scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

A importância do turismo consciente na promoção do desenvolvimento to turismo de base comunitária no destino de Foz de Iguaçu

Barreto Lopes, Aurelinda; Rodrigues Soares, Jackson Renner; Santos Solla, Xosé Manuel

Abstract

Este estudo aborda a relação entre o Turismo Consciente e o Turismo de Base Comunitária, considerando as implicações entre estes conceitos e o desenvolvimento de atividades envolvendo a comunidade de Foz do Iguaçu. O objetivo deste estudo é analisar as implicações do turismo consciente para o desenvolvimento do Turismo de Base Comunitária – TBC, no destino turístico de Foz do Iguaçu. Para isso, identifica os conceitos do TBC, apresenta as bases teóricas do Turismo Consciente e descreve a relação entre a consciência do turista e a realização do turismo de base comunitária em Foz do Iguaçu. Os resultados obtidos com informações digitais da Secretaria Municipal de Turismo de Foz do Iguaçu apresentam alguns exemplos de atividades de turismo comunitário desenvolvidos na região com a intenção de desenvolver a economia de base e envolver a comunidade local que se torna invisível diante do turismo de massa. Conclui-se que a formação de profissionais comprometidos em desenvolver o turismo consciente contribui para estabelecer medidas preventivas de impactos ambientais para preservar o meio ambiente e a cultura local.

Full text

Revista Turismo: Estudos & Práticas (RTEP) v. 12, n. 2, jul./dez. 2023 (ISSN: 2316-1493) http://geplat.com/rtep/ 1 A IMPORTÂNCIA DO TURISMO CONSCIENTE NA PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DO TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA NO DESTINO DE FOZ DO IGUAÇU THE IMPORTANCE OF CONSCIOUS TOURISM IN PROMOTING THE DEVELOPMENT OF COMMUNITY-BASED TOURISM IN THE DESTINATION OF FOZ DO IGUAÇU Aurelinda Barreto Lopes 1 Jakson Renner Rodrigues Soares 2 Xosé Manuel Santos 3 RESUMO: Este estudo aborda a relação entre o Turismo Consciente e o Turismo de Base Comunitária, considerando as implicações entre estes conceitos e o desenvolvimento de atividades envolvendo a comunidade de Foz do Iguaçu. O objetivo deste estudo é analisar as implicações do turismo consciente para o desenvolvimento do Turismo de Base Comunitária – TBC, no destino turístico de Foz do Iguaçu. Para isso, identifica os conceitos do TBC, apresenta as bases teóricas do Turismo Consciente e descreve a relação entre a consciência do turista e a realização do turismo de base comunitária em Foz do Iguaçu. Os resultados obtidos com informações digitais da Secretaria Municipal de Turismo de Foz do Iguaçu apresentam alguns exemplos de atividades de turismo comunitário desenvolvidos na região com a intenção de desenvolver a economia de base e envolver a comunidade local que se torna invisível diante do turismo de massa. Conclui-se que a formação de profissionais comprometidos em desenvolver o turismo consciente contribui para estabelecer medidas preventivas de impactos ambientais para preservar o meio ambiente e a cultura local. Palavras-chave: Turismo de Base Comunitária. Turismo Consciente. Impactos ambientais e culturais. 1 Graduada em Turismo. UNIOESTE, [email protected], USC International Doctoral School, University of Santiago de Compostela, University Square,15782 Santiago de Compostela, Spain. 2 Professor e pesquisador da Universidade da Coruña, Department of Business, University of A Coruña, 15001 A Coruña, Spain. Doutor em Direção e Planejamento do Turismo pela Universidade da Coruña-ES. E-mail, [email protected] 3 Professor e pesquisador da Universidade de Santiago de Compostela, Doutor em Geografia, Universidade de Santiago. Department of Geography, University of Santiago de Compostela, University Square, 15782 Santiago de Compostela, Spain. E.mail, [email protected], Revista Turismo: Estudos & Práticas (RTEP) v. 12, n. 2, jul./dez. 2023 (ISSN: 2316-1493) http://geplat.com/rtep/ 2 ABSTRACT: This study addresses the relationship between Conscious Tourism and Community Based Tourism, considering the implications between these concepts and the development of activities involving the community of Foz do Iguaçu. The objective of this