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A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão

Filipa Raquel Namora Sousa

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Mestrado em Ciências da Comunicação Variante de Comunicação Política Filipa Raquel Namora Sousa A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão PORTO, 2011 Filipa Raquel Namora Sousa A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Ciências da Comunicação, Variante de Comunicação Política Orientador: Prof. Doutor Milan Rados Radenovic PORTO, 2011 A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto ii AGRADECIMENTOS A realização desta dissertação só foi possível graças ao contributo inestimável de várias pessoas que, em diferentes fases do processo, directa ou indirectamente, apoiaram e seguiram de perto esta jornada de aprendizagem e de estudo. Um agradecimento especial ao meu orientador, o Professor Doutor Milan Rados, que me guiou, passo-a-passo, nas etapas desta investigação, mostrando-se sempre disponível para ouvir as minhas dúvidas e para me aconselhar. Agradeço-lhe, acima de tudo, pelas críticas construtivas que permitiram o melhoramento do conteúdo da dissertação. Ao politólogo André Freire agradeço a longa conversa telefónica que me ajudou a marcar o passo da investigação e que me fez chegar à fala com Marina Costa Lobo, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, a quem estou grata pela disponibilização dos dados da sua investigação. Estou igualmente grata a dois dos meus professores de licenciatura: ao jornalista João Paulo Meneses, por me ter levado a aceitar o desafio de prosseguir os estudos e por me mostrar que na política nem tudo é preto e branco; e ao mestre Paulo Furtado, pelas palavras prontas de encorajamento com que me brindou ao longo dos anos em que fui sua aluna e ainda agora. Ao Rui Pereira Santos, jornalista, colega e amigo, agradeço pela paciência e por me ter aberto as portas para o admirável mundo da política. Aos meus pais, por tudo! A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto iii RESUMO A possibilidade de conhecer os efeitos dos meios de comunicação social no sentido de voto dos eleitores tem fascinado investigadores das áreas da Ciência Política e da Comunicação. A formulação do conceito de identificação partidária diminuiu o papel dos média no sentido de voto, mas por pouco tempo. Com a crescente volatilidade eleitoral, resultado de um decréscimo no número de eleitores leais a partidos políticos, os meios de comunicação voltam a ser considerados uns dos principais agentes de influência na direcção de voto dos eleitores. Porém, a identificação partidária continua viva. Esta dissertação tem como objectivo descobrir se a identificação partidária per se é capaz de condicionar a frequência de exposição dos eleitores aos meios de comunicação social; se diferentes graus de identificação partidária condicionam de igual forma; e, ainda, se a própria acção da identificação é influenciada por variáveis sócio-demográficas. Para levar a cabo este estudo, procedeu-se à aplicação de um método de investigação quantitativo. Os dados analisados foram recolhidos e cedidos por uma instituição académica. As conclusões apontam para a existência do condicionamento da frequência de exposição, mas apenas para meios de comunicação social específicos. Concluiu-se também que a intensidade da identificação partidária e as variáveis sócio-demográficas condicionam apenas a exposição a alguns meios. Palavras-chave: Comunicação Política; Ciência Política; Comunicação Social; efeitos dos meios de comunicação social; identificação partidária; lealdade partidária; sentido de voto; eleições legislativas de 2009; A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto iv ABSTRACT The possibility of knowing the effects of media on the voting intention of voters has fascinated researchers in the areas of Political Science and Communication. The formulation of the concept of party identification reduced the role of media in voting intentions, but not for long. With the growing electoral volatility, the result of a decrease in the number of voters loyal to political parties, the media are once again considered one of the main agents of influence in the direction of voting. However, party identification is still alive. This dissertation aims to find out if party identification per se is capable of affecting the frequency of exposure of voters to the media; whether different levels of party identification condition in the same way; and also if the identification itself is influenced by socio-demographic variables. To carry out this study, a quantitative research method was applied. The data were collected and provided by an academic institution. The findings point to the existence of conditioning in the frequency of exposure, but only to specific media. It was also concluded that the intensity of party identification and socio-demographic variables affect only the exposure to some media. Keywords: Political Communication; Political Science; Social Communication, the effects of Media; party identification; party loyalty; voting behavior; 2009 parliamentary elections. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto v LISTA DE SIGLAS BE Bloco de Esquerda CDU Coligação Democrática Unitária CDS-PP Centro Democrático Social - Partido Popular CNE Comissão Nacional de Eleições FCG Fundação Calouste Gulbenkian FCT Fundação para a Ciência e Tecnologia FLAD Fundação Luso-Americana ICS Instituto de Ciências Sociais (da Universidade de Lisboa) LGBT Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais (e Transgéneros) MEP Movimento Esperança Portugal MMS Movimento Mérito e Sociedade MPT Movimento Partido da Terra PCP Partido Comunista Português PCTP-MRPP Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses - Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado PEV Partido Ecologista "Os Verdes" PS Partido Socialista PPM Partido Popular Monárquico PPD-PSD Partido Popular Democrático – Partido Social Democrata STAPE Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 1 ÍNDICE CAPÍTULO I Introdução ............................................................................................................................ 4 CAPÍTULO II A Comunicação .................................................................................................................... 8 2.1 Comunicação Social: Conceitos e Funções ................................................................. 9 2.1.1 Meios de Comunicação Social: Teorias, influência e efeitos ................................ 10 2.2 Comunicação Política ................................................................................................. 15 CAPÍTULO III Eleições e Modelos de Comportamento Eleitoral ........................................................... 18 3.1 Modelos de Comportamento Eleitoral ...................................................................... 20 3.1.1 Modelo Sociológico ............................................................................................... 21 3.1.2 Modelo da Teoria das Novas Clivagens ................................................................ 22 3.1.3 Modelo Sócio-psicológico (ou Psicossociológico) ................................................ 23 3.1.4 Modelo Económico ou Modelo da Escolha Racional ............................................ 25 3.1.5 Modelo de Newman ............................................................................................... 26 CAPÍTULO IV Meios de Comunicação e Comportamento Eleitoral: Relação, Influência e Efeitos ... 30 CAPÍTULO V A realidade política portuguesa: Retrato de uma democracia jovem .......................... 33 5.1 Os principais partidos portugueses ........................................................................... 35 5.1.1 O Partido Comunista Português, mais à esquerda ................................................. 35 5.1.2 O Bloco de Esquerda, a esquerda jovem ............................................................... 36 5.1.3 O Partido Socialista: A esquerda ao centro ........................................................... 36 5.1.4 O Partido Social Democrata: A direita ao centro ................................................... 36 5.1.5 O Centro Democrático Social, mais à direita ........................................................ 37 A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 2 CAPÍTULO VI Aspectos metodológicos ..................................................................................................... 38 CAPÍTULO VII Apresentação e Análise dos resultados ............................................................................ 44 7.1 Apresentação de Resultados - Caracterização da Amostra .................................... 44 7.1.1 Características Sócio-demográficas ....................................................................... 44 a. Distrito de residência ............................................................................................ 44 c. Idade ...................................................................................................................... 45 d. Habilitações literárias dos inquiridos .................................................................... 46 e. Situação Profissional dos Inquiridos ..................................................................... 47 f. Rendimentos mensais líquidos do agregado familiar ........................................... 48 g. Classe social dos inquiridos .................................................................................. 49 7.1.2 Voto nas eleições legislativas de 27 de Setembro de 2009 ..................................... 49 a. O voto e o interesse pela política .......................................................................... 50 b. Caracterização sócio-demográfica dos não-votantes ............................................ 50 c. Caracterização sócio-demográfica dos votantes ................................................... 51 d. Em que partido/coligação votou? .......................................................................... 52 e. Quando decidiu em que partido ia votar? ............................................................. 54 f. Considerou votar noutro(s) partido(s)? ................................................................. 56 g. Considera-se próximo/a de um partido político em particular? ............................ 58 7.1.3 Hábitos de consumo dos meios de comunicação social ......................................... 59 a. Frequência de consumo e meios escolhidos ......................................................... 59 b. Frequência de consumo e interesse pela política .................................................. 60 c. Frequência de consumo e características sócio-demográficas .............................. 61 7.2 Análise de Resultados - Validação/ Refutação das Hipóteses ................................. 62 7.2.1 Primeira Hipótese ................................................................................................... 63 7.2.2 Segunda Hipótese .................................................................................................. 65 7.2.3 Terceira Hipótese .................................................................................................... 66 CAPÍTULO VIII Conclusão ........................................................................................................................... 70 A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 3 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 73 ANEXO A Perguntas seleccionadas ..................................................................................................... 81 ANEXO B Características sócio-demográficas da amostra ................................................................ 87 ANEXO C Testes estatísticos realizados para verificação da primeira hipótese ................................ 89 ANEXO D Testes estatísticos realizados para verificação da segunda hipótese ................................ 91 ANEXO E Testes estatísticos realizados para verificação da terceira hipótese .................................. 93 ÍNDICE DE GRÁFICOS .................................................................................................. 96 ÍNDICE DE TABELAS .................................................................................................... 97 A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO II Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 10 social médiatizada é, por sua vez, muito mais recente, remontando ao século XIX, por altura da Revolução Industrial. 