indicador de que a procura deste modelo de turismo possui potencialidade podendo vir a surgir como alternativa/complemento ao típico turismo de sol e mar do Algarve de forma a equilibrar melhor a distribuição regional desta actividade. Em termos de localização, segundo os dados de 2001, o turismo em Espaço Rural concentra-se sobretudo na faixa meridional litoral (pela proximidade com o mar e, consequente, atractividade turística), ganha alguma expressão no Barrocal e é quase inexistente na Serra Algarvia. O concelho de Loulé possui maior representatividade deste tipo de turismo, monopolizando um terço dos estabelecimentos que se concentram na zona do Barrocal. ! ! 117! 59 Estabelecimentos de Turismo no Espaço Rural no Algarve (2001) – PROTAL ! ! ! 118! IV Capítulo “O ‘barrocal’ Algarvio – tipicismo que durante séculos manteve uma pequena agricultura familiar com base em produtos mediterrânicos (horta, figo, amêndoa, alfarroba, citrinos, cereal, gado miúdo, etc.) e no aproveitamento de águas subterrâneas através de poços e noras -, (…), está a ser recolonizado através da recuperação de edifícios antigos e da introdução da relva e da piscina na antiga horta. Turistificou-se o campo e fez-se da agricultura um recurso estético e da terra um sinal de distinção social.”90 60 Barrocal – Quinta dos Poetas (turismo rural) 61 Barrocal – Monte da Lua (turismo rural) ! ! 119! 63 Estói (Barrocal) 62 Barrocal das Torres ! ! 120! IV Capítulo A colonização do Barrocal desenvolve-se a partir de dois padrões de urbanização distintos. O primeiro consiste na urbanização dispersa, proporcionada pela multiplicação de estradas e caminhos e pela disseminação das restantes infraestruturas (águas, saneamento, electricidade, telecomunicações e energia) que servem de suporte para a colonização de vastas áreas de forma fragmentada. Como podemos verificar na imagem o povoamento é disperso, existe um elevado retalho fundiário e a actividade agrícola é quase inexistente. Nestes casos predomina a requalificação de edifícios tradicionais para uso como casa de férias e ou para negócios de turismo rural. ! O outro processo de urbanização consiste na recuperação e desenvolvimento de núcleos de base rural ou rústica. Aqui ocorre a recuperação de edifícios antigos para uso como casa de férias e a construção de complexos hoteleiros que aproveitam as sinergias de proximidade com o núcleo pré-existente. Os PDM’s estabelecem a proibição de edificação em solo rural (quase todo o Barrocal é encarado como rural), no entanto abrem-se excepção para “edificações isoladas”, “obras de conservação, reconstrução, alteração e ampliação das construções existentes” e construção de “estabelecimentos hoteleiros isolados”. A colonização do Barrocal está a seguir a urbanização extensiva, é importante que se estabeleçam estratégias para que este fenómeno seja conduzido da melhor forma possível. Não é a proibição de edificação, onde se abrem algumas excepções que vai produzir resultados positivos neste processo de expansão. Mais uma vez, as medidas fortemente restritivas revelam a tendência natural de resistir à mudança. Durante o impasse entre desenvolver e conservar a concepção de estratégias operativas ficam pendentes deixando a expansão urbana seguir sem rumo. ! ! 127! ! ! 128! Notas Capitulo I 1 Jean Didier Urbain, L !idiot du voyage: histoires de touristes, 2002, p.41. 2 Licínio Cunha, Introdução ao Turismo, 2009, p.17. 3 Definições estabelecidas aquando da Conferência de Roma, 1963. 4 Jean Didier Urbain, L !idiot du voyage: histoires de touristes, 2002, p.52. 5 Jean Didier Urbain, obra citada, 2002, p.20. 6 Jean Didier Urbain, obra citada, 2002, p.43. 7 Licínio Cunha, Introdução ao Turismo, 2009, p.29. 8 Licínio Cunha, obra citada, 2009, p.30. 9 Licínio Cunha, obra citada, 2009, p.33. 10 Dicionário de Língua Portuguesa, 1952, p.1728. 11 Sérgio Palma Brito, Território e Turismo no Algarve, 2009, p.67. 12 Sérgio Palma Brito, Território e Turismo no Algarve, 2009, p.78. 