study is to analyze the implications of conscious tourism for the development of Community Based Tourism - TBC, in the tourist destination of Foz do Iguaçu. For this, it identifies the concepts of TBC, presents the theoretical bases of Conscious Tourism and describes the relationship between tourist awareness and the realization of community-based tourism in Foz do Iguaçu. The results obtained with digital information from the Municipal Secretary of Tourism of Foz do Iguaçu present some examples of community tourism activities developed in the region with the intention of developing the basic economy and involving the local community that becomes invisible in the face of mass tourism. It is concluded that the training of professionals committed to developing conscious tourism contributes to establishing preventive measures of environmental impacts to preserve the environment and local culture. Keywords: Community Based Tourism. Conscious Tourism. Environmental and cultural impacts. INTRODUÇÃO Este estudo aborda o turismo consciente e o turismo de base comunitária e procura relacionar esta temática, na perspectiva de que um interfere no desenvolvimento do outro. Dessa forma, essa abordagem analisa as perspectivas para o turismo comunitário na região de Foz do Iguaçu, procurando estabelecer uma relação entre o aspecto inovador e a formação dos profissionais de turismo para a sua realização. Há que se perceber que as inovações no âmbito do turismo são motivadas pela inclusão social e pela conservação ambiental. A realização de práticas sustentáveis de turismo necessita estar aliada à participação e protagonismo social, manifestações culturais, para isso é necessário que os profissionais que realizam estas ações sejam preparados, tanto nos conhecimentos teóricos quanto práticos para bem realizar e concretizar essas inovações. Ações de qualificação são essenciais à estruturação turística e efetivamente necessárias para a qualidade dos serviços turísticos prestados aos turistas. Assim, devese promover a qualidade dos produtos turísticos por meio da qualificação e o aperfeiçoamento dos profissionais atuantes na cadeia produtiva do turismo. Para o Ministério do Turismo, o Turismo de Base Comunitária (TBC) é um fenômeno econômico e social em que comunidades receptoras assumem papel de atores principais na oferta dos produtos e serviços turísticos. Assim, atributos da natureza e da cultura são transformados em ativos econômicos para o lazer, entretenimento e divulgação de conhecimento para visitantes e alternativas de inserção socioeconômica da população local nas atividades relacionadas com o turismo. Essas iniciativas representam uma forma singular de estruturação e organização de roteiros e/ou regiões em que se compatibiliza a oferta de produtos e serviços turísticos diferenciados com a promoção de melhoria na qualidade de vida das comunidades locais. Nesse contexto, o apoio para a consolidação desta ação tem como foco o planejamento, estruturação, qualificação e promoção para inserção no mercado (MTUR, 2011). A maior parte das iniciativas de turismo de base comunitária resulta da mobilização e organização da sociedade civil, baseadas no modo de vida e na cultura local. Esse tema tem sido objeto de intensa discussão em algumas universidades, como também, no interior de movimentos sociais e ambientais de comunidades tradicionais. Revista Turismo: Estudos & Práticas (RTEP) v. 12, n. 2, jul./dez. 2023 (ISSN: 2316-1493) http://geplat.com/rtep/ 3 Neste aspecto, há que analisar as ações de “turismo consciente” enquanto atividade ambiental, social e economicamente sustentável, além de pesquisar as ações de conscientização que podem ser desenvolvidas pelos profissionais do turismo que contribuem para estabelecer os limites do turismo consciente, verificando as práticas de gestão de turismo que contribuem para minimizar os impactos ambientais causados pela atividade turística a partir de um conceito adequado para o turismo consciente que deve ser formado nas universidades que desenvolvem a formação acadêmica em turismo. O turismo consciente se contrapõe à própria prática do turismo, visto que a atividade é permeada pelo movimento