Quem tem medo no conto fantástico do Regionalismo brasileiro?
Abstract
The article argues that the Brazilian rural short-story of the fin de siècle captures the interface between two milieux: the modern–urban and the archaic–rural. After asking whether the term “Regionalism” is an appropriate label for either the short-story or the novel, the article goes on to show that the presence of the supernatural and the uncanny, characteristic features of the fantastic, was not peculiar just to the rural setting but also survived, perhaps less overtly, in the city. The fears and superstitions of a simple peasant might therefore have more in common with the mind of a sophisticated member of the elite than had previously been thought the case.
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Quem tem medo no conto fantástico do Regionalismo brasileiro? Šárka grauová Universidade Carolina de Praga Há certas obras, assim como certos estilos egêneros literários, que consideramos mortas, por não conseguirem mais despertar ointeresse do leitor culto dos tempos atuais. Por um lado, podemos ser vítimas de uma “cegueira literária” que nos faz indiferentes àescrita baseada em modismos, valores, problemas esensibilidades de outras épocas. Por outro lado, podem se ter esgotado as perguntas que soubemos colocar eépreciso esperar por uma nova perspectiva que estimule outras perguntas que conduzam, por sua vez, anovas leituras. Este parece ser ocaso da vertente do conto brasileiro da virada do século chamado “regionalista”. Opróprio rótulo “regionalista” está longe de ser unívoco. Como se sabe, ointeresse pela realidade regional, no Brasil, fazia parte da ânsia do mapeamento do país recém- -independente, desconhecido de si próprio. No dizer espirituoso do escritor português Matheus Albuquerque, “no Brasil, fora do Rio ede São Paulo, tudo omais épaisagem”1. Oprojeto desse mapeamento por muito tempo determinou oângulo da visão sob oqual oBrasil rural aparecia retratado. Consequentemente, ahistoriografia literária vem procurando fazer uma distinção entre uma primeira fase, durante aqual aregião em questão era descrita “de fora”, geralmente da Corte, euma segunda fase, em que aótica procedia “de dentro”, fundamentada numa “consciência regionalista”2. Dessa forma, aliteratura regionalista propriamente dita costuma ser distinta daquilo que échamado “sertanismo”, ficção rural ou narrativas de ambientação rural3. Apesar de compreensível, aideia parece-me de difícil execução. Enquanto oromance regionalista, normalmente produzido por prosadores que passaram maior parte da sua vida na região representada (como p. ex. Franklin Távora, oprimeiro “teórico” do gênero; Rodolfo Teófilo; Manuel de Oliveira Paiva eoutros), éfacilmente interpretado como um contrabalanço passadista à“civilização niveladora”4, diversamente, oconto regionalista em sentido amplo foi muitas vezes escrito por literatos que nasceram na província etinham duradouros vínculos com sua região natal mas, ao mesmo tempo, eram munidos da cultura dos letrados membros da elite brasileira 1 Matheus de Albuquerque. Odeclínio, 1911. Citado em Murari 2009, p.15. 2 Almeida 1999, p.19. 3 Ver p. ex. Castello 1999, p.431ss.; Almeida 1994, p. VI; Almeida 1999, p.42ss. 4 Miguel-Pereira 1988, “Regionalismo”, p.179. OPEN ACCESS
ŠÁRKA gRAUOVÁ 93 da virada do século, eestavam plenamente integrados no omphalos carioca do mapa- -múndi que éoBrasil. Tomemos como exemplos três escritores que poderiam ser considerados encarnações da dificuldade da distinção entre oregional autêntico euma mera ambientação rural nos contos da virada do século. Oprimeiro caso éde Afonso Arinos (1868−1916). Nascido em Paracatu, interior de Minas Gerais, mudou-se com 15 anos de idade para oRio de Janeiro, formou-se em direito em São Paulo, foi jurista ediretor da folha monarquista OComércio de São Paulo. Casou-se com uma Prado, paulista de cepa pura; de 