O processo de construçom do sistema literário galego entre o franquismo e a transiçom (1974-1978). Margens, relaçons, estrutura e estratégias de planificaçom cultural
Full text
O PROCESSO DE CONSTRUÇOM DO
SISTEMA LITERÁRIO GALEGO ENTRE O
FRANQUISMO E A TRANSIÇOM (1974-1978).
Margens, R elaçons, estru tura e Estr atégias de planificaçom cultural
Roberto López-Iglésias Samartim, Grupo Gal abra (USC)
Facul dade d e Filolo gia - Depar tamen to de Fil ologia Galega (USC)
Santiago de Compostela 20 10
O PROCESSO DE C ONSTR UÇOM DO SISTEMA
LITERÁRIO GALEGO ENTRE O
FRANQUISMO E A TRANSIÇOM (1 97 4-1 97 8).
Mar g ens, Relaçons, estrutura e Es traté gias de
planif icaçom cultural
TESE DE DOUTORAMENTO
realiz ada por sob a or ientaçom do
Roberto López-Ig lésias Samar tim Prof. Dout or Elias J. T orres F ei j ó
Grupo Galabra (USC)
Julho de 20 1 0
F aculdade de Filologia - Depar tamento de Filologia Galega (USC)
Santiago de Compo stela 20 1 0
O PROCESSO DE C ONSTR UÇOM DO SISTEMA
LITERÁRIO GALEGO ENTRE O
FRANQUISMO E A TRANSIÇOM (1 97 4-1 97 8).
Mar g ens, Relaçons, estrutura e Es traté gias de
planif icaçom cultural
TESE DE DOUTORAMENTO
realiz ada por sob a or ientaçom do
Roberto López-Ig lésias Samar tim Prof. Dout or Elias J. T orres F ei j ó
(visto e praze)
F aculdade de Filologia - Depar tamento de Filologia Galega (USC)
Santiago de Compo stela 20 1 0
Pa ra Ugha e para Sisa. Ainda e stám.
Para Mucha e para Tito. Sempre e stá m.
Par a Mara, para Lucía e par a Rub én. Continuarám estando.
E para Cha ro, polo seu canto contra a roc ha.
[ OMNIA O MNIBUS ]
Este é um trabalho comunal. Nele participarom nalgum momento e nalgumha me dida as
numerosas pessoas q ue inte grarom os vários pr ojectos desen vo lvidos polo Gr upo Galabra da USC,
nomeadamente o P oluliga/ Fise mpoga, ma s nom só. Para elas vai ta mbém agora o a gradecimento
que personalizo no pro fessor Elias J. T o rres Fe ijó nom só porque ele tenha or ientado esta tese de
doutoramento (nem tampouco somente pola inteligência e a ge nerosidade com que tem guia do a
minha traj ectó ria in ves tigador a desde hai mais dumha década) mas si, sobretudo, porqu e Elia s
T orres é em boa medida res ponsá vel do orgulho que sinto em pode r fa zer pa r te dum g r up o humano
que entende a in ve stig açom como um trabalho destinado a de vo l ver à comunida de, con vertidos em
conhecimento útil, os capitais de vár io tipo com que a c omunidade nos sus tenta ; e esse é um
trabalho descomunal...
Juntamente com os meus parceiros do Gru po Ga labra, que ro a gradecer igualme nte a
atençom dos meus coleg as do Depar tamento de Galego-Português, Francês e Lingüísti ca da
Un i vers idade da Co runha, e a disponibilidade das vá rias pessoas e instituiçons qu e guardarom e
f ornecerom os mater iais que c on formam o co rpus tanto desta tese de doutoramento como do
projecto de in ves tigaçom em que ela se integ ra: as vár ias Bibliotecas da USC (especialmente a da
Fa culdade de Filologia e a Biblioteca Geral), as Fundaçons Pe nzol, 1 0 de Marzo e Bautista Ál vare z ,
o Arqui vo da Emigración Ga lega e os Museus, A cademia s e bibliotecas que f or om freqüentados por
algum dos membros d a equipa ao longo destes anos.
Deem-me licença, ainda, para be ijar agora, quando menos, aquelas pessoas que tenhem
todas a s cha v es da casa em qu e vi vo: Pablo Couñago Regueira, porque ainda v ou onde me le vam as
suas botas; Raquel Be llo Vázquez, porque o meu passo ainda é acorde ao tama nho do seu pé;
R osário Mascato R e y , porque quando acordo na noite ela ainda dor me a meu lado; e N arcisa e
Mar ia Sanmar tín Cal, porque o xalá s obre o bei jo vo ltem...
poder (políti co e económico) num tempo de mudanças est ruturais no quadro polític o-
institucional, e xig em perspecti var a in ve stig aç om dentro do conjunto do SCG (e nom
unicamente nos limites do SLG), e f azê-lo dum ponto de vista relacional e aplicando os
métodos e os dispositi vos apropriados para isso.
2) Conf irm amos que a bibliog rafia e xis tente sobre o estudo do SC G entre o Franquismo e a
instauraçom do regime autonómico te m para nós umha utilidade limitada, já que, em ge ral,
nom contempla este carácter relacional e impede, po rt anto, av ançar no conhecimento da
realidade gale ga deste período his tór ico. Igualmente, esta bibliog rafia nom facilita a
aborda gem dos processos culturais em virt ude dos quais deter minadas elites sociais
elaboram umhas ideias específica s num momento his tór ico concreto, nem o estudo das
condiçons para o seu sucesso ou fracasso posteri o r.
3) Concluímos que a imposibilidade de mapear o SCG para de tecta r as relaçons, assim como
de abordar o estudo da fa b ricaçom de ideias, das estratégias pa ra a sua socializaçom e da
acçom institucional no sistema atrav és da bibliogra fia e xi stente, ex ig e ampliar o co rp us de
partida e recorrer directa mente a um mais alar gado conjunto de mater ias atr avé s dos quais
responder às necessidades que coloca o nosso objecto de estudo (epí gra fe 2.2.). Po r isso,
para além de considera rmos todas as publicaçons per iódicas e os livros edita dos neste
período dentro da s mar gens do S CG, incluímos em primeiro luga r entre o co rpus do projecto
Fisempo ga também a imprensa diár ia; na f ase actual, já f oi iniciado o le vantamento da
in formaçom dos dous pe riódicos de maior difusom e impacto na Ga liza entre 1 96 8 e 1 98 2
( El F a ro de Vigo [EF V] e La V o z de Galicia [ L V G]) , e pr e ve mos també m umha fa se
posterior de recolha sistemática que se centre nos espaços reservados para a cultura (secçons
específicas, suplementos...) nos restantes jorn ais sediados na Galiza: Diario de P o nte ved ra ,
Fe r r o l D i a r i o , El Ideal Gallego (C runha), El Correo Gallego (Santiago de Compo stela), La
Región ( Ourense) e El Pro gr eso (Lugo). Pretendemos também que este co rp us de ma ter iais
publicados seja completado a meio prazo com entrevis tas pessoais ou g r upais aos principais
ag entes a ctuantes no SCG de 1 96 8 a 1 982 (de maneira e ve ntual, mas nom sist emática neste
momento, recor reremos també m a qu alquer outro supo rte de ca rácter cultural que nos
per mita conhe cer o nosso objecto de estudo: co rrespondência, ar qui vos sonoros ou audio-
visuais, etc.).
Esta mudança de perspectiva, com o conseguinte alar gamento do ámbito de estudo (de
Po luliga para Fisempog a, da litera tura para a cultura), e m conjunçom com as possibilidades
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mater iais e humanas da equip a i n ve sti gadora, determina a restriçom do lapso temporal f ocado no
início, limitando o estudo aos anos centrais quanto ao processo de mudança política ( 1968-1 982) e
período onde esta vam localizados já os trabalhos g erados em Polu liga. T amb ém dos conhe cimentos
adqui ridos nos trabalhos de Poluli ga e da própria organizaçom inte rna do projecto ao longo das suas
vár ias fase s (fundamentalmente quanto a disponibilida de e distr ibuiçom de recursos humanos)
der iva a subdivisom em três períodos do intervalo cronológico seleccionado: 1 96 8-1 9 73 , 1 9 7 4- 1 9 7 8
e 1 97 9-1 9 82 (o segundo dos quais enquadrará o presente trabalho). O pr incipal crité rio para a
es t ruturaçom de Fi sempoga ne stes três períodos conc retos tem a v er com que as mudanças mais
signific ativas verificadas no funcionamento do SCG nesta altura estám em funçom da sua
hete ronomia com respeito a os campos do pode r, fac to que obr iga a umha delimitaçom básica que
parte do estabelecimento de baliz as e xternas aos campos culturais.
Assim, o lapso temporal selec cionado inicia-se com as re vo ltas estudantis contra a ditadura
do General Francisco Franco em 1 968 e conclui em 1 982, ano da che gada ao g o verno do Estado do
Partido Socialista Obrero Español [PSOE]; esta última baliza é comummente acei te pola
his torio grafia como ponto fi nal do processo de transiçom do regime franquista à monarquia
parlamentar (Prego 1 99 6, Ba rreiro Riv as 20 01 ) e pode ser completada a crescentando que, na Galiza,
esse é também o ano da cr iaçom do Bloq ue Nac ionalista Galego [BNG], frente política com a qual
o naciona lismo galego inicia o caminho para a sua unidade e instituci onalizaçom no regime
autonómico estabilizado após o processo de re forma do fra nq uismo (Quintana Gar r ido 2 0 1 0).
Es te lapso abrange do início dumha aber tura relativa no campo político, que possibilita a
promo ç om de determinados campos ou reper tór ios culturais (como a música mode rna em galego ou
a poesi a social -realista, por e xe mplo), até o ano pré vio à entrada e m vigor dum ha decisom política
que deter minará substancialmente o funcionamento do SCG a par tir desse momento : a apr ov açom
polo Par lamento autonómic o da Galiza em Abril de 19 83 da “Lei de Normalizaci ón L ingüíst ica”
hoje vigorante, em funçom da qual é dese n vo lvido um cor po legislati vo específico em relaçom à
introduçom da língua galega no ensino ob rigatório ou, por e xe mplo, som imple mentada s de cisons
legais que af ec tam tanto à at ribuiçom da autoridade para a elaboraçom do modelo estándar da
língua gale ga à Real Ac ademia Gallega [R AG] e ao In stituto de l a Le ngua Gal lega [ILG] da USC ,
como à o ficializaçom polo poder político autonómic o dumha no rm ativa para o galego que já tinha
sido apr o vada em sessom conjunta por estas duas ins tituiçons culturais no ano 1 98 2 em que
concluem os trabalhos de Fise mpoga.
Ora, um dos mais importa ntes ensinamentos tirados da ex pe riência colec tiv a prévia ao
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projecto de in ves tigaçom onde se integra esta tese de doutoramento tem a ve r com a necessidade de
desenhar um quad ro procedimental e te órico- metodológico aplicáv el a Fisempoga e capaz de
abordar também o estudo de sistemas culturais com características similares às apontadas para o
SCG nesta altura. Nesse sentido, es te trabalho pret ende desen vo lv e r, por um lado, esse conjunto
coordenado de métodos e ferramenta s -já e xpo sto sumar iamente em contributos a nter iores
(Samar tim 2009a) e agora desen v ol vido com maior po rmenor na epígraf e 2 . 1 .- e, por outro lado,
apresentar os resultados da sua aplicaçom g eral a um campo cultural concreto (o literá ri o) num
período delimitado ( 1 9 74 -1 9 78) com o obje cti vo de c ontribuir para umha melhor compreensom do
funcionamento do conjun to do SCG num momento determinante no seu processo de
autonomizaçom.
O re ferido quadro procedimental e teó r ico-metodológico der iva da análise prévia da
bibliogra fia já e xis tente sobre o objecto de estudo seleccionado no projecto Fisem poga e da
utilizaçom ou adaptaçom de metodologias de carácter sociológico e relacional (como as indicadas
acima para a elaboraçom dos trabalhos realizados no seio de Polulig a) aplicadas aqui desde umha
base empíri ca que exi ge a fixaçom dum banco de dados e o seu submetimento a análises de tipo
quantit ativo e quali tativo; de stes assu ntos (análise bibliográ fi ca e de resulta dos ante riores)
ocuparemo-nos no te rceiro capítulo deste estudo. Da con f l uência destes trê s elementos
(metodolog ia, bibliografia secundár ia e resultados de Po lulig a) e da ex pe riência acumulada polo
conjunto do G rupo Gala bra da USC no estudo do SCG, resulta, po rt anto, o quad ro procedimental e
metodológico ger al que apresentaremos no início desta tese de doutoramento e aplicaremos nos
capítulos post e riores.
Além disto, entendemos que os ins t rumentos de análise propos tos nes te trabalho tenhem
algumha utilida de para o es tudo do funcionamento de sist e mas literários (/culturais) deficitá rios em
processo de autonomizaçom durante um período de mudanças nas estrutur as de oportunidade
política ( Tarr ow 1 994 e 1 996) dumha comunidade da pe rif er ia europeia, assim como que para o seu
co rrecto acompanhamento e aplic açom de v em ser atendidas, quando menos, as seguintes ques tons
procedimentais:
1 . Descompor o objecto de estudo do projecto em objectiv os abra ngí ve is em i n ve sti gaçons
parcelares (que nom parciais) e específica s.
2. Estabelecer e quipas de traba lho multidisciplina r capazes de entender (e atender) as
necessidades especí fi cas coloc adas por um objecto de estudo só acessív el por meio da
apr oximaçom das acçons de g r upos e agentes em vá rios campos (político, económico,
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educativ o, comunica cional, literá rio, musical, audio-visual...) ut ilizando dif erentes técnicas e
métodos de análise.
3. Desenhar prot ocolos de abordag em duns mate ria is caracte riza dos polo seu v olume e a sua
natureza dissemelha nte; por e x emplo: seqüencializaçom de tarefa s, estabele cimento de
tipologias de inf ormaçom ou de g raus, modos e processos de recolha, f ixaçom do
conhecimento construído e do estado da que stom dos vár ios assuntos que serám analisados,
etc.
4. Estabelecer a funçom e a centralida de de cada tipologia de corpus e p ro cede r à su a fix açom ,
incluindo na selecçom a totalidade dos mate riais empíricos atrav és dos quais podam ser
resol vidas as necessidades de compr e ensom do objecto de estudo. N o c aso de Fisempog a
is to inclui biblio gra fia secundár ia, publicaçons per iódicas, livros, imprensa diária , a
realizaçom de entrevi s tas, o le vantamento de cor respondência, o recurso a arqui vos sonoros
e audio-visuais, etc.
5. Utilizar , adap tar ou const ru ir f erramentas teór ico-metodológicas e procedimentais
adequadas para resol ver as necessidades específicas l eva ntadas no processo de apr ox imaçom
do objecto de estudo. Em Fisempoga de st acam neste ponto as ach egas metodológicas de
base sisté mica do professor Elias J. T orres Fe ijo (2004a ) e a s Base s de Dados Relacionais
construídas no seio da equipa para o le vantamento, a aborda gem, a organ izaçom , a
ar r umaçom e o tratamento produtiv o dumha in formaçom mui v olumo sa e variada (de cuja
apresentaçom tra taremos na epígr af e 2 . 1. ) que será abordada tanto de forma quantitati va e
qualitativa como relacional, para o qual te m especial utilidade no conjunto do projecto a
Análise de Redes Sociais.
6. Estabelecer as mar gens e a estrutura do si stema literár io (/cultural) em funçom do conjunto
das rel aç ons v erif icadas atra vés da informaçom prev iamente le vantada do cor pus fixado,
assim como dos materiai s e das regras (os elementos no rmativos asse ntes ou propo stos)
detectadas num e stádio concre to do sistema e que e xpl icam o seu funcionamento; neste
sentido, para o ca so do SLG no período do nosso estudo de ve ser pre stada e special atençom
à funçom at ribuída polos di fere nte s g rupos presentes no seu seio à língua ga lega (como
pr in c ip al norma sis témica proposta), à t radiçom que prom o ve m ou em que se reconhecem
os di ferentes ag entes e g r upos actuantes no sistema, e à construçom, def esa e projecçom da
identidade dif erenciada da Galiza (como normas de r epertório actuantes no sistema
literár io e elementos legitimadores da acçom dos gr upos e n vo lvidos) (v eja-se T or res F ei jó
7
2004a para os conceitos em itálico).
Os assuntos foc ados no presente trabalho (em último termo: a delimitaçom, a estrutura e o
funcionamento do SLG entre 1 9 74 e 1 9 78) giram em v olta precisame nte da combinaçom das
que stons apontada s na enumeraçom anterior . Por um lado, o estabelecimento de relaçons por meio
do co rp us sele ccionado pe rmite-nos realizar a gr upamentos (de produtores, de produtos, de
instituiçons, de repertó r ios...) e apro ximarmo-nos do conhecimento tanto da estrutura inte rna e a
distribuiçom dessa rede de relaçons (sistema) como do g rau e a natureza das ligaçons que os gr upos
estabelecem com outros campos e sistemas em contacto, o qual possibilitará também conhec er o
grau de autonomia ou heteronomia relativ a (e os elementos que as sustentam) propo sto no seio do
SLG a respeito tanto dos campos onde é disputado o poder político e económic o (em grand e medida
compar tilhados no período em estudo c om o SCE) como dos outros sistemas peninsulare s,
nomeadamente a respeito daquele que conco rre ou compar tilha o mesmo e spaço social e em
relaçom ao qual d e ver á ser delimitado o SLG.
Por outro lado, juntamente c om a funçom atribuída à determina çom das relaçons, para o
conhecimento tanto dos limites (mais difusos a respeito do SCE quanto mais nos apro ximar mos dos
espaços do SCG com maior grau de institucionalizaçom, adia ntamos já) como do próp rio processo
de construçom sistémica, e studamos neste trabalho
1 . o conjunto das normas com que os di fe rente s g r upos (pre viamente es tabelecidos em vi rtude das
relaçons f ormais entre age ntes e instituiçons) pretendem fixar a s condiçons e os cr itér ios ta nto de
integraçom (pe r tença) como de funcioname nto (hierar quizaçom, legitimaçom, et c.) do sistema; e
2.a posiçom e a funçom atr ibuída aos mate ria is pre sentes no SLG (nomeadame nte aos de maior
centralidade enquanto que objecto ou resu ltado do processo de canonizaçom) para estudar a
construçom v oluntária da tradiçom, isto é , os e lementos a que os vários a gentes a tribuem v alor e
consideram necessár ios e legítimos para a sua con figuraçom e reproduçom (susceptí veis de
constituírem, po rt anto, a memória do sist ema literár io [ Aguiar e Sil va 1 99 9: 258-265], de
pe rtencerem à tradiç om).
Em última instáncia, no prese nte estudo fo camos o processo de const ruçom do discurso
sobre a próp ria literatura (e, em funçom dele, de outros como o da língua ou da identidade
di ferenciada da comunidade), no ente ndimento de que isto per mitirá valorizar també m o g rau de
autonomia/ hete ronomia com qu e o si stema es tá a ser con stru ído a respeito dos vários dis c ursos
no rmativ os e propostas político-c ulturais emanadas das instituiçons (o ficiais ou nom) e dos gr upos
que sus tentam e prom o ve m projectos identitá rios de variado tipo (essencialista s, nacionalitá rios, de
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classe...).
O estudo c ombinado dos elementos re fe ridos (relaçons e estrutura, regras e mate riais)
possibilita a delimitaçom do sistema fo cado a respeit o doutros sistemas próximos, das suas ár eas de
con f luência e dos elementos considerados próp rios, compa rtilhados ou alheios polos g ru pos acti vos
em cada sector do sis tema, e per mite o conhecimento da sua estrutu ra e dos seus modos de
funcionamento. Eis a centra lidade do quadro teó rico- metodológico ut ilizado e a necessidade de nos
dedicar mos em p rimeiro lugar à sua ex posiçom (capítulo 2) e, imediatamente despois, à análise da
bibliogra fica secundá ria e dos trabalhos de Polulig a (ca pítulo 3) que, como fo i indicado, sustentam
em grande medida a elaboraçom ou adopçom das f err amenta s propostas e dos procedimentos
ensaiados.
Após esta primeira pa rte de carácter procedimental, ocuparemo-nos em pr imeiro lug ar
(capítulo 4) do e stabelecimento dos elementos institucionais que conf orma m a es trutura g eral do
sis tema em vi rtude das relaçons inter nas (de pe rtença ) verificadas no nosso co rpu s entre produtor es
e instituiçons; valemo-nos, para fixar esta populaçom institucional, do conhec imento do SLG
f ornecido polos anteriores trabalhos da equipa, dos atributos qu e pe rmite m assinalar as nossas bases
relacionais e, aq ui de maneira funcional e apenas rep resen tativa , do método da ARS; fixamos por
esse meio os pr incipais sujeitos, g ru pos e espa ços do SLG (sejam estes ge ográ ficos ou institucionais
e estejam na Ga liza metropolitana ou nos enclave s peninsulares, europeus ou ame ricanos), as suas
caracte rísticas mai s dest acadas, as suas instituiçons constituinte s, as estratégias g era is que apli cam,
os campos onde tenhem lugar as suas acçons e as relaçons intern as que pr omo ve m. Concluímos este
capítulo com o estudo das relaçons ex tern as prom ovidas desde cada espaço do sistem a, locali zando
assim a posiçom ocupada e a funçom re fe rencial atri buída por cada g ru po aos di ferentes sist emas
peninsula res em contacto com o SLG, com o qua l nos a pr oximaremos também do grau de
autonomia rela tiva deste sistema com respeito ao SCE e aca baremos de dese nhar assim a s sua s
marg ens.
Desta maneira, no fim desta tese de doutoramento (capítulo 5) estaremos já em disposiçom
de abordar as cara cterísticas, a funçom e a centralida de das nor mas prom ovidas polos g rupos a ntes
estabelecidos para definirem o SLG entre o Franquismo e a T ran siçom , assim como as es trat égias
canonizadoras presentes nos vár ios discursos críticos em v olta da literatura (campo cultural ainda
p riorizado nas acç ons dos g rupos empenhados na altura na construçom da identida de dife renciada
da comunidade galeg a). Dentro deste es tudo de carác ter no rmati vo, onde interessam os valo res de
legiti maçom em jogo no campo da crítica , as re gras, as ideias -força e os p r incipais mate r iais
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propos tos polos gr upos e instituiçons apresenta dos prev iamente , ocupará o nosso interesse a
aborda gem da funçom at ribuída no sistema à língua galega e à reivindicaçom da identidade
di ferenciada da Galiza , ao se tratarem dos elementos centra is utilizados polos di ferentes g ru pos para
balizar o SLG na altura ou hierarqui zar os seus mate rias constituintes.
Po r último, é necessário esclarecer que a própria estrutura e or ganizaçom deste trabalho está
em funçom dos interess es e da organizaçom do projecto de in ves tigaçom em que está inse r ido. P or
es te moti vo nom som colocados no f oco desta tese de doutoramen to elementos que por si mesmos
constituem o objecto dumha in ve sti gaçom específica, de carácter monog ráfico e, por tanto, de ma ior
e xtensom e por menor do aconselhado num trabalho que fo ca os objectiv os do presente. Re ferimo-
nos ao estudo de assuntos ou de process os sem cujo conhe cimento po rm enor izado di ficilme nte
poderemos a vanç ar no preenchimento dos va rios objectiv os f ocados no projecto Fi sempoga e cuja
aborda gem de ve rá ser objecto de trabalhos post er iores de membros da equipa: o processo de
elaboraçom lingüística (que já f oi abordado em trabalhos prévios e que ainda esperamos poder
atender em ach egas posteriores de jeito mais demorado), a tra jectó ria e as estratégias de ac çom de
g rupos de pr o vada centra lidade no SLG do tardofranquismo e da transiçom (como a U nión do Pob o
Galego [UPG] ou Galaxia, es te último f ocado na futura te se de doutoramento da nossa colega
Cr istina M. T e jero), campos ou espaços concretos e deter minantes para o funcionamento do
conjunto do SLG (como o ca mpo edito rial ou o encla ve bonaerense), ou a recuperaçom que cada
g rupo realiza da tradiçom e o uso da funçom legitimadora e hierarquizadora a e la atribuída polos
di ferentes gr upos acti vos no SLG entre 1 96 8 e 1 98 2 (assunto que será abordado de ma neira
trans versal ne ste trabalho).
Apesar de nom estarem fo calizados especi ficame nte na presente in ve stigaçom, assuntos
como os qu e ac abamos de ref erir serám també m atentidos neste trabalho, quer atr avés do recurso a
resultados ante riores da equipa quer por meio de abordag ens específicas, mas sempre em funçom
dos objectivo s concretos marcados no presente estudo. Estes objectiv os pretendem responder a
perguntas i n vest igadoras que dim respeito tanto ao conhec imento do processo de construçom do
SLG entre o franquis mo e a transiçom como aos processos, métodos e f erra mentas com que é
possív el atingir esse conhecimento no v o e, em última instáncia , som susceptíveis de serem
sintetizadas numha única que stom: Qual é o compo rtamento (quanto a estrutura, no rmas e regras de
jogo, modos de funcionamento e espaços de possi bilidade) dun sistema literá rio submeti do a umha
f orte tensom ex tern a desde um campo político em mudança e ente ndido como deficitár io quanto à
1)nom aceita çom un ánime tanto da natureza da(s) norma(s) sistémica(s) como da
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legitimida de da estrutu ra de poder (isto é, da estrutura i nstitucional);
2)contracçom quanto aos c ampos em que essa nor ma qu e se quer si stémica tem presença:
ensino, meios de c omunicaçom de massas, Igreja católica , administ raçom pública...;
3)conco rrênc ia com outro sistema cultural está vel e fortemente institu cionalizado num
período de mudanças políticas que conduzem da ditadura para a democracia representativa e a
autonomia política ?
Em ger al, no f im do presente tra balho esperamos poder estar em disposiçom de conhecer
como, por quem e com que mate riais e reg ras repe rtor iais é de finida e delimitada a estrutura
relacional que cham amos SLG, assim c omo que elementos cara cter izam o funcionamento deste
sis tema entre 1 9 7 4 e 1 9 78. Com isso esperamos poder cont ribu i r, e m primeiro luga r, para o
estabelecimento dum conjunto de procedimentos e conhecimentos de utilida de pa ra posteriores
trabalhos do projecto Fisempo ga e, despois e de maneira g eral, para c riar conhecimento no v o sobre
o processo de autonomizaçom e legitimiza çom do conjunto SCG, tamb ém quanto às ideias com que
os g r upos mais centrais nes te sistema pret e ndêrom definir , identif icar e coesionar socialm ente a
comunidade galeg a num período históric o em que a mudança nas estruturas de opo rtunidade
política pe rmitiu imaginar que, por um momento, todas as propostas tinham a lgumha possibilidade
de aplic açom.
11
2. Q UA D RO P ROC E DIMEN TA L E METODOLÓGICO P A RA O
ESTUDO DO SLG (19 74- 1978)
A principal fin alidade des te trabalho é identificar, descre ver e analisar os elementos centrais
que determinam a estrutura e o func ionamento do SLG no período histórico 1 9 7 4- 1 9 78 atr avés do
es tudo dos espaç os de actua çom e das tomadas de posiçom das elites nele actuantes.
Concretamente, os objectivo s ge rais deste trabalho passam por a van çar no conhecimento:
1) dos elementos que determinam e configur am as mar gens, a estrutura e o funcionamento
entre 1 9 7 4 e 1 9 7 8 da re de interdependente de relaçons que ch amamos SLG;
2) das relaçons deste sis tema literá rio com outros siste mas peninsulares, já que estes jogam
di ferentes funçons re ferenciais (de oposiçom, analogia ou reintegraçom [Beramendi 1 9 9 1:
1 34-1 36]) para o SCG hi storicamente considera do;
3) da relaçom entre o SLG e os div ersos campos culturais que conf ormam o SCG em processo
de autonomizaçom, e daquele com os campos onde se disputa o poder político e económico,
num período caracte ri zado pola mudança de regime político-institucional;
4) da funçom, a posiçom e as relaçons dos p rincipais agen tes, g r upos e ideias presentes no
SLG, nomeadamente quanto à s ideia s sobre a própr ia literatura e aos discursos e prá ticas
en vo lvidos na sua delimitaçom e caracterizaçom;
5) das es tratégias para a promoçom, socializaçom e im plemen taçom doutras ideias (sobre a
ar te, a comunidade , etc.) presentes no SLG e fabricadas ou divulgadas polos mais
impor tant es gr upos e agentes que nele se m ovimentam entre 1 9 7 4 e 1 9 78.
De acordo com est e objec ti vos ge rais, neste trabalho fo camos os seguintes objecti vos
específ icos :
1)Desenhar um modelo procedimental e teó rico -met odológico capaz de estudar o processo
de construçom de siste mas literá rios defic itár ios submetidos a umha forte tensom política e à
conco rrência doutro sistema cultural com um alto gr au de institucionaliz açom, e testar a
aplicabilidade desse modelo ao SLG de 1 9 7 4-1 9 7 8.
2)Deconstruir o processo de construçom do conhecimento sobre os modos e as ferramentas
de aborda gem, a estrutura e o funcionamento do SLG para o período foc ado nest e es tudo, e
sintetizar esse conhecimento apontando e preenchendo o s déf ices detectados.
3)Delimi tar e caracte riz ar os di ferent es es paços instituc ionais, as regras, os agentes e a
es t rutura da rede relacional identificada com o SLG entre 1 9 74 e 1 9 7 8, apon tando as causas e o
12
resu lt ado da sua e ventual e voluçom.
4)Analisar as prátic as e os discursos en vo lv idos no conceito “literatura gale ga” e a cti vos nos
vár ios espaços delimitados pr eviamente para o SLG dura nte 1 9 7 4-1 9 78.
Por ou tro lado, o presente trabalho f oc a a aborda gem particular da estru tura e funcionamento
do SLG entre 1 9 7 4 e 1 9 7 8 como um “estudo de caso” ou, dito por outras palav ras, o objecto de
estudo dest e trabalho de i nv es tiga çom, em consonáncia com o do projecto Fi sempoga de que fa i
parte, es tá constituído em última instáncia polo processo de construçom dum sistema literário
localizado na periferia da Europa ocidental num período de forte mudança política. Para
apr oximar mo-nos do conhecimento deste objecto de estudo serám ana lisadas aq ui, como dizemos,
as relaçons estabelecida s, as pr incipa is ideias (re)produzidas e as estratégias de sociali zaçom
ensaiadas por um fragmento da elite social a partir das suas tomadas de posiçom no SLG de 1 9 74 a
1 9 78. A nossa análise deste sistema literá ri o está baseada na ut ilizaçom de ferrament as teór ico-
metodológicas de carácter sistémico, sociológico e relacional qu e, entende mos, pe rmitem alcançar o
conjunto dos objectiv os propost os, caracter izando os pr incipa is agentes e g rupos actuantes no
campo literá rio (que ocupa habitualmente umha posiçom c entral nos si stemas em construçom) e
acompanhando em funçom dos objecti vos e xpos tos as suas tomadas de posiçom també m nos
res tante s campos em que actuam (culturais ou do poder) num período deter minante para a
conf iguraçom posterior do conjunto do SCG.
O fac to de coloca rmos no centro da con figuraçom do objecto de estudo o processo de
const ruçom dum sistem a literári o em relaç om com a mudança política explica a selecçom do
período 1 9 74-197 8 para o seu estudo na presente tese de doutoramento. O aume nto de expectati vas
e de energia v e rifica do no SLG neste período jus tifica a delimitaçom cronológica de ste trabalho
entre o assassinato em Dezembro de 1 9 73 do Almirante Ca rrero Blanco (che fe do G o verno
franquista, homem forte do regime e prev isí vel sucessor do ditador) e o plebiscito consti tucional de
Dezembro de 1 9 78, polo qual fic a inst ituci onalizado o no vo quadro legal caracte riz ado,
fundamentalmente, pola monarquia parlamentar e o regime autonómico.
Os dous momentos escolhidos para a individuaçom deste la pso temporal fam ref erência,
po rtanto, a acçons localizada s dentro do campo do poder que mudam de jeito determinante o
funcionamento dos campos culturais a respeito dos períodos ime diatame nte ante rior (o tramo fin al
do franquis mo, 1 968 -1 9 73) e posterior (a construçom da autonomia, 1 97 9-1 98 2). Assim, entre essas
duas balizas aponta das, é possív el caracte rizar mos um período de f o rte instabilidade e impo rta ntes
mudanças nas estru turas políti cas que condicionam a fabricaçom e socializaçom de ideia s e
13
A o lado dos vár ios trabalhos lig ados às teo rias sis témic as e de campo que iremos re ferindo
ao longo desta tese de doutoramento para sust entar aspectos concretos do nosso discurso,
destacamos agora pola sua utilidade para o conjunto do projecto Fisempoga as achega s de vár ios
in ve stigador es que locali zam os seus trabalhos no ámbito dos estudos empíricos (ou que utili zam a
ARS). Nes te sentido, julgamos qu e vale a pena ref erir os contributos de Rake fet Sela-Sheffy ( 1 990,
1 99 7 e 2002) sobre os processos de construçom sistémica e do cánone; as i n ve sti gaçons recolhidas
por Lamont e Fournier (1 992) sobre fronteiras ( bor ders ), Lamont e Larea u ( 1988) e Lam ont et al
(2000) sobre capital cultural e dife renças entre espaços sociais, g rupos e práticas culturais; os
contr ibutos do já mencionado W outer de N o oy (2003, 2005 e 2006) e de P adg ett (2006), por que
utilizam a ARS para o estudo da acçom das elites nos campos cultura is e para o tra tamento de
grande s conjuntos doc umentais (dos qua is e xtraem processos dinámicos específicos da perspecti va
teó rica das redes múltiplas para a expl icaçom de fac tos históricos); e ta mbém os trabalhos de
representaçom, geografia cultural e análise estatística de Franco Moretti (2005) , porque nos servem
de ponto de par tida para as abordage ns quantitativas e para ca rto graf ar os espaços do SLG entre
19 7 4 e 197 8 .
A o mesmo tempo, para as que stons re feridas às relaçons intersist é micas apontamos ainda
para Lamber t ( 19 95 e 2006) e Pas cale Casa nova ( 199 9) , p a r a a s ac h eg as de A r t u r o C a sa s (2003)
sobre o que ele denom ina “sistema interlitera rio ibéri co”, para os estudos de imagologia aplicados à
análise das relaçons entre si stemas culturais propo stos por Pa geaux (2007) e para Cabo
Aseguinolaza (2003 e 2004), neste caso tanto polos seus cont ributos sobre geografia e
comparativismo nos sistemas cult urais peninsulares como pola expo siçom da impo rtá ncia do “giro
espacial” ex perimen tado nos e studos histori ográ ficos em literatura para o m apeamento do espaço
cultural das comunidades. Para as f oca gens concretas do SLG de vere mos acudir a o labor de
divulgaçom e re f l e xom metodológica com base nas teor ias de Bourdieu realiz ado por Antón
Figue roa ( 19 88, [com González-Millán] 1 9 9 7, 20 0 1, 2002 e 2008) e à numerosa obra de González-
Millán ( 199 4, 1 994a , 1 994 b, 1 99 8, 2000 e 2002) centrada n o processo de institucionalizaçom do
SLG após 1 9 75 em relaçom c om elementos com o o nacionalism o literá ri o, a resistência cul tural, a
emer gência dum espaço público autónomo ou a const ruçom da dif erença; González-Millán, que em
sist émic a , is to é, a ex istênci a, funcionamento, continuidade, identidade e esta bilidade do próp rio sistem a sem que
est es traços sejam alterados em dependência de agentes, in stituiçons ou sistemas alhe ios” (Sama rtim 2005: 26;
ca rregados nossos); com estes conceitos o prof essor Elias T orres ac rescenta à s catego ria s autonomia/ hete ronomia
propo st as por Bourdieu para o estudo das relaçons internas (entre os campos c ulturais e do poder dum sis tema )
elementos úteis para o conhecimento das relaçons entre um sistema cultural em processo de autonomizaçom e o seu
conco rrente no mesmo espa ço social.
20
fi nais da década de no ve n ta par te das re visons críticas de F o w ler ( 1 997 ) às teorias de Bourdieu para
a cultura, contr ibui decididamente para o conhecimento da funçom da literatura na Galiza
contemporánea e achega interessantes re fle xons , entre outras questons, sobre o g rau de
(in)dependência do conjunto do sis tema a respeito dos discursos ditos nacionalitários nesse processo
histórico de institucionalizaçom .
T amb ém os trabalhos do C en tre de Recher ch e e n Li ttéra ture Q ué b éc oi se som um modelo
de g rande utilida de pa ra nós porqua nto apli cam si milares ferram entas teór ico- metodológicas ao
es tudo dos processos e da s práticas de constituiçom dum sistema literá rio autónomo, dito nacional,
num espaço sócio-políti co similar ao galego. Interessam-nos especi almente, dos trabalhos dir igidos
por Clém ent Moi san e Denis Saint-Jacques ( 198 7), as análises destes processos e práticas
constituintes em todo o que di respeito às rel açons entre literatura e ensi no, entre age ntes e
instituiçons, e à f ormaçom de fronteiras e discursos da / sobre a lit eratura (também Moisan e Pe rke s
1 9 9 1 para as r elaçons entre literatura , his tór ia e c anonizaçom).
Fi gura 1 . Estrutu ra do conceito de naçom.
F o nte: Be ramendi ( 19 91: 13 5, quad ro 2).
Igualmente, para a aborda gem dos processos de const ruçom identitária/ na cional é
opo rtuno apontar para os trabalhos edita dos por William Safran e Ramón Máiz (2002) e para Anne-
Mar ie Thie sse ( 1999), Sapiro (2007) ou Beramendi (1 9 91); este úl timo é de especi al utili dade para
nós já que o prof essor da USC de senha um quad ro conceitual que permite estudar as ideias que
sust en tam o sentimento de pe rtença a umha dete rm inada comunida de (neste caso, nacional) e aplica
21
à Galiza de pré-gue rr a o instrumental analítico de carácter re f erencial que acompanhamos ao longo
deste trabalho para a ident ifi caçom, ca talogaçom e aborda gem das ideia s sobre a identidade
di ferenciada da Galiza presentes no SLG e ntre 1 9 7 4 e 1 9 78 (Figura 1) 9 .
Eis o quadro procedime ntal e teó rico- metodológico que o projecto Fisempoga utiliza como
re ferência para a abordag em do SCG entre 1 9 68 e 1 98 2 e que será acompanhado em geral nesta tese
de doutoramento no que di respeito ao estudo do SLG de 1 9 74 a 1 9 78. Além disto, pa rt indo deste
enquadramen to teór ico-metodológico comum ao projecto em que está inser ida esta in ves tigaçom, as
necessidades e specífica s le vantadas por este trabalho obr igarom a o desen vo lvimento ou à
profundizaçom numha sér ie de ques tons de natureza conceitua l ou metodológica que serám
e xplicadas imediat amente na continuaçom e aplicadas no transcurso desta tese de doutorame nto.
2.1.1 . Ferra m e n t a s t e ó r i c o - m et o d o l ó g i c a s
Entendemos o estudo do SLG como a apr oximaçom do conhecimento dum sistema
dinámic o compl e xo em emerg ência . Um sistema dinámico é um siste ma compl ex o (enquanto que
compos to por umha pluralidade de elementos interconectados e entretecidos cujos vínculos
contenhem inf ormaçom nom presente individualme nte nas pa rtes vinculadas) que apresenta
variaçom do seu estado num período dado; para caracte rizarmos o c omporta mento do sistema ao
longo dos seus vá rios estados é necessá rio determinar os seus limites, elementos e relaçons, o que
possibilitará a representaçom da sua estrutura. A delimitaçom dum si stema passa pola sele cçom
dumha populaçom de componentes (que estabeleçam relaçons verificá veis empiricamente) e pola
determinaçom das condiçons em que e s tas serám es tudadas.
Por outro lado, quanto à abordag em da estrutura e das relaçons do e no SLG entre 1 9 74 e
1 9 78, de vemos l e var em conta que um sistema está f orma do por um c onjunto de elementos que
interac cionam e ntre si suje it os a va riáveis exógen as (que af ectam o sistema sem serem geradas nele)
e v a riáv eis endógena s (pro vocadas no inte rior do próp r io sistema), a ssim como que o carácter
9O Re ferente A firmativo ou próp rio “es el concepto de nación en sentido es t ricto, pues encier ra todo lo que la
define como tal y la visión de su génesis. Está f ormado, a sua v ez, por la combinación, completa o no, de los
fa cto res constituti vos del ser nacional, que agrupamos en cuatro clases, cada una de las cuales puede abarca r varios
elementos idea les simples: a) es tructural es políticos ; b ) es tr uctur ales socioeconómicos ; c) de etnicidad , y d ) d e
his toricidad ” ( Beramendi, 19 91 : 134 ). O R ef erente de Oposiçom é, para T orres Fe ijó (2004a: 44 2) -que, ao igual
que o g ru po Ga labra que di rige, acompanha este modelo inter pretati vo- o “sistema do qual se pretende a
emancipaçom e sobre o que se ge ra umha atitude de rechaço” . O Referent e d e Re in te gra ço m , para Beramendi
( 19 91 : 13 6) “e voca un ente nacional hermano –en realidad, una part e del propio - que se separó en el curso de la
hist or ia, a pe sar de per tenecer al mismo tronco étnico o nacional” e, em palavras de T or res Fei jó (2004a: 44 2), é “um
agregado dos sistemas que se rec onhecem utente s dumha mesma norm a sistémica, [no c aso galego] a língua
port uguesa, que na actualidade, constituem um intersist ema cultural”. Os R eferentes d e An alogia ou modelos
emulati vos “son aquellos entes nacionales con los que se compara positi vamente el propio” (Beramendi 1 9 91 : 1 36) .
