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Teoria do turismo: percepções e utilidade para acadêmicos e profissionais brasileiros

Souza-Neto, Valério Rodrigues de,Lacerda, Paulo Henrique Ferreira,Oliveira, Josefa Laize Soares,Santos, Flavio Andrew do Nascimento

Abstract

Este estudo teve como objetivo explorar a percepção e utilidade da teoria do turismo no Brasil. Adotando uma abordagem quantitativa baseada no modelo de Stergiou e Airey (2018), uma pesquisa anteriormente conduzida no Reino Unido foi adaptada. Para tanto, questionários foram distribuídos entre membros de associações da área, obtendo 135 respostas. Os resultados destacam a relevância da teoria do turismo, na prática, ressaltando a necessidade de integração entre as duas facetas para lidar com desafios na gestão dos destinos. No cenário brasileiro, a importância dessa relação mostrou-se mais sólida em comparação com o contexto do Reino Unido. Esse achado enfatiza que os cursos da área devem considerar a práxis sobre os direcionamentos sociais das pesquisas. Além disso, destaca-se a importância de abordar questões práticas para fortalecer a autoridade epistêmica dos pesquisadores, sublinhando que a teoria deve se adaptar a prática e não a prática a teoria.

Full text

www.pasosonline.o g Vol. 23 N. o 1. Págs. 149‑166. ene o‑ma zo 2025 h ps://doi.o g/10.25145/j.pasos.2025.23.010 Teo ia do u ismo: pe cepções e u ilidade pa a acadêmicos e p o issionais b asilei os Valé io Rod igues de Souza-Ne o* G i i h Uni e si y (Aus alia) Paulo Hen ique Fe ei a Lace da** Jose a Laize Soa es Oli ei a*** Uni e sidade de São Paulo (B asil) Fla io And ew do Nascimen o San os**** Be lin School o Business and Inno a ion (Alemania) Resumo: Es e es udo e e como obje i o explo a a pe cepção e u ilidade da eo ia do u ismo no B asil. Ado ando uma abo dagem quan i a i a baseada no modelo de S e giou e Ai ey (2018), uma pesquisa an e io men e conduzida no Reino Unido oi adap ada. Pa a an o, ques ioná ios o am dis ibuídos en e memb os de associações da á ea, ob endo 135 espos as. Os esul ados des acam a ele ância da eo ia do u ismo, na p á ica, essal ando a necessidade de in eg ação en e as duas ace as pa a lida com desa ios na ges ão dos des inos. No cená io b asilei o, a impo ância dessa elação mos ou-se mais sólida em compa ação com o con ex o do Reino Unido. Esse achado en a iza que os cu sos da á ea de em conside a a p áxis sob e os di ecionamen os sociais das pesquisas. Além disso, des aca-se a impo ância de abo da ques ões p á icas pa a o alece a au o idade epis êmica dos pesquisado es, sublinhando que a eo ia de e se adap a a p á ica e não a p á ica a eo ia. Pala as-cha e: Ges ão do u ismo; Pe spec i as epis emológicas; Relação en e eo ia e p á ica; Teo ia do Tu ismo; Tu ismo aplicado. Tou ism heo y: pe cep ions and use ulness o B azilian academics and p o essionals Abs ac : This s udy aimed o explo e he pe cep ion and use ulness o ou ism heo y in B azil. Adop ing a quan i a i e app oach based on S e giou and Ai ey's model (2018), a su ey p e iously conduc ed in he UK was adap ed. To his end, ques ionnai es we e dis ibu ed among membe s o associa ions in he ield, ob aining 135 esponses. The esul s highligh he ele ance o ou ism heo y in p ac ice, emphasising he need o in eg a ion be ween he wo ace s o deal wi h challenges in des ina ion managemen . In he B azilian scena io, he impo ance o his ela ionship was mo e solid as compa ed o he UK con ex . This inding emphasises ha cou ses in he a ea should conside he p axis o he social di ec ion o esea ch. Fu he mo e, i highligh s he impo ance o add essing p ac ical issues o s eng hen he epis emic au ho i y o esea che s, emphasising ha heo y should adap o p ac ice and no p ac ice o heo y. Keywo ds: Tou ism managemen ; Epis emological pe spec i es; Rela ionship be ween heo y and p ac ice; Tou ism heo y; Applied ou ism. * E-mail: ale io. od iguesdesouzane o@g i i huni.edu.au; h ps://o cid.o g/0000-0003-4680-7697 ** E-mail: paulolace da u @gmail.com; h ps://o cid.o g/0000-0002-2918-0514 *** E-mail: laizeoli ei [email p o ec ed]; h ps://o cid.o g/0000-0003-4186-9389 **** E-mail: la ioand [email protected]; h ps://o cid.o g/0000-0003-3771-4579 Ci e: Souza-Ne o, V. R.; Lace da, P.H.F.; Oli ei a, J.L.S. & San os, F. A. N. (2025). Teo ia do u ismo: pe cepções e u ilidade pa a acadêmicos e p o issionais b asilei os. PASOS. Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al , 23(1), 149-166. h ps://doi.o g/10.25145/j.pasos.2025.23.010 © PASOS Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al. ISSN 1695-7121 PASOS Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al. 23(1). Ene o-ma zo 2025 ISSN 1695-7121 150 Teo ia do u ismo: pe cepções e u ilidade pa a acadêmicos e p o issionais b asilei os 1. In odução O campo de pesquisa do u ismo é ca ac e izado po uma sé ie de ques ões epis emológicas que êm sido explo adas po es udiosos como Ech ne e Jamal (1997), Panosso Ne o e Necha (2014), T ibe (1997) e Sampaio (2022). Como obje o de es udos e de pesquisa em di e sas á eas do conhecimen o e em es ágio inicial de desen ol imen o cien í ico (Velasco González, 2014; Benckendo & Zeh e , 2013), a inco po ação de pa adigmas e obje i os con li an es sob e “o que é u ismo” em ge ado di e gências sob e sua comp eensão como um enômeno (Ren, P i cha d, & Mo gan, 2009). Assim, in es igações que se cen am em ais pe spec i as o nam-se undamen ais pa a o a anço do conhecimen o nes e campo em seus es ágios elemen a es, al como suge e Bache lad (1947). Nes a linha in es iga i a, di e sos emas