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[Recensão] Vergílio, Geórgicas, trad. Gabriel A. F. Silva, Lisboa, Livros Cotovia, 2019. 135 pp. ISBN 978-972-795-394-3

Nobre, Ricardo Miguel Guerreiro

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EVPHROSYNE REVISTA DE FILOLOGIA CLÁSSICA CENTRO DE ESTUDOS CLÁSSICOS FACULDADE DE LETRAS DE LISBOA M M X I X NOVA SÉRIE VOLUME XLVII http://www.letras.ulisboa.pt NOVA SÉRIE VOL. XLVII M M X I X ESTE VOLUME DE EVPHROSYNE TEM O APOIO DE: EVPHROSYNE O azul é mais escuro como é habitual Esta actividade é financiada por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projecto UID/ELT/00019/2019 ORIENTAÇÕES PARA PREPARAÇÃO DE ORIGINAIS 01. Euphrosyne — Revista de Filologia Clássica, órgão do Centro de Estudos Clássicos da Universidade de Lisboa, está aberta à colaboração da comunidade científica na área da filologia clássica, entendendo esta em sentido largo da diacronia da tradição, das áreas científicas específicas e respectivas disciplinas. 2. Os artigos poderão ser enviados por correio electrónico para [email protected] ou para a morada do Centro de Estudos Clássicos. 3. Os originais enviados para publicação devem ser inéditos e não estar submetidos a outra entidade editorial; serão remetidos à Direcção de Euphrosyne em forma definitiva e apresentados segundo as normas da revista. Os originais não serão devolvidos, assumindo-se que os autores conservam cópia dos mesmos. Os trabalhos considerados a publicação são sujeitos a arbitragem científica. 4. Serão aceites até 31 Janeiro do ano da publicação do volume; será dada informação sobre a aceitação da publicação até 31 de Julho. 5. O original será sempre apresentado electronicamente e em forma dupla: em documento de texto (Word/.doc(x) – pref.) e em PDF. 6. O artigo será encabeçado por: a) título (breve e explícito); b) nome e apelidos do autor; c) instituição académica ou científica a que está adstrito; d) endereço electrónico; e) resumo (não superior a 10 linhas) em língua inglesa; f) indicação de três palavras-chave em língua inglesa. 7. A extensão recomendada para os artigos é de 10 páginas, não devendo ultrapassar 20 páginas de A4, a corpo 12 e duplo espaço. 8. Sistema de notas: fim de artigo (endnotes); numeração automática seguida. Na publicação, as notas de artigo sairão em fundo de página (footnotes). 9. Sistema de referências: a) Não é permitida remissão para páginas do interior do artigo. b) Referências (em nota): Monografias: J. de R omilly , La crainte et l’angoisse dans le théâtre d’Eschyle, Paris, 1959, pp. 120-130 (casa editora mencionada apenas para edições antigas). Ou em 2.ª ref.: J. de R omilly , op. cit., p. 78. Revistas: R. S. C aldwell , “The Misogyny of Eteocles”, Arethusa, 6, 1973, 193-231 (vol., ano, pp.). Ou em 2.ª ref.: R. S. C aldwell , loc. cit. Obras colectivas: G. C avallo , “La circolazione dei testi greci nell’Europa dell’Alto Medioevo” in J. Hamesse (ed.), Rencontres de cultures dans la Philosophie Médiévale – Traductions et traducteurs de l’Antiquité tardive au XIVe siècle, Louvain-la-Neuve, 1990, pp. 47-64. c) Abreviaturas: Seguir-se-ão as abreviaturas convencionadas por ThLL, para autores latinos; Liddel-Scott-Jones, para autores gregos; Année Philologique, para títulos de revistas; para as abreviaturas mais comuns: p. / pp.; ed. / edd.; cf.; s.u.; supra; op. cit.; loc. cit.; uid.; a.C. / d.C. (em redondo). d) Citações: Devem ser colocadas entre comas “…” (não as de textos gregos); os itálicos serão utilizados apenas para sublinhar palavras ou pequenas frases; as citações em latim ou em grego serão breves. 10. Eventuais figuras ou imagens serão de qualidade gráfica (de preferência no formato TIF, com a resolução mínima de 200 p.p.), fornecidas em suporte electrónico (como os originais) e com a indicação precisa da referência no texto e na ordem assim como do título (devem ser acautelados os direitos de reprodução por parte do autor do artigo). 