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Relação solo-relevo-substrato geológico nas restingas da planície costeira do estado de São Paulo

Coelho, Maurício Rizzato; Moreira Martins, Vanda; Vidal Torrado, Pablo; Souza, Célia Regina de Gouveia; Otero Pérez, Xosé Lois; Macías Vázquez, Felipe

Abstract

Atributos morfológicos de 28 pedons, descritos e amostrados em cronossequências, e datações absolutas por luminescência (TL e LOE) e 14C foram utilizados para elucidar os principais fatores envolvidos na formação e evolução dos Espodossolos nos depósitos marinhos quaternários da planície costeira do Estado de São Paulo. Os solos estudados localizam-se nos municípios de Bertioga (Baixada Santista), Cananeia e Ilha Comprida (Litoral Sul). Essa abordagem, pouco comum nos estudos dos ambientes de planície costeira brasileiros, possibilitou as seguintes interpretações: (a) o relevo, a dinâmica hídrica e o tempo (incluindo as variações do nível relativo do mar) são os principais condicionantes da diferenciação espacial dos Espodossolos nos terraços marinhos; (b) os Espodossolos mais antigos e bem drenados, devido às condições de relevo e rebaixamento do nível do lençol freático, apresentam grande variabilidade e diversidade de seus horizontes e atributos morfológicos, diferindo daqueles mal drenados (antigos ou jovens), em que os horizontes são mais homogêneos; (c) os Espodossolos mais antigos, quando bem drenados, mostram-se em avançado estádio de degradação, enquanto os mal drenados encontram-se bem preservados, indicando que a sua gênese e permanência na paisagem estão ligadas ao relevo, que, por sua vez, controla a dinâmica hídrica; (d) os Espodossolos mais evoluídos e antigos, dotados de horizontes cimentados (orstein), podem ser considerados indicadores pedolitoestratigráficos dos depósitos marinhos pleistocênicos da Formação Cananeia; e (e) a gênese do horizonte orstein se deu em condições topográficas e hidrológicas pretéritas diferentes das atuais, indicando se tratar de solos poligenéticos ou paleossolos.

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RELAÇÃO SOLO-RELEVO-SUBSTRATO GEOLÓGICO NAS RESTINGAS DA PLANÍCIE... 833 R. B as. Ci. Solo, 34:833-846, 2010 RELAÇÃO SOLO-RELEVO-SUBSTRATO GEOLÓGICO NAS RESTINGAS DA PLANÍCIE COSTEIRA DO ESTADO DE SÃO PAULO(1) Mau ício Rizza o Coelho(2), Vanda Mo ei a Ma ins(3), Pablo Vidal-To ado(4), Célia Regina de Gou eia Souza(5) Xosé Luis O e o Pe ez(6) & Felipe Macías Vázquez(6) RESUMO A ibu os mo ológicos de 28 pedons, desc i os e amos ados em c onossequências, e da ações absolu as po luminescência (TL e LOE) e 14C o am u ilizados pa a elucida os p incipais a o es en ol idos na o mação e e olução dos Espodossolos nos depósi os ma inhos qua e ná ios da planície cos ei a do Es ado de São Paulo. Os solos es udados localizam-se nos municípios de Be ioga (Baixada San is a), Cananeia e Ilha Comp ida (Li o al Sul). Essa abo dagem, pouco comum nos es udos dos ambien es de planície cos ei a b asilei os, possibili ou as seguin es in e p e ações: (a) o ele o, a dinâmica híd ica e o empo (incluindo as a iações do ní el ela i o do ma ) são os p incipais condicionan es da di e enciação espacial dos Espodossolos nos e aços ma inhos; (b) os Espodossolos mais an igos e bem d enados, de ido às condições de ele o e ebaixamen o do ní el do lençol eá ico, ap esen am g ande a iabilidade e di e sidade de seus ho izon es e a ibu os mo ológicos, di e indo daqueles mal d enados (an igos ou jo ens), em que os ho izon es são mais homogêneos; (c) os Espodossolos mais an igos, quando bem d enados, mos am-se em a ançado es ádio de