scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos - Estudo de caso: ACES Espinho/Gaia

Paula Cristina de Sousa Meireles

Full text

Paula Cristina de Sousa Meireles Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos Estudo de caso: ACES Espinho/Gaia 2012 2º Ciclo de Estudos em Sistemas de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Orientador: Doutora Ana Monteiro Coorientadores: Enfº José Carlos Sousa, Dr.ª Eliza Teixeira e Dr.ª Clara Alves (Unidade de Saúde Pública do ACES Espinho/Gaia) Dissertação submetida para satisfação dos requisitos do grau de mestre em Sistemas de Informação Geográfica e Ordenamento do Território (Versão definitiva) Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 2 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 3 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Este trabalho é financiado por Fundos FEDER através do COMPETE (Programa Operacional Fatores de Competitividade) e por Fundos Nacionais através da FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) no âmbito do projeto PTDC/SAUESA/73016/2006 “Os riscos para a saúde humana causados por ondas de calor e vagas de frio no Porto”. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 4 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 5 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Resumo Esta investigação apresenta uma metodologia desenvolvida em SIG com o principal objetivo de localizar os utentes com mais de 64 anos no ACES Gaia/Espinho, e dai analisar as relações existentes entre o contexto biogeofísico e socioeconómico para ajudar a criar condições que permitam antecipar os riscos em relação às populações idosas e em especial às que vivem sozinhas sem qualquer retaguarda familiar. Localizamos assim, os utentes com mais de 64 anos, fomos capazes de distinguir quais os que viviam isolados, sozinhos, ou com familiares das mesmas idades, criando um grupo de risco e de grande vulnerabilidade na sociedade, utilizamos a base de dados com inscritos do ACES Espinho/Gaia. E ainda, tentamos compreender a relação entre os internamentos e os eventos extremos. Procuramos ainda salientar todas as potencialidades da ferramenta SIG, e mostrar uma das formas como pode ser usada. Palavras-chave: SIG, Envelhecimento, Idosos, Risco de isolamento. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 6 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Abstract This research presents a methodology developed in GIS and the main goal involves locating users with more than 64 years in ACES Gaia / Espinho, and analyze the relation between the biogeophysical and socio-economic context to help create the conditions to anticipate the risks in relation to elderly populations and in particular those living alone with no family behind. So we found users with more than 64 years, we were able to distinguish which ones lived isolated, alone or with relatives of the same ages, creating a risk group and very vulnerable in society, we use the database of the registered ACES Thorn / Gaia. And also, try to understand the relationship between admissions and extreme events. We also seek to highlight the full potential of GIS tool, and show one of the ways that can be used. Keywords: SIG, Aging, Elderly, risk of isolation Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 7 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Agradecimentos Agradeço a professora Ana Monteiro por toda atenção, compreensão, paciência, incentivo e pela transmissão de conhecimentos que foram fundamentais para a realização deste trabalho. Ao Luís e a Marta agradeço a partilha do conhecimento, as sugestões e as criticas sempre construtivas, ao estímulo e o tempo que disponibilizaram na procura de informação e na resolução das dificuldades que me foram surgindo. E por fim, mas não menos importantes, aos meus pais e ao meu irmão por serem excecionais e por sempre me incentivar a fazer mais e melhor. A todos o meu obrigado Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 8 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Siglas e abreviaturas ACESAgrupamentos de Centros de Saúde ARS NorteAdministração Regional de Saúde do Norte BA-Bronquite e Asma DCD-Doenças e Perturbações do Aparelho Respiratório DPOCDoença Pulmonar Obstrutiva Crónica ESRI - Environmental Systems Research Institute GAMPGrande Área Metropolitana do Porto GCD-Doenças e Perturbações do Aparelho Circulatório INEInstituto Nacional de Estatística OCDEOrganisation for economic co-operation and development OMSOrganização Mundial de Saúde PNSPlano Nacional de Saúde PPPneumonia e Pleurisia SIGSistemas de Informação Geográfica SINUSSistema de Informação Nacional de Unidades de Saúde USFUnidade de Saúde Familiar UCSPUnidade de Cuidados de Saúde Personalizados Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 9 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Índice Resumo .................................................................................................................... 5 Abstract ................................................................................................................... 6 Agradecimentos....................................................................................................... 7 Siglas e abreviaturas ................................................................................................ 8 Índice de figuras .................................................................................................... 11 Índice de Gráficos ................................................................................................. 13 Capitulo I .............................................................................................................. 14 Introdução ............................................................................................................. 15 1Objetivos e Metodologias ................................................................................. 15 1.1-Objetivo ....................................................................................................... 15 1.2Metodologias ............................................................................................. 16 -Obtenção dos dados ..................................................................................... 16 - Georreferenciação dos utentes inscritos nas 23 freguesias com mais de 64 anos ......................................................................................................................... 18 1.3Estrutura do trabalho ................................................................................ 19 Capitulo II ............................................................................................................. 20 2Enquadramento Teórico ................................................................................... 21 2.1Caracterização dos Sistemas de Informação Geográficapotencialidades .................................................................................................................................... 21 2.2Breve caracterização sobre o conceito Saúde ........................................... 25 2.3-Caracterização da população Idosa em Portugal ...................................... 26 2.4Aplicabilidade dos SIG na investigação em saúde .................................... 30 Capitulo III ............................................................................................................ 33 3Breve caracterização da área de estudo........................................................... 34 3.1Enquadramento geográfico da área de estudo .......................................... 34 Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 16 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Temos ainda com objetivo adicional identificar uma possível relação entre os episódios térmicos, isto é, invernos e verões intensos e os internamentos dos maiores de 64 anos em 4 hospitais da Grande Área Metropolitana do Porto. Assim, no fim deste trabalho gostaríamos de contribuir para responder, esclarecer ou acrescentar conhecimento científico, às seguintes questões problemas: 1Será que com os SIG se é capaz de localizar os idosos isolados, que tem uma maior vulnerabilidade? 2Será que existe uma relação entre os episódios de Inverno/Verão intenso e os internamentos? 1.2Metodologias A metodologia de investigação que se adaptou ao longo deste trabalho vai permitir conhecer a importância da manipulação de algumas ferramentas, já disponíveis em SIG no sentido de responder às perguntas iniciais. Com o objetivo de georreferenciar os utentes com mais de 64 anos do ACES Espinho/Gaia foi necessário reunir um abrangente conjunto de informação relativa aos utentes inscritos para que seja possível ser tratada em ambiente SIG. -Obtenção dos dados Relativamente à obtenção de dados, existem inúmeras formas de tratamento e análise dessa mesma informação. Para este estudo os dados referentes aos utentes, foram disponibilizados pelo agrupamento, e recolhidos no sistema de informação SINUS (um sistema de informação Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 17 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território utilizado pelo ACES) que regista o número de inscritos em cada unidade de saúde, os dados foram recolhidos em Setembro de 2011. E é de salientar que a informação estava em ficheiro de texto (txt), dividida por unidades de saúde, para ser trabalhada em ambiente SIG foi necessário converter a informação de texto para um ficheiro Excel, um processo bastante difícil, devido ao elevado número de dados. O nosso Excel continha seis colunas onde continha o NOP, (o código do utente dentro de cada unidade), o nome do utente, a morada, a data de nascimento, o código de postal e o contacto telefónico. Esses dados da tabela foram sofrendo alterações, foi criado um campo específico onde juntamos o número da unidade de saúde e o número de cada utente, para cada utente ser único na tabela, criamos outro campo onde colocamos a idade de cada utente, outro campo com o género. Tivemos também que verificar as moradas dos utentes, corrigindo-as de acordo com a informação de acessibilidades da ESRI. Foi necessário standardizar a informação relativa ao tipo de rua para que no processo de geocode correse no software ARCGIS. Foi também necessário uma correção manual, pelo nome dos utentes, porque existia na base de dados utentes inscritos em várias unidades de saúde com NOP diferentes. Em relação à informação que serve de tratamento para a caracterização a biogeofísico e socioeconómica dos ACES de Espinho/Gaia foi recolhida principalmente o INE e outras bases de dados disponíveis online. Para este caso de estudo, foi utilizado a informação dos utentes residentes nas 23 freguesias. Assim toda a informação foi filtrada pelo campo das freguesias e pela idade, onde só nos interessava os utentes com mais de 64 anos. Assim num total inicial de 247795 inscritos na base de dados dos ACES Espinho/Gaia, foram excluídos num primeiro passo, todos os utentes que não residem dentro dos limites do ACES, ficando um total de 196823. No segundo passo foram eliminados todos aqueles que não tinham 64 anos, ficando um total de 34527 utentes inscritos na nossa base de dados. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 18 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território - Georreferenciação dos utentes inscritos nas 23 freguesias com mais de 64 anos Depois de todo o tratamento da informação dos utentes procedeu-se à georreferenciação dos mesmos, com auxílio de vários softwares de informação geográficos, opensource e comerciais, pelo campo moradas. Foram utilizados 2 softwares diferentes, o primeiro foi o ArcGis 10, um software comercial, disponibilizado pela ESRI. Numa primeira fase de georreferenciação não foi possível georreferenciar todos os utentes procedeu-se a utilização do software opensource o Batchgeo 1 . Os softwares referidos foram utilizados devido à facilidade de acesso. A georreferenciação em si é um processo que se realiza de forma fácil, contudo o que torna este processo complexo, devido à necessidade de um mapa digital atualizado que contenha o nome das ruas às quais esteja associado a numeração das mesmas. Se esta informação não estiver devidamente atualizada leva a alguns problemas na georreferenciação, associados à falha de moradas, com erros ortográficos ou abreviaturas nos nomes das ruas. Mas para corrigir algumas anomalias da georreferenciação, procedemos a uma validação dos resultados, esta validação foi um processo bastante moroso, onde escolhemos pontos de amostragem por todas as freguesias e recorrendo à rede de estradas, cedida pela ESRI, e à tabela de atributos dos utentes para comparar as moradas, para ver se realmente estão colocadas nos sítios correto. Em súmula este processo de georreferenciação dos utentes com mais de 64 anos dentro das 23 freguesias, passa pelos seguintes passos:  Recolha de dados;  Tratamento dos mesmos;  Filtrar os dados pelos utentes de 23 freguesias e com mais de 64 anos;  Georreferenciação, pelo ARCGISGeocoding (por moradas); 1 Ferramenta de cartografar gratuita que utiliza a base do Google maps Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 19 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território  Correção das moradas;  Georreferenciação, pelo Batchgeo;  Correção das moradas e validação de geocoding. 1.3Estrutura do trabalho Este trabalho foi estruturado de modo lógico de modo que qualquer pessoa compreenda o mesmo, como um enquadramento teórico dos conteúdos, os objetivos, as questões levantadas. Desta forma foi dividido quatro grandes capítulos. No capítulo I fazemos a apresentação da temática, identificando os temas principais e os quais vamos abordar no decorrer do trabalho e apresentamos também a metodologia utilizada. O capítulo II é essencialmente teórico, onde se pretendeu sintetizar de forma clara e precisa os fundamentos teóricos sobre a temática abordada. Aqui pretende-se uma contextualização e fundamentação da investigação conhecimento o que implicou análise de diversos estudos nacionais e internacionais que se têm desenvolvido sobre as temáticas abordadas. O capítulo III está relacionado com caracterização da área de estudo, uma breve caracterização da área de estudo a nível biogeofísico e a nível socioeconómico, recorrendo às variáveis disponíveis. O capítulo IV iniciamos o estudo de caso aplicado ao ACES Espinho/Gaia começando por realizar o seu enquadramento. Evidenciamos a importância dos SIG na compreensão da distribuição dos idosos. Elaboramos a georreferenciação de todos os utentes idosos com mais de 64 anos e calculamos o risco de isolamento e ainda verificamos se existe uma relação entre os internamentos e os episódios térmicos. Encerramos o trabalho com algumas das respostas possíveis às questões problema que colocamos como desafio inicial e que nos serviram de alavanca para este trabalho. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 20 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Capitulo II Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 21 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território 2Enquadramento Teórico 2.1Caracterização dos Sistemas de Informação Geográficapotencialidades Os Sistemas de Informação Geográfica (SIGGeographic Information System) são sistemas de hardware, software, informação espacial e procedimentos computacionais de dados geográficos. A grande evolução dos SIG’s deu-se nos últimos anos, embora tenham surgido nos aos 60, teve um desenvolvimento muito lento, pois eram suportados por um equipamento sem capacidade para o processamento. Apenas na década de 90 o hardware se adequou às necessidades exigidas. (Matos, 2001) Um SIG é composto de componentes básicos sem os quais não funcionaria, a relação entre essas componentes são igualmente fundamentais, na medida em que são dependentes umas das outras, como se pode ver através da Figura 1. Figura 1-Componentes de um SIG Os SIG permitem a integração e a manipulação de informação de natureza diversa, sendo adequados para variáveis de natureza espacial de âmbito global, regional ou local. Contribuindo de forma eficaz no apoio à decisão, tem a capacidade de registar as Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 22 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território ocorrências de entidades, atividades ou eventos distribuídos espacialmente, materializáveis por pontos, linhas ou áreas 2 , tendo ainda uma ferramenta de consulta rápida, que são as Query ou para a análise espacial; sendo ainda possível trabalhar com apoio à geodatadase 3 cujas dimensões podem ser muito variadas. Os SIG têm como funções principais, a recolha organizada de dados geográficos e alfanuméricos; o armazenamento dos dados com dois formatos, vetorial 4 e matricial 5 ; consulta dos atributos; dá resposta a questões (Querys) espaciais; a visualização do produto computacional, com a possibilidade de identificação espacial de relações de vizinhança, conexão e proximidade, como podemos verificar através da Figura 2. Figura 2Modelo teórico dos SIG – (Martin 1996) citado em Almeida, S., 2006 2 Dependem da escala que estamos a trabalhar, mas em regra: pontos para poços, vértices,; para ruas, caminho-de-ferro, linhas de água, estradas e polígonos no uso do solo, limites de freguesias, edificado, etc. 3 Base de dados relacional que armazena elementos espaciais e atributos no mesmo Sistema de Gestão de Base de Dados. É o melhor formato de SIG para trabalhar com os vários tipos de informação, pois permite a integridade da informação. 4 A realidade é representada recorrendo a pontos, linhas ou áreas, localizados a partir das suas coordenadas. 5 A realidade é representada por uma matriz regular, constituída por células ou pixeis, cuja localização é dada pela sua posição nagrid; indicado para dados contínuos com a representação de fenómenos de grande variabilidade espacial. Os contornos não são bem definidos Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 23 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Segundo Maguirre et al., (1991) - Um SIG pode ser definido a partir de três propriedades: a capacidade de apresentação cartográfica de informações complexas, uma sofisticada base integrada de objetos espaciais e de seus atributos ou dados, e um engenho analítico formado por um conjunto de procedimentos e ferramentas de análise espacial. Uma das principais características dos SIG é a facilidade de integrar dados, a segunda característica será promover meios para realizar análises relacionadas especificamente a componentes geográficos dos dados, a terceira característica envolve a organização e o manuseamento de grandes quantidades de dados e a forma como estas informações podem ser facilmente consultada por todos. O espaço geográfico é um elemento indissociável do desenvolvimento, servindo de base ao crescimento económico. Existem 4 fatores que conjugados permitem um crescimento para as direções mais desejáveis, que são recursos humanos, recursos naturais, o capital e a tecnologia. (Samuelson, P., Nordhaus, W., 1989, p. 1018) Sendo assim, através da localização geográfica, qualquer fenómeno pode ser georreferenciado e introduzido no SIG, toda a informação é organizada por diversas camadas e sobrepostas para análise. Alguns dos benefícios mais comuns de um SIG são: • Melhor armazenamento e atualização dos dados; • Recuperação de informações de forma mais eficiente; • Produção de informações mais precisas; • Rapidez na análise de alternativas; • A vantagem de decisões mais acertadas. Os SIG partilham e relacionam-se, sem, no entanto, se identificarem com os seguintes sistemas: - CAD, através da grande capacidade de representação gráfica; - Cartografia por computador, com a digitalização e produção de mapas; - Deteção remota, com o armazenamento, manuseamento e visualização do grande volume de dados raster. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 24 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território - Bases de dados, com a estruturação e acesso a atributos não espaciais. (Teixeira, O., 1993) Os SIG têm também a vantagem, de tratar simultaneamente grandes volumes de informação, sendo uma ferramenta por excelência na análise e simulação de cenários alternativos de intervenção do território e projeção dos resultados. Permite a atualização da informação de forma rápida e fiável, condição que se revela de importância acrescida numa sociedade em permanente mudança (Neto, 1998). Os SIG, além da sua componente de análise espacial, carecem também de modelos teóricos com algoritmos capazes de transmitir informação que, traduzam da forma mais aproximada possível a realidade. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 25 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território 2.2Breve caracterização sobre o conceito Saúde "A saúde não é uma qualidade absoluta. Tem o valor que lhe é conferido pela cultura da sociedade" (Brockington F.) Este conceito tem mudado radicalmente nos últimos anos, antigamente, saúde significava apenas a ausência de doença, mas imediatamente se percebeu que não apresentar nenhuma doença fisica aparente, não significava ter saúde. Este conceito foi se difundindo e agregando as dimensões física, emocional, mental, social e espiritual do ser humano, ou seja: saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social., de valores individuais, de conceções científicas, religiosas, filosóficas. Assim, o conceito de saúde tornou-se muito mais complexo e relacionado com as várias dimensões, ter uma Saúde é ter equilíbrio entre estas várias dimensões; significa também ter qualidade de vida, bem estar e felicidade. O conceito de saúde é um conceito dinâmico, hoje em dia, é difícil conservar os mesmos níveis de saúde ao longo dos dias, um acontecimento pode mudar toda a nossa rotina, aumenta o nosso nível de stress levando, a fadiga, ao cansaço, a baixa imunidade e a suscetibilidade de algumas doenças. Até ao século XIX, quando se desconheciam as causas de muitas patologias, e os médicos dispunham de meios bastante limitados para curar as doenças, quando o desespero se instalava perante a impotência para impedir a doença, admite-se que a saúde e a doença fosse aceite em função de boa ou má sorte, numa atitude fatalista. RIBEIRO (2000) aponta para o facto de que as condições de saúde de uma população passam a ser consideradas como fatores importantes de sua qualidade de vida. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 32 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território estatísticas e cartográficas no processo de deteção e identificação dessa mesma patologia. Existem estudos clássicos realizados neste âmbito que procuram identificar a relevância de determinados fatores sociodemográficos relacionados com clusters de mortalidade infantil ou de infeção por VIH. (Barcellos e Bastos. 1996) Outras das aplicabilidade dos SIG assenta na compreensão a identificação de tendências espaço temporal, partindo de uma análise histórica de eventos ocorridos numa determinada área ou região. Podem assim identificar se fatores facilitadores da propagação de determinada patologia no espaço ou então identificar elementos que constituem obstáculos à sua progressão espacial. Para que seja possível a interação entre os SIG e a saúde é necessário uma serie de procedimentos, tais como: I. Planeamento – nesta etapa escolhe-se a equipe e amadurece os objetivos de utilização desta ferramenta na saúde. É necessário uma equipa de diferentes áreas para melhores resultados. II. Dados cartográficos – o tipo de dado vai depender do que se pretende com o projeto, e do território coberto. III. Dados de saúde – um dos problemas no georreferenciamento dos dados de saúde, porque não se sabe onde está o doente, que patologia sofre. IV. Equipamentos e programas – Os software de SIG mais completos ainda são bastante caros, existem algumas alternativas de programas mais baratos e até gratuitos, disponíveis na Internet. Depois dessa fase ultrapassada é só colocar mãos ao trabalho com alguma imaginação e versatilidade, pois sabe-se que a aplicação SIG na área da saúde é uma mais-valia, concretamente na investigação epidemiológico-geográfica, não derivam unicamente da precisão de localização mas, fundamentalmente, porque permitem incorporar e transformar a mera descrição das características económicas e sociodemográficas das populações em risco em ferramentas explicativas, onde o espaço e as dinâmicas implícitas surgem como determinantes acessíveis ao nível da modelação dos processos de saúde das populações. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 33 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Capitulo III Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 34 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território 3Breve caracterização da área de estudo 3.1Enquadramento geográfico da área de estudo A área de estudo está localizada ao Norte do litoral de Portugal continental, no concelho de Vila Nova de Gaia e Espinho e Gondomar. (Figura 5) Figura 5Enquadramento geográfico da área de estudo Vila Nova de Gaia é um município do distrito do Porto, da sub-região do Grande Porto, pertencente ainda à grande área metropolitana do Porto (GAMP). A cidade está localizada na margem sul da foz do rio Douro. Com 168,7 km² de área é o maior concelho do Grande Porto. Subdividido em 24 freguesia, está limitado a norte pelo município do Porto, a nordeste por Gondomar a sul por Santa Maria da Feira e Espinho e a oeste pelo oceano Atlântico. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 35 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território É o terceiro município mais populoso de Portugal, e o mais populoso na região Norte, com 302.296 habitantes segundo os dados dos censos 2011. Como podemos verificar na Tabela 1 através da evolução da população. Evolução da população do concelho de Vila Nova da Gaia (1801-2011) 1900 1930 1960 1981 1991 2001 2011 74 072 102 950 157 357 226 331 248 565 288 749 302 296 Tabela 1-Evolução da população do concelho de Vila Nova de Gaia (INE) Deste concelho as freguesias em estudo são, Arcozelo, Canelas, Crestuma, Grijó, Gulpilhares, Lever, Madalena, Olival, Pedroso, Perosinho, Sandim, São Félix da Marinha, Seixezelo, Sermonde, Serzedo, Valadares e Vilar do Paraíso. Espinho é outro dos concelhos em estudo, pertencente ao distrito de Aveiro, com cerca de 21589 habitantes, da sub-região do grande Porto, pertencendo ainda à GAMP. É sede de um pequeno município urbano, com 21,11 km² de área e 31786 habitantes (2011), subdividido em 5 freguesias, que são a nossa área de estudo. É limitada a norte por de Vila Nova de Gaia, a leste por Santa Maria da Feira, a sul por Ovar e a oeste pelo Oceano Atlântico. Para melhor compreendermos este distrito e as suas freguesias, podemos verificar a evolução da população na Tabela 2, onde se nota que a população diminuiu de 2001 para 2011. Evolução da população do concelho de Espinho (1900 – 2011) 1900 1930 1960 1981 1991 2001 2011 3 691 11 736 23 084 32 409 34 956 33 701 31 786 Tabela 2Evolução da população do concelho de Espinho (INE) Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 36 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Gondomar pertencente ao distrito do Porto, da sub-região do grande Porto, com cerca de 27 000 habitantes. Está incluída ainda na GAMP. Com 133,26 km² de área e 168027 habitantes (2011), subdividido em 12 freguesias, mas a única freguesia em estudo é a de Lomba. O município é limitado a sul por Arouca e Santa Maria da Feira, a oeste pelo Porto, a sudoeste por Vila Nova de Gaia, a nordeste pelos municípios de Valongo e Paredes, a sueste por Penafiel e Castelo de Paiva e a noroeste pela Maia. Na Tabela 3 podemos ver a evolução da população do concelho de Gondomar, que tem vindo ao longo dos anos a aumentar. Evolução da população do concelho de Gondomar (1801 – 2011) 1900 1930 1960 1981 1991 2001 2011 32 428 49 758 84 599 130 751 143 178 164 096 168 027 Tabela 3Evolução da população do concelho de Gondomar (INE) 3.2Caracterização biogeofísico Modelo Digital do Terreno O Modelo Digital de Terreno (MDT) corresponde ao suporte base do trabalho e definese como “um conjunto de dados numéricos que descrevem a distribuição espacial de uma característica do território”. (Felicísimo) Com MDT (Figura 6) podemos observar que estamos perante um território com altitude reduzida, devido à algumas das freguesias em estudo estão situados na faixa litoral, com uma elevação entre os 0-78m. A freguesia com maior elevação é a Lomba, nesta freguesia encontramos uma elevação máxima entre os 39-470m. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 37 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 6-Modelo digital do Terreno Relevo Para melhor conhecer a nossa área de estudo é necessário entender o relevo dessa mesma área. O relevo é um dos principais fatores que condicionam o clima, seja pela altitude, pela configuração ou pela exposição das vertentes. Devido à posição geográfica da área de estudo o relevo não apresenta grandes amplitudes altimétricas (Figura 7). É evidente que as altitudes vão aumentando quando nos dirigimos para o interior das freguesias atingindo as cotas mais elevadas na parte Sudoeste da freguesia da Lomba. Existe uma espécie de faixa com maior altitude na divisão das freguesias de Pedroso, Canelas, Perosinho, Sermonde e Grijó e que varre toda a freguesia de Seixezelo, com uma altitude entre os 137-184m. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 38 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 7Mapa hipsométrico da área de estudo No Gráfico 1 conseguimos verificar melhor o que já tínhamos referido, a maior parte da área de estudo é composta por altitudes baixas entre os 0-46m com 38,2% da área de estudo; só 0,2% da área de estudo é que se encontra numa altitude de 271-463m. Gráfico 1Área e frequência relativa do mapa hipsométrico da área de estudo 0-46 47-92 93136 137184 185270 271463 Área 2421228 2742920 1036699 98626 30547 10381 Frequência Relativa 38,2 43,3 16,4 1,6 0,5 0,2 0 500000 1000000 1500000 2000000 2500000 3000000 Área (m2) Hipsometria Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 39 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Declives Os declives são outro dos elementos físicos que serve para caracterizar um determinado território, e em concreto a nossa área de estudo. “Declives são as inclinações médias do solo em relação a um plano de nível, definidas pela sua tangente ou valor percentual e exprimem, em função da natureza geológica, da drenagem hídrica e das impermeabilizações e do coberto vegetal, a sua estabilidade e comportamento, quando sujeitos à ação erosiva dos elementos e do próprio homem.” 6 Verifica-se que não existe uniformidade nos declives, oscilando entre áreas planas em toda a faixa do litoral e áreas com declives superiores a 30% na freguesia de lomba, a norte de Crestuma e Lever. Dá para entender de forma bastante clara na Figura 8 que na área de encaixe do rio Douro e seus afluentes que se verifica a maior irregularidade e inclinação do terreno, com vertentes bastante abruptas. A carta de declives da área de estudo contribui, certamente, para uma melhor interpretação das cartas de caracterização física que se seguem. 