11. Aos autores não será fornecido mais do que um jogo de provas; estas deverão ser devolvidas num prazo máximo de 7 dias. Em princípio, não serão permitidas alterações ao original. 12. Aos autores será fornecido um exemplar do volume e a versão electrónica do respectivo artigo. EVPHROSYNE REVISTA DE FILOLOGIA CLÁSSICA Centro de Estudos Clássicos - Faculdade de Letras PT - 1600-214 LISBOA - PORTUGAL [email protected] EVPHROSYNE REVISTA DE FILOLOGIA CLÁSSICA * CENTRO DE ESTUDOS CLÁSSICOS FACULDADE DE LETRAS DE LISBOA PT - 1600-214 LISBOA PORTUGAL e-mail: [email protected] sítio electrónico: http://www.tmp.letras.ulisboa.pt/cec-publicacoes/cec-euphrosyne diReCtoRa maRia CRiStina de CaStRo-maia de SouSa Pimentel ComiSSão de RedaCção abel do naSCimento Pena, ana maRia SánChez taRRío, aRnaldo monteiRo do eSPíRito Santo, beRnaRdo mota, JoSé PedRo Silva SantoS SeRRa, manuel JoSé de SouSa baRboSa, Paulo FaRmhouSe albeRto, RodRiGo FuRtado, vanda maRia Coutinho GaRRido anaStáCio ConSelho CientíFiCo aiReS auGuSto do naSCimento (U. Lisboa), CaRlo Santini (U. Perugia), CaRmen CodoñeR meRino (U. Salamanca), emilio SuáRez de la toRRe (U. Pompeu Fabra), Joël thomaS (U. Perpignan), JoSé manuel díaz de buStamante (U. Santiago de Compostela), manuel alexandRe JúnioR (U. Lisboa), maRC mayeR y olivé (U. Barcelona), Paolo Fedeli (U. Bari), thomaS eaRle (U. Oxford) ConSelho de aRbitRaGem CientíFiCa ánGel uRbán FeRnández (U. Córdoba), aRnaldo monteiRo do eSPíRito Santo (U. Lisboa), auRelio PéRez Jiménez (U. Málaga), CaRloS JeSuS alCalde maRtin (U. Málaga), CaRmen CodoñeR meRino (U. Salamanca), CaRmen moRenilla talenS (U. València), daniel lóPez Cañete (U. Sevilla), donato de Gianni (U. Wuppertal), FRanCiSCo GaRCía JuRado (U. Complutense de Madrid), FRanCiSCo JoSé talaveRa eSteSo (U. Málaga), GReGoRio RodRíGuez heRReRa (U. Las Palmas de Gran Canaria), hélène vial (U. Clermont Auvergne), iñiGo Ruiz aRzalluz (U. País Vasco), iSabel almeida (U. Lisboa), Joaquim PinheiRo (U. Madeira), JoSé manuel díaz de buStamante (U. Santiago de Compostela), JoSé maRía maeStRe maeStRe (U. Cádiz), JoSé PedRo SeRRa (U. Lisboa), JoSé RamoS (U. Lisboa), Juan Gil FeRnández (U. Cádiz / U. Granada), manuel lóPez-muñoz (U. Almería), maRCo antonio CoRonel RamoS (U. València), maRia adelaida andRéS Sanz (U. Salamanca), maRía doloReS RinCón González (U. Jaén), maRía violeta PéRez CuStodio (U. Cádiz), maRta González González (U. Málaga), nuno SimõeS RodRiGueS (U. Lisboa), Paulo FaRmhouSe albeRto (U. Lisboa), RamiRo González delGado (U. Extremadura), RobSon tadeu CeSila (U. São Paulo), RoSaRio CoRtéS tovaR U. Salamanca), SantiaGo lóPez moReda (U. Extremadura), SaSkia PeelS (U. Groningen), SeRGio CaSali (U. Roma Tor Vergata), SoFia FRade (U. Lisboa), SteFano GRazzini (U. Salerno), vitalino valCáRCel (U. País Vasco), william dominik (U. Lisboa), zulmiRa SantoS (U. Porto) Tiragem 500 exemplares Depósito legal 178089/02 ISSN 0870-0133 PubliCação anual SuJeita a aRbitRaGem CientíFiCa ReFeRenCiada em l’année PhiloloGique | aRtS and humanitieS Citation index | ANVUR | biblioGRaPhie inteRnationale de l’humaniSme et de la RenaiSSanCe | CSa linGuiStiCS and lanGuaGe behavioR abStRaCtS | dialnet | ebSCo | eRih PluS | latindex | medioevo latino | SCoPuS CENTRO DE ESTUDOS CLÁSSICOS FACULDADE DE LETRAS DE LISBOA EVPHROSYNE REVISTA DE FILOLOGIA CLÁSSICA MMXIX NOVA SÉRIE – VOLUME XLVII LIBRI RECENSITI 485 luigi BatteZZato, Euripides. Hecuba, Cambridge, Cambridge University Press, 2018. iX + 187 pp. ISBN 978-0-521-13864-2 Battezzato tem-se dedicado ao estudo da tragédia ática, com monografias como Il monologo nel teatro di Euripide (1995) e Linguistica e retorica della tragedia greca (2008), além de ter traduzido para italiano as peças Coéforas (1995), e Hécuba, de Eurípides (2010). Esta edição comentada de Hécuba vem enriquecer a colecção de textos gregos da Cambridge University Press, que oferece ao público especialista edições de outras peças de Eurípides, como Medeia (Mastronarde, 2002) e Helena (Allan, 2008), estando prevista a edição do drama euripidiano Íon, por Gilbert. Na introdução, Battezzato destaca os vários critérios que têm sido usados para a datação da peça, optando, com base em evidências métricas e históricas, pela hipótese de 424 a.C. A análise da peça propiamente dita leva-o a ponderar como se faria a distribuição dos papéis dramáticos pelos três actores e quais seriam os movimentos cénicos. Na apresentação do mito, é da opinião que Polimestor terá sido uma invenção do tragediógrafo, dada a ausência de fontes literárias anteriores que o refiram. No comentário aos caracteres, o A. destaca os três conceitos que definem as relações das personagens: charis, xenia e philia. A cruel vingança da protagonista que termina com um julgamento, à semelhança das Euménides, de Ésquilo, a recepção da peça, a transmissão do texto e a métrica são também assuntos abordados no estudo introdutório. O texto proposto está próximo do de Diggle (1994), mas recusa algumas das supressões por ele feitas. Por exemplo, consideram-se autênticos os versos 831-832 e, às quatro objecções dos filólogos que defendem a sua supressão, Battezzato aduz outros tantos argumentos em favor da sua integração. Na fala de Hécuba com Polimestor Battezzato atetiza apenas o verso 974, enquanto Diggle suprime este verso e o seguinte, tendo Hartung (1850) considerado espúrios os versos 973 a 975. Mas concorda com Diggle ao propor a supressão de outros passos, como o verso 1087 ou os versos 1185-1186 da fala do Coro; no comentário explica sempre as suas leituras e apresenta as soluções filológicas que têm sido encontradas para os passos mais duvidosos. Os comentários, divididos de acordo com as partes constitutivas da peça (prólogo, párodo, episódios, estásimos e êxodo), são de natureza linguística, lexical, estilística, métrica e literária, com remissões para outros textos dramáticos, historiográficos, líricos e épicos. Como é habitual, propõem-se traduções de alguns passos de leitura mais controversa. O volume termina com uma extensa e actualizada bibliografia, que apresenta as edições e comentários das obras antigas citadas; as principais edições e traduções de Hécuba, desde a segunda edição de Porson (1801) até às traduções italiana do próprio (2010) e alemã de Mathiessen (2010); e, por fim, os estudos citados (monografias e artigos). O volume tem ainda dois índices, um de assuntos, em que se destacam nomes próprios (mitónimos e nomes de poetas da Antiguidade), temas gramaticais e conceitos, como canibalismo, castração; e um brevíssimo índice de algumas palavras gregas explicadas no comentário. ana aleXandra alVes de sousa Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa [email protected] Vergílio, Geórgicas, trad. Gabriel A. F. Silva, Lisboa, Livros Cotovia, 2019. 135 pp. ISBN 978-972-795-394-3 Juntamente com Horácio e Ovídio, Virgílio é o poeta clássico mais traduzido para língua portuguesa. No entanto, se Ovídio aparece traduzido no Cancioneiro Geral e 486 LIBRI RECENSITI Horácio encontra as primeiras versões em 1623, as Éclogas e Geórgicas de Virgílio surgem nas letras portuguesas em 1624, compostas em verso por Leonel da Costa (Lisboa: Geraldo da Vinha, publicadas ainda em 1761). Em 1794, sai a “tradução livre ou imitação das Geórgicas de Virgílio, em verso solto […] traduzidas por António José Osório de Pina Leitão”. Mas é no século XIX que vem a lume o maior número de traduções das Geórgicas: António José de Lima Leitão (1818), Francisco Freire de Carvalho (1849), Manuel Bernardes Branco (1858, 1889), António Feliciano de Castilho (1867) e João Félix Pereira (1875). Já no século passado, Ruy