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O desenvolvimento de um grupo de licenciandos numa disciplina de prática de ensino de Física e Biologia

Villani, Alberto; Franzoni, Marisa; Valadares, Juarez Melgaço

Abstract

Villani, Alberto; Franzoni, Marisa; Valadares, Juarez Melgaço

Full text

1 ENSEÑANZA DE LAS CIENCIAS, 2005. NÚMERO EXTRA. VII CONGRESO O DESENVOLVIMENTO DE UM GRUPO DE LICENCIANDOS NUMA DISCIPLINA DE PRÁTICA DE ENSINO DE FÍSICA E BIOLOGIA VILLANI1, ALBERTO; FRANZONI2, MARISA; VALADARES3, JUAREZ MELGAÇO 1Ins i u o de Física – USP (com auxilio CNPq-Ap esen ado ). 2Dou o ado em Educação –USP. 3Dou o ado em Educação - USP. Pala as cha e: Fo mação de P o esso es; G upos; Psicanálise e Educação; P a ica de Ensino; Es ágio. 1. OBJETIVO Nes e abalho analisa emos o desen ol imen o de um g upo de Licenciandos na disciplina de P á ica de Ensino de Física e de Biologia, na qual de e iam p opo um planejamen o cole i o e in e disciplina pa a um conjun o de aulas a se desen ol ido no ensino undamen al da ede pública. P ocu a emos mos a como a e olução do g upo pode se in e p e ada a pa i dos e e enciais de Bion (1970) e Kaës (1997) e como al in e p e ação o nece pis as impo an es pa a a o mação de u u os p o esso es. 2. QUADRO TEÓRICO-CONCEITUAL Pa a Bion, o desen ol imen o de um g upo é ma cado pela ensão en e duas modalidades: o g upo de a- balho, quando as a i idades são eguladas pela coope ação en e os componen es do g upo e pelas exi- gências obje i as da a e a, e o g upo de suposições básicas, ca ac e izado po uma adesão anônima en e os memb os do g upo com in ensas emoções que in luenciam sua o ganização. Dependendo do con li o que o g upo i encia, uma suposição básica pode i a se p eponde an e na sua dinâmica de o ma a enco- b i as angús ias e p opo ciona a sa is ação de seus memb os. A suposição de dependência suge e que o g upo es á eunido pa a ecebe de alguém ou de alguma idéia a sua segu ança; a de lu a- uga é a an asia cole i a de a aca e se a acado po um inimigo; a suposição básica de acasalamen o é quando os memb os espe am que um a o ou uma idéia indou os sal a ão o g upo de suas ansiedades pe secu ó ias. Kaës, po sua ez, cen a sua análise nas elações en e os elemen os que ca ac e izam a dinâmica g upal, p ocu ando pe cebe os p ocessos de ligação, des inculação e ge ação de no os ínculos a pa i de mudan- ças nas p á icas ins i ucionais. Pa a ele exis e um momen o o iginá io de cons i uição do g upo. Esse momen o em uma unção uni ica- do a, quando são cons uídos an o uma iden i icação en e cada um dos memb os pa a a ealização de seus desejos (con a o na císico) quan o os mecanismos de de esa con a os pe igos que podem ameaça a g upalidade em cons ução (pac os denega i os). Um segundo momen o começa com a eme gência de exi- gências indi iduais dos sujei os e de no as a e as e comp omissos elabo ados pelo p óp io g upo: é a colo- cação de um en elope g upal, com o enunciado das p imei as eg as em comum. Se o g upo e olui , pas- 2ENSEÑANZA DE LAS CIENCIAS, 2005. NÚMERO EXTRA. VII CONGRESO sa á po um momen o igu a i o quando os memb os já se econhecem como g upo sem, no en an o, p i- ilegia as con ibuições indi iduais de cada memb o. O g upo pode á alcança o momen o mi opoé ico, no qual as escolhas são esul ados de uma colabo ação pe sonalizan e e são colocadas em p á ica ou as ela- ções g upais, p i ilegiando ce a di e enciação. Finalmen e, o concei o de in e mediá io é p opos o como conec o em um momen o de up u a en e os laços que man ém as elações in e subje i as e/ou en e dois espaços he e ogêneos. Esse in e mediá io é cons uído pa a o nece condições ao sujei o de encon a um luga no qual sua p á ica seja econhecida pelo g upo na o ma de abalho p opos a. 3. CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS Os dados o am le an ados num cu so de o mação inicial de p o esso es de Física e Biologia, minis ado em uma Uni e sidade Fede al B asilei a no ano de 2000. Os licenciandos de e iam p og ama , minis a e a alia as aulas no es ágio (Pie son e al, 2000). Os dados se cons i uí am dos egis os em ídeo das aulas de um g upo de 5 licenciandos na Escola, da il- magem