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Globalização e Desenvolvimento Desigual – Perspetivas Teóricas e alguns riscos políticos

Madeira, Paulo Miguel,Vale, Mário

Abstract

A relação entre capitalismo e o desigual desenvolvimento dos territórios tem sido amplamente estudada na geografia e também na economia, coexistindo várias teorias e perspetivas sobre essa relação, por vezes complementares e por vezes contraditórias. A razão por que se afigura relevante voltar a esta questão no contexto da globalização neoliberal – mesmo que esta possa estar à beira do fim do seu ciclo – prende-se com as alterações profundas por ela induzidas na economia política à escala planetária, que aprofundaram e ampliaram processos com origens anteriores, mas que assumem agora novo relevo e induzem renovadas dinâmicas generalizadas de concentração nalguns territórios e de esvaziamento em outros, consoante as suas situações específicas.

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Reitor Vahan Agopyan Vice-Reitor Antonio Carlos Hernandes FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS Diretor Paulo Martins Vice-Diretora Ana Paula Torres Megiani A exatidão das informações, conceitos e opiniões é de exclusiva responsabilidade dos autores, os quais também se responsabilizam pelas imagens utilizadas. Livro de acordo com as normas técnicas da ABNT. Esta obra é de acesso aberto. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e autoria e respeitando a Licença Creative Commons indicada. Catalogação na Publicação (CIP) Serviço de Biblioteca e Documentação Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas Universidade de São Paulo Maria Imaculada da Conceição – CRB-8/6409 T323 Terra e trabalho [recurso eletrônico] : territorialidades e desigualdades : volume II / Rosa Ester Rossini, Maria Rita Ivo de Melo Machado, Mateus de Almeida Prado Sampaio (organizadores). -- São Paulo : FFLCH/USP, 2020. 7.051 Kb ; PDF. ISBN 978-65-87621-33-3 DOI 10.11606/9786587621333 1. Uso do solo. 2. Território. 3. Desigualdades sociais. 4. Trabalho rural. I. Rossini, Rosa Ester. II. Machado, Maria Rita Ivo de Melo. III. Sampaio, Mateus de Almeida Prado. CDD 333.320981 DOI 10.11606/9786587621333 Rosa Ester Rossini Maria Rita Ivo de Melo Machado Mateus de Almeida Prado Sampaio [Organizadores] TERRA E TRABALHO: territorialidades e desigualdades Volume II 1ª Edição FFLCH/USP São Paulo – 2020 FICHA TÉCNICA Revisão Mateus de Almeida Prado Sampaio José Fonseca da Rocha Filho Normalização Técnica Gisele Silva Araújo Luis Flávio de Araújo Diagramação Gisele Silva Araújo Luis Flávio de Araújo Projeto Gráfico da Capa Mateus de Almeida Prado Sampaio Créditos da Foto da Capa Raul Borges Guimarães "Seria o planeta Marte? Não, é a enorme transformação da paisagem provocada pela expansão da cultura canavieira no município de Teodoro Sampaio, SP - 01 de abril de 2014" Apoio: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico | CNPq EDITAL CHAMADA UNIVERSAL MCTI/CNPq Nº 01/2016 Apoio a Projetos de Pesquisa / Universal 01/2016 - Faixa C Processo Número: 405731/2016-7 BOLSA DE PRODUTIVIDADE EM PESQUISA – PQ “Geografia e Gênero: queimando mulheres e homens no trabalho de corte da cana e esquentando as máquinas nos canaviais da macro-área de Ribeirão Preto (SP)” Processo Número: 311332/2014-5 SUMÁRIO GLOBALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DESIGUAL – PERSPETIVAS TEÓRICAS E ALGUNS RISCOS POLÍTICOS .......15 Paulo Miguel Madeira Mário Vale GUERRA HÍBRIDA E DESESTABILIZAÇÃO POLÍTICA NA ORDEM GEOPOLÍTICA DO LIBERALISMO TRANSNACIONAL: operação lava-jato e o desmonte da Petrobras ..................................................................41 Elisa Pinheiro de Freitas RETORNO NO ÂMBITO DA MOBILIDADE EM ESPAÇO LUSOBRASILEIRO – CONSTRUÇÃO E DESCONSTRUÇÃO DE UM MITO ......................................................................................................... 73 Maria Beatriz Rocha-Trindade TERRITORIALIZACIONES COOPERATIVAS DEL AGRONEGOCIO. DOS CASOS EN UNA REGIÓN ARGENTINA MARGINADA (19902015) ..................................................................................................................... 103 José Martín Bageneta ÚLTIMAS FRONTEIRAS DA EXPANSÃO CANAVIEIRA NO ESTADO DE SÃO PAULO (2003-2014) ................................................. 137 Mateus de Almeida Prado Sampaio Eduardo Paulon Girardi ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO AGRÍCOLA EM MATO GROSSO DO SUL: especialização regional extrovertida baseada em commodities e reorganização espacial avícola ........................................................................ 