22
compl e xo do sistema f ai que dessas interacçons entre elementos surjam t ambém proprieda des no vas,
que nom podem se r e xplicadas apenas a partir das propri edades dos elementos isolados.
Entendemos instrumen talmente que estas propriedades som emer gentes em quan to que
impredecí veis a par tir do estado inicia l 10 .
A aborda gem do SLG fe ita nesta in ve stigaçom concreta está limitada àqueles objectiv os
sintetizados no início do trabalho (pp. 12 -1 3) os quais, lembramos, dim respeito ao conhecimento da
es t rutura e das mar gens do sistema (estabelecidas em funçom tanto das nor mas propos tas como das
relaçons inter nas e dos vínculos c om outros campos sociais e sis temas peninsulares), dos discursos
sobre a língua e a literatura e das estrat égias propostas ou e xe cu tadas polos pri ncipais g ru pos para a
implementa çom do seu programa .
Para alcanç a rmos com sucesso os objecti vos des te trabalho entendemos que de ve m ser
esclarecidas pre viamente um ha sér ie de conceitos e questo ns, a come çar pola de finiçom dos te rmos
g rupo e instituiçom, reco rrentes na nossa expo siçom e que está m, além do mais, intimame nte
relacionados. Assim, entendemos em p rimeiro lugar e de maneira funcional por grupo mais de dous
objectos da rede (sistema) que estabelecem algumha relaçom ou compartilham algum a tributo,
seja(m) do tipo que f or(em). À hora de ag rupa rmos elementos dumha rede compl exa como a
con formada polo SLG no período des te estudo, part imos do conhecimento f ornecido polos traba lhos
prévios desen vo lvidos em Po luliga e aj udamo-nos instrumentalmente dalguns conceitos utilizados
na teo ria da ARS ou nos procedimentos contemplados nos programas inf ormátic os que os aplic am
na prátic a.
Desta maneira, achamos de espe cial utilidade concei tual para a sua utiliz açom no
estabelecimento de a gr upamentos num sistema (ta nto de instituiçons como de indivíduos) o
“pr incípio dito de grupabilidade ( clusterness ) segundo o qual [numha rede] e xis tem um ou vár ios
blocos, de ta l maneira que as relações inte rnas de um bloco, quando estas e xis tem, sã o todas
positiv as ou neutras e as relações e xternas, quando e xis tem, são todas negativa s ou neutras”
(Lemieux e Ouimet 2008: 58; itálicos no o riginal); de igual jeito, aj uda-nos a entender as lógicas de
funcionamento dum sis tema, nomeadamente quanto à coesom inter na dos g ru pos que nele
pa rticipam (também e sobretudo polo que tem de actualizaçom da consciência dum projecto
compar tilhado) a teoria da coo rdenaçom (Lemieux e Ouimet 2008: 6 1 ; itálicos nossos):
1 0 Bedau ( 19 97) fala em “ eme rgência fraca” quando os estados dos sistemas som dedutív eis a partir do conhec imento
da sua microdinámica e das c ondiçons externas em que se desen vo l vem. Clayt on (2006), por contra, f ala na auto-
or ga n i za ç om e n a “e m e rg ê n c i a fo r t e ” , em qu a nt o q u e s i s t em a s novo s e co m p lexos podem ser gerados a partir dos
seus própri os mecanismos causais (ve ja-se o confronto de ambos os conceitos em Chalmers 2006).
23
uma teo ria ainda pouco conhecida em análise estrutural [que] postula uma e xigência de
coordenação nos conjuntos sociais em que os membros se considerem abrangidos por
relações de pe rtenç a [ form alizadas em g rau variáv el] e julguem que são dif erentes de outros
conjuntos sociais no seu ambiente.
Da mesma maneira funcional e abrang ente, tanto a nossa ideia de instit uiçom (que remete
para a teo ria sisté mica do pro fe ssor Itamar E ven-Zohar [200 7 : 1 1 8- 120] ) como os processos com ela
relacionados (nom eadamente os de institucionali zaçom e muda nça instituci onal) pa rte m dumha
leitura fundamentalmente instru mental e operacional do no vo inst itucionalismo , sobretudo da
co rrente sociológica e indutiva representada por P o we ll e DiMaggio ( 19 99) 11 . Para o pro fessor
Itamar Even -Zohar , par ticipante do projecto Fisempo ga cujos tra balhos estám na base dos
dese n vo lvimentos fe itos nesta tese de doutoramento, esse macrofa ctor da cultura funciona como um
ag ente de coesom socia l e identitá ria, integ rando todas a entidades que acolhem individuos
interessados em controla r, dominar e regular a cultura ; de ac ordo com isto, a instituiçom é
responsá vel pola sançom de algumhas no rma s concretas ou pola remuneraçom de determinados
ag entes (à ve z que rejeita outras regra s e rep rime outros produtores) e determina , em última
instáncia, os repe rtór ios que poderám ser conse rv ados como modelares por umha c omunidade
durante um período longo de tempo. Para E ven-Zohar (200 7 : 36),
en términos específ icos, la institución incluy e al menos pa rte de los productor e s, “crític os”
(de cualquier clase), ca sas e ditoras, publica ciones per iódicas, clubs, g ru pos de esc ritores,
cue rpos de gobier no (como of icinas ministeria les y aca demias), ins titucione s educativas
(escuelas de cualquier nive l, incluy endo las univ ersidades), los medios de comunicación de
masa s e n tod as s us face ta s, y más.
Partindo desta consideraçom básica , a nossa leitura res gata do neoinstitucionalismo o lugar
central ocupado pola instituiçom na análise de fe nómenos sociais, a superaçom das estr uturas
f orma is do velh o estrutura lismo e, conseqüentemente, a atençom f ocada para as instituiçons como
entidades nor mativa s de onde emanam as regras de jogo e as ideologias que vam dete rm inar o
1 1 A estas fo ntes ha veria que acrescen tar ainda as intere ssantes re fle xons sob re L'in stitution litté rai re aplicadas ao caso
do Qu eb eque e a r r um ad as po r M au r i ce L e mir e e M iche l Lord (1986), em e spe c ial a su a p r i me ira pa r te em vol ta de
La not ion d'insti tution , composta polos contr ibutos de Lucien Ro bert (“Institution, forme institut ionnelle et droit”),
Benoît Melançon (“Théo rie institutionnelle et littérature québécoise”) e Denis Saint-Jacques (“L'en vers de
l'in stitution”).
24
compor ta mento dos a cto res en vo lv idos no sistema em causa, legitimando, condicionando e
limita ndo as suas escolha s e o seu hor izonte de possibilidades. Essas regra s 12 com que as pessoas
or ganizam as suas ac çons podem ter um gr au variá vel de formalizaçom (e, por ta nto, de capacidade
de constrangimento e de hierarquizaçom soc ial), de precisom, explicitaçom, conhecimento prévi o
da pa rte dos a gentes ou impacto no sistema e , ne ste sentido, c ompart ilham ca racterísticas com as
ideologia s, às qu ais tamb ém a fecta esta di fer ente gra duaçom de apuramento, f ormaliza çom,
legitimaç om ou impacto. As ideologias serám entendidas aqui como os “marcos compartidos de
modelos men tales que poseen g r upos de individuos, que les pr o veen ta nto una percepción del
ambiente como una persc ripción de cómo tiene que estruturarse ese ambiente” (Denzau e Nort h
1 99 4: 4, in Ro mero 1 99 9: 1 8n ) ou ainda , dumha maneira mais instrumen tal, c omo um co rpo
or ganizado e compar tilhado de ideias relacionadas (e subjec tiv as) construído socialmente,
reproduzido institucionalmente e que funciona com carácter modela r e legitimador para as pessoas
interagirem entre si e com o ambiente que as e n vo l ve .
Além dis to, de acordo com a base si stémica de que partimos nas nossas análises
(relacionada, em última instáncia, com a T eoria Geral dos Sist emas de Bert alanffy [ 1993])
interessa-nos do neoinstitucionalismo o seu carác ter holístico (apli cá vel ao conjunto das trocas
humanas) e a atençom dedic ada às característica s induti vas polo qu adro teó rico a rticula do em vo lta
do neoinstitucionalismo sociológico de P o we ll e DiMaggio ( 1 999), que contempla ex plicitamente a
necessidade de obse rvar compor tamentos concretos e abordáv eis de maneira empír ica nas estruturas
institucionais; també m, achamos de utili dade para os nossos objectiv os a atençom que o n o vo
institucionalismo presta à mudança inst itucional na conf iguraçom e no func ionamento de sistemas
dinámicos comple xo s submetidos a st ress (tal é o caso do SLG no período estudado). Neste sentido,
julgamos oportunas as pala vras de North ( 1 993: 1 3) quando afi rma que
Las instituciones son las reg las del juego en una socie dad o, más formalmente, son las
limitaciones ideadas por el hombre que dan f orma a la interacción humana. Por consiguiente,
es tr ucturan incenti vos en el intercambio huma no, sea político, [cultural,] social o económico.
El cambio instit ucional conforma el modo em que la s sociedades e vo lucionan a lo largo del
tiempo, por lo cual es cla ve para ente nder el cambio histórico.
12 “ B y « r u l e s » we m e a n t h e r o u t in e s , p r o ce d u r e s , c onve n t i o ns , r o l e s , s t ra t e g i e s , o r ga n i za ti o n a l fo r m s , a n d t ec hnologies
around which political [social and cultural] activity is constructed. W e also mean the belie fs, paradigms, codes,
cultures, and kno wled ge that su rround, suppo rt, elaborate, and c ontradict those roles a nd routines. [...] Rou tines are
independent of the individual actors who e xec ute them and are capa ble of su rviving consider able tu rno ver in
individuals” (March e Olsen 1 98 9: 22).
25
Ora, as instituiçons nom som apenas o quadro no rmativo (e ideológico) que limita e
determi na a acçom social dos seres huma nos, m as ta mbém conf or mam o lugar (a estrut ura f or mal)
que é obje cto dessa acçom. O conjunto int errel acionado de instituiçons conf or ma por sua v ez a rede
institucional dum determinado sistema e dá carácter estruturante e estruturador à interacçom
humana. Po rém, essa inte racçom também nom se produze de maneira individual, mas colectiv a
(agregada, ag rupada, org anizada), no sentido de que os actores se a ssociam e disponhem a sua
pa rticipaçom no sis tema atr avés do que o no v o institucionalismo ch ama or ga nizaçons e q u e n ó s
re ferimos nos trabalhos do projecto F isempoga por meio do conceito de Grupos 13 .
Os sujeitos vinculados ou, em maior medida, aqueles q ue dirigem este s g rupos ou fabricam
as ideias que os coesionam 14 e guiam as suas actividades (de acordo com programas e interesses
nem sempre e xplícitos ) desenham em maior ou menor me dida as estratégias (no básico: de
adapta çom às c aracterísticas do ambient e, de resistência ou de aceitaç om, ta l como ver emos
adiante) adopt adas polo g r upo no conjunto de instituiçons em que a ctua e, ta mbém, te ndem a
inco rpor ar as regras e as lógic as institucionais (a nor mativizar , formaliza r, reproduzi r...) e, po rt anto,
institucionalizar (dotar de legitimidade) as suas acçons e os seus programas; para es te fac to
cont ribui nota velmente a continuidade no sistema (a pa rticipaçom na tradiçom), com a qua l os
g rupos e as instituiçons que os sustentam perdem progressi vamente o seu carác ter instrumen tal para
se co n verterem num f im em si mesmos (na medida em que dedicam menos recursos e energ ias às
actividades relac ionadas com a apli caçom do seu programa e mais ao m antimento e re produçom do
g rupo ou da instituiçom). A medida q ue os g ru pos se vam institucionalizando a r e l a ç o m e n t r e a s
instituiçons e as organ i zaçons que actuam no se u contor no torn a-se simbiótica, fa cto qu e nom
f acilita a mudança institu cional consciente mas, polo contrá rio, “tiende a pe rpetuar arreglos
inefic ientes, pero que se reproducen por inercia durante largo s períodos y desarro llan una g ran
capacidad adaptativa” (R omer o 1 9 99: 23-24) 15 .
1 3 Re parese-se em que, na definiçom proposta por North ( 1 993: 1 5; itálicos nossos), as orga nizaçons ou organi smos
“son grupos de individuos enlazados por alguna identidad común hacia cie rtos objetiv os”, e continua dizendo que
“modelar los organismos es analizar las estrutuctur as de gobe rnación, las c apacidades, y la forma de aprender
haciendo determin ará el éxito de la or ganización a lo largo del tiempo”.
1 4 Itamar Even-Zohar (2005: 2 1 0-2 1 1) pre fere a ex pressom idea- mar ker (susceptí vel de ser traduzida por “fabricador de
ideia s”) face a mais comum de “intelectua l”: “at various stag es of my wo rk, it seemed to me that the fami liar term
«intellectuals» could be used, with some modifications, to denote that par ticular brand or people who are capable of
designing new options by brain wo rk” (pág. 2 1 0) , acrescen tando na continuaçom (pág. 2 1 1): “ it is therefo re that I
sug gest leaving the term «intellectua ls» to the mark et use, and henceforth re fer to the type of a ctors I am discussing
here by the hard ly elegant y et clear ter m «idea-markes-as-options-d evisers», or «idea-markers» f or short”.
1 5 “El cambio institucional tiene una fuer te componente de conciencia; sin embargo, la e xperiencia histórica no
permite ser muy optimista respecto a los procesos de cambio intencionales: [...] la relación simbiótica que e xis te
entre las instituciones y las organizaciones que se han de sar rollado c omo consecuenc ia de la estructura de ince ntiv os
pr ovista por esas instituciones tiende a reproducir los compor tamientos rutinar ios. [...] Puede suceder también que,
26
Ne ste sentido, resu lta interessante para os objecti vos concr etos f ocados ne ste trabalho a
possibilidade de estudar a capac idade reproduti va de redes institucionais concretas (e do sistema no
seu conjunto) quando a f orça de inércia acumulada polas instituiçons dum sis tema (e também a
energia [entendida como f orça de trabalho social] en vo lvida no seu funcionamento) se enfronta, por
e xe mplo, a um f orte rele vo gera cional nos agentes sociais (com a conseguinte alteraçom de
e xpectativ as) ou a f ortes pressons do ambiente ex terior (para o caso, pr o venientes do campo
político, que sustenta outra rede institucional mais está v el e naturalizada, aqui o SLE); assi m
mesmo, t ambém destacam os a possibilidade de nos apr oximar mos da mudança institucional em
contras te com a te ndência a mante r/ transf ormar repe rtó rios herdados (tradicionais), sejam
considerados inerentes ao sistema (essenciais), estratégicos para a sua reproduçom ou sentidos
como inadequados por umha par te dos pa rticipantes na rede (nomeadamente para os g r upos com as
nova s ex pe c t a ti v as ) ; o u s e ver i f i q ue m i n e f i c a z e s p ar a o m a n t i m e n to e a re p r o d u ç o m d o s is t e m a e m
re l a ç o m t a n t o co m a s s u a s nova s c a ra c te r í s ti c a s i n t e r n a s c o m o c o m u m h a r ea l i d a d e am bi e n t a l e m
processo de mudança.
Ainda, o institucional ismo f ornece algum conceito de especial relev áncia na hora de
es tudar o funcionamento e a e vol uçom de sis temas sociais caracte r izados polo seu dinamismo;
interessa-nos, nest e sentido, nomeadame nte o de institucionalizaçom , enquanto que entendido c omo
um proces so de alargamento da legitimida de 16 ou, por outras pal avras, como o c onjunto dos
processos ex pe rimen tados num sistema concreto di rigido a reproduzir umha dete rminada estrutura
no rmativa mais ou menos f ormal ou f orma lizada e o alarg amento e a aceitaçom insconscie nte (a
naturalizaçom e a estabilidade ) dela e dos seus e feitos 17 . De acordo com Jepperson, porém, os
co mo a fi r m a T seb el is [ 1990 ], la o pci ón d e m od if i ca r el es ce na r io i nst itu c io na l n o s ie mpr e res ul t e i nt ere san t e a lo s
actores, los cuales pueden preferir en pr imer tér mino ca mbia r sus estrategias par a obtener sus re compensas de ntro
del mismo conjunto de reglas de juego; puede ocur ri r también que la posibilidad de trans formar el entorno
ins titucional simpl emente no est é a su alcance debido a l a limitación de recursos” ( Romero 1 999: 25 ).
1 6 “En la tradición sociológica, la inst itucionalización e s un «proceso fen omenológico por el cual algunas relaciones y
acciones sociales llegan a darse por sentado» y un estado de cosas en que los conocimientos compart idos definen
«lo que tie n e s ign i fi ca d o y las acc i on es qu e so n p os ibl es » ( Z ucker 1 983: 2) ” ( Di Ma ggi o e P owell 1999: 43) . “La s
ins tituciones in evitablemente conlle van obligaciones no rmativ as, pero a menudo ingresan en la vida social
principalmente como hechos qu e los actores deben tener en cuenta. La instit ucionalizac ión conlle va procesos por los
que los procesos socia les, las obligaciones o las re alidades llegan a tomar un estatus de reglas en el pensamiento y la
acc i ón so c ia les ” (Meyer e R owan 1 999: 8 0) .
1 7 Pa ra Je pp er son (1999: 1 95-196; it ál ic os n o o r ig in al ) “l a i nst ituc ión represe nta un orden o patrón social que ha
alcanzado cierto esta do o propie dad; la institucionalización i ndica el proceso para alcanzarlo. Po r orden o patrón me
refiero, como se acostumbra, a secuencias de intera cción estandarizad as. Po r tanto, una instituci ón es un pa trón
social que re vela un proceso de reproducc ión pa rt icula r. Cuando se contrar restan las desviaciones respecto de este
patrón en f or ma regulada, por medio de controles reiteradamente activados, socialmente construidos -e s deci r, por
algún conjunto de recompensas y sanciones-, decimos que un patrón está institucionalizado. Expresado de outra
f orma, las inst ituciones son esos patrones sociales que, cuando se reproducen crónicamente, deben su supe rviv encia
a procesos sociales que se activan relativam ente por sí mismos. De modo notable, su persistencia no depende de la
27
sis temas sociais tenhem difer ente capacidade para se reproduzirem de maneira legítima (isto é, para
se institucionalizarem), sendo mais fraca quando produ z ida apenas pola acçom e mais fort e e
duradoura quando a inércia acumula da permite a e stabilida de de algumha forma de
institucionalizaçom (seja esta ge rada desde a org anizaçom f orm al, desde o aparato de Estado
-entendido neste trabalho com o o conjunto de institui çons polít icas- ou desde a cultura ) 18 . N e s t e
sentido, con vém referir que, com a institucionalizaçom, os programas construídos socialmente som
reproduzidos de maneira ru tinár ia e con vencional (como lógicos, naturais e, t al como demonstra
Bourdieu [ 19 94], legitimadores das di versas f ormas de domina çom), enquanto que “un patrón social
se reproduce por medio de la acción si las personas, en forma reiterativa[,] (re)mo vilizan y
(re)interv ienen en el proceso histórico para asegurar su pe rsistencia” (Jepperson 1 99 9: 200), o que
indica um escasso reconhecimento como legítima dessa imposiçom concreta, fr uito (como todas) da
violência simbólica en v ol vida em todo pro cesso de reproduçom social.
Além disto, é impor tante para os nossos obje cti vos a compreensom da institucionaliz açom
como umha proprieda de relati va (e relacional) e, nesse sentido, atribuída polo in ve stig ador a
determinados objectos, em gr au variá vel e em funçom (tal como aponta Jepperson 1 99 9: 1 97 ), em
p rimeiro lugar do cont exto analítico concre to, e em vi rtude deste:
Dentro de cu alquier s istema que t iene múlti ples n i veles u órde nes d e organizació n, 2) los
ni veles pri ma rio s de or ganización pueden funcionar como instituci ones en relaci ón com los
ni veles secundar ios de or ganización. [...]. Ad emás, que un objeto sea una institución está 3)
vinculado com la dimensión pa rticular de una relación [q ua ndo a legitimidade é reconhecida
apenas polos ag entes vinc ulados, por e xem plo] [...]. Por último, el que un objeto sea una
in stit ución es tá 4) en relación com la ce ntraliza ción. En los sistemas, las part es centrales son
ins tituciones en relación con las periferias.
Desta maneira, além de apontar para a es treita relaçom entre os elementos qu e inte rv enhem
na institucionalizaçom e os mecanism os atra vés dos quais é e xe rcida a dominaçom social, e para
mo vilizaci ón cole ctiva pe ri ódica, movilización que reit eradam ente se reconstr u ye y rea ctiva com e l f in de asegurar
la reproducción de un patrón. Es decir, l as instituciones no se repr oducen por la «acción», en el sentido estricto de la
inte rv ención colectiva en una con venci ón social. Más bien, los procedimientos reproductores rutina rios apo yan y
sustentan el patrón, f a voreciendo su reproducción -a menos qu e la acción colectiva obstruya, o el choqu e ambiental
inter rumpa, e l proceso reproduc tor -”.
1 8 Jepper son (1 999 : 203), a quem acompanhamos neste ponto, entende que “Se pueden delimitar tres po rtadores
pri marios de la institucionalización: la organización formal, los regímenes y la c ultura. [...] La instituci onalización
también se puede ll e var a cabo por medio de la «cultura»: en est e caso [de instituc ionalizaçom in formalmente
or ganiz ada], simplemente por las reglas, procedimientos y metas sin representa ción p rimar ia en la organi zación
f ormal y sin el control y la sanc ión por pa rte de alguna autor idad «central» [como o Estado, t al como acontec e no
caso dos regime s]”.
28
como tanto esta como aquela assentam no consentimento e o reconheci mento tidos por legítimos
(assuntos também estudados por Bourdieu 1 9 94), interessa-nos chamar a atençom, agora , para a
institucionalizaçom como um processo relati vo e gradual, g raduaçom que Jepperson ( 19 99: 205-
206) ex plica em te rmos de maior ou menor vulne rabilidade em relaçom à inte rvençom social (e às
agressons do ambiente, apontaría mos nós) 19 . Ac hamos esta que stom útil para os nossos objectivo s
no sent ido de que tanto o gr au de instituci onalizaçom c omo, de m aneira equiv alente, a estabilidade
relativ a e a inc er teza quanto ao seu futuro alcançadas por um sist e ma es tám em funçom, em grande
medida, das ameaça s (e opor tunidades) a que se enfrent am os e lementos estr uturais e nor mativ os
que o conf o rmam, e que estas instituiçons serám menos vulneráveis, em pri meiro luga r, quanto
maior seja a sua integraçom com outras entidades equi valentes, o que a fecta tanto a densidade como
o tipo de rede con formada polo sis tema, que será mais robusta quando f or distribuída (numha
es t rutura em que todos os nodos estám interconectados sem passarem necessaria mente por um ou
vár ios centros) e mais fraca e inestá vel quando tiver umha es t rutura ce ntralizada (em que todos os
nodos menos um som p e rifé ricos).
Para além dist o, ent endemos que a f ort aleza dumha instituiçom tam bém está e m
dependência da ce ntralidade relativ a alca nçada por essa entidade no rmativ a (e pola funçom por ela
desempenhada) na rede institucional em que par ticipa, polo nív el de ref erencialidade na tradiçom
atingido ao longo da sua pe rmanência no si stema ou, enf im, polo seu gr au de identif icaçom com a
es t rutura social incor porada, (re)produzida e legitimada polos agent es e n vo lvidos. Igualmente,
entendemos c om Nor th ( 19 93: 1 6) que “la func ión pr incipal de las instituciones en la sociedad es
reducir la incer tidumbre estableciendo una estructura [relativ amente] estable (pero no
necesari amente eficie nte) de la interacción huma na”. Po rém, essa est abilidade relativa nom e xclu i
1 9 “La institucionalización total es, arq uetípicamente, liturgia -la ausencia total de «acción»-. [...] Una institución está
altamente ins titucionalizada si presenta un umbral de acción colectivo casi insuperabl e, un problema de acción
colect iva muy g rande de ve ser enfrentado antes de per mitir la inte rv ención en, y la obstrucción de, los procesos
reproductores.
Es menos probable que una inst itución deter minada sea vulnerable a la intervención si se halla más incor porada en
una estructura de ins tituciones. Se halla más incorp orada si há estado institui da por largo tiempo (de manera que
otras prá cticas se han adapta do a ella) o está establecida más centralmente dentro de una estructura (de manera que
est á muy arraigada). Se halla más incorporada si está integrada dentro de una estructu ra por meio de ex plicaciones
unificadoras basadas en principios y regla s comunes. Ade más, cuanto ma yor sea el vínculo de esta ins titución com
las r est ri c cio ne s co nc eb id as pa ra s er so c ial me nt e exógenas - es dec ir, ya s e a a u na a uto r id ad mor al ( tr asc en de nt al )
socialm ente exógena o a las supuestas le yes de la naturaleza -menor se rá la vulnerabili dade a la inte rv enc ión.
El g rado de institucionalizaci ón depende también de la forma en que se da por hecho. Si los miembros de una
colectividad dan por hecho una institución por que no están conscientes de ésta y por t anto no la cuestionan, o por que
se ha inter rumpido cual quier propensi ón a ponerla en tela de juicio debido a la elimi nación de insti tuciones o
principios alternati vos (por ejemplo, al quitar les legitimidad mediante refe rencias a la le y natural o espiritual), la
institución será sin duda menos vulnerable al re to y la intervención y tendrá más probabilidad de per manecer
institucionalizada” (Jepperson 1 99 9: 205).
29
em maior ou menor medida instá vel e o seu futuro relati vamente ince rto, cheg ando esta
instab ilidade a pôr em r isco a próp ria exi stência ou c ontinuidade do sistema se sobrepassado
um deter minado limia r. Ainda que nom conhecemos com e xac titude o umbral de
vulnerabilidade a part ir do qual está em causa a continuidade (a reproduçom social) dum
determinado sis tema c ultural, e ntendemos, contudo, que o risco para a pe rmanência e
continuidade da rede e das prátic as sociais a ela ligadas nessa comunidade será maior quanto
menor seja o alcance social na comunidade f ocada dos ele mentos e facto res en vo lv idos no
processo de construçom sistémica (a gentes e relaçons, materia is e no rmas, es tr utura
institucional...). Esse alca nce social, isto é, os espaços do cor po social onde o sis t ema
(lingüístico, lite rár io, cultural...) realiza as suas funçons e tem os seus e feitos, depende em
grande medida da capacidade dos agen tes para imporem como legítimos (para
institucionaliza rem ) a estrutura, os mate riais (incluindo também as ideias e ideologias
legitimadoras) e as no rmas propostas.
5. Assim, entendemos que, quanto ma ior seja o nív el de institucionalizaçom e do cons eguinte
consenso social (Fishman 1 9 6 7 : 33) alc ançado em v olta dos elementos com que o sistema
es tá a ser construído, ma ior será a estabilidade (e a suficiência sis témica) e me nor o risco
para a ex istência e continuidade do sistema (lingüístico, literár io, cultural...). Ne ste sentido,
o cont r ibuto de instituiçons de natureza política e funçom central e “totalizadora” como o
Estado (sobr e tudo qu anto às funçons reprodu toras reservadas para a adminis traçom pública e
o sistema escolar) e, na actualidade, dos meios de comunicaçom de massas e dos c ampos
culturais próprios da cultura indu str ial (naqueles espaços do planeta em que estám
presentes), constitui um fa ctor determinante à hora de fa cilitar o sucesso dum determinado
sis tema, em quanto qu e condicionam em grande medida a f orma de (di)visom da realidade e
per mitem a sua univ ersalizaçom e reproduçom numha comunidade.
6. Ainda neste sentido, entendemos que, ao igual que os cor pos físicos em mo vimento, um
sis tema (lingüís tico, literá rio, cultural...) está sujeito també m a f orç as de acçom e rea cçom
como as que re fer e a t erceira lei de Ne wton, ainda que neste caso as suas intensidades e
e feitos nom sejam necessa riamente e quivalentes e, po rt anto, nem sempre se neutralize m e
anulem. Julgamos, polo contrá rio, que essa relaç om de for ças g era a energia que gara nt e o
dinamismo e a e vo luçom do sis tema. Este conce ito de energia é concebido polo pro fessor
Itamar Eve z-Zoha r como o resultado das e xpectati vas, da v ontade e do trabalho dos ag entes
36
partic ipantes num sis tema concreto 30 ; da nossa pa rte, complementamos esta ideia de energia
entendendo-a como a f orça de trabalho social necessária para f abrica r um produto ou
dese n vo l ver um processo num determinado sist ema. Esta for ça de trabalho, como os
produto s ou processos dela resultantes, pode ser v eri ficada empiricame nte no sistema
(sobre tudo atrav és dos efe itos que produze) e também circula e é valorada no mercado, e o
va lor a ela a tribuído tamb ém é trocado por algumha espécie de ca pital das vár ias exi stentes
(todas e las con vertíve is entre si: c apital económico, político, escolar, social, simbólico...;
es te último mui aprezado em ger a l para o caso dos campos culturais).
7 . Ne ste sentido, a nossa hipótese é que a energia de activaçom (a f orça de trabalho social
mínima nece ssár ia num sis tema antes de poder iniciar um dete rminado processo ou fabricar
um determinado produto; como criar um tipo concreto de instituiçom, por e x emplo) é menor
naquele sistema (ou naqueles espaços do sist ema ) onde vigora um maior grau de
institucionalizaç om e reconhecimento soci al, já que nesse caso a rede em causa bene ficia do
princípio da inércia (t al como expressado na p rime ira lei de N ewt on); ou doutra m aneira, a
energia de activaçom necessária para iniciar processos ou produtos equi valentes se rá menor
em espaços ou sistemas f orteme nte instituci onalizados do que em espaços ou sistemas
def icitários quan to ao seu grau de reconhecimento social, enquanto que a for ça de inércia
será menor no caso dos sistemas (ou espaços dum sist ema ) em e stádios de
institucionalizaçom e a ceitaçom social defi cientes (lembre-se o dito por Jepperson [ 1 999:
1 95- 1 96] em relaçom à inércia na rep roduçom institucional).
8. Ne stes c asos de sistemas de ficitá rios, que apresentam à pa rtida insuficiência s na sua
es t rutura e funciona mento mas nos quais hai agentes que trabalham para as superar (é
especialmente opo rtuno aqui o conceito de défice pr ojectivo propo sto polo pro fessor Elias
T orre s [2000 e 200 4a] ) e que podem ser ta mbém cons iderados “emer gentes” na medida e m
que estám sujeitos a mudanças estruturais auto-or ganizadas e nom planificadas pre viamente,
v eri fica- se um aume nto signif icativ o da f orça de trabalho social in ve stida quando os agentes
30 “El masiv o trabajo i n vertido en la fabricación de nue vos repertor ios, y los esfuerzos por distribuirlos e inculcarlos,
pueden e ventualmente haber crea do una amplia g ama de resultados, un niv el alto y vi vo de actividad que puede ser
denominada «energía» (E ven-Zohar 1 99 4 [“La Función de la literatura en la creación de las naciones de Europa”, in
200 7: 45-65]) . [...] es precisamente esta «energía» la que ha hecho posible e n el caso de los g rupos estudiados que
compi tan razona blemente bien con el mundo inmediat o” ( E ven-Zohar 200 7: 124). Da m esma mane ira, “para el
mantenimiento de cualquier entidad sociosemiótica humana, la actividad de plani ficación per se gen era a largo plazo
una cie rta dinámica, un aumento de la vit alidad que posibilita a la entidad en cuestión el acceso a opciones de las
que pr eviamente pudo habe r sido e xcl uida. P ara designa r este compl e jo fe nómeno propongo el té rmino «energía», al
menos hasta que se encuentre otro mejor” (E ven-Zohar 200 7: 1 35-1 36 ; itálicos no o riginal ).
37
en vo lvidos no process o de const ruçom sistémi ca recebem dete rmina dos estímulos ex tern os,
sejam estes percebidos como ameaças para manter a sobr evivên cia ou a c onfigur açom
e xis tente no sistema (e, com ela, a posiçom relativa dos agentes ou g rupos nele), ou como
opo rtunidades de a van çar signi ficativamente no grau de institucionalizaçom e consenso
social dos ele mentos e fa ctores com que de sejam balizar e const ruir o sistema (e, t ambém,
de melhorar a posiçom relati va dos a gentes e gr upos en vo lvidos).
9. No ca so galego, por e xe mplo, ist o acontece entre 1 9 7 4 e 1 9 78, quando no ho rizonte de
espectat i vas desses agentes fi gura (na medida em que o processo de mudança nas estruturas
de opo rtunidade política assim o pe rmite) o acesso a um gra u maior de autonomia ou
sobe rania política , ligadas ger almente com a autonomia ou a sobera nia também cultural (em
virtude da s relaçons de depe ndência dos campos culturais a respeito dos campos do pode r
que encontramos na base das f ormulaç ons tanto do mar xismo clássico como de Bourdieu) .
Ne sta conjuntura, o trabalho social dos gr upos en vo lvidos no processo de constru çom
sis témica é in ve stido numha variada gama de processos e tomada s de posiçom, cuja
abrangência (ainda que teo ricamente também pode contemplar a in vol uçom) pode ser
delimitada para o caso que agora nos ocupa entre o mantimento da situaçom política e
cultural pre exist ente ao pr ocesso de mudança e a c riaçom dum aparelho de Estado ao
ser viço e xclus i vo da institucionalizaçom desse sistema cultural sentido como próp rio
(incluindo todas as propostas ev entualmente ex istentes entre cada um dos estr e mos desse
ei xo em relaçom ao modelo organizat ivo dessas rede s institucionai s políti co-culturais).
1 0. Ora, no caso concreto do conjunto do SCG entre 1 9 7 4 e 1 9 78 , o processo de construçom
sis témica produze-se em estreita relaçom (de maior ou me nor oposiçom ou, também,
integraçom, segundo g r upos e programa s) com o aparelho político-ins ti tucional que sus tenta
a rede de elementos que, sem pretensons de e xau stibidade ter minológica neste momento,
vimos denominando Sistema Cultural ( em ) Espanhol [SCE]. Este f acto de v erá ser le vado em
cont a igualme nte na hora de ser analisada a reac çom aos estímulos do ambiente dos g r upos e
instituiçons que desen vo lv em as suas acti vidades no ámbito do sistem a em causa, no sentido
de qu e às tomadas de posiçom em relaçom com a muda nça política e m curso, h a ver á que
acrescentar também aquelas que dim respeito aos vár ios graus e tipos de relaçom propos tos
entre o SLG e o SLE, nom necessar iamente homóloga s às posiçons tomadas quanto à
mudança política mas si com elas relacionadas, e susceptí veis igualmente de serem balizadas
entre aquelas que postulam umha integr açom relativ amente forte (que teor icamente pode
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che gar à identidade total) e o af astamento consciente e a alter idade absoluta.
1 1 . Antes de desen vo lv e rmos com maior porm enor algumha ques tom conceitual que julg amos
de utilidade para nos apr oximar das dif erentes posiçons e estratégias com que os vários
g rupos acti vos na rede ins titucional que c hamamos SLG enfrontam a mudança desencadeada
no ambiente entre 1 9 7 4 e 1 9 7 8, julg amos preciso indicar ainda o seguinte:
O sistema dito aqui “Espa nhol” possui um maior g rau de instituci onalizaçom, estabi lidade e
consenso socia l que aquele que até o momento vimos identifica ndo como “Galego”, e
es tende os seus ma ter iais e normas, a sua estrutura e os seus efe itos polo espaço social e
ge o-cultural con formado (polo menos) polo conjunto das pessoas lig adas
administrati vamente a o Estado Espanhol, com que a Ga liza e os seus encla ves estám
vinculados por relaçons de perte nça ( T orres Fe ijó 20 04a); destacamos outra v ez neste
sentido o papel determinante da administr açom do Estado, do sistema de ensino e dos média
(os mesmos campos que, nom por acaso, som prio rizados nas acçons de vários dos g r upos
en vo lvi dos na cons t ruçom do SCG ne sta f ase do seu dese nv o lvimento) . De acordo com ist o,
o conjunto da c idadania galega par tic ipa do SCE, e nom o fai apenas realiz ando funçons de
consumo, tal como está a indicar o fa cto de que, nom raro, os produtores vinculados às
entidades identif icadas no censo de instituiçons deste trabalho como susceptí veis de
integrarem a estrutura do SLG pa rticipem doutras redes de rela çons localizadas e
re fer enciadas f ora do espaço ge ográ fico e sócio-cultural da Galiza e dos seus encla ves
(nomeadamente no te r r itór io administrati vo do Estado Espanhol), fa zendo-o com di ferentes
funçons, estratégias, objecti vos e de acordo com di ver sos tipos de ligaçom.
Entendemos também que a e xis tência num mesmo espa ço social de a gentes com program as
de acçom dif erentes (e, comummente, conco rr entes, alte rnativo s ou apresentados como
e xcl udentes) e com difer entes estratégias fa ce a interacçom com o ambient e condiciona em
vári os sentidos o(s) pr oce sso(s) de construçom sistémica, quer seja considerado este
condicionalismo desde o inte rior dumha estrutura relacional e normativa concreta ( veja-se
acima o dito para o princípio de acçom e r eacçom ), quer este s e ja analisado em relaçom com
outra(s) rede(s) presente(s) num dado espaço social (para o caso galego, o Estado Espanhol
em mudança e o SCE em presença, ambos estreitamente e ntrelaçados).
Da mesma ma neira, consideramos que o f acto de o SCE ocupar o espaç o socia l da
comunidade ga lega (com maior gra u de institucionalizaçom e naturalizaçom no período
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des te estudo, lembramos, que a rede relacional que chamamos SCG) condiciona o processo
de const ru çom no mesmo espa ço social do sist e ma lite rári o f ocado neste trabalho (e da sua
e ve ntual cobertura político-institucional), a fectando as estratégias e os programas de todos
os g r upos e instituiçons em jogo, sejam es tes programas pos tulados como inte gráv eis,
adaptá veis, alte rna ti vos ou e xc ludentes em relaçom tanto com o SC E como com o aparelho
de Estado que o su stenta.
Por último, ainda em relaçom com os e ve ntuais condicionalismos que o SLE ach ega ao
processo de construçom do SLG, nom nos parece impro vá vel (o estado das nossas
in ve stigaçons a conselha col ocar p rudentem ente est a ques tom apenas como hipóte se) que
essas circuns táncias e elementos condicionantes se v er ifiquem no sentido de limitar a
e xpansom e a naturalizaçom dos mate riais e n vo lvidos na con st ruçom do SLG (sobretudo
daqueles em maior me dida difer enciais e conco rren tes), as possibilidades de aplicaç om das
no rmas em vi rtude das quais som utilizados e valor ados e sses mater iais e a e xt ensom e a
aceit açom social da es t rutura relacional resultante.
1 2. Entendemos, entom, que o SLG entre 1 9 74 e 1 9 78 es tá caracte rizado pola sua heteronomia a
respeito dum campo político em muda nça e que e ssa mudança política deter mina as
modificaçons v eri ficadas no conjunto do sistema cultural em foc o, assim como a sua
conf iguraçom e funcionamento, tanto no tempo em q ue esse processo tem lugar como para o
seu futuro. Esta mudança, por seu lado, é um processo contin gente e sujeito a incer tezas que
retira os ag entes nele en vo lvidos da sua zona de con forto, ob rigando-os a tomar decisons e m
maior ou me nor medida a rr iscadas e c om resultados dificilmente pr evisí vei s, que tanto
podem conduz ir à perda c omo ao ganho de poder e c entralidade, ao triunf o das suas
propo stas ou ao falhanço (t otal ou parcial) dos seus progra mas. De acordo com isto,
identif icamos três atitudes possí veis pe rante a mudança política em curso e, com elas, três
grande s espaços institucionais no SLG de 1 9 74 -1 9 7 8: a acei taçom da mudança, a adaptaçom
ou re siliê ncia as alteraçons vindas do campo político e a re s i s t ê n c i a aos impactos que a
mudança produze no sistema 31 .