Mayer (1949) publicou a tradução dos três primeiros livros da mesma obra, completados pela versão de Nicolau Firmino (As Abelhas, 1966). Com reimpressões até 2012, datava de 1993 a última versão disponível, devida ao labor poético de Agostinho da Silva. É nesta tradição que se posiciona, em 2019, Gabriel Silva, doutorado em Literatura Latina pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigador do Centro de Estudos Clássicos da mesma universidade, que acaba de dar à publicidade a sua versão das Geórgicas (a partir da edição de R. A. B. Mynors, Oxford, 1969). Editado pelos Livros Cotovia (a editora que desde o início do século XXI tem vindo a construir o maior e melhor catálogo de traduções de textos da literatura greco-latina), o volume, felizmente brochado, é um exemplo de composição tipográfica (basta mencionar o cuidado para que não haja um único verso partido); como outros livros da mesma colecção, embora seja um texto poético, não se imprime o latim ao lado (mas a internet permite o acesso ao texto latino para confronto do leitor mais curioso). Como é compreensível, estimar a qualidade de um trabalho desta natureza só é possível pelo confronto entre original e tradução, num sempre volúvel equilíbrio entre a literalidade e a literariedade. Não sendo possível neste espaço esse confronto sistemático, seleccionaram-se apenas algumas expressões e passos mais famosos da obra, a que se acrescentam outros momentos dignos de nota; labor omnia vicit / improbus (1.145-146: “o trabalho insaciável tudo ocupou”), felix qui potuit rerum cognoscere causas (2.490: “feliz aquele que logrou das coisas conhecer as causas”), o fortunatos nimium, sua si bona norint, / agricolas! (2.458-459: “ó lavradores, extremamente afortunados se apenas souberem / os bens que têm!”), fortunatus et ille deos qui novit agrestis (2.493: “afortunado aquele que conheceu os deuses campestres”), amor omnibus idem (3.244: “o desejo é o mesmo para todos”), sed fugit interea, fugit inreparabile tempus (3.284: “mas entretanto ele foge, foge o tempo irrecuperável”). O que se verifica nestes exemplos (e em outros que se multiplicariam) é que o trabalho de Gabriel Silva mantém de Virgílio a síntese e a força de sententia, em completo respeito pelo original, no plano semântico e em termos sintácticos. Integrando o poema virgiliano alguns termos técnicos, deve sublinhar-se o domínio de Gabriel Silva de vocábulos equivalentes em português, mostrando um exímio conhecimento da nossa língua, sendo evidente o trabalho de fidelidade entre uma palavra latina para cada termo em português: gyrus (3.115: “volteio”), torques (3.168: “cabrestos”, palavra por que é traduzida capistra em 3.188), mulctralia e mulctra (3.177 e 3.309: “tarros”): urus (3.532: “auroque”); cornu é sempre vernaculamente traduzida por “corno”, excepto em 3.232 (onde é substituída por “chifre”), quando a sua permanência implicaria a produção de uma desagradável aliteração em oclusiva surda (“aprende a concentrar a ira nos chifres / contra um tronco”; dir-se-ia que a aliteração que se mantém, em k, reproduz a do texto latino, em t) e em 3.370, onde summis cornibus se traduz por “ponta das hastes” (termo mais frequente quando se fala de cervos, como é aqui o caso; além disso, a leitura de “ponta dos cornos” criaria ruído na leitura porque a expressão tem um outro significado cristalizado em português). Noutras situações, várias palavras são traduzidas por um só termo em português: uncus (“em forma de gancho”, 1.19), procurvus (“curvado”, 2.421), pandus (“dobrado”, 2.445) e incurvus (“curvo”, 2.513) aparecem na tradução de Gabriel Silva sempre com o vocábulo “recurvo” ou “recurvado”. Se existe a possibilidade de distinguir entre todos os adjectivos pequenos matizes semânticos, a verdade é que “recurvo” e “recurvado” têm LIBRI RECENSITI 487 uma elevação poética que “torto” ou “abaulado” não transmitiriam com a mesma expressividade. Além disso, a tradução é feita em contexto: como “forragem” traduzem-se as palavras farrago (3.206), frumentum (3.176), pabulum (3.321); como “nutritivo”, densus (3.124), crassus (3.206), laetus (3.494), ferax (4.114). Finalmente, é de salientar a adequação do contexto aos sentidos de gravidus: “engravida” (2.150), “grávidas” (3.139 e 275), “prenhe” (3.155), “pesado” (3.315). O resultado deste esmero é, portanto, um poema em elegante português do nosso tempo (por exemplo, toto… aestu, “pino do calor”, em 3.479, e non frustra, “não sem razão”, em 4.353), sem que isso signifique a perda de características arcaicas ou eruditas que o texto original exige (sirva de exemplo a manutenção da 2.ª pessoa do plural ou o ocasional aparecimento de termos eruditos, como “inulto” para traduzir em 3.227 inultus, ou, em 4.350, vitreis sedilibus vertidos como uns quase camonianos “vítreos assentos”). Além disso, formalmente, quase todos os anteriores tradutores tiveram de lidar com o constrangimento das sílabas métricas, enquanto Gabriel Silva faz uso do verso livre heterométrico e não rimado (em consequência, o tradutor consegue que o texto português contenha os mesmos 2188 versos que se lêem em Virgílio). A tradução é servida por uma introdução à obra e por notas que descodificam alguns passos cuja leitura poderia trazer perturbação ao leitor contemporâneo. No entanto, em rodapé surgem apenas informações essenciais (talvez com algumas excepções, como as notas das páginas 81, 84, 86, 87, 105 e 107); outras localizam-se num índice alfabético remissivo, a que se chama modestamente “Glossário” (onde se poderia acrescentar a menção de Rómulo em 2.533 e das Plêiades em 4.233; a fusão de “Arcturo” com “Boieiro”; a correcção da referência de “Balança”, que não é aludida enquanto signo, mas como constelação, tal como Saturno, que surge em 1.336 como estrela; em “Delos” seria de explicar por que motivo a ilha é mencionada a propósito de Latona; a precisão de que em 4.232 Taígeto é uma das Plêiades; e o acrescento de uma entrada para as Ursas, em 1.138, 245, 246 e Musas, mencionadas em 2.475, 3.11 e 4.315). Ambicionando que esta obra possa conhecer uma merecida fortuna editorial, arrogo ainda a sugestão para que se clarifique em 1.33 que a referência às pinças do Escorpião não seja vertida por “braços” (para evitar a repetição da palavra no verso seguinte, onde Virgílio usa bracchia) e, na nota da página 36, se acrescente a “As duas Ursas estão sempre sobre o horizonte, não chegando nunca a desaparecer nas águas do oceano” que esse fenómeno apenas se verifica no Hemisfério Norte (justificando a observação de Camões, n’Os Lusíadas, 5.15, “Vimos as Ursas, a pesar de Juno, / Banharem-se nas águas de Neptuno”). riCardo noBre Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa [email protected] rhiannon ash (ed.), Tacitus: Annals Book XV. Cambridge Greek and Latin Classics, Cambridge, Cambridge University Press, 2018. 368 pp. Hard-368 pp. Hardback ISBN 978-1-107-00978-3. Paperback ISBN 978-0-521-26939-1 Bastar-nos-ia saber que devemos a Rhiannon Ash (Fellow and Tutor in Classics, no Merton College, Oxford) obras como Ordering Anarchy: armies and leaders in Tacitus’ Histories (1999), o comentário ao Livro II das Historiae (2007) ou a excelente introdução a Tácito publicada na colecção “Ancients in Action” da Bristol Classical Press (2006), já sem citarmos os numerosos e relevantes textos mais breves sobre Tácito publicados pela A. em revistas e monografias colectivas ou a sua edição de Oxford Readings in Tacitus (2012), para pressupormos que temos em mãos um trabalho de grande acribia e sólida I COMMENTATIONES La Antígona de Eurípides y el P. Oxy. 3317 – Carmen morenilla / núria llagüerri .. 