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Desejo e motivação sexual numa amostra de mulheres portuguesas heterossexuais e pré-menopaúsicas: fatores de proteção e vulnerabilidade

Diana Maciel Barreto

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I Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação DESEJO E MOTIVAÇÃO SEXUAL NUMA AMOSTRA DE MULHERES PORTUGUESAS HETEROSSEXUAIS E PRÉ-MENOPAÚSICAS: FATORES DE PROTEÇÃO E VULNERABILIDADE Diana Maciel Barreto Junho 2014 Dissertação apresentada no Mestrado Integrado de Psicologia, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, orientada pelo Professor Doutor Pedro Nobre (FPCEUP) e co-orientada pela Professora Doutora Sandra Vilarinho (Investigadora do SexLab, FPCEUP). II AVISOS LEGAIS O conteúdo desta dissertação reflete as perspetivas, o trabalho e as interpretações do autor no momento da sua entrega. Esta dissertação pode conter incorreções, tanto conceptuais como metodológicas, que podem ter sido identificadas em momento posterior ao da sua entrega. Por conseguinte, qualquer utilização dos seus conteúdos deve ser exercida com cautela. Ao entregar esta dissertação, o autor declara que a mesma é resultante do seu próprio trabalho, contém contributos originais e são reconhecidas todas as fontes utilizadas, encontrando-se tais fontes devidamente citadas no corpo do texto e identificadas na secção de referências. O autor declara, ainda, que não divulga na presente dissertação quaisquer conteúdos cuja reprodução esteja vedada por direitos de autor ou de propriedade industrial. III AGRADECIMENTOS Começo por dedicar esta minha Dissertação de Mestrado à mulher que mais do que uma avó foi uma mãe para mim (Maria Lúcia). A ela lhe agradeço tudo o que sou e a mulher em que me tornei. E lamento que o cancro a tenha levado cedo de mais para não poder partilhar com ela esta conquista. Miss you... Com um carinho muito especial agradeço à Doutora Sandra Vilarinho que me acompanhou nesta importante etapa do meu percurso escolar. Muito obrigado pela exigência, pelos feedbacks constantes, pelas recomendações e pelo tempo dispensado no meu projeto de investigação. Obrigada por cativar em mim o interesse pela investigação no campo da Sexologia Clínica, em especial nas questões do desejo sexual feminino. De igual apreço, agradeço ao Professor Doutor Pedro Nobre, o meu orientador na Dissertação de Mestrado, pelas oportunidades criadas, pelo apreço que depositou em mim e por acompanhar o meu progresso. Quero ainda agradecer a todos os investigadores do SexLab, pela maneira carinhosa com que me acolheram na equipa, por me terem permitido colaborar nas suas investigações, aumentando profundamente o meu interesse pelo estudo científico nesta área; e pelo feedback quanto à minha tese. Ainda no meio académico, agradeço às minhas companheiras de dissertação. Um especial sinal de apreço à Ana Raquel Pereira, Filipa Caseiro, Lisete Ferreira, Lúcia Garcez, Marisa Santos e à Teresa Peres por partilharem comigo o interesse na investigação da Sexualidade Humana. Deixo ainda um carinho muito especial a colegas de curso, em especial, à Ana Margarida Brandão, Ana Raquel Pacheco, Fanny Lima, Joana Pacheco, Maria Fernandes e Sara Nogueira. O meu sincero obrigado por me acompanharem ao longo do meu percurso académico e me proporcionarem bons momentos de partilha e emoções que jamais serão esquecidos. Que estas amizades perdurem no tempo. Por último, agradeço à minha família pelo profundo carinho e admiração com que abraçaram os meus interesses e pelas escolhas que fui fazendo ao longo dos anos. Ao Nuno, um enorme obrigado por me encher o coração e por encorajar os meus sonhos. IV RESUMO O desejo sexual como componente da resposta sexual humana impõe-se como área privilegiada de estudo e investigação. Encontram-se facilmente na literatura artigos sobre o desejo sexual feminino e seus preditores destacando-se, de entre eles, o papel das variáveis médicas, relacionais, contextuais e cognitivas (e.g. Carvalheira, Brotto & Leal, 2010; Carvalho & Nobre, 2010a, 2010b). Porém, quando se procura aprofundar uma das componentes mais importantes do desejo sexual – a motivação e a sua possível relação com o desejo – denota-se a escassez de estudos nesta área. O presente estudo de natureza quantitativa, visa aprofundar e melhor compreender as variáveis preditoras nos níveis de desejo sexual e explorar a relação da motivação sexual com o desejo sexual. Com uma amostra de 546 mulheres portuguesas, com idades compreendidas entre os 18 e os 53 anos, heterossexuais e pré-menopausicas, conduziramse análises de regressão múltipla, método Enter, em função dos objetivos e hipóteses levantadas, de modo a responder-se às perguntas “Quais os fatores de proteção e de vulnerabilidade que predizem os níveis de desejo sexual nas mulheres?”; “Qual a relação da motivação sexual com o desejo?”. O presente estudo permitiu constatar como fatores protetores dos níveis de desejo sexual, a presença de pistas de excitação ( = .213, p < .001), a satisfação com a relação ( = .145, p < .001), a existência de fantasias fora do contexto sexual ( = .101, p = .007) e a existência de um contexto erótico ( = .086, p = .026). Como fator de vulnerabilidade do desejo evidenciou-se somente a preocupação relacionada com o receio de dor ou desconforto físico ( = -.097, p = .011). As pistas de excitação ( = .213, p < .001) parecem ser as melhores preditoras do desejo sexual, salientando desta forma o papel da motivação sexual nos níveis de desejo nas mulheres. Estes dados evidenciam a importância do contexto envolvente, fantasias, relacionamento e motivações sexuais nos níveis de desejo sexual nas mulheres. Na sequência dos resultados encontrados apresentam-se sugestões para estudos futuros e implicações para a prática clínica. Palavras-chave: Desejo sexual; Motivação sexual; Excitação sexual; Envolvimento em atividade sexual; Preditores. V ABSTRACT Sexual desire as a distinct aspect of human sexual response imposes itself as a privileged field of study and scientific research. The literature is replete with articles on predictors of sexual desire, mainly on medical, relational, contextual and cognitive variables (e.g., Carvalheira, Brotto & Leal, 2010; Carvalho & Nobre, 2010a, 2010b). But when we specify in one of the most important components of sexual desire – sexual motivation and the possible relationship to sexual desire – denotes the lack of studies in this area. This quantitative study aims to deepen and better understand the predictors on levels of sexual desire and explore the relationship between sexual motivation and desire. With a sample of 546 portuguese women, aged between 18 and 53 years old, heterosexual and premenopausal, were conducted multiple regression analyzes, Enter method, based on the objectives and hypotheses raised to answer these questions "What are the protective and vulnerability factors that predict levels of sexual desire in women?"; "What is the relationship between sexual motivation and desire?". Our results show as protective factors on levels of sexual desire the presence of explicit/arousal cues ( = .213, p < .001), satisfaction with the relationship ( = .145, p < .001), the existence of sexual fantasies out of sexual context ( = .101, p = .007) and the existence of an erotic context ( = .086, p = .026). As vulnerability factor of desire we only find the concern with fear of pain or physical discomfort ( = -.097, p = .011). Explicit/arousal cues ( = .213, p < .001), seems to be the best predictor on levels of sexual desire, emphasizing the role of sexual motivation in the levels of desire in women. These data underline the importance of context, fantasies, relationship and sexual motivation on the levels of sexual desire in women. In sequence of the results found we present suggestions for future studies and implications for clinical practice. Keywords: Sexual desire; Sexual motivation; Sexual arousal; Cues for sexual involvement; Predictors. VI RÉSUMÉ Le désir sexuel comme un composant distinct de la réponse sexuelle humaine s'impose comme un champ d'étude privilégié et recherche scientifique. La littérature abonde d'articles sur désir sexuel e ses prédicteurs, soulignant, entre autres, le rôle des variables médicales, relationnels, contextuels et cognitifs (e.g., Carvalheira, Brotto & Leal, 2010; Carvalho & Nobre, 2010a, 2010b). Mais quand nous précisons dans l'un des éléments les plus importants de désir sexuel – la motivation sexuelle et la relation possible au désir sexuel – dénote l'insuffisance des études dans ce domaine. Cette étude quantitative vise à approfondir et mieux comprendre les variables prédictifs sur les niveaux de désir sexuel et d'explorer la relation entre la motivation sexuelle et le désir. Avec un échantillon de 546 femmes portugaises, âgé entre 18 et 53 ans, hétérosexuelle et pré-ménopause, ont été effectuées des analyses de régression multiple, Entrez méthode, en fonction des objectifs et les hypothèses soulevées afin de répondre à ces questions «Quels sont les facteurs de protection et de vulnérabilité qui prédire les niveaux de désir sexuel chez les femmes?»; «Quelle est la relation entre la motivation sexuelle et le désir?». Les résultats montrent que les facteurs de protection des niveaux de désir sexuel ont la présence de pistes explicites/excitation ( = .213, p < .001), la satisfaction de la