6 http://www.rotaterrafria.com Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 40 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 8Mapa de declives da área de estudo Exposição de Vertentes A Exposição das vertentes é outro dos elementos importantes para a análise do nosso estudo, sabe-se que a exposição de vertentes influência diretamente a insolação. A inclinação dos raios solares determina que, as vertentes voltadas a sul estejam mais expostas ao sol (encostas soalheiras), e que como tal tenham maior insolação. As vertentes voltadas para norte têm mais horas de sombra (encostas umbrias), e por isso a insolação é menor. Para melhor entendermos a nossa área de estudo em relação à exposição de vertentes recorremos às Figura 9 e Anexo 1 onde podemos ver exposição de vertentes bastante irregulares. Através dos Gráfico 2 temos uma melhor precessão do que acontece na nosso área de estudo, predominam as vertentes viradas a Oeste (20,9 em octantes e 26,2 em quadrantes) e as áreas Planas (14,2 em octantes e 24,1 em quadrantes). Podemos Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 41 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território concluir que são freguesias com poucas horas de sol, logo uma insolação reduzida. Podemos dizer então, que são condições que podem interferir nas condições de vida da população mais idosa. Figura 9-Mapa de exposição de vertentes em octantes da área de estudo Gráfico 2-Área e frequência relativa do mapa de exposição de vertentes em octantes Plano Norte Nord este Este Sudes te Sul Sudo este Oeste Nores te Área 898093 503874 479886 436483 445447 595747 9544011325115701355 Frequência Relativa 14,2 7,9 7,6 6,9 7,0 9,4 15,1 20,9 11,1 0 200000 400000 600000 800000 1000000 1200000 1400000 Área (m2) Exposição de Vertentes (octantes) Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 48 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 15Mapa da população isolada na área de estudo, INE 2011 O índice de envelhecimento é outra variável de extrema importância para o nosso estudo, este expressa a relação entre a população idosa e a população jovem, definido como o quociente entre o número de pessoas com idade igual ou superior a 65 anos e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos. Existe uma forte disparidade entre as freguesias em relação a este índice, destaca-se as freguesias de Lomba e Espinho com maior índice de envelhecimento entre os 149-229%, com menor índice temos a freguesia de Canelas com 62% (Figura 16). Mas para melhor comparar estes resultados nada melhor que analisar também o índice de juventude (Figura 17), que é a relação entre a população jovem e a população idosa, definida como o quociente entre o número de pessoas com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos e o número de pessoas com idade igual ou superior a 65 anos. Através da Figura 17 podemos comprovar o que anteriormente foi referido, logo as freguesias que continham uma maior percentagem de envelhecimento são aquelas que contem um menor percentagem no índice de juventude. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 49 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 16-Mapa de índice envelhecimento da área de estudo, INE 2011 Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 50 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 17Mapa de índice de juventude da área de estudo, INE 2011 Vamos também analisar o índice de dependência de idosos e jovens que é a relação entre a população idosa e a população em idade ativa. Esta não mostra uma uniformidade, perante a Figura 18 podemos verificar que as freguesias com maior percentagem de dependência de idosos são é Espinho, Guetim e Lomba (32-41%) e com menor à freguesia de Canelas (15%). Mas comparando com a Figura 19 temos uma menor percentagem de dependência de jovens nas freguesias de Espinho (18%), como era de esperar, mas o mesmo não se comprova com as freguesias que anteriormente tinham um maior índice de envelhecimento, destaca-se claramente as freguesias de Gulpilhares, Grijó e Canelas (24,3-26,2%) com um maior índice de dependência de jovens. Podemos assim concluir pela análise dos mapas anteriores que a freguesia de Espinho é a freguesia que apresenta mais envelhecimento e com mais idosos isolados, uma questão bastante preocupante já que é uma das freguesias mais desenvolvidas da nossa área de estudo. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 51 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 18Mapa do índice de dependência de idosos da área de estudo, INE 2011 Figura 19Mapa do índice de dependência de jovens da área de estudo, INE 2011 Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 52 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Nível de escolaridade O nível de escolaridade é uma variável importante para o nosso estudo, porque além de ser um indicador cultural pode estar relacionado com a distribuição dos idosos e com o risco de isolamento. Por um lado, porque a população mais instruída é, geralmente, mais esclarecida e dotada de mais conhecimentos, que levam maior contato com outras pessoas e a procurar lares e famílias de acolhimento para não se sentir solitários. Apesar de estarmos em pleno seculo XXI e da área em estudo ser dotada de grande diversidade de infra-estruturas de educação, o analfabetismo, ainda é significativo. Destacam-se as freguesias de Pedroso com maior número de população sem qualquer tipo de escolaridade; e com menor número destacam-se as freguesias de Sermonde, Guetim e Seixezelo. (250-463) (Figura 20). Se existe uma consonância com estes resultados na distribuição da população com o 1º ciclo (Figura 21), o 2º ciclo (Figura 22), o 3º ciclo. (Figura 23) e secundário (Figura 24), o mesmo não se pode dizer com a população com nível superior, onde a distribuição dessa população esta completamente disforme em relação aos outros níveis de formação (Figura 25). É na faixa litoral que se encontram a população com mais estudos, talvez porque são as freguesias mais desenvolvidas e onde se localizam mais escolas. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 53 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 20Mapa da população residente sem escolaridade, INE 2011 Figura 21-Mapa da população com 1ºciclo, INE 2011 Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 54 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 22Mapa da população com 2 ciclo, INE 2011 Figura 23-Mapa da população com 3º ciclo, INE 2011 Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 55 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 24-Mapa da população com secundário, INE 2011 Figura 25-Mapa da população com nível superior, INE 2011 Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 56 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Famílias A dimensão das famílias é outra das variáveis extremamente importantes, para calcular o risco de isolamento dos idosos e para saber como as populações vivem. A dimensão das famílias constitui um dos fatores que é referenciado por alguns autores como um indicador que se correlaciona a saúde e também contribui para entendermos o que se passa com a população idosa. Sabe-se que as famílias pequenas constituem um fator de risco acrescido para a saúde dos indivíduos, ainda mais quando estamos perante uma sociedade envelhecida Kalkstein, et al., (2007), este autor refere que mortalidade da onda de calor de Paris de 2003 incidiu sobre indivíduos que viviam sozinhos. Na Figura 27 podemos ver o número de famílias que existe na nossa área de estudo, cerca de 6626 famílias (entre 7,39,9%), o maior número de famílias clássicas encontram-se na freguesias de Pedroso e Arcozelo, e o menor número de famílias encontram-se em Sermonde, Guetim, Seixezelo e Lomba (466-601 famílias, entre 0,7-0,9%). Relativamente à dimensão das famílias verifica-se que mais de metades das famílias das 23 freguesias são constituídas por 2 e 3 pessoas, que se localizam sobretudo nas freguesias de Pedroso, Espinho, Arcozelo, São Félix da Marinha e Vilar do Paraíso (Figura 28 e Figura 29); que são as mesmas freguesias onde se localizam as famílias clássicas com 1 pessoa (Figura 27). As maiores percentagens de famílias com 4 ou 5 ou mais elementos (Figura 30 e Figura 31) localizam-se nas freguesias de Pedroso, Canelas, Arcozelo. Podemos assim concluir que a nossa área de estudo é constituído por maioritariamente por famílias pouco numerosas o que constitui um elevado risco para população idosa e sobretudo para população que vive sozinha. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 57 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 26Mapa das famílias clássicas, INE 2011 Figura 27Mapa das famílias clássicas com 1 pessoa, INE 2011 Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 64 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Capitulo IV Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 65 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território 4Caso de estudo-ACES Gaia/Espinho - Idosos 4.1Caracterização dos ACESEnquadramento Carece fazer um pequeno enquadramento do agrupamento de centros de saúde de Espinho/Gaia (ACES), já referimos que estes ACES se localizam no distrito do Porto e de Aveiro, nos concelhos de Vila Nova de Gaia, Espinho e Gondomar, está integrando na Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte). Os ACES são serviços de saúde com autonomia administrativa, constituídos por várias unidades funcionais, que integram um ou mais centros de saúde, têm a missão de garantir a prestação de cuidados de saúde primários à população de determinada área geográfica, estes desenvolvem atividades de promoção da saúde e prevenção da doença, prestação de cuidados na doença e ligação a outros serviços para a continuidade dos cuidados, desenvolvem também atividades de vigilância epidemiológica, investigação em saúde, controlo e avaliação dos resultados e participam na formação de diversos grupos profissionais nas suas diferentes fases, pré -graduada, pós -graduada e contínua. 7 É composto por 8 Unidades de saúde familiar (USF), que são “as unidades elementares de prestação de cuidados de saúde, individuais e familiares, que assentam em equipas multiprofissionais, constituídas por médicos, por enfermeiros e por pessoal administrativo e que podem ser organizadas em três modelos de desenvolvimento: A, B e C.” 8 E por 16 Unidades de cuidados de saúde personalizado (UCSP) “à qual compete presta cuidados personalizados, garantindo a acessibilidade, a continuidade e a globalidade dos mesmos.” 