deg adação, enquan o os mal d enados encon am-se bem p ese ados, indicando que a sua gênese e pe manência na paisagem es ão ligadas ao ele o, que, po sua ez, con ola a dinâmica híd ica; (d) os Espodossolos mais e oluídos e an igos, do ados de ho izon es cimen ados (o s ein), podem se conside ados indicado es pedoli oes a ig á icos dos depósi os ma inhos pleis ocênicos da Fo mação Cananeia; e (e) a gênese do ho izon e o s ein se deu em condições opog á icas e hid ológicas p e é i as di e en es das a uais, indicando se a a de solos poligené icos ou paleossolos. Te mos de indexação: da ações po luminescência e 14C, Espodossolos, podzolização, depósi os ma inhos qua e ná ios. (1) Pa e das Teses de Dou o ado dos dois p imei os au o es ap esen adas à Escola Supe io de Ag icul u a “Luiz de Quei oz” - ESALQ/USP. Realizadas com auxílio da CAPES e FAPESP. Recebido pa a publicação em ma ço de 2009 e ap o ado em ma ço de 2010. (2) Pesquisado do Cen o Nacional de Pesquisa em Solos, Emb apa Solos. Rua Ja dim Bo ânico, 1024, CEP 22460-000, Ja dim Bo ânico, Rio de Janei o (RJ). E-mail: [email p o ec ed] (3) P o esso a do Cu so de Geog a ia da Uni e sidade Es adual do Oes e do Pa aná - UNIOESTE-MCR. Rua Pe nambuco, 1777, CEP 85960-000, Ma echal Cândido Rondon (PR). E-mail: [email p o ec ed] (4) P o esso do Depa amen o de Ciência do Solo, ESALQ/USP. Caixa Pos al 09, CEP 13418-900, Pi acicaba (SP). Bolsis a do CNPq. E-mail: [email p o ec ed] (5) Pesquisado a do Ins i u o Geológico-SMA/SP; [email p o ec ed] (6) P o esso es do Depa amen o de Eda ología y química ag ícola de la Uni e sidad de San iago de Compos ela. Campus Uni e si a io Su . Faculdad de Bioloxía. Espanha. E-mails: [email p o ec ed]; [email p o ec ed] SEÇÃO V - GÊNESE, MORFOLOGIA E CLASSIFICAÇÃO DO SOLO 834 Mau ício Rizza o Coelho e al. R. B as. Ci. Solo, 34:833-846, 2010 SUMMARY: RELATIONSHIP BETWEEN SOIL, LANDSCAPE AND GEOLOGICAL SUBSTRATE OF THE SANDY COASTAL PLAIN OF SÃO PAULO STATE This pape p esen s he esul s o mo phological p ope ies and absolu e da ing by luminescence and 14C o 28 pedons om Qua e na y ma ine deposi s loca ed in h ee coun ies along he coas in São Paulo S a e, B azil: Be ioga, Cananéia, and Ilha Comp ida. The objec i e was o p o ide e idence o elucida e he main p ocesses o he genesis o Spodosols. This app oach, which is unusual in esea ch conce ned wi h B azilian Qua e na y coas al plains, esul ed in he ollowing in e p e a ions: (a) elie , hyd ologic condi ions and ime we e he main soil o ma ion ac o s esponsible o he spa ial di e en ia ion o he Spodosols in ma ine e aces; (b) The ho izon mo phologic ea u es o he mos aged and well-d ained Spodosols a e highly a iable and di e se. On he o he hand, poo ly d ained Spodosols (old o young) a e mo e homogeneous; (c) he oldes Spodosols, when well-d ained, a e in an ad anced deg ada ion s age while he poo ly d ained a e well-p ese ed. This sugges s ha he genesis and pe manence o he Spodosols on he landscape depend on he elie ea u es con olling he hyd ologic dynamics; (d) he mos aged and de eloped Spodosols wi h o s ein ho izons can be conside ed li hos a ig aphic indica o s o ma ine deposi s o he Pleis ocene age in he Cananéia Fo ma ion; (e) he o s ein ho izon genesis ook place unde ancien opog aphic and hyd ologic condi ions ha di e om he cu en . This indica es ha such Spodosols a e polygene ic o paleosols. Index e ms: da ing by luminescence and 14C; Spodosols; podzoliza ion; qua e na y ma ine deposi s. INTRODUÇÃO As planícies cos ei as paulis as ap esen am g ande di e sidade de ambien es sedimen a es qua e ná ios, cujas unidades geológico-geomo