3 1 Em gest om de organizaçons é de a plicaçom geral a “regra 20/60/20” exp resada por Brent Filson em 2005; e sta regra
indica que, numha organizaçom submetida a um processo de mudança, 20% dos agent es e n vo lvidos a ceitar ám a
mudança na sua globalidade (os positi vos), um g rupo de 60% nom se comprometerá (os neutros), enquanto o outro
20% resistirá claramente à mudança (os negati vos). Fora a ques tom quantitat iva e percentual (a ca pacidade de
mobilizaç om, a ene rgia e os agent es en vo lvidos activ amente na resist ência é, no caso gale go, conside ra velment e
maior do que na aceita çom of icial da mudança -esta ademais com menor impacto no desenho das caracter ísticas do
sistema que aquela) e a designaçom concreta de cada posiçom em relaçom à mudança (ainda ace itando como nom
absolutos os conceitos de adesom e oposiçom, consideramos que e xiste m matizes relacionados com graus e
40
1 3. Desen vo lv eremos no lugar co rrespondente desta te se de doutoramento cada umha destas
tomadas de posiç om bá sicas, os g ru pos e instituiçons que pa r ticipa m delas e as questons que
com ela s se relacionam quant o à estrutura e o funcionamento do SLG no período em causa
(epígraf e 4 . 1 .2. ). T o d avi a, é opor tuno esclarece rmos já agora que as mudanças político-
legislativas e cultura is geradas desde o c ampo político som ac eites ma is paci fic amente
naqueles espaços institucionais com maior dependência das regras e modos de
funcionamento emanados do Estado, estejam estes ocupados, fundamentalmente, polos
ag entes e g r upos que par ticip am da estrutura da rede institucional do Estado na Gali za
(actuando dentro da administraçom cultural oficial, por e xe mplo ligados aos Museus
dependentes dos go vernos pr ovinciais) ou por instituiçons de natureza p rivada mas
a valizadas e xpl icita mente pola autoridade estata l (como as vá rias reais academias activas no
período, por e xe mplo); to das estas inst ituiç ons conformam um macro espaço institucional
que nós identi ficaremos neste trabalho c omo o Pólo da O ficialidade (em parale lo ao Pólo
da Resiliência e ao Pólo da Resistê ncia ), no entendimento de que, ao nom conside rarmos o
carácter da ade som (ou da adaptaçom ou da oposiçom) como absoluto mas como susceptí vel
de gr adaçom, s a lv amos a heterogeneidade e ven tualm ente produzida no int eri or de cada
posiçom.
1 4. O s conceitos de resistência e de resiliência sis témica s com que e xplicamos as posiçons
(também gradua is e nom homogéneas) de oposiçom e adap taçom, respectiv amente, ao
quadr o político-cultura l desenha do pola transiçom da ditadura franquista para a monarquia
parlamentar que está a ser impleme ntada no am biente do SL G nessa altura requer em, por
seu la do, umha ex plicaçom maio r. Em concreto, o ref erido conceito de Resiliência procede
da Física, onde é aplicado à propriedade de que som dotados alguns mater iais de
acumularem energia quando ex igidos ou submetidos a stress sem oco rrer ru ptura; des te
campo das ciência s exa ctas passou para outros como a E nge nha ria e a Psicologia (onde
representa a capaci dade instantáne a de recuperaçom e de rede finiçom identitár ia,
respectiva me nte aplicado à es tr utura dos materia is e à psiq ue dos indivíduos) e, dest e último,
para a Psicologia e a Psicologia Social, sendo situada por in v es tigado res como W a lsh (2005)
no campo das habilidades interac cionais e dos recursos inerentes às redes sociais dos
indivíduos; “c om a impor tância at ribuída a redes de supo rte social e a crenças construídas
estra tégias de en vo lvime nto no funcionamento do sistema em tempos de mudança dificilmente encaixáv eis no
campo semántico da dita neutra lidade ), julgamos, contudo, que esta regra tem utilidade para nós como ferramenta
procedimental.
41
socialmente, a resiliência deixa de te r um c aráter individual absoluto, e passa a ter um
caráter sist êmico e ecológico” e a i nteressar entom também à Sociologia (Souza e Oliv eira
Cerve ny 2006: 1 20) 32 .
Ne ste ponto, a re siliê ncia s istémica designa já respostas de tipo adaptativ o aos desafios do
ambiente, seja este conceito aplicado ao potencia l adaptativo de sociedades enteiras na hora
de enfrentar r iscos e ultrapassar e ve ntuais ameaças, ou (de acordo com Holling et al 199 8 ) à
capacidade dum (ecos)sistema concreto para abso rve r pert urbaçons externas (surpr esas,
mudanças, c rises...) e persistir no tempo, mantendo a sua es t rutura e as suas funçons básicas,
isto é, a sua estabilidade (ente ndida assim co mo a capacida de dos sistemas de mant erem as
suas funçons frente aos i mpactos e xteriores) 33 .
T a mbém nos gr upos que participa m dumha determinada rede ins titucional, por seu lado, está
presente esta capacidade de adaptaç om ao impacto produzido polo meio quando,
enfrontados num conte xto de tomada de dec isom entre a tensom do a mbiente e a v ontade de
v encer (Job 2003), de most ram flexibilidade pa ra superarem os desa fios, para se recuperarem
dumha situaçom ad versa e, e m último te rmo, a capacidade da sua rede de relaçons para
supor tar tensons. A re siliê ncia sistémi ca e xpressa, entom, a ca pacidade de gr upos e
in s t i t u i ço n s d e s e a c o m od a r e m à s ( nova s ) c ondiçons do ambiente, na medida em que estas
or ganizaçons adaptam es tratégias ou estruturas de forma a manterem ou ref orçarem a sua
posiçom de poder ou centralidade relativa no sistema. De acordo c om isto, o conceito
32 A T eoria Geral dos Sistemas de Be rt alanffy ( 19 93) sustenta que os mesmos conceitos e pr incípios que or ientam
umha in ve stigaçom do ponto de vista sistémico num campo c oncreto do saber se encontram também noutras
disciplinas cientí ficas, o que fornece ao pessoal in vestigador umha base para a unif icaçom conceitual. É coerente e
oport una, port anto, trazer aqui a af ir maçom de Rob e rto Be rmejo (2005: 44 ) quando di que “los ecosis temas
consti tuy en un modelo para las sociedades por ser la primera unidad básica autónoma” (v eja-se C.S. Holling 2004
para as relaçons e ntre ecologia e socieda de em contex tos de forte mudança).
33 V eja -se, em vo lta destas quest ons, o conceito de sufic iência si stémica propo sto polo pro fessor Elias T orres (200 4a).
Par a Bermej o (2005: 44- 45), “un si stema, o dicho de otro modo, un conjunto funcional tiene propiedades que no
pueden ser inferidas de sus par tes. Sus par tes tiene n dive rsidad e individualidad y están inter nament e relacionadas,
pero el sistema in fluye sobre sus e lementos. Los sistemas naturales son sis temas autoor ganizados, lo que significa
que el desar rollo del sistema no está totalmente determinado sino que se produce adaptándose a su medio. P or ello,
algunos autores los define n como sistemas complejos autoadaptati vos (SCA). La princ ipal caracte rística de los SCA
es su estabilidad, es decir , su capacidad de mantener sus funciones frente a los impactos ex teri ores. Po r ello
sostenibil idad es, según Holling y otros (2002b [ 2002]: 403), la «habilidad para cr ea r, testar y mantener la capacidad
adaptativa». [...]. La c apacidad de los SCA para mantener sus funciones frente a los cambios exteriores viene
determinada por tres propiedades: el potencial disponible para el cambio; el g rado de conectividad entre las
variables y procesos; y la resiliencia del sistema. [...] La conectividad defi ne la f o rtaleza de las conex iones inte riores
y determina el grado con q ue un sistema controla su d estino o, por el contra rio, se ve a merced de agentes e xteri ores.
La resiliencia es la capacidad para mantener las funciones y controles habituales al sufr ir una disrupc i ón (Holling y
Gunderson, 2002: 49 y ss.)”. De acordo c om a translaçom das achegas de H olling e Gunderson (2002), entendemos
que o potencial dum sistema cultural depende rá, g ro sso modo , da natureza dos mater iais re perto riais, do gr au de
institucionalizaçom e da es tru tura relacional alcançada polo sistema ao longo da sua tr ajectó ria.
42
sistêmico da resiliênc ia pe rmit irá caracter izar projectos e prog ramas de inte rvençom em
funçom da capacidade para ges tionar a adaptaçom, estreitamente relacionada com a
estrutura, a autonom ia de acçom e as possibilidades de auto-organizaçom das ag r upaçons
en vo lvidas no sistema em causa 34 .
Em vi r tude disto, o es paço ins titucional que demonstra umha gestom adapta tiva mais e fica z
ao impacto produzido polo processo de muda nça política no SLG entre 1 9 7 4 e 1 9 7 8 é aquele
cujo ce ntro está ocupa do por instituiçons de capital privado e conf or madoras dumha rede
institucional de integraçom relativamente débil. Estabelecem os, entom, em v olta dos
espaços institucionais de g r upos como Galaxia ou Sar gadelos o denominado Pólo da
Resiliência , assi m ch amado em tanto que os ag entes e instituiçons localizados nas sua s
pr oximidades demonstram a sua capa cidade para manter a sua posiçom de centralidade no
sis tema apesar dos impactos ex teriores ( tanto ao sistema como ao próp rio gru po). Os g r upos
e institui çons localiz ados neste macro-espaç o instituciona l ge stionam a mudança , em geral,
em funçom da aná lise do a mbiente e da s possibilidades de aplicaçom (total ou parcial) do
programa do gr upo, ori entam- se pola opor tunidade , acei tam as no rmas impostas desde o
campo do pode r, acompanham umha estratégia que passa fundamentalmente pola nom
e xposiçom pública às ince rtez as procedentes do campo polít ico e, por fim, comparti lham a
visom da mudanç a como umha opor tunidade que de ve ser ex plorada (e nom e vitada) pa ra
re forçar a sua posiçom de privilégio no sistema.
1 5. Ao lado destes, outros g r upos presentes no sist ema ge stionam a mudança e o impacto do
e xter ior sem aceitarem nem reconhecerem legitimidade às normas emanadas do ambiente,
o ferecendo resist ência à sua aplic açom e traba lhando desde a per i feria tanto do sistema
cultural como, e m maior medida, do campo polí tico para impor como legítim as as suas
própr ias regras. Enquant o os g r upos mais próximos do Pól o da Resiliência desfrutam
dumha maior autonomia de acçom e dumha rede m ais distribuída , os age nte s e instituiçons
34 Re pare- se na dif erença e ntre a ges tom e a co-ge stom da a daptaçom ao ambiente (Rebouças et al 2006): “Pod emos
pensar a co-ges tão adaptativa [quando “os atores compartilham a responsabilidade e a autorid ade nas tomadas de
decisão re lati vas à g estão de um dado sistema”] c omo um processo exp e rimenta l guiado por três ve tores: a
descentralização (pe nsada co mo um processo de ges tão baseado numa visão sistêmica), a a utonomia local e a
resiliência ecossistêmica. O traço adicional mais marcante da co-ges tão adap tativ a, em relaçã o ao enf oque anter ior -
a ge stão adaptativa - reside na ênfase concedida à necessida de de se criar sistemas de ge stão ca pazes de inco rpor ar e
desencadear uma sinergia positi va entre autonomia e heteronomia. A p rimeira diz respeito à tomada de decisão no
ní vel local e à capacidade de resolução de problemas e con flitos a partir do capital sociocultural e natural local; e a
segunda, ao conjunto de coações formais ex teriores que esca pam a todos e que valem para todos, a lém da
fo r m a l iz a ç ã o , do a p o i o i n st i t u c i o n a l e d a le g i t i m a ç ã o e m d ife r e n t e s ní ve i s d e gove r n o d a s d ec i s õ e s t o ma d a s nu m
espaço de compartilham ento de pod er e responsabilidades”.
43
localizados nas pr oximidades do que denominamos Pólo da Re sistência (nucleado por
or ganizaçons de natureza político pa rtidá ria localizadas ideol ogicamente na esque rda
ma rxista e no nacionalismo galego, como a UPG) con formam umha rede insti tuciona l com
um ou vár ios centros mas, em todo o caso, dotada de menor autonomia para os objectos que
a conformam. Estes g ru pos e ntendem a mudança como umha (no va) agressom ex terior que
ameaça a e xis tência me sma do sistema própri o e postulam a confrontaçom estratégica com
as f orç as procedent es dum sistema de natu reza políti co-cultural que identi fi cam como
re fer ente de oposiçom (aqui o SCE).
Na hora de ana lisar mos os parámetros em que se m o ve a a cçom político-cultural desses
g rupos da esquerda ( auto denominada) nacionalista galega em relaç om com as mudanças no
ambiente com que interactua o SCG no período em fo co 35 , pa rtimos das apreciaçons da
nossa colega María X esús R odríguez F e rnández ( 1 999: 1 20 e ss. ) na tese de licenciatura
o rien tada polo director do Gru po Galabra e, em relaçom c om os ter mos res is t ê n c i a
simbólica (González-Millán 1 9 9 1) e su ficiênc ia sistémic a ( T orres Fe ijo 2004a ), propomos o
conceito de resistência sistémic a para identi fica r as tomadas de posiçom e as estratégias
político-culturais que atr ibuem ao conjunto dos elementos que pa rticipam num sist ema
per ifér ico em processo de a utonomizaçom (de constr uçom da su ficiência sistémica) umha
funçom eminentemente def ensiv a a respeito do sist ema que funciona como re ferente de
oposiçom ( vi d também atrás o conceito de identidade de r esist ência pr oposto por Ca stells
[2003: 36]).
Ac tuando em vi rtude dumha lógica heterónoma que fa i de pender o seu programa (regras,
mater iais, acçons, posiçons...) do contraste e da distinçom com o re fer ente de oposiçom, os
35 O fa cto de que o pro jecto nacional (e cultural) identificado como nacionalista seja unicamente o galego está a
indicar já (para além doutras questons relacionada s com o processo de construçom identitá ria que nom som objecto
dest e trabalho) um grau de naturalizaçom “c omo una carac terística estable del ambiente restricti vo” (Jepper son
1 999: 200) inferior na c omunidade galeg a do que o representado polo seu equi valente dito “espanhol”. É pe rtinente,
agora, a diferença estabelecida por Jepperson ( 1 999: 200-2 01 ) entre a institucionalizaçom e a acç om , duas f ormas de
reproduçom dif erentes enquant o que esta última é umha forma de reproduçom muito mais fraca (de legitimidade
menos abrangente) que a institucionalizaçom. Por outro lado, será opo rtuno repara r também em que “las actuacione s
de los g ru pos no dominantes a f a vo r de su lengua, de su cultura y de su independencia política se tildan de
nacionalistas, mientras que las de los g rupos dominantes se calific an como no nacionalistas. Pero e s que las
actuaciones de los denominados g rupos no na cionalistas también se fundamen tan en la def ensa y promoción de una
lengua, una cultura étnica y un poder político de una nación concret a, y por tanto son igualmente nacionalistas.
A demás, el nacionalismo disimulado [ o conceito de “nacionalis mo bana l” de Michael Billig ( 1995) chama a
atençom para a quotidianidade dos rec ordatórios da identidade nacional ] de la nación dominante suele ser mucho
más intransigente, a ntidemocrático y pa rticula rista que los nacionalismos dominados, dado que la etnia dominante
dispone de los mecanismos políticos, económicos, administrati vo s y militares adecuados par a aplastar por la fuerza
cualquier intento de autoafi rma ción nacionalista de los g rupos minor ita rios o no dominantes” (Moreno Cabrera
200 7: 356) .
44
g rupos e agentes que se identificam com posiçons de resistência rea gem quer contra a
inco rpor açom de no vos elementos reper tó ri ais (sobre resi stê ncia às transfe rências e à
planificaçom vid E ven-Zohar 1 998) quer contra a promoçom e legitimaçom daqueles
mate riais (sejam reperto ri ais em sentido alargado ou e xc lusivamente nor mati vos; quer n ov os
quer procedentes da tradiçom) que entendem inapropria dos por nom cump rirem a funçom
de fensi va e distinti va indica da; a dita oposiçom pode estar di rigida, por e xe mplo, contra um
determinado quadro político-institucional (como, no caso galego, o ref er endado no Estatuto
de Au tonomia de 1 93 6), ou contra umha de terminada forma ou temá tica literária (como
aquelas nom identi ficada s c om a reivindi caçom pol ítico-identitá r ia ou com o c arácter
popular). Em troca, desde as posiçons a ssumidas e xplicitamente como re sistencialistas som
reivindicados como p rincipais elementos constituti vos e legitimadores a identidade
di fere nciada da comunidade (o que adiante qualificaremos como cr ité rio identitá rio ), o
carácter pe riférico e dependente do sistema próp rio, e o va lor modelar daqueles mater iais
consagr ados pola tradiçom a que som atribuídos os v alores def endidos polos gr upos que
af irmam resistir(-se) à (maior) assimilaçom do SCE.
Estas tomadas de posiçom e estratégias substa nciadas na resi stência som v erif icadas também
(no caso g alego) com pos ter ior idade a o sistema cultural e xperiment ar um forte aume nto no
seu gra u de au tonomia e institucionalizaçom, sendo e xe cutadas por g rupos que nom
reconhecem como su fic iente a autonomia alcança da em vi rtude de qu e (ainda) nom
completárom o progr ama elaborado na ante ri or sit uaçom de (maior) dependê ncia político-
cultural.
1 6. Por último, interessa -nos i nsistir ma is umha ve z, no carácter dia léctico e de construço m
social do processo de elaboraçom dum sistema (lingüí stico, literár io, cultural...) polo que
es te tem de acto de vo ntade humana, em q ue a consciênci a de pa rticipaçom num trabalho
social col ecti vo (v eri fi cá vel at r avés de tr ajectó ria s concreta s) nom constitui c ri té rio menor à
hora de estabelecer mos os elementos que integr am umha (ou várias) estrutura(s) em rede
(aqui o SL G e/ou o SLE) 36 . Da mesma maneira, apontamos para a impo rtáncia que nes te
processo tem a ex pansom e a a ceitaçom inconsciente da au toridade emanada das
instituiçons porque, julgamos , a e xtensom e a inte rior izaçom do r econhecimento social e da
legitimidade dessa auto ridade co n vertem-se em elementos destacados tanto para a val iar e
36 V eja- se o d ito aci ma s obr e a “t eo r i a d a co or den aç om ”, o c on ce ito de “co ns en so re pe r to ri a l” em Vila vedr a ( 1999 : 20)
e os comentári os que fa remos a esta quest om nas pp. 94 e ss.
45
repe rtó r ios e instituiçons).
Para o caso da s inf ormaç ons relacionad as com a s instituiçons actuant es no SLG, foi
elaborado um catálogo (“catálogo_inst_...” , “_ 7 4-7 8 ” no f ixado para o período do nosso estudo) no
qual poder faz er constar as caracterís ticas comuns a um dissemelhante conjunto de instituiçons
relacionadas com os campos culturais composto por Aca demias, Fundaçons, Centros Galegos e
Pat ronatos, Museus, associaçons, editoras, publicaçons pe ri ódicas... (estas últimas, maio ritár ias,
serám individualizadas no catálogo co rrespondente da Base de R ev istas). Esta variada tipologia
institucional é categoriza da numha tabe la especí fica (“tipologia_inst ”) que per mite a
sis tematizaç om e o ag rupa mento quanto a local em que se ubica, ámbito ge ográ fico de actuaçom,
público a que se di rige, língua que vei cula (de rendabilidade no caso das publicaçons), g ru po
promo tor , temática (assuntos ou objectiv os f ocados) ou tipo de inst ituiç om de que se trata e com que
está relacionada (de especial rendi mento para vinc ular as instituiçons presentes no c atálogo com a s
publicaçons pe riódicas que prom o ve m no campo editor ial, por e xe mplo) 38 .
Fi gura 2. E squema da Base de Instituiçons ( 19 7 4-1 9 78).
Pr ojecto Fisempo ga - G rupo Galabra (elabo raçom próp ria).
38 As várias tipologias propostas nas bases relac ionais do projecto tenhem um carácter em maior medida analític o do
que empír ico, na medida em que estám destinadas ao a gru pamento de objectos para a sua análise posterior e som
estabeleci das no inter ior da populaçom seleccionada e, em último ter mo, em virtude do objeto de estudo f ocado (v er
capítulo 4). Repar e-se, por e xe m plo, em que as tipologias « tipo de ámbito» ou «tipo de público» (esta última a de
menor rendabilidade neste trabalho) qu erem indica r, respec ti vamente, o mercado abrangido por umha determinada
ins tituiçom em relaçom a outras e a localizaçom do público ideal dessa instituiçom com respeito a um determinado
espaço social.
52
Re lacionamos também com o re ferido catálogo, por um lado, o regist o de produtores
vinculados com insti tuiçons (“regi sto_pr odutores_ins t”), o que fa i possí vel fixar a funçom que cada
ag ente desempenha de maneira está vel nas entidades de ref erência, as da tas entre as quais o fai e o
g rupo de que fai par te nesse momento da sua trajectória. Por outro lado, recolhemos numha tabela
específica os e ven tos promo vidos por cada instituiçom e os age ntes en vo lvidos neles, fazendo
constar ta mbém a tipologia das actividades (prémio, concurso, conferência, etc.), a te mática e a(s)
língua(s) utilizada(s) no e ve nto. Da mesma mane ira, e atendendo também à cronologia e ao
ag rupame nto de a gentes, construímos umha tabela de apoio (“tra jectória”) qu e f acilita e
complementa a recolha e a a rmazenagem cronológica das sucessiv as tomada s de posiçom e de todo
o tipo de in formaçom ref erida ao grau de consagraçom de cada produ tor (prémios e
reconhecimentos recebidos, cargos em instituiçons, depoimentos públicos, etc.), tomadas de
posiçom tiradas fundamenta lmente da bibliogra fia secundá ria e que te riam a lgumha dificulda de
para serem sistematizadas nas outras bases que conformam a plata forma relacional de Fisempoga, e
atr avés das quais ac umulamos valiosas inf ormaçons sobre a trajectória de cada um dos produtor es
que actuam no SLG entre 1 9 74 e 1 9 78.
Esta Base de In stituiçons será a mais produtiv a e pro vei tosa para este trabalho concreto já
que fa i possí vel sistematizar as acçons da s instituiçons no SLG do período do nosso es tudo,
possibilita a recolha da s relaçons de per tença ex is tentes entre produtores e todo o tipo de
instituiçons (as necessári as para a prese nte in ve stigaçom) e, neste se ntido, pe rmite estabel ecer ta nto
g rupos restritos de produtores como a própr ia rede de relaçons intitucionais (estruturantes) do SLG
entre 1 9 7 4-1 9 78. Além dist o, a adapta çom deste esquema relacional básico fai que seja possí vel
atende r, igualmente, ao le vantemento de mate riais (produtos, e v entos...) para o conjunto do projecto
Fisempoga de acordo com as caract erísticas especí ficas e as necessidades apresent adas por cada
tipologia de co rpus ( livros , r evi stas e jornais ).
Desta maneira, também as bases com as quais recolheremos in forma çom para Fise mpoga de
livros e public açons pe riódic as constam dumha tabela principal na qual incluírmos todos os campos
que considerar mos nec essários para a ca talogaçom , descr içom, loca lizaçom e indica çom do estado
de aborda gem do regis to. Qua nto à questom da catalogaçom do co rp us, é opor tuno indic ar a inda
que para o caso das re vistas som estabelecidos no elenco que compar tilham co mo os jo rnai s (a
natureza da in forma çom procurada neste mate rial fa i desnecessá rio um catálogo especí fic o para os
diár ios) os campos necessá rios aos ef eitos indicados acima (subtítulo, lema, pe riodicidade , edito r,
tira gem, preço, impressom, endereço da redacçom, época, colaçom, números localizados e vis tos, e
53
cotas nas bibliotec as de re ferência); este catálogo próprio para as publicaç ons per iódicas justifica-se
por que os campos indicados acrescen tam inf o rmaçons especí ficas nom compar tilhadas polo
conjunto das instituiçons que fi guram no catál ogo co rresponde nte da Base de Instituiçons (onde
som indicados apenas o nome, luga r, anos de início e de f im da actividade , e ve ntuais patrocínios,
carácter legal ou nom da entidade e notas ou mate riais recolhidos polo pe ssoal in v est igador de
Fisempoga).
No mesmo sentido, as características especí ficas dos liv ros ex plicam que os campos qu e
figura m na tabela onde estám censados sejam equ iv alentes às ref erências utilizadas em cata log açom
bibliotecári a (título, editora, ano, colecçom, temas...). Ainda, de acordo com o pré-conhecimento do
SLG que nos fornecem os trabalhos de Po luliga, os regis tos som ca talogados para Fisempo ga em
funçom da língua de ediçom (« catálogo_livros_ 74- 7 8_...» [galego/ castelhano/ outras.línguas]).
Igualmente, no caso dest e tipo de materiais, a necessidade de indicar todos os c ódigos CDU (código
inte rnacional de cata logaçom para a “Classificaçom Decimal U ni versal” das re ferências
bibliográ ficas quanto ao a ssunto f ocado), precisos para a co rrec ta descriçom dos livros que fam
parte do nosso corpus principal, fo i superada r elacionando com cada um dos três catálogos re feridos
um conjunto f ormado por duas tabelas cr iadas a o ef eito («g eneroXliv ro_...» e «gen erosCDU_...»).
Completamos, desta maneira, os três catálogos que serám relacionados ao longo dos vá rios ei xos do
esquema e onde é c ensado, descrito e localizado o cor pus do projecto: umha tabela geral de
instituiçons na base cor respondente, umha específic a para rev istas e jor nais, e outra onde som
registados os liv ros.
Re sol vida a questom de catalogar e localizar o co rpus que utilizamos para os trabalhos do
projecto, a tabela «registo_pr odutores_...», desempenha a mesma funçom que na Base de
Instituiçon s e pe rmite ar mazenar o nome e apelidos, o g r upo a que pe rtencem e as funç ons
desempenhadas por todos os ag e n te s actua ntes no SLG de 1 9 7 4 a 1 9 78 em relaçom com os livros, as
r evistas e a imprensa em que par ticipam. A o la do dos catálogos e dos registos de produtores, o
es tudo da va riada tipologia de livros (a de public açons pe riódicas é contemplada na Base de
R evistas) é possív el atra vés do relacionamento do catálogo co rrespondente com umha tabela
(“tipologia_.. .”) que permite ag r upar esta classe de co rpus em funçom do local, editor , tipo de
produto (nom ape nas género) e língua(s) utiliza da(s). Os processos e os resultados des ta ag rup açom
da produçom quanto à tipologia de livros e publicaçons pe riódicas possibilitam umha análise
apurada nom apenas do Campo Editoria l Galego de 1 9 7 4 a 1 9 78 ( e de 1 9 68-1 98 2), mas também do
conjunto do SLG de ac ordo com os objecti vos marcados no projecto de in ve stig açom em que est a
54
tese de doutoramento es tá integrada .
Fi gura 3. E squema da Base de Livros (g alego 19 74 -1 9 78 ).
Pr ojecto Fisempo ga - G rupo Galabra (elabo raçom próp ria).
Outras duas tab elas som nec essárias ainda para le vantar in formaçom relacional dos produtos
literá rios que circula m no SLG no período de abrangência do projecto Fi sempoga. Por meio dumha
tabela especí fica («ideias_relaçons_...») extra ímos e catego rizamos todas as ideias e relaçons que
julgamos necessárias para a análise dos materiais do co rpus do projecto de acordo com o obje cto de
es tudo e os objecti vos procurados no projecto (ideias sobre a língua, a tradiç om, a literatura...;
relaçons com campos culturais dife rentes do literário e com sistemas em cont acto com o SLG). P or
outro lado, a natureza per iódica de rev istas e jor nais ex i ge a inclusom no esquema apon tado dumha
tabela onde seja possív el ar mazenar sucessiv amente os dados corr espondentes a cada pr oduto (d o
tipo ou f ormato que f or: a rtigo, nota, notícia, r ecensom, car ta ou outro) de onde poder mos tirar
in formaçom útil para atingi rmos os objectos marcados nos vár ios trabalhos do projecto 39 . E s t a s
tabelas contenhem os campos necessár ios para ide ntificar , localizar e caracteriz ar de maneira
sis temática a inf ormaç om procedente de cada número concret o de r evi stas e jor nais (título, resumo,
data de publicaçom, nº de e xe mplar e páginas, secçom, etc.) , e estám relaci onadas com as tabelas
responsá veis de armaz enar a in formaçom re ferida aos a gentes («registo _produtores_...») e aos
repertó rio s (q uanto às «ideia s_relaçons_...»), com o qual fica garantida a abordag em relacional ao
39 As tabelas «produtos_...» tenhem esta funçom tanto na Base de R evi stas c omo na Base de Imprensa, e m paralelo à
tabela «e vento s» da Base de Insti tuiçons.
55
longo de todos os ei xos do esq uema .
Fi gura 4. Es quema da Base de Revistas ( 19 74 -1 9 78).
Pr ojecto Fisempo ga - G rupo Galabra (elabo raçom próp ria).
A Base de Imprensa, por sua v ez, tem ainda um par de peculia ridades der ivadas da natureza
dos mater iais que permite ex trair e a rmazena r. P or um lado, o carácter g eral da in forma çom presente
tanto na impr ensa nom diária como nos jo rna is que abordamos com esta ferramenta, ac onselha
locali zar de maneira sistemática o espaço em que esta in fo rmaçom t em os s eus efeit os, utili zando
para isso tantas tabelas de «categorias_» como jul garmos necessá rio. No nosso caso, duplicamos as
possibilidades de a dscri çom da in for maçom tanto aos di ferentes campos culturais (literatura , teatro,
cinema, músic a, a rte, comunicaçom e ensino) como aos c ampos do poder político e ec onómico
(com re ferência ao ámbito inter naciona l, de Estado, galego, local ou dos encla ves); atendemos
também neste ponto às relaçons (com a Luso fo nia, Espanha, Ca talunha, Euskádi e outros sistemas)
e a todo um conjunto de elementos que julg amos pert inentes para a análise do SCG de 1 96 8 a 1 982
(como a lí ngua, os símbolos identit á rios, os agentes e g ru pos, os prémios ou as instituiçons, sejam
estas oficia is, associaçons culturais, Centros Galegos, etc).
Por outro lado, o reduzido número de publica çons nom diá rias de in formaçom ge ral e de
jo rnais abordados com esta Base da Imprensa e, sobretudo, o seu carácter quinzenal, semanal ou
diár io (que ob riga a consultar umha g rande cantidade de números para cada publicaçom), aconselha
utilizar umha base específica para ca da cabeç alho; isto evita sobreca rregar e xc essiv amente de
in formaçom umha única base, fa cilita o manejo post e rior dos dados ex traídos des te tipo de co rpus e
56
f ai com qu e a estrutura desta base seja mais simples que a de livros e re vistas, ao nom ser tampouco
necessário relacionar um «catálogo_...» e specífico com o conjunto dos restantes ele mentos do
dispositi vo. Em sínte se, a estrutura das relaçons estabelecida s entre as vá rias ta belas qu e constituem
as nossas bases de dados possibilita tanto a co rre cta a rm azenagem como a análise relaci onal (com
aborda gens quantitativ as e qualitati vas) da inf o rmaçom de vá rio tipo recolhida do c or pus de livros,
publicaçons pe riódicas e jo rnais.
Fi gura 5. E squema da Base de Imprensa ( 19 7 4-1 9 78 ).
Pr ojecto Fisempo ga - G rupo Galabra (elabo raçom próp ria).
A os efei tos de recolher e visualizar com maior fa cilidade e efi ciência esta informaçom
utilizamos o siste ma OpenOff ice Base como frontal onde construi rm os os f ormul ários necessá rios
para ca da umha das bases c om que abordamos o co rpus do projecto. T ant o para a Base de Imprensa
como para a Base de R ev istas fo i nec essário construir um formulário para le vantar in formaçom
relacional des te tipo de c or pus; em ambos os casos, aquele consta dos campos da tabela
«produto s_...» e inclui dous subf or mulár ios, um aos ef eitos de regis tar as presenças e as relaçons
dos produtores no produto concreto publicado na publicaçom pe riódica (por um lado nas rev istas e,
por outro, na imprensa nom diár ia e nos jor nais de re ferência), e outro para a recolha sistemática e
ilimitada neste mesmo co rp us de todas as ideias e a s relaçons detectadas nos mate riais consultados
(Figuras 6 e 7). Estes fronta is incluem, por tanto, os subf ormulá rios necessár ios para visualizar e
57
registar tanto os produtores relacionados com a tomada de posiçom concreta, como para recolher
sistematicamente todos os tipos e catego rias de ideias e relaçons d etec tadas no produto em f oco. N a
Base de Re vistas, por se u lado, é necessá rio ainda outro f ormulá rio específico aos efe itos de
visualizar o catá logo e xtenso deste tipo concreto de instituiçons (incluindo a descr içom e
localizaçom do censo e o estado em que se encontra a abordagem de cada regis to) (Figura 8).
No que di respeito à Base de Institu içons , para além de construirmos sobre o catálogo
co rrespondente um fronta l que nos permite atribuir as tipologias comuns a todas elas e o dif erente
tipo de relacionamento das instituiçons com os produtores (Figura 9), fabrica mos mais dous
f ormulár ios que possibilitam preench er a inf ormaç om que necessitamos sobre os ev entos
prom ovidos e os ag entes neles e n vo lv idos (Figura 1 0) e recolher comodamente as várias tomadas de
posiçom que in formam da trajectória de todos e cada um dos produtores actuantes no SLG durante o
período em f oco ( Figura 1 1 ).
F igura 6. F or mulário da Base de Impre nsa ( 19 74 -1 9 78 ).
Pr ojecto Fisempo ga - Grupo Galabra (elaboraçom própria).
58
Fi gura 7 . F orm ulário da Base de Revistas ( 19 74 -1 9 78 ).
Pr ojecto Fisempo ga - Grupo Galabra (elaboraçom própria).
Fi gura 8. F orm ulário do Catálogo de R evistas (1 9 74 -1 9 7 8).
Pr ojecto Fisempo ga - Grupo Galabra (elaboraçom própria).
59
F igura 9. F ormul ário do Catálogo de Instituiçons ( 19 7 4-1 9 78 ).
Pr ojecto Fisempo ga - Grupo Galabra (elaboraçom própria).
Fi gura 1 0. F orm ulário para Event os (1 9 74 -1 9 78 ).
Pr ojecto Fisempo ga - Grupo Galabra (elaboraçom própria).
60
F igura 1 1. F ormul ário para T ra jectória (1 9 74 -1 9 78 ).
Pr ojecto Fisempo ga - Grupo Galabra (elaboraçom própria).
Na Base de Livros, por seu lado, a recolha ef iciente e a cómoda visualizaçom da
in formaçom e xig e a construçom de dous frontais ao e fei to; o prime iro f ormulá rio permite visualizar
e completar os campos necessários para descre ve r, localiz ar e ca talogar o registo, assim como
recolher num sub fo rmulár io todas as in formaçons precisas para a identi ficaçom , a atribu içom da
funçom desempenhada e do g rupo a que per tencem os produ tores relacionados com todos e cada
um dos livros e fo lhe tos censados no nosso co rpus (Figura 12 ). O segundo formulário construído
para a Base de Livros (Figura 1 3) está f ormado apenas polos campos do «catálogo_livros_ 1 9 74 -
7 8_...» i mprescindí veis para a identifica çom do regis to e por trê s sub formulários que per mitem
1)a visualiz açom e a recolha da tipologia da produçom quanto a tipo de edito r, local,
língua(s) e produto ;
2)a atribuiçom a cada re ferência de todos os códigos CDU necessá rios para a sua cor recta
identif icaçom quant o ao assunto abordado e
3)a recolha de todas as ideias e relaçons presentes no liv ro em causa.
61
Dete rminada já a na tureza do nosso co rpus primá rio (mater iais compostos por livros,
r evistas e imprensa nom diá ria re laciona dos com o SLG), secundário (bibliogra fia sobre o nosso
objecto de estudo) e o que aqui chamámos corpus de apoio (sondagens em diár ios e recurso
e ve ntual a outros soportes culturais), e antes de nos ocupar mos das fon tes utiliza das e dos processos
seguidos para a selecçom e f ixaçom do nosso co rpus, de ve mos insistir em que esta di ferenciaçom
entre co rpus pr imário, secundár io e de apoio é estabelecida em vi rtude da maior ou menor
centralidade dos mate ria is para atingir o nosso objecto de estudo; em relaçom ao qual julgamos que
a tipologia e amplitude dos ma ter iais utiliz ados neste trabalho per mintem alca nçar a totalidade dos
objectiv os propos tos, já que garantem a e xau stividade na análise tanto doSLG como das tomadas de
posiçom dos p rincipais g rupos nele presentes nos restantes campos qu e con formam o SCG no
período 1 9 7 4- 1 9 7 8.
2.2. 1. Liv ro galego
Os livros cons tituem, jun tamente com as publicaçons per iódicas, a base p rincipal do nosso
co rpus; os livros tenhem umha ele vada consideraçom soci al e ache gam mais capital (sobretudo
simbólico) que todos os outros produtos do campo literário, som consumidos fundamentalmente
polas elites e podem ter e feitos em qualqu er campo ou espaço do Siste ma, acolhem o conhecimento
mais estabilizado e as ideias com maior central idade e durabilidade das presentes no Sistema
Cultural e som, para nós, fon te completa de in formaçom relacional e reperto rial e m sentido
alar gado.
O p rimeiro trabalho realizado no projecto P oluliga consistiu em catalogar o conjunto dos
livros escr itos total ou parcialmente em língua gal ega produzidos e ntre 1 9 68 e 1 98 2, já que a
inclusom dest es mate riai s no SL G vinha garantido pol a apl icaçom do critério filológico de que
f alaremos no capítulo seguinte (em síntese, um c rité rio lingüístico que considera a língua galega
como [pri ncipal ou] único elemento deter mina nte da per tença ao sistema lite rári o galego em
construçom). As contínuas re visons e acréscimos dest e co rp us inic ial de livros em galego dêrom
como resultado na actualidade um catálogo que contém o censo mais complet o de livros publicados
nesta língua entre 1 968 e 1 98 2 de que temos conhecimento.
Ora, umha das p rincipais c onclusons tiradas dos traba lhos já elaborados em Poluli ga, que
a fecta de mane ira deter minante à sele cçom do co rpu s de livros relacionados com o SLG e
necessá rios para compreender o nosso objecto de estudo (em concreto a própr ia delimitaçom desse
anterior mente ref eri dos, nos permite afront ar com relativas g arantias o nosso objecto de e studo.
68
sis tema e as relaçons de identidade/ alter idade que nele se verific am), ref ere-se à p resença no SCG
do período abrangido entre 1 96 8 e 1 98 2 de g ru pos com estratégias de acçom monolíngües e de
g rupos com estratégias de acçom bil íngües gal ego-castelhano. Ainda que isto será ta mbém apon tado
nos lugar es co rrespondentes (Capítulos 4 e 5), é per tinente salientar já agora que esta constataçom
tem a v e r, antes de mais, com a fa lta de unanimidade na consideraçom do galego como norma
sistémica -como baliza delimita dora da per tença a um Sist ema Cultural concre to, ne ste caso o
galego ( T orres Fe ijo 200 4a: 429-430)- e, em segundo lugar , está em relaçom com os dé fices
causados p rincipalmente (que nom unicamente) pola situa çom política, que se pla smam em
difi culdades de aplic açom de programas monolíngües em g alego em determin adas conjunturas
políticas (nomeadamente na ditadura, mas nom só, tal como esclarecer e mos adiante).
Esta realidade determina a necessidade, por um lado, de inclusom no SLG tanto dos
mater iais escr itos total ou parcialmente em língua g alega como daqueles escr itos e editado s em
castelhano (ou e ventualmente noutras línguas) que, ao serem produzidos por ag entes ou instituiçons
partic ipantes no SLG do período 1 9 74 -1 9 78 ou terem neste si stema os seus e feitos, funcionam e
es tám incluídos de f acto dentro do SLG por algum dos seus participantes ne sta rede de rela çons.
Ne ste sentido, a s dife rentes estratégias culturais verificada s na altura e o carácter abrangente do
nosso co rpus obrigam a c ontemplar entre os mate riais nec essários para a compreensom do nosso
objecto de es tudo todos aqueles relacionados c om o SLG e que cont ribu am directamente para a
consecuçom dos objecti vos ma rcados, com independência da(s) língua(s) utilizada(s) e da e xis tência
ou nom de unanimidade sobre a sua inclusom no SLG tanto para a crítica literá ria posterior como
para as instituiçons e gr upos actuantes na Galiza da altura.