dos encon os ex a-classe e dos encon os com as p o esso as, de nossas ano ações e de en e is- as, g a adas em áudio e ídeo com os componen es do g upo (F anzoni, 2004). A análise p ocu ou econs- ui os e en os mais signi ica i os e in e p e á-los a pa i do e e encial eó ico 4. OS EVENTOS SIGNIFICATIVOS E SUA INTERPRETAÇÃO O Momen o O iginá io.As p o esso as esponsá eis pela disciplina con ida am os licenciandos ( ísicos e biólogos) a se en ol e em no desen ol imen o dos p oje os de es ágio. Inicialmen e hou e um deba e sob e um ex o que explo a a o planejamen o minucioso de uma p o esso a e o e ei o em seus alunos du an e a sua aplicação em uma aula. A a e a oi localiza os elemen os posi i os e nega i os do planejamen o e en ol eu a ap esen ação de a gumen os em plená ia. A segunda a i idade oi uma isi a à uma áb ica de lápis da egião na p ocu a de in o mações sob e seu p ocesso de p odução. A suges ão das p o esso as oi inicia o planejamen o das aulas do es ágio a iculando os 'conhecimen os’ adqui idos a pa i da isi a e do deba e. Elas se dispuse am a acompanha as euniões dos g upos, subsidiando as p opos as nos momen os de di i- culdade ou de impasse. As p o esso as, seduzidas pela necessidade de modi ica a o mação de p o esso es de Física e Biologia, ize am um con i e inicial pa a que os licenciandos pa icipassem de uma expe iência ino ado a. O con i- e de unda uma ou a o ma de ag upamen o, mais solidá io e pa icipa i o, o nou-se o momen o o igi- ná io de no as elações no g upo. Os memb os o am seduzidos pela an asia undado a das p o esso as, que islumb a am uma disciplina capaz de muda a elação dos licenciandos com o conhecimen o discipli- na e com seus espec i os alunos. O en usiasmo mani es ado po eles, an o na discussão em sala de aula quan o na isi a à áb ica, suge e que se coloca am numa suposição básica de acasalamen o, sonhando que ao inal da disciplina eles se o na iam p o esso es ino ado es e capazes de mo i a seus alunos. A Fase de Cons i uição do G upo.O g upo analisado oi bas an e ecep i o em elação às p opos as con- c e as das p o esso as e logo acei ou a suges ão de uma delas escolhendo como es a égia de ensino a his ó- ia da ciência pa a aba ca o ema Fo ossín ese e Ene gia pa a seus alunos. Os encon os en e o g upo e as p o esso as oco e am com g ande eqüência; num deles, hou e ou o con i e pelas docen es pa a que o g upo u ilizasse a his ó ia da ciência e ocalizasse as idéias p é ias dos alunos. Foi isí el, nesse momen o, o es o ço dos licenciandos em u iliza em as o ien ações das p o esso as no que se e e e à o ganização e às es a égias que pode iam se u ilizadas nas aulas. O que o g upo e e i amen e que ia e a que os alunos pa - icipassem e se in e essassem pelas aulas; a a iculação do con eúdo sem up u as com as idéias p é ias dos alunos pa ecia mais uma exigência suplemen a , u o de um conhecimen o ainda não ans o mado em sabe g upal. 3 ENSEÑANZA DE LAS CIENCIAS, 2005. NÚMERO EXTRA. VII CONGRESO As a i idades iniciais da disciplina cons i ui am a ase de elabo ação de um modelo de g upo, delineando um con a o na císico (o planejamen o e a i ência de aulas in e essan es e en ol en es) e pac os denega- i os (o ecalque de qualque ques ionamen o sob e a iabilidade da me a e a colabo ação g upal). Os alu- nos es a am con o á eis em seu no o papel, pois esponde am ao con i e adminis ando a suposição bási- ca de dependência, como pode se in e ido pela insis ência dos alunos em ade i às suges ões das p o esso- as, inclusi e de manei a ac í ica; mui as ezes os alunos abalha am sozinhos, le an ando e discu indo as p opos as, mas pa ece que a necessidade da ap o ação das p o esso as semp e es e e p esen e, de modo explíci o ou la en e. Pa a nós, nesse momen o, o mas e ep esen ações dependen es e au ônomas con i- iam lado a lado: as inicia i as do g upo e as suges ões docen es unciona am e e i amen e como in e me- diá ios pa a a consolidação do g upo. O Momen o do En elope G upal.Desde os p imei os encon os pe cebeu-se que um dos colegas (I) não es a a dispos o a in es i no planejamen o e desen ol imen o cole i o das aulas; mesmo assim, o g upo bus- cou oca idéias e abalha a