êm despe ado o in e esse de pesquisado es b asilei os e in e nacionais, ais como: ca á e disciplina e cien í ico (T ibe, 2004; Beni & Moesch, 2016; Ja a i, 1994; Jo icic, 1998) e eo ias co ela as (A ambe i, 2001; Fuen es Mo eno, 2016). As espos as a esses emas são in luenciadas pelo amewo k eó ico u ilizado po esses pesquisado es (Sampaio, 2022; Oli ei a, San os & Panosso Ne o, 2022; Oli ei a & Panosso Ne o, 2023), conside ando o u ismo não apenas como um concei o eó ico, mas como um enômeno ma e ial que impac a na mobilidade (Coelho & Maye , 2020; Shelle , 2021), no meio ambien e (Lenzen, Fa u ay, Ting, Geschke & Malik, 2018; Souza- Ne o, Ma ques, Maye & Lohmann, 2022), nas sociedades ecep o as e na qualidade de ida dos abalhado es do se o (Mihalic, 2020), en e di e sos ou os aspec os. Com isso, é impo an e comp eende o signi icado e a u ilidade da eo ia do u ismo e sua aplicabilidade p á ica (Sco & Campos, 2022; Oli ei a, San os & Panosso Ne o, 2022; Oli ei a & Panosso Ne o, 2023). Re le imos que o u ismo é ab angen e, englobando 18 á eas do conhecimen o (Ja a i, 2005), e sua abo dagem eó ica es abelece uma linguagem comum que acili a a comunicação en e pesquisado es e p o issionais. Isso, po sua ez, em um impac o di e o em di e sas es e as, incluindo polí icas públicas, es a égias de negócios e desen ol imen o ecnológico, apenas pa a menciona como exemplo, o e ecendo explicações e p e isões pa a os enômenos que pe meiam a á ea. Apesa de sua complexidade, o u ismo ainda não é amplamen e econhecido como um campo eó ico (Fus e , 1971; A illaga, 1976; Nogue o, 2010). No Reino Unido, S e giou e Ai ey (2018) abo da am essa p oblemá ica com base na pe spec i a de pesquisado es e p o issionais da á ea, mas indica am a p eocupação em elação à gene alização pa a ou as cul u as. O B asil, sendo um país em desen ol imen o com pa icula idades sócio-his ó icas e p oblemá icas elacionadas ao u ismo (Lohmann e al., 2021, 2022), o e ece um campo ins igan e pa a análises compa a i as. Nesse sen ido, es e es udo em o obje i o de explo a a pe cepção e a u ilidade da eo ia do u ismo po meio de uma pesquisa su ey adap ada de S e giou e Ai ey (2018), aplicada a u ismólogos e acadêmicos. 2. Seção eó ica 2.1 Teo ia e p á ica: a impo ância da in e - elação no campo do u ismo A eo ia, en endida como um conjun o in e - elacionado de concei os, de inições e p oposições, que pe meiam di e sas á eas do conhecimen o, incluindo o u ismo, isa elucida enômenos (A y, Jacobs, So ensen & Raza ieh, 2010; Smi h & Lee, 2010; S e giou & Ai ey, 2018). As discussões e pe spec i as e lexi as que eme gem desse con ex o moldam a ele ância dos undamen os eó icos na p á ica, des acando al impo ância no léxico con empo âneo (Abend, 2008). Nes a linha, Pea ce (2012) ale a pa a as polissemias e di e enças epis emológicas e on ológicas ge adas po uma a iedade de emas e discussões no campo do u ismo. Po sua ez, Chinn e Jacobs (1978) salien am que algumas eo ias possuem uma unção desc i i a, enquan o ou as buscam obje i os explica i os, p edi i os e/ou con olado es mais amplos. A cons ução de uma eo ia bem de inida en ol e a comp eensão de seus undamen os, como ambém a aplicação de mé odos a iados, como modelos es a ís icos, es e empí ico de hipó eses e a iden i icação de elações causais, como obse ado po Smi h e Lee (2010). Analogias en e eo ias de di e en es campos, podem con ibui pa a uma de inição mais ab angen e e coe en e des a isão (Smi h, Xiao, Nunkoo & Tukamushaba, 2013). Ao conside a as eo ias como p incípios ge ais, con o me a gumen ado po Kan (1793 apud Abbagnano, 2007), se pe cebe que elas o e ecem uma comp eensão abs a a de de e minados con ex os, ab igando eg as p á icas que o ien am a expe imen ação, uma ca ego ia essencial pa a o desen ol imen o eó ico na Ciência Mode na (Pe ei a, 1990). Essas ações eó icas de pensa , con empla e in e i undamen am, o ien am e explicam ealidades empí icas, Valé io Rod igues de Souza-Ne o, Paulo Hen ique Fe ei a Lace da, Jose a Laize Soa es Oli ei a, Fla io And ew do Nascimen o San os 151 PASOS Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al. 23(1). Ene o-ma zo 2025 ISSN 1695-7121 ge ando p áxis e e idenciando que a cons ução do conhecimen o cien í ico es á alinhada à ealidade empí ica (Schweinsbe g, 2022). A in e conexão en e eo ia e p á ica se o na ainda mais e iden e quando conside amos a pe spec i a de Panosso Ne o (2011) e Oli ei a e Panosso Ne o (2023), que des acam a eo ia como um conjun o de conhecimen os, dou inas e sis emas de ideias insepa á eis da p á ica em um de e minado campo do conhecimen o. Essa isão essal a que é na enomenologia, a pa i da in e ação com a ealidade empí ica, que a eo ia eme ge e se consolida. Além disso, Abbagnano (2007) en a iza que as eo ias con êm uma ou mais hipó eses, condicionando a obse ação dos enômenos empí icos e o necendo ins umen os pa a a ep esen ação simbólica ou concei ual. Essa in e dependência sublinha a na u eza dinâmica e e olu i a do conhecimen o cien í ico. 2.2 Pe spec i as epis emológicas en e a p á ica e a eo ia no u ismo Fus e (1971) e le e que, a elação en e eo ia e p á ica é a base pa a a cons ução de um conhecimen o cien í ico alinhado à ealidade empí ica do u ismo. En e an o, pa e dos pesquisado es da á ea endem a dissocia essas duas pe spec i as, en aquecendo a au o idade epis êmica das pesquisas (Fus e , 1971; Schweinsbe g, 2022). Pa a en en a esse desa io, é c ucial es abelece uma in e - elação p o unda en e eo ia e p á ica, uma ez que essas duas ca ego ias a uam de o ma complemen a na o mulação