relation ( = .145, p < .001), l'existence de fantasmes sexuels hors contexte sexuel ( = .101, p = .007) et l'existence d'un contexte érotique ( = .086, p = .026). Comment facteur de vulnérabilité trouvé seul souci avec la peur de la douleur ou de l'inconfort physique ( = - .097, p = .011). Les pistes explicites/excitation ( = .213, p < .001) semble être la variable qui semble le mieux prédire les niveaux de désir sexuel, soulignant ainsi le rôle de la motivation sexuelle dans les niveaux de désir chez les femmes. Ces données démontrent l'importance du contexte environnant, fantasmes, relation et motivations sexuelles sur les niveaux de désir sexuel chez les femmes. Après les résultats trouvés sont des suggestions pour études futures et implications pour la pratique clinique. Mots-clés: Désir sexuel; Motivation sexuelle; L'excitation sexuelle; S'engager dans une activité sexuelle; Prédicteurs. VII SIGLAS E ABREVIATURAS % – percentagem – Valor de Beta BSI – Brief Symptom Inventory cf. – Conferir, do latim confer CSDS-P – Cues for Sexual Desire Scale – Portuguese Version DAS-7 – Escala de Ajustamento Diádico DP – Desvio-padrão DST’s – Doenças Sexualmente Transmissíveis e.g. – por exemplo et al. – e outros colaboradores F – F Statistics ou F-ratio FSFI – Índice de Funcionamento Sexual Feminino IST’s – Infeções Sexualmente Transmissíveis LGBT’s – Comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais M – Media Max – Valor máximo da amplitude dos valores Min – Valor mínimo da amplitude dos valores n – Número de sujeitos ns – não significativo p – Nível de significância estatística (p value) Preoc – Preocupações r – Valor da correlação R2 Ajustado – Coeficiente de determinação ajustado SNC – Sistema Nervoso Central VIII ÍNDICE GERAL PARTE I – ENQUADRAMENTO TEÓRICO .................................................................... 11 1. Modelos de conceptualização psicológica da resposta sexual feminina ......... 12 2. Desejo sexual .............................................................................................................. 14 2.1. Definição conceptual .................................................................................. 14 2.2. Variáveis preditoras dos níveis de desejo sexual feminino ................... 16 3. Motivação sexual ....................................................................................................... 18 3.1. Definição conceptual .................................................................................. 18 3.2. Pistas para o envolvimento sexual nas mulheres .................................... 19 PARTE II – ESTUDO EMPÍRICO ....................................................................................... 21 4. Método ......................................................................................................................... 22 4.1. Participantes ................................................................................................. 23 4.2. Materiais ....................................................................................................... 24 4.2.1. Questionário sociodemográfico ................................................. 24 4.2.2. Inventário de sintomas psicopatológicos ................................. 24 4.2.3. Escala de ajustamento diádico ................................................... 24 4.2.4. Questionário sobre comportamentos sexuais .......................... 25 4.2.5. Cues for Sexual Desire Scale – Portuguese Version .............. 25 4.2.6. Índice de funcionamento sexual feminino ............................... 25 4.2.7. Social Desirability Scale – Short Form ................................... 26 4.3. Procedimentos ............................................................................................. 26 5. Resultados ................................................................................................................... 28 5.1. Condições médicas e Psicopatologia ........................................................ 28 5.1.1. Caracterização das variáveis ...................................................... 28 5.1.2. Análises de regressão múltipla .................................................. 28 15 dopamina e serotonina para o normal funcionamento dos “circuitos sexuais”. Para Helen Kaplan (1929) o desejo sexual é operacionalizado como o apetite ou impulso que produz uma ativação específica no sistema neural do cérebro. O sistema quando ativado gera sensibilidade genital, um interesse acrescido em atividade sexual, recetividade e agitação que são diminuídos aquando da gratificação sexual (fase do orgasmo). Para a autora, a área cerebral responsável pelo desejo traduz-se no mecanismo central do sistema nervoso central (SNC), nomeadamente o sistema límbico, e em sistemas mais periféricos como a espinal medula, responsável pelas restantes fases da resposta sexual. Leiblum e Rosen (1988) definem desejo sexual como um conceito de energia motriz que estaria na origem do comportamento sexual, visando a obtenção de alívio e bem-estar e a procura da homeostasia emocional. Estes autores conceptualizam o desejo como algo instintivo, espontâneo e uma fonte de motivação. Rosemary Basson (2002) conceptualiza o desejo sexual como a experiência de pensamentos, fantasias e necessidade/interesse de envolvimento em atividade sexual. É com Levine (1987, 1988, 2002, 2003) que surge uma definição mais integradora do desejo. Este autor define o desejo sexual como uma energia psicobiológica que antecede a resposta de excitação sexual e que por sua vez produz um comportamento sexual (Levine, 1987). Mais recentemente definiu o desejo como a soma das forças responsáveis pela procura e pela fuga face a comportamentos sexuais (Levine, 2002, 2003). Ao entender o desejo sexual como uma “força” ou um “conjunto de forças”, o autor sugere que este conceito seja perspetivado num continuum, em que a sua intensidade caracterizar-se-ia desde a aversão, à indiferença, interesse, necessidade até à paixão, sendo que a valência tanto pode ser positiva como negativa. Por outro lado, o desejo sexual é conceptualizado segundo três componentes distintas mas integradas: o impulso, a vontade e a motivação (Levine, 1987, 2003). O impulso sexual é manifestado por uma resposta de excitação fisiológica espontânea e endógena pautada por tumescência peniana ou lubrificação vaginal, fantasias e sonhos eróticos, procura de atividade sexual ou masturbação, resultando na componente biológica do desejo. A vontade sexual refere-se à componente contextual, fazendo alusão às normas e valores culturais às quais o sujeito recorre para iniciar um comportamento sexual. E por último, a motivação sexual é apresentada como a componente psicológica que melhor predirá a presença ou ausência do desejo sexual e que é influenciada pelo estado mental do indivíduo, fatores interpessoais e o contexto social. 16 Levine (2002, 2003) defende ainda que o desejo sexual é vivenciado como uma experiência interna e privada para cada um de nós, sendo único e individual, diferente para a mulher e para o homem (Basson, 2000), e que começa a ser desenvolvido na fase da adolescência variando ao longo do ciclo de vida. Apesar das múltiplas definições para um mesmo conceito, a maioria dos autores concorda numa interação complexa entre processos cognitivos, mecanismos neurofisiológicos e motivacionais (Soares, 2003) na conceptualização do desejo sexual. 2.2. Variáveis preditoras dos níveis de desejo sexual feminino Percorrendo a literatura encontra-se um conjunto relativamente consistente, embora diversificado, de variáveis que influenciam os níveis de desejo nas mulheres, com resultados, alguns deles, replicados por diferentes autores. Reconhece-se um consenso quanto ao efeito da idade no desejo sexual, em que os níveis de desejo parecem diminuir com o avanço da idade (Brotto, 2010). Trudel (2002) encontrou uma diminuição do interesse sexual, para ambos os sexos, a partir dos 60 anos. Um estudo de Carvalho e Nobre (2010b) conduzido com uma amostra de 237 mulheres e 205 homens de nacionalidade portuguesa revelou um efeito significativo para a idade (grupo dos 62 aos 73 anos apresentavam níveis de desejo inferiores quando comparados com o grupo dos 51 aos 61 e com o grupo dos 18 aos 50 anos) e género (as mulheres apresentavam níveis de desejo sexual significativamente inferiores quando comparadas com os homens). Outros estudos apontam para um efeito não significativo, quando controladas outras variáveis (Stephenson & Meston, 2012). Laumann e colaboradores (Laumann, Paik & Rosen, 1999) no estudo do National Health and Social Life Survey (NHSLS) encontraram um efeito significativo para o estado civil no desejo sexual feminino. Tanto homens como mulheres casados apresentavam menos problemas ao nível do desejo sexual, quando comparados com indivíduos divorciados e solteiros. No que respeita às condições de saúde encontra-se na literatura algumas associações com alterações no desejo sexual feminino, nomeadamente problemas ligados ao sistema cardiovascular, diabetes e hipertensão (Carvalho & Nobre, 2010a, 2010b; Heiman, 2002; Vilarinho, 2010). Em termos de psicopatologia tem também sido evidenciada a associação entre ansiedade (Aksaray, Yelken, Kaptanoglu, Oflu & Özaltin, 2001; Mercan, Karamustafalioglu, Ayaydin, Akpinar, Goksan, Gonenli, & Guven, 2006; 17 Minnen & Kampman, 2000), depressão (Dobkin, Leiblum, Rosen, Menza & Marin, 2006; Fabre & Smith, 2012) e o desejo sexual da mulher. Ao nível da medicação, alguns estudos apontam para os efeitos negativos que os antidepressivos (Dobkin, Leiblum, Rosen, Menza & Marin, 2006; Michelson & Bancroft, 2000; Stulberg, Ewigman & Hickner, 2008), antipsicóticos (Baggaley, 2008; Clayton & Balon, 2009) e anti-hipertensores (Duncan, Lewis, Smith, Jenkins, Nichols & Pearson, 2001; Grimm, Gandits & Prineas, 1997), parecem ter na resposta sexual feminina, nomeadamente na diminuição do desejo sexual nas mulheres (Conaglen & Conaglen, 2013; Segraves, 2002). Vários estudos apontam para uma correlação significativa entre os níveis de desejo sexual e o ajustamento diádico ou satisfação com a relação, sendo que quanto maiores os níveis de desejo sexual maior a satisfação com o relacionamento (Brezsnyak & Whisman, 2004; Regan, 1998; Trudel, Villeneuve, Préville, Boyer & Fréchette, 2010; Vilarinho, 2010). Níveis elevados de satisfação com a relação estão igualmente correlacionados com maiores níveis de satisfação sexual (Byers, 2005; Sprecher, 2002). A frequência da atividade sexual parece também estar associada aos níveis de satisfação com a relação (Santilla, Wager, Witting, Harlaar, Jern, Johansson, … & Sandnabba, 2008; Smith et al., 2011). A duração do relacionamento é consensualmente aceite como uma variável importante nos níveis de desejo sexual nas mulheres, sendo que a maioria dos estudos aponta para uma redução do desejo sexual, com o evoluir da relação (Everaerd, & Laan, 1995; Murray & Milhausen, 2012) Klusmann (2002) demonstrou que a atividade sexual e a satisfação com a relação sexual tendem a diminuir, em ambos os sexos, com o avanço do relacionamento, apesar de ambos os sexos relatarem o interesse em aumentar essa frequência. O autor demonstrou ainda com este estudo que enquanto para a mulher, após 1 ano de relacionamento, os níveis de desejo sexual tendem a diminuir consecutivamente ( = -0.628), para os homens estes níveis mantém-se mais ou menos constantes após o período de 1 ano ( = 0.023) e o desejo para a ternura diminui para os homens mas aumenta para as mulheres. Numa amostra de noventa e uma mulheres e setenta e nove homens dos 18 aos 25 anos, Murray e Milhausen (2012) encontraram como preditores do desejo sexual para as mulheres a idade, o ajustamento diádico e a satisfação sexual. O conjunto destas três variáveis explicava 28,3% dos níveis de desejo sexual. Com a introdução da variável da duração do relacionamento, o modelo passou a explicar 33,5% dos níveis de desejo sexual 18 para ambos os sexos. De um modo geral, estes resultados vêm reforçar a noção de que existe uma tendência para a diminuição dos níveis de desejo feminino com o aumento do tempo do relacionamento. Por outro lado, alguns autores sugerem que o nível do desejo sexual nas mulheres pode não só ser mantido como aumentar ao longo do tempo de relação (Impett, Strachman, Finkel, & Gable, 2008). Variáveis mais cognitivas, como pensamentos ou fantasias sexuais e preocupações durante a atividade sexual, ou variáveis mais relacionadas com o contexto onde decorre habitualmente a atividade sexual, são menos estudadas. Um estudo português conduzido por Vilarinho (2010) com 668 mulheres (171 no estudo preliminar e 497 no estudo final) verificou que o grupo das mulheres mais funcionais quando comparadas com o grupo de mulheres menos funcionais (subdivididas através do ponto de corte do FSFI) apresentava valores mais elevados no recurso à masturbação, fantasias, roupas exóticas e outros auxiliares de prazer enquanto atividades auxiliares de prazer (p < 0.001). Estas mulheres referem mais frequentemente ter um contexto sexual apropriado, com privacidade e erótico, um horário adequado, tempo suficiente para a prática de atividades sexuais e em que existe menos cansaço, stress e preocupações mostrando-se como bons preditores dos níveis de funcionamento sexual feminino. Ao nível das fantasias revelavam valores médios superiores de fantasias durante a atividade sexual e durante a masturbação e maiores níveis de autoestima sexual. 3. Motivação sexual A motivação é um estado de acrescido interesse para um objetivo específico (Hill & Preston, 1996), estando associada à experiência de satisfação e ao comportamento sexual (Hill & Preston, 1996; Toates, 2009). 3.1. Definição conceptual Alguns autores (Luria & Rose, 1979; Toates, 2009) sugerem que a motivação sexual pode ser explicada por uma teoria de incentivo. Esta teoria postula que a motivação sexual é gerada pela interação com estímulos eróticos e não por uma vontade interna destes estímulos. Assim, quando na presença de estímulos eróticos, o indivíduo pode ter alterações fisiológicas geradoras de prazer. Estas respostas sexuais conduzem a uma maior procura dos estímulos, tornando a pessoa cada vez mais recetiva, aumentando progressivamente a sua motivação para o envolvimento sexual (Toates, 2009). A procura e manutenção do estímulo diminuem quando há uma interrupção do ciclo provocada quer 19 por uma pausa no estímulo, quer por estimulação alheia ou por um pensamento que reverte as mudanças fisiológicas (crenças ou mitos) (Luria & Rose, 1979). Levine (1987), por outro lado, conceptualiza a motivação sexual como a mais importantes das três componentes do desejo sexual, ao que parece estar determinada pela interação entre o passado e o presente do indivíduo. O autor defende que a motivação sexual ocorre na presença de um ou mais dos seguintes antecedentes: impulso, decisão para ser sexual, comportamento interpessoal, experiência voyeuristas e/ou atração. Rosemary Basson (2005) defende que a motivação sexual feminina é muito relacional e é mais complexa do que a simples presença ou ausência de desejo sexual, uma vez que as mulheres têm múltiplas razões/motivações/incentivos para iniciar atividade sexual. Na mesma linha, Boul e colaboradores (2009) defendem a ideia de que os indivíduos estão mais facilmente motivados para maximizar benefícios nas relações (amor, companheirismo) e minimizar os custos (conflitos) (Boul, Hallam-Jones & Wylie, 2009). 3.2. Pistas para o envolvimento sexual nas mulheres Existem inúmeros motivos para o envolvimento sexual que vão desde sentir-se valorizado e valorizar o(a) parceiro(a), alívio do stress, experienciar prazer, procriação (Hill & Preston, 1996), dinheiro, reconciliação “make-up sex 1 ” (Hatfield, Luckhurst & Rapson, 2010). Assim como existem outros tantos fatores para o não envolvimento em atividade sexual como o medo da rejeição, contrair HIV/SIDA, medo de engravidar, falta de interesse e prazer (Leigh, 1989), cansaço, falta de parceiro/a (Cain, Johannes, Avis, Mohr, Schocken, Sturnick & Ory, 2003; Patrick, Maggs, Cooper & Lee, 2011). Nas mulheres encontram-se habitualmente como principais motivos para o envolvimento sexual as pistas emocionais (expressar amor), seguidos de pistas físicas (aparência física do parceiro, sentir prazer) (Hatfield, Luckhurst & Rapson, 2010; McCall & Meston, 2006; Meston & Buss, 2007; Regan & Berscheid, 1995), mantendo-se este padrão mesmo com o avanço da idade (Meston, Hamilton & Harte, 2009). A literatura existente aponta que uma baixa satisfação com a relação está correlacionada com uma diminuição da motivação sexual e dos níveis de desejo sexual tanto nas mulheres como nos homens (Brezsnyak & Whisman, 2004) exibindo uma relação direta da motivação sexual com o desejo sexual, já que os níveis de desejo sexual podem 1 Envolver-se em atividade sexual para reconciliação após uma discussão, por exemplo. 20 estar correlacionados com os motivos sexuais que levam a uma ativação ou inibição do comportamento sexual (Brotto, 2010; Hill & Preston, 1996). Existem até à data poucos estudos que se focam nos motivos ou nas pistas para o envolvimento sexual e são ainda mais reduzidos quanto a explorar a sua relação com os níveis de desejo sexual. De entre os estudos existentes salienta-se o de Katie McCall e Cindy Meston (2007) numa amostra de mulheres pré-menopáusicas e pós-menopáusicas com e sem diagnóstico de Perturbação do Desejo Hipoativo avaliadas com o “CSDS - Cues for Sexual Desire Scale”. As autoras puderam constatar que as mulheres com níveis inferiores de desejo sexual reportavam menos pistas para o envolvimento sexual quando comparadas com as mulheres com níveis elevados de desejo sexual. Além disso, as mulheres pós-menopáusicas indicam um maior número de pistas de ligação emocional quando comparadas com as mulheres pré-menopáusicas (McCall & Meston, 2007). As mesmas autoras haviam já anteriormente verificado que o CSDS era um instrumento com boa validade preditiva dos valores de desejo e excitação sexual nas mulheres, e que um maior número de pistas estava correlacionado com uma maior frequência da atividade sexual (McCall & Meston, 2006). Em Portugal, num estudo com uma amostra de 3687 mulheres, constatou-se que as mulheres em relacionamentos de longo prazo quando comparadas com mulheres em relacionamentos de curto prazo apresentavam menos pistas para o envolvimento sexual. A idade e a duração do relacionamento mostraram-se preditores negativos significativos e por outro lado a prática de masturbação e a facilidade em atingir o prediziam valores mais elevados nas pistas para o envolvimento sexual (Carvalheira, Brotto & Maroco, 2011). 