ológicas qua e ná ias o am es udadas po poucos au o es (Ba celos e al., 1976; Suguio & Tessle , 1992; Souza e al., 2008; Ma ins, 2009). En e as unidades qua e ná ias mapeadas po esses au o es, ês são de especial in e esse pa a o p esen e es udo: (a) co dões li o âneos a enosos holocênicos, (b) e aços ma inhos holocênicos e (c) e aços ma inhos pleis ocênicos. Nesses ambien es a enosos, gené ica e inap op iadamen e denominados de “ es inga” (Souza e al., 2008), p edominam os Espodossolos e os Neossolos Qua za ênicos (Oli ei a e al., 1992; Rossi & Quei oz Ne o, 2001). O e mo “ es inga” ap esen a á ias de inições, en e elas a geológica-geomo ológica, a bo ânica e a ecológica. No sen ido geológico-geomo ológico, e e e- se a ba as ou ba ei as a enosas, especialmen e quando echam lagunas cos ei as (Suguio & Tessle , 1984; Suguio, 1992). As comunidades ege ais associadas às p aias, dunas, co dões a enosos, dep essões en eco dões, ma gens de lagoas, de ambien es paludosos e b ejosos e a é manguezais ambém são desc i as como ege ação de es inga (Lace da e al., 1982). A im de e i a a u ilização inadequada do e mo “ es inga”, Souza (2006) p opôs a denominação dessas di e en es i o isionomias de ege ação de planície cos ei a e baixa encos a. Suguio & Ma in (1976, 1978a,b) essal a am que as oscilações do ní el ela i o do ma (NRM) du an e o Qua e ná io desempenha am impo an e papel na e olução das planícies cos ei as em odo o mundo. Na planície cos ei a paulis a, dois e en os ansg essi o- eg essi os o am egis ados: o de Cananeia e o de San os. O p imei o, de idade pleis ocênica, e e seu pico máximo de oscilação posi i a há 120.000 anos A.P. (an es do p esen e); o segundo, de idade holocênica, e ia a ingido seu pico máximo há 5.100 anos A.P. Os depósi os pleis ocênicos associados ao e en o ansg essi o- eg essi o Cananeia são denominados Fo mação Cananeia, enquan o os holocênicos, associados ao e en o ansg essi o- eg essi o San os, são designados de Fo mação Ilha Comp ida (Suguio & Ma in, 1976, 1978a, 1994). Ao elaciona os componen es da paisagem nas bacias dos ios I agua é e Gua a uba em Be ioga-SP, Rossi & Quei oz Ne o (2001) e Souza e al. (2009) encon a am es ei a elação en e o subs a o geológico, os solos e a ege ação: os Espodossolos p edominam nos e aços ma inhos pleis ocênicos sob Flo es a Al a de Res inga. Relações semelhan es ambém oco em no li o al no e de São Paulo (Souza & Luna, 2008). Nes e abalho são ap esen adas as p incipais elações solo- ele o-subs a o geológico encon adas em depósi os ma inhos a enosos qua e ná ios de ês municípios cos ei os paulis as: Be ioga, Cananeia e Ilha Comp ida. Es udos dessa na u eza con ibuem an o pa a o en endimen o dos ágeis ecossis emas de “ es inga”, cons an emen e subme idos à RELAÇÃO SOLO-RELEVO-SUBSTRATO GEOLÓGICO NAS RESTINGAS DA PLANÍCIE... 835 R. B as. Ci. Solo, 34:833-846, 2010 deg adação ambien al, como pa a abalhos u u os de ca ac e ização das planícies cos ei as. MATERIAL E MÉTODOS Á ea de es udo Pedons o am desc i os e amos ados em ês municípios do li o al do Es ado de São Paulo: Be ioga, Cananeia (Ilha de Cananeia) e Ilha Comp ida (Figu a 1). O clima do li o al paulis a é do ipo A , com p ecipi ação média anual de 1.800 a 2.000 mm e médias de empe a u as mínimas de 19 ºC e de empe a u as máximas de 27 oC (Köppen & Geige , 1928). A geologia dos locais es udados é compos a po depósi os a enosos pleis ocênicos e holocênicos de o igem ma inha (Pe i & Fúl a o, 1970; Suguio & Ma in, 1978a,b). Sob e eles desen ol em-se p incipalmen e lo es as al as e baixas de es inga (Souza e al., 2009) associadas a Espodossolos e Neossolos