Modernidade literária, tradição e globalização
Abstract
Considering the necessary dialogue between Modernity and tradition, this text aims to reflect on new possible approaches to the concepts of centrality and periphery within the present context of socio-economic and political globalization, thus antecipating the birth of a new multicultural Modernity.
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Modernidade literária, tradição eglobalização Helder Macedo King’s College, Londres Começo por dizer oóbvio: não há modernidade sem tradição. Mesmo quando amodernidade se manifesta em termos de ruptura com atradição, aprópria ruptura reafirma atradição para dela se poder diferenciar. Os bigodes impostos àMona Lisa por Marcel Duchamp são ainda um reconhecimento— euma recuperação— da pintura de Leonardo da Vinci. Num comentário sobre as atitudes profanadoras de Baudelaire, Jean-Paul Sartre escreveu oseguinte: “Oateu não se preocupa com Deus, porque decidiu de uma vez por todas que Deus não existe. Mas osacerdote de missas negras odeia Deus porque Deus merece amor, ridiculariza-oporque Deus érespeitável, empenha-se em negar aordem estabelecida mas, ao mesmo tempo, preserva essa ordem eafirma-amais do que nunca” (Baudelaire. Paris: Gallimard, 1947, 80–81). Algo de equivalente terá acontecido com os movimentos estéticos do início do século passado designados pelo rótulo genérico de “modernismo”. Depois de se ter afirmado através de uma militante iconoclastia, omodernismo tornou-se parte da ordem estabelecida que simultaneamente havia negado oque confirmou. De uma perspectiva actual, oque no modernismo havia sido modernidade já deixou de oser. Asua designação passou aservir para caracterizar oque aconteceu depois como “pós-modernismo”, do mesmo modo que se pode falar de classicismo ede pós-clacissismo ou de romantismo ede pós-romantismo. Transferindo portanto aênfase da diferença para acontinuidade. Seja o“pós-modernismo” oque for nos seus próprios mal definidos termos, modernismo emodernidade deixaram de ser conceitos sinónimos. Equando omodernismo deixou de significar omesmo que modernidade, os bigodes da Mona Lisa tornaram-se parte de uma tradição que também inclui aMona Lisa com bigodes. Creio em todo caso que nas artes— evou-me restringir àliteratura que conheço melhor— há duas atitudes aparentemente opostas, mas finalmente equivalentes, àmodernidade. Uma delas afirma-se como uma ruptura com atradição, epode ser exemplificada nos diversos modernismos do início do século passado que, em Portugal, tiveram expressão paradigmática nas atitudes assumidamente inovadoras associadas àrevista Orpheu. Aoutra resulta do que poderia ser caracterizado como uma modernidade disfarçada de tradição. Esta atitude— ou, talvez mais propriamente, OPEN ACCESS
24 SVĚT LITERATURY / O MUNDO DA LITERATURA estratégia— ésupremamente representada, no contexto da cultura portuguesa, por Luís de Camões. Enquanto que opropósito modernista pode ser sintetizado (como aliás foi, entre outros, por Ezra Pound) no ditame “épreciso ser absolutamente novo”, para um falso tradicionalista como Camões acorrespondente estratégia literária teria sido querer parecer absolutamente antigo. Apoesia de Camões insere-se na tradição ocidental que inclui Virgílio, Ovídio, Dante, Petrarca e, em termos mais amplos, oneoplatonismo renascentista. Mas, como procurei demonstrar em vários estudos, asua profunda originalidade manifesta-se nos subtis deslocamentos de ênfase que impôs aessa tradição, modulando alinguagem do passado para significar uma nova visão do mundo para aqual ainda não havia linguagem feita. Encheu as garrafas antigas com vinho novo. Numa radical mudança de perspectiva, valorizou aexperiência como base do conhecimento, muitas vezes dizendo na linguagem da semelhança ooposto do que os seus modelos ostensivos haviam dito. Camões foi um poeta mais da dúvida do que da convicção, da imanência mais do que transcendência, da observação mais do que da fé, da mudança mais do que da continuidade, de uma sexualidade entendida como