e o ien ação de esul ados aplicá eis às di e sas ealidades que pe meiam o u ismo. A li e a u a nacional e in e nacional sob e u ismo é compos a po pe spec i as epis emológicas guiadas po di e en es abo dagens eó icas, esul ando em posições a iadas (Fus e , 1971; Sessa, 1988; Yázigi, 2012; Moesch; Beni, 2015; Sampaio, 2022). Apesa disso, exis em pon os em comum compa ilhados po pa e dos pesquisado es. Reconhece-se, po exemplo, a complexidade do enômeno u ís ico (Beni & Moesch, 2016) e a necessidade de conside a di e sas abo dagens eó icas (Panosso Ne o & Necha , 2014). Con udo, c í icas são equen emen e di ecionadas à al a de his o icidade eó ica na p odução acadêmica da á ea (Panosso Ne o, Nogue o & Jage , 2011), bem como à agmen ação do conhecimen o p oduzido em elação às ciências consolidadas (Ja a i, 2005; Benckendo & Zeh e , 2013). Analisando as e lexões de Panosso Ne o (2011), podemos iden i ica ês posições p edominan es en e os pesquisado es no campo do u ismo: I) Alguns econhecem o u ismo como uma ciência, embasados na as a p odução acumulada ao longo dos anos; II) Ou os comp eendem essa p odução sob e u ismo, mas salien am que o campo con inua em e olução pa a se o na uma ciência, necessi ando de um obje o bem delimi ado e um mé odo p óp io; III) Po im, há um e cei o g upo que nega a possibilidade de o u ismo se o na uma ciência, a i mando se apenas um campo de es udo pe encen e a e dadei as ciências. Essas pe spec i as e le em as di e en es isões e abo dagens dos pesquisado es em elação ao s a us do u ismo como uma disciplina cien í ica. Adicionalmen e, a p odução cien í ica no u ismo é o ien ada po cinco escolas epis emológicas: sis êmica, posi i is a, ma xis a, enomenológica e c í ica (Panosso Ne o & Necha , 2014). No con ex o a ual das pesquisas da á ea, no a-se uma p edominância das abo dagens sis êmica, posi i is a e enomenológica nos pe iódicos b asilei os, com um c escen e in e esse pela abo dagem complexa/ecossis êmica (Tadio o, Campos & Vianna, 2022). É ele an e des aca que a pe spec i a complexa, in luenciada pelos p incípios de Mo in (1984), em sido aplicada em di e en es en oques de es udos sob e u ismo (F a ucci, 2008; Telles & Valduga, 2015; And ade-Ma os, Richa ds & Aze edo Ba bosa, 2022). Também conside amos que a pe spec i a sis êmica possui uma o e adição nos es udos do u ismo, com modelos sis êmicos amplamen e di undidos e u ilizados pa a comp eende , pesquisa e ensina na á ea (Cue o, 1967; Leipe , 1979; Sessa, 1985; Molina, 1991; Beni, 1998; Boullón, 2002). No con ex o b asilei o, a ob a “Análise Es u u al do Tu ismo” de Má io Beni (1998) ep esen a um ma co eó ico e p á ico na aplicação da pe spec i a sis êmica ao u ismo. Essa adição é conside ada po Panosso Ne o (2009) como uma ase pa adigmá ica nos es udos do u ismo. 2.3 A ele ância das abo dagens eó icas no es udo do u ismo Ao desa ia a comunidade acadêmica a e le i sob e o u ismo como um campo de es udos cien í ico, Fus e (1971) con ibuiu pa a o desen ol imen o de uma isão mais ab angen e sob e a á ea. Como esul ado, o u ismo passou a se comp eendido como um enômeno mul idimensional, englobando aspec os econômicos, polí icos, cul u ais e ambien ais, ao in és de se a ado isoladamen e. Essa mudança de pe spec i a pe mi iu que os pesquisado es en endessem a ele ância das di e sas ace as eó icas que o cons i uem, conside ando os con ex os p á icos das a i idades que o compõem. PASOS Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al. 23(1). Ene o-ma zo 2025 ISSN 1695-7121 152 Teo ia do u ismo: pe cepções e u ilidade pa a acadêmicos e p o issionais b asilei os A pe spec i a de Fus e (1971) de que o u ismo de e se conside ado uma ciência em sido compa ilhada po ou os eó icos, como U y (1992), que en a iza a ele ância da eo ia pa a en ende as ans o mações sociais e cul u ais deco en es des e campo de es udos. Assim, a eo ia do u ismo pe mi e uma comp eensão c í ica de seus impac os, o que é undamen al an o pa a o seu desen ol imen o quan o pa a seu planejamen o da á ea. Além disso, Ja a i (1980) de ende que o es udo eó ico é essencial pa a comp eende as mo i ações dos u is as e a dinâmica do u ismo. Em ou a pe spec i a, Sha pley (2005) a gumen a que a eo ia é impo an e pa a en ende como o u ismo a e a as comunidades locais e como os esiden es dessas comunidades espondem a ele. Quan o à complexidade, McKe che e P ideaux (2020) en a izam que es uda eo ias no campo do u ismo é undamen al pa a comp eende as plu alidades e desa ios en en ados pela á ea. Dessa o ma, é possí el comp eende a complexidade das elações en e u is as, comunidades locais, emp esas e go e nos, bem como os impac os sociais, econômicos e ambien ais do u ismo. Nessa linha, a impo ância de se es uda eo ias no campo do u ismo é e iden e, ao pe mi i uma comp eensão mais p o unda e c í ica sob e es e campo do conhecimen o, bem como a análise ap o undada sob e seus desa ios e po encialidades. Em uma inicia i a des inada a en iquece o diálogo ace ca das eo ias do u ismo, Oli ei a (2018) in oduz uma dis inção en e duas ca ego ias concei uais: “ eo ia sob e o u ismo” e “ eo ia do u ismo”. Con o me a p opos a, “ eo ia sob e o u ismo” e e e-se a uma abo dagem eó ica que undamen a e analisa o p óp io concei o de u ismo, buscando comp eende suas implicações. Em con apa ida, a “ eo ia do u ismo” é desc i a como uma explicação mais ge al e simpli icada sob e o que cons i ui o u ismo, a ando-o como um obje o já de inido. Essa dis inção salien a a necessidade de ado a abo dagens eó icas in e disciplina es no es udo do u ismo, econhecendo