Qua za ênicos (Oli ei a e al., 1992; Rossi & Quei oz Ne o, 2001). Com ce ca de 240 km2, a planície cos ei a de Be ioga, localizada ao no e da Baixada San is a (Figu a 1), ap esen a qua o ge ações de depósi os ma inhos: duas de idade pleis ocênica ( e aços ma inhos co ela os à Fo mação Cananeia e p o a elmen e à Fo mação Mo o do Icapa a) e duas holocênicas ( e aços ma inhos e co dões li o âneos co ela os à Fo mação Ilha Comp ida) (Souza e al., 2009). A Ilha Comp ida, localizada no li o al sul do Es ado de São Paulo, possui 63 km de comp imen o po a é 5 km de la gu a. É cons i uída po sedimen os a enosos qua e ná ios, p edominan emen e holocênicos, exce o pa a poucos emanescen es de e aços ma inhos pleis ocênicos e um mo o e cons i uído de ochas alcalinas (Mo e e), ambos localizados no ex emo sul da Ilha. Dunas on ais holocênicas de a é 10 m de al i ude es ão p esen es sob e os co dões e os e aços a enosos (Suguio e al., 1999). Ma in & Suguio (1978) a in e p e a am como uma ilha-ba ei a elacionada às mudanças do NRM no Qua e ná io, cujo p olongamen o pa a o no e e ia se iniciado en e 6.000 e 7.000 anos A.P., com a ansg essão ma inha. A Ilha de Cananeia é compos a, p edominan emen- e, po sedimen os a enosos ma inhos pleis ocênicos (Suguio e al., 1999). Sua o igem es a ia elacionada ao pe íodo oco ido en e 80 e 130.000 anos A.P. (Wa anabe e al., 1997). T abalhos de campo As p ospecções o am ealizadas po meio de sondagens com ado manual, obse ações de a lo amen os e abe u a de mini inchei as pa a seleciona os locais de amos agem. Es es consis i am de 28 pedons ep esen a i os das unidades geológico- geomo ológicas al os, sendo 24 de Espodossolos e qua o de Neossolos Qua za ênicos. Em Be ioga, 13 pedons o am desc i os e cole ados em c onossequência (P1 a P13); em Ilha Comp ida, 10 pedons (P17 a P26); e na Ilha de Cananeia, cinco pedons (P27 a P31). Os solos o am desc i os e amos ados con o me San os e al. (2005) e classi icados de aco do com o Sis ema B asilei o de Classi icação dos Solos- SiBCS (Emb apa, 2006). A desc ição comple a, a classi icação e os dados analí icos dos pedons es ão ap esen ados em Coelho (2008) e Ma ins (2009). Figu a 1. Localização dos municípios de Be ioga, Cananeia e Ilha Comp ida no li o al do Es ado de São Paulo-SP. 836 Mau ício Rizza o Coelho e al. R. B as. Ci. Solo, 34:833-846, 2010 Da ações As da ações po Te moluminescência (TL) e Luminescência Op icamen e Es imulada (LOE) o am ealizadas no Labo a ó io de Vid os e Da ação (LVD) da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC- SP), u ilizando-se o p o ocolo de análise MAR (mul iple aliquo egene a i e-dose), segundo Mu ay & Win le (2000) e Win le & Hun ley (1980). Os p ocedimen os e a o ma de cole a e acondicionamen o das amos as o am ealizados con o me Sallun e al. (2007). F ag- men os de es os ege ais ( onco) so e ados a 1,2 m de p o undidade (P7), bem como a ação TFSA ( e a ina seca ao a ) de ês ho izon es o s ein de di e en- es pedons (P3, P10 e P30), o am u ilizados pa a da ação ao 14C. As amos as o am da adas no Labo- a ó io de 14C do Cen o de Ene gia Nuclea na Ag i- cul u a (CENA/USP), em Pi acicaba (SP), o qual u i- liza os mé odos de sín ese de benzeno e espec ome ia de cin ilação líquida pa a de e mina a a i idade do 14C (Pessenda & Cama go, 1991). RESULTADOS E DISCUSSÃO A sequência de solos do município de Be ioga, ep esen ada pelos pedons P1 a P13 (Figu a 2), é a mais ex ensa (ap oximadamen e 2,8 km). Seu ma e ial de o igem, a eias ma inhas qua zosas, é de idade pleis ocênica (P1 a P6) a holocênica (P13), co ela o às Fo mações Cananeia e Ilha Comp ida, espec i amen