21 PARTE 2 – ESTUDO EMPÍRICO 22 4. MÉTODO Encontram-se facilmente na literatura artigos sobre o desejo sexual e os seus preditores do desejo sexual, destacando-se, de entre eles, o papel das variáveis médicas, relacionais, contextuais e cognitivas (e.g. Beck, Bozman & Qualtrough, 1991; Brezsnyak & Whisman, 2004; Byers, 2005; Carvalheira, Brotto e Leal, 2010; Carvalho & Nobre, 2010a, 2010b; Dobkin, Leiblum, Rosen, Menza & Marin, 2006; Graham, Sanders, Milhausen & McBride, 2004; Impett, Strachman, Finkel, & Gable, 2008; Jones & Barlow, 1990). Porém quando se procura aprofundar uma das componentes mais importantes do desejo – a motivação – e a sua possível relação com o desejo nas mulheres (Levine, 1987, 1988, 2002, 2003) denota-se a escassez de estudos nesta área. Nesse sentido, o presente estudo de natureza quantitativa, visa aprofundar e melhor compreender as variáveis preditoras nos níveis de desejo sexual e explorar a relação da motivação sexual ou das pistas para o envolvimento sexual com o desejo sexual numa amostra de mulheres portuguesas heterossexuais e pré-menopáusicas. Tendo por base a revisão da literatura e os objetivos do presente estudo, sugerem-se as seguintes hipóteses: Hipótese 1: Espera-se que, de entre as condições médicas, a toma de medicação antidepressiva e a presença de psicopatologia sejam preditores negativos dos níveis de desejo sexual nas mulheres. Hipótese 2: Espera-se que, das variáveis sociodemográficas, a idade, o estado civil casado e a coabitação sejam preditores negativos dos níveis de desejo sexual nas mulheres. Hipótese 3: Espera-se que, de entre as variáveis relacionais, a duração do relacionamento seja um preditor negativo; e a satisfação com o relacionamento seja um preditor positivo dos níveis de desejo sexual nas mulheres. Hipótese 4: Espera-se que o recurso a atividades auxiliares de prazer durante a atividade sexual (e.g., masturbação, fantasias ou recurso a material pornográfico), bem como as características do contexto sexual (e.g., apropriado, com privacidade, erótico), enquanto variáveis contextuais, sejam preditores positivos dos níveis de desejo sexual nas mulheres Hipótese 5: Espera-se que a presença e uso de fantasias sexuais sejam preditores positivos do desejo; e a existência de preocupações durante a atividade sexual, enquanto variáveis cognitivas, sejam preditores negativos dos níveis de desejo sexual nas mulheres. 23 Hipótese 6: Dada a forte relação da motivação sexual com o desejo espera-se que, a existência de pistas para o envolvimento sexual sejam preditores positivos dos níveis de desejo sexual nas mulheres. 4.1. Participantes Para a realização deste estudo contamos com a participação de 600 mulheres de nacionalidade portuguesa com idades compreendidas entre os 18 e os 75 anos, num relacionamento por um período de 3 meses ou mais, sendo estes os principais critérios de inclusão. Porém, uma vez que apenas pretendíamos estudar mulheres heterossexuais e prémenopáusicas, a amostra final do estudo fica reduzida a 546 mulheres, 91% da amostra inicial. Os principais dados sociodemográficos da amostra encontram-se no Quadro 1. Quadro 1 Características socio-demográficas da amostra (n = 546) Idade M DP Min-Max (anos) 26.23 7.44 18-53 n % Estado civil Solteira Casada Divorciada/Separada União de facto 397 87 14 48 72.7 15.9 2.6 8.8 Habilitações literárias 4ª Classe 6º Ano Secundário Licenciatura Mestrado Doutoramento 1 1 147 241 134 22 0.2 0.2 26.9 44.1 24.5 4.0 Parceiro sexual atual Namorado Marido 446 100 81.7 18.3 Duração do relacionamento 3 meses a 1 ano 1 a 2 anos 2 a 5 anos 5 a 10 anos 10 a 20 anos > 20 anos 89 94 167 110 58 28 16.3 17.2 30.6 20.1 10.6 5.1 24 4.2. Materiais Neste estudo foi usada uma bateria de instrumentos, no sentido de permitir aceder a alguns dados sociodemográficos das participantes, questões médicas, relacionais, comportamentos sexuais e questões relacionadas com o desejo sexual. 4.2.1. Questionário sociodemográfico Foram recolhidos dados relativos à idade, profissão, habilitações literárias, religião, estado civil, zona de residência, coabitação, dados relativos à história médica, incluindo problemas ou queixas médicas e medicação, bem como dados relativos à fase do climatério e duração do relacionamento (adaptado de Vilarinho, 2010). 4.2.2. Inventário de sintomas psicopatológicos (BSI; Derogatis & Spencer, 1982; tradução e adaptação de Canavarro, 1999, 2007) Para se avaliar possíveis sintomas psicopatológicos das participantes foram usadas as subescalas de depressão (6 itens), ansiedade (6 itens) e somatização (7 itens) da versão portuguesa do Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI; Derogatis & Spencer, 1982). A escolha destas três subescalas pauta-se pela sua ligação direta com o desejo, tal como evidencia a literatura (Fabre & Smith, 2012; Minnen & Kampman, 2000). Na versão portuguesa as três subescalas apresentam bons valores de alpha de Cronbach com a subescala de depressão a apresentar um valor de .73, .77 para a subescala de ansiedade e .80 para a subescala da somatização (Canavarro, 1999). No presente estudo o conjunto das três subescalas apresentou um alpha de Cronbach de .92, com a subescala de depressão a apresentar valores de .86, a subescala de ansiedade e somatização a apresentarem valores de .82. 4.2.3. Escala de ajustamento diádico (DAS-7; Spanier, 1976) Para se conhecer a qualidade do ajustamento diádico ou a satisfação com o relacionamento, recorreu-se à versão reduzida da Escala de Ajustamento Diádico (DAS-7; Spanier, 1976). Este instrumento apresenta boas qualidades psicométricas quer com a população feminina (alpha de Cronbach de .79), quer com a população masculina (alpha de Cronbach de .75) (Hunsley, Best, Lefebvre & Vito, 2001). A DAS-7, tal como o nome indica é composta por um total de sete itens, dos quais seis apresentam uma escala tipo likert de seis pontos. O sétimo item da escala avalia o grau de felicidade da relação e é qualificado numa escala tipo likert de sete pontos. Não foram encontrados dados 31 5.3. Variáveis relacionais 5.3.1. Caracterização das variáveis A amostra do estudo apresentou uma duração do relacionamento que rondava em média os 65 meses (5 anos), apresentando a seguinte distribuição: 3 meses a 1 ano (n = 89), 1 a 2 anos (n = 94), 2 a 5 anos (n = 167), 5 a 10 anos (n = 110), 10 a 20 anos (n = 58) e > 20 anos (n = 28). Quanto à satisfação com o relacionamento, acedido através do DAS-7, os valores podiam compreender entre 0 e 36 pontos, sendo que quanto mais elevado, maior é a satisfação com o relacionamento, obtendo-se uma média de 24 (M = 23.5, DP = 5.15). 5.3.2. Análises de regressão múltipla Para se avaliar a capacidade preditiva das variáveis relacionais nos níveis de desejo sexual, selecionou-se a duração do relacionamento e a satisfação com a relação medida através do valor total do DAS-7 como variáveis preditoras. Da análise de regressão múltipla das variáveis relacionais, surgiu um modelo significativo, F(2, 543) = 36.368, p < .001, explicativo de 12% da variabilidade (R2 Ajustado = .115). A análise dos coeficientes de regressão estandardizados revelou como preditores significativos dos níveis de desejo sexual nas mulheres a satisfação com a relação obtida através do DAS-7 ( = 0.241, p < 0.001) e a duração do relacionamento ( = -0.209, p < 0.000) (cf. Quadro 5). 5.4. Variáveis cognitivas 5.4.1. Caracterização das variáveis As fantasias sexuais (durante a atividade sexual, durante a masturbação e fora do contexto sexual) podiam compreender valores entre 1 (Nunca) a 5 (Sempre). A amostra seguiu a seguinte distribuição: fantasias durante a atividade sexual (M = 3.24, DP = 1.07), fantasias durante a masturbação (M = 3.47, DP = 1.23) e fantasias fora do contexto sexual (M = 2.68, DP = 0.97). Quadro 5 Variáveis relacionais como preditoras do desejo sexual nas mulheres (n=546) Variáveis relacionais B SE B Duração do relacionamento Satisfação com a relação (DAS-7) -.003 .053 .001 .009 -.209*** .241*** Notas. * p < .05; ** p < .01; *** p < .001 32 As preocupações durante a atividade sexual (risco de gravidez não desejada, risco de doenças/infeções sexualmente transmissíveis, receio de dor ou desconforto físico) podiam compreender valores entre 1 (Nada) a 5 (Muitíssimo). A amostra seguiu a seguinte distribuição: preocupação com o risco de gravidez não desejada (M = 2.70, DP = 1.51), preocupação com o risco de doenças/infeções sexualmente transmissíveis (M = 1.78, DP = 1.24) e a preocupação com receio de dor ou desconforto físico (M = 2.04, DP = 1.23). 5.4.2. Análises de regressão múltipla Para se avaliar a capacidade preditiva das variáveis cognitivas selecionaram-se como variáveis preditoras: fantasias sexuais e preocupações durante a atividade sexual. Ambas as variáveis estavam apresentadas numa escala de likert de cinco pontos, sendo que para serem incluídas na análise foram recodificadas em variáveis dummy 3 . Da análise de regressão múltipla das variáveis cognitivas, surgiu um modelo significativo, F(6, 539) = 10.343, p < .001, explicativo de 9% da variabilidade (R2 Ajustado = .093). A análise dos coeficientes de regressão estandardizados ao nível das fantasias revelou a existência de fantasias durante a masturbação ( = .151, p = .003) e as fantasias fora do contexto sexual ( = .130, p = .002) como preditores positivos e significativos dos níveis de desejo sexual nas mulheres. Ao nível das preocupações apenas o receio com a dor ou desconforto físico ( = -.143, p = .001) foi um preditor negativo e significativo dos níveis de desejo (cf. Quadro 6). 