2.1.1 Meios de Comunicação Social: Teorias, influência e efeitos Para compreender os efeitos resultantes da difusão de informação pelos média, vários autores debruçaram-se sobre o tema e sugeriram uma grande variedade de hipóteses e teorias, mas grande parte destas foi sendo duramente criticada e, posteriormente, ultrapassada. Não obstante, todas elas têm ainda lugar cativo nos programas académicos dedicados à comunicação pelo contributo que deram ao estudo das práticas comunicativas. Com o tempo, as teorias foram sendo limadas e aprofundadas e descobriram-se novos caminhos de investigação. Inicia-se, a partir da década de 30, nos Estados Unidos, uma série de estudos comunicacionais - Communication Research - que procuravam encontrar respostas para algumas das questões relacionadas com o papel político e social dos meios de comunicação. Depois da Primeira Guerra Mundial, e na sequência dos estudos sobre propaganda, surge a primeira das teorias da comunicação. A ‘Teoria Hipodérmica’ (ou ‘Teoria das Balas Mágicas’) começa a dominar o estudo da comunicação. Assente na concepção da psicologia do comportamento de que a um estímulo corresponde uma resposta, a teoria toma como garantido que «cada elemento do público é pessoal e directamente atingido pela mensagem» (Wright, 1975 apud Wolf, 1999:22). A comunicação era vista como um processo reactivo, em que os indivíduos faziam parte de uma massa homogénea, acrítica e conformista - a sociedade de massa -, e os meios de comunicação eram considerados agentes manipuladores. Estabelecia-se, por isso, uma relação directa entre a exposição as mensagens e o comportamento da população. Paralelamente ao estudo dos média como agentes omnipotentes, no campo da psicologia começam a surgir os estudos motivacionais que defendiam que os indivíduos não eram motivados pelos mesmos incentivos e que reagiam de forma diferente a estímulos idênticos. Estas descobertas acabam por contaminar os estudos da comunicação e conduzem ao abandono da ‘Teoria Hipodérmica’. Inicia-se assim o primado dos estudos A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO II Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 11 da persuasão nos anos 40, «o que toma evidente, pela primeira vez na pesquisa sobre os mass média, a complexidade dos elementos que entram em jogo na relação entre emissor, mensagem e destinatário» (Wolf, 1999:33). Com a ‘Abordagem empírico experimental ou da persuasão’, os elementos do processo comunicativo são analisados em separado por forma descobrir quais os mecanismos inconscientes utilizados pelos indivíduos na defesa contra as mensagens persuasivas. Apesar da presença destes mecanismos, o autor admite que os meios de comunicação não deixam de influenciar os receptores, desde que os emissores estejam atentos ao público a que se dirigem. Wolf acredita que «a persuasão opera através de percursos complicados, mas as comunicações de massa exercem-na» (1999:46). É em 1948 que Harold Lasswell apresenta um segundo modelo da comunicação, uma ponte entre as primeiras teorias não científicas na área e os primeiros estudos sobre os efeitos dos meios de comunicação social. O paradigma de Laswell sustenta que o acto comunicativo pode ser descrito através das respostas dadas a cinco questões: Quem?; Diz o quê?; Em que Canal?; A quem? e Com que efeito?. Traduzindo as questões em sectores de pesquisa, obtemos o estudo dos emissores, a análise de conteúdo (e discurso), a análise dos meios, a análise de audiência e a análise dos efeitos. Apesar da sua aparente simplicidade, este modelo influenciou irremediavelmente os estudos da comunicação, em geral, e da sociologia da comunicação, em particular. É precisamente no campo da sociologia da comunicação que se move a teoria que veio derrubar definitivamente a ideia de manipulação directa por via dos média. Lazarsfeld, Bereleson e Gaudet procuravam compreender os mecanismos de formação de opinião dos cidadãos no campo da política e para isso recorreram à análise da influência da rádio e da imprensa na decisão de voto dos cidadãos. Publicado em 1944, ‘The people’s choice: How the voters makes his mind in a presidential campaign’ explicava que os efeitos dos média não eram de todo ilimitados, porque para além dos mecanismos psicológicos de defesa, também se assiste à intervenção de agentes mediadores entre o público e os meios de comunicação. Os autores chamaram-nos de líderes de opinião: «indivíduos muito envolvidos e interessados no tema e dotados de maiores conhecimentos sobre eles» (Lazarsfeld, Berelson e Gaudet, 1944 apud Wolf, 1999:51), independentemente do estrato socioeconómico a que pertencem. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO II Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 12 Partindo dos resultados destas últimas pesquisas, em 1948, Lazasfeld une-se a Katz para publicar ‘Personal Influence: The Part Played by People in the Flow of Mass Communication’ e, consequentemente, dar vida a uma nova teoria da comunicação, a ‘Teoria do fluxo de comunicação a dois níveis’ (em inglês, ‘Two-step flow of communication’), que veio superar a ideia de sociedade de massa ao defender a interacção entre a comunicação de massa e a interpessoal. De acordo com a dita teoria, os meios de comunicação alcançam primeiro os líderes de opinião e são esses, por sua vez, que transmitem as informações à restante população, em parte porque a ligação pessoal facilita o processo de influência. «Se a credibilidade da fonte se reflecte na eficácia de urna mensagem persuasiva, é provável que a fonte impessoal dos mass media se ache em desvantagem em relação às fontes (…) que são próprias das relações interpessoais; por outro lado, enquanto uma mensagem da campanha eleitoral é entendida como sendo destinada a um objectivo preciso, a influência que resulta das relações interpessoais pode estar (ou parecer) menos ligada a finalidades específicas de persuasão.» (Lazarsfeld, Berelson e Gaudet, 1944 apud Wolf, 1999: 53) Todavia, também a população em geral, que se expõe casualmente aos média, pode ser influenciada, mesmo que não vá depois discutir as informações com os seus pares. Em 1972, surge uma nova hipótese que provoca uma reviravolta nos estudos dos efeitos. Se com a teoria do fluxo binário se passa a ter como certo que os média não têm o poder para influenciar directamente o público, a ‘Teoria do Agenda-Setting’ (ou do Agendamento), rebusca teorias passadas e defende que existem, de facto, efeitos cognitivos directos. Esta nova teoria, da autoria de McCombs e Shaw, pressupõe que os meios de comunicação ditam aquilo que o público deve discutir, ainda que possam não o fazer intencionalmente. Este postulado ficou celebrizado pelas palavras de Cohen (1963, apud Pereira, 2007:35): «The press may not be successful much of the time in telling people what to think, but it is stunningly successful in telling its readers what to think about». McCombs e Shaw provaram que quanto mais ênfase os média conferem a determinado tema, maior será também a importância que o público lhes vai atribuir e viceversa. Entretanto, várias têm sido as discussões levadas a cabo com o intuito decidir qual o A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO II Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 13 meio com maior capacidade de agendamento, embora ainda não se tenha chegado a uma conclusão concreta. Sabe-se apenas que a influência do agendamento depende da necessidade de orientação dos indivíduos, que os motiva a procurar e a exporem-se à informação, sujeitando-se aos efeitos do agenda-setting. Além dos temas a discutir, outros autores defendem ainda a existência de um segundo nível de Agenda-Setting, a ‘Agenda-Setting de atributos’, definida como o enquadramento dado às notícias a incluir na agenda temática. Para resumir os efeitos desta nova agenda, Gutmann apresenta uma variação da célebre frase de Cohen, dizendo que os média «não nos dizem apenas “o que pensar”, mas também “como pensar” através da ênfase ou atenuação de aspectos das notícias veiculadas» (2006:41). Assim, é certo que vários pormenores e aspectos serão realçados ou omitidos, modificando-se, consequentemente, a perspectiva do assunto. Tomando as duas teorias do agenda-setting como válidas, há então que ter em conta que diferentes meios adoptem agendas e enquadramentos igualmente distintos. Estas afirmações são corroboradas pelos estudos de autores que examinaram os factores intrínsecos e extrínsecos que influenciam a selecção e produção de notícias. Entre estes, destaca-se Gaye Tuchman, que estudou os elementos sociológicos do jornalismo e concluiu que «os jornalistas dão uma “moldura” às histórias levando em conta os constrangimentos organizacionais do seu campo, crenças profissionais e julgamentos sobre a audiência» (apud Gutmann, 2006: 33). Com o contributo de Elizabeth Noelle-Neumann, em 1973, os efeitos limitados dos meios de comunicação são novamente refutados. A socióloga alemã deu também seu contributo para o estudo dos efeitos, propondo a ‘Teoria da Espiral do Silêncio’ que defende que o facto de os indivíduos procurarem aprovação pública os faz aceitar passivamente as opiniões da maioria, acabando por se expressarem da mesma forma ou por se remeterem ao silêncio, mesmo que não concordem com convicções de outrem. «O resultado é um processo em espiral que incita os indivíduos a perceber as mudanças de opinião e a segui-las até que uma opinião se estabelece como uma atitude prevalecente, enquanto as outras opiniões são rejeitadas ou evitadas por A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO II Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 14 todos, à excepção dos duros de espírito, que persistem na sua opinião.» (NoelleNeumann,1977 apud Sousa, 2003:261) Noelle-Neumann explica a expressão “espiral” ao dar conhecer que os média têm a apetência para destacar as ideias dominantes em detrimento de outras, reforçando-as, ainda que de forma involuntária, e transformando-as em consenso. Para aqueles que buscam a integração na comunidade, é de esperar que recorram aos meios de comunicação em busca de informação. As mensagens veiculadas, por sua vez, influenciam o público, provocando mudanças de opiniões e de atitudes. Mas nem só os efeitos dos meios de comunicação social merecem destaque, alguns autores debruçaram-se também no uso que o público faz destes. José Rodrigues dos Santos (1992) avança que o primeiro destes estudos terá sido levado a cabo por Herta Herzof, em 1944, num estudo sobre o consumo de radionovelas nos Estados Unidos. A socióloga defendia no seu trabalho que as pessoas consumem o que os média têm para oferecer para conseguirem satisfazerem as suas necessidades e para se sentirem gratificadas por tal. Começa então a desenhar-se a ‘Teoria dos Usos e Gratificações’, que só será publicada em 1974, na obra de Blumer e Katz – ‘The uses os mass communications: Current perspectives on gratifications research’. Em 1961, Lyle e Parker partem dos resultados do estudo iniciado por Herzof e limam arestas, mas sem nunca deixar de defender que os consumidores de informação são seres activos que buscam informação com um determinado propósito. Blumer, em finais da década de 70, deu a conhecer os motivos que levam os indivíduos a depender dos meios de comunicação. O autor identifica a orientação cognitiva, como uma urgência de obtenção de conhecimentos; a necessidade de entretenimento; e a identificação pessoal com valores, ideias e expectativas difundidas pelos média. E finalmente, depois dos efeitos e dos usos, encontram-se também estudos sobre as funções dos média, salientando-se os que conduziram à formulação da ‘Teoria da Dependência’. Segundo Ball-Rokeach e DeFleur (1982; 1993, apud Sousa, 2003), autores da hipótese, os meios de comunicação são as principais fontes de informação da população e, por esse motivo, quando o sistema social se torna instável ou surge algum conflito, os cidadãos vão depender dos meios para saber como enfrentar os problemas com que se poderão vir a deparar. Esta dependência é tanto maior quanto o número de fontes A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO II Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 15 disponíveis. Ainda tendo em conta as pesquisas destes autores, a dependência dos meios advém da necessidade de entretenimento, da compreensão do “eu e do outro”; de aprendizagem de normas e valores; e da orientação para acção, sendo que neste caso em particular destaca-se o acto de votar. 