indissociável da espiritualidade do amor e, no fim da sua demanda dum novo sentido totalizante para avida humana na terra, foi também opoeta da fragmentação que encontrou no lugar da totalidade desejada. Asua poesia inaugurou apercepção do mundo moderno, omundo da diversidade, onosso mundo de incertezas. OLuís de Camões que usou atradição clássica erenascentista é, em suma, um poeta da nossa contemporaneidade. Como, por razões equivalentes, também éFernando Pessoa, cuja multifacetada obra emergiu do modernismo. Numa atitude perversamente bipolar em relação àcultura, acrítica literária portuguesa tem-se esforçado para caracterizar Fernando Pessoa como um anti-Camões ou mesmo como ohipotético “supra-Camões” que tivesse pretendido ser. Éuma visão redutora dos dois poetas, especialmente de Fernando Pessoa, pondo-oassim agarrado às fraldas de Camões. Prefiro vê-los em termos de complementaridade. Àfragmentação vivida por Camões— oCamões da “vida pelo mundo em pedaços repartida”— corresponde em Fernando Pessoa afragmentação imaginada do eu como uma resposta adequada aesse mesmo mundo fragmentado que éonosso. Vivemos num tempo de paradoxal coexistência de realidades sociais opostas. Por um lado, achamada globalização, diluiu as fronteiras económicas entre nações de vários continentes; e, por outro lado, há uma crescente fragmentação étnica ecultural dentro de nações que atérecentemente se consideravam culturalmente coesas adespeito dos seus desnivelamentos sociais eeconómicos internos. São realidades opostas mas complementares, cada uma delas “com oseu contrário num sujeito”, como disse Camões para significar a“doce paz” que resultasse de um amor que não fosse apenas aprojecção narcísica da identidade na sua própria imagem. Não quero exagerar arelevância do entendimento de Camões sobre os perenes sentimentos humanos quando transferidos para os mutáveis comportamentos sociais. Nestes, na verdade, não éde amor que se trata. Enem sempre resultam numa doce paz. Mas creio que apercepção camoniana sobre anecessária coexistência de contrários nas relações individuais aponta para omais amplo, ede algum modo equivalente problema do reconhecimento das diferenças que confrontam as sociedades nossas contemporâneas. Ecreio igualmente que, tal como Fernando Pessoa (afingir-se em OPEN ACCESS
HELDER MACEDO 25 Alberto Caeiro num outro de si próprio) disse que “aNatureza épartes sem todo”, assim também adiversidade das sociedades modernas éfeita de partes que não constituem um todo uniforme. Estas considerações derivadas de Camões ede Pessoa parecem permitir responder muito simplesmente àpergunta que éotema deste volume— “Século XXI— Que modernidade hoje?”— que dependerá da tradição de que amodernidade derive edo contexto em que amodernidade se exerça. Eque portanto oque poderá ser modernidade para uns não oserá necessariamente para outros. Isto sem dúvida éverdade. Ou deveria ser. Mas há outro factor que afecta apercepção do que possa ser reconhecido como modernidade no nosso tempo. Eesse, que éderivado do poder político eeconómico, éespecialmente relevante para aliteratura, cujo veículo éalíngua em que for escrita. Esse factor éachamada globalização. No mundo pós-moderno da globalização, alíngua multinacional do poder éoinglês. Mesmo as outras línguas da colonização europeia— adespeito do enorme número de falantes edas suas arreigadas tradições culturais— estão aser marginalizadas pela língua inglesa. Tempo houve em que olatim foi alíngua cultural da Europa. Mas como oimpério romano já havia muito que tinha cessado de existir, olatim não estava especificamente identificado com qualquer poder imperial. Olatim éhoje uma língua morta eoinglês tem uma função equivalente àque olatim teve como língua internacional. Mas oinglês não éapenas amagnífica língua que, na sua expressão simultaneamente nacional euniversal, pode ser usada em diálogo com as outras culturas. Étambém alíngua do poder político eeconómico, alíngua multinacional que tende amarginalizar, quando não aobliterar, as outras línguas eculturas, desse modo