Ora, se na teor ia fam pa rte do nosso co rpus de liv ros todos aqueles materiais nesse f ormato
que nos per mitam alcançar directamente o nosso objecto de estudo, na prática a principal
difi culdade que enfronta mos em Fisempoga p a ra a f ixaçom desta tipologia de co rp us tem a v er com
o estabelecimentos de crit érios fiáv eis que nos permitam a selecçom e a inclusom como corpus
prim ário de materiais produzidos em línguas dif er e ntes do galego. Como tra taremos de e xpor nas
epíg ra fes se guintes aos efeitos da delimi taç om do co r pus utiliza do neste trabalho, para fazer pa rte
do SLG entre os anos 1 9 74 e 1 9 7 8, ao lado do critério filológico ( vejam-se as epí graf es 3 . 1 . 1. e 5 . 1 .)
representado pola utilizaçom da língua gale ga, os produtos literá r ios atendem à combinaçom
variáv el dal gumha das outras no rmas prese ntes no campo literá rio da altura (e util izadas nos
catálogos bibliográ ficos da époc a à hora de catego rizar um produto com “livro ga lego”): loca l ou
instituiçom editora (sediada na Galiza ou nos seus encla ve s), origem do ag ente responsá vel pola
69
produçom e temática v eiculada. Assim mesmo, para a inc lusom ou nom dum determinado produto
dentro do co rp us de livros de ste trabalho utilizamos como elemento de validaçom o pré-
conhecimento da rede de relaçons que con forma o SLG f ornecido polos resultados prévios de
Po luliga.
De acordo com todo isto , entendemos neste trabalho por “livro galego”, num sentido
alar gado e funcional, aquele que na altura era considerado como tal ou, por outras palavr as, aqueles
livros e f olhe tos (de acordo com as nor mas de ca talogaçom do ISBD [Inte rnational Standa rd
Bibliographic Desc ription]) produzidos e editado s por produtore s ou instituiçons actuantes neste
sistema (ou com ele relacionados) de acordo com as normas operantes no SLG da altura. Este
conceito abrange, em primeiro luga r, o “livro e m galego”, quer dizer , todos os títulos editados total
ou parcialmente em qu alquer estándar dos vá rios pr opostos para a língua da Galiza ne sta altura
polos g rupos pa rticipantes no sistema (quer os livros escritos or iginariamente em galego quer os
t extos para ele tra duzidos). Em segundo lug ar , de acordo com os c ritér ios e características que
trataremos na c ontinuaçom, o conceito “livro galego” contém também (como “livro ga lego em
castelhano” ou como “livro galego noutras línguas”) aquelas obras em línguas dif erentes do galego
(ou em estándares difer entes dos propos tos na altura por instituiçons sediada s na Galiza; o que
inclui, e v entualmente, as obras esc ritas segundo os estándares po rtuguês e brasileiro) cujas
re ferências estám relacionadas directa mente com o SLG entre 1 9 74 e 1 9 78 e fig uram nas nossas
f ontes bibliográf icas.
De a cordo com is to, o censo de livro em g alego elaborado ao longo do período de vigência
do pr ojecto Po luliga por acré scimo e contra ste de vários catálogos bibliográficos, onde de stacam
claramente os procedentes dos fundos das bibliotecas da Fundación Pen zol e da USC, f oi ampliado
ao livro escr ito em castelhano (e noutras línguas) relacionado com o SLG e fo i submetido para o
trabalho a ctual a um intenso processo de rev isom, actualizaçom e fixaçom, do qual resulta um
co rpus con forma do por 7 69 r e ferências de livros em g alego e 7 60 regis tos de liv ros em cas telhano, a
que de ver emos acrescentar a inda um conjunto menor de 7 4 liv ros esc ritos noutras línguas durante o
período do nosso estudo. Os 1 .602 registos com que conta neste momento o nosso censo
componhem, por tanto, o co rpus de livros e f olhet os de que nos servimos para a aborda gem da
es t rutura e do funciona mento do SLG entre 1 9 7 4 e 1 9 7 8.
É im po r tante salien tar ainda qu e , quanto ao formato, a g rande quantidade de separa tas de
ar tigos catalogadas na s bibliotecas cita das nom fôrom incor poradas ao nosso censo de livros 46 . I st o
46 Ne ste momento temos lo calizada s, para o período 1 9 7 4-1 97 8, um total de 265 separatas: 15 em 1 9 74 , 27 em 1 9 7 5, 5 1
70
é assim porque nom som e spécies origina is mas ref erências duplicadas procedentes de interv ençons
em re vistas (sal vo con tadas e xc epçons) e, em conseqüência, som abordadas nas publicaç ons
per iódicas co rresponte ntes. Por outro lado, e nom menos impo rta nte, a inclusom destas cópias de
artigos no nosso co r pus de livros viria dist orcer a análise do vo lume e da natureza da produçom
edito rial do período em causa, em tanto que nom signific am a ediçom indepe ndente dum produto,
mas apenas a sua impressom apro veitando a mesma composiçom tipográ fica dum tex to já editado e
distribuído por outro meio. Contudo, é opor tuno indicar que umha p rimeira análise das separatas,
quanto à tipologia das re vistas em que som pub licados os te xtos individualizados (publicaçons de
instituiçons cultura is oficiais e, em menor me dida, de Grial , a re vista do g r upo Galaxia que ocupa
umha posiçom c entral no SLG do período ), está a indicar fundamentalmente umha estratégia virada
para a acumulaçom de capital simbólico dos a gente s que as prom o vem , claramente os de maior grau
de instituc ionalizaçom do SLG da al tura.
Fi gura 1 4. O livro ga lego ( 19 7 4-1 97 8)
Pr ojecto Fisempo ga - Grupo Galabra (elaboraçom própria).
em 1 9 76 , 84 em 1 97 7 e 88 em 1 97 8.
71
197 4 197 5 1976 1977 197 8 s. a. T O T A L
ga le go 96 152 15 5 170 191 5 769
cast e lh an o 178 132 1 73 14 4 132 760
out r as lg s 91 0 1 9 2 2 1 4 74
TO TAL 28 3 294 3 47 336 33 7 5 1602
2.2. 1. 1 . O livro em g alego
Quanto aos cr itér ios e procedimentos seguidos para a f ixaçom do co rp us do livro em
galego durante a vigênc ia do projecto P oluliga, de vemos indicar que o ponto de par tida está situado
na consulta da base de dados da A gencia Española del ISBN (na sua ediçom em CD-R OM do ano
1 998 e na página we b disponív el na rede: http: //ww w.mcu.es/ com un/bases/isbn/ISBN. html ) l e vando
em conta as inf ormaçons tiradas de V e rdugo Matês ( 19 98). Ora , est e número de regis tro, o ISBN,
f oi estabelecido e m 2 de N o vemb ro de 1 9 72 (em virt ude do Decreto 2984/ 19 72) para inscre ver
necessa riamente todos os títulos produzidos no Estado Espanhol e, ainda que é umha base de dados
viv a e c ontinuamente submetida a mudanças e co rrecçons de e rros passados, o seu def iciente
funcionamento para o período analisado no projecto fai que o corp us de livro em ga lego para os
anos 1 968 a 1 98 2 nom puidesse ser c onsiderado relativamente estabilizado até a inco rpora çom dos
censos c edidos pola Biblioteca Penzol e o seu cotejo com o livro escr ito em língua ga lega presente
nos fundos da Biblioteca da U ni versidade de Santiago de Compostela [BUSC], instituiçom que no
momento de redigir e sta tese cumpr e, de fact o, as funçons dumha biblioteca geral na Galiza.
O catálogo da Biblioteca Pe nzol está f ormado por fundos procedentes de Fermín Pe nzol,
Francisco Fernández del Riego e doutros agentes do galeguismo (entre os quais destaca Ramón
Mar tínez López ). Est e catálogo cont ribui decididame nte pa ra estabilizar o nosso cor pus de livros e,
atendendo a sua abrangência, conf irma a centralidade no SCG do g r upo Galaxia, de que fam pa r te
ou com que se relacionam os galeguistas re feridos, já que demons tra que para eles e ra remetida
cópia da prática totalidade da produçom bibl iográ fica relacionada com o SLG da altura.
Po r outro lado, no processo aber to para completar o co rpus de livros do projecto em que se
insere est e trabalho, reco rremos ainda aos ca tálogos impressos O libro gal ego, onte e hoxe (na
ediçom da Federación de Libreiros de Galicia a o cuidado de Ál varez García [ 19 89]), a os catálogos
do Instituto Nacional do Libro Español (INLE 1 9 74 e 1 9 78) corr espondentes aos anos do nosso
es tudo, e à ba se de dados de O libro g alego (ata 2003). P a trimonio B iblio gráfico de Galicia
([CSBG] 2005) . R evisamos, igualmente, algum c atálogo de ámbitos parcelares, como o coordenado
por R oig R ec hou ( 1 998) sobre a literatura in fantil e ju ven il para v erifica r os resultados. A rev isom
des tes c atálogos resultou também produti va para preencher algumhas lacunas do censo de livros
publicados total ou parcialmente em ga lego entre 1 96 8 e 1 982 , e contribu iu para fixar o co rp us de
livros e f olhe tos esc ritos total ou parcialmente em língua galega do período do presente estudo
( 19 74-1 9 78) nas 769 ref er ências ci t ada s.
Por último, é opo rt uno anotar que o p rin cipal obstáculo com que nos encontrá mos na
72
construçom do co rpu s de livros em ga le go consistiu em que vár ios centros de in forma çom públicos
(como por e xe mplo a BUSC, nom a Biblioteca Pe nzol) nom tenhem tecnicamente habilitadas as
suas estruturas para que o pessoal in ve stigador poida aceder a grande s conjuntos de informaçom,
per mitindo-o apenas de maneira sequencial ou por meio de pesquisas limitadas de conjuntos
bibliográ ficos delimitados e reduzidos. Este f acto, unido a que nalguns casos os dados estám
disponí veis apena s num f or mato ana lógico (reproduçom em papel) fa m que um co rp us como o
nosso precise de ser construído numha gr ande sucessom de passos que de vem ser continuamente
v eri ficados, o que acrescenta considera velmente o tempo e o es forço necessár ios para completa r esta
taref a. O outro incon veniente que queremos destacar aqui tem a ve r com a aplicaç om i rregula r dos
vár ios estánd ares disponív eis para a troca e a recuperaçom de dados bibliog ráficos: a procedência e
o f ormato dos dados com que trabalha mos é mui dive rsa e o labor de unificaçom complica-se com
cada no va f onte incorpora da.
Po la nossa pa rte, ten taremos contribuir para a resoluçom destas carências disponibilizando
publicamente a informaçom bib lio grá fica do Catálogo de Livro Galego ( 1968-1 982) do projecto
Fisempo ga; este catálogo estará disponí vel num estándar nor malizado (bib Te X), poderá ser
consultado na página w eb do Grupo Galabra ( ww w .g rupogalabra.com ) e, sobr etudo, esperamos que
poda ser completado colaborativ amente e utilizado com relativa f acilidade por outras pessoas pa ra a
produçom de conhecimento.
2.2. 1.2. O livro galego e m castelhano
Nu m trabalho ante rior (Cord e iro Rua e Samartim 2008), a pa rtir unicame nte dos fundos da
BUSC, figemos umha pr imeira apr oximaçom à delimitaçom do co rpus do “liv ro gal ego em
castelhano” para 1 9 68-1 9 78 e analisámos de maneira sumária o Campo Edito rial Ga lego [CE dG]
desse período (v eja-se a epígrafe 3.2.2.3.). Par a a delimitaçom do co rp us quanto ao livro galego em
castelhano, nesse trabal ho com eçámos por lançar umha pesquisa na ref erida biblioteca univ ersitária
por “f ondo galego” (te rmo marcado como limitado fronte ao gen é rico “ca tálogo x eral”) e “libro en
español”, o que nos per mitiu obter um conjunto de partida f ormado por 5.463 re ferê nc ias
bibliográ ficas para o lapso temporal compreendido entre 1 96 8 e 1 9 78 , que na altura ocupa va o nosso
es tudo. Numha pr imeira aborda gem sobre este conjunto, inf erimos que os c rité rios de catalogaçom
aplicados por esta ins tituiçom univ ersitár ia delimita m como “livro ga lego em espanhol” toda a
produçom ne sta língua e os livros bilíngües galego-cas telhano em funçom dos seguintes critério s :
a) c rité rio g eográf ico: livro s publicados por editoras, imprentas, g rá ficas, instituiçons ou
partic ulares sediados na Galiza;
73
b) crité rio de origem: livros de autoria ou de ediçom galegas 47 ;
c) c ritério temático: livros de tema ou assunto g alego.
Julgámos que a natureza dos critér ios ex post os e a amplitude do conjunto de ref erências
resultante da sua aplicaçom garantia a inclusom de toda a produçom bibliográf ica que precisá vamos
para alcanç ar os objecti vos contemplados naquele trabalho. Rea lizámos a segui r, entom, umha sér ie
de operaçons conduze ntes a fixar apenas as re ferências de ste conjunto inicial que faz iam parte do
subconjunto da produçom ef ectivamente actuante no SLG da altura, recorrendo para isso ao pré-
conhecimento que do própr io sistema nos forneciam os resultados do projecto Poluliga. Par a a
obtençom deste subconjunto fôrom seguidos os passos que enumeramos na continuaçom (a rev isom
fo i f eita sempre it em a item):
1) fixaçom da produçom na Galiza con forme ao cr ité rio ge ográ fico;
2) recuperaçom da produçom das editoras actuantes no CEdG com local de ediçom f ora
deste espaço administrati vo;
3) filtra gem da produçom de f ora da Galiza adminis trativa e daq uela sem local de ediçom
declarado (s.n.).
Da revi som a pa rtir do cr itério geográfico resultou que entre a s re ferências recuperadas
encontrámos produtos ou produtores q ue nom inte gra vam a rede de relaçons pr eviamente conhecida
atr avés dos anteriores trabalhos de Pol uliga, evidência que nos c onduziu a banir a totalidade da
produçom dumha editora cr unhesa, Ada ra, ca racteriza da pola ediçom e xcl usiv amente em espanhol,
de produtore s nom g alegos e de temática nom galega. Po r outro lado, encontrámos que um bloco
impor tante do livro galego em espanhol assim recuperado se cor respondia com a produçom
académica da USC; daí puidemos concluir que o conhecimento ve iculado atrav és do livro escri to
em galego nesta i nstituiçom entre 1 96 8 e 1 9 78 era mínimo (e já esta va inco r porado no nosso
catálogo de livro em galego). Vi sto o gr ande vo lume do conjunto bibliog ráf ico constituído por
trabalhos académicos da USC, procedemos à fi ltrag em por depa rt amentos e centros univ ersitá rios,
ficándomos apenas com aquela produçom especificamente de “tema g alego” e com a relacionada
com o ensino, nomeadamente com o Instituto de Ciências da Educac ión [ICE] e com o Institu to de
la Lengua Gallega [ILG], cr iados na USC em inícios de setenta para alcança r objectiv os especí ficos
na inco rp oraçom do galego ao sis tema de ensino obrigató rio (v ejam-se as epígra fes 3.2.2.2. e
4.3 . 1 . 1. ).
4 7 É importa nte destacar que, de acordo com este critér io, a BUSC inclui também a produçom edit o ri al do SCG
sediada fora do espaço administrativ o da Galiza , à qual nom é possív el aceder de sde outras apro ximaçons de á mbito
estatal, como por e x emplo desde os catálogos do INLE.
74
A segunda e t erceira fases da verifi caçom fôrom e xe cutadas no senti do de recuperar mos a
produçom de editoras de cuja ligaçom ao SLG tínhamos conhecimento por trabalhos anter iores de
Po luliga, como Akal ou E vere st, bem como a de produtores de or igem galeg a. Por outro lado, o
cr uzamento dos cr itér ios geográfico e de origem aplic ados à produçom sem local ou editor
declarados (s.l. / s.n.) possibilitou a r ecuperaçom de t oda a produçom de editor g alego e a editada na
Galiza em cast elhano. Finalmente, procedemos à eliminaçom do livro bilíngüe galego-castelh ano ou
de qualquer outra espécie com presença da língua galega (inco rp orado já no co rpus de livro em
galego), obte ndo na altura como resultado fi nal um total de 97 7 re ferências para o lapso temporal
compreendido entre 1 96 8 e 1 9 7 8, da s quais 538 cor respondiam-se com o período 1 9 74 -1 9 7 8.
Para o presente trabalho de i n ves tigaçom pa rtimos dos resultados alcançados com o v aziado
e posterior filtrage m da BUSC, de acordo com o processo exp licado acima, e reco rremos ao
catálogo de livro galego da Biblioteca P enzol (que inclui como “libro galego” livros esc ritos em
galego, castelhano e noutras línguas) com o objecti vo de completar e fixar o nosso censo de “livro
galego em ca stelhano” para o período 1 9 74 -1 9 78 . A principal conclusom q ue tiramos com o recurso
ao catálogo de livro gal ego da Penzol di respeito a que os c ritérios de ca talogaçom utilizados nesta
biblioteca pa ra a identif icaçom de registos escritos em c as telhano como “livro g alego” coincidem
com os indicados para a BUSC: local de ediçom do livro, origem do produ tor e temática gale ga.
Um ha v ez individualizados os livros escr itos em castelhano presentes nos fundos da Penzol
para o período des te estudo ( 19 74 -1 9 7 8), cotejados os resultados obtidos da consulta deste tipo de
regis tos nas duas bibliotecas e re visados os outros c atálogos re feridos acima (ISBN, INLE, O libro
gal eg o ...) resulta o censo de 76 0 re ferências que con formam o co rpus enquadrá ve l aos efeitos deste
trabalho sob a epígrafe de “livro galego em ca stelhano” do período 1 9 74 -1 9 78.
2.2. 1.3. O livro g alego noutras línguas
O po rmenor ex igido na aná lise do SLG le va-nos a contemplar no co rp us deste trabalho
também os livros editados em línguas dif erentes do galego e do castelhano dent ro das mar ge ns deste
sistema entre 1 9 74 e 1 9 78. Do mesmo jeito, a abord agem das e v entuais relaç ons estabel ecidas entre
o SLG e outros sistemas literários nes te período explicam que acrescentemos ao co rp us de livros
noutras línguas a s refe rências de obras traduzidas (ou adaptadas) de originais galegos, le vantando
para isso os regis tos censados no Catálogo de obr as liter arias en lingua ga leg a t raducidas a outros
idiomas (Carlos Ca sares 2003) co rrespondentes ao nosso período de estudo. A o lado deste c atálogo
de o bras galegas tradu zida s organizad o por este agente de Galax ia, para a f ixaçom no n osso co r pu s
dos livros escr itos em línguas dife rentes do galego ou do castelhano reco rremos mais umha ve z às
75
bibliotecas da Fundación Pen zol e da USC que, tal como fo i indicado, pa rtem da utilizaçom total ou
parcial da língua galega , da or ige m do produto r, da localizaçom geográfica da editora e da temática
do produto para identificar na altura da sua catalogaçom um e xem plar sob a epígra fe de “livro
galego” (is to é, como produto ge rado ou relacionado com o SL G).
Após acompanharm os o procedimento de f iltra gem e cotejo utilizado para fixar mos o cor pus
de livros, tanto em gal ego como e m castelhano, resultam as 7 4 ref erências que consideramos neste
trabalho c omo constituindo o co rpus de “livro galego noutras línguas”. Os catálogos bibliog ráf icos
de que pa rtimos para f ixar o nosso co rpus de livros para 1 9 7 4-1 9 78 inc luem sob essa epíg ra fe 23
re ferências escritas de acordo com os es tándares por tuguês ou brasileiro (onde destacam claramente
as ediçons e estudos relac ionados c om a literatura medie val galego-por tuguesa) e um conjunto
hete rogéneo de obras publicadas em inglês ( 1 8), francês ( 16 ), italiano (9), alemám (4), catalám (3) e
euskara (1).
2.2.2. Publicaçons períodicas
Com independência de f ormato, pe riodicidade, assuntos, lingua(s), tirage m ou continuidade
edito rial, neste trabalho consideramos r evi stas as publicaç ons de natureza per iódica nom diária que
resultam da ediçom de umha série de um ou mais números nas marg ens do SLG. Este tipo de
publicaçons pe riódicas som, a um tempo, instituiçons e produtos do campo literá rio que podem ter
e feitos nes te ou noutros campos (culturais ou do poder); o le vantamento de mater iais das re vistas é
imprescindí vel pa ra alcança rmos os nossos objecti vos porque, de ac ordo com a tipologia
di versificada das publica çons periódicas, este cla sse de co r pus está di rigido a um público
socialmente mui heterogéneo e é most ra e supo rte das estratégias dos g rupos que o prom ov em,
acolhendo e difundindo as tomadas de posiç om e os elementos repe rto ria is (ta mbém as ideias) dos
g rupos e ag entes com algum grau de institucionalizaçom no SCG de 1 9 74 a 1 9 78 , por mínimo que
est e fo r.
A o igual que o Censo do Livro Galego, o Censo de Publicaçons Periódicas de que pa r timos
f oi construído no seio do projecto Po luliga por acréscimo e cotejo de vár ios catálogos específicos.
Par a a sua elaboraçom utilizámos c omo f ontes p rincipais umha sucesom de catálogos iniciada com
Santos Ga yoso ( 199 0-1 9 95) e c ontinuada por Vil a ve dra (coord., 1 99 5-2004; v . 2, 1 99 7), que dá
também inf ormaçom valiosa sobre a gentes relacionados de mane ira es tá vel c om as public açons, e
por R osa Cal ( 1 988), cuja tese de doutoramento sobre a P rensa alternativa en la zona «no urbana»
de Ga licia ( 19 75-1 984) serviu para inco r porar ao censo de r evistas de Polulig a numerosas
76
publicaçons com um baix o grau de institucionalizaçom e esca ssos ef eitos se conside rarmos o SCG
no ní vel ge ral ( folhas pa rroquiais, boletins associativ os locais e r evi sta s escolares e vizinhais,
p rincipalme nte).
A o lado des tes catálogos pr incipais, para a fixaçom de finitiva do co rp us de publicaçons do
presente trabalho fôrom c onsultadas outras f ont es que cont ribuírom para a estabilizaçom do co rpu s
nas 499 refe rências a ctiv as entre 1 9 7 4 e 1 9 78 com que contamos na actualidade. Re ferimo-nos ao
Repertorio da P rensa Gale ga da Emig ración editado polo Consello da Cultura Galega (Ferná ndez
Santiago e Sa av edra 1 99 8), que forneceu vár ias ref erências até entom nom documen tadas e
in form açons parcelares sobre cronologia e l ocalizaçom das publicaçons sediada s nos encla ve s
galegos; a este fo i somado o ca tálogo da ex posiçom sobre Prens a clandestina no fran quismo
publicado e m 1 99 8 pola Fundación 1 0 de Marzo e actualizado dous anos despois (CC.OO. 2000),
que aju dou a fixar a gr ande quantidade de publicaçons li gadas às CC.OO. da Galiza (Santidrián
Ar ias 1 998 ); f oi acrescentados ta mbém o R epertó rio bibliográfico sobr e a pren sa g ale ga de Cal e
Pérez Pais ( 1 993), útil em menor medida quanto ao número de regist os acheg ados ao censo do
proje cto; e ai nda f orom co nsid erada s as Ba se s de datos de Re ferencias Bi bli ogr áf icas do C entro de
Documentación da Emigración e Inmigración en Galic ia ( http://cepa m.cesga.es/DDB/ ) e os vá ri os
catálogos dis ponív eis na rede atrav és da Mediateca do Centro Multimedia de Galicia
( http://cmg.isum.centromultimedia.net /iliv e/ ), algum dos quais também consultado para a
localizaçom dalgum dos livros que integ ram o co rpu s do projecto. Po r último, ao i gual que no ca so
dos livros, os catálogos de re vistas das bibliotecas da Fundación Pen zol e da BUSC também fôrom
imprescindí veis para fixar de finitivamente o c or pus de publicaç ons periódica s des te tra balho e para
a localizaçom e post e rior consulta física daquelas publicaçons aí registadas; da mesma maneira , o
le vantamento de in formaç om de e xe mplares do nosso próprio co rpu s permitiu conhecer a ex istência
de algumhas publicaçons nom censadas em nengumha das f onte s anter io rmente utilizadas 48 .
Quanto às sondagen s efectu adas na impre ns a diá ri a , já di xemos que elas pe rmi te m
complementar a in formaçom sobre o nosso objecto de estudo f orne cida polas outras tipologias de
co rpus que man ejamos neste trabalho de in ve sti gaçom (em especial das re vistas e da imp rensa nom
diár ia). Para além disto, em vir tude do público al vo procurado polos jor nais (por definiç om
E tampouco nas Revi stas españolas e n curso de publicación (catálogos edi tados polo Instituto Bibliográf ico
Hispánico entre 1 9 71 e 1 9 78 ). F oi de especial utilidade par a completar as publicaçons ligadas aos g rupos da
esquerda o traba lho de Xoán Igna cio T ai bo ( 19 77) em Te i m a (nº 19, 2 1- 28 Abril, pp. 32-33), igual que o de
Fernández Rei (1 990) n' A T rabe d e Ouro (nº1, Jan.-Mar ço, pp. 43-7 1). As sondagens na imprensa diá ria, por seu
lado, dêrom como resultado re ferências como Act ividad discográfica ( L VG , 03/02/ 19 74, pág. 52) ou Xe ito (LV G ,
06/04/ 19 7 4, pág. 23).
77
3.1.1 . Di s c u r s o s c r í t ic o s
Em p rimeiro luga r, a análise da bibliográf ia e xi stente re ferida ao SLG de 1 9 74 a 1 9 78
per mite-nos a fi rmar que e xis te prática unanimidade à hora de seleccionar as regras de obr igado
cumpr imento para a inclusom de mate riais no supradito sistema ou, por outras pala vras, que todos
os trabalhos anal isados apli cam um mesmo cri tér io básico para inte grar um dado elem ento no
conceito “lite ratura galega” 52 . Re ferimo-nos ao ac ompanhamen to unánime nos trabalhos ana lisados
nesta epíg ra fe do critério filológico proposto já em 1 96 3 ( 19 81 3 : 1 1) por R ica rdo Carballo Calero
( Ca rvalho desde os anos oitenta), pro fessor da USC e p rincipa l f ilólogo e crítico lit erári o do
galeguismo a gr upado em vo lta da edito rial Galaxia (o g ru po mais institucionalizado do SLG no
franquismo e na tr ansiçom, tal c omo v erif icámos nos trabalhos de Po luliga):
Técnicamente , é o idioma empregado o que caracteriza ás distintas lite raturas. [...] Nen a
nacencia do autor nen os ambiente s desc ritos [outras no rmas em discussom no pe ríodo do
nosso estudo] son c rite rios a xeitados para determinar a inc rusión das obras de ntro dos
marcos dunha ou outra literatura. [...] Entendo por literatura galeg a a literatura e n galego.
[...] Mais niste libro é o idioma o que nos serv e pra escolma r o mate rial do noso estudo.
Seguimos un c rite rio, pois, filolóx ico, que nos pare z o máis científico , xa que o idioma é o
es to rmento da literatura.
Os itálicos (nossos) chamam a atençom pa ra a estr atégia utilizada por Carballo Calero para re forçar
a sua proposta no rma tiv a: ten tar expu lsar da regra que deseja naturalizar a sua natureza ideológic a
at ribuindo-lhe carácter técni co e cien tífico (o fa cto de denominar “ filológico” este crité rio, e nom
apenas lingüístico, nom nos parece alheio a esta e stratégia) ( T orres Fe ijó 2002).
Ainda que as ques tons relac ionadas com a problemática at ribuiçom à língua galega do
carácter de única norma sis témica ( T orres Fe ij o 200 4a: 429-430) no SLG do período 1 9 7 4-1 9 78
serám analisadas ainda numha epígraf e posterior ( 5 . 1. ), de vemos indicar para os assuntos que aqui
nos ocupam que a ace itaçom deste cr itério lingüístico, estabelecido além de mais como filológi co ,
significa tanto como afi rmar (na terminologia habitual dos mate riais consultados) que unicamente é
“literatura galeg a” aquela escri ta em língua gale ga 53 .
52 A pr ópria necessidade de exp licitar os c ritér ios de participa çom num sistema literár io concreto está já a indicar o
carácter problemático que a crítica detecta numha quest om que, nom por acaso, só ocupa umha posiçom central nas
análise s de sistemas periféri cos. Sobre a importáncia do es tudo dos critérios utilizados para a definiçom
(individuaçom) dos div ersos sistemas literá rios vej a-se J. C. v an Rees ( 1983: 286) . Ne ste trabalho oc uparemo-nos
das di ferentes norma s (sistémicas e de repertó rio ) propost as polos vá rios grupo s actuantes no SLG de 1 9 74 a 1 9 7 8.
53 O m ai or g ra u d e a mb ig üid ad e n este p ont o e nco nt ra mo -l o, com p ost er i o ri da de a 1 978, em R ib era Ll op is ( 1982 : 12;
itálicos nossos) quando af irma que “ A pa rtir de esos años [60] las literaturas cat alana, galle ga y va sca han av anzado,
y mucho, de nue vo. R e f lejando la ince rtidumbre del mundo en der redor, c uesti onando c onscientemente la
obligat or iedad al compromiso por las últimas gen erac iones que regresan a un formalismo asumido, o aceptando la
84
Desta maneir a, tal como acontece na bibliografia analisada, a aceitaçom unánime do critério
filológico como ele mento nor mati vo nece ssár io e xclui a p r i o r i do co r pus do SLG qualq uer
produçom na outra língua assente no espaço social da Galiza contemporánea, o castelhano. P orém, a
situaçom em que se desen vo lv e historicamente o SLG (som aqui re feridos ex pressamente períodos
iniciais na sua construçom ou momen tos de conjunturas políticas especialmente ad versas para o uso
publico da língua gale ga) jus tifica m para a pa rte da crític a que se ocupa desta ques tom tanto a
inclusom instrumental nas análises do SLG da produçom em castelhano dum determinado agente
em funçom da melhor e xplicaçom da sua produçom em galego (só esta última incluída nas mar gens
do SLG) como, em última instáncia, a f l exibilidade na aplicaçom do critério filológi co (em funçom,
como ve remos, de dif erentes c rité rios secundários) assumido pola totalidade da historio grafia
literár ia galeg a posterior a 1 9 78 54 .
idiosinc rasia def initivamen te plur ilingüe de sus anc est rales dominios , nos descubre n una capacidad defi nitiva para
entender su situac ión actual c omo punto de pa rtida c on seguras raíces en su base”. Confronte- se este fragmento com
a fi rmeza presente nas seguintes afi rma çons:
“Pues claro es que, al habla r de liter atura galleg a, nos re ferimos e xclusiv amente a la litera tura esc ri ta en
gal lego y no a la que ha brotado de la per ipecia biográfica , la mediación intelectual y la imaginac ión cr eadora
de algunos hijo s de Galicia que escogieron como ve hículo e xpresi vo el castellano, por mucho que tenga a su
tier ra natal como f ondo o como tema y aunque, unas v eces en busca de color local, otras por un in voluntario o
consciente apro ve chamiento de los recursos estilíst ic os de la lengua del país, esté teñida de galleguidad”
(Vázquez Cuesta 1 98 0: 622).
“Dici r, polo tanto, que a literatura galega abrangue soamente a que é ou foi escrita en galego parece que vai de
seu. Ademais, na situación actual da nosa literatura, podemos aseguralo rotundamente, sen temor a nos
equi vocar” ( Tarrío V ar ela 1 99 4: 9).
“No n cabe dúbida de que é literatura gale ga aquela que es tá escrit a en lingua gale ga, c ri terio de definición de
carácter filolóxico , xa que é a língua a base da literatura” (R odríguez 19 96: 6; itálicos nossos).
“Cómpre deixar ben claro, xa de entrada, que por lite rat ura ga lega entendemos aq uela formulada neste código
lingüísti co” (Vila vedra 1 99 9: 15 ).
“ Ante to do, hai que salientar , malia o dific ilmente discutible deste crite rio, que a Historia da Literatura galega á
que lle imos dedicar estes v olumes é o das obras litera rias esc ri tas en lingua galeg a. [...] «Liter atura galega» é o
conxunto de te xtos conside rados literar ios que ó longo do tempo f oron escr itos nesa lingua romance”
(Vi llanue va 2000: “Presentación”) .
54 Este argumento está presente já na próp ria formulaçom do critério filológico por Carballo Calero em 1 96 3 e é
de fendido posterior mente por produtores que e xem plificam dif erentes posiçons crítico-metodológicas:
“Endebén, se non pode esquecer que, convi vindo litera riamente en Galicia o galego co castelán, as obras
literaria s escr itas nun e noutro idioma in fl úiense a miudo mutuamente, e ao falar de ce rta s obras gale gas será
preciso nos re ferir a outras en castelán de autores galegos, sen a considerac ión das cales non poderían aquélas
ser comprendidas na súa siñif icación histórica. Mais ista referencia terá o val or dun esame de font es, ou dunha
esculca de anal oxías, e faráse sempre e n f unción das obras e n galego” (Carballo Calero 19 81 3 : 1 1). “ [...] a
re ferencia ter á un val or non alén do pur amente estormental [ ...] Así, cor respondéndose coa realidade básica da
fa la, a literatura contemporá nea de Galicia mani féstase en galego i en castelá n. Hai g alegos qu e escriben
sempre en castelán. [...] Están logo os que esc riben en galego. Son os q ue imos estuda r. Mais compre ter en
conta que apena s poderemos atopar antre iles quen non teña esc rito tamé n en castelán” ( ibidem : 1 2). “No n nos
propoñemos estudar senón os esc ritos en galego; pero sería demasiadamente artif icioso silenc iar
completamente aquelas obra s en castelán dos nosos pr incipais autores, que deitan luz encol da súa producción
gal ega. Aludiremos a elas cando cont ribuian a c rar exar calquer ponto do noso traballo” ( ibid em :1 3 ) .
“De tal modo se ha g eneraliza do en nuestros días entre los críticos y los hist o riadores de la literatura la
consideración de la obra de a rte literária como produc to lingüístico que casi no comprendemos que aún hace
poco se ha ya atrevido alguien a afi rm ar: «La literatura gallega se produce de l mismo modo que sus hablantes:
de modo bilingüe» [ Va rela 1 9 76: 1 15 ; como indicámos, da discussom do critério filológico no tempo do nosso
85
V e mos como com a aplicaçom do critério filológico como no rma sist émica o conjunto da
crítica e xc lui das margen s do SLG as obras escritas em qualquer língua dif erente do galego e
delimita a posiçom da produçom em cast elhano em relaç om com este sistema atribuindo-lhe, em
p rimeiro luga r, umha funçom complementar no caso de auto res bilíngües (usada como elemento
e xplicativ o instrumental e secundá rio da co rre spondente produçom em ga lego). Igualme nte,
v eri ficamos nos materi ais analisados que a crític a literária reconhece a dificuldade de a plicaçom
e str ita d o critério filológico em períodos de deficiente institucionalizaçom e escassa autonomia
relativ a (tal como ac ontece em grand e medida no período do nosso estudo) ou, em ge ral, naqueles
em que as circunstáncias sócio-políticas nom f a vo reciam a utilizaçom da língua g alega,
argumentando neste sentido a necessidade de adapta çom na aplica çom deste c rité rio.
Por ém, nem sempre esta me sma crítica coloca argumento s ex plicati vos do grau e xac to de
f le xibilidade que de ve alcançar o critério filológico nessas circunstáncias, nem em funçom de que
cr itérios alte rnativ os ou secundár ios de v e ser limita da esta regra básica, nem da natureza da relaçom
da produçom em castelhano com os dif erentes espaços ocupados polo SLG numhas específ icas
circunst áncia s sócio-políticas coinc identes com fases problemáticas na sua construçom 55 . E m g e r al ,
estas questo ns som apagadas com o recurso à umha alegada “te ndencia histór ica cara ao
estudo trataremos no capítulo 5]. Otra cues tión, y muy di ferente , es la de la utilidad que re vist e para la
comprensión de una literatur a con tan tas lagunas como la gallega el estudio paralelo de los libros c ompues t os
en castellano por quienes en condic iones sociocultura les menos a nómalas ha brían sido sus cultivador es [sic]”
(Vázquez Cuesta 1 98 0: 622).
Despois de a firm ar a ace itaçom do critério filológic o , Vilavedra (1999: 1 6) ch am a a a ten ç om p a ra a “u tilidade
de estuda r, no caso dos esc ritores bilingües [...], a súa producc ión en castelán, par tindo da premisa de que, se
ben esta fica fóra do sistema literar io galego, si pode axudarnos a entender e v alori zar atinadamente a súa obra
gale ga. Por outra banda, o cham ado criterio fi lolóxico debe aplicarse con f lexibilidade en determinadas
situacións coma o Prerrexurd imento, ou a inmediata posgue rra, aínda que non ata o ex tremo de utilizalo para
terxi versar o c riter io sistémico, co que con tan ext rema coherencia se combina, como imos ver ” . Abo rdaremos
nesta epígr af e o signif icado e o al cance deste cri téri o si stémic o .
“Pe ro sería absurdo que unha realidade aga chada, negada, difer ente, sen no rma lidade plena, fos e producir
ax entes ar tísticos hom o xeneizados, vivindo como vi ven nunha situación conf litiva. Nen do ponto de vi sta
persoal, biográ fico, nen do ponto de vista histórico, os escritores e escritoras de Galiza poden ser
ri gorosamente unilingües desde o inicio” (R odríguez 19 96: 6). “Rosalía é unha escritora bilingüe, por
necesidade histórica: [...] A súa obra en español non pode ser considerada plenamente da literatura gale ga
porque lle fa lta o uso do galego como cr iterio nec esario. Con todo, non podemos prescindir desta obra para
comprender a obra en galego de R osalía, para entendela como esc ritora da nosa literatura, como pensadora [...].
[A pr oduçom rosal iana] É produto dunha realidade con f litiva, vivida conf litivamente, e con condicionantes
in evitábeis do ponto de vista dos usos lingüísticos plenos” ( ibi de m : 7). A transcendência da assunçom deste
co nflit o sócio-político, fundamen talmente pola crítica nacionalista gale ga, será ta mbém contemplada ao longo
desta epígr af e. Para as repercussons do con f lito lingüí stico no te xto literár io vid Antón Figueroa ( 198 8).
55 Julgamos que só González-Millán (2003: 1 6-1 8) ref lexi ona sobre os condicionamentos par a a implementaçom deste
critério nos encla ves do SLG. Será igualmente González-Millán (concretamente, 1 99 8a: 1 8) quem aponte par a a
necessi dade de colocar no fo co da i nv esti gación “as múltiples interac cións discursi vas qu e det e rminan e configuran
o espacio sociopolítico e cultural no que eme rx e o criter io filolóxico, as relacións entre o fe nómeno lingüístico, o
literario e o nacionalitario, e as articulacións que le xitiman cada un deles como f ormacións sociodis cursiva s
específica s”.
86
unilingüismo” (R odríguez 1 99 6: 7) sustentada na tom ada de c onsciência identitá ria di ferencial da
comunidade galeg a, nos pla nos individual e colect i vo, que é ligada directame nte com a progressi va
assunçom e a co rrespondente habilitaçom do instrum ento lingüístico autóctone; esta lig açom entre
aumento da consciênc ia identitá ria e utilizaçom da língua gale ga, digamo-lo ainda que seja de
passa gem, é consubstancial aos nacionalismos e tno-filológicos (é o caso do galego) e é entendida
polo conjunto da histor iog rafia literá ria analisada de mane ira teleológic a, em coerência com o papel
unanimemente central por ela atri buído ao critério filológico no SLG e co rrelativamente à
consideraçom ge ral da língua galeg a como p rincipal (ou único) elemento etno-identitário di ferencial
imprescindí vel da comunidade gale ga 56 .