2.2 Comunicação Política O estudo da Comunicação Política está intimamente ligado ao estudo da comunicação e dos média. A sua análise ganhou o estatuto de disciplina ao despertar progressivamente o interesse de investigadores de diversas áreas relacionadas. É também um nome lato que designa uma série de áreas comunicativas, das quais se destaca o marketing político, as relações públicas, a publicidade e a propaganda. A política não sobrevive sem a comunicação, porque a palavra é o pilar que sustenta o político e sem ela este nunca conseguirá conquistar o poder (Maltez, 1996). A Comunicação Política começou a ser estudada na década de 50 com a publicação de ‘Political Behaviour’, obra conjunta de Heinz Eulau, Samuel Eldersveld e Morris Janowitz, na qual os autores a definem como «um dos três processos de intervenção (a par da liderança política e estruturas de grupo), por meio do qual se mobilizam e transmitem influências políticas entre as instituições governamentais formais e o cidadão-eleitor» (1956 apud Gonçalves, 2005:37). Desde então, inúmeras definições têm sido avançadas e aperfeiçoadas. De entre todas as apresentadas, salienta-se a de Maria José Canel (2006) que analisou e agregou definições de outros autores, de forma a poder apresentar uma explicação mais completa que englobasse todos os pontos anteriormente focados e que ainda preenchesse as lacunas encontradas. A autora acredita que a plena compreensão desta temática implica o estudo da actividade dos vários intervenientes – políticos, organizações políticas, comunicadores, jornalistas e cidadãos – no seio dos quais se realiza troca de informações e ideias. Não esquecendo que este processo comunicativo poderá ser verbal ou simbólico e que o simbolismo é facilmente encontrado na linguagem corporal, na indumentária escolhida ou até nas imagens políticas quotidianas: «Son símbolos e imágenes creadas por unos políticos que buscan votos, mentenidas por unas instituciones que quieren se aceptadas, impulsadas por los A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO II Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 16 publicistas que les añadem creatividad, médiadas por unos periodistas que de ellas desconfían, y compartdidas o rechazadas por los ciudadanos que las reciben.» (Canel, 2006:12) A par com a definição de Canel, Brian McNair (2007) identificou também três elementos no processo de comunicação política que diz estarem relacionados entre si: os agentes e organizações políticas, os eleitores e os meios de comunicação. Está assim criado o “triângulo infernal” (Wolton, 1999). Na perspectiva de McNair (2007), é através das organizações políticas que os agentes influenciam a tomada de decisão. Dentro de todas as organizações possíveis de enumerar, salientam-se os partidos políticos, que precisam de comunicar com os seus eleitores a fim de conseguirem os votos necessários à legitimação do seu poder. Assim, pode dizer-se que a comunicação política circula não só no interior do sistema político, mas também entre este e o sistema social, ou seja, entre governantes e governados. Enquanto os primeiros acatam as aspirações, reclamações e exigências, aos segundos resta aceitar as decisões tomadas. Sem receptores o envio de mensagens não faria sentido, já que o propósito da comunicação política é a persuasão dos eleitores, os destinatários da mensagem política. O impacto quer-se positivo e os efeitos vão sendo analisados. Quando o voto estava limitado às elites, a comunicação directa entre eleitos e eleitores era o procedimento escolhido, mas com o estabelecimento do sufrágio universal esta possibilidade deixou de ser viável. A comunicação política directa foi sendo gradualmente substituída pela mediada. A mediação entre agentes políticos e cidadãos é feita pelos meios de comunicação social, elementos centrais do processo, que transmitem mensagens em ambos os sentidos. Mas os média não se limitam a repassar as informações de e para os outros elementos, em parte devido à existência de constrangimentos organizacionais próprios das empresas mediáticas. Comprovadamente, os meios de comunicação «enquadram, focam, transformam e, inclusivamente, inventam a realidade» (Comstock, 1981 apud McNair, 2007:146). Sem a devida cautela, os agentes políticos arriscam-se a perder o controlo da mensagem. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO II Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 17 Apesar da filtragem das palavras políticas, os meios de comunicação são ainda considerados de vital importância para a democracia. No sistema político, parte significativa da actividade tem de ser organizada a pensar nos média, isto porque o eleitorado recebe grande parte da informação politicamente pertinente através destes. Como disciplina, a Comunicação Política permite o estudo de diversos fenómenos a ela relacionados, nomeadamente a análise da mensagem política; dos processos políticos (eleições, campanhas e programas eleitorais) e da influência dos média; das acções de comunicação (como a publicidade utilizada e os eventos organizados); da mediação das mensagens (relação entre meios de comunicação e políticos, personalização política, cobertura mediática ou gestão das crises) e, finalmente, o efeito das mensagens na audiência, ao se descobrir qual o impacto das informações veiculadas pelos meios de comunicação no comportamento eleitoral dos cidadãos (Canel, 2007). Em apenas cinco décadas, a Comunicação Política passou por várias fases distintas, e na viragem do século XX entrou na sua terceira era (Blumer e Kavanagh, 1999 apud Kriesi, 2004). Numa primeira etapa, no período pós II Guerra Mundial, as mensagens políticas mediadas tinham pouco efeito sobre os eleitores fortemente leais aos “seus” partidos políticos. Poucos anos depois, em inícios da década de 60, a lealdade partidária perde lugar para a volatilidade, levando os políticos a dirigir as suas mensagens ao eleitorado indeciso. A actual era da comunicação política caracteriza-se pela sua crescente profissionalização, uma forma de enfrentar e sobreviver à realidade mediática em permanente mudança. Em pleno século XXI, os agentes políticos têm agora de lidar com a proliferação dos meios de comunicação social (tradicionais e tecnológicos); com a criação de canais televisivos dedicados exclusivamente à transmissão de notícias; e com à diversificação e fragmentação dos média. (Swanson apud Kriesi, 2004). As consequências da comunicação política variam consoante as tradições políticas dos países e a duração e desenvolvimento dos seus sistemas políticos, quer sejam democráticos ou ditatoriais. Não obstante, para os investigadores especializados na área é consensual o facto de ser nos Estados Unidos da América que esta comunicação está mais profissionalizada e enraizada no sistema político, quando em comparação com as restantes democracias Ocidentais (Blumler and Gurevitch, 1995 apud Esser, 2004). São os média os responsáveis por esta “americanização” da comunicação política. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO III Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 18 CAPÍTULO III Eleições e Modelos de Comportamento Eleitoral O conceito de política é dotado de múltiplos significados, não existindo uma resposta única para a pergunta “O que é a política?”. Derivada da palavra grega Polis, que significa cidade, a política surgiu com a necessidade de organização e regulação da sociedade. O termo ganhou novos contornos pelas mãos de Aristóteles que intitulou uma das suas obras justamente com o nome ‘Política’, considerada como «o primeiro tratado sobre a natureza, funções e divisão do Estado, e sobre as várias formas de Governo» (Bobbio, Matteucci e Pasquino, 1997:954). A política tem sido entendida como uma técnica, uma forma de actuação para o alcance de determinados fins, vantagens ou efeitos; e como a arte de governar, levando ao pleno funcionamento das instituições de um Estado (Fernandes, 2008). O conceito está ainda intimamente ligado à noção Poder, entendido como a capacidade de influenciar comportamentos alheios, por outras palavras, à subordinação de um sujeito face a outro. Na concepção Aristotélica, estamos então perante o Poder Político (Bobbio, Matteucci e Pasquino, 1997). É através do recurso às eleições que o eleitorado pode nomear os seus governantes, tentar impedir que determinados candidatos subam ao poder ou ainda pronunciar-se sobre assuntos de interesse público aquando convocação de referendos. Sem a realização de eleições a manutenção dos sistemas democráticos não seria possível. Foi o alargamento do direito de voto, aliado ao reconhecimento de certos direitos cívicos, políticos e sociais, que permitiu a evolução da democracia (Porta, 2003). Idealmente, as eleições devem ser livres, competitivas e realizadas de forma periódica[1 [1] No contexto português, as legislativas e autárquicas verificam-se a cada quatro anos e as presidenciais a cada cinco. ]. E desde a implantação generalizada do Sufrágio Universal, que toda a população adulta (com idades iguais ou superiores a 16, 18 ou 21 anos, dependendo do país em questão) é esperada nas urnas, independentemente de cor, raça, credo e condição A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO III Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 19 social. Contudo, de país para país, podem aplicar-se alguns constrangimentos a esta universalidade. Em Portugal, por exemplo, os emigrantes residentes em território português têm de esperar entre dois a três anos (dependendo do país de proveniência) para obterem o direito de voto. Para além de universal, por ser um direito estendido a todo o eleitorado, o voto em democracia quer-se também livre, para que se preserve o pluralismo político; igual, tendo cada cidadão direito a apenas um voto; directo, cada um votando por si; significativo, produzindo efeitos observáveis; e secreto (Pasquino, 2002). Para uma tentativa de compreensão do comportamento eleitoral, o estudo das causas que orientam o voto tem sido conduzido por investigadores provenientes de várias disciplinas, como a comunicação, a psicologia e a sociologia. Mas se inicialmente a participação política se resumia ao acto de votar – à participação eleitoral propriamente dita -, presentemente, o voto, apesar de ser a forma mais frequente, visível e mensurável de participação, não é o único meio de acção política à disposição dos cidadãos. Para sustentação do facto basta analisar a definição elaborada por Myron Weiner que, embora não avance nenhuma acção em particular, dá a conhecer as múltiplas formas que a participação política pode assumir. No entendimento do autor «qualquer acção voluntária, com sucesso ou insucesso, organizada ou não, episódica ou contínua, utilizando métodos legítimos ou ilegítimos, com o objectivo de influenciar, a qualquer nível, as decisões políticas, a escolha dos governantes e a administração dos assuntos públicos» (apud Martins, 2004:39) pode ser considerada uma forma de participação política. As formas de participação podem ser separadas quanto à sua convencionalidade, embora tal não signifique se que possa hierarquizar a sua importância. O cidadão tem à sua disposição um leque de acções mais convencionais (voto, discussão de assuntos políticos, militância, candidatura a cargos electivos); ou então outras consideradas nãoconvencionais (boicotes, manifestações, protestos, greves) que rapidamente começaram a ganhar mais adeptos a partir dos anos 70 (Porta, 2003). Apesar da distinção, estas formas de participação não se repelem, sendo comum uma adesão conjugada. Diz-me como participas e dir-te-ei quem és. Foi este o desafio aceite pela dupla Kaase e Marsh, que, em 1979, criou uma forma de agrupar os cidadãos de acordo com as A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO III Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 26 assim os níveis crescentes de volatilidade. O eleitor racional está orientado para votar no partido e/ou candidato que lhe proporcione maior rendimento e ganho, mas não sem antes ponderar o custo do acto de votar (inscrição no censo eleitoral, obtenção e processamento de informação política e deslocação às urnas), contando, para isso, com a ajuda das fontes de informação. Quando o custo de voto é superior ao benefício, o eleitor abstém-se. O modelo proposto por Downs é também posto em causa a par com os anteriores. Os autores que o refutam, geralmente exemplificam o seu irrealismo com o facto de muitos cidadãos votarem em partidos que saberão que não irão chegar ao poder. Aponta-se a influência da ideologia e dos valores como explicação para este facto (Freire, 2001). 