tornadas periféricas em relação asi próprias. Opróprio conceito sociológico de periferia pressupõe que há um centro do poder político eeconómico do qual se possa ser periférico. E, consequentemente, que aperiferia étudo quanto depende desse poder sem ter apossibilidade de influenciá-lo directamente. Oque, por sua vez, também sugere que oproblema não éapenas político eeconómico eque, por arrastamento, passa aser igualmente um problema cultural. Essas mesmas circunstâncias políticas eeconómicas manifestam-se na imagem que as culturas chamadas periféricas têm de si próprias. Aperiferia, olhando-se com os olhos emprestados do que aceita ser ocentro, vê-se como indubitavelmente periférica. Ou seja, irrelevante. Essa percepção passa aser aimagem que projecta de si própria. Eocentro, não sem razão, vê-se justificado em aceitar essa auto-imagem negativa como verdadeira. Oresultado éum círculo vicioso, uma tautologia tornada verdade factual. Para as culturas do globalizado centro (passe oaparente paradoxo) há, no entanto, uma atitude complementar aesta, que éooutro lado da mesma moeda: só serem capazes de se verem asi próprias mesmo quando parecem estar aolhar para as outras culturas, desse modo reduzindo os horizontes da sua percepção num gradual solipsismo que transforma toda adiferença em semelhança. Sem apercepção da diferença, também alíngua eas culturas associadas ao poder político eeconómico ficarão mais pobres. Como aliás ficaram não incluindo na sua percepção da literatura do século XIX, por exemplo, amodernidade brasileira de Machado de Assis ou, no século XX, de João Guimarães Rosa. Écerto que há traduções. Foi por via de traduções que, por exemplo, ocolombiano Gabriel Garcia Marquez se tornou determinante OPEN ACCESS
26 SVĚT LITERATURY / O MUNDO DA LITERATURA para amodernidade em língua inglesa de, por exemplo, oindiano Salman Rushdie. Eéde saudar que, recentemente, ogrande prémio literário Man Booker tenha decidido alargar as candidaturas aobras em tradução. Mas pode ter também como consequência que só quando traduzidas para inglês as obras escritas noutras línguas sejam consideradas culturalmente relevantes. Actualmente, apenas três por cento das obras literárias publicadas em inglês são traduzidas de outras línguas. Aresultante filtragem tende adepender mais da traduzibilidade do que da qualidade, da semelhança mais do que da diferença, do previsível mais do que do surpreendente. Nada disso éum critério de modernidade. Amodernidade de um Camões ou de um Pessoa manifestou-se na língua em que escreveram eemergiu da cultura que os formou. Quando Camões étraduzido, asua modernidade fica diluída na semelhança com obsoletas equivalências literárias na língua em que está aser traduzido. Quando Pessoa escreveu em inglês, foi um poeta imitativamente antiquado enão criativamente moderno. Os melhores escritores não pensam asua língua, são pensados por ela. Depois ébom que sejam traduzidos, desse modo enriquecendo as tradições literárias de outras línguas, sabendo-se no entanto que uma tradução, quanto melhor for, mais será oequivalente da cópia de uma pintura. As feições da Mona Lisa estão lá todas, mas falta-lhe operigo originário. Falta também que lhe possam acrescentar bigodes iconoclásticos. Tive, há um par de anos, uma curiosa conversa com um escritor que muito admiro, Tom Stoppard. Como bem sabem, ele escreve em inglês eéoriginário da República Checa. Trocámos algumas palavras de cortesia equando ele percebeu que também sou escritor mas que, embora vivendo em Londres há mais de meio século esendo professor numa prestigiosa universidade inglesa, escrevo em português, perguntou apenas: “Como se pode escrever numa língua que ninguém lê?” Não era uma pergunta agressiva. Não estava aser hostil. Percebi, no entanto, que qualquer resposta que lhe desse seria irrelevante. Escrevendo numa língua “periférica”, eu era literariamente irrelevante. Mas percebi também que ele estava, indirectamente, afalar de si próprio. Porventura aconsiderar que também teria escrito numa língua que “ninguém lê” se, devido