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Qualidades de amigos, e mulheres para o acerto dos homens : epistola dedicada ao senhor Manuel Franco de Siqueira e escrita a seu filho / por Jozé Daniel Rodrigues da Costa

Costa, José Daniel Rodrigues da

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Cona dicença da Real Meza Cer furia. "a . Armo r'7gF. > Exame , c Penvos, elle habita  Q U A L 1 D A D E S n , hum exLrn• mima vallo nr4 gofio ás Iágrar  DE A s.r1 I (^-r ia.  ^  V O S, me arrependoy  E 1.^ ` ^ U L ^1 E R E S CM rudo o ^n{- :LIS p:és lile irtt_ tijrelb Q .  PARA O ACERTO DOS HOMENS. 1 tamanha_ tro. .^ fiart ,  E P I ^ ^ r O .^ ^ y Qr Iia.iribo ?  DEDICADA : . 101a , de n,,vn 3rago ; irá CM  -A O S E N H O R. a 1ua caza.  T FRANCO rlhe r, e o paf.  MANUEL U E ^ ïrva deexerrt- ^ fI1cD.las , e d•  DES I Q U .E I R A : E ESCRITA A SEU FILHO P R JOZE DA N1EI1 RODRIGCIES DA COSTA, 419)(44)(9> LISBOA, Na Officina de DOMINGOS GONSALVES. 11.111•+•.a,....e..^.®.  ~1§~~,^,r, ^ --^- ello tttdn hoje a Campanilla , a. irRte. ^4ã , meu Car-. r, nos prirneiros tzerem-nos allo a todos os .ti fe fiada ef- ► or :ietrertidn s todo fe eme no dez,in• iias. Anno MDCCLXXXII. MA ta (11 á1é nz f az a do po daó acre(! pequI 71e^1C, quin S E N I-I O R MANUEL FRANCO DE SIQUEIRA. QUe menos páde fazer httm homein obrique ^ gado , e agradecido , do Y1 e a oii//U/ e6 F" ta das mlnimas producçoens do f eu ingenho , faz álém das confi , f%ens do beneficio ^onhec mento a minha i ngenuidade. Epel do potreo , que o^ereço , valha a minha -gratida-6 , naó a minha vaidade. V ojj'a merco me acredite , a^m como me favoreí dos bepepena oerta : e a aceitaçao feja hu ne}' icios. .Affim o protelia , e pede o feu objea quiozili»jo Jozé Daniel Rodrigues da Cofias Ā ^  A DVER- A já Am liza, porc mento para do te acomff más qualid, por elles m ta facilidad Ninguc minha , por fazer a expc tenho nauf rz da paixa® a, que-mendigo póde fer cer. Arte los ;gel o meu non muito favor taó por minha r ecimento: e d me lizonjeia i daó os Sabio; em tudo quer cia á minha por ouvir diz gua má , que, Togo encostra fuccede aQim penfaó da nofi Ágora mi AD VERTENCIA `,- .Ç Am julgues. que he meu intento efcandalizar-xe .neila ,Epiflóla , Leitor indif1•érente;. porque taóhem te naó confidero com nierecimento para feres vidima da minha penna. Mas guando te aco mpanhenm.(o; Ole Deos tal naó permitta) as más qualidades ,qué nada te aponto, pedes faber. por elles meus verfos que , sonde te vir , com liltliV ta facilidade hei de conhecer a tua indole. Ninguem poderá duvidar que e.íla obra feja minha , porque huma tal compozigaó fó a deve fazer a experiencia : e corno no efludo defla tanta tenho naufragado , bem fe alcancça qu4faó filhas da paixaó as vozes da minha poezia. Re cerco q u e - mendigo os pareceres alheios : mas como me póde, fer cenfurado o que he preceito da indina Arte .. ayos qup tém duvidado das obras, que trazem o meu norte', 'naó crimino , antes reconheÇo o multo favor que me fazem : pois, fe naó as acredita6 por minhas , he porque nellas achaó algum mer ecimento: edefle modo, quanto mais duvidaó, mais, me lizonjeia6. Mas a difgraça he que naó duvidaó os Sabios ; e duvidaó os que, por i gnorantes, , em tudo querem dar o feu voto , affedando icdencia a minha cuila, A maior parte da gente lalapor ouvir dizer ; porque, em havendo huma lingua má , que, emprenda deslufirar o feu proximo, l ogo encontra hum grande numero que a figa. Naó fuccede afiïm para o bem : e tudo pela agrefle pro penfaó da noffia natureza. Agora me occorrem para o cazo prezente, e por QUA A' que Deixar E vás con Procurar n Já que qu Para reme Vai por fe E o Ceo Que a teu E que tor Jozino , qi Acabará r Leva Os mais f Jutfa inftrt Julia para Só te falo Para imme Que cites Saó dos f E quem 1( Sente o d Mas tudo Se cita m: Verás Huns nutr E outros , Começand Saó quaes Qie f ó fe Fatal filac Qiiando al p or minha confolaça$ , os feguintes verfos , qu e vi num antigo Romance. Fala o bom , rala o mau, ouvern fe todos. Des de que o y nctndo he mundo , o mundo fala : Mas o bom , fala em bem , falando pouco ; O mrru de dizer mal nunca fe farta. Neftes termos , meu Leitor , fe tambem duvidares , tambem ferás tido nefla conta. Naó (1.)1 me accuzes, eu deixarei de me defender. Qileres que me cale ? Na6 me crimines. Demitte , a efpada, e eu deporci o efcudo. Vale. Non( r. ) accufrrre , & cejaba defendere. Vis me l acere ? Ne accures. Depone gladiurfu , ego fcutum abj1c1aYn. S. Hieron. Apolog. 3. adverfus Rufin. EPIS- -erfos , que vi Pag. 7 5 todos.  EPISTOLA. nunclofnla : 7 poucá;  QUALIDADE D O S AMIGOS.  tambem du-  i  J A' que intentas , de ta6 pequena idade . Naó (1.)!Deixar , meu caro amigo, ella Cidade , anta endec. (11/eres E v á s com deiãmor , e com repente nitre ef ada  Procurar novo clima , e nova gente: p  s  já que queres expór-te aos faltos mares Para remedio de crucis pezares , Vai por força do ten immovel fado ; E o Ceo te dé por lá feliz eftado; Que a teu favor encontres o deffino , Vale.  E que tornes a ver o teu Jozino ; Jozino , que entre a dor , entre a faudade Acabará nos braços da amizade. Leva envoltos nos trilles fentimentos  .n2dere. Vis me la-  ®s mais fólidos, uteis documentos  ego; fcutum ab-  Jutfa inftrueçaõ dos mizeros humanos .ufte   Jufta para evitar terriveis damnos. • Só te falo de amigos, e mulheres , Para immenfos eftragos precaveres Que cites , fegundo a experiencia entina , Saõ dos fracos mortaes toda a ruina : E quem logo á faifca na6 acode , Sente o deftroço , que evitar naõ póde.. Mas tudo vencerás no que contemplo, Se ella minha liçaõ te for exemplo. Verás genios de toda a qualidade ; Huns nutridos da candida amizade, E outros , por fingidos , e traidores , Começando por vis aduladores , Saõ quaes monftros em penhas desfarçados, Qie fó fe fartaõ de baixeis tragados; Fatal filada do ceruleo jove ,  ^  Qiiando ao incauto Piloto guerra move. EPIS 8  Qisalidades Saõ huns 'Can:eleoeris , que tranfparentes Se 'reveffem  -cores mais diffrentes. -- Ah ! naó to'quqs venenos disfarladás,' Qe em fi teri' cites peitos refalfados. Se a medonha '1 , F ^d, rI3i7,erri A indigcnT iÁ Te fizer vacillar rKa f ubfrffenc:.E , Naó te animem promeflas de avarentos Q2e fazem de expreffoens acolhirnentos E va6 nos incitados cofres de ouro Vendo a fua cubiça , e o feu thezouro , f3ern corno ,o manto rio rna-is gelado., Que, temido a linfa em fi «ccumulado , Toda a agua f{; p tem , furp rende , e encerra , Nega-o fuffento á producçaõ da terra. Antes procura o pobre drlvalido, E tal vez fejas delle .foccór:ido ; Que , le o Inverno pafTa attribulado Na frondoza _ eflaçaó he confolado. Naõ te elévern agrados ,apparentes , Corn que fe enganaõ muitos pertendentes; Foge defles , que foges do teu darnno E acharás na fugida o defengano. Eflima poucas falas, mas Enceras. lleixa as mordaYes linguas , lingnas feras, Similhantes ao corvo, que fe nutre Como fe farta o faminto Abutre : Similhantes ao fogo , que , lambendo O tronco , bratidamente vai crefcendo , \Té que o reduz ao ultimo brazido , i^icando ern fria cinza,reduzido. Diflingue o I;om do mau ,,o mau defpreza E a candida virtude eftima, e preza. Nas tuas pertençoens , nos teus intentos Sempre adianta os. vagos penfámentos ; Pois• quem fem difcorrer cahir fe d:,ixa No mal, que na6 previo, de fi fe gpreixa. Por tres modos fe faz Q beneficio; Mas de dois teme fempre o precipicio : O que premeia ao bom , porque,conhece Qiie inda os maiores premios lhe merece, ^ E foccorr De que;n Eflé he b Amparo d A' nuvetn Ma is em Vai-fe-lhe E em recc Tal , o bon Para todo: Longe de Qie otl"i-ec Pois todo Do corno, E qual in( Confunde O que for Qne, fend Profana as Tudo redr Qando n^ He fegu ro Confulta a Antes que A' tua pre Bufca quet Ah!n Hum rizo Efluda em Antes fó , Vê qu•e p.t Que a hur E fe acazc Nem es d( Se huma v Qando to Que moffr< Q i e inda Se te enco A converf de Amig'os', e Mulheres. E foccorre inda aquelle difgraçado, De_ que,n vive.báflante eftimulado. Eire he borra proote(lor , he pa i, e amigo , Aruparo do infeliz , do pobre abrigo. A' nuYem , que encobrir o Sol pertende, Mais em lhe dar ornato o Sol emprende ; Vai-fe-lhe oppor efcura ,trille' e errante, E enï recompenfa o Sol a faz brilhante: Tal o borra coraça6 , que , inda of ndido, Para todos fe inoftra enternecido. Longe de nós a tumida vaidade Qie oTrece fallos cultosá piedade ; Pois todo o mundo quer fazer fciente Do como, e guando ampara o dependente E qual inerte, vil , altiva, e rude Confunde ē m feios vicios a virtudes O que for inrreffeiro defconbece ; Que, fendo a fua bate o vil intreffe, Profana as fintas Leis , (anta amizade, Pudo reduz á propria utilidade : Quando no alheio amparo Iida , e penfa, J Ie feguro na prompta recnmpen fa, Confulta a probidade do fogeito Antes que Ihe defcubras o teu peito, A'•tua preciz p .ó, ao teu empenho Bufca quern poffa dar-lhe o defempenho. Ah ! nunca fatisf3çaó teu dezejo Hum rizo affavel , hum fagaz; cortejo. Eftuda em ter amigos fem rezerva ; Antes fó , e f em elles te conferva. Vê que p.oucos merecerla defafogo ; Que a hum peito duro n d abranda o rogo E fe acato indigente es conhecido , Nem es delle bufcado , nem ouvido. Se huma vez aos teas daninos dá remedio Qando tornas fegunda -he tal o tedio , Que moftr na refpofla á tia queixa , Qe inda o mais animado froxo deixa. Se te encontra , prevendo o ten difgoflo A converfa abbrevia , ou volts o rollo ; 13 9 Fir a , 9 es 'o s i6  ( e lidades de Amigos, e ~eres.. Té que' chegues ao porto que dezejas ,  ` Onde fempre a teu lado a forte vejas , De todo completando os gofios teus. A Deus, meu caro amigo , a Deus , "a Deus; AS 11~1.0~110  le.61.6.11rweza slelbooessum saguse...mré.,11~111,.e, ^..^^ LISI30A, Gerotacio , ve Guijnar, fua Zabrleta , e Roaim2rnda, Na Ofizcina de DO.MINGOS GO N S A 'MES, Amo de MDCCLXXXII. C0nl licerifa" d a Real Meza Genfi^ria, ''^IiV^ 'ii!i^iTIfl^IIHl^llilll!1<,'i^IIIIGI^IIi!I(INIÍRt11111fIi1i^r11P1 ,i01111i11!ril  li ^^ ,, ^ W^J ^^ ī , Na Offic, d atalaiebence C'oM NO