Concordamos com María Xesú s Rod ríguez Fernández ( 199 9: 50-5 1) quando afi rma na sua
tese de licenci atura que o consenso em to rno à acei taço m do crit ério filológico como única no r ma
sis témica produze-se a par tir do ano 1 98 0. Despois desse ano, nós unicamente detectamos umha
tomada de posiçom no sentido de q uestion ar a funçom desta regra no ano em que conclui o período
abrangido polo pro jecto Fisempo ga (a já re ferida de Ribera Llopis em 1 982; e pr o ven iente, por tanto,
do SLE). Outra pr o va da relativa estabilidade alcançada por es te cr itér io delimita dor após o período
es tudado polo projecto F isempoga encontr amo-la na forte oposiçom com que a prática unanimidade
dos g r upos presentes no SLG recebêrom a conce som do Pré mio Na dal no ano 1 99 0 a Alfredo
Conde, a té e sse mome nto produtor modela r (e monolíngüe) no SLG, polo romance (em espanhol)
L o s o t r o s d í a s . A funçom nor mativa da língua galeg a nesse estado de campo fa i com que o
abandono por Conde da nor ma sistémica já estabilizada , assim como o re forçamento do re feren te de
oposiçom que supom a decisom deste age nte de conco rrer a um prémio do SLE , traga como
conseqüência o imediato af astamento da centralidade que ocupa va até esse momento (del Caño
2009) e e xplicam que Carlos Casares, p rincipal agente do g rupo Galaxia na altura, af ir me que ( in
Carballa : 1 9 9 1):
56 Ain da qu e co m ma io r ê nfase em pro pos tas c rí tic as pr óp r i as do n aci on al is mo gale g o (Rodrí g uez 1 985, 1990 e 1 996)
do que em análises mais próximas da aborda gem do fei to literá rio como insti tuiçom autónoma ( Tarrío V ar ela 1 988 e
1 9 94), estes argument os estám prese ntes em ambas as posiçons: “Non é que o futuro est exa as egurado ou xa
decidido. Está o rientado nunha dirección que non é a irl andesa [consecuçom da soberania política e abandono da
língua própria]. O futuro da nosa literatura nacional estará condicionado pola e vo lución política do país” ( Rodríguez
1 985: 20). “Existe, sen dúbida, a tendencia histórica car a ao unilingüismo, como ex iste esta tendencia tamén nos
produt os literarios individuais, loxi camente. Porén, sempre condicionada por destinatario s, ubicación, biograf ía,
cambios ideolóxicos, e xpectativas de futu ro e compromisos, como non pode ser menos nunha realidade nacional que
non ten garan tido aínda o seu der eito á exi stencia plena. Está aínda gra vemente condicionada na súa espresión plena,
de seu” ( Rodríguez 1 996: 9). “Cando Antolín F araldo e os seus compañeiros de andainas r e volucionarias redactaron
un manif esto literario [...] alá polo 1 845, tit ulado «Nuest ra Bandera Lit era ria» [...], non dubidaron en facelo en nome
da «Literatura Gallega», [...]. pensando na literatura española que fa cían os esc ritores nacidos en Galicia [...]. Os
acontecementos posteriores fo ron habilitando, pouco a pouco, a lingua propia de Galicia para a ex presión estética e
v ol vendo cada v ez máis cer ta a refe rencia de Fa raldo a unha literatura g alega, ata o punto de fa cer da súa ex istencia,
h oxe en día , unha ve rdade sólida e irreversi bl e ” ( Tarrío V ar ela 1 99 4: 1 0; itá licos nossos).
87
tiñamos conquistado un te r r itor io para a nosa lingua e esa fo i unha das accións mais
impor tantes nos últimos 20 anos. Escreber na Galiza era escreber en galego e só en galego,
conqui sta moi impor tante e que parecía definitiva . Que un escritor dea un paso atrás na
conqui sta deste espacio literario resúltame incomprensible.
Ora, como indicámos, apesa r da centralidade concedida pola crítica e a his to rio gra fia
literá r ia ao critéri o filol ógico para a delimitaçom deste sistema literá rio (e cultural) per ifér ico ao
longo do seu processo de construçom, a ar gumentaçom sobre as mar gens ou as condiçons de
aplicabilidade desta nor ma sis témica nom ocupa um vo lume de re fle xom equi valente nos trabalhos
analisados, nem abordadas do ponto de vista his tó rico, nem topog ráf ico (para os encla ve s), nem
quanto às suas relaçons com o campo nacional ga lego ou com os div ersos dis cursos identitários
propo stos 57 ; ta mbém detectamos esta lacuna em momentos e estád i os (como os que som objecto
des te trabalho de in ve sti gaçom e do projecto em que se integ ra) em que o SLG pode se r
caracte rizado fundamenta lmente por um de ficiente gr au de autonomia e institucionalizaçom ou, por
outras pala vras, de escassa suf iciencia sistémica (entendida polo pro fessor Elias T o rres [2000: 970 e
ss. ] como o mantim ento da conti nuidade, da identidade e da estabilidade dum sistema cultural sem
que estes traços sejam alterados e m dependência de agentes, instituiçons ou sistem as alheios).
Aliás, as fa ses nas quais lhe é r econhecida algumha instabilidade ao critério filológico nunca
som fixadas cronologica mente (para além de pe riodizaç ons em maior ou menor medida gera is e
canónicas 58 ), assim como tampouco som ex plicadas a s c aracterísticas ou as circunstáncias que fa m
que em estádios do SLG similares a estes quanto a estrutura e funcionamento nom seja apon tada
umha modulaçom parecida na aplicaçom do critério filológic o . Es ta escassa problematizaç om
detectada quanto ao ca rácter no rmativo da língua literá ria empre gada no SLG (tanto nas mar gens
como nas fa ses de aplicabi lidade do critério filológico ou na suas relaçons com outros campos e
discursos) contrasta com a atençom dedicada a est e tema noutros si stemas culturais per ifér icos
ocidentais ( ve r, por e xe mplo, Bellea u 1 9 83: 1 9-20 para o caso do Quebeque) e traduze -se numha
ausência marcante quan to à re f le x om sobre e ste assunto.
5 7 De mane ira funcional, entendemos por “campo nac ional” o lugar do e spaço social onde está a ser c onstruída a
comunidade polí tica imaginada, como i nerentemente limitada e (rela tivame nte) soberana (Anderson 1 98 3: 23).
58 Como “Pre rrex urdimento” (Vil a vedra 1 99 9: 1 6 e 1 995-2004 I: 1 1), “R exurdiment o” (V ila vedra 1 99 5-20 04 I: 1 1 ) ou
“inmedia ta posgue rra ” ([1 939-1950?] Vila vedra 1999: 16 ). O prof essor Anxo T arrío (2008: 248) locali za o pré-
R e xu rd im en to e n tr e 1 8 4 0 e 1 8 6 1 e o R e x u rd im e nt o ent re 1 8 62 e 1 9 0 6; r e f e re t am bém a “t en s ió n co nfli ct i v a en tr e l a
[cultura] elaborada a través del idioma propio de Galicia, es dec i r, el gall ego, y el supe rpuesto, el castellano, de sde,
cuando menos, la segunda mitad del siglo XV” (pág. 249), afi rmando na continuaçom que, “por todo es to, aunque
en este traba jo nos fi jaremos sobre todo en la producción literaria en gallego, habra que tener siempre en cuenta la
realidad del sistema literar io hegemónico del castellano en Espa ña, y también en Galicia, en los períodos que nos
hemos propuesto obse rvar [(os dous citados e a «Época Nós» [1 9 16- 1 936])]” (pág. 250).
88
Contudo, nos ma ter iais consultados enc ontramos algumhas refe rências a esta ques tom
procedentes dos pr incipa is representantes das duas orien taçons metodológicas maioritárias no
campo da crítica literár ia galeg a posterior a 1 9 7 8. Estas ref erências a crité rios utilizados para
complementar ou (de)limitar o grau de aplicabilidade do critéri o filológico permite-nos v e rificar
também que as regras propostas estám em relaçom direc ta com a metodologia de análise adoptada,
de acordo com o qual encontramos, dum lado, as propostas te óricas do prof essor Francisco
R odríguez Sánchez ( 1 985, 1 99 0 e 1 99 6), pr incipal idea-marker da esquerda nacionalista galega do
após-guer ra para assuntos culturais e lingüís tico-literá rios e, neste sentido, máximo representante
nesta altura da conceiçom crítica que X oán González-Millá n (19 94a) chamou “nacionali smo
literár io”; doutro lado, aludiremos à análise desta questom f eita pola pro fessora Dolores Vil a vedra
(sobretudo 1 999), enqua dráve l na par te da crí tica literá ri a galega de f ins do sé culo XX que utiliza
nos seus trabalhos terminologia própria de aborda gens rel acionais (sistémicas e de campo).
Em p rimeiro luga r, Francisco Ro dríguez condiciona a suf iciência do critéri o filológico ao
compromisso social e nacional que um determ inado produto ou produtor tem necessariamente q ue
atingir para ser considerado por e sta pa rte da cr ítica como inte grado na “literat ura galega”. Ainda
que o pro fessor Francisco Ro dríguez estabelec e a posiçom do comunismo pat riótico da U nión do
P o v o Galego (UPG) já no início da década de setenta , quanto a ponta para os vá rios compromissos
que de vem contrair t exto s e produtore s para serem incluídos dentro do ámbito de re ferência do
sin tagma “lit eratura galega” 59 , é no f im desta déc ada (Rod ríguez 1 97 9) e, sobretudo, em R odríguez
1 990 e 1 99 6 quando, perante a centralidade alca nçada no campo da crítica literá ria galeg a de
cr itérios legitimadores de natureza estética e comercial até entom claramente secundár ios no SLG 60 ,
o lí der da crít ica n acio nali tár i a expressa d e ma neira categó r ica que (Rodrígu ez 1 996: 9 ; itá lico no
59 Francisco Ro dríguez ( 1970) publica no tardofranquismo um trabalho na re vista de Galaxia ( Gr ial 30, 1 97 0: 455-462)
em que aponta já e m p rimeiro lugar para o “compromiso lingüísti co” ( selecçom do galego como língua literária, que
significar á também umha escolha “por ende temática” e mesmo gen éri ca, no sentido da preeminência da lír ica,
porq uanto no processo de construço m do SLG até essa altura é claramente detectáve l a “falla de n o velí stica dabondo,
e por supost o de teatro”, pág. 455); em segundo luga r, o prof essor R odríguez chama a atençom para o “compromiso
inteleitual” do produtor c om “o mundo social e cultura l onde ún ten nado”. Este segundo “compromiso [do
produt or] c o seu pobo” (que tem como e xe mplo pa radigmático R osalia de Cast ro, centro canónico indiscutido do
SLG já desde fi n do século XIX) ex plica já na altura para este crítico o “caráiter solida rio da nosa literatura, [...] . Por
ende, todo o que é solida rio per mítasenos a faramalla de decir que ten que ser progresista. Indudabelmente é
impensábel ho xe un imperialista escr ibindo en galego e, apurando un pouco as cousas, hastra un dec idido e
entusiasta partida rio do c apitalismo” (pág. 456).
60 “ At a hai pouco, pa ra os estudiosos da literatura gale ga o criter io f ilolóxico do idioma empre gado definía
categoric amente a ca nonicidade dun te xto; progr esiv amente ese c rite rio foi perdendo a e xclusividade, e a pa rtir de
1 9 7 5 tivo que compartir o seu poder con outras fórmu las de l exitimac ión, nas que interviñan xuízos de a val iación
est étic a e comerc ial, ao lado doutras consideracións sociais. En gran par te, esta división debeuse á entrada do
discurso litera rio en espacios ata entón pouco accesibles (a universidade, o ensino medio e pr imario, e as
institucións públi cas” (González-Millán 1 994 : 33).
89
or ig i na l)
é literatura g alega a qu e esá feita en g alego e r es ponde á conciencia de Galiza como
r ealidade cultu ral autónoma, di fer enciada . O uso da lingua aparece, pois, com o unha
condición ne cesaria , malia poida non ser suf iciente, para foca lizar a realidade propr ia, desde
dentro dela 61 .
De acordo com a lite ralidade das pal avras de Fr ancisco Ro dríguez, em última ins táncia, a
aplicaçom do que podemos de nominar crit ér io identitá rio (a consciência da identidade dife renciada
da Galiza) e xigiria a e xcl usom de fa cto das mar gens do SLG dumha par te da produçom em galego
hoje ex istente. Ao nom v e rifica r mos este e xtremo nos trabalhos que acompanham implícita ou
e xplicitamente esta propos ta c rítica ( tampouco na His toria da lite ratura g ale ga em cinco vol ume s
que encabeça o trabalho de Francisco R odríguez anter ior mente citado, editada por Ansede Estra viz
e Sánch ez Iglesias em 1 99 6) entende mos que este c ritério identitá rio é funcional no plano
identif icador (delimitado r de inclusom-e xclus om no sistema em fo co) apenas se o considerarm os de
maneira inclusiva , isto é, se entende rmo s que a simples utilizaçom da língua gale ga significa
imediat amente a posta em prática da reclam ada consciênca identit ár ia dife rencial 62 .
Por ém, este c rité rio identitá rio si tem c laramente umha funçom hierarqu izadora, de
atr ibuiçom dumha posiçom mais ou menos central dum determinado reper tó rio no cánone literá rio
galego (isto é, o c rité rio identitá rio é c omplementar e opera sobre o conjunto da produçom do
sistema como umha caract erística necessá ria para a selecçom dos repert ór ios que de vem ser
va lorados e reproduzidos). González- Millán ( 19 94: 27) sintetiza esta posiçom indicando que, para a
pa rte da crítica que ele denomina “naci onalismo litera ri o”, “no canon deberían entrar
6 1 Em 1 98 5 R odr íguez recorre à legitim idade que fornec e a tradiçom (elemento ce ntral na conf iguraçom do SLG
hist or icamente considerado e, também , no período fo cado nesta tese de doutoramento) para assen tar dous cr itérios
identificadores da literatura galeg a: “Carballo Cale ro, con esa contundéncia empi rista qu e, moitas ve ces, o
caracte ri za, chegou a afi rmar que literatura galega é aquela que está esc ri ta e n galego [ci ta pola 2ª ed. ( 19 75 )].
Estamos pe rante un cr itério puramente técnico, f ilolóxico. Nós podemos engadir , a demais, que é aquela que está
f eita desde dentro do país. [...] Ne ste sentido, outro dos nosos críticos literários de xuícios ben a valiados, Uxio Carr é
Aldao, di na sua «Literatura Gallega» [Ed. Maucci, Barcelona, 1 9 1 1 , pág. 36] que a nosa literatura é aquela que
recolle os sentimentos e as aspiracións do noso pobo” (pág. 1 1) .
62 Sobre o “ex traordinario poder asignado al c riter io filológico”, responsáv el desta leitura inclusiva em vi rtude da qual
“toda la producción literaria escri ta en Galicia era c onsiderada una par te del panteón nacional”, veja-se González-
Millán (2002a: 229) . Francisco Rodríguez (1990) ent en de qu e “na literatura esc rita en galego albisca-se, cando
me n o s , a co n f i g u r a c i ó n d u n povo co m v i d a ” ; e q u e “ u tilizar un idioma ou outro, nun cont exto como o noso,
cor responde a dif erentes actitudes ante a realidade global” (pág. 1 1) ; “É certo que, ho xe en dia, non todos os que
usan do galego e x clusivamente na sua produción literária , o fan coa integración necesá ria e fo nda [sic]. [...] Ne sta
situación confusa e contraditória qu e ho xe vive mos, dá-se o caso de quen, por puro opo rtunismo mercantili sta -a
«política» de prémios- desde o campo ideolóxico españolista e obx ectivamente ao ser vizo da asimilación cultural e
lingüísti ca, acaba por ser esc ritor galego... Pero obxe ctivamente están a xo gar todos nunha trax ectó ria de facer de
Galiza un Paí s no rmal, pois asi están condicionados na sua conduta, no eido da literatura escr ita” ( pág. 1 9).
90
e xcl usi vamente te xtos de temática soc ial e intencionalidade reivindicativa, e só aqueles autores que
pr ox ectasen unha imaxe paradigmática da comunidade nacional” 63 .
Do nosso ponto de vista, entendemos que apes ar de se r expressado como se de umha norma
sistémica se tratasse (reg ra de obrigado cumpri mento para inte grar um determinado sistema
cultural), o que vimos chamando cr itér io identitário funciona de f acto c omo umha norma de
repe rt ó r io , já que nom delimi tar ia a pe rtença ao SL G mas si caracte riz ar ia e hierarquizari a a
posiçom de dete rmin ados elem entos no seu int erior ( Torres Fe ijó 2004a: 429 e 437). Por outro la do,
a expressom deste c rit ér io com o complemen tar ao fi lológico, já seja para caracte riza r o SLG ou
para de terminar as suas margen s, introduze neste si stema um elemento legitimizador de na tureza
político-ideológica (qualidade compa r tilhada, por out ro lado, com o c rité rio dito f ilológico) ne ste
caso di ficilmente identif icáv el ou quantific á vel de forma empírica (tampouco é achegado qu alquer
método ou pr ocedime nto para a detecçom desta qu alidade). Ne sse sentido, a f ormula çom deste
cr ité rio heterónomo (em quant o ge rado no ex ter ior dos campos de produçom cultural) constitui um
ideologema (tanto no sentido de Bak thin, ex pre ssom que induze a umha dete rminada ideologia ,
como de Kr ist eva, a mais pequena uni dade inteligív el dum ha ideol ogia) que atri bui e xplicita mente
umha funçom política e ideológica aos produtos enquadrados no SLG, por mais que, como v er emos
adiante, nom unicamente (Ro dríguez 1 99 0: 1 0-1 1; ca rregado no origina l):
A nosa literatura até 1.936, de fo rma clara, é fundamentalmente unha literatura
tracexada para a de salienación cultural c olectiva , formando pa rte dun esforzo de
conf or mación dunha consciéncia nacional galega. T e n, pois, unha clara func ionalidade
social e mesmo política , ainda que non a poidamos r educir a esta catego ria .
Esta norma complementar está sustentada numha metodologia de análise de base
mater ialista que considera “os t exto s literá rios produtos históricos e , polo tanto, cun sentido en
relación co proceso da história” ( Rod rígue z 1 99 0: 5), que pa rte da consideraçom da Galiza como
Segundo os est udos realizados por González-Millán ( 19 94 e 1 9 94a) sobre a mudança de critérios identificadores/
legitimadores após o franquismo, quer a e ventual ex clusom do SLG quer a loc alizaçom c entral/ per ifé rica de
produt os e produt ores derivada da aplicaçom deste c ritér io af ecta ri a claramente à produçom elaborada com
pos te rior idade ao período de vigência do projecto Fisempo ga, tendo umha incidência muito menor em fases
anteriores de construçom sistémica (ta l com verificare mos através dos resulta dos de Polu liga). Quanto ao
estabelecimento de centros e pe riferias no SLG no período do nosso estudo, chamamos a atençom pa ra as cautelas
com qu e de vem ser desenhadas estas posiçons em sistemas deficitár ios (onde todos os mate riai s constr uídos de
acordo com as no rmas básicas contribuem para a legitimaçom do sis tema), no sentido de que “na literatura galeg a
aín da ho xe [1994] no n a par ec en c om cla r id ade s uf ic ie nt e a dist in ció n e ntre ce ntr o-p e rife r ia, a d isti nc ión en tre
modelos canonizados ou non; en todo caso, non aparece unha literatura ma rxinal ou imaxinada como tal, da do que
hai un fe nómeno de niv elación [...] que fa i imaxinar os t extos nun mesmo plano” (F igueroa 1 99 4: 10 4; itálico nosso).
As ferramentas de ARS (pro gramas como UCINET e P A JEK) permitem várias possibilidades de mediçom da
centralidade dum elemento (v eja-se http://pa jek.imfm.si/doku.php , V elázqu ez Ál varez e Aguilar G allegos 2005 e,
sobre os di versos modos e medidas de centralidade/ centralizaçom, Re yes Herrero 2000: 2 01-2 ).
91
comunidade cultural e politic amente dominada e que, em conseqüê ncia, nom ocult a a sua
intencionalidade política (cifrada no c arácter social e nacionalitá rio atri buído ao conjunto dos
produtos cult urais), da qual dependerá qualquer outra funçom c on ferida a os produtos literári os 64 . A
centralidade deste “cr ité rio histórico-político inte r no” ( Rodríguez 1 990 : 1 9) ne ste método de análise
e xplica, em última instáncia, as tomadas de posiçom do “nacionalismo literá rio” tanto ante s como,
para o aspecto que agora nos ocupa, despois de 1 9 78 , quando, perante o pr ocesso de
institucionalizaçom e xperimen tado no SLG desde o início do período autonómico, esta pa rte da
crítica rejeita a s práticas e os modelos virados para o mercado ou a fastados em maior ou menor grau
da primordial funç om social e nacionalitá ria por ele imputada aos produtos e aos produtores
literá rios 65 .
Esta análise heterónoma do SLG é discutida abe rt ament e pola secçom da crí tica que,
partindo de análises de ca rácter relacional com base nas te orias de Lotman, Ev en-Zohar ou
Bourdieu e re fe renciando-se em grande medida nos contri butos de González-Millán para o caso
galego, ent ende a literatura “como sistema semiótico, com o institución e como producto t extual”
(Vil av edra 1 999: 23) 66 . Este se ctor da crític a alcunha de “perspectivista” (pág. 1 9) o c rité r io
64 Este grupo presta aten çom de manei ra destacada, aos “m ov imentos sociais e políticos, coa sua subxacente base
estrutural, para estudar a relación da literatura con eles. Na situación de Galiza, literatura e ideolo xia e/ ou
polític a gard an relac ións evi dente s . A parti r dun determ inado momen to é a relación da literatura co nacionalismo”
(Rodríg ue z 1 990: 18 ; ca rr ega do n o o r i gin al ). Ta mbé m fai dep en de r a fun çom esteti c a a res pei to da f un çom s óci o-
política e identitária atri buída à literatura, t al como aponta a afi rmaçom de que “os mellores escritores , os qu e
che garon a facer obra de calidade, son un tipo de persoas que, dalgunha maneira, non a ceitaron o orde social bu rgués
imposto sobre Ga liza” ( Rodrígue z 1 985: 10 ). Por últim o, a metodologia mate ria lista a ssenta na situaç om pe rifé r ica
da Galiza e na def esa do “ carácter comple xo e con fl ictivo da práctic a literar ia na G aliza. Non é posíbel explicar esta
práctica sen coñe cer acaidamente a propr ia e vol ución histórico-cultural de Galiza desde os intres da súa dominación
e castración polo Rei no de Castela e a súa posterio r integración subordinada e depende nte dentro da estrutura do
Estado Español. A literatura, a conciencia litera ria, as prácticas a rtísticas, teñen unha base material socio-
económica. No caso da lite ratura, unha base li ngüística” (R odrígue z 1 996: 9).
65 P ara estas ques tons é de leitura ob rigada González-Millán ( 1994 , em especial as pp. 23-42). Sirva apenas como
e xe mplo do dito o rejeitamento da cr ítica nacionalista a “i nv entar unha literatura infanti l gal ega” (Doba rro Pa z 1 985:
9 1) ou, pr incipalmente, as sete “car acterísticas do conxunto literari o galego, obse rvado como proceso histórico
aínda non t otalment e consolidado ”, expre ss ada s p or Fr anc is co Rodríg ue z (1996: 10-1 1; it ál ico no ss o) e n em s em pre
v eri ficadas no actual período autonómico: a “clara funcionalidade soc ial e mesmo política, se se quere,
instrumental” do discurso literár io galego; a “grande contr ibución da poesía líri ca á literatura galega”; o “proceso
histórico, [...] e ncamiñado á no rmalización da práctica literar ia en galego a c arón doutros procesos de
normalizac ión, non concluídos nen consolidados”; a “impor tancia da cabilación ideolóxica, política e fi losófi ca” na
literatura galega; a “polivalencia do esc ritor galego, historica mente moi vinc ulado a tarefas socio-política s e, desde
logo, labora lmente case nunca prof esionalizado na escr ita” e a maior madurez da prática literá ria em comparaçom
com “a t eor ización e c rítica sobre el a”.
66 Pa rece oport uno re feri rmos, ainda que seja de passagem, “Os problemas dunha lectura (poli)sistémica da literatura”
colocados por González-Millán (20 01) na última fase da sua t rajectória. Em síntese do pro fessor Art uro Casas (200 7:
66; itálico no or iginal), nesse trabalho González-Mil lán “analiza a que considera ambigüidade teórica de E ven-
Zohar e o seu e xcesi vo dé bito c o positivismo funcionalista, co formalismo de Tini anov e cunha concepción
semiótic a da literatura insuficientemente aber ta e en cambio abstra cta de máis, mo tiv o este polo que a teoría dos
polisistemas darí a e n pr omo ver unha ser ie de leis dit as univ ersais mediante un proce so inducti vo e e sencialista,
parco na atención a situacións sistémicas di ferenciadas e per igosamente homo xen eizante”.
92
identitá rio propost o polos nacionalistas galegos, considerando-o dific ilmente compatív el com “o
es tudio da literatura galega como un sis tema autónomo e autóctono”. Em troca, umha das p rinc ipais
de fensoras destas posiçons metodológicas, a pro fe ssora Dolores Vil a ve dra ( 1 999: 1 7 ), propom o que
ela denomina criteri o sisté mico , -isto é, “a consideración da literatura como un conxunto ou rede de
elementos interdependentes no que cada un se define fronte ós restantes pola función que
dese n vo l ve na antedita rede”- em primeira ins táncia como um método de análise capaz de ren o var
os estudos literários, “superar o «te xtocentrismo»” e “atopa r un n o vo paradigma epistemolóxico,
que se pretende empírico e funcional, fronte ó ca rácter históric o-he rmenéutico do paradigma no que
tradicionalmente se viñan xe rando as teorías literá rias” (pp. 1 6- 1 7) . Com esta perspectiva
metodológica de o rient açom sist émica, os trabalhos críticos e hist o rio grá fico s aqu i situados (saídos
fundamentalmente do ámbito da USC) pretendem abordar o SLG como umha “institución
l exitimamente autónoma” (Vil a vedra, 1 99 9: 28) mas também foc am entre os seus objectiv os
“ integ rar out ros [cr ité rios] coma o filolóxic o ou mesmo parcialmente o [...] denominado
«perspectivist a»”, que nos vimos identif icando como identit ári o ( Vila vedra 1 999: 2 1; itálic o
nosso) 67 .
Comecemos entom por a nalisar a ques tom da re ferida integraçom dos c ritérios f ilológico e
identitá rio no alegado “c rite rio sistémico” atra vés dos argumentos com que Dolores Vila v edra
( 1999: 20-2 1) sustenta a consideraçom do que parece ser també m um no vo cri tér io no rma ti vo como
“moi a xeitado para matiz ar o filo lóxico á hora de delimitar o campo de es tudio do que aquí estamos
a denominar «literatura gal ega»”:
En p rimeiro lugar , porque nos per mite incluír nel todos aqueles productos literar ios de
intención estética (é dicir , non mimética) [...] que se emiten p rio rita riamente no espacio
67 A discussom da funçom hierarquizadora que os de Fra ncisco Ro dríguez a tribui em à prese nça de valores
nacionalitários nos produtos literár ios le va Vi la vedra ( 1 999: 1 7- 1 9) a a fir mar o seguinte: “Os anteditos criter ios
[filológico e “sistémico”] seméllannos di ficilmente compatibles cos que pro visoriamente podemos denominar aquí
como perspectivistas post o que consideran a literatura gal ega «aquela que está feita desde dentro do País»
(Rodríg ue z 19 90 : 11 e, n a me sma l iña , 1 996) , apo sta n do p or un ha valo ra ció n ax io ló xi ca q ue pa se p or «de mar ca r a
fun ci ón qu e c umpr en ob ra s e a uto res n a confo rma ci ón h ist ór i ca da co nc ié nci a na cio na l» (Rodrí gu ez 1990: 19 )” . “ En
última instancia, segundo esta definición o te xto literario galego atopa a súa natureza de tal ó ser vicio dunha
teleol oxía social e política q ue cons titúe unha neg ación implícita do pr otagonismo da función poética da lingua xe no
te xto litera rio, [...] [e reduze] os tex tos litera rios á e xc lusiva considera ción de productos históricos, [...]. [...],
segundo o de vandito crite rio perspectivista terían qu e estar claramente relegados e val orados de f orma pouco
positiv a no sist ema literario galego todos aqueles te xtos que se negas en -ex plicita ou impl icita mente- a colaborar no
pr oxect o de construír unha conciencia nacional; paralelamente, o factor determin ante da xerar quía literaria sería o
grao de compromiso com esse pro x ecto”. “O críte rio que antes cualifiquei como «perspectivi sta» paréceme que peca
dun ce rto reduccionismo, se ben o grande obstáculo que na miña opinión prese nta é que -par ad oxal e
indirectamente- nega a capacidade de autol exitimación do discurso litera rio galego e, instrumentalizándoo, impide a
súa definitiva autonomización e institucionalización, condenándoo a funcionar como un discurso eterna mente
vicario ou subsidiar io”.
93
f ases di fe rentes na sua configuraçom (enlaçadas sub stancialmente polo período que é objecto do
projecto Fisempo ga e, no seu centro, polo la pso temporal fo cado neste trabalho) per mite-nos
conduzir o nosso discurso para outros aspectos presente s no campo da crítica literár ia galeg a, a
começar pola coincidê ncia nas dua s p rinc ipais f ocag ens teó ricas (t al como fôrom apresent adas até
aqui, a críti ca naciona lista e a sistémi ca) na necessi dade de utilizar paradigmas interpretati vos
capazes de da r conta das especif icidades históri cas de sistemas lit erár ios como o galego (li te ratura
“per ifé rica ” ou “débil”, segundo seja R odríguez [ 19 96] ou Vi la v edra [ 1999] a ref er i-la),
caracte riza dos por umha def iciente institucionali zaçom polí tica e cult ural e por umha sit uaçom
lingüís tica identificada como diglóssica, fronte a sistemas “centra is ou “ for tes”, com alto gr au de
autonomia e institucionali zaçom e que tenhem a creditada, por ta nto, a sua suf iciênci a sist émic a.
No per curso pola bibliogra fia sobre o nosso objecto de es tudo encontra mos que as primeiras
re f le xons ex plicativas da necessidade de utilizar metodologi a espe cíf ica para o estudo do SLG
partem da identificaç om des te com sistemas literár ios perifé ricos em “situaciones de tipo colonial o
semicolonial” (Vázquez Cuesta 1 9 80: 622), na senda dos pos tulados já conhe cidos proposto s pola
parte da crítica chefiada polo pro fessor Francisco Rod ríguez 77 . Este g r upo, para o qual o carácter
colonial da Galiza determina os modos de estudo do SLG, (pre)ocupa-se em evi de nciar o carácter
social e nacionalitá rio da prátic a literá ria na Galiza e em e xplicitar a autonomia sistémica do SLG a
respeito do SLE, com q ue concor re polo mesmo espaço social 78 .
77 Encontram os umha boa ex pressom do rejeitamento dos instrumentos teórico- met odológicos utilizados polos
sistemas dit os nor malizados para o estudo do caso galego na int roduçom do manual publicado por este g rupo atra vés
da AS-PG em 1 98 2 (Carballo Calero et al : 5-6): “a i rregula r traxectória literária do noso país garda perfeita simetria
a respeito das vicisitudes históricas por que atra vesámos ao longo do tempo e tamén como esta nosa literatura fo i
fundamenta l par a facer adquiri r e medrar unha c onciéncia da próp ria identidade e dos própr ios problemas. Doutra
parte, a literatura galeg a sofreu as consecuéncias máis dunha v ez da crítica que f ai da erudición fin e non meio para,
da crítica filolox ista ou da crítica fe ita desde a óptica da literatura española . T od os estes en fo ques serviron para
desconte xtualizala e se rviron, desde logo, para lle negar o seu valor fundamental, como mater ialización a rtística do
noso idioma e ex presión da nosa especi ficidade hi stó rica e cultural . Nun conte xto con f litiv o como o noso, onde a
normalizac ión lingüíst ica e cultur al é unha conquista diaria, hai algo que non debe ser obviado nun ca: ex plicar «para
que» serve a a r te, a literatura que se fai, e «por que» é ne cesá ria a sua ex istencia, a sua reno vación e a sua
continuidade. Do contrár io ca ímos na di vagación e sté ril, por innecesá ria ou dilettante [sic]”.
7 8 “La literatura galleg a no constituye un calco, una traduc ción al gallego de la castellana -c omo parecen creer
algunos-. Se rige por su propia dinámica; est á org anizada en torn o a otras líneas de fuerz a porque brota en un clima
espiritural y socio geográfico di fere nte. De ahí la asincronía de esc uelas y estil os entre la lite ratura g allega y la
castellana a pe sar de l fo rzado bilingüismo de los esc ritores gallegos y de la presión cultural a que se encuentran
sometidos. E s ta asincronía llega a producirse dentro de la obra de un mismo escr ito r. [...]. Como sucede en otros
países del T e rcer Mundo (estamos pensando, por ejemplo, en Cuba o el Brasil), todos los ex per imentos que
periódica mente se hacen de a rte «non engagé» fracasan porque los mismos que con tan ta ilusión los emprendieron
derivan hacia campos solidar ios, tal es el peso de la acuciante y con f lictiva realidad” (Vázquez Cuesta 1 98 0: 8 71 ).
“ A his toria da literatura ga lega é autónoma e independente da súa v eciña e spañola, aínda que moitos críticos siguen
empeñados en considerala unha ponla dialectal na que se esf orzan por detectar sombras de todos e cada un dos
m ovime ntos culturais metropo litanos” (Méndez Ferrín 1 984: 18 ). “A p rá ct ic a literaria que mere ce o nome de gal ega
non é un a péndice da española, senón algo espec ífico, dunha realidade específ ica. O que se entende por un produto
cultural xenuíno, coa súa propia dialéctica , coa súa difer encia lingüística e coa súa re alidade ref erencial e visión do
10 0
No caso da prof essora Vázquez Cuesta, in ve sti gadora próxima de posiçons f a vo rá veis à
reintegraçom cultural galego-po rtuguesa na altura da redacçom da história da Li teratura galle ga qu e
estamos a re ferir , a def esa da autonomia sis témica do SLG ao respeito do sis tema espanhol é
re forçada estabelecendo paralelismos entre o SLG e o sis tema po rtuguês, histórico re fer ente de
reinteg raçom que fo i perdendo c entralidade nas estratégias do conjunto do galeguismo do após-
guer ra (sobretudo se o compararmos c om o impor tante pape l desempenhado por este re ferente na
conf iguraçom ideológica do galeguis mo anter ior a 1 936 ) até mesmo funcionar como re fer ente de
oposiçom para alguns g rupos surgidos na década de setenta , nomeadamente para o IL G, g rupo
central no campo lingüístico desde a sua fundaçom na USC e m 1 9 71 79 .
Em meados de oitenta , Anx o T arrío ( 19 86) ainda partia do conce ito de “colonialismo
interior” (postulado em 1 9 67 em La Rév olution régionaliste por R obert Lafo nt e introduzido em
inícios de setenta no campo intelectua l e político galego polo líder do Partido Socialista Galego
[PSG] e prof essor da USC X osé Manuel Beiras T orrado) para tentar “unha canle de in ve stigación
que dera conta dos trazos te máticos, estilí sticos, simbólicos, etc., que compar ten un número
impor tant e de obras l itera rias producidas en países en vías de descolonización” (Vil a ved ra 1 99 9:
33). Poré m, em fi ns de n o venta T arrío ( 1 99 7: 44) já di analisar o SLG “de nde unha c onsideración
sistémica da li teratura com o unha institución soc ial, seguindo unha metodol oxía na que int eresa,
más có valor estético ou a rtístico da obra, reunir e inte rrelaciona-los elementos que a fa n posible
como f enómeno observable”.
Esta mudança de paradigma inte rpretativ o le va o prof essor da USC às posiç ons já
conhecidas da sua colega Dolores Vila v edra ( 19 99: 34-35) que, na “Introducción” do manual que
vimos acompanhando, bota mao do conceito de “ etnopoética” (utilizado por González-Millán em
1 9 9 1) por considerá-lo “un instrumento especialm ente útil para si tuacións como a gale ga en que as
tensións entre centro e pe rif e ria, tanto intrasistémicas coma intersistémicas, pe rturban [...] non só o
funcionamento, senón a propia de finición do si stema”. V il av edra ( 19 99: 34) analisa br ev emente a
adaptabi lidade deste modelo teó ric o ao caso galego e considera que entre as suas a vanta gens está o
mundo diferenciada” (R odríguez 1 996: 6). No ca so do professor Franci sco R odrígue z ( 1996: 30), esta de fesa da
autonomia do SLG conduze- o ao rejei tamento dos no vos subgéneros na rr ati vos que emergem no SLG das déc adas
de oitenta e n ov enta, ente ndidos por esta parte da crítica mai s como elementos de dependênci a cultural a respei to do
histórico refe rente de oposiçom do que como (a um tempo) resposta e fabricaç om de n ov as necessidades para um
sistema com n o vas possibilidades de acesso e legitimaçom no mercado: “Hai unha forte presión cultural e
ideolóxica, conducente ao mimetismo ( novel a p o l i cí a c a , nove la p s e udo-históric a, no vela de « ave nturas»...)”.
79 Vázquez Cuesta ( 1980: 626 e 628) recor re ao sistema literár io po rtugu ês, “ literatura he rmana de la gallega”, para
indicar que “una literatura su rgida en la misma área lingüística y que, a pesar de haber vivido e xperiencias histór icas
totalme nte dis tintas, coincide con ella en bastantes rasgos: uno de ellos la escasez de teatro”; outro “curioso
paralelismo entre la literatura po rtuguesa y la gallega” te m a ve r, para Vázquez Cuesta com “la creencia en la falta
d e a p t i t ud e s p ar a l a nove l a ”.
10 1
f acto de aju dar a ex plicar as “particula ridades do discurso literá r io étnico” e que, nesse sentido,
representa “unha opor tunidade para superar os límites epi stemolóxicos e axiolóxicos i mpos tos polos
discursos críticos x erados polas literatura s h e xemónicas, ó tempo que pon en ev idencia dimensións
silenciadas -en tanto que sub versi vas - polas ins tancias ca nonizadoras”. Contudo, a pro fessor a
compostelá coloca entre os dé fices da “etnopoética”, centrada no estudo dos processo de
construçom nacional atr avés do f eito literá rio, parecidos argumentos aos já apontados no mome nto
de qu estionar a funçom hierarqu izadora atr ibuída ao c ri tér io identitá rio por Francisco R odríguez:
“predeterminación ideolóxica, o que se traduce en parcialidade e escasa ve rsatilidade”, e “que o seu
ob xecti vo prio rita rio s ex a contribu ír ó pr ox ec to de construcción dunha cultura nacional
di ferenciada, co que isto implica de condicionante te leolóxico” (pág. 35). E m troca, Vil av edra (pp.
35-36; itálicos nossos) propom
un ce rto eclecticismo á hora de conf igurar un modelo inte rpretativo co que dilucidar a
especi ficida de do di scurso literar io galego. [Este ec lectismo passa por que] o in ve stigador da
literatura se dote dun abano de instru mentos metodolóxicos o suf icientemente e xtenso e
variado [...] instrumentos qu e deberán mudar ou complementarse segundo a s épocas, os
auto res e os xéne ros , e q ue na miña opinión deben cump rir , antes ca calquera outro, tres
requ isitos fundamenta is: seren compatible s cunha def inición máis ampla do que
tradicionalmente se viña entendendo por “literat ura”, que atenda tam én ó seu carácter
institucional; actualizar en e autonim iza ren os criterios identificadore s da va lencia lite raria
e, por último, daren conta da especi ficidade que carac ter iza os distintos ni veis do sistema
literar io galego en tanto que f ormulado nunha lingua non no rmalizada.
Ne ste ponto, já indicámos ac ima que, de acordo com a nossa concepçom da funçom que
de vem desempenhar os métodos de análise cientí fica, as f err amenta s meto dológicas nom som as
responsá veis por “autonomizaren os c rite rios identificadores da va lencia literar ia” mas q ue, nes te
ámbito, a sua opo rtunidade e utilidade reside precisamente na capacidade para analisarem a funçom
e o grau de a utonomia ou h eteronomia que os vários g rupos actuante s num si stema cultural concreto
atr ibuem às nor mas (critér ios identificadores, ou hierarqui zadores, incluídos) presentes no campo
literár io num dado momento objecto de e studo.
Si encontramos e ste tipo de análise s em González-Mi llán ( 19 94) e em Ma ria Xe sús
R odríguez Fernández ( 1999), os críticos que, dos tra balhos consultados para a redacçom des te
capítulo, utilizam com maior rig or metodológico as teoria s de base relacional para abordar as
mudanças ex per imentadas no SLG desde o f im do franquismo até a consolidaçom do período
autonómico. Re feriremo-nos e m p rimeiro luga r e com algum po rmenor ao trabalho publica do por
10 2
González-Millán em 1 99 4 porque nes te e noutros cont ributos po steriores (González-Millán 1 99 6 ou
1 998 a, por e xe mplo), o antigo pro fessor do Hunter College dá conta das principais mudanças
e xper imentad as no SLG durante as duas pr imeiras décadas do regime autonómico que sucedeu à
ditadura do General Francisco Franco e, sob retudo, por que para o finado pro fessor é precisamente a
progressi va perda de in fl uência canonizadora dos c rité rios legitimadores heterónomos,
fundamentados no que vimos c hamando c ritéri o identit ário , a f a vor doutras normas
hierarquizadoras mais próximas quer da autonomia do campo literá rio quer do funcionamento do
mercado, o que caracte riza um sis tema cultura l que alcança durante as duas última s décadas do
século XX um g rau de institucional izaçom e autonomia até entom desconhecidos 80 .