179 Ana Carolina Torelli Marquezini Faccin Fábio de Lima TRABALHO E EMPODERAMENTO: mulheres catadoras de materiais recicláveis no estado de São Paulo, Brasil .................................................... 206 Margarida Queirós Cezar Leal Fernanda Fuzzi CIRCUITO INFERIOR DA ECONOMIA URBANA E FEIRA LIVRE NO INTERIOR DO NORDESTE BRASILEIRO: o trabalho dos(as) feirantes em Arapiraca-Alagoas ............................................................................................. 246 Paul Clívilan Santos Firmino ESTRATÉGIAS TERRITORIAIS DA AGRICULTURA EMPRESARIAL NA FRONTEIRA AGRÍCOLA MODERNA DA BR158 MATO-GROSSENSE ............................................................................ 279 Júlia Adão Bernardes Taiana Ciscotto Martins Lourenço SOBRE OS AUTORES ................................................................................. 307 Terra e Trabalho | Volume II Sumário | 15 GLOBALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DESIGUAL – PERSPETIVAS TEÓRICAS E ALGUNS RISCOS POLÍTICOS Paulo Miguel Madeira Mário Vale INTRODUÇÃO A relação entre capitalismo e o desigual desenvolvimento dos territórios tem sido amplamente estudada na geografia e também na economia, coexistindo várias teorias e perspetivas sobre essa relação, por vezes complementares e por vezes contraditórias. A razão por que se afigura relevante voltar a esta questão no contexto da globalização neoliberal – mesmo que esta possa estar à beira do fim do seu ciclo – prende-se com as alterações profundas por ela induzidas na economia política à escala planetária, que aprofundaram e ampliaram processos com origens anteriores, mas que assumem agora novo relevo e induzem renovadas dinâmicas generalizadas de concentração nalguns territórios e de esvaziamento em outros, consoante as suas situações específicas. “Globalização e o desenvolvimento desigual” é o título também de um texto de Giovanni Arrighi, com uma leitura da não convergência dos países do Terceiro Mundo (que atualmente são também frequentemente designados como “Sul Global”) com os do Primeiro Mundo no período de 1960 ao ano 2000, ou seja, desde antes do início do atual ciclo de globalização até próximo do seu apogeu, que pode ser visto como marcado pela crise de 2008. Nesse texto, Arrighi (2007) distingue a globalização enquanto processo (que designa por “globalização estrutural”) da globalização enquanto prescrição de políticas (que designa por “globalização ideológica”), que se fez sentir desde cerca de 1980 e que este autor vê como a razão porque, desde então, os países do Norte terão passado a beneficiar mais do que os do Sul com essa globalização, que já vinha de trás e que por volta desse ano se modificou e Rosa Ester Rossini | Maria Rita Ivo de M. Machado | Mateus de A. P. Sampaio 16 | Sumário intensificou dramaticamente. Doze anos depois, esta análise, que usa dados até ao ano 2000, é problemática e já não dá conta das dinâmicas posteriores e dos efeitos que produziram, sobretudo desde a entrada da China na Organização Mundial do Comércio. Mas o foco deste texto não é uma atualização da discussão feita por Arrighi (2007), sendo antes uma sistematização e análise das razões porque os processos em vigor na globalização contemporânea – cujo marco inicial é a viragem ideológica do início da década de 1980 identificada por Arrighi (2007) – intensificaram o desenvolvimento desigual. Isto é conseguido a partir de uma revisão da literatura das principais teorias sobre os processos que atuam no sentido da convergência ou divergência do desenvolvimento dos territórios nas várias escalas, à luz da economia política global contemporânea. No atual contexto, esses processos produziram desigualdades territoriais que começaram a pôr em causa o sistema sociopolítico do Ocidente, o qual, desde há cerca de 40 anos, tem sido o principal promotor dessa mesma globalização, através do sistema internacional de instituições, tratados e acordos que lhe subjazem. Estas consequências são o objeto da seção final do texto, com recurso a análises já realizadas para a França, Reino Unido e Estados Unidos, que ajudam a aperceber as razões por que os seus sistemas partidários entraram numa profunda reconfiguração, drástica ao ponto de gerar resultados como a votação a favor da saída do Reino Unido da União Europeia e a eleição nos EUA de um presidente que adotou uma política comercial contrária ao que tem sido o consenso das classes governantes da Europa e América do Norte. PERSPETIVAS TEÓRICAS DO DESENVOLVIMENTO DESIGUAL O desigual desenvolvimento econômico e social dos territórios desde a origem do capitalismo é bem conhecido nas ciências sociais, sem que a sua génese e persistência levante muita controvérsia. A discussão central sobre desenvolvimento