àocupação nazi do seu país quando ainda era pequeno, não tivesse sido levado para aInglaterra, onde se tornou num relevante escritor “inglês honorário”, como alguém ocaracterizou. Diga-se, no entanto, que há algo de criativamente iconoclástico no modo como o“inglês honorário” Tom Stoppard (ou, para lhe dar onome original, Tomáš Straussler) se inseriu na tradição inglesa. Várias das suas peças teatrais são releituras desestabilizadoras de obras eautores do cânone literário inglês, que assim simultaneamente assumiu esubverteu, manifestando nelas uma tradição anarquista, absurdista esurrealista reminiscente do modernismo checo do início do século passado. Por exemplo, Shakespeare em Rosencrantz and Guidenstern are Dead, Oscar Wilde eJames Joyce em Travesties, Byron em Arcadia eA. E. Housman em The Invention of Love. Atéque, depois de literariamente se ter anglificado, revisitou aHistória recente da sua antiga nação checa em Rock ʼn’ Roll. Creio, em suma, que sem amodernidade que tinha havido no modernismo checo não teria vindo ahaver amodernidade pós-modernista da sua obra de “inglês honorário”. Mas não sei se este exemplo de integração cultural deve ser motivo de optimismo ou de pessimismo para afutura sobrevivência literária das línguas que “ninguém lê”. OPEN ACCESS
HELDER MACEDO 27 Sejamos no entanto optimistas. Porque seria errado ver na globalização apenas aexpressão de um neo-imperialismo adaptado dos anteriores imperialismos nacionais. Em contraste com os antigos impérios, onovo império da globalização não tem um centro de poder territorial específico. Os países de língua inglesa ocupam actualmente uma posição dominante neste novo imperialismo mas, ao contrário das potências imperialistas do passado, oseu poder não énacionalmente definido. Ocentro passou aser um processo que pode ser exercido apartir do que haviam sido as periferias. E, se as regras mudaram, também— epor isso— os modos de sobrevivência das culturas marginalizadas estão amudar, com aparadoxal consequência de que no mundo pós-nacional da globalização começa ahaver um revitalizado lugar para alternativas não centralizadas. Na própria Europa pós-imperial, ao mesmo tempo que as fronteiras nacionais estão aser abolidas, línguas eculturas que durante séculos tinham sido reprimidas pelos estados-nação começam de novo aemergir com renovada pujança: por exemplo ocatalão em Espanha, alanguedoc em França, ogaélico no Reino Unido. Os recentes conflitos na Ucrânia também são manifestações culturais. Como também o foi apacífica separação da República Checa eda Eslováquia. Como também éocrescente ímpeto separatista da Escócia eda Catalunha. Ecomo são os trágicos problemas dos refugiados que actualmente levaram acontrastantes atitudes de esclarecida generosidade ede obscurantista xenofobia por parte de alguns estados europeus. Acontece igualmente— eporventura como uma manisfestação complementar— que, em consequência directa ou indirecta da globalização, começam aemergir novas grandes potências nacionais, atérecentemente consideradas periféricas, capazes de competir com os descentralizados centros do poder político eeconómico. Adespeito de todas as dificuldades, será esse talvez ocaso do Brasil, provavelmente da Índia e, mais crise menos crise, certamente da China. Várias décadas antes de Bartolomeu Dias dobrar oCabo da Boa Esperança, aChina iniciara uma viagem marítima rumo ao Ocidente, descendo acosta africana do lado oposto dos portugueses. Houve uma mudança de dinastia, aviagem foi interrompida euma política isolacionista prevaleceu. Agora, mais de cinco séculos depois, com diferentes métodos eem diferentes circunstâncias, aChina recuperou oseu ímpeto expansionista. Macau tinha sido concedido aos portugueses no século XVI e, embora com dependência administrativa do vice-reino de Goa, sempre serviu mais os residuais interesses do comércio externo da China do que apolítica imperial portuguesa. Actualmente de novo sob ajurisdição chinesa, apresença portuguesa éalgo fantasmática. Mas asobrevivência da língua portuguesa está