13 Sérgio Palma Brito, obra citada, 2009, p.78. 14 Sérgio Palma Brito, obra citada, 2009, p.78. 15 Hotelo Cabrita, Hotelaria e Profissionais, in 3º Congresso sobre o Algarve, 1984, p.1143 16 Jean Didier Urbain, L !idiot du voyage: histoires de touristes, 2002, p.59. 17 Étienne Pauchant, Vous avez dit authentique?, 2000, p.14. 18 Alain de Botton, A arte de viajar, 2010, p.164. 19 Alain de Botton, obra citada, 2010, p.82. 20 Alain de Botton, obra citada, 2010, p.242. 21 W. Wordsworth, in A arte de viajar, 2010, p.152. 22 John Urry, The Tourist Gaze “Revisited”, 1992, p.172. 23 John Urry, obra citada, 1992. 24 John Urry, obra citada, 1992, p.181. 25 John Urry, obra citada, 1992, p.181. 26 John Urry, obra citada, 1992. Capitulo II 27 Carminda Cavaco, O Turismo em Portugal: Aspectos Evolutivos e Espaciais, 1979, p.192. 28 Carminda Cavaco, obra citada, 1979, p.196. 29 Carminda Cavaco, obra citada, 1979, p.247. 30 Carminda Cavaco, obra citada, 1979, p.204. 31 Carminda Cavaco, obra citada, 1979, p.206. 32 Licínio Cunha, O processo de desenvolvimento do turismo português, in Turismo, inovação e desenvolvimento : actas do I seminário turismo e planeamento do território, 2008, p.189. 33 Carminda Cavaco, O Turismo em Portugal: Aspectos Evolutivos e Espaciais, 1979, p.219. 34 Carminda Cavaco, obra citada, 1979, p.221. 35 Carminda Cavaco, obra citada, 1979, p.238. ! ! 129! 36 Licínio Cunha, O processo de desenvolvimento do turismo português, in Turismo, inovação e desenvolvimento : actas do I seminário turismo e planeamento do território, 2008, p.190. 37 Licínio Cunha, obra citada, 2008, p.190. 38 Licínio Cunha, obra citada, 2008, p.191. 39 Licínio Cunha, obra citada, 2008, p.191. 40 Carminda Cavaco, Geografia e Turismo no Algarve, Aspectos Contemporâneos, 1969, p. 228. 41 João Lopes, Corografia ou Memória Económica, Estatística e Topográfica do Reino do Algarve, 1841, p.114. 42 Carminda Cavaco, Geografia e Turismo no Algarve, Aspectos Contemporâneos, 1969, p. 231. 43 Carminda Cavaco, obra citada, 1969, p. 228. 44 Carminda Cavaco, obra citada, 1969, p. 222. 45 Carminda Cavaco, obra citada, 1969, p. 226. 46 Carminda Cavaco, obra citada, 1969, p. 227. 47 Sérgio Palma Brito, Território e Turismo no Algarve, 2009, p.89. 48 Sérgio Palma Brito, obra citada, 2009, p.90. 49 Sérgio Palma Brito, obra citada, 2009, p.91. 50 Sérgio Palma Brito, obra citada, 2009, p.92. 51 Pedro Ruivo, Acolhimento Turístico – Factor Primo, in 3º Congresso sobre o Algarve, 1984, p.1151. 52 Jean Didier Urbain, L !idiot du voyage: histoires de touristes, 2002, p.61. 53 Clara Nunes, A identidade cultural do litoral algarvio face ao desenvolvimento turístico, in 3º Congresso sobre o Algarve, 1984, p.194. 54 João Lopes, Corografia ou Memória Económica, Estatística e Topográfica do Reino do Algarve, 1841, p.75. 55 INE, Estatística dos transportes, 2011. Capitulo III 56 Nuno Portas, Álvaro Domingues, João Cabral, Politicas urbanas II: Transformações, Regulações e Projectos, 2011, p.130. 57 Nuno Portas, Álvaro Domingues, João Cabral, obra citada, 2011, p.131. 58 Sérgio Palma Brito, Território e Turismo no Algarve, 2009, p.18. 59 Sérgio Palma Brito, obra citada, 2009, p.18. 60 Sérgio Palma Brito, obra citada, 2009, p.18. 61 Acompanhamento e monitorização do prot Algarve, 1º Relatório anual, 2009, p. 69. 62 Nuno Portas, Álvaro Domingues, João Cabral, Politicas urbanas II: Transformações, Regulações e Projectos, 2011, p.131. 63 Álvaro Domingues, A Rua da Estrada, 2009. 64 Nuno Portas, Álvaro Domingues, João Cabral, Politicas urbanas II: Transformações, Regulações e Projectos, 2011, p.147. 65 Nuno Portas, Álvaro Domingues, João Cabral, obra citada, 2011, p.23. ! ! 130! Notas 66 Nuno Portas, Álvaro Domingues, João Cabral, obra citada, 2011, p.131. 67 Álvaro Domingues, Paisagens trangénicas. 68 http://www.crowneplazavilamoura.com/hotel.html 69 PROTAL, Volume I, 2007, p.24. 70 Álvaro Domingues, Paisagens trangénicas. 