que a complexidade desse enômeno demanda uma comp eensão mul i ace ada pa a cap u a sua essência e dinâmica em oda a sua ex ensão, anscendendo isões unila e ais sob e o u ismo como um campo eó ico. Mais ecen emen e, Wea e (2023), de o ma in eg a i a, abalha o u ismo sob a ó ica pandisciplina . O mesmo p opõe uma ou isa ion heo y . Pa a essa eo ia ge al do u ismo, a “ação obse á el undamen al [...] é o aumen o da inse ção di e a e indi e a do se o de u ismo em luga es ao edo do mundo e o domínio c escen e esul an e, po meio da a ação e apoio de u is as, bem como luxos u ís icos de saída” (p. 2). Pa a o au o , as es u u as e p ocessos nuclea es do u ismo es ão cap u adas em seu modelo. Sendo eles: [...] seis p oposições uni e sais e e ei os aliados que cons i uem uma eo ia p o isó ia ao en ol e um conjun o in eg ado de decla ações empi icamen e es á eis que desc e em de o ma a iá el (ou seja, ubiquidade., ascendência, concen ação e e ei os de endosso) ou en am explica (ou seja, e ei os de impulso e ampli icação) essa ime são, e daí o enômeno do u ismo (p. 2). Desde a década de 1990, o cená io acadêmico b asilei o es emunha a adoção de abo dagens eó icas nos es udos do u ismo, e le ida em ob as in luen es como “Manual de Iniciação ao Es udo do Tu ismo” (Ba e o, 1995), “Tu ismo: Teo ia e P á ica” (Lage & Milone, 2001), “Fundamen os do Tu ismo” (Igna a, 2013) e “Teo ia do Tu ismo” (Lohmann & Panosso Ne o, 2016). Es as ob as, ao explo a em o u ismo po di e en es pe spec i as, e idenciam a ele ância do ema, apon ando pa a a necessidade de uma discussão mais ap o undada. Apesa das di e gen es isões sob e a consolidação eó ica do u ismo, es e a igo p essupõe que a ex ensa p odução no campo cons i ui um es o ço cien í ico passí el. A jus i ica i a pa a al abo dagem eside na na u eza in e a i a do u ismo, sendo um p odu o da colabo ação de di e sos a o es, demandando uma abo dagem pa a en ende os p oblemas elacionados ao seu es udo. Ainda, Souza-Ne o, Lace da, Ma schuck, Ca alcan e e T igo (2023) ealiza am um es udo explo a ó io u ilizando-se de écnica de elici ação li e com p o issionais e acadêmicos do u ismo. Como esul ado, encon a am disc epâncias p elimina es sob e a isão dos mesmos em elação a eo ias do u ismo. Tais pe spec i as, a é aqui expos as, implicam em comp eende a cons ução das eo ias de u ismo, bem como examina como elas se aplicam, con o me suge em S e giou e Ai ey (2018). 3. Mé odo O es udo ado a uma abo dagem quan i a i a, possibili ando uma isão ge al da equência das opiniões dos en e is ados (Tashakko i & Teddlie, 2010; Be na d, 2017). Pa a ga an i a Valé io Rod igues de Souza-Ne o, Paulo Hen ique Fe ei a Lace da, Jose a Laize Soa es Oli ei a, Fla io And ew do Nascimen o San os 153 PASOS Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al. 23(1). Ene o-ma zo 2025 ISSN 1695-7121 compa abilidade en e as e lexões que embasa am a pesquisa, a amos a e o plano de pe gun as segui am o es udo de S e giou e Ai ey (2018), com adap ações pa a o con ex o b asilei o, conside ando as limi ações dos pesquisado es b i ânicos. A adução do ques ioná io o iginal oi ealizada po dois pesquisado es na i os de língua po uguesa, e a écnica de adução e e sa, p opos a po Kim, Lee e Jung (2020), oi u ilizada pa a co igi di e enças idiomá icas iniciais (B islin, 1970). Assim, oi ealizado um p é- es e (Hulland, Baumga ne , & Smi h, 2018) com 11 esponden es pa a ape eiçoa o ins umen o de cole a de dados (Villacé-Moline o, Fe nández-Muñoz & Fuen es-Mo aleda, 2021), inco po ando pequenas modi icações que não comp ome e am a análise na amos a inal. O ques ioná io oi eplicado na pla a o ma Google Fo ms , amplamen e u ilizada em pesquisas de u ismo no Ociden e (e.g., Ga ilan, A ello & Ma inez-Na a o, 2018; Villacé-Moline o e al., 2021), o que pe mi iu a c iação de seções condicionais. An es de começa a esponde , o pa icipan e oi con idado a le a desc ição do es udo e acei a o Te mo de Consen imen o Li e e Escla ecido (TCLE), além de se in o mado do empo médio de espos a do ques ioná io. A desc ição ambém in o ma a que, se elegí el, o esponden e conco e a um “ gi ca d ” no alo de R$35,00 da Ne lix. Conside amos que o uso de incen i os, como o gi ca d , é uma p á ica comum em pesquisas, ajudando a aumen a a pa icipação dos po enciais esponden es (B osnan, Kempe man & Dolnica , 2019). Tabela 1: Ques ões do ques ioná io ap esen ado aos esponden es Secções e pe gun as Respos as 1. Pe il do en e is ado 1.1 Qual o seu pe il? Acadêmico de u ismo (Docência - g aduação, écnicos e/ou ecnólogo); Acadêmico de u ismo (Docência - pós-g aduação la o sensu); Acadêmico de u ismo (Docência - pós-g aduação s ic o sensu); Acadêmico de u ismo (Discen e); Acadêmico de u ismo e p o issional da á ea; P o issional da á ea de u ismo e a ins 1.2 Qual o seu gêne o? Feminino; Masculino; P e i o não iden i ica ; Ou os (abe a) 1.3 Qual a sua idade? Abaixo de 30; 30-39; 40-49; 50-59; Mais de 60 1.4 Es ado de a uação (Múl ipla escolha) 1.5a Depa amen o de a uação. Tu ismo/Hospi alidade; Negócios/Adminis ação; Ou os (abe a) 1.6a Qual a sua posição na Ins i uição de Ensino? Discen e; P o esso adjun o; P o esso associado; Ou os (abe a) 1.7a Qual sua ca ga ho á ia de abalho? Pe íodo in eg al (Ca ga ho á ia mínima de 40 ho as semanais ou 160 ho as mensais); Pe íodo pa cial (Ca ga ho á ia meno que 40 ho as semanais ou 160 ho as mensais) 1.8a Á ea de es udo/pesquisa Tu ismo; Ho ela ia; E en os; Geog a ia; Cul u a/Pa imônio; Adminis ação; Ou os (abe a) 1.9a Á ea de o mação (g aduação) (abe a) 1.5b Qual a sua o mação? Ensino