3 Para os três itens referentes ao uso de fantasias, procedeu-se à seguinte transformação “nunca” e “poucas vezes” para o valor de 0 e o valor de 1 foi atribuído às alternativas de resposta “ocasionalmente”, “muitas vezes” e “sempre”. No caso dos três itens referentes às preocupações, o valor de 1 passou a corresponder às opções desde “alguma coisa” até “muitíssimo” e o valor de 0 foi atribuído à opção “nada”. Quadro 6 Variáveis cognitivas preditoras dos níveis de desejo sexual nas mulheres (n=546) Variáveis cognitivas B SE B Fantasias durante a atividade sexual Fantasias durante a masturbação Fantasias fora do contexto sexual Preoc: Risco de gravidez não desejada Preoc: Risco de DST’s ou IST’s Preoc: Dor ou desconforto físico .217 .412 .300 .139 .105 -.327 .140 .139 .098 .109 .108 .100 .079 .151** .130** .056 .045 -.143*** Notas. * p < .05; ** p < .01; *** p < .001 33 5.5. Variáveis contextuais 5.5.1. Caracterização das variáveis O recurso a atividades auxiliares de prazer (masturbação, fantasias/pensamentos eróticos, material erótico/pornográfico) podia compreender valores entre 0 (Não) a 1 (Sim). A amostra seguiu a seguinte distribuição: masturbação (Sim = 481, Não = 65), fantasias/pensamentos sexuais (Sim = 432, Não = 114) e material erótico/pornográfico (Sim = 123, Não = 423). Relativamente ao contexto sexual era pedido às participantes que caracterizassem o contexto em que habitualmente têm atividade sexual com o parceiro, compreendendo valores entre 0 (Nada) a 5 (Muitíssimo). A amostra seguiu a seguinte distribuição: contexto apropriado (M = 4.25, DP = 0.86), contexto com privacidade (M = 4.29, DP = 0.89), contexto erótico (M = 2.99, DP = 1.23), falta de tempo (M = 2.57, DP = 1.24), cansaço (M = 2.45, DP = 1.16) e stress (M = 2.27, DP = 1.21). 5.5.2. Análises de regressão múltipla De modo a avaliar-se a capacidade preditiva das variáveis contextuais selecionou-se como variáveis preditoras o recurso a atividades auxiliares de prazer (masturbação, fantasias ou pensamentos sexuais e material erótico/pornográfico) e características do contexto sexual (apropriado, privado, erótico, falta de tempo, cansaço e stress). Para que as variáveis das atividades auxiliares de prazer pudessem ser integradas foram transformadas em variáveis dummy 4 e feitas as análises tendo em conta a presença(1)/ausência(0). Da análise de regressão múltipla das variáveis contextuais, surgiu um modelo significativo, F(9, 536) = 8.212, p < .001, explicativo de 11% da variabilidade (R2 Ajustado = .106). A análise dos coeficientes de regressão das variáveis contextuais revelou como preditores dos níveis de desejo sexual nas mulheres a existência de um contexto erótico ( = .198, p < .001) e o recurso a fantasias e/ou pensamentos eróticos como atividades auxiliares de prazer ( = .164, p < .001) como preditores positivos; e ainda os níveis de stress ( = -.110, p = .03) como preditor negativo. O cansaço aparece ainda como variável muito próxima do limiar de significância ( = -.093, p = .066) (cf. Quadro 7). 4 Para as variáveis relativas ao contexto sexual procurou-se fazer a transformação em variável dummy segundo as seguintes opções de resposta: “nada” passou a corresponder o valor de 0 e o valor de 1 foi atribuído às restantes quatro alternativas de resposta (“alguma coisa”, “moderadamente”, “bastante” e “muitíssimo”). 34 5.6. Pistas para o envolvimento sexual 5.6.1. Caracterização das variáveis As pistas para o envolvimento sexual, acedidas através do CSDS-P, compreendiam valores entre 1 (Nada provável) a 5 (Extremamente provável). O que se pedia às participantes era que indicassem a probabilidade de cada um dos fatores a levar a desejar ter atividade sexual. A amostra seguiu a seguinte distribuição: pistas de ligação emocional (M = 40.97, DP = 7.17), pistas sensoriais/explícitas (M = 14.0, DP = 5.17), pistas de excitação (M = 19.77, DP = 3.96), pistas visuais/proximidade (M = 14.24, DP = 5.39) e pistas românticas/implícitas (M = 32.11, DP = 7.05). 5.6.2. Análises de regressão múltipla Para se avaliar a capacidade preditiva das pistas para o envolvimento sexual selecionou-se as cinco subescalas do CSDS-P, como variáveis preditoras. Da análise de regressão múltipla surgiu um modelo significativo, F(5, 540) = 20.419, p < .001, explicativo de 15% da variabilidade (R2 Ajustado = .151). Quadro 8 Pistas motivacionais como preditoras do desejo sexual nas mulheres (n=546) Pistas para o envolvimento sexual B SE B Pistas de ligação emocional (CSDS-P) Pistas sensoriais / explícitas (CSDS-P) Pistas de excitação (CSDS-P) Pistas visuais / proximidade (CSDS-P) Pistas românticas / implícitas (CSDS-P) .010 -.014 .107 -.005 .009 .007 .010 .014 .009 .008 .064 -.062 .373*** -.022 .055 Notas. * p < .05; ** p < .01; *** p < .001 Quadro 7 Variáveis contextuais como preditoras do desejo sexual nas mulheres (n=546) Variáveis contextuais B SE B Atividades auxiliares (masturbação) Atividades auxiliares (fantasias/pensamentos sexuais) Atividades auxiliares (material erótico/pornográfico) Contexto sexual apropriado Contexto com privacidade Contexto erótico Falta de tempo Cansaço Stress .267 .461 -.078 -.003 .075 .623 .082 -.254 -.269 .150 .121 .117 .800 .797 .137 .118 .138 .123 .076 .164*** -.029 .000 .007 .198*** .031 -.093 -.110* Notas. * p < .05; ** p < .01; *** p < .001 35 A análise dos coeficientes de regressão revelou as pistas de excitação ( = .373, p < .001) como preditoras dos níveis de desejo sexual nas mulheres (cf. Quadro 8), sendo que a presença de pistas de excitação (e.g., “sensação de estar molhada, lubrificada ou do parceiro com ereção”, “ter uma fantasia sexual” “pedir ou antecipar atividade sexual”) predizem valores mais elevados de desejo nas mulheres. 5.7. Modelo preditivo explicativo dos níveis de desejo sexual Para encontrarmos um modelo explicativo dos níveis de desejo sexual nas mulheres procedeu-se a uma análise de regressão múltipla, utilizando o método Enter com as variáveis preditoras significativas das análises anteriores, e o nível de desejo sexual foi introduzido na análise como variável critério. As condições médicas e a psicopatologia foram introduzidas no modelo como covariáveis. As correlações Pearson de todas as variáveis introduzidas na análise podem ser consultadas num quadro em Anexo (cf. Anexo 1). Da análise de regressão múltipla surgiu um modelo significativo, F(15, 530) = 16.527, p < 0.001, explicativo de 30% da variabilidade (R2 Ajustado = .299). Quadro 9 Modelo explicativo dos níveis de desejo sexual nas mulheres (n=546) Conjunto de variáveis significativas B SE B Condições médicas e psicopatologia Medicação antidepressiva Subescala depressão (BSI) Subescala ansiedade (BSI) Subescala somatização (BSI) Variáveis sociodemográficas Estado civil casada Coabitação Variáveis relacionais Duração do relacionamento Satisfação com a relação (DAS-7) Variáveis cognitivas Fantasias durante a masturbação Fantasias fora do contexto sexual Preocupação: Dor ou desconforto físico Variáveis contextuais Atividades auxiliares (fantasias/pensamentos sexuais) Contexto erótico Stress Pistas para o envolvimento sexual Pistas de excitação (CSDS-P) -.298 -.092 -.301 .414 -.300 -.207 -.001 .031 .208 .224 -.228 .157 .277 -.122 .062 .131 .080 .108 .101 .168 .116 .001 .009 .113 .088 .086 .113 .120 .095 .012 -.084* -.061 -.163** .197*** -.096 -.084 -.062 .141*** .076 .097* -.099** .056 .088* -.050 .215*** Notas. * p < .05; ** p < .01; *** p < .001 36 A análise dos coeficientes de regressão revelou um total de oito variáveis como preditores significativos dos níveis de desejo sexual nas mulheres (cf. Quadro 9). Como fatores protetores dos níveis de desejo sexual temos a presença de pistas de excitação como pistas para o envolvimento sexual ( = .215, p < .001), a satisfação com a relação obtida através do DAS-7 ( = .141, p < .001), a existência de fantasias fora do contexto sexual ( = .097, p = .011) e a existência de um contexto erótico ( = .088, p = .022). Como fator de vulnerabilidade do desejo temos apenas a preocupação com receio de dor ou desconforto físico ( = -.099, p = .009). Não devemos ainda negligenciar variáveis como as fantasias durante a masturbação ( = .076, p = .065), o estado civil de casada ( = -.096, p = .074) e a coabitação ( = - .084, p = .076) que apesar de não serem variáveis significativas, apresentam valores nos limiares da significância. Outro aspeto importante é a psicopatologia e a toma de medicação antidepressiva (condição médica) que no conjunto do modelo apresentam-se como variáveis significativas e preditoras dos níveis de desejo sexual nas mulheres, nomeadamente a toma de medicação antidepressiva ( = -.084, p = .023), a subescala de ansiedade ( = -.163, p = .005) e a subescala de somatização ( = .197, p < .001). 37 6. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS O objetivo do presente estudo passava pelo aprofundar e melhor compreender quais as variáveis preditoras dos níveis de desejo sexual e explorar a relação do desejo com a motivação sexual ou com as pistas para o envolvimento sexual numa amostra de mulheres portuguesas heterossexuais e pré-menopáusicas. Os resultados encontrados relativos às condições médicas e psicopatologia apontaram para uma influência da medicação antidepressiva ( = -.170, p < .001) e da presença de depressão ( = -.166, p = .007), ansiedade ( = -.159, p = .019) e somatização ( = .187, p = .001) nos níveis de desejo sexual das mulheres. Todos estes resultados eram esperados tendo em conta a revisão da literatura em que estes aspetos são apresentados como preditores negativos do desejo (Fabre & Smith, 2012; Michelson & Bancroft, 2000; Minnen & Kampman, 2000). Nenhuma das condições médicas se revelou como preditor significativo, podendo ser explicado pela caracterização da amostra como sendo maioritariamente saudável. Um resultado inesperado foi a subescala de somatização aparecer como preditor significativo mas com valores positivos, o que vai contra a literatura existente em que a somatização é considerada um preditor negativo do desejo (Carvalho & Nobre, 2010a). É ainda de salientar que a correlação entre a escala de somatização e os níveis de desejo é negativa e não significativa (r = -.008, ns) passando depois a uma predição positiva e significativa quando controlados os efeitos da depressão, ansiedade e da toma de medicação antidepressiva. Alguns dos itens que ilustram a dimensão da somatização são “Calafrios, arrepios ou afrontamentos”, “Sensação de anestesia ou de formigueiro no corpo”, “Sentir falta de forças em partes do corpo”. Como explicação possível a este resultado podemos inferir que as mulheres da nossa amostra poderão ser pessoas mais atentas ao seu corpo, em que a maior consciência corporal também as torna mais suscetíveis às sensações físicas do desejo ou da excitação sexual. Os resultados suportam a hipótese formulada para o presente estudo, em que a toma de medicação antidepressiva e a presença de psicopatologia são preditores negativos dos níveis de desejo sexual nas mulheres. Ao nível das variáveis sociodemográficas encontramos alguns dados expectáveis como o estado civil de casada ( = -.246, p < .001) e a coabitação ( = -.132, p = .035) como preditores negativos do desejo. A idade, habitualmente apontada como preditor negativo do desejo sexual e as habilitações literárias, normalmente sugerida como preditor positivo, não se evidenciam como preditores significativos no nosso estudo (e.g. 38 Baumeister, 2004; Carvalho & Nobre, 2010a; Trudel, 2002). Este resultado pode ser explicado pela média de idade da amostra a rondar os 26 anos e a maioria ter como nível de educação uma Licenciatura (44.1%) ou o Ensino Secundário (26.9%), sendo maioritariamente jovem e letrada. Estes resultados suportam a hipótese de que o estado civil de casada ou estar em coabitação com o parceiro são preditores de baixos níveis de desejo sexual nas mulheres. Tanto a duração do relacionamento ( = -.209, p < .001) como a satisfação com a relação ( = .241, p < .001), se mostraram preditores significativos. Ambos os resultados encontrados vão de encontro á literatura existente. Há um claro consenso na literatura que os níveis de desejo tendem a diminuir com o avanço do relacionamento. No início do relacionamento os níveis de desejo sexual tendem a ser elevados (Levine, 2003) caminhando com o avanço do relacionamento para uma redução do desejo sexual nas mulheres (Everaerd, & Laan, 1995; Klusmann, 2002; Murray & Milhausen, 2012). A satisfação com o relacionamento por sua vez tem uma relação positiva com o desejo, em que maiores níveis de satisfação com a relação repercutem-se em valores mais elevados de desejo sexual nas mulheres e vice-versa (Regan, 1998; Trudel, Villeneuve, Préville, Boyer & Fréchette, 2010; Vilarinho, 2010). Estes resultados corroboram a hipótese levantada, sendo que com o avanço da duração do relacionamento os níveis de desejo sexual tendem a diminuir nas mulheres. Por outro lado, uma maior satisfação com a relação prediz valores mais elevados de desejo. Quando analisamos os resultados das variáveis cognitivas em estudo averiguamos que a existência de fantasias durante a masturbação ( = .151, p = .003) e fora do contexto sexual ( = .130, p = .002) são bons preditores de maiores níveis de desejo sexual nas mulheres, tal como já indicado em estudos anteriores (Basson, 2001a, 2005; Jones & Barlow, 1990). Estes resultados reforçam o papel das fantasias no desejo sexual, levandonos a uma pequena reflexão sobre o conceito de desejo. Para Rosemary Basson (2002) o desejo sexual é conceptualizado como a experiência de pensamentos, fantasias e necessidade/interesse de envolvimento em atividade sexual. Também Levine (1987, 2003) ao conceptualizar o desejo fala-nos em três componentes que compõe este conceito, de entre elas, fala-nos do impulso sexual, a componente mais biológica do desejo e que é manifestado por uma resposta de excitação fisiológica, por fantasias e sonhos eróticos, e na procura de atividade sexual ou masturbação. Todavia Lori Brotto (2010) salienta que a falta de fantasias ou pensamentos eróticos pode ser entendido como algo normativo na maioria das mulheres e que têm mais relevância nos homens, em comparação com as 39 mulheres. Ao nível das preocupações, o receio de dor ou desconforto físico ( = -.143, p = .001) experienciado no momento da atividade sexual é apontado como preditor negativo nos níveis de desejo sexual, o que seria igualmente de esperar e que foi já apontado em outros estudos (e.g. Bancroft, Loftus & Long, 2003; Basson, 2001a; Payne, Binik, Amsel, Khalife, 2005; Vilarinho, 2010). Estes resultados atestam em parte a hipótese levantada, sendo que a presença de fantasias durante a masturbação e fora do contexto sexual, enquanto fantasias espontâneas, parecem predizer valores elevados de desejo sexual. Por outro lado o receio com a dor ou desconforto físico quando as mulheres têm relações sexuais com os seus parceiros, tal como seria de esperar, prediz menores valores de desejo sexual nas mulheres. Algo novo e pouco estudado são o recurso a atividades auxiliares de prazer e as características do contexto sexual. Os resultados apontam o recurso a fantasias ou pensamentos eróticos como atividades auxiliares de prazer ( = .164, p < .001) e a existência de um contexto erótico ( = .198, p < .001) como preditores significativos e positivos dos níveis de desejo sexual nas mulheres. Estes resultados salientam a importância das fantasias e do erotismo nos níveis de desejo sexual nas mulheres, constituindo como um forte recurso mental usado para focarem e aumentarem os estímulos eróticos (Basson, 2001a, 2005; Vilarinho, 2010). A presença de stress no contexto sexual é apontado como um preditor negativo ( = -.110, p = .03), sendo que a existência de stress diminuí os níveis de desejo nas mulheres, tal como indicam outros estudos que se focam no impacto do distress no desejo sexual (Bancroft, Loftus & Long, 2003; Basson, 2005; Levine, 2002; Stephenson & Meston, 2012). Os resultados atestam em parte a hipótese formulada, encontrando-se apenas três preditores significativos nos níveis de desejo sexual nas mulheres. Para finalizar o conjunto de variáveis temos as pistas para o envolvimento sexual. É escassa a literatura que se interessa pelo estudo da motivação sexual, havendo alguns autores a debruçarem-se sobre os motivos para o envolvimento ou afastamento da atividade sexual (e.g., Hill & Preston, 1996; Leigh, 1989; Patrick, Maggs, Cooper & Lee, 2011) e há ainda algum interesse da comunidade científica em estudar quais os motivos que predizem níveis mais elevados de satisfação sexual já que as duas variáveis parecem estar correlacionadas (Stephenson, Ahrold & Meston, 2011). Curiosamente, apenas as pistas de excitação foram apontadas como um forte preditor significativo no desejo ( = .373, p < .001), revelando-se as restantes pistas com valores não significativos, atestando em parte a hipótese formulada. 40 Este resultado remete para a importância que as mulheres dão á componente erótica e de excitação, e não tanto à componente mais romântica e de ligação emocional que inúmeras vezes lhe é apontada na literatura (Hatfield, Luckhurst & Rapson, 2010; Meston, Hamilton & Harte, 2009; Regan & Berscheid, 1995). Para as mulheres a existência de pistas excitatórias como “Ter uma fantasia sexual”, “Pedir ou antecipar atividade sexual” resultam em níveis mais elevados de desejo do que pistas de índole mais romântica “Ter um jantar romântico com o parceiro”, “Tocar no rosto ou no cabelo do parceiro” ou mesmo do que pistas de ligação emocional “O parceiro faz alguma coisa especial ou amorosa”, “Sentir o parceiro comprometido”. Uma possível explicação da forte influência das pistas de excitação contrariamente a pistas mais românticas ou de ligação emocional será a idade média da amostra do presente estudo, que é maioritariamente jovem. A literatura aponta uma maior evidência de pistas românticas ou de ligação emocional em mulheres mais velhas, quando comparadas com mulheres mais jovens (Klusmann, 2002; Meston, Hamilton & Harte, 2009). Estes resultados constatam-se efetivamente nas frequências das pistas para o envolvimento sexual na amostra do presente estudo, mas quando analisamos a capacidade preditiva de todas as pistas, salienta-se o poder das pistas de excitação em predizer níveis superiores de desejo sexual. Quando inserimos todas estas variáveis significativas de modo a encontrarmos um modelo explicativo dos melhores preditores dos níveis de desejo sexual, encontramos sobretudo fatores de proteção para a manutenção ou aumento dos níveis de desejo sexual como as pistas de excitação para o envolvimento sexual ( = .215, p < .001), a satisfação com a relação ( = .141, p < .001), a existência de fantasias fora do contexto sexual ( = .097, p = .011) e a existência de um contexto erótico ( = .088, p = .022). Ao invés, como fator de vulnerabilidade do desejo temos apenas a preocupação com receio de dor ou desconforto físico ( = -.099, p = .009). As pistas de excitação tornam-se no conjunto do modelo o melhor preditor dos níveis de desejo sexual, salientando a forte relação entre motivação sexual e o desejo. Não podemos contudo descurar que a subescala de somatização ( = .197, p < .001), a subescala da ansiedade ( = -.163, p = .005) e a medicação antidepressiva ( = -.084, p = .023) resultam em preditores significativos dos níveis de desejo nas mulheres. Algumas destas variáveis, senão todas, podem ser trabalhadas na prática clínica através de estratégias focadas no prazer, foco no momento, potenciar o lado erótico em cada mulher e dota-las para um maior conhecimento e domínio sobre a sua sexualidade. O 47 Beck, J. G., Bozman, A. W., Qualtrough, T. N. (1991). The experience of sexual desire: psychological correlates in a college sample. The Journal of Sex Research, 28(3), 443-456. Boul, L., Hallam-Jones, R., & Wylie, K. R. (2008). Sexual Pleasure and Motivation. Journal of Sex & Marital Therapy, 35(1), 25-39. doi:10.1080/00926230802525620. Brezsnyak, M., & Whisman, M. A., (2004). Sexual Desire and Relationship Functioning: The effects of Marital Satisfaction and Power. 