Precisame nte, a inda que González-Millá n coloc a a baliza inicial dos seus trabalhos ( 1994 e
1 996) no ano da mo rt e de Franco ( 1 9 75 ), os seus contr ibutos exp licam a ev oluçom do SLG
sobre tudo a pa rtir da década de oiten ta 81 . Assim, o desfa samento cronológico entre os lapsos
temporais f oca dos nos trabalhos do prof es sor e no presente trabalho nom permite a tras laçom
automática das análises de González- Millán ao SLG do período do nosso estudo, ainda que a sua
fo ca gem metodológica e o r ig or das análise s possibilit a o contraste e a verificaçom do grau de
aplicabilidade ou aj ustamento das conclusons resultantes ao estudo do SLG no período concre to
aqui analisado ( 19 74 -1 9 78) .
80 Ness e mesmo período está também a ser construída nas inst ituiçons saídas da Constituiçom de 1 97 8 a autonomia
política reconhecida por pr imeira v ez na época contemporánea à comunidade que sustenta esse sistema cultural.
Ne ste sentido, lembramos que a p rinc ipal hipótese de pa rtida de Bourdieu é que os campos de produçom cultural
ocupam umha posiçom dominada a respeito dos campos do poder; de acordo com ist o, ao lado do grau de
simultaneidade no percurso dos dous processos ref e ridos (autonomia política e cultur al) será necessári o estudar
também o grau de autonomia global alcançado polos campos de produçom cultural a respeito dos campos político e
económico, sem negli genciar que “as posibilidades de autonomía do campo litera rio galego supoñen un poder
gal ego real, político, económico, etcétera, fronte ó que [ter a possibilidade de] de clararse autónomo” (Figueroa 20 01:
1 27).
8 1 “O punto de partida de ste traballo cífrase na percepc ión dun cambio de per spectiva a par tir de 1 9 75 e sobre to do na
década seguinte ; fálase cada v ez menos de literatura «gale ga», e máis de «li teratura » galega. En tor no a esta
trans formac ión xiran tódalas tensións ideolóxicas. A percepción social do esc ritor , as especiais dif icultades na
problem ática e compl e xa articulaci ón das asociacións pro fesi onais e culturais, a incidenci a dos premios literarios e
da política edito rial no cambio radical da imaxe e dos usos sociais do libro, sobre todo o literario, a loita entre a
poesía e a na rrat i va por un lugar ca nónico na xerar quía dos xé neros” (Gonzále z-Millán 19 94: 13; itálicos nossos).
“Case tódolos estudios sobre a p rimeira dé cada posdictatoria l aluden sistematicamente ao papel dos premios
literarios, á consolidación das asociacións de esc ritores, á coof icialidade do galego na administración pública e no
ensino, ou á reno vación das empresas cul turais, sobre todo a do m undo edito rial” (Gonzál ez-Millán 1 996: 22).
Lembremos, ne ste sentido, que a no rma pola qual fica estabelecida a pré-autonomia política para a Galiza é assinada
em Março de 1 9 78, qu e esta só fo i plebisci tada e m Dezembro de 19 81 e que o decreto que regula a e ntrada da língua
e a literatura galeg as no ensino obrigatório só f oi sancionada em Abril de 1 979 (com outro decreto autonómico
re feri ndo as “Normas sobr e uso e ensino da língua” já em 1 982); ainda, a tendência à inco r poraç om de n ova s
editoras ao campo editorial galego a r rinc a já de 1 9 73 (Cordeiro Rua e Samar tim 2008) , a Asociación Sócio-
Pedagóxia Ga lega (AS-PG) e a Asoc iación de Esc ritores e n Língua Ga lega (AELG ) s om cr iad as em 1980, ta nto a
Asociación de Profeso res de Língua e Literatura (APL L) c omo a Associaçom Galega da Língua ( A GA L) som
fundadas em 19 81 e a Lei de Normalizac ión Lingüística ( 1983) e a funda çom da Mesa pola Nor malización
Lingüística ( 19 86) som posteriores às marg ens contempladas no projecto Fi sempoga.
10 3
Ne ste sentido, para o que agora nos interessa, González-Millán ( 19 96: 1 7- 1 8) es tuda o
processo de autonomizaçom e institucionali zaçom do SLG após o franquismo e pa rte de Moi san e
Saint-Jacques ( 19 87) para apontar que
o grao de autonomía dun campo litera rio como o galego debe medirse en relación con tres
cri ter ios: a delimi tación da súa especi ficidade discursiva, a efe ctividade da súa lexitimación
nacional e a consolidación da súa a rticulac ión como obxe cto de estudio e ensino. [...] Es tes
tres hori zontes de autonomía son unha guía e xc elente para estudiar a trans fo rmación dun
espacio lite rari o como o galego, que a pa rtir de 1 9 7 5 v e como os dive rsos colect i vos s e
es forzan por consolidar un campo e specializado cun discurso próprio e cunhas institucións
e sp e c í f i c a s. A s c o n s e c u e n c ia s d es t a nova d i n á m i ca s o n obv i a s : unha reducción do ámbito de
l exitimación do discurso lit erar io, ao perder a mul tifuncionalidade soci al das décadas
anteriores; unha maior autonomía para poder funcionar como un discurso social específic o;
e unha drástica reducción nas credenciais do escritor como depositar io da memoria
nacional, por ter que compartilas com outros ax entes sociais, que dende as súas propias
áreas de especializa ción reivindican distintas ar ticulacións da memor ia colectiva [confronte-
se com Francisco R odríguez (por e xe mplo, nota 64)].
No concreto, as mudanç as detect adas por Gonzále z-Millán ( 19 94) te nhem a ve r com a
progressi va institucionaliz açom do SLG v erif icada no surgimento de no vas inst áncias legitimadoras
(editoras, prémios, associaçons profissionais...) e no alar gamento deste sistema a no vos ámbitos de
consagr açom e reproduçom (mercado, e nsino...), todo o qual e xplica as modificaçons
e xperime ntad as quanto à emergência de n o vo s géneros, à sua es t ruturaçom inte r na ou à sua
hierarquia relativa (surgimento da literat ura chamada “de quiosque”, produçom maciça de literatura
infanto-ju venil liga da ao ensino, promoçom institucional da na rrativa frente à predom ináncia
histórica da poesia , ampliaçom de subgéneros dentro da na rrativa, etc.). Além do mais, as re feridas
alteraçons e scla recem tamb ém sobre a indica da r esi stência sis témi ca dos g r upos que sus tentam os
repertó rio s e a funçom atr ibuída ao discurso literá rio galego em períodos ante riores, caracte riz ados
(no caso dos períodos pré-autonómicos) polos défices no funcionamento do si stema e por umha
situaçom em que “canoniza ción estética y legitim ación social eran uno y el mismo proceso,
dominados no por las frágiles no rmas de un preca rio campo literar io, sino por la s presiones sociales
y políticas, nacidas de los con flic tos asociados con dete rminados actos de resis tencia y
reivindicación colec tiv as” (González-Millá n 2002a: 226-227).
Em sínt ese, para Gonzál ez-Millán ( 1996: 28) a “tensión entre unha consa gración a utónoma e
unha lexitimación het erónoma tradúc ese, no caso de litera turas como a g alega, na dificul tade de dar
o paso do nacionalismo litera rio a unha literatura nacional” ou, por outras palav ras, na passa gem
104
compl exa dumha lite ratura de resi stência (tal como definida por Bárbara Ha rl ow em 1 98 7) para um
sistema literá ri o com o sufi ciente gr au de institucionaliz açom e autonomia (a respeito do sistema
cultural com que compartilha e spaço social e dos campos do poder político e económico) como para
que a sua continuida de e reproduçom nom seja percebida como problemática polos gr upos e
instituiçons actuantes nele.
Contudo, se bem é ce rto que as cara cterí stic as re feridas acima e a situaçom de relativ a
suficiência sis témica resultante pode riam descr e ver sumariamente um SLG pós-franqui sta já
consolidado e suficiente (relativa mente; e sabemos q ue este no m é o caso do período abrangido nem
polo nosso estudo nem polo conjunto do projecto Fisempo ga), também julgamos aportuno indicar
que ao ide ntific ar o conjunto do SLG galego prévio à mor te do ditador com o “nacionalismo
literár io”, González-Millán aponta para umha situaçom de monopólio legitimador (ou, polo menos,
de clara hegemoni a nos inst rume ntos de legitimaç om) do dis curso milit ante naci onalista no campo
literá rio ga lego da década de seten ta. Desta maneira, se a interpret açom q ue fazemos dos po stulados
de González-Mill án é co rre cta, a alegada pa ssag em da literatura de resist ência (do “naciona lismo
literár io”) para a “literatura nacional” sus tenta ria-se na perda do monopólio legitimador do t exto
nacional no conjunto do SLG, fac to acontecido de maneira progressi va após a mo rte do ditador e a
conseguinte instauraçom da autonomia política na Galiza. Julgamos qu e esta ideia é central nos
trabalhos de González-Millán mas que, sem pre tende rmos minus valorar ta mpouco a centralidade
das propostas nacionalistas no campo literá rio galego do período do nosso estudo (e já apon tamos
para as cautelas com que de ve mos re feri r-nos ao par centralidade-per iferia no SLG ne sta altura), isto
nom se cor responde exactamente com a realidade do acontecido no SLG durante o lustro que ocupa
a presente tese de doutoramento (nem tampouco no período abrangido polo projecto de
in ve stigaçom em que se integra) já que, sinteticamente, esta ideia abaixa e mesm o e xc lui da análise
outros discursos nom menos centrais e também presentes neste sis tema emer gente entre o
franquismo e a tr ansiçom.
T al com o pretendemos demonstrar ne ste trabalho e, por enquanto, de acordo com o
conhecimento do SLG de 1 9 7 4 a 1 9 78 f ornecido polos resultados de Polulig a ( vid Sama rtim e
Cordeiro R ua 2009), no tempo do nosso estudo os prin cipais g r upos presentes no campo literá rio da
Galiza luita m pola hegemonia e act uam de acordo com di ferentes object i vos e estratégias
procurando tomar posiçons conduzentes ao controlo do conjunto do sis tema literário e das suas
no rmas de legiti maçom. Neste processo, os g r upos com mai or grau de institucionalizaç om no
período pré-constitucional (nomeadamente o Gr upo Gala xia e o que chamámos “G rupo Filgueira”
10 5
em Sama rtim e Cordeiro Ru a 2009) ocupam à par tida umha posiçom de relativa centralidade, e
mantenhem umhas relaçons e dese nham umhas estratégias que (ao serem sucedidas) lhes
per mitirám alcançar a o ficializaçom das suas propo stas e ideia s no início do período autonómico
( veja-se o próximo capítulo).
A verificaçom deste fac to questiona o al egado monopólio do discurso nacional itári o de
resis tência, e obriga a incluir nas análises do SLG nom apena s as tomadas de posiçom dos g ru pos
que relativiz am a funçom do critéri o filológico como nor ma sistémica (e xc luídos, por isso, da s
mar gens do sistema pola crítica posterior a 1 9 7 8), mas também necessa riamente ob riga a pondera r
no e studo do SLG as acçons dos g r upos gal eguistas mais instituci onalizados nos campos culturais,
que som mais ou menos abe r tamente contrá rios aos repert ór ios (sociais, a rtísticos ou identitár ios)
prom ovidos polos g ru pos nacionalistas e def endem em ma ior grau qu e os agentes da esquer da a
autonomia relativ a da a rte e fa m um uso sensiv elmente di ferente da funçom modelar da tradiçom 82 .
Ainda em relaç om com as fo cagen s, os discursos e os critérios sustenta dos pola c rítica para
o estudo do SLG no período da presente tese de doutoramento, detemo-nos agora na in v esti gaçom
da nossa coleg a Maria X esús R od rígue z Fernández ( 1999) porque (a pa rtir fundamen talmente dos
pressupostos teó ric os de Ita mar Even-Zoha r, Pier re Bourdie u, J osé L ambe rt, Elias T orres Fe ijó,
Antón Figuero a e do próprio Xo án González-Millán) esta integrante do Gru po Ga labra da USC
sintetiza na tese de lic enciatura sobre a revi sta « Luzes de Galiza» no Sistema Literário Galego
( 198 5-1 995) também o estado e o funcionamento do SLG do período 1 9 75 -1 9 85 e, desde
pressupo stos teó rico-metodológicos assumidos igualmente no presente trabalho, som colocadas
umha s ér ie de questons (que r quan to aos a ssu ntos f ocado s quer, t amb ém, quanto à fo cagem e
ar r umaçom do conhe cimento) que julgamos de capita l impo rtáncia para a aborda gem e o
entendimento do nosso objecto de estudo e que, igualmente, apr oximam este trabalho dos
cont ributos do pro fessor Gonzá lez-Millá n na me sma me dida em que o af astam da restante
bibliograf ia c onsultada.
Em primeiro luga r, M. Xes ús R odríguez Fernández ( 19 99: 42-44) atende à posiçom central
da literatura a respeito dos outros campos culturais e à funçom deter minante desempenhada polo
SLG no processo plani ficador e mprendido polos g rupos que pretendem afi r mar a exi stência
di ferenciada da comunidade gale ga num momento em qu e , por p rimeira v ez na história do longo e
82 R odríguez Fe rnández (1 999: 122 ) a firm a que “a pe rsistência no re pertó rio da tra dição como o garante máximo da
gal eguidade e da voc ação resistente da cultural galega, apr oxima-os [a os nacionalistas], em pa rte , daqueles g ru pos
gal eguistas que de fendem um reper tó rio mais essencialista, aos q ue, no entanto, questionam porq ue do seu ponto de
vista desideologiza m o seu reper tó rio, fol clor izando os seus materiais e desc onte xtualizando- os das circunstâncias
políticas e históricas por que fo ram criados”.
10 6
lento processo da construçom des te sistema cultural, os g ru pos ga leguis tas pode(rá)m utiliza r um
aparato de poder (também político) capaz de le gitimar essa plani ficaç om e cont ribuir para o seu
t ri unfo.
Em segundo luga r, a par tir de que González- Millán ( 199 4: 30) a fir masse que “son múltiples
os indicadores da confrontaci ón entre as dúas institucións lite rar ias que actúan en Gali cia, a galeg a e
a de expresi ón castelá”, Rodrígue z Fer nánde z (19 99: 46) s ustenta qu e no SLG pó s- franqu ista
(d ev eremos entender que também, po rt anto, no do período do nosso estudo) confrontam-se g r upos
que pretendem consolidar no espaço social ga le go um sistema literár io com a língua gal ega como
no rma sistémica, com outros qu e “ formulam a e xis tência dum único polissist ema, o espanhol, que
integra ria como perifé ricos, po rt anto como subsist e mas, o ca talão, o galego e o basco”; entre as
instituiçons que legitimam esta segunda opçom R odríguez Fernández coloca o ensino, alguns
prémios literá rios bilíngües galego-cas telhano (com o os Premios de la Crítica E spañola, por c itar
apenas um elemento legitimador instaurado no tempo do nosso estudo, 1 9 76) e propo stas críticas
com o as do ex-reitor da US C D arí o V il la nue va ( 1992: 15 e ss. ), elementos todos que parecem
prom ov er este polissistema espanhol com dupla c onfiguraçom lingüística nos ter ritó rios em que
e xistem duas línguas ( vid supra a nossa nota 68); ao lado destas duas opçons p rincipais, Ro dríguez
Fernández també m refe re as propostas de (re)integ raçom no intersi stema luso-afro-brasileir o
sust en tadas por g rupos pe rifé ricos no período autonómico.
Sem entra rmos agora a ponderar o g rau, o modo e mesmo o nív el de relaçom em que estas
três macro-estratégias poderia m e ve ntualmente ser verificadas no tempo do nosso es tudo, para os
nossos objectiv os é import ante recolher que esta in ve sti gadora af irma que nengumha destas
posiçons concretiza “quais são os elementos em que assentam a sua def inição do que d ev e ou não
de ve ser incluído no mesmo [SLG], [is to é,] como se distinguem os produtos galegos dos outros
com os qu e conco rre ou, dependendo da visão, co nvi ve” ( Rodriguez Fernández 19 99: 4 7).
Esta que stom será abordada por M. Xesú s R odríguez em terceiro luga r , concluindo com o
pro fessor Elias T orres (2000: 969) que, como os sistemas literár ios cifram a sua dif erença e a sua
suficiênc ia em te rmos de normas, m odelos e mate riais reper tor iais di fer enciais e concor rent es ,
apesar do triunfo que signif icou para as propostas dos g rupos ga le guistas o consenso estabelecido
em torn o à consideraçom da língua galega como norma sistémica a part ir de 1980 (Rodr íguez
Fernández 1 99 9: 54), “ exi stem outras normas de repe rtó rio que de nã o se ac tualizarem, mas
sobre tudo, dada a debilida de do repe rtó rio galego, de não se c ri arem com as duas premissas de
di ferenciação e conc or rência [...], põem em pe rigo a subsistência e a sobrev ivência do sistema
107
literár io galego para se definir como autónomo”.
Para além de re f lex ionar sobre a “Recepção lite rária en situações de con fl ito” (Rod ríguez
Fernández 1 999 : 54-5 7), na base das ache gas nes te campo do pro fessor Antón Figueroa ( 1 988),
v emos como esta in ves tigador a integ ra na sua análise, com um sucesso considerável, os métodos de
aborda gem de natureza relac ional acompanhados também por González-Millán, e coloca no centro
do seu trabalho sobre o SLG o estudo das relaçons (nomeadamente com o SLE), das estratégias (em
maior ou menor medida sucedida s quando analisada s a p o s t e ri o ri ) e das ca racterísticas das no r mas
e dos mater iais com que os gr upos que actuam num si stema literário perifé r ico trabalham para
construirem a autonomia (ou para resistir em, ou para manterem a dependência...) em funçom dessas
mesmas regras e mate riais terem mais ou menos precarie dade ou suf iciência.
Em último caso, anál ises críticas como as qu e e x emplificam González-Mil lán e Maria Xe sús
R odríguez Fernández tenhem para nós umha funçom modela r, ao e videnciarem, além do mais, a
utilidade para a c omp re ensom do nosso objecto de estudo que fornecem instrumentos ana líticos
capazes de estabelecer os limi tes e os c rité r ios que ex plicam o funcionamento dum sistema lit erár io
per ifér ico em processo de construçom, máxime quando este conco rre polo mesmo espaço socia l
com um sistema autónomo e fortemente institucionalizado, f er ramentas e modelos com os quais é
possív el contemplar o carácter dinámico desse proce sso e, em último termo, a sua natureza
construída e nom teleológica (e, neste sentido, va le a pena insistir mais umha ve z na f o rte vertente
planificadora das análises sustentadas em teorías empír icas).
Po r fim, a imensa ma ioria da c rítica literá ria gale ga posterior a 1 9 78 pode ser loca lizada no
espaço teóric o delimitado entre as duas posiçons qu e vimos analisando: a identitária, de carácter
heterónomo, foc ag em histórico- social e nacionalitá r ia e funcionali dade ex plicit amente políti ca; e a
sustentada em postulados sistémicos que, segundo a fi rm a, te nciona fo car o fenómeno literár io c omo
umha instituiçom relativ amente autónoma 83 . Do lado das propostas críticas mais viradas para a
83 Em geral, encontra mos e m maior ou me nor medida mostras da posiçom c rítica nacionalista (“ crité rio histórico-
político interno”) em trabalhos saídos pref erentemente do ámbito uni versitário da cidade da C runha e de docentes de
ensino médi o (como Carba llo Calero et a l 1 982, Mé nd ez Fe rr ín 1984, Ma to Fond o et al 19 88, Mato Fondo e
Fer ná nde z Pé re z- Sa nj uli án 1992, Ma cei ra Fe r ná nde z 1995, An sed e Est raviz e S ánch ez I gle sia s [e d. ] 1996, Q ue ixa s
Zas 1999, B e rn ár de z et al 20 01 ou Gómez Sánchez e Queixas Za s 20 01), por mais que, c omo acontece no caso do
último manual anotado (em qu e convi ve a peri odizaçom de Francisco R odríguez com referências de González-
Millán e conceitos como “sistema literario ”) no conjunto da produçom crítica predomina um ce rto ecleptismo
metodológico que neutraliza as difer enças de foca gem, tal c omo será ref er ido no lu gar co rrespondente desta
epígraf e. Contudo, na crítica de natureza relacional (“cr itér io sistémico”), com impor tante presença na USC,
podemos situar com relativ a cla ridade quant o ao discurso utilizado Vil a vedra 1 99 5, 1 999 e 2003, T arrío V ar ela 19 97
e 1 99 7a, em ge ral T arrío V ar ela 200 1 e 2002 (coord.), Vieites et al 1 99 8, V illanue va 2000, He rrán 2003 e, com umha
coerência e profundidade met odológica que supera claramente os tra balhos anteri orm ente ref e ridos, os c ontributos
de Ma ria Xe us R odríguez ( 1999), Xo án Gonz ález -Mi llá n ( 1994, 19 96 e 2000) e Antón Figueroa ( 1988, ś 199 6 e ,
sobretudo, 20 01), incluindo o s eu tra balho conjunto de 1 99 7 .
10 8
autonomia do fei to literário encontramos também algumha most ra de inter pretaçons da literatura
como fe nómeno eminentemente estético 84 . O ag ente que melhor e x emplifica a de fesa do que,
acompanhando a ter minologia utilizada até o de agora, poderíamos denominar crit éri o estético ,
Ramón Gutié rrez Izquierdo (2000, et al 1 9 9 1 e 2003), c ontempla também de mane ira secundá r ia o
es tudo das relaçons entre o campo literá rio e os campos do pode r, mas f ai-no do ponto de vista das
re ferências ao “conte xto” (entendido este como o conjunto dos elementos extra-literários a que um
t exto fai re ferência ou que ex plicam a produçom de determinados te xtos) e detecta “pr exuízos” e
“reduccionismos” (Gutié rrez Izquier do 2000: 9) na par te da crítica que fa i depender as suas análises
de ques tons e xternas ao t exto literá rio (como da “ vontade” e do “patriotism o”, elementos que
indigita m implici tamente o g r upo que vimos denominando aqui nacionalista); em troca, esta crítica
estetici sta def ende posiçons claramente situadas a f a vo r de análises int ern as, te xtoc én t ri ca s e, em
última instáncia, também di ficilmente objectiváveis (pág. 38):
as sux estións e emocións qu e suscita unha obra literar ia residen nela mesma e na súa
dimensión a rtístic a, non no coñecemento do cont exto. [...] A historia da literatura debe
procurar es tudiar as obras en si, destacando os seus v alores e stéticos, pero tamén debe incluír
algunha información sobre o conte xto, o que pe rmite un coñece mento máis completo do
f enómeno litera ri o e, xa que logo, fa c ilita i nterpret acións parciais da obra, que enr iquecen a
súa dimensión plur isignificativa 85 .
Com a apresentaçom deste c ritér io es tético concluímos a identif icaçom das no rmas com que
a crítica galega pos te rior a 1 9 78 delimita e hie rar quiza os repertó r ios presentes no SLG. Em síntese ,
84 P ara as que stons relacionadas com processos de autonomiz açom e este tizaçom de sist emas literários perifé ricos
podem ser consulta dos os trabalhos de G. Jusdanis ( 19 91) ou de D. Kibe rd ( 1995) .
85 Dá para ve r que esta proposta minor itária está sustentada em crité ri os val orativo s que descansam pre ferentemente no
“carácter singular da per sonalidade cr eadora” (Gutiér rez Izquierdo 2000: 7), no “car ácter represen tati vo dos trazos
f ormai s e temáticos do xénero ou autor estudiado”, e na “e ficacia estética” ( pág. 8) “ de obras s ignificat ivas,
vinculadas sempre co cont exto e coas peculiares circunstancias que rodearon e rodean a producción en lingua
gal ega, pero sen cae r no discurso que reduce o labor dos nosos esc ritores a unha especie de crónica social ou a un
simple e xe mplo de v ontade e pat riotismo” (pá g. 9). Enc ontramos já e m inícios da década de oitenta propostas
t extoc éntricas similare s, mas procedentes do ex terior do SCG, como as de Ribera Llopis ( 1982: 9 ), q ue a fi r ma que
“El estudio de las literaturas peninsulares de lengua no castellana ha conducido e xcesi vas ve ces a hablar de
problemática. Razonada o no, ha diluido en muchas ocasiones el sentido de los te xtos que en último gr ado son los
f orma ntes de toda tradición literaria. De acuerdo con el sentido q ue rige la colecc ión en que se inclu ye este v olumen,
concedo al dato histórico el rango de marc o o motivador de una obra, de una postura generacional, según el tex to
ante el que nos encontremos, pero intentando siempre pa rtir de la entidad tex tual”. Esclarecendo “el sentido que r ige
la colección”, de vemos indicar que todos os vo lumes abordam a literatura espanhola (em espanhol), incluindo os
v ols. 24 e 25. Lite ratura Hispanoamericana: hast a el s. XIX / siglo X X (J.M. Cabrales Ar teaga), a e x cepçom do v ol
22. Lite ratu ras marginadas (Mª Cruz García de Enter ría) e do vol . 23. L iter atur as catalana, ga lle ga y vasca (que
consultámos). De acordo c om isto, com a inclusom das lite ratura s peri féri cas peninsulares na colecçom “ Lectura
Crítica de la Literatura Española”, esta obra parece ir claramente no sentido da secundar izaçom e da aprop riaçom
sistémica dessas literaturas polo sist ema central ( vid acima os com entá r ios d e Rodrígue z Fern án dez [ 1999: 46 e ss. ]
sobre este assunto).
10 9
Narrativa Ga lega), ta mbém 1 9 7 5 para a literatura infanto-j u venil e o ensaio (nalgum caso aqui
também 1 9 7 8) e ta mbém de 1 9 78 para o teatro (se quem aborda este subcampo específico é Vieites
[ 1996 ] e no m Vil ave d ra [ 1998], par a quem a ba l iza de ver i a avançar até o f im d o pe rí odo de
transiçom, que situa em 1 98 0). V e mos, pois, como a crítica nom parece l ev ar em conta que “um
código literá rio não se ex tingue abrup tamente, num dete rminado ano ou num deter minado mê s,
como também não se cons titui dum jacto” ( Aguiar e Sil va 1 99 9: 420). Igualmente, o lapso que
pretendemos e studar nesta tese de doutoramento ( 1 9 7 4-1 9 78) es tá atr a vessado em vários pontos pola
linha imaginá ria que separa o período identificado na nossa biblio grafia secundá ria como
“posgue rra” doutro que, em gera l, é adje ctiva do como de “h o xe ” ou “a ctual” (e ao qual, por ce rto,
nom é colocada data de terminus ad quem ).
Julga mos que o fac to de a bibliograf ia consultada ter localizado ao longo dos vár ios anos
apontados mudanç as parcela res no sistema (c oncr etamente dife renças temático-estilí sticas e nas
condiçons de produçom e circulaç om dos produtos ag rupa dos em géneros) conf i rma o ace rta do da
escolha do período 1 9 7 4- 1 9 78 para o estudo do processo de construçom dum si stema literário
caracte rizado fundamenta lmente pola mudança ou, por outras pal avras, consideramos que a
per iodizaçom f eita em funçom deste objecto de estudo per mite individualizar para a sua análise
posterior a linha imaginá ria que separa o franquismo (após-guer ra segundo a bibliogra fia) da
Au tonomia (confi gurando entom umha de ssas “zonas difusas de imb ric ação e de inte rpe netração”
que ref ere Aguiar e Sil va, 1 9 99: 420), e cuja largura pode ser medida g ros so modo , ao que parece,
em cinco anos (que ocupam, nom por acaso, a posiçom central no projecto F isempoga ) 91 . P or é m, a
realidade de o período do nosso estudo figurar em grande medida repartido na biblio grafia a o uso
entre duas grand es épocas, somado à fa lta de bibliogra fia espec ífica sobre este (reduzido e
transicional) período de fronteira, significa também umha maior dificulda de da pa rte do pessoal
in ve stig ador ligado a Fise mpoga na hora do l ev antamento de in formaçons específica s da bibliografia
secundária, problemas que só será possí vel superar cotejando os mate riais recolhidos deste cor pus
secundário com os apa nhados do nosso co rpus p rimário e de apoio (livros, r evistas e imprensa), o
que contribui, além do mais, para relativiza r a utilidade real da bibliog rafia e xis tente sobre o nosso
objecto de e studo.
Parece opo rtuno ref orçar a ide ia de que as balizas estabelecidas para o conjunto do sistema
nos mater iais consulta dos nem sempre som funcionais despois de que a crítica efectue o
9 1 “ A utilização de datas precisas para assinalar o f im de um per íodo e o início de outro, como se se tratasse de marcos
a separar dois terrenos contíguos, não possui r igoroso signif icado analítico- re ferencial, apenas lhe de ven do ser
atr ibuída uma simples função de balizagem, como que a indicar um momento par ticula rmente rel ev ante na
desagrega ção de um período e na c onf orma ção de outro” (Aguiar e Sil va 1 999: 420).
11 6
ag ru pamento da produçom em géneros e coloque marcas cronológicas específicas te ntando
responder à e vo luçom de cada tipologia gen é rica. Chamamos a atençom a inda neste sentido para o
fact o de que esta organizaçom do conhecimento em géneros canonizados nom é analisada e em
nengum momento é que stionada pola crítica literár ia galeg a, assim como para que a análise do
discurso genérico é apresentada habitualme nte nas monogra fias e trabalhos historio gráf icos
consultados (com maior intensidade no caso da c rítica dita sistémica) como um objectiv o em si
mesma, sem colocar em geral esta quest om em funçom da ex plicaçom do funcionamento, da
es t rutura ou das relaçons presentes no sistema em fo co (como v eremos adiante, esta es t rutura
também será reproduzida por meio do sistema d e ensino) 92 .
Nom detectamos, por tanto, nos tra balhos his tor iog ráf icos consultados umha a nálise do
discurso ge nérico entendido como um repertó rio da cultura (si nalgumha monogr afia espec ífica,
como as que Gonzále z-Millán 1 99 6 ou Vil a ved ra 2002 dedicam à na rrativa); porém, o que destaca
neste tipo de produt os é a utilizaçom de stas catego rias como contentores onde ar r uma r materi ais em
virtude dumhas determinadas caracterís ticas te xtuais preestabelecidas . Po lo contrá rio, umha
aborda gem centrada nos géneros como repertó rios obrigari a à crítica analisada, recor rendo às
pala vras de González-Millán ( 1 995: 3 46),
a identi ficar que axe ntes inte r veñen na con figuración, pe r petuación e sub versión das formas
x enéricas e a precisar os re quisitos que fan posible a súa a ctuación. As ins titucións
educativ as responsables da transmisión do coñe cemento [quando e xis tirem], as tradicións
literar ias c anonizadas, o mundo editorial, os g ru pos e mo ve mentos litera rios, determ inados
procesos socioculturais, as institucións a v aliadoras (sobre todo as académic as) e o
pr otagonismo de determinados te xtos e autores, deberían figurar entre os a xentes
privile xiados desta dinámica x enér ica.
De acordo com a nossa análise, o modo em que es tá construído o conhecimento sobre o SLG
92 Lembremos as “épocas, os autores e os xéneros” que coloca va Vil a vedra ( 1999: 36) entre os assuntos de que a
met odologia sist émica dev ia dar conta, ou afi rmaçons como as seguintes: “ A sí, a restauración do discurso literari o
gal ego na posgue rra producirase, máis ca por medio da sucesión xer acional de estratos creativ os, pola ape rtura dun
abano de liñas temático-e stilís ticas que se desen vo l v en diacronica mente de xei to paralelo. V er emos a seguir cómo
ten lugar este proceso nos distintos xéneros” (Vila vedra 1 99 9: 220) . No mesmo pólo crítico, Anxo T arrío (200 1: 1 7)
e xpressa as suas pref erências por “a doptar unha metodol oxía crono xenolóxica que nos permitise observa-la
e vo lución dos distintos xéneros canónicos desde a posguer ra ata hoxe, a t rav é s d a s d ife r e n t es xer a c i ó n s , pr o m o c i ó ns
ou unidades xe racionais (no sentido manheiniano [sic] da e xpresión)”. Igualmente, já indicámos que a críti ca
literária mais text ocént rica (Gutiérrez Izquierdo 2000: 8) está interessada fundamen talmente no “carácter
representati vo dos trazos formai s e temáticos do xénero ou au tor estudia do”. No outro pólo da crítica, em coerência
com a funçom a tribuída à literatura e com os métodos que mo vem o seu estudo, o oit av o c ritéri o metodológico
prescr ito por Rodríguez (1990: 20; ca r regado no o rig inal) dete rm ina que “nunha si tuación como a galega, fa i- s e
máis apremian te o estudo d as formas com o expresión dos cont idos ”, sem que isto signifique ar ru mar a
produçom de maneira difer ente à genéric a.
11 7
em volta do período do nosso estudo evidencia, por umha pa rt e, o carácter relativ amente
apr oximati vo e co n ven cional at ribuído à per iodizaçom (já fo i a pontado) e, por outro lado, tem como
p rincipal conseqüência a parcelaçom das f ocag ens e, po r tanto, a dificuldade para a comp reensom
global do SLG (quanto às rela çons do conjunto de elementos que i nteractuam no seu processo de
construçom). Entendemos que a organ izaç om do conhecimento unicamente por géneros e o
entendimento dos géneros apenas como epígrafes sob as quais ar r umar mate riais com deter minadas
características tex tuais (sem ques tionar , em geral, a funçom e a posiçom que os géneros, como
repertó rio s, desempenham no sist ema) nom f a vo rece esses objectivo s nem tampouco possibilita
aborda gens transv ersais e em maior grau relacionais do conjunto do sistema, por e xe mplo quanto ao
es tudo de tra jectó rias de indivíduos, de gr upos ou do papel desempenhado polas instituiçons
também quanto à configuraç om, à funçom e à posiçom dos géneros em foc o, ou quanto às relaçons
mesmas entre os vários gé neros (de presença/ ausência no sist ema, de hierarquia, etc.) 93 .
Apesar das que stons coloc adas acima sob re a or ganizaçom do conhecimento em géneros,
unicame nte o agrupamento ge ral dos produto res em g e raçons é motivo da lgumh a re f le xom crít ica
na bibliog rafia his to riog ráf ica consultada. Para a apresentaçom des tes assun tos , os trabalhos
analisados re fe rem “O Problema das Geraçons” tratado por Karl Mannheim já em 1 9 28 (por
e xe mplo T arrío [20 01: 1 7 ] ou R oig Re chou [2002a: 385]); neste te xto ( vid W el er 2007), o f ilóso fo e
sociológo húngaro entende estes a grupamentos de produtores como conjuntos alar gados de relaçom
( g en er ationszusammenhang ) q u e po tencialmente podem a va nçar na con figuraç om de g ru pos
concretos ( ko n kretegru p pe n ) ou, para o que aqui nos interessa, reconhece que umha unidade
ge racional pode nom se constituir um g r upo concreto e coeso soc ialmente , por mais que o uso dos
v ocábulos “ gru po” e “ geraçom” funcionem geralmente na bibliogra fia consultada como
sinónimos 94 .
Outro i n ves tigador de re ferência citado na bibliograf ia crítica ga lega para estas ques tons é
Julius Petersen ( 19 46), para que m umha geraçom literá ria pode ser entendida em vi rtude de f actore s
como a coincidência na data de nascimento (que fa vo rece atitudes solidár ias), a comunhom de
93 Confronte-se este ponto com a a rr umaçom quanto à “tipologia da produçom” ensaiada em Cordeiro Rua e Samar tim
2008. V eja -s e também a epígr af e 3.2.2.3. nesta tese de doutoramento.
94 Re pare- se, neste sentido, na (le ve) dif erença entre os c onceitos grupo e gera ç o m alegada em 2004 no vo l. 4 do
Diccionário de lite ratu ra gal e ga coordenado por Dolores Vila vedra ( 19 95-2004 I V : 396; itálico no original): “O
co n ven cional dos criterios que permiten empre gar o termo «x eración» para ref e rirse a un grupo hom oxéne o fai que
en ocasións a denominac ión empreg ada por Fernández del Riego sex a substituída pola de Grupo Galax ia , que
semella máis f lexible polo que se refire ós parámetros cronolóxicos dos seus membros”. Esta maior f lexibilidade
atr ibuída ao conceito grupo frente à homo geneidade da gera ç o m é aplicada tanto a Galaxia como, no mesmo
v olume, ta mbém à “x eración Abrente” ou “grupo de Ribad avia” (pp. 402- 3; vi d as entradas co rresponde ntes às
ge raçons ca nónicas da literatura galega nas pp. 497-5 01 de ste vol ume).
11 8
o rien taçons pedagógicas (cifra da numha similar f ormaçom cultural e ideológica), a vivência de
problemas comuns (que estimula posicionamentos e inte r vençons conjuntas), o e ventual
reconhecimento dumha lideranç a intelectual comum, a cr iaçom dumha lingua gem literár ia
específica, a desagregaçom da geraçom a nterior , etc.; situaçons todas que apontam ma is para umha
tendência (ou, outra v ez, umha p otencialidade ) do que para um fa cto relacional objecti vo e
objectiváv el.
Ora, no conjunto dos trabalhos analisados, a historio grafia literá ria da Ga liza acompanha a
es t rutura g eracional estabelecida por X osé Luí s Méndez Fe rrín ( 198 4) para a poesia galeg a do
século XX. Este produto r, localizado crític a e politica mente na esquerda nacionalista (Ménde z
Ferrín 1 98 4: 7 1; itálico no o riginal), nom def ende “a análise x eracional como método excluínte de
interpretac ión histórica”, le va em conta o (re)conhecimento e posicionamento dos produtores em
relaçom à tr adiçom e entende
que o concepto é insustituíble se nos propomos ag rupar escr itores en sectores coerentes que
re fle xen en bloque os condicionamentos sociais, económicos e histórico-litera rios dun
momento dado. Para o autor , xer ación é un conxunto de esc ritores nacidos nun período de
dez anos, que se con figuran colectiva mente nun determinado intre histórico, e en relación
con determinado estadio da tradición litera ria precedente.
Boa pr ov a do sucesso do ag r upamento de produtores f eito por Ferrín constitui-o o fact o de
que este é repr oduzido no ensino médio incluso desde ante s da sua e fecti va publicaçom em livro na
p rimeira metade da década de oitenta (Colecti vo Seitura 1 9 82: 3 81 ), utilizado como modelo para os
períodos nom abrangidos no trabalho des te crítico nacionalista ( Tarrío V a rela 1 9 9 7 : 56) e tresladado
em gr ande medida do género que ocupou historicamente a posiçom central no SLG també m para os
géneros di fe rentes do poétic o, em funçom ta nto da centralidade alcanç ada por este produtor no
campo literá rio galego desde a déca da de sessenta (em vi rtude dumha acumulaçom de capitais
relacionada quer com as suas acçons nos campos culturais quer com o mantimento dum discurso
político enquadrado na esqu erda independentista) como do pretendido carácte r abrang ente deste
trabalho historio grá fico de Méndez Ferrín e da implementaçons dos postulados teór icos do g r upo
nacionalista a que perte nce 95 .
95 “N on só tratei de clasific ar autores e tendenc ias poéticas de antes e de despois da guerra antifascista, senón que
tamén qui xen calificar os xéneros en prosa das épocas estudadas, así como designar os f eitos culturais e as
actividades políticas que acompañaron á literatura e dete rminar os dados económicos, sociais e, en conxunto,
históricos que considerei necesar io en cada intre para unha comprensión xusta deste anaco da nosa e volución
histórico-literar ia. Nesta obra enténdese a xe ración de tex tos poéticos en língua galega como par te do proceso de
liberación nacional do noso pobo” (Mé ndez Ferrín 19 84: 1 7) .
11 9
Por ém, na hora de ag ru par os produtores segundo a data de nascimento ou de início da sua
produçom, encontramos tomadas de posiçom no sentido de relativizar ou quest ionar a
adaptabilidade desta a r r umaçom para o estudo do SLG; isto acontec e com o própr io Méndez Fe rrín
que, pa r tindo da ac eitaçom indiscutida do critéri o filológico , atri bui a situaçons políticas nom
f a vo recedoras do uso literá rio da língua galeg a o p r incipal moti vo de roçamento entre o
procedimento ger acional e o estudo da realidade literária da Galiza. T an to para F e rrín como para o
conjunto da crítica literá ria ga lega , esta situaçom anómala afectaria em maior medida aos períodos
anter iores ao nosso estudo (nomeadamente ao imediato após-gue rra) do que à déca da de setenta 96 .
Estas anomalias no funcionamento do SLG le vam a o principa l f abrica dor de ide ias do
“nacionalismo literár io” em que se integra F e rrín a deter minar o carácte r secundár io do ch amado
“cr ité rio x era c ional” fronte às normas propo stas e os métodos de abord age m já conhecidos deste
g rupo ( Rodr íguez 19 90: 1 9; ca rregado no original):
Ad emais do c rit é rio histór ico-polít ico inte rno, pode empr egar- se, como complementário,
o crité rio xer acional, nunca como e xclusi vo ou pr ioritário . A o ser a nosa unha situac ión
anormal, a idade ou da ta de nacimento non sempre unifica aos escr itores nen sequ er en c ant o
ao momento cronolóxico das suas contribucións á lit eratura pátria.