71 Erik Swyngedouw, La naturaleza no existe! La sostenibilidad como síntoma de una planificación despolitizada, 2011, p.44. 72 http://www.ccdr-alg.pt/ccdr/index.php?module=ContentExpress&func=display&ceid=333 73 Erik Swyngedouw, La naturaleza no existe! La sostenibilidad como síntoma de una planificación despolitizada, 2011, p.43. 74 Nuno Portas, Álvaro Domingues, João Cabral, Politicas urbanas II: Transformações, Regulações e Projectos, 2011, p.24. 75 Nuno Portas, Álvaro Domingues, João Cabral, obra citada, 2011, p.27. 76 Nuno Portas, Álvaro Domingues, João Cabral, obra citada, 2011, p.27. 77 http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=139461 78 http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=2314721&especial=Os%20pontos%20negros% 20do%20ambiente%20-%20Grande%20Investiga%E7%E3o&seccao=SOCIEDADE 79 http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=82439 80 http://www.algarveexpress.pt/?p=3668 81 http://www.publico.pt/local-lisboa/jornal/governo-aprovou-novo-pin-para-atrair-arabes-a-investir-nointerior-do-algarve-25803517#/0 82 http://www.welcomebeyond.com/property/agroturismo-cosmopolita/ Capitulo IV 83 Sérgio Palma Brito, Território e Turismo no Algarve, 2009, p.62. 84 Parecer GTPRA 85 Sérgio Palma Brito, Território e Turismo no Algarve, 2009, p.127. 86 Nuno Portas, Álvaro Domingues, João Cabral, Politicas urbanas II: Transformações, Regulações e Projectos, 2011, p.168. 87 Carminda Cavaco, Do despovoamento rural ao desenvolvimento local, 1994, p.152. 88 Sérgio Palma Brito, Território e Turismo no Algarve, 2009, p.184. 89 Nuno Portas, Álvaro Domingues, João Cabral, Politicas urbanas II: Transformações, Regulações e Projectos, 2011, p.131. 90 Álvaro Domingues, Vida no Campo, in Duas Linhas, 2009, p.35. 91 Nuno Portas, Álvaro Domingues, João Cabral, Politicas urbanas II: Transformações, Regulações e Projectos, 2011, p.179. ! ! 131! Capitulo I 1 http://www.presstur.com/gallery_upload/WBObject_12627_PortugalRes-Algarve-Golfe.jpg 1.1 http://2.bp.blogspot.com/- TwQr1QSxurw/T2tMn405qPI/AAAAAAAADnc/eyPnY6BYj54/s400/Capa_3.jpg 2 http://letsknoweachotherbetter.blogspot.pt/2011_05_01_archive.html 3 http://echostains.files.wordpress.com/2010/03/vangogh-yellow-house-at-arles-1888.jpg 4 http://daybreaksdevotions.files.wordpress.com/2012/07/prof-benne-holwerda-on-placing-mount-sinaiin-egypt.jpg 5 http://www.youtube.com/watch?v=Y5gblq6h_Vo Capitulo II 6 http://www.cinemateca.pt/Cinemateca-Digital/Ficha.aspx?obraid=2311&type=Video 7 Desenho realizado a partir de Carminda Cavaco (in O turismo em Portugal: Aspectos evolutivos e espaciais p. 229) 8 Desenho do autor 9 Fotografia do autor 10 http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Serra_de_Monchique.jpg 11 http://ipt.olhares.com/data/big/523/5235464.jpg 12 http://digitarq.dgarq.gov.pt/viewer?id=1019420 13 Fotografia do autor 14 Fotografia do autor 15 http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Arrival_of_the_first_train_to_Faro.jpg 16 Fotografia do autor 17 http://blog.turismodoalgarve.pt/2011/11/inauguracao-do-aeroporto-de-faro.html 18 Fotografia de autor 19 Desenho realizado a partir dos dados do INE Capitulo III 20 PROTAL p.159. 21 http://www.prot.ccdr-alg.pt/Storage/pdfs/PG05.pdf 22 Fotografias do autor 23 http://mikosz.wordpress.com/art-tec/08-o-novo-coelho-da-cartola/ 24 PROTAL 25 REN (in http://idealg.ccdr-alg.pt/ren.aspx) 26 PROTAL 27 PROTAL 28 PROTAL ! ! 