desigual, desde que começou a ser abordado pela academia, tem sido sobre se ele será inerente à natureza do capitalismo ou essencialmente Terra e Trabalho | Volume II Sumário | 23 entre os territórios envolvidos neste sistema económico 4 . Historicamente, constatam-se períodos de convergência entre alguns territórios – por exemplo, entre os Estados Unidos e a Europa na transição do século XIX para o XX, ou entre alguns países da Europa do Sul e da Europa Central e do Norte no final do século XX –, mas não é seguro que isso seja devido a uma tendência mais ou menos espontânea inerente à lógica capitalista, e não devido a decisões políticas que justamente corrigem as forças de mercado que tendem a impor-se. O desenvolvimento desigual é uma realidade presente, e que pelo menos nalguns casos se tem reforçado, independentemente de uma eventual tendência de fundo do sistema económico capitalista para uma convergência, mais ou menos absoluta ou condicional (esta última pressupondo taxas de crescimento do PIB estáveis). As teorias ditas estruturalistas, que veem o desenvolvimento económico regional como um processo de ajustamento estrutural tanto dentro como fora da região, com o crescimento económico a evoluir na dependência da trajetória através de vários estágios de maturidade económica (DAWKINS, 2003, p. 140), apresentam-se mais completas que as neoclássicas. E, ao sublinharem a importância da dependência das economias regionais face às suas trajetórias anteriores, em vez de enfatizarem a importância dos fatores, alinham tendencialmente com a tese da tendência para a divergência. DESENVOLVIMENTO DESIGUAL EM CONTEXTO DE GLOBALIZAÇÃO A economia neoliberal globalizada contemporânea, devido às suas características e ao seu caráter hegemónico, veio reforçar significativamente algumas das forças que atuam no sentido da divergência à escala regional. Isto decorre aliás de “uma observação elementar” (VALE, 2012, p.11), a de que 4 O capitalismo é um sistema que tem apresentado uma forte diversidade, falandose de “variedades do capitalismo”. Esta questão não é normalmente abordada nas teorias e na literatura sobre desenvolvimento desigual, mas atualmente tende a assumir maior relevo. Rosa Ester Rossini | Maria Rita Ivo de M. Machado | Mateus de A. P. Sampaio 24 | Sumário o processo de globalização da economia tem-se caracterizado pela aglomeração espacial das atividades económicas, apesar de algumas teorias de hipermobilidade dos fatores de produção preconizarem a ‘alienação’ do espaço geográfico (id., ibid.). O caráter incontroverso desta ideia é atestado pela sua ampla aceitação na bibliografia – veja-se, por exemplo, Veltz (1996); Scott; Storper (2003); Hudson (2007); Comissão Europeia (2009). Nesta linha de raciocínio, Harvey (2000, p. 57) vê a generalização e imposição do termo “globalização” como sinalizando “uma profunda reorganização geográfica do capitalismo, tornando cada vez menos significativas muitas das pressuposições em relação às unidades geográficas ‘naturais’ em que se desenvolve a trajetória da história do capitalismo” 5 . E entende “o processo de globalização como um processo de produção de desenvolvimento desigual, temporal e geográfico” 6 (id., p. 60). Harvey diz mesmo que a atual vaga neoliberal tem tornado a violência da destruição criativa do desenvolvimento desigual (através, e.g., da reorganização geográfica da produção) tão amplamente sentida nos centros tradicionais do capitalismo como nos outros locais” (id., p. 69-70) 7 . 5 No original: “[One of the things that the rise of the term ‘globalization’ to preeminence signals is] a profound geographical reorganization of capitalism, making many of the presumptions as regards the ‘natural’ geographical units within which capitalism’s historical trajectory develops less and less meaningful [(if they ever where).]” 6 No original: “[we can, I think, better understand] the process of globalization as a process of production of uneven temporal and geographical development.” 