3.1.5 Modelo de Newman Já em finais da década de 90, Bruce Newman apresentou um novo modelo preditivo do comportamento eleitoral. O autor considera que os eleitores não são mais do que consumidores de serviços políticos e que o voto se baseia no valor percebido que lhes é oferecido. O processo baseia-se assim num jogo de expectativas: se o eleitor considerar que o valor recebido foi maior que o esperado, ele ficará satisfeito com a decisão, porém se o resultado for negativo o eleitor sentir-se-á frustrado. Neste modelo existem cinco domínios cognitivos diferentes que levam o indivíduo à acção (questões políticos, imagem social, personalidade do candidato, contingência social e valor epistémico), influenciando-o de forma isolada ou combinada (Newman, 1999). O primeiro domínio cognitivo (valor funcional) incorpora as medidas políticas que o candidato promete implementar aquando a sua subida ao poder, principalmente assuntos de cariz económico e social. A Imagem Social (valor social) refere-se à imagem adoptada pelo candidato, modificada consoante o tipo de eleitores que se pretende conquistar. A personalidade do candidato (valor emocional), por sua vez, permite o reforço e a criação de uma imagem específica na mente dos eleitores. A Contingência Situacional (valor condicional) é o resultado da junção de eventos variados que podem ocorrer no decurso da campanha e que se revelam capazes de levar um eleitor a mudar a sua orientação de voto. E, finalmente, quando as escolhas de eleitor são motivadas pela curiosidade, pela novidade e pela busca de conhecimento estamos na presença do valor epistémico (Cwalina e Falkowski, 2002; Newman, 1999). A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 30 CAPÍTULO IV Meios de Comunicação e Comportamento Eleitoral: Relação, Influência e Efeitos Os meios de comunicação contribuem para a formação de cidadãos mais críticos, informados e intervenientes, capazes de fazer escolhas eleitorais conscientes e bem fundamentadas. Com um espectro de acção alargado, os média são impermeáveis a classes sociais, níveis de educação, recursos económicos, idade ou áreas geográficas. A televisão, a rádio, os jornais, as revistas, e, cada vez mais os novos média, assumem um papel importante no palco político ao difundir valores e opiniões, permitindo que a voz dos agentes políticos chegue aos cidadãos. Na sua essência, ajudam à manutenção e ao correcto funcionamento da democracia. Investigações realizadas com vista à compreensão da aprendizagem política (Delli Carpini e Keeter, 1996 apud Delli Carpini, 1999) referem três factores que guiam a obtenção do conhecimento político pelos indivíduos: a oportunidade, a motivação e a habilidade. A oportunidade não mais é que a disponibilidade de informação política. Este factor é fortemente condicionado pelo ambiente mediático, ou seja, pelos meios de comunicação à disposição dos cidadãos, isto, porque diferentes ambientes afectam a forma como se apreende a informação política. A motivação relaciona-se com o interesse em obter informação, a curiosidade política e o sentido de eficácia e de dever cívico. A habilidade é a capacidade do indivíduo em compreender e interiorizar a informação recebida. Está, no entanto, dependente da oportunidade e dos níveis de motivação. Sabe-se, contudo, que apesar da habilidade, a motivação é cada vez menor para uma parte significativa do eleitorado, a oportunidade, por outro lado, não falta. Com o advento da televisão, nomeadamente com os canais generalistas, os cidadãos contactam diariamente com a realidade política, ainda que involuntariamente (Fiorina, 1990 e Popkin, 1991 apud Prior, 2007). Apesar da diferença, os autores concordam que tanto os que se expõe às notícias voluntariamente, como os que o fazem acidentalmente, apreendem a informação política. Quando o ambiente mediático começou a alastrar com o contributo da A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO IV Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 30 televisão por cabo, o leque de escolha também alargou e, por conseguinte, a motivação dos indivíduos tornou-se um facto importante para predizer o seu comportamento de voto. O impacto dos meios de comunicação sobre as decisões de voto foi menor nas décadas de 50 e 60, quando comparado com as formas de socialização primárias, como é o caso da família (Harrop e Miller, 1987 apud Espírito Santo, 2006). Mas tudo mudou com o progresso tecnológico que se avizinhava. Em inícios da década de 50, a televisão ainda não tinha chegado a Portugal. Para se manterem informados, os portugueses sintonizavam os seus rádios ou liam os jornais que iam sendo publicados pelo país. Passados vinte e cinco anos, a televisão já está disponível em território nacional, ainda que a liberdade de escolha fosse limitada a apenas dois canais. As imagens, ainda a preto e branco, invadiram a casa dos portugueses levando a política às suas salas. Em 1997, a televisão por cabo é introduzida em Portugal, dando aos indivíduos mais hipóteses de escolha. E a estas actualizações técnicas junta-se, mais recentemente, a possibilidade de leitura de jornais e visionamento de conteúdos audiovisuais na internet. Dados de 2009, disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística, atestam que 51,9% dos portugueses tinha um computador em casa, 59,5% dos quais recorrem à internet para consultar notícias em jornais online e 41,7% para ouvir rádio ou ver televisão Vários autores têm vindo a defender que o acesso à informação pode potenciar o grau de participação política, ao encontrarem uma relação entre os níveis de participação e frequência de consulta, audição e/ou visionamento dos conteúdos veiculados pelos meios de comunicação (Emery, 1976; Inglehart e Catterberg, 2002 apud Baum e Espírito Santo 2007; Prior, 2007). No entanto, o facto de os média serem, ou não, capazes influenciar o comportamento eleitoral não é ainda consensual. Contudo, apesar da falta de concordância quanto aos seus efeitos, os meios de comunicação são considerados fundamentais por serem capazes de fornecer a informação política necessária aos cidadãos; por ajudarem no processo de socialização entre eleitores e ainda por terem a capacidade de esclarecer os indivíduos mais confusos durante as campanhas eleitorais (Oates, 2009). Para dificultar o estudo dos efeitos, reconhece-se que num ambiente altamente mediatizado os cidadãos não se limitam a consumir informação de um só meio de comunicação. E para diferentes meios, diferentes efeitos. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO IV Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 31 Os jornais e revistas pormenorizam as informações, quando em comparação com a rádio e, especialmente, com a televisão. Os suportes em papel dedicam mais espaço aos assuntos políticos que os meios anteriores, dando a conhecer todo contexto das histórias e permitindo ao leitor a leitura e a releitura dos artigos, resultando numa compreensão mais aprofundada dos assuntos (McLeod e Sotorovic, 2004; Nightingale e Ross, 2008). A televisão constitui um meio privilegiado de consumo de informação que, por ser rica em estímulos visuais, começa a ser implantada a partir da infância, sendo também preferida em contextos de iliteracia e analfabetismo. Para aqueles que têm mais dificuldades em consultar informação em jornais ou revistas, como é o caso dos indivíduos com idade mais avançada, a televisão representa uma oportunidade de se manterem informados (Prior, 2007). Se os canais generalistas não possibilitam uma margem de escolha muito alargada, com o aparecimento da televisão por cabo e, mais recentemente, da Internet, o leque de hipóteses é ampliado e com a vantagem da informação ser constantemente actualizada ao longo do dia. Particularmente no caso da Internet, Shah et al. (2007 apud Blumler, Coleman e Gurevitch, 2005) concluiu que os eleitores que procuram informação online e interagem com outros cidadãos se consideram melhor informados, aumentando assim o seu sentido de eficácia e a vontade de participar activamente no processo democrático. Mas não só a informação veiculada nos diferentes média pode diferir, também o processamento e a compreensão da mensagem é distinto. Os jornais são os meios escolhidos pelos indivíduos com maiores recursos educacionais e pelos líderes de opinião, enquanto os conteúdos noticiosos televisivos são mais facilmente entendidos e, portanto, mais apelativos para os cidadãos com menores níveis educacionais (Emery, 1976; Prior, 2007). Já o uso da Internet implica conhecimentos técnicos que não estão acessíveis a toda a população (Blumler, Coleman e Gurevitch, 2005). Segundo um estudo de Iyengar e Kinder (1987, apud Norris et al. 2003) os efeitos da exposição aos meios de comunicação social não são uniformes, mas antes variam conforme as predisposições políticas e o contexto social dos eleitores e, por isso, ao longo dos anos, vários autores têm vindo a debruçar-se sobre os efeitos dos média nos eleitores que se identificam manifestamente com um partido. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO IV Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 32 Assim como os estudos relativos ao comportamento de voto, as pesquisas referentes aos efeitos dos média também consideram a identificação partidária como um factor estável ao longo do tempo, e, portanto, não se encara a possibilidade de esta poder ser influenciada pela exposição aos meios de comunicação Podem, porém, reforçar e consolidar ainda mais as intenções de voto no partido que já era de eleição (Brody e Todd, 1980; Campbell et al., 1960 apud Oates, 2009; Emery, 1976; Norris et al. 2003). Berelson et al. (1954, apud Brody e Todd, 1980) conclui que a identificação partidária é mais comum nos eleitores que consomem quantidades substanciais de informação através dos média, e vice-versa. Prior (2007), por sua vez, estudou a exposição dos eleitores aos meios de comunicação social e conclui que aqueles que preteriam o entretenimento em favor das notícias exibiam níveis mais elevados de identificação partidária, enquanto os restantes eleitores - apartidários, voláteis e/ou indecisos – preferiam assistir, ler ou ouvir conteúdos não noticiosos. Mas se os efeitos dos meios de comunicação parecem ser diminutos nos cidadãos fortemente identificados com um partido, o mesmo não se passa no caso dos eleitores sem ligações partidárias. Este grupo de indivíduos é facilmente influenciado por determinadas mensagens, principalmente se estas forem breves, repetidas de forma constante e com um conteúdo altamente simbólico (Porta, 2003). Investigações levadas a cabo para conhecer quais os efeitos da televisão no comportamento eleitoral, especialmente os estudos de Prior (2007), destacaram a capacidade deste meio em levar os eleitores sem identificações partidárias e os indecisos até às urnas. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 33 CAPÍTULO V A realidade política portuguesa: Retrato de uma democracia jovem A par com as restantes democracias liberais europeias, o sistema político português é caracterizado pela realização de eleições justas, livres e periódicas, e ainda pela presença de partidos políticos que apoiam e respeitam valores democráticos. Até à Segunda República, a história do sistema eleitoral é marcada por uma evolução lenta e oscilante (Martins, 2004). O sufrágio universal, condição mínima para o funcionamento pleno da democracia, só foi instaurado em 1974, com a queda do Estado Novo, quando já estava plenamente implementado noutras democracias europeias. O sistema eleitoral adoptado para as eleições da Assembleia Constituinte de 1975 mantém-se até os dias de hoje, apesar de todos as críticas de que é alvo e das numerosas tentativas de reforma. Este novo sistema eleitoral transformou a política portuguesa, implementando o sufrágio universal, os métodos de representação proporcionais, os círculos eleitorais, o boletim de voto secreto e um controlo rigoroso das mesas de voto e da sua contagem (Jalali, 2003; Jalali, 2007) Como foi acima referido, Portugal tem um sistema eleitoral de representação proporcional que utiliza a fórmula de Hond’t para atribuição de mandatos e o eleitor dispõe de um voto singular para votar em listas partidárias. O método proporcional foi escolhido para as primeiras eleições democráticas realizadas pós-25 de Abril com o intuito de evitar que um só partido detivesse todo o poder. Através deste método, os eleitores escolhem partidos e não candidatos individuais. Este tipo de representação permite que o número de eleitos seja proporcional ao número de eleitores que escolheram votar nessa mesma candidatura. Seguidamente, a fórmula matemática de Hond’t é usada para converter votos em mandatos, com vista à composição final da Assembleia da República (Mendes e Miguéis, 2002). A lei eleitoral da Assembleia da República (Mendes e Miguéis, 2002) remete ainda para a existência de listas partidárias. No caso português, as listas são plurinominais fechadas, ou seja, estas listas permitem ao eleitor escolher um partido entre um rol, sendo que os mais votados ganham assentos na Assembleia, mas, posteriormente, é o partido que A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO V Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 34 escolhe os candidatos que terão assento parlamentar. As candidaturas às listas são apresentadas exclusivamente por partidos políticos, isoladamente ou em coligação. O país está dividido em vinte círculos eleitorais, um para cada distrito administrativo, regiões autónomas incluídas. A estes acrescem outros dois, um abrangendo todo território europeu e o outro, os restantes países. Podem ser eleitos até 230 deputados. O mandato tem a duração máxima de quatro anos, embora não existam limites à reeleição posterior dos partidos. Se o método anterior é válido para as eleições para a Assembleia da República, para as autarquias ou para as regiões autónomas, no caso das presidenciais vigora o escrutínio maioritário de duas voltas: é eleito o candidato que obtiver mais de metade dos votos válidos (maioria absoluta), mas se nenhum dos candidatos conseguir uma maioria, existe uma segunda volta, na qual concorrem os dois candidatos mais votados na volta anterior (maioria relativa). O presidente da República irá coexistir com um primeiro-ministro e um governo, responsáveis perante o parlamento, formando-se assim um sistema semipresidencial (Jalali, 2007). A revolução de 25 de Abril de 1974 abriu as portas ao aparecimento constitucional dos partidos políticos. Entre extinções e mudanças de nome, são neste momento 20 os partidos inscritos e em actividade, mas destes apenas cinco alcançam representação parlamentar: o Centro Democrático Social – Partido Popular (CDS-PP), de direita; o Partido Social Democrata (PSD), de centro-direita; o Partido Socialistas (PS), de centroesquerda; a Coligação Democrática Unitária (CDU), uma coligação entre o Partido Comunista Português (PCP) e o Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), e o Bloco de Esquerda (BE), os três de esquerda. De um modo geral, os partidos políticos portugueses possuem fracas bases organizacionais. Todos eles, excepto o PCP, viram-se obrigados a desenvolver uma estrutura organizacional a partir do zero. Os partidos formaram-se em ambiente revolucionário, durante o processo de democratização, e, por isso, não se encaixam na definição de partidos de massas, por não terem uma base social ampla, por não serem amplamente organizados e participantes e por não procurarem recrutar o maior número possível de militantes. Os partidos portugueses são considerados híbridos, uma mistura dos vários modelos partidários. De entre o rol de partidos, destaca-se o PS e o PSD os dois A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO V Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 35 únicos identificados como partidos catch-all, caracterizados pela sua indefinição e flexibilidade ideológicas, uma estratégia para conseguir o apoio de uma maior quantidade de eleitores e, assim, conseguir ganhar eleições (Jalali, 2003; Jalali, 2007). Esta característica dos dois principais partidos portugueses terá, na opinião de Jalali (2003; 2007), fomentado a volatilidade eleitoral a partir da década de 80, levando os eleitores indecisos a pender a sua escolha entre um partido moderado de centro-esquerda e um moderado de centro-direita. Já os eleitores com identificações partidárias demonstram o seu desagrado para com o seu partido abstendo-se. Como resultado, o país tem vindo a apresentar níveis cada vez mais elevados de abstenção de eleição para eleição. No caso das legislativas, os números oscilam entre os 8,5%, em 1975, e os 40,26%, em 2009 (Cruz,1995). 5.1 Os principais partidos portugueses 5.1.1 O Partido Comunista Português, mais à esquerda O Partido Comunista, formado em 1921, é o mais antigo partido português e o único a sobreviver ao Estado Novo e a opor-se ao regime Salazarista. O PCP assume-se como um partido marxista-leninista, defendendo acima de tudo os interesses do proletariado, a supressão da propriedade privada e o desaparecimento da estratificação social. A partir dos anos 80, o posicionamento do partido tem dividido os seus membros, confrontando-se uma ala ortodoxa com uma renovadora. Acabou por ser a manutenção da sua ideologia a originar a perda de apoio eleitoral, muito embora seja ainda o partido português com o maior número de militantes (Jalali, 2007). Apesar de tudo, a capacidade de mobilização do partido já não é a mesma de outrora. O PCP recusa ajustar-se às mudanças sociais, perdendo assim lugar para aquele que se tornou o seu rival mais directo, o Bloco de Esquerda. Quanto aos seus apoiantes, Paula Espírito Santo (2006) compara-os aos do Partido Socialista, embora menos religiosos, mais sindicalizados e com menor estatuto socioeconómico. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO V Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 36 5.1.2 O Bloco de Esquerda, a esquerda jovem O Bloco de Esquerda, partido fundado em 1999 pelo economista Francisco Louça, nasceu da união de três forças políticas assumidamente de esquerda: a União Democrática Popular (UDP), associada ao Maoísmo e ao Leninismo; o Partido Socialista Revolucionário (PSR), de tradição trotskista; e a Política XXI, herdeira do comunismo. Entretanto, depois da formação oficial do Bloco de Esquerda, os partidos constituintes acabaram por se auto-extinguir. Com o passar do tempo, o bloco foi incluindo no seio outros pequenos grupos políticos e não políticos. Destes últimos são exemplo os grupos sindicalistas e ecologistas, grupos de mulheres ou ainda de defensores do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgéneros). Comentadores políticos acreditam que o Bloco é o partido com mais possibilidade de abalar os alicerces da Esquerda portuguesa. Carlos Jalali (2007) considera o BE um “espinho” para o Partido Comunista, em particular nas áreas urbanas, tornando-se apelativo para os eleitores comunistas, mas também para os socialistas desiludidos. 5.1.3 O Partido Socialista: A esquerda ao centro Formado em 1973 fora das fronteiras portuguesas, mais propriamente na Alemanha, o Partido Socialista é filho do exílio. Sem bases organizadas, o PS tinha na altura um número diminuto de militantes, na sua maioria trabalhadores liberais. Defendendo os ideais do liberalismo – liberdade, igualdade, fraternidade – o partido recusou desde logo qualquer ligação a uma esquerda mais radical. É considerado o partido mais “nacional” em termos de distribuição do eleitorado (Cabral, 1995; Jalali, 2007) O PS foi sempre a primeira ou segunda força em todas as eleições legislativas que tiveram lugar em Portugal desde 1976, podendo-se dizer que passou quase tantos anos no governo como na oposição (Fortes, 2007). 5.1.4 O Partido Social Democrata: A direita ao centro Também ao centro, mas mais à direita, encontra-se o Partido Social Democrata, fundado em 1974, que em alternância com o PS tem governado o país desde 1976. O A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO V Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 37 partido que domina a direita portuguesa possui uma máquina partidária eficiente, capaz de mobilizar apoiantes nas campanhas eleitorais, uma vantagem em relação ao concorrente CDS-PP. Apesar de ser também considerado um partido interclassista, é-o em menor dimensão que o Partido Socialista. Vale ao PSD o apoio de bases regionais e sociais, na sua maioria pertencentes ao Norte do país e nos meios católicos e rurais. 5.1.5 O Centro Democrático Social, mais à direita Fundado em 1974, o Centro Democrático Social – Partido Popular é um partido de inspiração democrata-cristã. Embora a sua posição ideológica tenha vindo a mudar ligeiramente ao longo do tempo, continua a ser apoiado pelos conservadores e pelos católicos. Uma aposta na reconstrução ideológica do partido poderia implicar tensões com o PSD, o único partido com que é possível coligar-se. O CDS não possui raízes sociais profundas, apesar de ser o partido escolhido pelos economicamente mais abastados, por aqueles que possuem mais recursos educacionais, pelos mais velhos e pelos católicos praticantes (Cabral, 1995 apud Jalali, 2007). A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 44 CAPÍTULO VII Apresentação e Análise dos resultados Este capítulo será dividido em duas secções distintas para facilitar a sua compreensão. A primeira secção limitar-se-á à caracterização da amostra quanto às suas características sócio-demográficas, ao sentido de voto dos inquiridos nas eleições legislativas de 27 de Setembro de 2009, aos seus hábitos e opiniões políticas e ao uso dos meios de comunicação social. Esta secção irá, portanto, remeter-se à apresentação dos dados resultantes da análise exploratória e descritiva. Numa segunda parte, os dados serão analisados à luz das hipóteses formuladas no capítulo anterior, permitindo auferir-se a validade das mesmas. Para se proceder a esta verificação, das 22 perguntas anteriormente mencionadas apenas dez serão cruzadas e os seus resultados testados, sendo que três delas dizem respeito a variáveis sócio-económicas. 7.1 Apresentação de Resultados - Caracterização da Amostra 7.1.1 Características Sócio-demográficas[3 ] a. Distrito de residência Foram inquiridos indivíduos de 16 distritos de Portugal Continental. Aproximadamente metade da amostra reside nos distritos de Porto (24%) e de Lisboa (22%). Estando os restantes 54,2% distribuídos pelos restantes 14 distritos do território nacional. b. Sexo Mais de metade da amostra (1317 indivíduos) é do sexo feminino. As 781 mulheres inquiridas representam 59% da amostra, enquanto os homens perfazem o restante. [3] Ver ANEXO B para consulta da tabela de frequências das características sócio-demográficas da amostra. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 45 c. Idade Aos inquiridos foi perguntada a sua idade. Apenas cinco sujeitos se recusaram a responder. Entre os restantes 1312, as idades variam entre os 18 e os 89 anos. Para evitar uma lista exaustiva de idades, estas foram divididas por sete escalões etários para facilitar a sua análise (18 a 24 anos, 25 a 34, 35 a 44, 45 a 54, 55 a 64, 65 a 74 e mais de 75 ano). Mais de metade da amostra tem idade igual ou superior a 51 anos, estando a média nos 54 (ver gráfico 1). Quando cruzadas as duas variáveis sócio-demográficas anteriores, verifica-se que há uma maior concentração de indivíduos inquiridos no intervalo etário entre os 45 e os 54 anos, em ambos os sexos. O mesmo se passa na faixa etária dos 18 aos 24, na qual se encontram menos indivíduos dos dois grupos. No entanto, enquanto a população feminina tem mais inquiridas nas faixas etárias dos 45 aos 54 anos e superiores que a masculina (62,5% e 60,4%, respectivamente); os homens estão mais concentrados nos primeiros três escalões etários (39,3% e 37,4%, respectivamente) (ver gráfico 2). Gráfico 1 - Distribuição da amostra por idades A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 46 d. Habilitações literárias dos inquiridos Quanto às habilitações dos sujeitos, perto de um decil da amostra é iletrada ou não terminou o ensino primário (7,7%). O número de indivíduos com o ciclo primário concluído representa 31% da amostra, seguido pelos que prosseguiram os estudos mas não terminaram o secundário (25,4%). São, no entanto, menos aqueles que terminaram o 12º ano (17,2%). Apenas 18% da amostra chegou ao ensino superior, sendo que destes 5% não o conclui. O número de homens a atingir os graus de escolaridade propostos é inferior em todos os escalões, excepto no que toca à conclusão do ensino secundário, no qual a percentagem masculina é ligeiramente superior (ver gráfico 3). Gráfico 2 - Cruzamento das variáveis ‘Idade’ e ‘Sexo’ A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 47 e. Situação Profissional dos Inquiridos Aproximadamente 42% dos inquiridos está empregado a tempo inteiro. Apenas 2,4% destes sujeitos diz não ter concluído qualquer grau de escolaridade. Dos restantes, 55% chegou ao ensino secundário, embora só 24% o tenha concluído. Somente 24% dos indivíduos com empregos de pelo menos 35 horas semanais concluiu o ensino superior. Destaca-se em segundo maior número os reformados ou em situação de pré reforma (30%). Segue-se a população desempregada que alcança os 13%. Destes últimos, apenas 12% concluiu o ensino secundário e 8% atingiu graus de escolaridade mais elevados, ou seja, 80% da população desempregada tem habilitações inferiores ao secundário. Acrescenta-se ainda a grande diferença encontrada entre o sexo dos desempregados, maioritariamente pertencentes ao sexo feminino (71%). Os inquiridos que dizem fazer serviços domésticos 5% da amostra - são na sua totalidade mulheres. 88% das quais com habilitações inferiores ao 12º anos e apenas 4% delas licenciadas. Gráfico 3 - Cruzamento das variáveis ‘Grau de escolaridade’ e ‘Sexo’ A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 48 Cerca de 4% da amostra encontra-se ainda a estudar (seja avançando nos graus normais de ensino, seja fazendo formação profissional), sendo esta percentagem constituída por mais mulheres (56%) do que homens (44%) (ver gráfico 4). f. Rendimentos mensais líquidos do agregado familiar Sendo esta uma questão delicada, por ser de foro mais pessoal que as anteriores, a pergunta relativa ao escalão de rendimentos líquidos do agregado familiar recebeu um número elevado de não respostas (38%). Alerta-se ainda que, atendendo à sensibilidade da pergunta, as respostas dadas podem não corresponder à realidade. Dos dados restantes (62%), é possível verificar que, pelo menos, 37% dos inquiridos recebe mais do que o salário mínimo nacional. Um quarto da amostra apresenta rendimentos de valor igual ou inferior a de 750 euros mensais. Há mais mulheres a declarar rendimentos familiares inferiores a 300 euros mensais (65,4%) que homens (34,6%). A situação de supremacia das mulheres só se inverte no Gráfico 4 - Cruzamento das variáveis ‘Situação profissional’ e ‘Sexo’ A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 49 escalão mais elevado - ganhos líquidos superiores a 2500 euros – no qual há mais homens incluídos (59%). Aqueles que apresentam rendimentos mais baixos – menos de 300 euros por mês – estão, na sua maioria, reformados (49%) ou a receber subsídio de desemprego (29%). Dos que dizem que o rendimento do agregado é superior a 2500 euros, 57% trabalha a tempo inteiro e 30% esta a receber reforma. g. Classe social dos inquiridos Aos indivíduos foi ainda perguntada a classe social em que este se inseririam, variável que foi posteriormente cruzada com os rendimentos que estes dizem receber. Os resultados observados diferem do esperado, já que, dado o seu carácter mais pessoal, esperar-se-ia que os inquiridos tendessem a responder àquilo que consideram ser socialmente desejável, contudo os resultados revelam o contrário. Cerca de 95% da amostra diz pertencer à classe média ou classes inferiores. Nos extremos temos 24% da amostra a classificar-se como parte integrante da Classe Baixa, enquanto que nem 1% se insere na Classe Alta. Nenhum sujeito que indicou receber 300 euros mensais ou menos se enquadrou na Classe Alta, mas um dos que diz que o rendimento familiar é superior a 2500 euros considera pertencer à classe baixa. A resposta a esta pergunta era uma questão de julgamento próprio, sendo portanto subjectiva. Daí que inquiridos com os mesmos rendimentos se coloquem em Classes diferentes, ou que com rendimentos muito diferentes se enquadrem numa mesma classe. 