1904 a1914 viveu em Paris, emorreu em Barcelona. Autor da famosa frase “para escrever para opovo, épreciso ser do povo“5, foi chamado por Pedro Calmon, na esteira de Eduardo Prado, “aristocrata do sertão”6, efez um tour pelo sertão na função de guia de dois aristocratas franceses7. Ele escreveu seus contos sobre osertão de dentro ou de fora? Osegundo exemplo éde Henrique Maximiano Coelho Netto (1864−1934)— bode expiatório de todos os cacoetes esdrúxulos da Belle Époque brasileira—, que JoséMaurício Gomes de Almeida considera um autor de narrativas de ambientação rural, “enganosamente chamadas regionalistas”8. Nascido em Caxias do Maranhão, filho de um português euma índia, Coelho Netto mudou-se para oRio de Janeiro com seis anos ena parte preponderante de sua vastíssima obra tratou de temas mais que distantes do mundo do sertão. No entanto, apesar de oseu contato com sertão ter sido tão breve, na entrevista concedida em 1908 aJoão do Rio ele disse: Para aminha formação literária [...] não contribuíram autores, contribuíram pessoas. Atéhoje sofro ainfluência do primeiro período da minha vida no sertão. Foram as histórias, as lendas, os contos ouvidos em criança, histórias de negros cheias de pavores, lendas de caboclos palpitando encantamentos, contos de homens brancos, afantasia do sol, operfume das florestas, osonho dos civilizados... [...] Aminha fantasia éoresultado da alma dos negros, dos caboclos edos brancos. Édo choque permanente entre esse fundo complexo eacultura literária que decorre toda aminha obra...9 Como terceiro exemplo, em contraste com os dois anteriores, pode-se mencionar Hugo de Carvalho Ramos (1895−1921), um goiano que se transferiu ao Rio de Janeiro com 21 anos. Este autor égeralmente invocado como um representante de um regionalismo autêntico— quer dizer, escrito de dentro, em cujos contos atrama erige5 No discurso de posse na Academia Brasileira de Letras 18-IX-1903. Afonso Arinos 2005, p.155. 6 Alceu Amoroso Lima no discurso de posse na Academia Brasileira de Letras. Cf. Lima 1935. <http://www.academia.org.br/academicos/alceu-amoroso-lima-pseud-tristao-de- -ataide/discurso-de-posse>. Acesso 25/05/2015 7 Um deles, Jean de Montlaut, contou essa aventura no livro Sur la trace des „Bandeirantes“ (1918). 8 Almeida 1994, p. VI. 9 RIO, João do: OMomento literário. http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/momento_literario.pdf, p.16. Acesso 22/01/2015. OPEN ACCESS
94 SVĚT LITERATURY / O MUNDO DA LITERATURA -se naturalmente do mundo rural— ehumanista—porque não se enaltece sobre os seus personagens. Apesar disso, seu célebre conto “Pelo Caiapó Velho” (1917) praticamente transpõe para osertão goiano oenredo de “O Bebê de tarlatana rosa” (1910), um conto da autoria de João do Rio— dândi eintelectual extremamente cosmopolita—, publicado poucos anos antes— oqual, por sua vez, pode ter sido inspirado em “Ocancro”, de Fialho de Almeida, um conto da coletânea Opaís das uvas (1893). Pelo caminho do Rio ao sertão, apenas oque era sífilis urbana virou lepra rural. Creio, portanto, que oconto regionalista em sentido amplo leva àcena diversas dualidades referentes àcultura − arural eaurbana, apopular eaerudita, alocal eacosmopolita −, com avantagem de que asua contiguidade se dá num espaço de tal modo conciso que nos deixa tocar em sua interface. Tendo ointeresse pelo documental epela descrição de usos ecostumes pitorescos ultrapassados, parece-me que éjustamente o“choque permanente” entre dois mundos eduas mundividências, de que fala Coelho Netto, que serve como núcleo potencial do ressurgimento de um novo interesse pelo conto regionalista numa época em que as certezas da razão positiva são novamente postas em causa. Sabe-se que arecepção posterior do regionalismo da virada do século foi bastante crítica, eseus adeptos muitas vezes tachados de localistas ebairristas, refratários àmodernização eresponsáveis pela