7 No original: “[The effect is to make] the violence and creative destruction of uneven geographical development (through, e.g., geographical reorganization of production) just as widely felt in the traditional heartlands of capitalism as elsewhere…” Terra e Trabalho | Volume II Sumário | 25 Mais tarde, referiu-se à “extrema volatilidade” das situações político-económicas “através e entre espaços da economia mundial (em todos os tipos de diferentes escalas)” (HARVEY, 2005, p 55) 8 – portanto, também ao nível regional. A causalidade circular cumulativa é um mecanismo cuja validade este autor aceita, pois considera que as economias de aglomeração, incluindo as que se conseguem pela urbanização, “geram uma dinâmica locativa em que a nova produção tende a ser atraída pelas localizações de produção existentes” 9 (id., p. 75). E vê a tendência para a concentração da atividade económica como sendo caraterística também da atual globalização neoliberal, ao dizer que “nos anos recentes tem sido dada muita atenção às dinâmicas ‘auto-organizadoras’ de concentração e centralização do capital no espaço” 10 (id., ibid.). Para Harvey, “a causalidade circular e cumulativa assegura assim que as regiões ricas em capital tendem a ficar mais ricas, enquanto as regiões pobres vão ficando mais pobres” 11 (id., ibid.) – o que equivale a subscrever o processo formulado originalmente por Myrdal e a reconhecer a sua atualidade na era da hegemonia da globalização neoliberal. Esta ideia de que o desenvolvimento territorial desigual – com base em processos cumulativos ou de outra natureza – é uma das caraterística quer do capitalismo em geral quer do neoliberalismo global contemporâneo é também defendida por Hudson (2007, p. 1156), ao alertar para que “o desenvolvimento desigual é uma componente integrante das economias capitalistas” 12 , e que umas regiões vão ficar acima das médias 8 No original: “The extreme volatility in contemporary political economic fortunes across and between spaces of the wolrd economy (at all manner of different scales)…” 9 No original: “Agglomeration economies (including those achieved through urbanization) generate a locational dynamic in which new production tends to be drawn to existing production locations.” 10 No original: “Much attention has been paid in recent years to the ‘selforganizing’ dynamics of concentration and centralization of capital in space.” 11 No original: “Circular and cumulative causation within the economy then assures that capital rich regions tend to grow richer while poor regions grow poorer.” 12 No original: “Uneven development is an integral component of capitalist economies…” Rosa Ester Rossini | Maria Rita Ivo de M. Machado | Mateus de A. P. Sampaio 26 | Sumário nacionais, e outras abaixo. Assim, para este autor não há uma “idade de ouro neoliberal em direção à convergência regional, muito menos desenvolvimento equilibrado” 13 (id., ibid.). A tendência para a concentração das atividades produtivas na fase atual é explicada por Scott e Storper (2003) com a intensificação de fortes processos de aglomeração, possíveis devido a economias de escala crescentes. Recordam que, entre o final do século XIX e o início do século XX, a formação da economia atlântica se deu com base em fortes processos de aglomeração na Europa e na América, possíveis em função das crescentes economias de escala decorrentes de um mercado alargado, o que deu margem aos principais centros de produção para manterem as suas posições dominantes. E afirmam que a atual globalização aparenta ter subjacentes processos semelhantes. O alargamento da dimensão dos mercados é precisamente uma das caraterísticas principais – se não a principal – da globalização atual, conseguido através da grande facilitação dos fluxos financeiros, de investimento e de comércio, derivada sobretudo de acordos internacionais, multilaterais ou bilaterais, ou ainda através da profusão de blocos comerciais continentais, como a UE, a NFTA, o Mercosul e a Asean, entre outros (MADEIRA, 2011). E tudo isto é potenciado pela muito maior facilidade de transporte e comunicação face às precedentes eras de preponderância do liberalismo de mercado. Este alargamento dos mercados, sobretudo no âmbito do comércio de bens e serviços, potencia obviamente os processos já referidos de causalidade circular cumulativa. E se, tal como Myrdal argumentou logo na sua obra de 1957 dedicada a esta questão, o comércio livre entre regiões infranacionais leva ao reforço do processo de causalidade cumulativa, ao catalisar anda mais o crescimento das regiões desenvolvidas, em detrimento das regiões atrasadas (DAWKINS, 2003, p. 139), então a liberdade de comércio internacional, por maioria de razão, além de poder gerar ou aprofundar processos deste tipo entre países, permite alargar o âmbito e aumentar a intensidade com que eles funcionam entre 13 No original: “[Consequently, there is no ‘win-win’] neo-liberal golden age leading to regional convergence, let alone even development.” Terra e Trabalho | Volume II Sumário | 27 regiões. Porque agora não são só as regiões mais desenvolvidas de um determinado país que podem beneficiar dos efeitos do esvaziamento resultantes dos fluxos de capital e trabalho que saem das suas regiões mais atrasadas, pois neste contexto eles podem facilmente dirigir-se também para as regiões mais desenvolvidas de outros países. Myrdal (1957, apud DAWKINS, ibid.) aceitava que as regiões menos desenvolvidas podem se beneficiar do crescimento nas regiões desenvolvidas, através de efeitos de contágio resultantes da difusão de inovações e de mercados de exportação crescentes para os seus produtos. Mas dizia também que esses benefícios tendem a ser contrabalançados pela fuga de capital e mão-de-obra para regiões mais desenvolvidas. Um argumento análogo pode ser utilizado para as dinâmicas atuais. Pelo menos no caso específico de Portugal e também à escala da UE. Na UE, a tendência para uma forte divergência Norte-Sul foi clara durante alguns anos, sobretudo desde 2010, quando se começou a fazer sentir plenamente a crise da dívida soberana europeia e do euro, na sequência da crise financeira iniciada em 2008 e da Grande Recessão de 2009. Mas a divergência na Europa já vinha de trás, em resultado precisamente da globalização. Desde os finais dos anos 1980, e com mais intensidade a partir do início da década de 1990, pareceu surgir uma forte tendência de divergência, dentro de cada país, entre as regiões da Europa Ocidental, segundo o Relatório Barca (COMISSÃO EUROPEIA, 2009, p. 4). E porquê? A integração económica e a globalização estão a libertar forças que parecem estar a beneficiar as regiões centrais de cada país, frequentemente em detrimento da periferia. Isto está a acontecer virtualmente por todo o mundo 14 (id., ibid.). Se nesta fase não havia ainda divergência entre países europeus, ela acabou por acontecer alguns anos depois. 14 No original: “Economic integration and globalization [sic] are unleashing forces that seem to be benefiting core regions within every country, often to the detriment of the periphery. This is happening virtually all over the world…” Rosa Ester Rossini | Maria Rita Ivo de M. Machado | Mateus de A. P. Sampaio 28 | Sumário É também útil ter presente que a globalização não veio acentuar apenas a causalidade cumulativa devido aos processos de concentração associados às vantagens de escala da produção e da dimensão dos mercados. Ela veio permitir também que o processo acima descrito por Stiglitz sobre as vantagens da proximidade e aglomeração de inventores e inovadores se aprofundasse, não só devido aos mercados potencialmente maiores que podem explorar, mas também porque as dinâmicas de inovação têm apresentado uma importância crescente para as economias desenvolvidas – quer devido ao contexto de mercados planetários, quer porque muitas destas economias se têm desindustrializado, pelo menos no Ocidente. Como Vale (2012, p. 18) explica, a inovação está na base da mudança na economia capitalista e é decisiva para a obtenção de ganhos de produtividade e de valor de produção”, sendo “determinante para o crescimento económico e desenvolvimento das regiões e cidades nas economias avançadas. Ela é muito concentrada geograficamente, havendo linhas de estudo que se dedicam a explicar a importância da proximidade espacial nas dinâmicas de inovação. Tem no entanto sido também posto em causa que a proximidade seja uma condição necessária para que se gerem dinâmicas inovadoras nas regiões, assumindose que a constituição de redes transregionais também pode contribuir para a inovação (id., ibid.). Mesmo assumindo que as redes podem ter um papel importante, deve-se ter presente a particularidade de o contexto territorial em que a inovação gera mais retorno ser o das regiões que têm mais condições para inovar expandindo as fronteiras do saber, pois é este tipo de conhecimento que se aplica no topo das cadeias tecnológicas e gera maiores receitas – e este perfil corresponde geralmente também às regiões que à partida já estão entre as mais desenvolvidas. Por outro lado, em espaços de escala continental, como o europeu ou o brasileiro, é praticamente impossível que a generalidade das regiões tenham economias com Terra e Trabalho | Volume II Sumário | 29 uma forte componente de inovação endógena que expanda continuadamente as fronteiras do conhecimento e da sua aplicabilidade. E por isso haverá aqui inevitavelmente um processo alimentador das forças de divergência. Note-se também que as dinâmicas de inovação se beneficiam da diversidade característica dos centros urbanos, os quais têm assumido importância crescente, pois a globalização tem sido identificada por vários autores como um processo que favorece o crescimento das cidades, em grande medida devido às necessidades de concentração, em nós do sistema urbano, de funções de controlo da economia global (VALE, 2007, p. 467). Assim, forças de desenvolvimento desigual atuam não só entre regiões, mas também no interior das regiões, que tendencialmente verão reforçadas as suas principais áreas