e. Nessa sequência, algumas inconsis ências c onológicas o am obse adas en e as idades ob idas e aquelas u ilizadas pa a de ini os e en os ansg essi o- eg essi os do li o al paulis a po Suguio & Ma in (1978a). Po ou o lado, as idades geológicas (TL e LOE) da sequência da Ilha de Cananeia (Figu a 3) ap oximam-se daquelas suge idas po Suguio & Pe i (1973), Suguio & Ma in (1978a,b) e Wa anabe e al. (1997). Na sequência de Ilha Comp ida (Figu a 4), uma es ei a aixa de sedimen os de idade pleis ocênica (P17) an ecede c onologicamen e os sedimen os holocênicos da Fo mação Ilha Comp ida no sen ido Ma de Cananeia-Oceano A lân ico, co obo ando os es udos de Ma in & Suguio (1978) e Suguio e al. (1999). Apesa dos p oblemas e conside ações sob e a a aliação da idade 14C em Espodossolos, documen ados po Ma hews (1980) e Schwa z (1988), algumas de suas in e p e ações pa ecem ele an es, além de con ibuí em pa a os es udos es a ig á icos, e olu i os e paleoclimá icos da planície cos ei a paulis a. Figu a 2. C onossequência de Be ioga. As co as al imé icas ap oximadas es ão ap esen adas acima da indicação dos pedons. RELAÇÃO SOLO-RELEVO-SUBSTRATO GEOLÓGICO NAS RESTINGAS DA PLANÍCIE... 837 R. B as. Ci. Solo, 34:833-846, 2010 Figu a 3. C onossequência da Ilha de Cananeia. As co as al imé icas ap oximadas es ão ap esen adas nas ex emidades da sequência. Figu a 4. C onossequência da Ilha Comp ida. 838 Mau ício Rizza o Coelho e al. R. B as. Ci. Solo, 34:833-846, 2010 Conside ando as idades 14C ob idas pa a os ho izon es o s ein e a p emissa de que o empo de esi- dência médio (TRM) da ma é ia o gânica co esponde, ap oximadamen e, à me ade do in e alo desde que sua acumulação se iniciou (De Coninck, 1980; Schwa z, 1988), pode-se in e i que as acumulações desse ma e ial nos ho izon es B espódicos (o s ein) inicia am-se há ce ca de 18.500, 9.600 e 4.260 anos A.P., espec i a- men e pa a os pedons P30, P03 e P10 (Quad o 1). Assim, as idades 14C e o TRM da ma é ia o gânica dos ho izon es o s ein (Bhm) dos pedons P30, P03 e P10 e idenciam numa p imei a análise que: o pedon mais elho é o de Cananeia, o qual coincide com o depósi o mais an igo (Quad o 2); e as idades 14C dos pedons de Be ioga (P13 e P10) a iam em con o midade com aquelas ob idas dos sedimen os po TL e LOE (Quad o 2), ou seja, os depósi os mais an igos ap esen a am idades 14C mais ele adas. Quad o 1. Idade 14C da ma é ia o gânica dos ho izon es cimen ados (o s ein) e de um onco de á o e (ho izon e Cg) nos pedons selecionados (1) A.P.: an es do p esen e. (1) Dado numé ico não disponí el. Quad o 2. Dados de Te moluminescência (TL) e de Luminescência Op icamen e Es imulada (LOE) de 13 amos as dos pedons es udados em Be ioga, Ilha Comp ida e Ilha de Cananeia-SP RELAÇÃO SOLO-RELEVO-SUBSTRATO GEOLÓGICO NAS RESTINGAS DA PLANÍCIE... 839 R. B as. Ci. Solo, 34:833-846, 2010 Essas idades coincidem com os egis os de a iações do NRM na cos a paulis a: no Pleis oceno Supe io , du an e o úl imo máximo glacial, oco ido há ap oximadamen e 17.000–18.000 anos A.P., o NRM encon a a-se em p o undidades p óximas às a uais isóba as de -110 m a -130 m (Suguio & Ma in, 1976, 1978a). P o a elmen e, os Espodossolos de Cananeia i e am seu início de o mação e máximo desen ol imen o nos p imó dios do es ádio in e glacial subsequen e, pe íodo mais úmido do que o glacial que o an ecedeu (Shell-Ybe e al., 2003), quando o NRM apidamen e se ele ou. Condições a o á eis à podzolização e iam dado o igem a esses solos: clima úmido e expansão de espécies ege ais a bó eas que p oduzem a se apilhei a ácida; ele ação do ní el do lençol eá ico e diminuição da a i idade