Fundamen al; Ensino médio/Segundo g au; G aduação; Pós-G aduação la o sensu; Pós-G aduação s ic o sensu (mes ado/dou o ado) 1.6b Qual o seu ca go? Di e o Adminis a i o/P esiden e; Ge en e de Di isão/Á ea; Ge en e de depa amen o; Líde de equipe/p oje o; Ou os (abe a) 1.7b Tempo de emp ego. A é 5 anos; En e 5 e 10 anos; En e 11 e 20 anos; Mais de 20 anos 1.8b Tempo no u ismo A é 5 anos; En e 5 e 10 anos; En e 11 e 20 anos; Mais de 20 anos 1.9b Possui educação/ p o issionalização em Tu ismo? Sim; Não 1.10b Possui quali icação em Tu ismo? Sim; Não 1.11b Em qual se o ocê a ua? Público; P i ado; Volun á io; Ou os (abe a) 1.12b Qual a á ea do seu a ual emp ego? Ge enciamen o de des ino; Meios de hospedagem; Consul o ia; T anspo es; A a i o/a ação; Alimen os e bebidas; Ou os (abe a) 1.13b A emp esa que ocê a ua em quan os uncioná ios? Sou MEI; Menos do que 10; 10-49; 50-250; Mais de 250 PASOS Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al. 23(1). Ene o-ma zo 2025 ISSN 1695-7121 154 Teo ia do u ismo: pe cepções e u ilidade pa a acadêmicos e p o issionais b asilei os 1.14b Qual o p incipal ní el de a uação da emp esa? In e nacional; Nacional; Regional; Es adual; Local 3. Comp eensão dos esponden es sob e “ eo ia”. 3.1 Selecione a de inição que mais condiz com o seu en endimen o sob e eo ia. (Selecione uma) Uma eo ia é um conjun o de concei os, de inições e p oposições in e - elacionadas que especi icam uma isão sis emá ica dos enômenos, especi icando elações en e a iá eis, isando explica e p e e enômenos (A y e al., 2009, p. 15). Uma eo ia é um modelo da ealidade que nos ajuda a en ende , explica e p edize essa ealidade (S e giou & Ai ey, 2018, p. 163). Uma eo ia e e e-se a modelos es a ís icos que es am elações causais especula i as en e a iá eis, mas sem um modelo a p io i (Smi h & Lee, 2010, p. 33). Uma eo ia é um modelo e bal ou g á ico não es ado/não es á el (Smi h & Lee, 2010, p. 31). Uma eo ia é um il o a a és do qual um pesquisado seleciona e in e p e a dados em ez de suge i hipó eses que podem se es adas empi icamen e (Smi h & Lee, 2010, p. 34). Uma eo ia ep esen a a de i ação de conclusões na o ma de emas ou pad ões baseados em uma codi icação es u u ada, i e a i a e subje i a de uma on e de dados (S e giou & Ai ey, 2018, p. 163 Adap ado de Smi h & Lee, 2010). Uma eo ia ep esen a a ex ação de conclusões do emp és imo de eo ias exis en es de um campo pa a se uma analogia em ou o campo (S e giou & Ai ey, 2018, p. 163 Adap ado de Smi h e al., 2013). Uma eo ia é uma cons ução simbólica que isa da sen ido aos múl iplos a os com os quais somos con on ados 4. A impo ância, na u eza e uso da eo ia em elação ao u ismo. A eo ia é impo an e pa a en ende o u ismo; A eo ia é impo an e no ensino do u ismo; A eo ia é impo an e na pesquisa do u ismo; O u ismo em seu p óp io co po eó ico dis in o; O u ismo é uma á ea madu a de es udo; As eo ias de ou os domínios de es udo são su icien es pa a en ende o u ismo; As eo ias de ou os domínios de es udo são mais impo an es do que as eo ias do u ismo na comp eensão do u ismo; Os p oponen es da impo ância da eo ia do u ismo supe es imam sua impo ância; A eo ia do u ismo que não es á in imamen e ligada à p á ica do u ismo não ajuda á a a ança o conhecimen o da p á ica de ges ão do u ismo. 5. U ilidade da eo ia do u ismo. A eo ia do u ismo é i ele an e pa a aqueles que abalham na ges ão do u ismo; A eo ia do u ismo é dissociada da p á ica de ges ão do u ismo; Uma comp eensão da eo ia do u ismo é essencial pa a que os ges o es con ibuam pa a o desen ol imen o sus en á el do u ismo; Uma comp eensão da eo ia do u ismo é essencial pa a os ges o es alcança em o sucesso come cial no u ismo; Uma comp eensão da eo ia do u ismo é essencial pa a que os ges o es con ibuam pa a o desen ol imen o é ico do u ismo; Uma comp eensão da eo ia do u ismo é essencial pa a os ges o es oma em decisões es a égicas de longo p azo no u ismo; Os ges o es de u ismo de em desen ol e uma melho comp eensão das eo ias de u ismo subjacen es à sua p á ica Toda a p á ica de ges ão do u ismo é ine i a elmen e undamen ada na eo ia do u ismo.; A eo ia ge al da adminis ação é mais impo an e que a eo ia do u ismo pa a os ge en es de u ismo; O papel da eo ia na p á ica da ges ão do u ismo p ecisa se mais bem comp eendido; Ges o es com pouca ou nenhuma expe iência no ensino supe io em di iculdade em segui os p ecei os da eo ia de u ismo; Pa a ges o es de u ismo com pouca ou nenhuma expe iência no ensino supe io , é mais ácil einá-los pa a implemen a um conjun o de écnicas pad ão do que ap esen á-los à eo ia do u ismo. Fon e: Adap ado de S e giou e Ai ey (2018) O ques ioná io u ilizado nes e es udo é compos o po qua o seções ( abela 1). A p imei a seção co esponde ao pe il do esponden e, com ques ões condicionais pa a acadêmicos, p o issionais e Valé io Rod igues de Souza-Ne o, Paulo Hen ique Fe ei a Lace da, Jose a Laize Soa es Oli ei a, Fla io And ew do Nascimen o San os 155 PASOS Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al. 23(1). Ene o-ma zo 2025 ISSN 1695-7121 acadêmicos/p o issionais. Caso o esponden e não pe encesse a algum desses g upos, e a di ecionado au oma icamen e pa a o im do ques ioná io. Na segunda e e cei a seção, abo damos a comp eensão sob e eo ia, com oco em sua “impo ância, na u eza e uso elacionado ao u ismo” (S e giou & Ai ey, 2018, p. 158, adução li e). Adicionalmen e, oi incluída uma e i icação de manipulação ins ucional (Ins uc ional Manipula ion Check - IMC; Paas, Dolnica & Ka lsson, 2018) solici ando que o esponden e ma casse 'disco