urbanas. Simultaneamente, as regiões com centros urbanos mais fortes tenderão a ter vantagem em termos de geração de processos cumulativos e de contenção de fugas de capital e trabalho para outras regiões. A drástica melhoria das comunicações e transportes e a forte queda do seu custo joga obviamente a favor da intensificação dos processos acima descritos, através dos quais a globalização amplia o desenvolvimento desigual. Mas onde esse efeito é mais forte é no papel que comunicações instantâneas (e com custos de utilização por vezes próximos de zero) têm na facilitação de fluxos financeiros e de capitais, também eles fortemente liberalizados nas últimas décadas. Isto permite uma rápida transferência de ativos financeiros, muitas vezes de caráter especulativo, que é gerida sobretudo a partir das grandes metrópoles globais. Ora esta é uma via, mais fácil do que nunca, para processos de investimento e desinvestimento (que obedecem sobretudo à lógica dos grandes centros) potenciarem desenvolvimento desigual, quer através da especulação quer por relocalizações de atividades em função de interesses que têm muito pouco a ver com os das populações das áreas afetadas, e por vezes nem com os das Rosa Ester Rossini | Maria Rita Ivo de M. Machado | Mateus de A. P. Sampaio 30 | Sumário classes dirigentes locais. Harvey (2011, p. 109) considera que: ...as mudanças espetaculares nas relações espáciotemporais, na sequência de inovações nos transportes e nas comunicações, podem revolucionar a paisagem global da produção e do consumo (…) e provocar «crises de comutação» (switching crisis), em que os fluxos de investimento mudam bruscamente de um «ponto quente» para outro, no interior de um sistema volátil de desenvolvimento geográfico desigual. A facilidade de movimentação de capital para investimento, sobretudo ao nível internacional, tem também um papel no sentido da desconcentração do investimento e da atividade (onde se incluem os processos de desinvestimento e relocalização em busca de custos de produção mais baixos), atuando assim como uma força no sentido da convergência interterritorial. No entanto, aparentemente os resultados destes fluxos têm surgido sobretudo à escala intercontinental, sendo evidentes na prosperidade no Leste da Ásia, mas não só. O encarecimento da mão-de-obra, do imobiliário e dos custos em geral nas regiões metropolitanas tem também desempenhado um papel na dispersão de atividades para localizações mais periféricas, na linha do argumento avançado por Myrdal de que as regiões menos desenvolvidas também podem se beneficiar do desenvolvimento das regiões mais desenvolvidas. No entanto, quer a bibliografia quer os dados conhecidos indicam que os processos de esvaziamento (pelo menos relativo) de muitas regiões se têm sobreposto aos benefícios que alastram das regiões mais dinâmicas. Isto está a acontecer quer na União Europeia (COMISSÃO EUROPEIA, 2009, p. 4), quer dentro de países que têm se beneficiado com a dispersão económica à escala internacional, como é o caso da Índia (CHERODIAN; THIRLWALL, 2013) e da China (CHEN, 2010). Na Figura 1 estão organizadas esquematicamente as principais relações entre a globalização e o desenvolvimento territorial desigual, resumindo as ideias discutidas nestas páginas. Terra e Trabalho | Volume II Sumário | 31 A globalização neoliberal contemporânea tem três dimensões com impactos importantes no desenvolvimento geográfico desigual a todas as escalas, devido a terem impacto decisivo nas tendências de concentração e dispersão territorial da atividade económica e do desenvolvimento. Rosa Ester Rossini | Maria Rita Ivo de M. Machado | Mateus de A. P. Sampaio 32 | Sumário Figura 1: Globalização e desenvolvimento desigual. Fonte: elaboração própria. A facilitação dos transportes, das comunicações e a liberalização do comércio internacional entre a generalidade dos Terra e Trabalho | Volume II Sumário | 39 MADEIRA, P. M. Dinâmicas Regionais Ganhadoras e Perdedoras na União Europeia durante a Globalização Económica. Revista Portuguesa de Estudos Regionais, Lisboa, n. 37, p. 43-56, set.- dez. 2014. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=514351883004. Acesso em: 10 ago. 2020. ______. Consequências Geopolíticas da Globalização – a caminho de uma nova geografia política? In: VIII CONGRESSO DA GEOGRAFIA Portuguesa - Repensar a Geografia para Novos Desafios, 2011, Lisboa. Anais [...]. Lisboa: Associação Portuguesa de Geógrafos, 2011. 1 CD-ROM. MADEIRA, P. M.; VALE, M. Desigualdade e Espaço no Capitalismo Contemporâneo: uma questão de (in)justiça territorial? Geousp – Espaço e Tempo (Online), v. 19, n. 2, p. 196211, ago. 2015. Disponível em: https://doi.org/10.11606/issn.2179-0892.geousp.2015.102771. Acesso em: 10 ago. 2020. MASSEY, D. Spatial Divisions of Labor: social structures and the geography of production. 