132! Fontes das Ilustrações Capitulo IV 29 Desenho do autor 30 Ortofotomapa (in Google maps) 31 http://blog.turismodoalgarve.pt/2011/10/hotel-toca-do-coelho-hoje-dom-jose.html 32 Fotografia do autor 33 http://blog.turismodoalgarve.pt/2011/10/hotel-toca-do-coelho-hoje-dom-jose.html 34 Fotografia do autor 35 Fotografia do autor 36 Fotografia do autor 37 Fotografia do autor 38 Fotografia do autor 39 Fotografia do autor 40 Fotografia do autor 41 Fotografia do autor 42 http://retratosdeportugal.blogspot.pt/2009/11/quarteira-parque-de-campismo.html 43 Fotografia do autor 44 http://www.ccdr-alg.pt/ccdr/index.php?module=ContentExpress&func=display&ceid=333 45 Fotografias do autor 46 Fotografia do autor 47 Fotografia do autor 48 Fotografia do autor 49 Fotografia do autor 50 Fotografia do autor 51 Fotografia do autor 52 Fotografia do autor 53 Fotografias do autor 54 Ortofotomapa (in Google maps) 55 Ortofotomapa (in Google maps) 56 Ortofotomapa (in Google maps) 57 Ortofotomapa (in Google maps) 58 Ortofotomapa (in Google maps) 59 PROTAL 60 Fotografia do autor 61 Fotografia do autor 62 Ortofotomapa (in Google maps) 63 Ortofotomapa (in Google maps) 64 Fotografia do autor ! ! 133! ! ! ! ! ! ! ! ! ! 134! Fontes das Ilustrações ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! 64 To be continued... ! ! ! 135! ! ! 136! Bibliografia ! ASCHER, François. Metapolis: Acerca do Futuro da Cidade, Celta editora, Fevereiro, 1998. ASCHER, François. Novos Princípios do Urbanismo, ed. Livros Horizonte, 2010. BOTTON, Alain. A arte de viajar, trad. Miguel Pereira, Publicações D. Quixote, Alfragide, 2010. BRITO, Sérgio Palma. Território e Turismo no Algarve, Edições Colibri, 2009. CAVACO, Carminda. Geografia e turismo no Algarve. Aspectos contemporaneos, Finisterra, 1969. CAVACO, Carminda. Algarve Oriental: as vilas, o campo e o mar, Gabinete da Região do Algarve, Faro, 1976. CAVACO, Carminda. O turismo em Portugal: aspectos evolutivos e espaciais, Centro de Estudos Geográficos, Lisboa, 1979. CAVACO, Carminda. Do despovoamento rural ao desenvolvimento local, PAOT-DGDR, Lisboa, 1994. COSTA, Pedro. LOURO, Nuno. Duas Linhas, 2009. CUNHA, Licínio. 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Anexos! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! 06 PU Nordeste de Quarteira ! ! 146! Anexos! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! 07 PU Nordeste de Quarteira ! ! 147! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! 08 Postal Quarteira (in http://www.prof2000.pt/users/avcultur/Postais2/QuarteiraPostais/003_Quarteira.jpg) ! ! 148! Anexos ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! 09 Quarteira, 1960 (in http://blog.turismodoalgarve.pt/2011/10/hotel-toca-do-coelho-hoje-dom-jose.html)! ! ! 149! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! 10 Quarteira, 1960 (in http://blog.turismodoalgarve.pt/2011/10/hotel-toca-do-coelho-hoje-dom-jose.html) ! ! 150! Anexos! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! 11 Carta Militar (Quarteira e Vilamoura) (in http://idealg.ccdr-alg.pt/ren.aspx) ! ! 151! ! ! ! ! 152! Anexos! ! ! Devido à própria característica do turismo; a arquitectura que presenciámos ao longo da região do Algarve parece reunir uma série de influências culturais; umas muito mestiças, outras mais ou menos eruditas; a variedade é múltipla em forma, escala e proporção. Este levantamento fotográfico, ao longo da costa de Quarteira e Vilamoura, exprime a intenção de retratar alguma dessa variedade. De Este para Oeste podemos verificar que grande parte dos edifícios possuem em média cinco a seis pisos cujo o r/chão costuma ser ocupado por comércio. Apresentam linguagens arquitectónicas muito díspares, variando em forma, cor, alinhamentos, cérceas, entre outras. Aproximando-nos do porto piscatório começam a surgir edifícios de um ou dois pisos, mais antigos que se destinam a acolher o comércio (cafés, restaurantes, mercado de peixe e de fruta, entre outros) e finalmente a nova lota de Quarteira. Entre Quarteira e Vilamoura surge um grande terreno vazio, onde algumas caravanas se instalam de forma ilegal. Aqui podemos ver como pano de fundo os edifícios de maior dimensão de Vilamoura. Na Marina de Vilamoura voltamos a encontrar uma grande mistura de linguagens arquitectónicas que, no entanto, parecem ganhar unidade devido ao percurso bem marcado em torno da marina. ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! 11 Quarteira | Vilamoura (As arquitecturas na frente de mar) – Desenho do autor