deformação caricatural da imagem do homem do interior assim como pelo mascaramento das relações de poder edominação. Por exemplo, para Antonio Candido, grande artífice do cânone literário brasileiro válido por meio século, o“conto sertanejo” éum “gênero artificial epretensioso” oqual, criando um sentimento subalterno efácil de condescendência em relação ao próprio país, apretexto de amor da terra, ilustra bem aposição dessa fase que procurava, na sua vocação cosmopolita, um meio de encarar com olhos europeus as nossas realidades mais típicas10. Gostaria de sugerir uma leitura diferente. Énotório que oregionalismo, apesar das implicações unilaterais do termo, não se gera apenas no contato do local com onacional ou universal, para oqual fornece conhecimentos de teor documental. Oregionalismo brota também, mesmo que de maneira secundária, do encontro entre oarcaico eomoderno, sondando as profundezas da alma humana eseus estratos: de certo modo, éjustamente oregionalismo que supre afalta dos aspectos negros da alma humana, os quais oRomantismo brasileiro não teve coragem nem condições de captar. No encalço de Mircea Eliade, podemos dizer que no conto regionalista chega aconfrontar-se ohomem moderno— que “consciente evoluntariamente cria ahistória” e, apoiando-se na ciência ena técnica, deseja mudar omundo—, com ohomem tradicional— que vive segundo uma “concepção arcaica, que deveríamos chamar de arquetípica eaistórica”11 epara quem qualquer novidade ameaça todo osistema cósmico de que faz parte ohomem. Enquanto no mundo antigo havia uma evolução natural do estágio primitivo pelo arcaico atéoclássico, omundo rural brasileiro vivia praticamente intacto na sua 10 Candido 2006, p.120. 11 Eliade 1992, p.137. OPEN ACCESS
ŠÁRKA gRAUOVÁ 95 pré-literariedade arcaica atéoadvento da modernidade com suas aspirações totalitárias ao progresso universal euniforme. Foi apenas nos fins do século XIX que as comunidades interioranas foram confrontadas com um estilo de pensamento diferente12. Não épor acaso que Euclides da Cunha declara logo na “Nota introdutória” de Os sertões— livro que descreve abrutalidade do conflito entre oarcaico eomoderno com uma extraordinária força literária— que os representantes “dos princípios civilizadores elaborados na Europa, earmados pela indústria alemã” são separados de seus “extraordinários patrícios” por “uma coordenada histórica— otempo”13. Faz parte do lado sombrio da modernidade ofato de que aquele que deseja mudar omundo não consegue mudar seu conterrâneo sem eliminá-lo. Ocompelle intrare da colonização–catequização éseguido pelo mesmo princípio, desta vez ligado àmodernização— esem escatologia. Adualidade em questão tem no conto regionalista um sustento narratológico, fazendo parte do gênero tanto um narrador popular— com sua linguagem muitas vezes dialetal, mentalidade arcaica eambiência natural— quanto aquele ao qual se dirige asua narração, sendo este um puro interlocutor ou um narratário. De um jeito ou de outro, este éum forasteiro: um senhor da cidade, um vossemecê, patrãozinho ou meu amo, com sua cultura e, quando escritor (como acontece explicitamente em “Dança dos ossos”, de Bernardo Guimarães, eimplicitamente no caso dos narratários de outras tantas narrativas), com acesso ameios de comunicação avançados. Por isso, ofazer literário regionalista sempre aborda também acomplexa relação entre aescrita eaqueles que, no mundo de letras, não têm voz. Ao mesmo tempo, opróprio autor que estabelece esse dualismo éciente do quanto asua presença no mundo rural éambígua, materializando esta consciência nas personagens de intrusos. Em “Ohóspede”, de Lúcio de Mendonça, ointruso que pede pousada émorto por ganância— eéapenas depois do homicídio que os assassinos se dão conta de terem matado seu próprio filho (em plano simbólico, talvez também um filho desvirtuado da terra natal). Acomplexa dialética entre “opróprio” e“odiferente”, com