2. ed. Reino Unido: MacMillan Education, 1995. MÉNDEZ, R. Geografía Económica: la lógica espacial del capitalismo global. Barcelona: Ariel Geografía, 1997. MYRDAL, G. Economic Theory and Underdeveloped Regions. 1. ed. Londres: Duckworth, 1957. PERROUX, F. Note Sur la Notion de Pôle de Croissance. Économie appliquée, Paris, n. 8, p. 307-320, 1955. 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Terra de Trabalho | Volume II Sumário | 307 SOBRE OS AUTORES Ana Carolina Torelli Marquezini Faccin – Bacharel, Licenciada e Mestre em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Doutora em Geografia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), tendo realizado estágio de doutoramento na Université de Toulouse (França). Atualmente é Professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campus do Pantanal (CEPAN/Corumbá, MS). Membro da Rede de Pesquisa sobre Regiões Agrícolas (REAGRI). E-mail: [email protected] Antonio Cezar Leal – Professor Doutor do Departamento de Geografia e dos Programas de Pós-Graduação em Geografia (acadêmico e profissional) na Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Campus de Presidente Prudente. Coordenador da Câmara Técnica de Instrumentos de Gestão do Comitê da Bacia Hidrográfica do Paranapanema, vice-coordenador da Câmara Técnica de Restauração Ecológica do Comitê da Bacia Hidrográfica do Pontal do Paranapanema e representante da UNESP no Conselho Estadual de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo. Coordenador do Grupo de Pesquisa em Gestão Ambiental e Dinâmica Socioespacial (GADIS – FCT/UNESP). Email: [email protected] Eduardo Paulon Girardi – Professor do Departamento de Geografia da UNESP (Campus de Presidente Prudente), onde é Docente do Programa de Pós-Graduação em Geografia. Doutor (2008) em Geografia pela FCT/UNESP, com estágio no Institut des Hautes Etudes de l'Amérique Latine (IHEAL) da Universidade de Paris III (Sorbonne Nouvelle). Vice-coordenador do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe (2013 - 2017), ligado à Cátedra Unesco de Educação do Campo e ao IPPRI/UNESP. Líder do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (NERA) desde 2013 e autor do Rosa Ester Rossini | Maria Rita Ivo de M. Machado | Mateus de A. P. Sampaio 308 | Sumário "Atlas da Questão Agrária Brasileira. E-mail: eduardo.g[email protected]r Elisa Pinheiro de Freitas – Graduada, Mestre e Doutora em Geografia pela Universidade de São Paulo (1998-2013). Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Estudos Fronteiriços da UFMS e Docente Colaboradora do curso bacharelado em Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC. Foi Docente Colaboradora no Programa de Mestrado em População, Sociedade e Território do Instituto Geográfico e Ordenamento do Território (IGOT) na Universidade de Lisboa (2014) e Coordenadora do Curso de Geografia do Campus do Pantanal da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (CEPAN/UFMS - 2015-2019). E-mail: [email protected] Fábio de Lima – Graduado em Geografia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD/2014). Mestre pela mesma instituição (2017). Atualmente é professor da rede pública de Manaus-AM, atuando em duas escolas: Escola Estadual Maria Amélia do Espírito Santo e Escola Estadual Tenente Coronel Cândido Mariano (Colégio Militar da Polícia Militar V). E-mail: [email protected] Fernanda Regina Fuzzi – Doutoranda do Programa de PósGraduação em Geografia da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências e Tecnologia, Câmpus de Presidente Prudente. Licenciada (2012), Bacharela (2013) e Mestra (2016) em Geografia pela mesma instituição. Participa do Grupo de Pesquisa em Gestão Ambiental e Dinâmica Socioespacial (GADIS). Foi estagiária e monitora no Centro de Museologia, Antropologia e Arqueologia (CEMAARQ) desenvolvendo Projetos de Extensão Universitária sob orientação da Profª. Drª Ruth Künzli. E-mail: [email protected] José Martín Bageneta – Doutor em Ciências Sociais e Humanas pela Universidade Nacional de Quilmes. Professor na Universidade Autónoma de Baja California e na Universidade Nacional Arturo Jauretche, na Argentina. Pesquisador do Terra de Trabalho | Volume II Sumário | 309 Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de la República Argentina (CONICET). E-mail: [email protected] Júlia Adão Bernardes – Possui graduação e mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, doutorado em Geografia Humana pela Universidad de Barcelona e pósdoutorado pela Universidad Nacional de San Martín, Argentina. Atualmente é