pa i das di e enças de seus memb os, en ando p ese a a p opos a inicial e a in eg idade g upal. É in e essan e no a que a o ma escolhida po um deles (GUI) pa a incen i a a pa - icipação de I, co igindo uma inicia i a pouco consis en e, oi semelhan e à u ilizada po uma das p o esso- as quando des aca a possí eis equí ocos das aulas dos licenciandos: ela semp e ecupe a a aspec os posi i- os e os u iliza a pa a o na mais acei á eis as co eções. A es a égia de ensino da p o esso a ha ia un- cionado como con i e implíci o pa a GUI no a amen o com o colega e com seus alunos. Numa ou a ocasião as p o esso as consegui am desloca os memb os do g upo da sensação de comple ude, ques ionando suas a uações. As in e enções docen es a ingi am o g upo de al o ma que cada licenciando começou a desen ol e uma análise c í ica de suas aulas e das aulas dos colegas, semp e com a enção espe- cial aos alunos. Vá ios alunos pe maneciam desligados nas aulas, en ol idos com con e sas e ques ões di e- en es do ema ou das a i idades p opos as. A ensão daquele momen o, que e a esul ado da us ação com as aulas e do possí el eceio de no os acassos, oi explo ada pelas p o esso as que pe mi i am que ela osse i enciada de o ma in ensa e, pos e io men e supe ada. Nes a ase duas con ibuições o am signi ica i as: o papel decisi o da lide ança de GUI, que p opicia a um bom uncionamen o do g upo, inclusi e inco po ando o modo de agi de uma das p o esso as e o papel de co e e simul aneamen e de ampa odas p o esso as, que in oduzi am limi es pa a o uncionamen o g u- pal: pa a a ança p ecisa a olha pa a a ealidade dos alunos. As elações no g upo, e des e com a a e a p opos a, aumen a am em complexidade, man endo-se os con a os e pac os en e os memb os: a lide an- ça man inha o ideal comum de ealiza bem a a e a e a hos ilidade en e seus memb os, sob e udo em ela- ção ao que não colabo a a, e a ecalcada; a con on ação do g upo com os aspec os desag adá eis pe mi- iu planejamen os menos de ensi os e mais includen es. O Momen o Figu a i o. Um e en o, que mos ou a g ande impo ância das in e enções docen es e seus e ei- os de mediação na passagem en e di e en es ní eis de a uação, oco eu na ocasião de uma discussão em ple- ná ia na qual o ema e a o con ole da disciplina escola . Em pa icula , hou e uma colocação do GUI en- ando da pis as aos colegas: na sua aula ha ia um aluno que não pa icipa a e in luencia a os colegas pa a que ambém não pa icipassem. Vá ias idéias o am colocadas em discussão pa a en en a o p oblema. A p imei a delas, compa ilhada po á ios licenciandos, oi a de que o aluno em ques ão de e ia se desp e- zado. As p o esso as chama am a a enção sob e a eação do aluno ao longo das aulas que e a a de quem se sen e desp ezado. Man ê-lo nes a posição, em suas isões, não con ibui ia pa a qualque mudança do aluno, bem como pa a a melho ia das aulas do es ágio. Nesse momen o GUI mos ou aos demais colegas a escol- ha ei a pelo seu g upo: a iden i icação do líde (da bagunça) oi o pon o de pa ida na di eção de en a en ol e o aluno, con idando-o pa a as a i idades e, especialmen e, pa a lide a uma delas. O 'sucesso’ do abalho do g upo ao se ap esen ado em plená ia ge ou cu iosidade po pa e dos colegas de ou os g upos. Esse momen o pe mi iu ao g upo compa a suas a i idades com as dos demais g upos de licenciandos e pe cebe a qualidade do p ocedimen o g upal que inha egulado odo o p ocesso, desde a iden i icação do aluno a é a elabo ação de um a amen o mais adequado, uma up u a com as adições escola es. 4ENSEÑANZA DE LAS CIENCIAS, 2005. NÚMERO EXTRA. VII CONGRESO O Momen o mi opoé ico.Com a in enção de en ol e os alunos com as aulas, os licenciandos ealiza am um abalho de pesquisa com os alunos em g upos, desen ol e am um expe imen o sob e o ossín ese no labo a ó io ( a amen e usado pelos p o esso es da escola), ize am uma discussão sob e di e en es o mas de ene gia a pa i de um apa elho de Van de G aa (que queb ou a o ina da sala de aula) e ealiza am uma a i idade sob e eciclagem a pa i da cole a do lixo da Escola. A úl ima a i idade oi uma en a i a de ecu- pe a alguns conhecimen os sob e a Fáb ica de lápis, a a és de pales as assis