9 Más allá de las formas del amor: γάμος y ἔρως en Suplicantes de Esquilo – maría del Pilar FernándeZ deagustini ............................................................................ 31 Exemplum Pietatis: Lausus in the Aeneid – lee Fratantuono ....................................... 53 There’s something fishy about Philaenis: Martial 9.62 and related epigrams – daniel lóPeZ-Cañete Quiles ............................................................................................... 69 El prólogo de la Expositio quattuor Euangeliorum atribuida a Jerónimo (CPL 631 y CLH 65): presentación, edición crítica y comentario – José CarraCedo-Fraga .. 93 Le parole del pianto nella poesia di Venanzio Fortunato – FranCesCa d’angelo ........ 119 Le fonti del sesto libro del De rerum naturis: le fondamenta dell’opera di Rabano Mauro – Camilla Bertoletti .................................................................................. 161 La medida del pie romano: nota de crítica textual sobre un problema filológico-matemático de la Repetitio Sexta de Mensuris de Nebrija – José maría maestre maestre .................................................................................................................... 191 De muscipulis et caveis. The cage and the mousetrap as pictorical and literary motifs in neo-latin emblem books – Carlos PéreZ gonZáleZ .............................. 221 La representación simbólica de la paz: la disputa por el patronazgo de Atenas en los Emblemata (Fráncfort, 1596; Heidelberg, 1600) de Denis Lebey Batilly – BeatriZ antón .......................................................................................................... 247 II STVDIA BREVIORA The Adjectives ὅσιος and ἀνόσιος referring to Divinities in Euripides – ana C. ViCente sánCheZ .................................................................................................................... 273 Ov. Met. 8.647: una proposta esegetica – alessia maria sCalera .................................. 279 Note testuali a Seneca, De brevitate vitae – giusePPe russo .......................................... 287 Atticism in Plutarch: a μίμησις τῶν ἀρχαίων or diglossia? – José Vela teJada .............. 295 552 RERVM INDEX Marco Aurelio, vida y pensamiento en una tragedia actual – maría luisa harto truJillo .................................................................................................................... 309 Las Vitae XII Caesarum de Suetonio en los florilegios latinos – maría José muñoZ JiméneZ ..................................................................................................................... 325 Ex obliuionis tenebris. Apuntes sobre la edición veneciana de las obras de Hernán Ruiz de Villegas – laura JiméneZ ríos ................................................................... 339 Nuevos datos sobre la versificación latina de Benito Arias Montano: el libro quinto de los Hymni et secula – antonio dáVila PéreZ .................................................... 353 Mujer y ejercicios retóricos en los Progymnasmata de J. Micraelio – Jesús aleXis moreno garCía ........................................................................................................ 367 El ejemplo de Lucrecia en el De institutione feminae christianae de Juan Luis Vives – rosa maría marina sáeZ ...................................................................................... 381 Recepción clásica en la biosfera. La hipótesis Medea o la vida como enemiga de sí misma – helena gonZáleZ-VaQueriZo ................................................................... 393 The Syria Trojan Women from therapeutic theatre to a cry for action – sandra Pereira Vinagre ....................................................................................................... 403 III DISPVTATIONES FrederiCo lourenço, Nova Gramática do Latim – riCardo noBre .............................. 