biológica no solo; e ma e ial a enoso de o igem ma inha, pob e em bases, o qual exe ce papel undamen al na gênese dos Espodossolos na planície cos ei a ( an B eemen & Buu man, 2002; Saue e al., 2007). O a o de a idade es imada pa a o TRM da ma é ia o gânica (18.500 anos A.P.) do ho izon e o s ein, na Ilha de Cananeia (P30), coincidi com o pe íodo de ansição climá ica no inal do Pleis oceno (17.000– 18.000 anos A.P.) indica que os Espodossolos podem não se a uais e e iam sua máxima exp essão pedogené ica associada à ansição do Pleis oceno Supe io pa a o Holoceno In e io . O início do pe íodo de o mação dos Espodossolos da c onossequência de Be ioga ambém é condizen e com os e en os ansg essi o- eg essi os ma inhos do Qua e ná io no Es ado de São Paulo. Suguio & Ma in (1978b) mapea am os depósi os onde se localiza o pedon P3 (Figu a 2) como pleis ocênicos e co ela os à Fo mação Cananeia. A supos a idade do início de o mação do ho izon e o s ein (Bhm2) do pedon P3 (co a al imé ica de 10 m), de 9.600 anos A.P., co obo a as in e p e ações desses au o es. Po ou o lado, o TRM da ma é ia o gânica (4.260 anos A.P.) do pedon P10 (co a al imé ica de 5,3 m) e a idade 14C de agmen os de madei a en e ados (3.700 ± 70 anos A.P.) encon ados no pedon P7 (co a al imé ica de 3,5 m) indicam que o início do p ocesso de o mação dos seus ho izon es B espódicos es a ia associado à ase eg essi a do NRM, oco ida desde 5.100 anos A.P. (Suguio & Ma in, 1976, 1978a) ou 5.600 anos A.P. (Ma in e al., 2003), quando o NRM se ele ou 4 ± 0,5 m acima do a ual, a é o p esen e; po an o, mais jo ens que a idade do TRM da ma é ia o gânica do pedon P3. As idades TL e LOE ob idas e aquelas u ilizadas pa a econs ui as an igas posições do NRM pa a o li o al paulis a, no empo e no espaço, indicam que a idade dos depósi os em que se localizam os pedons P1 (171.100 ± 30.000 anos A.P) e P6 (150.000 ± 13.500 anos A.P.) ul apassa 120.000 anos A.P. (Quad o 2). Algumas in e p e ações podem se au e idas a pa i desses esul ados: o se o em que se si ua o pedon P6 ep esen a um emanescen e dos depósi os ma inhos da Fo mação Cananeia, isolado na paisagem, e é con empo âneo ao se o do pedon P3 (Figu a 2). Os sedimen os desses depósi os podem e sido e abalhados pelo en o em pe íodo pós- deposicional, con o me conside a am Suguio & Ma in (1978b) e Ma ins (2009). Nesses se o es, é p o á el que os ho izon es o s ein dos Espodossolos enham con ibuído pa a a esis ência à e osão e pe manência dos emanescen es pleis ocênicos na paisagem a ual; a disc epância en e as idades dos sedimen os de opo e de subsupe ície (Quad o 2) indica que eles podem e sido deposi ados em di e en es pe íodos e, ou, e abalhados pelo en o após deposição ma inha. Também não podem se desca adas as limi ações da écnica e do p o ocolo de análise (MAR) u ilizado nas da ações de TL e LOE (Sallum e al., 2007); da mesma o ma, as idades supe io es a 120.000 anos A.P. dos depósi os (pedons P3 e P6) ambém podem es a elacionadas às limi ações da écnica e ao p o ocolo de análise (MAR), bem como às condições de sedimen ação, como a gumen ado po No e al. (1994) pa a Espodossolos em ambien es de dunas da cos a aus aliana. Po algum mo i o, a idade esidual (TL e LOE) de pa e dos sedimen os aqui conside ados, com di e enças en e as idades a aliadas e icalmen e num mesmo pedon, pode não e sido comple amen e ze ada. É possí el que o ápido anspo e e deposição dos g ãos de qua zo, bem como as condições de luminosidade do ambien e, não enham p opiciado su icien e exposição à adiação sola ul a iole a (Win le & Mu ay, 2006) pa a ze a as suas idades TL e LOE esiduais. Esses