7.1.2 Voto nas eleições legislativas de 27 de Setembro de 2009 Dos 1317 inquiridos, 1002 exerceram o seu direito de voto, o que corresponde a 76% da amostra, os restantes 24% não se deslocaram às urnas. Desses, 80% não o fez, porque não quis ou não pôde, e 20% porque não estava ainda recenseado. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 50 a. O voto e o interesse pela política Aos indivíduos perguntou-se o seu grau de interesse pela política e os resultados indicam que há uma maior percentagem de interessados (razoavelmente ou muito) a deslocaram-se às urnas (60%), do que os pouco ou nada interessados (40%). Os que não votaram, ou porque não tiveram oportunidade ou porque não quiseram, pendem entre o interesse razoável (32%), para os primeiros, e o interesse nulo (37%), para os segundos. Entre os que não votaram, porque não se tinham ainda recenseado, há poucos inquiridos com muito interesse político (13%), mas um número considerável de razoavelmente interessados (32%). Olhando para os resultados por uma perspectiva mais geral, há uma maior percentagem de não recenseados com pouco ou nenhum interesse pela política (53%), do que razoavelmente ou muito interessados (45%). b. Caracterização sócio-demográfica dos não-votantes Uma vez que o recenseamento eleitoral é obrigatório em Portugal a partir dos 18 anos, cruzaram-se os não votantes com a variável idade para apurar em que escalões etários se enquadravam os não recenseados. Desse cruzamento verifica-se que o maior número de sujeitos não recenseados tem entre 25 e 34 anos (39%), seguidos pelo escalão imediatamente superior (23%) – 35 a 44 anos. Os não votantes com idades compreendidas entre os 18 e 24 anos, dos quais se esperaria uma maior taxa de não recenseamento, ficam-se pelos 21%. Na amostra em estudo existem ainda elementos não recenseados nos restantes escalões, embora em número muito mais reduzido, perfazendo um total de 18% nos três escalões. Cerca de 36% dos não recenseados inquiridos tem, pelo menos, o 3º ciclo de escolaridade completo, o ensino secundário (30%) ou terminaram o ensino superior (15%). Escassos são os não recenseados iletrados ou com poucos estudos (primário incompleto ou completo), que perfazem um total de 19%. Ainda em relação aos não votantes, estes pertencem essencialmente às classes Média (42%) e Média Baixa (36%), e são, na sua maioria, mulheres (61%). A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 51 c. Caracterização sócio-demográfica dos votantes Assim como acontece com os não-votantes, há uma maior percentagem de votantes do sexo feminino (59%), que do sexo masculino (41%). Quanto à variável ‘idade’, verifica-se que há menos elementos jovens e jovens adultos a votar (5,4%). Nos restantes escalões etários, o número de votantes é consideravelmente superior. A maior percentagem (19,7%) tem entre 45 e 54 anos (ver gráfico 5). Nem um decil da amostra de votantes (8%) é iletrado ou não conclui o ciclo de estudos primário. O maior número de votos foi colocado nas urnas por indivíduos com o ensino primário terminado (34%), percentagem que vai diminuindo conforme vai aumentando o grau de escolaridade. No último nível, correspondente ao ensino superior concluído, a percentagem de votantes fica-se pelos 15,4% (ver gráfico 6). Gráfico 5 - Idade dos votantes A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 52 d. Em que partido/coligação votou? Aos inquiridos que votaram foi perguntado em que partido ou coligação o tinham feito, e aproximadamente 19% da amostra optou por não responder à pergunta, mesmo tendo em consideração o anonimato do inquérito. Dos que aceitaram responder à questão, 5,2% admitiu que votou em branco ou optou pelo voto nulo. As restantes respostas dividem-se pelos partidos em competição para as ditas eleições, tendo os cinco principais partidos/coligações arrecadado o maior número de votos: PS (35%); PPD – PSD (22%); CDU (7%); BE (6%); CDS-PP (6%). Os restantes partidos – Movimento Esperança Portugal, Movimento Mérito e Sociedade; Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses; Partido da Terra, Partido Popular Monárquico - não chegam a conseguir alcançar 1% dos votos quando contabilizados em conjunto (ver gráfico 7). Gráfico 6 - Habilitações literárias dos votantes A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 53 Em termos de distinção de géneros, PS, PPD-PSD e CDS tem mais apoio da parte do sexo feminino (64%, 59% e 56%, respectivamente). O BE contradiz a tendência com mais elementos do sexo masculino a optarem por este partido de esquerda (57%). Nos votantes do CDU não há predominância acentuada de um género face a outro (49% para o sexo masculino e 51% para o feminino. Analisando os inquiridos que votaram nos cinco principais partidos portugueses, encontram-se diferenças nas suas idades. O Bloco de Esquerda é o partido com os votantes mais jovens, tendo estes entre 25 e 54 anos (72%). O CDS-PP igualmente é apelativo para os eleitores mais novos, embora a o voto se prolongue pelos escalões superiores, com um maior de apoiantes a concentrar-se nas faixas etárias entre os 25 e os 74 anos (86%). No caso do PS e PPD-PSD, a concentração de votantes inicia-se a partir dos 45 anos, mas enquanto a concentração do primeiro oscila entre os 45 e os 74 anos (56%), a do segundo continua em escalões seguintes (74%). Os votantes do CDU são os mais envelhecidos, com Gráfico 7 - Sentido de voto A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 60 Os leitores dão preferência ao Correio da Manhã (32%) e ao Jornal de Notícias (24%). As publicações menos lidas são a revista Sábado (0,2%), o Comércio do Porto (0,3%) e o Diário Económico (0,5%). Os telespectadores assistem mais frequentemente aos noticiários da RTP (33%), TVI (30%) e SIC (27%). Os canais de notícias por cabo (6%) e a RTP2 (1%) são os menos vistos. Os ouvintes sintonizam mais frequentemente a Rádio Renascença (30%) e igual percentagem diz ouvir outras rádios que não as mencionadas no inquérito. A Rádio Clube Português, entretanto extinta, era a menos procurada pelos ouvintes para ouvir notícias de cariz político (4%). b. Frequência de consumo e interesse pela política E porque o grau de interesse na política pode influenciar a procura de informação, estas duas variáveis foram cruzadas. A partir dos resultados conclui-se que os mais interessados recorrem aos meios com mais frequência que os menos interessados. Os nada interessados tendem a não seguir as notícias sobre política (ver gráfico 13). Gráfico 12 - Frequência de exposição aos meios de comunicação A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 61 c. Frequência de consumo e características sócio-demográficas Quanto às diferenças encontradas entre sexos, há uma predominância das mulheres que não viram televisão durante a última campanha eleitoral das legislativas de 2009 (7% contra 4% dos homens) e aquelas que viram diariamente (26% contra 22%). O predomínio do sexo feminino mantêm-se e acentua-se no caso das que não ouviram rádio (45% contra 25%) e não leram jornais e/ou revistas (37% contra 15%). Contudo, são mais os homens que ouviram as noticias na rádio (6% contra 5%) e leram jornais e/ou revistas diariamente durante a campanha (10% contra 7%). A nível etário, são os jovens entre os 18 e os 24 anos que menos procuram notícias diariamente em qualquer um dos três meios. Destes, 77% nunca sintonizou a rádio para esse efeito e 16% raramente o fez. No caso da televisão, 13% não assistiu a programas informativos e igual percentagem admitiu tê-lo feito raras vezes; enquanto 50% não consultou jornais e/ou revistas. A televisão é, portanto, o meio mais utilizado pelos jovens Gráfico 13 - Cruzamento da frequência de exposição aos meios de comunicação e interesse pela política A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 62 para a busca de informação política (30%), seguindo-se, por ordem de preferência, os jornais (9%) e por último a rádio (1%). Os principais telespectadores têm entre 45 e 74 anos (54%), os principais ouvintes entre 55 e 64 anos (23%) e os principais leitores entre 35 e 74 anos (70%). Denota-se assim que os leitores tem um intervalo de idades mais alargados que os restantes, principalmente em relação aos ouvintes que na sua generalidade são mais velhos. Apesar desta última afirmação, no escalão etário superior, correspondente àqueles que têm mais de 75 anos, a preferência é dada à televisão (13%) e não há rádio (12%), embora a diferença seja diminuta. Os resultados indicam também que os que vêm televisão diariamente são os que têm menos habilitações literárias: 7% é analfabeto ou não terminou o ensino primário, 32% completou o 1º ciclo do ensino básico e 26% o 3º ciclo do ensino preparatório. Dos que lêem jornais e/ou revistas, 27% tem o ensino primário, 22% pelo menos o 9º anos, 24% completou o ensino secundário. Os ouvintes são os mais letrados já que 25% deles terminou o ensino superior, muito embora também se encontre quem não tenha estudado (9%), quem se tenha ficado pelo ensino primário (23%) e quem chegou ao secundário, mas não o terminou (23%). 7.2 Análise de Resultados - Validação/ Refutação das Hipóteses Antes de qualquer cruzamento e teste de variáveis foi necessário definir que respostas apontavam na direcção da identificação partidária. Neste sentido, de entre as perguntas que constituíam o questionário consideraram-se três questões específicas: ‘Nestas eleições, quando é que decidiu em que partido ia votar?’; ‘Considerou votar noutro(s) partido(s)?’; e ‘Considera-se próximo/a a um partido político em particular?’. Para efeitos de análise considerou-se que um inquirido com identificação partidária tinha de responder que a sua decisão de voto tinha sido tomada mais de um mês antes das eleições; que não considerou votar noutros partidos e que se sentia próximo a um determinado partido. Qualquer outra resposta a estas perguntas excluiria uma identificação partidária. Deste processo resultou uma nova variável, designada por ‘Identificação Partidária’, com duas possibilidades de resposta, afirmativa ou negativa. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 63 Para a verificação da segunda hipótese, atentou-se ainda a uma das sub-perguntas da questão de proximidade, nomeadamente ‘Sente-se muito próximo/a desse partido, razoavelmente próximo/a, ou dirá que é meramente simpatizante?’. Se o indivíduo se considerasse meramente simpatizante, o grau de identificação seria fraco; se razoavelmente próximo, moderada; e, finalmente, se muito próximo, forte. 7.2.1 Primeira Hipótese[4 ] A fim de confirmar a primeira hipótese, que defende que a identificação partidária condiciona o uso que os eleitores fazem dos meios de comunicação social, foi cruzada a ‘Identificação Partidária’ com as categorias das questões respeitantes à frequência de acompanhamento das notícias sobre política na televisão, rádio e jornais e/ou revistas, na ultima campanha eleitoral. Dada a natureza das variáveis – ambas categóricas, uma nominal e outra ordinal – a verificação da relação entre estas foi feita recorrendo ao teste de independência do QuiQuadrado. Aceitou-se como hipótese nula (H0) a independência das variáveis, ou seja, a identificação partidária não condiciona a frequência de exposição dos eleitores aos meios de comunicação social. E como hipótese alternativa (H1) a dependência: a identificação partidária condiciona a frequência de exposição dos eleitores aos meios de comunicação social. No caso da televisão, o quadro resultante mostra que o valor do teste do QuiQuadrado para as categorias é 8,345. Considerando que o nível de significância (p=0,080) é superior ao limite de 0,05, temos de concluir que o resultado não é significante, assim sendo, não se rejeita a hipótese nula. Não existe relação de dependência entre variáveis, portanto, a existência de identificação partidária não condiciona a frequência com que os indivíduos se expõem às notícias televisivas. Para os jornais e revistas, o valor teste do Qui-Quadrado é de 6,627, com um nível de significância de 0,357, claramente muito superior a 0,05, concluindo-se que não existe relação de dependência entre variáveis. No entanto, esta afirmação é feita com as devidas [4] Ver ANEXO C para consultar tabelas resultantes dos testes estatísticos aplicados. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 64 reservas, porque existem cinco células (35,7%) com frequências esperadas inferiores a 5 e este facto viola o pressuposto do Qui-Quadrado, que estabelece a obrigatoriedade de, pelo menos, 80% das células terem frequência esperada superior a 5. Recorreu-se então à simulação de Monte Carlo para minorar esta situação e o resultado (p=0,355) confirmou o teste do Qui-Quadrado. Portanto, assim como no caso da televisão mas ainda de forma mais acentuada, rejeita-se a hipótese alternativa e conclui-se que a existência de identificação partidária não condiciona a frequência com que os indivíduos lêem notícias sobre política nos jornais e revistas, durante a campanha eleitoral. Já para a rádio, o valor do teste é 9,997 comum nível de significância de 0,04, o que indica a rejeição da hipótese nula. Contudo, também neste caso se está a violar o pressuposto do teste do Qui-Quadrado, existindo duas células (20%), com valores inferiores a 5. Mas fazendo-se uso, mais uma vez, da simulação de Monte Carlo (p=0,038), o nível de significância mantém-se inferior ao limite. Existe então uma relação de dependência entre variáveis, indicando os resultados que a identificação partidária condiciona a frequência com que os indivíduos ouvem notícias sobre política na rádio, durante o período de campanha eleitoral. Depois de verificada esta associação global entre variáveis, calcularam-se os resíduos ajustados[5 ] para descobrir a associação entre variáveis a um nível mais particular. Assim, olhando-se para os valores dos resíduos ajustados resultantes da intersecção entre a variável ‘Identificação Partidária’ e a ‘Frequência de acompanhamento de notícias sobre política na rádio, durante a campanha eleitoral’, verifica-se que os maiores valores positivos indicam que há uma forte associação entre os que se identificam com um partido que nunca ouviram rádio (3) e entre aqueles que não se identificam e ouvem rádio com menos frequência (2,2) do que o esperado. [5] Esta análise permite localizar as categorias responsáveis pelas associações estatísticas encontradas nas variáveis analisadas. Se o resíduo ajustado for maior que 1,96 (ou menor que – 1,96) na intersecção entre duas categorias, é porque estas estão associadas. Quanto maior for o resíduo ajustado, maior a associação entre as categorias (Pallant, 2001). A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 65 7.2.2 Segunda Hipótese [6 ] Para confirmação da segunda hipótese, que defende que a frequência do uso dos meios de comunicação social difere conforme o grau de identificação partidária, cruzaramse as categorias das variáveis ‘Grau de Identificação partidária’ e ‘Frequência de consumo de televisão, jornais e/ou revistas e rádio na última campanha eleitoral’. Definiu-se como hipótese nula (H0) a independência das variáveis, ou seja, o grau de identificação partidária não condiciona a frequência de uso dos meios de comunicação social por parte dos eleitores. E como hipótese alternativa (H1) a sua dependência, ou seja, o grau de identificação partidária condiciona a frequência de uso dos meios de comunicação social. Dada a natureza ordinal das variáveis, para se testarem as hipóteses recorreu-se à Correlação de Spearman, que mede a intensidade da relação entre elas; e ao Gamma, que mede o grau de associação. Para o cruzamento entre grau de identificação partidária e a frequência de visionamento de notícias políticas na televisão, o valor do teste Rho de Spearman (0,098) indica a existência de uma associação muito fraca e positiva entre as variáveis. Todavia, esta associação não é significativa do ponto de vista estatístico (p=0,067) por ser superior a 0,05. Por conseguinte, aceita-se que as variáveis são independentes. O teste Gamma para este mesmo meio mostra que utilizando uma variável para prever a outra se melhoram as previsões em 16%. Mais uma vez, a associação é muito fraca e positiva mas não é estatisticamente significativa, porque o nível de significância associado ao teste gama é 0,062. Assim sendo, o grau de identificação partidária não condiciona a frequência de visionamento de blocos informativos televisivos sobre política. Para os jornais e/ou revistas, o valor de Rho de Spearman é 0,212, denotando-se uma associação fraca e positiva entre as variáveis estatisticamente positiva (p=0,000). Através do teste Gamma conclui-se que usando uma variável para prever a outra, as previsões melhoram em 28,5%, um resultado estatístico significativo (p=0,000). Rejeita-se portanto a [6] Ver ANEXO D para consultar tabelas de resultados dos testes estatísticos. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 66 hipótese nula que defende a independência das variáveis. Por outras palavras, a frequência de leitura de jornais e/ou revistas está condicionada pelo grau de identificação partidária. Ainda para o caso dos leitores, a análise dos resíduos ajustados permite verificar que há uma forte associação entre os que apresentam um grau de identificação partidária fraca e nunca leram jornais e revistas (4,4), entre os com identificação moderada e leram notícias sobre política 1 a 2 dias por semana (3,6) e os que o fizeram 3 a 4 dias por semana (2,7). No caso da rádio, o valor de Rho de Spearman (0,054), que dá a conhecer uma associação muito fraca e positiva entre variáveis, não é significativo a nível estatístico (p=0,311). As variáveis são, portanto, independentes. O teste Gamma vem confirmar estes primeiros resultados, já que uma variável usada para previsão da outra melhora as previsões em apenas 9%, resultado não significativo do ponto de vista estatístico (p=0.308). Pode-se então concluir que as variáveis são independentes, não havendo ligação entre grau de identificação partidária e frequência de uso da rádio para ouvir notícias políticas, durante o período de campanha eleitoral. 7.2.3 Terceira Hipótese [7 ] A terceira hipótese defende que o sexo, a idade e as habilitações literárias dos votantes afectam o uso que os eleitores com identificações partidárias fazem dos meios de comunicação social. Para a sua confirmação cruzam-se as variáveis sócio-demográficas com a frequência de uso de cada um dos meios de comunicação pelos votantes com identificação partidária. Definiu-se como hipótese nula (H0) a independência das variáveis, ou seja, o sexo dos votantes, bem como a sua idade e habilitações literárias não afectam o uso que os eleitores com identificações partidárias fazem dos meios de comunicação social. E como hipótese alternativa (H1) a sua dependência, ou seja, o sexo dos votantes, assim como a sua idade e habilitações literárias afectam o uso que os eleitores com identificações partidárias fazem dos meios de comunicação social. No cruzamento entre o sexo dos votantes com identificação partidária e a frequência com que assistem a notícias sobre política na televisão, o teste do Qui-Quadrado (4,983) [7] Ver ANEXO E para consultar tabelas de resultados dos testes estatísticos. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 67 não é estatisticamente significativo (p=0,289), não levando à rejeição da independência entre variáveis. Para os jornais e revistas, o valor do teste (39,465) é já totalmente significativo do ponto de vista estatístico (p=0,000): as variáveis são dependentes. Observando o resultado do calculo dos resíduos ajustados, conclui-se que há uma forte associação entre os elementos do sexo feminino que nunca leram notícias sobre política em jornais ou revistas (5,4) e entre os do sexo masculino que as lêem 3 a 4 dias por semana (2,9) e os que o fazem diariamente (4,3). Também no caso da rádio o valor do Qui-Quadrado de Pearson (16,118) é significativo a nível estatístico. O nível de significância a observar é o resultante da simulação de Monte Carlo (p=0,002), uma vez que os resultados violam o pressuposto to teste do Qui-Quadrado. Rejeita-se, assim, a hipótese nula e a independência das variáveis, ou seja, as variáveis estão dependentes uma da outra. A análise dos resíduos ajustados indica um maior número de mulheres que nunca ouviu notícias sobre política na rádio (3,8) e de homens que o fizeram diariamente (3). Em termos etários, nos resultados associados à televisão, o valor Rho de Spearman (0,103), dá a conhecer uma associação muito fraca e positiva mas não é significativo (p=0,055) e o mesmo se passa com os resultados de Gamma. Embora se possa concluir que usando uma variável para prever a outra, as previsões melhorem em 12,4%, esta percentagem não é também significativa do ponto de vista estatístico (p=0,053). As variáveis não são dependentes. Para os jornais e revistas, o valor de Rho de Spearman é negativo (-0,061), sendo portanto a relação muito fraca e negativa mas não significativa (p=0,260). Através de Gamma sabe-se que usando uma variável para prever outra as previsões melhoram em apenas 6,4%, mas sem significado estatístico (p=0,251). Rejeita-se então a dependência entre variáveis. Só no caso da rádio se apresentam valores estatisticamente significativos. O valor negativo de Rho de Spearman (-0,113) indica uma associação significativa (p=0,034) muito fraca e negativa entre variáveis. Gamma indica uma ajuda nas previsões na ordem dos 14,6%, também significativa estatisticamente (p=0,029). A hipótese de independência é então rejeitada e conclui-se que existe uma relação dependente entre a idade dos A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 68 indivíduos com identificação partidária e o uso que fazem da rádio para ouvir notícias sobre política. Mais particularmente, recorrendo-se à análise dos resíduos ajustados, verifica-se que os eleitores com identificação partidária que ouviram notícias sobre política com menos frequência na rádio têm idades compreendidas entre os 35 e os 44 anos (2,8); os que ouvem mais frequentemente - 3 a 4 dias por semana - têm entre os 45 e os 54 anos (2,7) e os que o fazem diariamente são mais velho, com idades entre os 55 e os 64 (2,1). Finalmente, para o cruzamento com a variável ‘Habilitações Literárias’, no caso da televisão em particular, o valor de Rho de Spearman (0,074) indica uma associação muito fraca e positiva entre variáveis, ainda que esta não seja estatisticamente significativa, uma vez que os níveis de significância são superiores a 0,05 (p=0,168). Os valores de Gamma indicam uma ajuda na previsão de 9,6%, também não significativa (p=0,158). Não estando as variáveis relacionadas, rejeita-se a hipótese alternativa. Para os jornais e/ou revistas, o valor de Rho de Spearman (0,311) aponta para a existência de uma relação fraca e positiva entre variáveis que é perfeitamente significativa do ponto de vista estatístico (p=0,000). Gamma indica uma ajuda na previsão de uma variável face à outra de 34,6%, resultado também significativo (p=0,000). Com a rejeição de hipótese nula, conclui-se as habilitações literárias condicionam a frequência de leitura de jornais e/ou revistas em altura de campanha eleitoral. Foram posteriormente analisados os resíduos ajustados para o cruzamento entre as variáveis e verificou-se que são os eleitores com menos ou nenhuns estudos que nunca leram notícias sobre politica nos jornais e/ou revistas, em período de campanha: os sem qualquer habilitação literária (3,8), os que não completaram o ensino primário (2,6) e os que o terminaram (3,8). Os iletrados são igualmente os que menos lêem notícias diariamente (-2,1) e são os eleitores com o 12º ano de escolaridade incompleto que o fazem mais frequentemente (2,9). Os votantes que terminaram o ensino secundário tendem a ler jornais e/ou revistas à procura de informação política três a quatro dias por semana (2,2). Os inquiridos com identificações partidárias e com grau académico lêem estes meios com menos frequência (3,1) ou apenas um a dois dias por semana (3,4). Por último, no caso da rádio, Rho de Spearman (0,152) indica uma relação muito fraca e positiva entre variáveis que é significativa a nível estatístico (p=0,004). Estes resultados são corroborados pelos valores do teste Gamma que apontam para uma ajuda A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão CAPÍTULO VII Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 69 nas previsões de 21,1% que é estatisticamente significativa (p=0,004). Assim como no caso dos leitores, também o grau de escolaridade dos ouvintes influencia a frequência com que estes ouvem notícias sobre política, no período de campanha eleitoral. A hipótese nula é rejeitada e conclui-se que existe uma relação de dependência entre variáveis. A associação mais vincada estabelece-se entre os inquiridos com identificações partidárias que completaram o ensino superior, que são aqueles que mais afirmam ouvir notícias sobre política na rádio diariamente ou quase todos os dias (2,2); e entre os que apenas terminaram o ensino primário, que admitem nunca ter ouvido rádio durante a campanha eleitoral (2,2). São estes últimos os que menos ouviram a rádio diariamente (- 2,2). A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 76 > PARTES DE MONOGRAFIAS BAUM, Michael e ESPÍRITO SANTO, Ana – As desigualdades de género na participação política em Portugal: uma perspectiva longitudinal. In FREIRE, André; LOBO; Marina Costa e MAGALHÃES, Pedro (orgs.) (2007) – “Eleições e Cultura Política: Portugal no contexto europeu”. 