e, todo movimento, acaba gerando impacto. Os movimentos acabam sendo realizados com a consciência de vão provocar danos à natureza. A certeza de que o impacto é inevitável, conduz à constatação de que as viagens utilizam meios de transportes, que utilizam combustíveis que emitem gases e promovem danos ambientais, os aviões são os que mais causam este tipo de emissão, as pessoas não deixam de viajar de avião para fazer turismo só para não impactar o ambiente natural e, com isso, a atmosfera vai sendo destruída e traz consequências para as belezas naturais que motivam a visitação turística. O contexto de elaboração do turismo, ainda não encontrou um meio de conscientizar as pessoas sobre a responsabilidade de cada um na geração de impactos ambientais, especialmente, em relação aos impactos que destroem os destinos turísticos. Portanto, é necessário desenvolver uma formação adequada para realizar e concretizar o turismo consciente e sustentável, ou seja, desfrutar do turismo sem impactar, gerando o adequado retorno às comunidades locais em relação à preservação do ambiente, da cultura e da economia comunitária. Diante disso, o objetivo deste estudo é analisar as implicações do turismo consciente para o desenvolvimento do Turismo de Base Comunitária – TBC, no destino turístico de Foz do Iguaçu. Para isso, identifica os conceitos do TBC, apresenta as bases teóricas do Turismo Consciente e descreve a relação entre a consciência do turista e a realização do turismo de base comunitária em Foz do Iguaçu. MATERIAIS E MÉTODOS Este estudo foi desenvolvido a partir da análise qualitativa de uma revisão bibliográfica de publicações obtidas por meio busca digital em bases de dados do Google Scholar e do Portal da Capes. Inicialmente, definiu-se como problema de pesquisa o questionamento sobre as implicações do turismo consciente no desenvolvimento do turismo de base comunitária, assim tendo como descritores as palavras “turismo Consciente”, “Turismo Sustentável” e “Turismo de Base Comunitária” foram selecionados os artigos relacionados ao tema deste estudo. A busca teve como critério de inclusão somente artigos publicados em língua portuguesa com data de publicação entre os anos de 2010 a 2023. Após a leitura de títulos, resumos e palavras-chaves, os estudos foram selecionados para a criação de um documento descritivo da revisão. O CONCEITO DE TURISMO CONSCIENTE A construção de um conceito para turismo consciente está vinculada aos princípios da ética e da responsabilidade, que todo ser humano deve ao mundo em que vive. É necessário respeitar a paisagem natural, combater a poluição, a destruição e os Revista Turismo: Estudos & Práticas (RTEP) v. 12, n. 2, jul./dez. 2023 (ISSN: 2316-1493) http://geplat.com/rtep/ 4 impactos, não apenas em favor da ecologia, mas pelo bem da vida e pelo desenvolvimento como um todo. Medeiros (2013) desenvolveu seu estudo buscando analisar as implicações da consciência e verificou que o turismo é a indústria que mais cresce na economia mundial contemporânea, e por sua vez, dentre todos os segmentos que oferece, há que se adotar um posicionamento de gerir o turismo de forma sustentável, neste aspecto, o autor considera que o ecoturismo é a atividade que mais se destaca, deixando evidente o interesse das pessoas pela busca da natureza e questões ambientais. O Turismo alternativo difere especificamente do turismo de massa por reduzir o número de visitantes, logo, se reduz também toda a estrutura que é utilizada para receber esses visitantes, como transporte, hospedagem e equipamentos. Para Resende (2010), é necessário considerar que o turismo alternativo, quando não planejado adequadamente, pode se tornar mais agressivo ao meio ambiente, uma vez que mesmo públicos menores, podem impactar espaços de preservação, assim não se trata de planejar a redução de visitantes no espaço, mas planejar para que mesmo os públicos menores não realizem impactos ao meio ambiente durante visitação. Diante disso, compreender o desenvolvimento do turismo sustentável vem sendo uma busca entre os estudiosos do turismo, enquanto ciência que necessita zelar pela integridade ambiental dos destinos turísticos. Os estudos desenvolvidos