Professora Permanente do Programa de PósGraduação em Geografia e Professora Colaboradora do Departamento de Geografia da UFRJ. Pesquisadora nível 1C do CNPq e Cientista do Nosso Estado da FAPERJ. Coordenadora do Núcleo de Estudos Geoambientais (NUCLAMB) e é pesquisadora da Rede de Pesquisas sobre Regiões Agrícolas (REAGRI). Sob sua organização, 13 livros já foram publicados envolvendo sua temática de investigação. E-mail: [email protected] Margarida Queirós – Doutorada em Geografia Humana pela Universidade de Lisboa. É atualmente Professora Associada no Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT) da Universidade de Lisboa e investigadora do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa. Coordenou e colaborou em vários projetos nacionais e internacionais relacionados com a igualdade de gênero, dos quais se destacam os mais recentes: GenMob, Género e Mobilidade: desigualdade no espaço-tempo; Gearing Roles: Gender Equality Actions in Research Institutions to traNsform Gender ROLES; ViViDo: plataforma para a gestão da rede nacional das vítimas de violência doméstica e de género. E-mail: [email protected] Maria Beatriz Rocha-Trindade – Graduada em Administração Ultramarina e Licenciada em Ciências Antropológicas e Etnológicas pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina pela Universidade Técnica de Lisboa. Doutora em Sociologia pela Universidade René Descartes (Paris V – Sorbone). Fundadora do Centro de Estudos de Migrações e das Relações Interculturais (1994) da Universidade Aberta de Lisboa. Professora Catedrátrica (aposentada) da Universidade Aberta de Lisboa. É Rosa Ester Rossini | Maria Rita Ivo de M. Machado | Mateus de A. P. Sampaio 310 | Sumário titular da Ordre National du Mérite, com o grau de Chevalier e da Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, atribuídas pelo Governo Francês e Português. Membro da Comissão Científica da Cátedra UNESCO sobre Migrações. E-mail: [email protected] Mário Vale – Doutor em Geografia Humana pela Universidade de Lisboa e Mestre em Geografia Humana e Planejamento Regional e Local. É Professor Catedrático do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa. Foi Investigador Visitante no CURDS (Centre for Urban and Regional Development Studies), na Universidade de Newcastle (2006) e Fulbright Visiting Scholar no Departamento de Geografia da University of California Los Angeles (UCLA) em 2013. Atualmente, é Diretor do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa e membro do Grupo de Investigação ZOE desta unidade. E-mail: mario.val[email protected]l.pt Mateus de Almeida Prado Sampaio – Pós-doutorando em geografia junto ao Departamento de Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - Campus de Presidente Prudente com apoio PNPD/CAPES. Mestre (2010) e Doutor (2015) em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo. Pesquisador do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (NERA - FCT/UNESP), da Rede de Pesquisa sobre Regiões Agrícolas (REAGRI - NUCLAMB/UFRJ) e do Grupo de Geografia e Gênero (LABOPLAN – DG/USP). E-mail: [email protected] Paul Clívilan Santos Firmino – Graduado em Geografia pela Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) e Mestre em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP), onde atualmente é doutorando em Geografia e Bolsista FAPESP com estágio doutoral (BEPE) na Universidade de Valladolid, Espanha. Faz parte do Laboratório de Geografia Política e Planejamento Territorial e Ambiental (LABOPLAN/USP) e do Laboratório de Geografia Econômica e Planejamento Territorial - Campus V União dos Palmares (LAGEP/UNEAL). E-mail: [email protected] Terra de Trabalho | Volume II Sumário | 311 Paulo Miguel Madeira – Doutor em Geografia pela Universidade de Lisboa, onde fez também mestrado e licenciatura em Geografia. Os seus interesses de investigação centram-se na geografia económica e social, desenvolvimento regional e sustentável, políticas públicas, economia política do território e também geografia política. É investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e investigador colaborador do Centro de Estudos Geográficos da mesma universidade. Foi jornalista no diário Público, sobretudo nas áreas da economia e media. Email: [email protected] Taiana Ciscotto Martins Lourenço – Graduada em Geografia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Mestre em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA/UFRRJ) e doutora em Geografia pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGEO/UFRJ), com período sanduíche na Université Toulouse Jean Jaurès. Atualmente é pesquisadora vinculada ao Núcleo de Estudos Geoambientais (NUCLAMB) da UFRJ. E-mail: [email protected]