417 Juan gil (ed.), Chronica Hispana saeculi VIII-IX – rodrigo Furtado........................... 435 Habiller en latin. La traduction de vernaculaire en latin entre Moyen Âge et Renaissance – ana maría sánCheZ tarrío ........................................................................ 447 IV VARIA NOSCENDA “Dar un beso” (φίλημα δοῦναι) y “besar” (φιλέω, καταφιλέω) en el Nuevo Testamento: sus traducciones al latín, gótico y antiguo eslavo eclesiástico – daniel ayora esteVan ..................................................................................................................... 457 V LIBRI RECENSITI a) Edições de texto. Comentários. Traduções. Estudos Linguísticos martha krieter-sPiro, Homer’s Iliad: The Basel Commentary. Book XIV, translated by Benjamin W. Millis and Sara Strack, edited by S. Douglas Olson. – Claude RERVM INDEX 553 Brügger, Homer’s Iliad: The Basel Commentary. Book XVI, translated by Benjamin W. Millis and Sara Strack, edited by S. Douglas Olson – rui Carlos FonseCa .................................................................................................................... 481 luigi BatteZZato, Euripides. Hecuba – ana aleXandra alVes de sousa ....................... 485 Vergílio, Geórgicas, trad. Gabriel A. F. Silva – riCardo noBre .................................... 485 rhiannon ash (ed.), Tacitus: Annals Book XV – maria Cristina Pimentel ................... 487 Juan antonio lóPeZ FéreZ, Galeno. Preparación y constitución de textos críticos, entrega y publicación de obras propias o ajenas – inmaCulada rodrígueZ-moreno .... 489 riCCardo maCChioro, Le redazioni latine della Passio Tryphonis martyris. Traduzioni e riscritture di una leggenda bizantina – P. F. alBerto ........................................... 491 Navigatio sancti Brendani. Editio Maior a cura di Rossana E. Guglielmetti. Testo critico di Giovanni Orlandi e Rossana E. Guglielmetti – P. F. alBerto ............... 492 Juan a. estéVeZ sola (ed.), Chronica Hispana saeculi XII. Pars III. Historia Silensis – rodrigo Furtado................................................................................................... 493 e. PéreZ rodrígueZ (ed.), Las palabras del paisaje y el paisaje en las palabras de la Edad Media. Estudios de lexicografía latina medieval hispana – P. F. alBerto .... 495 aldus manutius, Humanism and the Latin Classics. Edited and Translated by John N. Grant – maria luísa resende ............................................................................ 497 antonio dáVila PéreZ, Benito Arias Montano. Apología de la Biblia Regia – Juan Carlos JiméneZ del Castillo .................................................................................. 497 Expostulatio Spongiae. En defensa de Lope de Vega, edición y traducción de Pedro Conde Parrado y Xavier Tubau Moreu – armando senra martins ..................... 499 noël golVers (ed.), Ferdinand Verbiest, Postulata Vice-Provinciae Sinensis in Vrbe Proponenda, A blueprint for a renewed SJ mission in China – arnaldo do esPírito santo ......................................................................................................... 501 Literatura-Mundo Comparada: Perspectivas em Português I – Mundos em Português, coord. geral Helena Carvalhão Buescu; coord. científica do vol. I Helena Carvalhão Buescu e Inocência Mata; coord. executiva do vol. I Ariadne Nunes, Flávia Ba, Francisco Carlos Marques, Gonçalo Cordeiro, Miriam de Sousa, Patrícia Infante da Câmara e Rafael Esteves Martins — riCardo noBre ........... 503 b) Literatura. Cultura. História antonia sarri, Material Aspects of Letter Writing in the Graeco-Roman World. 500 BC - AD 300 – maria Cristina Pimentel ...................................................................... 505 simon CritChley, Tragedy, the Greeks and Us – soFia Frade ........................................ 507