por Cunha e Augustin (2014) demonstram que a política da sustentabilidade que está ligada ao desenvolvimento ambiental é dirigida para questões ligadas à poluição da água e do ar, porém há necessidade de uma política global que envolva todos os setores da economia, incluindo medidas de conservação do meio ambiente que estejam intimamente relacionadas aos propósitos nacionais. O desenvolvimento sustentável pode ser definido como a atividade capaz de satisfazer as necessidades da sociedade contemporânea, porém não deve comprometer a qualidade de vida das gerações futuras. O desenvolvimento da responsabilidade ambiental serve para esclarecer que existe demanda para a realização de serviços responsáveis, pois o consumo dos recursos e dos bens sociais devem ser, indiscutivelmente, mantidos em qualquer circunstância. Isso implica em consumo responsável em meios de hospedagem como necessidade a ser implementada quando se trata de turismo consciente. Portanto, é necessário desenvolver uma relação harmônica entre o turista e os meios de hospedagem, pois, neste aspecto, a sustentabilidade deve ser alcançada como resultado das relações sociais (Souza; Balbinot, 2021). Medeiros e Moraes (2013) pontuam que o turismo se torna consciente quando seu desenvolvimento consegue aliar os setores econômico, social, cultural e ambiental na busca por minimizar os efeitos dos impactos desfavoráveis e maximizar os impactos favoráveis, assim torna-se necessário realizar práticas que evidenciem a sustentabilidade ambiental onde sejam desenvolvidas amplas demandas de atividades turísticas. Assim, propõem-se que sejam detectados os impactos negativos causados pelo turismo desordenado, o que permite apresentar meios de dirimir os efeitos e implementar formas e práticas de turismo sustentável. A otimização dos benefícios em localidades turísticas e o fomento de maior sensibilização em relação às ações ecologicamente corretas, indica a agregação de valores tanto para a população local, como também aos seus visitantes. Os hábitos dos consumidores são relevantes para a manutenção da sustentabilidade de um destino turístico e a formação desses hábitos depende das ações desenvolvidas pelos profissionais do turismo e que influenciam o mercado (COSTA, Revista Turismo: Estudos & Práticas (RTEP) v. 12, n. 2, jul./dez. 2023 (ISSN: 2316-1493) http://geplat.com/rtep/ 5 2014). A aproximação apresenta resultados que indicam que os profissionais possuem conhecimento sobre o turismo sustentável, porém pouco fazem a respeito para a manutenção da sustentabilidade em um destino turístico. Existe um conjunto de indicadores que avalia a sustentabilidade do turismo, assim, deve-se incluir diferentes componentes do sistema turístico e propor um conjunto de processos zonais, que operacionalizem cada uma das dimensões e áreas chaves identificadas em estudos. Os resultados destacam a análise teórica e prática sobre o processo de gestão para o desenvolvimento do turismo sustentável, apresentando como conclusão a exposição de um conjunto de indicadores de gestão, associados a cada uma das dimensões da sustentabilidade turística, permitindo analisar o cumprimento dos objetivos, estratégias e prioridades estabelecidos pelo programa de desenvolvimento turístico (Cedeño; Sánchez, 2020). Para Resende (2010) o ecoturismo faz referência ao turismo consciente, esta questão vem se desenvolvendo, especialmente, com preocupações com os aspectos relacionados ao meio ambiente, decorrente da exploração ilimitada praticada pelo ser humano. Esse processo permite observar uma nova consciência causada pela busca do exótico, intocado e preservado. De acordo a autora, o ecoturismo, enquanto alternativa com alto nível de sustentabilidade, cresce e propõe uma forma de turismo consciente e totalmente voltado para a natureza. Medidas de desenvolvimento de turismo responsável e sustentável precisam ser implementadas, pois contribuem para reduzir a pobreza e promover a inclusão social das populações de baixa renda promovendo melhorias na economia das localidades do entorno dos pontos turísticos (Fontainha, 2014). Para entender a relação entre o turismo e a sustentabilidade é importante contextualizar