1ª Ed. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais. 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Qual? ______________  Não sabe  Não responde CAIXA 4 A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 83 P.29  No dia das eleições – Nestas eleições quando é que decidiu em que partido ia votar?  Na véspera  Na semana antes das eleições  No mês antes das eleições  Mais de um mês antes das eleições  Não sabe  Não responde P.30  Sim (passar para P31) - Considerou votar noutro partido?  Não  Não sabe  Não responde P.31  Bloco de Esquerda – Importa-se de me dizer qual ou quais eram esses partidos?  CDS-PP  CDU (PCP e PEV)  PPD-PSD  PS  Outro. Qual? ________________  Não sabe  Não responde P.57  Sim (passa para P57A) – Considera-se próximo de um partido político em particular?  Não  Não sabe CAIXA 9 A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 84  Não responde P.57A  Bloco de Esquerda – Importa-se de me dizer qual é esse partido?  CDS-PP  CDU (PCP e PEV)  PPD-PSD  PS  Outro. Qual? ________________  Não sabe  Não responde P.57D  Muito próximo/a – Sente-se muito próximo/a desse partido, razoavelmente próximo/a, ou diria que é meramente simpatizante desse partido?  Razoavelmente próximo  Meramente simpatizante  Não sabe  Não responde Variável Demográfica 2 (D.2) – Importa-se de me dizer a sua idade, por favor? ___ anos D.3  Classe Baixa – Algumas pessoas sentem que a sociedade portuguesa está dividida em classes sociais. Em que classe o senhor/a se inclui?  Classe Média Baixa  Classe Média  Classe Média Ala  Classe Alta CAIXA 14 A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 85  Não sabe  Não responde D.4  Nenhum – Qual foi o grau de escolaridade mais elevado que atingiu?  Primário incompleto  Primário completo (4ª classe)  Secundário incompleto  Secundário completo (antigo 7º ano, actual 12º)  Superior incompleto  Superior completo  Não sabe  Não responde D.6  Empregado/a a tempo ou mais horas semanais) – Vamos agora falar da sua situação face ao trabalho. Qual a sua situação profissional actual?  Empregado/a a tempo parcial (entre 15 a 34 horas semanais)  Empregado/a a menos que o tempo parcial (14 ou menos horas semanais)  Trabalho familiar não remunerado  Desempregado/a  Estudante/na escola/em formação profissional  Reformado ou pré-reformado (excepto reformados por invalidez)  Invalidez permanente (recebendo pensão ou não)  Doméstica/ ocupa-se das tarefas do lar  Outra situação  Não sabe  Não responde IDENTIFICAÇÃO PARTIDÁRIA E MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL: Uma relação bilateral de condicionamento ANEXO D Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 92 Tabela 7 - Durante a campanha eleitoral, qual a frequência com que acompanhou as notícias sobre política na rádio? * Grau de Identificação Partidária Symmetric Measures Value Asymp. Std. Errora Approx. Tb Approx. Sig. Ordinal by Ordinal Gamma ,090 ,087 1,020 ,308 Spearman Correlation ,054 ,053 1,015 ,311c N of Valid Cases 349 a. Not assuming the null hypothesis. b. Using the asymptotic standard error assuming the null hypothesis. c. Based on normal approximation. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 93 ANEXO E Testes estatísticos realizados para verificação da terceira hipótese Tabela 8 - Frequência de exposição à televisão por indivíduos com identificação partidária * Sexo Chi-Square Tests Value df Asymp. Sig. (2-sided) Pearson Chi-Square 4,983 a 4 ,289 Likelihood Ratio 5,051 4 ,282 Linear-by-Linear Association 2,451 1 ,117 N of Valid Cases 352 a. 0 cells (,0%) have expected count less than 5. The minimum expected count is 8,95. Tabela 9 - Frequência de exposição a jornais e revistas (em papel ou na internet) por indivíduos com identificação partidária * Sexo Chi-Square Tests Value df Asymp. Sig. (2-sided) Pearson Chi-Square 39,465a 4 ,000 Likelihood Ratio 40,209 4 ,000 Linear-by-Linear Association 30,310 1 ,000 N of Valid Cases 349 a. 0 cells (,0%) have expected count less than 5. The minimum expected count is 7,31. Tabela 10 - Tabela 10 - Frequência de exposição à rádio por indivíduos com identificação partidária * Sexo Chi-Square Tests Value df Asymp. Sig. (2sided) Monte Carlo Sig. (2-sided) Sig. 95% Confidence Interval Lower Bound Upper Bound Pearson Chi-Square 16,118 4 ,003 ,002 ,001 ,003 Likelihood Ratio 16,048 4 ,003 ,005 ,003 ,006 Linear-by-Linear Association 12,999 1 ,000 ,000 ,000 ,000 N of Valid Cases 352 a. 2 cells (20,0%) have expected count less than 5. The minimum expected count is 2,56. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão ANEXO E Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 94 Tabela 11 - Frequência de exposição à televisão por indivíduos com identificação partidária * Idade Tabela 12 - Frequência de exposição a jornais e revistas (em papel ou na internet) por indivíduos com identificação partidária * Idade Symmetric Measures Value Asymp. Std. Errora Approx. Tb Approx. Sig. Ordinal by Ordinal Gamma -,064 ,056 -1,149 ,251 Spearman Correlation -,061 ,053 -1,129 ,260c N of Valid Cases 348 a. Not assuming the null hypothesis. b. Using the asymptotic standard error assuming the null hypothesis. c. Based on normal approximation. Tabela 13 - Frequência de exposição à rádio por indivíduos com identificação partidária * Idade Symmetric Measures Value Asymp. Std. Errora Approx. Tb Approx. Sig. Ordinal by Ordinal Gamma ,124 ,064 1,934 ,053 Spearman Correlation ,103 ,053 1,928 ,055c N of Valid Cases 351 a. Not assuming the null hypothesis. b. Using the asymptotic standard error assuming the null hypothesis. c. Based on normal approximation. Symmetric Measures Value Asymp. Std. Errora Approx. Tb Approx. Sig. Ordinal by Ordinal Gamma -,146 ,066 -2,186 ,029 Spearman Correlation -,113 ,052 -2,130 ,034c N of Valid Cases 351 a. Not assuming the null hypothesis. b. Using the asymptotic standard error assuming the null hypothesis. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão ANEXO E Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 95 Tabela 14 - Frequência de exposição à televisão por indivíduos com identificação partidária * Habilitações Literárias Tabela 15 - Frequência de exposição a jornais e revistas (em papel ou na internet) por indivíduos com identificação partidária * Habilitações Literárias Symmetric Measures Value Asymp. Std. Errora Approx. Tb Approx. Sig. Ordinal by Ordinal Gamma ,346 ,053 6,466 ,000 Spearman Correlation ,311 ,048 6,096 ,000c N of Valid Cases 349 a. Not assuming the null hypothesis. b. Using the asymptotic standard error assuming the null hypothesis. c. Based on normal approximation. Tabela 16 - Frequência de exposição à rádio por indivíduos com identificação partidária * Habilitações Literárias Symmetric Measures Value Asymp. Std. Errora Approx. Tb Approx. Sig. Ordinal by Ordinal Gamma ,211 ,072 2,854 ,004 Spearman Correlation ,152 ,053 2,879 ,004 c N of Valid Cases 352 a. Not assuming the null hypothesis. b. Using the asymptotic standard error assuming the null hypothesis. c. Based on normal approximation. Symmetric Measures Value Asymp. Std. Errora Approx. Tb Approx. Sig. Ordinal by Ordinal Gamma ,096 ,068 1,410 ,158 Spearman Correlation ,074 ,052 1,383 ,168c N of Valid Cases 352 a. Not assuming the null hypothesis. b. Using the asymptotic standard error assuming the null hypothesis. c. Based on normal approximation. A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 96 ÍNDICE DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Distribuição da amostra por idades .................................................................. 45 Gráfico 2 - Cruzamento das variáveis ‘Idade’ e ‘Sexo’ ..................................................... 46 Gráfico 3 - Cruzamento das variáveis ‘Grau de escolaridade’ e ‘Sexo’ ............................. 47 Gráfico 4 - Cruzamento das variáveis ‘Situação profissional’ e ‘Sexo’ ............................. 48 Gráfico 5 - Idade dos votantes ............................................................................................ 51 Gráfico 6 - Habilitações literárias dos votantes .................................................................. 52 Gráfico 7 - Sentido de voto ................................................................................................. 53 Gráfico 8 - Idade dos votantes que decidiram em que partido votar mais de um mês antes das eleições .......................................................................................................................... 55 Gráfico 9 - Idade dos votantes que decidiram em que partido votar apenas no dia das eleições ................................................................................................................................ 55 Gráfico 10 - Cruzamento das variáveis ‘Considerou votar noutro partido?’ e ‘Quando decidiu em que partido ia votar?’ ........................................................................................ 57 Gráfico 11 - Idade dos individuados que se consideram próximos a um determinado partido .................................................................................................................................. 59 Gráfico 12 - Frequência de exposição aos meios de comunicação .................................... 60 Gráfico 13 - Cruzamento da frequência de exposição aos meios de comunicação e interesse pela política ........................................................................................................... 61 A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 97 ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 - Características sócio-demográficas da amostra ………………………………..87 Tabela 2 - Durante a campanha eleitoral, qual a frequência com que acompanhou as notícias sobre política na televisão? * Identificação Partidária ........................................... 89 Tabela 3 - Durante a campanha eleitoral, qual a frequência com que acompanhou as notícias sobre política nos jornais ou revistas, em papel ou na internet? * Identificação Partidária .............................................................................................................................. 89 Tabela 4 - Durante a campanha eleitoral, qual a frequência com que acompanhou as notícias sobre política na rádio? * Identificação Partidária ................................................. 90 Tabela 5 - Durante a campanha eleitoral, qual a frequência com que acompanhou as notícias sobre política na televisão? * Grau de Identificação Partidária ............................. 91 Tabela 6 - Durante a campanha eleitoral, qual a frequência com que acompanhou as notícias sobre política nos jornais ou revistas, em papel ou na internet? * Grau de Identificação Partidária ........................................................................................................ 91 Tabela 7 - Durante a campanha eleitoral, qual a frequência com que acompanhou as notícias sobre política na rádio? * Grau de Identificação Partidária ................................... 92 Tabela 8 - Frequência de exposição à televisão por indivíduos com identificação partidária * Sexo .................................................................................................................................. 93 Tabela 9 - Frequência de exposição a jornais e revistas (em papel ou na internet) por indivíduos com identificação partidária * Sexo .................................................................. 93 Tabela 10 - Tabela 10 - Frequência de exposição à rádio por indivíduos com identificação partidária * Sexo .................................................................................................................. 93 Tabela 11 - Frequência de exposição à televisão por indivíduos com identificação partidária * Idade ................................................................................................................. 94 Tabela 12 - Frequência de exposição a jornais e revistas (em papel ou na internet) por indivíduos com identificação partidária * Idade .................................................................. 94 A influência da Identificação Partidária na exposição aos Meios de Comunicação Social: Breves subsídios para a sua compreensão Filipa Raquel Namora Sousa Faculdade de Letras da Universidade do Porto 98 Tabela 13 - Frequência de exposição à rádio por indivíduos com identificação partidária * Idade .................................................................................................................................... 65 Tabela 14 - Frequência de exposição à televisão por indivíduos com identificação partidária * Habilitações Literárias ...................................................................................... 95 Tabela 15 - Frequência de exposição a jornais e revistas (em papel ou na internet) por indivíduos com identificação partidária * Habilitações Literárias ...................................... 95 Tabela 16 - Frequência de exposição à rádio por indivíduos com identificação partidária * Habilitações Literárias ......................................................................................................... 95