sedimen os e iam sido deposi ados em di e en es pe íodos e, associados às condições di e enciadas de anspo e (ma , en o), condiciona am alo es mui o he e ogêneos de in ensidade luminescen e esidual. Isso explica ia as di e en es idades, mais an igas que as espe adas, encon adas num mesmo pe il (P3 e P6) e en e os depósi os ma inhos e aqueles e abalhados pelo en o. Apesa das di e enças en e as idades TL e LOE (Quad o 2), e i icou-se que há edução des as em di- eção aos ho izon es supe iciais dos pedons analisa- dos, conco endo pa a conside a os esul ados sa is a ó ios, os quais, associados às idades 14C e aos aspec os pedológicos, possibili a am as seguin es in- e p e ações: na c onossequência de Be ioga, os Espodossolos de idades 14C holocênicas o ma am-se nos sedimen os pleis ocênicos da Fo mação Cananeia (P3 e P10); as a iações de solo e de ele o en e o P11 e o P12, jun amen e com a idade ap oximada de 5.100 anos do depósi o no pedon P11 (Quad o 2), de co a al imé ica de 3,3 m (Figu a 2), suge em que o máxi- mo ansg essi o do NRM holocênico (T ansg essão San os) deu-se nesse se o da sequência; a di e ença en e as idades TL e LOE a 0,6 e 1,3 m de p o undi- dade no ma e ial mine al do ho izon e E do pedon P6 (Quad o 2) suge e a oco ência de duas ases deposicionais nesse paco e sedimen a du an e o Pleis oceno: uma mui o an iga (ma inha) e ou a mais jo em no inal dessa época, du an e a qual hou e 840 Mau ício Rizza o Coelho e al. R. B as. Ci. Solo, 34:833-846, 2010 emobilização ou e abalhamen o dos sedimen os supe iciais (ho izon es A + E), p o a elmen e po p o- cessos eólicos. O ma e ial mine al que o ma os ho i- zon es subsupe iciais B espódicos consolidados (o s ein) se ia p ese ado, con o me cons a ado po No e al. (1994) em Espodossolos da cos a aus aliana. No B asil, a p esença de o s ein oi empi icamen e u ilizada po alguns geólogos qua e na is as como indica i o de sedimen os pleis ocênicos cos ei os (Suguio & Ma in, 1978b). A pa i dos dados ob idos e das obse ações de campo, p esume-se ce a e acidade em al asse i a. Embo a os Espodossolos es ejam p esen es em depósi os ma inhos an o pleis ocênicos quan o holocênicos, o ho izon e o s ein oco e apenas nos pleis ocênicos. Na sequência de Ilha Comp ida, o ho izon e o s ein não oi obse ado nos depósi os holocênicos, enquan o na sequência de Cananeia, dominada po sedimen os pleis ocênicos, quase odos os Espodossolos ap esen a am ho izon e o s ein den o de 2 m de p o undidade, com exceção do pedon P28 (Quad o 3). Em Be ioga esse ho izon e es á p esen e apenas nos pedons mais an igos (P3, P4, P6, P9 e P10), o mados nos depósi os da Fo mação Cananeia, mas ausen e no pedon P11 desen ol ido sob e os depósi os holocênicos. Também es á ausen e nos pedons P7 (3.700 ± 70 anos A.P.) e P8 o mados po sedimen os pleis ocênicos emobilizados e deposi ados sob e ambien es lu iais holocênicos. Da mesma o ma, em Ca agua a uba (li o al no e de São Paulo), Souza (1992) encon ou o ho izon e o s ein somen e nos e aços ma inhos pleis ocênicos, embo a os Espodossolos ambém es ejam p esen es nos co dões li o âneos holocênicos mais an igos. Essas in o mações, associadas às obse ações do ele o local, suge em que os ho izon es o s ein podem se u ilizados como indicado es pedoes a ig á icos dos depósi os ma inhos das planícies cos ei as, desde que associados a ou os indicado es geológicos e geomo ológicos locais e egionais. Nas planícies cos ei as paulis as, as condições climá icas, p og essi amen e mais úmidas desde o inal do Pleis oceno (Shell-Ybe e al., 2003), associadas à ins alação da ege ação de lo es a, às a iações do NRM e ao