a situação a apresentar uma análise das atividades de Relações Públicas que podem ser unificadas às estratégias de turismo em busca de desenvolvimento sustentável em cada região. O desenvolvimento sustentável é estudo recente, mas em constante progresso, entretanto, ainda não faz uso das capacitações dos Relações Públicas para otimizar a sustentabilidade, mesmo considerando que as atividades turísticas trazem eficácia e geram resultados satisfatórios (Abdalla, 2010). O turismo consciente é um conceito que evoluiu do turismo sustentável, tendo como fator diferencial a incorporação da ética, até o presente momento o turismo consciente vem sendo desenvolvido por meio de uma visão analítica de espertos, que define o turista consciente como aquele que considera a participação ativa, a imagem natural, a satisfação com a visita e a intenção de retornar ao destino turístico visitado (Cedeño; Sánchez, 2020). No entanto, Montesdeoca (2017), caracteriza o turismo consciente como aquele que demonstra coesão entre a sustentabilidade e a ética, enfatizando a relação entre ética e consciência no desenvolvimento da prática turística. Neste aspecto, o turismo consciente se apresenta como uma alternativa para os obstáculos que se apresentam ao melhor aproveitamento dos pontos turísticos com enfoque ético. Cerqueira (2020) pontua que o turismo possui caraterísticas demográficas que influenciam a aplicação de práticas conscientes e o desenvolvimento da percepção acerca do conceito de turismo consciente. Dessa forma, há que se promover mais investigação, direcionar melhor a abordagem para a temática do turismo consciente, permitindo analisar a dimensão ética do turismo, em que o que prevalece é a ação, os comportamentos e a responsabilidade assumida durante a experiência turística. Na opinião de Pollock (2012), o conceito de viagem consciente pode ser definido de três maneiras: a primeira tem potencial para ser uma nova mentalidade e um modelo Revista Turismo: Estudos & Práticas (RTEP) v. 12, n. 2, jul./dez. 2023 (ISSN: 2316-1493) http://geplat.com/rtep/ 6 operacional que transforma a maneira como se percebe e se realiza o turismo, isso pode transformar a indústria turística para melhor e abordar as falhas no modelo operacional do turismo de massa que vem sendo aplicado desde a década de 1950. A segunda está relacionada ao movimento de crenças compartilhado pelas pessoas em busca de objetivos que gerem benefícios reais e que façam menos mal do que bem. A terceira maneira é relacionada ao empreendedor, criando um modelo de negócio que sustenta a disseminação do conceito e gera provas de valor tangível real. Neste contexto, surge a noção de uma comunidade de aprendizado em que anfitriões de turismo geram lucros para negócios individuais e ao mesmo tempo entregam retornos a sua base social. Nesse sentido é necessário entender a atividade turística como uma realidade constituída, mas que precisa ser estudada no seu contexto social, econômico e político, para que se concretize como um conceito de turismo consciente. O turismo mapeia territórios e cria territorialidades, pois define destinos, propõe roteiros, dá visibilidade a espaços até então, não conhecidos ou inexistentes. Para Fabrini; Dias (2012), além de construir espaço simbólico, a atividade turística tece extensa rede de pequenos negócios e cria diferentes sociabilidades. A atividade turística deve servir como estimulo às manifestações de expressões artísticas e culturais, assim como despertar a conscientização para valorização cultural e ambiental (Fraga, 2017). O turismo necessita de infraestruturas desenvolvidas, de superestruturas e de equipamentos de transporte, alojamento turístico e planejamento urbano e rural. Necessitam de investimentos financeiros, assim como de apoio governamental. Modelos alternativos de desenvolvimento do turismo, que envolvem uma maior participação da comunidade, têm apresentado maiores benefícios para as comunidades receptoras. O Turismo de Base Comunitária se contrapõe ao turismo massificado, valorizando o atendimento personalizado, a ligação maior com os ambientes naturais e a cultura de cada lugar, a hospitalidade, o diálogo e interação entre