uma ampla gama de significados, passa por uma sequência de contos regionalistas atéo“Famigerado”, de Guimarães Rosa, oqual mostra apermanente estrangeiridade de um homem culto eda ameaça potencial que oseu estilo de pensamento representa para acomunidade que vive fora das coordenadas do mundo moderno. Parece-me que acrítica que segue alinha de interpretação mimética elê oconto regionalista pelo prisma da narrativa realista/naturalista trata, muitas vezes, os autores desses relatos como se fossem seres monolíticos, modernos, em que as influências primárias desempenham pouca relevância. Uma imagem que se me afigura difícil de conceber, por um lado, pela parcialidade eseletividade do projeto modernizador no Brasil da virada do século, e, por outro, pelo fato de que mesmo na Europa avirada do século trouxe um renascimento de religiões heterodoxas eocultismos que, muitas vezes, se apresentavam como sistematização racional de se lidar com osupernatural. Não são poucas as obras literárias brasileiras do período que atestam adiversidade de fenômenos culturais que ferviam sob uma camada tênue da modernidade. 12 Cf. Barnes 2000, esp. Capítulo IV, “Archaic Thought, Preliterate and Literate”. 13 Cunha 2016, p.11. OPEN ACCESS
96 SVĚT LITERATURY / O MUNDO DA LITERATURA Por exemplo, ogeneral Albernaz, de Triste Fim de Policarpo Quaresma (1911), na tentativa de salvar afilha recorria não apenas aos médicos ecientistas, mas também aos espíritas esua homeopatia eaos feiticeiros negros que curavam com tisanas, rezas edefumações. “ORio, como todas as cidades nestes tempos de irreverência”— escreve em 1904 João do Rio, exímio cronista, em seu livro-reportagem sobre as religiões no Rio de Janeiro que chegou avender em pouco tempo dez mil exemplares— “tem em cada rua um templo eem cada homem uma crença diversa. Ao ler os grandes diários, imagina agente que está num país essencialmente católico, onde alguns matemáticos são positivistas. Entretanto, acidade pulula de religiões”14. Nesta época da modernidade tardia, sabemos quantos problemas amodernidade ascendente deixou irresolvidos equanta dúvida infiltrou-se na razão dita civilizada; não foi por acaso que opositivismo acabou trajando as vestes de religião eque, justamente na época do chamado Pré-modernismo, oespiritismo se firmou também no Brasil como uma forma moderna de espiritualidade que, ela também, parece adquirir uma dimensão científica emoderna. Como atesta ocaso anedótico de Coelho Netto, que se converteu ao espiritismo ao ouvir sua neta falecida falar pelo telefone com amãe, um espírito moderno não tem que ser necessariamente imune aos espíritos do além eopensamento arcaico eomoderno não são para um intelectual da virada do século inteiramente incompatíveis: vivem em estratos diferentes da sua personalidade15. Aautoconfiança do homem moderno vem desmoronando, na medida que vamos ganhando aconsciência de que quanto mais modernos somos, menos conseguimos ser senhores do nosso presente, do nosso futuro, do rumo da história tantas vezes diferente daquilo que pensávamos construir. Por isso, somos talvez mais sensíveis avacilações eincertezas daqueles homens de letras que propagavam os ideais modernos, eeram ao mesmo tempo pioneiros na escrita sobre omundo rural eseus habitantes, em vários casos decerto mais vislumbrados que reais. Oespaço do interior edo sertão adquire, pois, na literatura duas representações, ora mistas, ora com existência separada. Uma procura descrever emapear oBrasil desconhecido, esforçando-se por captar aalteridade do caipira; aoutra utiliza osertão como uma tela de projeção onde tomam forma os medos eas ânsias do homem modernizado que se pôs ao caminho do conhecido ao ignoto. Como aponta Jean Cazeneuve no seu livro sobre amentalidade arcaica, omundo da “natureza despojada de seus significados subjetivos não éuma realidade onde ohomem possa viver”16. Em outras palavras, omundo