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Correlações Pearson das variáveis incluídas no modelo explicativo dos níveis de desejo sexual nas mulheres (n = 546) 56 Quadro 10 Correlações Pearson das variáveis incluídas no modelo explicativo dos níveis de desejo sexual nas mulheres (n = 546) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 1 1                2 -.171*** 1               3 -.176*** .147*** 1              4 -.156*** .170*** .722*** 1             5 -.008 .113** .556*** .652*** 1            6 -.259*** .103* .000 .003 .003 1           7 -.215*** .151*** .038 .027 .030 .585*** 1          8 -.248*** .144*** .035 .013 .026 .701*** .561*** 1         9 .275*** -.105* -.219*** -.149*** -.113** -.100* -.018 -.161*** 1        10 .242*** -.059 -.073 -.030 -.036 -.101* -.047 -.081 .112** 1       11 .192*** -.040 .027 .051 .035 -.042 -.038 -.026 -.019 .204*** 1      12 -.151*** .010 .153*** .124** .157*** -.040 -.130** -.62 -.055 -.110** -.083 1     13 .204*** .036 -.009 .025 .019 -.060 -.038 -.020 .139*** .295*** .171*** -.058 1    14 .242*** -.045 -.104* -.104* -.044 -.020 -.033 -.028 .162*** .228*** .123*** -.092* .190*** 1   15 -.156*** .125** .199*** .220*** .150*** .146*** .218*** .191*** -.196*** .060 .078 .111** .052 -.032 1  16 .384*** -.050 -.105* -.054 -.047 -.173*** -.096* -.139*** .199*** .321*** .214*** -.151*** .257*** .273*** - .051 1 Notas. * p < .05; ** p < .01; *** p < .001 1 = Níveis de desejo sexual (subescala FSFI); 2 = Medicação antidepressiva; 3 = Subescala depressão (BSI); 4 = Subescala ansiedade (BSI); 5 = Subescala somatização (BSI); 6 = Estado civil casada; 7 = Coabitação (Sim); 8 = Duração do relacionamento; 9 = Satisfação com a relação (DAS-7); 10 = Fantasias durante a masturbação; 11 = Fantasias fora do contexto sexual; 12 = Preocupação: Dor ou desconforto físico; 13 = Atividades auxiliares (fantasias/pensamentos sexuais); 14 = Contexto erótico; 15 = Stress; 16 = Pistas de excitação sexual (CSDS-P) 63 I. DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS 1. Idade: _____ 2. Profissão: _______________________ 3. Habilitações literárias: 4ª Classe  6º Ano  9º Ano  12º Ano  Licenciatura  Mestrado  Doutoramento  4. Estado civil: Solteira  Casada  Divorciada  União de Facto  Viúva  Separada  5. Zona de residência: Rural  Urbana  6. Nacionalidade: Portuguesa  Outra (Especifique qual) ______________ II. HISTÓRIA MÉDICA 1. Por favor indique se alguma vez teve problemas ou se apresenta atualmente queixas nas seguintes áreas: 1. Tensão arterial elevada/baixa  7. AVC  13. Problemas na coluna  2. Diabetes  8. Problemas sanguíneos  14. Doenças venéreas  3. Problemas cardíacos  9. Cancro  15. Abuso de álcool  4. Doença neurológica  10. Ansiedade  16. Abuso de drogas  5. Problemas ginecológicos  11. Depressão  17. Outro : ____________________ 6. Endometriose  12. Problemas urológicos  2. A seguir encontra-se uma lista de problemas ou sintomas que por vezes as pessoas apresentam. Assinale para cada sintoma, aquele que melhor descreve o grau em que cada problema a afetou durante a última semana: Nunca Poucas vezes Algumas vezes Muitas vezes Muitíssimas vezes 1. Nervosismo ou tensão interior 0 1 2 3 4 2. Desmaios ou tonturas 0 1 2 3 4 3. Dores sobre o coração ou no peito 0 1 2 3 4 4. Pensamentos de acabar com a vida 0 1 2 3 4 5. Ter medo subitamente sem ter motivo para isso 0 1 2 3 4 6. Sentir-se sozinho 0 1 2 3 4 7. Sentir-se triste 0 1 2 3 4 8. Não ter interesse por nada 0 1 2 3 4 9. Sentir-se atemorizado 0 1 2 3 4 10. Vontade de vomitar ou mal-estar 0 1 2 3 4 11. Sensação de que lhe falta o ar 0 1 2 3 4 12. Calafrios, arrepios ou afrontamentos 0 1 2 3 4 13. Sensação de anestesia ou de formigueiro no corpo 0 1 2 3 4 64 14. Sentir-se sem esperança em relação ao futuro 0 1 2 3 4 15. Sentir falta de forças em partes do corpo 0 1 2 3 4 16. Sentir em estado de tensão ou aflição 0 1 2 3 4 17. Ter ataques de terror ou pânico 0 1 2 3 4 18. Sentir-se tão inquieto que não se pode sentar ou estar parado 0 1 2 3 4 19. Sentir que não tem valor 0 1 2 3 4 3. Por favor indique se toma ou tomou recentemente algum dos seguintes medicamentos: 3.1. Anti-hipertensores  3.2. Antidepressivos  3.3. Antipsicóticos  4. Fase do Climatério: 4.1. Pré-menopausa (tem menstruações regulares)  4.2. Peri-menopausa (tem menstruações irregulares e intercaladas; não menstrua há 2 meses ou mais, até 12 meses)  4.3. Pós-menopausa (não menstrua há 12 meses ou mais)  III. RELIGIÃO 1. Professa alguma religião? Sim  Não  (Avance para a secção IV do questionário) 1.1. Se sim, qual? __________________ 1.2. Qual o grau de crença na sua religião? Muito pouco 1 2 3 4 5 6 7 Muitíssimo 1.3. Qual o grau em que se considera ser praticante? Muito pouco 1 2 3 4 5 6 7 Muitíssimo IV. QUESTÕES RELACIONAIS 1. Parceiro sexual atual com o qual mantém uma relação (indique o que melhor se aplica) Namorada  Namorado  Mulher  Marido  2. Idade do/a companheiro/a: ____ anos 3. Profissão do/a companheiro/a: _______________________________ 4. Habilitações literárias do/a companheiro/a: 4ª Classe  6º Ano  9º Ano  12º Ano  Licenciatura  Mestrado  Doutoramento  5. Há quanto tempo dura a relação que mantém com um/a companheiro/a? (por favor, especifique duração em meses) _____ANOS _____MESES 6. Vive com um/a companheiro/a? Sim  Não  (Avance para a pergunta 7) 65 6.1. Há quanto tempo dura a coabitação? (por favor, especifique a duração em meses) _____ANOS _____MESES 6.2. Partilha as tarefas domésticas? Sim  Não  (Avance para a pergunta 7) 6.3. Qual a sua % de dedicação às tarefas domésticas 0%  10%  20%  30%  40%  50%  60%  70%  80%  90%  100%  6.4. Está satisfeito/a com a partilha das tarefas domésticas? Sim  Não  7. Tem filhos? Sim  Não  (Avance para a pergunta 8) 7.1. Se sim, número de filhos: _____ 8. A maioria das pessoas tem discordâncias nos seus relacionamentos. Por favor, para cada um dos itens da seguinte lista indique o grau aproximado de concordância ou discordância entre si e a/o sua/seu parceira/o: Concordo sempre Concordo quase sempre Discordo ocasionalmente Discordo frequentemente Discordo quase sempre Discordo sempre 1. Filosofia de vida 5 4 3 2 1 0 2. Aspirações, objetivos e assuntos considerados importantes 5 4 3 2 1 0 3. Tempo passado em conjunto 5 4 3 2 1 0 9. Com que frequência diria que as seguintes situações ocorrem entre si e a/o sua/seu parceira/o: Nunca Menos de uma vez/mês Uma ou duas vezes/mês Uma duas vezes/semana Uma vez por dia Mais de uma vez por dia 4. Ter uma estimulante troca de ideias 0 1 2 3 4 5 5. Discutir calmamente um assunto 0 1 2 3 4 5 6. Trabalhar em conjunto num projeto 0 1 2 3 4 5 10. O ponto “feliz” representa o grau de felicidade da maioria das relações. Por favor selecione a resposta que melhor descreve o grau de felicidade, considerando todas as componentes da vossa relação. 0 1 2 3 4 5 6 Extremamente infeliz Razoavelmente infeliz Ligeiramente infeliz Feliz Muito feliz Extremamente feliz Perfeito 66 11. Em geral, como descreveria a sua satisfação global da relação com o/a seu/sua companheiro/a? Para cada par de palavras abaixo, assinale o número que melhor descreve a sua relação como um todo. V. COMPORTAMENTOS SEXUAIS 1. Com que frequência se envolve em atividade sexual com o seu parceiro? Menos de 1 vez por ano  Menos de 1 vez por mês  Entre 1 a 3 vezes por mês  Entre 1 a 2 vezes por semana  Entre 3 a 5 vezes por semana  Todos ou quase todos os dias  Mais do que 1 vez por dia  2. Está satisfeita com essa frequência? Sim  Não  Se não, qual seria para si a frequência ideal de atividade sexual? ______________ 3. Qual o número de parceiros sexuais que teve ao longo da vida? _______ 4. Além do/a atual parceiro/a, tem mais algum/a parceiro/a sexual? Sim  Não  4.1. Se sim, quanto/as? _____ 5. Como definiria a sua orientação ou preferência sexual? Exclusivamente homossexual 1 2 3 4 5 6 7 Exclusivamente heterossexual 6. Alguma vez teve uma experiência sexual não desejada? Sim  Não  (Avance para a pergunta 7) 6.1. Se sim, em que fase(s) do seu desenvolvimento?  