visitantes e visitados, respeitando as heranças culturais e tradições locais (Garcia, 2012). Mediante o exposto, e a evidência da importância da incorporação deste modelo alternativo de desenvolvimento do turismo que agrega as comunidades as atividades turísticas locais, propiciando geração de emprego e renda, surge o interesse pela pesquisa neste segmento. Assim, pode-se tratar as definições do Turismo de base comunitária como elemento que necessita ser pensado para exercer um impacto benéfico sobre a realidade. TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA O TBC possui mecanismos que dispõem de condições para o desenvolvimento de empresas de pequeno porte, beneficiando a população menos favorecida e a comunidade local. De acordo com Brito (2013), trata-se de uma atividade inovadora de lazer, que sofre mudanças decorrentes da competitividade do mercado e da exigência cada vez maior da demanda. Contudo as empresas do ramo buscam diversas formas de especialização para oferecerem serviços qualificados para uma clientela específica. Desta forma, surgiram novos segmentos ampliando a gama de opções de lazer oferecidas aos turistas, como ecoturismo, turismo cultural, turismo esportivo, turismo de negócios e eventos, turismo de aventura, ecoturismo, turismo de base comunitária e turismo de experiência. Para Medeiros (2013), a atividade do turismo tem duas faces, por um lado gera riquezas, valoriza o local, promove a cultura e novas relações, por Revista Turismo: Estudos & Práticas (RTEP) v. 12, n. 2, jul./dez. 2023 (ISSN: 2316-1493) http://geplat.com/rtep/ 7 outro lado, torna-se um predador ambiental, cultural e explorador econômico, desta forma apresenta vantagens e desvantagens sociais e ambientais. Almeida; Emmendoerfer (2023) analisaram os meios que o Turismo de Base Comunitária (TBC) utiliza para contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades envolvidas no turismo. Para estes autores o turismo de base comunitária apresenta um modelo de gestão para a visitação turística buscando o equilíbrio dos elementos sociais com os territoriais. Os princípios do turismo comunitário são semelhantes aos princípios do turismo sustentável. A pesquisa desenvolvida demonstra que turismo de base comunitária contribui sustentavelmente para a expansão comunitária gerando benefícios econômicos, ecológicos, sociais, culturais e políticos, por isso, deve-se estudar e aprofundar os conhecimentos reforçando as práticas de turismo comunitário em favor da geração de benefícios para o desenvolvimento sustentável. Boulhosa (2020) pontua que nas últimas décadas o turismo se destaca como uma importante atividade socioeconômica, o que influencia a economia e o desenvolvimento mundial. Assim, mesmo sendo importante, o turismo se revela como uma atividade excludente, pois privilegia pequenas parcelas da sociedade, em detrimento ao interesse da maioria, refletindo o ideário neoliberal. Isso provoca uma busca por inovações na promoção do turismo. E entre estas encontra-se o Turismo de Base Comunitária – TBC, organizado em forma de autogestão sustentável dos recursos das comunidades, na cooperação, no trabalho e na distribuição dos benefícios gerados pelo turismo às comunidades. O Turismo de Base Comunitária (TBC) traz uma proposta de desenvolvimento de turismo na escala local e centrado nos recursos endógenos das comunidades, o que segundo Fabrino, Nascimento e Costa (2016) contribui para ressaltar o potencial da conservação ambiental, valorizando a identidade cultural e a geração de benefícios para as comunidades receptoras. O Turismo de Base Comunitária praticado no Brasil, segundo Teixeira, Vieira e Mayr (2019), pode ser reconhecido como estratégia de desenvolvimento local, mas apresenta problemas. Geralmente, é composto à semelhança cluster de empresas, cujo conhecimento poderia servir ao estudo e análise desse tipo de turismo. Isso, pode contribuir para solucionar problemas e favorecer o desenvolvimento desse turismo no território brasileiro. Esse modelo de gestão do turismo a localização geográfica, cooperação e compartilhamento de recursos. Para que o Turismo de base comunitária desenvolva sua potencialidade, econômica, social