do o almen e (1)' caso não es i esse p es ando a enção. O IMC oi in oduzido como uma medida de a enção do pa icipan e e il o de a enção (Hause & Schwa z, 2016, p. 401, adução li e) pa a assegu a que os dados cole ados ossem con iá eis, minimizando o iés causado po espos as desa en as ou incoe en es que pode iam comp ome e a alidade de nossos esul ados de pesquisa. O ques ioná io inal oi ao a en e os dias 13 de maio de 2022 e 1 de julho de 2022. E oi en iado no Google G oups da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-G aduação em Tu ismo (ANPTUR), pa a o g upo do Wha sApp e e-mails dos memb os da Rede B asilei a de Obse a ó ios de Tu ismo (RBOT) e nos e-mails es aduais da Associação B asilei a de Tu ismólogos e P o issionais do Tu ismo (ABBTUR) disponí eis no si e da en idade. Ob i emos um o al de 164 (cen o e sessen a e qua o) ques ioná ios, que após excluídas as espos as in alidadas pelo IMC, ica am 135 (cen o e in a e cinco) ques ioná ios álidos pa a análise. Ou seja, 17,7% dos ques ioná ios espondidos o am desca ados da análise após a e i icação de manipulação ins ucional. Tal índice chama a a enção a impo ância do uso de e i icações de manipulação ins ucional (Paas, Dolnica , & Ka lsson, 2018) pa a eduzi uídos e aumen a a alidade dos dados (Oppenheime , Mey is, & Da idenko, 2008). Os dados dos ques ioná ios o am analisados seguindo es a ís icas desc i i as e análise de equência (Leedy & O m od, 2015). As es a ís icas desc i i as o am usadas pa a esumi e desc e e as ca ac e ís icas numé icas das espos as, enquan o a análise de equência ajudou a iden i ica a dis ibuição des as em elação a cada ca ego ia. 4. Resul ados e Discussões 4.1 Ca ac e ização demog á ica, acadêmica e p o issional dos esponden es Os 135 ques ioná ios álidos o am espondidos po indi íduos de di e en es idades, o mações, gêne os e p o issões. En e as pessoas que esponde am, 60% se iden i ica am como do gêne o eminino, 40% como do gêne o masculino e 1,5% op a am po não se iden i ica . Quan o ao pe il p o issional, 53% (72) dos esponden es e am acadêmicos, 25% (33) e am acadêmicos e p o issionais, e 21% (30) e am p o issionais do me cado u ís ico. A maio ia dos esponden es acadêmicos (77,8%) possui o mação em Tu ismo como á ea base da g aduação, seguido de Ho ela ia (6,9%), Geog a ia e Adminis ação (2,8% cada). Quan o ao gêne o, hou e p edominância do eminino (59,7%) seguido pelo masculino (40,3%), e a aixa e á ia mais ep esen a i a oi en e 30 e 49 anos. Além disso, a maio ia (81,9%) es á inculada a depa amen os de Tu ismo/Hospi alidade e abalha em pe íodo in eg al (65,3%). Quan o às posições de ocupação nesses depa amen os, a maio ia é compos a po discen es (51,4%), seguido de p o esso es adjun os (23,6%) e p o esso es associados (13,9%) (Apêndice A). Em elação à o mação, 40% possuem g aduação, 36,7% possuem pós-g aduação la o sensu e 20% possuem pós-g aduação s ic o sensu . A g ande maio ia dos esponden es, ou seja, 86,7%, a i ma am e p o issionalização em u ismo, enquan o 83,3% a i ma am possui quali icação na á ea. Quan o à aje ó ia p o issional, oi obse ado que 40% dos esponden es possuem en e 11 e 20 anos de a uação no se o , 26,7% possuem mais de 20 anos de a uação, 20% possuem en e 5 e 10 anos de a uação, enquan o apenas 13,3% da amos a possui menos de 5 anos de expe iência no u ismo. A maio ia dos p o issionais da amos a des e es udo es á no se o p i ado (63,3%), seguido pelo se o público (30%) e e cei o se o (6,7%). Em elação à á ea de emp ego a ual, a dis ibuição é a seguin e: 13,3% em meios de hospedagem, 10% no ge enciamen o de des inos, 10% com a a i os u ís icos e 6,7% com consul o ia. Quan o ao empo de a uação, 53,3% dos p o issionais es ão a uando há menos de 5 anos, 23,3% a uam no ca go en e 5 e 10 anos, 13,3% en e 11 e 20 anos, e apenas 10% com mais de 20 anos. Os ca gos a uais dos esponden es incluem pequenas p esenças de agen es de iagens, guias, p odu o es cul u ais, analis as e assesso es, mas a maio ia é de Di e o es Adminis a i os/P esiden es, ep esen ando 26,7% da amos a. Ainda, os p o issionais des e es udo es ão inculados a emp esas de di e en es amanhos e ab angências. Ce ca de 20% a uam em emp esas en e 50 e 250 uncioná ios. Em elação à ab angência, 36,7% a uam no âmbi o nacional, 30% no egional, 20% no local e 13,3% no in e nacional (Apêndice B). PASOS Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al. 23(1). Ene o-ma zo 2025 ISSN 1695-7121 156 Teo ia do u ismo: pe cepções e u ilidade pa a acadêmicos e p o issionais b asilei os Também o am iden i icados p o issionais que são simul aneamen e acadêmicos e a uam no me cado u ís ico. Nesse g upo, 63,6% são mulhe es, 30,3% são homens e 6,1% p e e em não se iden i ica . A maio ia (66,7%) êm menos de 30 anos e a o mação p edominan e é a G aduação (51,5%). Os esponden es, que são an o acadêmicos quan o p o issionais do me cado u ís ico, ep esen am uma pa cela impo an e da amos a des e es udo. Na academia, a maio ia a ua como discen e de pós- g aduação (69,7%), embo a uma no a ca ego ia enha sido iden i icada: p o esso es subs i u os, que ep esen a am 6,1% da amos a. Quan o à á ea de a uação dos acadêmicos, a maio ia (75,8%) es á inculada a depa amen os de Tu ismo/Hospi alidade. Já na es e a p o issional, a maio ia dos indi íduos (67,7%) a ua no se o p i ado, enquan o 33,3% abalham no se o público. A Consul o ia é a á ea de a uação mais des acada (21,2%). No que se e e e ao empo de a uação no u ismo, a maio ia dos acadêmicos e p o issionais (60,6%) a ua há menos de 5 anos. Quan o ao emp ego a ual, líde