aser assegurada pela administração chinesa como parte de uma herança colonial transformada num instrumento de política internacional. Usando Macau como base, oensino da língua portuguesa está aser implementado em várias universidades ao longo de toda aChina, projectando-se aformação de vinte mil professores nos próximos dois anos. Certamente que não para oconhecimento das comunidades locais, incluindo amacaense, mas como um veículo da renovada política expansionista chinesa em África, ocrescente comércio com oBrasil e, apartir dos mercados assegurados nos países de língua portuguesa, aconquista de novos mercados nos países vizinhos. Ou seja: uma língua como aportuguesa, tornada culturalmente periférica no conOPEN ACCESS
28 SVĚT LITERATURY / O MUNDO DA LITERATURA texto da globalização pós-colonial, está aser usada pela China como uma alternativa àinglesa. Opropósito éfundamentalmente político eeconómico. Mas omodo como está aser implementado pressupõe igualmente alguma consciência cultural: opresidente da maior emais dinâmica universidade de Macau, que está aliderar oprocesso com acolaboração de um professor de literaturas clássicas erenascentistas da Universidade de Coimbra, éum professor chinês formado em Pequim eespecializado na obra de Luís de Camões, sobre quem escreveu os verbetes para aEnciclopédia Chinesa. Aatitude da China em relação àherança colonial portuguesa contrasta com arecentidamente miópica política da Índia em Goa, onde oportuguês tinha tido uma penetração muito mais profunda eum uso muito mais generalizado do que alguma vez teve em Macau. Enquanto os chineses entenderam que uma língua de herança colonial alternativa àinglesa pode facilitar acomunicação com outras comunidades, aÍndia virtualmente obliterou oconhecimento do português em Goa após aanexação da antiga colónia portuguesa há pouco mais de cinquenta anos. Alíngua europeia que substituiu aportuguesa em Goa éainglesa. Foi uma opção política— e,portanto, também cultural— que pode ter aver com ofacto de aÍndia ser um conglomerado de nações cultural elinguisticamente diversificadas que foram unificadas pelo colonialismo britânico, enquanto que aChina éum vasto país cuja unidade política pre-existia àformação dos estados-nação europeus de futura expansão colonial. Seja como for, ocontraste entre aÍndia eaChina talvez permita considerar que quanto mais integrada— emais segura da sua própria identidade— for uma comunidade nacional, melhor poderá contribuir para asobrevivência de outras línguas epara oconhecimento de outras culturas num mundo de coexistentes diversidades. Sendo assim, em conclusão, quero crer que amodernidade que venha ahaver no século XXI seja oproduto de actuantes diversidades culturais interrelacionadas, cada uma delas “com oseu contrário num sujeito”, como Camões já sabia quando falou do amor como uma forma de conhecimento. Noutro poema— um dos seus sonetos mais conhecidos emenos entendidos— Camões reproduziu, no primeiro verso, aproposição neoplatónica de que “transforma-se oamador na cousa amada / por virtude do muito imaginar”. Edepois, no resto do soneto, demonstra que não, que não se transforma nem deveria transformar-se, porque essa transformação seria aobliteração de um sujeito noutro sujeito tornado objecto. No tempo de Camões, esta era uma concepção surpreendentemente nova. Tão nova etão surpreendente quanto desejo que venha ser amodernidade multicultural deste nosso ainda indefinido século XXI. LITERARY MODERNITY, TRADITION AND GLOBALIZATION Considering the necessary dialogue between Modernity and tradition, this text aims to reflect on new possible approaches to the concepts of centrality and periphery within the present context of socio-economic and political globalization, thus antecipating the birth of anew multicultural Modernity. OPEN ACCESS
HELDER MACEDO 29 KEY WORDS / PALAVRAS-CHAVE: Modernity, modernism, globalization, Camões modernidade, modernismo, globalização, Camões Endereço profissional: King’s College, Londres, Reino Unido Endereço eletrónico: [email protected] OPEN ACCESS