ou ambiental, é necessária a adoção de modelos de turismo alternativos e incluir as necessidades da população local no processo de planejamento e desenvolvimento da atividade turística, tomando como fatores importantes os fenômenos sociais e culturais e não apenas a atividade econômica. Assim, para conhecer e estimular a implementação de projetos alternativos de turismo, busca-se equilibrar a relação entre a atividade turística e o ambiente, a cultura e sociedade local, proporcionando um desenvolvimento de maior qualidade e inclusão (Nascimento; Lima, 2020) De acordo com os estudos realizados por Garcia (2012), o turismo está em desenvolvimento constante, o que permite realizar muitos benefícios, mesmo em localidades que acabam desenvolvendo o turismo de forma descontrolada e que traz graves malefícios, além de gerar um turismo massivo, que pode trazer sérias consequências para a comunidade receptora. O estudo desenvolvido por Pereira (2016) esclarece as determinações da categoria turismo no contexto de mundialização do capital, assim analisam-se os Revista Turismo: Estudos & Práticas (RTEP) v. 12, n. 2, jul./dez. 2023 (ISSN: 2316-1493) http://geplat.com/rtep/ 8 fundamentos das teorias reformistas do capital, em específico a teoria do desenvolvimento sustentável na qual se origina o Turismo de Base Comunitária. Correia et al (2015) comenta que o turismo de base comunitária se apresenta sob diferentes perspectivas porque está relacionado à transformação social que gera em uma localidade, empresa ou produto. Assim, esse turismo tem sido promulgado como nova forma de fazer turismo que se opõe ao turismo de massa. Moraes; Novo (2014) analisaram as ações do projeto de turismo de base comunitária com base no Código de Ética Mundial do Turismo contextualizando as experiências de turismo de base comunitária. Assim, os autores realizaram uma caracterização socioespacial e turística de uma comunidade para identificar as atividades realizadas e avaliar se estas atendem aos princípios da ética mundial do turismo. Nascimento; Lima (2020) pontuam que o Turismo de Base Comunitária é uma resposta ao turismo massivo que tem se perpetuado por décadas e que provoca impactos negativos na vida das comunidades, causando exclusão dos moradores locais e degradação do meio ambiente. Para Moraes; Novo (2014) a concretização do turismo de base comunitária depende de planejamento das atividades, de forma a sensibilizar as comunidades em relação à conservação dos seus aspectos culturais e naturais, mas depende também dos incentivos públicos e da inclusão das comunidades no desenvolvimento para desfrutar dos benefícios econômicos, sociais e culturais com a atividade turística. Correia et al (2015) aponta direcionamentos importantes para a perspectiva de se desenvolver arranjos produtivos e inovações nas comunidades, pois são elementos que emergem da interação de categoria de inovação social que integram as teorias do turismo de base comunitária. Dessa forma, para Lima; Anjos (2020), deve-se lançar um olhar mais humanizado, que permita impactar positivamente as comunidades, pois os moradores precisam estabelecer uma conexão com novas aprendizagens que consolidem a educação dos costumes, das crenças e dos saberes locais para não serem contaminados pelos impactos do turismo massivo. Para entender os princípios do turismo de base comunitária deve-se compreender os impactos do turismo e as grandes diferenças socioeconômicas nos locais que se tornam destinos turísticos, no entanto é necessário considerar que grande parte das comunidades dessas áreas permanecem isoladas deste desenvolvimento, não participando dos recursos e benefícios deste tipo de exploração. O DESTINO TURÍSTICO IGUAÇU E AS INICIATIVAS DE TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA Foz do Iguaçu é uma cidade cosmopolita que encanta pela diversidade de opções turísticas. As Cataratas do Rio Iguaçu foi eleita uma das sete maravilhas do mundo, a hidrelétrica de Itaipu é considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, além de muitas outras belezas naturais inesquecíveis, atrativos turísticos mundialmente famosos, cultura diversificada, roteiros de ecoturismo e