idas pelos licenciandos e seus alunos du an e a isi a. Além disso, os memb os do g upo começa am a aze in e enções nas aulas dos colegas, isando um abalho mais e icien e com os alunos. O g upo já podia ealiza com segu ança inicia i as au ônomas. As no as a i idades o am pensadas e dis- cu idas den o do g upo de abalho, e as p o esso as o na am-se assesso as do g upo. Em nossos dados apa ece cla amen e que o g upo assumiu o comp omisso de iden i ica os p oblemas, p opo idéias e en en a os desa ios. Podemos dize que o g upo uncionou bem como in e mediá io pa a o p oje o e seus memb os, ao a icula os di e sos sujei os e as p á icas escola es: cada um ap esen a a suas opiniões e suges ões pa a as aulas sem medo de se de on a com o di e en e.1 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS A e olução do g upo, desde o con i e inicial o mulado pelas p o esso as, que apon a am pa a um cu so pi o esco, a é a au onomia inal, com a assesso ia das mesmas auxiliando a en en a a ealidade das salas de aulas, mos a a possibilidade de uma o mação de p o esso es comp ome ida com a cons ução de sabe- es docen es (Ta di , 2000). En e an o, ela oi o esul ado de um encon oen e a es a égia de in eg ação p og essi a das p o esso as e a dinâmica g upal dos licenciandos. As inicia i as das p o esso as o a c ia- am espaço de in imidade com os licenciandos, pa a a ai seus in es imen os e o na mais lexí eis em seus p oje os, o a p o oca am up u as, pa a que i enciassem os limi es da ealidade. Dessa o ma, o - na am isí el o que es a a in isí el (a impo ância da pa icipação e ap endizagem dos alunos), e ans- o ma am o não amilia em amilia (as elações en e o p oje o, os con eúdos e as concepções dos alu- nos). Um dos obje i os des a ope ação e a de pe mi i o econhecimen o do ou o e de suas p á icas, po meio de ou os alo es e pos u as. Po sua ez, os memb os do g upo analisado mos a am seu comp omisso g upal, passando de uma ase de ince eza ela i a quan o aos papéis de cada um quan o à no idade in oduzida a é uma o ganização mais au ônoma e segu a, que oi além da con ocação das p o esso as, pois os in e mediá ios cons uídos ao longo do caminho ul apasssa am as inicia i as delas. O g upo se empenhou de manei a o iginal na in e - p e ação das oco ências e, consequen emen e, nas mudanças nas aulas do es ágio. Conseguiu supe a a he e ogeneidade inicial sem, con udo, o na -se homogêneo: oi deixado espaço pa a cada um de seus memb os se exp essa e agi de aco do com seus impulsos e, p incipalmen e, in oduzi o econhecimen o de ou os pon os de is a, pensados e inco po ados com c ia i idade. Nossa análise, a pa i dos e e enciais ado ados, pe mi iu mapea an o o desen ol imen o do g upo e suas in e ações com a a e a p opos a quan o a con ibuição das p o esso as. Elas ope a am como modelo posi- i o (p ocu ando cons ui alianças em o no da impo ância do conhecimen o), em essonância com a ase em que o g upo se encon a a (sus en ando as possí eis up u as) e omen ando a c ia i idade do g upo (ab indo espaço pa a inicia i as o iginais). 1. “Tenho ce eza que uncionamos como um g upo unido, semp e es á amos con e sando ...Mui as o am as euniões de nosso g upo pa a discu i as aulas dadas e aquelas a se em dadas;.... no ei que ce os pon os e am comuns ao g upo. Ti emos mui as disco dâncias e acho isso na u al, mas o pon o comum que i emos oi uma on ade in ínseca de que e melho a as aulas...” (UI). 5 ENSEÑANZA DE LAS CIENCIAS, 2005. NÚMERO EXTRA. VII CONGRESO BIBLIOGRAFIA BION, W.R. (1970) Expe iências com G upos. Rio de Janei o, Imago Edi o a, 2. ed. FRANZONI, M. (2004) Os pon os de essonância en e os con i es docen es e a cons ução de sabe es na o mação ini- cial de p o esso es. Tese de Dou o ado. FEUSP. KAËS, R. (1997): O g upo e o sujei o do g upo: elemen os pa a uma eo ia psicanalí ica do g upo. T adução José de Souza e Mello We neck - SP: Casa do Psicólogo. PIERSON, A.; FREITAS, D.; VILLANI, A.; FRANZONI, M. (2000): Uma expe iência in e disciplina na o mação inicial de p o esso es. VII ICPTE, CD-ROM, Canela. TARDIF. M.(2000) Sabe es p o issionais dos p o esso es e sabe es uni e si á ios... Re is a B asilei a de Educação 13, 5-24.