Criança  Adolescente  Jovem Adulto  Meia-Idade  Terceira Idade 6.2. Atualmente tem sido incomodada com situações tais como pensamentos ou sonhos acerca do acontecimento, ou sente mal-estar quando vê ou ouve algo que a faz lembrar o acontecimento? Sim  Não  7. Alguma vez se envolveu em atividade que o pusesse em risco de contrair SIDA? Sim  Não  Se sim, por favor explique ________________________________________________ Muito boa 7 6 5 4 3 2 1 Muito má Muito agradável 7 6 5 4 3 2 1 Muito desagradável Muito positiva 7 6 5 4 3 2 1 Muito negativa Muito satisfatória 7 6 5 4 3 2 1 Muito insatisfatória Muito importante 7 6 5 4 3 2 1 Muito irrelevante 67 8. Habitualmente, nas suas experiências sexuais com o seu parceiro, estão ou não incluídas as atividades auxiliares seguintes: Sim Não a) Masturbação b) Fantasias ou pensamentos sexuais c) Material erótico/pornográfico (revistas, vídeos, internet) d) Recurso a roupas exóticas e) Recurso a outros auxiliares de prazer (ex., vibradores, cremes exóticos, preservativos com sabor, etc.) f) Outra(s) atividade(s). Qual/ais: __________________________ 9. Seguidamente encontram-se listadas algumas afirmações relativas a fantasias sexuais ou pensamentos acerca de sexo: Sempre Muitas vezes Ocasionalmente Poucas vezes Nunca a) Durante a atividade sexual vêem-me à cabeça fantasias ou pensamentos sexuais b) Durante a masturbação vêem-me à cabeça fantasias ou pensamentos sexuais c) O meu envolvimento na atividade sexual aumenta com as minhas fantasias ou pensamentos sexuais d) O meu prazer aumenta com as minhas fantasias ou pensamentos sexuais e) No meu dia-a-dia, fora do contexto sexual, vêem-me à cabeça fantasias ou pensamentos sexuais 10. Em que medida as seguintes circunstâncias caracterizam o contexto em que habitualmente tem relações sexuais com o seu parceiro: Muitíssimo Bastante Moderadamente Alguma coisa Nada a) Contexto apropriado b) Contexto com privacidade c) Contexto erótico d) Horário adequado e) Falta de tempo f) Cansaço g) Stress h) Preocupações 68 11. Normalmente, quando tem relações sexuais com o seu parceiro, em que medida se preocupa com as seguintes situações: Muitíssimo Bastante Moderadamente Alguma coisa Nada a) Risco de gravidez não desejada b) Risco de doenças sexualmente transmissíveis c) Receio de dor ou desconforto físico d) Medo de perder o controlo e) Medo de ser abandonada e/ou rejeitada f) Medo de ser abusada física e/ou emocionalmente g) Outro(s)? Por favor, descreva: VI. DESEJO SEXUAL 1. Habitualmente quem inicia a atividade sexual? Eu  | O/a meu/minha companheiro/a  | Ambo/as  2. Considerando a maioria dos encontros sexuais, qual a % de vezes em que inicia a atividade sexual? 0%  10%  20%  30%  40%  50%  60%  70%  80%  90%  100%  3. Quando a atividade sexual é iniciada pelo/a seu /sua companheiro/a, habitualmente é responsiva, isto é, fica recetiva e responde sexualmente? Sim  Não  (Avance para a pergunta 4) 3.1. Se sim, considerando a maioria dos encontros sexuais, qual a % de vezes em que fica recetiva à atividade sexual? 0%  10%  20%  30%  40%  50%  60%  70%  80%  90%  100%  4. Das situações seguintes, assinale a frequência com que cada uma delas descreve o seu desejo sexual no início da atividade sexual % de vezes em que isso acontece 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 1. Ao iniciar a atividade sexual, sinto desejo (espontâneo) 2. Ao iniciar a atividade sexual, não sinto desejo (espontâneo) mas o desejo surge e/ou aumenta no decorrer do encontro sexual 3. Ao iniciar a atividade sexual, não sinto desejo (espontâneo) e o desejo não surge e/ou não aumenta no decorrer do encontro sexual 69 5. Se o seu desejo não existe ou não surge espontaneamente ao iniciar a atividade sexual (opções 2 e 3 anteriores da pergunta 4), habitualmente faz/acontece alguma coisa que modifique a situação (no sentido de aumentar o desejo sexual)? Sim  Não  (Avance para a pergunta 6) 5.1. Se respondeu sim, assinale a/s situação/ões que se aplica/m a si e indique se conduz/em ou não ao aumento do desejo sexual Aumenta o desejo Nunca Raramente A maioria das vezes Sempre 1. Estimulação ou carícias por parte do parceiro/a 2. Autoacaricias ou masturbação 3. Recurso a fantasias ou pensamentos sexuais 4. Recurso a auxiliares de prazer como vibradores 5. Recurso a material erótico como vídeos, revistas ou outros 6. Prestar atenção ao prazer do/a parceiro/a 7. Prestar atenção ao que o/a parceiro/a está a fazer (comportamentos sexuais, toques, carícias, etc.) 6. Por favor indique a probabilidade de cada um dos factores a levar a desejar ter atividade sexual: Nada provável Pouco provável Moderadamente provável Muito provável Extremamente provável Ter um sentimento de amor pelo parceiro Ter um sentimento de segurança na relação Sentir apoio e suporte do parceiro O parceiro faz alguma coisa especial ou amorosa Sentir o parceiro comprometido O parceiro mostra interesse em saber de si Falar do futuro com o parceiro Sentir-se protegida pelo parceiro Sentir proximidade emocional com o parceiro 70 Nada provável Pouco provável Moderadamente provável Muito provável Extremamente provável Sentir-se protetora do parceiro Ver um filme erótico Ler sobre atividade sexual (por exemplo, revistas) Observar ou ouvir outras pessoas a terem sexo Conversar sobre sexo Ver um striptease Sensação de estar “molhada”, lubrificada ou do parceiro com ereção Pedir ou antecipar atividade sexual Ouvir o parceiro dizer-lhe que tem fantasias consigo Ter uma fantasia sexual (a dormir ou acordada) Perceber sensações genitais (de calor ou “molhada”) Ver alguém bem vestido ou “com classe” Ver ou falar com alguém poderoso Estar próxima de pessoas atraentes Ver ou falar com alguém famoso Ver um corpo bem tonificado Ver ou falar com alguém rico Observar alguém a praticar uma atividade física Ver alguém agir com confiança Ver ou falar com alguém inteligente Flirtar com alguém ou alguém flirtar consigo Segredar ao ouvido do parceiro ou vice-versa Dançar agarrada 71 VII. DESEJABILIDADE SOCIAL Encontram-se abaixo listadas um conjunto de afirmações que se referem a traços a atitudes pessoais. Para cada um dos itens, decida se, para si, essa afirmação é Verdadeira (V) ou Falsa (F) V F 1. Por vezes, quando não consigo aquilo que quero, fico com ressentimentos 2. Em algumas ocasiões, deixei de fazer determinadas coisas por pensar que não tinha capacidade para isso 3. Houve alturas em que senti vontade de me revoltar contra as pessoas com mais autoridade do que eu, apesar de saber que as mesmas estavam certas 4. Ouço sempre com atenção os outros, independentemente de com quem estou a falar 5. Lembro-me de ocasiões em que fingi estar doente para obter algo que queria 6. Houve ocasiões em que me aproveitei dos outros 7. Quando cometo um erro, estou sempre disposto a admiti-lo 8. Por vezes, tento vingar-me, em vez de perdoar e esquecer 9. Sou sempre simpático, mesmo para as pessoas que são desagradáveis 10. Nunca me aborreci quando as pessoas expressavam ideias muito diferentes das minhas 11. Houve alturas em que tive bastante inveja da boa sorte dos outros 12. Por vezes, sinto-me irritado quando as pessoas me pedem favores 13. Nunca disse nada de forma deliberada para magoar os sentimentos de outra pessoa Nada provável Pouco provável Moderadamente provável Muito provável Extremamente provável Assistir ao pôr-do-sol Ter um jantar romântico com o parceiro Ver um filme romântico Estar numa sauna Tocar no rosto ou no cabelo do parceiro Dar ou receber uma massagem Rir com um parceiro romântico Sentir determinados cheiros (perfumes, aftershaves…) 72 VIII. AUTO-ESTIMA SEXUAL As afirmações abaixo listadas descrevem determinadas atitudes que diferentes pessoas podem ter face à sexualidade humana. Não existem respostas certas nem erradas, apenas respostas pessoais. Para cada item, é-lhe pedido que indique o seu grau de concordância com cada resposta Concordo Concordo ligeiramente Não concordo nem discordo Discordo ligeiramente Discordo 1. Sou uma boa parceira sexual 2. Classifico a minha competência sexual como muito elevada 3. Sou melhor em sexo do que a maioria das pessoas 4. Por vezes tenho dúvidas acerca da minha competência sexual 5. Não me sinto muito confiante nos encontros sexuais 6. Penso em mim como sendo uma parceira sexual muito boa 7. Como parceira sexual classificar-me-ia de forma baixa 8. Tenho confiança em mim como parceira sexual 9. Não tenho muita confiança nas minhas competências sexuais 10. Por vezes duvido da minha competência sexual IX. SATISFAÇÃO SEXUAL Na globalidade, como descreveria a relação sexual com o/a seu/sua companheiro/a? Para cada par de palavras abaixo, assinale o número que melhor descreve a vossa relação sexual como um todo X. ÍNDICE DE FUNCIONAMENTO SEXUAL FEMININO Assinale a resposta que mais se adequa à sua situação, tendo em conta as últimas quatro semanas 1. Com que frequência sentiu desejo ou interesse sexual? Quase sempre/Sempre A maior parte das vezes (mais de metade das vezes) Algumas vezes (cerca de metade das vezes) Poucas vezes (menos de metade das vezes) Quase nunca/Nunca 2. Como classifica o seu nível de desejo ou interesse sexual? Muito Elevado Elevado Moderado Baixo Muito baixo/Nenhum Muito boa 7 6 5 4 3 2 1 Muito má Muito agradável 7 6 5 4 3 2 1 Muito desagradável Muito positiva 7 6 5 4 3 2 1 Muito negativa Muito satisfatória 7 6 5 4 3 2 1 Muito insatisfatória Muito importante 7 6 5 4 3 2 1 Muito irrelevante