aventura, restaurantes de cozinha internacional, comércio para todos os gostos, atividades noturnas como shows e cassinos e uma excelente estrutura de hotéis e eventos, enfim a vocação turística de Foz do Iguaçu é indiscutível. Revista Turismo: Estudos & Práticas (RTEP) v. 12, n. 2, jul./dez. 2023 (ISSN: 2316-1493) http://geplat.com/rtep/ 9 Localizada no extremo oeste do Estado do Paraná, na fronteira do Brasil com o Paraguai e Argentina, é a quinta maior cidade do Paraná, e a diversidade étnica e cultural lhe atribui um aspecto cosmopolita rico e diversificado. Foz do Iguaçu tem uma das maiores diversidades biológicas do mundo, que pode ser observada no Parque Nacional do Iguaçu, no Parque das Aves, no Refúgio Biológico entre outros. A visita panorâmica da Itaipu Binacional tem uma visão externa da melhor usina hidrelétrica do mundo em geração de energia. O Refúgio Biológico Bela Vista oferece roteiros com lições de educação ambiental e caminhadas pela floresta nativa. No Ecomuseu é possível ficar sabendo mais sobre a história e os projetos ambientais conduzidos pela empresa. O Canal de Piracema exemplifica o compromisso de Itaipu com o meio ambiente: uma obra arquitetônica que permite aos peixes do Rio Paraná superarem a barragem para seguir em direção às áreas de reprodução e assim, Itaipu desenvolve um dos maiores projetos de responsabilidade socioambiental do Brasil. O Parque Nacional do Iguaçu é reconhecido como “Patrimônio Natural da Humanidade”, tombado pela Unesco, as Cataratas do Iguaçu possuem um cânion de 2.700 m de largura, com 275 saltos, que deslumbram os visitantes pela exuberância do encontro da mata, rocha e água em um cenário inesquecível. Nas noites de lua cheia, as quedas d´água ganham um visual especial sob a luz do luar, formando um arco-íris de beleza única e, atualmente, já é possível observar o amanhecer nas cataratas, proporcionando uma experiência inédita aos turistas. Atrações como o Macuco Safari dá ao turista a oportunidade de observar as Cataratas, através de um passeio de barco, o Cânion Iguaçu oferece atividades radicais, como arvorismo com tirolesa, rafting nas corredeiras do Rio Iguaçu, rapel de 55m de altura e escalada nos paredões de rocha com vista panorâmica das Cataratas, além do passeio do Macuco Ecoaventura, passeio ecológico para conhecer as espécies locais. Foz do Iguaçu é o maior centro turístico do oeste do Paraná e é um dos mais importantes destinos turísticos brasileiros, contando com ampla estrutura em seu desenvolvimento turístico: aeroporto Internacional capacitado para receber aviões de grande porte, Centro de Convenções e eficiente Parque Hoteleiro, com milhares de leitos disponíveis e diversas opções de turismo ecológico, compras, cultural e de lazer, que atraem um número cada vez maior de visitantes todos os anos à região. Diante de tantas especificidades proporcionadas pelo turismo de visitação a recursos naturais, surge a questão relacionada à comunidade local e aos impactos que o turismo de massa provoca no destino turístico. Neste aspecto, é fundamental que os profissionais que atuam na promoção do turismo estejam preparados para planejar visitações seguindo os princípios de promoção do turismo consciente em relação ao respeito com os locais de visitação e a prevenção de impactos ambientais. Além disso, a comunidade local não pode permanecer invisível, pois deve contar com recursos para sobreviver e não pode ser afetada pelo turismo de massa que gera impactos no ambiente local Por tudo isso, o turismo vem sendo amplamente modernizado e passa por variações na fronteira, pois além das convencionais visitas aos pontos turísticos da natureza, atualmente desenvolve-se o turismo rural e de base comunitária como uma das fontes da economia local. Como iniciativa do turismo rural, foi desenvolvido pela Secretaria de Turismo do município o CITUR, um circuito de visitação turística no espaço rural do município de Foz do Iguaçu que é composto por empreendimentos rurais, detentores de atrativos típicos da vida campesina local, e seus potenciais se configuram pela oferta de produtos in natura ecológicos, doces, conservas, compotas, tinturas, licores, panificados e massas