da ciência edo pensamento por ela inspirado separou-se do mundo vivido edo seu horizonte de experiência. Avelha ordem que fez ohomem sentir-se parte integral do universo cedeu lugar auma ordem baseada nas promessas futuras, aqual deixou, porém, muitas angústias presentes sem resposta. Além disso, justamente na época em que os homens de letras brasileiros escreviam seus contos da área de interação de dois mundos eduas culturas, aantropologia moderna (Marcel Mauss), reforçada pela psicanálise (Sigmund Freud), descobria no homem contemporâneo camadas do pensamento primitivo, “uma estrutura psíquica arcaica”. George Devereux, etnopsiquiatra francês de raízes húngaras, chamou 14 Rio 2006, p.4. 15 Cf. Del Priore 2014. 16 Cazeneuve 1961, p.121. Apud Fabre 1992, p.27. (Tradução minha.) OPEN ACCESS
ŠÁRKA gRAUOVÁ 97 aatenção ao fato de que mesmo ohomem plenamente moderno tem momentos em que pensa eage de maneira prelógica, especialmente em situações graves acompanhadas de uma desorientação ou em stress afetivo17. Creio que épor isso que no conto regionalista brasileiro aparecem tantos contos de horror, os fantásticos, insólitos e, sui generis, góticos, que espelham as preocupações existenciais de seus autores, arautos da modernidade. Mencionando apenas aqueles que poderiam ser considerados fantásticos, afileira vai desde “Adança dos ossos”, de Bernardo Guimarães, passando por “Acauã”, de Inglês de Sousa; “Os curiangos”, de Valdomiro Silveira; “Assombramento”, de Afonso Arinos; “No manantial”, de Simões Lopes Neto; e“ARita do Vigário”, de Viriato Corrêa; até“Oar do vento, Ave Maria”, de Manuel Oliveira Paiva. Estas prosas curtas da virada do século examinam as fronteiras entre este mundo eooutro, questionam ocaráter definitivo da morte eapresença de seres sobrenaturais, as possibilidades da sua interferência na nossa vida, averacidade do pressentimento, emuitos outros temas que fizeram parte do mundo mental do homem desde os tempos imemoriais. Lembremos que oconto, antes de sua existência culta, era uma “forma simples” que ohomem arcaico inventou para compartilhar aexperiência, transmitir asabedoria eperpetuar os mitos. Oconto literário brasileiro que nasceu no século XIX como uma forma ligada aos jornais erevistas recebeu como herança natural uma tradição oral de legendas, estórias ecausos. Éna sequência da literatura oral que os contos regionalistas apresentam narrativas compartilhadas ao redor da fogueira onde um caipira conta seu testemunho em relação aum fenômeno sobrenatural; uma história de um destemido que pagou caro por ter feito pouco caso dos relatos sobre um lugar assombrado; os sinais agourentos que antecipam acontecimentos trágicos, como se omundo natural tivesse informações sobre odestino do homem ou como se anatureza tivesse poder de formá-lo. Como no contos fantásticos tradicionais oque está em jogo étambém aquestão do medo, oconto regionalista retoma omodelo literário tradicional no qual aintrepidez éuma qualidade dos amos enquanto acovardia éuma qualidade dos plebeus. Oerudito moderno, parecido aos cavaleiros antigos, deve levar para as tênebras da superstição aluz da razão eda ciência que um dia elevaria amodernidade aum “tempo livre de toda amatéria de que são feitos os medos”18. Curiosamente, em vez disso, ele recorre agêneros que são uma materialização da incerteza. Há uma gota do arcaico em cada moderno. BIBLIOGRAFIA 17 Devereux, p.234. Ibidem. 18 Bauman, p.8. Almeida, JoséMaurício Gomes de. “Coelho Netto: Escritor Maldito”. In Coelho Netto, Henrique Maximiano. OMorto. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Departamento Nacional do Livro, 1994. Almeida, JoséMaurício Gomes de. Atradição regionalista no romance brasileiro. Rio de Janeiro: Topbooks, 1999 (2ª ed.). Arinos, Afonso. “Discurso do Senhor Afonso Arinos”. In Discursos acadêmicos. Tomo I, OPEN ACCESS
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