9 (Figura 37) 7 Decreto-lei 28/2008 de 22 de Fevereiro 8 Decreto-lei 298/2007 de 22 de Agosto 9 Decreto-lei 28/2008 de 22 de Fevereiro Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 66 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 37Mapa de localização das unidades de saúde 4.2Georreferenciação de todos os utentes idosos com mais de 64 anos A georreferenciação é quase sistematicamente, a etapa inicial do processo de análise espacial de dados. O ato de georreferenciar pode ser definido como a atribuição de uma referência espacial (coordenadas X;Y) a um determinado elemento gráfico de um sistema de informação; significa fazer referência de um ponto, geodesicamente, a um determinado sistema de eixos. No caso da georreferenciação por moradas ou address matching é uma forma de posicionamento indireto, porque esta não é baseada em coordenadas geográficas, a atribuição espacial é feita através de uma igualdade entre os endereços, código postal, número de porta e o atributo correspondente na base cartográfica de referência. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 67 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 38Processo genérico de georreferenciação por moradas Geocoding baseia-se numa interpolação linear de um endereço dentro da faixa de rua em um arquivo de rua de referência (Drummond, 1995; Rushton et al., 2006). A nossa base de dados continha várias colunas entre as quais: o “código”, o “NOP”, o “nome do utente”, “tipo” (Alameda, Rua, Travessa, Bairro, Viela, Caminho, Beco, Calçada, Praça, Largo, Passeio, entre outras), o “número de polícia”, o “código postal” o “concelho”, a “ freguesia”, a “data de nascimento” a “idade”, o “contacto” o “género”. Utilizamos também um mapa da das freguesias do ACES de espinho/Gaia (em suporte digital), e a rede de estradas com informações do nome da via e numeração inicial e final de cada segmento de via, cedida pela ESRI. Para a georreferenciação foi utilizada a base de dados do ACES Espinho/Gaia, com total inicial de 247795 inscritos, foram excluídos num primeiro passo, todos os utentes que não residem dentro dos limites do ACES, ficando um total de 196823. No segundo passo foram eliminados todos aqueles que não tinham 64 e mais anos, ficando um total de 34527 utentes inscritos com mais de 64 anos. Foi nesta fase que descobrimos que existem vários utentes inscritos em várias unidades de saúde, com NOP diferentes, os quais foram eliminados da nossa base de dados. Neste processo de georreferenciação foram utilizados dois programas, o ArcGis 10geocoding que obtivemos uma percentagem de sucesso de 31%, e o Batchgeo com 63,1%, o que nos da uma taxa de sucesso bastante boa de 94,1% ( Tabela 5). Em cada etapa foi necessário proceder à validação da informação. A validação é uma etapa bastante morosa e complicada, consiste em verificar o maior número de pontos (que corresponde a cada utente) em todas as freguesias, através da Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 68 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território tabela de atributos e nossa base de dados de rede de estradas, e assim verificávamos se o nome das ruas coincidia. Inicial Nº % ArcGis 34527 10706 31,0% Batchgeo 23821 21793 63,1% TOTAL 32499 94,1% Tabela 5-Resultado da georreferenciação por moradas O senso comum dita que deveríamos tentar alcançar uma taxa de 100%, mas não se deve esquecer que uma taxa de 94,1%, quer dizer que apenas 1 em 10 endereços da tabela não foram georreferenciados. Existe autores que referem que a percentagem de sucesso do geocoding automático varia entre 25% e os 75% (Drummond, 1995). O que quer dizer que temos uma taxa de sucesso excelente. Relativamente as morada que não nos foi possível georreferenciar deve-se ao facto de existir problemas cartográficos, lacunas nos nomes das vias. A qualidade dos dados das moradas é extremamente importante neste processo. É também de salientar que neste processo tentamos georreferenciar através de outro software o GSPvisualiser, mas não nos consegui-o localizar nenhum utente. Número total de utentes com mais de 64 anos 34527 Falta georreferenciar 2028 Utentes Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 69 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Importa ainda referir todos estes processos requerem de atenção humana e portanto está sempre presente a possibilidade de erro, principalmente na validação de resultados, já que é um processo contínuo e moroso devido a base de dados bastante extensa. Depois deste processo bastante longo chegamos a resultado da Figura 39 onde podemos verificar a distribuição dos idosos, distribui-se essencialmente na faixa litoral da nossa área de estudo. Esta distribuição de utentes idosos, talvez não esteja diretamente ligado com as características biogeofísicos do terreno e socioeconómicas da população, já que na faixa litoral é onde se encontravam as cidades mais desenvolvidas, mais oportunidades, melhores infra-instruturas e mais condições para as populações, mas também é aqui que se encontram o maior número de idosos e com o maior índice de envelhecimento (freguesia de Espinho). Também temos o caso da freguesia de Pedroso que já não está junto a faixa litoral mas é onde se encontram mais utentes inscritos com mais de 64 anos. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 70 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 39Localização de utentes com mais de 64 anos (SINUS-Setembro 2012) Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 71 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Tabela 6Utentes por freguesia com mais de 64 anos (SINUS-Setembro 2012) Mas para um conhecimento desta população idosa, localizamo-los por género (Figura 40 e Figura 41), nota-se logo à partida um maior número de mulheres, mas para comprovar o que estávamos a dizer, recorremos à Tabela 7, e deparamo-nos com um elevado número de mulheres (18719) e um menor número de homens (13780), o que comprova a média nacional. Utentes por freguesias com mais de 64 anos ANTA 2152 ARCOZELO 2441 CANELAS 1487 CRESTUMA 485 ESPINHO 3490 GRIJÓ 1187 GUETIM 285 GULPILHARES 1706 LEVER 522 LOMBA 333 MADALENA 1893 OLIVAL 918 PARAMOS 762 PEDROSO 4248 PEROSINHO 1199 SANDIM 1082 SÃO FÉLIX DA MARINHA 1307 SEIXEZELO 316 SERMONDE 198 SERZEDO 1237 SILVALDE 1445 VALADARES 1986 VILAR DO PARAÍSO 1777 Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 72 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 40Mapa de localização de utentes com mais de 64 anos por género-Feminino (SINUS-Setembro 2012) Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 73 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 41 - Mapa de localização de utentes com mais de 64 anos por género-Masculino (SINUS-Setembro 2012) Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 80 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território freguesias onde tem mais idosos isolados, como se pode constatar através da Tabela 10, mas não estão de acordo quanto ao número de inscrições do ACES e no INE, existe uma disparidade enorme entre os dados das 2 entidades. Este isolamento dos idosos deve se ao facto do aumento da esperança média de vida, ao abando da terras de origem e a transformação do papel da família nas sociedades modernas terão, certamente, contribui para explicar o elevado número de idosos á viver sozinhos. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 81 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 42-Mapa de localização de utentes com mais de 64 anos à viver sozinhos (SINUS-Setembro 2012) Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 82 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Sabe-se que o isolamento dos idosos é um dos principais problemas enfrentados pelo mundo industrializado, e sua prevenção tem sido um objetivo da Organização Mundial da Saúde (OMS). O isolamento está associado a uma forte vulnerabilidade por parte dos idosos o que leva uma maior fragilidade saúde física e mental, leva por vezes, ao suicídio, à depressão e demência de muitos deles. Tabela 10Utentes por freguesias com mais de 64 anos á viver sozinhos (SINUS-Setembro 2012) Utentes por freguesias com mais de 64 anos à viver sozinhos ANTA 462 ARCOZELO 525 CANELAS 238 CRESTUMA 156 ESPINHO 960 GRIJÓ 66 GUETIM 31 GULPILHARES 328 LEVER 72 LOMBA 58 MADALENA 353 OLIVAL 117 PARAMOS 100 PEDROSO 585 PEROSINHO 178 SANDIM 130 SÃO FÉLIX DA MARINHA 220 SEIXEZELO 64 SERMONDE 58 SERZEDO 168 SILVALDE 222 VALADARES 372 VILAR DO PARAÍSO 390 Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 83 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Mas não existem só isolamento quando vive sozinha, o isolamento existe também quando há pessoas do mesmo grupo etário a viver sem qualquer familiar ou pessoa mais nova, constituem também para um grupo de risco. No Norte verificou o maior aumento de pessoas com 65 ou mais anos que vivem exclusivamente com pessoas do mesmo grupo etário, 41,1% contra um aumento nacional de 27,5%. Analisamos também famílias com 2, 3 e 4 utentes do mesmo grupo etário a viver juntos, como podemos verificar através das Figura 43, Figura 44 e Figura 45 onde podemos localizar todos os idosos de uma forma rápida e verificar se encontram próximos das USF e das unidades de saúde. Na Tabela 11 verificamos que 39,4% dos utentes inscritos no ACES de Espinho/Gaia com mais de 64 anos vivem isolados, quase metade a população idosa. O que leva a grande vulnerabilidade deste grupo etários, mas através dos SIG podemos localizar mais facilmente os idosos e evitar algumas tragédias, com apoio desta ferramenta poderosa, podemos localizar os grupos de maior risco, a distância da residência as USF e unidades de saúde, saber qual as patologias que estes utentes sofrem, entre outras. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 84 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 43-Mapa de localização de 2 utentes com mais de 64 à viver juntos (SINUS-Setembro 2012) Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 85 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 44Mapa de localização de 3 utentes com mais de 64 anos à viver juntos (SINUS-Setembro 2012) Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 86 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Figura 45Mapa de localização de 4 utentes com mais de 64 anos à viver juntos (SINUS-Setembro 2012) Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 87 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Num total de 34527 de utentes idosos Inicial % Georreferenciados % Utentes a viver sozinhos 6751 19,6% 5762 16,7% 2 Utentes da mesma idade a viverem juntos 6420 18,6% 5909 17,1% 3 Utentes da mesma idade a viverem juntos 345 1,0% 320 0,9% 4 Utentes da mesma idade a viverem juntos 85 0,2% 72 0,2% Total 13601 39,4% 12063 34,9% Tabela 11Tabela de utentes isolados no ACES de Espinho/Gaia (SINUS-Setembro 2012) Um dos exercícios que se pode fazer com o apoio desta ferramenta e que pode ser de extrema utilidade para ajudar os idosos e em especial a queles que vivem isolados, é calcular um raio em torno dos hospitais e neste caso das USF para saber a população que é abrangida e que pode ser facilmente socorrida, como se pode verificar no Figura 46. Figura 46Mapa de utentes à viver sozinhos em redor das 8 USF com mais de 64 anos, num raio de 2000m Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 88 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Utentes sozinhos 500m 888 1000m 2063 1500m 3119 2000m 3810 Tabela 12Número de utentes ao redor das USF à 2000m Com a Tabela 12 podemos verificar em número quantos os utentes estão abrangidos ao redor das USF a 2000 metros. Fizemos o mesmo exercício para todos os idosos que vivem sozinhos como se pode ver no Anexo 8. Perante este cenário era fundamental para todos idosos, não só os que estão nas freguesias em estudo, proporcionar um envelhecimento ativo, isto é, a otimização das condições de saúde, participação e segurança, de modo a melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem, a OMS fez um esquema que elucida bastante bem o que determina um envelhecimento ativo. Figura 47Gráfico de determinantes ativo, OMS Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 89 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território 4.4O contributo dos SIG para a interpretação da influência dos episódios térmicos e as entradas nas urgências para maior de 64 anos. Para uma melhor compreensão da situação dos idosos com mais de 64 anos, tentou-se perceber se os episódios térmicos, isto é, Invernos e Verões intensos, estão relacionados com os internamentos dos idosos das freguesias em estudo. O Verão extremo define-se pela ocorrência de, pelo menos, dois dias consecutivos com temperaturas elevadas. O Inverno extremo define-se pela ocorrência de, pelo menos, 7 dias consecutivos com temperatura mínima igual ou inferior a 5ºC. Devido a vulnerabilidade da população, e em especial os idosos e a ainda mais os idosos isolados sem qualquer retaguarda, aos episódios de Inverno e Verão intenso, depende da análise ajustada de um complexo conjunto de fatores de risco que estão associados à posição geográfica mas também ao conjuntura social e económico que o envolve um individuo (Carvalho, et al. 2008 e 2009). Assim, este exercício prende-se no objetivo de compreender os efeitos da onda de calor e vagas de frio no período de 2000 à 2007, através da utilização do Heat Índex e do índice de ondas de calor, estão relacionados com os internamentos com pessoas com mais de 64 anos nas freguesias em estudo. Para isto foram analisados os internamentos em 4 hospitais da Grande Área Metropolitana do Porto dando entrada com estas 6 patologias, DCD-doenças e perturbações do aparelho respiratório, DPOCdoença pulmonar obstrutiva crónica, BAbronquite e asma, PPpneumonia e pleurisia, GCD-doenças e perturbações do aparelho circulatório e por fim perturbações do sistema circulatório com enfarte do miocárdio. Foram identificados eventos extremos, para o calor foi definido segundo o índice de Heat Índex (2000-2007), que se define pela ocorrência de, pelo menos, dois dias consecutivos com temperaturas acima dos 30ºC, com heat índex de nível 3, este índice é composto por 4 níveis, (NÍVEL 4MÁXIMO - Extreme Danger (HI≥54ºC) – Heat stroke or sunstroke; NÍVEL 3 - Danger (41 <HI <54) – Sunstroke, muscle cramps, and/or heat exhaustion. Heatstroke with prolonged exposure and/or physical activity; Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 96 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território pleurisia, GCD-doenças e perturbações do aparelho circulatório e por fim perturbações do sistema circulatório com enfarte do miocárdio. E os registos do pico temperatura mínima e máxima para o Inverno e Verão, definindo como Inverno e Verão intenso. Relativamente aos dados demográficos e socioeconómicos disponibilizada ao nível do concelho, pelo INE (2011), esta informação foi analisada depois do suporte biogeofísico (mdt, morfologia, declives, exposições, hidrografia, etc.), foram cartografados em SIG. Ao longo desta investigação confirmamos, que é um enorme risco para os idosos viverem sozinho ou sem qualquer retaguarda, são fatores que podem conduzir ao agravamento da saúde, pode ser ainda amplificada tanto pela panóplia de condições sociais, económicas e ambientais, como pela diversidade de padrões de qualidade de vida e bem-estar. Concluímos que os utentes com mais de 64 anos são sempre, um grupo de risco e muito mais vulnerável se viverem sozinho. O género masculino revelou-se inferior relativamente ao número do género feminino, existindo um maior número de idosos entre os 65 e os 75 anos, vimos também que se localizam mais nas freguesias de Pedroso, Espinho e Arcozelo, não tendo uma distribuição uniforme pelas freguesias. A extensão da área de influência das 8 USF num raio 2000 m abrange cerca de 3810 utentes idosos o que é um bom indicador, pois estão relativamente perto das USF e podem ser mais facilmente socorridos. Não conseguimos no entanto achar uma ligação direta entre os internamentos e os episódios térmicos, como os invernos e verões intensos, já que os idosos são o grupo etário mais vulnerável a estes picos de subidas ou descidas de temperatura afeta diretamente. Com o final deste trabalho sentimos uma enorme satisfação, pelo facto de termos conseguido responder às perguntas que nos propusemos inicialmente, ficamos bastante entusiasmo com o resultado do mesmo, e de podermos aplicar a esta metodologia noutros trabalhos futuros. Podemos cruzar esta informação com patologias; analisar as Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 97 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território diferentes camadas biogeofísicos e socioeconómicas, identificar numa serie climatológica, cruzar com entrada nos hospitais entre outras variáveis. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 98 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Referencias Bibliografias Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 99 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Referencias Bibliografias AGE, European Older peopl`s platform euroheallnet. ( 2005). Healthy AgeingA challenge for Europe, 2005. Administrações regionais de saúde. (2004). Prestadores de cuidados de saúde. (2004). Programa nacional para saúde das pessoas idosas, 2004. Almeida, S, M, S, M,. (2006). Proposta de um Modelo para a disseminação da Informação Geográfica nas Autarquias Locais, Dissertação de mestrado em Sistemas de Informação; UM, 2006. Angelo,M. & Martin,V.B.(1998). Significado do conceito saúde na perspectiva de famílias em situação de risco pessoal e social. Rev. latino-am.enfermagem, Ribeirão Preto, v. 6, n. 5, p. 45-51, dezembro 1998. Azevedo, B. & Remoaldo, P,C. (2010). A importância da cartografia e dos s.i.g. em geografia da saúde – o caso do electromagnetismo no concelho de Guimarães. XII Coloquio Ibérico de Geografia, 2010. Caiaffa, W., Ferreira, F., Ferreira, A., et al (2008) Urban health: “the city is a strange lady smiling today, devouring you tomorrow” Ciências & Saúde Coletiva; 2008. Carvalho, M., Reis, R., Ribeiro, G., Felzemburgh, R., Santana, F., Mohr, S., et al. (2008). Impact of Environment and Social Gradient on Leptospira Infection in Urban Slums. PLOS ‐ Neglected Tropical Diseases , 2008. Carvalho, M., Santos, S., & Pina, M. (2000). Conceitos básicos de Sistemas de Informações Geográficas e Cartografia aplicados à Saúde. Ministérios da Saúde, 2000. Carvalho, V. (2007). Contributos Bioclimáticos e de Adaptação enquanto Resposta às alterações Climáticas. Porto. Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, 2007. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 100 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Conferência internacional sobre envelhecimento. (2011). Livro de comunicações, lisboa 14 de Outubro de 2011. Costa, G. F. O sig ao serviço do ordenamento do território: Uso e aplicação na saúde pública e na saúde ambiental. Dissertação de mestrado. Costa,G,F,. Geoprocessamento: Uso e Aplicação na Saúde Pública e na Saúde. Couch, K. A., Daly, M. C., Wolf, (1999) D. A. Time? Money Both The allocation of resources to older parents. Demography, v. 36, n. 2, p. 219-232, May, 1999. Cromley EK, McLafferty SL, (2002). GIS and Public Health. The Guildford Press, New York, NY, USA, 2002. Curran, P. (1984). Geographic Information Systems. Harlow: Longman, 1984. Deák, Csaba (1985) Rent theory and the price of urban land/ Spatial organization in a capitalist economy PhD Thesis, Cambridge, especialmente Capítulos 4: "Location and space"* e 7: "Anatomy of the transformation of land use", 1985. Diário da república. (2007). Decreto-Lei n.º 298/2007. de 22 de Agosto de 2007. Pp 2. Diário da república. (2008). Decreto-Lei n.º 28/2008. de 22 de Fevereiro de 2008. Pp 13. Dias, M. C. & Graça M. J. (2001). O Inquérito Nacional de Saúde em Portugal - História, métodos e resultados, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Drummond W, J. (1995). Address matching: GIS technology for mapping human activity patterns. J Am Planning Assoc 61, 1995. Drummond, W. (1995). Address matching. Journal of the American Planning Association; Spring95, Vol. 61 Issue 2. 1995, p. 240. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 101 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Duncan, D; Castro, M; Blossom, J, at al. (2001). Evaluation of the positional difference between two common geocoding methods. Geospatial Health 5(2), 2011, pp. 265-273. Esteves, F. (2010). O contributo dos SIG para compreender a relação entre os episódios extremos de temperatura e de variabilidade térmica na época de transição Primavera – Verão e a ocorrência de enfartes do miocárdio no concelho do Porto. Porto: Dissertação de Mestrado em SIG, FLUP, 2010. European Commission. Healthy (2007)ageing: keystone for a sustainable Europe - EU health policy in the context of demographic change, 2007. Felicísimo, A. Modelos Digitales del Terreno. Introducción y aplicaciones en las ciencias ambientales. Fonseca, A, M. (2004). O envelhecimento, uma abordagem psicológica. Lisboa: UCatólica Editora, 2004. Fonseca, A, M. (2005). Desenvolvimento humano e envelhecimento. Lisboa: Climepsi, 2005. Fouillet, A; G. Rey; et al. (2006). Excess mortality related to the August 2003 heat wave in France. Int Arch Occup Environ Health, 2006. Getis, A; Drummy,P ; Gartin, J; Gorr,W et al. (2000). Geographic information science and crime analysis. URISA Journal, Vol. 12; 2000. Guia Global das cidades amigas das pessoas idosas. Envelhecimento e ciclo de vida, saúde na família e na comunidade, OMS. Harries, K. (1999). Mapping Crime: Principle and Practice (U.S. Department of Justice, Office of Justice Programs, National Institute of Justice). Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 102 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Iliffe, S., Kharicha. K., Harari D, et al. (2007). Health risk appraisal in older people 2: the implications for clinicians and commissioners of social isolation risk in older people. Br J Gen Pract. 2007; pp 277–282. Kalkstein, L., Tan, J., Zheng, Y., Song, G., Kalkstein, A. & Tang, X. (2007). Heat wave impacts on mortality in Shanghai, 1998 and 2003. J Biometeorol, 51 . 2007, pp. 193200. Machado, J. A. R. (2000) A emergência dos Sistemas e Informação Geográfica na análise e organização do espaço; Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. Maguirre, D.J.; goodchild; NS; RHIND; DW; 1991. Geographical Informations Systems: Pricipals and Applications. Longman, Londres. Maguirre al., 1991. Marques, G.; regadas, S.C.R.S.; Sistemas de Informação Geográfica (SIG): contributo das novas tecnologias na investigação em saúde. Matos, J. L. (2001). Fundamentos de Informação Geográfica, 4ª edição, Lidel, 2001. Matos, P. (2006). As tecnologias de Informação Geográfica no apoio à avaliação em Planeamento Territorial ‐ Potencialidades e limitações Face a desafios. Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Monteiro, A. (1997). O Ambiente (Urbano): um instrumento de concretização de penas vs um Ecossistema cujas vulnerabilidades urge conhecer. Territorium, nº4, Coimbra. 1997, pp. 11-20. Monteiro, A. (1997). O clima urbano do Porto. Contribuição para a definição das estratégias de planeamento e ordenamento do território. Fundação Calouste Gulbenkian, 1997. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 103 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Monteiro, A; Carvalho, V; Oliveira, T; Sousa, C. (2012). Excess mortality and morbidity during the July 2006 heat wave in Porto, Portugal. Int J Biometeorol, 2012. Morreira, M. (2011). Os contextos biogeofísico e socioeconómico portuenses e o agravamento da saúde de indivíduos com AVC, Dispneia & Asma e Dor Torácica, expresso pelas entradas diárias na urgência do HGSA (2005-2008) Dissertação de Mestrado em RCOT, FLUP, 2011. Moschos, N., Cristoforaki, M., & Antonatos, P. (2004). Seasonal distribution of acute myocardial infarction and relation to acute infection in mild climate. International Journal of Cardiology , 93, pp.39‐44. Nascimento, M. R. Expectativas e realidades de mulheres idosas quanto ao suporte familiar: uma reflexão sócio-demográfica. 2000. 85f. Dissertação (Mestrado em Demografia) - Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte Neto, P. L. (1998). Sistemas de Informação Geográfica. FCA‐Editora de Informática, 1998. Neves, J & Marques, M & Veigas, L. (2001). Georreferenciação automática de endereços portugueses – gap, 2001. Tong, S., Ren, C., Becker, N. (2009). Excess deaths during the 2004 heatwave in Brisbane, Australia. Int J Biometeorol, 2009. Olhero, A., Pina, M, F. Georreferenciação de dados em micro-áreas.- Desafio à utilização dos sig na área da saúde. Paúl, C., Fonseca, A, M. (2005). Envelhecer em Portugal. Lisboa: Climepsi, 2005. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 104 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Physis,M,S. (2007). História do Conceito de Saúde. Rev. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 2007. Pina M.F.R.P. (1998). Potencialidades dos Sistemas de Informações Geográficas na Área da Saúde. In: NAJAR AL & MARQUES EC. Saúde e Espaço: Estudos metodológicos e técnicas de análise. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 1998. Pina M.F.R.P. (1998). Potencialidades dos Sistemas de Informações Geográficas na área da saúde. In: Najar al & Marques EC. Saúde e Espaço: Estudos metodológicos e técnicas de análise. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 1998. Pina, M., (1998) Potencialidade dos Sistemas de Informações Geográficas na área da Saúde, in Najar, a. e Marques, E (org.) Saúde e espaço: estudos metodológicos e técnicas de análise, Editora Fiocruz, Rio de Janeiro., 1998. Presidência da república secretaria especial dos direitos humanos, concelho nacional dos direitos dos idosos. (2003). Plano de ação internacional para o envelhecimento, brasília 2003. Queiroz,G,R & Câmara,G. - Arquitetura de sistemas de informação geográfica. Ratcliffe, J, H. (2004). Geocoding crime and a first estimate of a minimum acceptable hit rate. Int. J. Geographical information science vol. 18, no. 1, january–february 2004, 61–72 Ribeiro H. (2000) Geografia Médica e Saúde Pública. Comunicação Pessoal, trabalho apresentado no Encontro Nacional de Geógrafos, Florianópolis, SC, 2000. Ribeiro H. (2000). Geografia Médica e Saúde Pública. Comunicação Pessoal, trabalho apresentado no Encontro Nacional de Geógrafos, Florianópolis, SC, 2000. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 105 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Rooney, C; McMichael, A; Kovats, R; Coleman, M. (1998). Excess mortality in England and Wales, and in Greater London, during the 1995 heatwave. Epidemiol Community Health 1998;52:482–486 Rudge, J., Gilchrist, R. (2005). Excess winter morbidity among older people at risk of cold homes: a population-based study in a London borough. Journal of Public Health. 9 de September de 2005, pp. 1-6. Rushton G, 2003. Public health, GIS, and spatial analytic tools. Annu Rev Public Health 24, 43-56. Santos, S., pina, M., carvalho, M., 2000, Os Sistemas de Informações Geográficas, In: Carvalho, M., Pina, M., Santos, S. (orgs). Conceitos Básicos de Sistemas de Informação Geográfica e Cartografia aplicados à Saúde, Brasil, editora Organização Panamericana de Saúde, 2000. Sara M. M. C. (2009). Modelo de implementação-Trabalho de Projecto aplicado ao Município de Felgueiras, Outubro de 2009. Scholten, H.J., Stillwell, J.C.H. (1990). Geographical Information Systems: The Emerging Requirements In: scholten, h,j & stillwell, j,c,h (org.) Geographical Information Systems for Urban and Regional Planning. ed. Kluwer Academic Publishers, 1990. Semenza, J., et al. (1999). Excess Hospital Admissions During the July 1995 Heat Wave in Chicago. American Journal of Preventive Medicine. 1999 Silva, A., & Moita, S. (2009). Aplicação dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) em Climatologia – Distribuição e Variação da Precipitação em Portugal Continental. Lisboa. Instituto de Meteorologia de Portugal, 2009. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 112 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Anexo IIINotícias da população idosa Perda de Olfato Traz Riscos a Idosos que Vivem Sós A perda de olfato tem implicações também no paladar e tem também riscos que normalmente são desvalorizados pelas pessoas como o não cheirar o fumo, o gás ou os alimentos estragados, problema grave se nos lembrarmos dos idosos que vivem sozinhos. Recentemente chegou à redação Portal uma notícia afirmando que cerca de 1 milhão de portugueses não têm olfato. Trata-se de uma doença chamada anosmia, que é a perda total do sentido do olfato. Entre as múltiplas causas, o artigo as relacionava com doenças da mucosa nasal (como rinite e sinusite), obstrução da fossa nasal ou lesões neurológicas, como traumatismos cranioencefálicos, envelhecimento ou doença de Alzheimer. Seria interessante saber como está o olfato dos brasileiros. O coordenador da Unidade de Otorrinolaringologia do hospital, José Saraiva, explicou à Imprensa portuguesa através de um comunicado oficial que “a anosmia afeta muitas pessoas por razões tão simples como uma síndroma gripal que provocou uma lesão irreversível das células que recebem os odores, até situações graves como um tumor ou doença neurológica. As causas mais frequentes, no entanto, são as perdas de olfato parciais, as hiposmias, relacionadas com problemas do nariz ou com o processo de envelhecimento”. Ele explicou ainda que "a perda de olfato tem implicações também no paladar e tem também riscos que normalmente são desvalorizados pelas pessoas como o não cheirar o fumo, o gás ou os alimentos estragados, problema grave se nos lembrarmos dos idosos que vivem sozinhos". Acrescentou que a "perda do olfato tem ainda implicações na qualidade de vida, interferindo no dia-a-dia da pessoa "Diagnóstico As queixas de perda de olfato, e de paladar são os principais indícios para diagnosticar a doença. A recomendação é a consulta a um otorrinolaringologista para que este possa identificar a causa e realizar os exames necessários, avaliando assim o problema. Os tratamentos dependem da causa da perda olfativa. Se a doença está relacionada com infeções ou alergias, a recomendação é o controlo dessas situações. Se a relação for de polipose nasal, o tratamento cirúrgico de desobstruirão das fossas nasais poderá ser o Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 113 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território mais recomendado. O comunicado aponta ainda que em situações de degenerência neuronal, doença oncológica ou virose causadora de destruição do neuroepitélio olfativo, a perda de olfato é irreversível. 19/03/2012 - Por Redação Portal na categoria 'Saúde-Doença' Anexo 3Noticia - Perda do Olfato Notícia do JN O Porto está cheio de pessoas idosas a viver sós, sem retaguarda, mesmo que tenham família. A cidade está a envelhecer mais do que o resto do país e, com a crise económica, as instituições de solidariedade notaram um aumento do desamparo dos velhos. Os casos de idosos encontrados desamparados e sem assistência "estão a aumentar a um ritmo impressionante", diz-nos Gabriela Taborda, voluntária do Movimento Comunidades de Vizinhança (MCV), parceiro da Fundação Filos. A crise económica aumentou a fragilidade dos idosos do Porto - que, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística representavam, em 2008, um quinto da população do concelho - porque eles são o elo mais fraco quando as suas famílias empobrecem. "Os filhos não os podem ajudar porque também eles precisam de ajuda", sublinha Gabriela Taborda. No âmbito do programa de voluntariado "Sentinelas de Rua", o MCV tem detectado muitos velhos com grandes carências. "O que nos impressionou foi termos encontrado idosos dos quais ninguém tinha conhecimento. O Estado não sabe deles, não são sinalizados. Nunca foram a lado nenhum, nunca pediram nada", conta Gabriela Taborda. Alguns são "novos pobres": aparecem à janela como sempre, sem que se perceba que, dentro de portas, tudo piorou. "Geralmente, vivem em casas próprias com uma grande miséria lá dentro", descreve a voluntária. Tal como Gabriela, Gil da Costa, o jovem presidente da Liga Portuguesa de Profilaxia Social (LPPS), conhece bem o lado carnal das estatísticas, que apontam que, em Portugal, 37% das pessoas em risco de pobreza sejam idosos a viver sós. Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 114 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Numa cidade onde o índice de envelhecimento é superior à média nacional (158,9 idosos por cada 100 jovens, quando a média nacional, em 2008, era de 115,5), não faltam idosos pobres. Anexo 4-Noticia do JN Notícia do JN Comparando os dados dos três últimos Censos, verifica-se que o Porto perdeu 65 mil pessoas nos últimos 20 anos, passando de 312 para 237 mil habitantes. Porém, ganhou mais 11 mil idosos, havendo, atualmente, mais de 55 mil acima dos 65 anos. Graças a estes dois fatores, a população da cidade envelheceu a uma velocidade estonteante. Se em 1991 os idosos eram apenas 14,8% da população, no ano passado já eram quase um quarto (23,4%) de todos os residentes. Estes números não divergem da realidade nacional. Segundo o Censos 2011, na última década, o número de pessoas idosas a viver sozinhas (400 964) ou a residir exclusivamente com outras pessoas com 65 ou mais anos (804 577) aumentou cerca de 28%, tendo passado de 942 mil em 2001, para mais de 1,2 milhões em 2011. Foi no Norte que se verificou o maior aumento de pessoas com 65 ou mais anos que vivem exclusivamente com pessoas do mesmo grupo etário - 41,1% - contra um aumento nacional de 27,5%. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, "o aumento da esperança média de vida, a desertificação e a transformação do papel da família nas sociedades modernas terão, certamente, contribuído para explicar as mudanças observadas". Anexo 5Notícia do JN Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 115 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Anexo IVTabela da dimensão das famílias Dimensão da Família Nº de famílias Idosos 2 Elementos 3562 3562 3 Elementos 3462 5206 4 Elementos 2520 3803 5 Elementos 1805 2725 6 Elementos 1148 1896 7 Elementos 577 971 8 Elementos 297 509 9 Elementos 186 343 10 Elementos 123 219 11 Elementos 92 179 12 Elementos 35 64 13 Elementos 25 50 14 Elementos 25 54 15 Elementos 12 26 16 Elementos 11 23 17 Elementos 9 21 18 Elementos 4 10 Anexo 6Tabela da dimensão das famílias Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 116 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Anexo VNotícias de idosos isolados à viver sós Mais de um milhão e duzentos mil idosos vivem sós ou em companhia de outros idosos Cerca de 12% da população residente e de 60% da população idosa vive só (400 964) ou em companhia exclusiva de pessoas também idosas (804 577), refletindo um fenómeno cuja dimensão aumentou 28%, ao longo da última década. O INE disponibiliza resultados dos Censos 2011 relativos à população com 65 ou mais anos de idade que vive, em alojamentos familiares, só ou em companhia exclusiva de outros idosos (até freguesia). Fica, também, disponível informação sobre alojamentos familiares habitados pela população idosa, desagregados de acordo com o número de pessoas neles residentes: apenas uma ou duas ou mais pessoas. A população idosa, com 65 ou mais anos, residente em Portugal é de 2,023 milhões de pessoas, representando cerca de 19% da população total1. Na última década o número de idosos cresceu cerca de 19%. Cerca de um terço dos idosos encontra-se na Região Norte, seguida pelas regiões Centro e Lisboa. Em termos nacionais, a distribuição da população com 65 ou mais anos apresenta um padrão semelhante ao da população residente. Assim, na região Norte encontra-se 31% do total da população idosa, seguindo-se as regiões Centro e Lisboa, ambas com pesos próximos de 26%. Nas regiões do Alentejo, Algarve, Autónomas da Madeira e dos Açores encontram-se, respetivamente 9,1%, 4,4%, 2% e 1,6% dos idosos residentes no país. Gráfico 1 - Distribuição da população residente e da população com 65 ou mais anos, por NUTS II, em 2011 Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 117 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Cerca de 400 mil idosos vivem sós e 804 mil em companhia exclusiva de pessoas também idosas. Na última década, o número de pessoas idosas a viver sozinhas (400 964) ou a residir exclusivamente com outras pessoas com 65 ou mais anos (804 577) aumentou cerca de 28%, tendo passado de 942 594 em 2001, para 1 205 541 em 2011. O aumento da esperança média de vida, a desertificação e a transformação do papel da família nas sociedades modernas terão, certamente, contribuído para explicar as mudanças observadas e as diferenças que se verificam entre as regiões do país. Lisboa e Alentejo têm a maior percentagem de idosos a viver sós. É nas regiões de Lisboa (22%), Alentejo (22%) e Algarve (21%) que se verificam as mais elevadas percentagens de idosos vivendo sós. As mais baixas percentagens encontram-se nas regiões Norte e Autónoma dos Açores, com 17% cada. Gráfico 2 - Percentagem da população idosa que vive sozinha ou exclusivamente com pessoas com 65 ou mais anos, por NUTS II, em 2011 Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 118 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território O número de idosos a viver sós aumentou 29% na última década. O maior aumento registou-se na Região Autónoma da Madeira (49%). O número de pessoas idosas vivendo sós aumentou 29% em Portugal, na última década. O número de idosos a viver exclusivamente com outros idosos registou crescimento idêntico (28%). Este fenómeno verificou-se em todas as regiões do Pais. O maior crescimento ocorreu na Região Autónoma da Madeira, com 49%. As regiões de Lisboa, Norte e Algarve registaram também crescimentos superiores à média nacional. Abaixo desta média situaram-se apenas as Regiões do Alentejo e Autónoma dos Açores. Gráfico 3 -Variação da população com 65 ou mais anos que vive sozinha Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 119 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território O número de pessoas com 65 ou mais anos vivendo exclusivamente com pessoas do mesmo grupo etário aumentou 27,5% na última década. O maior aumento registou-se na região Norte (41%). Também este fenómeno se verificou em todas as regiões do país. O aumento mais elevado registou-se na Região Norte (41,1%), tendo o mais baixo ocorrido no Alentejo (6%). Gráfico 4 -Variação da população com 65 ou mais anos que vive exclusivamente com pessoas com 65 ou mais anos, por NUTS II, 2001-2011 Um quinto dos alojamentos é habitado por pessoas idosas. Em Portugal, há 797 851 alojamentos familiares habitados exclusivamente por pessoas idosas, representando cerca de 20% do total de alojamentos ocupados, o que representa um acréscimo de 28,3% nos últimos dez anos. Em termos regionais as percentagens mais elevadas registaram-se no Alentejo (27%) e na Região Centro (24%). As percentagens mais baixas observaram-se nas Regiões Autónomas: 13% nos Açores e 14% na Madeira. Gráfico 5 - Percentagem de alojamentos habitados exclusivamente por pessoas idosas, por NUTS II, em 2011 Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 120 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Em particular, o número de alojamentos familiares habitados por uma só pessoa idosa é de 400 964, o que significa 10% do total de alojamentos do País e um aumento de cerca de 29%, ao longo da última década. À semelhança do apurado em 2001, é nas Regiões do Alentejo e do Centro que o peso relativo dos alojamentos habitados por uma só pessoa idosa é mais elevado, respetivamente 13,5% e 11,7%. As Regiões Autónomas continuaram, em 2011, a evidenciar os valores mais baixos: 7% nos Açores e 8% na Madeira. Gráfico 6 - Percentagem de alojamentos habitados por apenas uma pessoa idosa, por NUTS II, em 2011 Anexo 7Informação sobre os Censos 2011 Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 121 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Anexo VIMapas e tabelas de utentes à viver sozinhos em redor das 8 USF com mais de 64 anos, num raio de 2000m 2 Utentes com mais de 64 anos à viver juntos 500m 321 1000m 1937 1500m 3108 2000m 2971 Contributo dos SIG para a identificação do contexto biogeofísico e socioeconómico dos maiores de 64 anos no ACES Espinho/Gaia 128 Mestrado em Sistema de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Anexo 17Evento extremo de frio identificado segundo o índice Ondas (2000-2007), para a patologia de enfartes Anexo 18Evento extremo de calor identificado segundo o Heat Índex (2000-2007), para a patologia de enfartes O E ∆%=((O-E)/E) Durante 2 1 40 Após 2 3 -30 Total (durante e após) 4 4 -7 Durante 4 2 87 Após 3 2 91 Total (durante e após) 7 4 88 Durante 4 1 367 Após 2 2 -7 Total (durante e após) 6 3 100 Durante 14 885 Após 13 865 Total (durante e após) 27 15 75 Durante 3 2 50 Após 4 3 33 Total (durante e após) 7 5 40 Durante 3 1 163 Após 0 1 -100 Total (durante e após) 3 2 62 Durante 1 2 -53 Após 3 2 50 Total (durante e após) 4 4 -3 Durante 1 2 -42 Após 1 0 133 Total (durante e após) 2 2 -7 Durante 0 2 -100 Após 0 1 -100 Total (durante e após) 0 3 -100 Evento extremo de frio identificado segundo o índice Ondas (2000-2007) 19 de Dezembro de 2001 a 29 de Dezembro de 2001 9 de Janeiro de 2003 a 17 de Janeiro de 2003 4 de Janeiro de 2005 a 10 de Janeiro de 2005 20 de Janeiro de 2005 a 11 de Março de 2005 3 de Janeiro de 2006 a 14 de Janeiro de 2006 26 de Janeiro de 2006 a 2 de Fevereiro de 2006 22 de Janeiro de 2007 a 28 de Janeiro de 2007 10 de Dezembro de 2007 a 18 de Dezembro de 2007 19 de Dezembro de 2006 a 27 de Dezembro de 2006 O E ∆%=((O-E)/E) Durante 0 1 -100 Após 0 0 -100 Total (durante e após) 0 1 -100 Durante 0 1 -100 Após 3 0 950 Total (durante e após) 3 1 425 Durante 0 2 -100 Após 1 2 -46 Total (durante e após) 1 4 -72 Durante 0 0 -100 Após 0 0 -100 Total (durante e após) 0 0 -100 Durante 4 1 211 Após 1 1 -13 Total (durante e após) 5 2 106 Durante 1 1 75 Após 2 1 250 Total (durante e após) 3 1 163 Durante 1 1 -13 Após 0 1 -100 Total (durante e após) 1 2 -56 Durante 2 1 250 Após 1 0 250 Total (durante e após) 3 1 250 Evento extremo de calor identificado segundo o Heat Índex (2000-2007) 28 de Julho de 2001 a 31 de Julho de 2001 24 de Julho de 2002 a 26 de Julho de 2002 28 de Julho de 2003 a 8 de Agosto de 2003 11 de Agosto a 12 de Agosto de 2003 10 de Setembro de 2003 a 19 de Setembro de 2003 8 de Julho de 2005 a 12 de Julho de 2005 27 de Julho de 2007 a 30 de Julho de 2007 11 de Julho de 2006 a 18 de Julho de 2006