es de equipe/p oje o ep esen am 15,2% da amos a, com a no a ca ego ia de Analis a. Além das possibilidades de espos as ap esen adas, a maio ia dos p o issionais (60,6%) se enquad a em unções de agenciamen o, ecepção, pesquisa e p es ação de se iços au ônomos. Os p o issionais que a uam an o no me cado quan o na academia es ão p edominan emen e inculados a depa amen os de u ismo como discen es de pós-g aduação (69,7%) e pesquisando sob e u ismo. Quan o às o ganizações em que es ão inse idos, 45,5% a uam em o ganizações de ab angência nacional, enquan o 27,3% azem pa e de o ganizações que possuem en e 50 e 250 uncioná ios e 15,2% são Mic oemp eendedo es Indi iduais. A maio ia desses p o issionais es á inculada ao se o p i ado (67,7%), com des aque pa a a á ea de Consul o ia (21,2%), e possui menos de 5 anos de a uação p o issional na á ea (60,6%). Além disso, os líde es de equipe/p oje o ep esen am 15,2% da amos a, com a no a ca ego ia de Analis a. No que se e e e à quali icação, a g ande maio ia (97%) possui o mação em Tu ismo e 93,9% possuem educação/p o issionalização na á ea. Em esumo, esses p o issionais são jo ens, quali icados, a uam p incipalmen e no se o p i ado em o ganizações de ab angência nacional, e se concen am em unções elacionadas à consul o ia, lide ança de equipe/p oje o, agenciamen o, ecepção, pesquisa e p es ação de se iços au ônomos. 4.2 Pe cepção sob e Teo ia Os en e is ados o am di ididos em ês g upos, e odos conco da am que a de inição de eo ia mais egis ada oi a de A y, Jacobs e So ensen (2009). Essa de inição concei ua a eo ia como “um conjun o de concei os, de inições e p oposições in e - elacionadas que especi icam uma isão sis emá ica dos enômenos, especi icando elações en e a iá eis, isando explica e p e e enômenos” (A y e al., 2009, p. 15). En e as de inições menos u ilizadas pelos en e is ados, a de inição de Smi h e Lee (2010) oi a segunda mais conside ada pelos acadêmicos, mas não oi conside ada po nenhum dos p o issionais. Po ou o lado, a de inição de que “uma eo ia é uma cons ução i ida que isa da sen ido aos múl iplos a os com os quais somos con on ados” oi assinalada po apenas 1,4% dos acadêmicos e oi a segunda mais conside ada pelos p o issionais que ambém são acadêmicos. Pa a uma isualização mais comple a dos esul ados do es udo b i ânico sob e a pe cepção b asilei a da eo ia, e i ique a abela 2. Em con as e com os esul ados des a pesquisa, o es udo de S e giou e Ai ey (2018) e elou que a eo ia é is a como uma e amen a ú il pa a comp eende e agi nos enômenos eais. As de inições mais comuns des acadas pelos en e is ados elacionam a eo ia com o en endimen o e a explicação da ealidade. É impo an e essal a que hou e maio conco dância en e os p o issionais e acadêmicos/p o issionais em elação à de inição de eo ia como um mecanismo pa a explica os a os con on ados na ealidade, e o çando a ideia de que a eo ia é ele an e pa a comp eende a ealidade. Tabela 2: De inição de eo ia po pa e dos esponden es De inição de eo ia ACAD PROF ACAD / PROF ACAD (S&A, 2018) PROF (S&A, 2018) Uma eo ia é um conjun o de concei os, de inições e p oposições in e - elacionadas que especi icam uma isão sis emá ica dos enômenos, especi icando elações en e a iá eis, isando explica e p e e enômenos (A y e al., 2009, p. 15). 62,5% 50,0% 60,6% 55% 32% Uma eo ia é um modelo da ealidade que nos ajuda a en ende , explica e p edize essa ealidade (S e giou & Ai ey, 2018, p. 163). 4,2% 6,7% 9,1% 26% 46% Valé io Rod igues de Souza-Ne o, Paulo Hen ique Fe ei a Lace da, Jose a Laize Soa es Oli ei a, Fla io And ew do Nascimen o San os 157 PASOS Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al. 23(1). Ene o-ma zo 2025 ISSN 1695-7121 Uma eo ia e e e-se a modelos es a ís icos que es am elações causais especula i as en e a iá eis, mas sem um modelo a p io i (Smi h & Lee, 2010, p. 33). 13,9% 0,0% 3,0% 1% 1% Uma eo ia é um modelo e bal ou g á ico não es ado/não es á el (Smi h & Lee, 2010, p. 31). 1,4% 0,0% 0,0% 1% 5% Uma eo ia é um il o a a és do qual um pesquisado seleciona e in e p e a dados em ez de suge i hipó eses que podem se es adas empi icamen e (Smi h & Lee, 2010, p. 34). 9,7% 0,0% 3,0% 10% 8% Uma eo ia ep esen a a de i ação de conclusões na o ma de emas ou pad ões baseados em uma codi icação es u u ada, i e a i a e subje i a de uma on e de dados (S e giou & Ai ey, 2018, p. 163 Adap ado de Smi h & Lee, 2010). 1,4% 10,0% 3,0% 5% 6% Uma eo ia ep esen a a ex ação de conclusões do emp és imo de eo ias exis en es de um campo pa a se uma analogia em ou o campo (S e giou & Ai ey, 2018, p. 163 Adap ado de Smi h e al., 2013). 5,6% 6,7% 6,1% 2% 2% Uma eo ia é uma cons ução simbólica que isa da sen ido aos múl iplos a os com os quais somos con on ados. 1,4% 26,7% 15,2% --- --- Legenda: ACAD: acadêmicos; PROF: p o issionais; ACAD/PROF: acadêmico e p o issionais; ACAD (S&A, 2018): acadêmicos do es udo de S e giou e Ai ey (2018); PROF (S&A, 2018): p o issionais do es udo de S e giou e Ai ey (2018). Fon e: Au o es. 4.3 Impo ância e u ilidade da eo ia do u ismo po pa e dos acadêmicos e p o issionais b asilei os Após cons a a a associação da eo ia com o en endimen o do mundo pelos g upos esponden es, o na-se ele an e abo da a impo ância e u ilidade da eo ia do u ismo pa a es es mesmos g upos. A pa i da análise dos esul ados, é possí el obse a que os ês g upos conside am a eo ia do u ismo ele an e pa a comp eende , ensina e pesquisa na á ea ( abela 3). Além disso, conco dam que o u ismo em seu p óp io co po eó ico e é uma á ea de es udo madu a. Es a conco dância pode es a elacionada