A contradiçom anotada por F e rrín e a situa çom de anorma lidade do SLG apontada por
Francisco R odríguez para secunda rizar o método geracional som também consideradas pola crítica
que acompanha um discurso sistémico. Por isso, à hora de re f le xionar sobre a aplicabilidade do
método ge racional como fórmula interpreta tiv a válida para o estudo do SLG (nome adamente pa ra a
poesia, em vi rtude da já referida construçom do conhecimento na base dos reper tó rio s de género e a
traslaçom do método de análise do género central para os restantes), Dolores Vi la ve dra ( 19 99: 2 21)
refere na su a Historia da Liter atura G alega as vá rias tentat iv as da crít ica galega (Ál varez Cácc amo
e Ber nárdez 1 99 4, R omán Raña 1 996 ou Manuel Forcadela 1 996) para “ establecer un no vo
paradigma analítico que detectase c ales destas liña s [temática s e es tilísticas] funcionan como e i xes
v ertebra dores na reconstrucción do discurso poético, e de ana lizar o seu desen v ol ve mento” 97 .
96 X osé Luís Méndez Ferrín ( 19 84: 7 1) indica concre tamente que “a máis impo rt ante contradición que achei no meu
traballo entre o concepto de xeración e a realidade lit er ari a e cultural en cuestión, maniféstase no seguinte f eito
anómalo: as tres p rimei ras xera cións do posguerr a (p rimeira , nados entre 1 9 1 0 e 1 9 20; segunda, nados entre 1 920 e
1 930; terceira, nados entre 1 930 e 1 9 40) xurden ca se simultaneamente. Non siguen unha á outra; agroman, máis ou
menos, contemporáneas, despegan xuntas. Esta a nomalía dé bese a que a produción de libros galegos se inte r rumpe
entre 1 936 e 19 50”. Por seu lado Román Raña ( 1996) , tr ás re visar as condiçons de aplicabilidade dos criterios de
Julius Pe tersen para a análise da poesia ga lega de após-guer ra, conclúe que a ar rumaçom geracional nom é viá vel no
SLG até a déca da de 70.
97 Anotamos como mostra das tentativas e das estratégias ensaiadas para resol ver os problemas aponta dos, quanto ao
ag r u p a me nt o e a p e r i o d i z a ç o m n o S LG , “U nh a p r o p os t a d e s u p er a c i ó n da or d e xe r a ci o n a l o i t e n t a / nove n t a” de I r i s
120
Contudo, o alto grau de consenso alcançado pola já t radicional organizaçom feita por Ferrín
em inícios da década de oiten ta, fai com que o no vo paradigma inte rp retati vo propos to na década
seguinte nom pa sse por superar o a gru pamento dos produto res em ge raçons, mas apenas por servir -
se da clasif icaçom ge racional como ponto de partida para entender o “diálogo inte rxeracional que
ache ga os estilos e as v ontades e difi culta o establecemento de fronteiras diacrónicas” (Á lv arez
Cáccamo e Ber nárdez 1 99 4: 3-4) ou por empregá-lo, em último caso, “non tanto como ríxida
clasificación x eracional senón a modo de esqueleto cronolóxico que nos oriente para seguir o
dese n vo lv emento das p rincipa is propos tas estéticas” (Vil a ve dra 1 999 : 2 21 ). Assim, o conjunto da
crítica lite rária que se oc upa do SLG dos anos seten ta acompanhará e fectiva mente o m étodo de
a r rumaço m dos produtores em ger a çons mi nimizando a impor tánci a dos ag rupa mentos para a
compreensom do sistema (reco rrendo a o ca rácter co n vencional das cat egori zaçons e m esmo
recolhendo, nalgum caso, a ideia da produçom como acto individual e solitário do génio c riador
vinda do romantismo), aleg ando o peso do consenso em v olta dumha tradiçom já consolidada,
razons de comodidade, cla ridade ex positi va ou o supo sto didactismo deriva do deste procedimento 98 .
Par ece pe rt inente apontar ainda a pe rman ência nos trabalhos historiográf icos e
Co ch ó n O t e ro ( 2 001) , e m c u j o es tu d o es t a p rof e ss o r a d a US C ne ga va l i d ez , p or c onve n ci o n a l , ao c o n ce it o de
ge raçom e afi rma partir “dunha consideración global do decurso poético do último cuar to de século XX, [com o
qual] é claro que as súas premisas de pa rtida combat en o c arácter compacto tanto dos anos oiten ta coma dos
n o venta, ist o é, soca van a s bases ontolóxico-per iodolóxicas habituais” (pág. 286). Em conc ret o, a propo sta de I ris
Cochón passa por ag ru par e estudar conjunta mente a produçom poética de 19 76 a 2000, ainda que na mesma obra
enciclopédica este período é dividido e abordado separa damente em “ A poesía de f in de milénio: os anos oitenta ”
(responsabilidade da t ambém pro fessora da USC Mª Xes ús Nogueira) e em “ A po esía de fin de milenio: O reaxuste
d os a n o s noven t a ” ( r e d i g id o p o l a p ró p r i a inves t ig ad o r a r e sponsáv el da alterna tiva p retensamente integra dora).
98 A chamos esclarecedora s, no sentido apon tado, as seguintes palavras do pro fessor Anx o T arrío ( 1 994: 346; itálicos
nossos): “ A índa que se xa fo rzando un pouco a realidade, imos distribuír o res to dos es critores que publicaron
narr ativa na posguerr a en g rupos definidos por algún trazo af ín. É unha cuestión de comodidade . No n pr etend emos ,
nest e punto, ser moi r igorosos, pero sabedores de que as clasifica cións por xeracións, mo vemen tos, etc., non
responden, as máis das ve ces, a outras realidades que non se xan as de claridade expositi va , e sabedores t amén de
que a obra literari a é unha aventu ra que cadaquén re aliza en solitario , non queremos renunciar á comodidade e
va ntaxes didácticas que o tal método proporciona”. Ainda, o mesmo prof essor compostelám afir m ava em 20 01 (pág.
20) que “os intentos de peri odización litera ria, nos que a miúdo se mane xan (mane xamos) por inercia, por
comodidade ou por afán didáctico c rite rios cronolóxicos e xe racionais pouco xustificados, sempre resultan
co n ven cionais e insuficientemente s atisf actorios”. N o mesmo sentido toma posi çom Ro dríguez Gómez (1 986: 1 1 - 12;
itálico no o riginal) na sua antologia de poetas dos oitenta: “Digamos de entrada que non hai unha poética de gru po
e/ou de xer ación - concepto este abondo vidroso e só utilizable en ben contados casos. Non obstante, e sabendo do
ris co no que incor ría, empregueino no c uestionario que lles pasei aos poetas [ formulando as pergunt as: “¿Existe
unha no va x eración poética? ¿Que rasgos cres que vos car acter izan frente á xe ración ante rior ?”], e fíxeno nun
sentido amplo e aberto sen en ningún momento pensar na estricticidade de rasgos e ca racterísticas tan ri gorosamente
e xpos tos por algún teó rico deste fe nómeno socio-litera rio. Eu emprego o te rmo «x eración» para fala r dunha no va
atmós fera poética que cada un dos doce poetas antologados respira á súa maneira. Mais a pesar de que hai unha
grande di versidade de plante xament os diante do fe ito poético tamén hai algúns elementos en común”. R emetemos,
da n os sa pa rt e, pa ra o tra b alh o d e Rodríg ue z Fer n ánd ez ( 1999 ), qu e já no m ag r u p a os pr od utor es e m gera ço ns , pa ra
Samartim e Cordeiro Rua (2009), onde apresentamos os p rinc ipais g r upos actuantes no SLG no pe ríodo do nosso
estudo, e para o capítulo se guinte deste tese de doutoramento, onde e xplicaremos os métodos e os procedimentos
utilizados para o agrupamento dos produtores.
12 1
monográ ficos publicados ao longo das três décadas que a bran ge a bibliogra fia consultada des tes
procedimentos tanto de a rr uma çom do conheci mento (géneros, ger açons, per iodizaçom...) como de
análise temá tico-estilística dos mat eriai s organizados em obra s e autores; além do mais , o
conhecimento assim construído é tresladado aos livros de t extos e aos manuais utilizados no ensi no
(nas suas várias eta pas) desde a introduçom das maté ria s de língua e lite ratura galega na educaçom
escolar obrigatória em 1 97 9 até o momento de redigirmos estas páginas, com o que fica gar a ntida a
sua transmissom e reproduçom no conjunto do sistema. Sirva apenas como e x emp lo do apontado a
Pro gr amación de lingua [e liter atura] g ale ga p ra ensino básico publicada pola Xu nta de Galicia em
1 97 9 ([MEC XG 1 979 ]: 49 e 54), que contempla entre os seus objectiv os que o alunado “vaia
anotando as caracte rís ticas que definen os dis tintos xéneros litera rios” e entre os conteúdos
pr evis tos o “estudio dos xéneros litera rios”; e ve ja-se também a Propo sta didáctica de língua e
literatura galega publicada já em 20 04 com a pretensom de que “ao remata r a etapa , alumnas e
alumnos teñan demostrado coñecementos so l v entes sobre [...] as etapas da literatura galega,
recoñecendo autores e obras”(Guillén Á lv arez e t al 2004 : 5).
Julga mos que v ale a pena indicar , como mostra das dif erentes tomadas de posiçom presentes
no estratégico campo do ensino, das luitas dos dif erentes g ru pos polo seu controlo e da sua
e vo luçom ao longo destes qua se t rin ta anos, que os p rincip ais responsá veis (Ramón Gutié rre z
Izquie rdo, Gonzalo N a vaz a Blanco e Luciano R odríguez Gómez) pola elaboraç om em 2004 da
propo sta didáctica citada tinham pa rticipado, sob a direcçom do pro fessor V a rela Jácome, na
redacçom do manual de L itera tura G alega para 3º de bacharelato “aprobado como libro de t exto
pola Consellería de Educación coa data 5-X - 1 98 2” e, polo mesmo, reeditado e utiliz ado
maio ritar iamente no ensino na p rimeira metade da década de oite nta. Na apresentaçom dos
conteúdos des te sucedido curso de literatura galega, o d e nominado daquela Colecti vo Seitura ocupa-
se em maior medida da compoente social do fac to literá r io do que o fa rám os mesmos pro fessores
nas décadas pos ter iores, quando já centram a re ferida proposta didáctica (Guillén Á lv arez et al
2004 : 6) no “ e studo sistemático dos tex tos, co obx ecto de [os alunos e alunas] cap taren as súas
dimensións estéticas” ( veja-se també m Gutié rrez Izquier do et a l 1 9 9 1 e 2003). Esta secundarizaç om
dos c ritér ios heterónomos, qu e vinham tendo um impor tante peso relativ o nos mater iais destinados
a circularem no campo do ensino desde a i nclusom das matér ias de língua e lite ratura g alega em
1 97 9, nom alcança da mesma maneira a proposta de Desen vol vem ento curri cular elaborada por Bao
Abelleira e Vázquez González ( 1 99 7 : 12) , onde (ainda) f igura o objec ti vo da crítica maio ritá ri a
nes te campo: “Comprende-la relación entre a obra litera ria e o conte xto sociocultural no que foi
122
creada e recoñecer nela as in f luencias litera rias e non litera rias”.
Em todo o caso, no nosso percurso bibliográ fic o ver i ficam os que, juntame nte com os
numerosos livros de te xto e ma nuais, a produçom após 1 9 7 8 de trabalhos historio grá ficos sobre a
literatura galeg a ta mbém f oca directa ou indirec tamente o ca mpo do ensino e que, em todos estes
mate riais, o objecti vo de “Saber en que circunstanci as se desen vo lv eu a nosa lite ratura e coñece-los
seus auto res e obras máis impor tantes” (Mou riño Cagide et al 1 9 9 1) combina-se em maior ou menor
medida com o intuito de conhecer quais fôrom as “co rrente s estéticas e ideolóxica s que
conf iguraron até o presente a personalida de cultural e histór ica da Galiza a tra vés do esf orzo c riador
dos seus escritores” (Mato Fon do e Fernández Pérez-Sanjulián 1 99 2) 99 .
Este assun to le va-nos à última qu estom q ue que remos abordar nesta epígraf e. A o falarmos da
neutralizaçom metodológica já chamámos a atençom para a coincidê ncia básica e ntre o conjunto
dos conte údos apresentados nos mate riais consultados (a referida “con f lu ência de resultados”); isto
significa qu e o modo em que f oi con struído o conhecim ento sobre o SLG de 1 9 74 -1 9 78 f ai com que
as formas de apresen taçom e os própri os re sult ados t enham um alto g rau de similitude (e
apresentem, po rt anto, as mesmas lacunas), seja qual f or a or ientaçom teó rico-metodológica
colocada à pa rt ida no trabalho crít ico. Porém, isto nom significa que nom ex istam dif erenças entre
discursos críticos (as páginas anter iores centrárom-se em grande medida na exp osiçom de
elementos comuns e dife renciais entre eles) e, para o que pre tendemos analisar neste mome nto, que
nom h aja mudanças na linha central do discurs o c rítico galego po sterior a 1 9 7 8, considerado agora
his toric amente e nom em funçom das di ferente s fo cag ens me todológicas que o sus tentam.
No básico, estas muda nças detectadas tenhem a v er com a constata çom de que, a medida que
a vança o processo de autonomizaçom e institucionaliz açom do SLG, vai -se pr oduzindo umha
relativ a ma s progressiv a diminuiç om da atençom prestada ou do gra u de intensidade com que som
abordadas determinada s ques tons e, ainda que alguns ele mentos mantenhem umha posiç om de
centralidade similar em todo o processo, hai outros assuntos (ou mesmo conceitos concretos) que
nom tenhem continuidade no discurso crítico galego considerado no lapso cronológico de 1 9 79 a
99 A o lado deste desti no ge ral comp artilhado por manuais, histórias da literatura e livros de t exto (por e x emplo
Be rnárde z et a l 20 0 1, Gómez Sánchez e Queixas Za s 200 1 , Leal Gómez 2006, Fernández V el ho e Sambade Soneira
2006...), a inco rpor açom da maté ri a de literatura galeg a no sistema de ensino obr igatório desde 1 979 exi ge a
produçom de mate riais enca minhados a reso l ver necessidades espec íficas, c omo fornecer um modelo de comentár io
de te xto (Mariño et al 1 992; Gutiérrez Izquierdo 2000...), ser vir de manual ou de antologia para o estudo dum género
concreto (R odríguez Gómez em 1 983 e 1 986 para a narr ativa e a poesia; Fo rcadela 1 993 para a nar rativa; Vieites
1 996 para a literatura dramática ...) ou de vári os gé neros (o nomeado Mato Fondo e Fe rnández Pérez-Sanjulián 1 99 2
pode ser vir de e xe m plo) e, em última instáncia, possibilita a divulgaçom e a rep roduçom atr avés do sistema de
ensino de va lores literários, políticos e identitários em maior ou menor medida compartilhados (e resultado da
melhor ou pior adaptaçom didáctica dos materiais críticos ge rais; escassa, por e xe mplo, no caso da B rev e história da
literatura galega desti na às c rianças por Que ixas Zas 1 999).
123
2008.
Em concreto, a pontamos para a ausência do re fe rente de re integraçom po rtuguês tanto do
campo da crítica hi s toriográfica como dos materiais de stin ados directamente para o campo do
ensino despois da pr imeira metade de oiten ta. No pr imeiro caso, já nomeamos as alusons às
semelhanças estruturais entre as literaturas galeg a e por tuguesa f eitas por Vázquez Cuesta em 1 9 80
com o intuito de re forçar a autonomia do SLG em relaçom ao espanhol, e poderemos apon tar agora
para o trabalho de Carlos Reis ( 19 92: 4 61 ) em vo lta da “síndrome do pe riferismo” que, segundo o
pro fessor de Coimbra, parece afe ctar por igual a cultura gal ega e a po rtuguesa; sobre o segundo tipo
de produtos indicaremos agora que, por e xe mplo, o manual de Fernández Herráiz e García Urría
( 1982: 5) inclui entre os mate ria is apresen tados “ algunhas noz óns da Lit eratura Portugues a, co fin
de encadrar o f eito literári o galego no ámbito que lle co rresponde, de ma neira que o alumno consiga
unha visión uni versalizadora da nosa cultura”.
O uso da “li teratura por tuguesa e as lite raturas de expresión port uguesa, como complemento
adecuado pra fac ilita rmos unha visión uni versalizadora da nosa cultura” (MEC-XG 4, 1 9 80: 3 1)
figura na primeira P ro gr amación de Lingua e Literatu ra Gale gas pra BUP “a probada pola
Subcomisión de Programación e T e x tos da Comi sión Mixta Minist er io de Educación – Xu nta de
Galicia o día 24 de Xul lo de 1 980” (MEC-XG 4, 1 980: [3]), a qu al, no seu “Progr ama de Contidos”
des tinados ao terceiro ano de bacha relato, incluia um tema pa ra “Luís de Camõe s” (o sete) e outro
para “ As literaturas de exp resión po rtuguesa” (o vinte e cinco), para a lém de con tar c om numerosas
epígraf es dedicadas ao estudo do ref erente de reintegraçom integradas no co rpo do programa
docente 10 0 .
Após a eliminaçom do sistema de ensino secundár io da Galiza dos conteúdos respeitantes à s
literaturas lusófo nas (v ejam-se os De seños Cu r riculares Base [DCB] de 19 92 e 1 993 [X unta de
Galicia 1 99 2 e 1 99 3]) e v erifica da a f alta de continuida de do elemento lusó fon o na his tor iogra fia
literár ia galeg a despois do cont ributo de Vázquez Cuesta ( 1 980), as ref erências relativas ao
intersis tema cultura l galego-luso-br asileiro estám limitadas despois da primeira metade de oitenta
1 00Fora a literatura galego-port uguesa mediev al e os dous temas referidos, a programaçom docente “preparada polos
pro fesores Víctor F . Freixanes, Xo sé M. Enríquez, Xosé L. Grande Grande, Antonio Gil He rnández e Xo sé R. Pena”
( MEC-XG 4 , 1 98 0: [3]) contempla o est udo dos se guintes conteúdos de literatur a lusóf ona: o T em a 6,
“Decadencia Galega e Renacemento Portugués”, inc lui “O R enacemento po rtugués: Sá de Miranda, Ferrei ra de
Cast ro, Bern ardim Ribeiro, Gil Vicente.. .”; o T e ma 8, “Os Séculos Esc uros e a Ilustración”, inclui “ A literatura
port uguesa do XVII ó XIX: O P . Vieira, Bocage, Filinto Elísio...”; os T e mas 9 e 1 0, “ O R exu rdimento” (1 e 2),
atendem a “O Rom antismo port ugués: Almeida Garrett, Ale xandre Herculano...” e a “O Real ismo po rtugués: Antero
de Quental, Castelo Branco, Eça de Queirós”; o T e ma 1 4, “O Mode rnismo”, oc upa-se de “O Moderni smo por tugués
(Saudosismo: T ei xeira de Pascoaes)”; e o T ema 1 5, “Liter aturas de V an guarda”, estuda “ A s vanguardas po rtuguesas
(Sá Carne iro, Fernando Pessoa...)”.
124
nas duas instáncias legitima doras (crítica e ensino) às prátic as e reper tó rios compar tilhados com o
actual Portugal durante a Idade Média, altura em que surg e e se consolida neste espaço (entre os
séculos XII e XV) um sis tema cultural laico prom ovido pola nobreza galega no romance ibérico
ocidental (para as “Considerac ións sobre o período medie val na historio grafia literár ia galega” vid
Gutiér rez García 200 4). Nom detectamos, po rt anto, ref erências signific ativa s ao período do nosso
es tudo, apesar do papel de relativa centralidade joga do nessa altura pola relaçom com a Luso fonia
nas dif erentes estratégias de muitos dos g rupos presentes no SLG, ou dos labores de assistência
identitá ria realizados por ag entes do galeguis mo em Portugal, nomeadamente por Manuel Ro drigues
Lapa nos campos literár io e lingüíst ico ga lego deste período ( vid, nes te sentido, T orres Fe ijó 2007
para o relacionamento Galiza-Portuga l no lapso imediatemente posterior à re vo luçom lusa de 1 9 74 ,
ou os traba lhos sobre a tra jectór ia de Rodrigues Lapa da nossa colega Cristina Loureiro 2005 e
2006).
De acordo, por tanto, com o conhe cimento do SLG f ornecido polos trabalhos saídos do
projecto Polulig a, estamos em disposiçom de a firmar que a falta de continuidade desta linha de
es tudo na biblio graf ia de ref erência deixa fana do o conhecimento sobre o conjunto do SCG entre o
franquismo e a tr ansiçom. Julg amos que e ste aba ndono da re fere nc ialidade portuguesa na crítica que
se ocupa do SLG de ve estar relacionada nalgumha medida com a já apon tada passage m desde umha
funçom de refe rente de reinteg raçom a outra de re fer ente de oposiç om no campo da codificaçom
lingüística, mudança a contecida no centro do sistema cultural gal ego a pa rt ir da institucionali zaçom
em 1 982 pola R AG (e o ficializaçom um ano despois polo G o verno Aut onómico Galego) das
propo stas nesse sentido sustentadas polo ILG com intensidade variá vel desde a sua c riaçom em
1 9 7 1 . Apesar destas no rmas lingüísticas serem discutidas polos gr upos nacionalistas da esque rda até
os iníc ios do século XXI (Sama rtim 2004, 2004 a e 2008a) e de prom ov erem modelos lingüísticos
alterna tiv os em maior ou menor gr au próximos dos es tá ndares de Portugal e do Brasil, a crítica
nacionalista, preocupada na de fesa do carácter autónomo e perifé rico do SLG, tampouco sus tenta a
linha de discurso ensaiada por Pilar Vázquez Cuesta em 1 98 0 10 1 . Igualme nte, esta carência de
1 01Ent re os objectivo s da segunda etapa de ensino básico f igura va em 1 979 “[traballar co neno para lograr] que se xa
consciente das semellanza s e diferencias c o port ugués” (MEC-XG 1 , 1 979: 4 7), e entre os objec ti vos marcados para
o pri meiro ano de BUP est av a também nessa altura “ Insis tir e facer ve r no alumnado un carác ter universalizador do
galego: isto é, facer ve- la situación do noso idioma e cu ltura nun marco uni versal, na s súas relac ións cos países
románicos e n xe ral e coa área galego-po rtuguesa en pa rticular” (MEC-XG 4, 1 980: 8) . Confronte-se esta fo cage m
com a ausência de ref erências à língua e à literatura por tuguesas na didáctica preparada por Es teban Radío e editad a
polo nacionalismo da AS-PG em 1 98 6, e com a equidistancia representada na única re ferência detectada nos
“Contidos do terceiro ciclo” da educaçom pr imári a após a introduçom da Ley de Ordenación General del Sistema
Educativ o (LOGSE , L ey Orgánica 1/ 1 990): “Relacións e int erferências da lingua galega con outros idiomas. Galego
e por tugués. G alego e castelán. Galego, francés e inglés” (Xendro et al 19 93: 43).
125
po rmenor dedicado à recolha da inf ormaçom fornecida nos trabalhos que integram estes dous
v olumes (trabalhos relativa mente autónomos, o que e xplica também a redundáncia v erificada em
ocasions), mas nom e x clui que o labor de síntese e xe rcido sobre o conhecimento fornecido por estes
mater iais e nciclopédicos seja completado com re ferências a resulta dos que considera mos marcantes
para o conhecimento do nosso objecto de estudo, nomeadamente (como ref e rimos acima) polo
trabalho de Ma ria X esús R odríguez Fer nández (1 999), que incl ui já nas sua anál ises os pr incipa is
cont ributos prévios de Gonzá lez-Millán, e as refe rências a o vo lume 5 da H istoria da Literatu ra
Gale ga da AS-PG, quando a in formaçom recolhida nesta obra colectiva matize ou directame nte
difir a da f ornec ida pola enciclópedia Hércules.
3.2. 1. Resu ltados da Bibliografia Secundária
O trabalho de María Xe sús R odríguez Fernández ( 1999: 90-1 1 8 ) ocupa-se no seu capítulo 5
do funcioname nto do SLG entre 1 9 7 5 e 19 85; porém, em páginas ante riores analisa o que entende
som os principais elementos institucionais e de mercado que cont ribue m à mudança
e xper imentad a nes te sistema per ifér ico após 1 9 7 5 (consolidados apenas depois de 1 982 ), a começ ar
pola inco rpor açom da língua e da literatura galeg as ao sistema educativ o contemplada desde o
Decre to de 30 de Maio de 1 9 7 5 que desen vo lv e a Ley Gene ral de Educación de 1 970 , mas que só
terá ef eitos significa ti vos no SLG após o Decreto de 1 97 9 ( García Negro 1 9 91 e Frei xeiro Ma to
199 7 ) .
A todos os ef eitos, o sist ema de ensino funciona como um dos p rincipais in str umentos de
canonizaçom e de legitim açom dos vár ios ele mentos parti cipante s no sistema li terári o. Isto é assim
por que a presença na instituiçom educa tiv a f ornece directamente capital simbólico, repercute no
mercado futuro atrav é s da f ormaçom de públicos e contr ibui para a ampliaçom do mercado presente
em vi rtude do impacto que nele tenhem as leituras recomendadas nos centros de ensino. O sistema
educativ o, inte rvido em última instáncia polo campo do poder que o sustenta, e xe rce també m a sua
in f lu ência sobre o sistema lite rár io, já que “quem tem o poder no ensino, escolhe e deter mina quais
são os modelos, mate riais, autores e obras que de vem ser conhecidos polo alunado, e com isto pode
in f luir no reconhecime nto dum autor” (pág. 6 1), pode alterar significativamente as caracterí sticas
dos produtor es, pode o rienta r a produçom em funçom dos interesses ou das necessida des do próprio
campo do ensino, ou pode mesmo condiciona r o sucesso, o fracasso ou o g rau de socia lizaçom de
mater iais considerados imprescindí veis para a continuidade e a sobre vivênc ia da comunidade
imaginada. No ca so do SLG, a i n f luência do ensino nas ques tons enumeradas é perceptí vel com
clar idade apenas no período posterior a Fi sempoga, por e xem plo, no aug e e xperimentado pola
132
literatura infa nto-ju venil e por subgéneros nar rati vos como a no ve la negr a ou a de a ve nturas (até o
ponto de alterar a hierarquia de géneros: a nar rativa fo i p riv ilegiada já desde a p rimeira
Pr og ramación... elaborada pola Comisión Mixta... em 1 9 80 [MEC-XG 1 9 80] a custa da poesia , o
género com maior tradiçom no SLG), na quantidade de produtor es que se dedicam
profissionalmente à docência (um número consideráv el dos a gentes responsá veis pola produçom
som docentes que escr e vem para o [seu] alunado), na f ixaçom e socializaçom da língua estánda r,
etc 105 .
O segundo elemento institucional analisado por Ro dríguez Fernánde z é o sector edito ria l .
Esta i n ves tigadora acompanha V erdugo Matês ( 1998) e centra o seu estudo sobre os vo lumes, a
tipologia e, sobre tudo, as editora s responsá veis pola pr oduçom no período po sterior a 1 9 80, polo
qual a utilidade para nós é relativa neste ponto. Contudo, e sta inte grante do Grupo Galabra vincula a
e vo luçom deste sector quanto a volu me e div ersidade da produçom ao status alcança do pola língua
gale ga e apon ta para as p rincipais tendê ncias detectadas no campo editorial galego após 1 9 7 5, que
poderám ser ainda ver i ficadas vinte anos despois (González-Millán 2000a inf orma também das
trans formaçons do campo e ditorial galego entre 1 98 0 e 1 99 5): a aposta das empresas editoriais pola
homolog a çom com umha indústria capitalista para fo car o ac úmulo de lucros económicos
(constatando a progressi va div ersif icaçom e ampliaç om da produçom e o aumento das tiragens), a
tentativa de superaçom dos problemas na cadeia de distribuiçom e socializaçom (escasseza de
livrar ias, de bibliotecas públicas, de presença nos meios de comunicaçom de massas...), a
precariedade e a falta de planif icaçom da traduçom para o galego, a difícil c oncorrê ncia do SLG
com o SLE -que ocupa im po r tantes quotas do me rcado galego-, etc.
Na continua çom, María Xe sús Ro dríguez Fernández estuda as revi stas culturais , c o m o
espaços institucionais de af irmaç om colectiva, enca rregados de preencher os défice s do sis tema
nesse sentido e atr avés dos quais som introduzidos no vos mate riais e modelos, destacando assim
mesmo a impor tante presença da crític a literár ia ne s tas pla taf ormas. Esta in ve stigadora in ventaria
também os pré mios literá ri os e aponta para a sua funçom como estimuladores da produçom e
dinamizadore s do m ercado; con vocados por numerosos organismos públicos e pr ivados pa ra se
legitimarem (e, de passagem, no caso das instituiçons privadas, tamb ém servi ndo para pouparem
impos tos), os prémios contribuem de jeito decisiv o para a promoçom de de te rminados repertó rios
1 05Qu an to à i dei a d a com un id ad e pr omovid a des de o sis tem a d e ens in o, Ma ría Xesús Rodríg ue z Fer ná nd ez ( 1999: 64 )
af i rm a que “ As l eit ur as prop ost as par a ca da uni da de , p ri nc ip al men te ent re 1 979 e 1 990[ , ] p ri vi le gi am mate r ia i s
identificados com o mundo r ura l e a de nominada cultura popular , te xtos qu e ex altam os elementos paisa gí sticos,
assim como os de de núncia social ou os mediev ais, o que, logicamente, gera padrões de leitura e dá uma
de te rminada ima gem da l iteratura ga lega” .
133
com que se pretende preenc he r déf ices sentidos como históricos (ist o ex plica que à na rr ativa, e mais
em concreto ao romance, estejam dest inados os prémios c om maior dotaçom económica) e som
também um in strum ento de relaçom entre o campo do poder e o campo literá rio. Po r último, María
Xe sús R odríguez descre ve a trajectória da AELG fundada em 1 98 0, abordando assim a
profissionaliza çom da figura do produtor que, já desde fi nais da p rimeira metade de setenta, “sente
unha maior tenta ción por ab rir no v os e spacios [...] e por distanciarse dun determinado pasado
literar io” (Gonz ález-Millán 1 9 94: 48), ainda que is to nom significa renunciar imediatamente a
colocar a literatura “ao ser viço do processo de norma lização lingüística e cultural” (R odríguez
Fernández 1 99 9: 89) dum sistema em processo de autonomizaçom e que concor re polo espaço
social e polo mercado com um sistema como o espanhol, fortemente institucional izado e apoiado
desde o campo do poder 106 .
Em síntese, esta i n ves tigadora e ntende que, no no vo tempo aberto trás o franquismo, o SLG
caracte riza-se polas acçons encaminhadas para a ocupaçom de espaços e a superaçom de dé fices
estruturais atr avés da cri açom dumha sé rie de pla taf ormas institucionais responsáveis do re forço e a
legitimaçom do siste m a em cons tr uçom. Ne ste processo de institucionalizaçom, os produtos
literár ios deixarám lenta e progressiva mente de funcionar como instrumentos de resi stência
simbólica contra o re ferente de oposiçom (SLE), ainda que, aos e fe itos dos interesses do projecto
Fisempoga que ac olhe este estudo, “a maior pa rte da produção literá ria destes pr imeiros anos da
década após-franqui sta caracteriza -se por continuar a privile giar leituras que poderíamos qu a lificar
como épicas, si tuação que, em part e, vi ria a m odifica r- se [só] no seguinte decénio [ 1 990]”
( Rodríguez Ferná ndez 1 9 99: 96). A o mesmo tempo que o SLG está a ser construído em c onfron to
com o se u conco rrente no espaço social da Galiza (o SLE), no inter ior do sis tema cultural em
processo de institucionalizaçom verifica-se que os g rupos nacionalistas de o rientaçom marxista
cr iados em iníc ios da década de sessenta (PSG em 1 963 e UPG em 1 964) “contestam em ter mos
estéticos e em term os ideológicos aos gr u pos que g ov er na vam o sistema lite rár io e def iniam a
o rien tação cultural por cima da ideológico-polític a” (R odríguez Fernánde z 1 999: 93), fact o do qual
1 06R epare-se t ambém no seguinte: “Millán, qu ando alude ao distanciamento dum determinado passado literár io, está-se
a ref er i r, concretamente, à tendência progressiv a que se materializa a partir de 1 9 7 4 à perda da im po rtância do
elemento vindicati vo e de denúncia ex plícita da produção gale ga, assim como das funções ex traliterárias que se
actualizam nos te xtos estéticos. Mas esta mudança não f oi nem imed iata, nem pode faze r-se ex tensível a todas as
posições. Serão primeiro uma gr ande parte dos poetas mais novo s os que ponham em causa o re pertório herdado
como central; mas is to não pode ser equacionado com uma mudança das actitudes no que diz respeito ao fac to
literário galego, exi ste uma transf orm ação em te rmos reperto riais, mas continuam a at ribuir -lhe os mesmos valor es
de compromisso ao sistema e aos produtos literár ios” (R odríguez Fernández 1 99 9: 88; itálicos nossos). Chamamos a
atençom, em relaç om com o fra gmento sublinhado, para o papel de sempenhado por alguns agentes com trajectória
já acreditada no SLG nas muda nças no reper tór io poético social-rea li s ta no período do nosso estudo ( vid infra , e m
especial a nota 1 1 1) .
13 4
pode dar mostra a poesia cívica de tipo social-realista (e mesmo a N o va Narrativa Galega; vid infr a)
com que os a gentes daqueles g r upos da esquerda se opunham tanto a o franquismo como ao
piñeirismo (entendido como o conjunto de ideias e estratégias propostas para os campos político e
cultural por Ramón Piñeiro e sust entada s polo Grupo Galaxia, o de maior grau de
institucionalizaçom na Galiza do após-gue rra).
O acompanhamento do trabalho de R odríguez Fernández ( 1 999: 59) permite- nos sintetizar
as pr incipais cara cterísticas do SLG pós-franqui sta e resumir no parágrafo seguinte aquelas que stons
consideradas pol a crítica literár ia galega deter min antes para explicar as mudança s sentida s no
sis tema no período constitucional (e já adiantadas em páginas ante ri ores dest e capitulo):
Se analisarmos a maior pa rte dos trabalhos que se têm centrado na análise do período
iniciado após 1 9 7 5, compr ov aremos como, na sua maior ia, destacam o papel desempenhado
pela legalização da língua, a ob rigatori edade do seu ensino nos centros esc olares, da cr iação
de n o vos projectos edito riais, a proli feração de prémios literá rios ou o aparecime nto de
r evistas culturais como causas que e xplic am a e vo lução e mudança do sist ema literár io
galego. Em g eral todos estes [elementos] são considerados como e xternos ao estudo literá rio.
Em gr ande medida, i sto último é o que acontece com os tra balhos coordenados por An xo
T arrío (20 0 1 e 2002), onde o interesse reside mais na descriçom da e vol uçom dia crónica
e xper imen tada polos repe rtó rios (géneros, tema s, estilos...) do que na aná lise do carácter dinámico
do sistema ve ri ficado nas di fe rentes estr a tégias e tomadas de posiçom qu e é possív el documentar no
ei xo sincrónic o. Ne stes v olumes o conhecimento ca nonizado sobre o SLG de 1 9 7 4- 1 9 7 8 é
apresentado de acordo com a conhecida a r ru maçom da inf ormaçom e da análise por géneros
canóniados e, em geral, com a perspectiva intern ista já re ferida nestas páginas e que, na medida do
possí vel, tentaremos aminorar na nossa e xposiçom.
No quarto dos seis vo lumes que a enciclopédia Hércules dedica a Gal icia. Lite ratura ( vol.
33) encontra mos o estado do saber sobre a poesia e o teatro do período do nosso estudo. O
pro fessor X osé Manuel Dasil va (20 01: 240-283) é o re sponsáv el de apresentar o período que
abrange “ Do epigonismo da poesía social-realista ós inícios da reno vac ión estética”; ocupando-se ,
entom, das última s mostras dos reper tó rios prom ovidos para o centro do SLG a pa rtir da
publicaçom de Long a noite de P e d ra ( 19 62) de Celso Emilio Ferreiro, até os finais da déca da de
setenta , localizando no a no 1 9 76 a bali za em que a crítica literá ria galega coincide em colocar a
secundarizaç om do social-realismo e o início da apontada ren ova çom es tétic a da mao,
nomeadamente, dos livros publicados nesse ano polos poetas Méndez Ferrín, López-Casano va e
135
Alfonso Pe xegu eir o.
O pro fessor da Un i versidade de Vigo coloca os a ntecedentes do socia l-realismo no SL G na
publicaçom por Luís Seoane no encla ve bonaerense do F a rdel d'eisilado ( 1952) e liga o sucesso dos
repe rtó r ios pres entes no l ivro de Celso Emilio às re voltas estudantis de 1 968 e a cons eguinte
p ro m o ç o m d e sd e o c a mp o mu s i c a l d o s p o e m a s d o d e C e l a nova , i n t e r p re t a d o s p o r “ Voc e s C e i b e s ”
(R odríguez Prado 2004). Dentro dos produtores lig ados a es te s repertó rios de poesia cívica social-
realista, Dasil va aponta para Manuel María , Be rnardino Graña, Sa l vador García-Bodaño, Uxío
No vo ney ra , Ar c a di o L ó pe z - C a s a nova e M é n de z F e r r í n (v á r i o s d o s qu a i s i rá m s o m ar-s e à re nova ç om
es tétic a da segunda metade dos seten ta) e coloca na mar gem epigonal do mo vimento os produtores
mais no v os (nascidos entre 1 943 e 1 9 54) antolog ados num livro bilíngüe galego-castelhano por Mª
Vi cto ria Moreno Márquez em 1 9 7 3 sob a denominaçom de Os novís i mo s d a li terat ura galeg a (em
sintonia com o f eit o por Castelet com os N uev e no vísimos poe tas españoles do ano 1 970) 107 .
Analisando já a “ren ov ación estética” da segunda metade da década de setenta , o prof essor
Dasi lv a refere as três linhas gerais i denti ficadas pola crítica literár ia galega pa ra indicar a r uptura
com o período social-realista ante rior a 1 9 76 : as no vas v oces ag r upadas em volta do colec ti vo
“ Rompente” (prom ovido também por Rei xa e Ro món, e onde des tac a Al fons o P e xegueiro e a sua
obra Ser aogna ); umha segunda linha que aponta para as tr ajectór ias individuais de X osé Luís
Méndez Ferrín ( Con pólv o ra e magnolias ) e de Arcadio López- Casano va ( Me steres ), c omo agen tes
que ocupam na altura posiçons de relativ a centralida de e que prom o ve m a mudança; e umha terceira
que at ribui a responsabilidade da r uptura à ac çom dos g r upos poéticos nascidos na segunda metade
da década, tais como da década, tais como “ Rompente” (c ria do em Vigo em 1 9 75 ; “Grupo de
comunicación Poética R om pente” desde a segunda etapa iniciada em 1 9 78 ) 108 , “Cra vo Fo ndo”
1 07A alguns destes noví sim o s (Xe sús Rábade Par edes, Fiz V e rg ara Vi lar iño e X avier R od ríguez Ba rr io) encontraremo-
los reunidos outra v ez pa ra a acçom conjunta em 1 97 7 dentro do g rupo poético “ Cra vo Fondo”. Para além destes, a
nómina de nov ísimos , está composta por Farr uco Sest o N ovás, Lois Diéguez, Alfredo Conde Cid, Xo sé Vázquez
Pinto r, Luís Ál varez Pousa, Margarita Le do Andión e D arío X ohán Cabana. Ainda que a crítica especializada
(Monteagudo 1 985, Rodríguez Fer 1 989, Anxo Ta rrío 19 94, Mat o Fondo 1 9 91 e 19 96 ou Vila vedra 1999) consid era
est es produtores epígonos do social-realismo, o ce rto é que “esta antologia confi rma que, ainda em 1 9 73 o modelo
socialrealis ta era o central, embora e xis tissem, ma s numa posição pe rifér ica, outras posiçõe s que o question avam e
não o ader iam” (Rodríguez Fer nández 1 999: 99; sobr e a funçom das antologias no per íodo do nosso estudo Rába de e
Sobrino 2003).