ma e ial de o igem, con ibuí am pa a a o mação dos an igos Espodossolos com ho izon es o s ein. É p o á el que a o igem e a p ese ação do o s ein deco am da a uação e maio es abilidade do lençol eá ico na posição em que se o ma am. As idades ob idas po meio das da ações ao 14C e do TRM da ma é ia o gânica p esen es nesses ho izon es (Quad o 1), discu idas an e io men e, le am a supo que a maio ia dos Espodossolos desen ol idos sob e os e aços ma inhos pleis ocênicos das sequências es udadas em Be ioga e Ilha de Cananeia são paleossolos ou, ao menos, poligené icos, sob e udo quando do ados de ho izon es o s ein. Na sequência de solos es udada em Ilha Comp ida, os Espodossolos mais jo ens o ma am-se nos depósi os sedimen a es da o mação de mesmo nome, bem d enados e ca ac e izados pelo alinhamen o de co dões a enosos ea eiçoados. Po isso, esses Espodossolos são pouco desen ol idos e, a ualmen e, encon am-se em di e en es es ádios de o mação. Solos: classes, dis ibuição na paisagem e mo ologia Na sequência de Be ioga (sen ido ma -se a), na ansição do se o de pós-p aia pa a os co dões li o âneos, oco em os Neossolos Qua za ênicos (P13). A ausência de ca ac e ís icas hid omó icas a é ce ca de 1,0 m de p o undidade deco e de o lençol eá ico es a abaixo de 1,5 m na maio pa e do ano. Nesse segmen o não há e idência de podzolização e sim de mobilização de Fe, o qual imp ime a colo ação ama ela aos ho izon es nos p imei os 0,7 m de p o undidade. À medida que se dis ancia da p aia, a hid omo ia aumen a, jun amen e com o apa ecimen o de mosqueados a e melhados e concen ação de Fe, ípicos de eições edoximó icas que ca ac e izam o pedon P12, ep esen ado po um Neossolo Qua za ênico Hid omó ico ípico (Figu a 2). A ansição dos Neossolos Qua za ênicos hid omó icos (P12) pa a os Espodossolos se dá po uma sua e up u a de decli e, sucedida po uma á ea dep imida (Figu a 2), mal d enada, onde oco em O ganossolos. A pa i daí oco e o Espodossolo Humilú ico hid omó ico espessa ênico (P11), des i uído de ho izon e o s ein, mas bem desen ol ido e com ho izon es A + E de espessu a supe io a 1,0 m (Quad o 3). O segmen o plano, que se inicia no se o do pedon P11, p olonga-se no sen ido ma -se a. A pa i da co a de 4,5 m é dominado po Espodossolos Humilú icos hid omó icos com ho izon es o s ein (Bhm), que oco em en e 0,4 e 1,4 m, sob ho izon es E com di e en es espessu as, as quais diminuem do pedon P10 pa a o P9. Os pedons P8 e P7, ep esen ados po Espodossolos hid omó icos com exíguo ho izon e E e des i uídos de ho izon e o s ein, localizam-se em uma á ea dep imida e mui o mal d enada que an ecede o emanescen e de e aço ma inho pleis ocênico onde es á si uado o pedon P6 (Figu a 2). Os limi es en e os ho izon es dos pedons P8 e P7 são os mais di usos, e os ho izon es B espódicos, os menos desen ol idos en e os Espodossolos dessa c onossequência. Uma peculia idade desses Espodossolos é a p esença de ho izon es Cg (hid omó icos), sendo que no pedon P8 é de ex u a média e se inicia a 1,3 m de p o undidade. Nesse ho izon e, os abundan es agmen os ósseis de oncos de á o es de idade holocênica (3.700 ± 70; Quad o 1), associados à co a al imé ica (3,5 m) e à p esença de a gila e de es os ege ais, e idenciam que os Espodossolos (P7 e P8) se o ma am a pa i dos sedimen os ma inhos pleis ocênicos emobilizados e deposi ados sob e um ambien e lu ial. RELAÇÃO SOLO-RELEVO-SUBSTRATO GEOLÓGICO NAS RESTINGAS DA PLANÍCIE... 841 R. B as. Ci. Solo, 34:833-846, 2010 Quad o 3. Dados mo ológicos selecionados e classi icação dos p incipais pedons es udados em Be ioga, Ilha Comp ida e Ilha de Cananeia-SP Con inua...