ao a o de que a eo ia do u ismo não é ú il apenas no ambien e acadêmico, mas ambém no me cado u ís ico, co obo ando os achados de S e giou e Ai ey (2018). No a-se que, an o no Reino Unido como no B asil, há uma isão posi i a da impo ância e uso da eo ia do u ismo pelos g upos esponden es. Tabela 3: Média de espos as ace ca da impo ância da eo ia do u ismo A i mação ACAD PROF ACAD / PROF ACAD (S&A, 2018) PROF (S&A, 2018) A eo ia é impo an e pa a en ende o u ismo; 4,49 4,4 4,3 4,47 3,73 A eo ia é impo an e no ensino do u ismo; 4,67 4,8 4,55 4,52 3,91 A eo ia é impo an e na pesquisa do u ismo; 4,78 4,63 4,76 4,6 4,1 O u ismo em seu p óp io co po eó ico dis in o; 3,54 3,53 3,55 3,31 3,22 O u ismo é uma á ea madu a de es udo; 3,15 2,87 2,79 3,09 2,91 As eo ias de ou os domínios de es udo são su icien es pa a en ende o u ismo; 2,53 2,37 2,3 2,74 3,09 As eo ias de ou os domínios de es udo são mais impo an es do que as eo ias do u ismo na comp eensão do u ismo; 2,18 2,17 1,79 2,61 3,05 Os p oponen es da impo ância da eo ia do u ismo supe es imam sua impo ância; 2,93 2,9 2,94 3,1 3,32 A eo ia do u ismo que não es á in imamen e ligada à p á ica do u ismo não ajuda á a a ança o conhecimen o da p á ica de ges ão do u ismo. 2,92 3,33 3,36 3,19 4,12 Legenda: ACAD: acadêmicos; PROF: p o issionais; ACAD/PROF: acadêmico e p o issionais; ACAD (S&A, 2018): acadêmicos do es udo de S e giou e Ai ey (2018); PROF (S&A, 2018): p o issionais do es udo de S e giou e Ai ey (2018). Fon e: Au o es. PASOS Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al. 23(1). Ene o-ma zo 2025 ISSN 1695-7121 164 Teo ia do u ismo: pe cepções e u ilidade pa a acadêmicos e p o issionais b asilei os Apêndice B – Resul ados desc i i os dos esponden es p o issionais PERGUNTAS RESPOSTAS % GÊNERO Feminino; Masculino; P e i o não iden i ica ; Ou os (abe a) 60 36,7 3,3 0 IDADE Abaixo de 30; 30-39; 40-49; 50-59; Mais de 60 20 26,7 20 23,3 6,7 CARGA HORÁRIA Pe íodo in eg al Pe íodo pa cial 90 10 FORMAÇÃO Ensino Fundamen al; Ensino médio/Segundo g au; G aduação; Pós-G aduação la o sensu; Pós-G aduação s ic o sensu (mes ado/dou o ado) 0 3,3 40 36,7 20 CARGO Di e o Adminis a i o/P esiden e; Ge en e de Di isão/Á ea; Ge en e de depa amen o; Líde de equipe/p oje o; Ou os (abe a) 26,7 6,7 3,3 13,3 50 TEMPO NO EMPREGO ATUAL A é 5 anos; En e 5 e 10 anos; En e 11 e 20 anos; Mais de 20 anos 53,3 23,3 13,3 10 TEMPO DE ATUAÇÃO NO TURISMO A é 5 anos; En e 5 e 10 anos; En e 11 e 20 anos; Mais de 20 anos 13,3 20,0 40,0 26,7 EDUCAÇÃO/PROFISSIONALIZAÇ ÃO NO TURISMO Sim; Não 86,7 13,3 QUALIFICAÇÃO EM TURISMO Sim; Não 83,3 16,7 SETOR DE ATUAÇÃO Público; P i ado; Volun á io; Ou os (abe a) 30,0 63,3 6,7 0,0 ÁREA DO EMPREGO ATUAL Ge enciamen o de des ino; Meios de hospedagem; Consul o ia; T anspo es; A a i o/a ação; Alimen os e bebidas; Ou os (abe a) 10,0 13,3 6,7 0,0 10,0 3,3 56,7 NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS NA ORGANIZAÇÃO QUE ATUA Sou MEI; Menos do que 10; 10-49; 50-250; Mais de 250 37 13 17 20 13 NÍVEL DE ATUAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO In e nacional; Nacional; Regional; Es adual; Local 13,3 36,7 30,0 0,0 20,0 Valé io Rod igues de Souza-Ne o, Paulo Hen ique Fe ei a Lace da, Jose a Laize Soa es Oli ei a, Fla io And ew do Nascimen o San os 165 PASOS Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al. 23(1). Ene o-ma zo 2025 ISSN 1695-7121 Apêndice C – Resul ados desc i i os dos esponden es acadêmicos e p o issionais SEÇÃO CARACTERÍSTICA % GÊNERO Feminino; Masculino; P e i o não iden i ica ; 63,6 30,3 6,1 IDADE Abaixo de 30; 30-39; 40-49; 50-59; Mais de 60 66,7 21,2 9,1 3,0 0 DEPARTAMENTO Tu ismo/Hospi alidade; Negócios/Adminis ação; Educação Polí icas Públicas Ou os (abe a) 75,8 15,2 0 0 9,1 FUNÇÃO Discen e; P o esso adjun o; P o esso associado; P o esso subs i u o; Ou os (abe a) 69,7 0 6,1 6,1 18,2 CARGA HORÁRIA Pe íodo in eg al Pe íodo pa cial 63,6 36,4 ÁREA DE PESQUISA Tu ismo; Ho ela ia; E en os; Geog a ia; Cul u a/Pa imônio; Adminis ação; Ou os (abe a) 75,8 3,0 3,0 0 9,1 3,0 6,1 FORMAÇÃO Ensino Fundamen al; Ensino médio/Segundo g au; G aduação; Pós-G aduação la o sensu; Pós-G aduação s ic o sensu (mes ado/dou o ado) 0 3,0 51,5 6,1 39,4 CARGO ATUAL Di e o Adminis a i o/P esiden e; Ge en e de Di isão/Á ea; Ge en e de depa amen o; Líde de equipe/p oje o; Analis a Ou os (abe a) 9,1 9,1 3,0 15,2 15,2 60,6 TEM NO CARGO ATUAL A é 5 anos; En e 5 e 10 anos; En e 11 e 20 anos; Mais de 20 anos 84,8 6,1 6,1 3,0 TEMPO NO TURISMO A é 5 anos; En e 5 e 10 anos; En e 11 e 20 anos; Mais de 20 anos 60,6 18,2 15,2 6,1 EDUCAÇÃO/PROFISS IONALIZAÇÃO NO TURISMO Sim; Não 93,9 6,1 QUALIFICAÇÃO EM TURISMO Sim; Não 97 3 SETOR DE ATUAÇÃO Público; P i ado; Volun á io; Ou os (abe a) 33,3 66,7 0 0 ÁREA DO EMPREGO ATUAL Ge enciamen o de des ino; Meios de hospedagem; Consul o ia; T anspo es; A a i o/a ação; Alimen os e bebidas; Agências de u ismo Ou os (abe a) 12,1 12,1 21,2 3,0 6,1 3,0 12,1 30,3 PASOS Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al. 23(1). Ene o-ma zo 2025 ISSN 1695-7121 166 Teo ia do u ismo: pe cepções e u ilidade pa a acadêmicos e p o issionais b asilei os SEÇÃO CARACTERÍSTICA % NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS NA ORGANIZAÇÃO QUE ATUA Sou MEI; Menos do que 10; 10-49; 50-250; Mais de 250 15,2 21,2 18,2 27,3 18,2 NÍVEL DE ATUAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO In e nacional; Nacional; Regional; Es adual; Local 15,2 45,5 12,1 18,2 9,1 Recibido: 28/11/2023 Reen iado: 11/01/2024 Acep ado: 12/01/2024 Some ido a e aluación po pa es anónimos