1 08Confronte-se o dito sobre as “tr ajectór ias individuais” com o facto de que o poemári o publicado por Ferrín em 1 9 76
sai do prelo com o selo de Rom pente (igual que o Seraogna de A l fonso P e xegueiro desse a no ou o livro cole cti vo
Silabario da turbina de 1 9 7 7, por colocar ape nas alguns dos produtos e ditados sob o car imbo do g r upo com maior
sucesso de crítica na altura). Em Samar tim 2002 dixemos j á que o Gr upo de Res istencia Po etica Rompe nt e é fundado
em Compostela polo estudante de fi lologia na Un iv ersidade de Santiago de Compostela Antón Reix a e por
P ex egueiro, e que nele pa rticipam, entre outros, os tamém estudantes universitários Manuel María Rom ón e Alber to
A v en daño. N a sua p rimeira etapa, até 1 9 78, Ro mpente prom ov e reunions, recitais e publicaçons de intervençom. Já
como G rupo de Comunica ción Poética, de 1 9 78 até a sua dissoluçom em 1 98 3, o projecto de Ro mpente f ai-se mais
o u sa d o e p rovo ca d or, a c e n t ua n d o a s u a d i n á m i ca d e c o n te s t a ç o m a tr a vé s d a i n c o r p o r aç o m d e novo s m a t e r i a i s c o m o
136
( 197 7 ) 10 9 e “ Alén” ( 1977) 11 0 (Cochón e González 1 99 9, Ro dríguez Fern ández 1 99 9: 1 01 -1 03, ou
Samar tim 2002).
Esta última inte rpre taçom irá perdendo peso no campo da crít ica gale ga ao tempo que se v ai
re forçando a valorizaçom como antecede ntes da ren o vaçom de produtos prévi os a 1 9 7 6 publicados
por agent es que, como o própr io Xo sé Luís Méndez Ferr ín, esta vam sendo relati vamente ce ntrais no
subcampo da poesia actualizando repertó rios social-reali stas 11 1 . Ne ste se ntido, destaca m a
publicaçom d' Os Eidos-2 de Ux ío N o von e yra ( 19 74), No n v exo Vigo nen Can gas de Be rnardino
G r a ñ a (1 975 ) e a p r i m e i r a e d i ç o m (1 97 5 ) d e Onde o mundo se c hama Celano va de Celso Emilio
Ferreiro, o p rincipal promotor do reper tó rio sustentado pola esquerda antifranqui sta até a mo rte do
ditador , clara mente ainda até finai s desta década de setenta por um dos princ ipais agentes do
nacionalismo comunista da UPG, Manuel María Fernánde z T e i x eiro (que també m apo sta por
repe rtó r ios de tom int imista nos P o emas ó outono de 1 9 76 ), e tampouco abandonado nesse tempo
polos produtores a que a crítica at r ibui a mudança (nomeadame nte Méndez Ferrín, que reúne em
1 980 na P oes ía enteir a de Heriberto Bens os seus ve rsos sociais e patrióticos ma is combativ os).
Este repertó rio social-reali sta, em c oerência com o dito acima sobre a oposiçom entre a s
propo stas ideológicas e lite rárias do nacionalismo de esquer das e o galeguismo mais virado para a
institucionalizaçom do seu discurso, nunca fo i e xperimentado polos agent es já acti vos no pré-guerra
e que dese n vo lvêr om toda a sua tra jectó ria na Galiza inte rior dentro dos gr upos mais
institucionalizados. V e jam-se, neste sentido, as P a lab ras de v íspe ra (1 974 ) e a Herba aquí ou acolá
( 1980) de Ál varo Cunqueiro (um dos modelos produt i vos de maior import áncia para os a gentes que
o audi ovisual, a rádio ou a música, e con vertendo-se assim num e xperimento cultural clara e propositadamente
insur gente dentro da Galiza da Tr ansiçom.
O gr upo Cra vo fo ndo está fo rmado por Ramiro Fonte , X avi er R odríguez Bar rio, Félix V e rg ar a Vilariño, os irmáns
X ulio e Xesús M. López V a lcárcel, Xes ús Rábade Paredes e Helena Villar Janeiro. A maioria destes produtores, na
altura estudantes na Uni versidade de Santiago de Compostela, foram prom ovidos já desde o ensino secundá ri o polo
catedrático de língua e literatura espa ñola no liceu luguês e membro do Pa rtido Comunista de España (PCE) Xesús
Alonso Montero e mantenhem contactos co poeta tamém luguês e mi litante do nacionalismo com unista da U nión do
P o vo Galego (UPG) Manuel María F er nández T e ix eiro (fundador da editora Xistral em Lugo) (Samartim 2002).
11 0 Alén dá título à única publicaçom colectiva Miguel An xo Mato F ondo, Xo sé Ramón Pen a e Francisco Salinas
Portugal, três estudantes da p rimeira promoçom de f ilologia galego-portuguesa na USC que se posicionam e m 1 97 7
por primeira vez no campo literário galego a val izados polo pro fesso r, ac adémico da R AG , crítico literário de Galaxia
e responsáv el polo prólogo Ricardo Carballo Calero.
1 1 1 Ainda que esta questo m nom é atendida na bibliogra fia consultad a, o facto de as mudanças no repe rt óri o poético
mais produtiv o (poesia socia-realista) na déc ada de setenta fo ssem impulsionadas também por a gentes que
ocup avam o centro do sistema na altura nom parec e umha questom menor par a a compreensom do f uncionamento
do SLG no imediato pós-fr anquismo. Apontamos de passagem, neste sentido, por um lado para as relaçons centro-
periferia e a dificuldade de se parar cla ramente estas duas posiçons e m sistemas com défic es de legitimaçom c omo o
gal ego, e por outro lado para as estratégias ensaiadas por produtores como Méndez Fer rín, que modi ficam o
repertór io para manter a posiçom de centralidade, legitima ndo(-se) também com a sua participaçom (em) os
projec tos compar tilhados com agentes perifé ricos que impugnam esse mesmo centro ( vi d Ro dríguez Ferná ndez
199 9 : 10 0 - 1 01 ) .
13 7
começam a edit ar após 1 9 7 5) ou as compilaçons de poesia de Ca rvalho Cal ero, Preté r ito I m pe rfe ito
( 1980 ) e F utu ro Condicional ( 1982). A estes e aos produtores que a crítica responsabiliza polo
abandono dos repe rtó rios social-realistas (onde, insi stimos, de stac am Ferrín, P e x egueiro e López-
C as a nova) u n i r ám - se , p r i n c i pa l me n t e e n t re 1979 e 19 8 1, p oe t a s qu e c o me ç am a p roduzir após 1 9 7 5
e já f ora dumha estética sujeit a ao condic ionamento da acçom política antifranquista, como Vítor
V a queir o (com o prime iro livro publicado em 1 979 ) ou Manuel Vilan ov a (editando no ano seguinte
E dir ei-vo s eu do mister das cobr as ).
Será a pro fessora Maria Xe sús No gueira (20 01: 289-363) quem, despois de sintetiz ar a
traj ectó ria dos três g rupos poéticos nomeados acima, aponte para a impor táncia dos estudos
monográ ficos de Henr ique Monteagudo ( 19 85) e Claudio Rodr íguez Fer ( 1986) como responsá veis
de irem “conformando unha sistematización e, ó tempo, unha canonización dos protagonistas da
poesía dos oitenta que transcendeu considerablemente” (pág. 298) 11 2 . De acordo com o
conhecimento estabilizado do SLG deste período, os repertó rios poéticos centrais na década de
oitenta estám caracte rizados, fron te ao coloquialismo, a intençom reiv indicativa e a te mática sócio-
política própria do realismo social do período franqui sta, polo culturalismo, a preocupaçom polos
aspectos formais e pola língua e a ape rtura temática. Em geral, a crítica acompanha Monteagudo
( 1985) neste ponto e distr ibui os produtores da década de oitent a num g r upo coru nhês (que f ica f ora
do período do nosso estudo ao estar f orma do a pa rtir da publicaçom em 1 98 4 e 1 98 5 dos v olumes
colectivo s De amor e desamos I e II ), e um g rupo viguês con formado por poetas sediados nessa
cidade e, começando a produzir antes de 1 980 (P e xeg ueiro, V a qu eiro, Gr upo Ro mpente) ou a pa rtir
desse ano (Vilan ov a, Baixeras, Ál vare z Cá ccamo, Raña, Forc adela ou An xo Qui ntela e Pa ulino
Vázquez), “são definidos pela sua preocupação formal, propositadamente requintada e esc ura, pelo
es teticismo e a def esa da poe sia pura, com grandes in f lu ências de T .S . Eliot, da poesia por tuguesa, e
de Cunqueiro” ( Rodríguez F er nández 1 99 9: 10 4-5)
Ainda que nom e ncontramos nes te vo lume nem entre a bibliogr afia post e rior análises
específicas sobre a posiçom relativa do género poético no conjunto do SLG no período do nosso
es tudo, já a pontámos que é um luga r comum na crítica destacar o surgimento desde a segunda
me t a d e d e se t e n t a d e nova s i ns t á n ci a s i n st it u c i o n a i s ( re vi s t a s ) e d e c o n sa g r a ç o m ( p ré m i o s ) co m o
dous dos principais eleme ntos legitima dores relacionados directamente com este repe rtó rio,
1 12A estes trabalhos de ver emos acrescen tar também o de Luciano Rod ríguez Gómez (1 986). Dos agentes que publicam
poesia em livro individual por v olta do ano 1 9 80 e que, po rta nto, interessa m ao projecto Fisempoga, som ci tados os
seguintes no trabalho de Nogueira: Xav ier Seoane (1 979), Manuel Rivas ( 19 79), Ro dríguez Fer ( 19 79), Xu lio López
V alcárcel ( 197 9), Manuel Vilan o va ( 1980), Vicente Araguas ( 1980), Ce sáreo Sánchez Iglesias ( 1 980), Pilar Pal la rés
( 1980), X avier R. Bai xeras ( 19 81) , Romá n Raña (1 9 81 ) e Manuel Forcadela ( 19 8 1).
138
elementos que virám re forçar umha posiçom que começ a va a ser posta em causa, polo menos
quanto a v olume de produçom, no período abrangido por esta tese de doutoramento (Co rdeiro Ru a e
Samar tim 2008). A crítica nomeia, ne ste sentido, a re vista Nordé s , criada em 1 9 75 na Cr unha
(monolíngüe em ga lego após 1 980, sob a direcçom da ta mbém poeta Luz Po zo Garza), Loi a ,
fundada no encla ve madr ileno por a gentes com relaç ons pessoais e estéticas com o gr upo
“ Rompente” (publica apenas 4 núme ros entre 1 9 77 -1 9 78 ) e, já iniciada a década de oite nta,
publicaçons como Coo rdenadas ( 1980) e Dorna ( 19 81). Da parte dos pré mios literá rios, é
impor tante anotar tanto a continuidade das acçons no SLG das associaçons culturais ligad as aos
g rupos de esquerda (o “Concurso Na cional de Po esia O Fa cho”, desde 1 9 7 8, serve de e xe mplo),
como as inte r vençons vindas do campo do poder polític o no período pós-constitucional,
nomeadamente as propostas legitimadoras das cámaras munic ipais das principa is cida des gale gas
implementad as, nalgum caso, mesmo desde antes da constituiçom das p rime iras co rp oraçons
democráticas em 1 97 9 11 3 .
A literatura dramática será abordada pola pro fessora La ura T a to Fontaíña tanto no mesmo
v olume 33 coordenado por An xo T arrío ( Ta to 20 01: 4 43-5 1 1) como no v ol ume 5 da Historia da
lite ratura g ale ga editada pola AS-PG ( Ta to 1 996 : 1 4 1 0- 1 440). O prime iro elemento que podemos
destacar quanto a este género tem a ve r, igual que acontecia com a poesia , com a r uptura da
per iodizaçom acompanhada para o conjunto do SLG, em vi r tude da qual o após-guer ra civil é
dividido entre Ditadura ( 1 939-1 9 75 ) e Democracia ( 19 7 5- ). Nes te sentido, a crítica especializada
reparte -se entre os que colocam a baliza da mudança no ano 1 9 7 8 (Manuel Vie ites 1 99 8a), e m
virtude de se iniciar nesse ano a prof issionaliz açom dalguns gru pos teatrais, e aqueles que (c omo
Noemí Pazó e Dolores Vil av edra [2000] e, acompanhando-as, a própria Laura T at o) datam a
muda nça em 1 980, ano em que conc luem as “M ostras de T eatro de Ri badavia” organizada s pola
Agr upación Cultural Abrente ( vid Lópe z Sil va e Vil av edra 2002 e Vil a ve dra 2006) e, com elas, a
f ase do T e at ro Independente iniciada em 1 965 com a criaçom do g rupo teatral d'O Fa cho. O período
seguinte, o do T ea tro Profissional, tem na cr iaçom da “ As ociación pro fesional do teatro galego” em
1 980 a sua data inaugural, igual que 1 984 dará início à fase do T ea tro Institucional, após a
constituiçom nesse ano do “Centro Dramático Ga lego” polo go verno autonómic o da Galiza.
Como ve mos, o lapso temporal que ocupa este tese de doutoramento e stá integrado polo
conjunto da crítica na fase do T e atr o Independente, onde as estratégias das associaçons culturais
1 13 V eja m - s e a s “ Xus t a s L i te r a r i a s G al e ga s” c onvo c ad a s p o l o C o n ce l h o de S a n t ia g o d e C om p o s te l a d e sd e 19 78, o
“Premio Cidade de Ourense” org anizado pola Cámar a Municipal da cidade da s Bur gas desde 19 79, ou o “ Premio
Celso Emilio F erreiro” co nv ocado polo C oncelho de Vig o a partir de 1 9 8 1 .
139
ligadas aos g rupos da esquerda política pa ra o preench imento de défices no SLG passam pola
promo çom dum género, o dramático, ao q ual é atr ibuída a funçom de instrumento político-social ao
ser viç o da divulgaçom maciça das ideias dess es g r upos. Est a es trat égia explica tam bém a
con vocatória de ce r tames especí ficos para te xtos dramáticos, tais como o “Ce rt ame Abr ente”
( 19 73), “Ce rt ame de T eatro Infa ntil” d'O Fa cho ( 19 73), “Cer ta me de T e at ro” do At eneo de Ferrol na
mesma altura ou, já em 1 9 78, o “Concurso de T ea tro Br e ve” orga nizado pola Escola Dramática
Galega fundada por Manuel Lourenzo e Francis co Pilla do M ay or ne sse ano na Crunha. Porém, igual
que os défice s no c ampo teatral dif icultam a encenaç om, a ine xistência de editoras ou de
publicaçons e specializadas no género dramá tico f ai com que os te xtos premiados nestes concursos
literá rios f iquem maio rita ria mente inéditos (f ora al gumha publicaçom esporádica em Gr ial , o u e m
Encrucill ada a pa r ti r de 1 9 77), car ência que ten tará ser super ada desd e o camp o edito ria l po la
colecçom de teatro da editora compostelá Pico Sacro (iniciada em 1 9 75 , publica apenas 4 v olumes),
pola ediç om em 1 9 7 8 do pr imeiro número dos Cader nos da Escola Dr amática Galeg a , ou polo
nascimento em 1 980 de duas publicaçons e specializadas: “ Don Satu rio, boletín informati vo do
te a tr o gal eg o , dirixida por Ce les tino Ledo López, en Ferrol, e Cader nos do espectáculo da
Compañía Luis Seoane , dirixida por Francisco Pillado Ma yo r, na Coru ña” ( T a to, 200 1: 45 7; veja-s e
também R uib al et al 2008 e o número monográ fico que a Rev ista de la Asociación de Directores de
Escena dedica ao teatro galego em 2006 [ADE: T eat r o, nº 1 1 2] ).
Outro elemento destacado te m a ve r com o a gr upamento dos ag entes responsá veis pola
produçom dramática no período do nosso estudo. Igual que acontece com a per iodiza çom, també m
neste se ntido a crítica g alega especi alizada tem colocado vá ri as propo stas para a a r r umaço m dos
produto res: desde a gen é rica e inicial “O teatro ga lego na actualidade” de Lourenzo e Pillado Ma y or
( 1979); passa ndo pola distr ibu içom de Vieites ( 1996) entre “ Te atro do ex ilio”, “D ramática
sile nciada” ou “D ramáti ca social e pri meira s van garda s”; até as ú ltim as ten tativas de Pedr o Pabl o
Riobó ( 1 999), que aponta a denominaçom de “Promoción Grial ” para agru par os agentes que
começam a produzir ante s da fase do T e atr o Independe nte.
Em geral, para a par te da crítica gale ga que se tem ocupado dest e assunto, durante o período
abrangido polo projecto Fisempog a, no campo da dramaturgia actuam dous grandes g rupos. O
p rimeiro é o que a pro fe ssora da U ni ver sidade da Cr unha Laura T at o denomina “g ru po de enlace”
( T ato 20 0 1: 462; vid ta mbém T a to 1 996):
unha serie de autor es que ser virán de elo e ntre o que inten tara se-la dramaturxia de
14 0
preguerra e as no vas pro mocións do T e atro Independente e que, en moitas ocasións, ser viron
de modelo ou son precedente s da obra destes últimos. Incluiremos nela a un g rupo de
dramaturgos que deron á imprensa a súa obra durante as décadas dos cincuenta , sesenta,
setenta e mesmo oitenta, mais que non par tic iparon como protagonistas na re nova ci ó n qu e
implicou o T e atr o Independe nte 114 .
O segundo grande g rupo, abrangido sob a denomina çom de “Grupo Abrente” ou “Gru po de
Ribada via” (apena s Riobó 1 99 9 utiliza o te rmo ger a ç o m ), está conf ormado polos dramaturgos que
começam a produzir com o T e atro Indepe ndente, em vo lta das Mostras e do Cer t ame prom ovido
pola associaçom cultural da vila ourensá 11 5 .
Este gr upo heterog én eo caracte ri za-se por te r impulsado a profissionalizaçom do conjunto
do sistema teatra l na Galiza a pa rtir dum estado de campo que nom permitia a especializaçom
individual e e xigia a acumula çom de funçons (escrit a, direcçom, actuaçom, promoçom...), por ter
atr ibuído ao teatro umha clara funçom social e patr iótica (daí as temátic as ensaiadas ou o trabalho
dese n vo lvido para consolidar a língua galega como no rma sistémica neste campo) e por ter
actualizado a tradiçom dramática gale ga, ex plorado n o vo s reper tó rios e inco rp orado ao “teatro
galego tódo los logros da dramatu rxia europea contemporánea” ( Ta to 20 01: 480).
Por último, quanto à produçom posterior a este “Gru po Ab rente ” (org anizada em g eral sob a
denominaçom de “Promoción dos oitenta”) destaca a coincidênc ia básica entre a crí tica
especializada (Vieites 1 9 98, Paz Gago e Vila ved ra 1 996, Quintáns 1 997) na c ontinuidade com as
propo stas dramática s do g rupo de Ribadávia, até o ponto de alguns especialistas (como Vieites
1 9 98) a consi derarem apenas com o um enlace entre o “G rupo Abrente” e a poster ior “Promoción
dos 90” 116 .
Continuando com a narrativa o percurso da bibliografia c onsultada polos géneros
canónicos, ach amos que é útil apontar e m pr imeiro lugar para a mono graf ia que o pro fessor
González-Millán dedi ca a este reper tór io em 1 99 6, em vi rtude fundamen talmente de que esse
1 1 4 Deste grande g r upo, conformado por vá rias ge raçons literárias , fam par te Otero Ped ra yo, Blanc o- Amo r, Filgueira
V a l ve rde, Ál va ro Cunqueiro, Jenaro Mar inhas del V a lle, Ricardo Carballo Calero, Manuel María, Daniel Co rte zón,
X ohana T orres, Ber nardino Graña, T omá s Bar ros, Franco Grande, X osé Manuel R odríguez Pa mpín e Arcadio
López-Casano va.
1 1 5A nómina de produtores susceptí veis de serem integr ados neste “G rupo Abrente” varia segundo sejam Vieites, T a to
ou Riobó a fazerem a listag em. De qualquer mane ira, para o conjunto do período abrangido por Fisempoga,
de veremos integ rar neste g rupo Manue l Lourenzo, Eulox io R. Ruibal e Roberto Vidal Bolaño (os três agentes mais
centrais em todo o período), assim como, em geral, os produtores premiados nas Mos tra s ou no Cer tame, onde a
crític a destaca Xo sé Agrelo He rmo, Francisco T a xe s Prego, Millán Picouto Ig lesias, Agus tín Magán Blanco, X os é
Martínez Oca e C amilo V a ld eor ras.
1 16Entre os produtores integr ados maiori tari amente nesta “Promoción dos oitenta” (Xo sé M. Ál varez Cáccano, Manuel
Guede, Xosé Cid Cabino, Xe sús Pisón, etc.) alguns, como Miguel Anxo Fernán - V e llo, começa m a produzir dentro
das mar gens temporais do projec to Fisempo ga.
14 1
acima (Inst_Oficial) repe rtó r ios virados para a etnogra fia, o fo lclore ou a arqueologia,
representando no SCG as suas tendências em maior medida subsistémicas ( T orres Fe ijó 20 04a:
429), umha v ez que este sistema é fo calizado como par te integrante dum polissi stema c ultural
espanhol que tem, no básico, a língua cast elhana como no rma sistémica 187 .
Estas tendência s subsistémicas c onduzem à integra çom dentro do sistema c ultural dito
espanhol das práticas culturais per ifé ricas, incluindo as vei culadas nas língua s do Estado di ferentes
do castelhano, entendidas como elementos reperto riais (secundariz ados na hierarquia g eral de
no rmas e materi ais) que identific am e individualizam um determinado tipo de produçom ou umha
secçom concreta do sist ema no qual estas práticas som tidas em maior ou menor medida como
desvios mas, em qu alquer caso, som integrada s sem question arem a natureza unitá ria e e ntendida
como plural do SCE (v eja-se adiante em 4.4 . 1. o dito sobre a reivindicaçom da pluralidade do SCE
como argumento para a assimilaçom de sistemas com menor grau de i nstitucionalizaçom, como o
galego). A língua galega tem, neste espaço cultura l público o ficial(iz ado), um uso
considera velmente menor que o deparado a o cas telhano, a inda que a p rimeira vai aumen tando
progressi vamente a sua presença desde a mo rte em 1 9 7 5 do general Franco até o final do pe ríodo
em f oco naquelas public açons bilíngües prom ovidas polas instituiçons polític as e culturais do pólo
da o ficialidade (sem detectar mos muda nças na natureza monolíngüe em castelhano doutras como
Lucus , Abrente , Tu y ou a Revis ta del Institu to José Co rnide de Es tudios Co ruñeses , por e xe mplo).
Seja como f o r, a e ve ntual actua lizaçom de repe rtó rios ou de nor mas e specíficas (como a língua
gale ga) nom impugna a ex tensom do SC E ao conjunto das comunidades do Estado Espanhol, nom
que stiona a naturalizaçom social das suas nor mas na comunidade gale ga nem, em suma, a posiçom
hierárquica e de poder que ex er ce o todo (o SCE) sobre as redes parcela res c onsideradas como suas
partes constituintes (o SCG).
Por f im, ao lado de Filgueira V a lv er de e dos outros ag entes já re feridos aqui, de ve mos
destacar em virtude das numerosas r elaçons q ue acumulam no pólo da oficialidade produtores como
Manuel Chamoso Lamas (presidente da Academia de Bellas Artes, membro da R AG e dos inst itutos
Padr e Sarmie nto e José Corn ide, e estreito colaborador da Deputa ción de Ourense através da re vista
Oren s e ), Francisco V al es Villamarín (secretári o da R AG e subdirector do seu Boletín , directiv o da
Ac ademia de Be llas Ar tes e fundador do Instituto José Co rnide ), Manuel Vázquez Sei jas (ligado à
1 87 Neste sentido, pare ce opo rtuno indicar agora, ainda que seja tang encialmente, que esses reper tór ios ligados ao
f olclore (músicas e danç as tradicion ais, por e xe mplo) som prom ovidos no franquismo para os públicos populares de
f orma maciça por instituiçons e associaçons política s e culturais localizadas orgá nica e ideologicamente no interior
do regime (Coros y Danzas de la Sección Femenina de F alang e, Org anización Juv enil Española [OJE], etc.).
244
R AG , à Academia de Bellas A rtes e à Comisión Pr ovincial de Monument os de Lugo), José Tr apero
Pa rdo (director do H e raldo de Vi ve ro , académico da R AG e ta mbém vinculado à Deputación de
Lugo atr avés tanto de Lucus como da Comisión de Monumentos), Fe lipe A rias Vilas (ac ti vo no
Instituto Padre Sa rmiento e nos Cuadernos de Estud ios Gallegos , e en v ol vido no Museu Pro vincial
de Lugo e na fundaçom do Museo do Pobo Galego) ou Antón Fraguas (a cadémico da R AG,
presidente do Museo do Pob o Galego, secret á rio do Institu to Padre Sa rmiento e dos Cuadernos de
Estudios Gallegos e en vo lvido n a recuperaçom do Seminá rio de Estudos Galegos em 1 9 76 ).
Além destes, em vir tude dumha estratégia virada fundamentalmente para a o ficializaçom
dos seus programas, vá rios membros dos g ru pos localizados no e spaço institucion al caracte r izado
por umha maior resiliência (nomeadame nte de Galaxia), como Á l varo Gil V a rela, Xes ús Ferro
Couselo, Domingo García-Sabell, Marino Dónega R ozas ou Ricardo Carballo Calero, ocupam umha
posiçom relativ amente c entral também neste espaço cultural público, em funçom de acumularem
numerosas relaçons de pe rtenç a às estruturas de várias instituiçons ofic ia(lizada)s e pr ov ando, desta
maneira, as estreitas vinculaçons e xi stentes entr e o Pólo da O ficialidade e o Pólo da R esiliência 188 .
4. 1.2.2. O Pólo da Resiliênci a
O conhecimento prévio sobre o funcionamento do SLG que fornece o projecto Po luliga e
as relaç ons estr uturais v eri fica das neste trabal ho possibili tam demarcar a rede institucional de dous
g rupos formados com capital pr iv ado que terám umha incidência decisiva no SLG do período em
causa: Sar gadelos e, sobretudo, Galaxia . Ambos os g r upos, que também par ticipam no período em
1 8 8Entre a s relaç ons prod utor instituiçom que comunicam o pólo da o ficialidade c om o da resiliência destacam
claramente os agentes re fe ridos acima: Gil V a rela participa t anto do or ganograma da Editorial Galaxia e a Fundación
Pe nzol como da Academia de Bellas Artes, da Comisión Pro vincial de Monumentos de Lugo e do seu Boletín , d a
directiv a da Ca ja de Ahor ros Pro vincial de Lugo e do patronato do Museu de Pont e vedra. Ferro Couselo (mo rto em
Abril de 1 9 75 ) integra Galaxia, a R A G e está relacionado com a Depu tación de Ourense atrav és das institu içons do
gr upo Marcelo Macías (e da sua co laboraçom com a revi st a Or e n s e ). Domingo García-Sabell integra vá rias
institui çons do gr upo (a editorial e a rev ista Grial ), preside a Sociedade Galega de Publicacións que publica o
sem an ár io Tei m a e é académico da R A G (que preside de sde 19 78), da Academia de Bellas A rtes, membro do
conselho de redacçom da r evista Medicina Galaica e é um dos poucos membros de Galaxia que intervé m no campo
político-in stituciona l da altura, nes te caso como s enador por designaçom real em 1 97 7 (umha v ez supe rada, po rtanto,
a fase de maior ince rteza no sistema), fac t o polo qual integra t ambém a Asa mblea de Pa rlamentár ios de Galicia que
prepara o processo autonómico. Para além da editor ial Galaxia, de Grial e da sua presença no patronato do ILG,
Mari no Dónega entra na R AG em 1 9 73 e passa a ocupa o cargo de tesoure iro da instituiçom desde 19 76,
particip ando na promoçom do Pen Clube um ano despois e sendo nomeado em 1 9 78 conselheiro de cultura da Xu nta
pré-autonómica presidida por Antonio Ros ón. Por últ imo, Carballo Calero está lig ado à USC pola Cátedra de
Lingüística y Literatura Gallega q ue ocupa desde a sua criaç om em 1 9 71 e desde esta ano até 1 9 7 8 ao ILG (em nome
do Centro de Estudios Fingoi p rimeiro e como vice- presidente desde 1 97 2); desde a univ ersidade galega colabora
com a r evista Nordés em 19 75 , a padr inha e prologa a publicaçom do colectiv o poético Alén em 1 9 76 e colabora
também com a UNED e laborando materiais docentes sobre literatura gale ga em 1 9 77; fo ra is to, Carball o integra
dentro do gr upo Galaxia os conselhos da editor ial e da rev ista Gria l durante todo o período em foco (apesar do
afa s tamento do grupo detectado a raíz do alinhamento com as teses reintegrac ionistas propostas por Lapa em 1 9 73 ).
245
f oco de projectos compa rtilhados (como a recuperaçom do Seminár io de E studos Galegos, a
fundaçom do Muse o do P obo Ga lego ou a te ntativ a de c ria çom dum jo rna l em galego), en vo lv em
um conjunto de 27 entidades de menor dive rsidade tipológica que a verificada pa ra os seus
homólogos virados (ainda) em maior medida pa ra o pólo da o ficialidade, dos quais se dif erenciam
fundamentalmente por inte rvirem na estrutura do SLG i n ve stindo capital económico de natureza
p riv ada, em quanto que os a gentes que controlam a prática totalidade da s instituiçons polític as,
culturais ou c ientíficas o ficiais usuf ruem do a val político (e jurídico) do Estado e dos capitais
(também económicos) fornecidos desde o espaço cultural público (entendido aqui como opos to a
p riv ado).
Fi gura 33. O Pólo da R esiliência.
Pr ojecto Fisempo ga – Grupo Galabra (elaboraçom própria).
Ne ste sentido, é possív el caracterizar este pólo da resiliência como um espaço institucional
p riv ado nucleado (que nom monopolizado) polas catorze instituiçons ca talogadas como
“Inst_Privada” (dum total de 21 seleccionadas no conjunto da populaç om deste trabalho) em que
partic ipam, por junto ou separadamente, agent es de Ga laxia e de Sa rgadelos. A estas Fundaçons,
Pat ronatos ou Institutos c riados ou partic ipados por Galaxia e Sar gadelo s, ha ve rá que acrescentar
ainda outras tipologias institucionais que re ferem também aqui entidades igua lmente de natureza
p riv ada, sejam editoras comerciais, publicaç ons relacionadas ou prom ovidas por cada um dos
g rupos em fo co ou ta mbém umha instituiçom cultural de c apital privado pa rticipada por ambos os
ag ru pamentos de produtores (o ref e rido Museo do Pobo Ga lego). Desta ma neira, as redes de
246
8 7 8 7
8 7 8 7
8 7
8 7
8 7
8 7
8 7
2 ?# :
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%
3
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Galaxia e Sar gadelos som mui similares quanto à s tipol ogias inst itucionais que as consti tuem
(Figura 33) se e xc luirmo s a representaçom na estrutura do ILG de três ag entes de Galaxia: Marino
Dóneg a representando a R AG e Gerardo Fernández Albor e Ricardo Carballo Calero em
representaçom de duas inst ituiçons do g rupo, respectivamente a F undación Penzol e o Centro de
Estudios Fingoi (mecanismo es te que, de passa gem, per mite integ rar aq ui o pro fessor Carballo
Calero com anterior idade a este ter atingido a sua condiçom de catedrático).
Fora isto, ao lado desta estrutura inst itucional de natureza privada, também interessa
destacar outras duas cara cterísticas distinti vas do espaço institucional ocupado de maneira
pre fer ente por estes dous a g rupamentos que até agora f orom apenas apontadas tangencialmente: a
capacidade estratégica que tenhem os seus membros para cola borarem e manterem relaçons de
di verso tipo com grupos e ag entes que se mo ve m tanto no pólo da oficialidade (a qui també m de
natureza estrutural) como no pólo da resis tência ( fora o ca so da publicaçom de Te i m a , aqui menos
intensas e nomeadamente de colaboraç om) e, em segundo luga r, o mantimento da centralidade no
SCG por meio da implementaçom dumha estratégia de nom ex posiçom política durante o período
em que se v erific a um maior grau de incer teza sobre o futuro do sistema.
P a r a o c a s o d e Galaxia , na estrutura institu cional des te g ru po destacam a empresa editora
que lhe dá nome e publica a re vista Grial desde 1 96 3 (dir igida por Francis c o Fernández del Riego e
Ramón Piñeiro, dous impo rta ntes acti vos virados e xc lusiv amente para a pa rticipaçom na estrutura
institucional c riada polo próp rio g rupo e na R A G), a editorial SEPT (fundada em 1 965 por Xaime
Isla Couto, que edita a re ferida r evista Encrucil lada desde 1 97 7 para re forçar a promo çom de ideias
relacionadas com o ga leguismo cristao, quer na sua vertente mais estritamente religiosa quer na sua
faceta cultural em sentido alar gado) e a ci tada Fundación Penzol, que recolhe desde 1 96 3 em Vigo o
fundo bibliográ fi co deste galeguista e que também dirige Fernánde z del Riego. A estas instituiçons
própr ias, o g rupo irá somando ainda no período do nosso es tudo outras como a Sociedade Galega de
Publicacións, di rigida por Domingo García-Sabell e responsáv el da ediç om do semanár io
in formativ o monolíngüe Te i m a , com que o g rupo pa rticipa no campo da imprensa per iódica em
con f luência com a prática totalidade da esquerda gal eguista alheia à UPG.
Por ém, este g ru po v ai ex pandindo igualmente a sua in fl uência no sistema nom tanto por
meio do ala rgamento e di versificaçom da sua própria estrutura institucional como atravé s da
pa rticipaç om, o ref orço e a liderança dos seus agentes noutra s instituiçons o fici ais, nomeada mente
da RA G (presidida entre 1 9 7 4 e 1 9 78 , como dixe mos, por dous homens do g r upo: Ma rtínez- Risco e
247
García-Sabell). Da mesma ma neira, vár ios ag ente s deste g r upo integram a estrutura de outras
instituiçons de natureza privada nom oficia lizad as, como o Pat ronato R osa lia de Ca stro, dirigido
des de 1 970 p or Agustín Six to Seco ( prese nte t ambé m no organ og ram a de S EPT ) e a Fundaci ón do
Pe drón de Ouro (cujos prémios Modesto Ro dríguez Figueiredo de nar rativ a som editados por
Sar gadelos através de Edic iós do Cas tro). Para além dos contactos e das parcerias já apon tadas de
Galaxia com Sar gadelos, no período em f oco destacam igualmente as e streitas relaçons mantidas
por Gala xia no inte ri or do campo editorial com o selo viguês Castrelos , e ncabeçado polo académico
da R AG X osé Mª Álva rez Blázquez (i rmám de Emil io, pert encente à es t rutura da Editori al Galaxi a,
e de Ál var o, que par ticipa também em Castrelos) 189 .
Em síntese, podemos afi r mar que a pa r tir da c riaçom da edito rial Galaxia , es te g ru po
começa por e xe rcer de f acto o monopólio do SCG por meio da aglutinaçom da maio ria do
galeguis mo vindo do pré-gue rr a e do controlo do campo editorial, do pr oce sso de canonizaçom e do
código lingüís tico 190 . T o d avi a, desde os iníc ios do período abrangido polo projecto Fisempo ga, as
mudanças ex peri mentadas no ambient e, junt amente com a div ersif icaçom e o aumento do núm ero
de par ticipantes no SLG (v er ificado fundamentalme nte no período analisado nest e es tudo), fam que
a posiç om central ocupada por Galaxia se ve ja amea çada e que o g ru po viguês trabalhe acti vamente
para mantê-la e ref orçá-la por meio , no básico, dum conjunto de tomadas de posiçom viradas para
aumentarem o grau de institucionalizaçom das suas acçons, sem deixar contudo de promo v er
emprendimentos em colaboraçom com g r upos próximos activ os no pólo da resi stência,
nomeadamente (tal como demostra a ediçom de Te i m a em 1 9 77) com o espaço do PSG (pa r tido que
tinha sido c riado polo g rupo Galaxia e m 1 96 3 nas coordenadas da social-democracia europeia e sob
a presidência de Fe rnández del R iego e que ev olue para o socialismo mar xista antic olonial da mao
do seu segundo presidente, X os é Manuel Beiras T orrado).
Em ge ral, Galaxia trabalha estrategicamente d e votado para o re ferendo o ficial dum
1 89E sta editora, individualizada para o estudo do c ampo e ditorial, foi incluída agora como pe rtencente ao g rupo
Galaxia de maneira basicamente funcional, em vi rtude tanto da s relaçons pessoais entre a famíl ia Ál varez Blázquez
e Galaxia como de que é o g r upo de Piñeiro e del Riego quem dist ribui os produtos de Castrelos, que é ven dida a
Galaxia imedia tamente no f im deste período (em 1 979). Po r outro lado, Castr elos promo ve produt os “carac teriza dos
sobretudo por serem (re)ediçons de t extos de vár ia tipologia di rigidos a um público alargado e popular , onde
sobressaem os reper tór ios popular izantes e os social-rea li stas, e xperimen tados polo conjunto dos agentes ligados aos
gru pos políticos da esq uerda em funçom da utilidade política por eles at ribuída à literatura e presentes em vários
produt ores vindos da tradiçom g aleguista e publicados por esta editora viguesa (como Cur ros, R osalia, Castelao,
Cabanillas et c.)” (Samartim e Cordeiro R ua 2009: 1 80 -1 8 1 ).
1 90V eja-se ao efei to Cordeiro Ru a e Rodríguez Pardo (2002) , que acr escentam na ex plicaçom da posiçom central de
Galaxia no SLG o facto de que , no campo editoria l, “a estratégia «culturalista» se co rresponde c om um plano
editorial de ciclo longo, quer dizer, nom dominado por um mercado ex íguo e de perspec ti vas pouco f a vo ráv eis a
curto prazo, mas tendo como objectiv o pr imeiro a acumulaçom de poder simbólico, antes do que económico”.
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programa cultural baseado na tradiçom galegui sta do pré-gue rra e para o preenchimento paulatino
dos dé fices que detecta no SCG, alguns presentes desde a os pr imórdios da reconstru çom
identitá ria, nomeadamente para a consolidaçom e a e xpansom da língua gale ga como nor ma
sis témica , agora em funçom das n ov as opo rtunid ades of erecidas polo ambiente em processo de
mudança. T al como indicámos noutro lug ar (Sama rtim e Cordeiro Ru a 2009), os projectos de ste
g rupo procuram um público com um relati vamente ele vado ca pital cultural, goza m de umha
estabilidade e umha continuidade al ta (sobretudo se os compararmos com o carácter e fémero de
muitas pla taf o rmas cr iadas desde o pól o da resistência) e, além do mais, acumulam o capi tal
simbólico procedente da homologaçom com a tradiçom ga le guis ta que lhe trans fer em os a gentes
que con stituem o g r upo ou aqueles que participam nos seus projectos.
Ne sta transfer ência de capita l joga um papel deter minante tam bém a pr om oçom desde as
instituiçons do gr upo (fundamen talmente da Edito rial Galaxia e da re vista Grial ) d e a g e n t e s
procedentes da tradiçom literá ria galegui sta, ora tenham produzido no “R exur dimento” galego do
século XIX ora se tra te de produtor es c om actividade destacada no período do pré-gue rra (estádios
decisi vos, em ambos os casos, na conformaçom do corp us político-identitá rio do galeguismo). Da
mao de Galaxia som actualizados os repe rtó rios mais canonizados de todos os presentes no SLG,
com especial destaque para os ensaia dos por R osalia de Cast ro, Cu rros Enríquez e Eduardo Pon dal
no século XIX, e para aqueles ve iculados atravé s dos produtos de Daniel R odríguez Castelao, f igura
central do nacionalis mo polític o galego, escr itor e ar tista plástico do pr imeiro terç o do século X X,
líder do galeguismo políti co do ex ílio at é a sua mo rt e no encla ve de Buenos Aires em 19 50
(Cordeiro Ru a e Rod ríguez Prado 2002) e reivindicado, como f oi apontado na hora de estudarmos o
campo editor ial, pola prática totalidade dos g r upos acti vos no SLG no ano 1 9 7 5 por ocasiom de se
cumpr irem 25 anos do seu passamento.
Além disto, o g r upo Gala xia promo v e desde as instituiçons própr ias ou pa rticipadas polos
seus ag entes reper tó rios caracter izados em boa me dida polo seu ca rácter a utónomo se os
comparar mos ta nto com os produtos gera dos no pólo da resi stência (os p rimeiros mais liga dos,
po rtanto, à “a rte pola ar te” do que à “a rte social”) como polos g rupo s apresentados ao fa lar mos do
pólo da ofic ialidade, com os qu a is Galaxia compa rtilha a par ticipaçom na estrutura de vá rias
instituiçons culturais (como vimos acima) e do qual se difer encia basicamente pola natureza p rivada
do capital e conómico pos to em jogo para a par ticipaçom no SLG, polo ref erido empenhamento na
e xtensom e c onsolidaçom da língua gale ga como no rma sist émica e polo afa s tamento estratégico da
actividade política partid ária nom apenas durante o franquismo mas também no tempo de maior
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